SlideShare uma empresa Scribd logo
Disciplina de Português – LuísdeCamões-Rimas
Contextualização histórico-literária
1. Em que contexto histórico surge a obra de Luís de Camões?
No contexto histórico marcado principalmente pela Expansão Portuguesa em terras e mares do Oriente
– séc. XVI.
2. Qual é o contexto literário da sua obra?
A sua obra surge num contexto cultural marcado por três grandes movimentos: Renascimento,
Classicismo e Humanismo – cuja natureza se interpenetra e funde em História, Estética, Ética e
Literatura.
3. O que é o Renascimento?
Movimento cultural marcado por características como:
a) A busca das fontes ou modelos culturais e literários greco-romanos – a partir de meados do séc. XV;
b) A vontade de experimentar e de construir o conhecimento com base na experiência;
c) A dúvida em relação ao conhecimento fundado em textos de natureza religiosa;
d) O interesse por tudo o que é próprio do Homem e da sua natureza – em detrimento do divino;
e) A crença no Homem como motor do seu destino.
4. O que é o Classicismo?
Movimento cultural centrado principalmente na imitação / recuperação da arte em geral e da literatura
em particular das duas grandes civilizações da Antiguidade: a grega e a latina/romana. A imitação
passou pela arquitectura, pela escultura, pela literatura… Literalmente, recuperam-se o gosto pela
perfeição formal e por composições como a tragédia, a epopeia, a elegia, a écloga, etc.
5. O que é o Humanismo?
Movimento cultural caracterizado pelo grande interesse pela Antiguidade greco-romana. Os
humanistas acreditavam fortemente no progresso humano com o Homem como seu motor; estavam
muito marcados por uma conceção ética da vida: censuravam os males da sociedade, os maus
governantes, por um lado; por outro, apresentavam um programa ético: aconselhavam os poderosos no
sentido de realizarem reformas.
A Poesia Lírica de Camões: os Temas
6. Como é representada a amada?
Sempre como sendo muito bela, na tradição das cantigas de amor,
sendo comparada com elementos da Natureza, vencendo-os sempre.
Normalmente assume um modelo clássico: loura e branca, de belos
olhos, “presença suave” – o modelo petrarquista. Mas pode ser consolo do Poeta também a mulher de
pele escura, de olhos e cabelos pretos – sempre – mais bela do que a Natureza.
7. Como é representada a Natureza?
Frequentemente a Natureza é apresentada de modo subjetivo, isto é, o Poeta projeta nela os seus estados de
espírito. A Natureza apresenta-se também, frequentemente, como pólo de comparação relativamente à
amada – que a vence sempre. A Natureza pode ainda assumir a condição de testemunha de infelicidade do
Poeta.
8. Que experiências amorosas confessa o Poeta?
Quase sempre a experiência amorosa se apresenta como negativa: o Poeta é um conhecedor profundo da
dor de amar. O Amor é fonte de desenganos, desilusões, sofrimento. Apesar disso, o Poeta apaixona-se,
enredado pelos olhos da amada; queixa-se da sua indiferença, principalmente quando ama
verdadeiramente, possuído de amor “puro e limpo”.
9. Que tipo de reflexão faz sobre o Amor?
Tendencialmente negativa. Apesar de não poder fugir-lhe, de lhe estar “destinado”, o Amor não lhe dá as
alegrias que gostaria de receber, por causa da indiferença da amada, apesar da certeza do seu amor.
10. Como reflete sobre a vida pessoal?
Desde logo lamentando-se por não ter experimentado mais do que “breves enganos” no Amor; mas também
assumindo os erros pessoais e queixando-se da má sorte. O Poeta é um ser desiludido com a vida, que vai
envelhecendo já sem esperança, numa desistência contínua. Exprime, por vezes, revolta contra esta
situação.
11. O que é o tema do desconcerto?
O tema do desconcerto consiste na constatação de que o mundo não é um local justo, pois o Poeta verifica
que frequentemente quem é mau é recompensado e quem é bom é castigado. Também na sua vida, amorosa
até, o Poeta é marcado por este desconcerto.
12. O que é o tema da mudança?
O tema da mudança é um tema clássico e filosófico por excelência: tudo muda continuamente, tudo se
renova ciclicamente, um ano sucede ao outro, uma primavera virá depois da atual; contudo, esta mudança
não atinge o Poeta – que caminha inexoravelmente para o fim.
A Poesia Lírica de Camões: linguagem, estilo e estrutura
1. O que é a lírica tradicional?
É a lírica em que Camões segue a tradição poética peninsular que vem da Idade Média, da tradição
trovadoresca, com formas poéticas como o vilancete ou as trovas, com versos de redondilha maior ou
menor – sete e cinco sílabas métricas, respetivamente.
2. O que é a lírica de inspiração clássica?
É a lírica em de versos decassílabos em que Camões adopta formas poéticas recuperadas da Antiguidade,
como a epopeia, a écloga, ou novas formas poéticas, como o soneto, vindo de Itália.
3. Quais são as principais marcas do discurso pessoal/subjetivo presentes na lírica camoniana?
A presença forte da subjetividade marca as composições poéticas de Camões: os seus estados de alma
podem influenciar a visão da paisagem, projetando-se nela, fundindo-se deste modo o interior subjetivo e o
exterior objetivo.
4. Quais são as características formais do soneto?
O soneto é uma composição poética de origem italiana, introduzida em Portugal por Sá de Miranda, no
séc. XVI. É composto por catorze versos divididos em duas quadras e dois tercetos. O seu esquema rimático
é, normalmente, abba abba cde edc (ou cdc dcd – cde cde). O verso utilizado é o decassílabo = decassilábico.
“OsLusíadas”
1. O que é um poema épico?
É uma narrativa em verso com origem na Antiguidade Clássica greco-romana na qual se exaltavam os
feitos gloriosos de um herói mitológico, como Aquiles, na Ilíada, e Ulisses, na Odisseia – ambas de
Homero – e Eneias, na Eneida de Virgílio. Durante o Renascimento, vários poemas épicos foram criados
na Europa à semelhança dos Antigos, entre os quais se destaca “Os Lusíadas” de Camões. este género
literário exalta feitos excepcionais e imortaliza heróis. O estilo é elevado, adequado à sublimidade do
assunto. O herói, embora individual, simboliza o seu povo. O assunto tem, portanto, interesse universal.
2. Qual é a matéria épica de “Os Lusíadas”?
A matéria épica de “Os Lusíadas” é a narrativa da viagem de Vasco da Gama e da História de Portugal
(desde a sua fundação).
3. Qual é a estrutura externa de “Os Lusíadas”?
A obra está dividida em dez cantos (capítulos), cada um com um número variável de estâncias (estrofes).
No total são 1.102. As estâncias são todas oitavas, apresentando o esquema rimáticoabababcc, apresentando
rima cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos. Os versos são de dez sílabas
métricas (decassílabos), acentuados na sexta e na décima sílabas: versos decassilábicos heróicos.
4. Qual é a estrutura interna de “Os Lusíadas”?
O poema divide-se em quatro partes, seguindo, de modo geral, os modelos das epopeias da Antiguidade
Clássica e das renascentistas:
- Proposição – é o momento em que o Poeta indica o assunto que vai cantar: “o peito ilustre lusitano”, ou
seja, os heróis portugueses, a nobreza guerreira e os homens ilustres que se notabilizaram pela
grandiosidade dos seus feitos.
- Invocação– é o momento em que o Poeta pede inspiração a musas nacionais, as Tágides, ninfas do Tejo,
para cantar os feitos dos portugueses.
Ninfas – são jovens deusas que personificavam as forças da Natureza e povoavam os mares, os
rios, as florestas e os bosques. A mais importante é Tétis, a quem chamavam Princesa das
Águas (filha de Nereu e Dóris) e pela boca de quem o Gama viria a saber de acontecimentos
futuros dos Portugueses. Camões criou ninfas relacionadas com a terra lusitana – as ninfas do
Rio Mondego e as do Rio Tejo – as Tágides.
- Dedicatória – é o momento em que o Poeta dedica o poema ao rei D. Sebastião, que reinava em Portugal
no ano da sua publicação – 1572.
- Narração – inicia-se “in mediasres”, ou seja a meio da ação (a viagem que já vai a meio), quando a armada
portuguesa se encontrava já ao largo do Oceano Índico.
5. Quais são os 4 planos de “Os Lusíadas”?
Os 4 planos da narrativa são os seguintes: o plano da viagem, o plano da História de Portugal, o plano dos
deuses (ou da Mitologia) e ainda o plano das reflexões/considerações do Poeta. Frequentemente estes
planos são interdependentes: numa mesma estância, podemos encontrar mais do que um.
6. Em que consiste a “sublimidade do canto” em “Os Lusíadas”?
Camões pede às Tágides, na Invocação, um canto marcado pela sublimidade, isto é, um canto de estilo
grandioso, um canto sublime, pois os feitos dos portugueses são também grandiosos.
7. O que são as “reflexões do Poeta”?
São reflexões que surgem principalmente nos finais dos cantos. Nelas, o Poeta reflecte sobre assuntos tão
variados como a fragilidade da vida humana, o poder corruptor do dinheiro, a ganância, o mau governo, a
ignorância da nobreza, o seu desinteresse pela cultura geral e pela Poesia em particular, etc. Por vezes,
estas reflexões apresentam vincado carácter humanista, pois Camões censura, por um lado, e aconselha à
mudança de atitudes, por outro.
8. Como se concretiza a “mitificação do Herói” em “Os Lusíadas”?
O herói, Vasco da Gama, é mitificado pois supera,
pelos seus feitos, a condição humana. Momento
fulcral dessa mitificação ocorre quando Tétis
desvenda a Vasco da Gama a “Máquina do
Mundo”, fazendo-o assumir o conhecimento total.
A mitificação ocorre também aquando da união dos
portugueses com as Ninfas, na Ilha dos Amores:
através desta união, eles transcendem,
simbolicamente, a condição humana, aproximando-
se dos deuses. A mitificação do herói está
anunciada logo no início do Poema, nas estâncias três, quando Camões apresenta os portugueses como
tendo superado os heróis da Antiguidade Clássica – os heróis gregos e romanos.
Mitologia – é o conjunto das narrativas imaginárias (lendas/mitos) que procuram explicar a
origem do mundo e do Homem e em que se reúne a memória de cada povo ou civilização. (É,
portanto, o conjunto de mitos (ideias) da Antiguidade greco-latina ou de povos primitivos, das
representaçõesimaginativas e irracionaisque se misturam com as conceções científicas.) hp

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Ricardo Reis- Classicismo e Paganismo/Neopaganismo
Ricardo Reis- Classicismo e Paganismo/NeopaganismoRicardo Reis- Classicismo e Paganismo/Neopaganismo
Ricardo Reis- Classicismo e Paganismo/Neopaganismo
Telma Carvalho
 
Cesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-SistematizaçãoCesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-Sistematização
Dina Baptista
 
"Não sei se é sonhe, se realidade"
"Não sei se é sonhe, se realidade""Não sei se é sonhe, se realidade"
"Não sei se é sonhe, se realidade"
MiguelavRodrigues
 
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicasFrei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
Maria Rodrigues
 
Cap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geralCap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geral
Helena Coutinho
 
sintese_farsa_ines.ppt
sintese_farsa_ines.pptsintese_farsa_ines.ppt
sintese_farsa_ines.ppt
cnlx
 
Lírica camoniana
Lírica camonianaLírica camoniana
Lírica camoniana
Helena Coutinho
 
Pessoa ortónimo proposta para análise de poemas 14_15
Pessoa ortónimo proposta para análise de poemas 14_15Pessoa ortónimo proposta para análise de poemas 14_15
Pessoa ortónimo proposta para análise de poemas 14_15
quintaldasletras
 
Sermão aos peixes resumo-esquema por capítulos
Sermão aos peixes   resumo-esquema por capítulosSermão aos peixes   resumo-esquema por capítulos
Sermão aos peixes resumo-esquema por capítulos
ClaudiaSacres
 
O sentimento dum ocidental
O sentimento dum ocidentalO sentimento dum ocidental
O sentimento dum ocidental
1103sancho
 
Síntese - Poetas contemporâneos (Unidade 3).ppt
Síntese - Poetas contemporâneos (Unidade 3).pptSíntese - Poetas contemporâneos (Unidade 3).ppt
Síntese - Poetas contemporâneos (Unidade 3).ppt
EduardaFernandes76
 
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António VieiraCapítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Alexandra Madail
 
Resumos de Português: Os Lusíadas
Resumos de Português: Os LusíadasResumos de Português: Os Lusíadas
Resumos de Português: Os Lusíadas
Raffaella Ergün
 
O Mostrengo
O MostrengoO Mostrengo
O Mostrengo
António Teixeira
 
Resumos de Português: Sermão de Santo António aos Peixes
Resumos de Português: Sermão de Santo António aos PeixesResumos de Português: Sermão de Santo António aos Peixes
Resumos de Português: Sermão de Santo António aos Peixes
Raffaella Ergün
 
Canto vii est 78_97
Canto vii est 78_97Canto vii est 78_97
Canto vii est 78_97
Maria Teresa Soveral
 
Os Planos d'Os Lusíadas
Os Planos d'Os LusíadasOs Planos d'Os Lusíadas
Os Planos d'Os Lusíadas
Rosalina Simão Nunes
 
Romantismo, Frei Luís de Sousa
Romantismo, Frei Luís de SousaRomantismo, Frei Luís de Sousa
Romantismo, Frei Luís de Sousa
Lurdes Augusto
 
Fernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da InfânciaFernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da Infância
Samuel Neves
 
Auto/ Farsa de Inês Pereira
Auto/ Farsa de Inês PereiraAuto/ Farsa de Inês Pereira
Auto/ Farsa de Inês Pereira
nanasimao
 

Mais procurados (20)

Ricardo Reis- Classicismo e Paganismo/Neopaganismo
Ricardo Reis- Classicismo e Paganismo/NeopaganismoRicardo Reis- Classicismo e Paganismo/Neopaganismo
Ricardo Reis- Classicismo e Paganismo/Neopaganismo
 
Cesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-SistematizaçãoCesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-Sistematização
 
"Não sei se é sonhe, se realidade"
"Não sei se é sonhe, se realidade""Não sei se é sonhe, se realidade"
"Não sei se é sonhe, se realidade"
 
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicasFrei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
 
Cap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geralCap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geral
 
sintese_farsa_ines.ppt
sintese_farsa_ines.pptsintese_farsa_ines.ppt
sintese_farsa_ines.ppt
 
Lírica camoniana
Lírica camonianaLírica camoniana
Lírica camoniana
 
Pessoa ortónimo proposta para análise de poemas 14_15
Pessoa ortónimo proposta para análise de poemas 14_15Pessoa ortónimo proposta para análise de poemas 14_15
Pessoa ortónimo proposta para análise de poemas 14_15
 
Sermão aos peixes resumo-esquema por capítulos
Sermão aos peixes   resumo-esquema por capítulosSermão aos peixes   resumo-esquema por capítulos
Sermão aos peixes resumo-esquema por capítulos
 
O sentimento dum ocidental
O sentimento dum ocidentalO sentimento dum ocidental
O sentimento dum ocidental
 
Síntese - Poetas contemporâneos (Unidade 3).ppt
Síntese - Poetas contemporâneos (Unidade 3).pptSíntese - Poetas contemporâneos (Unidade 3).ppt
Síntese - Poetas contemporâneos (Unidade 3).ppt
 
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António VieiraCapítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo II Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
 
Resumos de Português: Os Lusíadas
Resumos de Português: Os LusíadasResumos de Português: Os Lusíadas
Resumos de Português: Os Lusíadas
 
O Mostrengo
O MostrengoO Mostrengo
O Mostrengo
 
Resumos de Português: Sermão de Santo António aos Peixes
Resumos de Português: Sermão de Santo António aos PeixesResumos de Português: Sermão de Santo António aos Peixes
Resumos de Português: Sermão de Santo António aos Peixes
 
Canto vii est 78_97
Canto vii est 78_97Canto vii est 78_97
Canto vii est 78_97
 
Os Planos d'Os Lusíadas
Os Planos d'Os LusíadasOs Planos d'Os Lusíadas
Os Planos d'Os Lusíadas
 
Romantismo, Frei Luís de Sousa
Romantismo, Frei Luís de SousaRomantismo, Frei Luís de Sousa
Romantismo, Frei Luís de Sousa
 
Fernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da InfânciaFernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da Infância
 
Auto/ Farsa de Inês Pereira
Auto/ Farsa de Inês PereiraAuto/ Farsa de Inês Pereira
Auto/ Farsa de Inês Pereira
 

Semelhante a Camões lírico-épico-vb

Classicismo
ClassicismoClassicismo
Classicismo
Simone Giglio
 
Classicismo
Classicismo Classicismo
Classicismo
PATRICIA VIANA
 
literatura-classicismo: AULA SOBRE LITERATURA
literatura-classicismo: AULA SOBRE LITERATURAliteratura-classicismo: AULA SOBRE LITERATURA
literatura-classicismo: AULA SOBRE LITERATURA
mariasantos1451
 
Aula 03 classicismo
Aula 03   classicismoAula 03   classicismo
Aula 03 classicismo
Jonatas Carlos
 
Liricacamoniana
LiricacamonianaLiricacamoniana
Liricacamoniana
Mariana Carvalho
 
Liricacamoniana (1)
Liricacamoniana (1)Liricacamoniana (1)
Liricacamoniana (1)
ritaamelo21
 
Os lusiadas
Os lusiadasOs lusiadas
Os lusiadas
Nataly Silva
 
Biografia de luis vaz de camões
Biografia de luis vaz de camões Biografia de luis vaz de camões
Biografia de luis vaz de camões
Tatiana Raquel
 
1º ANO - ENSINO MÉDIO classicismo-ppt.ppt
1º ANO - ENSINO MÉDIO classicismo-ppt.ppt1º ANO - ENSINO MÉDIO classicismo-ppt.ppt
1º ANO - ENSINO MÉDIO classicismo-ppt.ppt
MarlenePastor2
 
Resumos Exame Nacional Português 12º ano
Resumos Exame Nacional Português 12º ano Resumos Exame Nacional Português 12º ano
Resumos Exame Nacional Português 12º ano
Paula Pereira
 
Resumo literatura portuguesa20143anoEM
Resumo literatura portuguesa20143anoEMResumo literatura portuguesa20143anoEM
Resumo literatura portuguesa20143anoEM
Marly Rodrigues
 
Revisão
RevisãoRevisão
Herança portuguesa - resumo dos movimentos portugueses
Herança portuguesa - resumo dos movimentos portuguesesHerança portuguesa - resumo dos movimentos portugueses
Herança portuguesa - resumo dos movimentos portugueses
CiceroMarcosSantos1
 
Camões
Camões Camões
Camões
Filipe Ferreira
 
Visão geral d´Os Lusíadas.ppttttttttttttttttttttttttttttttttttttttt
Visão geral d´Os Lusíadas.pptttttttttttttttttttttttttttttttttttttttVisão geral d´Os Lusíadas.ppttttttttttttttttttttttttttttttttttttttt
Visão geral d´Os Lusíadas.ppttttttttttttttttttttttttttttttttttttttt
MatildeSilva37
 
Trovadorismo
TrovadorismoTrovadorismo
Trovadorismo
elenir duarte dias
 
Resumo das escola literárias.
Resumo das escola literárias.Resumo das escola literárias.
Resumo das escola literárias.
Ajudar Pessoas
 
O classicismo em portugal
O classicismo em portugalO classicismo em portugal
O classicismo em portugal
ma.no.el.ne.ves
 
Classicismo
ClassicismoClassicismo
Aula classicismo
Aula classicismoAula classicismo
Aula classicismo
Thani Almeida
 

Semelhante a Camões lírico-épico-vb (20)

Classicismo
ClassicismoClassicismo
Classicismo
 
Classicismo
Classicismo Classicismo
Classicismo
 
literatura-classicismo: AULA SOBRE LITERATURA
literatura-classicismo: AULA SOBRE LITERATURAliteratura-classicismo: AULA SOBRE LITERATURA
literatura-classicismo: AULA SOBRE LITERATURA
 
Aula 03 classicismo
Aula 03   classicismoAula 03   classicismo
Aula 03 classicismo
 
Liricacamoniana
LiricacamonianaLiricacamoniana
Liricacamoniana
 
Liricacamoniana (1)
Liricacamoniana (1)Liricacamoniana (1)
Liricacamoniana (1)
 
Os lusiadas
Os lusiadasOs lusiadas
Os lusiadas
 
Biografia de luis vaz de camões
Biografia de luis vaz de camões Biografia de luis vaz de camões
Biografia de luis vaz de camões
 
1º ANO - ENSINO MÉDIO classicismo-ppt.ppt
1º ANO - ENSINO MÉDIO classicismo-ppt.ppt1º ANO - ENSINO MÉDIO classicismo-ppt.ppt
1º ANO - ENSINO MÉDIO classicismo-ppt.ppt
 
Resumos Exame Nacional Português 12º ano
Resumos Exame Nacional Português 12º ano Resumos Exame Nacional Português 12º ano
Resumos Exame Nacional Português 12º ano
 
Resumo literatura portuguesa20143anoEM
Resumo literatura portuguesa20143anoEMResumo literatura portuguesa20143anoEM
Resumo literatura portuguesa20143anoEM
 
Revisão
RevisãoRevisão
Revisão
 
Herança portuguesa - resumo dos movimentos portugueses
Herança portuguesa - resumo dos movimentos portuguesesHerança portuguesa - resumo dos movimentos portugueses
Herança portuguesa - resumo dos movimentos portugueses
 
Camões
Camões Camões
Camões
 
Visão geral d´Os Lusíadas.ppttttttttttttttttttttttttttttttttttttttt
Visão geral d´Os Lusíadas.pptttttttttttttttttttttttttttttttttttttttVisão geral d´Os Lusíadas.ppttttttttttttttttttttttttttttttttttttttt
Visão geral d´Os Lusíadas.ppttttttttttttttttttttttttttttttttttttttt
 
Trovadorismo
TrovadorismoTrovadorismo
Trovadorismo
 
Resumo das escola literárias.
Resumo das escola literárias.Resumo das escola literárias.
Resumo das escola literárias.
 
O classicismo em portugal
O classicismo em portugalO classicismo em portugal
O classicismo em portugal
 
Classicismo
ClassicismoClassicismo
Classicismo
 
Aula classicismo
Aula classicismoAula classicismo
Aula classicismo
 

Último

epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).pptepidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
MarceloMonteiro213738
 
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sonsAula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Érika Rufo
 
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
Educação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideiaEducação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideia
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
joseanesouza36
 
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptxRedação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
DECIOMAURINARAMOS
 
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptxTreinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
MarcosPaulo777883
 
Fernão Lopes. pptx
Fernão Lopes.                       pptxFernão Lopes.                       pptx
Fernão Lopes. pptx
TomasSousa7
 
Slides Lição 10, Central Gospel, A Batalha Do Armagedom, 1Tr24.pptx
Slides Lição 10, Central Gospel, A Batalha Do Armagedom, 1Tr24.pptxSlides Lição 10, Central Gospel, A Batalha Do Armagedom, 1Tr24.pptx
Slides Lição 10, Central Gospel, A Batalha Do Armagedom, 1Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdfA QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
AurelianoFerreirades2
 
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptxSlides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
atividade 8º ano entrevista - com tirinha
atividade 8º ano entrevista - com tirinhaatividade 8º ano entrevista - com tirinha
atividade 8º ano entrevista - com tirinha
Suzy De Abreu Santana
 
05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
ValdineyRodriguesBez1
 
Sistema de Bibliotecas UCS - Chronica do emperador Clarimundo, donde os reis ...
Sistema de Bibliotecas UCS - Chronica do emperador Clarimundo, donde os reis ...Sistema de Bibliotecas UCS - Chronica do emperador Clarimundo, donde os reis ...
Sistema de Bibliotecas UCS - Chronica do emperador Clarimundo, donde os reis ...
Biblioteca UCS
 
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
AntnioManuelAgdoma
 
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.pptEstrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
livrosjovert
 
Pintura Romana .pptx
Pintura Romana                     .pptxPintura Romana                     .pptx
Pintura Romana .pptx
TomasSousa7
 
livro ciclo da agua educação infantil.pdf
livro ciclo da agua educação infantil.pdflivro ciclo da agua educação infantil.pdf
livro ciclo da agua educação infantil.pdf
cmeioctaciliabetesch
 
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
Centro Jacques Delors
 
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
LucianaCristina58
 
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
MessiasMarianoG
 
Funções e Progressões - Livro completo prisma
Funções e Progressões - Livro completo prismaFunções e Progressões - Livro completo prisma
Funções e Progressões - Livro completo prisma
djincognito
 

Último (20)

epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).pptepidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
epidemias endemia-pandemia-e-epidemia (1).ppt
 
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sonsAula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
 
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
Educação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideiaEducação  trabalho HQ em sala de aula uma excelente  ideia
Educação trabalho HQ em sala de aula uma excelente ideia
 
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptxRedação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
Redação e Leitura_7º ano_58_Produção de cordel .pptx
 
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptxTreinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
Treinamento NR 38 - CORPO PRINCIPAL da NORMA.pptx
 
Fernão Lopes. pptx
Fernão Lopes.                       pptxFernão Lopes.                       pptx
Fernão Lopes. pptx
 
Slides Lição 10, Central Gospel, A Batalha Do Armagedom, 1Tr24.pptx
Slides Lição 10, Central Gospel, A Batalha Do Armagedom, 1Tr24.pptxSlides Lição 10, Central Gospel, A Batalha Do Armagedom, 1Tr24.pptx
Slides Lição 10, Central Gospel, A Batalha Do Armagedom, 1Tr24.pptx
 
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdfA QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
 
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptxSlides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
 
atividade 8º ano entrevista - com tirinha
atividade 8º ano entrevista - com tirinhaatividade 8º ano entrevista - com tirinha
atividade 8º ano entrevista - com tirinha
 
05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
 
Sistema de Bibliotecas UCS - Chronica do emperador Clarimundo, donde os reis ...
Sistema de Bibliotecas UCS - Chronica do emperador Clarimundo, donde os reis ...Sistema de Bibliotecas UCS - Chronica do emperador Clarimundo, donde os reis ...
Sistema de Bibliotecas UCS - Chronica do emperador Clarimundo, donde os reis ...
 
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
347018542-PAULINA-CHIZIANE-Balada-de-Amor-ao-Vento-pdf.pdf
 
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.pptEstrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
 
Pintura Romana .pptx
Pintura Romana                     .pptxPintura Romana                     .pptx
Pintura Romana .pptx
 
livro ciclo da agua educação infantil.pdf
livro ciclo da agua educação infantil.pdflivro ciclo da agua educação infantil.pdf
livro ciclo da agua educação infantil.pdf
 
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
 
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
- TEMPLATE DA PRATICA - Psicomotricidade.pptx
 
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
759-fortaleza-resultado-definitivo-prova-objetiva-2024-05-28.pdf
 
Funções e Progressões - Livro completo prisma
Funções e Progressões - Livro completo prismaFunções e Progressões - Livro completo prisma
Funções e Progressões - Livro completo prisma
 

Camões lírico-épico-vb

  • 1. Disciplina de Português – LuísdeCamões-Rimas Contextualização histórico-literária 1. Em que contexto histórico surge a obra de Luís de Camões? No contexto histórico marcado principalmente pela Expansão Portuguesa em terras e mares do Oriente – séc. XVI. 2. Qual é o contexto literário da sua obra? A sua obra surge num contexto cultural marcado por três grandes movimentos: Renascimento, Classicismo e Humanismo – cuja natureza se interpenetra e funde em História, Estética, Ética e Literatura. 3. O que é o Renascimento? Movimento cultural marcado por características como: a) A busca das fontes ou modelos culturais e literários greco-romanos – a partir de meados do séc. XV; b) A vontade de experimentar e de construir o conhecimento com base na experiência; c) A dúvida em relação ao conhecimento fundado em textos de natureza religiosa; d) O interesse por tudo o que é próprio do Homem e da sua natureza – em detrimento do divino; e) A crença no Homem como motor do seu destino. 4. O que é o Classicismo? Movimento cultural centrado principalmente na imitação / recuperação da arte em geral e da literatura em particular das duas grandes civilizações da Antiguidade: a grega e a latina/romana. A imitação passou pela arquitectura, pela escultura, pela literatura… Literalmente, recuperam-se o gosto pela perfeição formal e por composições como a tragédia, a epopeia, a elegia, a écloga, etc. 5. O que é o Humanismo? Movimento cultural caracterizado pelo grande interesse pela Antiguidade greco-romana. Os humanistas acreditavam fortemente no progresso humano com o Homem como seu motor; estavam muito marcados por uma conceção ética da vida: censuravam os males da sociedade, os maus governantes, por um lado; por outro, apresentavam um programa ético: aconselhavam os poderosos no sentido de realizarem reformas. A Poesia Lírica de Camões: os Temas 6. Como é representada a amada? Sempre como sendo muito bela, na tradição das cantigas de amor, sendo comparada com elementos da Natureza, vencendo-os sempre. Normalmente assume um modelo clássico: loura e branca, de belos
  • 2. olhos, “presença suave” – o modelo petrarquista. Mas pode ser consolo do Poeta também a mulher de pele escura, de olhos e cabelos pretos – sempre – mais bela do que a Natureza. 7. Como é representada a Natureza? Frequentemente a Natureza é apresentada de modo subjetivo, isto é, o Poeta projeta nela os seus estados de espírito. A Natureza apresenta-se também, frequentemente, como pólo de comparação relativamente à amada – que a vence sempre. A Natureza pode ainda assumir a condição de testemunha de infelicidade do Poeta. 8. Que experiências amorosas confessa o Poeta? Quase sempre a experiência amorosa se apresenta como negativa: o Poeta é um conhecedor profundo da dor de amar. O Amor é fonte de desenganos, desilusões, sofrimento. Apesar disso, o Poeta apaixona-se, enredado pelos olhos da amada; queixa-se da sua indiferença, principalmente quando ama verdadeiramente, possuído de amor “puro e limpo”. 9. Que tipo de reflexão faz sobre o Amor? Tendencialmente negativa. Apesar de não poder fugir-lhe, de lhe estar “destinado”, o Amor não lhe dá as alegrias que gostaria de receber, por causa da indiferença da amada, apesar da certeza do seu amor. 10. Como reflete sobre a vida pessoal? Desde logo lamentando-se por não ter experimentado mais do que “breves enganos” no Amor; mas também assumindo os erros pessoais e queixando-se da má sorte. O Poeta é um ser desiludido com a vida, que vai envelhecendo já sem esperança, numa desistência contínua. Exprime, por vezes, revolta contra esta situação. 11. O que é o tema do desconcerto? O tema do desconcerto consiste na constatação de que o mundo não é um local justo, pois o Poeta verifica que frequentemente quem é mau é recompensado e quem é bom é castigado. Também na sua vida, amorosa até, o Poeta é marcado por este desconcerto. 12. O que é o tema da mudança? O tema da mudança é um tema clássico e filosófico por excelência: tudo muda continuamente, tudo se renova ciclicamente, um ano sucede ao outro, uma primavera virá depois da atual; contudo, esta mudança não atinge o Poeta – que caminha inexoravelmente para o fim. A Poesia Lírica de Camões: linguagem, estilo e estrutura 1. O que é a lírica tradicional? É a lírica em que Camões segue a tradição poética peninsular que vem da Idade Média, da tradição trovadoresca, com formas poéticas como o vilancete ou as trovas, com versos de redondilha maior ou menor – sete e cinco sílabas métricas, respetivamente. 2. O que é a lírica de inspiração clássica?
  • 3. É a lírica em de versos decassílabos em que Camões adopta formas poéticas recuperadas da Antiguidade, como a epopeia, a écloga, ou novas formas poéticas, como o soneto, vindo de Itália. 3. Quais são as principais marcas do discurso pessoal/subjetivo presentes na lírica camoniana? A presença forte da subjetividade marca as composições poéticas de Camões: os seus estados de alma podem influenciar a visão da paisagem, projetando-se nela, fundindo-se deste modo o interior subjetivo e o exterior objetivo. 4. Quais são as características formais do soneto? O soneto é uma composição poética de origem italiana, introduzida em Portugal por Sá de Miranda, no séc. XVI. É composto por catorze versos divididos em duas quadras e dois tercetos. O seu esquema rimático é, normalmente, abba abba cde edc (ou cdc dcd – cde cde). O verso utilizado é o decassílabo = decassilábico. “OsLusíadas” 1. O que é um poema épico? É uma narrativa em verso com origem na Antiguidade Clássica greco-romana na qual se exaltavam os feitos gloriosos de um herói mitológico, como Aquiles, na Ilíada, e Ulisses, na Odisseia – ambas de Homero – e Eneias, na Eneida de Virgílio. Durante o Renascimento, vários poemas épicos foram criados na Europa à semelhança dos Antigos, entre os quais se destaca “Os Lusíadas” de Camões. este género literário exalta feitos excepcionais e imortaliza heróis. O estilo é elevado, adequado à sublimidade do assunto. O herói, embora individual, simboliza o seu povo. O assunto tem, portanto, interesse universal. 2. Qual é a matéria épica de “Os Lusíadas”? A matéria épica de “Os Lusíadas” é a narrativa da viagem de Vasco da Gama e da História de Portugal (desde a sua fundação). 3. Qual é a estrutura externa de “Os Lusíadas”? A obra está dividida em dez cantos (capítulos), cada um com um número variável de estâncias (estrofes). No total são 1.102. As estâncias são todas oitavas, apresentando o esquema rimáticoabababcc, apresentando rima cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos. Os versos são de dez sílabas métricas (decassílabos), acentuados na sexta e na décima sílabas: versos decassilábicos heróicos. 4. Qual é a estrutura interna de “Os Lusíadas”? O poema divide-se em quatro partes, seguindo, de modo geral, os modelos das epopeias da Antiguidade Clássica e das renascentistas: - Proposição – é o momento em que o Poeta indica o assunto que vai cantar: “o peito ilustre lusitano”, ou seja, os heróis portugueses, a nobreza guerreira e os homens ilustres que se notabilizaram pela grandiosidade dos seus feitos. - Invocação– é o momento em que o Poeta pede inspiração a musas nacionais, as Tágides, ninfas do Tejo, para cantar os feitos dos portugueses.
  • 4. Ninfas – são jovens deusas que personificavam as forças da Natureza e povoavam os mares, os rios, as florestas e os bosques. A mais importante é Tétis, a quem chamavam Princesa das Águas (filha de Nereu e Dóris) e pela boca de quem o Gama viria a saber de acontecimentos futuros dos Portugueses. Camões criou ninfas relacionadas com a terra lusitana – as ninfas do Rio Mondego e as do Rio Tejo – as Tágides. - Dedicatória – é o momento em que o Poeta dedica o poema ao rei D. Sebastião, que reinava em Portugal no ano da sua publicação – 1572. - Narração – inicia-se “in mediasres”, ou seja a meio da ação (a viagem que já vai a meio), quando a armada portuguesa se encontrava já ao largo do Oceano Índico. 5. Quais são os 4 planos de “Os Lusíadas”? Os 4 planos da narrativa são os seguintes: o plano da viagem, o plano da História de Portugal, o plano dos deuses (ou da Mitologia) e ainda o plano das reflexões/considerações do Poeta. Frequentemente estes planos são interdependentes: numa mesma estância, podemos encontrar mais do que um. 6. Em que consiste a “sublimidade do canto” em “Os Lusíadas”? Camões pede às Tágides, na Invocação, um canto marcado pela sublimidade, isto é, um canto de estilo grandioso, um canto sublime, pois os feitos dos portugueses são também grandiosos. 7. O que são as “reflexões do Poeta”? São reflexões que surgem principalmente nos finais dos cantos. Nelas, o Poeta reflecte sobre assuntos tão variados como a fragilidade da vida humana, o poder corruptor do dinheiro, a ganância, o mau governo, a ignorância da nobreza, o seu desinteresse pela cultura geral e pela Poesia em particular, etc. Por vezes, estas reflexões apresentam vincado carácter humanista, pois Camões censura, por um lado, e aconselha à mudança de atitudes, por outro. 8. Como se concretiza a “mitificação do Herói” em “Os Lusíadas”? O herói, Vasco da Gama, é mitificado pois supera, pelos seus feitos, a condição humana. Momento fulcral dessa mitificação ocorre quando Tétis desvenda a Vasco da Gama a “Máquina do Mundo”, fazendo-o assumir o conhecimento total. A mitificação ocorre também aquando da união dos portugueses com as Ninfas, na Ilha dos Amores: através desta união, eles transcendem, simbolicamente, a condição humana, aproximando- se dos deuses. A mitificação do herói está anunciada logo no início do Poema, nas estâncias três, quando Camões apresenta os portugueses como tendo superado os heróis da Antiguidade Clássica – os heróis gregos e romanos. Mitologia – é o conjunto das narrativas imaginárias (lendas/mitos) que procuram explicar a origem do mundo e do Homem e em que se reúne a memória de cada povo ou civilização. (É, portanto, o conjunto de mitos (ideias) da Antiguidade greco-latina ou de povos primitivos, das representaçõesimaginativas e irracionaisque se misturam com as conceções científicas.) hp