Os bovinos são animais poligástricos, dotados de estômago dividido em quatro 
compartimentos, contendo em sua porção inicial o Rumem e Retículo que são 
responsáveis pela digestão de alimentos fibrosos, transformando-os em nutrientes 
prontamente disponíveis para o desempenho produtivo. 
A evolução genética das raças produtoras de carne trouxe consigo um aumento 
das exigências nutricionais dos bovinos, proporcional ao seu nível de produção, o que 
torna sua alimentação dependente de suplementos capazes de suprir as deficiências das 
pastagens e outros alimentos volumosos. 
1. Uso racional das pastagens 
A pastagem constitui a principal fonte de alimentos dos bovinos, mas nem 
sempre é manejada de forma adequada, muitas vezes devido à falta de conhecimento 
das suas condições fisiológicas de crescimento e composição nutricional. Manejar uma 
pastagem de forma adequada significa produzir alimentos em grandes quantidades além 
de procurar o máximo valor nutritivo possível do material. A produção de massa afeta 
de forma significativa a capacidade de suporte da pastagem (maior número de animais 
por área) e está influenciada pela fertilidade do solo, manejo e condições climáticas 
enquanto que o valor nutritivo afeta o ganho de peso do animal e depende 
principalmente da idade da planta. Associando estes dois requisitos, objetivamos um 
maior ganho de peso por área, o que viabiliza de forma técnica e econômica a atividade, 
conforme mostra a Fig. 1. 
M a n e j o d a s P a s t a g e n s 
P r o d u ç ã o d e M a s s a 
N ú m e r o d e A n i m a i s 
p o r Á r e a ( h a ) 
V a l o r N u t r i t i v o 
G a n h o d e P e s o 
p o r A n i m a l 
Ganho de Peso por Área (ha) 
Figura 1. Influência da produção e valor nutritivo das pastagens sobre o ganho de 
peso por área 
Para um bom desempenho produtivo, os ruminantes necessitam de Água, 
Proteína, Energia, Vitaminas e Minerais. Todos estes nutrientes são de grande 
importância para alimentação dos animais, variando apenas quantitativamente, no que 
diz respeito à categoria dos animais.
Durante o período chuvoso, as pastagens chegam a apresentar níveis 
satisfatórios de proteína, energia e vitaminas, enquanto que os minerais estão 
deficientes, impedindo o pecuarista de obter índices máximos de produtividade, 
enquanto que no período de estiagem, todos nutrientes estão deficientes na pastagem. 
Portanto nesta época a suplementação de apenas um nutriente não resulta em melhores 
rendimentos do rebanho, conforme é apresentado no Gráf. 1. 
Níveis de Nutrientes nas Pastagens e 
Exigências dos Bovinos 
100 
Gráfico 1. Níveis de nutrientes nas pastagens e exigências dos bovinos 
80 
60 
40 
20 
0 
Proteína Energia Minerais Vitaminas 
1.1. Manejo das pastagens 
Exigência 
Pasto Verde 
Pasto Seco 
Para adotarmos um bom manejo das pastagens, devemos levar em conta os 
princípios básicos de crescimento (Fotossíntese) e gasto de energia da planta 
(Respiração), assim como apresentado no Gráf. 2.
Acúmulo de Reservas Orgânicas nas 
Pastagens 
Gráfico 2. Produção de forragem (fotossíntese) e perdas (respiração) de acordo 
com o envelhecimento da pastagem 
7 14 21 28 35 42 49 56 
dias 
Fotossíntese 
Respiração 
Neste quadro podemos observar que à medida que a planta intensifica sua 
100 
80 
60 
40 
20 
0 
Fotossíntese ela cresce acumulando reservas orgânicas na base do caule. Para 
forrageiras tropicais este ganho de energia aumenta gradativamente com a idade da 
planta e atinge o máximo aos 21, 28 ou 35 dias após o corte ou pastejo (dependendo da 
pastagem utilizada), o que indica que este deverá ser o período de descanso ideal da 
pastagem após o uso (pastejo). Por outro lado, enquanto a planta cresce a respiração 
também é intensa o que significa que ela está gastando parte da energia que foi 
sintetizada. Observa-se que a partir de 35 dias de idade a planta respira mais que 
sintetiza, ou seja, gasta mais do que produz e a conseqüência disto é uma menor 
produção de massa, com menor valor nutritivo, além de menores quantidades de 
reservas orgânicas, o que dificulta o rebrote após o período de pastejo. Isto explica o 
fato de que ao colocarmos os animais em um pasto vedado por longos períodos, o 
desempenho dos animais não é satisfatório e a rebrota da pastagem é lenta. 
1.1.1. Período de Ocupação das pastagens 
Durante o período de pastejo os animais consomem em primeiro lugar as folhas 
e depois os caules. Após esta remoção inicia-se um processo de rebrote da pastagem, 
que cresce de 3 a 5 cm por dia, atingindo 10 a 15 cm de tamanho em aproximadamente 
3 dias. No manejo racional, devemos evitar que os animais comam este rebrote, 
permitindo que o pasto tenha o máximo de crescimento sem ser danificado. Para que 
isto ocorra, devemos deixar os animais no pasto no máximo 7 dias, sendo que quanto 
menor for este período, menos os animais irão consumir o rebrote e maior será a sua 
produção de massa, resultando em maior capacidade de suporte. 
1.1.2. Período de descanso das pastagens
Após o período de ocupação, a pastagem deverá descansar, permitindo o 
máximo de rebrote sem ser danificada pela boca do animal. O tempo ideal de descanso 
depende da capacidade de rebrote que é afetada pela fertilidade do solo, espécie 
forrageira, condições climáticas e manejo, mas de modo geral este período deverá estar 
entre 21 (Humidícula, Tifton e Gramas em geral) a 35 dias (Braquiarão, Tanzânia, 
Mombaça, Colonião), onde podemos obter um bom valor nutritivo e o máximo de 
crescimento com acúmulo de reservas conforme visto no Gráfico 2. 
1.2. Divisão das pastagens 
Para obtermos os períodos de ocupação e descanso desejados no manejo das 
pastagens, devemos dividir a área fazendo com que os animais pastejam em rodízio, 
permanecendo em um determinado pasto até consumir todo alimento disponível e logo 
em seguida desocupam o local, permitindo um rebrote eficiente sem danificar a planta. 
A divisão da área de pastejo deverá ser feita utilizando o seguinte esquema: 
Cálculo do Nº de Pastos 
Período de Descanso 
Período de Ocupação Nº de Pastos = 
Ex. Dividir uma área de 100 ha 
(Manejo tradicional = 100 UA) 
Nº de Pasto = 35 + 1 = 6 Pastos de 16,7 ha ( 200 UA ) 
7 
Nº de Pasto = 33 + 1 = 12 Pastos de 8,35 ha ( 300 UA ) 
3 
De acordo com o exemplo, podemos verificar que ao dividir-mos uma 
determinada área de pastejo, estaremos permitindo um melhor desenvolvimento da 
forrageira devido ao melhor crescimento de seu sistema radicular que passará a explorar 
uma maior área no solo aumentando então sua produção de massa. Nota-se que ao 
sairmos do sistema tradicional de pastejo contínuo, para um pastejo rotacionado com 
um período de ocupação de 7 dias, aumentamos a capacidade de suporte da pastagem de 
forma significativa e ao dividirmos novamente a área, passando o período de ocupação 
para 3 dias, podemos aumentar ainda mais a lotação. Evidentemente a capacidade de 
suporte de uma pastagem não é constante ao longo do tempo e tende a cair com o
declínio da fertilidade do solo o que poderá ser corrigido com o uso de adubações que 
permite atingirmos níveis elevados de lotação. 
2. Ganho de peso dos animais em pastagens 
Para avaliar o ganho de peso dos animais, devemos considerar não só o ganho 
individual, mas também o ganho por área, pois este último leva em conta a produção de 
massa do pasto e representa o quanto de peso vivo podemos obter em uma determinada 
área. Na Tab. 1 podemos observar que nem sempre o melhor ganho por animal é o que 
nos dá maior rendimento. 
Tabela 1. Efeito da pressão de pastejo sobre o ganho de peso 
Efeito da pressão de sobre o ganho de cab/ha Ganho/dia (g/dia) Ganho/área (Kg) 
0,5 700 350 63 
1,0 700 700 126 
1,5 650 975 170 
2,0 600 1200 216 
2,5 400 1000 180 
3,0 200 600 108 
As espécies forrageiras apresentam comportamento diferente durante o ciclo 
produtivo anual, assim as espécies do gênero Pannicum (Colonião e suas variedades), 
são mais nutritivas que aquelas do gênero Braquiária durante o período das chuvas e à 
medida que aproxima do período seco as Braquiárias mantêm-se mais verdes, 
proporcionando melhores rendimentos durante esta época, conforme é mostrado na Tab. 
2 e 3. 
Tabela 2. Ganho de peso de bezerros desmamados (peso inicial 160 a 180kg). Carga 
fixa durante a seca (2cab/ha) e carga variável durante o período chuvoso 
Ganho de peso de bezerros desmamados (peso 
inicial 160 a 180 Kg). Carga fixa durante a seca 
(2 cab/há) e carga variável durante 
o período chuvoso. 
Período chuvoso 
Ganho de peso Kg 
/cab/dia /ha /cab/dia 
Pastagem 
Colonião 0,170 24 0,722 
Jaraguá 0,133 15 0,616 
B. decumbens 0,240 34 0,552 
Setaria 0,137 20 0,574
Ganhos de peso de novilhos em pastagens de 
Braquiarão e Colonião, na região de Dourados-MS. 
Carga animal média 
Tabela 3. Ganhos de peso de novilhos em pastagens de Braquiarão e Colonião, na 
região de Dourados-MS 
inicial final Kg/an g/an/dia Kg/ha UA/ha 
Estações Tratamentos 
Braquiarão 448 528 80 519 399 4,4 
Colonião 452 548 95 616 384 3,7 
Braquiarão 243 283 41 293 142 2,3 
Colonião 247 288 40 289 107 1,8 
CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS 
Chuvosa 
Seca 
ALIMENTOS VOLUMOSOS 
São alimentos ricos em fibras, necessários para manter a atividade microbiana do 
rúmen, apresentam mais de 50 % de FDN (Fibra em detergente neutro) ou 18 % de FB ( 
Fibra Bruta), geralmente são pobres em energia, quando comparados aos concentrados. 
Neste grupo podemos incluir as pastagens, silagens, fenos e resíduos de agricultura e 
indústrias. Na classificação internacional de alimentos recebem o número 1 (alimentos 
secos), 2 (alimentos verdes) e 3 (silagens), como primeiro dígito do número de 
referencia. 
Características nutricionais:
 Apresentam um valor protéico muito variável, principalmente em função da idade 
da planta (no caso das gramíneas tropicais). As leguminosas e gramíneas imaturas 
são mais ricas em proteínas, enquanto que gramíneas maduras, as palhadas e a 
maioria dos resíduos da agroindústria apresentam valores baixos deste nutriente; 
 Geralmente são baixos em energia, devido o alto teor de fibras e baixo em 
carboidratos de reserva, quando comparado com os concentrados; 
 São ricos em Vitamina A, cálcio e micro minerais; 
 Geralmente são pobres em fósforo; 
 São importantes para manter o funcionamento do rúmen (ruminação). A população 
microbiana do rúmen depende da fibra para sua sobrevivência; 
 A aceitabilidade pelos animais é variável, dependendo principalmente de sua 
digestibilidade, alimentos mais digestíveis apresentam melhor consumo pelos 
animais, enquanto que aqueles de baixo valor nutritivo e com baixa digestibilidade 
são menos palatáveis; 
 Quanto maior o desempenho desejado, menor deverá ser a inclusão de volumosos na 
dieta, devido a sua baixa concentração em nutrientes; 
 São necessários para dietas de vacas leiteiras, com objetivo de manter a produção de 
acetato no rúmen e conseqüentemente o teor de gordura do leite; 
ALIMENTOS CONCENTRADOS 
São aqueles que apresentam menos de 50% de FDN ou 18 % de Fibra Bruta, 
geralmente são ricos em energia (maior que 60 % de NDT). Na classificação 
internacional de alimentos, recebem os números 4 (concentrado energético) e 5 
(concentrado protéico), como primeiro dígito de referência. 
Concentrados Energéticos 
Apresentam alta concentração de nutrientes, principalmente carboidratos de 
reserva e gorduras. São alimentos ricos em energia por unidade de peso e com menos de 
20 % de proteína bruta. São representados pelos grãos de cereais e seus subprodutos, 
óleos e gorduras de origem animal ou vegetal. 
Características nutritivas
 Apresentam baixo teor de fibras e são utilizados para compor as rações concentradas; 
 Geralmente apresentam boa aceitabilidade pelos animais; 
 O valor nutritivo é pouco variável dentro de um determinado alimento; 
 São ricos em fósforo e pobres em cálcio; 
 A qualidade da proteína é variável, mas geralmente baixa; 
 São pobres em proteína bruta, quanto comparados com os concentrados protéicos; 
Concentrados Protéicos 
Apresentam altos teores de proteína bruta (maior que 20%), representados 
principalmente pelos grãos de oleaginosas e seus subprodutos, subprodutos da indústria 
animal e fontes de nitrogênio não protéico (NNP). O termo Equivalente Protéico refere-se 
ao teor de nitrogênio multiplicado pelo fator 6.25 (N x 6.25 = PB). 
Características nutritivas 
 Apresentam baixo teor de fibras e são misturados os energéticos, para compor as 
rações concentradas; 
 Geralmente apresentam boa aceitabilidade pelos animais; 
 O valor nutritivo é pouco variável dentro de um determinado alimento; 
 São ricos em fósforo e pobres em cálcio; 
 A qualidade da proteína é variável, geralmente de média a alta 
 São médios a altos em energia; 
Qualidade da proteína 
 Refere-se à quantidade e proporção dos aminoácidos que compões a proteína; 
 Os ruminantes sintetizam a maior parte dos aminoácidos essenciais, através dos 
microorganismos simbióticos do rúmen; 
 A exigência em alimentos protéicos de melhor qualidade deve ser observada 
principalmente quando alimentamos animais de alta produtividade; 
 A proteína sintetizada pelos microorganismos do rúmen é considerada de alto valor 
biológico, por ser rica em aminoácidos essenciais; 
 Para uso de nitrogênio não protéico é de fundamental importância o fornecimento 
de carboidratos solúveis e fontes de minerais como fósforo, enxofre e zinco;
 O uso de fontes de NNP, como a uréia, deve ser feito apenas para os animais 
ruminantes e dentro de normas e cuidados específicos. 
CARACTERÍSTICAS E RESTRIÇÕES DOS ALIMENTOS USADOS NA 
NUTRIÇÃO DOS RUMINANTES 
Milho grão - Zea mays 
É o principal alimento concentrado energético usado na alimentação dos 
animais. Não apresenta restrição de uso e possui alta aceitabilidade pelos animais. 
Possui alta disponibilidade no mercado e o preço é relativamente bom. Quando 
desejamos obter maiores ganhos de peso em animais a pasto, a energia é o nutriente 
mais limitante e a suplementação com milho garante o suprimento deste déficit. O 
Milho é rico em energia (84% de NDT) e pobre em proteína (8.5% PB), triptofano, 
lisina, cálcio, riboflavina, niacina e vitamina D, rico em pró-vitamina A (beta caroteno) 
e pigmentantes (xantofila). Pode compor 100% do concentrado energético das rações 
concentradas. Na maioria dos casos, recomendamos a moagem fina (quirera de milho) 
em peneira de 2 a 5 mm, sendo que em dietas de alto grão, onde o concentrado 
representa mais de 60 % da dieta, pode-se aumentar o tamanho da partícula. Na 
fabricação de misturas múltiplas, deve ser triturado fino, com objetivo de melhorar a 
utilização pelos microorganismos do rúmen. O armazenamento deverá ser feito com no 
máximo 14 % de umidade, para evitar o desenvolvimento de fungos. A tabela 1 mostra a 
composição média do milho grão, de acordo com análises em experimentos brasileiros. 
Tabela 1. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO MILHO GRÃO.
Nutriente Média n s 
MS 87.64 494 3.34 
MO 97.60 78 3.34 
PB 9.11 690 1.06 
NIDA/N 3.84 24 2.14 
NIDN/N 9.53 8 2.97 
EE 4.07 343 1.07 
MM 1.55 260 0.78 
FB 2.19 238 1.00 
ENN 74.10 49 3.50 
CHO 84.90 176 1.80 
FDN 13.98 153 5.01 
FDA 4.08 153 2.05 
HEM 9.41 13 4.22 
CEL 3.55 41 1.63 
LIGNINA 1.16 51 0.60 
NDT 87.24 24 3.71 
DMS 90.78 14 2.14 
DEE 100 1 - 
DPB 69.23 6 3.51 
EB 4.31 102 0.34 
Ca 0.03 246 0.01 
P 0.25 283 0.09 
Mg 0.13 33 0.06 
K 0.35 24 0.14 
Na 0.03 27 0.01 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Milho desintegrado com palha e sabugo (MDPS) 
É comumente conhecido como “Rolão de Milho”, espiga integral moída ou 
simplesmente “Rolão”. Na espiga, 70% do peso é composto por grãos, 20 % por sabugo 
e 10 % de palha. O valor nutritivo do sabugo e da palha é muito baixo e o MDPS 
apresenta aproximadamente 70 % do valor nutritivo do milho grão. O uso é conveniente 
apenas em propriedades onde não temos disponibilidade de volumosos de boa qualidade 
e o custo é menor que 70 % quando comparado com o milho grão. Para triturar a espiga 
inteira, requer maior dificuldade no manejo, formação de poeira e maior gasto de 
energia. A tabela 2 mostra a composição média do MDPS, de acordo com análises em 
experimentos brasileiros. 
Tabela 2. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO MILHO DESINTEGRADO COM 
PALHA E SABUGO (MDPS). 
Nutriente Média n s
MS 87.81 58 2.52 
MO 96.90 9 4.09 
PB 7.71 47 0.79 
PIDA/MS 2.40 1 - 
PIDN/MS 7.60 1 - 
EE 2.69 20 0.86 
MM 1.83 21 0.49 
FB 9.75 12 1.56 
ENN 72.88 6 4.84 
CHO 87.74 12 1.47 
FDN 31.80 4 0.54 
FDA 14.37 12 2.49 
HEM 16.54 1 - 
CEL 12.83 2 0.18 
LIGNINA 3.25 8 1.44 
NDT 65.53 6 3.08 
DMS 74.46 2 1.57 
DEE 85.08 1 - 
DPB 57.89 3 15.87 
EB 4.19 9 0.42 
Ca 0.04 20 0.02 
P 0.21 33 0.08 
Mg 0.10 9 0.03 
K 0.34 9 0.12 
Na 0.01 6 0.01 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Glúten de milho 21 
É o subproduto da indústria de amido de milho para nutrição humana, restando 
parte do gérmen, fibras da casca do grão e proteínas. No mercado brasileiro ele aparece 
como marca comercial de Refinazil (produzido pela empresa Refinações de Milho 
Brasil ) e Promil (produzido pela Cargill), ambos apresentam o mesmo valor nutritivo, é 
classificado como concentrado protéico, apresenta 21 % de PB e 73 % de NDT, a fibra é 
de alta digestibilidade para ruminantes e possui boa disponibilidade no mercado. Possui 
sabor ligeiramente amargo, mas os animais adaptam com facilidade ao consumo. É rico 
em carotenóides e pigmentantes, recomendamos fornecer até em 20 % do concentrado, 
porém bovinos de corte alimentados em confinamento consumindo até 5 kg por dia, 
apresentam bons ganhos de peso. Em misturas múltiplas, o uso do glúten proporciona 
bom resultado, devido o alto valor protéico, o que reduz o uso de fontes de NNP como a 
uréia. As tabela 3 e 4 mostram a composição média do Glúten 21, de acordo com 
análises em experimentos brasileiros. 
Tabela 3. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO GLÚTEN DE MILHO 21 
Nutriente Média n s
MS 88.50 6 2.24 
PB 24.39 4 1.02 
NIDA/N 3.91 3 2.77 
NIDN/N 10.01 2 6.18 
PIDA/MS 0.70 1 - 
PIDN/MS 1.70 1 - 
EE 3.19 6 1.64 
MM 5.50 5 3.95 
FB 9.26 2 3.70 
CHO 66.22 3 0.84 
FDN 39.53 4 1.57 
FDA 10.01 6 2.47 
CEL 10.03 1 - 
LIGNINA 1.27 4 0.80 
NDT 73.45 3 1.92 
DMS 79.81 1 - 
DEE 100 1 - 
DPB 84.77 1 - 
EB 3.81 1 - 
Ca 0.04 2 0.01 
P 0.49 3 0.29 
Mg 0.04 1 - 
K 1.49 1 - 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Tabela 4. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO GLÚTEN DE MILHO 
REFINAZIL 
Nutriente Média n s 
MS 87.40 1 - 
PB 23.45 2 3.46 
EE 1.40 2 0.56 
MM 7.36 2 0.91 
FB 9.45 2 0.78 
CHO 67.80 2 3.12 
Ca 0.17 1 - 
P 1.01 2 0.28 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Milheto Grão – Pennisetum typhoides 
O milheto é uma gramínea muito utilizada em agricultura, como cultura de 
safrinha, geralmente após a cultura da soja. O custo é cerca de 70 % do valor do milho e 
apresenta boa disponibilidade no mercado. A produção é estacional e sua colheita ocorre 
nos meses de maio e junho. É classificado como concentrado energético e substitui o
milho nas formulações de dietas. Para animais de baixo desempenho, pode ser utilizado 
como único alimento energético, como acontece nas misturas múltiplas, porém quando 
desejamos melhores índices produtivos, deverá substituir 25 a 50 % do milho. O 
milheto apresenta o grão pequeno e duro, devendo ser triturado em peneira mais fina (2 
mm). A tabela 7 mostra a composição média do Milheto grão, de acordo com análises 
em experimentos brasileiros. 
Tabela 7. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO MILHETO GRÃO 
Pennisetum typhoides 
Nutriente Média n s 
MS 88.47 10 0.91 
MO 94 1 - 
PB 13.55 12 1.72 
NIDN/N 24.38 1 - 
EE 5.13 8 0.94 
MM 2.51 8 1.47 
FB 2.76 8 1.13 
ENN 68.86 3 6.04 
CHO 78.56 4 3.92 
FDN 15.93 6 1.17 
FDA 7.73 9 3.10 
HEM 7.50 2 0.57 
CEL 4.35 3 0.62 
LIGNINA 1.96 3 0.43 
NDT 76.37 1 - 
EB 4.00 2 0.04 
Ca 0.05 7 0.02 
P 0.23 6 0.06 
Mg 0.09 2 0.01 
K 0.33 2 0.02 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Sorgo Grão – Sorghum vulgare 
O sorgo possui composição semelhante ao milho, apresenta produção estacional 
e geralmente é cultivado como cultura de safrinha, após o cultivo da soja. O custo é 
cerca de 70 a 80 % do valor do milho e praticamente não apresenta limitações de uso. 
Em dietas para gado de corte e leite, pode compor até 100% do concentrado energético. 
O grão é pequeno e duro e deve ser triturado em peneira fina (2 mm). O Tanino, 
presente em algumas variedades, em níveis de 2,0 a 2,5 %, é um composto fenólico 
ligado à proteína, que diminui a digestibilidade e aceitabilidade. Estas variedades são as 
mais produtivas por área e também as que apresentam grãos escuros, conhecidas como 
“sorgo resistente a pássaros”. Atualmente as empresas produtoras e multiplicadoras de
sementes, estão extinguindo estas variedades do mercado. Apresenta maior valor 
protéico que o milho (9 a13 %) e menor valor energético (80% NDT). É pobre em 
carotenóides e pigmentantes e possui um desbalanceamento entre isoleucina e leucina 
que interfere na conversão do triptofano para niacina, este balanceamento de 
aminoácidos é mais importante para nutrição de monogástricos. A tabela 8 mostra a 
composição média do Sorgo grão, de acordo com análises em experimentos brasileiros 
Tabela 8. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO SORGO GRÃO 
Nutriente Média n s 
MS 87.90 67 1.72 
MO 98.43 16 0.43 
PB 9.54 76 1.43 
NIDN/N 25.55 4 2.47 
EE 3.03 44 0.73 
MM 1.80 32 0.93 
FB 2.53 31 1.15 
ENN 71.92 8 1.20 
CHO 85.30 17 1.57 
FDN 14.21 15 2.24 
FDA 6.30 18 1.82 
HEM 9.62 2 2.43 
CEL 3.55 5 0.46 
LIGNINA 1.21 8 0.68 
NDT 80.35 6 4.08 
DMS 70.32 19 4.24 
DEE 93.48 1 - 
DPB 35.96 5 3.63 
EB 4.13 2 0.30 
Ca 0.04 18 0.02 
P 0.28 26 0.09 
Mg 0.19 6 0.01 
K 0.40 3 0.17 
Na 0.03 5 0.01 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Arroz Farelo integral – Oriza sativa 
É o sub-produto do beneficiamento do arroz para nutrição humana. Neste 
processo, retira-se a casca do grão e a película que envolve a semente (pericarpo), 
obtendo o farelo de arroz, ele contem pequenas quantidades de fragmentos de cascas, 
grãos e boa quantidade de gérmen. É um concentrado energético com alto teor de 
extrato etéreo (30%), o que torna este alimento muito susceptível a rancificação, deve
ser armazenado no máximo por 30 dias. É pobre em Proteínas, cálcio e rico em energia 
e fósforo e vitaminas do complexo B. Em suínos na terminação e outros monogástricos, 
pode provocar toucinho devido à presença de ácidos graxos insaturados, já nos 
ruminantes isto não ocorre devido a hidrogenização destes ácidos no rúmen, o que os 
transforma em saturados (entrada de um hidrogênio na dupla ligação da cadeia 
carbônica). Deve-se observar sempre o teor de gordura (EE) da dieta total, que não 
deve ultrapassar a 6 %, o que pode provocar queda na digestibilidade da fibra, 
principalmente a celulose e até diarréia nos animais. Recomenda-se utilizar até 20 % do 
concentrado ou fixar em no máximo 1 kg por animal adulto ao dia. A tabela 9 mostra a 
composição média do Arroz Farelo integral, de acordo com análises em experimentos 
brasileiros 
Tabela 9. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO ARROZ FARELO INTEGRAL 
Oryza sativa 
Nutriente Média n s 
MS 88.71 66 2.42 
MO 89.62 14 2.24 
PB 13.95 80 2.32 
NIDA/N 10.22 3 4.80 
NIDN/N 19.51 1 - 
EE 16.14 67 4.10 
MM 8.48 46 2.52 
FB 9.25 43 2.08 
ENN 42.73 9 3.29 
CHO 60.81 33 3.99 
FDN 24.11 10 2.45 
FDA 14.06 16 4.30 
HEM 11.34 1 - 
CEL 10.11 5 3.52 
LIGNINA 5.22 10 1.98 
NDT 83.64 3 4.21 
DMS 77.98 2 3.61 
DEE 100 1 - 
DPB 58.08 2 6.26 
EB 4.80 16 0.43 
Ca 0.12 30 0.07 
P 1.65 29 0.42 
Mg 0.90 3 0.07 
K 1.32 2 0.46 
Na 0.05 2 0.01 
S 0.18 1 - 
Cu 16.09 3 4.40 
Fe 82.61 4 11.91 
Mn 241.03 3 39.97 
Zn 71.01 2 1.58 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)
Trigo Farelo – Triticum aestivum 
Subproduto da fabricação da farinha de trigo para alimentação humana, o farelo 
de trigo contém as camadas mais externas do grão (tegumento, aleurona, gérmen e parte 
de amido). É classificado como concentrado energético por apresentar 14 a 15 % PB, 
porém é baixo em energia devido a grande quantidade de fibras. Apresenta alta 
aceitabilidade pelos animais e muito utilizado em rações para bezerros, novilhas, touros 
e animais com menor exigência energética. O uso é limitado em animais confinados, 
quando desejamos alto desempenho (tanto corte quanto leite), devido ao baixo valor 
energético. É rico em fósforo (1 a 1.3%). É comum o uso como concentrado único para 
eqüinos, o que pode provocar o aparecimento de “cara inchada”, pela deficiência de 
cálcio e antagonismo com o fósforo. A disponibilidade no mercado é boa e o preço é 
relativamente bom, em regiões próximas aos moinhos. A tabela 12 mostra a composição 
média do Trigo Farelo, de acordo com análises em experimentos brasileiros. 
Tabela 12. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO TRIGO FARELO 
Triticum aestivum 
Nutriente Média n s 
MS 88.01 120 1.96 
MO 92.69 22 3.90 
PB 16.63 160 1.58 
NIDA/N 3.80 7 0.96 
NIDN/N 18.74 4 2.12 
EE 3.53 90 1.24 
MM 5.58 65 1.33 
FB 9.52 66 2.30 
ENN 54.26 9 2.19 
CHO 73.68 48 2.21 
FDN 44.30 29 2.64 
FDA 13.52 48 4.37 
HEM 33.18 1 - 
CEL 9.69 7 1.28 
LIGNINA 4.00 18 1.81 
NDT 72.43 10 2.78 
DMS 72.96 3 3.11 
DEE 100 1 - 
DPB 59.13 1 - 
EB 4.33 26 0.25 
Ca 0.22 32 0.07 
P 1.00 70 0.29 
Mg 0.49 8 0.04 
K 1.17 7 0.20 
Na 0.01 3 0.01
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Soja grão – Glicine max 
É o grão de oleaginosa mais cultivada no Brasil, com objetivo de produzir óleo 
para alimentação humana. A semente da soja (grão) é rica em óleo (18%EE), com NDT 
de 90%, proteínas (38%PB), média em fósforo e pobre em cálcio, vitamina D e 
caroteno. Tem ação ligeiramente laxativa. Na forma crua, recomenda-se não ultrapassar 
2 kg por animal adulto ao dia, que pode ser oferecida inteira ou triturada. Após ser 
triturada, a soja rancifica facilmente, devendo ser armazenada no máximo por 3 dias. É 
comum nas regiões produtoras, o uso de soja com baixo padrão para a indústria, 
conhecida como “soja ardida” este produto apresenta baixo custo, mas deve ser seco e 
livre de fungos (mofo). Apresenta substancias tóxicas, inibidores da tripsina (sojina) que 
provoca hipertrofia pancreática e crescimento retardado, por impedir a digestão de 
proteínas. As Fitoemaglutininas prejudicam a absorção de todos os nutrientes, 
principalmente da glicose. Estes fatores são inativados com o calor e a fermentação 
rumenal, portanto seu uso é limitado apenas para ruminantes jovens e monogástricos. A 
presença de uréase (enzima que degrada a uréia em amônia), em níveis maiores que 
0.30 % é o principal indicativo da atividade de fatores ante nutricionais. A mistura de 
uréia em rações contendo soja grão triturada, leva à perda do nitrogênio por 
volatilização. A tabela 13 mostra a composição média da Soja Grão, de acordo com 
análises em experimentos brasileiros. 
Tabela 13. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA SOJA GRÃO 
Glycine Max (L.) Merr. 
Nutriente Média n s 
MS 91.18 61 2.34 
MO 94.17 10 3.03 
PB 39.01 68 3.72 
NIDA/N 6.60 4 0.11 
NIDN/N 17.27 2 3.25 
EE 19.89 47 3.81 
MM 5.01 40 0.95 
FB 6.36 34 4.32 
ENN 25.07 8 2.63 
CHO 35.27 23 4.40
FDN 17.52 9 4.35 
FDA 13.18 8 4.02 
HEM 9.26 3 4.59 
CEL 3.93 2 2.76 
LIGNINA 2.69 7 1.44 
NDT 84.50 2 0.71 
DMS 77.55 2 12.66 
DPB 65 2 6.65 
EB 6.94 11 5.96 
Ca 0.27 12 0.05 
P 0.53 29 0.11 
Mg 0.20 3 0.08 
K 1.90 4 0.36 
Na 0.02 3 0.01 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Farelo de soja 
É o subproduto da extração do óleo de soja para alimentação humana. O Farelo 
de soja é considerado o principal concentrado protéico para alimentação animal. É rico 
em Proteínas (44 a 46 %) de boa qualidade, principalmente pelos níveis de Lisina e 
Metionina, alto em tiamina, colina e niacina, médio em vitaminas E e K, pobre em 
caroteno. Após a retirada do óleo, por prensagem e uso de solventes químicos, os 
princípios tóxicos são desativado (uréase menor que 0.30%), a PB aumenta e a energia 
diminui, apesar de ainda ser considerada alta (80% de NDT). Não apresenta limitação 
de uso para qualquer espécie animal e pode ser armazenado por 3 meses. A tabela 14 
mostra a composição média do Farelo de Soja, de acordo com análises em experimentos 
brasileiros. 
Tabela 14. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO FARELO DE SOJA 
Glycine max (L.) Merr. 
Nutriente Média n s 
MS 88.61 487 1.65 
MO 92.58 81 2.97 
PB 48.78 545 2.91 
NIDA/N 2.75 18 1.11 
NIDN/N 4.88 11 3.09 
EE 1.71 307 0.76 
MM 6.32 254 1.37 
FB 6.29 243 1.59 
ENN 31.35 70 4.22 
CHO 43.99 174 3.46 
FDN 14.62 151 2.51
FDA 9.86 143 3.36 
HEM 6.13 19 4.11 
CEL 8.35 22 3.62 
LIGNINA 1.33 32 0.65 
NDT 81.54 18 2.29 
DMS 89.19 3 2.69 
DEE 100 1 - 
DPB 95.97 4 3.39 
EB 4.56 90 0.30 
Ca 0.34 329 0.10 
P 0.58 297 0.14 
Mg 0.27 31 0.06 
K 1.98 29 0.40 
Na 0.06 22 0.03 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Casca de soja (Casquinha de soja peletizada) 
É um subproduto da indústria de óleo de soja, na obtenção do farelo a casca do 
grão é retirada e peletizada para facilitar o armazenamento e transporte. As indústrias de 
ração e produtores utilizam a casquinha como concentrado energético, em substituição 
ao milho, por apresentar valor protéico baixo (10% de PB) e energia média (70% de 
NDT), mas este alimento é classificado como volumoso, devido o alto teor de fibras 
(40% FB) de alta digestibilidade. É muito utilizada em dietas com altos níveis de 
concentrados, onde melhora o funcionamento do rúmen. Tanto em gado de corte, quanto 
leite a casca de soja pode ser utilizada em quantidades de 2 a 4 kg por animal ao dia, 
observando o suprimento da energia da dieta. A tabela 15 mostra a composição média 
da Casca de Soja, de acordo com análises em experimentos brasileiros. 
Tabela 15. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA CASCA DE SOJA 
Glycine Max (L.) Merr. 
Nutriente Média n s 
MS 89.80 46 1.64 
MO 94.48 9 1.37 
PB 11.65 50 2.21 
NIDA/N 7.34 1 - 
NIDN/N 34.29 2 4.61 
EE 1.60 39 0.69 
MM 4.34 36 2.18 
FB 41.68 29 2.69 
ENN 43.27 4 0.81 
CHO 84.11 26 2.05 
FDN 68.40 18 4.81 
FDA 50.52 16 3.61 
HEM 19.54 4 3.88
CEL 51.42 2 0.25 
LIGNINA 3.43 7 1.45 
NDT 68.77 6 2.32 
DMS 68.65 2 4.61 
DEE 75.94 2 18.26 
DPB 41.97 2 26.71 
EB 4.07 3 0.05 
Ca 0.59 6 0.22 
P 0.21 6 0.09 
Mg 0.23 2 0.02 
K 1.51 1 - 
Na 0.01 1 - 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Algodão sementes (Caroço de algodão) – Gossypium spp 
É um dos alimentos mais usados na alimentação de bovinos de corte e leite, 
principalmente nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. 
A forte concorrência do óleo de algodão com o de soja, reduz o custo deste produto e 
viabiliza o uso da semente do algodão integral na alimentação destes animais. O custo 
nas regiões produtores é muito baixo (menor que do milho), o que permite formular 
dietas com alto valor energético e custo baixo. Em confinamento de gado de corte, 
pode-se utilizar até 3 kg por boi ao dia, na forma inteira (sem triturar). Nas dietas com 
altas quantidades de concentrados, o caroço desempenha um importante papel na 
manutenção da atividade microbiana do rúmen. Para vacas leiteiras recomenda-se 2 kg 
por vaca ao dia, substituindo as rações comerciais (verificar o balanceamento e 
suprimento de minerais da dieta). A semente, as folhas e o farelo de algodão contem 
gossipol, pigmento amarelo tóxico, principalmente para monogástricos. A fermentação 
no rúmen desativa a toxidez do gossipol, permitindo o uso para ruminantes, deve-se 
limitar o uso para bezerros e em animais adultos manter o nível máximo de EE em 6%. 
O uso para touros também é limitado pois a ingestão de quantidades maiores pode afetar 
a produção de espermatozóides. A tabela 16 mostra a composição média do Caroço de 
Algodão, de acordo com análises em experimentos brasileiros. 
Tabela 16. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO CAROÇO DE ALGODÃO 
Gossypium hirsutum 
Nutriente Média n s 
MS 90.64 30 2.22 
MO 90.32 6 0.45 
PB 22.62 30 1.83
NIDA/N 4.11 2 0.67 
NIDN/N 6.64 2 0.06 
PIDA/MS 1.59 1 - 
PIDN/MS 1.93 1 - 
EE 18.90 27 4.63 
MM 4.66 13 1.50 
FB 24.39 7 2.23 
ENN 41.78 3 13.46 
CHO 35.85 8 3.46 
FDN 46.04 22 4.63 
FDA 35.85 11 2.96 
HEM 13.45 2 3.80 
CEL 19.27 2 1.79 
LIGNINA 7.58 5 1.61 
NDT 81.92 6 4.69 
DMS 72.32 1 - 
DEE 100 1 - 
DPB 68.71 1 - 
EB 5.57 4 0.37 
Ca 0.33 8 0.21 
P 0.75 8 0.27 
Mg 0.75 1 - 
K 0.65 1 - 
Na 0.08 1 - 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Farelo de algodão – Gossypium spp 
É o subproduto da produção de óleo de algodão, após ser esmagado, podendo ser 
tratado com solventes. Quando o óleo é retirado apenas por esmagamento e prensagem, 
o subproduto recebe o nome de “torta de algodão” e quando recebe o tratamento 
adicionam com solventes é identificado como “farelo de algodão”, a diferença é que na 
torta, permanece maior quantidade de óleo, o que melhora seu valor energético, apesar 
de que este é severamente afetado pela presença de casca (fibra de baixa qualidade). 
Quanto menor o teor de casca no farelo, melhor será sua qualidade. No mercado 
Brasileiro, os produtos mais freqüentes são os Farelos de Algodão 28 % PB e o 38 % 
PB. O Farelo de Algodão 46 % PB é pouco utilizado por ter o preço muito próximo ao 
farelo de soja, que é de melhor qualidade. Estes farelos contêm gossipol e sofrem as
mesmas limitações indicadas no caroço de algodão. Para gado de corte em 
confinamento, pode compor todo concentrado protéico da dieta. Em vacas leiteiras 
deve-se limitar o uso em 20 % do concentrado ou 1,5 kg de farelo por vaca ao dia. As 
tabelas 17, 18 e 19 mostram a composição média do Farelo de Algodão, de acordo com 
análises em experimentos brasileiros. 
Tabela 17. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO FARELO DE ALGODÃO 
(28%PB) 
Nutriente Média n s 
MS 89.67 42 2.27 
MO 94.85 9 1.16 
PB 32.16 43 1.63 
NIDA/N 5.84 2 0.08 
PIDA/MS 1.86 1 - 
PIDN/MS 2.52 1 - 
EE 1.94 18 1.28 
MM 5.22 17 0.97 
FB 20.16 14 5.18 
ENN 35.07 6 2.26 
CHO 57.18 2 1.78 
FDN 36.70 4 2.89 
FDA 31.24 11 6.48 
HEM 24.87 1 - 
CEL 22.7 2 0.42 
LIGNINA 5.54 2 3.15 
NDT 69.77 4 2.35 
DMS 68.16 1 - 
DPB 88.80 3 1.84 
EB 4.34 7 0.35 
Ca 0.26 9 0.14 
P 0.84 9 0.13 
Mg 0.46 2 0.08 
K 1.22 1 - 
Na 0.04 1 - 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Tabela 18. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO FARELO DE ALGODÃO 
(38%PB) 
Nutriente Média n s 
MS 89.95 22 3.34 
MO 91.87 66 5.57 
PB 40.90 25 1.65 
NIDA/N 2.95 2 0.24 
NIDN/N 5.26 1 - 
EE 1.87 18 1.69 
MM 6.82 16 2.79 
FB 15.62 13 3.38
CHO 52.05 4 2.16 
FDN 34.92 7 2.72 
FDA 24.19 9 2.42 
LIGNINA 2.81 2 2.47 
NDT 68.31 4 1.22 
DIVMS 69.87 1 - 
EB 4.59 4 0.06 
Ca 0.24 11 0.06 
P 1.00 9 0.08 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Tabela 19. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO FARELO DE ALGODÃO 
(48%PB) 
Nutriente Média n s 
MS 89.70 7 0.83 
MO 93.79 3 0.99 
PB 46.60 7 1.47 
EE 1.50 4 0.81 
MM 6.36 4 0.86 
FB 14.43 1 - 
FDN 30.46 5 5.34 
FDA 21.14 2 0.67 
EB 4.51 1 - 
Ca 0.22 1 - 
P 1.21 1 - 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Farelo de girassol – Helianthus annun 
É o subproduto da indústria de óleo de girassol para alimentação humana e 
atualmente para produção de biodiesel. A cultura do girassol tem expandido nas regiões 
sudeste e centro oeste, como “safrinha”. O farelo apresenta alta quantidade de fibras, 
porém de boa qualidade. O valor de energia é menor que do farelo de soja (70% de 
NDT), a proteína é de média qualidade (lisina baixa) e de boa digestibilidade (90%). No 
início do período seco, quando ocorre a colheita do girassol, apresenta bom preço, 
competindo com o farelo de algodão ou até menor nas regiões produtoras. Apresenta na 
forma farelada e peletizada, esta favorece o armazenamento (menor volume) e facilita o 
uso em ditas completas, onde volumoso e concentrado são oferecidos em conjunto. Para 
gado de corte pode ser usado como único concentrado protéico e em vacas leiteiras 20% 
do concentrado ou até 2 kg por vaca ao dia. A tabela 20 mostra a composição média do 
Farelo de Girassol, de acordo com análises em experimentos brasileiros.
Tabela 20. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO FARELO DE GIRASSOL 
Helianthus annum 
Nutriente Média n s 
MS 91.85 11 0.95 
PB 35.33 14 7.67 
EE 2.06 12 0.88 
MM 6.18 10 1.20 
FB 20.39 8 6.39 
ENN 29.16 8 4.78 
CHO 49.45 4 11.43 
FDN 42.36 4 3.40 
FDA 34.90 6 4.20 
NDT 63.97 3 3.52 
EB 4.23 1 - 
Ca 0.73 10 0.35 
P 0.92 10 0.22 
Mg 0.72 2 0.08 
K 1.14 1 - 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
Torta de babaçu – Orbignya martiniana 
O óleo da castanha do babaçu é muito utilizado para fabricação de cosméticos, 
no Brasil e grande parte exportada para Europa. O farelo de babaçu é o subproduto da 
extração do óleo, contem grande quantidade de fibras e na maioria dos casos se 
caracteriza como alimento volumoso, o valor de energia fica baixo e a proteína é média. 
Rancifica-se facilmente e dever ser estocado no máximo por 30 dias. Deve ser utilizado 
apenas para ruminante e sempre que possível, fazer análise do lote para verificar o grau 
de inclusão de casca, o que reduz seu valor nutritivo. A tabela 22 mostra a composição 
média da Torta de babaçu, de acordo com análises em experimentos brasileiros. 
Tabela 22. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA TORTA DE BABAÇU 
Nutriente Média n s 
MS 91.44 1 - 
MO 91.96 1 - 
PB 17.51 1 - 
MM 5.82 1 - 
FDN 70.87 1 - 
FDA 40.99 1 - 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)
Polpa cítrica peletizada 
Subproduto da indústria de suco de laranja contem além da polpa, casca e 
sementes. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de laranja, apresenta alta 
disponibilidade no mercado, uma vez que a safra inicia em maio e termina somente em 
janeiro, coincidindo com a entressafra de grãos como milho e sorgo. O preço deve ser 
menor que do milho, pois o nível de energia é inferior. A polpa cítrica é pobre em 
proteína (6.5% de PB) e fósforo, média em energia (70 % de NDT) e muito alta em 
cálcio (1.2 %), devido a adição de óxido de cálcio (CaO) durante o processo de 
peletização. Na formulação de dietas deve-se tomar cuidado com relação ao 
balanceamento entre cálcio e fósforo. Para vacas leiteiras a polpa tem um importante 
papel no fornecimento de pectina, este carboidrato quando fermentado no rúmen, 
produz ácido acético que é o principal precursor da gordura do leite. Em vacas de alta 
produção, que recebem grandes quantidades de concentrados, evita a queda do teor de 
gordura do leite, além de exercer um efeito tampão no rúmen, evitando problemas de 
acidose. A forma peletizada, mantém a efetividade da fibra, por estimular a mastigação e 
ruminação. 
Limitações de uso: O maior problema do uso da polpa é o seu armazenamento, pelo fato 
de ser muito higroscópia, absorve água e eleva seu peso em até 145 %, isto favorece o 
desenvolvimento de fungos produtores de micotoxinas. É comum animais, o 
aparecimento de animais com sintomas de pruridos na pele, síndrome hemorrágica e até 
morte, quando alimentados com produtos mal armazenados. O fungo penicillium 
citrinum é o principal formador desta micotoxina, outras micotoxinas que podem 
aparecer são os tricotecenos e aflatoxina Bl. 
O nível de inclusão mais freqüente é de 2,0 a 2,5 kg de polpa por animal ao dia, 
tanto em gado de corte quanto de leite. A tabela 23 mostra a composição média da Polpa 
cítrica peletizada, de acordo com análises em experimentos brasileiros. 
Tabela 23. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA POLPA CÍTRICA PELETIZADA 
utriente Média n s 
MS 87.95 41 3.45 
MO 92.41 15 4.75 
PB 7.15 42 1.22 
NIDA/N 12.52 3 0.73 
NIDN/N 43.27 2 2.72 
EE 3.28 23 1.82 
MM 6.14 26 1.38
FB 12.63 11 3.74 
ENN 68.88 4 3.96 
CHO 84.01 14 1.47 
FDN 24.31 29 2.08 
FDA 23.01 27 4.21 
HEM 4.34 6 1.69 
CEL 19.95 5 2.43 
LIGNINA 1.89 9 1.06 
NDT 65.17 4 2.42 
EB 4.09 4 0.39 
Ca 1.84 18 0.44 
P 0.16 18 0.08 
PECTINA 25.00 1 - 
Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 
3. Suplementação Mineral de Bovinos em Pastagens 
Os minerais considerados essenciais, isto é, aqueles para os quais já se conhece 
pelo menos uma função essencial à vida animal, são classificados em função das 
necessidades quantitativas dos animais em: Macrominerais (Cálcio, Fósforo, Magnésio, 
Potássio, Cloro, Sódio e Enxofre) e Microminerais (Ferro, Cromo, Zinco, Manganês, 
Iodo , Selênio, Cobre, Cobalto e Molibdênio); Flúor, Vanádio, Titânio, Silício, Níquel, 
Arsênio, Bromo, Estrôncio e Cádmio são considerados como provavelmente essenciais 
(GEORGIEVSKEE, 1982 ). 
3.1. Importância dos macrominerais 
As funções básicas dos minerais essenciais podem ser divididas em três grupos 
principais (CHRISTY,1984): no primeiro grupo estão as funções relacionadas com o 
Crescimento e Mantença dos tecidos corporais; no segundo estão as funções da 
regulação dos processos corporais dos animais; e no terceiro grupo estão as funções de 
regulação na utilização da energia dentro das células do corpo. 
3.1.1. Cálcio e Fósforo (Ca e P) 
Representam 70% do total de minerais encontrados no corpo do animal. 90% 
destes, estão presentes nos ossos e dentes.
O Cálcio além de essencial para formação do esqueleto, entra na composição do 
leite, coagulação do sangue, regulagem dos batimentos cardíacos, manutenção e 
excitabilidade neuromuscular, ativação de enzimas e manutenção da permeabilidade das 
membranas. 
O Fósforo além de compor o esqueleto participa na manutenção dos 
microorganismos do rumem, ajuda na absorção dos carboidratos, transporta os ácidos 
graxos (fosfolipídeos) e desempenha papel importante na absorção e metabolismo da 
energia. 
É de fundamental importância que Cálcio e Fósforo mantenham uma relação de 
aproximadamente duas partes de Cálcio para uma de Fósforo. Os bovinos toleram 
relações mais altas desde que não ocorra deficiência destes minerais na dieta , desde que 
não ocorra deficiência de vitamina D, importante para absorção e deposição do cálcio 
no Tecido Ósseo. 
A deficiência de cálcio é rara em gado de corte, pois as forrageiras apresentam 
níveis relativamente altos deste mineral. Entretanto, SOUZA; ROSAL (1982) 
constataram deficiências em animais no Pantanal do Mato Grosso e em Rondônia. Em 
gado leiteiro de alta produção a deficiência é mais freqüente 
O sintoma mais evidente da deficiência de cálcio e fósforo é o Raquitismo em 
animais jovens e a Osteomalácia em animais adultos. O Raquitismo é uma má formação 
dos ossos onde os animais apresentam inchação das juntas, engrossamento das 
extremidades dos ossos, arqueamento do dorso e enrijecimento das pernas. Em casos de 
deficiência mais acentuada apresentam joelhos curvados e pernas arqueadas. 
Na Osteomalácia Cálcio e Fósforo são retirados dos ossos sem que ocorra 
reposição, tornando-os fracos e quebradiços. A exigência maior aparece no final da 
gestação e durante a lactação. 
Os principais sintomas de deficiência de Fósforo são: 
 Anorexia (redução do apetite); 
 Depravação do apetite, o animal come ossos, madeira, terra e outros matérias; 
 Baixos índices de fertilidade, resultando em maior intervalo entre partos e menor 
número de crias por ano; 
 Redução dos índices produtivos como: produção de leite, ganho de peso e conversão 
alimentar. 
A deficiência de Fósforo constitui um dos mais sérios problemas da Nutrição dos 
Ruminantes, uma vez que as pastagens são muito deficientes neste mineral. Os altos 
níveis de Ferro e Alumínio acentuam a deficiência do Fósforo por formarem complexos 
insolúveis. 
3.1.2. Magnésio (Mg) 
A deficiência de Magnésio é rara, uma vez que este mineral é abundante na 
maioria dos alimentos. 70% do Mg corporal está presente no esqueleto. As principais 
funções estão relacionadas ao metabolismo de Carboidratos e Lipídios, catalisadores de 
vários sistemas enzimáticos, oxidação celular e atividade neuromuscular. 
O sintoma típico da deficiência de Mg é a tetania das pastagens. Animais velhos 
apresentam maior dificuldade de mobilizar Mg dos ossos e são mais susceptíveis à 
tetania. 
3.1.3. Potássio (K)
O Potássio é o principal cátion intracelular, está presente também no meio 
extracelular onde atua na atividade muscular. É importante ainda no balanço osmótico, 
equilíbrio ácido-base, balanço hídrico corporal e ativação de sistemas enzimáticos. As 
pastagens tropicais geralmente são ricas em potássio e a maior parte do K ingerido é 
reciclado pela urina. A deficiência de K pode aparecer em animais com dietas a base de 
feno, silagem e forrageiras de corte que não recebem adubação com este elemento. É 
mais freqüente em animais confinados, pois os grãos são relativamente pobres neste 
mineral. 
Animais em condições de estresse, perdem mais K pela urina, portanto neste 
caso a dieta deve conte maiores níveis do mineral. 
3.1.4. Sódio e Cloro (Na, Cl) 
A importância destes minerais na alimentação dos animais é conhecida há 
milhares de anos pelo desejo de consumir sal comum (NaCl). 
O Na junto com o K possui a função de manter a pressão osmótica e equilíbrio 
ácido-base. Desempenham papel importante a nível celular, no metabolismo da água, 
na absorção de nutrientes e na transmissão de impulsos nervosos. O Cl é componente do 
ácido clorídrico do suco gástrico. 
O Na é considerado o elemento mais deficiente entre todos os minerais 
essenciais aos ruminantes, uma vez que os alimentos são pobres e o organismo não 
possui reservas deste mineral. Possui papel importante na manutenção da atividade dos 
microorganismos do rumem pelo eficiente poder tampão que exerce. 
A suplementação de sódio deve ser contínua para os ruminantes e o consumo 
voluntário é aproximadamente 1000 ppm de Na, o que representa 10 g do mineral para 
cada 10 kg de matéria seca consumida, resultando em um consumo de 27 g de NaCl por 
dia. 
O sal comum (NaCl) é o principal regulador do consumo da mistura mineral. 
Portanto misturas com alta concentração de Na Cl, resultam em baixo consumo pelos 
bovinos. Isto explica também a ineficiência do fornecimento de NaCl separado dos 
outros minerais. 
3.1.5. Enxofre (S) 
O Enxofre é constituinte dos aminoácidos sulfurosos (Cistina, Cisteina e 
Metionina) e das vitaminas Tiamina e Biotina. A principal função do S, para os 
ruminantes, está relacionado à síntese de aminoácidos no rumem , às vitaminas e síntese 
do Acido Propiônico. 
Para uma eficiente utilização do nitrogênio não protéico (NNP) pelas bactérias 
do rumem, deve haver uma relação de 1 (uma) parte de S para 14 (quatorze) partes de 
Nitrogênio da dieta. Para obter esta proporção recomendamos substituir 10% do peso da 
uréia utilizada na alimentação dos bovinos, por sulfato de amônia. 
3.2. Importância dos microminerais 
3.2.1. Cobalto (Co) 
O Cobalto é importante para os microorganismos do rumem na síntese de 
vitamina B12. Os ruminantes são totalmente dependentes da capacidade dos 
microorganismos em sintetizar a vitamina B12.
A vitamina B12 catalisa a reação do Propionato para succinato no Ciclo de 
Krebs (Conn; Stumpf; 1972). Em sua ausência ocorre uma elevação do nível do 
Propionato no organismo e o animal perde apetite. O sintoma mais evidente da 
deficiência de Co em ruminantes é a falta de apetite, resultando em anemia, pêlos 
ásperos, engrossamento da pele, perda de peso e morte. No Brasil estes sintomas são 
comumente denominados mal do colete, peste do secar, mal de fastio. 
As deficiências menos acentuadas acarretam em maiores prejuízos, pois o 
pecuarista dificilmente constata o fato. Níveis menores que 0,1 ppm de Co na matéria 
seca da pastagem pode levar à deficiências generalizadas quando os animais não são 
suplementados. 
3.2.2. Zinco (Zn) 
O Zinco e um ativador de enzimas e está relacionado com o metabolismo de 
ácidos nucleico, síntese de proteína e metabolismo de carboidratos. Potencializa os 
efeitos dos hormônios F S H e L H o transporte e utilização da vitamina A . 
As Pastagens tropicais, principalmente as do gênero Braquiaria apresentam 
baixos níveis de Zn no tecido. No Brasil Central constatamos níveis médios de 5 a 10 
ppm na matéria seca, para uma exigência de 50 ppm. 
Os sintomas mais típicos da deficiência estão relacionados com anormalidades 
na pele devido a presença de Zn em maior quantidade nesta região. 
3.2.3. Ferro (Fe) 
O Ferro é o principal componente da hemoglobina e mioglobina, está ligado ao 
transporte e armazenamento de oxigênio para respiração celular. As pastagens 
geralmente apresentam altos níveis de Fe sendo rara sua deficiência. Animais jovens na 
fase de aleitamento podem apresentar uma anemia hipocrômica microcítica, 
principalmente quando ocorre em conjunto alta infestação por vermes e carrapatos. 
3.2.4. Cobre (Cu) 
O Cobre atua junto com o ferro na síntese de hemoglobina, participa da absorção 
do Fe no intestino delgado. Está ligado à síntese da camada de mielina que recobre o 
sistema nervoso central. É necessário para pigmentação normal da pele e dos pêlos. 
Os principais sintomas da deficiência de Cu são relatados como desordens 
nervosas, pele e pêlos despigmentados, diarréias, queda na produção de leite e da 
fertilidade. As pastagens geralmente são pobres neste mineral. No Brasil 
Central temos constatado níveis de 5 a 8 ppm de Cu na matéria seca enquanto que o 
normal deveria ser de 10 ppm. Níveis do Molibdênio superiores a 5 ppm interfere na 
absorção do cobre (SOUZA; ROSA, 1982). 
3.2.5. Manganês (Mn) 
O Manganês é de grande importância para manutenção dos órgãos reprodutivos 
dos machos e fêmeas, participa como cofator de várias enzimas envolvidas no 
metabolismo de carboidratos e lipídeos. Em geral, as pastagens apresentam níveis 
satisfatórios de Mn. A deficiência pode aparecer em regiões com altos níveis de Ca no 
solo. Em dietas ricas em Ca e P aumenta a exigência em Mn. SOUZA (1978), constatou 
a deficiência de Mn em vários regiões do Brasil, principalmente no Mato Grosso.
Nestas regiões animais deficientes apresentam problemas reprodutivos, 
desenvolvimento retardado e deformação dos membros posteriores de bezerros recém-nascidos. 
3.2.6. Iodo ( I ) 
A maior parte do Iodo é encontrado na glândula tiróide para formação da 
tiroxina e triodotiroxina, estes hormônios atuam na termorregulação, na reprodução, no 
crescimento e desenvolvimento animal, incluindo a fase fetal, na circulação e na função 
muscular. A deficiência de Iodo provoca uma hipertrofia da tireóide conhecida como 
bócio endêmico ou papeira. O aumento da glândula ocorre devido à tentativa de 
produzir os hormônios na ausência de Iodo. 
Animais recém-nascidos de vacas deficientes podem apresentar o bócio, além da 
incidência de natimortos mal formados e sem pelagem. As fêmeas em reprodução 
apresentam anestro e os machos perda da libido (GEORGIEVSKET, 1982). 
3.2.7. Selênio (Se) 
O Selênio foi estudado inicialmente como elemento tóxico. O conhecimento de 
sua necessidade como mineral essencial é relativamente recente. 
Os sintomas de intoxicação por Se aparecem em bovinos quando consomem 
forragem com 4.000 ppm (JARDIM,1973) de Se na matéria seca e são relatados como 
atordoação , rigidez das articulações , perda de pêlos e deformações nas unhas. 
A função do Se no organismo do animal é servir como ativador da enzima 
glutatione peroxidase, que por sua vez destrói os peróxidos de hidrogênio, 
transformando-os em hidroácidos. A deficiência do Se ocasiona um acúmulo de 
peróxido de hidrogênio com destruição da membrana celular, danificando os tecidos. A 
vitamina E evita a formação de peróxidos, mas quando já formados somente o Se é 
capaz de destruí-los. 
A deficiência de Se provoca o aparecimento de uma distrofia muscular 
conhecida como doença do músculo branco. Além desta doença, provoca também 
aumento nos índices de retenção de placenta, caquexia. Diarréia, redução no 
crescimento e problemas reprodutivos. 
3.2.8. Cromo (Cr) 
O elemento cromo há muitos anos vem despertando o interesse dos cientistas 
devido seu efeito sobre os fatores negativos causados pelo estresse. 
Animais sobre intensa condição de estresse eliminam altas quantidades de cromo 
na urina, podendo deixar o indivíduo deficiente neste elemento. 
A deficiência em cromo reduz a resposta de transporte da glicose no sangue, 
enfraquecendo seu efeito nas células. A principal conseqüência disso é a redução no 
ganho de peso e produção de leite, além de aumento na susceptibilidade às doenças. 
Portanto, animais em desmama, que acabaram de ser transportados, após 
castração e vacinação, em intenso calor e vacas em lactação (principalmente primíparas) 
com bezerro ao pé, respondem muito bem à suplementação com cromo, elevando o 
desempenho produtivo. 
3.2. Importância da suplementação mineral na produtividade dos bovinos
Vários são os trabalhos que mostram a importância da suplementação mineral no 
desempenho produtivo dos animais. As deficiências de P são as mais limitantes, seguida 
de Zn, Cu, Co, I e Se. 
O aumento nos índices reprodutivos é a principal vantagem da suplementação 
mineral, como mostram os trabalhos conduzidos na América Latina, África e Ásia; 
apresentados no Gráf. 3. 
Estudos Latino Americano, Africano e Asiático 
sobre os Efeito da Suplementação 90 
Mineral no 
Aumento da Porcentagem de Natalidade. 
80 
Gráfico 3. Estudos latino americano, africano e asiático sobre os efeitos da 
suplementação mineral no aumento da porcentagem de natalidade 
70 
60 
50 
40 
30 
20 
10 
0 
Bolívia 
Brasil 
Colômbia 
Peru 
África do 
Sul 
Tailândia 
Uruguai 
Controle Controle+Suplemento Mineral 
GUIMARÃES e NASCIMENTO (1971) estudaram o efeito da suplementação com sal 
comum, farinha de ossos, cobre e cobalto no desempenho reprodutivo de vacas a nível 
de pasto, na Ilha de Marajó e encontraram resposta positiva aos tratamentos com fósforo 
e microminerais (Tab. 4.). 
Tabela 4. Porcentagem de nascimento de bezerros nos grupos de vacas sob vários 
tratamentos (adaptado de GUIMARÃES & NASCIMENTO, 1971). 
Tramento Número de 
Vacas 
Número de 
Bezerros Nascidos 
Porcentagem 
de Nascimento 
Desvio (%) do 
Testemunha 
A 50 34 68,0 18,9 
B 54 39 72,2 23,2 
C 51 28 54,9 5,8 
D 53 26 49,1 -
A - Pasto nativo + sal comum + farinha de ossos + cobre + cobalto 
B - Pasto nativo + sal comum + farinha de ossos 
C - Pasto nativo + sal comum 
D - Pasto nativo 
SOUZA et al. (1984) verificaram o efeito da suplementação mineral (sal comum, 
sal comum + fosfato e sal comum + fosfato + microminerais ) em novilhas sob pastejo 
de Capim Colonião adubado. No período seco, a suplementação não teve efeito positivo 
no desempenho dos animais. 
O nível de minerais encontrados em análises de forrageiras é muito variável de 
acordo com cada região. Em um trabalho realizado em 180 propriedades dos estados de 
Rondônia Níveis e Acre, de Macrominerais 
encontramos os níveis de macro e microminerais contidos nos 
Gráficos 4 e 5. 
Gráfico 4. 0,5 
Níveis de macrominerais, mínimos e máximos em relação à exigência 
dos mesmos 
0,45 
0,4 
0,35 
0,3 
0,25 
0,2 
0,15 
0,1 
0,05 
Fósforo Cálcio Magnésio Enxofre 
Mínimo 
Máximo 
Exigência 
Gráfico 5. Níveis de microminerais, mínimos e máximos em relação à exigência dos 
mesmos
Níveis 100 
de Microminerais 
90 
80 
70 
60 
50 
40 
30 
20 
10 
0 
Zn Cu Mn Fe 
Mínimo 
Máximo 
Exigência 
Os resultados mostram que existe uma grande variação na composição das 
pastagens e sugere que as formulações de misturas minerais deverão ser específicas para 
cada região ou propriedade. 
4. Suplementação mineral, protéica e protéico-energética de bovinos 
em pastagens 
Durante o período seco as pastagens apresentam uma menor intensidade de 
rebrote e consequentemente um menor número de folhas verdes, diminuindo a 
capacidade de suporte o que traz como conseqüência a perda de peso dos animais. Com 
adoção de um manejo adequado, podemos reservar parte da produção de pasto do 
período chuvoso para ser utilizada na época seca, permitindo que os animais tenham 
bom desempenho neste período. O baixo valor nutritivo das pastagens durante a seca 
pode ser corrigido com o uso de misturas múltiplas contendo além dos minerais, 
proteínas verdadeiras (farelos), nitrogênio não protéico (uréia) e carboidratos (grãos de 
cereais) que garantem uma nutrição adequada dos microorganismos do rúmen, com 
aumento na digestibilidade, maior consumo e aproveitamento da pastagem. 
A suplementação com estas misturas permite obtermos ganhos moderados e até 
mesmo semelhantes àqueles conseguidos durante o período das águas. Quanto maior a 
quantidade de suplemento oferecido melhor será o ganho de peso e neste caso aparece 
um efeito substitutivo da ração concentrada pelo pasto, como ocorrem nos semi-confinamentos 
onde os animais recebem em média até 1% de seu peso vivo, na forma 
desta ração. Neste caso os ganhos variam em média de 800 a 1000 g de peso vivo por 
animal ao dia, sendo que estes valores podem variar de acordo com as condições do 
pasto, ou seja, quanto maior a disponibilidade de folhas verdes, melhor serão os ganhos. 
O semi-confinamento é indicado apenas para a terminação dos animais e torna-se viável 
principalmente em regiões onde o pasto mantém-se verde durante o período seco,
portanto não é viável obtermos ganhos de pesos elevados no período seco e depois 
voltar os animais ao regime de pasto, o que irá implicar em uma redução do ritmo de 
ganho na época das águas. 
Para suplementarmos animais com exigências moderadas como são os bezerros, 
novilhas e vacas em final de gestação, podemos utilizar misturas de menor consumo (50 
a 75g / 100 Kg de peso vivo ao dia) ou seja, aproximadamente 300 g por animal adulto, 
que são conhecidas comumente no mercado como “Sal Proteinado”. Neste caso, o 
objetivo é obter pequenos ganhos de peso no período seco (Sal Proteinado) e 
intensificar o ganho no período de chuvas (Protéico da águas), antecipando desta forma 
o abate dos animais, conforme mostra o experimento realizado na Embrapa de Campo 
Grande (CNPGC). 
Desenvolvimento de Novilhos 
Submetidos a Diferentes Alimentares. 
Tratamento g/animal/dia Meses 
A - Testemunha 355 35,3 
B - Supl. primeira seca 410 30,6 
C - Supl. segunda seca 450 28,7 
D - Supl. primeira e segunda secas 510 26,3 
E - Supl. primeira e conf. na segunda 725 22,6 
F - Supl. durante todo ano 550 24,6 
Tabela 6. Desenvolvimento de novilhos submetidos diferentes regimes 
alimentares 
Vale lembrar que a suplementação com misturas múltiplas durante o período 
chuvoso é viável apenas quando temos animais de alta capacidade genética para ganho 
de peso e a pastagem não é suficiente (manejo fora do ideal), necessitando de uma 
suplementação principalmente nos níveis de proteína, energia e minerais da pastagem. 
5. Conclusões e Recomendações para Suplementação de Bovinos de 
corte em Pastagens 
 A produção de bovinos de corte a pasto é a forma mais econômica que o 
produtor pode encontrar em seu criatório, porém o manejo adequado das 
pastagens torna-se de fundamental importância para obter o máximo de ganho 
por área, tornando a atividade mais econômica; 
 A divisão das pastagens constitui uma técnica eficaz de manejo e permite fazer 
com que os animais pastejam em rodízio, aumentando a produção de massa do 
pasto, além de evitar sua degradação;
 A suplementação mineral de bovinos criados a pasto é de fundamental 
importância para garantirmos um bom desempenho produtivo; 
 O principal sintoma da deficiência está relacionado com a queda da fertilidade, o 
que reduzem os números de bezerros nascidos na propriedade; 
 Quanto maior a produção e disponibilidade de massa verde na pastagem, maior 
será a necessidade de minerais, portanto no período de verão a suplementação 
proporciona melhores resultados de produtividade dos animais; 
 No período seco, se os animais tiverem baixa disponibilidade de massa nas 
pastagens, a suplementação poderá ser moderada, uma vez que os altos níveis de 
minerais não repercutem em maiores produções; 
 Carências acentuadas podem levar ao aparecimento de doenças e até morte dos 
animais; 
 O mineral mais deficiente em nossas pastagens é o Sódio, mas o Fósforo é o 
mais limitante uma vez que chega representar 60 a 80 % do custo em uma 
mistura mineral de boa qualidade; 
 Para aquisição de misturas comerciais, fatores como o nível de fósforo, 
biodisponibilidade da matéria prima utilizada e níveis dos microminerais 
citados, são de grande importância na escolha; 
 As misturas minerais deverão ficar à disposição dos animais, em cochos 
apropriados (se possível cobertos) e reabastecidos sempre que necessário; 
 Em propriedades com gado de cria, onde vacas e bezerros permanecem juntos 
em um mesmo pasto, a construção dos cochos devera permitir um fácil acesso 
também para os bezerros; 
 O estudo específico das condições de cada propriedade, relacionadas com o 
desempenho e aspecto dos animais, composição química das pastagens 
(conhecida através de análises em laboratórios) e níveis de exigências dos 
animais, leva a uma escolha ou formulação de misturas mais econômicas e com 
melhores resultados produtivos do plantel; 
 A suplementação com misturas múltiplas, principalmente no período seco, tem 
apresentado bons resultados econômico, pelo fato de reduzir a idade ao abate dos 
animais; 
 O uso da quantidade adequada de cochos é de fundamental importância e 
podemos adotar as medidas de 5 cm de área de chegada por animal, para o caso 
de misturas minerais e 10-15 cm para misturas múltiplas; 
 Em caso de dúvida, nunca tome decisões precipitadas na escolha ou formulação 
das misturas, procure um profissional de sua confiança.
INTERAÇÃO NUTRIÇÃO X REPRODUÇÃO NA BOVINOCULTURA DE 
CORTE 
Introdução 
A nutrição é o principal fator que influencia no desempenho reprodutivo na 
bovinocultura de corte, considerando que a ciclicidade estral e o início da gestação 
podem ser consideradas funções de baixa prioridade dentro de uma escala de 
direcionamento dos nutrientes e só serão ativadas quando a demanda para a 
manutenção, crescimento e reserva de nutrientes forem supridas. 
Além disso, o manejo reprodutivo é fundamental para elevar os índices produtivos do 
rebanho. Neste contexto, os eventos envolvidos durante a vida reprodutiva da fêmea 
serão: desmama, puberdade, parto, período de serviço, idade à primeira cria, intervalo 
de partos e manejo pré-parto. Do manejo adequado desses eventos, depende a eficiência 
reprodutiva (ER) do animal e do rebanho como um todo. Sua vida útil produtiva 
envolve fases importantes que dependem de um conjunto de decisões fundamentais a 
serem tomadas, visando maior produtividade e lucratividade. 
O Manejo Reprodutivo 
Conforme o esquema da Fig. 1, a vida útil de uma fêmea é definida por vários 
momentos e períodos.
Desmama 
É um momento importante para as futuras matrizes, pois fornecerá dados para a seleção 
de fêmeas. A saúde dos animais desmamados depende da capacidade da mãe em criá-los. 
Altas diferenças esperadas na progênie (DEP) para peso à desmama representam 
um dos indicadores mais importantes da pecuária, ou seja uma boa habilidade materna 
(HM). Esse parâmetro é tão importante que, se fosse possível, os produtores só 
deveriam adquirir e descartar matrizes com base nesse índice. Uma desmama 
considerada ideal para os padrões raciais encontrados em nosso território nacional, seria 
entre 180 a 210 kg. 
Puberdade 
Por volta de um ano de idade inicia-se a puberdade do animal, ou seja, a fase de 
afloramento de todo o aparelho genital/reprodutor e seus anexos, a produção de 
hormônios, além do fortalecimento das estruturas corporais para que a fêmea esteja 
preparada para o acasalamento. O desenvolvimento fisiológico normal do animal 
depende do manejo adequado, principalmente da alimentação. Por isso, a desmama 
assume grande importância, pois animais bem desmamados passam por essa fase sem 
problemas, completando-a em torno dos 18 meses. 
Idade à primeira cria (IPC)
No caso das primíparas, isto é, das fêmeas que estão parindo pela primeira vez, a idade 
à primeira cria (IPC) é um registro muito importante. Essa idade tem alta correlação 
com a vida útil produtiva, significando que as fêmeas que têm o seu primeiro parto mais 
cedo, são mais férteis e produzem mais durante a sua vida reprodutiva. Significa 
precocidade reprodutiva e que as novilhas devem ser manejadas com muita atenção. 
Todavia, não se deve entourar e/ou inseminar fêmeas com um peso menor que 300 kg, 
para não comprometer a vida reprodutiva do animal numa gestação em estado corporal 
não-condizente. Idades à primeira cria acima dos 27 - 30 meses devem ser consideradas 
altas, indicando problemas com o manejo pós-desmama e a puberdade. 
Parto 
Na Fig. 1 representado pelos pontos P, o parto é o grande momento, de modo que a 
fêmea deve merecer toda a assistência, intensiva, se for o caso, quando necessitar de 
ajuda. Também, após o parto, principalmente na assepsia da área genital da mãe e nos 
cuidados com a cria. Um problema de parto pode inutilizar a fêmea para a reprodução, 
do mesmo modo que um corte de umbigo malfeito ou uma secreção que entope as vias 
respiratórias de um recém-nascido podem causar uma infecção com graves 
consequências em toda vida do animal. 
No parto, deve ser efetivada uma das mais significativas práticas de manejo, da qual 
dependerá a saúde do bezerro: a ingestão do colostro, a qual tem conseqüências muito 
benéficas nos recém-nascidos. As gamaglobulinas, associadas às diversas substâncias, 
sais minerais e vitaminas, conferem imunidade aos bezerros, tornando-os resistentes a 
várias doenças durante toda a vida, resultando um animal mais saudável e, 
conseqüentemente, produtivo. 
Período de serviço 
Outro importante momento é o período que antecede a próxima fecundação (F): o 
período de serviço (PS), ou seja, aquele que vai do parto à próxima fecundação. Esse 
período se divide em período puerperal (PP), quando ocorre a involução uterina, isto é, 
a recomposição do sistema genital, principalmente do útero, e o serviço (S) 
propriamente dito, em que o touro está cobrindo a fêmea. No caso de uso da 
inseminação artificial (IA), o controle desse período é muito mais seguro, ficando o 
manejo reprodutivo mais simples. Diz-se que, nessa fase, a fêmea está vazia. Um 
problema ocorrido durante o parto ou mesmo nutricional pode prejudicar fortemente
essa fase da criação. A sua importância é fundamental para a lucratividade da fazenda, 
pois, quanto maior for o PS, maior será o intervalo de partos (IDP). 
Intervalo de partos 
O intervalo de partos (IDP) é uma fase ligada à reprodução das mais importantes para a 
criação animal. Ele depende de todas as práticas de manejo, seja nutricional, reprodutiva 
ou sanitária. Quanto maior for o IDP, menor será a produtividade do animal, 
acarretando prejuízos ao comprometer a eficiência reprodutiva do rebanho. 
É fácil se entender a importância do IDP. Toda vaca deve parir uma cria por ano. Caso 
isso não aconteça, deve-se concentrar esforços na identificação das causas. O IDP é o 
termômetro fisiológico da reprodução, pois um problema acorrido no passado pode 
refletir nessa fase e, conseqüentemente, na relação custo-benefício da criação. 
O IDP está situado entre P1 e P2, ou seja, entre dois partos, fazendo desse intervalo 
quase todas as outras fases. 
Para que a fêmea produza uma cria por ano, que é o ideal, o PS não pode ultrapassar 
120 dias. Conclui-se, assim, que o sucesso na criação depende de manejo e, por 
conseguinte, é totalmente dependente do homem. Um intervalo de parto acima de 365 
dias, compromete bastante a eficiência reprodutiva do rebanho, pois fica fora da relação 
considerada ótima de uma cria, por ano, por fêmea. 
Necessidade Nutriconal da Matriz 
A nutrição é considerada um dos fatores determinantes na atividade reprodutiva em 
vacas de corte, tendo especial ação no retorno da atividade ovariana durante o pós-parto. 
A partição dos nutrientes é um mecanismo pelo qual, em condições de baixa 
disponibilidade de alimentos, o organismo animal determina uma ordem de prioridades 
para o uso da energia disponível para as diferentes funções orgânicas. Nesta ordem de 
importância, a apresentação de ciclos estrais e o início da gestação são funções pouco 
prioritárias, assim sendo, as funções reprodutivas só serão ativadas quando o balanço 
entre quantidade e qualidade da dieta, reserva de nutrientes, demanda para o 
crescimento, metabolismo e outras funções forem supridas. 
Além disso, vários outros fatores interferem no PS, tais como a lactação e a 
amamentação, o efeito do macho, a involução uterina, o número de partos, as distocias, 
as patologias congênitas e adquiridas e fatores hormonais que estão associados
diretamente com a nutrição, principalmente ao manejo inadequado ou mesmo a falta 
desta. 
Com um manejo reprodutivo e alimentar executado corretamente teremos uma grande 
eficiência reprodutiva o que pode ser considerado um fator de grande impacto 
econômico. 
Da energia consumida pelo animal na forma de Carboidratos, parte é absorvida no 
intestino delgado como hexoses e a maior quantidade é fermentada no rúmen, ocorrendo 
a liberação de ácidos graxos voláteis (AGV) que serão fonte de energia. Portanto, a 
utilização de dietas energéticas, rias em carboidratos de fácil fermentação, favorece a 
produção de AGV no rúmen, onde o ácido propiônico é o principal substrato energético 
utilizado pelos ruminantes como fonte de glicose, através do processo de 
gliconeogênese, aumentando o nível de glicose circulante, que por sua vez, aumenta o 
nível de insulina no sangue. 
Quando vacas e novilhas são manejadas em pastagens de baixa qualidade, como 
observado na época seca no Brasil Central, o acetato é o principal AGV produzido via 
fermentação ruminal, havendo produção insuficiente de propionato. Com a inadequada 
gliconeogênese, ocorre depleção de oxaloacetato, o qual é um intermediário 
fundamental para o metabolismo do acetato. A restrição no suprimento de oxaloacetato 
diverge o metabolismo do acetato e a produção de ATP para ciclos menos eficientes, 
aumentando a produção de calor, diminuindo assim a eficiência energética, enquanto o 
carbono do acetato é direcionado para formação de corpos cetônicos. 
É importante ressaltar que a fertilidade das fêmeas é um fator de baixa herdabilidade, ou 
seja, os fatores genéticos pouco irão se expressar frente a possíveis variáveis, sendo que 
as variações ambientais, como por exemplo, uma correta nutrição, serão os maiores 
indicativos de um bom manejo produtivo na propriedade. 
Objetivo de um bom manejo nutricional 
O principal objetivo de um bom nutricional é que a ingestão destes nutrientes na 
quantidade correta (sem supernutrição ou subnutrição) servirão como reservas corporais 
e irão ser responsáveis pela regulação da função ovariana em vacas pós-parto. Esta 
estratégia de manejo é considerada de grande valia para minimizar o PS e otimizar a 
produção de gametas, aumentando assim as taxas de fecundações.
A ingestão de nutrientes, antes e após o parto à primeira ovulação. Além disso, o 
crescimento de folículos após o parto é influenciado pela ingestão de energia. A 
reduzida ingestão de energia por vacas de corte no período pós-parto reduz o tamanho 
de folículos dominantes e o número de folículos grandes estrógeno-ativos e aumenta a 
persistência de pequenos folículos subordinados. 
Caracterização das fêmeas 
A maneira mais simples e prática de se avaliar o estado nutricional de uma vaca de cria 
é através da avaliação da sua condição corporal ou escore corporal (ECC). Esta prediz 
as reservas de energia do animal, por meio da cobertura de músculos e gordura, 
estimando a condição nutricional geral do animal naquela fase. 
As descrições dos ECC utilizam um sistema de avaliação visual que atribui uma 
pontuação em uma escala de 1 até 5, onde 1 corresponde a um animal extremamente 
magro e 5 exageradamente gordo. 
Os depósitos de gordura corporal são mais visíveis ao longo do dorso-lombo, inserção 
da cauda, ponta de anca, ponta de nádega, costelas e ponta de peito, sendo estas regiões 
os locais a serem observados no corpo do animal para se estimar a condição corporal, 
como mostra a figura 2. 
O ECC de uma vaca para entrar em EM deve ser de 2,5 a 3,5, ou seja, a fêmea deve 
estar aparentando saudável, porém sem excesso de gordura, popularmente conhecida 
como “gomos”.
O monitoramento de suas mudanças durante a gestação é de grande importância, porque 
permite tomada de decisões como a adoção de estratégias de engordar vacas magras 
antes do parto ou mesmo possibilitar perda de peso daquelas excessivamente 
condicionadas. 
O ECC na época do pré-parto em vacas influencia a resposta na ingestão de nutrientes 
no período pós-parto. Quando vacas com ECC igual a 4 a 4,5 foram alimentadas no pós-parto, 
para ganhos de peso de 0,5 a 0,6 kg por dia, a percentagem de vacas em cio, nos 
primeiros 20 dias da EM, aumentou de 85%, segundo Kunkle et. al., (1994). 
A condição corporal ao parto é fator de fundamental importância na determinação do 
período de anestro pós–parto, sendo que vacas com condição corporal mais elevada ao 
parto apresentaram menores períodos de anestro, além de iniciar a gestação mais cedo 
durante a estação reprodutiva, apresentando em conseqüência menor intervalo de partos. 
Além disso, ela prediz com mais segurança que as mudanças no peso corporal ou na 
condição corporal após o parto a melhoria do desempenho reprodutivo subsequente. 
Importante lembrar que estas condições não devem ser consideradas lineares, ou seja, a 
medida que isso aumenta será melhor, pois medidas maiores ou iguais a 4,5 esses 
efeitos demonstrados pelo ECC irão diminuir as características reprodutivas do animal, 
considerando que os hormônios, de uma forma geral, são lipossolúveis tendo atração 
por tecido adiposo. Por isso deve-se tomar cuidado quanto a isso. 
O ECC pré-parto de 4,5 apresenta uma maior taxa de foliculogênese, aliada a uma maior 
quantidade de folículos médios e grandes, assim como a presença fundamental dos 
folículos dominantes. 
Este fator nutricional é muito importante, principalmente para as primíparas (vacas de 
primeira cria). 
O peso inicial ideal para primeira cobertura (novilhas) é de 300 a 350 Kg, sendo que se 
consegue isso, quando se tem uma adequada alimentação, entre os 18 e 24 meses de 
idade. 
É importante ressaltar que o papel desta vaca na eficiência reprodutiva de uma 
propriedade é oferecer um bezerro por ano, sendo consideradas inviáveis ou de descarte 
aquelas que não se apresentarem desta forma. Para isso, o fator nutricional é 
considerado limitante, visto que com uma correta divisão de lotes (indispensável a
homogenidade) poderá ser mais fácil de adequar possíveis suplementações nas 
diferentes épocas do ano. 
Estação de Monta 
Fatores que influenciam a concepção 
Inúmeros trabalhos de pesquisa foram desenvolvidos com o intuito de estabelecer uma 
relação entre condição nutricional, condição corporal, fatores ambientais e fertilidade. A 
grande maioria deles estabelece uma influência direta e positiva entre esses fatores e a 
possibilidade de concepção das fêmeas, e, além disso, mostram que o índice de 
fertilização coincide com a estação chuvosa, ou seja, quando a taxa de crescimento das 
pastagens é alta e sua qualidade é melhor. Quanto maior é a estacionalidade da produção 
forrageira, maior é a concentração de fecundação e, consequentemente, de nascimentos 
durante o ano. 
Partindo-se desses fatos, é muito mais fácil trabalhar a favor da natureza. A idéia da 
implantação de uma estação de monta na propriedade, muitas vezes descartada pelo 
produtor, tem por base racionalizar a atividade reprodutiva dos animais, tanto no 
aspecto biológico quanto prático. Isso significa dizer que o trabalho de manejo 
reprodutivo na propriedade será racionalizado de modo que durante um período há 
nascimentos, num seguinte cuidados com bezerros em amamentação e posteriormente 
desmame em grupos bem homogêneos. 
Estacionalidade da produção forrageira 
Do ponto de vista prático, a determinação da estação de monta deve ser feita de forma 
que permita uma eficiência reprodutiva máxima e sem investimentos exorbitantes de 
capital. Isso ocorrerá se a estação de monta for feita de modo que esta ocorra quando a 
produção de forragem for máxima. Para se alcançar esse objetivo, o período em que as 
vacas deverão estar em serviço, ou à disposição dos touros, deverá ser de 3 a 5 meses, 
que também coincidirão com a época das chuvas. 
A figura 3 mostra um esquema que usa a estacionalidade da produção forrageira para 
maximizar a eficiência reprodutiva. Nesse esquema a estação determinada foi de 3 
meses. Esse período, no entanto só deve ser adotado em propriedades cujo rebanho já 
esteja ajustado para cobertura na época das águas. Quando da introdução dessa prática, 
pode-se optar por um processo gradativo de retirada dos touros, de forma que dentro de 
alguns anos todo o rebanho esteja com o nascimento sincronizado.
Esquema de estação de monta, nascimento e desmame 
No período previsto para cobertura deverá ocorrer intensa brotação das pastagens. A 
época de nascimentos, assim como a época de fecundação estão previstas para períodos 
nos quais são observados os maiores índices de nascimento e de fecundação, observados 
por diferentes autores. A época da desmama ocorre em março-abril, e os animais 
desmamados deverão ser colocados em pastagens de boa qualidade, especialmente 
manejadas, ou receber suplementação alimentar. Uma suplementação para as vacas 
durante o final do período do nascimento e o início do período de monta, principalmente 
com proteínas e, sem dúvida, com minerais (esta deve ocorrer durante todo o ano, com 
produto adequado e idôneo), poderia ser indicada em anos nos quais a brotação das 
pastagens fosse retardada devido às condições climáticas. 
Entretanto, vacas adultas podem sofrer pequena perda de peso no final da gestação e 
início da lactação, sem comprometer a eficiência reprodutiva se estiverem em ganho de 
peso durante a estação de monta. 
O estabelecimento da estação de monta também facilita grandemente o manejo, 
principalmente em relação a um esquema de eliminação de matrizes, com diagnóstico 
de prenhez 60 dias após a retirada dos touros. 
Qualquer oportunidade para o descarte desse tipo de animal deve ser utilizada. Primeiro 
para selecionar diretamente por fertilidade e habilidade materna, o que gera 
imediatamente uma pressão de seleção para adaptabilidade ao ambiente local.
Esse modelo de trabalho permite a identificação de animais inférteis ou sub-férteis com 
grande precisão, e sua eliminação do rebanho é fundamental para que se alcance bons 
índices reprodutivos. 
Como planejar o período da estação de monta 
Deixar a tourada solta durante todo o ano como garantia de bezerros nascendo o 
tempo todo não é a melhor estratégia. É bom lembrar que na seca há pouco pasto, 
o que traz vários prejuízos à nutrição da vaca em lactação, atrasando o seu retorno 
ao cio e prolongando o intervalo entre partos. 
Para evitar essa e outras situações que colocam em risco a produtividade é que eles 
recomendam a estação de monta. O resultado será uma bezerrada uniforme, menor taxa 
de mortalidade e maior peso à desmama. 
O recomendado seria a redução gradual do período de exposição dos touros à vacada. 
Um bom começo é adotar uma estação de monta de seis meses, que será reduzida em 
cerca de 1 a 2 meses por ano até que se atinja a duração pretendida de 60 a 90 dias. 
Reduções bruscas podem comprometer a fertilidade do rebanho e a sua taxa de 
natalidade. É muito importante ressaltar que isto se modifica de região para região, 
lembrando sempre de que o fator limitante para o sucesso desta prática é o início da 
estação de monta durante a época chuvosa. Assim os partos então ocorrem no final da 
seca, com baixa incidência de doenças, como a pneumonia, e de parasitas, como 
carrapatos, bernes, moscas e vermes. Além disso, é nessa época que o capim rebrota, 
ressurgindo com qualidade elevada, capaz de nutrir as matrizes em fase de lactação. A 
desmama então ocorrerá no início da seca, quando as vacas vazias deverão ser 
descartadas. 
Cuidados sanitários para a estação de monta 
A estação de monta, que deve começar a partir de outubro, quando os pastos estarão 
revigorados pelas chuvas, requer alguns cuidados. Deve ser feito, além do exame 
andrológico anualmente, há necessidade do exames físicos para avaliar problemas de 
aprumos, de prepúcio e de pênis, testes de libido e de aptidão para determinação da 
correta relação vacas/touro.
A atenção com a sanidade deve ser redobrada. Afinal, como um reprodutor doente é 
capaz de infectar dezenas de vacas, só deve ser utilizados animais sadios. O macho 
também deve estar livre de doenças que afetam sua capacidade reprodutiva, como a 
brucelose, tricomonose e campilobacteriose, e de processos infecciosos graves, como as 
doenças viróticas IBR e BVD. A brucelose, quando afeta o touro, leva-o à subfertilidade 
ou infertilidade. O tratamento é de custo elevado, por isso se preconiza o descarte dos 
doentes. 
A tricomonose, que é contagiosa e sexualmente transmissível, pode levar à morte 
embrionária precoce e repetição de cio a intervalos irregulares nas vacas, além de 
abortos e infecções após a cobrição. O touro é um foco importante da infecção, 
principalmente os mais velhos, que alojam o parasita no prepúcio. O controle pode ser 
feito por tratamento individual dos touros afetados, porém, seu custo é alto. O descarte 
dos infectados, assim como dos mais antigos, é uma alternativa de controle. 
A campilobacteriose é normalmente transmitida durante a monta pelo reprodutor 
contaminado e pode causar infertilidade temporária e morte embrionária precoce. Os 
machos doentes podem ser eliminados do rebanho em função do diagnóstico da 
situação. 
A rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR) acarreta perdas econômicas, como abortos e 
morte de bezerros recém-nascidos. Após a infecção, o vírus permanece no animal de 
forma latente e pode ser reativado periodicamente após estresse ou tratamento com 
corticóides. Esses animais servem de fonte de infecção através de secreções nasal, 
ocular, vaginal e fetos abortados. A transmissão pode ocorrer por meio do coito e por 
sêmen congelado. O controle é realizado pela avaliação dos resultados do diagnóstico 
laboratorial e o uso de vacinação como ferramenta de controle a partir desse 
diagnóstico. 
A diarréia viral bovina (BVD) é uma doença causada por vírus e transmitida por via 
placentária e/ou contato direto entre os animais, fezes, fetos abortados. No caso dos 
touros, além das secreções gerais, o sêmen também pode contribuir para a 
contaminação das vacas durante o coito ou inseminação. A doença provoca abortos, 
principalmente durante os primeiros três ou quatro meses de gestação, infertilidade, 
defeitos congênitos e atraso no desenvolvimento dos animais infectados. A diarréia 
aparece como sintoma, geralmente em rebanhos contaminados, na faixa etária de seis
meses a um ano de idade. Os animais contaminados podem ser eliminados do rebanho 
dependendo do diagnóstico. 
As fêmeas também necessitam de atenção especial, principalmente nos primeiros anos 
de adoção da estação de monta. Os cuidados mais relevantes, e que não podem ser 
desprezados, são a boa alimentação das matrizes na época que antecede à estação, de 
modo que elas tenham condições de ciclar normalmente. A realização de exame físico 
que avalie se o animal tem condições adequadas para desenvolver uma gestação, parir e 
desmamar um bom bezerro, de prenhez, colocando no lote de monta apenas vacas 
vazias. 
Novilhas, em sistemas menos intensificados, devem ser colocadas e retiradas da monta 
1 a 2 meses antes do lote principal de matrizes para que tenham maior assédio dos 
touros e consigam se recuperar bem para no ano seguinte entrar no ciclo normal. Este 
manejo tem como entrave as parições nos períodos mais rigorosos da seca, resultando 
em baixos índices, quando comparadas com vacas multíparas. Porém, quando suas 
necessidades nutricionais são atendidas, este manejo pode ser uma estratégia de sucesso. 
Para sistemas mais intensificados, onde geralmente se utiliza a prática de IATF 
(Inseminação Artificial em Tempo Fixo), as novilhas entrarão na estação de monta de 1 
a 2 meses após o início da mesma, como estratégia para estas serem colocadas nos 
protocolos de IATF quando primíparas. Esta prática proporciona à fêmea uma parição 
nos períodos das chuvas, o que ajuda a manter um bom ECC, permitindo a 
sincronização aos 45 a 60 dias pós parto. 
Na maioria das doenças reprodutivas, o sintoma mais comum é a repetição de cio. 
Porém, abortos nem sempre são observados, principalmente quando ocorre no terço 
inicial da gestação. O animal contaminado por brucelose libera a bactéria no leite, nas 
descargas uterinas e no feto, podendo contaminar as pastagens e as aguadas por vários 
meses. Os principais sintomas são a retenção de placenta e os abortos (natimortos) no 
terço final da gestação. 
É importante lembrar que as vacas que vão para a estação de reprodução já devem ter 
sido vacinadas contra brucelose no seu desmame, e que os machos não devem receber a 
vacina. Para o controle da doença é importante o exame sorológico, para a identificação 
e o descarte dos animais positivos, que deve ser paralelo à vacinação das fêmeas na 
idade correta. Tanto os animais portadores como as vacinas podem contaminar o
operador durante o manejo. Por isso é preciso todo cuidado para a proteção contra a 
doença, principalmente durante a vacinação e o manejo com as vacas recém-paridas. 
A campilobacteriose e a tricomonose podem causar infertilidade temporária e 
mortalidade embrionária precoce. Os altos índices de repetição de cio e de mortalidade 
no terço inicial de gestação são indicações de que essas doenças podem estar presentes 
no rebanho. De forma geral, vacas em descanso reprodutivo, após quatro ciclos 
consecutivos, estão livres dessas doenças. No entanto, as vacas contaminadas devem ser 
eliminadas devido ao tempo necessário à sua recuperação. Nas regiões endêmicas pode 
ser recomendada a vacinação das fêmeas. 
A IBR e BVD também provocam abortos no terço inicial da gestação, além de causar 
outros prejuízos, como broncopneumonia, encefalite, conjuntivite, perda de peso, 
infertilidade e defeitos congênitos. Após a infecção, principalmente no caso da IBR, o 
vírus se mantém no animal de forma latente e pode ser reativado periodicamente após o 
estresse ou tratamento com corticóides. Esses animais servem como fonte de infecção 
através da secreção nasal, ocular, vaginal e fetos abortados. No caso da BVD, a diarreia 
é sintoma geralmente em rebanho não vacinado. 
A transmissão ocorre normalmente pelo contato direto entre portadores e animais 
suscetíveis ou por via indireta, através da urina, secreções nasais, fezes, fetos abortados 
e placenta, além de sêmen fresco (coito) ou congelado (inseminação). O diagnóstico 
laboratorial é muito importante antes da vacinação, para que se possa realizar um 
controle adequado do rebanho, devido às peculiaridades desses tipos de vírus. 
Altos índices reprodutivos dependem de nutrição adequada 
Para um bom desempenho produtivo, os ruminantes necessitam de Água, Proteína, 
Energia, Vitaminas e Minerais. Todos estes nutrientes são de grande importância para 
alimentação dos animais, variando apenas quantitativamente, no que diz respeito à 
categoria dos animais. Alimentar adequadamente as vacas é a garantia de boas 
condições corporais e, por consequência, altas taxas de reprodução. Minerais como o 
fósforo, o zinco, o cobre e o selênio, são fundamentais para a função reprodutiva. Nem 
as proteínas devem ficar fora do cocho. A deficiência mineral pode prejudicar o sistema 
imunológico, permitindo assim que o animal fique doente com mais facilidade. Aliado 
então à falta de proteínas, o resultado é a má condição corporal e problemas 
reprodutivos na certa.
A regra básica para a boa nutrição começa no pasto, com o manejo adequado, e termina 
no cocho, com a oferta dos suplementos necessários. Com isso, as fêmeas que estarão 
na estação de monta terão forragem com valores nutricionais mais elevados e as chances 
de deficiência protéica serão bem menores. Essa falta de proteínas traz prejuízos diretos. 
Afinal, suplementar com concentrado lotes de matrizes mais magras devido a erros 
anteriores de manejo pode inviabilizar o sistema. 
Quando um bom manejo de pastagem é realizado, ocasionando uma boa condição 
corporal, a única suplementação necessária para manter o peso da vaca é o sal com uréia 
durante o período da seca. Para esse mineral funcionar, é preciso haver alta 
disponibilidade de forragem, o que é obtido com a vedação de pastagens ainda na época 
de crescimento. Este manejo é conhecido como pastejo diferido, que consiste em vedar 
o pasto 60 dias antes do início da seca. 
Toda a nutrição da vaca deve ser pensada para que ela tenha boa condição corporal não 
só na época da estação de monta, mas também no parto. Há pouco o que se fazer com as 
vacas que entram magras na estação reprodutiva ou parem abaixo do peso. Só terão 
mesmo como recuperá-lo meses depois, quando a exigência da produção de leite para o 
bezerro entrar em declínio. 
Estratégias de Manejo Alimentar 
Durante o período chuvoso, as pastagens chegam a apresentar níveis satisfatórios de 
proteína, energia e vitaminas, enquanto que os minerais estão deficientes, impedindo o 
pecuarista de obter índices máximos de produtividade, enquanto que no período de 
estiagem, todos nutrientes estão deficientes na pastagem. Portanto nesta época a 
suplementação de apenas um nutriente não resulta em melhores rendimentos do 
rebanho. 
No período chuvoso a pastagem apresenta de 10 a 12 % de PB o que é suficiente para 
um bom desempenho de vacas com bom ECC pós parto suplementadas com uma 
mistura mineral de boa qualidade, onde o mineral de maior importância é o P, próximo a 
90g/Kg. A vaca com bom ECC terá de 3 a 5 meses (depende da EM) para apresentar os 
chamados cios férteis. 
Já no período seco, onde a vaca geralmente já apresenta um ECC adequado devido a 
prenhes (principalmente no terço final da gestação), poderá ser suplementada com um
suplemento mineral proteico, geralmente suplemento mineral com ureia, principalmente 
para vacas de bom ECC. 
Já para as primíparas e vacas com baixo ECC é fundamental que sejam separadas em 
lotes, ofertar um suplemento mineral proteico energético e quando possível uma boa 
quantidade de forragem, mesmo que esta não esteja em boa qualidade. A utilização de 
um pastejo diferido para estes lotes seria bem interessante. Este manejo é de 
fundamental importância, pois, primeiramente a vaca com baixo ECC precisa se 
recuperar para poder expressar seu cio, considerando, como já foi dito anteriormente, 
que a aparição das característica reprodutivas na fêmea é tida como seu artigo de luxo e 
não um fator de primeira importância em seu metabolismo em geral. Outra estratégia 
utilizada com sucesso para vacas de primeira cria, ou primíparas, é a implantação do 
sistema de “creep feeding” para bezerros à partir de 30 dias, o que não irá sobrecarregar 
tanto a fêmea neste período tão limitante para a mesma. O resultado disso é uma 
desmama 30 kg mais pesada (por animal), pagando assim, o custo da suplementação, 
além de otimizar o desempenho reprodutivo desta fêmea. 
Nutrição do Gado Leiteiro
A nutrição adequada do rebanho deve iniciar na fase jovem, objetivando um 
desenvolvimento satisfatório, sem que ocorra acúmulo de tecido gorduroso com 
prejuízos consideráveis na reprodução e produção de leite da futura vaca, conforme a 
tabela abaixo: 
PESO RELACIONADO À IDADE E GANHO DIÁRIO EM RAÇAS LEITEIRAS DE GRANDE PORTE 
IDADE (semanas) PESO (Kg) GANHO DIÁRIO MÁXIMO (g) 
NASCIMENTO 40 - 
5 55 400 
10 75 550 
15 100 650 
24 150 750 
34 200 750 
44 250 750 
54 300 750 
64 350 750 
Experimentos mostram que as novilhas quando super-alimentadas acumulam 
gordura no úbere, o que diminui o desenvolvimento das células secretoras de leite, 
reduzindo drasticamente a produção durante a lactação, como mostra a tabela abaixo:
Ganho de peso na puberdade e produção de leite na 1º lactação 
EXPERIMENTO GANHO DIÁRIO (g) Kg de LEITE em 305 DIAS REDUÇÃO EM % 
590 4900 
680 4800 
690 4900 
890 3900 
640 5700 
820 4600 
760 4200 
1060 4000 
2,10 
20,40 
19,30 
4,80 
1º 
2º 
3º 
4º 
O gasto com ração durante este período proporciona melhor desenvolvimento 
dos animais e torna-se viável economicamente como podemos observar no quadro 
seguinte:
Viabilidade econômica da nutrição de novilhas 
CARACT. DOS 
SISTEMAS PARIÇÃO 36 MESES PARIÇÃO 30 MESES PARIÇÃO 24 MESES 
COBERTURA 
(MESES) 27 21 15 
SITUAÇÃO AOS 3 
ANOS INÍCIO DA 1º LACTAÇÃO 6 MESES DE LACTAÇÃO 1º LACTAÇÃO ENCERRADA 
LEITE NO 
PERÍODO (Kg) - 1800 3000 
RECEITA COM O 
LEITE - R$ - 396,00 660,00 
GASTO COM 
RAÇÃO (Kg)* - 780 1500 
CUSTO DA 
RAÇÃO - R$ - 179,40 345,00 
BALANÇO - R$ - 216,60 315,00 
* Consumo médio de 1,0 e 2,5 Kg de ração dos 4 meses até a parição 
Durante o desenvolvimento das bezerras, o leite materno é fundamental para sua 
nutrição até atingir 60 dias de Idade. Nesta fase, o fornecimento de 3 a 4 litros de leite 
por animal dia é suficiente para proporcionar um crescimento adequado, desde que 
mantenha uma ração de boa qualidade à disposição destes animais. A desmama deverá 
ser feita de forma brusca quando o consumo voluntário da ração atingir 1 Kg por animal 
dia. Após este período, devemos fornecer ração à vontade até atingirem um consumo de 
2 Kg, quando fixamos esta quantidade. A partir deste momento, torna-se de suma
importância priorizar as pastagens adequadas, uma vez que o consumo de fibra aumenta 
à medida que o animal cresce. O quadro abaixo mostra o fornecimento de nutrientes 
pelo uso de rações bem como as quantidades que deverão ser supridas pelas pastagens. 
Contribuição do uso de rações no desenvolvimento das novilhas 
PESO VIVO (Kg) 
100 200 300 400 
EXIGÊNCIA 
DIÁRIA Kg NDT 2,0 3,4 4,5 5,4 
2 Kg de RAÇÃO 
Kg de NTD* 1,3 1,3 1,3 1,3 
DÉFICIT NDT (Kg) 0,7 2,1 3,2 4,1 
EXIGÊNCIA 
DIÁRIA Kg PB 0,38 0,62 0,77 0,86 
2 kg de RAÇÃO 
Kg de PB* 0,28 0,28 0,28 0,28 
DÉFICIT PB (Kg) 0,10 0,34 0,49 0,58 
* Ração com 14 % de PB e 65 % de NDT.
Após a cobertura aos 15 meses, a novilha deverá permanecer em pastagens de 
boa qualidade ou ter à sua disposição volumosos de boa qualidade, além de uma 
suplementação com ração de forma a obter os ganhos desejados. A maior exigência 
ocorre no período pré-partos (dois meses antes do parto), onde o feto cresce 80% do seu 
peso ao nascer, reduzindo a capacidade de ingestão de alimentos devido a compressão 
do rumem. A boa nutrição nesta época, proporcionará maior produção de leite durante a 
lactação e um menor intervalo parto 1.º cio diminuindo o intervalo entre partos. Quando 
a vaca apresenta cio entre 60 a 90 dias após o parto, ela produzirá um bezerro e uma 
lactação por ano, o que será decisivo para a viabilidade econômica da atividade. As 
tabelas seguintes mostram a influência desta alimentação e o manejo correto a ser 
realizado. 
Influência do nível nutricional do pré parto sobre o intervalo parto – 1º 
cio 
NÍVEL NUTRITIVO % VACAS EM CIO PÓS PARTO (DIAS) 
Pré-Parto Pós-Parto 50 60 70 80 90 
ALTO ALTO 65 80 85 90 95 
ALTO BAIXO 76 81 81 86 86 
BAIXO ALTO 25 45 70 85 85 
BAIXO BAIXO 6 17 22 22 22
DIETA BASAL DIGEST. % 
CONCENTRADO 
Kg/ Dia 
PERÍODO DE 
TRATAMENTO 
(SEMANAS) 
BAIXA 53 3,2 7 
MÉDIA 63 2,7 3 
ALTA 70 1,4 2 
MUITO ALTA 76 0 0 
Quantid 
ade necessária de concentrados no período pré-parto de acordo com a 
qualidade da dieta basal 
Após o parto, a alimentação da vaca leiteira deverá ser feita no sentido de 
atender as exigências de manutenção corporal e produção diária de leite. Nesta época, a 
produção de leite cresce de forma linear até atingir um “pico” aos 60 dias e ao mesmo 
tempo, o consumo de alimentos é baixo devido ao stress do parto. Uma nutrição 
incorreta durante este período, leva a um retardamento no aparecimento do cio pós parto 
o que trará grandes prejuízos à atividade. O quadro abaixo mostra que a alimentação das 
vacas em lactação deverá ser feita de acordo com a sua produção evitando problemas 
decorrentes da sub ou super alimentação. 
DIFERENÇAS NA UTILIZAÇÃO DE ALIMENTOS ENTRE DUAS 
VACAS SUBMETIDAS À MESMA DIETA DURANTE OS 
PRIMEIROS 67 DIAS DE LACTAÇÃO 
PARÂMETROS VACA A VACA B 
PESO VIVO (Kg) 516,8 519,1 
PROD. TOTAL (Kg) 836,5 1323,3 
PROD. MÉDIA (Kg) 12,5 21,8 
VAR. PESO VIVO (Kg) 39,1 -51,8
Fatores que mais afetam a eficiência da Produção de Leite: 
Reprodução 
A principal condição para a produção de leite é a parição. Uma vaca com 
intervalo entre partos de 12 meses produz uma lactação e um bezerro todos os anos, 
tornando seus custos diluídos em uma maior quantidade de produtos. No entanto, os 
índices de fertilidade dos nossos rebanhos são de aproximadamente 50% o que reflete 
em vacas improdutivas durante todo ano tornando inviável o sistema de criação. A 
reprodução é um fator de baixa herdabilidade (10%) ou seja, 90% deve-se aos fatores de 
meio onde a alimentação ocupa posição de destaque. Os dados abaixo mostram que em 
rebanhos com a mesma produção de leite por lactação, podemos ter resultados 
econômicos diferentes.
12 MESES 365 
DIAS (1) 14 MESES 18 MESES 
INTERVALOS DE 
PARTOS 
PARÂMETROS 
VACAS 
PROD./LACT. (2) 4500 l/Lact. 4500 l/Lact. 4500 l/Lact. 
VIDA ÚTIL (3) 6 ANOS 6 ANOS 6 ANOS 
N.º CRIAS (4) 6 CRIAS 5 CRIAS 4 CRIAS 
PROD. NA VIDA 
ÚTIL (5) 27000 l 22500 l 18000 l 
*PROD./DIA DE 
VIDA ÚTIL (6) 12,32 l 10,27 l 8,22 l 
* Produção/dia de vida útil (6) = (5) = (2) 
(3) (1) 
Perda real/vaca em números redondos quando passamos: 
a) I.P. de 12 meses para 14 meses = 2 litros 
b) I.P. de 12 meses para 18 meses = 4 litros
UM FAZENDEIRO COM 100 VACAS PERDE POR DIA 
EFETIVAMENTE 
a) I.P. de 12 para 14 meses 
- perda real = 200 litros/dia 
30 X 200 = 6.000 litros/mês 
b) I.P. de 12 para 18 meses 
- perda real = 400 litros/dia 
30 X 400 = 12.000 litros/mês 
Período de Lactação 
Este fator é altamente influenciado pela seleção genética dos animais. Após o 
“pico” de lactação, a vaca deverá manter persistente sua produção, da maneira mais 
uniforme possível até encerrar sua lactação por volta dos 305 dias. Vacas cruzadas 
possuem maior tendência de baixa persistência, portanto, nestes rebanhos o índice de 
reposição (descarte anual de fêmeas) deverá ser maior objetivando eliminar vacas que 
apresentam quedas bruscas após o “pico”. A nutrição não afeta a persistência de 
lactação, logo se suplementamos uma vaca de baixa persistência ela não responderá em 
sua produção de leite. Os dados a seguir mostram o efeito do período de lactação na 
quantidade de vacas paridas do rebanho, evidenciando que, ao desprezar a seleção de
vacas com alta persistência, estaremos anulando os efeitos positivos que conseguimos 
com a redução do intervalo entre partos. 
Período de lactação (p.l.) e % de vacas em lactação em diferentes 
intervalos de partos (i.p.) 
% DE VACAS EM LACTAÇÃO 
I.P. 12 MESES I.P. 14 MESES I.P. 18 MESES 
PERÍODO DE 
LACTAÇÃO 
10 MESES 83 71 55 
9 MESES 75 64 50 
8 MESES 66 55 44 
7 MESES 58 50 38 
6 MESES 50 42 33
Anexos 
VERMINOSE EM AGUADAS 
Outro aspecto importante que devemos destacar é a contaminação das aguadas 
naturais tipo “bacias” ou cacimbas (água parada) de água coletada no período de chuva, 
ficando parada durante todo ano, sujeita a contaminações por fezes e urinas por animais 
que ali frequentam. Estas aguadas, apesar de não serem recomendadas, em algumas 
propriedades são necessárias por não haver outra possibilidade. Portanto nesta situação 
devemos adotar um sistema de vermifugacao mais rigoroso e dar ênfase a contaminação 
por protozoários que não são vermes, principalmente a Eimeriose também conhecida 
como coccidiose. Estes parasitas habitam o intestino delgado causando ferimentos na 
região de absorção dos nutrientes e contaminam as aguadas através de seus dejetos. O 
sintoma típico são bezerros geralmente desmamados com diarreias frequentes, sintomas 
de desnutrição e em um estagio mais avançado além de presença de sangue nas fezes. 
A aguada mais indicada é a aguada natural com água corrente e com cascalho na 
região de acesso dos animais ou de bebedouros distribuidos em pontos estratégicos. 
Uma maneira muito eficiente para melhorar as aguadas na época seca é 
promover o cascalhamento da área de chegada, evitando a formação de atoleiros que 
possam interferir na ingestão de água pelos animais ou evitar possíveis ferimentos ou 
acidentes. 
BOTULISMO 
A deficiência de um balanço adequado de Ca e P, predominantemente o P nas 
pastagens, é um fator predisponente ao surgimento da osteofagia, onde os animais 
começam a roer e até ingerir ossos que ficam soltos nos pastos. Com isso, quando as 
carcaças estão contaminadas com Clostridium botulinum estes animais que ingerirem 
poderão se intoxicar através da toxina produzida por este Clostridium. 
Como medidas preventivas, além de uma dieta com níveis adequados de Ca e P, 
deve-se promover a utilização de cemitérios nas pastagens, delimitando estas áreas com 
a presença dos restos dos animais de uma forma geral e ainda, a vacinação dos animais 
em áreas endêmicas desta doença, ou seja, com alta prevalência entre os animais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS 
LIMA, M. L. M. Uso de subprodutos da agroindústria na alimentação de bovinos 
leiteiros. In: Simpósio Sobre Manejo e Nutrição de Gado de Leite. Goiânia. Anais... 
Goiânia: CBNA, 2000, p. 101 – 114. 
TEIXEIRA, J. C.; TEIXEIRA, L. F. A. C. A importância da nutrição na reprodução de 
bovinos leiteiros. In: 4º Sinleite: Simpósio Internacional em Bovinocultura de Leite. 
Lavras. Anais... Lavras: UFLA, 2004, p. 289 – 342. 
VALADARES FILHO, S. C. et. al. Tabelas Brasileiras de Composição de Alimentos 
para Bovinos. 2ª Edição. Viçosa: UFV, 2006. 329 p. 
LANA, R. P. Nutrição e Alimentação Animal (mitos e realidades). Viçosa: UFV, 
2005. p. 125 – 140. 
BUTOLO, J. E.; JUNQUEIRA, O. M. Simpósio sobre ingredientes na alimentação 
animal. Anais... Campinas, CBNA, 2001. 354 p. 
BORGES, I.; GONÇALVES, L. C.; BUENO, P. H. S. III Simpósio Mineiro de Nutrição 
de Gado de Leite. Anais... Belo Horizonte, UFMG/CEM, 2005. 211 p. 
NUNES, I. J. Alimentos usados em nutrição animal. Caderno Técnico da Escola de 
Veterinária. Belo Horizonte, UFMG, nº 5, p. 63-107, 1991.

Agrocurso apostila

  • 1.
    Os bovinos sãoanimais poligástricos, dotados de estômago dividido em quatro compartimentos, contendo em sua porção inicial o Rumem e Retículo que são responsáveis pela digestão de alimentos fibrosos, transformando-os em nutrientes prontamente disponíveis para o desempenho produtivo. A evolução genética das raças produtoras de carne trouxe consigo um aumento das exigências nutricionais dos bovinos, proporcional ao seu nível de produção, o que torna sua alimentação dependente de suplementos capazes de suprir as deficiências das pastagens e outros alimentos volumosos. 1. Uso racional das pastagens A pastagem constitui a principal fonte de alimentos dos bovinos, mas nem sempre é manejada de forma adequada, muitas vezes devido à falta de conhecimento das suas condições fisiológicas de crescimento e composição nutricional. Manejar uma pastagem de forma adequada significa produzir alimentos em grandes quantidades além de procurar o máximo valor nutritivo possível do material. A produção de massa afeta de forma significativa a capacidade de suporte da pastagem (maior número de animais por área) e está influenciada pela fertilidade do solo, manejo e condições climáticas enquanto que o valor nutritivo afeta o ganho de peso do animal e depende principalmente da idade da planta. Associando estes dois requisitos, objetivamos um maior ganho de peso por área, o que viabiliza de forma técnica e econômica a atividade, conforme mostra a Fig. 1. M a n e j o d a s P a s t a g e n s P r o d u ç ã o d e M a s s a N ú m e r o d e A n i m a i s p o r Á r e a ( h a ) V a l o r N u t r i t i v o G a n h o d e P e s o p o r A n i m a l Ganho de Peso por Área (ha) Figura 1. Influência da produção e valor nutritivo das pastagens sobre o ganho de peso por área Para um bom desempenho produtivo, os ruminantes necessitam de Água, Proteína, Energia, Vitaminas e Minerais. Todos estes nutrientes são de grande importância para alimentação dos animais, variando apenas quantitativamente, no que diz respeito à categoria dos animais.
  • 2.
    Durante o períodochuvoso, as pastagens chegam a apresentar níveis satisfatórios de proteína, energia e vitaminas, enquanto que os minerais estão deficientes, impedindo o pecuarista de obter índices máximos de produtividade, enquanto que no período de estiagem, todos nutrientes estão deficientes na pastagem. Portanto nesta época a suplementação de apenas um nutriente não resulta em melhores rendimentos do rebanho, conforme é apresentado no Gráf. 1. Níveis de Nutrientes nas Pastagens e Exigências dos Bovinos 100 Gráfico 1. Níveis de nutrientes nas pastagens e exigências dos bovinos 80 60 40 20 0 Proteína Energia Minerais Vitaminas 1.1. Manejo das pastagens Exigência Pasto Verde Pasto Seco Para adotarmos um bom manejo das pastagens, devemos levar em conta os princípios básicos de crescimento (Fotossíntese) e gasto de energia da planta (Respiração), assim como apresentado no Gráf. 2.
  • 3.
    Acúmulo de ReservasOrgânicas nas Pastagens Gráfico 2. Produção de forragem (fotossíntese) e perdas (respiração) de acordo com o envelhecimento da pastagem 7 14 21 28 35 42 49 56 dias Fotossíntese Respiração Neste quadro podemos observar que à medida que a planta intensifica sua 100 80 60 40 20 0 Fotossíntese ela cresce acumulando reservas orgânicas na base do caule. Para forrageiras tropicais este ganho de energia aumenta gradativamente com a idade da planta e atinge o máximo aos 21, 28 ou 35 dias após o corte ou pastejo (dependendo da pastagem utilizada), o que indica que este deverá ser o período de descanso ideal da pastagem após o uso (pastejo). Por outro lado, enquanto a planta cresce a respiração também é intensa o que significa que ela está gastando parte da energia que foi sintetizada. Observa-se que a partir de 35 dias de idade a planta respira mais que sintetiza, ou seja, gasta mais do que produz e a conseqüência disto é uma menor produção de massa, com menor valor nutritivo, além de menores quantidades de reservas orgânicas, o que dificulta o rebrote após o período de pastejo. Isto explica o fato de que ao colocarmos os animais em um pasto vedado por longos períodos, o desempenho dos animais não é satisfatório e a rebrota da pastagem é lenta. 1.1.1. Período de Ocupação das pastagens Durante o período de pastejo os animais consomem em primeiro lugar as folhas e depois os caules. Após esta remoção inicia-se um processo de rebrote da pastagem, que cresce de 3 a 5 cm por dia, atingindo 10 a 15 cm de tamanho em aproximadamente 3 dias. No manejo racional, devemos evitar que os animais comam este rebrote, permitindo que o pasto tenha o máximo de crescimento sem ser danificado. Para que isto ocorra, devemos deixar os animais no pasto no máximo 7 dias, sendo que quanto menor for este período, menos os animais irão consumir o rebrote e maior será a sua produção de massa, resultando em maior capacidade de suporte. 1.1.2. Período de descanso das pastagens
  • 4.
    Após o períodode ocupação, a pastagem deverá descansar, permitindo o máximo de rebrote sem ser danificada pela boca do animal. O tempo ideal de descanso depende da capacidade de rebrote que é afetada pela fertilidade do solo, espécie forrageira, condições climáticas e manejo, mas de modo geral este período deverá estar entre 21 (Humidícula, Tifton e Gramas em geral) a 35 dias (Braquiarão, Tanzânia, Mombaça, Colonião), onde podemos obter um bom valor nutritivo e o máximo de crescimento com acúmulo de reservas conforme visto no Gráfico 2. 1.2. Divisão das pastagens Para obtermos os períodos de ocupação e descanso desejados no manejo das pastagens, devemos dividir a área fazendo com que os animais pastejam em rodízio, permanecendo em um determinado pasto até consumir todo alimento disponível e logo em seguida desocupam o local, permitindo um rebrote eficiente sem danificar a planta. A divisão da área de pastejo deverá ser feita utilizando o seguinte esquema: Cálculo do Nº de Pastos Período de Descanso Período de Ocupação Nº de Pastos = Ex. Dividir uma área de 100 ha (Manejo tradicional = 100 UA) Nº de Pasto = 35 + 1 = 6 Pastos de 16,7 ha ( 200 UA ) 7 Nº de Pasto = 33 + 1 = 12 Pastos de 8,35 ha ( 300 UA ) 3 De acordo com o exemplo, podemos verificar que ao dividir-mos uma determinada área de pastejo, estaremos permitindo um melhor desenvolvimento da forrageira devido ao melhor crescimento de seu sistema radicular que passará a explorar uma maior área no solo aumentando então sua produção de massa. Nota-se que ao sairmos do sistema tradicional de pastejo contínuo, para um pastejo rotacionado com um período de ocupação de 7 dias, aumentamos a capacidade de suporte da pastagem de forma significativa e ao dividirmos novamente a área, passando o período de ocupação para 3 dias, podemos aumentar ainda mais a lotação. Evidentemente a capacidade de suporte de uma pastagem não é constante ao longo do tempo e tende a cair com o
  • 5.
    declínio da fertilidadedo solo o que poderá ser corrigido com o uso de adubações que permite atingirmos níveis elevados de lotação. 2. Ganho de peso dos animais em pastagens Para avaliar o ganho de peso dos animais, devemos considerar não só o ganho individual, mas também o ganho por área, pois este último leva em conta a produção de massa do pasto e representa o quanto de peso vivo podemos obter em uma determinada área. Na Tab. 1 podemos observar que nem sempre o melhor ganho por animal é o que nos dá maior rendimento. Tabela 1. Efeito da pressão de pastejo sobre o ganho de peso Efeito da pressão de sobre o ganho de cab/ha Ganho/dia (g/dia) Ganho/área (Kg) 0,5 700 350 63 1,0 700 700 126 1,5 650 975 170 2,0 600 1200 216 2,5 400 1000 180 3,0 200 600 108 As espécies forrageiras apresentam comportamento diferente durante o ciclo produtivo anual, assim as espécies do gênero Pannicum (Colonião e suas variedades), são mais nutritivas que aquelas do gênero Braquiária durante o período das chuvas e à medida que aproxima do período seco as Braquiárias mantêm-se mais verdes, proporcionando melhores rendimentos durante esta época, conforme é mostrado na Tab. 2 e 3. Tabela 2. Ganho de peso de bezerros desmamados (peso inicial 160 a 180kg). Carga fixa durante a seca (2cab/ha) e carga variável durante o período chuvoso Ganho de peso de bezerros desmamados (peso inicial 160 a 180 Kg). Carga fixa durante a seca (2 cab/há) e carga variável durante o período chuvoso. Período chuvoso Ganho de peso Kg /cab/dia /ha /cab/dia Pastagem Colonião 0,170 24 0,722 Jaraguá 0,133 15 0,616 B. decumbens 0,240 34 0,552 Setaria 0,137 20 0,574
  • 6.
    Ganhos de pesode novilhos em pastagens de Braquiarão e Colonião, na região de Dourados-MS. Carga animal média Tabela 3. Ganhos de peso de novilhos em pastagens de Braquiarão e Colonião, na região de Dourados-MS inicial final Kg/an g/an/dia Kg/ha UA/ha Estações Tratamentos Braquiarão 448 528 80 519 399 4,4 Colonião 452 548 95 616 384 3,7 Braquiarão 243 283 41 293 142 2,3 Colonião 247 288 40 289 107 1,8 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS Chuvosa Seca ALIMENTOS VOLUMOSOS São alimentos ricos em fibras, necessários para manter a atividade microbiana do rúmen, apresentam mais de 50 % de FDN (Fibra em detergente neutro) ou 18 % de FB ( Fibra Bruta), geralmente são pobres em energia, quando comparados aos concentrados. Neste grupo podemos incluir as pastagens, silagens, fenos e resíduos de agricultura e indústrias. Na classificação internacional de alimentos recebem o número 1 (alimentos secos), 2 (alimentos verdes) e 3 (silagens), como primeiro dígito do número de referencia. Características nutricionais:
  • 7.
     Apresentam umvalor protéico muito variável, principalmente em função da idade da planta (no caso das gramíneas tropicais). As leguminosas e gramíneas imaturas são mais ricas em proteínas, enquanto que gramíneas maduras, as palhadas e a maioria dos resíduos da agroindústria apresentam valores baixos deste nutriente;  Geralmente são baixos em energia, devido o alto teor de fibras e baixo em carboidratos de reserva, quando comparado com os concentrados;  São ricos em Vitamina A, cálcio e micro minerais;  Geralmente são pobres em fósforo;  São importantes para manter o funcionamento do rúmen (ruminação). A população microbiana do rúmen depende da fibra para sua sobrevivência;  A aceitabilidade pelos animais é variável, dependendo principalmente de sua digestibilidade, alimentos mais digestíveis apresentam melhor consumo pelos animais, enquanto que aqueles de baixo valor nutritivo e com baixa digestibilidade são menos palatáveis;  Quanto maior o desempenho desejado, menor deverá ser a inclusão de volumosos na dieta, devido a sua baixa concentração em nutrientes;  São necessários para dietas de vacas leiteiras, com objetivo de manter a produção de acetato no rúmen e conseqüentemente o teor de gordura do leite; ALIMENTOS CONCENTRADOS São aqueles que apresentam menos de 50% de FDN ou 18 % de Fibra Bruta, geralmente são ricos em energia (maior que 60 % de NDT). Na classificação internacional de alimentos, recebem os números 4 (concentrado energético) e 5 (concentrado protéico), como primeiro dígito de referência. Concentrados Energéticos Apresentam alta concentração de nutrientes, principalmente carboidratos de reserva e gorduras. São alimentos ricos em energia por unidade de peso e com menos de 20 % de proteína bruta. São representados pelos grãos de cereais e seus subprodutos, óleos e gorduras de origem animal ou vegetal. Características nutritivas
  • 8.
     Apresentam baixoteor de fibras e são utilizados para compor as rações concentradas;  Geralmente apresentam boa aceitabilidade pelos animais;  O valor nutritivo é pouco variável dentro de um determinado alimento;  São ricos em fósforo e pobres em cálcio;  A qualidade da proteína é variável, mas geralmente baixa;  São pobres em proteína bruta, quanto comparados com os concentrados protéicos; Concentrados Protéicos Apresentam altos teores de proteína bruta (maior que 20%), representados principalmente pelos grãos de oleaginosas e seus subprodutos, subprodutos da indústria animal e fontes de nitrogênio não protéico (NNP). O termo Equivalente Protéico refere-se ao teor de nitrogênio multiplicado pelo fator 6.25 (N x 6.25 = PB). Características nutritivas  Apresentam baixo teor de fibras e são misturados os energéticos, para compor as rações concentradas;  Geralmente apresentam boa aceitabilidade pelos animais;  O valor nutritivo é pouco variável dentro de um determinado alimento;  São ricos em fósforo e pobres em cálcio;  A qualidade da proteína é variável, geralmente de média a alta  São médios a altos em energia; Qualidade da proteína  Refere-se à quantidade e proporção dos aminoácidos que compões a proteína;  Os ruminantes sintetizam a maior parte dos aminoácidos essenciais, através dos microorganismos simbióticos do rúmen;  A exigência em alimentos protéicos de melhor qualidade deve ser observada principalmente quando alimentamos animais de alta produtividade;  A proteína sintetizada pelos microorganismos do rúmen é considerada de alto valor biológico, por ser rica em aminoácidos essenciais;  Para uso de nitrogênio não protéico é de fundamental importância o fornecimento de carboidratos solúveis e fontes de minerais como fósforo, enxofre e zinco;
  • 9.
     O usode fontes de NNP, como a uréia, deve ser feito apenas para os animais ruminantes e dentro de normas e cuidados específicos. CARACTERÍSTICAS E RESTRIÇÕES DOS ALIMENTOS USADOS NA NUTRIÇÃO DOS RUMINANTES Milho grão - Zea mays É o principal alimento concentrado energético usado na alimentação dos animais. Não apresenta restrição de uso e possui alta aceitabilidade pelos animais. Possui alta disponibilidade no mercado e o preço é relativamente bom. Quando desejamos obter maiores ganhos de peso em animais a pasto, a energia é o nutriente mais limitante e a suplementação com milho garante o suprimento deste déficit. O Milho é rico em energia (84% de NDT) e pobre em proteína (8.5% PB), triptofano, lisina, cálcio, riboflavina, niacina e vitamina D, rico em pró-vitamina A (beta caroteno) e pigmentantes (xantofila). Pode compor 100% do concentrado energético das rações concentradas. Na maioria dos casos, recomendamos a moagem fina (quirera de milho) em peneira de 2 a 5 mm, sendo que em dietas de alto grão, onde o concentrado representa mais de 60 % da dieta, pode-se aumentar o tamanho da partícula. Na fabricação de misturas múltiplas, deve ser triturado fino, com objetivo de melhorar a utilização pelos microorganismos do rúmen. O armazenamento deverá ser feito com no máximo 14 % de umidade, para evitar o desenvolvimento de fungos. A tabela 1 mostra a composição média do milho grão, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 1. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO MILHO GRÃO.
  • 10.
    Nutriente Média ns MS 87.64 494 3.34 MO 97.60 78 3.34 PB 9.11 690 1.06 NIDA/N 3.84 24 2.14 NIDN/N 9.53 8 2.97 EE 4.07 343 1.07 MM 1.55 260 0.78 FB 2.19 238 1.00 ENN 74.10 49 3.50 CHO 84.90 176 1.80 FDN 13.98 153 5.01 FDA 4.08 153 2.05 HEM 9.41 13 4.22 CEL 3.55 41 1.63 LIGNINA 1.16 51 0.60 NDT 87.24 24 3.71 DMS 90.78 14 2.14 DEE 100 1 - DPB 69.23 6 3.51 EB 4.31 102 0.34 Ca 0.03 246 0.01 P 0.25 283 0.09 Mg 0.13 33 0.06 K 0.35 24 0.14 Na 0.03 27 0.01 Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Milho desintegrado com palha e sabugo (MDPS) É comumente conhecido como “Rolão de Milho”, espiga integral moída ou simplesmente “Rolão”. Na espiga, 70% do peso é composto por grãos, 20 % por sabugo e 10 % de palha. O valor nutritivo do sabugo e da palha é muito baixo e o MDPS apresenta aproximadamente 70 % do valor nutritivo do milho grão. O uso é conveniente apenas em propriedades onde não temos disponibilidade de volumosos de boa qualidade e o custo é menor que 70 % quando comparado com o milho grão. Para triturar a espiga inteira, requer maior dificuldade no manejo, formação de poeira e maior gasto de energia. A tabela 2 mostra a composição média do MDPS, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 2. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO MILHO DESINTEGRADO COM PALHA E SABUGO (MDPS). Nutriente Média n s
  • 11.
    MS 87.81 582.52 MO 96.90 9 4.09 PB 7.71 47 0.79 PIDA/MS 2.40 1 - PIDN/MS 7.60 1 - EE 2.69 20 0.86 MM 1.83 21 0.49 FB 9.75 12 1.56 ENN 72.88 6 4.84 CHO 87.74 12 1.47 FDN 31.80 4 0.54 FDA 14.37 12 2.49 HEM 16.54 1 - CEL 12.83 2 0.18 LIGNINA 3.25 8 1.44 NDT 65.53 6 3.08 DMS 74.46 2 1.57 DEE 85.08 1 - DPB 57.89 3 15.87 EB 4.19 9 0.42 Ca 0.04 20 0.02 P 0.21 33 0.08 Mg 0.10 9 0.03 K 0.34 9 0.12 Na 0.01 6 0.01 Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Glúten de milho 21 É o subproduto da indústria de amido de milho para nutrição humana, restando parte do gérmen, fibras da casca do grão e proteínas. No mercado brasileiro ele aparece como marca comercial de Refinazil (produzido pela empresa Refinações de Milho Brasil ) e Promil (produzido pela Cargill), ambos apresentam o mesmo valor nutritivo, é classificado como concentrado protéico, apresenta 21 % de PB e 73 % de NDT, a fibra é de alta digestibilidade para ruminantes e possui boa disponibilidade no mercado. Possui sabor ligeiramente amargo, mas os animais adaptam com facilidade ao consumo. É rico em carotenóides e pigmentantes, recomendamos fornecer até em 20 % do concentrado, porém bovinos de corte alimentados em confinamento consumindo até 5 kg por dia, apresentam bons ganhos de peso. Em misturas múltiplas, o uso do glúten proporciona bom resultado, devido o alto valor protéico, o que reduz o uso de fontes de NNP como a uréia. As tabela 3 e 4 mostram a composição média do Glúten 21, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 3. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO GLÚTEN DE MILHO 21 Nutriente Média n s
  • 12.
    MS 88.50 62.24 PB 24.39 4 1.02 NIDA/N 3.91 3 2.77 NIDN/N 10.01 2 6.18 PIDA/MS 0.70 1 - PIDN/MS 1.70 1 - EE 3.19 6 1.64 MM 5.50 5 3.95 FB 9.26 2 3.70 CHO 66.22 3 0.84 FDN 39.53 4 1.57 FDA 10.01 6 2.47 CEL 10.03 1 - LIGNINA 1.27 4 0.80 NDT 73.45 3 1.92 DMS 79.81 1 - DEE 100 1 - DPB 84.77 1 - EB 3.81 1 - Ca 0.04 2 0.01 P 0.49 3 0.29 Mg 0.04 1 - K 1.49 1 - Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Tabela 4. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO GLÚTEN DE MILHO REFINAZIL Nutriente Média n s MS 87.40 1 - PB 23.45 2 3.46 EE 1.40 2 0.56 MM 7.36 2 0.91 FB 9.45 2 0.78 CHO 67.80 2 3.12 Ca 0.17 1 - P 1.01 2 0.28 Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Milheto Grão – Pennisetum typhoides O milheto é uma gramínea muito utilizada em agricultura, como cultura de safrinha, geralmente após a cultura da soja. O custo é cerca de 70 % do valor do milho e apresenta boa disponibilidade no mercado. A produção é estacional e sua colheita ocorre nos meses de maio e junho. É classificado como concentrado energético e substitui o
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    milho nas formulaçõesde dietas. Para animais de baixo desempenho, pode ser utilizado como único alimento energético, como acontece nas misturas múltiplas, porém quando desejamos melhores índices produtivos, deverá substituir 25 a 50 % do milho. O milheto apresenta o grão pequeno e duro, devendo ser triturado em peneira mais fina (2 mm). A tabela 7 mostra a composição média do Milheto grão, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 7. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO MILHETO GRÃO Pennisetum typhoides Nutriente Média n s MS 88.47 10 0.91 MO 94 1 - PB 13.55 12 1.72 NIDN/N 24.38 1 - EE 5.13 8 0.94 MM 2.51 8 1.47 FB 2.76 8 1.13 ENN 68.86 3 6.04 CHO 78.56 4 3.92 FDN 15.93 6 1.17 FDA 7.73 9 3.10 HEM 7.50 2 0.57 CEL 4.35 3 0.62 LIGNINA 1.96 3 0.43 NDT 76.37 1 - EB 4.00 2 0.04 Ca 0.05 7 0.02 P 0.23 6 0.06 Mg 0.09 2 0.01 K 0.33 2 0.02 Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Sorgo Grão – Sorghum vulgare O sorgo possui composição semelhante ao milho, apresenta produção estacional e geralmente é cultivado como cultura de safrinha, após o cultivo da soja. O custo é cerca de 70 a 80 % do valor do milho e praticamente não apresenta limitações de uso. Em dietas para gado de corte e leite, pode compor até 100% do concentrado energético. O grão é pequeno e duro e deve ser triturado em peneira fina (2 mm). O Tanino, presente em algumas variedades, em níveis de 2,0 a 2,5 %, é um composto fenólico ligado à proteína, que diminui a digestibilidade e aceitabilidade. Estas variedades são as mais produtivas por área e também as que apresentam grãos escuros, conhecidas como “sorgo resistente a pássaros”. Atualmente as empresas produtoras e multiplicadoras de
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    sementes, estão extinguindoestas variedades do mercado. Apresenta maior valor protéico que o milho (9 a13 %) e menor valor energético (80% NDT). É pobre em carotenóides e pigmentantes e possui um desbalanceamento entre isoleucina e leucina que interfere na conversão do triptofano para niacina, este balanceamento de aminoácidos é mais importante para nutrição de monogástricos. A tabela 8 mostra a composição média do Sorgo grão, de acordo com análises em experimentos brasileiros Tabela 8. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO SORGO GRÃO Nutriente Média n s MS 87.90 67 1.72 MO 98.43 16 0.43 PB 9.54 76 1.43 NIDN/N 25.55 4 2.47 EE 3.03 44 0.73 MM 1.80 32 0.93 FB 2.53 31 1.15 ENN 71.92 8 1.20 CHO 85.30 17 1.57 FDN 14.21 15 2.24 FDA 6.30 18 1.82 HEM 9.62 2 2.43 CEL 3.55 5 0.46 LIGNINA 1.21 8 0.68 NDT 80.35 6 4.08 DMS 70.32 19 4.24 DEE 93.48 1 - DPB 35.96 5 3.63 EB 4.13 2 0.30 Ca 0.04 18 0.02 P 0.28 26 0.09 Mg 0.19 6 0.01 K 0.40 3 0.17 Na 0.03 5 0.01 Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Arroz Farelo integral – Oriza sativa É o sub-produto do beneficiamento do arroz para nutrição humana. Neste processo, retira-se a casca do grão e a película que envolve a semente (pericarpo), obtendo o farelo de arroz, ele contem pequenas quantidades de fragmentos de cascas, grãos e boa quantidade de gérmen. É um concentrado energético com alto teor de extrato etéreo (30%), o que torna este alimento muito susceptível a rancificação, deve
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    ser armazenado nomáximo por 30 dias. É pobre em Proteínas, cálcio e rico em energia e fósforo e vitaminas do complexo B. Em suínos na terminação e outros monogástricos, pode provocar toucinho devido à presença de ácidos graxos insaturados, já nos ruminantes isto não ocorre devido a hidrogenização destes ácidos no rúmen, o que os transforma em saturados (entrada de um hidrogênio na dupla ligação da cadeia carbônica). Deve-se observar sempre o teor de gordura (EE) da dieta total, que não deve ultrapassar a 6 %, o que pode provocar queda na digestibilidade da fibra, principalmente a celulose e até diarréia nos animais. Recomenda-se utilizar até 20 % do concentrado ou fixar em no máximo 1 kg por animal adulto ao dia. A tabela 9 mostra a composição média do Arroz Farelo integral, de acordo com análises em experimentos brasileiros Tabela 9. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO ARROZ FARELO INTEGRAL Oryza sativa Nutriente Média n s MS 88.71 66 2.42 MO 89.62 14 2.24 PB 13.95 80 2.32 NIDA/N 10.22 3 4.80 NIDN/N 19.51 1 - EE 16.14 67 4.10 MM 8.48 46 2.52 FB 9.25 43 2.08 ENN 42.73 9 3.29 CHO 60.81 33 3.99 FDN 24.11 10 2.45 FDA 14.06 16 4.30 HEM 11.34 1 - CEL 10.11 5 3.52 LIGNINA 5.22 10 1.98 NDT 83.64 3 4.21 DMS 77.98 2 3.61 DEE 100 1 - DPB 58.08 2 6.26 EB 4.80 16 0.43 Ca 0.12 30 0.07 P 1.65 29 0.42 Mg 0.90 3 0.07 K 1.32 2 0.46 Na 0.05 2 0.01 S 0.18 1 - Cu 16.09 3 4.40 Fe 82.61 4 11.91 Mn 241.03 3 39.97 Zn 71.01 2 1.58 Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)
  • 16.
    Trigo Farelo –Triticum aestivum Subproduto da fabricação da farinha de trigo para alimentação humana, o farelo de trigo contém as camadas mais externas do grão (tegumento, aleurona, gérmen e parte de amido). É classificado como concentrado energético por apresentar 14 a 15 % PB, porém é baixo em energia devido a grande quantidade de fibras. Apresenta alta aceitabilidade pelos animais e muito utilizado em rações para bezerros, novilhas, touros e animais com menor exigência energética. O uso é limitado em animais confinados, quando desejamos alto desempenho (tanto corte quanto leite), devido ao baixo valor energético. É rico em fósforo (1 a 1.3%). É comum o uso como concentrado único para eqüinos, o que pode provocar o aparecimento de “cara inchada”, pela deficiência de cálcio e antagonismo com o fósforo. A disponibilidade no mercado é boa e o preço é relativamente bom, em regiões próximas aos moinhos. A tabela 12 mostra a composição média do Trigo Farelo, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 12. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO TRIGO FARELO Triticum aestivum Nutriente Média n s MS 88.01 120 1.96 MO 92.69 22 3.90 PB 16.63 160 1.58 NIDA/N 3.80 7 0.96 NIDN/N 18.74 4 2.12 EE 3.53 90 1.24 MM 5.58 65 1.33 FB 9.52 66 2.30 ENN 54.26 9 2.19 CHO 73.68 48 2.21 FDN 44.30 29 2.64 FDA 13.52 48 4.37 HEM 33.18 1 - CEL 9.69 7 1.28 LIGNINA 4.00 18 1.81 NDT 72.43 10 2.78 DMS 72.96 3 3.11 DEE 100 1 - DPB 59.13 1 - EB 4.33 26 0.25 Ca 0.22 32 0.07 P 1.00 70 0.29 Mg 0.49 8 0.04 K 1.17 7 0.20 Na 0.01 3 0.01
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    Fonte: VALADARES FILHO,et al. (2006) Soja grão – Glicine max É o grão de oleaginosa mais cultivada no Brasil, com objetivo de produzir óleo para alimentação humana. A semente da soja (grão) é rica em óleo (18%EE), com NDT de 90%, proteínas (38%PB), média em fósforo e pobre em cálcio, vitamina D e caroteno. Tem ação ligeiramente laxativa. Na forma crua, recomenda-se não ultrapassar 2 kg por animal adulto ao dia, que pode ser oferecida inteira ou triturada. Após ser triturada, a soja rancifica facilmente, devendo ser armazenada no máximo por 3 dias. É comum nas regiões produtoras, o uso de soja com baixo padrão para a indústria, conhecida como “soja ardida” este produto apresenta baixo custo, mas deve ser seco e livre de fungos (mofo). Apresenta substancias tóxicas, inibidores da tripsina (sojina) que provoca hipertrofia pancreática e crescimento retardado, por impedir a digestão de proteínas. As Fitoemaglutininas prejudicam a absorção de todos os nutrientes, principalmente da glicose. Estes fatores são inativados com o calor e a fermentação rumenal, portanto seu uso é limitado apenas para ruminantes jovens e monogástricos. A presença de uréase (enzima que degrada a uréia em amônia), em níveis maiores que 0.30 % é o principal indicativo da atividade de fatores ante nutricionais. A mistura de uréia em rações contendo soja grão triturada, leva à perda do nitrogênio por volatilização. A tabela 13 mostra a composição média da Soja Grão, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 13. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA SOJA GRÃO Glycine Max (L.) Merr. Nutriente Média n s MS 91.18 61 2.34 MO 94.17 10 3.03 PB 39.01 68 3.72 NIDA/N 6.60 4 0.11 NIDN/N 17.27 2 3.25 EE 19.89 47 3.81 MM 5.01 40 0.95 FB 6.36 34 4.32 ENN 25.07 8 2.63 CHO 35.27 23 4.40
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    FDN 17.52 94.35 FDA 13.18 8 4.02 HEM 9.26 3 4.59 CEL 3.93 2 2.76 LIGNINA 2.69 7 1.44 NDT 84.50 2 0.71 DMS 77.55 2 12.66 DPB 65 2 6.65 EB 6.94 11 5.96 Ca 0.27 12 0.05 P 0.53 29 0.11 Mg 0.20 3 0.08 K 1.90 4 0.36 Na 0.02 3 0.01 Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Farelo de soja É o subproduto da extração do óleo de soja para alimentação humana. O Farelo de soja é considerado o principal concentrado protéico para alimentação animal. É rico em Proteínas (44 a 46 %) de boa qualidade, principalmente pelos níveis de Lisina e Metionina, alto em tiamina, colina e niacina, médio em vitaminas E e K, pobre em caroteno. Após a retirada do óleo, por prensagem e uso de solventes químicos, os princípios tóxicos são desativado (uréase menor que 0.30%), a PB aumenta e a energia diminui, apesar de ainda ser considerada alta (80% de NDT). Não apresenta limitação de uso para qualquer espécie animal e pode ser armazenado por 3 meses. A tabela 14 mostra a composição média do Farelo de Soja, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 14. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO FARELO DE SOJA Glycine max (L.) Merr. Nutriente Média n s MS 88.61 487 1.65 MO 92.58 81 2.97 PB 48.78 545 2.91 NIDA/N 2.75 18 1.11 NIDN/N 4.88 11 3.09 EE 1.71 307 0.76 MM 6.32 254 1.37 FB 6.29 243 1.59 ENN 31.35 70 4.22 CHO 43.99 174 3.46 FDN 14.62 151 2.51
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    FDA 9.86 1433.36 HEM 6.13 19 4.11 CEL 8.35 22 3.62 LIGNINA 1.33 32 0.65 NDT 81.54 18 2.29 DMS 89.19 3 2.69 DEE 100 1 - DPB 95.97 4 3.39 EB 4.56 90 0.30 Ca 0.34 329 0.10 P 0.58 297 0.14 Mg 0.27 31 0.06 K 1.98 29 0.40 Na 0.06 22 0.03 Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Casca de soja (Casquinha de soja peletizada) É um subproduto da indústria de óleo de soja, na obtenção do farelo a casca do grão é retirada e peletizada para facilitar o armazenamento e transporte. As indústrias de ração e produtores utilizam a casquinha como concentrado energético, em substituição ao milho, por apresentar valor protéico baixo (10% de PB) e energia média (70% de NDT), mas este alimento é classificado como volumoso, devido o alto teor de fibras (40% FB) de alta digestibilidade. É muito utilizada em dietas com altos níveis de concentrados, onde melhora o funcionamento do rúmen. Tanto em gado de corte, quanto leite a casca de soja pode ser utilizada em quantidades de 2 a 4 kg por animal ao dia, observando o suprimento da energia da dieta. A tabela 15 mostra a composição média da Casca de Soja, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 15. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA CASCA DE SOJA Glycine Max (L.) Merr. Nutriente Média n s MS 89.80 46 1.64 MO 94.48 9 1.37 PB 11.65 50 2.21 NIDA/N 7.34 1 - NIDN/N 34.29 2 4.61 EE 1.60 39 0.69 MM 4.34 36 2.18 FB 41.68 29 2.69 ENN 43.27 4 0.81 CHO 84.11 26 2.05 FDN 68.40 18 4.81 FDA 50.52 16 3.61 HEM 19.54 4 3.88
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    CEL 51.42 20.25 LIGNINA 3.43 7 1.45 NDT 68.77 6 2.32 DMS 68.65 2 4.61 DEE 75.94 2 18.26 DPB 41.97 2 26.71 EB 4.07 3 0.05 Ca 0.59 6 0.22 P 0.21 6 0.09 Mg 0.23 2 0.02 K 1.51 1 - Na 0.01 1 - Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Algodão sementes (Caroço de algodão) – Gossypium spp É um dos alimentos mais usados na alimentação de bovinos de corte e leite, principalmente nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. A forte concorrência do óleo de algodão com o de soja, reduz o custo deste produto e viabiliza o uso da semente do algodão integral na alimentação destes animais. O custo nas regiões produtores é muito baixo (menor que do milho), o que permite formular dietas com alto valor energético e custo baixo. Em confinamento de gado de corte, pode-se utilizar até 3 kg por boi ao dia, na forma inteira (sem triturar). Nas dietas com altas quantidades de concentrados, o caroço desempenha um importante papel na manutenção da atividade microbiana do rúmen. Para vacas leiteiras recomenda-se 2 kg por vaca ao dia, substituindo as rações comerciais (verificar o balanceamento e suprimento de minerais da dieta). A semente, as folhas e o farelo de algodão contem gossipol, pigmento amarelo tóxico, principalmente para monogástricos. A fermentação no rúmen desativa a toxidez do gossipol, permitindo o uso para ruminantes, deve-se limitar o uso para bezerros e em animais adultos manter o nível máximo de EE em 6%. O uso para touros também é limitado pois a ingestão de quantidades maiores pode afetar a produção de espermatozóides. A tabela 16 mostra a composição média do Caroço de Algodão, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 16. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO CAROÇO DE ALGODÃO Gossypium hirsutum Nutriente Média n s MS 90.64 30 2.22 MO 90.32 6 0.45 PB 22.62 30 1.83
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    NIDA/N 4.11 20.67 NIDN/N 6.64 2 0.06 PIDA/MS 1.59 1 - PIDN/MS 1.93 1 - EE 18.90 27 4.63 MM 4.66 13 1.50 FB 24.39 7 2.23 ENN 41.78 3 13.46 CHO 35.85 8 3.46 FDN 46.04 22 4.63 FDA 35.85 11 2.96 HEM 13.45 2 3.80 CEL 19.27 2 1.79 LIGNINA 7.58 5 1.61 NDT 81.92 6 4.69 DMS 72.32 1 - DEE 100 1 - DPB 68.71 1 - EB 5.57 4 0.37 Ca 0.33 8 0.21 P 0.75 8 0.27 Mg 0.75 1 - K 0.65 1 - Na 0.08 1 - Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Farelo de algodão – Gossypium spp É o subproduto da produção de óleo de algodão, após ser esmagado, podendo ser tratado com solventes. Quando o óleo é retirado apenas por esmagamento e prensagem, o subproduto recebe o nome de “torta de algodão” e quando recebe o tratamento adicionam com solventes é identificado como “farelo de algodão”, a diferença é que na torta, permanece maior quantidade de óleo, o que melhora seu valor energético, apesar de que este é severamente afetado pela presença de casca (fibra de baixa qualidade). Quanto menor o teor de casca no farelo, melhor será sua qualidade. No mercado Brasileiro, os produtos mais freqüentes são os Farelos de Algodão 28 % PB e o 38 % PB. O Farelo de Algodão 46 % PB é pouco utilizado por ter o preço muito próximo ao farelo de soja, que é de melhor qualidade. Estes farelos contêm gossipol e sofrem as
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    mesmas limitações indicadasno caroço de algodão. Para gado de corte em confinamento, pode compor todo concentrado protéico da dieta. Em vacas leiteiras deve-se limitar o uso em 20 % do concentrado ou 1,5 kg de farelo por vaca ao dia. As tabelas 17, 18 e 19 mostram a composição média do Farelo de Algodão, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 17. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO FARELO DE ALGODÃO (28%PB) Nutriente Média n s MS 89.67 42 2.27 MO 94.85 9 1.16 PB 32.16 43 1.63 NIDA/N 5.84 2 0.08 PIDA/MS 1.86 1 - PIDN/MS 2.52 1 - EE 1.94 18 1.28 MM 5.22 17 0.97 FB 20.16 14 5.18 ENN 35.07 6 2.26 CHO 57.18 2 1.78 FDN 36.70 4 2.89 FDA 31.24 11 6.48 HEM 24.87 1 - CEL 22.7 2 0.42 LIGNINA 5.54 2 3.15 NDT 69.77 4 2.35 DMS 68.16 1 - DPB 88.80 3 1.84 EB 4.34 7 0.35 Ca 0.26 9 0.14 P 0.84 9 0.13 Mg 0.46 2 0.08 K 1.22 1 - Na 0.04 1 - Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Tabela 18. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO FARELO DE ALGODÃO (38%PB) Nutriente Média n s MS 89.95 22 3.34 MO 91.87 66 5.57 PB 40.90 25 1.65 NIDA/N 2.95 2 0.24 NIDN/N 5.26 1 - EE 1.87 18 1.69 MM 6.82 16 2.79 FB 15.62 13 3.38
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    CHO 52.05 42.16 FDN 34.92 7 2.72 FDA 24.19 9 2.42 LIGNINA 2.81 2 2.47 NDT 68.31 4 1.22 DIVMS 69.87 1 - EB 4.59 4 0.06 Ca 0.24 11 0.06 P 1.00 9 0.08 Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Tabela 19. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO FARELO DE ALGODÃO (48%PB) Nutriente Média n s MS 89.70 7 0.83 MO 93.79 3 0.99 PB 46.60 7 1.47 EE 1.50 4 0.81 MM 6.36 4 0.86 FB 14.43 1 - FDN 30.46 5 5.34 FDA 21.14 2 0.67 EB 4.51 1 - Ca 0.22 1 - P 1.21 1 - Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Farelo de girassol – Helianthus annun É o subproduto da indústria de óleo de girassol para alimentação humana e atualmente para produção de biodiesel. A cultura do girassol tem expandido nas regiões sudeste e centro oeste, como “safrinha”. O farelo apresenta alta quantidade de fibras, porém de boa qualidade. O valor de energia é menor que do farelo de soja (70% de NDT), a proteína é de média qualidade (lisina baixa) e de boa digestibilidade (90%). No início do período seco, quando ocorre a colheita do girassol, apresenta bom preço, competindo com o farelo de algodão ou até menor nas regiões produtoras. Apresenta na forma farelada e peletizada, esta favorece o armazenamento (menor volume) e facilita o uso em ditas completas, onde volumoso e concentrado são oferecidos em conjunto. Para gado de corte pode ser usado como único concentrado protéico e em vacas leiteiras 20% do concentrado ou até 2 kg por vaca ao dia. A tabela 20 mostra a composição média do Farelo de Girassol, de acordo com análises em experimentos brasileiros.
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    Tabela 20. COMPOSIÇÃOQUÍMICA E NUTRICIONAL DO FARELO DE GIRASSOL Helianthus annum Nutriente Média n s MS 91.85 11 0.95 PB 35.33 14 7.67 EE 2.06 12 0.88 MM 6.18 10 1.20 FB 20.39 8 6.39 ENN 29.16 8 4.78 CHO 49.45 4 11.43 FDN 42.36 4 3.40 FDA 34.90 6 4.20 NDT 63.97 3 3.52 EB 4.23 1 - Ca 0.73 10 0.35 P 0.92 10 0.22 Mg 0.72 2 0.08 K 1.14 1 - Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) Torta de babaçu – Orbignya martiniana O óleo da castanha do babaçu é muito utilizado para fabricação de cosméticos, no Brasil e grande parte exportada para Europa. O farelo de babaçu é o subproduto da extração do óleo, contem grande quantidade de fibras e na maioria dos casos se caracteriza como alimento volumoso, o valor de energia fica baixo e a proteína é média. Rancifica-se facilmente e dever ser estocado no máximo por 30 dias. Deve ser utilizado apenas para ruminante e sempre que possível, fazer análise do lote para verificar o grau de inclusão de casca, o que reduz seu valor nutritivo. A tabela 22 mostra a composição média da Torta de babaçu, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 22. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA TORTA DE BABAÇU Nutriente Média n s MS 91.44 1 - MO 91.96 1 - PB 17.51 1 - MM 5.82 1 - FDN 70.87 1 - FDA 40.99 1 - Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)
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    Polpa cítrica peletizada Subproduto da indústria de suco de laranja contem além da polpa, casca e sementes. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de laranja, apresenta alta disponibilidade no mercado, uma vez que a safra inicia em maio e termina somente em janeiro, coincidindo com a entressafra de grãos como milho e sorgo. O preço deve ser menor que do milho, pois o nível de energia é inferior. A polpa cítrica é pobre em proteína (6.5% de PB) e fósforo, média em energia (70 % de NDT) e muito alta em cálcio (1.2 %), devido a adição de óxido de cálcio (CaO) durante o processo de peletização. Na formulação de dietas deve-se tomar cuidado com relação ao balanceamento entre cálcio e fósforo. Para vacas leiteiras a polpa tem um importante papel no fornecimento de pectina, este carboidrato quando fermentado no rúmen, produz ácido acético que é o principal precursor da gordura do leite. Em vacas de alta produção, que recebem grandes quantidades de concentrados, evita a queda do teor de gordura do leite, além de exercer um efeito tampão no rúmen, evitando problemas de acidose. A forma peletizada, mantém a efetividade da fibra, por estimular a mastigação e ruminação. Limitações de uso: O maior problema do uso da polpa é o seu armazenamento, pelo fato de ser muito higroscópia, absorve água e eleva seu peso em até 145 %, isto favorece o desenvolvimento de fungos produtores de micotoxinas. É comum animais, o aparecimento de animais com sintomas de pruridos na pele, síndrome hemorrágica e até morte, quando alimentados com produtos mal armazenados. O fungo penicillium citrinum é o principal formador desta micotoxina, outras micotoxinas que podem aparecer são os tricotecenos e aflatoxina Bl. O nível de inclusão mais freqüente é de 2,0 a 2,5 kg de polpa por animal ao dia, tanto em gado de corte quanto de leite. A tabela 23 mostra a composição média da Polpa cítrica peletizada, de acordo com análises em experimentos brasileiros. Tabela 23. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA POLPA CÍTRICA PELETIZADA utriente Média n s MS 87.95 41 3.45 MO 92.41 15 4.75 PB 7.15 42 1.22 NIDA/N 12.52 3 0.73 NIDN/N 43.27 2 2.72 EE 3.28 23 1.82 MM 6.14 26 1.38
  • 26.
    FB 12.63 113.74 ENN 68.88 4 3.96 CHO 84.01 14 1.47 FDN 24.31 29 2.08 FDA 23.01 27 4.21 HEM 4.34 6 1.69 CEL 19.95 5 2.43 LIGNINA 1.89 9 1.06 NDT 65.17 4 2.42 EB 4.09 4 0.39 Ca 1.84 18 0.44 P 0.16 18 0.08 PECTINA 25.00 1 - Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006) 3. Suplementação Mineral de Bovinos em Pastagens Os minerais considerados essenciais, isto é, aqueles para os quais já se conhece pelo menos uma função essencial à vida animal, são classificados em função das necessidades quantitativas dos animais em: Macrominerais (Cálcio, Fósforo, Magnésio, Potássio, Cloro, Sódio e Enxofre) e Microminerais (Ferro, Cromo, Zinco, Manganês, Iodo , Selênio, Cobre, Cobalto e Molibdênio); Flúor, Vanádio, Titânio, Silício, Níquel, Arsênio, Bromo, Estrôncio e Cádmio são considerados como provavelmente essenciais (GEORGIEVSKEE, 1982 ). 3.1. Importância dos macrominerais As funções básicas dos minerais essenciais podem ser divididas em três grupos principais (CHRISTY,1984): no primeiro grupo estão as funções relacionadas com o Crescimento e Mantença dos tecidos corporais; no segundo estão as funções da regulação dos processos corporais dos animais; e no terceiro grupo estão as funções de regulação na utilização da energia dentro das células do corpo. 3.1.1. Cálcio e Fósforo (Ca e P) Representam 70% do total de minerais encontrados no corpo do animal. 90% destes, estão presentes nos ossos e dentes.
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    O Cálcio alémde essencial para formação do esqueleto, entra na composição do leite, coagulação do sangue, regulagem dos batimentos cardíacos, manutenção e excitabilidade neuromuscular, ativação de enzimas e manutenção da permeabilidade das membranas. O Fósforo além de compor o esqueleto participa na manutenção dos microorganismos do rumem, ajuda na absorção dos carboidratos, transporta os ácidos graxos (fosfolipídeos) e desempenha papel importante na absorção e metabolismo da energia. É de fundamental importância que Cálcio e Fósforo mantenham uma relação de aproximadamente duas partes de Cálcio para uma de Fósforo. Os bovinos toleram relações mais altas desde que não ocorra deficiência destes minerais na dieta , desde que não ocorra deficiência de vitamina D, importante para absorção e deposição do cálcio no Tecido Ósseo. A deficiência de cálcio é rara em gado de corte, pois as forrageiras apresentam níveis relativamente altos deste mineral. Entretanto, SOUZA; ROSAL (1982) constataram deficiências em animais no Pantanal do Mato Grosso e em Rondônia. Em gado leiteiro de alta produção a deficiência é mais freqüente O sintoma mais evidente da deficiência de cálcio e fósforo é o Raquitismo em animais jovens e a Osteomalácia em animais adultos. O Raquitismo é uma má formação dos ossos onde os animais apresentam inchação das juntas, engrossamento das extremidades dos ossos, arqueamento do dorso e enrijecimento das pernas. Em casos de deficiência mais acentuada apresentam joelhos curvados e pernas arqueadas. Na Osteomalácia Cálcio e Fósforo são retirados dos ossos sem que ocorra reposição, tornando-os fracos e quebradiços. A exigência maior aparece no final da gestação e durante a lactação. Os principais sintomas de deficiência de Fósforo são:  Anorexia (redução do apetite);  Depravação do apetite, o animal come ossos, madeira, terra e outros matérias;  Baixos índices de fertilidade, resultando em maior intervalo entre partos e menor número de crias por ano;  Redução dos índices produtivos como: produção de leite, ganho de peso e conversão alimentar. A deficiência de Fósforo constitui um dos mais sérios problemas da Nutrição dos Ruminantes, uma vez que as pastagens são muito deficientes neste mineral. Os altos níveis de Ferro e Alumínio acentuam a deficiência do Fósforo por formarem complexos insolúveis. 3.1.2. Magnésio (Mg) A deficiência de Magnésio é rara, uma vez que este mineral é abundante na maioria dos alimentos. 70% do Mg corporal está presente no esqueleto. As principais funções estão relacionadas ao metabolismo de Carboidratos e Lipídios, catalisadores de vários sistemas enzimáticos, oxidação celular e atividade neuromuscular. O sintoma típico da deficiência de Mg é a tetania das pastagens. Animais velhos apresentam maior dificuldade de mobilizar Mg dos ossos e são mais susceptíveis à tetania. 3.1.3. Potássio (K)
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    O Potássio éo principal cátion intracelular, está presente também no meio extracelular onde atua na atividade muscular. É importante ainda no balanço osmótico, equilíbrio ácido-base, balanço hídrico corporal e ativação de sistemas enzimáticos. As pastagens tropicais geralmente são ricas em potássio e a maior parte do K ingerido é reciclado pela urina. A deficiência de K pode aparecer em animais com dietas a base de feno, silagem e forrageiras de corte que não recebem adubação com este elemento. É mais freqüente em animais confinados, pois os grãos são relativamente pobres neste mineral. Animais em condições de estresse, perdem mais K pela urina, portanto neste caso a dieta deve conte maiores níveis do mineral. 3.1.4. Sódio e Cloro (Na, Cl) A importância destes minerais na alimentação dos animais é conhecida há milhares de anos pelo desejo de consumir sal comum (NaCl). O Na junto com o K possui a função de manter a pressão osmótica e equilíbrio ácido-base. Desempenham papel importante a nível celular, no metabolismo da água, na absorção de nutrientes e na transmissão de impulsos nervosos. O Cl é componente do ácido clorídrico do suco gástrico. O Na é considerado o elemento mais deficiente entre todos os minerais essenciais aos ruminantes, uma vez que os alimentos são pobres e o organismo não possui reservas deste mineral. Possui papel importante na manutenção da atividade dos microorganismos do rumem pelo eficiente poder tampão que exerce. A suplementação de sódio deve ser contínua para os ruminantes e o consumo voluntário é aproximadamente 1000 ppm de Na, o que representa 10 g do mineral para cada 10 kg de matéria seca consumida, resultando em um consumo de 27 g de NaCl por dia. O sal comum (NaCl) é o principal regulador do consumo da mistura mineral. Portanto misturas com alta concentração de Na Cl, resultam em baixo consumo pelos bovinos. Isto explica também a ineficiência do fornecimento de NaCl separado dos outros minerais. 3.1.5. Enxofre (S) O Enxofre é constituinte dos aminoácidos sulfurosos (Cistina, Cisteina e Metionina) e das vitaminas Tiamina e Biotina. A principal função do S, para os ruminantes, está relacionado à síntese de aminoácidos no rumem , às vitaminas e síntese do Acido Propiônico. Para uma eficiente utilização do nitrogênio não protéico (NNP) pelas bactérias do rumem, deve haver uma relação de 1 (uma) parte de S para 14 (quatorze) partes de Nitrogênio da dieta. Para obter esta proporção recomendamos substituir 10% do peso da uréia utilizada na alimentação dos bovinos, por sulfato de amônia. 3.2. Importância dos microminerais 3.2.1. Cobalto (Co) O Cobalto é importante para os microorganismos do rumem na síntese de vitamina B12. Os ruminantes são totalmente dependentes da capacidade dos microorganismos em sintetizar a vitamina B12.
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    A vitamina B12catalisa a reação do Propionato para succinato no Ciclo de Krebs (Conn; Stumpf; 1972). Em sua ausência ocorre uma elevação do nível do Propionato no organismo e o animal perde apetite. O sintoma mais evidente da deficiência de Co em ruminantes é a falta de apetite, resultando em anemia, pêlos ásperos, engrossamento da pele, perda de peso e morte. No Brasil estes sintomas são comumente denominados mal do colete, peste do secar, mal de fastio. As deficiências menos acentuadas acarretam em maiores prejuízos, pois o pecuarista dificilmente constata o fato. Níveis menores que 0,1 ppm de Co na matéria seca da pastagem pode levar à deficiências generalizadas quando os animais não são suplementados. 3.2.2. Zinco (Zn) O Zinco e um ativador de enzimas e está relacionado com o metabolismo de ácidos nucleico, síntese de proteína e metabolismo de carboidratos. Potencializa os efeitos dos hormônios F S H e L H o transporte e utilização da vitamina A . As Pastagens tropicais, principalmente as do gênero Braquiaria apresentam baixos níveis de Zn no tecido. No Brasil Central constatamos níveis médios de 5 a 10 ppm na matéria seca, para uma exigência de 50 ppm. Os sintomas mais típicos da deficiência estão relacionados com anormalidades na pele devido a presença de Zn em maior quantidade nesta região. 3.2.3. Ferro (Fe) O Ferro é o principal componente da hemoglobina e mioglobina, está ligado ao transporte e armazenamento de oxigênio para respiração celular. As pastagens geralmente apresentam altos níveis de Fe sendo rara sua deficiência. Animais jovens na fase de aleitamento podem apresentar uma anemia hipocrômica microcítica, principalmente quando ocorre em conjunto alta infestação por vermes e carrapatos. 3.2.4. Cobre (Cu) O Cobre atua junto com o ferro na síntese de hemoglobina, participa da absorção do Fe no intestino delgado. Está ligado à síntese da camada de mielina que recobre o sistema nervoso central. É necessário para pigmentação normal da pele e dos pêlos. Os principais sintomas da deficiência de Cu são relatados como desordens nervosas, pele e pêlos despigmentados, diarréias, queda na produção de leite e da fertilidade. As pastagens geralmente são pobres neste mineral. No Brasil Central temos constatado níveis de 5 a 8 ppm de Cu na matéria seca enquanto que o normal deveria ser de 10 ppm. Níveis do Molibdênio superiores a 5 ppm interfere na absorção do cobre (SOUZA; ROSA, 1982). 3.2.5. Manganês (Mn) O Manganês é de grande importância para manutenção dos órgãos reprodutivos dos machos e fêmeas, participa como cofator de várias enzimas envolvidas no metabolismo de carboidratos e lipídeos. Em geral, as pastagens apresentam níveis satisfatórios de Mn. A deficiência pode aparecer em regiões com altos níveis de Ca no solo. Em dietas ricas em Ca e P aumenta a exigência em Mn. SOUZA (1978), constatou a deficiência de Mn em vários regiões do Brasil, principalmente no Mato Grosso.
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    Nestas regiões animaisdeficientes apresentam problemas reprodutivos, desenvolvimento retardado e deformação dos membros posteriores de bezerros recém-nascidos. 3.2.6. Iodo ( I ) A maior parte do Iodo é encontrado na glândula tiróide para formação da tiroxina e triodotiroxina, estes hormônios atuam na termorregulação, na reprodução, no crescimento e desenvolvimento animal, incluindo a fase fetal, na circulação e na função muscular. A deficiência de Iodo provoca uma hipertrofia da tireóide conhecida como bócio endêmico ou papeira. O aumento da glândula ocorre devido à tentativa de produzir os hormônios na ausência de Iodo. Animais recém-nascidos de vacas deficientes podem apresentar o bócio, além da incidência de natimortos mal formados e sem pelagem. As fêmeas em reprodução apresentam anestro e os machos perda da libido (GEORGIEVSKET, 1982). 3.2.7. Selênio (Se) O Selênio foi estudado inicialmente como elemento tóxico. O conhecimento de sua necessidade como mineral essencial é relativamente recente. Os sintomas de intoxicação por Se aparecem em bovinos quando consomem forragem com 4.000 ppm (JARDIM,1973) de Se na matéria seca e são relatados como atordoação , rigidez das articulações , perda de pêlos e deformações nas unhas. A função do Se no organismo do animal é servir como ativador da enzima glutatione peroxidase, que por sua vez destrói os peróxidos de hidrogênio, transformando-os em hidroácidos. A deficiência do Se ocasiona um acúmulo de peróxido de hidrogênio com destruição da membrana celular, danificando os tecidos. A vitamina E evita a formação de peróxidos, mas quando já formados somente o Se é capaz de destruí-los. A deficiência de Se provoca o aparecimento de uma distrofia muscular conhecida como doença do músculo branco. Além desta doença, provoca também aumento nos índices de retenção de placenta, caquexia. Diarréia, redução no crescimento e problemas reprodutivos. 3.2.8. Cromo (Cr) O elemento cromo há muitos anos vem despertando o interesse dos cientistas devido seu efeito sobre os fatores negativos causados pelo estresse. Animais sobre intensa condição de estresse eliminam altas quantidades de cromo na urina, podendo deixar o indivíduo deficiente neste elemento. A deficiência em cromo reduz a resposta de transporte da glicose no sangue, enfraquecendo seu efeito nas células. A principal conseqüência disso é a redução no ganho de peso e produção de leite, além de aumento na susceptibilidade às doenças. Portanto, animais em desmama, que acabaram de ser transportados, após castração e vacinação, em intenso calor e vacas em lactação (principalmente primíparas) com bezerro ao pé, respondem muito bem à suplementação com cromo, elevando o desempenho produtivo. 3.2. Importância da suplementação mineral na produtividade dos bovinos
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    Vários são ostrabalhos que mostram a importância da suplementação mineral no desempenho produtivo dos animais. As deficiências de P são as mais limitantes, seguida de Zn, Cu, Co, I e Se. O aumento nos índices reprodutivos é a principal vantagem da suplementação mineral, como mostram os trabalhos conduzidos na América Latina, África e Ásia; apresentados no Gráf. 3. Estudos Latino Americano, Africano e Asiático sobre os Efeito da Suplementação 90 Mineral no Aumento da Porcentagem de Natalidade. 80 Gráfico 3. Estudos latino americano, africano e asiático sobre os efeitos da suplementação mineral no aumento da porcentagem de natalidade 70 60 50 40 30 20 10 0 Bolívia Brasil Colômbia Peru África do Sul Tailândia Uruguai Controle Controle+Suplemento Mineral GUIMARÃES e NASCIMENTO (1971) estudaram o efeito da suplementação com sal comum, farinha de ossos, cobre e cobalto no desempenho reprodutivo de vacas a nível de pasto, na Ilha de Marajó e encontraram resposta positiva aos tratamentos com fósforo e microminerais (Tab. 4.). Tabela 4. Porcentagem de nascimento de bezerros nos grupos de vacas sob vários tratamentos (adaptado de GUIMARÃES & NASCIMENTO, 1971). Tramento Número de Vacas Número de Bezerros Nascidos Porcentagem de Nascimento Desvio (%) do Testemunha A 50 34 68,0 18,9 B 54 39 72,2 23,2 C 51 28 54,9 5,8 D 53 26 49,1 -
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    A - Pastonativo + sal comum + farinha de ossos + cobre + cobalto B - Pasto nativo + sal comum + farinha de ossos C - Pasto nativo + sal comum D - Pasto nativo SOUZA et al. (1984) verificaram o efeito da suplementação mineral (sal comum, sal comum + fosfato e sal comum + fosfato + microminerais ) em novilhas sob pastejo de Capim Colonião adubado. No período seco, a suplementação não teve efeito positivo no desempenho dos animais. O nível de minerais encontrados em análises de forrageiras é muito variável de acordo com cada região. Em um trabalho realizado em 180 propriedades dos estados de Rondônia Níveis e Acre, de Macrominerais encontramos os níveis de macro e microminerais contidos nos Gráficos 4 e 5. Gráfico 4. 0,5 Níveis de macrominerais, mínimos e máximos em relação à exigência dos mesmos 0,45 0,4 0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 Fósforo Cálcio Magnésio Enxofre Mínimo Máximo Exigência Gráfico 5. Níveis de microminerais, mínimos e máximos em relação à exigência dos mesmos
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    Níveis 100 deMicrominerais 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Zn Cu Mn Fe Mínimo Máximo Exigência Os resultados mostram que existe uma grande variação na composição das pastagens e sugere que as formulações de misturas minerais deverão ser específicas para cada região ou propriedade. 4. Suplementação mineral, protéica e protéico-energética de bovinos em pastagens Durante o período seco as pastagens apresentam uma menor intensidade de rebrote e consequentemente um menor número de folhas verdes, diminuindo a capacidade de suporte o que traz como conseqüência a perda de peso dos animais. Com adoção de um manejo adequado, podemos reservar parte da produção de pasto do período chuvoso para ser utilizada na época seca, permitindo que os animais tenham bom desempenho neste período. O baixo valor nutritivo das pastagens durante a seca pode ser corrigido com o uso de misturas múltiplas contendo além dos minerais, proteínas verdadeiras (farelos), nitrogênio não protéico (uréia) e carboidratos (grãos de cereais) que garantem uma nutrição adequada dos microorganismos do rúmen, com aumento na digestibilidade, maior consumo e aproveitamento da pastagem. A suplementação com estas misturas permite obtermos ganhos moderados e até mesmo semelhantes àqueles conseguidos durante o período das águas. Quanto maior a quantidade de suplemento oferecido melhor será o ganho de peso e neste caso aparece um efeito substitutivo da ração concentrada pelo pasto, como ocorrem nos semi-confinamentos onde os animais recebem em média até 1% de seu peso vivo, na forma desta ração. Neste caso os ganhos variam em média de 800 a 1000 g de peso vivo por animal ao dia, sendo que estes valores podem variar de acordo com as condições do pasto, ou seja, quanto maior a disponibilidade de folhas verdes, melhor serão os ganhos. O semi-confinamento é indicado apenas para a terminação dos animais e torna-se viável principalmente em regiões onde o pasto mantém-se verde durante o período seco,
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    portanto não éviável obtermos ganhos de pesos elevados no período seco e depois voltar os animais ao regime de pasto, o que irá implicar em uma redução do ritmo de ganho na época das águas. Para suplementarmos animais com exigências moderadas como são os bezerros, novilhas e vacas em final de gestação, podemos utilizar misturas de menor consumo (50 a 75g / 100 Kg de peso vivo ao dia) ou seja, aproximadamente 300 g por animal adulto, que são conhecidas comumente no mercado como “Sal Proteinado”. Neste caso, o objetivo é obter pequenos ganhos de peso no período seco (Sal Proteinado) e intensificar o ganho no período de chuvas (Protéico da águas), antecipando desta forma o abate dos animais, conforme mostra o experimento realizado na Embrapa de Campo Grande (CNPGC). Desenvolvimento de Novilhos Submetidos a Diferentes Alimentares. Tratamento g/animal/dia Meses A - Testemunha 355 35,3 B - Supl. primeira seca 410 30,6 C - Supl. segunda seca 450 28,7 D - Supl. primeira e segunda secas 510 26,3 E - Supl. primeira e conf. na segunda 725 22,6 F - Supl. durante todo ano 550 24,6 Tabela 6. Desenvolvimento de novilhos submetidos diferentes regimes alimentares Vale lembrar que a suplementação com misturas múltiplas durante o período chuvoso é viável apenas quando temos animais de alta capacidade genética para ganho de peso e a pastagem não é suficiente (manejo fora do ideal), necessitando de uma suplementação principalmente nos níveis de proteína, energia e minerais da pastagem. 5. Conclusões e Recomendações para Suplementação de Bovinos de corte em Pastagens  A produção de bovinos de corte a pasto é a forma mais econômica que o produtor pode encontrar em seu criatório, porém o manejo adequado das pastagens torna-se de fundamental importância para obter o máximo de ganho por área, tornando a atividade mais econômica;  A divisão das pastagens constitui uma técnica eficaz de manejo e permite fazer com que os animais pastejam em rodízio, aumentando a produção de massa do pasto, além de evitar sua degradação;
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     A suplementaçãomineral de bovinos criados a pasto é de fundamental importância para garantirmos um bom desempenho produtivo;  O principal sintoma da deficiência está relacionado com a queda da fertilidade, o que reduzem os números de bezerros nascidos na propriedade;  Quanto maior a produção e disponibilidade de massa verde na pastagem, maior será a necessidade de minerais, portanto no período de verão a suplementação proporciona melhores resultados de produtividade dos animais;  No período seco, se os animais tiverem baixa disponibilidade de massa nas pastagens, a suplementação poderá ser moderada, uma vez que os altos níveis de minerais não repercutem em maiores produções;  Carências acentuadas podem levar ao aparecimento de doenças e até morte dos animais;  O mineral mais deficiente em nossas pastagens é o Sódio, mas o Fósforo é o mais limitante uma vez que chega representar 60 a 80 % do custo em uma mistura mineral de boa qualidade;  Para aquisição de misturas comerciais, fatores como o nível de fósforo, biodisponibilidade da matéria prima utilizada e níveis dos microminerais citados, são de grande importância na escolha;  As misturas minerais deverão ficar à disposição dos animais, em cochos apropriados (se possível cobertos) e reabastecidos sempre que necessário;  Em propriedades com gado de cria, onde vacas e bezerros permanecem juntos em um mesmo pasto, a construção dos cochos devera permitir um fácil acesso também para os bezerros;  O estudo específico das condições de cada propriedade, relacionadas com o desempenho e aspecto dos animais, composição química das pastagens (conhecida através de análises em laboratórios) e níveis de exigências dos animais, leva a uma escolha ou formulação de misturas mais econômicas e com melhores resultados produtivos do plantel;  A suplementação com misturas múltiplas, principalmente no período seco, tem apresentado bons resultados econômico, pelo fato de reduzir a idade ao abate dos animais;  O uso da quantidade adequada de cochos é de fundamental importância e podemos adotar as medidas de 5 cm de área de chegada por animal, para o caso de misturas minerais e 10-15 cm para misturas múltiplas;  Em caso de dúvida, nunca tome decisões precipitadas na escolha ou formulação das misturas, procure um profissional de sua confiança.
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    INTERAÇÃO NUTRIÇÃO XREPRODUÇÃO NA BOVINOCULTURA DE CORTE Introdução A nutrição é o principal fator que influencia no desempenho reprodutivo na bovinocultura de corte, considerando que a ciclicidade estral e o início da gestação podem ser consideradas funções de baixa prioridade dentro de uma escala de direcionamento dos nutrientes e só serão ativadas quando a demanda para a manutenção, crescimento e reserva de nutrientes forem supridas. Além disso, o manejo reprodutivo é fundamental para elevar os índices produtivos do rebanho. Neste contexto, os eventos envolvidos durante a vida reprodutiva da fêmea serão: desmama, puberdade, parto, período de serviço, idade à primeira cria, intervalo de partos e manejo pré-parto. Do manejo adequado desses eventos, depende a eficiência reprodutiva (ER) do animal e do rebanho como um todo. Sua vida útil produtiva envolve fases importantes que dependem de um conjunto de decisões fundamentais a serem tomadas, visando maior produtividade e lucratividade. O Manejo Reprodutivo Conforme o esquema da Fig. 1, a vida útil de uma fêmea é definida por vários momentos e períodos.
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    Desmama É ummomento importante para as futuras matrizes, pois fornecerá dados para a seleção de fêmeas. A saúde dos animais desmamados depende da capacidade da mãe em criá-los. Altas diferenças esperadas na progênie (DEP) para peso à desmama representam um dos indicadores mais importantes da pecuária, ou seja uma boa habilidade materna (HM). Esse parâmetro é tão importante que, se fosse possível, os produtores só deveriam adquirir e descartar matrizes com base nesse índice. Uma desmama considerada ideal para os padrões raciais encontrados em nosso território nacional, seria entre 180 a 210 kg. Puberdade Por volta de um ano de idade inicia-se a puberdade do animal, ou seja, a fase de afloramento de todo o aparelho genital/reprodutor e seus anexos, a produção de hormônios, além do fortalecimento das estruturas corporais para que a fêmea esteja preparada para o acasalamento. O desenvolvimento fisiológico normal do animal depende do manejo adequado, principalmente da alimentação. Por isso, a desmama assume grande importância, pois animais bem desmamados passam por essa fase sem problemas, completando-a em torno dos 18 meses. Idade à primeira cria (IPC)
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    No caso dasprimíparas, isto é, das fêmeas que estão parindo pela primeira vez, a idade à primeira cria (IPC) é um registro muito importante. Essa idade tem alta correlação com a vida útil produtiva, significando que as fêmeas que têm o seu primeiro parto mais cedo, são mais férteis e produzem mais durante a sua vida reprodutiva. Significa precocidade reprodutiva e que as novilhas devem ser manejadas com muita atenção. Todavia, não se deve entourar e/ou inseminar fêmeas com um peso menor que 300 kg, para não comprometer a vida reprodutiva do animal numa gestação em estado corporal não-condizente. Idades à primeira cria acima dos 27 - 30 meses devem ser consideradas altas, indicando problemas com o manejo pós-desmama e a puberdade. Parto Na Fig. 1 representado pelos pontos P, o parto é o grande momento, de modo que a fêmea deve merecer toda a assistência, intensiva, se for o caso, quando necessitar de ajuda. Também, após o parto, principalmente na assepsia da área genital da mãe e nos cuidados com a cria. Um problema de parto pode inutilizar a fêmea para a reprodução, do mesmo modo que um corte de umbigo malfeito ou uma secreção que entope as vias respiratórias de um recém-nascido podem causar uma infecção com graves consequências em toda vida do animal. No parto, deve ser efetivada uma das mais significativas práticas de manejo, da qual dependerá a saúde do bezerro: a ingestão do colostro, a qual tem conseqüências muito benéficas nos recém-nascidos. As gamaglobulinas, associadas às diversas substâncias, sais minerais e vitaminas, conferem imunidade aos bezerros, tornando-os resistentes a várias doenças durante toda a vida, resultando um animal mais saudável e, conseqüentemente, produtivo. Período de serviço Outro importante momento é o período que antecede a próxima fecundação (F): o período de serviço (PS), ou seja, aquele que vai do parto à próxima fecundação. Esse período se divide em período puerperal (PP), quando ocorre a involução uterina, isto é, a recomposição do sistema genital, principalmente do útero, e o serviço (S) propriamente dito, em que o touro está cobrindo a fêmea. No caso de uso da inseminação artificial (IA), o controle desse período é muito mais seguro, ficando o manejo reprodutivo mais simples. Diz-se que, nessa fase, a fêmea está vazia. Um problema ocorrido durante o parto ou mesmo nutricional pode prejudicar fortemente
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    essa fase dacriação. A sua importância é fundamental para a lucratividade da fazenda, pois, quanto maior for o PS, maior será o intervalo de partos (IDP). Intervalo de partos O intervalo de partos (IDP) é uma fase ligada à reprodução das mais importantes para a criação animal. Ele depende de todas as práticas de manejo, seja nutricional, reprodutiva ou sanitária. Quanto maior for o IDP, menor será a produtividade do animal, acarretando prejuízos ao comprometer a eficiência reprodutiva do rebanho. É fácil se entender a importância do IDP. Toda vaca deve parir uma cria por ano. Caso isso não aconteça, deve-se concentrar esforços na identificação das causas. O IDP é o termômetro fisiológico da reprodução, pois um problema acorrido no passado pode refletir nessa fase e, conseqüentemente, na relação custo-benefício da criação. O IDP está situado entre P1 e P2, ou seja, entre dois partos, fazendo desse intervalo quase todas as outras fases. Para que a fêmea produza uma cria por ano, que é o ideal, o PS não pode ultrapassar 120 dias. Conclui-se, assim, que o sucesso na criação depende de manejo e, por conseguinte, é totalmente dependente do homem. Um intervalo de parto acima de 365 dias, compromete bastante a eficiência reprodutiva do rebanho, pois fica fora da relação considerada ótima de uma cria, por ano, por fêmea. Necessidade Nutriconal da Matriz A nutrição é considerada um dos fatores determinantes na atividade reprodutiva em vacas de corte, tendo especial ação no retorno da atividade ovariana durante o pós-parto. A partição dos nutrientes é um mecanismo pelo qual, em condições de baixa disponibilidade de alimentos, o organismo animal determina uma ordem de prioridades para o uso da energia disponível para as diferentes funções orgânicas. Nesta ordem de importância, a apresentação de ciclos estrais e o início da gestação são funções pouco prioritárias, assim sendo, as funções reprodutivas só serão ativadas quando o balanço entre quantidade e qualidade da dieta, reserva de nutrientes, demanda para o crescimento, metabolismo e outras funções forem supridas. Além disso, vários outros fatores interferem no PS, tais como a lactação e a amamentação, o efeito do macho, a involução uterina, o número de partos, as distocias, as patologias congênitas e adquiridas e fatores hormonais que estão associados
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    diretamente com anutrição, principalmente ao manejo inadequado ou mesmo a falta desta. Com um manejo reprodutivo e alimentar executado corretamente teremos uma grande eficiência reprodutiva o que pode ser considerado um fator de grande impacto econômico. Da energia consumida pelo animal na forma de Carboidratos, parte é absorvida no intestino delgado como hexoses e a maior quantidade é fermentada no rúmen, ocorrendo a liberação de ácidos graxos voláteis (AGV) que serão fonte de energia. Portanto, a utilização de dietas energéticas, rias em carboidratos de fácil fermentação, favorece a produção de AGV no rúmen, onde o ácido propiônico é o principal substrato energético utilizado pelos ruminantes como fonte de glicose, através do processo de gliconeogênese, aumentando o nível de glicose circulante, que por sua vez, aumenta o nível de insulina no sangue. Quando vacas e novilhas são manejadas em pastagens de baixa qualidade, como observado na época seca no Brasil Central, o acetato é o principal AGV produzido via fermentação ruminal, havendo produção insuficiente de propionato. Com a inadequada gliconeogênese, ocorre depleção de oxaloacetato, o qual é um intermediário fundamental para o metabolismo do acetato. A restrição no suprimento de oxaloacetato diverge o metabolismo do acetato e a produção de ATP para ciclos menos eficientes, aumentando a produção de calor, diminuindo assim a eficiência energética, enquanto o carbono do acetato é direcionado para formação de corpos cetônicos. É importante ressaltar que a fertilidade das fêmeas é um fator de baixa herdabilidade, ou seja, os fatores genéticos pouco irão se expressar frente a possíveis variáveis, sendo que as variações ambientais, como por exemplo, uma correta nutrição, serão os maiores indicativos de um bom manejo produtivo na propriedade. Objetivo de um bom manejo nutricional O principal objetivo de um bom nutricional é que a ingestão destes nutrientes na quantidade correta (sem supernutrição ou subnutrição) servirão como reservas corporais e irão ser responsáveis pela regulação da função ovariana em vacas pós-parto. Esta estratégia de manejo é considerada de grande valia para minimizar o PS e otimizar a produção de gametas, aumentando assim as taxas de fecundações.
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    A ingestão denutrientes, antes e após o parto à primeira ovulação. Além disso, o crescimento de folículos após o parto é influenciado pela ingestão de energia. A reduzida ingestão de energia por vacas de corte no período pós-parto reduz o tamanho de folículos dominantes e o número de folículos grandes estrógeno-ativos e aumenta a persistência de pequenos folículos subordinados. Caracterização das fêmeas A maneira mais simples e prática de se avaliar o estado nutricional de uma vaca de cria é através da avaliação da sua condição corporal ou escore corporal (ECC). Esta prediz as reservas de energia do animal, por meio da cobertura de músculos e gordura, estimando a condição nutricional geral do animal naquela fase. As descrições dos ECC utilizam um sistema de avaliação visual que atribui uma pontuação em uma escala de 1 até 5, onde 1 corresponde a um animal extremamente magro e 5 exageradamente gordo. Os depósitos de gordura corporal são mais visíveis ao longo do dorso-lombo, inserção da cauda, ponta de anca, ponta de nádega, costelas e ponta de peito, sendo estas regiões os locais a serem observados no corpo do animal para se estimar a condição corporal, como mostra a figura 2. O ECC de uma vaca para entrar em EM deve ser de 2,5 a 3,5, ou seja, a fêmea deve estar aparentando saudável, porém sem excesso de gordura, popularmente conhecida como “gomos”.
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    O monitoramento desuas mudanças durante a gestação é de grande importância, porque permite tomada de decisões como a adoção de estratégias de engordar vacas magras antes do parto ou mesmo possibilitar perda de peso daquelas excessivamente condicionadas. O ECC na época do pré-parto em vacas influencia a resposta na ingestão de nutrientes no período pós-parto. Quando vacas com ECC igual a 4 a 4,5 foram alimentadas no pós-parto, para ganhos de peso de 0,5 a 0,6 kg por dia, a percentagem de vacas em cio, nos primeiros 20 dias da EM, aumentou de 85%, segundo Kunkle et. al., (1994). A condição corporal ao parto é fator de fundamental importância na determinação do período de anestro pós–parto, sendo que vacas com condição corporal mais elevada ao parto apresentaram menores períodos de anestro, além de iniciar a gestação mais cedo durante a estação reprodutiva, apresentando em conseqüência menor intervalo de partos. Além disso, ela prediz com mais segurança que as mudanças no peso corporal ou na condição corporal após o parto a melhoria do desempenho reprodutivo subsequente. Importante lembrar que estas condições não devem ser consideradas lineares, ou seja, a medida que isso aumenta será melhor, pois medidas maiores ou iguais a 4,5 esses efeitos demonstrados pelo ECC irão diminuir as características reprodutivas do animal, considerando que os hormônios, de uma forma geral, são lipossolúveis tendo atração por tecido adiposo. Por isso deve-se tomar cuidado quanto a isso. O ECC pré-parto de 4,5 apresenta uma maior taxa de foliculogênese, aliada a uma maior quantidade de folículos médios e grandes, assim como a presença fundamental dos folículos dominantes. Este fator nutricional é muito importante, principalmente para as primíparas (vacas de primeira cria). O peso inicial ideal para primeira cobertura (novilhas) é de 300 a 350 Kg, sendo que se consegue isso, quando se tem uma adequada alimentação, entre os 18 e 24 meses de idade. É importante ressaltar que o papel desta vaca na eficiência reprodutiva de uma propriedade é oferecer um bezerro por ano, sendo consideradas inviáveis ou de descarte aquelas que não se apresentarem desta forma. Para isso, o fator nutricional é considerado limitante, visto que com uma correta divisão de lotes (indispensável a
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    homogenidade) poderá sermais fácil de adequar possíveis suplementações nas diferentes épocas do ano. Estação de Monta Fatores que influenciam a concepção Inúmeros trabalhos de pesquisa foram desenvolvidos com o intuito de estabelecer uma relação entre condição nutricional, condição corporal, fatores ambientais e fertilidade. A grande maioria deles estabelece uma influência direta e positiva entre esses fatores e a possibilidade de concepção das fêmeas, e, além disso, mostram que o índice de fertilização coincide com a estação chuvosa, ou seja, quando a taxa de crescimento das pastagens é alta e sua qualidade é melhor. Quanto maior é a estacionalidade da produção forrageira, maior é a concentração de fecundação e, consequentemente, de nascimentos durante o ano. Partindo-se desses fatos, é muito mais fácil trabalhar a favor da natureza. A idéia da implantação de uma estação de monta na propriedade, muitas vezes descartada pelo produtor, tem por base racionalizar a atividade reprodutiva dos animais, tanto no aspecto biológico quanto prático. Isso significa dizer que o trabalho de manejo reprodutivo na propriedade será racionalizado de modo que durante um período há nascimentos, num seguinte cuidados com bezerros em amamentação e posteriormente desmame em grupos bem homogêneos. Estacionalidade da produção forrageira Do ponto de vista prático, a determinação da estação de monta deve ser feita de forma que permita uma eficiência reprodutiva máxima e sem investimentos exorbitantes de capital. Isso ocorrerá se a estação de monta for feita de modo que esta ocorra quando a produção de forragem for máxima. Para se alcançar esse objetivo, o período em que as vacas deverão estar em serviço, ou à disposição dos touros, deverá ser de 3 a 5 meses, que também coincidirão com a época das chuvas. A figura 3 mostra um esquema que usa a estacionalidade da produção forrageira para maximizar a eficiência reprodutiva. Nesse esquema a estação determinada foi de 3 meses. Esse período, no entanto só deve ser adotado em propriedades cujo rebanho já esteja ajustado para cobertura na época das águas. Quando da introdução dessa prática, pode-se optar por um processo gradativo de retirada dos touros, de forma que dentro de alguns anos todo o rebanho esteja com o nascimento sincronizado.
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    Esquema de estaçãode monta, nascimento e desmame No período previsto para cobertura deverá ocorrer intensa brotação das pastagens. A época de nascimentos, assim como a época de fecundação estão previstas para períodos nos quais são observados os maiores índices de nascimento e de fecundação, observados por diferentes autores. A época da desmama ocorre em março-abril, e os animais desmamados deverão ser colocados em pastagens de boa qualidade, especialmente manejadas, ou receber suplementação alimentar. Uma suplementação para as vacas durante o final do período do nascimento e o início do período de monta, principalmente com proteínas e, sem dúvida, com minerais (esta deve ocorrer durante todo o ano, com produto adequado e idôneo), poderia ser indicada em anos nos quais a brotação das pastagens fosse retardada devido às condições climáticas. Entretanto, vacas adultas podem sofrer pequena perda de peso no final da gestação e início da lactação, sem comprometer a eficiência reprodutiva se estiverem em ganho de peso durante a estação de monta. O estabelecimento da estação de monta também facilita grandemente o manejo, principalmente em relação a um esquema de eliminação de matrizes, com diagnóstico de prenhez 60 dias após a retirada dos touros. Qualquer oportunidade para o descarte desse tipo de animal deve ser utilizada. Primeiro para selecionar diretamente por fertilidade e habilidade materna, o que gera imediatamente uma pressão de seleção para adaptabilidade ao ambiente local.
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    Esse modelo detrabalho permite a identificação de animais inférteis ou sub-férteis com grande precisão, e sua eliminação do rebanho é fundamental para que se alcance bons índices reprodutivos. Como planejar o período da estação de monta Deixar a tourada solta durante todo o ano como garantia de bezerros nascendo o tempo todo não é a melhor estratégia. É bom lembrar que na seca há pouco pasto, o que traz vários prejuízos à nutrição da vaca em lactação, atrasando o seu retorno ao cio e prolongando o intervalo entre partos. Para evitar essa e outras situações que colocam em risco a produtividade é que eles recomendam a estação de monta. O resultado será uma bezerrada uniforme, menor taxa de mortalidade e maior peso à desmama. O recomendado seria a redução gradual do período de exposição dos touros à vacada. Um bom começo é adotar uma estação de monta de seis meses, que será reduzida em cerca de 1 a 2 meses por ano até que se atinja a duração pretendida de 60 a 90 dias. Reduções bruscas podem comprometer a fertilidade do rebanho e a sua taxa de natalidade. É muito importante ressaltar que isto se modifica de região para região, lembrando sempre de que o fator limitante para o sucesso desta prática é o início da estação de monta durante a época chuvosa. Assim os partos então ocorrem no final da seca, com baixa incidência de doenças, como a pneumonia, e de parasitas, como carrapatos, bernes, moscas e vermes. Além disso, é nessa época que o capim rebrota, ressurgindo com qualidade elevada, capaz de nutrir as matrizes em fase de lactação. A desmama então ocorrerá no início da seca, quando as vacas vazias deverão ser descartadas. Cuidados sanitários para a estação de monta A estação de monta, que deve começar a partir de outubro, quando os pastos estarão revigorados pelas chuvas, requer alguns cuidados. Deve ser feito, além do exame andrológico anualmente, há necessidade do exames físicos para avaliar problemas de aprumos, de prepúcio e de pênis, testes de libido e de aptidão para determinação da correta relação vacas/touro.
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    A atenção coma sanidade deve ser redobrada. Afinal, como um reprodutor doente é capaz de infectar dezenas de vacas, só deve ser utilizados animais sadios. O macho também deve estar livre de doenças que afetam sua capacidade reprodutiva, como a brucelose, tricomonose e campilobacteriose, e de processos infecciosos graves, como as doenças viróticas IBR e BVD. A brucelose, quando afeta o touro, leva-o à subfertilidade ou infertilidade. O tratamento é de custo elevado, por isso se preconiza o descarte dos doentes. A tricomonose, que é contagiosa e sexualmente transmissível, pode levar à morte embrionária precoce e repetição de cio a intervalos irregulares nas vacas, além de abortos e infecções após a cobrição. O touro é um foco importante da infecção, principalmente os mais velhos, que alojam o parasita no prepúcio. O controle pode ser feito por tratamento individual dos touros afetados, porém, seu custo é alto. O descarte dos infectados, assim como dos mais antigos, é uma alternativa de controle. A campilobacteriose é normalmente transmitida durante a monta pelo reprodutor contaminado e pode causar infertilidade temporária e morte embrionária precoce. Os machos doentes podem ser eliminados do rebanho em função do diagnóstico da situação. A rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR) acarreta perdas econômicas, como abortos e morte de bezerros recém-nascidos. Após a infecção, o vírus permanece no animal de forma latente e pode ser reativado periodicamente após estresse ou tratamento com corticóides. Esses animais servem de fonte de infecção através de secreções nasal, ocular, vaginal e fetos abortados. A transmissão pode ocorrer por meio do coito e por sêmen congelado. O controle é realizado pela avaliação dos resultados do diagnóstico laboratorial e o uso de vacinação como ferramenta de controle a partir desse diagnóstico. A diarréia viral bovina (BVD) é uma doença causada por vírus e transmitida por via placentária e/ou contato direto entre os animais, fezes, fetos abortados. No caso dos touros, além das secreções gerais, o sêmen também pode contribuir para a contaminação das vacas durante o coito ou inseminação. A doença provoca abortos, principalmente durante os primeiros três ou quatro meses de gestação, infertilidade, defeitos congênitos e atraso no desenvolvimento dos animais infectados. A diarréia aparece como sintoma, geralmente em rebanhos contaminados, na faixa etária de seis
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    meses a umano de idade. Os animais contaminados podem ser eliminados do rebanho dependendo do diagnóstico. As fêmeas também necessitam de atenção especial, principalmente nos primeiros anos de adoção da estação de monta. Os cuidados mais relevantes, e que não podem ser desprezados, são a boa alimentação das matrizes na época que antecede à estação, de modo que elas tenham condições de ciclar normalmente. A realização de exame físico que avalie se o animal tem condições adequadas para desenvolver uma gestação, parir e desmamar um bom bezerro, de prenhez, colocando no lote de monta apenas vacas vazias. Novilhas, em sistemas menos intensificados, devem ser colocadas e retiradas da monta 1 a 2 meses antes do lote principal de matrizes para que tenham maior assédio dos touros e consigam se recuperar bem para no ano seguinte entrar no ciclo normal. Este manejo tem como entrave as parições nos períodos mais rigorosos da seca, resultando em baixos índices, quando comparadas com vacas multíparas. Porém, quando suas necessidades nutricionais são atendidas, este manejo pode ser uma estratégia de sucesso. Para sistemas mais intensificados, onde geralmente se utiliza a prática de IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo), as novilhas entrarão na estação de monta de 1 a 2 meses após o início da mesma, como estratégia para estas serem colocadas nos protocolos de IATF quando primíparas. Esta prática proporciona à fêmea uma parição nos períodos das chuvas, o que ajuda a manter um bom ECC, permitindo a sincronização aos 45 a 60 dias pós parto. Na maioria das doenças reprodutivas, o sintoma mais comum é a repetição de cio. Porém, abortos nem sempre são observados, principalmente quando ocorre no terço inicial da gestação. O animal contaminado por brucelose libera a bactéria no leite, nas descargas uterinas e no feto, podendo contaminar as pastagens e as aguadas por vários meses. Os principais sintomas são a retenção de placenta e os abortos (natimortos) no terço final da gestação. É importante lembrar que as vacas que vão para a estação de reprodução já devem ter sido vacinadas contra brucelose no seu desmame, e que os machos não devem receber a vacina. Para o controle da doença é importante o exame sorológico, para a identificação e o descarte dos animais positivos, que deve ser paralelo à vacinação das fêmeas na idade correta. Tanto os animais portadores como as vacinas podem contaminar o
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    operador durante omanejo. Por isso é preciso todo cuidado para a proteção contra a doença, principalmente durante a vacinação e o manejo com as vacas recém-paridas. A campilobacteriose e a tricomonose podem causar infertilidade temporária e mortalidade embrionária precoce. Os altos índices de repetição de cio e de mortalidade no terço inicial de gestação são indicações de que essas doenças podem estar presentes no rebanho. De forma geral, vacas em descanso reprodutivo, após quatro ciclos consecutivos, estão livres dessas doenças. No entanto, as vacas contaminadas devem ser eliminadas devido ao tempo necessário à sua recuperação. Nas regiões endêmicas pode ser recomendada a vacinação das fêmeas. A IBR e BVD também provocam abortos no terço inicial da gestação, além de causar outros prejuízos, como broncopneumonia, encefalite, conjuntivite, perda de peso, infertilidade e defeitos congênitos. Após a infecção, principalmente no caso da IBR, o vírus se mantém no animal de forma latente e pode ser reativado periodicamente após o estresse ou tratamento com corticóides. Esses animais servem como fonte de infecção através da secreção nasal, ocular, vaginal e fetos abortados. No caso da BVD, a diarreia é sintoma geralmente em rebanho não vacinado. A transmissão ocorre normalmente pelo contato direto entre portadores e animais suscetíveis ou por via indireta, através da urina, secreções nasais, fezes, fetos abortados e placenta, além de sêmen fresco (coito) ou congelado (inseminação). O diagnóstico laboratorial é muito importante antes da vacinação, para que se possa realizar um controle adequado do rebanho, devido às peculiaridades desses tipos de vírus. Altos índices reprodutivos dependem de nutrição adequada Para um bom desempenho produtivo, os ruminantes necessitam de Água, Proteína, Energia, Vitaminas e Minerais. Todos estes nutrientes são de grande importância para alimentação dos animais, variando apenas quantitativamente, no que diz respeito à categoria dos animais. Alimentar adequadamente as vacas é a garantia de boas condições corporais e, por consequência, altas taxas de reprodução. Minerais como o fósforo, o zinco, o cobre e o selênio, são fundamentais para a função reprodutiva. Nem as proteínas devem ficar fora do cocho. A deficiência mineral pode prejudicar o sistema imunológico, permitindo assim que o animal fique doente com mais facilidade. Aliado então à falta de proteínas, o resultado é a má condição corporal e problemas reprodutivos na certa.
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    A regra básicapara a boa nutrição começa no pasto, com o manejo adequado, e termina no cocho, com a oferta dos suplementos necessários. Com isso, as fêmeas que estarão na estação de monta terão forragem com valores nutricionais mais elevados e as chances de deficiência protéica serão bem menores. Essa falta de proteínas traz prejuízos diretos. Afinal, suplementar com concentrado lotes de matrizes mais magras devido a erros anteriores de manejo pode inviabilizar o sistema. Quando um bom manejo de pastagem é realizado, ocasionando uma boa condição corporal, a única suplementação necessária para manter o peso da vaca é o sal com uréia durante o período da seca. Para esse mineral funcionar, é preciso haver alta disponibilidade de forragem, o que é obtido com a vedação de pastagens ainda na época de crescimento. Este manejo é conhecido como pastejo diferido, que consiste em vedar o pasto 60 dias antes do início da seca. Toda a nutrição da vaca deve ser pensada para que ela tenha boa condição corporal não só na época da estação de monta, mas também no parto. Há pouco o que se fazer com as vacas que entram magras na estação reprodutiva ou parem abaixo do peso. Só terão mesmo como recuperá-lo meses depois, quando a exigência da produção de leite para o bezerro entrar em declínio. Estratégias de Manejo Alimentar Durante o período chuvoso, as pastagens chegam a apresentar níveis satisfatórios de proteína, energia e vitaminas, enquanto que os minerais estão deficientes, impedindo o pecuarista de obter índices máximos de produtividade, enquanto que no período de estiagem, todos nutrientes estão deficientes na pastagem. Portanto nesta época a suplementação de apenas um nutriente não resulta em melhores rendimentos do rebanho. No período chuvoso a pastagem apresenta de 10 a 12 % de PB o que é suficiente para um bom desempenho de vacas com bom ECC pós parto suplementadas com uma mistura mineral de boa qualidade, onde o mineral de maior importância é o P, próximo a 90g/Kg. A vaca com bom ECC terá de 3 a 5 meses (depende da EM) para apresentar os chamados cios férteis. Já no período seco, onde a vaca geralmente já apresenta um ECC adequado devido a prenhes (principalmente no terço final da gestação), poderá ser suplementada com um
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    suplemento mineral proteico,geralmente suplemento mineral com ureia, principalmente para vacas de bom ECC. Já para as primíparas e vacas com baixo ECC é fundamental que sejam separadas em lotes, ofertar um suplemento mineral proteico energético e quando possível uma boa quantidade de forragem, mesmo que esta não esteja em boa qualidade. A utilização de um pastejo diferido para estes lotes seria bem interessante. Este manejo é de fundamental importância, pois, primeiramente a vaca com baixo ECC precisa se recuperar para poder expressar seu cio, considerando, como já foi dito anteriormente, que a aparição das característica reprodutivas na fêmea é tida como seu artigo de luxo e não um fator de primeira importância em seu metabolismo em geral. Outra estratégia utilizada com sucesso para vacas de primeira cria, ou primíparas, é a implantação do sistema de “creep feeding” para bezerros à partir de 30 dias, o que não irá sobrecarregar tanto a fêmea neste período tão limitante para a mesma. O resultado disso é uma desmama 30 kg mais pesada (por animal), pagando assim, o custo da suplementação, além de otimizar o desempenho reprodutivo desta fêmea. Nutrição do Gado Leiteiro
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    A nutrição adequadado rebanho deve iniciar na fase jovem, objetivando um desenvolvimento satisfatório, sem que ocorra acúmulo de tecido gorduroso com prejuízos consideráveis na reprodução e produção de leite da futura vaca, conforme a tabela abaixo: PESO RELACIONADO À IDADE E GANHO DIÁRIO EM RAÇAS LEITEIRAS DE GRANDE PORTE IDADE (semanas) PESO (Kg) GANHO DIÁRIO MÁXIMO (g) NASCIMENTO 40 - 5 55 400 10 75 550 15 100 650 24 150 750 34 200 750 44 250 750 54 300 750 64 350 750 Experimentos mostram que as novilhas quando super-alimentadas acumulam gordura no úbere, o que diminui o desenvolvimento das células secretoras de leite, reduzindo drasticamente a produção durante a lactação, como mostra a tabela abaixo:
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    Ganho de pesona puberdade e produção de leite na 1º lactação EXPERIMENTO GANHO DIÁRIO (g) Kg de LEITE em 305 DIAS REDUÇÃO EM % 590 4900 680 4800 690 4900 890 3900 640 5700 820 4600 760 4200 1060 4000 2,10 20,40 19,30 4,80 1º 2º 3º 4º O gasto com ração durante este período proporciona melhor desenvolvimento dos animais e torna-se viável economicamente como podemos observar no quadro seguinte:
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    Viabilidade econômica danutrição de novilhas CARACT. DOS SISTEMAS PARIÇÃO 36 MESES PARIÇÃO 30 MESES PARIÇÃO 24 MESES COBERTURA (MESES) 27 21 15 SITUAÇÃO AOS 3 ANOS INÍCIO DA 1º LACTAÇÃO 6 MESES DE LACTAÇÃO 1º LACTAÇÃO ENCERRADA LEITE NO PERÍODO (Kg) - 1800 3000 RECEITA COM O LEITE - R$ - 396,00 660,00 GASTO COM RAÇÃO (Kg)* - 780 1500 CUSTO DA RAÇÃO - R$ - 179,40 345,00 BALANÇO - R$ - 216,60 315,00 * Consumo médio de 1,0 e 2,5 Kg de ração dos 4 meses até a parição Durante o desenvolvimento das bezerras, o leite materno é fundamental para sua nutrição até atingir 60 dias de Idade. Nesta fase, o fornecimento de 3 a 4 litros de leite por animal dia é suficiente para proporcionar um crescimento adequado, desde que mantenha uma ração de boa qualidade à disposição destes animais. A desmama deverá ser feita de forma brusca quando o consumo voluntário da ração atingir 1 Kg por animal dia. Após este período, devemos fornecer ração à vontade até atingirem um consumo de 2 Kg, quando fixamos esta quantidade. A partir deste momento, torna-se de suma
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    importância priorizar aspastagens adequadas, uma vez que o consumo de fibra aumenta à medida que o animal cresce. O quadro abaixo mostra o fornecimento de nutrientes pelo uso de rações bem como as quantidades que deverão ser supridas pelas pastagens. Contribuição do uso de rações no desenvolvimento das novilhas PESO VIVO (Kg) 100 200 300 400 EXIGÊNCIA DIÁRIA Kg NDT 2,0 3,4 4,5 5,4 2 Kg de RAÇÃO Kg de NTD* 1,3 1,3 1,3 1,3 DÉFICIT NDT (Kg) 0,7 2,1 3,2 4,1 EXIGÊNCIA DIÁRIA Kg PB 0,38 0,62 0,77 0,86 2 kg de RAÇÃO Kg de PB* 0,28 0,28 0,28 0,28 DÉFICIT PB (Kg) 0,10 0,34 0,49 0,58 * Ração com 14 % de PB e 65 % de NDT.
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    Após a coberturaaos 15 meses, a novilha deverá permanecer em pastagens de boa qualidade ou ter à sua disposição volumosos de boa qualidade, além de uma suplementação com ração de forma a obter os ganhos desejados. A maior exigência ocorre no período pré-partos (dois meses antes do parto), onde o feto cresce 80% do seu peso ao nascer, reduzindo a capacidade de ingestão de alimentos devido a compressão do rumem. A boa nutrição nesta época, proporcionará maior produção de leite durante a lactação e um menor intervalo parto 1.º cio diminuindo o intervalo entre partos. Quando a vaca apresenta cio entre 60 a 90 dias após o parto, ela produzirá um bezerro e uma lactação por ano, o que será decisivo para a viabilidade econômica da atividade. As tabelas seguintes mostram a influência desta alimentação e o manejo correto a ser realizado. Influência do nível nutricional do pré parto sobre o intervalo parto – 1º cio NÍVEL NUTRITIVO % VACAS EM CIO PÓS PARTO (DIAS) Pré-Parto Pós-Parto 50 60 70 80 90 ALTO ALTO 65 80 85 90 95 ALTO BAIXO 76 81 81 86 86 BAIXO ALTO 25 45 70 85 85 BAIXO BAIXO 6 17 22 22 22
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    DIETA BASAL DIGEST.% CONCENTRADO Kg/ Dia PERÍODO DE TRATAMENTO (SEMANAS) BAIXA 53 3,2 7 MÉDIA 63 2,7 3 ALTA 70 1,4 2 MUITO ALTA 76 0 0 Quantid ade necessária de concentrados no período pré-parto de acordo com a qualidade da dieta basal Após o parto, a alimentação da vaca leiteira deverá ser feita no sentido de atender as exigências de manutenção corporal e produção diária de leite. Nesta época, a produção de leite cresce de forma linear até atingir um “pico” aos 60 dias e ao mesmo tempo, o consumo de alimentos é baixo devido ao stress do parto. Uma nutrição incorreta durante este período, leva a um retardamento no aparecimento do cio pós parto o que trará grandes prejuízos à atividade. O quadro abaixo mostra que a alimentação das vacas em lactação deverá ser feita de acordo com a sua produção evitando problemas decorrentes da sub ou super alimentação. DIFERENÇAS NA UTILIZAÇÃO DE ALIMENTOS ENTRE DUAS VACAS SUBMETIDAS À MESMA DIETA DURANTE OS PRIMEIROS 67 DIAS DE LACTAÇÃO PARÂMETROS VACA A VACA B PESO VIVO (Kg) 516,8 519,1 PROD. TOTAL (Kg) 836,5 1323,3 PROD. MÉDIA (Kg) 12,5 21,8 VAR. PESO VIVO (Kg) 39,1 -51,8
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    Fatores que maisafetam a eficiência da Produção de Leite: Reprodução A principal condição para a produção de leite é a parição. Uma vaca com intervalo entre partos de 12 meses produz uma lactação e um bezerro todos os anos, tornando seus custos diluídos em uma maior quantidade de produtos. No entanto, os índices de fertilidade dos nossos rebanhos são de aproximadamente 50% o que reflete em vacas improdutivas durante todo ano tornando inviável o sistema de criação. A reprodução é um fator de baixa herdabilidade (10%) ou seja, 90% deve-se aos fatores de meio onde a alimentação ocupa posição de destaque. Os dados abaixo mostram que em rebanhos com a mesma produção de leite por lactação, podemos ter resultados econômicos diferentes.
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    12 MESES 365 DIAS (1) 14 MESES 18 MESES INTERVALOS DE PARTOS PARÂMETROS VACAS PROD./LACT. (2) 4500 l/Lact. 4500 l/Lact. 4500 l/Lact. VIDA ÚTIL (3) 6 ANOS 6 ANOS 6 ANOS N.º CRIAS (4) 6 CRIAS 5 CRIAS 4 CRIAS PROD. NA VIDA ÚTIL (5) 27000 l 22500 l 18000 l *PROD./DIA DE VIDA ÚTIL (6) 12,32 l 10,27 l 8,22 l * Produção/dia de vida útil (6) = (5) = (2) (3) (1) Perda real/vaca em números redondos quando passamos: a) I.P. de 12 meses para 14 meses = 2 litros b) I.P. de 12 meses para 18 meses = 4 litros
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    UM FAZENDEIRO COM100 VACAS PERDE POR DIA EFETIVAMENTE a) I.P. de 12 para 14 meses - perda real = 200 litros/dia 30 X 200 = 6.000 litros/mês b) I.P. de 12 para 18 meses - perda real = 400 litros/dia 30 X 400 = 12.000 litros/mês Período de Lactação Este fator é altamente influenciado pela seleção genética dos animais. Após o “pico” de lactação, a vaca deverá manter persistente sua produção, da maneira mais uniforme possível até encerrar sua lactação por volta dos 305 dias. Vacas cruzadas possuem maior tendência de baixa persistência, portanto, nestes rebanhos o índice de reposição (descarte anual de fêmeas) deverá ser maior objetivando eliminar vacas que apresentam quedas bruscas após o “pico”. A nutrição não afeta a persistência de lactação, logo se suplementamos uma vaca de baixa persistência ela não responderá em sua produção de leite. Os dados a seguir mostram o efeito do período de lactação na quantidade de vacas paridas do rebanho, evidenciando que, ao desprezar a seleção de
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    vacas com altapersistência, estaremos anulando os efeitos positivos que conseguimos com a redução do intervalo entre partos. Período de lactação (p.l.) e % de vacas em lactação em diferentes intervalos de partos (i.p.) % DE VACAS EM LACTAÇÃO I.P. 12 MESES I.P. 14 MESES I.P. 18 MESES PERÍODO DE LACTAÇÃO 10 MESES 83 71 55 9 MESES 75 64 50 8 MESES 66 55 44 7 MESES 58 50 38 6 MESES 50 42 33
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    Anexos VERMINOSE EMAGUADAS Outro aspecto importante que devemos destacar é a contaminação das aguadas naturais tipo “bacias” ou cacimbas (água parada) de água coletada no período de chuva, ficando parada durante todo ano, sujeita a contaminações por fezes e urinas por animais que ali frequentam. Estas aguadas, apesar de não serem recomendadas, em algumas propriedades são necessárias por não haver outra possibilidade. Portanto nesta situação devemos adotar um sistema de vermifugacao mais rigoroso e dar ênfase a contaminação por protozoários que não são vermes, principalmente a Eimeriose também conhecida como coccidiose. Estes parasitas habitam o intestino delgado causando ferimentos na região de absorção dos nutrientes e contaminam as aguadas através de seus dejetos. O sintoma típico são bezerros geralmente desmamados com diarreias frequentes, sintomas de desnutrição e em um estagio mais avançado além de presença de sangue nas fezes. A aguada mais indicada é a aguada natural com água corrente e com cascalho na região de acesso dos animais ou de bebedouros distribuidos em pontos estratégicos. Uma maneira muito eficiente para melhorar as aguadas na época seca é promover o cascalhamento da área de chegada, evitando a formação de atoleiros que possam interferir na ingestão de água pelos animais ou evitar possíveis ferimentos ou acidentes. BOTULISMO A deficiência de um balanço adequado de Ca e P, predominantemente o P nas pastagens, é um fator predisponente ao surgimento da osteofagia, onde os animais começam a roer e até ingerir ossos que ficam soltos nos pastos. Com isso, quando as carcaças estão contaminadas com Clostridium botulinum estes animais que ingerirem poderão se intoxicar através da toxina produzida por este Clostridium. Como medidas preventivas, além de uma dieta com níveis adequados de Ca e P, deve-se promover a utilização de cemitérios nas pastagens, delimitando estas áreas com a presença dos restos dos animais de uma forma geral e ainda, a vacinação dos animais em áreas endêmicas desta doença, ou seja, com alta prevalência entre os animais.
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    REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS LIMA,M. L. M. Uso de subprodutos da agroindústria na alimentação de bovinos leiteiros. In: Simpósio Sobre Manejo e Nutrição de Gado de Leite. Goiânia. Anais... Goiânia: CBNA, 2000, p. 101 – 114. TEIXEIRA, J. C.; TEIXEIRA, L. F. A. C. A importância da nutrição na reprodução de bovinos leiteiros. In: 4º Sinleite: Simpósio Internacional em Bovinocultura de Leite. Lavras. Anais... Lavras: UFLA, 2004, p. 289 – 342. VALADARES FILHO, S. C. et. al. Tabelas Brasileiras de Composição de Alimentos para Bovinos. 2ª Edição. Viçosa: UFV, 2006. 329 p. LANA, R. P. Nutrição e Alimentação Animal (mitos e realidades). Viçosa: UFV, 2005. p. 125 – 140. BUTOLO, J. E.; JUNQUEIRA, O. M. Simpósio sobre ingredientes na alimentação animal. Anais... Campinas, CBNA, 2001. 354 p. BORGES, I.; GONÇALVES, L. C.; BUENO, P. H. S. III Simpósio Mineiro de Nutrição de Gado de Leite. Anais... Belo Horizonte, UFMG/CEM, 2005. 211 p. NUNES, I. J. Alimentos usados em nutrição animal. Caderno Técnico da Escola de Veterinária. Belo Horizonte, UFMG, nº 5, p. 63-107, 1991.