A avaliação é medir ou interagir?
Falar de avaliação em Educação é abarcar um campo muito vasto, onde pode incluir a
avaliação das aprendizagens dos alunos, do desempenho dos professores ou ainda da
qualidade do sistema educativo.
A aprendizagem é um processo de construção não linear, a medida, mesmo que
rigorosa, deixa de ter sentido em si própria pois a aprendizagem é um estado transitório e não
finalizado.
A avaliação das aprendizagens ocorre no quadro de uma relação social entre
professores e alunos, que pode ser de natureza muito diversa.
A avaliação reguladora é uma terceira modalidade de avaliação?
AVALIAÇÃO FORMATIVA ANTES NA ATUALIDADE
Função
Contribuir para a
aprendizagem (consecução
dos objetivos)
Contribuir para a aprendizagem
(mudança estável feita pelo próprio)
Papel do professor Perito e decisor Interveniente e proponente
Papel do aluno Executor Interveniente e proponente
Natureza Sobretudo retroativa (após) Sobretudo interativa (durante)
Práticas Teste formativo
Questionamento, escrita avaliativa,
negociação de critérios de avaliação,
autoavaliação e coavaliação.
Ações decorrentes Ajudas normalizadas. Ajudas diferenciadas
Quadro 1 - Evolução do conceito de avaliação formativa
Figura 1 - O processo de comunicação avaliativo, segundo Pinto e Santos (2006)
Numa perspetiva construtivista da aprendizagem, o aluno passa a desempenhar um
papel central.
A avaliação formativa é vista como um processo de acompanhamento e regulação do
ensino e da aprendizagem. Ajuda a compreender o funcionamento cognitivo do aluno face a
uma dada situação proposta para se poder intervir de forma adequada.
É necessário que a avaliação:
- Se dirija ao aluno:
- Seja parte integrante do processo de ensino e aprendizagem;
- Permita que os objetivos de aprendizagem sejam conhecidos e apropriados pelo
professor e pelos alunos;
- Tenha por enfoque tanto os resultados como os processos;
- Seja propiciadora da compreensão e reflexão dos processos de aprendizagem dos
alunos, quer por parte do professor, quer por eles próprios;
- Incentive a autoconfiança dos alunos na sua aprendizagem;
- Desenvolva uma postura reflexiva a partir dos dados recolhidos pelos diferentes atores
envolvidos no processo, de modo que todos compreendam o que estão a fazer e porquê.
Será utópico falar-se de uma avaliação reguladora no quotidiano da sala
de aula?
Quando se desenvolve uma avaliação efetivamente reguladora surgem condições para
o professor melhorar o seu ensino e potenciar a aprendizagem dos alunos.
As práticas reguladoras são muito exigentes, nomeadamente para o professor.
A diferenciação pedagógica não significa ensino individualizado. Quando se fala de
diferenciação pedagógica refere-se a uma diferenciação interna, desenvolvida em sala de
aula, decorrente da identificação e análise de tipologias de dificuldades de aprendizagem.
O professor deverá preocupar-se em desenvolver nos alunos a capacidade de se
autoavaliarem.

Avaliar para aprender

  • 1.
    A avaliação émedir ou interagir? Falar de avaliação em Educação é abarcar um campo muito vasto, onde pode incluir a avaliação das aprendizagens dos alunos, do desempenho dos professores ou ainda da qualidade do sistema educativo. A aprendizagem é um processo de construção não linear, a medida, mesmo que rigorosa, deixa de ter sentido em si própria pois a aprendizagem é um estado transitório e não finalizado. A avaliação das aprendizagens ocorre no quadro de uma relação social entre professores e alunos, que pode ser de natureza muito diversa. A avaliação reguladora é uma terceira modalidade de avaliação? AVALIAÇÃO FORMATIVA ANTES NA ATUALIDADE Função Contribuir para a aprendizagem (consecução dos objetivos) Contribuir para a aprendizagem (mudança estável feita pelo próprio) Papel do professor Perito e decisor Interveniente e proponente Papel do aluno Executor Interveniente e proponente Natureza Sobretudo retroativa (após) Sobretudo interativa (durante) Práticas Teste formativo Questionamento, escrita avaliativa, negociação de critérios de avaliação, autoavaliação e coavaliação. Ações decorrentes Ajudas normalizadas. Ajudas diferenciadas Quadro 1 - Evolução do conceito de avaliação formativa Figura 1 - O processo de comunicação avaliativo, segundo Pinto e Santos (2006)
  • 2.
    Numa perspetiva construtivistada aprendizagem, o aluno passa a desempenhar um papel central. A avaliação formativa é vista como um processo de acompanhamento e regulação do ensino e da aprendizagem. Ajuda a compreender o funcionamento cognitivo do aluno face a uma dada situação proposta para se poder intervir de forma adequada. É necessário que a avaliação: - Se dirija ao aluno: - Seja parte integrante do processo de ensino e aprendizagem; - Permita que os objetivos de aprendizagem sejam conhecidos e apropriados pelo professor e pelos alunos; - Tenha por enfoque tanto os resultados como os processos; - Seja propiciadora da compreensão e reflexão dos processos de aprendizagem dos alunos, quer por parte do professor, quer por eles próprios; - Incentive a autoconfiança dos alunos na sua aprendizagem; - Desenvolva uma postura reflexiva a partir dos dados recolhidos pelos diferentes atores envolvidos no processo, de modo que todos compreendam o que estão a fazer e porquê. Será utópico falar-se de uma avaliação reguladora no quotidiano da sala de aula? Quando se desenvolve uma avaliação efetivamente reguladora surgem condições para o professor melhorar o seu ensino e potenciar a aprendizagem dos alunos. As práticas reguladoras são muito exigentes, nomeadamente para o professor. A diferenciação pedagógica não significa ensino individualizado. Quando se fala de diferenciação pedagógica refere-se a uma diferenciação interna, desenvolvida em sala de aula, decorrente da identificação e análise de tipologias de dificuldades de aprendizagem. O professor deverá preocupar-se em desenvolver nos alunos a capacidade de se autoavaliarem.