Capítulo 9 - ROMA ANTIGA
2000 aC
Localização e povoamento
A Península Itálica é uma longa faixa de terra, em forma de bota,
que avança pelo mar Mediterrâneo. Ela é atravessada pela cadeia
montanhosa dos Apeninos e ao norte é limitada por um conjunto
de montanhas, os Alpes; a leste é banhada pelo mar Adriático, a
oeste, pelo mar Tirreno; e ao sul, pelos mares Jônico e
Mediterrâneo.
Segundo as fontes arqueológicas, a Península Itálica foi ocupada
sucessivamente por diferentes povos: os primeiros a chegar
foram os italiotas, entre os quais estavam os latinos e os sabinos.
Eles chegaram por volta de 2000 a. C. Depois vieram os etruscos,
povo comerciante e navegador, que se estabeleceu no noroeste,
por volta do século IX a.C. Mais tarde foram os gregos que
ocuparam o sul da península e a Sicília (séculos VIII e VI a.C.),
onde fundaram várias cidades (Nápoles, Cortona, Tarento, Velia,
Siracusa, Agrigento, etc.).
2000 aC
Localização e povoamento
Atravessada pela cadeia montanhosa dos Apeninos, a Península Itálica e limitada,
ao norte por um conjunto de montanhas, os Alpes; a leste é banhada pelo mar
Adriático, a oeste, pelo mar Tirreno; e ao sul, pelos mares Jônico e Mediterrâneo.
Loba Capitolina alimentando os gêmeos Rômulo e Remo. Escultura de
bronze do século V a.C.
Origem lendária de Roma
2000 aC
Origem lendária ou mitológica: Segundo a lenda, Roma teria sido
fundada pelos irmãos gêmeos, Rômulo e Remo (filhos da
princesa Rea Sílvia e do deus Júpiter) que teriam sido
abandonados perto do rio Tibre. Foram encontrados e
amamentados por uma loba, que os criou. Em 753 a. C., os dois
fundaram a cidade sobre o monte Palatino. Porém, numa
disputa, Rômulo assassinou seu irmão Remo e se tornou o
primeiro rei da cidade.
A fundação histórica de Roma: No século X a.C, na região do
Lácio, perto do rio Tibre, havia vários povos, entre os quais os
latinos e os sabinos. Eles construíram pequenas aldeias, nas
diversas colinas da região. Para se defenderem dos etruscos, eles
uniram as suas aldeias. A partir de 610 a. C., os etruscos
conquistaram o Lácio, juntaram as aldeias que formavam a Liga
dos Sete Montes e criaram a cidade de Roma.
A fundação de Roma
O tempo dos reis
Segundo a tradição, Roma teria sido governada por sete reis, sendo
quatro latinos e sabinos e os três últimos de origem etrusca. Os etruscos
eram navegadores e comerciantes que habitavam a etrúria, região
situada a noroeste da península itálica. Foi uma civilização brilhante que
influenciou muito a civilização romana. As funções dos reis eram: declarar
guerra, administrar a justiça e presidir os principais rituais religiosos.
• Reis latinos e sabinos: Rômulo (753 a.C. - 716 a.C.); Numa Pompílio
(716 a.C. - 673 a.C.); Túlio Hostílio (673 a.C. - 641 a.C.); Anco Márcio
(641 a.C. - 616 a.C.).
• Reis etruscos (tarquínios): Tarquínio Prisco (616 a.C. - 578 a.C.); Sérvio
Túlio (578 a.C. - 534 a.C.) e Tarquínio, o Soberbo (534 a.C. - 509 a.C.).
O último rei etrusco foi Tarquínio, o Soberbo, deposto em 509 a.C.,
provavelmente por ter descontentado os patrícios com medidas a favor
dos plebeus. No lugar de Tarquínio, foram colocados no poder dois
magistrados, os cônsules. Com isso, terminava o período Monárquico e
tinha inicio o período Republicano.
Conforme comprovações arqueológicas, por volta de 600 a.C.,
enquanto se expandiam em direção ao sul da Itália, os etruscos
entraram em Roma como comerciantes e artesãos. Aliando-se às
famílias locais, ascenderam socialmente e conquistaram o governo
da cidade,
Foi durante o governo dos etruscos que Roma adquiriu o aspecto
de cidade. Foram realizadas diversas obras públicas como: templos,
pontes, drenagens de pântanos e um sistema de esgoto. Assim, a
antiga aldeia de pastores romanos tornou-se um centro urbano
organizado, próspero e protegido pela enorme muralha serviana.
Os romanos assimilaram dos etruscos o habito de usar toga, litores
(oficiais de proteção a autoridades públicas), a crença de ler o
futuro através dos pássaros no céu e o uso da abóbada e do arco
nas construções.
A presença etrusca em Roma
Na época da realeza, a sociedade romana era composta basicamente de
quatro grupos sociais:
• Patrícios: Descendentes das famílias nobres, promoveram a ocupação
inicial de Roma. Eram grandes proprietários de terra e de gado.
• Plebeus: Em geral, eram pequenos agricultores, comerciantes, pastores e
artesãos. Eram a maioria da população e não tinham direitos políticos.
• Clientes: eram homens de negócios, intelectuais ou camponeses que
tinham interesse em fazer carreira pública e que por isso recorriam à
proteção de algum patrono, geralmente um patrício rico.
• Escravos: Eram plebeus endividados e principalmente prisioneiros de
guerra. Realizavam todo o tipo de trabalho e eram considerados bens
materiais. Não tinham qualquer direito civil ou político.
Politicamente, o rei era a maior autoridade religiosa e militar de Roma.
Entretanto, seu poder era limitado pelo Senado e por uma assembleia de
guerreiros > de 45 anos.
Em 509 a.C. os patrícios expulsaram o rei etrusco Tarquínio, o soberbo, e
criaram a República.
A vida política e social no tempo da realeza
A República romana
Com a instalação da República, os patrícios passaram a monopolizar o poder,
reservando para si os principais cargos políticos; o governo romano passou a ser
exercido por magistrados, pelo Senado e por assembleias.
O Senado era a principal instituição da República, responsável pela direção de toda
política romana. Formado por 300 membros vitalícios, conduzia a política interna e
externa de Roma. Era consultado antes de qualquer decisão importante.
Principais magistrados
• Consulado: magistratura mais importante, ocupado por dois militares. Um agia em
Roma e o outro fora. Em casos de extrema gravidade interna ou externa, esta
magistratura - como de resto, as outras também - era substituída pela Ditadura, uma
magistratura legal com duração de seis meses.
• Tribunos da plebe: representantes da plebe junto ao Senado. Possuíam o poder de
vetar as decisões do Senado que afetassem os plebeus, assegurando assim seus
direitos.
• Questor: responsável pela arrecadação de impostos.
• Pretor: encarregado da justiça civil.
• Censor: zelava pela moral pública (a censura) e realizava a contagem da população, o
censo.
• Edil: cuidava da manutenção pública como, obras, festas, policiamento, abastecimento.
As assembleias romanas
Para completar a organização política, restam as Assembleias que
eram em número de três:
• Assembleia das Tribos: Reunião dos cidadãos conforme o local
de trabalho e residência ou origem (elegia os questores e os
edis);
• Assembleia da Plebe: Representada exclusivamente pelos
plebeus, votava assuntos de interesse da plebe, como escolher
os tribunos da plebe. As leis votadas nela eram válidas a todos
os cidadãos e chamadas de plesbicito.
• Assembleia Centuriata: Reunião dos cidadãos em centúrias
(unidades do exército) segundo o grau de riqueza. Votava as
declarações de guerra, os acordos de paz e elegia as
magistraturas mais elevadas como cônsules e pretores. Era
monopolizada pelos patrícios.
As lutas sociais em Roma: patrícios x plebeus
O início da República foi marcado por intensas lutas de classes. Os plebeus eram
manipulados pelos patrícios que necessitavam dos plebeus como soldados
romanos para iniciar o processo de expansão.
Enquanto Roma aumentava seu território às custas dos povos vizinhos, os patrícios
se apropriavam da maior parte das terras, aumentando assim a quantidade de
camponeses sem terra e de escravos por. Este fato fez aumentar as pressões
sociais pela reforma agrária, pelo fim da escravidão e contra o desemprego que
atingia a plebe, problemas estes, que chegaram a promover conflitos como, por
exemplo, a Revolta do Monte Sagrado – primeira greve: ameaça de uma mudança
em massa dos plebeus para outra área. Diante destas necessidades, os patrícios
iniciaram um processo de concessão aos plebeus que culminou na aprovação das
seguintes leis:
• Tribunato da Plebe (494 a.C.): dois tribunos eleitos pela plebe em Assembleia
para defender sus interesses. Mais tarde, seu poder aumentou, quando foi
aprovada a Lei Hortência (286 a.C.) que dava força de Lei às decisões da
Assembleia Popular.
• Lei das Doze Tábuas (450 a.C.): com a publicação de leis escritas, a plebe
pretendia obter igualdade jurídica. As primeiras leis foram escritas em bronze.
Dessa forma, dificultava a interpretação, conforme os interesses dos patrícios.
As lutas sociais em Roma: patrícios x plebeus
• Lei Canuléia (445 a.C.): permitia o casamento entre patrícios e
plebeus. Neste momento histórico ocorria o crescimento das
atividades comerciais, enriquecendo uma grande quantidade de
plebeus, ao passo que a desvalorização da Terra como única fonte de
riqueza arruinava muitas famílias patrícias. A solução para a crise do
patriciado era o casamento com plebeus ricos comerciantes, fazendo
surgir assim uma aristocracia do dinheiro em Roma – classe equestre
ou cavaleiros.
• Leis Licínias Séxtias(367 a.C.): dividia o Consulado com a nomeação de
um Cônsul patrício e outro plebeu, e cancelava parte da dívida dos
plebeus com os patrícios.
• Lei Poetélia Papíria (326 a.C.): proibia a escravidão por dívidas e o fim
deste tipo de escravidão para os cidadãos romanos.
• Lei Hortência (287 a.C.): as decisões tomadas pelas assembleias dos
plebeus passaram a valer para todos os cidadãos romanos.
• Lei Ogúlnia (300 a.C.): permitia a igualdade religiosa dos plebeus aos
colégios sacerdotais e ao cargo de Pontífice Máximo.
Roma, senhora do mundo antigo
Enquanto os plebeus lutavam por seus direitos, Roma investia na expansão de seus
domínios por meio da guerra.
A conquista da Península Itálica e do mar Mediterrâneo.
Durante a República, Roma enfrentou graves crises políticas e conflitos sociais, mas promoveu
uma política constante de expansionismo, conquistando vários territórios em torno do mar
Mediterrâneo. Esse período é dividido em duas fases: a conquista da Península Itálica,
(séculos V a III a.C.) e a conquista do Mediterrâneo (séculos III e II a.C.).
Após as vitórias contra Cartago, nas Guerras Púnicas (264-146 a.C.), houve uma grande
expansão romana no Mediterrâneo, na Europa, no norte da África e na Ásia, fazendo de Roma
o maior império que havia existido em toda a Antiguidade.
Entretanto, tal expansão gerou mudanças internas na organização da sociedade. Antes da
intensificação da expansão territorial, boa parte do trabalho agrícola em Roma era realizada
por homens livres, camponeses em sua maioria. Esse processo expansionista exigia um
exército cada vez maior, com soldados sendo recrutados entre os camponeses, deixando as
terras com pouca mão de obra para trabalhá-la.
Por outro lado, a conquista de novos territórios resultavam na escravização dos povos locais.
Os escravos eram usados principalmente em trabalhos agrícolas, nas minas e atividades
urbanas como artesanato e comércio. Essas conquistas resultaram no aumento da
quantidade de terras dos latifundiários, que precisavam de cada vez mais escravos para nelas
trabalhar.
A conquista da Península Itálica e do mar Mediterrâneo
As conquistas romanas provocaram uma serie de profundas
mudanças na Roma antiga, tais como:
• Enriquecimento do Estado romano (terras, minas,
rebanhos, dinheiro de impostos e outros bens obtidos nas
províncias;
• Fortalecimento dos cavaleiros (novo grupo social formado
por comerciantes enriquecidos), a cobrança de impostos
nas províncias e os serviços prestados em Roma;
• Roma tornou-se uma cidade cosmopolita, com gente de
todas as partes do mundo;
• Concentração fundiária (terras) com patrícios e cavaleiros;
• Aumento considerável do escravismo. Com as conquistas,
milhares de prisioneiros de guerra foram levados para a
Itália.
A grande propriedade e o escravismo
O domínio romano no Mediterrâneo resultou em grandes transformações
econômicas, sociais e políticas. A economia passou a se fundamentar na
venda de escravos capturados entre os povos vencidos e na cobrança de
tributos das regiões conquistadas. Um dos reflexos dessa mudança foi a
formação de uma classe de ricos comerciantes, os cavaleiros. O trabalho
escravo passou a ocupar todas as atividades profissionais, sobretudo nas
grandes propriedades, que chegavam a atingir a 80.000 hectares. Enquanto
na Grécia, durante o período clássico, o escravismo coincidiu com
estabilização da pequena propriedade e a formação de um grupo de
cidadãos composto principalmente por pequenos proprietários, em Roma o
resultado foi o latifúndio e o domínio de uma poderosa aristocracia.
A sociedade também sofreu transformações. Os ricos nobres romanos, em
geral Senadores, tornaram-se donos de grandes latifúndios cultivados pelos
escravos. Obrigados a servir no exército romano, muitos plebeus
regressaram à Itália empobrecidos e, para sobreviver, passaram a vender
seus bens. Sem terras, inúmeros camponeses plebeus migraram para a
cidade, passando a viver em torno de Roma com o pão e o circo fornecidos
pelo Estado.
A resistência ao escravismo em Roma
Durante a República, ocorreram três grandes revoltas de escravos no
mundo romano: duas delas na Sicília, de 136 a 132 a.C., de 104 a 101 a.C.; a
outra, em Cápua, no sul da Itália, de 73 a 71 a.C. Esta última, bem retratada
no cinema, conhecida como a Revolta de Espártaco, contou com a união
de escravos fugitivos e outros descontentes. Liderados por Espártaco, um
grupo de gladiadores fugiu do quartel de Cápua e foi para as encostas do
Vesúvio, onde organizou um exército que lutou pela liberdade e pelo
desejo de retornar às suas cidades de origem.
Durante dois anos o grupo enfrentou várias batalhas contra os romanos e
venceu muitas delas. Vencidos e postos em fuga, refugiaram-se no extremo
sul da Itália. Lá, confinados num canto do Brúcio, sem possuir
embarcações, procuraram evadir-se para a Sicília. Enfim, numa saída,
correram eles em direção à uma morte digna de homens de valor; e, como
convinha a um general gladiador, a luta foi sem perdão: o próprio
Espártaco, combatendo com muita bravura na primeira fila, foi morto como
um imperador. O exército romano foi comandado pelo general Crasso,
membro do futuro Primeiro Triunvirato, que os derrotou em 71 a.C.
As mudanças, resultantes da exploração imperialista, abriram um novo quadro em Roma,
marcado por violentas lutas políticas e sociais. Inicialmente ocorreram conflitos entre
patrícios e plebeus e, depois entre patrícios e cavaleiros, que reivindicavam o direito de
ocupar cargos na magistratura e no Senado, pois isso lhes aumentaria o poder econômico.
Diante do clima de tensão, os irmãos Tibério e Caio Graco, que eram tribunos da plebe,
tentaram promover um reformas sociais para melhorar as condições de vida da massa
plebeia.
Em 133 a.C., Tibério Graco propôs uma reforma agrária que:
• Limitava o tamanho das terras públicas que um indivíduo podia possuir, limitando,
assim, o crescimento dos latifúndios;
• Determinava a distribuição de terras entre os cidadãos pobres.
Em 123 a.C., Caio Graco propôs leis que previam:
• A distribuição de trigo a preços baixos para os cidadãos (Lei Frumentária);
• A extensão da cidadania a alguns povos aliados dos romanos;
• A obrigação do Estado romano de pagar o equipamento dos militares.
Os irmãos Graco sofreram então uma forte oposição do Senado romano. Acabaram sendo
assassinados a mando dos nobres, que se sentiram ameaçados pelo apoio popular que os
irmãos Graco vinham recebendo. Fracassadas as reformas sociais dos irmãos Graco, a
política, a economia e a sociedade romana, entraram num período de grande instabilidade,
o que serviria como inspiração ou base para o fim da República e a formação do iminente
império romano.
A luta pela terra e as reformas dos Graco
Depois da morte dos irmãos Graco, a plebe órfã de liderança política, aliou-se ao
Partido Democrata, formado por ricos comerciantes – os cavaleiros -, que lutavam
para tirar o poder dos patrícios. Os patrícios, por sua vez, eram incapazes de resolver
os graves problemas que ameaçavam a República. Enquanto isso, generais vitoriosos
em inúmeras batalhas alcançavam enorme popularidade e usavam seu prestígio
para fazer carreira política. Mário, um “homem novo”, era um exemplo de novo
político. Depois de vencer muitas batalhas na África, aliou-se à facção radical do
Partido Democrata, o Partido Popular, elegendo-se cônsul por seis vezes
consecutivas (107-100 a.C.). Devido a sua origem plebeia, Mário era detestado pelo
Senado. Mas sua popularidade cresceu ainda mais depois da vitória sobre os
teutões.
Sila, grande rival de Mário e seu subalterno na África, tornou-se famoso quando, a
serviço dos patrícios reprimiu com grande violência as guerras sociais que eclodiram
em toda a Itália. Da rivalidade entre os dois resultou uma violenta guerra civil que só
terminaria com a morte de Mário, em 86 a.C. Com o apoio do Senado, Sila tornou-se
ditador perpétuo por tempo ilimitado. Depois de eliminar os partidários de Mário,
um clima de tensão, conspirações e assassinatos tomou conta de Roma.
Nesse cenário, emergiram novos comandantes militares com pretensões politicas:
Crasso, Pompeu e Júlio César.
A ascensão dos militares
As guerras que envolveram Roma, desde Sila e Mário, demonstraram que a República dos
patrícios estava chegando ao fim e que surgiam novos instrumentos do poder, como a plebe
urbana e o exército profissional.
Na década de 70 a.C., Roma enfrentou uma grande crise: rebelião na Espanha; Sertório,
província que buscava separação do Império; no Oriente, Mitríades novamente se rebelou; na
Itália ocorreu a Revolta de Espártaco. A atuação de Pompeu, Crasso e Júlio César nos
acontecimentos militares, projetou-os na vida política.
Hábil e audacioso, Júlio César assumiu a liderança do Partido Popular. Aproveitando-se do
descontentamento de Pompeu e Crasso contra o Senado, Júlio César uniu-se a eles e formou o
Primeiro Triunvirato. César foi eleito Cônsul, adotando medidas populares como:
• distribuição de terras a ex-soldados;
• coibiu abusos dos governadores de províncias e dos cobradores de impostos;
• distribuição de trigo à plebe romana;
• introdução do Calendário Juliano (ano com 365 dias);
• a construção do Fórum Romano.
Obtendo grandes vitórias militares, conquistas territoriais, fortalecendo o exército e
aumentando a riqueza de Roma, com a morte de Crasso na Ásia e Júlio César governando a
Gália, Pompeu ficou sozinho em Roma. Temendo o fortalecimento de César, o Senado conspirou
com Pompeu e o elegeu Cônsul, confiando-lhe a “defesa da República contra as ambições de
César". A atitude do Senado precipitou uma guerra civil. Apoiado pelo exército, César marchou
sobre Roma e venceu Pompeu que fugiu para o Egito, onde morreu assassinado. Assim, César
tornou-se Ditador Vitalício. Porém, foi assassinado por senadores, no Fórum romano, em 44 a.C.
O Primeiro Triunvirato
Após a morte de Júlio César forma-se o Segundo Triunvirato, com Marco Antônio, Lépido e
Otávio Augusto, em 43 a.C. Otávio ficou com o Ocidente, Marco Antônio com o Oriente e
Lépido com a África.
As disputas entre os três integrantes do novo governo pela supremacia do poder geraram
mudanças. Lépido aos poucos foi afastado e Marco Antônio rompeu com Otávio. Marco
Antônio, com o apoio de Cleópatra, rainha do Egito, fortaleceu-se tornando inevitável o
choque com Otávio. Otávio venceu Marco Antônio na Batalha de Actium, em 31 a.C. e após a
derrota, Marco Antônio suicidou-se juntamente com Cleópatra e o Egito foi anexado a Roma.
Com a vitória no Egito e a posse dos imensos tesouros do Faraó, Otávio acumulou uma
fortuna que lhe permitiu formar um poderoso exército, composto por setenta legiões, e
abastecer de trigo a plebe romana.
Tendo sobre seu controle as principais fontes de poder (o exército e a plebe), Otávio começou
a estabelecer uma nova forma de governo. Mais cuidadoso do que César, procurou disfarçar o
próprio poder, mantendo nas aparências o regime Republicano. Com receio de perder seus
privilégios, o Senado cobriu Otávio de títulos: Poder Tribunício (que o tornava sacrossanto e
inviolável); Imperador Consular (que lhe confiava o comando supremo do exército); Pontífice
Máximo (chefe da religião romana); Princeps Senatus (lhe dava o direito de governar o
Senado); Imperador (título reservado aos generais vencedores) e, finalmente, Augusto (título
reservado aos deuses). Marcando o início do Império e o final da República, formou-se um
regime político caracterizado pelo absolutismo teocrático, muito semelhante aos antigos
impérios orientais.
O Segundo Triunvirato
Elizabeth Taylor em cena do filme Cleópatra (1963).
Elizabeth Taylor em cena do filme Cleópatra (1963).
Júlio César (ao centro), em cena da série Roma (2007).
Considerado o seriado mais caro da história da TV americana até 2008,
com orçamento de 100 milhões de dólares por temporada, Roma foi
uma superprodução da HBO e BBC que misturou personagens históricos
clássicos e outros fictícios.
BIBLIOGRAFIA:
Alfredo Boulos Junior
História Sociedade e Cidadania
1º Ano
FTD - 2015

Capítulo 9 - Roma Antiga

  • 1.
    Capítulo 9 -ROMA ANTIGA
  • 3.
    2000 aC Localização epovoamento A Península Itálica é uma longa faixa de terra, em forma de bota, que avança pelo mar Mediterrâneo. Ela é atravessada pela cadeia montanhosa dos Apeninos e ao norte é limitada por um conjunto de montanhas, os Alpes; a leste é banhada pelo mar Adriático, a oeste, pelo mar Tirreno; e ao sul, pelos mares Jônico e Mediterrâneo. Segundo as fontes arqueológicas, a Península Itálica foi ocupada sucessivamente por diferentes povos: os primeiros a chegar foram os italiotas, entre os quais estavam os latinos e os sabinos. Eles chegaram por volta de 2000 a. C. Depois vieram os etruscos, povo comerciante e navegador, que se estabeleceu no noroeste, por volta do século IX a.C. Mais tarde foram os gregos que ocuparam o sul da península e a Sicília (séculos VIII e VI a.C.), onde fundaram várias cidades (Nápoles, Cortona, Tarento, Velia, Siracusa, Agrigento, etc.).
  • 4.
    2000 aC Localização epovoamento Atravessada pela cadeia montanhosa dos Apeninos, a Península Itálica e limitada, ao norte por um conjunto de montanhas, os Alpes; a leste é banhada pelo mar Adriático, a oeste, pelo mar Tirreno; e ao sul, pelos mares Jônico e Mediterrâneo.
  • 5.
    Loba Capitolina alimentandoos gêmeos Rômulo e Remo. Escultura de bronze do século V a.C. Origem lendária de Roma
  • 6.
    2000 aC Origem lendáriaou mitológica: Segundo a lenda, Roma teria sido fundada pelos irmãos gêmeos, Rômulo e Remo (filhos da princesa Rea Sílvia e do deus Júpiter) que teriam sido abandonados perto do rio Tibre. Foram encontrados e amamentados por uma loba, que os criou. Em 753 a. C., os dois fundaram a cidade sobre o monte Palatino. Porém, numa disputa, Rômulo assassinou seu irmão Remo e se tornou o primeiro rei da cidade. A fundação histórica de Roma: No século X a.C, na região do Lácio, perto do rio Tibre, havia vários povos, entre os quais os latinos e os sabinos. Eles construíram pequenas aldeias, nas diversas colinas da região. Para se defenderem dos etruscos, eles uniram as suas aldeias. A partir de 610 a. C., os etruscos conquistaram o Lácio, juntaram as aldeias que formavam a Liga dos Sete Montes e criaram a cidade de Roma. A fundação de Roma
  • 7.
    O tempo dosreis Segundo a tradição, Roma teria sido governada por sete reis, sendo quatro latinos e sabinos e os três últimos de origem etrusca. Os etruscos eram navegadores e comerciantes que habitavam a etrúria, região situada a noroeste da península itálica. Foi uma civilização brilhante que influenciou muito a civilização romana. As funções dos reis eram: declarar guerra, administrar a justiça e presidir os principais rituais religiosos. • Reis latinos e sabinos: Rômulo (753 a.C. - 716 a.C.); Numa Pompílio (716 a.C. - 673 a.C.); Túlio Hostílio (673 a.C. - 641 a.C.); Anco Márcio (641 a.C. - 616 a.C.). • Reis etruscos (tarquínios): Tarquínio Prisco (616 a.C. - 578 a.C.); Sérvio Túlio (578 a.C. - 534 a.C.) e Tarquínio, o Soberbo (534 a.C. - 509 a.C.). O último rei etrusco foi Tarquínio, o Soberbo, deposto em 509 a.C., provavelmente por ter descontentado os patrícios com medidas a favor dos plebeus. No lugar de Tarquínio, foram colocados no poder dois magistrados, os cônsules. Com isso, terminava o período Monárquico e tinha inicio o período Republicano.
  • 8.
    Conforme comprovações arqueológicas,por volta de 600 a.C., enquanto se expandiam em direção ao sul da Itália, os etruscos entraram em Roma como comerciantes e artesãos. Aliando-se às famílias locais, ascenderam socialmente e conquistaram o governo da cidade, Foi durante o governo dos etruscos que Roma adquiriu o aspecto de cidade. Foram realizadas diversas obras públicas como: templos, pontes, drenagens de pântanos e um sistema de esgoto. Assim, a antiga aldeia de pastores romanos tornou-se um centro urbano organizado, próspero e protegido pela enorme muralha serviana. Os romanos assimilaram dos etruscos o habito de usar toga, litores (oficiais de proteção a autoridades públicas), a crença de ler o futuro através dos pássaros no céu e o uso da abóbada e do arco nas construções. A presença etrusca em Roma
  • 9.
    Na época darealeza, a sociedade romana era composta basicamente de quatro grupos sociais: • Patrícios: Descendentes das famílias nobres, promoveram a ocupação inicial de Roma. Eram grandes proprietários de terra e de gado. • Plebeus: Em geral, eram pequenos agricultores, comerciantes, pastores e artesãos. Eram a maioria da população e não tinham direitos políticos. • Clientes: eram homens de negócios, intelectuais ou camponeses que tinham interesse em fazer carreira pública e que por isso recorriam à proteção de algum patrono, geralmente um patrício rico. • Escravos: Eram plebeus endividados e principalmente prisioneiros de guerra. Realizavam todo o tipo de trabalho e eram considerados bens materiais. Não tinham qualquer direito civil ou político. Politicamente, o rei era a maior autoridade religiosa e militar de Roma. Entretanto, seu poder era limitado pelo Senado e por uma assembleia de guerreiros > de 45 anos. Em 509 a.C. os patrícios expulsaram o rei etrusco Tarquínio, o soberbo, e criaram a República. A vida política e social no tempo da realeza
  • 10.
    A República romana Coma instalação da República, os patrícios passaram a monopolizar o poder, reservando para si os principais cargos políticos; o governo romano passou a ser exercido por magistrados, pelo Senado e por assembleias. O Senado era a principal instituição da República, responsável pela direção de toda política romana. Formado por 300 membros vitalícios, conduzia a política interna e externa de Roma. Era consultado antes de qualquer decisão importante. Principais magistrados • Consulado: magistratura mais importante, ocupado por dois militares. Um agia em Roma e o outro fora. Em casos de extrema gravidade interna ou externa, esta magistratura - como de resto, as outras também - era substituída pela Ditadura, uma magistratura legal com duração de seis meses. • Tribunos da plebe: representantes da plebe junto ao Senado. Possuíam o poder de vetar as decisões do Senado que afetassem os plebeus, assegurando assim seus direitos. • Questor: responsável pela arrecadação de impostos. • Pretor: encarregado da justiça civil. • Censor: zelava pela moral pública (a censura) e realizava a contagem da população, o censo. • Edil: cuidava da manutenção pública como, obras, festas, policiamento, abastecimento.
  • 11.
    As assembleias romanas Paracompletar a organização política, restam as Assembleias que eram em número de três: • Assembleia das Tribos: Reunião dos cidadãos conforme o local de trabalho e residência ou origem (elegia os questores e os edis); • Assembleia da Plebe: Representada exclusivamente pelos plebeus, votava assuntos de interesse da plebe, como escolher os tribunos da plebe. As leis votadas nela eram válidas a todos os cidadãos e chamadas de plesbicito. • Assembleia Centuriata: Reunião dos cidadãos em centúrias (unidades do exército) segundo o grau de riqueza. Votava as declarações de guerra, os acordos de paz e elegia as magistraturas mais elevadas como cônsules e pretores. Era monopolizada pelos patrícios.
  • 12.
    As lutas sociaisem Roma: patrícios x plebeus O início da República foi marcado por intensas lutas de classes. Os plebeus eram manipulados pelos patrícios que necessitavam dos plebeus como soldados romanos para iniciar o processo de expansão. Enquanto Roma aumentava seu território às custas dos povos vizinhos, os patrícios se apropriavam da maior parte das terras, aumentando assim a quantidade de camponeses sem terra e de escravos por. Este fato fez aumentar as pressões sociais pela reforma agrária, pelo fim da escravidão e contra o desemprego que atingia a plebe, problemas estes, que chegaram a promover conflitos como, por exemplo, a Revolta do Monte Sagrado – primeira greve: ameaça de uma mudança em massa dos plebeus para outra área. Diante destas necessidades, os patrícios iniciaram um processo de concessão aos plebeus que culminou na aprovação das seguintes leis: • Tribunato da Plebe (494 a.C.): dois tribunos eleitos pela plebe em Assembleia para defender sus interesses. Mais tarde, seu poder aumentou, quando foi aprovada a Lei Hortência (286 a.C.) que dava força de Lei às decisões da Assembleia Popular. • Lei das Doze Tábuas (450 a.C.): com a publicação de leis escritas, a plebe pretendia obter igualdade jurídica. As primeiras leis foram escritas em bronze. Dessa forma, dificultava a interpretação, conforme os interesses dos patrícios.
  • 13.
    As lutas sociaisem Roma: patrícios x plebeus • Lei Canuléia (445 a.C.): permitia o casamento entre patrícios e plebeus. Neste momento histórico ocorria o crescimento das atividades comerciais, enriquecendo uma grande quantidade de plebeus, ao passo que a desvalorização da Terra como única fonte de riqueza arruinava muitas famílias patrícias. A solução para a crise do patriciado era o casamento com plebeus ricos comerciantes, fazendo surgir assim uma aristocracia do dinheiro em Roma – classe equestre ou cavaleiros. • Leis Licínias Séxtias(367 a.C.): dividia o Consulado com a nomeação de um Cônsul patrício e outro plebeu, e cancelava parte da dívida dos plebeus com os patrícios. • Lei Poetélia Papíria (326 a.C.): proibia a escravidão por dívidas e o fim deste tipo de escravidão para os cidadãos romanos. • Lei Hortência (287 a.C.): as decisões tomadas pelas assembleias dos plebeus passaram a valer para todos os cidadãos romanos. • Lei Ogúlnia (300 a.C.): permitia a igualdade religiosa dos plebeus aos colégios sacerdotais e ao cargo de Pontífice Máximo.
  • 14.
    Roma, senhora domundo antigo Enquanto os plebeus lutavam por seus direitos, Roma investia na expansão de seus domínios por meio da guerra. A conquista da Península Itálica e do mar Mediterrâneo. Durante a República, Roma enfrentou graves crises políticas e conflitos sociais, mas promoveu uma política constante de expansionismo, conquistando vários territórios em torno do mar Mediterrâneo. Esse período é dividido em duas fases: a conquista da Península Itálica, (séculos V a III a.C.) e a conquista do Mediterrâneo (séculos III e II a.C.). Após as vitórias contra Cartago, nas Guerras Púnicas (264-146 a.C.), houve uma grande expansão romana no Mediterrâneo, na Europa, no norte da África e na Ásia, fazendo de Roma o maior império que havia existido em toda a Antiguidade. Entretanto, tal expansão gerou mudanças internas na organização da sociedade. Antes da intensificação da expansão territorial, boa parte do trabalho agrícola em Roma era realizada por homens livres, camponeses em sua maioria. Esse processo expansionista exigia um exército cada vez maior, com soldados sendo recrutados entre os camponeses, deixando as terras com pouca mão de obra para trabalhá-la. Por outro lado, a conquista de novos territórios resultavam na escravização dos povos locais. Os escravos eram usados principalmente em trabalhos agrícolas, nas minas e atividades urbanas como artesanato e comércio. Essas conquistas resultaram no aumento da quantidade de terras dos latifundiários, que precisavam de cada vez mais escravos para nelas trabalhar.
  • 15.
    A conquista daPenínsula Itálica e do mar Mediterrâneo As conquistas romanas provocaram uma serie de profundas mudanças na Roma antiga, tais como: • Enriquecimento do Estado romano (terras, minas, rebanhos, dinheiro de impostos e outros bens obtidos nas províncias; • Fortalecimento dos cavaleiros (novo grupo social formado por comerciantes enriquecidos), a cobrança de impostos nas províncias e os serviços prestados em Roma; • Roma tornou-se uma cidade cosmopolita, com gente de todas as partes do mundo; • Concentração fundiária (terras) com patrícios e cavaleiros; • Aumento considerável do escravismo. Com as conquistas, milhares de prisioneiros de guerra foram levados para a Itália.
  • 16.
    A grande propriedadee o escravismo O domínio romano no Mediterrâneo resultou em grandes transformações econômicas, sociais e políticas. A economia passou a se fundamentar na venda de escravos capturados entre os povos vencidos e na cobrança de tributos das regiões conquistadas. Um dos reflexos dessa mudança foi a formação de uma classe de ricos comerciantes, os cavaleiros. O trabalho escravo passou a ocupar todas as atividades profissionais, sobretudo nas grandes propriedades, que chegavam a atingir a 80.000 hectares. Enquanto na Grécia, durante o período clássico, o escravismo coincidiu com estabilização da pequena propriedade e a formação de um grupo de cidadãos composto principalmente por pequenos proprietários, em Roma o resultado foi o latifúndio e o domínio de uma poderosa aristocracia. A sociedade também sofreu transformações. Os ricos nobres romanos, em geral Senadores, tornaram-se donos de grandes latifúndios cultivados pelos escravos. Obrigados a servir no exército romano, muitos plebeus regressaram à Itália empobrecidos e, para sobreviver, passaram a vender seus bens. Sem terras, inúmeros camponeses plebeus migraram para a cidade, passando a viver em torno de Roma com o pão e o circo fornecidos pelo Estado.
  • 17.
    A resistência aoescravismo em Roma Durante a República, ocorreram três grandes revoltas de escravos no mundo romano: duas delas na Sicília, de 136 a 132 a.C., de 104 a 101 a.C.; a outra, em Cápua, no sul da Itália, de 73 a 71 a.C. Esta última, bem retratada no cinema, conhecida como a Revolta de Espártaco, contou com a união de escravos fugitivos e outros descontentes. Liderados por Espártaco, um grupo de gladiadores fugiu do quartel de Cápua e foi para as encostas do Vesúvio, onde organizou um exército que lutou pela liberdade e pelo desejo de retornar às suas cidades de origem. Durante dois anos o grupo enfrentou várias batalhas contra os romanos e venceu muitas delas. Vencidos e postos em fuga, refugiaram-se no extremo sul da Itália. Lá, confinados num canto do Brúcio, sem possuir embarcações, procuraram evadir-se para a Sicília. Enfim, numa saída, correram eles em direção à uma morte digna de homens de valor; e, como convinha a um general gladiador, a luta foi sem perdão: o próprio Espártaco, combatendo com muita bravura na primeira fila, foi morto como um imperador. O exército romano foi comandado pelo general Crasso, membro do futuro Primeiro Triunvirato, que os derrotou em 71 a.C.
  • 18.
    As mudanças, resultantesda exploração imperialista, abriram um novo quadro em Roma, marcado por violentas lutas políticas e sociais. Inicialmente ocorreram conflitos entre patrícios e plebeus e, depois entre patrícios e cavaleiros, que reivindicavam o direito de ocupar cargos na magistratura e no Senado, pois isso lhes aumentaria o poder econômico. Diante do clima de tensão, os irmãos Tibério e Caio Graco, que eram tribunos da plebe, tentaram promover um reformas sociais para melhorar as condições de vida da massa plebeia. Em 133 a.C., Tibério Graco propôs uma reforma agrária que: • Limitava o tamanho das terras públicas que um indivíduo podia possuir, limitando, assim, o crescimento dos latifúndios; • Determinava a distribuição de terras entre os cidadãos pobres. Em 123 a.C., Caio Graco propôs leis que previam: • A distribuição de trigo a preços baixos para os cidadãos (Lei Frumentária); • A extensão da cidadania a alguns povos aliados dos romanos; • A obrigação do Estado romano de pagar o equipamento dos militares. Os irmãos Graco sofreram então uma forte oposição do Senado romano. Acabaram sendo assassinados a mando dos nobres, que se sentiram ameaçados pelo apoio popular que os irmãos Graco vinham recebendo. Fracassadas as reformas sociais dos irmãos Graco, a política, a economia e a sociedade romana, entraram num período de grande instabilidade, o que serviria como inspiração ou base para o fim da República e a formação do iminente império romano. A luta pela terra e as reformas dos Graco
  • 19.
    Depois da mortedos irmãos Graco, a plebe órfã de liderança política, aliou-se ao Partido Democrata, formado por ricos comerciantes – os cavaleiros -, que lutavam para tirar o poder dos patrícios. Os patrícios, por sua vez, eram incapazes de resolver os graves problemas que ameaçavam a República. Enquanto isso, generais vitoriosos em inúmeras batalhas alcançavam enorme popularidade e usavam seu prestígio para fazer carreira política. Mário, um “homem novo”, era um exemplo de novo político. Depois de vencer muitas batalhas na África, aliou-se à facção radical do Partido Democrata, o Partido Popular, elegendo-se cônsul por seis vezes consecutivas (107-100 a.C.). Devido a sua origem plebeia, Mário era detestado pelo Senado. Mas sua popularidade cresceu ainda mais depois da vitória sobre os teutões. Sila, grande rival de Mário e seu subalterno na África, tornou-se famoso quando, a serviço dos patrícios reprimiu com grande violência as guerras sociais que eclodiram em toda a Itália. Da rivalidade entre os dois resultou uma violenta guerra civil que só terminaria com a morte de Mário, em 86 a.C. Com o apoio do Senado, Sila tornou-se ditador perpétuo por tempo ilimitado. Depois de eliminar os partidários de Mário, um clima de tensão, conspirações e assassinatos tomou conta de Roma. Nesse cenário, emergiram novos comandantes militares com pretensões politicas: Crasso, Pompeu e Júlio César. A ascensão dos militares
  • 20.
    As guerras queenvolveram Roma, desde Sila e Mário, demonstraram que a República dos patrícios estava chegando ao fim e que surgiam novos instrumentos do poder, como a plebe urbana e o exército profissional. Na década de 70 a.C., Roma enfrentou uma grande crise: rebelião na Espanha; Sertório, província que buscava separação do Império; no Oriente, Mitríades novamente se rebelou; na Itália ocorreu a Revolta de Espártaco. A atuação de Pompeu, Crasso e Júlio César nos acontecimentos militares, projetou-os na vida política. Hábil e audacioso, Júlio César assumiu a liderança do Partido Popular. Aproveitando-se do descontentamento de Pompeu e Crasso contra o Senado, Júlio César uniu-se a eles e formou o Primeiro Triunvirato. César foi eleito Cônsul, adotando medidas populares como: • distribuição de terras a ex-soldados; • coibiu abusos dos governadores de províncias e dos cobradores de impostos; • distribuição de trigo à plebe romana; • introdução do Calendário Juliano (ano com 365 dias); • a construção do Fórum Romano. Obtendo grandes vitórias militares, conquistas territoriais, fortalecendo o exército e aumentando a riqueza de Roma, com a morte de Crasso na Ásia e Júlio César governando a Gália, Pompeu ficou sozinho em Roma. Temendo o fortalecimento de César, o Senado conspirou com Pompeu e o elegeu Cônsul, confiando-lhe a “defesa da República contra as ambições de César". A atitude do Senado precipitou uma guerra civil. Apoiado pelo exército, César marchou sobre Roma e venceu Pompeu que fugiu para o Egito, onde morreu assassinado. Assim, César tornou-se Ditador Vitalício. Porém, foi assassinado por senadores, no Fórum romano, em 44 a.C. O Primeiro Triunvirato
  • 21.
    Após a mortede Júlio César forma-se o Segundo Triunvirato, com Marco Antônio, Lépido e Otávio Augusto, em 43 a.C. Otávio ficou com o Ocidente, Marco Antônio com o Oriente e Lépido com a África. As disputas entre os três integrantes do novo governo pela supremacia do poder geraram mudanças. Lépido aos poucos foi afastado e Marco Antônio rompeu com Otávio. Marco Antônio, com o apoio de Cleópatra, rainha do Egito, fortaleceu-se tornando inevitável o choque com Otávio. Otávio venceu Marco Antônio na Batalha de Actium, em 31 a.C. e após a derrota, Marco Antônio suicidou-se juntamente com Cleópatra e o Egito foi anexado a Roma. Com a vitória no Egito e a posse dos imensos tesouros do Faraó, Otávio acumulou uma fortuna que lhe permitiu formar um poderoso exército, composto por setenta legiões, e abastecer de trigo a plebe romana. Tendo sobre seu controle as principais fontes de poder (o exército e a plebe), Otávio começou a estabelecer uma nova forma de governo. Mais cuidadoso do que César, procurou disfarçar o próprio poder, mantendo nas aparências o regime Republicano. Com receio de perder seus privilégios, o Senado cobriu Otávio de títulos: Poder Tribunício (que o tornava sacrossanto e inviolável); Imperador Consular (que lhe confiava o comando supremo do exército); Pontífice Máximo (chefe da religião romana); Princeps Senatus (lhe dava o direito de governar o Senado); Imperador (título reservado aos generais vencedores) e, finalmente, Augusto (título reservado aos deuses). Marcando o início do Império e o final da República, formou-se um regime político caracterizado pelo absolutismo teocrático, muito semelhante aos antigos impérios orientais. O Segundo Triunvirato
  • 22.
    Elizabeth Taylor emcena do filme Cleópatra (1963).
  • 23.
    Elizabeth Taylor emcena do filme Cleópatra (1963).
  • 24.
    Júlio César (aocentro), em cena da série Roma (2007).
  • 25.
    Considerado o seriadomais caro da história da TV americana até 2008, com orçamento de 100 milhões de dólares por temporada, Roma foi uma superprodução da HBO e BBC que misturou personagens históricos clássicos e outros fictícios.
  • 28.
    BIBLIOGRAFIA: Alfredo Boulos Junior HistóriaSociedade e Cidadania 1º Ano FTD - 2015