Disciplina: Ciclo Vital I

Professor: Rodrigo Abreu

Aula 01


                   Contexto histórico da Atenção Básica no Brasil

Atenção Básica à Saúde – ABS


De acordo com o Ministério da Saúde, a ABS constitui “um conjunto de ações, de caráter
individual ou coletivo, situadas no primeiro nível de atenção dos sistemas de saúde, voltadas
para a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e a reabilitação” (BRASIL,
2006).


Se dá por meio de “práticas gerenciais e sanitárias, democráticas e participativas, sob a
forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios bem delimitados, pelos
quais assume responsabilidades” (BRASIL, 2004).


Princípios:


Dessa forma, partindo da compreensão da saúde-doença na sociedade como um processo
político, historicamente produzido, determinado pelas condições e pela qualidade de vida das
pessoas, a estratégia da ABS deve :


     Valorizar e priorizar as atividades de promoção da saúde,

     Reconhecer a saúde como direito e orientar-se pelos princípios e diretrizes do SUS;

     Além dos princípios e diretrizes do SUS, a APS orienta-se também pelos princípios da
          acessibilidade,   vínculo,   continuidade     do     cuidado     (longitudinalidade),
          responsabilização, humanização, participação social e coordenação do cuidado.

         Possibilita uma relação de longa duração entre a equipe de saúde e os usuários,
          independentemente da presença ou ausência de problemas de saúde, o que
          chamamos de atenção longitudinal.

     O foco da atenção é a pessoa, e não a doença.
1-Vínculo


  A base do vínculo é o compromisso do profissional com a saúde daqueles que o procuram.
Para o usuário, existirá vínculo quando ele perceber que a equipe contribui para a melhoria da
sua saúde e da sua qualidade de vida.


2- Humanização


As ações e serviços de saúde devem ser pautados pelo princípio da humanização, o que
significa dizer que as questões de gênero (feminino e masculino), crença, cultura, preferência
política, etnia, raça, orientação sexual, populações específicas (índios, quilombolas, ribeirinhos
etc.) precisam ser respeitadas e consideradas na organização das práticas de saúde.


Significa dizer que essas práticas devem estar relacionadas ao compromisso com os direitos do
cidadão.


3- Acolhimento


O acolhimento é uma das formas de concretizar esse princípio e se caracteriza como um modo
de agir que dá atenção a todos que procuram os serviços, não só ouvindo suas necessidades,
mas percebendo aquilo que muitas vezes não é dito.


O acolhimento não está restrito a um espaço ou local. É uma postura ética.


Não pressupõe hora ou um profissional específico para fazê-lo, implica compartilhamento de
saberes, necessidades, possibilidades, angústias ou formas alternativas para o enfrentamento
dos problemas.


4- Coordenação do Cuidado


  A APS tem um importante papel ao desempenhar a função de coordenação do cuidado, que
é entendido como a capacidade de responsabilizar-se pelo usuário (saber o que está
acontecendo com ele) e apoiá-lo, mesmo quando este está sendo acompanhado em outros
serviços de saúde.


     As ações de ABS devem considerar cada indivíduo:


Em sua singularidade, complexidade, integralidade e inserção sociocultural.
 Em relação à sua saúde:


Deve percebê-lo como sujeito capaz de conhecer, compreender, expressar e agir a seu modo e
de acordo com sua vivência, devendo, pois, respeitar seus valores, representações e atos,
reconhecendo-os como expressão legítima da sociedade da qual se origina.


Desta forma, as ações de promoção da saúde, prevenção e tratamento das doenças e a
redução de danos ou sofrimentos devem basear-se em um processo interativo de escuta e
informação, buscando produzir a autonomia possível para sua efetivação.


Organização da ABS


     Na organização da ABS, um aspecto fundamental é o conhecimento do território como
        local onde acontece a construção cotidiana da vida das pessoas.

     Ele não pode ser compreendido apenas como um espaço geográfico, delimitado para
        constituir a área de atuação dos serviços.


Território:


Conhecer o território implica, também, conhecer o seu quadro sanitário.


Ou seja, as condições e a qualidade de vida das pessoas como reflexo das políticas públicas de
saneamento, educação, moradia, alimentação, trabalho, transporte e saúde, entre outras.


Estas políticas devem ser implantadas em conjunto, por meio de um rol simultâneo de ações
que possibilitem, de alguma forma, a modificação de condições de risco e vulnerabilidade e a
melhoria da qualidade de vida da população.


     A atenção básica, como contato preferencial dos usuários com o SUS, constitui um
        nível importantíssimo do sistema.


No entanto, é necessária a existência de outros níveis, de média e alta complexidade, capazes
de assegurar a integralidade da atenção, provendo este sistema de respostas às necessidades
dos usuários - níveis de complexidades diferentes que deverão estar interligados por um
sistema de referência e contra-referência e sustentados por um sistema de informação que
lhes garanta a unicidade necessária.
Efetivação das ações da atenção básica


Depende fundamentalmente de uma sólida política de educação permanente, capaz de
formar/manter profissionais com habilidades e competências que lhes permitam compreender
e atuar no SUS com competência técnica, espírito crítico e compromisso político.


     É, pois, com base no conhecimento do território, dos problemas de saúde e da
        organização dos serviços que devem acontecer as ações da atenção básica.

     O reconhecimento da crise do modelo anterior suscitou a necessidade emergencial de
        uma nova estratégia estruturante, contemplando a incorporação de recursos humanos
        e tecnologias contextualizadas.


Adotada no Brasil como elemento fundamental para a organização do modelo de atenção do
SUS, o Programa de Saúde da Família teve seu início com a instituição do Programa de
Agentes de Saúde ocorrida no Ceará no final dos anos 80 e que foi concebida, entre outras
coisas, para ser um elo entre a comunidade e os serviços de saúde.


Aconteceu, a princípio, em municípios com grande extensão rural e poucos recursos para
realizar suas ações de saúde.


Essa experiência permitiu mais veiculação de informações importantes para as ações de
vigilância e para a própria organização da atenção à saúde nos municípios, favorecendo a
gestão dos processos de descentralização e regionalização do SUS.


Tornou-se política oficial do Ministério da Saúde em 1991, com a criação do Programa de
Agentes Comunitários de Saúde (PACS) em todo o território nacional.


Em 1994, tendo como referência as experiências desenvolvidas em países como Canadá, Cuba
e Inglaterra e em função dos bons resultados obtidos com o PACS, criou-se o PSF, que institui
uma equipe mínima e uma nova lógica para o processo de trabalho em saúde, em equipe,
visando a um modelo centrado nos problemas dos indivíduos e suas famílias.


PROGRAMA AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE - PACS


1991 – Implantação do PACS, como medida de enfrentamento dos graves índices de
morbimortalidade materna e infantil, principalmente na Região Nordeste do país.
O reconhecimento legal do ACS começa com a publicação do Decreto nº 3.189 de 4 de
Outubro de 1999, que fixa as diretrizes para o exercício de suas atividades, ressaltando em
parágrafo único do Art. 2º que suas atividades são consideradas de relevante interesse
público.


A Lei Nº 10.507, de 10 de setembro de 2002, cria a Profissão de Agente Comunitário de Saúde
– PACS.


Atualmente suas atividades são regulamentadas pela Lei nº 11.350 de 5 Outubro de 2006, que
além de definir suas atribuições, determina que o ACS tenha como requisitos para o exercício
das atividades, haver concluído o ensino fundamental e curso introdutório de formação inicial
e continuada.


PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA - PSF


Lançado em março de 1994;


Já à época, ele foi apresentado como a estratégia capaz de provocar mudanças no modelo
assistencial, ao romper com o comportamento passivo das Unidades Básicas de Saúde e
estender suas ações para junto à comunidade


Ao PSF foi, então, atribuída a função de desenvolver ações básicas, no primeiro nível de
atenção à saúde propondo-se a uma tarefa maior do que a simples extensão de cobertura e
ampliação do acesso.


Daí seu potencial estruturante sobre o modelo, o que justificou a decisão do Ministério da
Saúde;


Nos anos seguintes, de considerá-lo como a principal estratégia de qualificação da atenção
básica e reformulação do modelo assistencial,o PSF não encontrou, no início de sua
implantação, um cenário favorável ao seu fortalecimento.


O processo de formulação não estava totalmente concluído e as condições necessárias à sua
sustentabilidade não foram definidas de modo suficiente no âmbito institucional.


Não havia, portanto, definições quanto ao seu financiamento (que era viabilizado por meio de
convênios) e nem quanto à política de recursos humanos, pilares fundamentais para o seu
desenvolvimento.
Além dessas restrições, havia a própria resistência à implantação de uma proposta que
confrontava as formas tradicionais de organização dos serviços.


Do período (1988) que vai da aprovação da nova Constituição até os dias de hoje, dois grandes
eixos se apresentam como questões complexas:


    A descentralização político-administrativa;

    Organização da atenção à saúde.


“Reforma da Reforma" do Sistema


Para fazer frente a esses dois eixos, a partir de 1995, desenvolveu-se no setor esse movimento
que propiciou:


    As determinações legais;

       A tentativa de modificar o desenho e as operações da política de saúde no sentido de
       acelerar o processo de descentralização, reestruturar os mecanismos de
       financiamento das ações de saúde e, principalmente;

    Fortalecer a atenção básica.


Neste contexto, vale ressaltar a relevância da Norma Operacional Básica 01/96 que, a partir
de 1998:


       Gerou mudanças importantes relacionadas à estruturação da atenção básica;

    À ampliação e organização da rede de serviços públicos em várias regiões do país;

    Gerou aumento do volume de transferências financeiras diretas do Fundo Nacional
       para os Fundos Estaduais e Municipais de Saúde;

    Fortalecimento dos gestores locais.


1999 - Elaboração e a publicação do "Manual para Organização da Atenção Básica no SUS" e
o início da implementação do Pacto de Indicadores da Atenção Básica.


O Pacto imprimiu maior visibilidade às ações desenvolvidas pelos municípios habilitados na
condição de Gestão Plena da Atenção Básica (definida na NOB/SUS/96).
Possibilitou o acompanhamento das atividades, no âmbito da rede de serviços, e também a
avaliação do seu impacto sobre as condições de saúde da população.


A implementação do Pacto colocou, de modo objetivo, compromissos a serem assumidos, de
forma acordada pelos gestores municipais, em substituição à prestação de contas contábil da
utilização dos recursos do PAB.


Com relação aos recursos humanos, a consolidação do PSF estava condicionada à existência,
nos serviços, de profissionais com conhecimentos, atitudes e habilidades adequados ao novo
modelo, capazes de uma prática multiprofissional e interdisciplinar, preparados para este novo
processo de trabalho.


Assim, era necessário para implementar a atenção básica, repensar a questão para enfrentar
esse desafio.


Em 1997, foram propostos, no Ministério da Saúde, os Pólos de Capacitação, Formação e
Educação Permanente de Recursos Humanos para o Programa Saúde da Família.


Trata-se de espaços de articulação entre serviços e instituições de ensino superior com a
missão de implementar processos de capacitação destinados aos profissionais do Programa.


     1997 – FHC estabelece: Ö ano da saúde no Brasil¨ , aumentando de 847 para 3500 ESF


     1998 - Marco no processo de consolidação do PSF:


     Portaria 3.925/GM – Descentralização Atenção Básica;


JOSÉ SERRA : Proposta ESF – 20.000 até 2002 (Alcançado – 17.000 ESF ).


Do ponto de vista do fortalecimento institucional-administrativo para a atenção básica, em
1999, ainda na Secretaria de Assistência à Saúde, foi criada a Coordenação de Atenção Básica
que seria em seguida, transformada em Departamento.


Em fevereiro de 2000, o Departamento de Atenção Básica foi formalizado na estrutura do
Ministério da Saúde.


Outro aspecto que merece relevância para o fortalecimento da atenção básica refere-se à
publicação da Norma Operacional da Assistência do SUS (NOAS/SUS), em janeiro de 2001,
que trata da organização dos serviços municipais no contexto da micro e macro-regionalização,
oferecendo estratégias intermunicipais para a organização dos serviços de atenção básica,
orientando a construção das redes regionalizadas e hierarquizadas de serviços de saúde de
qualidade e resolutivas.


     Muito se investiu no processo de reflexão, avaliação e reorganização da atenção
        básica.

     Toda a experiência adquirida foi refletida e incorporada na NOAS, visando ampliar as
        condições para a mudança do modelo assistencial.


Atenção Básica na Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS/SUS).


A NOAS/SUS 01/2001 define as responsabilidades e ações estratégicas mínimas que todos os
municípios brasileiros devem desenvolver no âmbito da Atenção Básica. São elas:


       controle da Tuberculose,

     eliminação da Hanseníase,

     controle da Hipertensão,

     controle da Diabetes Mellitus,

     ações de Saúde Bucal,

     ações de Saúde da Criança e

     ações de Saúde da Mulher.


Além dessas ações, os estados e municípios podem definir, baseados em seu perfil
demográfico e epidemiológico e suas prioridades políticas, outras ações que julguem
estratégicas e necessárias.


A riqueza do processo de discussão e implantação da NOAS torna-se também um momento de
reflexão e avaliação da atenção básica e de todo o potencial existente nesse nível, para a
efetiva mudança do modelo de atenção à saúde proposto pelo SUS.


Contribuiu significativamente para que a atenção básica assumisse papel relevante no
planejamento de saúde.
Atenção Básica e o Pacto pela Saúde


Definido pela Port. GM nº 399 de 22.02.2006, dividido em três componentes: Pacto pela Vida,
Pacto de Gestão e o Pacto em Defesa do SUS; contextualiza o fortalecimento da Atenção
Básica:


          Prioridades do PACTO PELA VIDA: entre outros... ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE


Consolidar e qualificar a estratégia da Saúde da Família como modelo de atenção básica à
saúde e como centro ordenador das redes de atenção à saúde do SUS.

Ciclo i 01

  • 1.
    Disciplina: Ciclo VitalI Professor: Rodrigo Abreu Aula 01 Contexto histórico da Atenção Básica no Brasil Atenção Básica à Saúde – ABS De acordo com o Ministério da Saúde, a ABS constitui “um conjunto de ações, de caráter individual ou coletivo, situadas no primeiro nível de atenção dos sistemas de saúde, voltadas para a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e a reabilitação” (BRASIL, 2006). Se dá por meio de “práticas gerenciais e sanitárias, democráticas e participativas, sob a forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios bem delimitados, pelos quais assume responsabilidades” (BRASIL, 2004). Princípios: Dessa forma, partindo da compreensão da saúde-doença na sociedade como um processo político, historicamente produzido, determinado pelas condições e pela qualidade de vida das pessoas, a estratégia da ABS deve :  Valorizar e priorizar as atividades de promoção da saúde,  Reconhecer a saúde como direito e orientar-se pelos princípios e diretrizes do SUS;  Além dos princípios e diretrizes do SUS, a APS orienta-se também pelos princípios da acessibilidade, vínculo, continuidade do cuidado (longitudinalidade), responsabilização, humanização, participação social e coordenação do cuidado.  Possibilita uma relação de longa duração entre a equipe de saúde e os usuários, independentemente da presença ou ausência de problemas de saúde, o que chamamos de atenção longitudinal.  O foco da atenção é a pessoa, e não a doença.
  • 2.
    1-Vínculo Abase do vínculo é o compromisso do profissional com a saúde daqueles que o procuram. Para o usuário, existirá vínculo quando ele perceber que a equipe contribui para a melhoria da sua saúde e da sua qualidade de vida. 2- Humanização As ações e serviços de saúde devem ser pautados pelo princípio da humanização, o que significa dizer que as questões de gênero (feminino e masculino), crença, cultura, preferência política, etnia, raça, orientação sexual, populações específicas (índios, quilombolas, ribeirinhos etc.) precisam ser respeitadas e consideradas na organização das práticas de saúde. Significa dizer que essas práticas devem estar relacionadas ao compromisso com os direitos do cidadão. 3- Acolhimento O acolhimento é uma das formas de concretizar esse princípio e se caracteriza como um modo de agir que dá atenção a todos que procuram os serviços, não só ouvindo suas necessidades, mas percebendo aquilo que muitas vezes não é dito. O acolhimento não está restrito a um espaço ou local. É uma postura ética. Não pressupõe hora ou um profissional específico para fazê-lo, implica compartilhamento de saberes, necessidades, possibilidades, angústias ou formas alternativas para o enfrentamento dos problemas. 4- Coordenação do Cuidado A APS tem um importante papel ao desempenhar a função de coordenação do cuidado, que é entendido como a capacidade de responsabilizar-se pelo usuário (saber o que está acontecendo com ele) e apoiá-lo, mesmo quando este está sendo acompanhado em outros serviços de saúde.  As ações de ABS devem considerar cada indivíduo: Em sua singularidade, complexidade, integralidade e inserção sociocultural.
  • 3.
     Em relaçãoà sua saúde: Deve percebê-lo como sujeito capaz de conhecer, compreender, expressar e agir a seu modo e de acordo com sua vivência, devendo, pois, respeitar seus valores, representações e atos, reconhecendo-os como expressão legítima da sociedade da qual se origina. Desta forma, as ações de promoção da saúde, prevenção e tratamento das doenças e a redução de danos ou sofrimentos devem basear-se em um processo interativo de escuta e informação, buscando produzir a autonomia possível para sua efetivação. Organização da ABS  Na organização da ABS, um aspecto fundamental é o conhecimento do território como local onde acontece a construção cotidiana da vida das pessoas.  Ele não pode ser compreendido apenas como um espaço geográfico, delimitado para constituir a área de atuação dos serviços. Território: Conhecer o território implica, também, conhecer o seu quadro sanitário. Ou seja, as condições e a qualidade de vida das pessoas como reflexo das políticas públicas de saneamento, educação, moradia, alimentação, trabalho, transporte e saúde, entre outras. Estas políticas devem ser implantadas em conjunto, por meio de um rol simultâneo de ações que possibilitem, de alguma forma, a modificação de condições de risco e vulnerabilidade e a melhoria da qualidade de vida da população.  A atenção básica, como contato preferencial dos usuários com o SUS, constitui um nível importantíssimo do sistema. No entanto, é necessária a existência de outros níveis, de média e alta complexidade, capazes de assegurar a integralidade da atenção, provendo este sistema de respostas às necessidades dos usuários - níveis de complexidades diferentes que deverão estar interligados por um sistema de referência e contra-referência e sustentados por um sistema de informação que lhes garanta a unicidade necessária.
  • 4.
    Efetivação das açõesda atenção básica Depende fundamentalmente de uma sólida política de educação permanente, capaz de formar/manter profissionais com habilidades e competências que lhes permitam compreender e atuar no SUS com competência técnica, espírito crítico e compromisso político.  É, pois, com base no conhecimento do território, dos problemas de saúde e da organização dos serviços que devem acontecer as ações da atenção básica.  O reconhecimento da crise do modelo anterior suscitou a necessidade emergencial de uma nova estratégia estruturante, contemplando a incorporação de recursos humanos e tecnologias contextualizadas. Adotada no Brasil como elemento fundamental para a organização do modelo de atenção do SUS, o Programa de Saúde da Família teve seu início com a instituição do Programa de Agentes de Saúde ocorrida no Ceará no final dos anos 80 e que foi concebida, entre outras coisas, para ser um elo entre a comunidade e os serviços de saúde. Aconteceu, a princípio, em municípios com grande extensão rural e poucos recursos para realizar suas ações de saúde. Essa experiência permitiu mais veiculação de informações importantes para as ações de vigilância e para a própria organização da atenção à saúde nos municípios, favorecendo a gestão dos processos de descentralização e regionalização do SUS. Tornou-se política oficial do Ministério da Saúde em 1991, com a criação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) em todo o território nacional. Em 1994, tendo como referência as experiências desenvolvidas em países como Canadá, Cuba e Inglaterra e em função dos bons resultados obtidos com o PACS, criou-se o PSF, que institui uma equipe mínima e uma nova lógica para o processo de trabalho em saúde, em equipe, visando a um modelo centrado nos problemas dos indivíduos e suas famílias. PROGRAMA AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE - PACS 1991 – Implantação do PACS, como medida de enfrentamento dos graves índices de morbimortalidade materna e infantil, principalmente na Região Nordeste do país.
  • 5.
    O reconhecimento legaldo ACS começa com a publicação do Decreto nº 3.189 de 4 de Outubro de 1999, que fixa as diretrizes para o exercício de suas atividades, ressaltando em parágrafo único do Art. 2º que suas atividades são consideradas de relevante interesse público. A Lei Nº 10.507, de 10 de setembro de 2002, cria a Profissão de Agente Comunitário de Saúde – PACS. Atualmente suas atividades são regulamentadas pela Lei nº 11.350 de 5 Outubro de 2006, que além de definir suas atribuições, determina que o ACS tenha como requisitos para o exercício das atividades, haver concluído o ensino fundamental e curso introdutório de formação inicial e continuada. PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA - PSF Lançado em março de 1994; Já à época, ele foi apresentado como a estratégia capaz de provocar mudanças no modelo assistencial, ao romper com o comportamento passivo das Unidades Básicas de Saúde e estender suas ações para junto à comunidade Ao PSF foi, então, atribuída a função de desenvolver ações básicas, no primeiro nível de atenção à saúde propondo-se a uma tarefa maior do que a simples extensão de cobertura e ampliação do acesso. Daí seu potencial estruturante sobre o modelo, o que justificou a decisão do Ministério da Saúde; Nos anos seguintes, de considerá-lo como a principal estratégia de qualificação da atenção básica e reformulação do modelo assistencial,o PSF não encontrou, no início de sua implantação, um cenário favorável ao seu fortalecimento. O processo de formulação não estava totalmente concluído e as condições necessárias à sua sustentabilidade não foram definidas de modo suficiente no âmbito institucional. Não havia, portanto, definições quanto ao seu financiamento (que era viabilizado por meio de convênios) e nem quanto à política de recursos humanos, pilares fundamentais para o seu desenvolvimento.
  • 6.
    Além dessas restrições,havia a própria resistência à implantação de uma proposta que confrontava as formas tradicionais de organização dos serviços. Do período (1988) que vai da aprovação da nova Constituição até os dias de hoje, dois grandes eixos se apresentam como questões complexas:  A descentralização político-administrativa;  Organização da atenção à saúde. “Reforma da Reforma" do Sistema Para fazer frente a esses dois eixos, a partir de 1995, desenvolveu-se no setor esse movimento que propiciou:  As determinações legais;  A tentativa de modificar o desenho e as operações da política de saúde no sentido de acelerar o processo de descentralização, reestruturar os mecanismos de financiamento das ações de saúde e, principalmente;  Fortalecer a atenção básica. Neste contexto, vale ressaltar a relevância da Norma Operacional Básica 01/96 que, a partir de 1998:  Gerou mudanças importantes relacionadas à estruturação da atenção básica;  À ampliação e organização da rede de serviços públicos em várias regiões do país;  Gerou aumento do volume de transferências financeiras diretas do Fundo Nacional para os Fundos Estaduais e Municipais de Saúde;  Fortalecimento dos gestores locais. 1999 - Elaboração e a publicação do "Manual para Organização da Atenção Básica no SUS" e o início da implementação do Pacto de Indicadores da Atenção Básica. O Pacto imprimiu maior visibilidade às ações desenvolvidas pelos municípios habilitados na condição de Gestão Plena da Atenção Básica (definida na NOB/SUS/96).
  • 7.
    Possibilitou o acompanhamentodas atividades, no âmbito da rede de serviços, e também a avaliação do seu impacto sobre as condições de saúde da população. A implementação do Pacto colocou, de modo objetivo, compromissos a serem assumidos, de forma acordada pelos gestores municipais, em substituição à prestação de contas contábil da utilização dos recursos do PAB. Com relação aos recursos humanos, a consolidação do PSF estava condicionada à existência, nos serviços, de profissionais com conhecimentos, atitudes e habilidades adequados ao novo modelo, capazes de uma prática multiprofissional e interdisciplinar, preparados para este novo processo de trabalho. Assim, era necessário para implementar a atenção básica, repensar a questão para enfrentar esse desafio. Em 1997, foram propostos, no Ministério da Saúde, os Pólos de Capacitação, Formação e Educação Permanente de Recursos Humanos para o Programa Saúde da Família. Trata-se de espaços de articulação entre serviços e instituições de ensino superior com a missão de implementar processos de capacitação destinados aos profissionais do Programa.  1997 – FHC estabelece: Ö ano da saúde no Brasil¨ , aumentando de 847 para 3500 ESF  1998 - Marco no processo de consolidação do PSF:  Portaria 3.925/GM – Descentralização Atenção Básica; JOSÉ SERRA : Proposta ESF – 20.000 até 2002 (Alcançado – 17.000 ESF ). Do ponto de vista do fortalecimento institucional-administrativo para a atenção básica, em 1999, ainda na Secretaria de Assistência à Saúde, foi criada a Coordenação de Atenção Básica que seria em seguida, transformada em Departamento. Em fevereiro de 2000, o Departamento de Atenção Básica foi formalizado na estrutura do Ministério da Saúde. Outro aspecto que merece relevância para o fortalecimento da atenção básica refere-se à publicação da Norma Operacional da Assistência do SUS (NOAS/SUS), em janeiro de 2001,
  • 8.
    que trata daorganização dos serviços municipais no contexto da micro e macro-regionalização, oferecendo estratégias intermunicipais para a organização dos serviços de atenção básica, orientando a construção das redes regionalizadas e hierarquizadas de serviços de saúde de qualidade e resolutivas.  Muito se investiu no processo de reflexão, avaliação e reorganização da atenção básica.  Toda a experiência adquirida foi refletida e incorporada na NOAS, visando ampliar as condições para a mudança do modelo assistencial. Atenção Básica na Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS/SUS). A NOAS/SUS 01/2001 define as responsabilidades e ações estratégicas mínimas que todos os municípios brasileiros devem desenvolver no âmbito da Atenção Básica. São elas:  controle da Tuberculose,  eliminação da Hanseníase,  controle da Hipertensão,  controle da Diabetes Mellitus,  ações de Saúde Bucal,  ações de Saúde da Criança e  ações de Saúde da Mulher. Além dessas ações, os estados e municípios podem definir, baseados em seu perfil demográfico e epidemiológico e suas prioridades políticas, outras ações que julguem estratégicas e necessárias. A riqueza do processo de discussão e implantação da NOAS torna-se também um momento de reflexão e avaliação da atenção básica e de todo o potencial existente nesse nível, para a efetiva mudança do modelo de atenção à saúde proposto pelo SUS. Contribuiu significativamente para que a atenção básica assumisse papel relevante no planejamento de saúde.
  • 9.
    Atenção Básica eo Pacto pela Saúde Definido pela Port. GM nº 399 de 22.02.2006, dividido em três componentes: Pacto pela Vida, Pacto de Gestão e o Pacto em Defesa do SUS; contextualiza o fortalecimento da Atenção Básica: Prioridades do PACTO PELA VIDA: entre outros... ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE Consolidar e qualificar a estratégia da Saúde da Família como modelo de atenção básica à saúde e como centro ordenador das redes de atenção à saúde do SUS.