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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
FACULDADE INTEGRADA AVM
DISLEXIA
Por: Adriana Roucas Fernandes Rodrigues
Orientador
Prof. Dayse Serra
Rio de Janeiro
2011
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
FACULDADE INTEGRADA AVM
DISLEXIA
Apresentação de monografia à Universidade Candido
Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de
especialista em Psicopedagogia Institucional
Por: .Dayse Serra
3
AGRADECIMENTOS
....A Deus por ter me dado força e coragem
par prosseguir nessa missão. Aos meus
pais, esposo, filho e amigos que me
incentivaram na realização e conclusão
deste trabalho.
4
DEDICATÓRIA
.....Dedico a Deus e todos que de alguma forma
contribuíram e me apoiaram para conclusão
deste trabalho.
5
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo abordar um dos transtornos de
aprendizagem que atinge, segundo Capovilla(2004), cerca de 10% das crianças em
idade escolar, apesar da boa escolarização, tendo em vista que acarreta sérios
problemas inerentes à leitura e escrita como a soletração de palavras, por exemplo.
Dessa forma, esse trabalho acadêmico procura conhecer e buscar
intervenções para amenizar tal problema, visto que a dislexia não tem cura, porém
caracteriza-se por acarretar dificuldade de aprendizagem, sendo necessário,
portanto um acompanhamento constante. Ao longo do tratamento, é fundamental o
papel do psicopedagogo e do professor no auxílio para o diagnóstico em parceria
com a família a fim de alcançar o sucesso escolar do aluno disléxico.
6
METODOLOGIA
O presente trabalho constitui-se em uma pesquisa bibliográfica que, segundo
Gil (2002), tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o objeto de
estudo em questão, a dislexia, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir
hipóteses. Pode-se dizer que esta modalidade de pesquisa científica tem como
objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições.
Tomei como aporte teórico os estudos contemporâneos sobre dislexia
advindos das teorias de Alessandra G. S.Capovilla (2002), Lou de Olivier (2008),
Simaia Sampaio (2010) entre outros citados na bibliografia desta pesquisa.
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 8
CAPÍTULO I - Dislexia 10
1.1. Definição 10
1.2. Tipos de dislexia 13
CAPÍTULO II - Dislexia nos primeiros anos de escolaridade 17
2.1. Principais sintomas 17
2.2. Avaliação Diagnóstica 20
CAPÍTULO III – Atuação em conjunto do docente e do psicopedagogo no tratamento
do disléxico 23
3.1. Papel do professor 23
3.2. Intervenção pedagógica 30
CONCLUSÃO 31
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 33
ÍNDICE 38
8
INTRODUÇÃO
A escolha deste tema surgiu a partir da experiência enquanto alfabetizadora
dos anos iniciais do Ensino Fundamental, especificamente de turmas do 3º ano de
escolaridade.
No município de Duque de Caxias, onde leciono há sete anos, observa-se que
a dislexia ainda é considerada um entrave no desencadear do processo ensino-
aprendizagem uma vez que muitos professores encontram dificuldades de
desenvolver atividades pedagógicas assim como selecionar critérios de avaliação
para alunos que apresentam esse distúrbio de leitura. A criança com dislexia
demonstra sérias dificuldades com a identificação dos símbolos gráficos no início da
sua alfabetização, o que acarreta fracasso em outras áreas que dependem da leitura
e da escrita. Segundo Gonçalves (2006), a dislexia é um distúrbio de aprendizagem
que envolve áreas básicas da linguagem, podendo tornar árduo esse processo,
porém, com acompanhamento adequado, a criança pode redescobrir suas
capacidades e o prazer de aprender.
É importante ressaltar que ainda não se obtém suporte teórico-metodológico
adequado para trabalhar com esse problema de aprendizagem, logo, faz-se
necessário amenizar esse quadro, principalmente no que se refere à capacitação
dos profissionais da educação, sobretudo, os professores, pois a maioria dos cursos
de formação tanto a nível de ensino médio (curso normal) quanto a de graduação
não preparam o profissional para lidar,com tais dificuldades que um aluno dislexo
apresenta.
Portanto, uma alternativa significativa é a integração entre família e escola,
parceria indispensável para melhorar o desempenho do aluno numa visão holística.
A intervenção do psicopedagogo é um elemento de relevância na qualidade
do trabalho pedagógico, pois este profissional é de fundamental importância no
processo inicial de avaliação e diagnóstico uma vez que a partir de uma investigação
minuciosa, o psicopedagogo fará as intervenções e os encaminhamentos
necessários com o objetivo único, o sucesso do aluno.
9
O presente trabalho divide-se em três capítulos:
No primeiro capítulo, aborda-se a definição do transtorno de leitura e sua
origem, bem como os diferentes tipos de dislexia, levando em consideração que não
há somente um tipo de dislexia. E de um modo geral qual a população atingida, ou
seja, quais são os indivíduos em fatores de risco.
No segundo capítulo, observam-se os principais sintomas que atingem as
crianças em fase escolar, isto é, nos primeiros anos de escolaridade trazendo sérios
comprometimentos na área da leitura e escrita tais como falta de atenção e
concentração diante das atividades, troca de letras que são similares graficamente e
dificuldade de orientação espacial. É importante ressaltar que os sintomas de
dislexia variam de criança para criança. Segundo Olivier (2008), muitas crianças
demonstram alguns sinais desde a pré-escola demonstrando atraso na linguagem,
vocabulário pobre, problemas no processamento fonológico e dificuldades em
aprender canções e rimas etc. Após a análise dos sintomas, ainda neste capítulo, as
avaliações adequadas para detectar e amenizar tal problema são analisadas a fim
de fazer os encaminhamentos necessários de acordo com cada indivíduo.
No terceiro capítulo, aborda-se o papel fundamental do professor contribuindo
de maneira positiva para o diagnóstico de tal dificuldade de aprendizagem através
de sua prática diária junto ao aluno. Por meio de sua prática pedagógica, o professor
percebe os primeiros sinais de dificuldades no aprendizado da leitura e escrita e já
nos primeiro sinais, o aluno pode ser encaminhado ao psicopedagogo e este fará as
intervenções necessárias. Se for detectada a dislexia por meio de uma detalhada
avaliação minuciosa, o ideal que esse aluno seja levado a um tratamento específico.
As intervenções adequadas para ajudar o aluno disléxico a lidar com tal problema
para obter uma vida escolar mais prazerosa serão ainda estudadas neste capítulo.
10
CAPÍTULO I
DISLEXIA
1.1. DEFINIÇÃO DE DISLEXIA
A dislexia é um dos mais comuns transtornos de aprendizagem que acarreta
grande dificuldade na leitura e na escrita, causando uma defasagem inicial nos
primeiros anos de escolaridade. Nesse sentido, segundo Sampaio (2010), a dislexia
é um distúrbio na leitura que afeta a escrita, sendo normalmente detectada a partir
da alfabetização, período em que a criança inicia o processo de leitura.
Verificando a origem da palavra “dis” significa dificuldade e “lexia” linguagem,
compreende-se que a dislexia é um problema na aquisição da linguagem,
caracterizado pela dificuldade de decodificar palavras. Segundo a definição
elaborada pela Associação Brasileira de Dislexia, “trata-se de uma insuficiência do
processo fonoaudiológico e inclui-se frequentemente entre os problemas de leitura e
aquisição da capacidade de escrever e soletrar.”
A dislexia é um transtorno que atinge em especial a parte da leitura e
consequentemente afeta a escrita, portanto, a criança que não consegue ler,
também apresentará comprometimento na escrita.
Entende-se, então, que é um problema de linguagem e não intelectual, pois
há crianças super inteligente, com boa escolaridade e que são disléxica. De acordo
com Leite (2005) Muitas vezes, a criança apresenta condições intelectuais normais,
porém poderá ler com dificuldades e transformar ou deformar as palavras.
Quando a criança inicia o processo de alfabetização é normal a omissão,
inclusão ou troca de letras, mas essas dificuldades persistem nas crianças com
dislexia entre outros sintomas, causando um domínio insuficiente da leitura.
A criança disléxica entende oralmente as palavras, mas demonstra grande
barreira ao ler e escrever tal palavra. Na visão de Rodrigues e Silveira (2007) a
criança disléxica apresenta dificuldade de ler o que está escrito e de escrever o que
está pensando. Quando tenta expressar-se no papel, o faz de maneira incorreta
fazendo com que o leitor não compreenda suas idéias.
11
Na fase escolar, é necessário que a criança desenvolva a consciência
fonológica para poder compreender os princípios alfabéticos e a correspondência
entre grafema e fonema. Na perspectiva de Sampaio (2010, p. 110 ), ‘‘A criança
possui consciência fonológica quando se torna consciente de que palavras, sílabas e
fonemas são unidades identificáveis.” E a criança tendo desenvolvida essa
consciência, auxilia na aquisição da leitura e escrita.
Conforme pesquisas realizadas a dislexia atinge entre 6% a 15% da
população trazendo grandes transtornos na área da leitura e escrita levando muitas
vezes a baixo auto estima, acarretando abandono dos estudos muito cedo pela
dificuldade de detectar o problema desde a tenra idade. Segundo a Associação
Brasileira de Dislexia, ”pessoas disléxicas e que nunca se trataram, lêem com muita
dificuldade, pois é difícil assimilarem palavras.”
De acordo com estudiosos, a dislexia origina-se de fatores neurológicos, ou
seja, é um distúrbios que tem origem na formação do cérebro antes mesmo do
nascimento. Na visão de Galaburda (2003) apud Deuschle e cechella(2009)
“ As mal-formações cerebrais se encontram em áreas vinculadas
ao processamento fonológico, incluindo a área temporo- occipital,
conhecida como área visual da forma da palavra falada, e no corpo
geniculado medial o que acarreta distúrbio específico de leitura e
escrita.”
Um dos fatores que origina a dislexia, segundo alguns estudiosos, é que o
hemisfério esquerdo é menor que o hemisfério direito e as modificações envolvendo o
lobo temporal esquerdo danificam as funções ligadas às habilidades verbais, enquanto
as lesões do hemisfério direito estão ligadas às habilidades não-verbais Nesse
aspecto, conforme Olivier (2008, p.60):
“Em paciente destros, o hemisfério direito é predominante para o
processamento de informações não-verbais (faces, figuras
geométricas /espaciais e artes em geral), podendo ser considerado
”sintetizador” enquanto o hemisfério esquerdo é o dominante para o
processamento e estímulos que tem uma conotação linguística
(letras,palavras,fonemas,números).”
A construção da linguagem oral e escrita depende do conjunto de várias
redes neuronais, e se esses neurônios não estiverem adequadamente conectados
12
acarretam sérios comprometimentos na aquisição da linguagem. Nesse sentido, de
acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, “A dislexia é uma disfunção
neurológica: a informação faz um caminho mais longo e demora um pouco mais para
ser processada.”
A dislexia é oriunda principalmente de fatores genéticos, ou seja, sofre fortes
influências genéticas. De acordo com o site dislexia.com.br:
‘‘A dislexia tem base neurológica, e que existe uma incidência
expressiva de fator genético em suas causas, transmitido por um gene
e uma pequena ramificação do cromossomo # 6 que, por ser
dominante,torna dislexia altamente hereditária,o que justifica que se
repita nas mesmas famílias.”
Pesquisas feitas em gêmeos idênticos comprovam que quando um dos
gêmeos apresenta dislexia, o outro irmão também apresenta. Nas palavras de
Capovilla e Capovilla (2004, p. 49), ‘‘Logo, uma concordância maior entre os
monozigóticos sugeriria fortemente que a dislexia tem uma causa genética
importante.”
Entende-se, também, que uma das causas da dislexia são os fatores
cognitivos no qual a criança sofre um déficit fonológico. Na visão de Frith (1997) apud
Capovilla e Capovilla (2004, p.52) “Tais dificuldades de processamento fonológico
levariam aos problemas em leitura e escrita observados na dislexia.”
Os aspectos ambientais podem ser um dos fatores que originam a dislexia, os
aspectos ortográficos e o método de alfabetização podem prejudicar seriamente a
construção da linguagem no indivíduo. Conforme explanação de Frith (1997) apud
Capovilla( 2004, p. 48):
‘‘ Num primeiro momento condições biológicas (como aspectos
genéticos), em interação com condições ambientais (como
exposição,a toxinas ou a baixa qualidade de nutrição da mãe
durante a gestação), podem ter efeitos adversos sobre o
desenvolvimento cerebral, predispondo o individuo a distúrbio do
desenvolvimento.”
13
1.2- TIPOS DE DISLEXIA
A dislexia, como visto anteriormente, é um distúrbio que afeta a leitura e,
consequentemente a escrita. Porém, não há somente um tipo de dislexia e neste
capítulo conheceremos as diferentes formas de dislexia que podem ser divididas
em: dislexia adquirida e dislexia do desenvolvimento ou congênita.
As dislexias adquiridas podem ser subdivididas em Periféricas e Centrais.
Nas dislexias periféricas, na visão de Pinheiro (1994) e Morais(1996) apud Faria
(2010) a lesão encontra-se no campo visual, dificultando a leitura das letras.
Já nas dislexias centrais, as causas ocorrem pelo comprometimento do
processamento da linguagem provocando alteração nas rotas. Conforme Faria
(2010), Além do distúrbio do sistema de análise visual, há também alteração em
parte de uma das rotas fonológica ou lexical ou em ambas.
Em relação à dislexia adquirida é ocasionada devido a uma lesão cerebral e
ocorre, geralmente, após a aquisição da leitura. Nesse aspecto, segundo Olivier
(2008, p.54) a dislexia adquirida:
“Vem por meio de um acidente qualquer. Como por exemplo
temos ‘‘Anoxia Perinatal”, ‘‘anoxia por afogamento (obs.:Anoxia é a
diminuição ou ausência de oxigenação no cérebro), Acidente
Vascular cerebral (o popular derrame) e outros acidentes e
distúrbios que podem causar uma Dislexia Adquirida.”
Os tipos de leitura processa-se a partir de duas rotas: a rota lexical e a rota
fonológica. A rota lexical faz uso do campo visual para a leitura das palavras.
Nesse sentido, de acordo com Capovilla & Capovilla(2004, p.56 ) “Nesta rota a
pronúncia é obtida a partir do reconhecimento visual do item escrito, e o leitor tem
acesso ao significado daquilo que está sendo lido antes de emitir a pronúncia
propriamente dita.”
A rota fonológica é utilizada para a leitura de palavras de baixa incidência e
pouco frequente, ou seja, a pronúncia das palavras é processada por meio da
aplicação de regras de correspondência entre grafema e fonema.
14
Os tipos de leitura surgem com base nos quadros de dislexias adquiridas.
Baseando-se na visão de Ellis (1985), propõe uma subdivisão para as dislexias
periféricas, dentre elas estão:
Dislexia por negligência: é a dificuldade de identificar as sílabas iniciais, mesmo
que haja a consciência de sua existência em uma das posições. Conforme
Capovilla &Capovilla (2004, p.56 ) ‘‘Os distúrbios também estão no sistema de
análise visual e o leitor consistentemente ignora partes das palavras, geralmente
deixando de ler a parte inicial.’’
Dislexia letra por letra: Na visão de Ellis (1995) apud Caldeira e Cumiotto (2004) o
indivíduo identifica as letras uma de cada vez, mas demonstra dificuldade em
reconhecer e ler a palavra por inteiro .
Dislexia atencional: acarreta sérios problemas na codificação das posições das
letras nas palavras sem alterar a identificação paralela das letras. Nesse sentido, a
dislexia de atenção é, de acordo com Guimarães (2004) o comprometimento em
focalizar a atenção numa letra ou vocábulo, as letras de uma palavra podem juntar-
se a outra palavra.
No que se refere às dislexias centrais, estas se subividem em quatro tipos:
Dislexia não-semântica: o entendimento das palavras escritas é muito baixa. Nesse
sentido, Grégoire, Piérart (1997, p. 27) apud Barreto(2010)
“O indivíduo com esse problema apresenta incapacidade de
compreensão do significado das palavras, embora apresente
capacidade para converter as letras em sons, demonstrando,
inclusive, a capacidade de fazer leitura de não-palavras.”
Dislexia fonológica: Há certa dificuldade na leitura de palavras pela rota fonológica
no qual faz uso desse processamento fonológico. Conforme Rodrigues (2008), o
indivíduo demonstra grande dificuldade em ler palavras desconhecidas.
Dislexia profunda: apresenta certo bloqueio para leitura de não-palavras, em
especial em voz alta, além de demonstrar erros semânticos e visuais. De acordo
com Ellis (1995) apud Caldeira e Cumiotto (2004) é a incapacidade quase que
15
completa para ler não-palavras oralmente, além de apresentar erros semânticos e
visuais.
Dislexia de superfície: demonstra dificuldade em ler palavras irregulares, ou seja,
palavras que se lêem de maneira diferente da escrita. Na perspectiva de
Olivier(2008, p.47) “Caracteriza-se basicamente pela falha de leitura de palavras
irregulares, em um comprometimento da via lexical.”
Há outros tipos de dislexia que afetam diretamente na aquisição da
linguagem como a dislexia visual, dislexia auditiva e dislexia motriz.
Dislexia visual:é uma disfunção na análise visual dos vocábulos. De acordo com
Caldeira e Cumiotto (2004) a dislexia visual, apresenta-se na troca de letras com
semelhança gráfica.
Dislexia auditiva ou acústica:Manifesta-se na impossibilidade de perceber os
diferentes tipos de sons acarretando sérios comprometimentos na identificação
dos fonemas. Usando as palavras de Boorer e Miklebust(1971) apud Nico (2011)É
um comprometimento na percepção auditiva gerando deficiência na memória
auditiva, não audibilizando cognitivamente o fonema.
Dislexia motrix: Na visão de Drumond (2010) demonstra dificuldade no movimento
ocular e há limitação no campo visual provocando retrocessos e principalmente
intervalos mudos ao ler.
Ainda dentro da Neuropsicologia, existe a dislexia que está voltada para o
adulto que podem ser a dislexia profunda e a superficial, como já visto
anteriormente. E em relação à neuropsicologia infantil, há subgrupos de dislexia: os
disfonéticos, os diseidéticos e os disléxicos mistos.
Dislexia disfonética: a pessoa que é acometida desta dislexia apresenta sérios
comprometimentos na percepção auditiva e na análise e síntese dos fonemas;
entraves temporais e nas percepções da sucessão e da duração provocando troca
de fonemas e sons, diferentes grafemas e demonstra dificuldades na compreensão
e leitura de palavras que não têm significado, modificação na ordem das sílabas e
letras, apresenta dificuldade na escrita das palavras. Conforme Iak (2004, p. 41)
essa dislexia causa “Troca de fonemas e grafemas, alterações na ordem das letras
16
e sílabas, omissões ou acréscimos, apresentando maior dificuldade com a escrita
do que na leitura.”
Dislexia diseidética: apresenta dificuldade na percepção visual, na percepção
gestáltica, na análise e síntese de fonemas. De acordo com Iak(2004, p.41):
“Essa dislexia traz como conseqüência uma leitura silabada,
dificuldade em estabelecer sínteses, aglutinação ou fragmentação
de sílabas e/ou palavras, troca por equivalentes fonéticos,
apresentando uma dificuldade maior para a leitura do que para a
escrita.”
De acordo com alguns estudiosos, a dislexia do desenvolvimento é a
dificuldade que ocorre durante o processo de aquisição da leitura nos primeiros
anos de escolaridade, ou seja, já nasce com o individuo. Na visão de
Rodrigues(2008) a dislexia do desenvolvimento está ligado a uma perturbação ou
retardo na aquisição de leitura que se relaciona com problemas na aprendizagem.
A dislexia do desenvolvimento ocasiona um atraso em algum aspecto do
desenvolvimento, alguma deficiência na maturação neural, que ocasiona as
dificuldades da criança. Na perspectiva de Jorm (1985, p.12 apud Barreto 2010)
‘‘Correspondem às falhas em adquirir as habilidades de leitura e escrita durante o
curso do desenvolvimento normal.”
17
CAPÍTULO II
Neste segundo capítulo alguns dos principais sintomas de dislexia serão
abordados desde a pré-escola até a fase da alfabetização, ou seja, nos primeiros
anos de escolaridade, bem como o diagnóstico e avaliação do transtorno de
aprendizagem em estudo, a dislexia.
2.1. PRINCIPAIS SINTOMAS
De acordo com Olivier (2008) alguns sintomas de dislexia podem ser
percebidos desde a tenra idade quando ocorre certo atraso no desenvolvimento da
linguagem da criança e esta apresenta muita dificuldade em aprender as músicas,
versos e histórias, demonstrando esquecimento após ouvi-los. Além disso, há sério
comprometimento na coordenação motora também.
Nos primeiros anos de escolaridade, a criança com dislexia apresenta ainda
distúrbios na leitura e não consegue soletrar as palavras corretamente e não
reconhece letras nem números.
Observa-se, na visão de Leite (2005) que os sintomas da dislexia variam de
criança para criança, algumas demonstram dificuldades em fazer laços nos sapatos,
em reconhecer as horas, em pular corda e até mesmo pegar e chutar a bola. Outras,
na sua grande maioria demoram em aprender a ler e a escrever números e letras,
em ordenar meses do ano, letras do alfabeto e ainda apresentam sérios problemas
de lateralidade principalmente em identificar esquerda e direita.
Entende-se ainda que sua leitura é mais lenta do que o esperado para sua
idade; demonstra lentidão nas quatro operações aritméticas e apresentam
dificuldade ao escrever números e letras, em memorizar a tabuada, em seguir
indicações de caminhos e em realizar sequências de atividades complexas.
Alguns sinais podem indicar dislexia em criança na fase escolar na visão de
Capovilla e Capovilla (2004, p. 60):
• Dificuldade especial em aprender a ler e escrever;
• Dificuldade em aprender o alfabeto, as tabuadas e seqüências como meses do ano;
• Falta de atenção ou pobre concentração;
18
• Reversão de letras e números (15 -51;b-d);
• Frustração, podendo levar a problemas comportamentais.
Outros sintomas observados são:
• Troca de letras, sílabas ou vocábulos que são similares graficamente: a-o
;e-c;f-t;m-n; v- u ; i-j ;
• Inversão de letras com escrita parecida, porém com diferente orientação
no espaço: b/p, d/p, d/q, b/q, b/d, n/u, a/e, w-m;
• Troca de letras cujos sons são parecidos: d/t, j-x, c-g, m-b. v-f ;
• Acréscimo ou omissões de sons: casa por casaco, prato por pato;
• Ao realizar a leitura, pula linha ou retorna para a anterior;
• Ao ler, movem os lábios murmurando;
• Dificuldade na orientação espacial, não conseguindo se orientar com
mapas, globos e o próprio ambiente.
• Utiliza dedos para contar;
• Demonstram dificuldade de lembrar de objetos, nomes, sons, palavras, ou
mesmo letras;
• Alguns conseguem copiar do quadro com facilidade, porém na escrita
espontânea( ditado e/ ou redação) mostram extrema dificuldade;
• Atinge mais meninos que meninas;
CONDEMARÍN (1989) apud SAMPAIO (2010)
Algumas características ainda podem ser vistas em um disléxico: baixo
desenvolvimento da atenção; dificuldade em brincar com outras crianças; atraso na
linguagem, na escrita e no desenvolvimento visual; dificuldade em aprender rimas e
canções e em acompanhar a leitura de histórias e desinteresse por livros impressos.
Na visão de Ianhez (2002), a criança pode apresentar sinais importantes de
dislexia na fase escolar:
ü Trocas referentes à ortografia, porém depende do tipo de dislexia;
ü Dispersão e desatenção;
ü Desenvolvimento escolar abaixo do esperado para sua faixa etária, em
matérias específicas, que dependem da linguagem escrita;
ü Bom desempenho, nas avaliações orais, do que nas escritas;
19
ü Dificuldade para escrever, desenhar e pintar;
ü Esquece palavras facilmente;
ü Dificuldade de expressar-se, vocabulário pobre, frases curtas, estrutura
simples, sentenças vagas;
ü Problema de conduta: retração, timidez e depressão;
ü Necessita de um tempo maior para realizar as atividades de casa e de aula;
ü Não gosta de frequentar à escola;
ü Dificuldade na área da matemática, desenho geométrico e em decorar
sequências;
ü Apresenta picos de aprendizagem, num dia assimila e compreende os
conteúdos e noutro, parece ter esquecido o que aprendeu anteriormente.
Em seu trabalho, Vallet apresenta seis manifestações de
comportamento característico da dislexia, resumidas por alguns
pesquisadores: desorganização, inversões e “torções” de símbolos;
disfunção da memória auditivo/visual seqüencial;problemas na
padronização rítmica de sons, rimas, palavras e sentenças;
dificuldade de atenção focalizada; desordens de organização
corporal, coordenação e integração sensorial; distorções associadas
na cópia, na escrita e no desenho. (VALLET,
1986,P.63-64 apud BARRETO)
É importante ressaltar que antes mesmo da fase da alfabetização, a criança pode
apresentar algumas características que podem acarretar problemas na aquisição da
leitura e da escrita. Conforme Zorzi (2009), as crianças que, desde muito cedo, vêm
apresentando dificuldade na aquisição da linguagem falada, vocabulário pobre, as
dificuldades de compreensão entre outros sintomas, podem estar na categoria de
risco.
Entende-se que esse transtorno não é uma patologia, ela não tem cura e pode
ser detectada logo na pré-escola, porém mesmo que a criança esteja estudando em
uma escola convencional, possua funções cognitivas normais, a criança com dislexia
falha no momento da aquisição da leitura e da escrita.
Na visão de Capovilla & Capovilla (2004, p.59 e 60) alguns sinais podem indicar
dislexia em crianças pré-escolares tais como:
• Histórico familiar de problemas de leitura e escrita;
20
• Atraso para começar a falar de modo inteligível;
• Frases confusas, com migrações de letras: “A gata preta
prendeu o filhote” em vez de “a gata preta perdeu o filhote”;
• Impulsividade no agir;
• Uso excessivo de palavras substitutas ou imprecisas(como
“coisa”,”negócio”);
• Nomeação imprecisa(como “helóptero” para “helicóptero”);
• Dificuldade para lembrar nomes de cores e objetos;
• Tropeços, colisões com objetos ou quedas frequentes;
• Dificuldade em aprender cantigas infantis com rimas;
• Dificuldade com sequências verbais (como os dias da
semana) ou visuais (como sequencias de blocos
coloridos);
• Prazer em ouvir outras pessoas lendo para ela, mas falta de
interesse em conhecer letras e palavras.
Na perspectiva de Alves, Mousinho e Capellini (2011), uma vez que o transtorno
é detectado, inúmeros estudos comprovam que a intervenção precoce ajuda na
prevenção de crianças que apresentam desempenho de leitura e escrita abaixo do
esperado em relação a sua classe, durante a fase pré-escolar e nos primeiros anos
e escolaridade.
2.2 DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO
Após uma análise minuciosa dos sintomas de dislexia, é necessário realizar um
diagnóstico. O diagnóstico deve ser feito no período de alfabetização por volta dos 6
ou 7 anos. Segundo Carvalhais (2007) apud Cechella e Deuschle (2009), o
diagnóstico é de suma importância, sobretudo para definir estratégias de
intervenção, buscando o sucesso escolar.
No período de alfabetização, se o indivíduo apresentar alguns dos sintomas
concernentes ao transtorno de leitura, é necessário encaminhá-lo a um
psicopedagogo que é um profissional preparado para realizar uma avaliação mais
detalhada junto ao aluno nesta fase escolar.
21
Após identificar o problema, a criança deve ser avaliada por uma equipe
multidisciplinar, formada por neuropsicóloga, fonoaudióloga e psicopedagoga clínica
e, se necessário, será encaminhado a outros especialistas como neurologista,
oftalmologista e outros, conforme o caso. Os profissionais envolvidos devem verificar
todas as possibilidades antes de qualquer confirmação de dislexia. Nessa
perspectiva, de acordo com Olivier (2008, p.68):
“O psicopedagogo avaliará o paciente encaminhado, para detectar
distúrbios fonoauditivos, que exigirão encaminhamento a um
fonoaudiólogo e a um otorrino. Havendo deficiência na visão, poderá
ser indicado um oftalmologista. Também, certamente, o
psicopedagogo o encaminhará a um neurologista, para que exames
sejam realizados.”
Somente um diagnóstico multidisciplinar avaliará com precisão o que está
acontecendo com o indivíduo. De acordo com Fox (2009), a dislexia deve ser
avaliada por uma equipe multidisciplinar da área da saúde e os professores são
considerados parceiros fundamentais. A equipe multidisciplinar analisa o paciente
como um todo, detectando ou excluindo todas as possibilidades de dislexia. É o que
a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) chama de avaliação multidisciplinar e de
exclusão.
Ainda segundo a ABD, outros fatores deverão ser excluídos, como déficit
intelectual, distúrbio ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas
e adquiridas), problemas afetivos anteriores ao processo de fracasso escolar (com
constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar sérios problemas
emocionais, porém estes são consequências e não causas da dislexia).
É importante ressaltar nesse processo, o relato da escola, dos pais e observar o
histórico familiar e o desenvolvimento do paciente, pois essa avaliação não só
investiga as causas das dificuldades como permite um encaminhamento correto a
cada caso, através de um relatório por escrito.
Ao diagnosticar a dislexia, o encaminhamento define um tratamento detalhado
conforme cada caso, pois o profissional que assumir o caso, já saberá o problema e
terá acesso a dados importantes sobre o paciente. Na visão de Olivier (2008 p. 68):
22
”Depois de se obter o resultado de todos os exames necessários, é
que será verificado se realmente há dislexia. Havendo, será então
estabelecido o melhor tratamento, preferencialmente adaptado a
cada paciente, para que se tenham melhores resultados.”
Compreendendo as causas, as potencialidades e as individualidades do
indivíduo, o profissional que estiver acompanhando diretamente o paciente, pode
seguir a linha que achar mais conveniente. Os resultados irão aparecer de forma
firme e gradativa.
Um passo importante que a ABD sugere é “definir um programa em etapas e
somente passar para a seguinte após confirmar que a anterior foi devidamente
absorvida, sempre retomando as etapas anteriores.” É o que ela chama de sistema
multissensorial e cumulativo.
É de suma importância que o professor e os responsáveis estejam atentos, pois
ao perceberem no aluno algumas características disléxicas, é necessário
encaminhá-lo o quanto antes para uma avaliação psicopedagógica, pois o quanto
antes for iniciado um tratamento, melhores serão os resultados.
A avaliação do indivíduo com dislexia deve ser tanto qualitativa quanto
quantitativa. A avaliação qualitativa engloba entrevistas com os pais ou responsáveis
e com a criança, análise clínica, e verificação dos relatos e de registros escolares.
Nessa avaliação é necessário observar alguns sinais que podem indicar dislexia,
pois esses sinais ajudam a detectar o transtorno e a criança é imediatamente
encaminhada a uma avaliação.
Já a avaliação quantitativa analisa os fatores específicos da leitura e da escrita,
observando a integridade das rotas de leitura e de outras habilidades cognitivas
destacando o processo fonológico, o processo visual, o sequenciamento, a memória
de trabalho e de longo prazo. (CAPOVILLA & CAPOVILLA, 2004).
23
CAPÍTULOIII
3.1- O PAPEL DO PROFESSOR E DO PSICOPEDAGOGO
Entende-se que o papel do professor nesse processo de diagnóstico da dislexia é
de suma importância, especialmente nos primeiros anos de escolaridade, pois
depois da família, o primeiro contato que a criança tem com o mundo é com a escola
e, consequentemente, com o professor.
Quando o professor percebe ou detecta no aluno dificuldade de ler e entender o
que lê, já é um sinal de risco que precisa ser investigado logo nos primeiros anos de
escolaridade.
Quando diagnosticado um quadro de dislexia, através de atividades pedagógicas
rotineiras, o professor percebe que algo não caminha bem, cabe à escola orientar a
família da criança de maneira que ela procure ajuda especializada visando o
diagnóstico multiprofissional e o tratamento do problema.(GOMES et al.,2009)
Para isso, é necessária uma investigação minuciosa e logo que o professor
detecta algum problema, o aluno deve ser encaminhado rapidamente ao
psicopedagogo.
Como já visto nos capítulos anteriores, os disléxicos apresentam grandes
dificuldades na aquisição da linguagem escrita ou falada, por isso o professor, ao
relacionar-se com este aluno, precisa tratá-lo com muita dedicação, atenção e
incentivo à criatividade, pois alguns disléxicos demonstram aptidões no campo das
artes. Conforme Olivier (2008, p.71):
“ O professor também tem papel fundamental na assessoria a este
aluno disléxico, para estimulá-lo em aulas de criatividade, não exigir
bom desempenho em aulas muito teóricas, não ridicularizá-lo nem
permitir que seus colegas o ridicularizem por não acompanhar a
classe.”
Sendo assim, as crianças disléxicas precisam ser valorizadas com atividades que
agucem cada vez mais essas habilidades e que promovam nelas a autoestima.
Uma das tarefas do educador é resgatar a autoconfiança do aluno, descobrir
outras habilidades que demonstrem facilidade e que possam acreditar em si mesmo.
24
O educador deve ter um olhar especial para cada aluno, compreendendo suas
dificuldades de maneira que possa encaminhá-los adequadamente para os
profissionais especializados nessa áreas e possam receber o tratamento adequado.
Na opinião de Fonseca (1995), o professor dos primeiros anos de escolaridade
deve buscar seus próprios instrumentos de diagnóstico a fim de conduzir suas
atividades de forma coerente. Da maneira que esses instrumentos permitam
detectar bem cedo quaisquer transtornos de aprendizagem, pois só através da
intervenção psicopedagógica pode ser considerada socialmente útil e quanto mais
cedo o diagnóstico, mais rápida era a solução do problema.
Abaixo, observam-se alguns procedimentos que podem ser adotados por
professores e até mesmo pelos pais de crianças disléxicas:
• A criança disléxica deve sentar-se junto à professora, a fim de que a
professora possa observá-la e ajudá-la nas suas tarefas;
• Cada conteúdo deve ser revisto sempre que necessário. Mesmo que a
criança esteja atenta na hora da explicação, porém isso não garante que ela
lembre do conteúdo na próxima aula.
• Educadores devem evitar insinuar ou chamar o aluno de lento, preguiçoso ou
pouco inteligente, bem como fazer comparações com outros colegas;
• Evitar que a criança leia em voz alta na frente dos colegas;
• Seus conhecimentos devem ser avaliados pelas respostas orais e não pelas
respostas escritas;
• Não esperar da criança que ela tenha habilidade para utilizar o dicionário. O
uso do dicionário deve ser cuidadosamente ensinado;
• Evitar dar várias regras ortográficas ao mesmo tempo. Como por exemplo: os
vários sons do “c” ou do “g’ ou dar uma lista de palavras com uma mesma
regra para o aluno aprender;
• Sempre que possível, solicitar a criança para repetir o que a professora pediu
para ela fazer, pois isso ajuda na memorização;
• A apresentação de atividade de escrita deve ser cuidadosamente analisada,
com cabeçalhos grandes, letras claras, maior uso de diagramas pouco uso de
palavras escritas;
• O ambiente em que o aluno está inserido deve ser calmo e quieto sem muitas
distrações;
25
• A escrita de forma é mais difícil do que a cursiva. A escrita cursiva facilita a
velocidade e a memorização da forma ortográfica da palavra;
• É preciso despertar na criança a autoconfiança, e despertar nela o prazer por
outras áreas tais como música, esporte,artes e tecnologia etc. (CAPOVILLA
&CAPOVILLA ,2004)
A criança disléxica apresenta dificuldades na construção fonológica, neste caso,
o professor pode auxiliar o aluno a perceber os sons das palavras. Segundo
Sampaio (2010) o professor pode auxiliar a criança trabalhando com rimas, de forma
que identifique os sufixos e prefixos de um determinado grupo de palavras ou que
começam com determinada letra. Confeccionar cartões, contendo figuras de palavra
que rimam, de forma que as crianças possam fazer esta diferenciação, buscar em
revistas palavras que rimam, trabalhar canções e poesias que rimam, são formas por
meio das quais o educador pode auxiliar uma criança a desenvolver sua consciência
fonológica, amenizando os problemas de leitura . A criança ao desenvolver sua
consciência fonológica facilitará à aquisição da leitura e da escrita.
Compreende-se que o professor é um instrumento para ajudar seu aluno
disléxico a sanar suas dificuldades em sala de aula. Para isso, De Luca(2011) apud
Teles (2011), aponta algumas estratégias tais como:dar um tempo maior para a
execução das avaliações e aplicá-las em sala separadas dos demais alunos; ler
oralmente as questões para auxiliar na compreensão; realizar provas orais e,
quando for prova escrita, explicar com detalhes em caso de confusão ou dúvida em
alguma questão; a utilização de tabuadas impressas, fórmulas ou calculadora
conforme a série; a integração do aluno disléxico junto a classe. Desta maneira, o
professor conseguirá avaliar o quanto seu aluno aprendeu e assim o aluno disléxico
tem grande chance de avançar no seu aprendizado.
O professor não deve discriminar o aluno disléxico em sala de aula, ao contrário,
deve incentivá-lo a fazer todas as atividades e elogiá-lo pelo esforço e pelos
avanços; tirar as dúvidas sempre que necessário; lembrá-lo de anotar os dias e
horários das provas, tarefas e pesquisas; solicitá-lo que faça anotações de
determinadas explicações; dá ênfase às provas orais.
Na visão de Caldeira e Cumiotto (2004), algumas atitudes elevam a auto estima
dos educandos disléxicos:
26
• Evitar discriminá-los diante dos colegas, não forçá-los a ler em voz alta,
nem relatando seus erros ou notas baixas diante de todos;
• Repetir falas e mensagens sempre que necessário;
• Ser paciente, quando estiverem copiando do quadro, dando-lhes mais
tempo para concluir as tarefas e incentivando-os;
• Na leitura de palavras longas, ensiná-los a separá-los com a ponta do lápis;
• Utilizar uma linguagem clara e, em línguas estrangeiras, preparar trabalhos
e pesquisa, pois eles apresentam muita dificuldade.
O professor precisa ter um olhar diferenciado e flexível para cada aluno que
apresenta alguma dificuldade, e compreender a natureza desses transtornos, buscar
o diagnóstico e uma avaliação adequada, para melhorar o aprendizado do aluno, e
se instrumentalizar , de forma que auxilie seu aluno da melhor maneira, pois há
muitos professores que lecionam e não sabem o que é dislexia.
Dessa forma, é importante ressaltar nesse processo a capacitação do
professor, pois ele precisa conhecer tal distúrbio e suas principais características
para que possa saber diagnosticar e fazer os encaminhamentos necessários.
Quando lhe faltaM essas informações, o trabalho em sala se torna mais difícil.
Sampaio(2010,P.117) dá algumas dicas para pais, professores e
psicopedagogos:
“os softwares da coleção”coelho sabido” são excelentes para
desenvolver reconhecimento de sons, de letras, fonética, rimas,
vocabulário, ortografia, além de outras áreas na matemática,
raciocínio lógico, ciências, artes etc., bem como a concentração”.
(Sampaio,2010 p.117)
É preciso levar em consideração a intervenção psicopedagógica no tratamento
do disléxico. A função do psicopedagogo é de extrema importância pois uma de
suas contribuições é de auxiliar a família no tratamento de um aluno disléxico.
Ao diagnosticar o quadro de dislexia, a família deve ser informada do problema e
ser orientada a lidar com tal problema, pois os pais são os principais responsáveis
pela ligação entre os especialistas envolvidos e a escola.
O psicopedagogo deve intervir através de tratamento que é realizado por meio de
intervenções explícitas e intensas na leitura, e o tratamento varia de acordo com
27
cada tipo de dislexia. Essas intervenções tem como objetivo promover o
desenvolvimento do aluno disléxico.
Neste sentido a ABD, apresenta algumas intervenções psicopedagógicas que
são importantes no tratamento de um aluno disléxico como por exemplo : integrá-lo
em sala de aula como alguém capaz de realizar as atividades com responsabilidade
e competência; reabilitação da leitura, dando condições ao aluno de adquirir a
educação formal.
Ao atuar com a criança disléxica, o psicopedagogo procura embasamento nos
diversos teóricos, para melhor atender e sanar as dificuldades, buscando novas
técnicas e habilidades que façam sentido para o aluno.
É preciso que o psicopedagogo associe o estímulo e desenvolvimento de suas
inclinações naturais, com o despertar das deficiências instrumentais, através de
métodos multissensoriais, como foi dito anteriormente, que parte da linguagem oral à
estrutura do pensamento da leitura espontânea, a análise temática, da construção
crítica e gerativa das idéias á expressão escrita. A psicopedagogia encontra real
significado quando atinge a família do disléxico onde pais ou responsáveis podem
cooperar com o tratamento.
Conforme a Associação Brasileira de Dislexia, a intervenção psicopedagógica
com o portador de distúrbio de leitura, tem por objetivo dar suporte às atividades de
sala de aula; demonstrar apoio pedagógico aqueles que precisam desenvolver
competências acadêmicas; incentivar a autonomia de cada um para vida social;
levar o educando a construir seu próprio aprendizado, sendo ele mesmo o sujeito do
seu conhecimento.
A ABD chama de intervenção psicopedagógica porque valoriza o “aprender a
aprender”, uma educação para a vida, levando em consideração a realidade do
aluno bem como sua própria história de maneira que o tratamento atenda cada um
individualmente.
Do ponto de vista de Vicente (2008) para uma intervenção psicopedagógica
eficaz é necessário que o profissional descreva a situação real do aluno bem como
seu problema e dificuldade aos pais e à escola e o que ocorre no cérebro das
crianças com transtornos de aprendizagem afim de representar fielmente o caso do
disléxico em seu plano de trabalho.
O psicopedagogo deve avaliar para intervir e a partir daí buscar solução que
amenize as dificuldades do aluno. A intervenção psicopedagógica deve acontecer
28
quando o profissional sente-se seguro teoricamente para atuar diretamente diante
dos educandos disléxicos. Lembrando que essa segurança vem a partir das trocas
de experiências e do atendimento direto com o disléxico, ou seja, a intervenção
psicopedagógica é uma capacidade, advinda da experiência, de realizar algo com
eficiência e competência.
A psicopedagogia entende a dislexia como um processo integrativo onde valoriza
os aspectos biológico e psicodinâmicos do indivíduo bem como a ligação entre
família e escola, buscando uma aprendizagem que lhe faça sentido de acordo com
suas potencialidades.
3.2- INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS
Para que o aluno disléxico tenha sucesso na sua vida escolar é preciso
basear-se em uma terapia multissensorial ligando a visão, a audição e o tato,
utilizando atividades práticas tais como:
• Relógio digital
• Calculadora
• Gravador
• Produção do próprio material de alfabetização
• Utilizar figuras e fotos, pois a figura é fundamental para sua aprendizagem.
(CALDEIRA E CUMIOTTO,2004)
É de fundamental importância no tratamento da dislexia o tipo de método que é
utilizado na fase de alfabetização. Segundo Capovilla (2002), existem dois métodos
de alfabetização indicados para alunos disléxicos: o método multissensorial e o
método fônico.
O método multissensorial é indicado para crianças mais velhas e o método fônico
é indicado para crianças mais jovens e deve ser aplicado logo no ínicio da
alfabetização.
O método multissensorial procura combinar várias características sensoriais no
aprendizado da linguagem escrita às crianças. Ao juntar as modalidades auditiva,
visual, cinestésica e tátil, esta metodologia facilita a leitura e escrita ao estabelecer a
conexão entre aspectos visuais que está relacionado à forma ortográfica da palavra,
auditivos estão ligados à forma fonológica e cinestésicos aos movimentos
29
adequados para escrever tal palavra. Este método, apesar de ser mais longo, é um
dos métodos mais eficazes para crianças mais velhas, que demonstram dificuldades
de leitura e escrita há muitos anos e que possuem histórico de fracasso na sua vida
escolar.
O método fônico tem dois objetivos principais: aprimorar as habilidades
metafonológicas e ensinar as relações grafo-fonêmicas. Este método ajuda na
comprovação de que crianças disléxicas têm dificuldades em distinguir , segmentar
e controlar de maneira consciente, os sons da fala. Esta dificuldade pode ser
amenizada com o inicio de atividades explícitas e sistemáticas de consciência
fonológica, durante ou mesmo antes da alfabetização.
Segundo Sampaio, algumas intervenções são importantes no tratamento de uma
criança disléxica:
• O tratamento deve ser realizado por um especialista, ou
alguém que tenha noções de ajuda ao dislexo. Deve, ainda,
ser individual e frequente;
• durante o tratamento, deve-se usar material estimulante e
interessante;
• ao usar jogos e brinquedos, empregar também os que
contenham letras e palavras;
• as atividades indicadas no livro de Capovilla(2000)- Problemas
de escrita:como identificar, prevenir e remediar em uma
abordagem fônica- são excelentes para serem desenvolvidos
tanto em sala de aula, pelo professor, quanto em consultórios;
• trabalhar com rimas, visando desenvolver sua consciência
fonológica. Brincar com as palavras;
• reforçar a aprendizagem visual com o uso de letras em alto
relevo, em diferentes texturas e cores. É interessante que a
criança percorra o contorno das letras com os dedos, para que
aprenda diferenciar a forma da letra. Pode-se usar uma caixa
de areia para que ele desenhe a letra com o dedo, usar tintas e
pincéis para que desenhe as letras que foram dita pelo
especialista;
• deve-se iniciar por leituras muito simples, com livros
atrativos,aumentando gradativamente, conforme o ritmo da
criança. Neste caso, o psicopedagogo irá observar se há um
30
vínculo inadequado com esta aprendizagem, pois sendo
assim, não se aconselha trabalhar com leitura, imediatamente,
até que este vínculo não esteja bem estabelecido, correndo o
risco de aumentar sua rejeição pela leitura;
• não exigir que faça avaliação em outra língua. Deve-se dar
mais importância à superação de sua dificuldade, do que à
aprendizagem de outra língua;
• o tratamento psicológico não é recomendado, a não ser nos
casos de grave complicação emocional;
• não estimular a competição com colegas nem exigir que a
criança responda no mesmo tempo que os demais;
• orientar o aluno, para que escreva em linhas alternadas, a fim
de que tanto ele quanto o professor possam entender o que foi
escrito, permitindo uma eventual correção;
• quando a criança não estiver disposta a fazer a lição, não a
force. Procure alternativas, mais atrativas, para que ela se
sinta estimulada;
• nunca critique negativamente seus erros. Procure mostrar
onde errou, porque errou e como evitar tais erros. Mas
atenção: não exagere nas correções, pois isso pode
desmotivá-lo (mostre os erros mais relevantes);
• os pais devem reler o diário de classe, sem criticar a criança
por não conseguir fazê-lo, uma vez que ela pode esquecer o
que foi pedido e/ou não conseguir ler as instruções;
• evitar situações em que a criança tenha de ler em voz alta, na
frente dos colegas;
• se possível, avaliar oralmente seus conhecimentos sobre
ciências naturais, geografia e história.
(SAMPAIO,2010,p.115,116 e 117)
As intervenções variam de criança para criança de acordo com o tipo de
distúrbios apresentados, mas dependendo da idade são utilizados materiais lúdicos
como computador,jogos e brincadeiras .
31
Crianças com dislexia que recebem o tratamento logo que, detectado o problema,
apresentam menos dificuldade no aprendizado da leitura. Utilizando-se métodos
adequados, a dislexia pode ser controlada.
32
CONCLUSÃO
Este trabalho de pesquisa aborda um dos problemas de aprendizagem, a
dislexia, que é um desafio para o profissional da educação no que se refere à
aplicação das intervenções pedagógicas necessárias a fim de que o educando não
alcance o fracasso escolar. Para isso, requer, acima de tudo, muito conhecimento
teórico-metodológico para distinguir com clareza o que está interferindo
negativamente em seu rendimento escolar. Deste modo, este trabalho monográfico
visa refletir sobre esse distúrbio de leitura mais comum em crianças de idade escolar
e que perdura na fase adulta.
É importante ressaltar a contribuição significativa deste estudo acerca da
dislexia uma vez que trouxe mais esclarecimentos quanto ao diagnóstico dos alunos
que apresentam dificuldades de aprendizagem, não por conta de desinteresse
próprio, mas devido aos fatores neurológicos, biológicos e genéticos que acarretam
sérias dificuldades na aquisição da leitura e da escrita.
Deve-se levar em consideração, nessa busca constante para auxiliar um
disléxico na sua vida escolar, a atuação de profissionais de diversas áreas tais como
psicopedagogo, fonoaudiólogo e neurologista. Enfatizar a importância do professor
como instrumento valioso no diagnóstico é imprescindível, pois através do seu olhar
diferenciado torna-se possível, desde muito cedo, detectar algum entrave no aluno
durante a fase de alfabetização. O professor junto com o psicopedagogo,
fonoaudiólogo fará os encaminhamentos necessários para auxiliar no tratamento do
disléxico buscando construir as melhores estratégias que facilitem o
desenvolvimento do aluno a fim de superar os obstáculos para avançar cada vez
mais na leitura e na escrita. A participação familiar durante esse processo contribui
nos resultados, tornando-os ainda mais produtivos. Segundo Freitas (2009) o olhar e
escuta do psicopedagogo compreendem a dislexia :sob os viés integrativo, onde se
valorizam os aspectos orgânicos e psicodinâmicos do indivíduo, bem como a
integração da família e da escola nesse processo.
Deste modo, esse trabalho nos remete a uma reflexão constante e um anseio
pela busca de novos conhecimentos bem como um olhar diferenciado dos nossos
alunos de forma individual e não coletiva, lembrando que cada um apresenta suas
peculiaridades e, logo, aprende de maneira única.
33
Essa pesquisa, portanto, tem o objetivo de ajudar o aluno a vencer os
obstáculos que se levantam diante dele por meio de mais subsídios teórico-
metodológicos para o profissional da educação, este que assume papel integrante
desse processo de diagnóstico da dislexia na fase escolar.
34
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ALVES, Luciana Mendonça,CAPELLINI Simone, MOUSINHO Renata.
Dislexia:Novos temas, novas perspectivas/ Luciana Mendonça Alves, Renata
Mousinho , Simone Capellini(organizadoras)- Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.
CALDEIRA, Elisabeth; CUMIOTTO,Dulce.Dislexia e Disgrafia:Dificuldades na
linguagem-Revista Psicopedagogia, 2004.
CAPOVILLA, Alessandra Gotuzo Seabra.Compreendendo a dislexia: definição,
avaliação e intervenção. Cadernos de Psicopedagogia, 2002.
CAPOVILLA, Alessandra Gotuzo Seabra e CAPOVILLA, Fernando Cesar. (2004b).
Neuropsicologia e aprendizagem:uma abordagem multidisciplinar. 2ª ed. São
Paulo,SP:Memnon,Capers e sociedade Brasileira de Neuropsicologis
FONSECA, Vitor da. Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2ª ed ,Porto
Alegre: Artes Médicas,1995.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas,
2002.
IAK,Fátima Ali Zahra. Um estudo sobre os sentidos atribuídos ao aprender por
pessoas com dislexia. Dissertação(Mestrado) Programa de Pós-Graduação em
Psicologia da Universidade São Marcos.São Paulo, 2004.
IANHEZ, Maria Eugênia e NICO, Maria Ângela. Nem sempre sempre é o que
parece: como enfrentar a dislexia e os fracassos escolares. São Paulo: Elsevier,
2002.
OLIVIER, Lou. Distúrbios de aprendizagem e de comportamento. Rio de
Janeiro:Wak Ed.,2008.
35
RELVAS, Marta Pires. Neurociência e transtornos de aprendizagem: as múltiplas
eficiências para uma educação inclusiva/ Marta Pires Relvas-4. ed. - Rio de
Janeiro:Wak ed.,2010.
SAMPAIO, Simaia. Dificuldades de aprendizagem:a psicopedagogia na relação
sujeito,família e escola/ Simaia Sampaio.2.ed.Rio de Janeiro:WakEd.,2010.
SITES
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fonológica e sua relação com a dislexia: Diagnóstico e intervenção.Acesso em
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14/05/2011,Disponível em:
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13/07/2011. Disponível em :http;//www.dislexia.org.br
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Carneiro Santana,VAZ,Suzimar Aparecida S.,SANTOS,Valdinair Mendes,
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disléxico. Acesso em:13/07/2011. Disponível em http;//
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Periférica;Dislexia Profunda. Acesso em 19/05/2011. Disponível em
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leitura e escrita no ensino fundamental acesso14/05/2011. Disponível
em:http://artigos.netsaber.com.br/artigo_ sobre_dislexia:distúrbio
_de_aprendizagem_da_leitura_no_ensino_fundamental
ZORZI,Jaime Luiz. Dislexia:Diagnóstico e Intervenção sob o olhar da
psicopedagogia,Fonoaudiologia e Neurologia. Acesso em 24/06/2011. Disponível
em: http://www.psicopedagogia.com.br
38
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO 2
AGRADECIMENTO 3
DEDICATÓRIA 4
RESUMO 5
METODOLOGIA 6
SUMÁRIO 7
INTRODUÇÃO 8
CAPÍTULO I 10
Dislexia
1.1 – Definição de dislexia 10
1.2 – Tipos de dislexia 13
CAPÍTULO II
Dislexia nos primeiros anos e escolaridade
2.1.Principais sintomas 17
2.2.Avaliação diagnóstica 20
CAPÍTULO III
Atuação em conjunto do docente e psicopedagogo no tratamento do disléxico
3.1.Papel do professor e do psicopedagogo 23
3.2.Intervenções pedagógicas 30
CONCLUSÃO 31
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 37
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C206325 dislexia

  • 1. UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM DISLEXIA Por: Adriana Roucas Fernandes Rodrigues Orientador Prof. Dayse Serra Rio de Janeiro 2011
  • 2. 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM DISLEXIA Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Psicopedagogia Institucional Por: .Dayse Serra
  • 3. 3 AGRADECIMENTOS ....A Deus por ter me dado força e coragem par prosseguir nessa missão. Aos meus pais, esposo, filho e amigos que me incentivaram na realização e conclusão deste trabalho.
  • 4. 4 DEDICATÓRIA .....Dedico a Deus e todos que de alguma forma contribuíram e me apoiaram para conclusão deste trabalho.
  • 5. 5 RESUMO O presente trabalho tem como objetivo abordar um dos transtornos de aprendizagem que atinge, segundo Capovilla(2004), cerca de 10% das crianças em idade escolar, apesar da boa escolarização, tendo em vista que acarreta sérios problemas inerentes à leitura e escrita como a soletração de palavras, por exemplo. Dessa forma, esse trabalho acadêmico procura conhecer e buscar intervenções para amenizar tal problema, visto que a dislexia não tem cura, porém caracteriza-se por acarretar dificuldade de aprendizagem, sendo necessário, portanto um acompanhamento constante. Ao longo do tratamento, é fundamental o papel do psicopedagogo e do professor no auxílio para o diagnóstico em parceria com a família a fim de alcançar o sucesso escolar do aluno disléxico.
  • 6. 6 METODOLOGIA O presente trabalho constitui-se em uma pesquisa bibliográfica que, segundo Gil (2002), tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o objeto de estudo em questão, a dislexia, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Pode-se dizer que esta modalidade de pesquisa científica tem como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. Tomei como aporte teórico os estudos contemporâneos sobre dislexia advindos das teorias de Alessandra G. S.Capovilla (2002), Lou de Olivier (2008), Simaia Sampaio (2010) entre outros citados na bibliografia desta pesquisa.
  • 7. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I - Dislexia 10 1.1. Definição 10 1.2. Tipos de dislexia 13 CAPÍTULO II - Dislexia nos primeiros anos de escolaridade 17 2.1. Principais sintomas 17 2.2. Avaliação Diagnóstica 20 CAPÍTULO III – Atuação em conjunto do docente e do psicopedagogo no tratamento do disléxico 23 3.1. Papel do professor 23 3.2. Intervenção pedagógica 30 CONCLUSÃO 31 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 33 ÍNDICE 38
  • 8. 8 INTRODUÇÃO A escolha deste tema surgiu a partir da experiência enquanto alfabetizadora dos anos iniciais do Ensino Fundamental, especificamente de turmas do 3º ano de escolaridade. No município de Duque de Caxias, onde leciono há sete anos, observa-se que a dislexia ainda é considerada um entrave no desencadear do processo ensino- aprendizagem uma vez que muitos professores encontram dificuldades de desenvolver atividades pedagógicas assim como selecionar critérios de avaliação para alunos que apresentam esse distúrbio de leitura. A criança com dislexia demonstra sérias dificuldades com a identificação dos símbolos gráficos no início da sua alfabetização, o que acarreta fracasso em outras áreas que dependem da leitura e da escrita. Segundo Gonçalves (2006), a dislexia é um distúrbio de aprendizagem que envolve áreas básicas da linguagem, podendo tornar árduo esse processo, porém, com acompanhamento adequado, a criança pode redescobrir suas capacidades e o prazer de aprender. É importante ressaltar que ainda não se obtém suporte teórico-metodológico adequado para trabalhar com esse problema de aprendizagem, logo, faz-se necessário amenizar esse quadro, principalmente no que se refere à capacitação dos profissionais da educação, sobretudo, os professores, pois a maioria dos cursos de formação tanto a nível de ensino médio (curso normal) quanto a de graduação não preparam o profissional para lidar,com tais dificuldades que um aluno dislexo apresenta. Portanto, uma alternativa significativa é a integração entre família e escola, parceria indispensável para melhorar o desempenho do aluno numa visão holística. A intervenção do psicopedagogo é um elemento de relevância na qualidade do trabalho pedagógico, pois este profissional é de fundamental importância no processo inicial de avaliação e diagnóstico uma vez que a partir de uma investigação minuciosa, o psicopedagogo fará as intervenções e os encaminhamentos necessários com o objetivo único, o sucesso do aluno.
  • 9. 9 O presente trabalho divide-se em três capítulos: No primeiro capítulo, aborda-se a definição do transtorno de leitura e sua origem, bem como os diferentes tipos de dislexia, levando em consideração que não há somente um tipo de dislexia. E de um modo geral qual a população atingida, ou seja, quais são os indivíduos em fatores de risco. No segundo capítulo, observam-se os principais sintomas que atingem as crianças em fase escolar, isto é, nos primeiros anos de escolaridade trazendo sérios comprometimentos na área da leitura e escrita tais como falta de atenção e concentração diante das atividades, troca de letras que são similares graficamente e dificuldade de orientação espacial. É importante ressaltar que os sintomas de dislexia variam de criança para criança. Segundo Olivier (2008), muitas crianças demonstram alguns sinais desde a pré-escola demonstrando atraso na linguagem, vocabulário pobre, problemas no processamento fonológico e dificuldades em aprender canções e rimas etc. Após a análise dos sintomas, ainda neste capítulo, as avaliações adequadas para detectar e amenizar tal problema são analisadas a fim de fazer os encaminhamentos necessários de acordo com cada indivíduo. No terceiro capítulo, aborda-se o papel fundamental do professor contribuindo de maneira positiva para o diagnóstico de tal dificuldade de aprendizagem através de sua prática diária junto ao aluno. Por meio de sua prática pedagógica, o professor percebe os primeiros sinais de dificuldades no aprendizado da leitura e escrita e já nos primeiro sinais, o aluno pode ser encaminhado ao psicopedagogo e este fará as intervenções necessárias. Se for detectada a dislexia por meio de uma detalhada avaliação minuciosa, o ideal que esse aluno seja levado a um tratamento específico. As intervenções adequadas para ajudar o aluno disléxico a lidar com tal problema para obter uma vida escolar mais prazerosa serão ainda estudadas neste capítulo.
  • 10. 10 CAPÍTULO I DISLEXIA 1.1. DEFINIÇÃO DE DISLEXIA A dislexia é um dos mais comuns transtornos de aprendizagem que acarreta grande dificuldade na leitura e na escrita, causando uma defasagem inicial nos primeiros anos de escolaridade. Nesse sentido, segundo Sampaio (2010), a dislexia é um distúrbio na leitura que afeta a escrita, sendo normalmente detectada a partir da alfabetização, período em que a criança inicia o processo de leitura. Verificando a origem da palavra “dis” significa dificuldade e “lexia” linguagem, compreende-se que a dislexia é um problema na aquisição da linguagem, caracterizado pela dificuldade de decodificar palavras. Segundo a definição elaborada pela Associação Brasileira de Dislexia, “trata-se de uma insuficiência do processo fonoaudiológico e inclui-se frequentemente entre os problemas de leitura e aquisição da capacidade de escrever e soletrar.” A dislexia é um transtorno que atinge em especial a parte da leitura e consequentemente afeta a escrita, portanto, a criança que não consegue ler, também apresentará comprometimento na escrita. Entende-se, então, que é um problema de linguagem e não intelectual, pois há crianças super inteligente, com boa escolaridade e que são disléxica. De acordo com Leite (2005) Muitas vezes, a criança apresenta condições intelectuais normais, porém poderá ler com dificuldades e transformar ou deformar as palavras. Quando a criança inicia o processo de alfabetização é normal a omissão, inclusão ou troca de letras, mas essas dificuldades persistem nas crianças com dislexia entre outros sintomas, causando um domínio insuficiente da leitura. A criança disléxica entende oralmente as palavras, mas demonstra grande barreira ao ler e escrever tal palavra. Na visão de Rodrigues e Silveira (2007) a criança disléxica apresenta dificuldade de ler o que está escrito e de escrever o que está pensando. Quando tenta expressar-se no papel, o faz de maneira incorreta fazendo com que o leitor não compreenda suas idéias.
  • 11. 11 Na fase escolar, é necessário que a criança desenvolva a consciência fonológica para poder compreender os princípios alfabéticos e a correspondência entre grafema e fonema. Na perspectiva de Sampaio (2010, p. 110 ), ‘‘A criança possui consciência fonológica quando se torna consciente de que palavras, sílabas e fonemas são unidades identificáveis.” E a criança tendo desenvolvida essa consciência, auxilia na aquisição da leitura e escrita. Conforme pesquisas realizadas a dislexia atinge entre 6% a 15% da população trazendo grandes transtornos na área da leitura e escrita levando muitas vezes a baixo auto estima, acarretando abandono dos estudos muito cedo pela dificuldade de detectar o problema desde a tenra idade. Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, ”pessoas disléxicas e que nunca se trataram, lêem com muita dificuldade, pois é difícil assimilarem palavras.” De acordo com estudiosos, a dislexia origina-se de fatores neurológicos, ou seja, é um distúrbios que tem origem na formação do cérebro antes mesmo do nascimento. Na visão de Galaburda (2003) apud Deuschle e cechella(2009) “ As mal-formações cerebrais se encontram em áreas vinculadas ao processamento fonológico, incluindo a área temporo- occipital, conhecida como área visual da forma da palavra falada, e no corpo geniculado medial o que acarreta distúrbio específico de leitura e escrita.” Um dos fatores que origina a dislexia, segundo alguns estudiosos, é que o hemisfério esquerdo é menor que o hemisfério direito e as modificações envolvendo o lobo temporal esquerdo danificam as funções ligadas às habilidades verbais, enquanto as lesões do hemisfério direito estão ligadas às habilidades não-verbais Nesse aspecto, conforme Olivier (2008, p.60): “Em paciente destros, o hemisfério direito é predominante para o processamento de informações não-verbais (faces, figuras geométricas /espaciais e artes em geral), podendo ser considerado ”sintetizador” enquanto o hemisfério esquerdo é o dominante para o processamento e estímulos que tem uma conotação linguística (letras,palavras,fonemas,números).” A construção da linguagem oral e escrita depende do conjunto de várias redes neuronais, e se esses neurônios não estiverem adequadamente conectados
  • 12. 12 acarretam sérios comprometimentos na aquisição da linguagem. Nesse sentido, de acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, “A dislexia é uma disfunção neurológica: a informação faz um caminho mais longo e demora um pouco mais para ser processada.” A dislexia é oriunda principalmente de fatores genéticos, ou seja, sofre fortes influências genéticas. De acordo com o site dislexia.com.br: ‘‘A dislexia tem base neurológica, e que existe uma incidência expressiva de fator genético em suas causas, transmitido por um gene e uma pequena ramificação do cromossomo # 6 que, por ser dominante,torna dislexia altamente hereditária,o que justifica que se repita nas mesmas famílias.” Pesquisas feitas em gêmeos idênticos comprovam que quando um dos gêmeos apresenta dislexia, o outro irmão também apresenta. Nas palavras de Capovilla e Capovilla (2004, p. 49), ‘‘Logo, uma concordância maior entre os monozigóticos sugeriria fortemente que a dislexia tem uma causa genética importante.” Entende-se, também, que uma das causas da dislexia são os fatores cognitivos no qual a criança sofre um déficit fonológico. Na visão de Frith (1997) apud Capovilla e Capovilla (2004, p.52) “Tais dificuldades de processamento fonológico levariam aos problemas em leitura e escrita observados na dislexia.” Os aspectos ambientais podem ser um dos fatores que originam a dislexia, os aspectos ortográficos e o método de alfabetização podem prejudicar seriamente a construção da linguagem no indivíduo. Conforme explanação de Frith (1997) apud Capovilla( 2004, p. 48): ‘‘ Num primeiro momento condições biológicas (como aspectos genéticos), em interação com condições ambientais (como exposição,a toxinas ou a baixa qualidade de nutrição da mãe durante a gestação), podem ter efeitos adversos sobre o desenvolvimento cerebral, predispondo o individuo a distúrbio do desenvolvimento.”
  • 13. 13 1.2- TIPOS DE DISLEXIA A dislexia, como visto anteriormente, é um distúrbio que afeta a leitura e, consequentemente a escrita. Porém, não há somente um tipo de dislexia e neste capítulo conheceremos as diferentes formas de dislexia que podem ser divididas em: dislexia adquirida e dislexia do desenvolvimento ou congênita. As dislexias adquiridas podem ser subdivididas em Periféricas e Centrais. Nas dislexias periféricas, na visão de Pinheiro (1994) e Morais(1996) apud Faria (2010) a lesão encontra-se no campo visual, dificultando a leitura das letras. Já nas dislexias centrais, as causas ocorrem pelo comprometimento do processamento da linguagem provocando alteração nas rotas. Conforme Faria (2010), Além do distúrbio do sistema de análise visual, há também alteração em parte de uma das rotas fonológica ou lexical ou em ambas. Em relação à dislexia adquirida é ocasionada devido a uma lesão cerebral e ocorre, geralmente, após a aquisição da leitura. Nesse aspecto, segundo Olivier (2008, p.54) a dislexia adquirida: “Vem por meio de um acidente qualquer. Como por exemplo temos ‘‘Anoxia Perinatal”, ‘‘anoxia por afogamento (obs.:Anoxia é a diminuição ou ausência de oxigenação no cérebro), Acidente Vascular cerebral (o popular derrame) e outros acidentes e distúrbios que podem causar uma Dislexia Adquirida.” Os tipos de leitura processa-se a partir de duas rotas: a rota lexical e a rota fonológica. A rota lexical faz uso do campo visual para a leitura das palavras. Nesse sentido, de acordo com Capovilla & Capovilla(2004, p.56 ) “Nesta rota a pronúncia é obtida a partir do reconhecimento visual do item escrito, e o leitor tem acesso ao significado daquilo que está sendo lido antes de emitir a pronúncia propriamente dita.” A rota fonológica é utilizada para a leitura de palavras de baixa incidência e pouco frequente, ou seja, a pronúncia das palavras é processada por meio da aplicação de regras de correspondência entre grafema e fonema.
  • 14. 14 Os tipos de leitura surgem com base nos quadros de dislexias adquiridas. Baseando-se na visão de Ellis (1985), propõe uma subdivisão para as dislexias periféricas, dentre elas estão: Dislexia por negligência: é a dificuldade de identificar as sílabas iniciais, mesmo que haja a consciência de sua existência em uma das posições. Conforme Capovilla &Capovilla (2004, p.56 ) ‘‘Os distúrbios também estão no sistema de análise visual e o leitor consistentemente ignora partes das palavras, geralmente deixando de ler a parte inicial.’’ Dislexia letra por letra: Na visão de Ellis (1995) apud Caldeira e Cumiotto (2004) o indivíduo identifica as letras uma de cada vez, mas demonstra dificuldade em reconhecer e ler a palavra por inteiro . Dislexia atencional: acarreta sérios problemas na codificação das posições das letras nas palavras sem alterar a identificação paralela das letras. Nesse sentido, a dislexia de atenção é, de acordo com Guimarães (2004) o comprometimento em focalizar a atenção numa letra ou vocábulo, as letras de uma palavra podem juntar- se a outra palavra. No que se refere às dislexias centrais, estas se subividem em quatro tipos: Dislexia não-semântica: o entendimento das palavras escritas é muito baixa. Nesse sentido, Grégoire, Piérart (1997, p. 27) apud Barreto(2010) “O indivíduo com esse problema apresenta incapacidade de compreensão do significado das palavras, embora apresente capacidade para converter as letras em sons, demonstrando, inclusive, a capacidade de fazer leitura de não-palavras.” Dislexia fonológica: Há certa dificuldade na leitura de palavras pela rota fonológica no qual faz uso desse processamento fonológico. Conforme Rodrigues (2008), o indivíduo demonstra grande dificuldade em ler palavras desconhecidas. Dislexia profunda: apresenta certo bloqueio para leitura de não-palavras, em especial em voz alta, além de demonstrar erros semânticos e visuais. De acordo com Ellis (1995) apud Caldeira e Cumiotto (2004) é a incapacidade quase que
  • 15. 15 completa para ler não-palavras oralmente, além de apresentar erros semânticos e visuais. Dislexia de superfície: demonstra dificuldade em ler palavras irregulares, ou seja, palavras que se lêem de maneira diferente da escrita. Na perspectiva de Olivier(2008, p.47) “Caracteriza-se basicamente pela falha de leitura de palavras irregulares, em um comprometimento da via lexical.” Há outros tipos de dislexia que afetam diretamente na aquisição da linguagem como a dislexia visual, dislexia auditiva e dislexia motriz. Dislexia visual:é uma disfunção na análise visual dos vocábulos. De acordo com Caldeira e Cumiotto (2004) a dislexia visual, apresenta-se na troca de letras com semelhança gráfica. Dislexia auditiva ou acústica:Manifesta-se na impossibilidade de perceber os diferentes tipos de sons acarretando sérios comprometimentos na identificação dos fonemas. Usando as palavras de Boorer e Miklebust(1971) apud Nico (2011)É um comprometimento na percepção auditiva gerando deficiência na memória auditiva, não audibilizando cognitivamente o fonema. Dislexia motrix: Na visão de Drumond (2010) demonstra dificuldade no movimento ocular e há limitação no campo visual provocando retrocessos e principalmente intervalos mudos ao ler. Ainda dentro da Neuropsicologia, existe a dislexia que está voltada para o adulto que podem ser a dislexia profunda e a superficial, como já visto anteriormente. E em relação à neuropsicologia infantil, há subgrupos de dislexia: os disfonéticos, os diseidéticos e os disléxicos mistos. Dislexia disfonética: a pessoa que é acometida desta dislexia apresenta sérios comprometimentos na percepção auditiva e na análise e síntese dos fonemas; entraves temporais e nas percepções da sucessão e da duração provocando troca de fonemas e sons, diferentes grafemas e demonstra dificuldades na compreensão e leitura de palavras que não têm significado, modificação na ordem das sílabas e letras, apresenta dificuldade na escrita das palavras. Conforme Iak (2004, p. 41) essa dislexia causa “Troca de fonemas e grafemas, alterações na ordem das letras
  • 16. 16 e sílabas, omissões ou acréscimos, apresentando maior dificuldade com a escrita do que na leitura.” Dislexia diseidética: apresenta dificuldade na percepção visual, na percepção gestáltica, na análise e síntese de fonemas. De acordo com Iak(2004, p.41): “Essa dislexia traz como conseqüência uma leitura silabada, dificuldade em estabelecer sínteses, aglutinação ou fragmentação de sílabas e/ou palavras, troca por equivalentes fonéticos, apresentando uma dificuldade maior para a leitura do que para a escrita.” De acordo com alguns estudiosos, a dislexia do desenvolvimento é a dificuldade que ocorre durante o processo de aquisição da leitura nos primeiros anos de escolaridade, ou seja, já nasce com o individuo. Na visão de Rodrigues(2008) a dislexia do desenvolvimento está ligado a uma perturbação ou retardo na aquisição de leitura que se relaciona com problemas na aprendizagem. A dislexia do desenvolvimento ocasiona um atraso em algum aspecto do desenvolvimento, alguma deficiência na maturação neural, que ocasiona as dificuldades da criança. Na perspectiva de Jorm (1985, p.12 apud Barreto 2010) ‘‘Correspondem às falhas em adquirir as habilidades de leitura e escrita durante o curso do desenvolvimento normal.”
  • 17. 17 CAPÍTULO II Neste segundo capítulo alguns dos principais sintomas de dislexia serão abordados desde a pré-escola até a fase da alfabetização, ou seja, nos primeiros anos de escolaridade, bem como o diagnóstico e avaliação do transtorno de aprendizagem em estudo, a dislexia. 2.1. PRINCIPAIS SINTOMAS De acordo com Olivier (2008) alguns sintomas de dislexia podem ser percebidos desde a tenra idade quando ocorre certo atraso no desenvolvimento da linguagem da criança e esta apresenta muita dificuldade em aprender as músicas, versos e histórias, demonstrando esquecimento após ouvi-los. Além disso, há sério comprometimento na coordenação motora também. Nos primeiros anos de escolaridade, a criança com dislexia apresenta ainda distúrbios na leitura e não consegue soletrar as palavras corretamente e não reconhece letras nem números. Observa-se, na visão de Leite (2005) que os sintomas da dislexia variam de criança para criança, algumas demonstram dificuldades em fazer laços nos sapatos, em reconhecer as horas, em pular corda e até mesmo pegar e chutar a bola. Outras, na sua grande maioria demoram em aprender a ler e a escrever números e letras, em ordenar meses do ano, letras do alfabeto e ainda apresentam sérios problemas de lateralidade principalmente em identificar esquerda e direita. Entende-se ainda que sua leitura é mais lenta do que o esperado para sua idade; demonstra lentidão nas quatro operações aritméticas e apresentam dificuldade ao escrever números e letras, em memorizar a tabuada, em seguir indicações de caminhos e em realizar sequências de atividades complexas. Alguns sinais podem indicar dislexia em criança na fase escolar na visão de Capovilla e Capovilla (2004, p. 60): • Dificuldade especial em aprender a ler e escrever; • Dificuldade em aprender o alfabeto, as tabuadas e seqüências como meses do ano; • Falta de atenção ou pobre concentração;
  • 18. 18 • Reversão de letras e números (15 -51;b-d); • Frustração, podendo levar a problemas comportamentais. Outros sintomas observados são: • Troca de letras, sílabas ou vocábulos que são similares graficamente: a-o ;e-c;f-t;m-n; v- u ; i-j ; • Inversão de letras com escrita parecida, porém com diferente orientação no espaço: b/p, d/p, d/q, b/q, b/d, n/u, a/e, w-m; • Troca de letras cujos sons são parecidos: d/t, j-x, c-g, m-b. v-f ; • Acréscimo ou omissões de sons: casa por casaco, prato por pato; • Ao realizar a leitura, pula linha ou retorna para a anterior; • Ao ler, movem os lábios murmurando; • Dificuldade na orientação espacial, não conseguindo se orientar com mapas, globos e o próprio ambiente. • Utiliza dedos para contar; • Demonstram dificuldade de lembrar de objetos, nomes, sons, palavras, ou mesmo letras; • Alguns conseguem copiar do quadro com facilidade, porém na escrita espontânea( ditado e/ ou redação) mostram extrema dificuldade; • Atinge mais meninos que meninas; CONDEMARÍN (1989) apud SAMPAIO (2010) Algumas características ainda podem ser vistas em um disléxico: baixo desenvolvimento da atenção; dificuldade em brincar com outras crianças; atraso na linguagem, na escrita e no desenvolvimento visual; dificuldade em aprender rimas e canções e em acompanhar a leitura de histórias e desinteresse por livros impressos. Na visão de Ianhez (2002), a criança pode apresentar sinais importantes de dislexia na fase escolar: ü Trocas referentes à ortografia, porém depende do tipo de dislexia; ü Dispersão e desatenção; ü Desenvolvimento escolar abaixo do esperado para sua faixa etária, em matérias específicas, que dependem da linguagem escrita; ü Bom desempenho, nas avaliações orais, do que nas escritas;
  • 19. 19 ü Dificuldade para escrever, desenhar e pintar; ü Esquece palavras facilmente; ü Dificuldade de expressar-se, vocabulário pobre, frases curtas, estrutura simples, sentenças vagas; ü Problema de conduta: retração, timidez e depressão; ü Necessita de um tempo maior para realizar as atividades de casa e de aula; ü Não gosta de frequentar à escola; ü Dificuldade na área da matemática, desenho geométrico e em decorar sequências; ü Apresenta picos de aprendizagem, num dia assimila e compreende os conteúdos e noutro, parece ter esquecido o que aprendeu anteriormente. Em seu trabalho, Vallet apresenta seis manifestações de comportamento característico da dislexia, resumidas por alguns pesquisadores: desorganização, inversões e “torções” de símbolos; disfunção da memória auditivo/visual seqüencial;problemas na padronização rítmica de sons, rimas, palavras e sentenças; dificuldade de atenção focalizada; desordens de organização corporal, coordenação e integração sensorial; distorções associadas na cópia, na escrita e no desenho. (VALLET, 1986,P.63-64 apud BARRETO) É importante ressaltar que antes mesmo da fase da alfabetização, a criança pode apresentar algumas características que podem acarretar problemas na aquisição da leitura e da escrita. Conforme Zorzi (2009), as crianças que, desde muito cedo, vêm apresentando dificuldade na aquisição da linguagem falada, vocabulário pobre, as dificuldades de compreensão entre outros sintomas, podem estar na categoria de risco. Entende-se que esse transtorno não é uma patologia, ela não tem cura e pode ser detectada logo na pré-escola, porém mesmo que a criança esteja estudando em uma escola convencional, possua funções cognitivas normais, a criança com dislexia falha no momento da aquisição da leitura e da escrita. Na visão de Capovilla & Capovilla (2004, p.59 e 60) alguns sinais podem indicar dislexia em crianças pré-escolares tais como: • Histórico familiar de problemas de leitura e escrita;
  • 20. 20 • Atraso para começar a falar de modo inteligível; • Frases confusas, com migrações de letras: “A gata preta prendeu o filhote” em vez de “a gata preta perdeu o filhote”; • Impulsividade no agir; • Uso excessivo de palavras substitutas ou imprecisas(como “coisa”,”negócio”); • Nomeação imprecisa(como “helóptero” para “helicóptero”); • Dificuldade para lembrar nomes de cores e objetos; • Tropeços, colisões com objetos ou quedas frequentes; • Dificuldade em aprender cantigas infantis com rimas; • Dificuldade com sequências verbais (como os dias da semana) ou visuais (como sequencias de blocos coloridos); • Prazer em ouvir outras pessoas lendo para ela, mas falta de interesse em conhecer letras e palavras. Na perspectiva de Alves, Mousinho e Capellini (2011), uma vez que o transtorno é detectado, inúmeros estudos comprovam que a intervenção precoce ajuda na prevenção de crianças que apresentam desempenho de leitura e escrita abaixo do esperado em relação a sua classe, durante a fase pré-escolar e nos primeiros anos e escolaridade. 2.2 DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO Após uma análise minuciosa dos sintomas de dislexia, é necessário realizar um diagnóstico. O diagnóstico deve ser feito no período de alfabetização por volta dos 6 ou 7 anos. Segundo Carvalhais (2007) apud Cechella e Deuschle (2009), o diagnóstico é de suma importância, sobretudo para definir estratégias de intervenção, buscando o sucesso escolar. No período de alfabetização, se o indivíduo apresentar alguns dos sintomas concernentes ao transtorno de leitura, é necessário encaminhá-lo a um psicopedagogo que é um profissional preparado para realizar uma avaliação mais detalhada junto ao aluno nesta fase escolar.
  • 21. 21 Após identificar o problema, a criança deve ser avaliada por uma equipe multidisciplinar, formada por neuropsicóloga, fonoaudióloga e psicopedagoga clínica e, se necessário, será encaminhado a outros especialistas como neurologista, oftalmologista e outros, conforme o caso. Os profissionais envolvidos devem verificar todas as possibilidades antes de qualquer confirmação de dislexia. Nessa perspectiva, de acordo com Olivier (2008, p.68): “O psicopedagogo avaliará o paciente encaminhado, para detectar distúrbios fonoauditivos, que exigirão encaminhamento a um fonoaudiólogo e a um otorrino. Havendo deficiência na visão, poderá ser indicado um oftalmologista. Também, certamente, o psicopedagogo o encaminhará a um neurologista, para que exames sejam realizados.” Somente um diagnóstico multidisciplinar avaliará com precisão o que está acontecendo com o indivíduo. De acordo com Fox (2009), a dislexia deve ser avaliada por uma equipe multidisciplinar da área da saúde e os professores são considerados parceiros fundamentais. A equipe multidisciplinar analisa o paciente como um todo, detectando ou excluindo todas as possibilidades de dislexia. É o que a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) chama de avaliação multidisciplinar e de exclusão. Ainda segundo a ABD, outros fatores deverão ser excluídos, como déficit intelectual, distúrbio ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas), problemas afetivos anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar sérios problemas emocionais, porém estes são consequências e não causas da dislexia). É importante ressaltar nesse processo, o relato da escola, dos pais e observar o histórico familiar e o desenvolvimento do paciente, pois essa avaliação não só investiga as causas das dificuldades como permite um encaminhamento correto a cada caso, através de um relatório por escrito. Ao diagnosticar a dislexia, o encaminhamento define um tratamento detalhado conforme cada caso, pois o profissional que assumir o caso, já saberá o problema e terá acesso a dados importantes sobre o paciente. Na visão de Olivier (2008 p. 68):
  • 22. 22 ”Depois de se obter o resultado de todos os exames necessários, é que será verificado se realmente há dislexia. Havendo, será então estabelecido o melhor tratamento, preferencialmente adaptado a cada paciente, para que se tenham melhores resultados.” Compreendendo as causas, as potencialidades e as individualidades do indivíduo, o profissional que estiver acompanhando diretamente o paciente, pode seguir a linha que achar mais conveniente. Os resultados irão aparecer de forma firme e gradativa. Um passo importante que a ABD sugere é “definir um programa em etapas e somente passar para a seguinte após confirmar que a anterior foi devidamente absorvida, sempre retomando as etapas anteriores.” É o que ela chama de sistema multissensorial e cumulativo. É de suma importância que o professor e os responsáveis estejam atentos, pois ao perceberem no aluno algumas características disléxicas, é necessário encaminhá-lo o quanto antes para uma avaliação psicopedagógica, pois o quanto antes for iniciado um tratamento, melhores serão os resultados. A avaliação do indivíduo com dislexia deve ser tanto qualitativa quanto quantitativa. A avaliação qualitativa engloba entrevistas com os pais ou responsáveis e com a criança, análise clínica, e verificação dos relatos e de registros escolares. Nessa avaliação é necessário observar alguns sinais que podem indicar dislexia, pois esses sinais ajudam a detectar o transtorno e a criança é imediatamente encaminhada a uma avaliação. Já a avaliação quantitativa analisa os fatores específicos da leitura e da escrita, observando a integridade das rotas de leitura e de outras habilidades cognitivas destacando o processo fonológico, o processo visual, o sequenciamento, a memória de trabalho e de longo prazo. (CAPOVILLA & CAPOVILLA, 2004).
  • 23. 23 CAPÍTULOIII 3.1- O PAPEL DO PROFESSOR E DO PSICOPEDAGOGO Entende-se que o papel do professor nesse processo de diagnóstico da dislexia é de suma importância, especialmente nos primeiros anos de escolaridade, pois depois da família, o primeiro contato que a criança tem com o mundo é com a escola e, consequentemente, com o professor. Quando o professor percebe ou detecta no aluno dificuldade de ler e entender o que lê, já é um sinal de risco que precisa ser investigado logo nos primeiros anos de escolaridade. Quando diagnosticado um quadro de dislexia, através de atividades pedagógicas rotineiras, o professor percebe que algo não caminha bem, cabe à escola orientar a família da criança de maneira que ela procure ajuda especializada visando o diagnóstico multiprofissional e o tratamento do problema.(GOMES et al.,2009) Para isso, é necessária uma investigação minuciosa e logo que o professor detecta algum problema, o aluno deve ser encaminhado rapidamente ao psicopedagogo. Como já visto nos capítulos anteriores, os disléxicos apresentam grandes dificuldades na aquisição da linguagem escrita ou falada, por isso o professor, ao relacionar-se com este aluno, precisa tratá-lo com muita dedicação, atenção e incentivo à criatividade, pois alguns disléxicos demonstram aptidões no campo das artes. Conforme Olivier (2008, p.71): “ O professor também tem papel fundamental na assessoria a este aluno disléxico, para estimulá-lo em aulas de criatividade, não exigir bom desempenho em aulas muito teóricas, não ridicularizá-lo nem permitir que seus colegas o ridicularizem por não acompanhar a classe.” Sendo assim, as crianças disléxicas precisam ser valorizadas com atividades que agucem cada vez mais essas habilidades e que promovam nelas a autoestima. Uma das tarefas do educador é resgatar a autoconfiança do aluno, descobrir outras habilidades que demonstrem facilidade e que possam acreditar em si mesmo.
  • 24. 24 O educador deve ter um olhar especial para cada aluno, compreendendo suas dificuldades de maneira que possa encaminhá-los adequadamente para os profissionais especializados nessa áreas e possam receber o tratamento adequado. Na opinião de Fonseca (1995), o professor dos primeiros anos de escolaridade deve buscar seus próprios instrumentos de diagnóstico a fim de conduzir suas atividades de forma coerente. Da maneira que esses instrumentos permitam detectar bem cedo quaisquer transtornos de aprendizagem, pois só através da intervenção psicopedagógica pode ser considerada socialmente útil e quanto mais cedo o diagnóstico, mais rápida era a solução do problema. Abaixo, observam-se alguns procedimentos que podem ser adotados por professores e até mesmo pelos pais de crianças disléxicas: • A criança disléxica deve sentar-se junto à professora, a fim de que a professora possa observá-la e ajudá-la nas suas tarefas; • Cada conteúdo deve ser revisto sempre que necessário. Mesmo que a criança esteja atenta na hora da explicação, porém isso não garante que ela lembre do conteúdo na próxima aula. • Educadores devem evitar insinuar ou chamar o aluno de lento, preguiçoso ou pouco inteligente, bem como fazer comparações com outros colegas; • Evitar que a criança leia em voz alta na frente dos colegas; • Seus conhecimentos devem ser avaliados pelas respostas orais e não pelas respostas escritas; • Não esperar da criança que ela tenha habilidade para utilizar o dicionário. O uso do dicionário deve ser cuidadosamente ensinado; • Evitar dar várias regras ortográficas ao mesmo tempo. Como por exemplo: os vários sons do “c” ou do “g’ ou dar uma lista de palavras com uma mesma regra para o aluno aprender; • Sempre que possível, solicitar a criança para repetir o que a professora pediu para ela fazer, pois isso ajuda na memorização; • A apresentação de atividade de escrita deve ser cuidadosamente analisada, com cabeçalhos grandes, letras claras, maior uso de diagramas pouco uso de palavras escritas; • O ambiente em que o aluno está inserido deve ser calmo e quieto sem muitas distrações;
  • 25. 25 • A escrita de forma é mais difícil do que a cursiva. A escrita cursiva facilita a velocidade e a memorização da forma ortográfica da palavra; • É preciso despertar na criança a autoconfiança, e despertar nela o prazer por outras áreas tais como música, esporte,artes e tecnologia etc. (CAPOVILLA &CAPOVILLA ,2004) A criança disléxica apresenta dificuldades na construção fonológica, neste caso, o professor pode auxiliar o aluno a perceber os sons das palavras. Segundo Sampaio (2010) o professor pode auxiliar a criança trabalhando com rimas, de forma que identifique os sufixos e prefixos de um determinado grupo de palavras ou que começam com determinada letra. Confeccionar cartões, contendo figuras de palavra que rimam, de forma que as crianças possam fazer esta diferenciação, buscar em revistas palavras que rimam, trabalhar canções e poesias que rimam, são formas por meio das quais o educador pode auxiliar uma criança a desenvolver sua consciência fonológica, amenizando os problemas de leitura . A criança ao desenvolver sua consciência fonológica facilitará à aquisição da leitura e da escrita. Compreende-se que o professor é um instrumento para ajudar seu aluno disléxico a sanar suas dificuldades em sala de aula. Para isso, De Luca(2011) apud Teles (2011), aponta algumas estratégias tais como:dar um tempo maior para a execução das avaliações e aplicá-las em sala separadas dos demais alunos; ler oralmente as questões para auxiliar na compreensão; realizar provas orais e, quando for prova escrita, explicar com detalhes em caso de confusão ou dúvida em alguma questão; a utilização de tabuadas impressas, fórmulas ou calculadora conforme a série; a integração do aluno disléxico junto a classe. Desta maneira, o professor conseguirá avaliar o quanto seu aluno aprendeu e assim o aluno disléxico tem grande chance de avançar no seu aprendizado. O professor não deve discriminar o aluno disléxico em sala de aula, ao contrário, deve incentivá-lo a fazer todas as atividades e elogiá-lo pelo esforço e pelos avanços; tirar as dúvidas sempre que necessário; lembrá-lo de anotar os dias e horários das provas, tarefas e pesquisas; solicitá-lo que faça anotações de determinadas explicações; dá ênfase às provas orais. Na visão de Caldeira e Cumiotto (2004), algumas atitudes elevam a auto estima dos educandos disléxicos:
  • 26. 26 • Evitar discriminá-los diante dos colegas, não forçá-los a ler em voz alta, nem relatando seus erros ou notas baixas diante de todos; • Repetir falas e mensagens sempre que necessário; • Ser paciente, quando estiverem copiando do quadro, dando-lhes mais tempo para concluir as tarefas e incentivando-os; • Na leitura de palavras longas, ensiná-los a separá-los com a ponta do lápis; • Utilizar uma linguagem clara e, em línguas estrangeiras, preparar trabalhos e pesquisa, pois eles apresentam muita dificuldade. O professor precisa ter um olhar diferenciado e flexível para cada aluno que apresenta alguma dificuldade, e compreender a natureza desses transtornos, buscar o diagnóstico e uma avaliação adequada, para melhorar o aprendizado do aluno, e se instrumentalizar , de forma que auxilie seu aluno da melhor maneira, pois há muitos professores que lecionam e não sabem o que é dislexia. Dessa forma, é importante ressaltar nesse processo a capacitação do professor, pois ele precisa conhecer tal distúrbio e suas principais características para que possa saber diagnosticar e fazer os encaminhamentos necessários. Quando lhe faltaM essas informações, o trabalho em sala se torna mais difícil. Sampaio(2010,P.117) dá algumas dicas para pais, professores e psicopedagogos: “os softwares da coleção”coelho sabido” são excelentes para desenvolver reconhecimento de sons, de letras, fonética, rimas, vocabulário, ortografia, além de outras áreas na matemática, raciocínio lógico, ciências, artes etc., bem como a concentração”. (Sampaio,2010 p.117) É preciso levar em consideração a intervenção psicopedagógica no tratamento do disléxico. A função do psicopedagogo é de extrema importância pois uma de suas contribuições é de auxiliar a família no tratamento de um aluno disléxico. Ao diagnosticar o quadro de dislexia, a família deve ser informada do problema e ser orientada a lidar com tal problema, pois os pais são os principais responsáveis pela ligação entre os especialistas envolvidos e a escola. O psicopedagogo deve intervir através de tratamento que é realizado por meio de intervenções explícitas e intensas na leitura, e o tratamento varia de acordo com
  • 27. 27 cada tipo de dislexia. Essas intervenções tem como objetivo promover o desenvolvimento do aluno disléxico. Neste sentido a ABD, apresenta algumas intervenções psicopedagógicas que são importantes no tratamento de um aluno disléxico como por exemplo : integrá-lo em sala de aula como alguém capaz de realizar as atividades com responsabilidade e competência; reabilitação da leitura, dando condições ao aluno de adquirir a educação formal. Ao atuar com a criança disléxica, o psicopedagogo procura embasamento nos diversos teóricos, para melhor atender e sanar as dificuldades, buscando novas técnicas e habilidades que façam sentido para o aluno. É preciso que o psicopedagogo associe o estímulo e desenvolvimento de suas inclinações naturais, com o despertar das deficiências instrumentais, através de métodos multissensoriais, como foi dito anteriormente, que parte da linguagem oral à estrutura do pensamento da leitura espontânea, a análise temática, da construção crítica e gerativa das idéias á expressão escrita. A psicopedagogia encontra real significado quando atinge a família do disléxico onde pais ou responsáveis podem cooperar com o tratamento. Conforme a Associação Brasileira de Dislexia, a intervenção psicopedagógica com o portador de distúrbio de leitura, tem por objetivo dar suporte às atividades de sala de aula; demonstrar apoio pedagógico aqueles que precisam desenvolver competências acadêmicas; incentivar a autonomia de cada um para vida social; levar o educando a construir seu próprio aprendizado, sendo ele mesmo o sujeito do seu conhecimento. A ABD chama de intervenção psicopedagógica porque valoriza o “aprender a aprender”, uma educação para a vida, levando em consideração a realidade do aluno bem como sua própria história de maneira que o tratamento atenda cada um individualmente. Do ponto de vista de Vicente (2008) para uma intervenção psicopedagógica eficaz é necessário que o profissional descreva a situação real do aluno bem como seu problema e dificuldade aos pais e à escola e o que ocorre no cérebro das crianças com transtornos de aprendizagem afim de representar fielmente o caso do disléxico em seu plano de trabalho. O psicopedagogo deve avaliar para intervir e a partir daí buscar solução que amenize as dificuldades do aluno. A intervenção psicopedagógica deve acontecer
  • 28. 28 quando o profissional sente-se seguro teoricamente para atuar diretamente diante dos educandos disléxicos. Lembrando que essa segurança vem a partir das trocas de experiências e do atendimento direto com o disléxico, ou seja, a intervenção psicopedagógica é uma capacidade, advinda da experiência, de realizar algo com eficiência e competência. A psicopedagogia entende a dislexia como um processo integrativo onde valoriza os aspectos biológico e psicodinâmicos do indivíduo bem como a ligação entre família e escola, buscando uma aprendizagem que lhe faça sentido de acordo com suas potencialidades. 3.2- INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS Para que o aluno disléxico tenha sucesso na sua vida escolar é preciso basear-se em uma terapia multissensorial ligando a visão, a audição e o tato, utilizando atividades práticas tais como: • Relógio digital • Calculadora • Gravador • Produção do próprio material de alfabetização • Utilizar figuras e fotos, pois a figura é fundamental para sua aprendizagem. (CALDEIRA E CUMIOTTO,2004) É de fundamental importância no tratamento da dislexia o tipo de método que é utilizado na fase de alfabetização. Segundo Capovilla (2002), existem dois métodos de alfabetização indicados para alunos disléxicos: o método multissensorial e o método fônico. O método multissensorial é indicado para crianças mais velhas e o método fônico é indicado para crianças mais jovens e deve ser aplicado logo no ínicio da alfabetização. O método multissensorial procura combinar várias características sensoriais no aprendizado da linguagem escrita às crianças. Ao juntar as modalidades auditiva, visual, cinestésica e tátil, esta metodologia facilita a leitura e escrita ao estabelecer a conexão entre aspectos visuais que está relacionado à forma ortográfica da palavra, auditivos estão ligados à forma fonológica e cinestésicos aos movimentos
  • 29. 29 adequados para escrever tal palavra. Este método, apesar de ser mais longo, é um dos métodos mais eficazes para crianças mais velhas, que demonstram dificuldades de leitura e escrita há muitos anos e que possuem histórico de fracasso na sua vida escolar. O método fônico tem dois objetivos principais: aprimorar as habilidades metafonológicas e ensinar as relações grafo-fonêmicas. Este método ajuda na comprovação de que crianças disléxicas têm dificuldades em distinguir , segmentar e controlar de maneira consciente, os sons da fala. Esta dificuldade pode ser amenizada com o inicio de atividades explícitas e sistemáticas de consciência fonológica, durante ou mesmo antes da alfabetização. Segundo Sampaio, algumas intervenções são importantes no tratamento de uma criança disléxica: • O tratamento deve ser realizado por um especialista, ou alguém que tenha noções de ajuda ao dislexo. Deve, ainda, ser individual e frequente; • durante o tratamento, deve-se usar material estimulante e interessante; • ao usar jogos e brinquedos, empregar também os que contenham letras e palavras; • as atividades indicadas no livro de Capovilla(2000)- Problemas de escrita:como identificar, prevenir e remediar em uma abordagem fônica- são excelentes para serem desenvolvidos tanto em sala de aula, pelo professor, quanto em consultórios; • trabalhar com rimas, visando desenvolver sua consciência fonológica. Brincar com as palavras; • reforçar a aprendizagem visual com o uso de letras em alto relevo, em diferentes texturas e cores. É interessante que a criança percorra o contorno das letras com os dedos, para que aprenda diferenciar a forma da letra. Pode-se usar uma caixa de areia para que ele desenhe a letra com o dedo, usar tintas e pincéis para que desenhe as letras que foram dita pelo especialista; • deve-se iniciar por leituras muito simples, com livros atrativos,aumentando gradativamente, conforme o ritmo da criança. Neste caso, o psicopedagogo irá observar se há um
  • 30. 30 vínculo inadequado com esta aprendizagem, pois sendo assim, não se aconselha trabalhar com leitura, imediatamente, até que este vínculo não esteja bem estabelecido, correndo o risco de aumentar sua rejeição pela leitura; • não exigir que faça avaliação em outra língua. Deve-se dar mais importância à superação de sua dificuldade, do que à aprendizagem de outra língua; • o tratamento psicológico não é recomendado, a não ser nos casos de grave complicação emocional; • não estimular a competição com colegas nem exigir que a criança responda no mesmo tempo que os demais; • orientar o aluno, para que escreva em linhas alternadas, a fim de que tanto ele quanto o professor possam entender o que foi escrito, permitindo uma eventual correção; • quando a criança não estiver disposta a fazer a lição, não a force. Procure alternativas, mais atrativas, para que ela se sinta estimulada; • nunca critique negativamente seus erros. Procure mostrar onde errou, porque errou e como evitar tais erros. Mas atenção: não exagere nas correções, pois isso pode desmotivá-lo (mostre os erros mais relevantes); • os pais devem reler o diário de classe, sem criticar a criança por não conseguir fazê-lo, uma vez que ela pode esquecer o que foi pedido e/ou não conseguir ler as instruções; • evitar situações em que a criança tenha de ler em voz alta, na frente dos colegas; • se possível, avaliar oralmente seus conhecimentos sobre ciências naturais, geografia e história. (SAMPAIO,2010,p.115,116 e 117) As intervenções variam de criança para criança de acordo com o tipo de distúrbios apresentados, mas dependendo da idade são utilizados materiais lúdicos como computador,jogos e brincadeiras .
  • 31. 31 Crianças com dislexia que recebem o tratamento logo que, detectado o problema, apresentam menos dificuldade no aprendizado da leitura. Utilizando-se métodos adequados, a dislexia pode ser controlada.
  • 32. 32 CONCLUSÃO Este trabalho de pesquisa aborda um dos problemas de aprendizagem, a dislexia, que é um desafio para o profissional da educação no que se refere à aplicação das intervenções pedagógicas necessárias a fim de que o educando não alcance o fracasso escolar. Para isso, requer, acima de tudo, muito conhecimento teórico-metodológico para distinguir com clareza o que está interferindo negativamente em seu rendimento escolar. Deste modo, este trabalho monográfico visa refletir sobre esse distúrbio de leitura mais comum em crianças de idade escolar e que perdura na fase adulta. É importante ressaltar a contribuição significativa deste estudo acerca da dislexia uma vez que trouxe mais esclarecimentos quanto ao diagnóstico dos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem, não por conta de desinteresse próprio, mas devido aos fatores neurológicos, biológicos e genéticos que acarretam sérias dificuldades na aquisição da leitura e da escrita. Deve-se levar em consideração, nessa busca constante para auxiliar um disléxico na sua vida escolar, a atuação de profissionais de diversas áreas tais como psicopedagogo, fonoaudiólogo e neurologista. Enfatizar a importância do professor como instrumento valioso no diagnóstico é imprescindível, pois através do seu olhar diferenciado torna-se possível, desde muito cedo, detectar algum entrave no aluno durante a fase de alfabetização. O professor junto com o psicopedagogo, fonoaudiólogo fará os encaminhamentos necessários para auxiliar no tratamento do disléxico buscando construir as melhores estratégias que facilitem o desenvolvimento do aluno a fim de superar os obstáculos para avançar cada vez mais na leitura e na escrita. A participação familiar durante esse processo contribui nos resultados, tornando-os ainda mais produtivos. Segundo Freitas (2009) o olhar e escuta do psicopedagogo compreendem a dislexia :sob os viés integrativo, onde se valorizam os aspectos orgânicos e psicodinâmicos do indivíduo, bem como a integração da família e da escola nesse processo. Deste modo, esse trabalho nos remete a uma reflexão constante e um anseio pela busca de novos conhecimentos bem como um olhar diferenciado dos nossos alunos de forma individual e não coletiva, lembrando que cada um apresenta suas peculiaridades e, logo, aprende de maneira única.
  • 33. 33 Essa pesquisa, portanto, tem o objetivo de ajudar o aluno a vencer os obstáculos que se levantam diante dele por meio de mais subsídios teórico- metodológicos para o profissional da educação, este que assume papel integrante desse processo de diagnóstico da dislexia na fase escolar.
  • 34. 34 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ALVES, Luciana Mendonça,CAPELLINI Simone, MOUSINHO Renata. Dislexia:Novos temas, novas perspectivas/ Luciana Mendonça Alves, Renata Mousinho , Simone Capellini(organizadoras)- Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011. CALDEIRA, Elisabeth; CUMIOTTO,Dulce.Dislexia e Disgrafia:Dificuldades na linguagem-Revista Psicopedagogia, 2004. CAPOVILLA, Alessandra Gotuzo Seabra.Compreendendo a dislexia: definição, avaliação e intervenção. Cadernos de Psicopedagogia, 2002. CAPOVILLA, Alessandra Gotuzo Seabra e CAPOVILLA, Fernando Cesar. (2004b). Neuropsicologia e aprendizagem:uma abordagem multidisciplinar. 2ª ed. São Paulo,SP:Memnon,Capers e sociedade Brasileira de Neuropsicologis FONSECA, Vitor da. Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2ª ed ,Porto Alegre: Artes Médicas,1995. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002. IAK,Fátima Ali Zahra. Um estudo sobre os sentidos atribuídos ao aprender por pessoas com dislexia. Dissertação(Mestrado) Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade São Marcos.São Paulo, 2004. IANHEZ, Maria Eugênia e NICO, Maria Ângela. Nem sempre sempre é o que parece: como enfrentar a dislexia e os fracassos escolares. São Paulo: Elsevier, 2002. OLIVIER, Lou. Distúrbios de aprendizagem e de comportamento. Rio de Janeiro:Wak Ed.,2008.
  • 35. 35 RELVAS, Marta Pires. Neurociência e transtornos de aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma educação inclusiva/ Marta Pires Relvas-4. ed. - Rio de Janeiro:Wak ed.,2010. SAMPAIO, Simaia. Dificuldades de aprendizagem:a psicopedagogia na relação sujeito,família e escola/ Simaia Sampaio.2.ed.Rio de Janeiro:WakEd.,2010. SITES ABD- Associação Brasileira de Dislexia Acesso em : 21/03/2011 e 24/06/2001.Disponível em: www.dislexia.org.br BARRETO, Evanice Ramos Lima.Dislexia:Hipóteses teóricas e métodos de reeducação. Acesso em14/06/2011. Disponível em: www.partes.com.br/educação/dislexiaereeducação.asp Dislexia :Uma visão psicopedagógica. Acesso em 13/07/2011. Disponível em :http://www.dislexia.org.br Dislexia: O papel do professor-acesso em 03/07/2011 Disponível em http ://oquetenho.uol.com.br DRUMOND. Simone Helen. Dislexia Acesso em:30/05/2011.Disponível em:http://simonehelendrumond.blogspot.com/2010/ostiposdedislexia.html DEUSCHLE,Vanessa Panda e CECHELLA, Cláudio.O déficit em consciência fonológica e sua relação com a dislexia: Diagnóstico e intervenção.Acesso em 10/04/2011.Disponível http://www.visionvox.com.br/biblioteca/c/consci~encia_fonológica_e_dislexia.txt. FARIA ,Laura Niquini de. Dislexia Acesso em 24/05/2011 www.dislexiadeleitura.com.br/artigos
  • 36. 36 FOX,Flávia. A Dislexia e as dificuldades para ler e escrever. Acesso em 14/05/2011,Disponível em: www.educarecuidar.com/2009/10/dislexia_dislexia_no_centro_das_discussões_sobr e.html FREITAS,Tânia Maria de Campos. Dislexia:Uma visão psicopedagógica. Acesso em 13/07/2011. Disponível em :http;//www.dislexia.org.br GOMES, Daiana dos Santos, Morais,Edenisa Maria de , SANTANA,Graziela Carneiro Santana,VAZ,Suzimar Aparecida S.,SANTOS,Valdinair Mendes, MONTAGNINI, Magda Ivonete. Contribuições para um melhor desenvolvimento do disléxico. Acesso em:13/07/2011. Disponível em http;// www.psicopedagogiaclinica.com.br GONÇALVES. Áurea Maria Stavale. A criança disléxica e a clínica psicopedagógica. Acesso em: 23 de março de 2011. Disponível em: <http:www.dislexia.org.br> GUIMARÃES,Sandra Regina Kirchner.Tipos de dislexia. Acesso em:23/05/2011. Disponível em: http://ojs.c3sl.ufprbr./052/index.php/educar/article/newarticle LEITE, Eliane Pisane. Dislexia .Acesso em: 10/04/2011. Disponível em http://www.psicopedagogia. com.br MARTINS, Vicente.Intervenção psicopedagógica.Acesso 20/07/2011.Disponível em :http://www.portalsãofrancisco.com.br NICO,MARIA ÃNGELA NOGUEIRA ,Dislexia acesso30/05/2011.Disponível em: http://www.dislexia.org.br/material/artigos RODRIGUES, Carolina. Dislexia Adquirida /Desenvolvimento/ Central/ Periférica;Dislexia Profunda. Acesso em 19/05/2011. Disponível em htpp://psicologaclinica.blogs.sapo.pt
  • 37. 37 RODRIGUES,Maria Zita, SILVEIRA,Leila. Dislexia:Distúrbio de Aprendizagem da leitura e escrita no ensino fundamental acesso14/05/2011. Disponível em:http://artigos.netsaber.com.br/artigo_ sobre_dislexia:distúrbio _de_aprendizagem_da_leitura_no_ensino_fundamental ZORZI,Jaime Luiz. Dislexia:Diagnóstico e Intervenção sob o olhar da psicopedagogia,Fonoaudiologia e Neurologia. Acesso em 24/06/2011. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br
  • 38. 38 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I 10 Dislexia 1.1 – Definição de dislexia 10 1.2 – Tipos de dislexia 13 CAPÍTULO II Dislexia nos primeiros anos e escolaridade 2.1.Principais sintomas 17 2.2.Avaliação diagnóstica 20 CAPÍTULO III Atuação em conjunto do docente e psicopedagogo no tratamento do disléxico 3.1.Papel do professor e do psicopedagogo 23 3.2.Intervenções pedagógicas 30 CONCLUSÃO 31 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 37 ÍNDICE 38
  • 39. 39