Mensagem
Ortónimo
• eu fragmentado

• fingimento poético
• dor de pensar
• nostalgia da infância
Heterónimos
«Autopsicografia»
1.
«O poeta é um fingidor» é a tese
apresentada no poema. Significa que o
poeta finge uma dor que não coincide
com a dor sentida na realidade. A dor
escrita é uma invenção, uma transfiguração, criada pela imaginação.
2.
Os leitores sentem uma dor que não
é a que o poeta sentiu, nem a que ele
escreveu / fingiu, mas que é a sua nãodor.
3.
A última estrofe apresenta, metaforicamente, a relação entre a razão e o
coração. O coração é um comboio de
corda, regulado pelas calhas em que
gira. A razão é uma realidade à parte,
mas estimulada (entretida) pelo coração.
4.
Tendo em conta o significado de
cada um dos elementos que compõem o
título, «autopsicografia» remete para a
reflexão do sujeito sobre a própria
escrita / o autorretrato espiritual
escrito.
O | poe|ta é| um | fin|gi|dor
1
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5 6 7
Fin|ge | tão | com|ple|ta|men te
1 2 3
4
5 6 7
5.
O poema é constituído por três
quadras, de versos heptassilábicos
(também designados «versos de
redondilha maior»), com o esquema
rimático a-b-a-b (portanto, em rima
cruzada).
redondilha menor = pentassílabo
redondilha maior = heptassílabo
6.
De acordo com o poema, a criação
poética assenta no fingimento, na
medida em que um poema não diz o
que o poeta sente, mas aquilo que
imagina a partir do que anteriormente
sentiu. O poeta é um fingidor, porque
escreve uma emoção fingida, fruto da
razão e da imaginação, e não a emoção
sentida pelo coração, que apenas
chega ao poema transfigurada,
na tal emoção trabalhada / elaborada
poeticamente, imaginada. Quanto ao
leitor, apenas sente a emoção que o
poema lhe suscita, que será diferente da
do próprio poema. A poesia, a arte, é a
intelectualização da emoção.
2.1 A frase que constitui o primeiro verso
do poema («O poeta é um fingidor»)
apresenta um valor aspetual (c) genérico.
2.2 (d) adverbial consecutiva («Finge tão
completamente / Que chega a fingir que
é dor a dor que deveras sente»)
Que chega a fingir / que a dor [que deveras sente] é
dor
2.3 (d) intensidade
A, 3, b A metáfora presente na terceira
estrofe destaca a simplicidade do
fingimento através da sua aproximação a
uma atividade lúdica.
Tal como o comboio de corda é conti­
nuamente guiado pelas calhas, assim o coração
(fonte dos sentimentos e das emoções) deve ser,
segundo a teoria enunciada nas estrofes
anteriores, orien­tado pelo pensamento, que
condiciona a sua expressão verbal. O coração
sente e o pensamento intelectualiza o que é sen­
tido, racionalizando­o.
O movimento circular dos carris, que
obriga à contínua rotação do comboio e à
adoção de um rumo obrigatório, sugere a
constante inter­relação e a íntima depen­dência
entre ambos, tal como acontece com a razão e a
emoção humanas.
B, 1, a O poliptoto [cfr. p. 351] presente
na primeira estrofe reforça a ideia de
fingimento introduzida nessa quadra.
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
C, 2, c A perífrase presente na segunda
estrofe aproxima as duas entidades
envolvidas no processo de comunicação
poética.
enleio = enleamento, acto ou efeito de
enlear; entrelaçamento || fig. situação
confusa; embevecimento,
encantamento; hesitação, dúvida
«Isto»
1.
Ao escrever, o poeta usa a imaginação
(e não o coração).
2.
As emoções são semelhantes a um
terraço que dá para uma outra realidade
mais bela, a realidade imaginada, a arte.
3.
«Essa coisa é que é linda».
4.
O poeta escreve distanciado daquilo
que sentiu anteriormente («escrevo em
meio / do que não está ao pé»), sem
emoção («livre do meu enleio»).
5.
O último verso é irónico, com o
sujeito poético a desafiar o leitor a que
sinta qualquer coisa de diferente de si.
Di|zem | que | fin|jo ou | min to
1
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3
4
5
6
Tu|do | que es|cre|vo. | Não
1 2
3
4 5
6
6.
O poema apresenta grande
regularidade formal: são três estrofes
de cinco versos (isto é, três
quintilhas), de seis sílabas métricas,
com o esquema rimático a-b-a-b-b
(portanto, de rima cruzada e
emparelhada).
7
Os poemas «Autopsicografia» e
«Isto» têm como tema comum o
fingimento poético. Neles, o poeta
expõe o seu conceito de poesia
enquanto intelectualização da emoção.
6.
a = falsa
Dizem
subordinante

/ que finjo ou minto tudo que escrevo
subordinada substantiva completiva
b = verdadeira
c = verdadeira
1. inteligência;
2. sentir;
3. fingir;
4. verdadeiramente;
5. negação;
6. confessor;
7. aprendizagem;
8. racional;
9. afetivo;
10. construção;
11. sentida;
12. abstração;
13. sensibilidade;
14. completa;
15. truques;
16. tragédia.
Na capa do livro que o grande Sousa
Bastos está a autografar, a localização do
género da obra, «romance» (que se inclui
no modo literário narrativo), é
relativamente incomum (essa indicação
pode surgir na capa mas talvez não no
cabeçalho). O subtítulo (Quão longe vai
uma alma) também não é inusual que
apareça na capa, embora só seja
obrigatório no frontispício (ou rosto), que,
como sabemos, é a página por onde se
guia a referenciação bibliográfica. Note-se
o «quão», decerto para ridicularizar o
estilo de Bastos (em vez de «Quão...»,
ficaria melhor «Como vai longe uma
alma». Também é brincalhão o nome da
editora, que costuma, com efeito, ficar na
capa e na lombada. Não reparei em que
página o autor escreve a dedicatória, mas
deverá fazê-lo no frontispício (ou,
eventualmente, na página também ímpar
que o precede, o anterrosto, onde só
costuma estar o título). A referência
a Arquipélago das Vontades, outra obra do
mesmo autor (subtil alusão a Saramago e
ao Memorial?), poderia constar numa das
badanas (ou orelhas) ou na contracapa.
Sousa Bastos, sabe, pelo menos, que
«Natália», como esdrúxula que é
(aparente, porém, já que «ia» é mais
ditongo crescente do que duas sílabas),
leva acento na antepenúltima sílaba. Tem
dúvidas sobre se o acento é grave ou
agudo (para «circunflexo», diria um
«chapeuzinho»). Devia saber que,
atualmente, só há acentos graves como
resultado da contração da preposição «a»
com alguns determinantes e pronomes
(são poucas palavras: à, às, àquele,
àquela, àqueles, àquelas, àquilo,
àqueloutro, àqueloutra, àqueloutros,
àqueloutras).
Sousa Bastos confunde «hífen» e «Hitler».
Repare-se que as palavras graves
terminadas em -L, -N, -R, -X, -PS, têm
sempre acento gráfico (na penúltima
sílaba, é claro); «Hitler» não tem acento
por ser um nome próprio e estrangeiro. A
retificação da fã do escritor não é perfeita.
Em «lamber-te» (ou mesmo em «lemberte») o pronome «te» não é um pronome
reflexo (em «lavo-me» [= ‘eu lavo eu’], «tu
barbeias-te», etc., sim, porque há
coincidência dos referentes de sujeito e
complemento direto). Já agora, qual é a
função sintática deste «te» de «lamberte»? É complemento direto. (Se tiveres
dúvidas, experimenta com os pronomes
de 3.ª pessoa — «o»/«a» (complemento
direto) versus «lhe» (indireto).)
Realmente, todas as formas do verbo
«trazer» são com zê e a preposição ou
locuções derivadas sempre com esse (e
acento). Experimenta pronominalizar
estas frases: «Traz a fã > Trá-la.» |
«Trarei o livro > Trá-lo-ei» | «Trazia o
livro a Sousa Bastos > Trazia-lho» |
«Traríamos o Adolfo > Trá-lo-íamos» |
«Traz o livro à Dulce > Traz-lho»
«Estou farto dos fãs que têm a mania»
subordinada adjetiva relativa restritiva
«Só espero que não tenha ficado
melindrado»
subordinada substantiva completiva.
«Quando me dá o seu número do quarto
do hotel, é com agá».
subordinada adverbial temporal
TPC
Escreve um comentário de um pouco
mais de cem palavras que aproxime os
textos A e B da p. 39 — e os enquadre no
tema da «dor de pensar» e, em geral, nas
características de Pessoa ortónimo.
(Como estratégia prévia, podes resolver o
ponto 1 da mesma página, mas sem a ele
te agarrares depois muito.)
(Se ainda não o fizeste, termina
leitura leitura de Memorial do Convento.)

Apresentação para décimo segundo ano de 2013 4, aula 75-76

  • 2.
    Mensagem Ortónimo • eu fragmentado •fingimento poético • dor de pensar • nostalgia da infância Heterónimos
  • 3.
    «Autopsicografia» 1. «O poeta éum fingidor» é a tese apresentada no poema. Significa que o poeta finge uma dor que não coincide com a dor sentida na realidade. A dor escrita é uma invenção, uma transfiguração, criada pela imaginação.
  • 4.
    2. Os leitores sentemuma dor que não é a que o poeta sentiu, nem a que ele escreveu / fingiu, mas que é a sua nãodor.
  • 5.
    3. A última estrofeapresenta, metaforicamente, a relação entre a razão e o coração. O coração é um comboio de corda, regulado pelas calhas em que gira. A razão é uma realidade à parte, mas estimulada (entretida) pelo coração.
  • 6.
    4. Tendo em contao significado de cada um dos elementos que compõem o título, «autopsicografia» remete para a reflexão do sujeito sobre a própria escrita / o autorretrato espiritual escrito.
  • 7.
    O | poe|taé| um | fin|gi|dor 1 2 3 4 5 6 7 Fin|ge | tão | com|ple|ta|men te 1 2 3 4 5 6 7
  • 8.
    5. O poema éconstituído por três quadras, de versos heptassilábicos (também designados «versos de redondilha maior»), com o esquema rimático a-b-a-b (portanto, em rima cruzada).
  • 9.
    redondilha menor =pentassílabo redondilha maior = heptassílabo
  • 10.
    6. De acordo como poema, a criação poética assenta no fingimento, na medida em que um poema não diz o que o poeta sente, mas aquilo que imagina a partir do que anteriormente sentiu. O poeta é um fingidor, porque escreve uma emoção fingida, fruto da razão e da imaginação, e não a emoção sentida pelo coração, que apenas chega ao poema transfigurada,
  • 11.
    na tal emoçãotrabalhada / elaborada poeticamente, imaginada. Quanto ao leitor, apenas sente a emoção que o poema lhe suscita, que será diferente da do próprio poema. A poesia, a arte, é a intelectualização da emoção.
  • 12.
    2.1 A fraseque constitui o primeiro verso do poema («O poeta é um fingidor») apresenta um valor aspetual (c) genérico.
  • 13.
    2.2 (d) adverbialconsecutiva («Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente») Que chega a fingir / que a dor [que deveras sente] é dor
  • 14.
  • 15.
    A, 3, bA metáfora presente na terceira estrofe destaca a simplicidade do fingimento através da sua aproximação a uma atividade lúdica.
  • 16.
    Tal como ocomboio de corda é conti­ nuamente guiado pelas calhas, assim o coração (fonte dos sentimentos e das emoções) deve ser, segundo a teoria enunciada nas estrofes anteriores, orien­tado pelo pensamento, que condiciona a sua expressão verbal. O coração sente e o pensamento intelectualiza o que é sen­ tido, racionalizando­o. O movimento circular dos carris, que obriga à contínua rotação do comboio e à adoção de um rumo obrigatório, sugere a constante inter­relação e a íntima depen­dência entre ambos, tal como acontece com a razão e a emoção humanas.
  • 17.
    B, 1, aO poliptoto [cfr. p. 351] presente na primeira estrofe reforça a ideia de fingimento introduzida nessa quadra. O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente
  • 18.
    C, 2, cA perífrase presente na segunda estrofe aproxima as duas entidades envolvidas no processo de comunicação poética.
  • 20.
    enleio = enleamento,acto ou efeito de enlear; entrelaçamento || fig. situação confusa; embevecimento, encantamento; hesitação, dúvida
  • 21.
    «Isto» 1. Ao escrever, opoeta usa a imaginação (e não o coração).
  • 22.
    2. As emoções sãosemelhantes a um terraço que dá para uma outra realidade mais bela, a realidade imaginada, a arte.
  • 23.
    3. «Essa coisa éque é linda».
  • 24.
    4. O poeta escrevedistanciado daquilo que sentiu anteriormente («escrevo em meio / do que não está ao pé»), sem emoção («livre do meu enleio»).
  • 25.
    5. O último versoé irónico, com o sujeito poético a desafiar o leitor a que sinta qualquer coisa de diferente de si.
  • 26.
    Di|zem | que| fin|jo ou | min to 1 2 3 4 5 6 Tu|do | que es|cre|vo. | Não 1 2 3 4 5 6
  • 27.
    6. O poema apresentagrande regularidade formal: são três estrofes de cinco versos (isto é, três quintilhas), de seis sílabas métricas, com o esquema rimático a-b-a-b-b (portanto, de rima cruzada e emparelhada).
  • 28.
    7 Os poemas «Autopsicografia»e «Isto» têm como tema comum o fingimento poético. Neles, o poeta expõe o seu conceito de poesia enquanto intelectualização da emoção.
  • 29.
    6. a = falsa Dizem subordinante /que finjo ou minto tudo que escrevo subordinada substantiva completiva
  • 30.
    b = verdadeira c= verdadeira
  • 31.
    1. inteligência; 2. sentir; 3.fingir; 4. verdadeiramente; 5. negação;
  • 32.
    6. confessor; 7. aprendizagem; 8.racional; 9. afetivo; 10. construção;
  • 33.
    11. sentida; 12. abstração; 13.sensibilidade; 14. completa; 15. truques; 16. tragédia.
  • 35.
    Na capa dolivro que o grande Sousa Bastos está a autografar, a localização do género da obra, «romance» (que se inclui no modo literário narrativo), é relativamente incomum (essa indicação pode surgir na capa mas talvez não no cabeçalho). O subtítulo (Quão longe vai uma alma) também não é inusual que apareça na capa, embora só seja obrigatório no frontispício (ou rosto), que, como sabemos, é a página por onde se guia a referenciação bibliográfica. Note-se
  • 36.
    o «quão», decertopara ridicularizar o estilo de Bastos (em vez de «Quão...», ficaria melhor «Como vai longe uma alma». Também é brincalhão o nome da editora, que costuma, com efeito, ficar na capa e na lombada. Não reparei em que página o autor escreve a dedicatória, mas deverá fazê-lo no frontispício (ou, eventualmente, na página também ímpar
  • 37.
    que o precede,o anterrosto, onde só costuma estar o título). A referência a Arquipélago das Vontades, outra obra do mesmo autor (subtil alusão a Saramago e ao Memorial?), poderia constar numa das badanas (ou orelhas) ou na contracapa.
  • 38.
    Sousa Bastos, sabe,pelo menos, que «Natália», como esdrúxula que é (aparente, porém, já que «ia» é mais ditongo crescente do que duas sílabas), leva acento na antepenúltima sílaba. Tem dúvidas sobre se o acento é grave ou agudo (para «circunflexo», diria um «chapeuzinho»). Devia saber que, atualmente, só há acentos graves como
  • 39.
    resultado da contraçãoda preposição «a» com alguns determinantes e pronomes (são poucas palavras: à, às, àquele, àquela, àqueles, àquelas, àquilo, àqueloutro, àqueloutra, àqueloutros, àqueloutras).
  • 40.
    Sousa Bastos confunde«hífen» e «Hitler». Repare-se que as palavras graves terminadas em -L, -N, -R, -X, -PS, têm sempre acento gráfico (na penúltima sílaba, é claro); «Hitler» não tem acento por ser um nome próprio e estrangeiro. A retificação da fã do escritor não é perfeita. Em «lamber-te» (ou mesmo em «lemberte») o pronome «te» não é um pronome reflexo (em «lavo-me» [= ‘eu lavo eu’], «tu barbeias-te», etc., sim, porque há coincidência dos referentes de sujeito e
  • 41.
    complemento direto). Jáagora, qual é a função sintática deste «te» de «lamberte»? É complemento direto. (Se tiveres dúvidas, experimenta com os pronomes de 3.ª pessoa — «o»/«a» (complemento direto) versus «lhe» (indireto).)
  • 42.
    Realmente, todas asformas do verbo «trazer» são com zê e a preposição ou locuções derivadas sempre com esse (e acento). Experimenta pronominalizar estas frases: «Traz a fã > Trá-la.» | «Trarei o livro > Trá-lo-ei» | «Trazia o livro a Sousa Bastos > Trazia-lho» | «Traríamos o Adolfo > Trá-lo-íamos» | «Traz o livro à Dulce > Traz-lho»
  • 43.
    «Estou farto dosfãs que têm a mania» subordinada adjetiva relativa restritiva
  • 44.
    «Só espero quenão tenha ficado melindrado» subordinada substantiva completiva.
  • 45.
    «Quando me dáo seu número do quarto do hotel, é com agá». subordinada adverbial temporal
  • 47.
    TPC Escreve um comentáriode um pouco mais de cem palavras que aproxime os textos A e B da p. 39 — e os enquadre no tema da «dor de pensar» e, em geral, nas características de Pessoa ortónimo. (Como estratégia prévia, podes resolver o ponto 1 da mesma página, mas sem a ele te agarrares depois muito.) (Se ainda não o fizeste, termina leitura leitura de Memorial do Convento.)