Realismo no Brasil
O Realismo é uma reação contra o Romantismo:
o Romantismo era a apoteose do sentimento; – o
Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do
homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios
olhos – para condenar o que houver de mau na
nossa sociedade.
Eça de Queirós
Peneiradoras de trigo, de Gustave Coubert, 1819-1877.
REALISMO
Segunda Revolução Industrial, o cientificismo,
o progresso tecnológico, o socialismo utópico, a
filosofia positivista de Auguste Comte o
evolucionismo formam o contexto sociopolítico-
econômico-filosófico-científico em que se
desenvolveu a estética realista.
REALISMO
Peneiradoras de trigo, de
Gustave Coubert, 1819-1877.
As ideias avançadas do cientificismo e
do materialismo europeu contaminam
a elite brasileira. Opõem-se ao
idealismo e ao espiritualismo
romântico, pois nada que não pudesse
ser visto, medido e examinado deveria
merecer atenção.
REALISMO
Contexto histórico
2ª Revolução industrial
Segundo reinado (D. Pedro II)
Capital: Rio de Janeiro
Abolição da escravatura (1888)
Proclamação da República (1889)
O Positivismo (o primado da ciência);
Evolucionismo (leis biológicas);
Determinismo (instinto, raça,
hereditariedade);
Surge a civilização industrial, massas
trabalhadoras e os sindicatos. Movimento que
luta por uma retratação do mundo mais objetiva,
menos fantasiosa, com uma visão e interpretação
racional.
A investigação da sociedade e dos caracteres individuais é
feita “de dentro para fora”, isto é, por meio de uma
análise psicológica capaz de abranger toda sua
complexidade, utilizando entre outros recursos a ironia,
que sugere e aponta, em vez de afirmar.
Ataca os fundamentos ideológicos da sociedade
burguesa e suas instituições: o casamento, o clero, a
escravidão do homem ao trabalho como meio de
“vencer na vida”, os ricos e pobres – os marginais –
as prostitutas – os operários.
VALORES
Engajamento social e político
Novas ideologias
Retrato fiel da sociedade
Teorias científicas
Críticas às instituições
A Literatura transforma a realidade
Autores e suas influências
Gustave Flaubert
Honoré Balzac
Charles Dickens
Eça de queirós
Stendhal Zola
Dostoiévski
Autores e suas influências
As personalidades, as atitudes, os sonhos e as
frustrações dos homens e mulheres criados
pelo francês Honoré de Balzac (1799-1850),
pelo inglês Charles Dickens (1812-1870) e
pelo russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881)
são vistos como frutos dos conflitos de seu
tempo. (p. 09)
Em comparação comas peripécias românticas, o romance
realista parecerá menos colorido e mais concentrado em
entender os acontecimentos. Por isso, o recurso descritivo
torna-se mais recorrente.
Em alguns momentos, o enredo principal parece parar para
que os personagens conversem, expondo seus pensamentos
e reações diante dos fatos.
A todos é dada a oportunidade de relevar suas motivações: o
Realismo abandona a divisão moral entre mocinhos e
bandidos, substituindo-a pela tensão entre empregados e
patrões, maridos e esposas, donos de terras e desterrados,
prisioneiros e carcereiros, entre outros. ( p.09)
Ao contrário das ficções românticas, as realistas
abdicam de qualquer ideal heroico ou enredo
mítico. Não esquivam o olhar dos
marginalizados, dos escravizados, da vida
sofrida dos trabalhadores braçais e de outros
personagens anteriormente ignorados ou
embelezados pela lente romântica. (p. 09)
Enredo mítico: São narrativas que não possuem
uma lógica rigorosa e utilizam-se de símbolos de
fácil reconhecimento e compreensão.
Os autores preferem reconstituir, com precisão, o
caráter de certos sujeitos, para assim compreendê-
los melhor. Na visão deles, essa é a estratégia crítica
mais eficaz.. (p. 09)
Impassibilidade – contenção emocional –
(busca-se uma explicação lógica e científica
para o comportamento);
Personagens esféricas – (opõe-se às
personagens românticas, pois são profundidade
psicológica);– (realidade Material);
Características
Características
Descritivismo
Razão, observação e análise
Universalismo
Retrato fiel das personagens
Objetividade: a realidade como ela é.
Verossimilhança: sem fantasias; o mais
semelhante à verdade possível.
Descritivismo: retrato em detalhes.
Observação (externa) e análise (comentário,
crítica).
Predomínio das Sensações – (realista,
sensorial e sexual);
Temas contemporâneos – (crítica social,
burguesia, contra o clero.
Preocupação formal – correção gramatical;
predomínio de denotação..
);
Romantismo
Sentimentalismo doentio
Linguagem culta,em estilo poético
Supremacia da imaginação
Espiritualismo, religiosidade
Subjetivismo / Individualismo
Heróis íntegros,
de caráter irrepreensível
O mundo é como eu vejo
Realismo
Observação impessoal
Linguagem culta, mas direta
Supremacia verdade física
Materialismo, espirito
científico
Objetivismo
Gente comum
O mundo como ele é
 A ficção realista, por sua vez, aprofunda esse foco dada
às estruturas sociais e econômicas.
 A reconstituição do cotidiano, das relações familiares,
políticas e de trabalho tornam-se tão ou mais importantes
do que a narração das atitudes dos personagens do
romance.
 Além disso, descarta-se qualquer idealização daquilo que
é retratado, inclusive dos sentimentos e da moral dos
indivíduos.
 O Realismo visa analisar a dinâmica entre as pessoas e a
sociedade, buscando entender a “vida como ela é”.
O Realismo abandona a divisão moral entre
mocinhos e bandidos, substituindo-a pela tensão
entre empregados e patrões, maridos e esposas,
donos de terras e desterrados, prisioneiros e
carcereiros, entre outros.
Os autores preferem reconstituir, com precisão, o
caráter de certos sujeitos, para assim compreendê-
los melhor. Na visão deles, essa é a estratégia crítica
mais eficaz. (p.09)
Os principais autores do Realismo brasileiro
Machado de Assis
Raul Pompeia,
Xavier Marques,
João Lúcio Brandão,
Júlia Lopes de Almeida,
Aluísio de Azevedo
Artur de Azevedo.
Juntos, esses nomes foram responsáveis por
expandir o movimento por todo o país.
Joaquim Maria Machado de Assis
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu e viveu
na cidade do Rio de Janeiro, entre 1839 e 1908.
Autor de romances, contos, poemas, crônicas,
traduções e peças para teatro
Sua obra é considerada uma das mais importantes
da literatura brasileira.
No entanto, com a publicação de Memórias
póstumas de Brás Cubas em 1881, o autor
inaugurou o Realismo no país.
A literatura passa a ser aceita pelos setores instruídos das
classes dominantes e das camadas médias.
A figura mais expressiva da corrente realista foi Machado
de Assis, pela excelência da obra que determinou um salto
qualitativo que marcou a maturação das nossas letras.
Foi um indivíduo excepcional: mulato, de origem
humilde, conseguiu estudar e trabalhar como tipógrafo na
Imprensa Nacional. Escreveu desde muito jovem para
diversos jornais e revistas do Rio de Janeiro.
Graças à originalidade de seus textos e à fina percepção
sobre o ser humano, Machado de Assis tornou-se um dos
escritores mais admirados de seu tempo.
Joaquim Maria Machado de Assis, nasceu no
Morro do Livramento no Rio de Janeiro.
O Realismo inaugura-se em 1881, Com Memórias
Póstumas de Brás Cubas de MACHADO DE
ASSIS.
O Naturalismo aparece também em 1881, com O
Mulato de Aluísio de Azevedo
Memórias Póstumas de
Brás Cubas
Machado de Assis é o grande representante do
Realismo no Brasil e considerado o “O analista da alma
humana”.
Na poesia – discreta, sem arrebatamentos, reflexiva e
densa, mas quase carente de emoções e vibração.
No romance – “não quis fazer romance de costumes” os
romances são de observação psicológica e o interesse
como móvel principal das ações humanas.
As influências: de uma formação
clássica e seguiu a ironia de Voltaire e
o humor dos ingleses.
Os grandes arquétipos: (modelo de ser
vivo, padrão exemplar) aparecem com
relativa frequência nas obras
machadianas.
Cena da obra Memórias Póstumas
de Brás Cubas
A ironia, humor negro e o pessimismo: são marcas
de Machado de Assis que revelam sempre uma
visão desencantada da vida e do homem.
O psicologismo: os acontecimentos exteriores são
considerados. somente à medida que revelam o
interior.
Machado de Assis – características
literárias
Aprofundamento
Psicológico
Análise do comportamento
Crítica
Ironia
Enredo não linear
Presença constante de digressões
Metalinguagem
Diálogos com o leitor e com as tradições
literárias
Machado de Assis – características literárias
Análise psicológica / psicanalítica dos
personagens.
Humor sutil e permanente
Ironia fina e corrosiva
Visão metafisica relativista dos valores humanos(
pessimismo)
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me
canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir
alguns magros capítulos para esse mundo sempre é
tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o
livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa
contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo,
porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu
tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu
amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e
fluente, e este livro e o meu estilo são como os
ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e
param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o
céu, escorregam e caem...
(Memórias póstumas de Brás cubas)
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele
me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente,
expedir alguns magros capítulos para esse mundo
sempre é tarefa que distrai um pouco da
eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a
sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício
grave, e aliás ínfimo,
Metalinguagem irônica e digressiva.
Humor corrosivo, demolidor das ilusões
românticas
porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu
tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar;
tu amas a narração direita e nutrida, o estilo
regular e fluente, e este livro e o meu estilo são
como os ébrios, guinam à direita e à esquerda,
andam e param, resmungam, urram, gargalham,
ameaçam o céu, escorregam e caem...
Conversa provocativa com o leitor, fazendo parecer sem
importância o que é fundamental e vice-versa
Comparação insólitas (rara, extraordinária, inédita), que
ironiza o leitor acostumado com o folhetim romântico e dá
pistas de leitura do romance.
•Ruptura com a narrativa linear: não
segue um fio lógico ou cronológico e sim
um ordenamento interior.
•na sociedade de seu tempo.
•Organização metalingüística do
discurso narrativo: Machado
assume a posição de quem escreve e
ao mesmo tempo se vê escrevendo.
O narrador comenta com o leitor a
própria escritura do romance.
•O universalismo: seu interesse
jamais recaiu sobre a cor local e
buscou o universal, a essência e
aparência humana na sociedade
de seu tempo.
Em “Dom Casmurro”
Machado de Assis criou a
personagem olhos de ressaca:
CAPITU.
 Narrador: 1ª pessoa, narrador-observador,
protagonista.
 Linguagem: vocabulário erudito, interlocução,
metalinguagem.
 Tempo: psicológico e cronológico.
 Cenário: Rio de Janeiro.

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  • 1.
  • 2.
    O Realismo éuma reação contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento; – o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos – para condenar o que houver de mau na nossa sociedade. Eça de Queirós
  • 3.
    Peneiradoras de trigo,de Gustave Coubert, 1819-1877. REALISMO
  • 4.
    Segunda Revolução Industrial,o cientificismo, o progresso tecnológico, o socialismo utópico, a filosofia positivista de Auguste Comte o evolucionismo formam o contexto sociopolítico- econômico-filosófico-científico em que se desenvolveu a estética realista. REALISMO
  • 5.
    Peneiradoras de trigo,de Gustave Coubert, 1819-1877. As ideias avançadas do cientificismo e do materialismo europeu contaminam a elite brasileira. Opõem-se ao idealismo e ao espiritualismo romântico, pois nada que não pudesse ser visto, medido e examinado deveria merecer atenção. REALISMO
  • 6.
    Contexto histórico 2ª Revoluçãoindustrial Segundo reinado (D. Pedro II) Capital: Rio de Janeiro Abolição da escravatura (1888) Proclamação da República (1889)
  • 7.
    O Positivismo (oprimado da ciência); Evolucionismo (leis biológicas); Determinismo (instinto, raça, hereditariedade);
  • 8.
    Surge a civilizaçãoindustrial, massas trabalhadoras e os sindicatos. Movimento que luta por uma retratação do mundo mais objetiva, menos fantasiosa, com uma visão e interpretação racional.
  • 9.
    A investigação dasociedade e dos caracteres individuais é feita “de dentro para fora”, isto é, por meio de uma análise psicológica capaz de abranger toda sua complexidade, utilizando entre outros recursos a ironia, que sugere e aponta, em vez de afirmar.
  • 10.
    Ataca os fundamentosideológicos da sociedade burguesa e suas instituições: o casamento, o clero, a escravidão do homem ao trabalho como meio de “vencer na vida”, os ricos e pobres – os marginais – as prostitutas – os operários.
  • 11.
    VALORES Engajamento social epolítico Novas ideologias Retrato fiel da sociedade Teorias científicas Críticas às instituições A Literatura transforma a realidade
  • 12.
    Autores e suasinfluências Gustave Flaubert Honoré Balzac Charles Dickens Eça de queirós Stendhal Zola Dostoiévski
  • 13.
    Autores e suasinfluências As personalidades, as atitudes, os sonhos e as frustrações dos homens e mulheres criados pelo francês Honoré de Balzac (1799-1850), pelo inglês Charles Dickens (1812-1870) e pelo russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) são vistos como frutos dos conflitos de seu tempo. (p. 09)
  • 14.
    Em comparação comasperipécias românticas, o romance realista parecerá menos colorido e mais concentrado em entender os acontecimentos. Por isso, o recurso descritivo torna-se mais recorrente. Em alguns momentos, o enredo principal parece parar para que os personagens conversem, expondo seus pensamentos e reações diante dos fatos. A todos é dada a oportunidade de relevar suas motivações: o Realismo abandona a divisão moral entre mocinhos e bandidos, substituindo-a pela tensão entre empregados e patrões, maridos e esposas, donos de terras e desterrados, prisioneiros e carcereiros, entre outros. ( p.09)
  • 15.
    Ao contrário dasficções românticas, as realistas abdicam de qualquer ideal heroico ou enredo mítico. Não esquivam o olhar dos marginalizados, dos escravizados, da vida sofrida dos trabalhadores braçais e de outros personagens anteriormente ignorados ou embelezados pela lente romântica. (p. 09) Enredo mítico: São narrativas que não possuem uma lógica rigorosa e utilizam-se de símbolos de fácil reconhecimento e compreensão.
  • 16.
    Os autores preferemreconstituir, com precisão, o caráter de certos sujeitos, para assim compreendê- los melhor. Na visão deles, essa é a estratégia crítica mais eficaz.. (p. 09)
  • 17.
    Impassibilidade – contençãoemocional – (busca-se uma explicação lógica e científica para o comportamento); Personagens esféricas – (opõe-se às personagens românticas, pois são profundidade psicológica);– (realidade Material); Características
  • 18.
    Características Descritivismo Razão, observação eanálise Universalismo Retrato fiel das personagens
  • 19.
    Objetividade: a realidadecomo ela é. Verossimilhança: sem fantasias; o mais semelhante à verdade possível. Descritivismo: retrato em detalhes. Observação (externa) e análise (comentário, crítica).
  • 20.
    Predomínio das Sensações– (realista, sensorial e sexual); Temas contemporâneos – (crítica social, burguesia, contra o clero. Preocupação formal – correção gramatical; predomínio de denotação.. );
  • 21.
    Romantismo Sentimentalismo doentio Linguagem culta,emestilo poético Supremacia da imaginação Espiritualismo, religiosidade Subjetivismo / Individualismo Heróis íntegros, de caráter irrepreensível O mundo é como eu vejo Realismo Observação impessoal Linguagem culta, mas direta Supremacia verdade física Materialismo, espirito científico Objetivismo Gente comum O mundo como ele é
  • 22.
     A ficçãorealista, por sua vez, aprofunda esse foco dada às estruturas sociais e econômicas.  A reconstituição do cotidiano, das relações familiares, políticas e de trabalho tornam-se tão ou mais importantes do que a narração das atitudes dos personagens do romance.  Além disso, descarta-se qualquer idealização daquilo que é retratado, inclusive dos sentimentos e da moral dos indivíduos.  O Realismo visa analisar a dinâmica entre as pessoas e a sociedade, buscando entender a “vida como ela é”.
  • 23.
    O Realismo abandonaa divisão moral entre mocinhos e bandidos, substituindo-a pela tensão entre empregados e patrões, maridos e esposas, donos de terras e desterrados, prisioneiros e carcereiros, entre outros. Os autores preferem reconstituir, com precisão, o caráter de certos sujeitos, para assim compreendê- los melhor. Na visão deles, essa é a estratégia crítica mais eficaz. (p.09)
  • 24.
    Os principais autoresdo Realismo brasileiro Machado de Assis Raul Pompeia, Xavier Marques, João Lúcio Brandão, Júlia Lopes de Almeida, Aluísio de Azevedo Artur de Azevedo. Juntos, esses nomes foram responsáveis por expandir o movimento por todo o país.
  • 25.
  • 26.
    Joaquim Maria Machadode Assis nasceu e viveu na cidade do Rio de Janeiro, entre 1839 e 1908. Autor de romances, contos, poemas, crônicas, traduções e peças para teatro Sua obra é considerada uma das mais importantes da literatura brasileira. No entanto, com a publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas em 1881, o autor inaugurou o Realismo no país.
  • 27.
    A literatura passaa ser aceita pelos setores instruídos das classes dominantes e das camadas médias. A figura mais expressiva da corrente realista foi Machado de Assis, pela excelência da obra que determinou um salto qualitativo que marcou a maturação das nossas letras.
  • 28.
    Foi um indivíduoexcepcional: mulato, de origem humilde, conseguiu estudar e trabalhar como tipógrafo na Imprensa Nacional. Escreveu desde muito jovem para diversos jornais e revistas do Rio de Janeiro. Graças à originalidade de seus textos e à fina percepção sobre o ser humano, Machado de Assis tornou-se um dos escritores mais admirados de seu tempo. Joaquim Maria Machado de Assis, nasceu no Morro do Livramento no Rio de Janeiro.
  • 29.
    O Realismo inaugura-seem 1881, Com Memórias Póstumas de Brás Cubas de MACHADO DE ASSIS. O Naturalismo aparece também em 1881, com O Mulato de Aluísio de Azevedo Memórias Póstumas de Brás Cubas
  • 30.
    Machado de Assisé o grande representante do Realismo no Brasil e considerado o “O analista da alma humana”. Na poesia – discreta, sem arrebatamentos, reflexiva e densa, mas quase carente de emoções e vibração. No romance – “não quis fazer romance de costumes” os romances são de observação psicológica e o interesse como móvel principal das ações humanas.
  • 31.
    As influências: deuma formação clássica e seguiu a ironia de Voltaire e o humor dos ingleses. Os grandes arquétipos: (modelo de ser vivo, padrão exemplar) aparecem com relativa frequência nas obras machadianas. Cena da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas
  • 32.
    A ironia, humornegro e o pessimismo: são marcas de Machado de Assis que revelam sempre uma visão desencantada da vida e do homem. O psicologismo: os acontecimentos exteriores são considerados. somente à medida que revelam o interior.
  • 33.
    Machado de Assis– características literárias Aprofundamento Psicológico Análise do comportamento Crítica Ironia Enredo não linear Presença constante de digressões Metalinguagem Diálogos com o leitor e com as tradições literárias
  • 34.
    Machado de Assis– características literárias Análise psicológica / psicanalítica dos personagens. Humor sutil e permanente Ironia fina e corrosiva Visão metafisica relativista dos valores humanos( pessimismo)
  • 35.
    Começo a arrepender-medeste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem... (Memórias póstumas de Brás cubas)
  • 36.
    Começo a arrepender-medeste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, Metalinguagem irônica e digressiva. Humor corrosivo, demolidor das ilusões românticas
  • 37.
    porque o maiordefeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem... Conversa provocativa com o leitor, fazendo parecer sem importância o que é fundamental e vice-versa Comparação insólitas (rara, extraordinária, inédita), que ironiza o leitor acostumado com o folhetim romântico e dá pistas de leitura do romance.
  • 38.
    •Ruptura com anarrativa linear: não segue um fio lógico ou cronológico e sim um ordenamento interior. •na sociedade de seu tempo.
  • 39.
    •Organização metalingüística do discursonarrativo: Machado assume a posição de quem escreve e ao mesmo tempo se vê escrevendo. O narrador comenta com o leitor a própria escritura do romance.
  • 40.
    •O universalismo: seuinteresse jamais recaiu sobre a cor local e buscou o universal, a essência e aparência humana na sociedade de seu tempo.
  • 41.
    Em “Dom Casmurro” Machadode Assis criou a personagem olhos de ressaca: CAPITU.
  • 42.
     Narrador: 1ªpessoa, narrador-observador, protagonista.  Linguagem: vocabulário erudito, interlocução, metalinguagem.  Tempo: psicológico e cronológico.  Cenário: Rio de Janeiro.