Desenvolvimento e
Sustentabilidade
Aula 10 – Ecologia Política e Marxismo
Vitor Vieira Vasconcelos
São Bernardo do Campo - SP
Julho de 2019
Conteúdo
 Ecologia Política
 Marxismo e desenvolvimento
 Marxismo e Ecologia Política
• Ideologia
• Trocas Desiguais
• Expropriação dos recursos naturais
• Alienação do consumo
• Princípio da esperança e utopia
• Ecossocialismo
O que vimos de sobre esses temas até agora?
 CEPAL e desenvolvimento econômico
• Raúl Prébisch: Relações desiguais entre países
• Celso Furtado: Elites locais impedindo mudanças sociais
 Dumping ambiental
 Exportação da entropia entre países desenvolvidos e
subdesenvolvidos
 Financiamento internacional para expropriação de
recursos naturais em países pobres
 Crítica aos discursos das elites econômicas e do Banco
Mundial
Texto base
LIPIETZ, Alain.
A ecologia política e o futuro do marxismo.
Ambiente e sociedade. 2003, vol.5, n.2, pp. 9-22.
Ecologia Política
 Entender as relações políticas e de poder
nos problemas ambientais
 Problemas ambientais locais se
relacionam a relações políticas em
escalas mais amplas
 Mostrar os conflitos socioambientais e se
posicionar criticamente sobre eles
ROBBINS, Paul. Political ecology: A critical introduction. John Wiley & Sons, 2011.
Ecologia Política
 Abordagem interdisciplinar
• Ambiente
• Sociedade e economia
• Relações políticas / poder
ROBBINS, Paul. Political ecology: A critical introduction. John Wiley & Sons, 2011.
Ciclo Hidrológico
https://escolaeducacao.com.br/ciclo-da-agua/
http://www.humboldt.org.co/en/noticias-2/press/item/1075-catorce-huellas-profundas-en-el-agua
Ciclo Hidrossocial
Linton, J., & Budds, J. (2014). The hydrosocial cycle: Defining and mobilizing a relational-dialectical approach to water. Geoforum, 57, 170-180.
http://www.ruthmacdougall.work/Hydrosocial-Cycle
Linton, J., & Budds, J. (2014). The hydrosocial cycle: Defining and mobilizing a relational-dialectical approach to water. Geoforum, 57, 170-180.
Transformação do ciclo hidrossocial ao
longo do tempo
Conflitos sociais pela água
Ghalsasi, Tejas. 2013. Water conflicts in India and abroad.
https://www.slideshare.net/tejasghalsasi/dams-water-conflicts-in-india-and-abroad
Áreas de tensão por recursos hídricos
Peek, Katie. 2014. Where will the world water conflicts erupt? Science.
Comissão Pastoral da Terra (2019) Conflitos no campo Brasil 2018. Centro de
Documentação Dom Tomás Balduino
71
45
87
46 46
87
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2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Localidades em conflitos rurais envolvendo
água no Brasil
http://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/
Environmental Justice Atlas
https://ejatlas.org
Engajamento das universidades com
comunidades atingidas por impactos ambientais
https://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/observatorio-de-conflitos-ambientais/mapa-dos-conflitos-ambientais/
Apoio técnico aos impactados pelo rompimento da
barragem de Bento Rodrigues, Mariana, pelo GESTA
http://www.aba.abant.org.br/files/20180308_5aa16473d6197.pdf
Conteúdo
 Ecologia Política
 Marxismo e desenvolvimento
 Marxismo e Ecologia Política
• Ideologia
• Trocas Desiguais
• Expropriação dos recursos naturais
• Alienação do consumo
• Princípio da esperança e utopia
• Ecossocialismo
Histórico do conceito de Desenvolvimento
 Georg Wilhelm Friederich Hegel (1770-1831)
• Dialética da evolução do pensamento humano e da sociedade
Tese Antítese
Síntese Antítese
Síntese Antítese
Síntese
Menos
perfeito
Mais
perfeito
Hegel, G.W.F., 1807. Philosophy of Spirit. Oxford University Press.
Karl Marx (1818-1883)
Sistema
socioeconômico
Críticas ao sistema
socioeconômico
Críticas ao sistema
socioeconômico
 Aplicação da dialética hegeliana nas
mudanças dos sistema socioeconômicos
(materialismo histórico/dialético)
Sistema
socioeconômico
Sistema
socioeconômico
Marx, Karl. Capital. 2nd Edition. 1873.
Karl Marx
Infraestrutura
Humano-Natureza
Forças produtivas
Estrutura
Humano-Humano
Relações econômicas,
de produção e distribuição
Superestrutura
Instituições-Sociedade
Organização social,
valores morais
Possibilita
Possibilita
Alteram
 Cada modo de
infraestrutura pode gerar
diversas estruturas
possíveis
 Cada estrutura pode
gerar diversas
superestruturas possíveis
 Alterações nas
tecnologias produtivas
(infraestrutura) levam a
novas formas de
estrutura e
superestrutura
Marx, Karl. "A contribution to the critique of political economy." 1859.
Marxismo
 Praxis
• Fatos humanos a partir de condições objetivas
• Contraposição ao idealismo
 Luta pela sobrevivência: TRABALHO
 Criação de Instituições
• Família (divisão sexual do trabalho)
• Pastoreio e agricultura (divisão social do trabalho)
• Troca e comércio (distribuição social dos produtos do trabalho)
 Grupos sociais dominantes
• Criam valores para justificar as instituições: IDEOLOGIA
• Usam leis e a força para manter essas instituições
Conteúdo
 Ecologia Política
 Marxismo e desenvolvimento
 Marxismo e Ecologia Política
• Ideologia
• Trocas Desiguais
• Expropriação dos recursos naturais
• Alienação do consumo
• Princípio da esperança e utopia
• Ecossocialismo
Ideologia
O que é?
Um sistema
de ideias
para legitimar
o status social
Uma explicação
da realidade
criada para
iludir e
engandar
Uma forma de
consciência
forjada para
alienar as
multidões
garantindo
assim
interesses de grupos
dominantes
Chauí, Marilena. O que é ideologia. Brasiliense, 2017.
Características da ideologia
Que são:
Anterioridade
que é
manutenção de
valores
predeterminados
Generalização
que é
tornar interesses
particulares em
interesses gerais
Lacunar
que é
ocultar a
origem dessas
ideias
fazendo crer
que são naturais,
desejáveis e imutáveis
Chauí, Marilena. O que é ideologia. Brasiliense, 2017.
Instrumentos ideológicos da
superestrutura
Valores
 Escola
 Religião
 Famílias
Repressão
 Sistema legal
 Polícia
 Exército
Louis Althusser
(1918-1990)
Althusser, Louis. Sur la reproduction. Paris: Presses
Universitaires de France, 1995
Desenvolvimento Sustentável como ideologia
 Definição vaga:
• todos concordam com o princípio
• mas esconde os conflitos
 Não propõe alterar o capitalismo
• Desigualdade social estrutural
• Exploração dos mais pobres
 Aposta em um desenvolvimento contínuo ilimitado
 Uso ideológico
• Casos isolados são veiculados como marketing verde
• Na soma total, o impacto ambiental continua se acelerando
BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é: o que não é. Petrópolis: Vozes, 2012.
OLIVEIRA, Leandro Dias de. A Geopolítica do Desenvolvimento Sustentável: um estudo sobre a Conferência
do Rio de Janeiro (Rio-92), 2011. 283 p. Tese de Doutorado. UNICAMP, Campinas – SP, 2011.
Relatório Brudtland como Ideologia
E o nosso “presente comum” (intrageracional)?
A desigualdade socioambiental já existe hoje
Direciona o olhar ao future e tira o foco do presente
Intergeracional
Nosso futuro comum
Portilho, Fátima. Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania. Cortez, 2005.
Trocas desiguais
 Troca desigual socioeconômica
• Capitalista extrai mais valia do trabalhador (lucro) - Marx
• Países centrais se enriquecem com o trabalho dos países
periféricos
• Troca desigual eco-econômica
– Externalidades: prejuízos pelos impactos ambientais não estão
inclusos no preço dos produtos
– Os impactos ambientais são direcionados para:
• Habitantes mais pobres
• Países mais pobres
– Externalidades são estratégias dos capitalistas para lucrar mais
O mais
poderoso
define as
regras de
troca mais
vantajosas
• Dialética: contradições sociais e ambientais levam a revolta social
– Pressão sobre governos e empresas
Altvater, Elmar. (1995). O preço da riqueza: pilhagem ambiental e a nova (des) ordem mundial. São Paulo: UNESP, 333.
Montibeller-Filho, Gilberto. O mito do desenvolvimento sustentável: meio ambiente e custos sociais no moderno sistema produtor de
mercadorias. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2001.
Geopolítica do Desenvolvimento Sustentável
Missão dos países centrais:
cuidar para que os países pobres protejam a natureza
Missão dos países periféricos: cuidar da natureza
Oliveira, L.D. A Cidade e o Modelo de Desenvolvimento Sustentável. Rio de Janeiro: UERJ/CEDERJ. 2016
Paradoxo de Lauderdale
Aumento da riqueza privada se dá pela
apropriação da riqueza pública (bens comuns)
James Maitland, 8th Earl of
Lauderdale (1759-1839)
https://www.grain.org/article/entries/93-seized-the-2008-landgrab-for-food-and-financial-security
Lauderdale, Jaimes Maitland (1819). An Inquiry into the Nature and Origin of Public Wealth and into the
Means and Causes of its Increase. Edinburg: Acrchibald Constable & CO
Geração de Escassez Artificial
População tem acesso livre
aos recursos naturais
Apropriação pela elite e restrição do
acesso aos recursos naturais
População precisa trabalhar para a elite
para ter acesso aos recursos naturais
Quanto mais escassez artificial de recursos
naturais e menos vagas de trabalho, mais as
pessoas se esforçam para trabalhar
Estratégia do Capitalismo
Hickel, Jason. Degrowth: a theory of radical abundance. Real-world Economics Review, 87, 2019
Geração de Escassez Artificial
Lei Áurea – 1888
Abolição da escravidão
Lei de Terras – 1850 Os escravos libertos e
imigrantes não poderiam
ocupar terras devolutas no
Brasil
Manutenção da força de
trabalho para os
proprietários rurais
brasileiros
https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiadobrasil/as-leis-abolicionistas.htm
Geração de Escassez Artificial
FMI – Consenso de Washington
Austeridade fiscal corte em políticas de serviços básicos
Aumento da competição por trabalho para conseguir ter
acesso aos serviços privados
Hickel, Jason. Degrowth: a theory of radical abundance. Real-world Economics Review, 87, 2019
Consumo na Teoria Marxista
 Capitalismo
Camponês Trabalho Produto Consumo
Satisfação
pelo
trabalho
• Ontologia Trabalho X Consumo
– O trabalho e o consumo constroem a identidade
Operário
Trabalho
alienado
Mercadoria
Consumo
Alienado
Para vender
força de
trabalho,
e não para
consumo
Aspecto mágico
(fetichismo)
pelo marketing
Oculta:
- Exploração do trabalhador
- Degradação da natureza
Prazer
momentâneo
e superficial
Não traz satisfação
profunda pela
valorização do
trabalho
Relação
- Capital X Trabalho
- Ser humano X Natureza
Marx, Karl. "Economic and philosophical manuscripts." Early writings 333 (1844).
Marx, Karl (1867). Das Kapital : Kritik der politischen Oekonomie. 1 (1 ed.). Hamburg: Verlag von Otto Meissner.
Escola de Frankfurt
 Revolução industrial
• Produção em massa de bens materiais
 Indústria cultural de massa
• Produção em massa de serviços culturais
• Manipulação de massas (ideologia capitalista)
o Aprofundamento da alienação
o Evita reflexão e revoltas dos trabalhadores
Horkheimer, Max, Theodor W. Adorno, and Gunzelin Noeri. Dialectic of
enlightenment. Stanford University Press, 2002. First published in 1947.
Princípio da Esperança
 Base na teoria freudiana de interpretação
dos sonhos
 Aplicação aos “sonhos diurnos” (utopias)
• Imaginação de um mundo melhor
• Explora possibilidades e valores humanos
• Reflexos na arte, música, cinema, literatura, teatro
 Instiga as pessoas a lutar por esses mundos melhores
• Paraíso -> ética social cristã
• Marxismo -> militância social
• Ecologia política -> militância socioambiental
Ernst Bloch
(1885-1977)
Bloch, Ernst. Geist der Utopie. Cassirer, 1923.
Bloch, E. 1959. Das prinzip hoffnung (Vol. 3). Frankfurt am Main: Suhrkamp.
Críticas ao Princípio da Esperança e Utopias
 Crítica de Marx e Engels ao Socialismo Utópico
• Faltavam estudos científicos aprofundados sobre o
funcionamento econômico (socialismo científico)
• Necessidade de um meio prático para chegar ao socialismo
(luta armada)
o Socialismo utópico procurava a sensibilização da burguesia e criação de
cooperativas
 Pragmatismo
• Utopia como fuga “psíquica” dos problemas reais
• Fim do socialismo soviético retirou o ânimo pelas utopias
• Impor uma utopia a toda a população leva a regimes totalitários
Engels, Friedrich. Die Entwicklung des Sozialismus von der Utopie zur Wissenschaft. Verlag der expedition des" Vorwärts"
Berliner volksblatt, 1891.
Walzer, M. (1983). Spheres of justice. A defense of pluralism and equality. New York: Basic Books
Francis Fukuyama (1992). The End of History and the Last Man. Free Press
Pepper, David. "Utopianism and environmentalism." Environmental Politics 14, no. 1 (2005): 3-22.
Contradições do Capitalismo
1º Contradição Fundamental
Capital X Trabalho
O’CONNOR, J. (1991), “Theoretical Notes: On the Two Contradictions od
Capitalism, in CNS, 2, 3, outubro, 1991, pp. 107-108
Transição para o Socialismo
Capitalismo
Conflitos
sociais
Socialismo
Revolução armada
Marx, K. and Engels, F., 1848. The Communist Manifesto, ed. Gareth Stedman Jones.
Contradições do Capitalismo
1º Contradição Fundamental
Capital X Trabalho
2º Contradição Fundamental
Capital X Natureza
O’CONNOR, J. (1991), “Theoretical Notes: On the Two Contradictions od
Capitalism, in CNS, 2, 3, outubro, 1991, pp. 107-108
(Condições de produção)
Transição para o Ecossocialismo
Capitalismo
Colapso
Socialismo
ecológico
Se sobrevivermos...
ambiental
Esperança? Utopia?
Schwartzman, David. "Ecosocialism or ecocatastrophe?." Capitalism Nature Socialism 20, no. 1 (2009): 6-33.
Otimistas
Capitalismo vs. Socialismo Ecológico
Característica Capitalismo Ecossocialismo
Propriedade dos
meios de
produção
Privada Coletiva / Pública
Esfera de decisão
de produção
Empresa
Planejamento democrático
(representativo / direto)
Critério de
decisão de
produção
Valor de troca
preço de mercado
oferta x procura
Valor de uso
benefício de uso vs.
impacto ambiental
Objetivo de
produção
Lucro
Satisfação +
tempo livre para
participação política
Critério de
consumo
Propaganda
Informações padronizadas
sobre produtos
Transportes
Predomínio de
carros privados
Predomínio de transporte
coletivo público
Löwy, Michael. Ecosocialism: A radical alternative to Capitalist Catastrophe. Haymarket Books, 2015.
Exercício
 Com base nas suas reflexões pessoais sobre os
textos e os debates em sala de aula sobre
Marxismo e Ecologia Política, escreva sobre
como você acha que será, daqui a 100 anos, a
relação sociedade-natureza, no que se refere a:
• Infraestrutura: Tecnologias de produção
• Estrutura: Sistema econômico
• Superestrutura: Organização social
Dúvidas?
Comentários?
Obrigado!
Vitor Vieira Vasconcelos
vitor.v.v@gmail.com

Ecologia Política e Marxismo

  • 1.
    Desenvolvimento e Sustentabilidade Aula 10– Ecologia Política e Marxismo Vitor Vieira Vasconcelos São Bernardo do Campo - SP Julho de 2019
  • 2.
    Conteúdo  Ecologia Política Marxismo e desenvolvimento  Marxismo e Ecologia Política • Ideologia • Trocas Desiguais • Expropriação dos recursos naturais • Alienação do consumo • Princípio da esperança e utopia • Ecossocialismo
  • 3.
    O que vimosde sobre esses temas até agora?  CEPAL e desenvolvimento econômico • Raúl Prébisch: Relações desiguais entre países • Celso Furtado: Elites locais impedindo mudanças sociais  Dumping ambiental  Exportação da entropia entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos  Financiamento internacional para expropriação de recursos naturais em países pobres  Crítica aos discursos das elites econômicas e do Banco Mundial
  • 4.
    Texto base LIPIETZ, Alain. Aecologia política e o futuro do marxismo. Ambiente e sociedade. 2003, vol.5, n.2, pp. 9-22.
  • 5.
    Ecologia Política  Entenderas relações políticas e de poder nos problemas ambientais  Problemas ambientais locais se relacionam a relações políticas em escalas mais amplas  Mostrar os conflitos socioambientais e se posicionar criticamente sobre eles ROBBINS, Paul. Political ecology: A critical introduction. John Wiley & Sons, 2011.
  • 6.
    Ecologia Política  Abordageminterdisciplinar • Ambiente • Sociedade e economia • Relações políticas / poder ROBBINS, Paul. Political ecology: A critical introduction. John Wiley & Sons, 2011.
  • 7.
  • 8.
    http://www.humboldt.org.co/en/noticias-2/press/item/1075-catorce-huellas-profundas-en-el-agua Ciclo Hidrossocial Linton, J.,& Budds, J. (2014). The hydrosocial cycle: Defining and mobilizing a relational-dialectical approach to water. Geoforum, 57, 170-180.
  • 9.
    http://www.ruthmacdougall.work/Hydrosocial-Cycle Linton, J., &Budds, J. (2014). The hydrosocial cycle: Defining and mobilizing a relational-dialectical approach to water. Geoforum, 57, 170-180. Transformação do ciclo hidrossocial ao longo do tempo
  • 10.
    Conflitos sociais pelaágua Ghalsasi, Tejas. 2013. Water conflicts in India and abroad. https://www.slideshare.net/tejasghalsasi/dams-water-conflicts-in-india-and-abroad
  • 11.
    Áreas de tensãopor recursos hídricos Peek, Katie. 2014. Where will the world water conflicts erupt? Science.
  • 12.
    Comissão Pastoral daTerra (2019) Conflitos no campo Brasil 2018. Centro de Documentação Dom Tomás Balduino 71 45 87 46 46 87 69 79 101 127 149 173 197 276 0 50 100 150 200 250 300 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Localidades em conflitos rurais envolvendo água no Brasil
  • 13.
  • 14.
  • 15.
    Engajamento das universidadescom comunidades atingidas por impactos ambientais https://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/observatorio-de-conflitos-ambientais/mapa-dos-conflitos-ambientais/
  • 16.
    Apoio técnico aosimpactados pelo rompimento da barragem de Bento Rodrigues, Mariana, pelo GESTA http://www.aba.abant.org.br/files/20180308_5aa16473d6197.pdf
  • 17.
    Conteúdo  Ecologia Política Marxismo e desenvolvimento  Marxismo e Ecologia Política • Ideologia • Trocas Desiguais • Expropriação dos recursos naturais • Alienação do consumo • Princípio da esperança e utopia • Ecossocialismo
  • 18.
    Histórico do conceitode Desenvolvimento  Georg Wilhelm Friederich Hegel (1770-1831) • Dialética da evolução do pensamento humano e da sociedade Tese Antítese Síntese Antítese Síntese Antítese Síntese Menos perfeito Mais perfeito Hegel, G.W.F., 1807. Philosophy of Spirit. Oxford University Press.
  • 19.
    Karl Marx (1818-1883) Sistema socioeconômico Críticasao sistema socioeconômico Críticas ao sistema socioeconômico  Aplicação da dialética hegeliana nas mudanças dos sistema socioeconômicos (materialismo histórico/dialético) Sistema socioeconômico Sistema socioeconômico Marx, Karl. Capital. 2nd Edition. 1873.
  • 20.
    Karl Marx Infraestrutura Humano-Natureza Forças produtivas Estrutura Humano-Humano Relaçõeseconômicas, de produção e distribuição Superestrutura Instituições-Sociedade Organização social, valores morais Possibilita Possibilita Alteram  Cada modo de infraestrutura pode gerar diversas estruturas possíveis  Cada estrutura pode gerar diversas superestruturas possíveis  Alterações nas tecnologias produtivas (infraestrutura) levam a novas formas de estrutura e superestrutura Marx, Karl. "A contribution to the critique of political economy." 1859.
  • 21.
    Marxismo  Praxis • Fatoshumanos a partir de condições objetivas • Contraposição ao idealismo  Luta pela sobrevivência: TRABALHO  Criação de Instituições • Família (divisão sexual do trabalho) • Pastoreio e agricultura (divisão social do trabalho) • Troca e comércio (distribuição social dos produtos do trabalho)  Grupos sociais dominantes • Criam valores para justificar as instituições: IDEOLOGIA • Usam leis e a força para manter essas instituições
  • 22.
    Conteúdo  Ecologia Política Marxismo e desenvolvimento  Marxismo e Ecologia Política • Ideologia • Trocas Desiguais • Expropriação dos recursos naturais • Alienação do consumo • Princípio da esperança e utopia • Ecossocialismo
  • 23.
    Ideologia O que é? Umsistema de ideias para legitimar o status social Uma explicação da realidade criada para iludir e engandar Uma forma de consciência forjada para alienar as multidões garantindo assim interesses de grupos dominantes Chauí, Marilena. O que é ideologia. Brasiliense, 2017.
  • 24.
    Características da ideologia Quesão: Anterioridade que é manutenção de valores predeterminados Generalização que é tornar interesses particulares em interesses gerais Lacunar que é ocultar a origem dessas ideias fazendo crer que são naturais, desejáveis e imutáveis Chauí, Marilena. O que é ideologia. Brasiliense, 2017.
  • 25.
    Instrumentos ideológicos da superestrutura Valores Escola  Religião  Famílias Repressão  Sistema legal  Polícia  Exército Louis Althusser (1918-1990) Althusser, Louis. Sur la reproduction. Paris: Presses Universitaires de France, 1995
  • 26.
    Desenvolvimento Sustentável comoideologia  Definição vaga: • todos concordam com o princípio • mas esconde os conflitos  Não propõe alterar o capitalismo • Desigualdade social estrutural • Exploração dos mais pobres  Aposta em um desenvolvimento contínuo ilimitado  Uso ideológico • Casos isolados são veiculados como marketing verde • Na soma total, o impacto ambiental continua se acelerando BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é: o que não é. Petrópolis: Vozes, 2012. OLIVEIRA, Leandro Dias de. A Geopolítica do Desenvolvimento Sustentável: um estudo sobre a Conferência do Rio de Janeiro (Rio-92), 2011. 283 p. Tese de Doutorado. UNICAMP, Campinas – SP, 2011.
  • 27.
    Relatório Brudtland comoIdeologia E o nosso “presente comum” (intrageracional)? A desigualdade socioambiental já existe hoje Direciona o olhar ao future e tira o foco do presente Intergeracional Nosso futuro comum Portilho, Fátima. Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania. Cortez, 2005.
  • 28.
    Trocas desiguais  Trocadesigual socioeconômica • Capitalista extrai mais valia do trabalhador (lucro) - Marx • Países centrais se enriquecem com o trabalho dos países periféricos • Troca desigual eco-econômica – Externalidades: prejuízos pelos impactos ambientais não estão inclusos no preço dos produtos – Os impactos ambientais são direcionados para: • Habitantes mais pobres • Países mais pobres – Externalidades são estratégias dos capitalistas para lucrar mais O mais poderoso define as regras de troca mais vantajosas • Dialética: contradições sociais e ambientais levam a revolta social – Pressão sobre governos e empresas Altvater, Elmar. (1995). O preço da riqueza: pilhagem ambiental e a nova (des) ordem mundial. São Paulo: UNESP, 333. Montibeller-Filho, Gilberto. O mito do desenvolvimento sustentável: meio ambiente e custos sociais no moderno sistema produtor de mercadorias. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2001.
  • 29.
    Geopolítica do DesenvolvimentoSustentável Missão dos países centrais: cuidar para que os países pobres protejam a natureza Missão dos países periféricos: cuidar da natureza Oliveira, L.D. A Cidade e o Modelo de Desenvolvimento Sustentável. Rio de Janeiro: UERJ/CEDERJ. 2016
  • 30.
    Paradoxo de Lauderdale Aumentoda riqueza privada se dá pela apropriação da riqueza pública (bens comuns) James Maitland, 8th Earl of Lauderdale (1759-1839) https://www.grain.org/article/entries/93-seized-the-2008-landgrab-for-food-and-financial-security Lauderdale, Jaimes Maitland (1819). An Inquiry into the Nature and Origin of Public Wealth and into the Means and Causes of its Increase. Edinburg: Acrchibald Constable & CO
  • 31.
    Geração de EscassezArtificial População tem acesso livre aos recursos naturais Apropriação pela elite e restrição do acesso aos recursos naturais População precisa trabalhar para a elite para ter acesso aos recursos naturais Quanto mais escassez artificial de recursos naturais e menos vagas de trabalho, mais as pessoas se esforçam para trabalhar Estratégia do Capitalismo Hickel, Jason. Degrowth: a theory of radical abundance. Real-world Economics Review, 87, 2019
  • 32.
    Geração de EscassezArtificial Lei Áurea – 1888 Abolição da escravidão Lei de Terras – 1850 Os escravos libertos e imigrantes não poderiam ocupar terras devolutas no Brasil Manutenção da força de trabalho para os proprietários rurais brasileiros https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiadobrasil/as-leis-abolicionistas.htm
  • 33.
    Geração de EscassezArtificial FMI – Consenso de Washington Austeridade fiscal corte em políticas de serviços básicos Aumento da competição por trabalho para conseguir ter acesso aos serviços privados Hickel, Jason. Degrowth: a theory of radical abundance. Real-world Economics Review, 87, 2019
  • 34.
    Consumo na TeoriaMarxista  Capitalismo Camponês Trabalho Produto Consumo Satisfação pelo trabalho • Ontologia Trabalho X Consumo – O trabalho e o consumo constroem a identidade Operário Trabalho alienado Mercadoria Consumo Alienado Para vender força de trabalho, e não para consumo Aspecto mágico (fetichismo) pelo marketing Oculta: - Exploração do trabalhador - Degradação da natureza Prazer momentâneo e superficial Não traz satisfação profunda pela valorização do trabalho Relação - Capital X Trabalho - Ser humano X Natureza Marx, Karl. "Economic and philosophical manuscripts." Early writings 333 (1844). Marx, Karl (1867). Das Kapital : Kritik der politischen Oekonomie. 1 (1 ed.). Hamburg: Verlag von Otto Meissner.
  • 35.
    Escola de Frankfurt Revolução industrial • Produção em massa de bens materiais  Indústria cultural de massa • Produção em massa de serviços culturais • Manipulação de massas (ideologia capitalista) o Aprofundamento da alienação o Evita reflexão e revoltas dos trabalhadores Horkheimer, Max, Theodor W. Adorno, and Gunzelin Noeri. Dialectic of enlightenment. Stanford University Press, 2002. First published in 1947.
  • 36.
    Princípio da Esperança Base na teoria freudiana de interpretação dos sonhos  Aplicação aos “sonhos diurnos” (utopias) • Imaginação de um mundo melhor • Explora possibilidades e valores humanos • Reflexos na arte, música, cinema, literatura, teatro  Instiga as pessoas a lutar por esses mundos melhores • Paraíso -> ética social cristã • Marxismo -> militância social • Ecologia política -> militância socioambiental Ernst Bloch (1885-1977) Bloch, Ernst. Geist der Utopie. Cassirer, 1923. Bloch, E. 1959. Das prinzip hoffnung (Vol. 3). Frankfurt am Main: Suhrkamp.
  • 37.
    Críticas ao Princípioda Esperança e Utopias  Crítica de Marx e Engels ao Socialismo Utópico • Faltavam estudos científicos aprofundados sobre o funcionamento econômico (socialismo científico) • Necessidade de um meio prático para chegar ao socialismo (luta armada) o Socialismo utópico procurava a sensibilização da burguesia e criação de cooperativas  Pragmatismo • Utopia como fuga “psíquica” dos problemas reais • Fim do socialismo soviético retirou o ânimo pelas utopias • Impor uma utopia a toda a população leva a regimes totalitários Engels, Friedrich. Die Entwicklung des Sozialismus von der Utopie zur Wissenschaft. Verlag der expedition des" Vorwärts" Berliner volksblatt, 1891. Walzer, M. (1983). Spheres of justice. A defense of pluralism and equality. New York: Basic Books Francis Fukuyama (1992). The End of History and the Last Man. Free Press Pepper, David. "Utopianism and environmentalism." Environmental Politics 14, no. 1 (2005): 3-22.
  • 38.
    Contradições do Capitalismo 1ºContradição Fundamental Capital X Trabalho O’CONNOR, J. (1991), “Theoretical Notes: On the Two Contradictions od Capitalism, in CNS, 2, 3, outubro, 1991, pp. 107-108
  • 39.
    Transição para oSocialismo Capitalismo Conflitos sociais Socialismo Revolução armada Marx, K. and Engels, F., 1848. The Communist Manifesto, ed. Gareth Stedman Jones.
  • 40.
    Contradições do Capitalismo 1ºContradição Fundamental Capital X Trabalho 2º Contradição Fundamental Capital X Natureza O’CONNOR, J. (1991), “Theoretical Notes: On the Two Contradictions od Capitalism, in CNS, 2, 3, outubro, 1991, pp. 107-108 (Condições de produção)
  • 41.
    Transição para oEcossocialismo Capitalismo Colapso Socialismo ecológico Se sobrevivermos... ambiental Esperança? Utopia? Schwartzman, David. "Ecosocialism or ecocatastrophe?." Capitalism Nature Socialism 20, no. 1 (2009): 6-33. Otimistas
  • 42.
    Capitalismo vs. SocialismoEcológico Característica Capitalismo Ecossocialismo Propriedade dos meios de produção Privada Coletiva / Pública Esfera de decisão de produção Empresa Planejamento democrático (representativo / direto) Critério de decisão de produção Valor de troca preço de mercado oferta x procura Valor de uso benefício de uso vs. impacto ambiental Objetivo de produção Lucro Satisfação + tempo livre para participação política Critério de consumo Propaganda Informações padronizadas sobre produtos Transportes Predomínio de carros privados Predomínio de transporte coletivo público Löwy, Michael. Ecosocialism: A radical alternative to Capitalist Catastrophe. Haymarket Books, 2015.
  • 43.
    Exercício  Com basenas suas reflexões pessoais sobre os textos e os debates em sala de aula sobre Marxismo e Ecologia Política, escreva sobre como você acha que será, daqui a 100 anos, a relação sociedade-natureza, no que se refere a: • Infraestrutura: Tecnologias de produção • Estrutura: Sistema econômico • Superestrutura: Organização social
  • 44.