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REALIZAÇÃO
                                                                    Cartilha
                                                              PROMOÇÃO DA SAÚDE NA
                                                              INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

EDITAL PPSUS FAPERGS 002/2009 DECIT/SCTIE/MS,CNPq, FAPERGS,
                SES/RS nº de processo 0900982




       Mais informações: www.proconvive.blogspot.com
Apresentação


       O
                     conteúdo desta cartilha tem por base a experiência
                    de um projeto de pesquisa e extensão denominado
                    PROCONVIVE (nº de processo 09/0098-2) financiado
pelo edital PPSUS FAPERGS 02/2009, e desenvolvido pelo Grupo de
Pesquisa Psicologia das Relações e Saúde do Departamento de Psicologia
da Universidade Federal de Santa Maria.

        O objetivo da cartilha é construção de um material informativo
que reúna questões sobre desenvolvimento infantil e os sinais que
mereçam atenção, destinado ao público em geral. Com isso, esperamos
contribuir para a promoção da saúde mental de crianças e adolescentes,
suas famílias e seu ambiente. Desejamos também facilitar a
desconstrução de mitos sobre esses períodos da vida, através de
indicações para o desenvolvimento de um ambiente e de
relacionamentos saudáveis, bem como facilitar a identificação de
sintomas merecedores de atenção presentes na criança ou adolescente e
locais onde procurar ajuda.

       Desejamos a todos uma boa leitura!




                                                  Equipe PROCONVIVE

                                  Grupo Psicologia das Relações e Saúde
Muita gente pensa que criança...                                     Medidas que promovem o
                                                                        desenvolvimento
 ...não percebe,                 ...não
                                                          Por: Caroline Matos Romio
 não entende o                  precisa
  que acontece                 brincar e                  Para que as crianças e adolescentes possam crescer saudáveis e se
 ao seu redor...              fantasiar...                desenvolver física e emocionalmente é preciso que possam contar com
                                                          um adulto, uma figura de cuidado em um ambiente que:

                                             ...esquece   1- Sinta e demonstre afeto e respeito:
                                             facilmente
      ...deve ser                            o que vê e   •   Com os desejos da criança
      “moldada”                                 ouve...   •   Com as expressões da criança, brincadeiras, produções artísticas e
     conforme os                                              outros
      anseios do                                          •   Com as necessidades de autonomia da criança
      seu meio...                                         •   Com o modo como as informações são repassadas à criança
                         ...não deve ser
                                                          •   Com o fato de que ela ainda não tem idade para decidir como adulto,
                         levada a sério
                                                              pensar como adulto ou fazer coisas de adulto
                         no que sente ou
                         diz...                           2- Dê o apoio necessário para que ela se sinta segura;

                                                          3- Coloque limites e regras para a criança:

                                                          •   Colocar limites com firmeza, de forma amorosa e serena, auxiliando a
                                     ...deve ser
                                                              criança a entender o “não” e diferenciar o permitido do não
    ...sempre quieta             castigada sempre,
                                                              permitido, o certo e o errado
        ou sempre                 ou que deve ser
      comportada é                   gratificada          4- Tenha atenção para com a criança:
       sinônimo de                     sempre.
   criança saudável...
•   Com a higiene pessoal                                                 instantes nos tenha parecido o contrário.
•   Com a alimentação
•   Com a realização de atividades diárias                                    Com um ursinho, um lencinho ou um brinquedo qualquer, nós
•   Com a freqüência à escola e o rendimento escolar                      conseguiremos ultrapassar os períodos que esse adulto estiver distante.
•   Com as atividades de lazer                                            Vamos nos amparar nesses objetos enquanto tentaremos desbravar o
•   Com o tempo e o uso de aparelhos tecnológicos pela criança            mundo, um pouco assustador, mas incrível.
•   Com a saúde física e mental da criança, buscando auxílio sempre que
    ela apresentar algum sintoma.                                               Nesse período vamos engatinhar, caminhar, correr. Vamos aprender
                                                                          a difícil tarefa de apontar, de falar e desejar. Com isso, começaremos a
                                                                          nos colocar. Abandonaremos as fraldas, vamos nos controlar, produzir e
                                                                          interagir com o ambiente. Perceberemos que meninos e meninas são
                   O que é infância?                                      diferentes, nos assustaremos, mas vamos continuar.

                                                                               Assim, encontraremos outras pessoas importantes, outros
Por Caroline Matos Romio
                                                                          significantes e também, outras crianças desbravadoras. É com elas que



    A
             infância é aquele período em que é permitido: depender,      iremos aprender a brincar, a inventar, a criar, a dar sentidos, a
            não saber, aprender, criar e brincar. É o período em que      compartilhar, o “faz de conta” vai surgir, o “era uma vez” vai ser possível,
            precisamos ser investidos, creditados de um futuro e          e o “viveram felizes para sempre” será sempre o fim.
amparados em um presente.
                                                                              Depois, aprenderemos as regras. Conseguiremos abdicar um
     É quando precisamos de um adulto “suficientemente bom” que           pouquinho do que queremos agora em prol do que todos quererão daqui
satisfaz as nossas necessidades mais primitivas, que ampara nossas        a pouco. Nós vamos continuar crescendo, aumentando, ampliando os
angustias mais profundas, que acolhe nossas descobertas e que tem uma     conhecimentos e os limites de nossos corpos.
postura sempre encorajadora. Ele vai nos amar e se implicar, e com ele
sentiremos que somos muito importantes, isso fará com que consigamos          Vamos ser mais espertos, mais falantes, mais rápidos e mais
continuar nos momentos em que ele falte.                                  atuantes. Até chegarmos a um momento, que precisaremos indagar o que
                                                                          sabemos e quem somos, entrar e superar uma adolescência, na jornada
    É na falta desse adulto que entenderemos que é possível adquirir      rumo a idade adulta.
autonomia, para sentar, para nos mexer, para querer. É através dele que
vamos saber que as pessoas que nos amam vão voltar, mesmo que por
O que é adolescência?                                        São características da adolescência:
Por Nelci Regina Angnes
                                                                                  A busca de si mesmo e da identidade é uma característica



        A
                    adolescência pode chegar como um período                      central, que se dá principalmente através dos seguintes
                   turbulento, quando devem ocorrer os ajustamentos               fatores:
                   sexuais, sociais, ideológicos e vocacionais por parte
daquele que, até pouco tempo, era apenas uma criança. Anunciada pela         1.   Tendência grupal, estão muito tempo em grupos, podem
puberdade, ela é marcada pelas mudanças físicas que vão refletir                  não gostar de ficar sozinhos;
diretamente no comportamento. Esse processo pode afetar de diversas          2.   Necessidade de intelectualizar e fantasiar, parecendo
maneiras o desenvolvimento dos interesses, o comportamento social e a             sonhadores e muito falantes;
qualidade da vida afetiva do adolescente (BLOS, 1998). Há uma                3.   Crises religiosas, se interessam por religiões diferentes,
preocupação maior com a maneira como os outros o percebem em                      podendo trocar ou aprofundar em alguma;
contraste com o que pensa que é. É o momento da construção da                4.   Surgimento de questões sobre sexualidade, curiosidade, ações
identidade.                                                                       sexuais;
                            Segundo Erikson (1972), o adolescente pode se    5.   Atitude social reivindicatória, que caracteriza os jovens em
                    deparar também com a confusão de identidade,                  rebeldia contra as autoridades, numa medida sem agressão ou
                    podendo se sentir vazio, isolado, ansioso e incapaz de        prejuízo;
                    se encaixar no mundo adulto, o que pode, algumas         6.   Contradições sucessivas em sua conduta, parecendo que são
                    vezes, levar a uma regressão. Segundo o autor é nesse         confusos, inconstantes, mas faz isso parte do desenvolvimento;
                    período que pode ocorrer um apego excessivo a um clã     7.   Separação progressiva dos pais, através de debates,
                    (grupo). Ainda, é importante ressaltar que a                  discordâncias, que podem gerar conflitos familiares;
                    adolescência tem muita influência dos fatores sócio-     8.   Constantes flutuações de humor e do estado de ânimo, oscilações
culturais, então, o que era comum em uma geração, pode não ser em                 entre quietude e movimento, choro,
outra.                                                                            alegria, sem que se caracterize um
        Falar em normalidade e patologia na adolescência é                        problema emocional.
extremamente difícil, pois toda transformação nesse período é
considerada normal.
Coloca objetos na boca                   A linha do tempo: Etapas do desenvolvimento
Descobre seu próprio corpo
Alterna expressões faciais
                                            Retirada das
                                            fraldas
                                                           saudável
Surgimento dos dentes
                                                Aumento da                                                                             Início da
Usa fraldas
                                                autonomia                     Novas habilidades de                                     adolescência
Balbucios e treinamentos para a
                                                A criança se                  aprendizagem físicas, intelectuais     Puberdade         Distanciamento
fala
                                                reconhece como                e sociais.                             Início da         das figuras
Firma o corpo – com ajuda e
                                                o centro das suas             Socialização                           adolescência      parentais
sozinha
                                                relações                      Interação e jogos                      Mudanças          Aderência a
Início da movimentação para
rastejar e engatinhar                                                                                                corporais         grupos



        0-1                  1-2                    2-3                 3-5                  6-7            a      11-12             12-18



                      Início da fala                        Início da compreensão de regras e                                   Senso de identidade
                      Início da caminhada                   limites                                                             Experimentar papéis
                      Exploração           do               Reconhecimento da autoridade                                        Futuro e profissão
                      ambiente
                      Controle do xixi e do
                      cocô (com auxílio)
                      Interesse por rabiscos


                         1ª Infância                                         2ª Infância              3ª Infância      Adolescência e Idade Adulta


       Dependência Absoluta                                     Dependência Relativa                                       Rumo à independência
Sinais de alerta para as                                             Os sinalizadores de sofrimento no bebê
                                                                               Por Natália de Andrade de Moraes
      possibilidades de Transtorno na
                                                                               Ao falarmos de detecção de transtornos
                Infância e Adolescência                                        psicológicos em bebês (ou de risco ao seu
                                                                               desenvolvimento psíquico), nos voltamos



        Q             uando adoecemos fisicamente, nosso corpo apresenta       fundamentalmente para a relação deste com os
                      sintomas que nos ajudam a perceber que, naquele          pais – enfatizando a dupla mãe-filho, amparada
                      momento da vida, não estamos completamente               sempre por uma figura de apoio, que pode ser o
                      saudáveis. Da mesma forma, o adoecimento psíquico        pai. Pensando em uma linha do desenvolvimento da criança, que deve
– ou mesmo o risco de adoecimento – pode ser percebido através de alguns       sempre considerar as singularidades de cada uma delas, atentamos para as
sinais, mais ou menos explícitos, que estão relacionados com a vida diária     seguintes situações:
dos indivíduos, suas relações com o social e o seu desenvolvimento em um
nível geral – psicológico, motor, cognitivo. Nesse sentido, podemos pensar     1- A relação estabelecida entre a mãe e o bebê:
em alguns sinais que são comuns a fases específicas do desenvolvimento –
                                                                               Logo após o nascimento, se a mãe (ou o cuidador principal) busca estar
como a vida inicial do bebê, a criança pequena, a criança em fase escolar, o
                                                                               próxima à criança; sente-se à vontade com o bebê, para pegá-lo no colo,
adolescente, etc. O conhecimento dessas marcas possibilita que alguns
                                                                               alimentá-lo, lhe acariciar. Se a dupla consegue estabelecer uma rotina; a
transtornos, especialmente os ditos “graves”, sejam reconhecidos
precocemente e manejados quando ainda estão em seu início.                     criança se expressa através do choro; consegue receber alimentação,
                                                                               dorme. A mãe sabe os significados do choro do filho – se é fome, dor, sono.
                                                                               A mãe usa linguagem “dengosa” com o bebê, como se falasse cantando.

                                                                               2- O interesse do bebê em explorar o seu próprio corpo, o corpo da mãe e
                                                                               o ambiente:

                                                                                                        O bebê de alguns meses de vida já começa a
                                                                                                        descobrir o mundo: inicia o reconhecimento do seu
                                                                                                        próprio corpo, do corpo dos cuidadores e do
                                                                                                        ambiente geral em que vive. São sinais de alerta a
                                                                                                        falta de troca de olhares entre o bebê e os pais; o


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desinteresse da criança pelos objetos que lhe são ofertados; a falta de     Sinalizadores de sofrimento infantil leve: os
tentativas de comunicação com o ambiente e a restrição da atividade
motora. Nesses casos, é comum descreverem a criança como “muito             transtornos leves da infância
quietinha”, pois ela pode ficar sozinha por longos períodos sem reclamar,
bem como ficar horas em uma mesma posição ou atividade.                     Por Rafaela Behs Jarros

3- O reconhecimento das pessoas que o cercam:                               1- Transtorno de Déficit de Atenção/ Hiperatividade:
                                                                            Dificuldade de manter atenção em atividades lúdicas ou tarefas:
O bebê, mesmo antes de falar, já reconhece seus familiares e pessoas        Ao fazer o dever de casa, ele fica distraído demais, como se estivesse
próximas, “estranhando” e recusando o contato com desconhecidos. Deve-      sempre no mundo da lua?
se atentar às crianças que não fazem distinção entre seus cuidadores e      Distrai-se facilmente com estímulos externos?
pessoas estranhas.                                                          Se ele escuta um barulho ou vê alguma coisa que lhe chama a atenção, é
                                                                            muito difícil de voltar a prestar a atenção no que ele já estava fazendo?
4- O desenvolvimento geral:
                                                                            Age de modo impulsivo?
Toda a gravidez deve ser acompanhada por um profissional qualificado. Da    Seu filho é de fazer o que lhe passa na cabeça, sem pensar no que possa
mesma forma, o bebê deve ser acompanhado por um médico pediatra             acontecer?
desde o seu nascimento. Esse cuidado possibilita que atrasos no             Por exemplo, fazer as coisas sem pensar, de forma tão repentina que,
desenvolvimento geral da criança sejam percebidos, principalmente           quando vê, já fez!
aspectos que podem passar despercebidos pelo olhar dos pais.                Quando buscar ajuda profissional? Se algum desses itens acontece com
                                                                            bastante freqüência, chegando a interferir nas relações sociais do seu filho,
5- Mudanças de humor e comportamentos extremos:                             em nível moderado ou grave.
Alguns sinais de alerta no bebê podem ser sutis, no entanto, é sempre
importante atentar às reações extremadas. Por exemplo, se o bebê é quieto   2- Transtorno de Pânico:
demais ou muito ativo; se é indiferente aos pais ou não suporta a sua       Alguma vez seu filho chegou a passar mal, de uma hora para outra, e se
ausência; se é independente ou não demonstra autonomia alguma em            sentiu muito assustado sem nenhum motivo? Por exemplo: sentiu falta de
relação aos seus cuidadores. Reage-se de forma                              ar, tontura, palpitação, tremores, sufocação, náusea, suores, formigamento
excessivamente agressiva a pequenas mudanças                                das extremidades, etc.
no dia-a-dia, ou aos “nãos” estabelecidos pelos                             Os sintomas apareceram de repente, como se surgissem “do nada”?
pais.                                                                       Ele passou a ficar preocupado que eles pudessem acontecer novamente?




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Quando buscar ajuda profissional? Se seu filho apresentou pelo menos          Quando buscar ajuda profissional? Se você perceber que seu filho está
quatro crises com algum desses sintomas, com preocupação persistente          preocupado na maioria dos dias da semana, ou com algum dos sintomas
pelo menos por um mês sobre ter outra crise.                                  citados acima.

3- Transtorno de Ansiedade de Separação:                                      5- Fobias Específicas/Agorafobia:
Seu filho tem todos os seguintes sinais?                                      Seu filho tem muito medo de alguma coisa (cachorro,
Seu filho se preocupa que alguma coisa de ruim possa                          insetos, altura, elevador, avião, etc.), a ponto de
acontecer com ele, e que ele nunca mais iria ver seus pais?                   impedi-lo de fazer algo?
Seu filho se preocupa que alguma coisa de ruim possa                          Nota: É importante considerar que este medo é tão intenso que leva a
acontecer com você?                                                           criança a evitar situações nas quais tenha que enfrentar esse medo
Seu filho tem se recusado a ir para a escola ou pedido para                   específico, impedindo-a de brincar e dificultando suas relações sociais.
sair mais cedo, pois não se sente bem longe dos pais?                         Seu filho tem medo de estar em lugares cheios de pessoas ou de ir/estar
Seu filho tem medo de dormir sozinho? Já evitou dormir em casa de             sozinho em locais públicos?
pessoas conhecidas por estar longe dos pais?                                  Quando buscar ajuda profissional? Se esse medo de estímulos ou situações
Seu filho fica lhe seguindo pela casa, ou chamando, para ter certeza de que   causa sintomas moderados ou intensos de ansiedade, ou são evitados de
você está por perto?                                                          forma sistemática.
Quando buscar ajuda profissional? Se algum desses comportamentos
ocorrem com freqüência (mais de duas vezes na semana), em crianças com        6- Transtornos Depressivos:
mais de 4 anos.                                                               Seu filho se sente muito triste e tem vontade de chorar em muitos
                                                                              momentos? Esses episódios de tristeza acontecem com muita freqüência?
4- Transtorno de Ansiedade Generalizada:                                      Você percebe que seu filho não tem muito interesse, pouca motivação e se
Seu filho se preocupa demais com coisas do dia-a-dia? E com coisas que ele    irrita facilmente em situações do dia-a-dia?
tinha que fazer ou que ainda iriam acontecer?                                 Seu filho já tentou machucar a si próprio?
Você acha que ele se preocupa mais do que as crianças da sua idade?           Quando buscar ajuda profissional? Se você observar
Seu filho está sempre se queixando de dor de cabeça, de estômago, nas         que os episódios de tristeza do seu filho são
pernas, nas costas, ou algum outro tipo de mal-estar?                         recorrentes, se ele está apresentando perda de
Seu filho se preocupa demais com o que os outros podem pensar sobre ele?      prazer ou interesse em atividades que sempre foram
Ele pensa muito antes de expor a sua opinião?                                 prazerosas para ele.




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Sinalizadores do sofrimento infantil intenso: os                         4- Rotina diária: a criança pode não estabelecer uma rotina diária ou fixar-
                                                                             se a certos hábitos; ser indiferente ou muito atenta a cuidados pessoais,
            transtornos graves da infância                                   como de higienização, vestimenta, entre outros;

Por Natália de Andrade de Moraes                                             5- Comportamentos gerais: pode ser percebida
                                                                             como “estranha” ou “diferente” das demais;


        O
                 s transtornos graves da infância, em geral, podem ser       pode utilizar os brinquedos e objetos de forma
                 percebidos por alterações globais na capacidade de          repetitiva e estereotipada (por exemplo,
                 comunicação da criança com o mundo. Com isso,               brincando apenas com a roda de um carrinho) e
dizemos que a criança pode exibir modos peculiares de relação com as         ter dificuldades em “fazer de conta”.
pessoas e os objetos. A fala, uma das principais formas de comunicação,
pode aparecer em um período tardio ou de modo estereotipado (por
exemplo, quando a criança fala apenas “frases decoradas” ou repete a fala
de desenhos animados ou pessoas do seu meio social). Igualmente, a           Os transtornos na adolescência
criança pouco se comunica através de gestos (apenas “aponta” o que
deseja). Pode ter interesses bastante específicos como o interesse por       Por Natália de Andrade de Moraes
folhear revistas sistematicamente, empilhar coisas, o interesse por
números, etc.                                                                        A adolescência é um período de inconstâncias, no qual operam
                                                                             transformações significativas no modo de ser e pensar dos indivíduos.
Abaixo, serão apontados alguns sinais para detecção de transtorno grave na   Devemos ter cuidado ao falar de “transtornos” nessa fase da vida, visto que
infância:                                                                    alguns comportamentos, ainda que possam ser vistos como “impulsivos”,
                                                                             são comuns e mesmo esperados.
1- Relação com a aprendizagem: dificuldade na alfabetização, no
aprendizado de letras e números, no entendimento e/ou interesse por                   Sinais importantes nessa fase são: o adolescente com aspecto
histórias infantis;                                                          depressivo (desmotivado, com aparência muito cansada ou dificuldade no
                                                                             exercício de atividades cotidianas – sem motivo aparente); desinteressado
2- Relação com outras crianças: pode não ter amigos, geralmente brincar
                                                                             nas relações sociais; excessivamente dependente dos cuidadores; com
sozinha ou agir como se as demais crianças não existissem;
                                                                             atitudes geralmente observadas em crianças de faixas etárias menores.
3- Relação com os cuidadores: pode ser uma criança “grudada” aos             Ameaças a si e a outros, como tentativas de suicídio ou ameaças aos outros
cuidadores ou indiferente a eles, pode usar os adultos como ferramentas      ou à propriedade, bem como comportamentos de risco, podem expressar a
para conseguir o que quer – como abrir portas, alcançar brinquedos, etc.;    necessidade de procurar ajuda profissional.


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O ambiente facilitador                                                            Onde buscar ajuda?
                                                                               Por Gabriela Zuchetto
Por Caroline Matos Romio e Hericka Dias

                                                                               1- Os CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) são responsáveis



          D
                                                                               pela organização e oferta de serviços da Proteção
                        e acordo com Donald Winnicott, um dos principais
                                                                               Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco
                        autores da psicologia do desenvolvimento emocional,
                                                                               social. Normalmente encontram-se neste local
                        apresentaremos a seguir a importância do ambiente
                                                                               psicólogos e assistentes sociais.
para o desenvolvimento da criança.
           É importante ressaltar que para se promover o desenvolvimento
                                                                               2- Os CREAS (Centros de Referência Especializado de
sadio de uma criança é indispensável a existência de um ambiente
                                                                               Assistência Social) ofertam serviços especializados e
facilitador. Esse ambiente deve ser composto por aqueles que apoiarão a
                                                                               continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de
criança em seu desenvolvimento.
                                                                               direitos (violência física, psicológica, sexual, tráfico de pessoas,
           A idéia é que esse ambiente tenha uma função de conter, como
                                                                               cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, etc.).
um abraçar a criança em suas necessidades corporais e emocionais. O
                                                                               Normalmente encontram-se neste local psicólogos, advogados e assistentes
ambiente é representado pela figura de um cuidador suficientemente bom,
                                                                               sociais.
inicialmente pela figura da mãe (ou figura substituta). Ser “suficientemente
bom” significa buscar sempre o meio termo: fornecer o que a criança e o
                                                                               3- Os CAPSi (Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil) acolhem
adolescente precisam, mas no tempo certo e na medida certa.
                                                                               diariamente crianças e adolescentes de até 18 anos de idade em sofrimento
           No princípio, a criança é absolutamente dependente dos cuidados
                                                                               psíquico grave, que estejam impossibilitados de laço social. São realizados
de um adulto, geralmente a mãe ou substitutos quem cumpram esse papel.
                                                                               atendimentos individuais e em grupo, visitas domiciliares e contato com
É importante também que nesse ambiente exista um outro além da figura
                                                                               outros serviços de saúde. Há uma equipe multiprofissional, onde
de cuidado principal, que apóie a mãe (ou substituto) em suas
                                                                               normalmente encontram-se psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais,
necessidades, para que esta possa sentir-se amparada e então, amparar seu
                                                                               educadores, dentre outros.
bebê. Este ambiente será, em seguida, estendido, para a
família, vizinhos, bairro, comunidade e escola.
                                                                               4- O Conselho Tutelar é um órgão municipal que zela pela garantia dos
           Quanto mais esse ambiente puder dar suporte
                                                                               direitos das crianças e dos adolescentes, estabelecidos pelo ECA (Estatuto
à criança e seus cuidadores, mais ela se tornará capaz de
                                                                               da Criança e do Adolescente). É tarefa do conselheiro tutelar escutar e
enfrentar o mundo em toda sua complexidade.
                                                                               manter diálogo com a criança/adolescente, com a família, comunidade,

  | PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência                                             PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência |
poder judiciário e executivo, porém não lhe cabe o julgamento dos casos e       segundo o ECA, trazem a possibilidade de possibilidade de punição por lei
fazer encaminhamentos                                                           daquele que executar tais ações.

               O que nos diz o ECA*?                                                     Quando se diz que a criança e adolescente têm direito à liberdade,
                                                                                está se dizendo que: eles podem ir, vir e permanecer nos locais públicos e
                                                                                comunitários; ter sua opinião e expressão validadas; ter crença e culto
Abaixo será apresentada uma compilação de artigos do *Estatuto da               religioso; podem brincar, praticar esportes e divertir-se; entre outros. O
Criança e do Adolescente, referente aos seus direitos.
                                                                                direito ao respeito consiste em não ter a integridade física, psíquica e moral
Por: Cristiane Camponogara Baratto                                              violada, mantendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia,
                                                                                dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais deles. O direito
         O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera crianças        à dignidade envolve pô-los a salvo de qualquer tratamento desumano,
quem tem até 12 anos de idade incompletos, e adolescentes aqueles que           violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
têm entre 12 e 18 anos de idade. O ECA pretende garantir a todas as
crianças e adolescentes o tratamento com atenção, proteção e cuidados                   Já foi tratada, nesta cartilha, a importância da prevenção na infância
                     especiais para que possam se desenvolver como adultos      e adolescência. O ECA prevê, também, outro tipo de prevenção: a da
                     conscientes e cidadãos, ou seja, adultos saudáveis em      ocorrência de ameaça ou violação dos direitos
                     um meio ambiente saudável.                                 dispostos pelo estatuto. As medidas de
                             Para promover as ações de atenção, proteção e      prevenção a transtornos juntamente com o
                     cuidados, estão envolvidas todas as pessoas, a família,    respeito aos direitos apresentados pelo ECA, dá a
                     os Conselhos de Saúde, os Conselhos Tutelares, as          oportunidade para o desenvolvimento de um
                     instâncias públicas e os movimentos de defesa da vida.     indivíduo saudável.
Com essas ações, ficam asseguradas as oportunidades de desenvolvimento
físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de
dignidade.
         Nesse sentido, o ECA estabelece o dever de assegurar à criança e ao
adolescente os seus direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade,
ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

         Ações como negligenciar, discriminar, explorar, violentar, excluir e
oprimir - tanto na forma de omitir direitos quanto de praticar essas ações -,

  | PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência                                               PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência |
Referências de obras e autores utilizados para a elaboração dos textos                 Winnicott, D. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artmed,
apresentados                                                                           1983.


Aberastury, A. Adolescência Normal: um enfoque psicanalítico. Porto Alegre:
Artmed, 1981.                                                                                                             Equipe PROCONVIVE

Brasil. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para a atenção integral à saúde de                               1º Ciclo : Alice Moreira da Costa, Michele Ramos,
crianças, adolescentes e suas famílias em situação de violências: orientação para                              Marisangela Lena, Valéri Camargo, Fernanda Culau,
gestores e profissionais de saúde. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010.                             Laura Wottrich
                                                                                                               2ª Ciclo: Maristela Peixoto, Caroline Matos Romio,
Brasil. Ministério da saúde. secretaria de atenção à saúde. Política nacional de
                                                                                       Gabriela Zuchetto, Tais Tiellet, Natália de Andrade de Moraes
                                                                                       3º Ciclo: Paula Cassel, Eduardo Tomm, Juliane Caeran, Luismar Model,
Humanização da atenção e Gestão do SUS. Clínica ampliada e compartilhada /
                                                                                       Marília Bianchini, Ticiane Santos, Vanessa Berni, Cristiane Baratto, Manoela
Ministério da saúde, secretaria de atenção à saúde, Política nacional de
                                                                                       Ludtke
Humanização da atenção e Gestão do SUS. – Brasília : Ministério da saúde, 2009.
                                                                                       4º Ciclo: Nelcí Regina Angnes, Juliana Otarão e Geanne Paulino
                                                                                       Colaboradoras: Rachel Rubin (2009) e Letícia Saldanha de Lima (2010)
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Política nacional de
                                                                                       Vice-coordenadora: Mariana Hollweg Dias (2009-2011)
promoção da saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. –              Coordenadora: Profa. Dra. HerickaZogbi Jorge Dias
Brasília: Ministério da Saúde, 2006.

Brasil. Ministério da Saúde. Estatuto da Criança e do Adolescente / Ministério da
                                                                                                   Equipe organizadora da cartilha
Saúde. – 3. ed. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2008.

                                                                                                                  Caroline Matos Romio
Erikson, E. H. Identidade, Juventude e Crise. Rio de Janeiro: Zahar editores, 1972.
                                                                                                             Cristiane Camponogara Baratto
                                                                                                                    Gabriela Zuchetto
Feitosa, HN; Ricou, M; Rego, S; Nunes, R. A saúde mental das crianças e dos                                           Juliana Otarão
adolescentes: considerações epidemiológicas, assistenciais e bioéticas. Revista                              Natália de Andrade de Moraes
Bioética, 2011; 19: 259-75.                                                                                        Nelci Regina Angnes
                                                                                                                 Hericka Zogbi Jorge Dias
Marcelli, D; Cohen, D. Infância e psicopatologia. 8º ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
                                                                                                             www.proconvive.blogspot.com
Rappaport, C.R. Psicologia do desenvolvimento (Volumes 1 a 4). São Paulo: EPU,
1982.



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Cartilha Promoção da Saúde na Infância e Adolescência!

  • 1. REALIZAÇÃO Cartilha PROMOÇÃO DA SAÚDE NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA EDITAL PPSUS FAPERGS 002/2009 DECIT/SCTIE/MS,CNPq, FAPERGS, SES/RS nº de processo 0900982 Mais informações: www.proconvive.blogspot.com
  • 2. Apresentação O conteúdo desta cartilha tem por base a experiência de um projeto de pesquisa e extensão denominado PROCONVIVE (nº de processo 09/0098-2) financiado pelo edital PPSUS FAPERGS 02/2009, e desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa Psicologia das Relações e Saúde do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria. O objetivo da cartilha é construção de um material informativo que reúna questões sobre desenvolvimento infantil e os sinais que mereçam atenção, destinado ao público em geral. Com isso, esperamos contribuir para a promoção da saúde mental de crianças e adolescentes, suas famílias e seu ambiente. Desejamos também facilitar a desconstrução de mitos sobre esses períodos da vida, através de indicações para o desenvolvimento de um ambiente e de relacionamentos saudáveis, bem como facilitar a identificação de sintomas merecedores de atenção presentes na criança ou adolescente e locais onde procurar ajuda. Desejamos a todos uma boa leitura! Equipe PROCONVIVE Grupo Psicologia das Relações e Saúde
  • 3. Muita gente pensa que criança... Medidas que promovem o desenvolvimento ...não percebe, ...não Por: Caroline Matos Romio não entende o precisa que acontece brincar e Para que as crianças e adolescentes possam crescer saudáveis e se ao seu redor... fantasiar... desenvolver física e emocionalmente é preciso que possam contar com um adulto, uma figura de cuidado em um ambiente que: ...esquece 1- Sinta e demonstre afeto e respeito: facilmente ...deve ser o que vê e • Com os desejos da criança “moldada” ouve... • Com as expressões da criança, brincadeiras, produções artísticas e conforme os outros anseios do • Com as necessidades de autonomia da criança seu meio... • Com o modo como as informações são repassadas à criança ...não deve ser • Com o fato de que ela ainda não tem idade para decidir como adulto, levada a sério pensar como adulto ou fazer coisas de adulto no que sente ou diz... 2- Dê o apoio necessário para que ela se sinta segura; 3- Coloque limites e regras para a criança: • Colocar limites com firmeza, de forma amorosa e serena, auxiliando a ...deve ser criança a entender o “não” e diferenciar o permitido do não ...sempre quieta castigada sempre, permitido, o certo e o errado ou sempre ou que deve ser comportada é gratificada 4- Tenha atenção para com a criança: sinônimo de sempre. criança saudável...
  • 4. Com a higiene pessoal instantes nos tenha parecido o contrário. • Com a alimentação • Com a realização de atividades diárias Com um ursinho, um lencinho ou um brinquedo qualquer, nós • Com a freqüência à escola e o rendimento escolar conseguiremos ultrapassar os períodos que esse adulto estiver distante. • Com as atividades de lazer Vamos nos amparar nesses objetos enquanto tentaremos desbravar o • Com o tempo e o uso de aparelhos tecnológicos pela criança mundo, um pouco assustador, mas incrível. • Com a saúde física e mental da criança, buscando auxílio sempre que ela apresentar algum sintoma. Nesse período vamos engatinhar, caminhar, correr. Vamos aprender a difícil tarefa de apontar, de falar e desejar. Com isso, começaremos a nos colocar. Abandonaremos as fraldas, vamos nos controlar, produzir e interagir com o ambiente. Perceberemos que meninos e meninas são O que é infância? diferentes, nos assustaremos, mas vamos continuar. Assim, encontraremos outras pessoas importantes, outros Por Caroline Matos Romio significantes e também, outras crianças desbravadoras. É com elas que A infância é aquele período em que é permitido: depender, iremos aprender a brincar, a inventar, a criar, a dar sentidos, a não saber, aprender, criar e brincar. É o período em que compartilhar, o “faz de conta” vai surgir, o “era uma vez” vai ser possível, precisamos ser investidos, creditados de um futuro e e o “viveram felizes para sempre” será sempre o fim. amparados em um presente. Depois, aprenderemos as regras. Conseguiremos abdicar um É quando precisamos de um adulto “suficientemente bom” que pouquinho do que queremos agora em prol do que todos quererão daqui satisfaz as nossas necessidades mais primitivas, que ampara nossas a pouco. Nós vamos continuar crescendo, aumentando, ampliando os angustias mais profundas, que acolhe nossas descobertas e que tem uma conhecimentos e os limites de nossos corpos. postura sempre encorajadora. Ele vai nos amar e se implicar, e com ele sentiremos que somos muito importantes, isso fará com que consigamos Vamos ser mais espertos, mais falantes, mais rápidos e mais continuar nos momentos em que ele falte. atuantes. Até chegarmos a um momento, que precisaremos indagar o que sabemos e quem somos, entrar e superar uma adolescência, na jornada É na falta desse adulto que entenderemos que é possível adquirir rumo a idade adulta. autonomia, para sentar, para nos mexer, para querer. É através dele que vamos saber que as pessoas que nos amam vão voltar, mesmo que por
  • 5. O que é adolescência? São características da adolescência: Por Nelci Regina Angnes A busca de si mesmo e da identidade é uma característica A adolescência pode chegar como um período central, que se dá principalmente através dos seguintes turbulento, quando devem ocorrer os ajustamentos fatores: sexuais, sociais, ideológicos e vocacionais por parte daquele que, até pouco tempo, era apenas uma criança. Anunciada pela 1. Tendência grupal, estão muito tempo em grupos, podem puberdade, ela é marcada pelas mudanças físicas que vão refletir não gostar de ficar sozinhos; diretamente no comportamento. Esse processo pode afetar de diversas 2. Necessidade de intelectualizar e fantasiar, parecendo maneiras o desenvolvimento dos interesses, o comportamento social e a sonhadores e muito falantes; qualidade da vida afetiva do adolescente (BLOS, 1998). Há uma 3. Crises religiosas, se interessam por religiões diferentes, preocupação maior com a maneira como os outros o percebem em podendo trocar ou aprofundar em alguma; contraste com o que pensa que é. É o momento da construção da 4. Surgimento de questões sobre sexualidade, curiosidade, ações identidade. sexuais; Segundo Erikson (1972), o adolescente pode se 5. Atitude social reivindicatória, que caracteriza os jovens em deparar também com a confusão de identidade, rebeldia contra as autoridades, numa medida sem agressão ou podendo se sentir vazio, isolado, ansioso e incapaz de prejuízo; se encaixar no mundo adulto, o que pode, algumas 6. Contradições sucessivas em sua conduta, parecendo que são vezes, levar a uma regressão. Segundo o autor é nesse confusos, inconstantes, mas faz isso parte do desenvolvimento; período que pode ocorrer um apego excessivo a um clã 7. Separação progressiva dos pais, através de debates, (grupo). Ainda, é importante ressaltar que a discordâncias, que podem gerar conflitos familiares; adolescência tem muita influência dos fatores sócio- 8. Constantes flutuações de humor e do estado de ânimo, oscilações culturais, então, o que era comum em uma geração, pode não ser em entre quietude e movimento, choro, outra. alegria, sem que se caracterize um Falar em normalidade e patologia na adolescência é problema emocional. extremamente difícil, pois toda transformação nesse período é considerada normal.
  • 6. Coloca objetos na boca A linha do tempo: Etapas do desenvolvimento Descobre seu próprio corpo Alterna expressões faciais Retirada das fraldas saudável Surgimento dos dentes Aumento da Início da Usa fraldas autonomia Novas habilidades de adolescência Balbucios e treinamentos para a A criança se aprendizagem físicas, intelectuais Puberdade Distanciamento fala reconhece como e sociais. Início da das figuras Firma o corpo – com ajuda e o centro das suas Socialização adolescência parentais sozinha relações Interação e jogos Mudanças Aderência a Início da movimentação para rastejar e engatinhar corporais grupos 0-1 1-2 2-3 3-5 6-7 a 11-12 12-18 Início da fala Início da compreensão de regras e Senso de identidade Início da caminhada limites Experimentar papéis Exploração do Reconhecimento da autoridade Futuro e profissão ambiente Controle do xixi e do cocô (com auxílio) Interesse por rabiscos 1ª Infância 2ª Infância 3ª Infância Adolescência e Idade Adulta Dependência Absoluta Dependência Relativa Rumo à independência
  • 7. Sinais de alerta para as Os sinalizadores de sofrimento no bebê Por Natália de Andrade de Moraes possibilidades de Transtorno na Ao falarmos de detecção de transtornos Infância e Adolescência psicológicos em bebês (ou de risco ao seu desenvolvimento psíquico), nos voltamos Q uando adoecemos fisicamente, nosso corpo apresenta fundamentalmente para a relação deste com os sintomas que nos ajudam a perceber que, naquele pais – enfatizando a dupla mãe-filho, amparada momento da vida, não estamos completamente sempre por uma figura de apoio, que pode ser o saudáveis. Da mesma forma, o adoecimento psíquico pai. Pensando em uma linha do desenvolvimento da criança, que deve – ou mesmo o risco de adoecimento – pode ser percebido através de alguns sempre considerar as singularidades de cada uma delas, atentamos para as sinais, mais ou menos explícitos, que estão relacionados com a vida diária seguintes situações: dos indivíduos, suas relações com o social e o seu desenvolvimento em um nível geral – psicológico, motor, cognitivo. Nesse sentido, podemos pensar 1- A relação estabelecida entre a mãe e o bebê: em alguns sinais que são comuns a fases específicas do desenvolvimento – Logo após o nascimento, se a mãe (ou o cuidador principal) busca estar como a vida inicial do bebê, a criança pequena, a criança em fase escolar, o próxima à criança; sente-se à vontade com o bebê, para pegá-lo no colo, adolescente, etc. O conhecimento dessas marcas possibilita que alguns alimentá-lo, lhe acariciar. Se a dupla consegue estabelecer uma rotina; a transtornos, especialmente os ditos “graves”, sejam reconhecidos precocemente e manejados quando ainda estão em seu início. criança se expressa através do choro; consegue receber alimentação, dorme. A mãe sabe os significados do choro do filho – se é fome, dor, sono. A mãe usa linguagem “dengosa” com o bebê, como se falasse cantando. 2- O interesse do bebê em explorar o seu próprio corpo, o corpo da mãe e o ambiente: O bebê de alguns meses de vida já começa a descobrir o mundo: inicia o reconhecimento do seu próprio corpo, do corpo dos cuidadores e do ambiente geral em que vive. São sinais de alerta a falta de troca de olhares entre o bebê e os pais; o | PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência |
  • 8. desinteresse da criança pelos objetos que lhe são ofertados; a falta de Sinalizadores de sofrimento infantil leve: os tentativas de comunicação com o ambiente e a restrição da atividade motora. Nesses casos, é comum descreverem a criança como “muito transtornos leves da infância quietinha”, pois ela pode ficar sozinha por longos períodos sem reclamar, bem como ficar horas em uma mesma posição ou atividade. Por Rafaela Behs Jarros 3- O reconhecimento das pessoas que o cercam: 1- Transtorno de Déficit de Atenção/ Hiperatividade: Dificuldade de manter atenção em atividades lúdicas ou tarefas: O bebê, mesmo antes de falar, já reconhece seus familiares e pessoas Ao fazer o dever de casa, ele fica distraído demais, como se estivesse próximas, “estranhando” e recusando o contato com desconhecidos. Deve- sempre no mundo da lua? se atentar às crianças que não fazem distinção entre seus cuidadores e Distrai-se facilmente com estímulos externos? pessoas estranhas. Se ele escuta um barulho ou vê alguma coisa que lhe chama a atenção, é muito difícil de voltar a prestar a atenção no que ele já estava fazendo? 4- O desenvolvimento geral: Age de modo impulsivo? Toda a gravidez deve ser acompanhada por um profissional qualificado. Da Seu filho é de fazer o que lhe passa na cabeça, sem pensar no que possa mesma forma, o bebê deve ser acompanhado por um médico pediatra acontecer? desde o seu nascimento. Esse cuidado possibilita que atrasos no Por exemplo, fazer as coisas sem pensar, de forma tão repentina que, desenvolvimento geral da criança sejam percebidos, principalmente quando vê, já fez! aspectos que podem passar despercebidos pelo olhar dos pais. Quando buscar ajuda profissional? Se algum desses itens acontece com bastante freqüência, chegando a interferir nas relações sociais do seu filho, 5- Mudanças de humor e comportamentos extremos: em nível moderado ou grave. Alguns sinais de alerta no bebê podem ser sutis, no entanto, é sempre importante atentar às reações extremadas. Por exemplo, se o bebê é quieto 2- Transtorno de Pânico: demais ou muito ativo; se é indiferente aos pais ou não suporta a sua Alguma vez seu filho chegou a passar mal, de uma hora para outra, e se ausência; se é independente ou não demonstra autonomia alguma em sentiu muito assustado sem nenhum motivo? Por exemplo: sentiu falta de relação aos seus cuidadores. Reage-se de forma ar, tontura, palpitação, tremores, sufocação, náusea, suores, formigamento excessivamente agressiva a pequenas mudanças das extremidades, etc. no dia-a-dia, ou aos “nãos” estabelecidos pelos Os sintomas apareceram de repente, como se surgissem “do nada”? pais. Ele passou a ficar preocupado que eles pudessem acontecer novamente? | PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência |
  • 9. Quando buscar ajuda profissional? Se seu filho apresentou pelo menos Quando buscar ajuda profissional? Se você perceber que seu filho está quatro crises com algum desses sintomas, com preocupação persistente preocupado na maioria dos dias da semana, ou com algum dos sintomas pelo menos por um mês sobre ter outra crise. citados acima. 3- Transtorno de Ansiedade de Separação: 5- Fobias Específicas/Agorafobia: Seu filho tem todos os seguintes sinais? Seu filho tem muito medo de alguma coisa (cachorro, Seu filho se preocupa que alguma coisa de ruim possa insetos, altura, elevador, avião, etc.), a ponto de acontecer com ele, e que ele nunca mais iria ver seus pais? impedi-lo de fazer algo? Seu filho se preocupa que alguma coisa de ruim possa Nota: É importante considerar que este medo é tão intenso que leva a acontecer com você? criança a evitar situações nas quais tenha que enfrentar esse medo Seu filho tem se recusado a ir para a escola ou pedido para específico, impedindo-a de brincar e dificultando suas relações sociais. sair mais cedo, pois não se sente bem longe dos pais? Seu filho tem medo de estar em lugares cheios de pessoas ou de ir/estar Seu filho tem medo de dormir sozinho? Já evitou dormir em casa de sozinho em locais públicos? pessoas conhecidas por estar longe dos pais? Quando buscar ajuda profissional? Se esse medo de estímulos ou situações Seu filho fica lhe seguindo pela casa, ou chamando, para ter certeza de que causa sintomas moderados ou intensos de ansiedade, ou são evitados de você está por perto? forma sistemática. Quando buscar ajuda profissional? Se algum desses comportamentos ocorrem com freqüência (mais de duas vezes na semana), em crianças com 6- Transtornos Depressivos: mais de 4 anos. Seu filho se sente muito triste e tem vontade de chorar em muitos momentos? Esses episódios de tristeza acontecem com muita freqüência? 4- Transtorno de Ansiedade Generalizada: Você percebe que seu filho não tem muito interesse, pouca motivação e se Seu filho se preocupa demais com coisas do dia-a-dia? E com coisas que ele irrita facilmente em situações do dia-a-dia? tinha que fazer ou que ainda iriam acontecer? Seu filho já tentou machucar a si próprio? Você acha que ele se preocupa mais do que as crianças da sua idade? Quando buscar ajuda profissional? Se você observar Seu filho está sempre se queixando de dor de cabeça, de estômago, nas que os episódios de tristeza do seu filho são pernas, nas costas, ou algum outro tipo de mal-estar? recorrentes, se ele está apresentando perda de Seu filho se preocupa demais com o que os outros podem pensar sobre ele? prazer ou interesse em atividades que sempre foram Ele pensa muito antes de expor a sua opinião? prazerosas para ele. | PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência |
  • 10. Sinalizadores do sofrimento infantil intenso: os 4- Rotina diária: a criança pode não estabelecer uma rotina diária ou fixar- se a certos hábitos; ser indiferente ou muito atenta a cuidados pessoais, transtornos graves da infância como de higienização, vestimenta, entre outros; Por Natália de Andrade de Moraes 5- Comportamentos gerais: pode ser percebida como “estranha” ou “diferente” das demais; O s transtornos graves da infância, em geral, podem ser pode utilizar os brinquedos e objetos de forma percebidos por alterações globais na capacidade de repetitiva e estereotipada (por exemplo, comunicação da criança com o mundo. Com isso, brincando apenas com a roda de um carrinho) e dizemos que a criança pode exibir modos peculiares de relação com as ter dificuldades em “fazer de conta”. pessoas e os objetos. A fala, uma das principais formas de comunicação, pode aparecer em um período tardio ou de modo estereotipado (por exemplo, quando a criança fala apenas “frases decoradas” ou repete a fala de desenhos animados ou pessoas do seu meio social). Igualmente, a Os transtornos na adolescência criança pouco se comunica através de gestos (apenas “aponta” o que deseja). Pode ter interesses bastante específicos como o interesse por Por Natália de Andrade de Moraes folhear revistas sistematicamente, empilhar coisas, o interesse por números, etc. A adolescência é um período de inconstâncias, no qual operam transformações significativas no modo de ser e pensar dos indivíduos. Abaixo, serão apontados alguns sinais para detecção de transtorno grave na Devemos ter cuidado ao falar de “transtornos” nessa fase da vida, visto que infância: alguns comportamentos, ainda que possam ser vistos como “impulsivos”, são comuns e mesmo esperados. 1- Relação com a aprendizagem: dificuldade na alfabetização, no aprendizado de letras e números, no entendimento e/ou interesse por Sinais importantes nessa fase são: o adolescente com aspecto histórias infantis; depressivo (desmotivado, com aparência muito cansada ou dificuldade no exercício de atividades cotidianas – sem motivo aparente); desinteressado 2- Relação com outras crianças: pode não ter amigos, geralmente brincar nas relações sociais; excessivamente dependente dos cuidadores; com sozinha ou agir como se as demais crianças não existissem; atitudes geralmente observadas em crianças de faixas etárias menores. 3- Relação com os cuidadores: pode ser uma criança “grudada” aos Ameaças a si e a outros, como tentativas de suicídio ou ameaças aos outros cuidadores ou indiferente a eles, pode usar os adultos como ferramentas ou à propriedade, bem como comportamentos de risco, podem expressar a para conseguir o que quer – como abrir portas, alcançar brinquedos, etc.; necessidade de procurar ajuda profissional. | PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência |
  • 11. O ambiente facilitador Onde buscar ajuda? Por Gabriela Zuchetto Por Caroline Matos Romio e Hericka Dias 1- Os CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) são responsáveis D pela organização e oferta de serviços da Proteção e acordo com Donald Winnicott, um dos principais Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco autores da psicologia do desenvolvimento emocional, social. Normalmente encontram-se neste local apresentaremos a seguir a importância do ambiente psicólogos e assistentes sociais. para o desenvolvimento da criança. É importante ressaltar que para se promover o desenvolvimento 2- Os CREAS (Centros de Referência Especializado de sadio de uma criança é indispensável a existência de um ambiente Assistência Social) ofertam serviços especializados e facilitador. Esse ambiente deve ser composto por aqueles que apoiarão a continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de criança em seu desenvolvimento. direitos (violência física, psicológica, sexual, tráfico de pessoas, A idéia é que esse ambiente tenha uma função de conter, como cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, etc.). um abraçar a criança em suas necessidades corporais e emocionais. O Normalmente encontram-se neste local psicólogos, advogados e assistentes ambiente é representado pela figura de um cuidador suficientemente bom, sociais. inicialmente pela figura da mãe (ou figura substituta). Ser “suficientemente bom” significa buscar sempre o meio termo: fornecer o que a criança e o 3- Os CAPSi (Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil) acolhem adolescente precisam, mas no tempo certo e na medida certa. diariamente crianças e adolescentes de até 18 anos de idade em sofrimento No princípio, a criança é absolutamente dependente dos cuidados psíquico grave, que estejam impossibilitados de laço social. São realizados de um adulto, geralmente a mãe ou substitutos quem cumpram esse papel. atendimentos individuais e em grupo, visitas domiciliares e contato com É importante também que nesse ambiente exista um outro além da figura outros serviços de saúde. Há uma equipe multiprofissional, onde de cuidado principal, que apóie a mãe (ou substituto) em suas normalmente encontram-se psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, necessidades, para que esta possa sentir-se amparada e então, amparar seu educadores, dentre outros. bebê. Este ambiente será, em seguida, estendido, para a família, vizinhos, bairro, comunidade e escola. 4- O Conselho Tutelar é um órgão municipal que zela pela garantia dos Quanto mais esse ambiente puder dar suporte direitos das crianças e dos adolescentes, estabelecidos pelo ECA (Estatuto à criança e seus cuidadores, mais ela se tornará capaz de da Criança e do Adolescente). É tarefa do conselheiro tutelar escutar e enfrentar o mundo em toda sua complexidade. manter diálogo com a criança/adolescente, com a família, comunidade, | PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência |
  • 12. poder judiciário e executivo, porém não lhe cabe o julgamento dos casos e segundo o ECA, trazem a possibilidade de possibilidade de punição por lei fazer encaminhamentos daquele que executar tais ações. O que nos diz o ECA*? Quando se diz que a criança e adolescente têm direito à liberdade, está se dizendo que: eles podem ir, vir e permanecer nos locais públicos e comunitários; ter sua opinião e expressão validadas; ter crença e culto Abaixo será apresentada uma compilação de artigos do *Estatuto da religioso; podem brincar, praticar esportes e divertir-se; entre outros. O Criança e do Adolescente, referente aos seus direitos. direito ao respeito consiste em não ter a integridade física, psíquica e moral Por: Cristiane Camponogara Baratto violada, mantendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais deles. O direito O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera crianças à dignidade envolve pô-los a salvo de qualquer tratamento desumano, quem tem até 12 anos de idade incompletos, e adolescentes aqueles que violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. têm entre 12 e 18 anos de idade. O ECA pretende garantir a todas as crianças e adolescentes o tratamento com atenção, proteção e cuidados Já foi tratada, nesta cartilha, a importância da prevenção na infância especiais para que possam se desenvolver como adultos e adolescência. O ECA prevê, também, outro tipo de prevenção: a da conscientes e cidadãos, ou seja, adultos saudáveis em ocorrência de ameaça ou violação dos direitos um meio ambiente saudável. dispostos pelo estatuto. As medidas de Para promover as ações de atenção, proteção e prevenção a transtornos juntamente com o cuidados, estão envolvidas todas as pessoas, a família, respeito aos direitos apresentados pelo ECA, dá a os Conselhos de Saúde, os Conselhos Tutelares, as oportunidade para o desenvolvimento de um instâncias públicas e os movimentos de defesa da vida. indivíduo saudável. Com essas ações, ficam asseguradas as oportunidades de desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Nesse sentido, o ECA estabelece o dever de assegurar à criança e ao adolescente os seus direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Ações como negligenciar, discriminar, explorar, violentar, excluir e oprimir - tanto na forma de omitir direitos quanto de praticar essas ações -, | PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência |
  • 13. Referências de obras e autores utilizados para a elaboração dos textos Winnicott, D. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artmed, apresentados 1983. Aberastury, A. Adolescência Normal: um enfoque psicanalítico. Porto Alegre: Artmed, 1981. Equipe PROCONVIVE Brasil. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para a atenção integral à saúde de 1º Ciclo : Alice Moreira da Costa, Michele Ramos, crianças, adolescentes e suas famílias em situação de violências: orientação para Marisangela Lena, Valéri Camargo, Fernanda Culau, gestores e profissionais de saúde. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010. Laura Wottrich 2ª Ciclo: Maristela Peixoto, Caroline Matos Romio, Brasil. Ministério da saúde. secretaria de atenção à saúde. Política nacional de Gabriela Zuchetto, Tais Tiellet, Natália de Andrade de Moraes 3º Ciclo: Paula Cassel, Eduardo Tomm, Juliane Caeran, Luismar Model, Humanização da atenção e Gestão do SUS. Clínica ampliada e compartilhada / Marília Bianchini, Ticiane Santos, Vanessa Berni, Cristiane Baratto, Manoela Ministério da saúde, secretaria de atenção à saúde, Política nacional de Ludtke Humanização da atenção e Gestão do SUS. – Brasília : Ministério da saúde, 2009. 4º Ciclo: Nelcí Regina Angnes, Juliana Otarão e Geanne Paulino Colaboradoras: Rachel Rubin (2009) e Letícia Saldanha de Lima (2010) Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Política nacional de Vice-coordenadora: Mariana Hollweg Dias (2009-2011) promoção da saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. – Coordenadora: Profa. Dra. HerickaZogbi Jorge Dias Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Brasil. Ministério da Saúde. Estatuto da Criança e do Adolescente / Ministério da Equipe organizadora da cartilha Saúde. – 3. ed. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2008. Caroline Matos Romio Erikson, E. H. Identidade, Juventude e Crise. Rio de Janeiro: Zahar editores, 1972. Cristiane Camponogara Baratto Gabriela Zuchetto Feitosa, HN; Ricou, M; Rego, S; Nunes, R. A saúde mental das crianças e dos Juliana Otarão adolescentes: considerações epidemiológicas, assistenciais e bioéticas. Revista Natália de Andrade de Moraes Bioética, 2011; 19: 259-75. Nelci Regina Angnes Hericka Zogbi Jorge Dias Marcelli, D; Cohen, D. Infância e psicopatologia. 8º ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. www.proconvive.blogspot.com Rappaport, C.R. Psicologia do desenvolvimento (Volumes 1 a 4). São Paulo: EPU, 1982. | PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência PROCONVIVE:Promoção da saúde na infância e adolescência |