Eduardo Carpejani 
Danielle Thaís Barros de Souza 
Administração
C294t Carpejani, Eduardo 
Administração. / Eduardo Carpejani, 
Danielle Thais Barros de Souza. Aracaju: 
UNIT, 2013. 
172. : il. 22 cm. 
Inclui bibliografia. 
1. Teoria geral da administração. 
2. Princípio administração. 3. Teoria 
burocrática. 4. Tipologia da organi-zação. 
5. Enfoque comportamental. I. 
Souza Danielle, Taís Barros de. II. Uni-versidade 
Tiradentes. III. Educação a 
Distância. IV. Título. 
Redação: 
Núcleo de Educação a Distância - Nead 
Av. Murilo Dantas, 300 - Farolândia 
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Sumário 
Parte 01: Teorias Pré-Sistemas 
Tema 01- Enfoque Mecanicista . .11 
1.1 Introdução à Teoria Geral da Administração: Princípios 
da Administração e a influência filosófica. . 12 
1.2 Administração Científica: A escola de F.W.Taylor . .20 
1.3 Abordagem Clássica da Administração . 32 
1.4 Abordagem Humanística da Administração. .40 
Tema 02 - Enfoque Organizacional. . 51 
2.1 Teoria Burocrática. . 52 
2.2 Teoria Neoclássica. . .60 
2.3 Tipologias da Organização. . .68 
2.4 Novas Abordagens da Administração . 78 
Parte 02: Teorias Pós-Sistemas 
Tema 03 - Enfoque Comportamental. . 89 
3.1 Abordagem comportamental: Teóricos da Motivação. . .90 
3.2 Abordagem comportamental: Outros teóricos. . 101 
3.3 Processo Decisório . 110 
3.4 Teoria Estruturalista. . 120 
Tema 04 - Enfoque Sistêmico. . 133 
4.1 Teoria de Sistemas. . 134 
4.2 Teoria Contingencial. . 142 
4.3 Abordagens do Desenvolvimento Organizacional . 150 
4.4 Abordagens Emergentes. . 160 
Referências . .169
Concepção da Disciplina 
Ementa 
Enfoque mecanicista: Introdução à Teoria Ge-ral 
da Administração: Princípios da Administração 
e a influência filosófica; Administração Científica: A 
escola de F.W.Taylor; Abordagem Clássica da Ad-ministração; 
Abordagem Humanística da Adminis-tração. 
Enfoque Organizacional: Teoria Burocrática; 
Teoria Neoclássica; Tipologia das Organizações; 
Novas Abordagens da Administração. Enfoque 
Comportamental: Abordagem comportamental e os 
teóricos da Motivação; Abordagem comportamental 
e outros teóricos; Processo Decisório; Teoria Estru-turalista. 
Enfoque Sistêmico: Teoria de Sistemas; 
Teoria Contingencial; Abordagem do Desenvolvi-mento 
Organizacional; Abordagens Emergentes. 
Objetivos 
Geral 
Situar o aluno quanto à origem e ao processo 
evolutivo do pensamento administrativo de modo 
a evidenciar a importância e a utilidade do estudo 
da teoria administrativa. 
Específicos 
• Conhecer os conceitos fundamentais de 
cada teoria, visando à compreensão dos 
fenômenos organizacionais;
• Dominar os fundamentos conceituais da 
teoria administrativa a fim de permitir o 
posterior e constante aperfeiçoamento 
profissional baseado na absorção de tec-nologias 
futuras desenvolvidas na área 
de Administração. 
Orientação para Estudo 
A disciplina propõe orientá-lo em seus pro-cedimentos 
de estudo e na produção de trabalhos 
científicos, possibilitando que você desenvolva em 
seus trabalhos pesquisas, o rigor metodológico e 
o espírito crítico necessários ao estudo. 
Tendo em vista que a experiência de estudar 
a distância é algo novo, é importante que você ob-serve 
algumas orientações: 
• Cuide do seu tempo de estudo! Defina 
um horário regular para acessar todo o 
conteúdo da sua disciplina disponível 
neste material impresso e no Ambiente Vir-tual 
de Aprendizagem (AVA). Organize-se 
de tal forma para que você possa dedicar 
tempo suficiente para leitura e reflexão; 
• Esforce-se para alcançar os objetivos pro-postos 
na disciplina;
• Utilize-se dos recursos técnicos e huma-nos 
que estão ao seu dispor para bus-car 
esclarecimentos e para aprofundar as 
suas reflexões. Estamos nos referindo ao 
contato permanente com o professor e 
com os colegas a partir dos fóruns, chats 
e encontros presenciais, além dos recur-sos 
disponíveis no Ambiente Virtual de 
Aprendizagem – AVA. 
Para que sua trajetória no curso ocorra de 
forma tranquila, você deve realizar as atividades 
propostas e estar sempre em contato com o profes-sor, 
além de acessar o AVA. 
Para se estudar num curso a distância deve- 
-se ter a clareza de que a área da Educação a Dis-tância 
pauta-se na autonomia, responsabilidade, 
cooperação e colaboração por parte dos envolvi-dos, 
o que requer uma nova postura do aluno e 
uma nova forma de concepção de educação. 
Por isso, você contará com o apoio das equi-pes 
pedagógica e técnica envolvidas na operacio-nalização 
do curso, além dos recursos tecnológicos 
que contribuirão na mediação entre você e o pro-fessor.
Teorias Pré-Sistemas 
Parte 1
1 Enfoque Mecanicista 
As organizações são, sem discussão, o tipo de sistema social 
predominante nas sociedades industriais. No entanto, sua origem nos 
traz a ideia de que antes das organizações, a Administração era vista 
como arte e ciência. Quando usamos a expressão ciência, nos de-paramos 
com o sentido de descrever os fenômenos do mundo real, 
ou seja, referimo-nos à Administração enquanto ciência que busca a 
compreensão das formas de organização social, no tocante às suas 
estruturas e formas de gestão. 
Você, como futuro profissional da área que estuda, estará com-pletamente 
envolvido com uma ciência considerada social e aplicada, 
isto é, com todas as atividades que estão preocupadas em sistema-ticamente 
investigar e explicar aspectos da relação entre o indivíduo 
e a sociedade da qual é integrante. Nesta viagem pela ciência da 
Administração você perceberá a influência sofrida através da filosofia, 
sua origem e evolução, desde seu início na era clássica ao momento 
atual. Boa leitura!
12 Administração 
1.1 Introdução à Teoria Geral da Administração: 
Princípios da Administração e a influência 
filosófica 
A história da Administração se constrói ao lon-go 
da história por meio de indícios de diferentes 
épocas. Neste sentido, apontar onde se originou é 
complexo, pois é possível realizar uma análise desde 
a Idade Média até a Revolução Industrial. O certo 
é que em todos esses momentos históricos houve 
uma relação entre capital, trabalho e comércio. 
Podemos começar mencionando indícios his-tóricos, 
tais como a construção das pirâmides do 
Egito, por volta de 3000 a.C., onde se buscou a 
resolução de problemas relacionados à administra-ção 
de mão de obra e logística. 
Na China, em 2000 a.C. encontramos a inci-dência 
de soluções inovadoras na Administração 
Pública, através de aconselhamentos com asses-sores 
e delegação de poder para resolução de pro-blemas. 
Diante do fato de que a Administração é uma 
área que é constituída de pessoas e voltada a pes-soas, 
ainda na China, Confúcio (500 a.C.) cita que 
a importância das pessoas acontece pelo mérito/ 
conhecimento. Evidenciamos, ainda, as bases da 
burocracia e a construção de uma das maiores ma-ravilhas 
do mundo, a muralha da China. 
Já na Babilônia, 1800 a.C., evidenciamos a 
criação de políticas ou normas, através do código 
de Hamurabi, além da preocupação com a adminis-tração 
das vendas, envolvendo receitas e despesas. 
Seguindo no processo evolutivo da Adminis-tração, 
chegamos à Grécia (500 a.C.), onde consta-tou- 
se a preocupação com a democracia e a ética na
Tema 1 | Enfoque mecanicista 13 
Administração Pública, onde é importante ressaltar 
que diversos filósofos contribuíram para a Adminis-tração. 
Neste sentido, Muniz (2007) ressalta algu-mas 
evidências oriundas da filosofia, dentre elas: 
• Os estudos sobre as habilidades indivi-duais 
aprofundados por Sócrates (469- 
399 a.C.); 
• A relação entre a Administração e as 
questões políticas e sociais elucidadas 
por Platão (429-347 a.C) ao discutir a 
forma como o governo pode agir através 
da democracia, ou seja, seus estudos 
sobre a Administração Pública; 
• A definição das formas de governo ado-tadas, 
dentre elas: Monarquia (onde 
apenas uma pessoa detinha o poder 
de governar uma nação); a aristocracia 
(onde existia a influência da elite na 
Administração Pública e a democracia 
(onde os cidadãos passam a ter direito 
ao voto), foram pensadas por Aristóteles 
(384-322 a.C), servindo de grande con-tribuição 
para o desenvolvimento das 
nações; 
• A criação dos estudos sobre a lógica 
matemática, dando origem aos métodos 
indutivo e experimental elaborados por 
Francis Bacon (1561-1626), os quais con-tribuíram 
para a Administração no sen-tido 
de estudar a razão na tomada de 
decisão gerencial;
14 Administração 
• A criação da teoria do contrato social, 
a qual serviu de base para determinar 
os direitos e deveres das partes interes-sadas 
que entre si passavam a ter um 
objetivo comum, fazendo com que hou-vesse 
um maior controle por parte dos 
interessados na busca pelas eficientes 
tratativas comerciais, foi a contribuição 
de Jean-Jaques Rosseau (1712-1778); 
• A criação do discurso do método, o qual 
foi ponto de partida para os estudos 
matemáticos, os quais contribuíram para 
a Administração no sentido de subsidiar 
o gestor de critérios visando uma toma-da 
de decisão com menor incidência de 
risco. Com isso, René Descartes (1596- 
1650) passou a ser um dos grandes íco-nes 
do desenvolvimento da ciência da 
Administração, contribuindo com a defi-nição 
de alguns princípios, como o a aná-lise, 
a síntese, a enumeração e a dúvida; 
• E os estudos oriundos da economia que 
passavam a influenciar indiretamente as 
Organizações. Neste sentido, a contribui-ção 
de Karl Marx (1818-1883) trouxe a dis-cussão 
sobre as relações econômicas. 
Além das evidências apresentadas pelos di-versos 
filósofos e demais estudiosos da sociedade, 
é possivel citar a grande influência da organização 
militar na Administração. 
Através das iniciativas dos exércitos na busca 
por derrotar o inimigo, encontramos algumas ações 
que apresentavam claramente a incidência do pen-
Tema 1 | Enfoque mecanicista 15 
samento estratégico através do planejamento, da 
organização, da direção e do controle durante uma 
batalha. Assim, podemos relatar algumas evidên-cias 
como: 
• A criação da unidade de comando, dando 
ênfase à hierarquia de poder vertical (de 
cima para baixo) dentro do batalhão; 
• E a definição do princípio da direção, que 
possui a noção clara sobre sua real atri-buição; 
Além disso, podemos também encontrar evi-dências 
de ações que contribuíram para a ciência 
da Administração durante o período das revoluções 
industriais. Quanto a estas, destacamos o período 
de 1780 a 1860, chamado de 1ª Revolução Indus-trial 
ou Revolução do carvão e do ferro, o qual foi 
composto por quatro fases: 
1ª fase: a mecanização da indústria e da agri-cultura; 
2ª fase: aplicação da força motriz à indústria; 
3ª fase: desenvolvimento do sistema fabril; 
4ª fase: aceleramento dos transportes e das 
comunicações.
16 Administração 
Maquina a vapor e caldeira 
A partir do final do século XVIII, com a in-venção 
da máquina a vapor por James Watt (1736- 
1819) e sua posterior aplicação à produção, uma 
nova concepção de trabalho passou gradativamen-te 
a dominar, dando início a um novo sistema de 
produção, com a invenção e o uso de novos instru-mentos, 
processos, novas fontes de energia (o mo-tor 
a vapor e o uso do carvão) e máquinas para fa-bricação. 
Esses novos instrumentos surgiram como 
resultado direto do aumento dos conhecimentos 
durante o período de grande atividade intelectual 
na renascença. 
Neste sentido, do final do século XVIII ao iní-cio 
do século XIX, deu-se início ao período clássico 
da Administração, onde o sistema fabril levou a 
produção domiciliar para as fábricas. Os mestres 
e comerciantes se tornaram empregados do grupo 
emergente de capitalistas e as habilidades dos em-pregados 
foram transferidas para as máquinas e as 
ferramentas recém-desenvolvidas.
Tema 1 | Enfoque mecanicista 17 
Em seguida, entre 1860 a 1914, surge a 2ª 
Revolução Industrial ou Revolução do aço e da ele-tricidade, 
onde foram considerados como aspectos 
relevantes: 
• O desenvolvimento de um novo processo 
de fabricação de aço; 
• A substituição do vapor pela eletricidade 
e em seguida pelo petróleo; 
• A máquina automática e a ênfase na es-pecialização 
do trabalho; 
• O crescente domínio da ciência sobre a 
indústria; 
• O aperfeiçoamento do dínamo; 
• A invenção do motor de combustão; 
• As discussões sobre o Capitalismo.
18 Administração 
Com o crescimento das empresas de forma 
cada vez mais acelerada e com a necessidade de 
obtenção de melhor aproveitamento das máquinas 
e dos equipamentos, surge o estudo da Adminis-tração 
como uma ciência capaz de proporcionar, 
efetividade, eficácia e eficiência ao setor fabril. 
Foi, portanto, nesse cenário que a Adminis-tração 
passou a melhor se desenvolver, pois se 
rompem os laços com a estrutura coorporativa e 
de poder inerentes à idade média. É nesse período 
que percebemos a transição do tipo de produção 
artesanal para o industrial. 
Indicação de Leitura Complementar 
Caro leitor, para melhor entender a relação entre a 
ciência e a teoria organizacional, leia o capítulo 4 de: 
CARAVANTES, Geraldo R. Teoria geral da adminis-tração: 
pensando e refazendo. 4. ed. Porto Alegre: 
AGE, 2003 
No referido capítulo, você terá a possibilidade de ter 
maior clareza sobre o conceito de organização, além 
do que poderá distinguir entre ciência e teoria. 
Aproveite e leia também o primeiro capítulo do Livro: 
MOTTA, Fernando Cláudio Prestes. VASCONCELOS, 
Isabella Gouveia de. Teoria geral da administração: 
uma introdução. 3. ed. São Paulo: Thomson Lear-ning, 
2006
Tema 1 | Enfoque mecanicista 19 
Para Refletir 
Neste tópico conhecemos os antecedentes histó-ricos 
da Administração e a influência de cada um 
nesta ciência. Além disso, fomos capazes de en-tender 
o real motivo do surgimento das indústrias. 
Neste contexto, discuta com seus colegas o fato 
da Administração ser uma atividade essencialmente 
empírica. Ao administrarmos qualquer coisa, seja 
ela uma empresa, um exército ou nosso próprio 
tempo, estamos procurando formas de interagir 
com a realidade que nos cerca, na busca de deter-minados 
objetivos. 
Para o estudo da Administração, interessa-nos 
prioritariamente a administração de organizações. 
Assim, ao ler o material complementar citado aci-ma, 
reflita sobre o conceito de organização e sua 
relação com a ciência.
20 Administração 
1.2 Administração Científica: A escola de 
F.W.Taylor 
Há vários momentos que relatam indícios da 
origem da Administração, no entanto, parece um 
consenso que os estudos elaborados por Taylor, 
entre o final do século XIX e início do século XX, 
tiveram uma relevante repercussão na sociedade 
capitalista da época. É neste contexto que você irá 
a partir de agora, conhecer todos os antecedentes 
referentes à Administração Científica, seu principal 
expoente, seus precursores e sua relação com os 
dias atuais. 
Frederick Winston Taylor (1856-1915), conheci-do 
como o pai da Administração Científica, começou 
sua carreira na Filadelphia em 1978. Enquanto lá 
trabalhava, ascendeu a diversos cargos até chegar 
a Engenheiro Chefe e responsável pelo gerencia-mento 
de grandes empresas nos Estados Unidos. 
Taylor publicou cinco livros, dentre eles: Prin-cípios 
da Administração Científica (1903) e Gerência 
de Fábrica (1911), que se tornaram muito conheci-dos; 
além de registrar cerca de 50 patentes de in-venções 
sobre máquinas, ferramentas e processos 
de trabalho, fatos que o levaram a ser eleito como 
um dos principais expoentes do pensamento admi-nistrativo 
da época. 
Em sua Teoria da Administração Científica, 
Taylor defende o emprego do método científico 
para resolver problemas da Administração, median-te 
uma abordagem sistêmica. Neste sentido, pode-mos 
apontar como elementos básicos do método 
científico de Taylor os seguintes aspectos. 
Frederick Winston 
Taylor
Tema 1 | Enfoque mecanicista 21 
Conforme Chiavenato (2001, p.65), [...] os ele-mentos 
básicos de seu método de Taylor foram: 
1. Estudo do Trabalho: para Taylor, o traba-lho 
era mais bem executado e com mais 
economia através da divisão e subdivi-são 
de todos os movimentos necessários 
à execução de cada tarefa. Observando 
com muito detalhe a execução do traba-lho 
dos operários, ele viu a possibilidade 
de decompor as tarefas e as operações 
em uma série ordenada de movimentos 
simples, compreendendo o estudo dos 
tempos e movimentos. 
2. Desenho de cargos e tarefas: onde segundo 
ele, a tarefa constitui-se na menor unidade 
possível dentro da divisão do trabalho em 
uma organização. Já o cargo é o conjunto 
de tarefas existentes de forma cíclica ou 
repetitiva. A ênfase sobre as tarefas a se-rem 
executadas levou à simplificação dos 
cargos no intuito de obter o máximo de 
especialização de cada trabalhador. 
Diante disso, a simplificação do desenho dos 
cargos apresenta algumas vantagens, tais como: 
• Quando o funcionário é admitido com a 
mínima qualificação possível, há uma di-minuição 
dos custos da empresa; 
• Possibilidade de diminuição na quantidade 
de treinamentos, consequentemente, redu-zindo 
também os custos em treinamento;
22 Administração 
• Redução de erros no processo produtivo, 
diminuindo desperdícios e refugos; 
• Facilita a supervisão, permitindo maior 
controle em relação aos empregados; 
Por fim, proporciona também um aumento da 
eficiência do trabalhador, permitindo maior produ-tividade 
(CHIAVENATO, 2001, p.65). 
3. Padronização de ferramentas e instrumen-tos: 
busca facilitar a execução do trabalho 
para os operários, com o objetivo de au-mentar 
a produtividade. 
A padronização é uma aplicação de pa-drões 
em uma organização para obter 
uniformidade e redução de custos. 
4. Seleção e treinamento de pessoal visan-do 
à especialização: com isso, pensava- 
-se em enquadrar o operário em uma 
função que ele apresente maior talento, 
podendo assim desenvolver cada vez 
mais sua capacidade, visando também o 
aumento da produtividade; 
5. Supervisão e planejamento: neste contex-to, 
Taylor acreditava que era melhor se-parar 
as pessoas que pensam a empresa 
daquelas que executam o trabalho rotinei-ramente. 
Ele criou o conceito de super-visão 
funcional, ou seja, a existência de 
diversos supervisores, cada qual especia-
Tema 1 | Enfoque mecanicista 23 
lizado em uma área específica, com auto-ridade 
sobre os mesmos operários; 
6. Motivação baseada em prêmios por pro-dução: 
o operário que obtivesse produ-ção 
acima da quantidade determinada 
receberia uma gratificação financeira 
como forma de incentivar o aumento da 
sua produtividade; 
7. Estudo dos tempos e movimentos: é um 
método científico baseado nos movimen-tos 
necessários para a execução de uma 
tarefa em determinado espaço de tempo 
ou cronometragem dos movimentos no 
tempo mínimo necessário para a correta 
execução de um trabalho industrial. 
Objetivos do estudo de tempos e movimentos 
O estudo dos tempos e movimentos possi-bilita 
a racionalização do tempo de execução de 
uma tarefa, através da fixação de padrões para sua 
realização. Dentre as vantagens deste método, po-demos 
citar: 
• Eliminação de movimentos desnecessários; 
• Racionalização do processo de seleção e 
treinamento do pessoal; 
• Melhoria do desempenho dos funcioná-rios 
através da padronização das tarefas 
e diminuição do esforço;
24 Administração 
• Padronização do trabalho; 
• Salários iguais para funções iguais e prê-mios 
por produtividade; 
• Definição de normas e procedimentos 
para execução das tarefas, reduzindo o 
tempo de nivelamento e preparação do 
funcionário. 
Dessa forma, Taylor (1970, p.35) salienta que 
[...] existe uma maneira melhor (padrão) para rea-lizar 
cada tarefa, uma ferramenta melhor (padrão) 
para executar a tarefa e um tempo ideal (padrão), 
para ser cumprida a tarefa. 
Neste sentido, Muniz (2007) acrescenta cinco 
princípios norteadores da Administração Científica 
elencados por Taylor: 
• Princípio do planejamento; 
• Princípio do preparo; 
• Princípio do controle; 
• Princípio da execução; 
• Princípio da exceção. 
Também é neste contexto que uma das ideias 
centrais do movimento da administração científica 
é a de que o homem é um ser racional e que ao 
tomar uma decisão, conhece todos os caminhos 
possíveis, bem como as consequências da escolha. 
Com isso, os resultados de sua decisão passam a
Tema 1 | Enfoque mecanicista 25 
ser aumentados e os riscos reduzidos. Esse tipo 
de entendimento nos remete ao conceito de Homo 
Economicus, ou seja, aquele que leva em consi-deração 
o lucro como um dos valores principais 
(MOTTA, 1998, p.8). 
É importante lembrar ainda que Taylor teve 
sua obra dividida em dois períodos. De acordo com 
Muniz (2007) eles são: 
PRIMEIRO PERÍODO DE TAYLOR 
Este período refere-se à publicação de seu livro Shop 
Management (Administração de Oficinas) (1903). Nesta obra 
Taylor busca demonstrar as técnicas de racionalização do 
trabalho através do Estudo dos Tempos e Movimentos. 
Segundo Taylor, o objetivo principal da Ad-ministração 
é aumentar a produtividade através da 
redução de custos de produção e do pagamento de 
salários por produtividade. Ele salienta que para 
realizar isto, a Administração deve utilizar-se de 
práticas científicas, baseadas em pesquisas e expe-riências, 
visando formular princípios e estabelecer 
processos padronizados. Neste sentido, os ope-rários 
devem ser cientificamente testados com a 
utilização de materiais e condições de trabalho de 
maneira adequada. 
A Administração passa então a necessitar de um 
ambiente voltado ao compromisso com os operários, 
visando à manutenção do bom ambiente psicológico. 
O ponto de partida do pensamento de Taylor 
foi a aplicação dos princípios de engenharia oriun-dos 
da época junto ao trabalho manual. Neste 
caso, o método criado por Descartes, baseado na 
razão, passa a fazer parte da base de seus estudos.
26 Administração 
SEGUNDO PERÍODO DE TAYLOR 
Nesta etapa dos estudos de Taylor, descritos 
em seu Livro Princípios de Administração Científica 
(1911), ele chega à conclusão de que a otimização 
da Administração da Produção depende da raciona-lização 
do trabalho. 
Diante do contexto vivenciado por Taylor, ele 
apontava que as indústrias em sua época sofriam 
de três problemas graves: 
1. Os funcionários eram considerados va-dios 
e preguiçosos; 
2. A falta de preparo do corpo gerencial em 
relação às rotinas de trabalho e o tempo 
para realização de cada tarefa; 
3. Falta de padronização dos métodos de 
trabalho. 
Segundo Taylor, a Administração Científica é 
uma evolução e não uma teoria, apresentando um 
enfoque muito mais analítico e racional do que vol-tado 
ao bom senso. 
No entanto, apesar de sua maneira pessimis-ta 
de entender a natureza humana, Taylor preocu-pava- 
se em criar uma maneira didática baseada na 
intensificação do ritmo de trabalho visando sempre 
a maior eficiência.
Tema 1 | Enfoque mecanicista 27 
Apresentamos abaixo, alguns contemporâne-os 
de Taylor e de suas ideias: 
CARL GEORGE LANGE BARTH (1860-1939): 
descobriu a lei que regula o efeito da fadiga provo-cada 
pelo trabalho pesado; 
HENRY LAWRENCE GANT (1861-1919): suas 
contribuições foram: 
• Inventou o gráfico de Gantt; 
• Criou o sistema de salários; 
• Estudou sobre as formas de treinamento 
para os trabalhadores; 
• Introduziu o conceito de responsabilida-de 
industrial. 
HARRINGTON EMERSON (1853-1931): criou 
doze princípios da eficiência. 
FRANK (1868-1924) E LILIAN GILBRETH (1878- 
1972): Frank foi precursor da fisiologia do trabalho, 
iniciou a aplicação da psicologia ao estudo da ad-ministração 
e se concentrou no estudo de tempos e 
movimentos. Quanto a Lilian, além de contribuir no 
estudo da fadiga humana, foi pioneira na seleção, 
colocação e treinamento de pessoal, desenvolveu 
uma série de obras onde considera que a produti-vidade 
do indivíduo depende muito mais da atitu-de, 
das oportunidades e do ambiente físico do que 
propriamente do uso correto de métodos e equipa-mentos 
ideais.
28 Administração 
Produção em massa e linha de montagem 
Ainda no período da Administração Científi-ca, 
temos os estudos sobre produção em massa e 
linha de montagem, onde seu principal expoente 
foi o empresário do ramo automobilístico Henry 
Ford. 
HENRY FORD (1863-1947) e sua contribuição 
para a Administração Científica 
Ford, sem dúvida, foi o elemento chave na 
propulsão da linha de montagem, mesmo não ten-do 
sido ele que a criou nem a produção em massa. 
Todavia, usou esses conceitos com grande eficácia. 
Sendo um homem com enorme capacidade 
de associar uma produção altamente suficiente, com 
grandes volumes de produção usando, para tanto, 
uma produção onde há uma relação de hierarquia 
de cima para baixo verticalmente integrada, associa-da 
a altos salários e baixos preços de venda. 
Sua visão para massificar a produção era 
acompanhada pela baixa qualidade dos carros pro-duzidos, 
e que em geral, eram muito simples, sem 
nenhuma sofisticação tecnológica. 
Sua empresa combinava a manufatura e a 
montagem de todas as peças componentes de 
um carro, usando uma linha de 
montagem principal, com inú-meras 
sublinhas de menor por-te 
alimentadoras, aplicando o 
princípio de integração vertical. 
Ele fundou a Ford Motor 
Co. que passaria a ser uma das
Tema 1 | Enfoque mecanicista 29 
empresas de montagem de automóveis mais im-portante 
dos Estados Unidos. Para ele, o segredo 
da produção em massa é a simplicidade, sendo 
considerados três princípios básicos de acordo com 
o quadro 1: 
Quadro 1 - Princípios básicos de Ford: 
1 
Princípio da 
intensificação 
Diminuir o tempo de duração da produção com o 
emprego imediato dos equipamentos, matéria-prima 
e rapidez na comercialização 
2 
Princípio da 
Economicidade 
Consiste em reduzir ao mínimo o volume do estoque 
da matéria-prima em transformação, fazendo com que 
o automóvel fosse pago à empresa antes de vencido o 
prazo de pagamento da matéria-prima adquirida e 
dos salários. A velocidade de produção deveria ser 
rápida. 
3 
Princípio da 
produtividade 
Aumentar a capacidade de produção do homem no 
mesmo período por meio da especialização e da linha 
de montagem 
Críticas à Administração Científica 
De acordo com Muniz (2007), apresentamos 
abaixo algumas críticas da época, relacionadas à 
Administração Científica: 
• Excessiva ênfase no Mecanismo da Admi-nistração 
Científica; 
• Superespecialização do Operário; 
• Abordagem normativa e prescritiva;
30 Administração 
• Ausência de Cientificismo; 
• Abordagem incompleta da Organização; 
• Limitação do Campo de Aplicação; 
• Visão Microscópica do operário, não 
aproveitando seus talentos; 
• Abordagem Sistêmica Fechada. 
LEITURA COMPLEMENTAR 
Para complemento de seu aprendizado, procure ler 
o capítulo 1 do livro: 
MOTTA, Fernando Cláudio Prestes. VASCONCELOS, 
Isabella Gouveia de. Teoria geral da administração: 
uma introdução. 3. ed. São Paulo: Thomson Lear-ning, 
2006. 
Nele, você poderá fazer uma reflexão muito particu-lar 
em relação à Teoria Clássica. Nele você poderá 
ter uma visão crítica sobre a abordagem da admi-nistração 
científica e poderá fazer uma comparação 
com o que foi lido, formando seu juízo de valor 
sobre o assunto. 
Na sequência, procure fazer uma leitura do capítulo 
6 de CARAVANTES, Geraldo. Administração Teorias 
e Processo. São Paulo: Prenticehall. 2005, p.55-78.
Tema 1 | Enfoque mecanicista 31 
PARA REFLETIR 
A revolução industrial procurou tirar proveito da 
economia de escala com novas formas de organiza-ção 
e gerência. A eficiência passa a depender tanto 
da especialização quanto da uniformidade e padro-nização. 
O taylorismo e o fordismo constituíram-se 
em expressões fundamentais da modernidade no 
sistema produtivo da época. Previa-se o aumento 
da especialização do trabalho e da mecanização, 
as máquinas substituiriam os trabalhadores e os 
problemas humanos praticamente desapareceriam. 
No entanto, a padronização e a massificação leva-ram 
a uma maior exploração e alienação dos tra-balhadores, 
estes, sem controle de sua atividade 
produtiva. 
Neste sentido, quais as consequências da padroni-zação 
e da massificação? 
Além disso, reflita com seus colegas como seria o 
mundo organizacional e social sem a especializa-ção 
e a mecanização.
32 Administração 
1.3 Abordagem Clássica da Administração 
Henri Fayol (1841-1925) foi a contrapartida 
francesa para o Taylor norte-americano. Considera-do 
de família burguesa, nasceu em 1841, na França 
e ainda jovem começou a trabalhar na empresa mi-neradora 
S.A. Commentry-Fourchambault, onde em 
pouco tempo alcançou a posição de Diretor-Geral. 
De maneira inversa a Taylor, enfrentava os proble-mas 
organizacionais com uma visão gerencial ao in-vés 
de operacional. Seus conceitos gerenciais pas-saram 
a constituir a chamada teoria gerencial que 
fazia parte de seus estudos sobre a Administração 
industrial e geral (CARAVANTES, 2005). 
Ele foi o primeiro a salientar a necessidade 
de que o pensamento gerencial passasse a ser ob-jeto 
do sistema de ensino. 
Segundo Fayol, não existe nada que não 
pode ser modificado dentro da administração, para 
ele, tudo era voltado para a medição, com isso, en-fatiza 
que quase nunca se aplicará o mesmo princí-pio 
duas vezes em condições iguais (MUNIZ, 2007). 
As características principais de sua teoria são: 
• Ênfase na estrutura; 
• Abordagem sintética, global e universal 
da empresa; 
• Proporcionalidade das funções adminis-trativas. 
Henri Fayol
Tema 1 | Enfoque mecanicista 33 
Administração e Organização 
Para Fayol, a ênfase dada a Administração se 
baseia na divisão da empresa em áreas e/ou depar-tamentos, 
no entanto ele salienta que a organiza-ção 
é o todo e por sua vez, maior que a soma de 
suas partes. Este conceito justifica a organização 
como função administrativa. 
Segundo Chiavenato (2001), Fayol estabele-ceu 
14 princípios norteadores para a gestão em-presarial. 
Esses passaram a ser conhecidos como 
princípios gerais da Administração e são: 
1. Divisão do trabalho - especialização das 
tarefas e pessoas com o objetivo de au-mentar 
o rendimento. 
2. Autoridade e responsabilidade - direito 
de ordenar. A responsabilidade é uma 
consequência da autoridade. 
3. Disciplina – compromisso estabelecido 
entre empresa e empregado; 
4. Unidade de comando - o empregado é 
subordinado a apenas um chefe. 
5. Unidade de direção – a mesma direção 
para todos. 
6. Subordinação do interesse particular ao 
interesse geral - os interesses da empre-sa 
deve sempre estar em primeiro.
34 Administração 
7. Remuneração do pessoal – incentivo pelo 
trabalho desenvolvido. 
8. Centralização - convergência da autorida-de 
na direção da empresa. 
9. Hierarquia (ou cadeia escalar) - linha de 
autoridade. 
10. Ordem – Colocar uma regra, organização 
material e humana. 
11. Equidade – refere-se à justiça, visando a 
boa vontade e compromisso. 
12. Estabilidade - a permanência no cargo 
por longo um período de tempo. 
13. Iniciativa – possibilidade de tomar uma 
atitude, agir. 
14. União do pessoal - a harmonia e união 
são fatores importantes para o bom fun-cionamento 
da empresa. 
Chefia, no contexto de Fayol, era o termo 
empregado para os controladores, cujas 
atribuições eram de averiguação e con-ferência 
entre a descrição e o objetivo 
da tarefa e o realmente executado. Desse 
modo, o estilo de gestão a ele associado 
também é mecânico, determinístico e in-tervencionista.
Tema 1 | Enfoque mecanicista 35 
Assim, a contribuição de Fayol para a ciência 
da Administração é fruto de sua vasta experiência 
vivida na gestão da empresa Commentry-Fourcham-bault 
, na qual compôs o corpo diretivo até seu fa-lecimento 
em 1925. Para ele 
A Administração não é nem privilégio ex-clusivo, 
nem encargo pessoal do chefe ou 
dos dirigentes da empresa; é uma função 
que se reparte, como as outras funções 
essenciais, entre a cabeça e os membros 
do corpo social ( FAYOL, 1981, p. 26.) 
Com isso, é importante sabermos ainda que 
para Fayol cada grupo de operação, ou função es-sencial, 
possui uma capacidade específica. Assim, 
existe a capacidade técnica, a capacidade comer-cial, 
a capacidade financeira, a capacidade adminis-trativa, 
dentre outras inerentes à empresa. 
Desta forma, podemos dizer que até Fayol 
a influência da administração estava voltada para 
as indústrias e usinas, com a preocupação maior 
na produtividade. Contudo, ele levou a administra-ção 
do nível da produção para o da gestão. Neste 
sentido, uma das principais contribuições de Fayol 
ao pensamento administrativo foi a definição de 
departamentalização. 
As seis funções da empresa, segundo Fayol são: 
• Técnica; 
• Comercial; 
• Financeira; 
• Segurança; 
• Contábeis; 
• Administrativa.
36 Administração 
Principais contemporâneos de Fayol e suas 
contribuições: 
LINDALL F. URWICK (1891-1983) enfatizou que 
os elementos da Administração são: investigação, 
previsão, planejamento, organização, coordenação, 
comando e controle. Considerando ainda como 
princípios gerais a especialização, autoridade, am-plitude 
administrativa e definição. 
LUTHER GULICK (1892-1993), define os ele-mentos 
da administração como: planejamento, or-ganização, 
administração de pessoal, direção ou 
comando, coordenação, informação e orçamento. 
Para ele, os processos da Administração interagem 
horizontal e verticalmente. 
JAMES DAVID MOONEY (1884-1957), é con-siderado 
o inovador da teoria das organizações, 
suas principais ideias são similares às de Fayol, foi 
executivo da GM, onde consolidou toda a teoria 
formulada pela escola clássica. Analisou o princípio 
escolar, o qual envolve os conceitos de liderança, 
delegação e definição funcional. Para ele, o modelo 
militar deveria ser o paradigma do comportamento 
administrativo. 
OLIVER SHELDON (1894-1951) deu ênfase à 
responsabilidade social na empresa. Para ele, todo 
negócio existe para servir à comunidade. Desenvol-veu 
um conjunto de princípios que procuravam um 
equilíbrio entre a abordagem científica da produção 
e a responsabilidade social da administração. 
Sabendo que tanto a abordagem científica de 
Taylor quanto a abordagem clássica de Fayol fazem 
parte da mesma teoria, podemos traçar inúmeras
Tema 1 | Enfoque mecanicista 37 
comparações entre eles. Aproximações e contrastes 
sempre nos auxiliam na busca de um maior e me-lhor 
entendimento da realidade com que lidamos. 
Comparação entre Fayol e Taylor: 
• Ambos tinham uma grande correlação 
com as indústrias; 
• Taylor era adepto da Administração no 
chão de fábrica, já Fayol se relacionava 
mais com a gestão; 
• Ambos foram criticados, tachados pelos 
estudiosos da Administração – Taylor em 
especial – por incentivarem uma visão me-canicista 
da organização. Fayol tinha uma 
visão da organização como corpo social. 
As regras por ele propostas pretendiam 
funcionar como elementos norteadores. 
Fonte: CARAVANTES, Geraldo. Administração: Teorias e Proces-so. 
São Paulo: Prentice Hall, 2005, p.62.
38 Administração 
Apreciações Críticas à Teoria Clássica – Fayol 
• Abordagem simplificada da organização 
formal; 
• Ausência de trabalhos experimentais; 
• Extremo racionalismo na concepção da 
administração; 
• Teoria da máquina; 
• Abordagem incompleta da organização, 
no sentido de mostrar que as conclusões 
da referida teoria eram superficiais, de-pendendo 
de um maior detalhamento. 
Por fim, é importante ressaltarmos que a im-portância 
da contribuição de Fayol não foi total-mente 
reconhecida no mundo anglo-saxônico, pois 
a tradução de sua obra para o inglês só ocorreu 
em 1947, portanto após a Segunda Guerra Mundial.
Tema 1 | Enfoque mecanicista 39 
INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR 
Ao longo do texto, encontram-se momentos de re-flexão 
e de análise crítica sobre a teoria clássica, no 
sentido de exercitar seu senso crítico. Assim, suge-rimos 
fazer uma leitura do livro MOTTA, Fernando 
Cláudio Prestes. VASCONCELOS, Isabella Gouveia 
de. Teoria geral da administração: uma introdução. 
3. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2006, entre 
as páginas 03 e 10. 
Para complementar sua reflexão, leia sobre a teoria 
clássica no livro CHIAVENATO, Idalberto. Adminis-tração 
nos novos tempos. 2. ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2005. 
PARA REFLETIR 
Procure ler o texto elaborado por Fayol, constante 
nas páginas 63 e 64 de Geraldo Caravantes, Admi-nistração 
Teorias e Processo, Prentice Hall, 2005 e 
tente perceber o grau de atualidade tanto de sua 
concepção gerencial quanto do vocabulário por ele 
empregado, fazendo uma correlação com as em-presas 
atuais.
40 Administração 
1.4 Abordagem Humanística da Administração 
Com o crescimento das empresas e o conse-quente 
aumento do número de funcionários, tanto 
homens quanto mulheres, provenientes de outras 
culturas, hábitos e costumes, surgiram problemas 
de relacionamento tanto grupais quanto individu-ais, 
geralmente prejudicando os objetivos de pro-dução 
das organizações. 
Diante deste contexto, a nova organização se 
viu na necessidade de usar novos paradigmas vin-dos 
de outras ciências sociais como a psicologia e 
a sociologia. Nesta abordagem, você poderá notar 
a mudança do homem econômico para o homem 
social, complexo cujo comportamento não pode ser 
reduzido a um esquema simples e mecanicista. 
Abordagem de Follett 
Mary Parker Follett (1868-1944) foi a primei-ra 
precursora da abordagem de relações humanas, 
inserindo em seus postulados, variáveis e compo-nentes 
psicológicos na organização. 
Ela acreditava que uma sociedade mais justa 
poderia existir a partir do enfoque no gerenciamen-to 
e nas funções administrativas, passando a gerar 
a organização social. 
Seu princípio de organização estava focado 
em dois aspectos: interpenetração da autoridade e 
o controle sobre fatos mais do que sobre pessoas.
Tema 1 | Enfoque mecanicista 41 
Os quatro princípios fundamentais da coorde-nação, 
segundo Follett citados em Muniz (2007) são: 
1. Princípio do contato direto: estreitar os 
contatos diretos entre as pessoas interes-sadas 
e responsáveis, seja na hierarquia 
horizontal, seja na hierarquia vertical; 
2. Princípio de planejamento: envolvimento 
das pessoas em um trabalho desde o mo-mento 
do planejamento e da estruturação; 
3. Princípio das relações recíprocas: todos 
os elementos de um referido grupo de-vem 
estar mutuamente relacionados; 
4. Princípio do processo contínuo de coor-denação: 
a coordenação é um processo 
continuado; 
Follett criou ainda a Lei da Situação, onde 
formulou que os funcionários não devem estar su-bordinados 
a uma pessoa e sim a um processo. 
Ela acreditava que cada decisão é um momen-to 
de um processo e somente é de fato importante 
dentro do âmbito desse processo. Nesse contexto, 
geralmente existirá o conflito, visto que pessoas são 
diferentes e divergem em determinados momentos. 
Com relação ao conflito, Follet dizia que ele é um 
fato comum onde se registram diferenças, visando o 
crescimento intelectual dos envolvidos. 
Além disso, Follet apontou três métodos de 
solução de conflitos industriais:
42 Administração 
• Método da força: a administração atinge 
seus objetivos em relação aos operários 
através da força, da ameaça de redução 
da satisfação de necessidades. 
• Método da barganha: os conflitos são re-solvidos 
através da troca de concessões, 
de um compromisso entre empregados e 
a administração, em que as necessidades 
de ambos são satisfeitas. 
• Método da integração: os conflitos são 
resolvidos através de uma terceira solu-ção, 
diferente da apresentada pelos em-pregados 
e pelos patrões, uma solução 
integradora de ambas as partes e que le-varia 
estas a reduzir seu grau de satisfa-ção 
de necessidades para que o conflito 
fosse resolvido. 
Ainda dentro dos estudos sobre a teoria de 
relações humanas, a autora discorre sobre a ques-tão 
da autoridade, a qual conceitua como um exer-cício 
do poder com vista a alcançar um objetivo 
específico. Segundo ela, o poder pode ser baseado 
na coerção, na cooperação ou diante de cada situ-ação. 
Mary Parker Follett trouxe uma nova visão 
à administração, sendo pioneira na abordagem da 
motivação. Seus estudos sobre liderança envolviam 
processo global de autoridade e decisão, trabalho 
em grupo e sua dinâmica. Sua abordagem contri-buiu 
ainda para o surgimento da teoria de relações 
humanas.
Tema 1 | Enfoque mecanicista 43 
Experiência de Hawthorne 
Em diversos livros da área de Administração, 
poderemos encontrar a terceira teoria que é a de 
Relações Humanas, no entanto, ela estará sempre 
sendo correlacionada à experiência de Hawthorne e 
ao trabalho de Elton Mayo (1880-1949). 
A pesquisa foi desenvolvida por Mayo em 
um bairro dos arredores de Chicago, chamado Ha-wthorne, 
tinha como objetivo principal o estudo da 
influência da iluminação nas atividades das operá-rias 
de um setor de relés. 
Veja a seguir no texto complementar quais foram 
as fazes da experiência de Hawthorne e suas conclusões. 
TEXTO COMPLEMENTAR 
“Primeira fase: Em 1927, foram selecionados dois 
grupos de operários para a realização de uma mes-ma 
atividade: Um grupo (experimental) trabalhou 
sobre a variação da intensidade da luz e o outro 
(grupo de controle) trabalhou sobre luz de intensi-dade 
constante. Verificou-se que as pessoas rea-giam 
de acordo com as suposições pessoais. 
Conclusões: comprovou a preponderância do fator 
psicológico ao fisiológico. 
Segunda fase: Determinaram-se mudanças nas 
condições de trabalho, tais como: período de des-canso, 
lanche, redução de horário, tendo em vista 
analisar os efeitos das mesmas na produtividade, 
Foi selecionado um grupo de seis moças na seção 
de montagem de relés.
44 Administração 
Conclusões: ocorreu o desenvolvimento social, ge-rado 
pelo trabalho em equipe, o desenvolvimento 
da liderança e do exercício de liderança gerado pe-los 
objetivos comuns, além do ambiente de traba-lho 
ter passado a ser amistoso. 
Terceira fase: Buscou-se verificar as relações hu-manas 
no trabalho, através de um programa de 
entrevistas diretas e não diretas, com o objetivo 
de conhecer os sentimentos e as atitudes dos fun-cionários 
e ouvir opiniões sobre o trabalho. Entre 
1928 e 1930 foram entrevistados 21.126 emprega-dos 
do total de 40.000. 
Conclusões: verificou-se a existência de uma orga-nização 
informal de operários, em que existia leal-dade 
e liderança de certos funcionários em relação 
ao grupo. A punição não era formalizada, mas apli-cada 
pelo grupo ao membro. 
Quarta fase: Tinha por objetivo analisar a organiza-ção 
informal dos operários. 
Conclusões: igualdade de sentimentos entre os 
membros do grupo; e relação entre organização 
formal e informal.” 
MUNIZ, Adir Janeiro de Oliveira; FARIAS, Humberto 
Augusto. Teoria geral da administração: noções bá-sicas. 
São Paulo: Atlas, 2001, p. 38. 
Observação: foram selecionados nove operadores, 
nove soldadores e dois inspetores, todos da mon-tagem 
de terminais para estações telefônicas.
Tema 1 | Enfoque mecanicista 45 
Os estudos de Hawthorne concluíram que: 
1. A colaboração nos grupos não ocorre aci-dentalmente, 
ela precisa ser planejada e 
desenvolvida. Se a colaboração grupal é 
alcançada, as relações no ambiente de 
trabalho podem alcançar um nível de co-esão 
capaz de resistir aos distúrbios ex-ternos 
de uma sociedade turbulenta em 
busca de adaptar-se. 
2. O trabalhador é uma pessoa cuja atitu-de 
e eficácia são condicionadas pelas 
demandas sociais tanto internas quanto 
externas à organização. 
3. Os grupos informais internos à organiza-ção 
exercem forte controle social sobre 
os hábitos de trabalho e atitudes dos tra-balhadores. 
4. A mudança de uma sociedade estabeleci-da 
e estável para uma sociedade adapta-tiva 
ou em mudança tende em base con-tinuar 
a perturbar a organização social de 
uma empresa ou indústria. 
5. O trabalho é uma atividade de grupo. 
6. O mundo social de um adulto é prima-riamente 
estruturado pela atividade do 
trabalho. 
7. A necessidade de reconhecimento, segu-rança 
e senso de pertencimento são mais
46 Administração 
importantes na determinação da moral do 
trabalhador e de sua propriedade do que 
as condições físicas que lhe são oferecidas. 
8. Uma queixa não corresponde necessaria-mente 
a uma relação objetiva de fatos, 
ela é usualmente um sintoma, manifes-tando 
uma perturbação na posição de 
status do reclamante. 
IdeiaS CENTRAIS 
Modelo de Homem 
O homem social, isto é, o operário das fábricas 
no período do desenvolvimento da teoria das rela-ções 
humanas é considerado um ser complexo, cujo 
comportamento não pode ser reduzido ao esquema 
simples e mecanicista existente na Teoria Clássica. 
Os valores que orientam o comportamento 
de cada indivíduo são, de um lado diretamente de-rivados 
das necessidades, que constituem a fonte 
de valores sociais, e de outro, dos sistemas sociais 
de que ele participa. 
O comportamento humano é alvo de enten-dimento 
por parte da Teoria de Relações Humanas, 
onde se constatou que mesmo sendo um indivíduo 
parecido com outro, em relação à personalidade 
eles serão diferentes. 
Com isso, o homem social passa a ser reco-nhecido 
como aquele onde a satisfação das suas 
necessidades parte de um contexto que envolve 
reconhecimento, compromisso, colaboração, sendo 
que o salário, apesar de necessário, não é o item 
mais importante.
Tema 1 | Enfoque mecanicista 47 
Grupo Informal 
Quando a relação entre os funcionários es-tende- 
se além dos muros da organização, passa-se 
a evidenciar o surgimento dos grupos informais. A 
escola de relações humanas busca dar maior im-portância 
à existência do ser humano e com isso, 
abre-se o precedente para a organização dos gru-pos 
informais. 
Para Blau e Scott (1979 apud Caravantes, 
2005), todas as relações sociais, contatos e valores 
que não foram definidos pela organização formal, 
são pertinentes ao grupo informal. Dessa forma, 
as relações passam a ser as mais variadas, desde 
amizade a inimizade, simpatia, antipatia, conflito, 
cooperação, agressão, vaidade, inveja, liderança e 
subordinação, todas possuindo como característica, 
além do caráter oposto ao formal, um sistema de 
interações que ocorre casual e espontaneamente. 
Características dos grupos informais 
• Relação de coesão ou antagonismo; 
• Status; 
• Colaboração espontânea; 
• Possibilidade de oposição ao formal; 
• Padrões de relação e atitude; 
• Mudanças de níveis e alterações dos gru-pos 
informais;
48 Administração 
• A organização informal transcende à for-mal; 
• Padrões de desempenho nos grupos in-formais. 
Tipos de formação de grupos informais 
• Relacionamento obrigatório de pessoas 
entre si; 
• A flutuação do pessoal na empresa; 
• Períodos de lazer (tempos livres ou in-tervalos); 
• Interesses comuns; 
• Satisfação das necessidades; 
• Proximidade e atração; 
• Atividades grupais; 
• As metas do grupo; 
• Estrutura grupal.
Tema 1 | Enfoque mecanicista 49 
INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR 
Procure ler o livro: CARAVANTES, Geraldo. Admi-nistração 
Teoria e Processos. São Paulo: Pearson 
Prentice Hall, 2005, p.79-87; 
E complemente com: CHIAVENATO, Idalberto. Teo-ria 
Geral da Administração. Campus, Rio de Janeiro: 
2004, cap.3. 
Com este material, você poderá aprofundar um 
pouco mais o seu entendimento sobre a referida 
teoria e entenderá o contexto seguindo outra abor-dagem 
teórica. 
PARA REFLETIR 
Caro leitor, neste momento você pode conhecer a 
origem e a evolução histórica da teoria de relações 
humanas e pode entender a grande importância 
dada aos grupos informais. 
Dessa maneira, pense em duas situações de grupo: 
uma banda de rock e um time de futebol, após faça 
uma breve descrição de como deveria ser o líder de 
cada um desses grupos, identificando também o 
que mantém cada grupo coeso.
50 Administração 
RESUMO 
Caro leitor, estamos no início da viagem pela ciên-cia 
da Administração e você teve a possibilidade 
de conhecer as primeiras influências sofridas pela 
Administração em seu processo de formação como 
ciência. 
Em seguida, você conheceu a influência histórica 
proveniente das revoluções industriais e então os 
primeiros indícios da Administração em termos de 
teoria, através da administração científica e da te-oria 
clássica, estas apresentando um enfoque ex-tremamente 
mecanicista, voltado para a tarefa e 
produtividade. 
Estas duas primeiras abordagens foram criadas por 
engenheiros. No tocante à próxima abordagem, foi 
apresentada a abordagem de relações humanas 
que passa a ser um contraponto às duas primeiras, 
no sentido de dar maior ênfase ao ser humano e 
às relações informais através do ambiente de tra-balho.
Enfoque Organizacional 2 
Caro leitor, neste momento você terá a possibilidade de conhe-cer 
um pouco mais dos autores que escreveram e criaram a ciência 
da Administração. Em especial, veremos agora abordagens mais vol-tadas 
aos profissionais da sociologia e psicologia que influenciaram 
nossa ciência. 
Neste sentido, poderemos conhecer na sequência, a teorias as 
quais tiveram um enfoque voltado ao controle e aos tipos de organi-zação 
existentes. Entraremos em seguida na abordagem neoclássica, 
esta representando a necessidade de entender a organização em ter-mos 
de planejamento, direção, organização e controle. Boa leitura !!!
52 Administração 
2.1 Teoria Burocrática 
A organização burocrática apresentou seus 
aspectos fundamentais a partir do crescimento das 
indústrias e de suas necessidades de controle de 
processos e de pessoas. Sua construção do tipo 
ideal de organização envolve a racionalidade, a 
adequação dos meios aos objetivos, a impessoa-lidade 
nas relações trabalhistas e o atendimento 
severo de normas escritas. 
A teoria da Burocracia teve sua origem nas 
mudanças religiosas verificadas após o renascimen-to. 
Embora considerada como fenômeno antigo, 
apenas na modernidade se tornou um fator social 
dominante, onde um dos motivos para tal foi a 
mudança da unidade básica de produção que deixa 
de ser a família e passa a ser a empresa burocrática 
(MOTTA, 1986). 
Neste contexto, passamos a conhecer Emil 
Maximillian Weber, mais conhecido como Max We-ber 
(1864-1920). 
Weber nasceu na Alemanha, filho de um juris-ta 
e político em ascensão em Berlim. Foi um grande 
estudioso da teoria das estruturas de autoridade e 
criador da escola cultural voltada para o estudo da 
sociologia da burocracia. Em 1904, escreveu a ética 
protestante, onde no mesmo momento, em visita a 
Chicago, nos Estados Unidos, impressionou-se pela 
agitação, pela vibração urbana, seus arranha-céus, 
pela violência e também a falta de leis na época. 
Nesse contexto, Weber define a burocracia, 
baseando-se nos conceitos de mudança organiza-cional, 
assim, esclarece sobre a passagem da auto-ridade 
tradicional para a autoridade legal e racional 
que foi a base de seus estudos, isto porque, viu 
Max Weber
Tema 2 | Enfoque organizacional 53 
os Estados Unidos como um modelo de sociedade 
em que era indispensável a máquina burocrática e 
política para garantir uma democracia de massa. 
Weber desenvolveu seus estudos baseado 
em três aspectos fundamentais. O primeiro corres-ponde 
à própria argumentação em que se funda-menta 
a legitimidade da autoridade racional-legal, 
ou seja, que encontra seu apoio nas normas legais, 
no exercício da autoridade legal que está relaciona-do 
com o cargo ocupado pelo funcionário. 
Autoridade legal é aquela constituída ofi-cialmente 
através de documentos, como 
contrato de trabalho, portarias de admis-são, 
resoluções, etc. 
O segundo aspecto trata das características 
inerentes à organização encarregada de exercer a 
autoridade racional-legal: 
• Uma estrutura de cargos, cujos conte-údos 
e limitações são definidos pelas 
normas, organizados hierarquicamente 
de cima para baixo, onde os cargos infe-riores 
estejam sob supervisão e controle 
dos superiores; 
• Especificação de áreas de competência, 
ou seja, relacionadas à divisão do traba-lho 
e à diferenciação de funções, além do 
desempenho dessas funções por alguém 
investido de autoridade que pode usar 
da coerção (imposição) dentro de condi-ções 
e limites do cargo;
54 Administração 
• Existência de um quadro administrativo, 
constituído por funcionários nomeados, 
os quais possuem comportamento norte-ado 
pelas normas técnicas; 
• Separação entre a propriedade da orga-nização, 
que é controlada dentro da esfe-ra 
do cargo, e a propriedade pessoal do 
funcionário, acessível a seu uso privado; 
• Distinção e separação dos propósitos 
pessoais dos propósitos como funcioná-rio 
visto à conduta no cargo ser impesso-al 
e orientada pelas normas; 
• Registro documental de atos administra-tivos, 
decisões, normas e ordens. 
O terceiro aspecto relaciona-se ao exercício 
da autoridade racional-legal, que tem seu suporte 
nas normas que definem as competências dos car-gos 
na hierarquia determinada pela empresa (es-tatutos, 
regimentos internos, resoluções, portarias, 
manuais de procedimentos). Instrumentos estes 
que designam, orientam, determinam os deveres, 
atribuições e responsabilidades do ocupante do 
cargo, veja quadro abaixo. 
A burocracia para Weber é uma tentativa 
de organizar as atividades humanas por 
critérios puramente racionais e seculares 
que permeiam o exercício da autoridade 
determinada sob tais atividades as quais 
se desenvolvem.
Tema 2 | Enfoque organizacional 55 
Veja abaixo, as características da burocracia 
segundo os estudos de Max Weber, segundo Muniz 
(2007, p.61-63): 
• Caráter legal de normas e regulamentos: 
A burocracia através da padronização, 
proporcionar maior controle e organiza-ção 
dos procedimentos; 
• Caráter formal das comunicações: Através 
da comunicação escrita, busca-se assegu-rar 
a clareza da interpretação dos fatos 
relatados; 
• Caráter racional e divisão do trabalho: A 
divisão do trabalho é adequada aos ob-jetivos 
a serem atingidos; 
• Impessoalidade no relacionamento: O 
caráter de impessoalidade da burocracia 
está ligado à distribuição feita em termos 
de cargos e funções e não de pessoas 
envolvidas; 
• Hierarquização da autoridade: A burocra-cia 
prevê o estabelecimento de cargos 
segundo o princípio da hierarquia. 
A autoridade é o poder de controle resul-tante 
de uma posição reconhecida, sen-do 
inerente ao cargo e não ao indivíduo 
que o ocupa.
56 Administração 
• Rotina e procedimentos: As atividades 
dos cargos são desempenhadas segundo 
padrões pré-estabelecidos; 
• Competência técnica e mérito: A escolha 
das pessoas é baseada no mérito e na 
competência técnica e não em preferên-cias 
pessoais; 
• Especialização da Administração: A burocra-cia 
separa a propriedade da administração; 
• Profissionalização dos participantes: A bu-rocracia 
considera cada funcionário como 
um profissional especialista, assalariado, 
nomeado por superior hierárquico; 
• Previsibilidade de comportamento: Weber 
parte do pressuposto de que o comporta-mento 
de cada membro é perfeitamente 
previsível. 
Segundo Weber, o controle é o caminho 
mais próximo para atingir a eficiência 
organizacional. 
Na sequência aos estudos da burocracia, en-contramos 
Robert Merton (1910-2003), também soció-logo, 
o qual teve grande contribuição na abordagem 
burocrática, quando chamou a atenção para as dis-funções 
da burocracia resultantes das pressões inter-nas 
da estrutura organizacional criada por Weber, e 
apresentou a teoria das disfunções estruturais, funda-da 
sobre o conceito de fontes estruturais de super-conformidade, 
ou seja, padronizada de acordo com 
o que é pré-definido pela empresa (MERTON, 1970).
Tema 2 | Enfoque organizacional 57 
Para Merton, tais disfunções estão ligadas ao 
comportamento do funcionário, podendo ser compre-endidas 
pela aplicação do conceito de incapacidade 
treinada, psicose ocupacional e deformação profissio-nal. 
Quanto à incapacidade treinada, a mesma refe-re- 
se ao fato de mesmo depois de treinamentos, o 
funcionário ainda não desempenhar a função como 
lhe é proposta. Já a psicose ocupacional relaciona-se 
ao sentido de traumas e frustrações no trabalho que 
acabam afetando o desempenho do funcionário. Por 
fim, a deformação profissional refere-se ao não aten-dimento 
do perfil exigido para o cargo. 
Disfunções da Burocracia segundo Merton 
• Maior internalização das regras e exage-rado 
apego aos regulamentos; 
• Excesso de formalismo e papelório; 
• Resistência a mudanças; 
• Despersonalização dos relacionamentos; 
• Categorização como base do processo 
decisorial; 
• Superconformidade às rotinas e aos pro-cedimentos; 
• Exibição de sinais de autoridade; 
• Dificuldade no atendimento ao cliente e 
conflitos com o público; 
• Imprevisibilidade de comportamento.
58 Administração 
Outro estudioso da área é Philip Selznick, so-ciólogo 
americano e discípulo de Merton, que rea-lizou 
pesquisas sobre a instituição organizacional. 
É considerado precursor da abordagem estrutural e 
comportamental. 
Segundo ele, tomando-se a organização 
como instituição, o executivo passa a exercer pa-pel 
de estadista. Ele salienta ainda que a organiza-ção 
burocrática é uma estrutura social adaptativa; 
dentro da organização formal desenvolve-se uma 
estrutura informal; a organização informal torna-se 
indispensável e paralela ao próprio sistema formal 
de delegação e controle; a burocracia deve ser ana-lisada 
sob o ponto de vista estrutural e funcional; 
a análise do comportamento organizacional interno 
e tensões e dilemas da organização são resolvidas 
através das restrições ambientais. 
Modelo de Homem segundo Weber 
O homem burocrata tem comportamento for-mal 
e previsto, pois as normas e procedimentos 
não permitem ações fora do padrão estabelecido. 
As relações existentes passam a ser basea-das 
por normas e não por visões particulares. A im-pessoalidade 
nas relações deixa transparecer a não 
participação nos processos de integração social. A 
motivação do burocrata está diretamente ligada ao 
cargo que ocupa, sendo extremamente materialista, 
no sentido de valorizar os bens e recursos mate-riais 
disponibilizados para o desempenho de seu 
trabalho (MUNIZ, 2007). Não há incentivos sociais, 
pois a impessoalidade nas relações impede a ado-ção 
de um sistema motivador.
Tema 2 | Enfoque organizacional 59 
INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR 
Procure conhecer como é vista a teoria da burocra-cia 
na visão de MAXIMIANO, Antônio Cesar Amar. 
Teoria geral da Administração: da revolução urbana 
à revolução digital. São Paulo: Atlas, 2002. 
E CARAVANTES, Geraldo. Administração, teorias e 
processo. São Paulo: Person Prentice Hall, 2005 p.87. 
A leitura será um complemento ao que foi exposto 
neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica 
sobre a referida abordagem. 
PARA REFLETIR 
Caro leitor, neste momento de sua leitura você pos-sivelmente 
se deparou com um conceito de buro-cracia 
o qual não é pejorativo como conhecemos. 
Realmente a intenção da burocracia não é atrapalhar, 
mas sim de controlar o crescimento organizacional 
através de normas, regulamentos, procedimentos. 
Então, reflita o motivo pelo qual o conceito de bu-rocracia 
tomou contornos tão deformados, chegan-do 
no dia de hoje a ser sinônimo de lentidão e 
atraso. Exponha sua opinião no ambiente virtual 
de aprendizagem e compartilhe com seus colegas.
60 Administração 
2.2 Teoria Neoclássica 
A Teoria Neoclássica surge em decorrência da 
atualização dos fundamentos e princípios da teoria 
clássica diante das mudanças ocorridas nas orga-nizações 
desde a primeira revolução industrial até 
os dias atuais, utilizando-se também dos conceitos 
e princípios da teoria das relações humanas, buro-crática, 
estruturalista, comportamental, de sistemas 
dentre outras, em um novo arranjo para a formação 
do administrador prático. 
Essa teoria aborda o processo administrati-vo 
voltado para as práticas administrativas a partir 
dos elementos da função administrativa definida 
por Fayol (ver livro de fundamentos da Administra-ção), 
ou seja, planejamento, organização, direção 
e controle aplicando-o de forma individualizada a 
cada tipo de organização. 
As razões principais que norteiam a ação da 
teoria neoclássica são: 
• Ênfase na prática da Administração: A uti-lização 
do pragmatismo em busca de re-sultados 
concretos e palpáveis, com base 
nos conceitos teóricos da Administração; 
• Reafirmação dos postulados clássicos: É 
o retorno de um grande estudo desen-volvido 
pela teoria clássica, só que bus-cando 
dar uma reestruturação de acordo 
com a situação atual; 
• Ênfase nos princípios gerais da Adminis-tração: 
Os princípios utilizados na teoria 
clássica são encarados como critérios
Tema 2 | Enfoque organizacional 61 
mais ou menos elásticos para a busca de 
soluções administrativas práticas; 
• Ênfase nos objetivos e nos resultados: É 
em função dos objetivos e resultados que 
a organização deve ser dimensionada, es-truturada 
e orientada; 
• Ecletismo da Teoria Neoclássica: A teoria 
absorve conceitos de várias escolas. 
Princípios da Teoria Neoclássica 
Segundo Brown (apud Muniz, 2007), os prin-cípios 
que orientam as ações administrativas po-dem 
ser explicitados como: 
• Os objetivos empresariais devem ser cla-ramente 
definidos por escrito; 
• A responsabilidade deve ter ligação di-reta 
com o desempenho de uma função; 
• As funções devem designadas para pes-soas 
em um mesmo cargo, funções iguais; 
• Definição e escalonamento de autoridade 
e responsabilidade; 
• Não pode haver centralização da autoridade; 
• Deve ser limitado o número de posições 
de um indivíduo em uma empresa; 
• A estrutura da empresa deve possuir um 
número mínimo de níveis hierárquicos;
62 Administração 
Aspectos comuns às organizações 
Levando em consideração que de acordo com 
a abordagem neoclássica, a administração recebe o 
enfoque de técnica social, ela passa a ter consis-tência 
a partir do momento em que orienta, dirige 
e controla os esforços de um grupo de indivíduos 
para um objetivo comum. 
Assim, o bom administrador irá possibilitar 
ao grupo o alcance de seus objetivos com o míni-mo 
de dispêndio de recursos e esforços com me-nos 
atritos em relação a outras atividades úteis. 
Para essa teoria, as organizações apresentam 
três aspectos comuns: 
• Quanto aos objetivos: São as prioridades 
que a organização estipula para o aten-dimento 
das necessidades da sociedade; 
• Quanto à administração: Todas as organi-zações 
têm diferenças em seus objetivos, 
em seus propósitos, mas são essencial-mente 
semelhantes na área administrati-va, 
na organização e na busca da eficácia 
e eficiência organizacionais; 
• Quanto ao desempenho individual: Está li-gado 
ao aspecto da eficácia e da eficiência. 
Centralização e descentralização 
A centralização e a descentralização refletem 
o grau de concentração de autoridade nos diversos 
níveis da organização, neste sentido, em virtude da 
teoria neoclássica ser considerada como a mudança
Tema 2 | Enfoque organizacional 63 
da organização coercitiva para a organização flexível, 
esses dois conceitos passam a fazer parte então do 
dia a dia da Administração a partir daquele momento. 
Os fatores que afetam o grau de descentrali-zação 
e centralização da autoridade são: 
• Influência da cultura e da filosofia da ad-ministração 
na empresa; 
• História do crescimento organizacional: 
a empresa que tem seu crescimento in-terno 
maior que o externo tende à cen-tralização 
da autoridade; as organizações 
que passaram por processos de fusões 
e aquisições tendem à descentralização; 
• Distribuição geográfica da organização: 
quanto maior for a distribuição e a dis-persão 
geográfica da organização, maior 
a tendência à descentralização; 
• Controles eficazes: no nível operacional 
ou de produção; 
• Capacitação e qualificação dos empregados: 
quanto maior o nível de qualificação profis-sional 
e capacitação técnica dos emprega-dos, 
maior o grau de descentralização; 
• Diversidade de produtos e serviços: 
quanto maior for a diversidade de pro-dutos 
e serviços, maior será a tendência 
à descentralização, e quanto menor for o 
grau de diversificação, mais a tendência 
será de centralização.
64 Administração 
Já a descentralização administrativa é maior 
quando: 
• Tanto maior for o número de decisões to-madas 
nas escalas baixas da hierarquia; 
• Tanto mais importantes forem estas decisões 
tomadas nas escalas baixas da hierarquia; 
• Tanto maior for o número de funções afe-tadas 
pelas decisões nas escalas baixas 
da hierarquia; 
• Tanto menor for a supervisão de decisão. 
Processo Administrativo 
O processo administrativo, o qual já foi visto 
no livro de Fundamentos da Administração produ-zido 
pela UNIT, é composto dos elementos: plane-jamento, 
organização, direção e controle ou PODC, 
os quais fazem parte também da teoria neoclássica, 
visto à mesma desenvolver conceitos que permeiam 
por todas essas etapas da função administrativa. 
Esse processo envolve as seguintes caracte-rísticas: 
• Cíclico e repetitivo, visto que se trata 
de um processo permanente e contínuo, 
além de estar sendo sempre completado 
e repetido continuamente; 
• Interativo, visto que cada elemento ou 
função interage com as demais, influen-ciando- 
as e por ela sendo influenciada;
Tema 2 | Enfoque organizacional 65 
• Interativo, quando o processo adminis-trativo 
se portar como uma sequência de 
passos que embora não sejam seguidos, 
constituam um itinerário sujeito a ajus-tes, 
avanços e recuos, durante um pro-cesso 
de implementação; 
• Sistêmico, quando o processo não pode 
ser analisado por cada uma de suas par-tes 
e sim em sua totalidade. 
Administração por Objetivos 
A Administração por objetivos é uma ação 
organizacional que possibilita aos gestores e su-bordinados 
terem o conhecimento sobre onde a 
empresa quer chegar e quando. Assim, cada um na 
sua responsabilidade saberá como agir para con-templar 
o objetivo maior da empresa. 
Segundo Drucker (1970), o desempenho es-perado 
de um gerente deve ser o reflexo do resul-tado 
da empresa. O administrador tem que saber e 
entender o que as metas da empresa esperam dele 
em termos de desempenho. 
A administração por objetivos – APO sur-giu 
na década de 50, quando empresas privadas 
norte-americanas sofriam pressões acentuadas. O 
problema econômico da época gerou dentro das 
empresas uma administração por pressão, sendo 
que esta pressão exercida sobre os gerentes não 
conduziu a melhores resultados. 
A APO surgiu como método de avaliação e con-trole 
do desempenho tanto dos funcionários quanto 
da empresa, especificamente em ambientes de merca-do 
com rápido crescimento. Inicialmente, constituiu- 
-se em um critério financeiro de avaliação e controle.
66 Administração 
Os pontos principais da APO são: 
• Análise da situação para consecução dos 
objetivos empresariais; 
• Objetivos estabelecidos por setor da or-ganização; 
• Interligação entre objetivos; 
• Participação efetiva entre chefias; 
• Definição de meios e tarefas para imple-mentação 
de medidas; 
• Adoção de sistemas de mensuração; 
• Conscientização de todos para com o ob-jetivo 
maior da organização; 
• Ação corretiva quando necessário. 
Ciclo da Administração por Objetivos 
A APO envolve um comportamento cíclico, 
permitindo que haja ajustamento no ciclo seguinte. 
Costuma corresponder ao exercício fiscal da empre-sa, 
para facilitar a execução do controle. 
Fonte: MUNIZ, A. FARIA, H. Teoria Geral da Administração. 5ª Ed. São Paulo: 
Atlas. 2007. P. 131
Tema 2 | Enfoque organizacional 67 
Indicação de Leitura Complementar 
Procure conhecer como é vista a teoria neoclássica em: 
http://bit.ly/teoria_neoclassica 
Para reforçar a leitura, conheça também: 
http://www.ead.fea.usp.br/cad-esq/arquivos/ 
v10n1art3.pdf 
As leituras serão um complemento ao que foi ex-posto 
e possibilitará a você uma reflexão crítica 
sobre a referida abordagem. 
Para Refletir 
Caro leitor, diante do fato desta teoria buscar enfo-car 
a prática na Administração, procure relacionar o 
que você vivencia na empresa que trabalha ou ou-tra 
que conheça com a teoria aqui descrita e trace 
suas próprias conclusões.
68 Administração 
2.3 Tipologias da Organização 
As tipologias das organizações apresentam 
um estudo sobre os diversos tipos de comporta-mentos 
existentes nas organizações. Assim, para 
facilitar a análise comparativa das mesmas, os es-truturalistas 
desenvolvem então tipologia de or-ganizações 
que as classifica de acordo com certas 
características distintivas (empresas pequenas, mé-dias 
e grandes). Conheça agora na visão de Muniz 
(2007, p.84-99) sobre as tipologias organizacionais. 
Tipologia de Etzioni 
As organizações passam a ser definidas con-forme 
uma escala criada por Etzione, onde dentre 
os fatores que contribuem para sua definição são: 
Divisão de trabalho e atribuição de poder e res-ponsabilidade, 
centros de poder e substituição do 
pessoal. 
Neste sentido, diferem das unidades sociais 
naturais, nas organizações o controle informal não 
é adequado. Por isso, as organizações impõem 
uma distribuição de recompensas e sanções para 
garantir obediência às suas normas. 
Para Etzioni, os meios de controle podem ser 
classificados como: físicos, materiais ou simbóli-cos. 
Sendo que o Controle Físico impõe tratamen-to 
severo, a motivação é negativa e baseia-se em 
punição; quanto ao Controle Material baseia-se no 
interesse, na vantagem desejada e nos incentivos 
econômicos e materiais; já o Controle Normativo 
traduz-se em símbolos puros ou em valores sociais, 
crenças e fé.
Tema 2 | Enfoque organizacional 69 
Sua desvantagem é dar pouca conside-ração 
à estrutura, tecnologia utilizada e 
ao ambiente externo, baseada exclusiva-mente 
nos tipos de controle. 
Este tipo de tipologia classifica as organiza-ções 
com base no uso e significado da obediência, 
ou seja, que utilizam da coerção para atingir seus 
resultados. 
Tipologia de Blau e Scott 
As organizações estão inseridas em comuni-dade 
e as relações servem para proporcionar bene-fícios 
e/ou resultados para seus membros. 
Elas são divididas em cinco categorias a se-rem 
conhecidas: 
• Organizações normativas, onde o poder 
acontece através do consenso sobre ob-jetivos; 
• Organização de benefícios mútuos; 
• Organização de interesse comercial; 
• Organizações de serviços; 
• Organizações de Estado.
70 Administração 
Objetivos Organizacionais 
Os objetivos organizacionais são muito ex-plorados 
pelos autores neoclássicos (APO) e es-truturalistas. 
As organizações são unidades sociais 
que procuram atingir resultados. Um objetivo orga-nizacional 
é uma imagem que a organização pre-tende 
para o seu futuro. 
Os objetivos são diretrizes a serem atingidas 
pela organização a fim de transformá-las em reali-dade. 
Toda a organização deve buscar condições 
para sua existência de forma sustentável, assim, os 
estudiosos da APO definiram dois modelos a serem 
seguidos pelas empresas: 
• Modelos de sobrevivência: quando a or-ganização 
desenvolve objetivos que a 
possibilitam se manter no mercado; 
• Modelos de eficiência: quando a orga-nização 
desenvolve objetivos que lhe 
permita não apenas existir, mas também 
buscar se desenvolver e ser competitiva. 
É importante sabermos ainda que a definição 
de objetivos parte de um processo de interação en-tre 
a organização e o ambiente: consiste em deter-minar 
as relações da organização com a sociedade. 
Existem cinco categorias de objetivos conhe-cidas 
pelos analistas organizacionais, que são: 
• Objetivos da sociedade; 
• Objetivos de produção; 
• Objetivos de sistemas; 
• Objetivos de produtos; 
• Objetivos derivados.
Tema 2 | Enfoque organizacional 71 
O estudo dos objetivos das organizações 
identifica as relações entre as organizações e a so-ciedade 
em geral, no entanto, a sociedade está em 
constante mudança, fazendo com que os referidos 
objetivos tenham que ser monitorados e alterados 
de acordo com o direcionamento do mercado. 
Ambiente Organizacional 
As organizações vivem em um mundo hu-mano, 
social, político e econômico. Elas existem 
em um contexto ao qual denominamos ambiente. 
Ambiente é tudo o que envolve externamente uma 
organização. Para os estruturalistas, o ambiente é 
constituído pelas outras organizações que formam 
a sociedade (MUNIZ, 2007). 
A relação entre organização e ambiente é fa-tor 
de grande importância para a compreensão do 
estruturalismo. Pelo fato da sociedade moderna ser 
manipulada pelas organizações, os estruturalistas 
criticam a grande ênfase dada sobre a relação entre 
as pessoas e a pouca importância sobre a relação 
entre ambientes e organizações. 
Neste contexto, há dois conceitos essenciais 
para a análise entre organizações: o conceito de 
interdependência das organizações e o conceito de 
conjunto organizacional. 
Interdependência das Organizações com a So-ciedade 
Toda organização, por ser um sistema com-plexo 
inserido em um ambiente, que tanto o in-fluencia 
quanto é influenciada por ele, consequen-temente 
tem sua sobrevivência relacionada com a
72 Administração 
sobrevivência de outras organizações. No entanto, 
existe ainda uma interdependência das organiza-ções 
com a sociedade em geral em virtude da pe-culiaridade 
de suas relações. 
Algumas das consequências dessa interde-pendência 
são relacionadas às constantes mudan-ças 
nos objetivos organizacionais fruto de altera-ções 
no ambiente externo e, a um certo controle 
ambiental sobre a organização, o que limita sua 
liberdade de agir, onde as organizações desen-volvem 
estratégias para lidar com o seu ambien-te, 
sendo elas consideradas de cooperação ou de 
competição. 
Conjunto Organizacional 
O conceito de conjunto organizacional é 
análogo ao de conjunto de papéis. Cada organi-zação 
ou classes de organizações tem interações 
com uma cadeia de organizações em seu ambiente, 
formado um conjunto organizacional. Desta manei-ra, 
os estruturalistas inauguram um novo ciclo na 
teoria administrativa: o gradativo desprendimento 
daquilo que ocorre dentro das organizações para 
aquilo que ocorre fora delas. 
Conflitos Organizacionais 
Conflito significa a existência de ideias, sen-timentos, 
atitudes ou interesses divergentes que 
podem entrar em choque. Sempre que se fala em 
acordo, aprovação, coordenação, resolução, unida-de, 
consentimento, consistência, harmonia, não po-demos 
esquecer que existe o lado contrário, opos-to 
destas palavras e é essa oposição que podemos 
considera como fonte geradora do conflito.
Tema 2 | Enfoque organizacional 73 
Para os estruturalistas, o conflito apresenta 
um lado muito positivo, onde pode-se proceder uma 
verificação e ajuste em relação à situação atual, des-sa 
forma, atingindo o equilíbrio na organização. 
Todavia, os conflitos não deixarão de existir, 
visto que eles geraram mudanças, as quais provo-carão 
reações e assim por diante. 
Conflito entre Autoridade pelo Conhecimento e 
a Autoridade pela Hierarquia 
Uma das situações de conflito típicas é em 
relação ao conhecimento e autoridade, isso porque 
sabemos que o conhecimento traz conflitos com a 
hierarquia. Buscando elucidar essa questão, Etzioni 
sugere três tipos de organização, do ponto de vista 
de como se organiza o conhecimento: 
• Organizações especializadas: como uni-versidades, 
escolas, organizações de pes-quisa, 
hospitais; 
• Organizações não-especializadas: como 
empresas e o exército; 
• Organizações de serviço: como empresas 
especializadas em consultoria ou asses-soria, 
centros de pesquisa e desenvolvi-mento; 
Dilemas da Organização Segundo Blau e Scott 
Para Blau e Scott (apud Muniz, 2007), há uma 
relação de dependência entre conflito e mudança, 
visto que as mudanças incentivam conflitos e estes
74 Administração 
geram inovações. Os conflitos, mesmo ocultos ou 
reprimidos pela burocracia excessiva, tornam-se a 
fonte principal da mudança organizacional. 
Os processos de mudança organizacional tra-zem 
à tona a discussão entre conflito e dilema, 
visto que a sua clara interpretação possibilita a re-solução 
dos conflitos. Assim, segundo Blau e Scott 
(apud Muniz, 2007), há três dilemas básicos na or-ganização 
formal, como segue: 
• Dilema entre coordenação e comunicação livre. 
• Dilema entre disciplina burocrática e es-pecialização 
profissional. 
• Dilema entre a necessidade de planeja-mento 
centralizado e a necessidade de 
iniciativa individual. 
Sátiras à Organização 
Os estruturalistas analisam a organização sob 
uma ótica extremamente crítica. Contudo, surgiram 
livros de cunho humorístico e irreverente, em que 
são expostos à sátira, fatos inerentes ao dia-a-dia 
em uma organização, os quais chegam à proximida-de 
do absurdo e do exagero. Demonstram o ridículo 
de certos princípios dogmáticos, utilizam afirmações 
sem coerência e demonstram uma visão irrepará-vel 
e pessimista das organizações. Apesar de não 
proporem qualquer tipo de solução, esses autores 
satíricos apontam falhas e inconsistências nos pro-cessos 
geralmente racionais da organização. A disse-minação 
das sátiras, entretanto, tende a popularizar 
visões críticas, negativas do funcionamento das or-ganizações. 
Nesse caso, tendendo ao exagero.
Tema 2 | Enfoque organizacional 75 
Lei de Parkinson 
Segundo Muniz (2007), Northcote Parkinson 
publicou um livro no qual fazia uma análise irre-verente 
e implacável da administração burocrática. 
Sua premissa principal envolvia a “lei do trabalho”, 
também conhecida como “lei de Parkinson”: assim, 
o trabalho aumenta a fim de preencher o tempo 
disponível para sua execução. 
Da “lei do trabalho” derivam dois princípios 
que ocasionam a chamada “pirâmide em ascensão”: 
* “Lei da multiplicação de subordinados”: um 
chefe de seção deseja sempre aumentar o 
número de subordinados, desde que não se-jam 
seus rivais. 
* “Lei da multiplicação do trabalho”: um che-fe 
de seção sempre inventa trabalho para ou-tros 
funcionários. 
Segundo esses dois princípios, todo chefe 
procura provocar a impressão de ter responsabi-lidade 
apenas pelo quantitativo de subordinados 
e, com isto, busca subir a posições no plano de 
carreira da organização. 
Princípio de Peter 
Peter e Hull publicaram um livro, onde procu-ravam 
provar que em toda ação executada dentro de 
uma organização, quando errada, busca-se uma justi-ficativa 
para o mal desempenho. O princípio de Peter 
ou princípio da incompetência, é assim enunciado: 
em uma hierarquia, todo empregado tende a subir até 
chegar ao seu nível de incompetência (MUNIZ, 2007).
76 Administração 
Dramaturgia Administrativa de Thompson 
Victor A. Thompson aborda a “dramaturgia 
administrativa”. Defende que nas organizações 
existe uma falta de consenso entre o direito de 
decidir e o poder de realizar. 
A organização só alcançará um caráter trans-parente 
quando o conflito entre a autoridade hie-rárquica 
e a autoridade do conhecimento for re-conhecido 
e aceito. A parceria entre a hierarquia 
e a especialização depende da aceitação da inter-dependência 
dessas duas funções na organização. 
Thompson salienta por fim que, a produção 
e a inovação possuem uma relação variável e in-versa, 
além disso, a hierarquia se fixa em uma es-trutura 
formal e inflexível e, portanto, contrária à 
criatividade e à inovação. 
Maquiavelismo nas Organizações 
A ciência da Administração, segundo Antony 
Jay, procura demonstrar que “a nova ciência da Ad-ministração 
não é, na verdade, mais do que uma 
continuação da velha arte de governar”, baseando- 
-se em Maquiavel. Nicclò Machiavelli escreveu o livro 
O Príncipe, em 1513, oferecido a Lourenço de Médici, 
como sugestões para a difícil arte de governar. No 
livro expõe a sua teoria política, conhecida como 
maquiavelismo, cujos principais aspectos são: 
• Os fins justificam os meios. 
• A ação deve ser de acordo com os inte-resses 
particulares; 
• Oportunismo;
Tema 2 | Enfoque organizacional 77 
• A ação do príncipe é necessária, mas não 
santificada: acima do ideal está a realida-de 
implacável, férrea e iníqua. 
A principal característica da obra de Maquia-vel 
está no seu desapego à moral. Para Maquiavel, 
a moral se relaciona com as circunstâncias do mo-mento. 
Por isso, a palavra maquiavelismo passou 
a ser usada, tanto na esfera pública como na par-ticular, 
para designar ações sagazes e hipócritas, 
nas quais os fins são mais importantes do que os 
meios. O livro (O Príncipe) retrata a arte de gover-nar 
pela força, malícia, intimidação e astúcia. 
Indicação de Leitura Complementar 
Leia no link, http://www.amitaietzioni.org/biogra-phy. 
html, a biografia de Etzioni e tente entender os 
motivos pelos quais ele chegou ao desenvolvimen-to 
das tipologias da organização. 
Leia também no livro digital abaixo, relatos sobre a 
questão das mudanças sociais e sua relação com as 
tipologias organizacionais. http://bit.ly/amitai_etzioni. 
A leitura será um complemento ao que foi exposto 
neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica 
sobre a referida abordagem.
78 Administração 
Para Refletir 
Pois bem prezado leitor, a partir deste ponto nos 
estudos das organizações, você passou a notar a 
importância das diversas pesquisas sobre os tipos 
de organização. Portanto, reflita e tente enquadrar 
a empresa que trabalha ou uma que conheça em 
um dos tipos de organização apresentados nesta 
leitura. 
2.4 Novas Abordagens da Administração 
Dentre as novas abordagens da Administra-ção 
optamos por mencionar aqui a Reengenharia, 
o Downsizing, o Benchmarking, o Outplacement e 
Fundamentos de Critérios de Excelência. Todas se-rão 
detalhadas abaixo. 
Reengenharia 
A reengenharia, também chamada Reenge-nharia 
do Processo de Negócio, nada mais é do 
que o processo de reconstrução de uma determi-nada 
empresa, não física, mas na forma como esta 
trabalha.Seu objetivo é a busca melhorias signifi-cativas 
no desempenho da instituição, no entanto, 
não falamos aqui de um aperfeiçoamento, ou de 
um conjunto de ajustes, mas do retorno à esta-ca 
zero, desde seu projeto, para alcançar melhoras 
substanciais (Silva, 2007).
Tema 2 | Enfoque organizacional 79 
A importância e profundidade da reengenha-ria 
ficam claros, segundo Alcoforado (1997), pois 
este é um modelo de gestão com potencial para 
produzir transformações nos processos produtivos, 
maiores que aquelas produzida pelo Fordismo ou 
pelo Taylorismo. Mudanças estas, projetadas para 
um horizonte temporal próximo. 
Segundo os autores Hammer e Champy, “a 
reengenharia é o repensar fundamental e a rees-truturação 
radical dos processos empresariais, que 
visam alcançar drásticas melhorias em indicadores 
críticos e contemporâneos de desempenho, como 
custos, qualidade, atendimento e velocidade” (Al-coforado, 
1997). 
Quando observamos a definição de Reenge-nharia 
elaborada por Hammer e Champy, fica claro 
que trata-se de um modelo que propõe mudan-ças 
extremas. Podemos concluir que não se trata 
de um processo de reforma, ou ajustes no modus 
operandi da instituição, mas da reformulação inte-gral 
da forma como a empresa trabalha, rompendo 
completamente com as técnicas e pensamento em 
uso até o momento. Daí, podemos inferir o poten-cial 
transformador de que já falamos. 
A partir de seu conceito podemos extrair qua-tro 
termos principais que norteiam a reengenharia: 
1. Fundamental: Na aplicação da reengenha-ria, 
a empresa deve ser repensada com-pletamente, 
desde o porquê de executar 
sua atividade ao modo como a mesma 
é realizada. Assim, procura-se romper 
completamente com o atual e repensar a 
forma como a empresa funciona em sua 
totalidade.
80 Administração 
2. Radical: Desconstrução integral do modo 
de se pensar o negócio e criação de no-vos 
métodos de trabalho. 
3. Processo: A reengenharia não busca tra-balhar 
com tarefas ou serviços e pessoas, 
mas com processos, sendo o processo 
uma organização espaço-temporal do tra-balho 
com começo, fim, entradas e saí-das 
definidas e bem delimitadas. 
4. Drástica: a reengenharia não diz res-peito 
a pequenas melhorias, mas a de 
aumento expressivo do desempenho. 
A reengenharia guarda algumas semelhanças 
superficiais com a Administração da Qualidade To-tal, 
contudo, não se devem confundir. Apesar de 
ambas possuírem como objetivo final a melhoria do 
desempenho, a TQM procura aprimorar os proces-sos 
já existentes, se volta para o bom atendimento 
da necessidade do cliente, e, principalmente, busca 
pequenas graduais, diferente do rompimento radi-cal 
com as práticas e padrão de desempenho da 
reengenharia. 
Downsizing 
O Downsizing pode ser traduzido como o 
achatamento da estrutura hierárquica da empresa, 
com a redução de seus níveis. Fundamentalmente o 
downsizing ocorre em função de redução de custos 
ou da participação no mercado. 
Acredita-se que o downsizing conduza a um 
aumento do lucro, da produtividade, maior flexi-
Tema 2 | Enfoque organizacional 81 
bilidade organizacional e melhor desempenho dos 
estoques. É importante observar, contudo, seus 
pontos negativos, como os custos associados à ex-clusão 
de cargos, a capacitação dos funcionários 
que permanecerem, a redução da moral da equipe 
e a possível perda de qualidade do produto, aspec-tos 
muitas vezes desconsiderados pelas empresas. 
Benchmarking 
O benchmarking é uma ferramenta de avalia-ção 
comparativa, entre a empresa e o mercado, nos 
termos de produtos, processos e serviços. 
Precisamos lembrar que esta comparação 
é feita com empresas que se encontram em uma 
melhor condição que a analisada, com o intuito de 
esta progrida seguindo linhas de ação inspiradas 
nas concorrentes buscando ultrapassá-las. 
O Benchmarking busca observar o univer-so 
que circunda a empresa, suas concorrentes, em 
busca de respostas para o aprimoramento da pró-pria 
produção. 
Outplacement 
A fim de evitar todos os impactos negativos 
acarretados pelo processo de demissão, tanto para 
a empresa, que pode desenvolver interna e externa-mente 
uma imagem de instabilidade, quanto para 
o profissional, que se vê excluído de sua função e 
obrigado a buscar sozinho uma nova posição, as 
empresas têm buscado novas formas de conduzir 
seus processos de reestruturação. 
É então que surge o Outplacement como uma 
alternativa, menos impactante para ambos, aos
82 Administração 
processos de demissão. Podemos resumir o Outpla-cement, 
como uma nova maneira de conduzir o pro-cesso 
de transição profissional de um colaborador. 
Seu surgimento remonta aos anos 60, nos 
Estados Unidos, quando o país foi atingido por 
uma forte recessão, e hoje alcançou todos os paí-ses 
industrializados. 
É importante ressaltar que os programas de 
Outplacement, ou recolocação, como são também 
conhecidos, vêm sendo executados principalmen-te 
para funcionários de alto escalão, geralmente 
executivos, e em alguns casos, para profissionais 
altamente especializados. 
Fundamentos de Critérios de Excelência 
O termo e conceito base da excelência orga-nizacional 
foram cunhados, em 1982 por Thomas J. 
Peters e Robert H. Waterman. Para estes autores, 
trata-se de excelência, a condição ou estado em 
que os produtos de determinado processo superam 
os resultados inicialmente planejados, seja em ter-mos 
de eficácia ou resultado (SILVA, 2007). 
A excelência organizacional, segundo estes 
autores é dotada de oito atributos fundamentais: 
• Orientação para a ação - Segundo este 
princípio, o sucesso depende da capa-cidade 
de ir além do campo das ideias, 
levando à implementação daquilo que 
foi idealizado. Além disso, as equipes 
de trabalho devem ter como orientação 
a solução de problemas, ser compostas 
por poucos membros, e ter caráter tran-sitório;
Tema 2 | Enfoque organizacional 83 
• Proximidade do Cliente - O principal ob-jetivo 
é a satisfação das necessidades do 
cliente, que se incluso mesmo em todo 
o ciclo desde o projeto até o marketing, 
passando pela produção; 
• Autonomia e espírito empreendedor - 
Uma maior flexibilidade estrutural onde 
se pode trabalhar em projetos e criar, 
com certo grau de liberdade; 
• Produtividade por meio das pessoas - A 
valorização do capital humano, que pas-sa 
a ocupar lugar de destaque para a 
qualidade nos processos; 
• Ação inspirada por valores - A liderança 
deverá passar para as equipes de traba-lho 
um senso de objetivo e significado 
para suas ações. O sistema de crenças 
da organização fazendo uso de histórias, 
mitos e lendas; 
• Concentração do que é conhecido - A ad-ministração 
está focada naquilo em que 
tem maior expertise, voltando-se para o 
desenvolvimento da própria empresa, em 
lugar de buscar fusões; 
• Estrutura simples e enxuta - A centrali-zação 
da autoridade deve ser evitada, e 
junto a isso, deve ser reduzida a vertica-lização 
da hierarquia;
84 Administração 
• Propriedades simultaneamente flexíveis e 
rígidas - A rigidez devem se deter prin-cipalmente 
aos controles estratégicos e 
financeiros, ao tempo que autonomia e 
oportunidade de criação devem ser com-partilhadas 
com os empregados, que são 
livres para inovar e assumir riscos, con-sequentemente 
contemplando a possibi-lidade 
de erros. 
Estes atributos foram obtidos pela observa-ção, 
pelos pesquisadores, de empresas considera-das 
excelentes. Devemos atentar a que estes foram 
os mais recorrentes diagnosticados por Peters e 
Waterman, mas não os únicos. O próprio Peters, 
em co-autoria com Austin, estabeleceria anos de-pois 
que apenas três aspectos seriam suficientes 
para incorporar todos os atributos citados e alcan-çar 
a excelência, desde que usados em concomitân-cia 
com um estilo particular de administração, se-riam 
eles: Atenção integral aos clientes; Constante 
processo de inovação; e Pessoas. 
O trabalho de Peters e Waterman tornou- 
-se alvo de muitas críticas de outros pesquisadores 
que criticaram tanto em seu método como na forma 
minimalista como abordaram os temas propostos. 
Outros autores e instituições dedicaram-se 
ao longo do tempo à busca pelos padrões de qua-lidade 
e excelencia. No Brasil, a FNQ - Fundação 
Nacional da Qualidade - criou o PEG - Programa de 
Excelência em Gestão.
Tema 2 | Enfoque organizacional 85 
Indicação de Leitura Complementar 
Leia as páginas 277, 278 e 279 do livro: CARAVAN-TES, 
Geraldo R.; PANNO, Cláudia C.; KLOECKNER, 
Mônica C. Administração: teorias e processos. São 
Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. Tente enten-der 
as transformações decorrentes do processo de 
reengenharia e discuta com seus colegas. 
Leia também no livro: MAXIMIANO, Antonio César 
Amaru. Teoria geral da administração: da revolução 
urbana à revolução digital. 6. ed. São Paulo: Atlas, 
2007. Na página 465 o texto intitulado Benchma-rking: 
copiando as melhores práticas e entenda um 
pouco mais sobre esta técnica que consiste em 
fazer comparações e em imitar organizações com 
praticas exemplares de administração. 
A leitura será um complemento ao que foi exposto 
neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica 
sobre o referido conteúdo. 
Para Refletir 
Pois bem prezado leitor, a partir deste ponto nos 
estudos das organizações, você passou a notar a 
importância do aprimoramento de processos. Por-tanto, 
reflita e tente enquadrar a empresa que tra-balha 
ou uma que conheça em um destes proces-sos 
apresentados nesta leitura.
86 Administração 
Resumo 
Muito bem, caro aluno, chegamos ao final de mais 
um capítulo em nossa viagem pelas teorias da 
Administração. Na passagem pelo enfoque com-portamental, 
você pode conhecer a influência da 
psicologia na ciência da Administração e pode re-fletir 
sobre a motivação, a liderança, a gerência e a 
importância de se conhecer o outro e desenvolver 
uma relação ética e profissional, é essencial para o 
crescimento de uma empresa. 
Na sequência, você passou a entender que deve-se 
ter critérios para a tomada de decisão gerencial e 
que o processo decisório em uma organização está 
muito baseado no fator racional. 
Durante essa viagem, você chegou à teoria do de-senvolvimento 
organizacional e passou a entender 
que o mundo está em constantes mudanças e que 
aquela empresa ou até mesmo aquela pessoa que 
não se adaptar às novas realidades impostas pelo 
ambiente, poderá ser conduzida ao fracasso. 
Diante da grande importância deste enfoque com-portamental 
é que a Administração passou a mudar 
sua história, dando maior ênfase na relação empre-sa, 
indivíduo, ambiente.
TEORIAS PÓS-SISTEMAS 
Parte 2
Enfoque Comportamental 3 
A abordagem comportamental da ciência administrativa propõe 
o abandono de posições normativas e descritivas e a adoção de uma 
posição humanística, mantida, portanto, a ênfase nas pessoas. 
Esta abordagem diferencia-se da apresentada por Jonh B. Wat-son, 
que trabalhou o enfoque individual através da realização de 
experimentos em laboratório, analisando: aprendizagem; estímulo e 
reações, hábitos. 
O método de Watson evoluiu para a análise comportamental de 
grupos, utilizada por Kurt Lewin na chamada Psicologia Social (Teoria 
das Relações Humanas) e a seguir para a Psicologia Organizacional 
em um sentido amplo, ainda que não desconsiderasse os pequenos 
grupos sociais. 
Desta forma, a Psicologia Organizacional contribuiu decisiva-mente 
para o surgimento de uma teoria administrativa mais democrá-tica 
e humanística, a Teoria Comportamental da Administração.
90 Administração 
3.1 Abordagem comportamental: Teóricos da 
Motivação 
Abraham Maslow – Teoria das necessidades 
humanas 
O administrador precisa conhecer os meca-nismos 
motivacionais para poder dirigir adequada-mente 
as pessoas. Nesta abordagem, procura-se 
através das ciências do comportamento, conhecer 
o processo e a dinâmica organizacional, visto que 
os estudiosos desta abordagem consideram a or-ganização 
como um sistema cooperativo e racional. 
Origens: Dentre as origens da teoria com-portamental, 
podemos citar o pensamento oposto 
entre a teoria clássica e a de relações humanas, 
onde segundo Caravantes (2005, p.95-102) estão: 
• A abordagem comportamental é um apro-fundamento 
da Teoria das Relações Hu-manas, 
sendo contra a sua visão ingênua 
e romântica, mas aproveitando e refor-mulando 
alguns dos seus princípios; 
• A Crítica à Teoria Clássica, sendo conside-rada 
por alguns autores uma abordagem 
contrária à organização formal, aos prin-cípios 
gerais da administração, e ao en-foque 
mecanístico dos autores clássicos; 
• Com a Teoria Comportamental houve a 
contribuição da Sociologia da Burocracia, 
aumentando a abrangência da teoria ad-ministrativa; 
Abraham Maslow 
(1908-1970)
Tema 3 | Enfoque comportamental 91 
• Crítica a Teoria da Burocracia; 
• O surgimento do livro de Herbert Simon, 
em 1947, “O comportamento administra-tivo”. 
É neste contexto de crítica e correção às te-orias 
anteriores, que diversos psicólogos organiza-cionais 
passaram a estudar com mais ênfase a re-lação 
das pessoas na organização, suas influências 
e relações. 
Assim passaremos em seguida a conhecer os 
maiores precursores da teoria comportamental. 
Sua experiência foi essencialmente obtida em 
meio a gerência de organizações complexas, atra-vés 
dela, publicou em 1938, o livro as funções do 
executivo. 
Sua proposta era fornecer uma teoria global 
do comportamento cooperativo nas organizações 
formais. As palavras chave para descrever seu tra-balho 
são: cooperação, comunicação, responsabili-dade, 
propósito, ser eficiente e efetivo, e qualidade 
moral na liderança. 
Abraham Maslow (1908-1970) 
Maslow foi um estudioso da área compor-tamental, 
onde seus pontos de vista eram sem-pre 
originais, até porque, os demais psicólogos da 
época se preocupavam mais com as patologias da 
área. A psicologia humanista, corrente impulsiona-da 
por ele, deu origem a diversas diferentes formas 
de psicoterapia, todas com a premissa de que as 
pessoas possuem condições necessárias ao cresci-mento 
e à cura e o objetivo da terapia era remover
92 Administração 
as barreiras mentais para que o indivíduo possa 
se superar. A mais famosa dessas técnicas foi a 
terapia centrada na pessoa, desenvolvida por Carl 
Rogers (MUNIZ, 2007 p.140). 
Uma das principais descobertas de Maslow 
se deu quando, ao pesquisar o comportamento 
dos macacos, chegou à conclusão de que existem 
vários tipos de necessidades e algumas são mais 
importantes que outras. 
Utilizando-se das conclusões sobre o expe-rimento, 
Maslow, criou sua famosa Hierarquia de 
Necessidades. 
A “visão de Maslow”, segundo Caravantes 
(2005, p.106-108) refere-se ao estudo da motivação 
humana, priorizando as necessidades do homem, 
inserindo-as em uma pirâmide. 
Para Maslow a motivação humana possui re-lação 
com suas necessidades. A premissa básica de 
seus estudos tinha as seguintes conclusões: 
• Determinada necessidade passa a ser ur-gente 
quando a anterior estiver satisfeita; 
• Quando as necessidades inferiores esti-verem 
satisfeitas, as superiores tornam- 
-se prioridade; 
• Quando uma necessidade de nível mais 
baixo deixa de ser satisfeita, ela passa a 
ser prioridade novamente; 
• O indivíduo geralmente se motiva por 
diversos motivos, neste caso, todos os 
níveis da hierarquia passam a influenciar 
junto o comportamento, perdendo a prio-ridade 
a partir do momento que foram 
atendidas;
Tema 3 | Enfoque comportamental 93 
• Quando há frustração pelo não atendi-mento 
da necessidade prioritária, gera-se 
a insatisfação. 
Também psicólogo como Maslow, além de 
professor, Herzberg também passou a ser conhe-cido 
pelos estudos voltados á motivação humana, 
onde criou a chamada teoria dos dois fatores, sen-do: 
os de higiene (como as condições de trabalho, 
salário, status e segurança); e os de motivação (re-alização, 
reconhecimento, satisfação no trabalho, 
responsabilidade e desenvolvimento pessoal. Foi 
também precursor dos estudos relacionados ao 
conceito de enriquecimento do trabalho (job enri-chment 
) (MUNIZ, 2007, p.143). 
Frederick Herzberg – Teoria dos Dois Fatores 
Frederick Irving Herzberg foi um psicólogo 
americano, autor da teoria dos Fatores de Motiva-ção 
(teoria dos dois fatores). Segundo Hezberg, em 
sua teoria, existem dois fatores que atuam sobre as 
pessoas em seu trabalho, são eles: 
1. Fatores higiênicos – Também chamados fato-res 
extrínsecos, são aqueles que dizem res-peito 
ao ambiente em que se inserem as pes-soas 
e incluindo suas condições de trabalho. 
Trata-se de condições que não se encontram 
sob controle das pessoas. 
Notemos que, nas abordagens mais tradicio-nais, 
apenas esta categoria de fatores era utilizada 
na busca por uma maior motivação dos emprega-dos, 
sendo os reajustes e bônus pecuniários, as-
94 Administração 
censão na carreira estavam entre as formas mais 
aplicadas para isso. 
Os estudos de Herzberg revelaram que em 
situações em que estes fatores atendem condições 
ideais, servem apenas para prevenir um estado de 
insatisfação dos empregados. Qualquer ganho mo-tivacional 
através destes métodos é transitório, no 
entanto, quando estes fatores estão em condições 
insipientes, tornam-se a causa da insatisfação dos 
empregados. 
Desta tendência a influenciar mais fortemen-te 
de maneira negativa a condição de satisfação, 
Herzberg nomeou-os fatores higiênicos, pois seu 
papel é principalmente profilático e preventivo: 
eles servem para evitar a insatisfação, mas não tra-zem 
satisfação duradoura. Por sua maior relação 
com a insatisfação, Herzberg também os chama de 
fatores insatisfacientes. 
Dentre eles, podem ser citados: remunera-ção, 
ergonomia, políticas e diretrizes da empresa, 
relação entre os funcionários e a empresa, regula-mentos 
internos, etc. 
2. Fatores motivacionais – também chamados 
fatores intrínsecos, devido a sua relação com 
o conteúdo do cargo e a natureza das ta-refas 
atribuídas ao funcionário. Estes fatores 
encontram-se ao alcance do controle do fun-cionário, 
pois sua relação é com aquilo que 
ele faz e desempenha. Estão envolvidos aqui 
sentimentos de crescimento individual, reco-nhecimento 
profissional e auto-realização, e 
vai depender das funções desempenhadas 
em seu trabalho.
Tema 3 | Enfoque comportamental 95 
As tarefas e cargos eram organizados e de-finidos, 
mais comumente, com foco na eficiência e 
economia, deixando de lado o desafio e a criativi-dade 
pessoal. O efeito disto era a perda do signi-ficado 
psicológico para a pessoa responsável por 
sua execução levando a um efeito de “desmotiva-ção”, 
causando apatia, e perda de interesse. 
Estes fatores têm efeito mais duradouro, es-tável 
e profundo sobre as pessoas, e quando em 
condições ótimas, provocam o estado de satisfação 
nas pessoas. 
Por outro lado, caso sejam precários, eles previ-nem 
a satisfação, e por essa relação com a satisfação, 
Herzberg também os chama de fatores satisfacientes. 
Os dois fatores não são dependentes entre si 
não mantendo vínculos de qualquer tipo entre si. 
Aquilo que traz satisfação profissional é totalmente 
desconectado e distinto do que acarreta insatisfa-ção 
profissional. 
A condição oposta à satisfação não é a insa-tisfação, 
mas ausência da primeira. 
As teorias de motivação de Maslow e Herzberg 
apresentam certas características em comum, pois 
os fatores higiênicos de Herzberg estão ligados às 
necessidades primárias de Maslow englobadas aqui 
necessidades fisiológicas, de segurança, e algumas 
necessidades sociais. Já os fatores motivacionais re-lacionam- 
se com as necessidades secundárias. 
Douglas McGregor – Teoria X e Y 
Psicólogo social e especialista em compor-tamento 
humano doutorou-se em Harvard, onde 
lecionou Psicologia social. Preocupou-se em estu-dar 
os dois estilos administrativos opostos, ao que 
chamou de Teoria X e Teoria Y. 
Douglas M. Mcgregor 
(1906-1964)
96 Administração 
Teoria X: 
Esta teoria tem uma influência marcante dos 
estudos da Administração científica de Taylor, da te-oria 
clássica de Fayol e dos estudos sobre burocracia 
de Weber. Na observação de McGregor, o ser humano 
era considerado como uma engrenagem, um recurso 
ou equipamento. Conclusões estas inadequadas em 
relação ao estudo do comportamento humano. 
Teoria Y: 
Já a Teoria Y, apresenta o sentido oposto ao 
da Teoria X, onde seu enfoque principal é através 
do estudo dos valores sociais e humanos. 
O aspecto que sustenta sua linha de pen-samento 
é consequência da dependência entre 
superior e subordinado. O tratamento das conse 
quências irá condicionar o sucesso ou fracasso das 
relações, uma vez que o subordinado possui neces-sidade 
de segurança e realização. 
Segundo McGregor (1975 apud Muniz, 2007, 
p.146), existem alguns aspectos da relação chefe- 
-subordinado que influencia o comportamento do 
subordinado em qualquer nível da organização. 
O primeiro aspecto é o clima formado pela 
influencia do superior, descoberto pela sua atitude 
em relação aos funcionários 
O outro aspecto é o que se espera do subor-dinado 
em relação ao conhecimento do trabalho. 
Segundo McGregor, há seis itens que interferem na 
satisfação atendida: 
• Conhecer a filosofia e as diretrizes da empresa; 
• Conhecer as rotinas, regulamentos, limi-tações 
e possibilidades;
Tema 3 | Enfoque comportamental 97 
• Conhecer suas responsabilidades e papel; 
• Entender o comportamento do superior 
para basear sua maneira de agir com ele; 
• Ter um retorno sobre seu desempenho 
no trabalho, através do chefe imediato; 
• Conhecer as tendências futuras da em-presa, 
as mudanças na organização e a 
relação com sua função. 
McGregor alerta que conhecer é poder, prin-cipalmente 
porque diminui a dependência no des-conhecido 
e no imprevisível. Dessa forma, o uso 
de uma disciplina coerente é o terceiro aspecto da 
segurança do subordinado em sua relação com o 
superior. 
Neste sentido, para suprir a necessidade de 
realização dos subordinados, McGregor conta com 
mais três requisitos que são: 
• Participação do funcionário 
• Responsabilidade 
• Direito de apelar 
Seus estudos estão centrados no bom de-sempenho 
da organização e na sua relação com a 
previsibilidade e controle que consegue imprimir 
no comportamento humano. Para ele, as estraté-gias 
de liderança são influenciadas pelas crenças 
do líder sobre a natureza do ser humano. 
Modelo de Homem: 
O modelo de homem da escola comportamen-tal 
é chamado de homem administrativo, aquele que
98 Administração 
procura apenas a maneira satisfatória de realizar um 
trabalho e não a melhor maneira. O comportamento 
administrativo é satisfaciente e não otimizante. Não 
se preocupa com o lucro máximo, mas o adequado; 
não o preço ótimo, mas o razoável. 
David McClelland – Teoria das três necessidades 
David McClelland foi um psicólogo america-no, 
que dedicou-se, ao estudo da motivação huma-na. 
Em sua obra, McClelland divide as pessoas, em 
termos psicológicos, em dois grupos: 
1. Uma menor parte encontra desafios nas 
oportunidades que se apresentam, e 
possuem disposição para trabalhar ardu-amente 
para alcançar seus objetivos; 
2. Uma maior parte que não sente o desafio 
para alcançar resultados. 
Segundo estudos sobre pessoas com um 
elevado nivel de realização (high achievement), 
esta pequena parcela das pessoas é motivada por 
uma personalidade que ele chamava Motivação A. 
Pessoas deste tipo buscam um constante aprimora-mento. 
As principais características de pessoas com 
este tipo de personalidade são: 
• Estabelecimento desafios para si mesmas; 
• Não entregar ao acaso a resolução dos 
problemas, preferindo trabalhar para isso; 
• 
• Preferência por receber avaliações quan-to 
a seu desempenho.
Tema 3 | Enfoque comportamental 99 
Este tipo de pessoa irá, no caso de neces-sidade 
de assessoria externa, por exemplo, dar 
preferência à competência na hora de escolher um 
assessor acima de qualquer relação de amizade ou 
afinidade que possa ter com outras pessoas. Isso 
se deve a uma alta necessidade de realização. 
Outra categoria de pessoas irá, devido à uma 
forte necessidade de afiliação faria uma escolha 
contrária, priorizando as relações de amizade so-bre 
o expertise do funcionário a ser contratado. 
McClelland caracterizou ainda um terceiro tipo de 
pessoas, aquelas que têm necessidade de poder. 
Para mensurar essas necessidades Mc- 
Clelland desenvolveu um conjunto de ferramentas 
chamadas n Ach, para avaliar a necessidade de re-alização, 
n Aff, para mensurar a necessidade de afi-liação, 
e o n Power, para a necessidade de poder. 
Indicação de Leitura Complementar 
Procure conhecer a biografia dos diversos autores 
apresentados neste texto, constantes no livro: 
Procure ler o livro: CARAVANTES, Geraldo. Admi-nistração 
Teoria e Processos. São Paulo: Pearson 
Prentice Hall, 2005, p. 93-144), além do capítulo 5 
do livro digital http://bit.ly/fundamentosdecompor-tamentoorganizacional. 
Através dessas leituras, você poderá entender o 
porque das conclusões desses autores.
100 Administração 
Para Refletir 
Muito bem, prezado aluno, você acabou de enten-der 
a influência da psicologia na ciência da Admi-nistração 
e viu que nesta profissão, o bem mais 
importante são as pessoas. 
Neste sentido, diante dos diversos estudos apre-sentados 
sobre motivação, você pode constatar 
que há uma influência das pessoas na cultura orga-nizacional 
e que é da administração dessa cultura 
que se baseiam as grandes organizações. 
Aproveite para refletir sobre os diversos ensina-mentos 
de nossos psicólogos organizacionais, até 
que ponto as afirmativas são realmente verdadei-ras 
quando comparadas com a prática vivenciada 
nas empresas que você conhece.
Tema 3 | Enfoque comportamental 101 
3.2 Abordagem comportamental: Outros teóricos 
Rensis Likert - Sistema 4 
Likert foi um pesquisador americano cujos 
trabalhos tinham como foco a motivação. Segundo 
Likert, existe uma relação direta entre o estilo de 
gerência e supervisão e a satisfação e desempenho 
dos indivíduos. 
Em seu trabalho, foram divididos em 4 os 
estilos de gerência, chamados: 
Sistema 1 – Autoritário-coersivo: 
• Mão de obra intensiva e tecnologia rudi-mentar, 
ou seja, pessoas de pouca quali-ficação 
e educação; 
• O processo decisorial é totalmente cen-tralizado 
na cúpula da organização; 
• Sistema de comunicação muito precário. 
Somente comunicações verticais e des-cendentes 
por meio de ordens diretivas; 
• Relações interpessoais com clima de des-confiança 
em relação a organização infor-mal. 
É vedada e considerada prejudicial; 
• Utilizam medidas disciplinares. Obediên-cia 
cega aos regulamentos internos. Ra-ras 
recompensas.
102 Administração 
Sistema 2 – Autoritário-benevolente: 
• Tecnologia mais apurada e mão de obra 
mais especialista; coerção para manter 
controle sobre o comportamento; 
• O processo decisorial é centralizado na 
cúpula, mas permitindo algumas delega-ções 
para atividades rotineiras; 
• O sistema de comunicação é precário. As 
comunicações descendentes prevalecem 
sobre as comunicações ascendentes; 
• As relações interpessoais são toleradas. É inci-piente 
e considerada uma ameaça à empresa; 
• Possui um sistema de recompensas e 
punições onde se utiliza punições e me-didas 
disciplinares mais amenas. Obedi-ência 
restrita aos regulamentos internos. 
Raras recompensas. 
Sistema 3 – Consultivo: 
• Áreas administrativas mais organizadas 
e avançadas em termos de relações com 
empregados; 
• Consulta aos níveis inferiores permitindo 
participações e delegações. 
• A cúpula procura facilitar o fluxo de co-municação, 
tanto no sentido descendente 
como no ascendente;
Tema 3 | Enfoque comportamental 103 
• Certa confiança nas pessoas e nas rela-ções; 
• Utilizam recompensas materiais e sociais. 
As punições e castigos são raros. 
Sistema 4 – Participativo: 
• Este sistema faz uso de sofisticada tecno-logia 
e pessoal altamente especializado; 
• O processo decisorial é totalmente des-centralizado. 
A cúpula define políticas e 
controla os resultados. 
• Sistema de comunicação eficiente é fun-damental 
para o sucesso da organização; 
• Utilizam recompensas materiais e sociais. 
As punições são raras. 
Para avaliar qual o sistema praticado, usam- 
-se oito variáveis fundamentais: 
• Processos de liderança aplicados; 
• Forças motivacionais; 
• Caráter do processo de comunicação; 
• Processo de interação/influência; 
• Processo Decisório; 
• Estabelecimento de objetivos; 
• Processo de controle; 
• Objetivos de desempenho; 
• Treinamento
104 Administração 
As variáveis são interpretadas através da 
análise de 52 itens. Dentre todos os sistemas cita-dos, 
Likert apresenta em seus trabalhos clara pre-ferência 
pelo sistema 4. 
Neste sistema, o processo decisório é des-centralizado, 
apesar de os níveis superiores ainda 
determinarem as políticas gerais de gestão da or-ganização. 
A descentralização da tomada de deci-são 
dependerá também de outros fatores, como o 
contexto da organização. No momento da tomada 
de decisão. 
Dado o exposto se faz fundamental no Siste-ma 
4 um sistema de comunicação aberto onde pre-valeça 
todos os tipos de comunicação, que devem 
poder transitar entre os níveis da instituição. 
Neste sistema, o relacionamento interpessoal 
se baseia no trabalho em equipe. O objetivo disto 
é a troca de informações experiências e ainda o 
fortalecimento dos relacionamentos na instituição. 
O sistema de recompensas e punições des-te 
sistema, se baseia em recompensas simbólicas 
e sociais, não sendo retiradas do sistema as pre-miações 
e punições materiais. Preferencialmente as 
punições são aplicadas em último caso. 
Kurt Lewin 
O trabalho de Lewin acelerou o ritmo do de-senvolvimento 
das ciências sociais. Mesmos endo 
um psicólogo e ter contribuído bastante nesta área, 
seu trabalho influenciou muito alem das fronteiras 
da psicologia. 
Um dos motivos para essa influencia é que 
grande parte do seu trabalho se preocupou com 
a determinação de pré-requisitos metodológicos e
Tema 3 | Enfoque comportamental 105 
conceituais para uma ciência madura do comporta-mento 
humano. 
Lewin analisou os atributos principais que 
irão caracterizar os métodos de trabalho de qual-quer 
cientista social, qualquer que seja sua orien-tação 
teórica. 
Ele discute vários problemas básicos do mé-todo 
cientifico que todos os cientistas sociais pre-cisam 
enfrentar e propõe soluções não tanto com 
base em um “certo ou errado” absolutos, mas em 
termos do que fará o cientista mais produtivo. 
Diversos temas são abordados pelos estudos 
de Lewin. Porem alguns princípios norteiam seus 
princípios que guiam seu desenvolvimento. Desta-que 
aqui para a natureza dos constructos nas ciên-cias 
sociais e o processo de conceitualização, bem 
como a seu modelo de “Análise do campo de for-ças”, 
precursor e base dos modelos de transforma-ção 
planejada propostos uma década mais tarde. 
O lugar dos constructos na ciência social 
Para Lewin a natureza essencial do traba-lho 
do cientista consiste em fazer uma tradução 
adequada dos fenômenos para os conceitos. Para 
o desenvolvimento de um conceito satisfatório, o 
cientista tem que ser particularmente cuidadoso em 
relação a forma como é desenvolvido. Antes de um 
sistema possa ser totalmente útil, os conceitos nele 
inseridos tem de ser definidos de forma: 
1. Permitir o tratamento de aspectos qua-litativos 
e quantitativos em um sistema 
único;
106 Administração 
2. Representar de maneira correta os atribu-tos 
ou causas dos fenômenos; 
3. Facilitar a definição operacional e a con-sequente 
mensuração dos mesmos; 
4. Permitir tanto a generalização para leis 
universais como o tratamento concreto 
do caso individual. 
Apesar de ser abstrata, a análise da natureza 
da conceitualização é importante para o entendi-mento 
do trabalho do teórico em questão. A es-sência 
e maior parte de seu trabalho consistiu na 
analise conceitual da natureza dos fenômenos que 
previamente tiveram rótulos populares. 
O modelo de Lewin - Análise do campo de forças 
Este modelo parte do pressuposto de que a 
mudança é um processo dinâmico e não como um 
evento esporádico e desconectado, ou seja, um esfor-ço 
continuo entre dois conjuntos de forças: um que 
empurra em direção a mudança e outro que afasta. 
O modelo auxilia a compreender o funcio-namento 
dessas forças. Argumenta que o primei-ro 
passo para iniciar a mudança é desestabilizar o 
atual estado de equilíbrio, o que pode ser feito de 
uma das três formas básicas que seguem ou pela 
combinação delas: 
1. Aumentando a força das forças propulso-ras 
da mudança; 
2. Reduzindo a força das forças restritivas;
Tema 3 | Enfoque comportamental 107 
3. Mudando a direção de uma força de ma-neira 
que um fator restritivo se torne um 
fator propulsor. 
Para que a mudança seja bem sucedida o 
teórico aqui estudado propõe três passos: 
1. Descongelar – tem como objetivo estabe-lecer 
um motivo para a mudança. 
2. Mover – Por envolver pessoas no apren-dizado 
de um novo repertório de com-portamentos, 
em geral isso é mais facil-mente 
dito do que feito. O problema é 
que quando as pessoas já tem uma forma 
familiar de comportamento, pode ser di-fícil 
abandoná-las. As pessoas podem se 
sentir incentivadas a mudar ao verem os 
outros aos redor fazendo isso. 
3. Recongelar - O objetivo é estabelecer 
como normal um novo padrão de compor-tamento. 
Consiste no condicionamento 
das pessoas premiando o novo compor-tamento 
desejado e desencorajando-as a 
retornar ao comportamento anterior. 
O modelo de pesquisa-ação 
Destaca a existência de uma especificação 
bastante clara do novo padrão de comportamento 
exigido. Segue um esboço do método: 
• Identificação do problema – o ciclo tem 
inicio quando o proponente da mudança
108 Administração 
identifica que os padrões existentes do 
comportamento do empregado não serão 
compatíveis com a situação modificada. 
• Coleta de dados e diagnóstico – deve ser 
feito por um consultor externo. Partin-do 
da suspeita dos sintomas, os dados 
são reunidos para revelar a causa, o que 
envolve coletar informações dos clientes 
e também dos empregados para que se 
possa obter suas versões sobre o assunto. 
• Feedback – consiste no envolvimento dos 
empregados na identificação dos problemas 
e nas sugestões de soluções potenciais. 
• Plano de ação – trabalhando unidos, con-sultor 
e colaboradores desenvolvem uma 
solução para o problema. 
• Ação – Solução posta em pratica pelos 
colaboradores que adotam novos pa-drões 
de comportamento. 
• Reavaliação - dados analisados para de-terminar 
se houve melhora, de quanto foi 
a melhora e se é viável a solução. Caso 
necessário o ciclo se repete. 
As pessoas devem ser envolvidas desde o 
inicio do processo, o que ajuda a diminuir a resis-tência: 
• A mudança está centrada em um objeti-vo, 
mas para solucionar o problema não
Tema 3 | Enfoque comportamental 109 
se são vantagens do método de pesqui-sa- 
ação; 
• Cria novos imprevistos e problemas; 
• A mudança é introduzida em incremen-tos, 
sendo possível identificar e impedir 
efeitos que podem se transformar em 
problemas. 
Indicação de Leitura Complementar 
Procure conhecer mais sobre a teoria de Rensis Li-kert 
e de Kurt Lewin na visão de: 
CARAVANTES, Geraldo R.; PANNO, Cláudia C.; KLO-ECKNER, 
Mônica C. Administração: teorias e proces-sos. 
São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005, página 
123 a 129. 
Além de aprofundar seu conhecimento lendo sobre 
As tendências para uma teoria de Administração 
Mundial no quadro APRENDA MAIS. 
CARAVANTES, Geraldo R.; PANNO, Cláudia C.; KLO-ECKNER, 
Mônica C. Administração: teorias e pro-cessos. 
São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005, 
página, p. 128 
A leitura será um complemento ao que foi exposto 
neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica 
sobre a referida abordagem.
110 Administração 
Para Refletir 
Olá, caro leitor, uma das principais dificuldades 
está relacionada a distinção entre observação e 
interpretação. Em todas as ciências é importante 
manter a observação o mais livre possível de teo-rias 
e interpretações subjetivas. 
Essa não é uma tarefa fácil. Vamos pensar se isto 
pode ser totalmente obtido na psicologia social? 
Uma ação amigável ou agressiva pode ser observa-da 
sem interpretação como ocorre com o movimen-to 
de um braço? Neste sentido, reflita sobre tais 
questionamentos. 
3.3 Processo Decisório 
Herbert Simon e Chester Barnard - Processo 
Decisório 
A decisão é o ato de escolher qual a atitude 
que será tomada em determinado momento para 
atingir um objetivo esperado. O ato de tomar uma 
decisão é o ponto focal da administração, pois 
cabe ao administrador designar o que deve ser fei-to, 
por quem e de que maneira. Assim, a função do 
administrador é tomar decisões, ou seja, realizar 
escolhas, sempre observando seus efeitos, para o 
sucesso da organização.
Tema 3 | Enfoque comportamental 111 
Devemos observar que sem a tomada de de-cisões, 
não há ação a ser executada, assim, é o pro-cesso 
decisório, o ponto de partida para quaisquer 
ações na organização. Assim, Chiavenato (2007), 
nos ensina que podemos caracterizar a empresa 
como um sistema de decisões, onde as ações são 
fruto da tomada de decisões de todos os seus com-ponentes, 
dos gestores aos funcionários. 
Deste modo, podemos entender que as de-cisões 
tomadas por cada um destes componentes 
produzirá efeitos sobre as decisões dos demais. De-vemos 
observar também que os fatores dos quais 
dependerá o resultado de determinada decisão são 
muitos e nem sempre podem ser controlados. 
De acordo com Chiavenato (2007), a decisão 
envolve minimamente: 
• Tomador da Decisão – é a pessoa ou gru-po 
sobre quem recai a responsabilidade 
e autoridade de realizar a escolha; 
• Objetivos – Como foi dito anteriormente, 
a decisão deve ter um propósito, assim, 
trata-se aqui dos objetivos finais do to-mar 
da decisão; 
• Sistema de valores – Trata-se de crité-rios 
de preferência voltados a tomada de 
decisão com o objetivo de fazer uma es-colha; 
• Cursos de Ação – são aqueles conjuntos 
de ações que estão à disposição do to-mador 
de decisão para escolher;
112 Administração 
• Estados da natureza – São as variáveis 
ambientais que cercam o tomador de de-cisão, 
e afetam sua escolha; e 
• Consequências – os efeitos do conjunto 
formado pelas ações ou ação escolhidas 
no contexto de um determinado estado 
da natureza. 
Etapas do Processo Decisório 
Quando consideramos que uma decisão é to-mada 
com algum propósito que precisa ser atendi-do, 
precisamos lembrar que a decisão não é um ato 
isolado, mas uma etapa de um processo mais am-plo 
e complexo. Assim, o processo decisório não é 
tão simples quanto se faz parecer. Como todo pro-cesso, 
o processo decisório segue uma sequência 
ordenada de passos para que possa ser executado 
adequadamente, sendo os principais deles: 
1. D iagnóstico e definição do problema – 
Nesta fase é realizado o levantamento de 
informações acerca do problema que pre-cisa 
ser sanado, sua origem, definições, 
contexto em que está inserido e o seu 
diagnóstico. 
Um método aplicável é o uso da análise 
SWOT como guia neste processo (Caravantes, et 
al. 2006). 
2 . Busca por soluções alternativas mais pro-missoras 
– É nesta fase que são levanta-dos 
os cursos de ações que podem ser
Tema 3 | Enfoque comportamental 113 
tomados e que podem atender da melhor 
maneira a necessidade do tomador de 
decisão. É necessário que seja levantado 
mais de um curso de ação possível. 
3. Análise e comparação de alternativas vol-tadas 
a busca de solução – Este é o mo-mento 
em que analisamos e realizamos 
a comparação entre os cursos de ação 
levantados, quanto ao custo e retorno 
esperado de cada um. Além disso, as 
consequências de cada um deles devem 
também ser ponderadas. 
4. Seleção e escolha da melhor alternativa 
para o plano de ação – a opção racional 
por determinada linha de ação, abdican-do 
de todas as demais alternativas. 
Classificações do processo decisório 
Apesar de o processo decisório seguir basi-camente 
os mesmos passos, as decisões podem 
variar tanto quanto à forma quanto ao nível em 
que são tomadas. No que diz respeito ao nível, as 
decisões podem ser: 
• Estratégicas – São decisões tomadas em 
um nível institucional, e que estão liga-das 
à forma como a empresa se relaciona 
com o ambiente. Elas servem como guia 
para o comportamento da empresa; 
• Administrativas – São aquelas tomadas 
em um nível intermediário na organiza-
114 Administração 
ção, e que estão voltadas ao estabeleci-mento 
da estrutura e configuração orga-nizacional 
da empresa; 
• Operacionais – As decisões operacionais 
são aquelas que dizem respeito à seleção 
e orientação dos níveis operacionais da 
empresa. 
Além destas categorias, o processo decisó-rio 
pode variar também quanto à sua forma. Neste 
quesito, podemos classificar as decisões como: 
• Programáveis – tratam-se aqui as decisões 
que seguem conjunto de técnicas e méto-dos 
já conhecidos, ou seja, a escolha de 
uma linha de ação já convencionada; 
• Não programáveis – São decisões ino-vadoras, 
que não seguem caminhos pré- 
-determinados, e acabam exigindo maior 
esforço para que se possa realizar o diag-nóstico 
do problema, e sua identificação 
através de levantamentos. 
CONDIÇÕES PARA TOMADA DE DECISÕES 
Existem três condições, um dos aspectos do 
estado da natureza citado anteriormente, em que 
as decisões podem ser tomadas, e dizem respeito 
ao grau de conhecimento detido pelo tomador de 
decisão no memento da escolha do curso de ação. 
São elas: 
a) Incerteza: É um contexto em que o to-
Tema 3 | Enfoque comportamental 115 
mador de decisão dispõe de nenhum ou 
pouco conhecimento acerca dos possí-veis 
resultados de sua escolha; 
b) Risco: O tomador de decisões tem infor-mação 
suficiente para estimar até certo 
ponto o resultado de sua decisão, po-rém, 
há mais de um resultado provável; 
c) Certeza: O gestor tem conhecimento total 
das consequências de cada alternativa de 
ação para aresolução do problema. 
ABORDAGENS AO PROCESSO DECISÓRIO 
Caravantes (2006) cita duas maneiras distin-tas 
de se conduzir o processo decisório: O Modelo 
Racional e o Modelo Comportamental. 
Modelo Racional 
Este modelo pressupõe a racionalidade por 
parte dos tomadores de decisão. Para sua adoção, 
é necessário que: 
• O tomador de decisões tenha acesso a in-formações 
completas e de alta qualidade; 
• Tenha uma ampla gama de alternativas; 
• Seja Racional; 
• Tenha em mente, ao longo de todo o pro-cesso, 
os melhores interesses da organi-zação, 
acima inclusive de seus próprios.
116 Administração 
Se considerarmos todos estes critérios para 
sua adoção, podemos perceber que dificilmente 
o modelo racional poderá ser implementado efe-tivamente, 
uma vez que existem n variáveis, que 
vão desde satisfação pessoal e profissional, estado 
emocional, ao seu acesso a informações, interferin-do 
no poder de decisão do administrador. 
Modelo Comportamental 
O Modelo comportamental no processo deci-sório, 
que foi introduzido por Hebert Simon, apre-senta- 
se como uma alternativa em um universo de 
variáveis que não permitem ou favorecem a adoção 
do modelo racional. 
Ao contrário do modelo anterior, o modelo 
comportamental aceita o fato de que o gerente 
nem sempre tem acesso a informações perfeitas, 
sejam no que diz respeito a completude, ou a sua 
acurácia. Outro contraponto ao modelo racional é 
a possibilidade de o gerente contar com poucas al-ternativas 
para a resolução do problema. Isto pode 
decorrer de seu desconhecimento de determinadas 
soluções ou apenas da dificuldade de se prever os 
resultados da adoção de algumas delas. 
Os gerentes são caracterizados, no modelo 
comportamental como seres de racionalidade de-limitada, 
conforme Caravantes (2006), assim, mes-mo 
tentando ser racionais, suas decisões serão in-fluenciadas, 
sua racionalidade recebe as limitações 
decorrentes, de fatores endógenos, como seus va-lores 
e experiências anteriores. 
Por fim, espera-se que o gerente se envolva 
em um processo comportamental conhecido como 
Satisficing, ou seja, a escolha da primeira alternati-
Tema 3 | Enfoque comportamental 117 
va que se adéque, mesmo que em termos mínimos 
às necessidades para solução do problema. 
Além do Satisficing, podemos citar aqui ou-tros 
processos comportamentais envolvidos no 
processo decisório, como a Escalada do Compro-metimento. 
A Escalada do Comprometimento é um 
processo pelo qual, mesmo tendo cometido um 
erro de julgamento, as pessoas tendem a se ape-gar 
à decisão tomada até o fim. Isso se deve ao 
comprometimento que as pessoas assumem com 
suas decisões mesmo quando elas estão erradas. 
O último exemplo abordado aqui é o Enqua-dramento 
da Decisão é o modo pelo qual a situação 
da decisão é vizualizada pelo tomador de decisão 
em termos de ganho ou perda em potencial. Quan-do 
a alternativa constitui uma perda em potencial, é 
comum que os administradores assumam posturas 
de maior risco. Já quando ela pode acarretar ganhos, 
ocorre o contrario da situação anterior, e se escolhe 
as linhas de ações com menores índices de riscos. 
Ao se escolher a alternativa mais arriscada em 
uma situação em que os prejuízos são inevitáveis, 
consequências mais graves são mais comumente ob-servadas. 
Para evitar a Assumpção de posturas exces-sivamente 
arriscadas nestas situações, existem algu-mas 
medidas que podem ser adotadas, dentre elas: 
• Treinar os gerentes para que tenham ple-no 
conhecimento dos efeitos do enqua-dramento 
realizado de certas maneiras; 
• Tentar adotar múltiplos enquadramentos de 
referencia para a abordagem do problema; 
• Evitar adotar ações de maneira impulsiva.
118 Administração 
FERRAMENTAS AUXILIARES NO PROCESSO DE-CISÓRIO 
Existem diversas técnicas para a melhoria da 
habilidade de um gestor em tomar decisões, dentre 
elas podemos citar: 
• Matriz de Payoff – Ferramenta que envolve 
o cálculo dos valores esperados como re-sultado 
das alternativas disponíveis. Esta 
ferramenta só pode ser aplicada quando a 
probabilidade de cada um dos resultados 
pode ser estimada individualmente. 
• Árvores de Decisão – Trata-se da exten-são 
da matriz de payoff em que estima- 
-se resultados subsequentes à tomada da 
primeira decisão. Da mesma forma que a 
ferramenta anterior, o gerente terá que 
calcular as chances de ocorrência de to-dos 
os resultados possíveis em todos os 
níveis. Atualmente, a Tecnologia de infor-mação 
maximizou os resultados do uso 
de árvores de decisões, facilitando a vida 
dos tomadores de decisões. 
• Modelo de Inventário – É uma ferramenta 
que auxilia o gerente na manutenção de 
níveis ótimos de inventários, equilibran-do 
os custos de aquisição com a necessi-dade 
de consumo da organização.
Tema 3 | Enfoque comportamental 119 
Indicação de Leitura Complementar 
Procure conhecer mais sobre este conteúdo na vi-são 
de: 
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Admi-nistração. 
3. ed. Campus, 2004. 
Além do seu complemento com: 
CARAVANTES, G. Administração, teorias e processo. 
2005, p.88. 
A leitura será um complemento ao que foi exposto 
neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica 
sobre a referida abordagem. 
Para Refletir 
Olá, caro leitor, a organização se trata de um sis-tema 
de decisões em que cada pessoa participa 
consciente e racionalmente escolhendo e decidindo 
entre alternativas mais ou menos racionais que são 
apresentadas de acordo com sua personalidade, 
motivações e atitudes. Neste sentido, reflita sobre 
a seguinte afirmação: 
As pessoas são processadores de informação, cria-doras 
de opinião e tomadoras de decisão.
120 Administração 
3.4 Teoria Estruturalista 
Vamos iniciar este conteúdo com a leitura da 
metáfora abaixo: 
Os Cegos e o Elefante - John Godfrery Saxe 
(1816-1887): 
Certa época, no Hindustão, viviam sete cegos 
sábios, inclinados a aprender muito e a orientar, 
passavam o dia discutindo e brigando em relação 
aos seus pontos de vista individuais. Certo dia, o 
sétimo cego se revoltou e disse: vocês não conse-guem 
viver em harmonia, sequer escutam uns aos 
outros, vou embora morar na montanha. 
Um certo dia chegou um circo na cidade e to-dos 
eufóricos correram para ver o circo chegando. 
Dentre os animais, existia um enorme elefante que 
era a atração principal. 
Neste momento, os cegos correram também 
para conhecer o magnífico animal que ali se encon-trava 
e cada um, por observação, poderia satisfazer 
sua mente sobre o significado do animal.
Tema 3 | Enfoque comportamental 121 
O Primeiro aproximou-se do Elefante, e acon-teceu 
de chocar-se contra seu amplo e forte lado 
Imediatamente começou a gritar: “Deus me aben-çoe, 
mas o Elefante é semelhante a um muro”. 
O Segundo, pegando na presa, Gritou, “Oh! 
O que temos aqui, tão redondo, liso e pontiagudo? 
Para mim isto é muito claro. esta maravilha 
de elefante é muito semelhante a uma lança!” 
O Terceiro aproximou-se do animal e acon-teceu 
de pegar a sinuosa tromba com suas mãos. 
Assim, falou em voz alta: “Vejo”, disse ele, “O Ele-fante 
é muito parecido com uma cobra!” 
O Quarto esticou a mão, ansioso e apalpou 
em torno do joelho. “Com o que este maravilhoso 
animal se parece é muito fácil”, disse ele: “Está 
bem claro que o Elefante é muito semelhante a 
uma árvore!” 
O Quinto, por acaso, tocou a orelha, E disse: 
“Até um cego pode dizer com o que ele se parece: 
Negue quem puder, esta maravilha de Elefante é 
muito parecido com um leque!” 
O Sexto, mal havia começado A apalpar o 
animal, Pegou na cauda que balançava E veio ao 
seu alcance. “Vejo”, disse ele, “O Elefante é muito 
parecido a uma corda!” 
Neste momento chegava, descendo da mon-tanha, 
o sétimo cego acompanhado por um meni-no, 
o qual perguntou: o que está acontecendo? O 
menino respondeu dizendo: é um circo que che-gou 
e os cegos sábios estão envolta do elefante a 
apaupá-lo. 
Assim, o sétimo cego pediu ao menino que 
desenhasse no chão o contorno do animal e ao 
tocar concluiu: Esses homens sábios do Hindustão 
discutem cada um com sua opinião, excessivamen-
122 Administração 
te rígida e forte. Embora cada um estivesse, em 
parte, certo, todos estavam errados! (MINTZBERG, 
2004). 
Mintzberg (2004) afirma que como ninguém 
teve a visão para enxergar o animal inteiro, cada 
um tocou uma ou outra parte e prosseguiu em to-tal 
ignorância a respeito do elefante. Somando as 
partes, certamente teremos um elefante. O elefan-te, 
contudo, é mais do que a soma delas. Embora 
saibamos que para compreender o todo, também 
precisamos conhecer cada membro. 
Após conhecer esta metáfora, caro leitor, 
você pode compreender que a abordagem estru-turalista 
pode ser definida como uma tentativa de 
englobar aspectos importantes da abordagem clás-sica 
e das relações humanas. 
Ao analisarmos a organização sob a ótica es-truturalista, 
estamos fazendo uma análise do todo 
organizacional. Mais que isso, estamos reconhecen-do 
a integração e a interdependência das áreas da 
organização e a influência direta que exercem umas 
sobre as outras. 
Cabe aos estruturalistas o mérito de serem 
os primeiros a incluírem o ambiente externo na 
vida organizacional, bem como perceberem a inter-dependência 
de fatores antes considerados isola-damente 
no todo organizacional. 
Para os estudiosos da abordagem estru-turalista, 
o todo é maior que a soma das 
partes.
Tema 3 | Enfoque comportamental 123 
Motta (1998) caracteriza o estruturalismo me-diante 
os seguintes conceitos: 
• Um sistema aberto e deliberadamente 
construído; 
• Um sistema onde os conflitos são inevitá-veis 
e muitas vezes desejáveis; 
• Considera que a motivação acontece por 
um conjunto de fatores; 
• Interpreta a natureza humana, no sentido 
do homem organizacional; 
• Busca resultados. 
A figura central da abordagem estruturalista 
foi Amitai Etzione o qual desenvolveu uma carreira 
bem-sucedida como sociólogo organizacional, sen-do 
um dos criadores da Teoria Estruturalista. 
Teoria Estruturalista 
Ao final da década de 1950, a Teoria das Re-lações 
Humanas, entrou em declínio. Essa primeira 
tentativa sistemática de introdução das ciências do 
comportamento na teoria administrativa gerou uma 
profunda reviravolta na Administração. 
Se, de um lado, buscou-se combater as crí-ticas 
à teoria clássica, por outro lado não propor-cionou 
as bases adequadas de uma nova teoria 
que pudesse substituí-la. A oposição entre a Teoria 
Clássica e a Teoria das Relações Humanas criou um 
impasse dentro da Administração que mesmo a Te- 
Amitai Etzione
124 Administração 
oria Burocrática não teve condições de ultrapassar. 
A Teoria Estruturalista reapresenta um dobra-mento 
da Teoria da Burocracia e uma leve aproxi-mação 
à Teoria das Relações Humanas. Dessa for-ma, 
conforme Caravantes (2005, p.88), veja sobre 
as origens da teoria estruturalista. 
Origens da Teoria Estruturalista segundo Cara-vantes 
(2005, p.88) 
As origens da Teoria Estruturalista na Admi-nistração 
foram as seguintes: 
• À medida que vão se criando as teorias 
da Administração, a teoria subsequente 
sempre busca corrigir as falhas da an-terior. 
Neste sentido, a oposição surgi-da 
entre a Teoria Clássica e a Teoria das 
Relações Humanas – incompatíveis entre 
si – mostrou a necessidade de uma teo-ria 
que abrangesse os aspectos que eram 
considerados por uma e omitidos pela 
outra. 
• A influência do estruturalismo nas ciên-cias 
sociais e sua repercussão no estudo 
das organizações. 
• Novo conceito de estrutura. O conceito 
de estrutura é bastante antigo, ou seja, 
a estrutura mantém-se mesmo com a al-teração 
de um dos seus elementos ou 
relações.
Tema 3 | Enfoque comportamental 125 
A Sociedade das Organizações 
A sociedade contemporânea tem como carac-terística 
a existência de uma grande quantidade de 
organizações, a ponto de se poder afirmar que o 
homem passa a depender delas para nascer, viver 
e morrer. 
Esse aspecto das sociedades modernas re-quer 
um tipo todo especial de personalidade, na 
qual estejam presentes todos os anseios do cida-dão 
moderno. 
A mediação dos conflitos na busca pelo equi-líbrio 
das relações de trabalho. 
O desejo permanente de realização que ga-rante 
a conformidade com as normas, que possi-bilitam 
o crescimento profissional. Desta forma, a 
cooperação é conseguida como moeda de troca na 
busca pela recompensa financeira, material ou pes-soal, 
tornando o sujeito, dependente dos proces-sos 
de socialização. 
Dessa forma, o homem organizacional, apre-senta 
uma personalidade individualista, imediatista 
e capitalista. 
Parece, entretanto, que algumas das virtu-des 
menores do protestantismo ascético, tais como 
a laboriosidade, a pontualidade, a integridade, o 
conformismo e a realização desempenham um pa-pel 
de enorme relevância na determinação do com-portamento 
do homem organizacional. 
A máquina organizacional, em seu excesso 
de controle, pode causar nas pessoas que parti-cipam 
da organização, um certo conformismo e 
acomodação com a situação imposta. No entanto, 
esse mesmo sujeito passível de conformismo pode, 
através de seu desejo de realização, causar uma
126 Administração 
mudança organizacional a qual pode mudar todo o 
contexto da empresa. 
Veja abaixo, de acordo com Muniz (2007, 
p.81-84) a análise das organizações e suas etapas. 
Análise das Organizações 
A análise das organizações, baseia-se na in-ter- 
relação entre as teorias pré-sistemas, constituin-do- 
se em uma abordagem múltipla que envolve: 
1. Organização formal e informal. 
2. Recompensas salariais e materiais além 
das recompensas sociais e simbólicas. 
3. Todo os diferentes níveis hierárquicos de 
uma organização. 
4. Todo os diferentes tipos de organizações. 
5. A análise intra-organizacional e a análise 
interorganizacional. 
1. Abordagem Múltipla: Organização Formal 
e Informal 
• Para os estruturalistas, a organização é 
vista como uma unidade social grande e 
complexa, na qual estão integrados mui-tos 
grupos sociais. 
• A Teoria das Relações Humanas enfatizou 
as relações informais entre os funcionários. 
• A organização formal traduz o cenário 
organizacional determinado pela admi-nistração: 
divisão do trabalho e poder 
de controle, as regras e regulamentos, o 
controle de qualidade etc.
Tema 3 | Enfoque comportamental 127 
2. Abordagem Múltipla: Recompensas Mate-riais 
e Sociais 
• O significado das recompensas é um pode-roso 
fator de incentivo que reforça o com-promisso 
entre empregado e empregador. 
• Para que as recompensas, sejam elas sociais 
e/ou simbólicas tenham uma resposta positi-va, 
deve haver uma clara percepção de com-prometimento 
por parte dos empregados. No 
entanto, as recompensas sociais apresentem 
um resultado menor para os funcionários de 
níveis mais baixos, do que para aqueles que 
ocupam funções mais elevadas. 
3. Abordagem Múltipla: Os Diferentes Enfo-ques 
da Organização 
• Na visão dos estudiosos do estruturalismo, 
as organizações podem se basear no mo-delo 
racional, através do alcance de metas, 
ou no modelo natural, através da hierarquia; 
• Quanto aos objetivos organizacionais para 
os estruturalistas, são explicados que to-dos 
os aspectos e componentes da orga-nização 
são deliberadamente escolhidos 
em função de sua contribuição aos obje-tivos 
e, as estruturas organizacionais são 
definidas para alcançar a eficiência, os re-cursos 
são adequados e alocados de acor-do 
com um plano diretor, todas as ações 
são apropriadas e iniciadas por planos e 
seus resultados devem coincidir com eles.
128 Administração 
• Daí a ênfase no planejamento e no contro-le. 
Tudo na organização deve ser passível 
de controle e este é exercido de acordo 
com um plano maior, o qual relaciona as 
causas e efeitos aos objetivos diretos. 
4. Abordagem Múltipla: Os Níveis da Orga-nização 
Dentre as características das organizações, 
uma das principais é a hierarquia de autoridade. 
O dia-a-dia nas empresas é rodeado de problemas 
e conflitos a serem solucionados. Neste contexto, 
eles são classificados em três níveis: institucional, 
gerencial e técnico, sendo que: 
• O Nível institucional, composto por fun-cionários 
de alto escalão é também de-nominado 
nível estratégico, por ser res-ponsável 
pela definição dos principais 
objetivos e das estratégias organizacio-nais, 
relaciona-se com assuntos com re-torno 
a longo prazo e com a totalidade 
da organização. 
• O Nível gerencial, considerado como o 
nível intermediário. Por estar entre o ins-titucional 
e o técnico, busca fazer a inte-gração 
entre eles. 
• Quanto ao Nível técnico, este localiza- 
-se na parte operacional da organização, 
onde as tarefas são executadas.
Tema 3 | Enfoque comportamental 129 
5. Abordagem Múltipla: A Diversidade de Or-ganizações 
• Enquanto os estudos voltados à Adminis-tração 
Científica e à Escola de Relações 
Humanas eram enfatizadas nas indústrias, 
a abordagem estruturalista ampliou o 
campo da análise da organização, a fim de 
incluir outros tipos diferentes de organi-zações 
além das industrias: organizações 
pequenas, médias e grandes, públicas e 
privadas, empresas dos mais diversos ti-pos, 
organizações militares, organizações 
religiosas, organizações filantrópicas, par-tidos 
políticos, prisões, sindicatos etc. 
6. Abordagem Múltipla: Análise Interorgani-zacional 
Neste contexto, os estruturalistas ampliam a 
abordagem passando a preocuparem-se também 
com os fenômenos que ocorrem externamente às 
empresas, mas que a afetam internamente. Os as-pectos 
internos são melhor entendidos quando são 
conhecidos os aspectos externos que os provocam. 
A análise organizacional se utiliza das infor-mações 
inerentes tanto ao ambiente interno quanto 
ao externo da empresa, visto que há uma estreita 
relação entre ela e o meio que está inserida. 
Além desse tipo de análise, os estruturalis-tas 
começam a se preocupar com o ambiente entre 
organizações, ou interorganizacional. Essa análise 
do comportamento tornou-se relevante a partir da 
crescente complexidade ambiental e da interdepen-dência 
das organizações.
130 Administração 
Indicação de Leitura Complementar 
Procure conhecer como é vista a teoria estruturalis-ta 
na visão de: 
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Admi-nistração. 
3. ed. Campus, 2004. 
Além do seu complemento com: 
CARAVANTES, G. Administração, teorias e processo. 
2005, p.88 
A leitura será um complemento ao que foi exposto 
neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica 
sobre a referida abordagem. 
Para Refletir 
Olá, caro leitor, ainda estamos no enfoque organi-zacional, 
neste momento você pode notar a influ-ência 
da teoria clássica e seus autores através dos 
diversos estudos sobre os níveis organizacionais, 
sobre a relação formal e informal. 
Neste sentido, reflita sobre a seguinte afirmação: 
Encontrar o equilíbrio entre os elementos racionais 
e não racionais do comportamento humano consti-tui 
um ponto principal da vida, da sociedade e do 
pensamento moderno. Constitui também o proble-ma 
central da teoria organizacional. 
Aproveite para conhecer a opinião de seus colegas 
no ambiente virtual de aprendizagem.
Tema 3 | Enfoque comportamental 131 
Resumo 
Muito bem, caro aluno, chegamos ao final de mais 
um capítulo em nossa viagem pelas teorias da 
Administração. Na passagem pelo enfoque com-portamental, 
você pode conhecer a influência da 
psicologia na ciência da Administração e pode re-fletir 
sobre a motivação, a liderança, a gerência e a 
importância de se conhecer o outro e desenvolver 
uma relação ética e profissional, é essencial para o 
crescimento de uma empresa. 
Na sequência, você passou a entender que deve-se 
ter critérios para a tomada de decisão gerencial e 
que o processo decisório em uma organização está 
muito baseado no fator racional. 
Durante essa viagem, você chegou à teoria do de-senvolvimento 
organizacional e passou a entender 
que o mundo está em constantes mudanças e que 
aquela empresa ou até mesmo aquela pessoa que 
não se adaptar às novas realidades impostas pelo 
ambiente, poderá ser conduzida ao fracasso. 
Diante da grande importância deste enfoque com-portamental 
é que a Administração passou a mudar 
sua história, dando maior ênfase na relação empre-sa, 
indivíduo, ambiente.
Enfoque Sistêmico 4 
A teoria de sistemas é um ramo específico da teoria geral de 
sistemas e fundamenta-se em três premissas básicas: os sistemas 
existem dentro de sistemas; os sistemas são abertos, caracterizados 
por um processo de intercâmbio com o ambiente e; as funções de um 
sistema dependem de sua estrutura. A perspectiva sistêmica mostra 
que a organização deve ser administrada como um todo complexo, 
em oposição a focar as partes em separado. Os parâmetros dos siste-mas 
são: entrada, processamento, saída, retroação e ambiente. 
A abordagem contingencial tenta explicar a inexistência de um 
modelo padrão para as empresas alcançarem seus objetivos, visto que 
a complexidade de uma organização impossibilita aproveitar na íntegra 
uma prática de sucesso utilizada em outra empresa, até porque existem 
variáveis, como a cultural, que detêm grande influência neste contexto. 
Importante que chamemos atenção ao fato de que não se trata 
exatamente de uma teoria administrativa, mas a teoria do Desenvol-vimento 
Organizacional é um movimento que reuniu vários autores 
com o objetivo de fazer uso das ciências do comportamento na Admi-nistração. 
Por fim, você vão ter contato com as Abordagens Emergen-tes, 
pois é importante termos em mente ainda que com a evolução da 
ciência da Administração e a chegada do século XXI, podemos notar 
a influência da era da informação no contexto organizacional. Com 
isso, novas abordagens foram se destacando, dentre elas: vantagem 
competitiva sustentável, posicionamento de mercado, ecologia orga-nizacional, 
redes sociais, gestão do caos.
134 Administração 
4.1 Teoria de Sistemas 
O conceito da teoria geral de sistemas foi 
introduzido pela biologia, através de Ludwig Von 
Bertalanffy (1901-1972), antes dele, tínhamos ape-nas 
como estudo, o método analítico de René Des-cartes: 
a decomposição do todo em partes. 
Os estudos de Bertalanffy eram relacionados 
a abordagem orgânica, onde o organismo é um 
todo maior que a soma de suas partes. Fez uma 
severa crítica à afirmação de que o mundo é dividi-do 
em diferentes áreas, como a física, química, bio-logia. 
Oposto a isso, sugeriu que um sistema devia 
ser estudado em seu todo com envolvimento de 
suas interdependências, pois cada um dos elemen-tos, 
ao serem reunidos para constituir uma unidade 
funcional maior, desenvolvem qualidades que não 
se encontram em suas partes isoladamente. 
Sistema: Conceito e Hierarquização 
Como definição mais apropriada, podemos 
considerar aquela que cita o sistema como: 
qualquer entidade conceitual ou física, 
composta por partes inter-relacionadas, 
interatuantes ou interdependentes, dota-da 
de um objetivo. 
Um dos primeiros teóricos a tratar explici-tamente 
da complexidade sistêmica foi Kenneth 
Boulding (1910-1993), o qual classificou nove níveis 
crescentes de complexidade de um sistema, que 
são, segundo Caravantes (2005, p.147-148):
Tema 4 | Enfoque sistêmico 135 
• Estruturas estáticas: sistemas imóveis re-lacionados 
a uma estrutura fixa; 
• Sistemas dinâmicos simples: compostos 
de partes dotadas de movimentos conhe-cidos 
e previsíveis; 
• Sistemas cibernéticos: sistemas que dis-põem 
de mecanismos de controle e retro-alimentação; 
• Sistemas abertos: sistemas que apresen-tam 
características de auto-reprodução; 
• Sistemas genéticos: sistemas compostos 
de associação de diversos sistemas aber-tos 
interdependentes; 
• Animais: sistemas que adicionam ainda a 
capacidade de comportamento teleológi-co 
e consciente; 
• Seres humanos: sistemas ainda mais 
complexos que contam também com a 
capacidade de aprendizagem, consciência 
de si e reflexibilidade; 
• Sistemas sociais: organizações sociais 
fundadas em valores culturais e represen-tações 
coletivas; 
• Sistemas transcendentais: sistemas in-compreensíveis.
136 Administração 
Boulding observava que os métodos cientí-ficos 
da época de 50 eram limitados pelo fato de 
explicarem fenômenos até os sistemas abertos. O 
conhecimento científico passa a ter neste contexto 
um novo objetivo, o aumento da complexidade dos 
sistemas biológicos (plantas, animais e seres hu-manos) 
e sociais (organizações). 
Componentes de um sistema e suas características 
1. Insumos (entradas, inputs): Recursos mate-riais, 
humanos, financeiros e tecnológicos. 
2. Processamento (throughput): Transfor-mar 
os insumos recebidos em algo dese-jável 
e esperado. 
3. Saídas (produtos, outputs): Produto ou sa-ída, 
que será colocado no meio ambiente.
Tema 4 | Enfoque sistêmico 137 
4. Entropia: É a tendência que tem os orga-nismos, 
quaisquer que sejam, no sentido 
da desagregação. 
5. Homeostase: É o reequilíbrio do sistema. 
6. Retroalimentação (feedback): É a capaci-dade 
do sistema reajustar sua conduta 
em função do desempenho já ocorrido. 
7. Decomposição do sistema em subsiste-mas: 
Os elementos de um sistema po-dem 
considerar-se como subsistemas, 
cujos elementos podem ser subsistemas 
de ordem inferior. Assim, a empresa, 
considerada como um sistema é com-posta 
de subsistemas, considerados de-partamentos 
que são compostos de ou-tros 
subsistemas, as seções e assim por 
diante(CARAVANTES, 2005, p.149). 
Tipologia dos sistemas 
Na tipologia dos sistemas organizacionais, 
destacamos os sistemas mecanísticosorganísmicos, 
o sistema sóciotécnico e o modelo organizacional, 
conforme Muniz (2007, p.268). 
Sistemas mecanísticos e organísmicos de 
Burns(1913-2001) e Stalker 
Seus estudos nos anos 50 deram início à 
teoria contingencial, com ênfase na adaptação ao 
ambiente, o qual em constantes mudanças, gerava 
novos problemas e desafios. Frente a isso, surge
138 Administração 
a necessidade das organizações em assumir uma 
postura de flexibilidade e abertura, para que a im-previsibilidade 
organizacional seja vista como um 
diferencial competitivo. 
Dessa forma, criaram os sistemas mecanís-tico 
e organísmico, como segue: 
• Mecanísticos: mecânico – adequado a 
condições relativamente estáveis. Há 
uma nítida hierarquia de controle, e a 
responsabilidade pelo conhecimento glo-bal 
e pela coordenação, situa-se no topo 
da hierarquia. Enfatiza-se a comunicação 
vertical de cima para baixo, havendo a 
insistência em relação à lealdade organi-zacional 
e obediência aos superiores. 
• Organísmico: orgânico – adequado a con-dições 
instáveis, quando surgem continu-amente 
problemas novos e não familiares 
que não podem ser decompostos e distri-buídos 
entre os papéis existentes. 
Sistema sociotécnico de Trist (1911-1993) 
Teve sua origem na teoria de sistemas de Ber-talanffy( 
1901-1972), onde com base neste sistema 
sociotécnico, qualquer organização, lucrativa ou não, 
tem seu resultado desejado atingido através da ação 
de um sistema social e um sistema técnico que se 
inter-relacionam alcançando os objetivos traçados. 
Assim, o sistema sociotécnico identifica a in-ter- 
relação da tecnologia com a estrutura social da 
organização que se compõem de dois subsistemas: 
• Subsistema social, onde são envolvidos 
os trabalhadores com suas características
Tema 4 | Enfoque sistêmico 139 
e seu nível de qualificação, além das re-lações 
sociais dentro da organização e as 
condições de trabalho. 
• Subsistema técnicocorresponde às ta-refas 
a serem realizadas e as condições 
técnicas para a sua realização. 
Modelo organizacional de Katz e Kahn 
No modelo criado pelos dois autores, temos 
o conceito de inclusão parcial do ser humano na 
organização e o conceito de papel, que seria a real 
atribuição do funcionário na organização. 
O modelo organizacional desenvolvido tem como 
bases as características típicas de um sistema social 
aberto, que são de acordo com Muniz (2007, p.276): 
• Ciclo de eventos: considera-se a troca de 
energia de caráter cíclico; 
• Entropia negativa; 
• Estado firme e homeostase dinâmica; 
• Equifinidade; 
• Importação de energia: quando há a ne-cessidade 
de utilização de energia exter-na 
ao sistema; 
• Transformação: enquanto ao realizar um 
trabalho, os sistemas transformam a 
energia do processo, a organização cria 
um produto ou proporciona um serviço; 
• Outputs: quando o produto final é expor-tado 
para o meio ambiente;
140 Administração 
Modelo de Homem 
O homem funcional, presente na teoria sistê-mica, 
comporta-se em um dos papéis dentro da or-ganização, 
inter-relacionando-se com os demais in-divíduos, 
como um sistema aberto. Em suas ações, 
em um conjunto de funções, mantém expectativas 
quanto ao papel dos demais participantes e procu-ra 
enviar aos outros as suas expectativas. 
Seu comportamento organizacional é traduzi-do 
como interativo, participativo e grupal, pois in-terage 
como elemento do sistema social existente, 
de acordo com seus valores, normas e função. O 
sistema de motivação a ser adotado para incentivar 
o homem funcional deverá ser o multimotivacional, 
buscando dessa forma, satisfazer a suas necessida-des, 
expectativas dentro do contexto organizacio-nal 
em que se encontra. 
Indicação de Leitura Complementar 
Procure conhecer as opiniões de Geraldo Caravan-tes 
em: CARAVANTES, Geraldo. Administração Teo-ria 
e Processos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 
2005, p. 145-157). 
E também no artigo digital: http://bit.ly/maria_alice_ 
borges 
Esta leitura lhe possibilitará complementar o assun-to 
aqui descrito e o ajudará a formar seu juízo de 
valor sobre o assunto.
Tema 4 | Enfoque sistêmico 141 
Para Refletir 
Caro leitor, agora que você entendeu a relação en-tre 
a teoria de sistemas e a Administração, reflita 
sobre o que vem a ser uma visão sistêmica, como 
você a exemplificaria em relação ao nosso país ou 
na organização que você atua, ou até mesmo em 
sua vida pessoal.
142 Administração 
4.2 Teoria Contingencial 
Na segunda metade da década de 70 mais um 
enfoque de ciências administrativas chega à América 
Latina, o enfoque contingencial ou situacional. 
Esse enfoque representa, em última análise, 
a constatação de que continua não existindo uma 
teoria administrativa aplicável a todos os casos e a 
todas as circunstâncias. Cada um dos enfoques ou 
combinação de enfoques se presta melhor à análise 
de certa e determinada situação do que outro enfo-que 
ou combinação de enfoques (WARLICH, 1986). 
Contingência é algo incerto ou eventual, algo 
que pode ou não ocorrer. 
A abordagem contingencial tenta explicar a 
inexistência de uma receita, um modelo padrão 
para as empresas alcançarem seus objetivos, visto 
que a complexidade de uma organização impossi-bilita 
aproveitar na íntegra uma prática de sucesso 
utilizada em outra empresa, até porque existem va-riáveis, 
como a cultural, que detêm grande influên-cia 
neste contexto. (CHIAVENATO, 1999). 
Os autores neoclássicos procuraram au-mentar 
o grau de abrangência da Escola Clássica, 
acrescendo aspectos das teorias comportamentais, 
mantendo as premissas básicas da Teoria Clássi-ca. 
“A abordagem contingencial seguiu o mesmo 
caminho, incorporou os pressupostos da teoria de 
sistemas sobre a interdependência e a natureza or-gânica 
da organização, além de incorporar também 
o caráter aberto e adaptativo das organizações e a 
necessidade de ser flexível em face às mudanças, 
procurando formas de unir a teoria com a prática, 
em uma abordagem sistêmica (SCOTT & MICHELL 
apud CARAVANTES, 1998).
Tema 4 | Enfoque sistêmico 143 
Origem da Teoria Contingencial 
Os estudiosos da teoria contingencial, bus-cando 
verificar os modelos de estruturas organi-zacionais 
mais eficazes em determinados tipos de 
indústrias, realizaram inúmeras pesquisas, as quais 
os fizeram chegar aos resultados abaixo: 
• A estrutura de uma organização e o seu 
funcionamento são dependentes da sua 
relação com o ambiente externo. 
• Com a Teoria da Contingência muda o 
foco da gestão de dentro para fora da 
organização - ênfase no ambiente e nas 
necessidades do ambiente sobre a dinâ-mica 
das organizações; 
• Não há “a melhor maneira”(“thebestway”) 
de se organizar, tudo depende (it depen-ds 
, çadepend ) das características ambien-tais 
significativas p/ a organização; 
• Não há nada de absoluto nas organiza-ções 
ou na teoria administrativa. Tudo é 
relativo, tudo depende. (relação funcional 
-se-então) 
Dessa forma, a Teoria da Contingência apre-senta 
os seguintes aspectos básicos: 
• Natureza sistêmica, isto é, ela é um sis-tema 
aberto; 
• Interação entre si e com o ambiente;
144 Administração 
• Características ambientais são variáveis 
independentes, enquanto as característi-cas 
organizacionais são variáveis depen-dentes 
daquelas. 
PAUL R. LAWRENCE& JAY W. LORSCH 
Pesquisaram sobre os defrontamentos: orga-nização 
x ambiente; grupo x grupo e; indivíduo x 
organização. O desenvolvimento destas inter-rela-ções 
conduz a análise das metas organizacionais e 
dos objetivos dos seus participantes. 
O trabalho deles marca o aparecimento da 
Teoria da Contingência. O próprio nome Teoria da 
Contingência derivou desta pesquisa. Com isso, es-tudaram 
as características que devem ter as em-presas 
para enfrentar com eficiência as diferentes 
condições externas, tecnológicas e de mercado. Os 
autores concluíram que os problemas organizacio-nais 
básicos são a diferenciação e a integração. 
• Conceito de diferenciação: parte da pre-missa 
de que a organização de ser divi-dida 
em áreas de acordo com suas espe-cificidades; 
• Conceito de integração: a integração refe-re- 
se ao conceito oposto, ou seja, a bus-ca 
da unidade de esforços para se atingir 
os resultados esperados; 
• Conceito de integração requerida e de 
diferenciação requerida: a diferencia-ção 
e integração requeridas referem-se 
a predições de exigências do ambiente
Tema 4 | Enfoque sistêmico 145 
da empresa. Sustentam que a empresa 
que mais se aproxima das características 
requeridas pelo ambiente esta mais sujei-ta 
ao sucesso do que a empresa que se 
afasta muito delas. 
Conclusões dos autores 
As indústrias com elevado desempenho apre-sentam 
as seguintes características: 
• Melhor ajustamento às necessidades do 
ambiente através de alta diferenciação 
principalmente nos departamentos rela-cionados 
diretamente com o problema 
ambiental; 
• Integração interdepartamental através de 
uma necessidade de trabalho conjunto e 
integrado. 
JOAN WOODWARD(1916–1971) - Procurou es-tabelecer 
uma relação entre sistemas de produção, 
tecnologia e gerenciamento. 
Concluiu que a tecnologia adotada pela em-presa 
influencia tanto sua estrutura quanto o com-portamento 
organizacional (MUNIZ, 2007, p.288). 
ALFRED CHANDLER – Desenvolveu pesquisas 
sobre mudanças estruturais nas organizações e as 
suas relações com a estratégia de negócios utiliza-da. 
Concluiu que a estrutura organizacional (dese-nho 
da organização) das grandes empresas ameri-canas 
era influenciada pela estratégia de mercado.
146 Administração 
TOM BURNS & G.M.STALKER Desenvolveram 
pesquisa visando conhecer a relação entre as prá-ticas 
administrativas e o ambiente externo de vinte 
indústrias inglesas, como resultado do trabalho, 
puderam classificar as indústrias em dois tipos: 
• Mecanísticas: ênfase nos princípios da 
Teoria Clássica; 
• Orgânicas: ênfase nos princípios da Teo-ria 
das Relações Humanas. 
Para Burns e Stalker o ambiente é que 
determina a estrutura e o funcionamento 
das organizações. 
Ambiente 
É tudo aquilo que envolve externamente as 
organizações (ou sistemas), é o contexto (ambiente 
geral e ambiente de tarefa ou operacional) 
Modelo de Homem 
O homem relacionado à teoria da contingên-cia 
é considerado como um sistema complexo de 
valores, percepções, características pessoais e ne-cessidades 
inerentes a cada indivíduo. Age como 
um sistema buscando o equilíbrio interno diante 
das demandas que lhe são feitas pelas forças exter-nas 
do ambiente (MUNIZ, 2007, p.321).
Tema 4 | Enfoque sistêmico 147 
Características das organizações mecanísticas 
• Estrutura burocrática assentada em minu-ciosa 
divisão do trabalho; 
• Cargos ocupados por especialistas com 
atribuições perfeitamente definidas; 
• Altamente centralizadas, as decisões são 
geralmente tomadas nos níveis superio-res 
da empresa; 
• Hierarquia rígida 
• Sistema simples de controle: a informação 
ascendente sobe através de uma sucessão 
de filtros e as decisões descem através de 
uma sucessão de amplificadores; 
• Predomínio da interação vertical entre su-perior 
– subordinado; 
• Amplitude de controle do supervisor mais 
estreita; 
• Maior confiança nas regras e procedimen-tos 
formais; 
• Ênfase nos princípios da Teoria Clássica. 
Características das organizações orgânicas 
• Estruturas flexíveis que nem sempre po-dem 
sofrer divisão do trabalho e frag-mentação 
bem definida;
148 Administração 
• Cargos continuamente redefinidos por in-teração 
com outros indivíduos participan-tes 
da tarefa; 
• Relativamente descentralizadas, com de-cisões 
delegadas aos níveis inferiores; 
• Tarefas são executadas à luz do conheci-mento 
que os indivíduos têm das tarefas 
da empresa como um todo; 
• Predomínio da interação lateral sobre a 
vertical; 
• Amplitude de controle do supervisor mais 
ampla; 
• Maior confiança nas comunicações; 
• Ênfase nos princípios da Teoria das Rela-ções 
Humanas. 
Adhocracia 
Esta se constitui como um sistema organiza-do 
através de problemas a serem resolvidos por 
grupos de pessoas com habilidades profissionais 
diversas. 
A Adhocracia é o oposto da burocracia em 
termos organizacionais, ela é a alternativa para 
àquelas empresas que necessitam de criatividade e 
inovação, e quando as tarefas são mais técnicas e 
apresentam uma complexidade maior além de mos-trarem 
em alguns casos resultados imprevisíveis. 
É na teoria contingencial que essa prática se 
torna apropriada e eficaz.
Tema 4 | Enfoque sistêmico 149 
Indicação de Leitura Complementar 
Procure conhecer as opiniões de outros profissio-nais 
sobre o assunto, através dos artigos: 
http://bit.ly/administracao e; 
http://bit.ly/dosgregosateoriau 
Estas leituras lhe possibilitarão complementar o as-sunto 
aqui descrito e o ajudará a formar seu juízo 
de valor sobre o assunto. 
Para Refletir 
Após sua leitura atenta sobre o assunto, temos cer-teza 
que você notou a grande semelhança entre 
contingência e situação, não é? 
Pois então, caro aluno, essa é realmente a teoria 
ou abordagem situacional, nela parte-se da premis-sa 
de que não há uma proposta de planejamento 
organizacional que seja a melhor em todas as si-tuações 
e, sim, que as circunstâncias (ou contin-gências) 
de cada caso tornam mais produtiva uma 
determinada solução organizacional. 
Reflita com seus colegas sobre isso!!!
150 Administração 
4.3 Abordagens do Desenvolvimento Organiza-cional 
O movimento de Desenvolvimento Organiza-cional 
- DO se origina da década de 60 como um 
resultado funcional da Teoria Comportamental, vol-tada 
a uma abordagem sistêmica. Importante que 
chamemos atenção ao fato de que não se trata aqui 
exatamente de uma teoria administrativa, mas de 
um movimento que reuniu vários autores com o ob-jetivo 
de fazer uso das ciências do comportamento 
na Administração (CARAVANTES, et al., 2006). 
Segundo French e Bell, chama-se Desenvol-vimento 
Organizacional o “esforço de longo prazo, 
apoiado pela alta direção, no sentido de melhorar 
os processos de resolução de problemas de reno-vação 
organizacional, particularmente por meio de 
um eficaz e colaborativo diagnóstico e administra-ção 
da cultura organizacional - com ênfase especial 
nas equipes formais de trabalho, equipes temporá-rias 
e cultura intergrupal - com a assistência de um 
consultor-facilitador e a utilização da teoria e da 
tecnologia das ciências comportamentais, incluindo 
ação e pesquisa” (CHIAVENATO, 2004). 
Este conceito foi construído a partir da deri-vação 
da Teoria Comportamental, realizada por um 
grupo de cientistas sociais e consultores de empre-sas, 
com uma abordagem mais atual ao desenvol-vimento 
planejado das organizações. 
A sua origem se deve a uma série de fato-res, 
dentre os quais podemos citar: 
• A dificuldade de operacionalizar os con-ceitos 
das diversas teorias administrati-vas 
– Isto se deve principalmente à diver-sidade 
de abordagens existente;
Tema 4 | Enfoque sistêmico 151 
• Os estudos sobre a motivação humana - 
tais estudos evidenciaram a necessidade 
de uma abordagem da Administração que 
se voltasse para a interpretação da nova 
concepção do homem e da organização 
que se baseia na dinâmica motivacional; 
• A criação do National Training Laboratory 
(NTL) de Bethel – A criação deste labo-ratório 
trouxe com ele os resultados das 
primeiras pesquisas sobre o comporta-mento 
de grupo; 
Um mundo dinâmico – A grande diversidade 
de mudanças no mundo, como: 
• Transformações rápidas e inesperadas do 
ambiente organizacional. 
• Organizações maiores e mais complexas. 
• Maior variedade e sofisticação da tecno-logia, 
conduzindo à necessidade de inte-grar 
atividades, pessoas, e competências 
diferentes. 
Características do DO 
Dentre as características do DO, podemos ci-tar 
(CHIAVENATO, 2004): 
• Foco na organização – Para que as mu-danças 
possam efetivamente ser imple-mentadas, 
é necessário o envolvimento 
da organização em todos os seus níveis.
152 Administração 
O mesmo serve para a resolução de pro-blemas. 
• Orientação sistêmica - O DO busca trabalhar 
de forma integrada: a articulação entre as 
áreas da organização que sofrem influência 
umas das outras;as relações de trabalho in-terpessoais; 
a estrutura organizacional;e os 
processos organizacionais. 
O objetivo disso é tornar possível que 
todas estas partes trabalharem conjunta-mente 
de maneira eficaz, dando ênfase 
no relacionamento entre elas. 
• Agente de mudança - A DO utiliza como 
agentes de mudança, pessoas que de-sempenham 
o papel de estimular, orien-tar 
e coordenar a mudança dentro de um 
grupo ou organização. Existem ainda or-ganizações 
que têm um departamento de 
DO para detectar e conduzir as mudanças 
necessárias para aumentar a competiti-vidade 
organizacional. O administrador 
está se tornando um poderoso agente de 
mudança dentro das organizações. O seu 
novo papel está exigindo a aprendizagem 
de habilidades de diagnóstico da situa-ção 
e de implementação da mudança. 
• Solução de problemas – O foco é imple-mentar 
a resolução dos problemas de for-ma 
concreta, não permanecendo preso a 
um ciclo de discussões teóricas. Assim, a 
preocupação aqui são os problemas reais 
e não os artificiais.
Tema 4 | Enfoque sistêmico 153 
• Aprendizagem experiencial - Os agentes 
envolvidos são treinados de forma práti-ca, 
em um ambiente detreinamento,a lidar 
com problemas que podem vir encontrar 
na execução de seu trabalho. É criado um 
espaço de discussão e análise daspraticas 
a que são submetidos para maior apren-dizagem. 
Esta metodologia é mais eficien-te 
para promover mudanças comporta-mentais 
que os métodos tradicionais de 
ensino. Apesar de ser fundamentalmente 
prática, esta abordagem não torna desne-cessário 
o estudo das teorias. 
• Processos grupais e desenvolvimento de 
equipes - O DO concentra-se na formação 
de equipes de trabalho, sejam formadas 
por pequenos ou grandes grupos, onde 
se busca a integração e cooperação aci-ma 
de interesses próprios. Trata-se de 
um movimento fundamentalmente an-tiautoritário. 
Para alcançar o sucesso nestas iniciativas 
os esforços se voltam para melhorar as 
relações interpessoais, aprimorar a co-municação, 
estabelecer relações de con-fiança, 
e estimular o comprometimento e 
as responsabilidades entre as pessoas. 
• Retroação - O DO gera informações para 
as pessoas acerca dos resultados e efei-tos 
de suas ações, para que assim, possa 
permitir a elas um processo de auto-aper-feiçoamento 
no intuito de melhorar seu 
desempenho frente a outras situações.
154 Administração 
• Orientação contingencial - O DO é flexí-vel 
e voltado à prática. Não adere a pro-cedimentos 
rígidos e pré-determinados, 
prezando pela adaptabilidade às situa-ções, 
adequando as ações à necessidade 
iminente diagnosticada. Assim, os agen-tes 
envolvidos discutem todas as abor-dagens 
possíveis para a solução de um 
problema. 
• Desenvolvimento de equipes - O DO pas-sa 
a frente da Teoria Comportamental 
quando passa a buscar a mudança da 
cultura e não dos indivíduos. Daí deriva 
a necessidade de realizar o DO por equi-pes, 
pois é um meio eficiente de realizar 
as mudanças planejadas na cultura da or-ganização. 
• Enfoque interativo – É fundamental que 
haja sinergia nas interações, sendo elas e 
a comunicação o enfoque principal do DO. 
Objetivos do DO 
Os objetivos gerais de um programa de De-senvolvimento 
Organizacional: 
• A construção de uma identificação das 
pessoas para com a organização, buscan-do 
aumentar a lealdade, o comprometi-mento 
e o compartilhamento de objeti-vos 
comuns. 
• Aumentar a integração e melhorar os
Tema 4 | Enfoque sistêmico 155 
relacionamentos, para promoção de um 
maior espírito de equipe. 
• Melhoria da percepção comum sobre o 
ambiente externo a para facilitar a adap-tação 
da organização como um todo. 
O Método de Pesquisa-Ação e o DO 
Precisamos manter em mente que o Desen-volvimento 
organizacional é fundamentalmente 
pragmático. Ele se volta para as questões práticas 
da organização. assim, as ações que precisam ser 
implementadas não podem permanecer indefinida-mente 
no campo das ideias. 
O método de pesquisa-ação entra exatamen-te 
neste ponto, conjugando as duas coisas em um 
único processo, onde o pesquisador e os partici-pantes 
da equipe trabalham conjuntamente para 
a análise e desenvolvimento da situação-problema 
na organização (Caravantes, et al., 2006). 
Segundo Chiavenato (2004), a pesquisa ação 
envolve seis passos para sua execução: 
• Diagnóstico prévio do problema estudado; 
• Levantamento de dados para validação 
do resultado do diagnóstico; 
• Feedback aos participantes da organiza-ção 
das informações adquiridas; 
• Análise exploratória dos dados pelos 
agentes envolvidos;
156 Administração 
• Planejamento do curso de ação a ser 
adotado; 
• Implementação da solução escolhida. 
Etapas para Realização do DO 
Para a implementação de um programa 
de Desenvolvimento Organizacional, Chiavenato 
(2004) estabelece oito etapas a serem seguidas: 
• Decisão da direção da empresa de utilizar 
o DO - A direção da empresa deve tomar 
a decisão de usar o DO como instrumento 
para promoção da mudança organizacio-nal. 
Além disso, deve contratar um con-sultor 
externo para atuar na coordenação 
do programa. 
• Diagnóstico inicial – O consultor e a dire-ção 
da organização decidem de maneira 
conjunta o modelo de DO a ser aplica-do. 
O consultor realiza ainda nesta etapa 
uma pesquisa através de entrevistas com 
membros da organização para conseguir 
informações. 
• Colheita de dados - É realizada uma 
pesquisa para caracterizar o ambiente 
interno, avaliar o clima organizacional e 
levantar dados sobre problemas compor-tamentais. 
O consultor deve procurar se 
reunir com os colaboradores com o ob-jetivo 
de se informar sobre as condições 
que contribuem para a eficácia no traba-
Tema 4 | Enfoque sistêmico 157 
lho e o que pode ser agente transforma-dor 
no funcionamento da empresa. 
• Retroação de dados e confrontação - São 
realizados a avaliação e revisão dos da-dos 
através de grupos de trabalho. Estes 
grupos deverão ainda mediar áreas de 
desentendimentos, localizar problemas e 
estabelecer as mudanças prioritárias. 
• Planejamento de ação e solução de pro-blemas 
– Com base nos dados levanta-dos, 
os grupos fazem recomendações 
sobre quais mudanças devem ser adota-das 
na solução dos problemas diagnosti-cados, 
no formato de planos específicos, 
que conduzirão as ações. 
• Desenvolvimento de equipes - O consul-tor 
encoraja a formação de grupos e de-senvolvimento 
de equipes para que cada 
participante enxerguem como os demais 
trabalham juntos e como se da a inte-ração 
entre os grupos. Para maior efici-ência 
e eficácia dos grupos, o consultor 
incentiva uma comunicação mais aberta 
possível e o estabelecimento da con-fiança 
como pré-requisitos. Os gerentes 
e seus subordinados passam a trabalhar 
em equipes. 
• Desenvolvimento intergrupal - Os grupos 
passam a realizar reuniões de discussão 
para melhorar o relacionamento intergru-pal 
entre as diversas equipes.
158 Administração 
• Avaliação e acompanhamento – Com a 
ajuda do consultor, a empresa avalia os 
resultados dos esforços empreendidos 
para a mudança e aplica novos progra-mas 
naquelas áreas onde se precisa de 
maiores resultados. Isto é feito por meio 
da retroação de dados. 
Modelos de DO 
Existem diversos modelos de DO, com dife-rentes 
abordagens, estratégias e conceitos, dentre 
os quais podemos citar: 
Modelo da Renovação Institucional de G. Ca-ravantes 
Segundo Caravantes, em seu Modelo de Re-novação 
Institucional (MRI) existem oito catego-rias 
que devem sempre estar inclusas em qualquer 
modelo que busque implementar mudanças e não 
apenas realizar diagnósticos de mudanças passa-das. 
São elas: 
• Missão Organizacional; 
• Agentes Potenciais; 
• Fator Crítico ou Estratégico; 
• Possibilidade Objetiva; 
• Participação e Consenso; 
• Estratégias de Aprendizagem; 
• Estágios de Desenvolvimento; 
• Contexto. 
Estas categorias não apresentam ordem de 
importância, sendo todas elas consideradas funda-mentais 
nesta abordagem.
Tema 4 | Enfoque sistêmico 159 
Managerial grid* ou do tipo grid35 
Trata-se de uma tecnologia integrada de DO, 
desenvolvida por Blake e Mouton, segundo a qual 
a mudança organizacional deve ter início no indi-viduo 
para que possa desencadear transformações 
nos níveis interpessoal, grupal e intergrupal, que 
devem anteceder as mudanças na estratégia e no 
ambiente interno da organização. Pode-se induzir 
a mudança e alcançar os resultados desejados de 
uma maneira ordenada e controlada em toda a or-ganização. 
Teoria 3-D da eficácia gerencial de Reddin 
O modelo apresentado por Reddin se volta 
ao Desenvolvimento da Eficácia Gerencial, e deno-mina- 
se Teoria 3_D. O modelo conceitual se baseia 
no fato de que se espera do administrador muita 
eficácia que é mensurada em sua capacidade de 
se adaptar de maneira apropriada em situações de 
mudança. Ser eficaz é a única tarefa do adminis-trador.
160 Administração 
4.4 Abordagens Emergentes 
Após a abordagem contingencial, houve uma 
desaceleração da criação de novas teorias adminis-trativas, 
desencadeando a transformação de pes-quisas, 
estudos de caso e experiências, em aborda-gens 
chamadas então de abordagens emergentes 
da Administração. 
No entanto, é importante termos em mente 
ainda que com a evolução da ciência da Adminis-tração 
e a chegada do século XXI, podemos notar 
a influência da era da informação no contexto or-ganizacional. 
Com isso, novas abordagens foram 
se destacando, dentre elas: vantagem competitiva 
sustentável, posicionamento de mercado, ecologia 
organizacional, redes sociais, gestão do caos. Estas 
abordagens são apenas algumas das novas abor-dagens 
que fazem parte da vida das organizações 
neste novo século, direcionando as ações das em-presas 
na busca da criação de valor para o cliente. 
Na sequência, você poderá conhecer cada 
uma delas e seus principais precursores. 
Vantagem competitiva sustentável 
Constitui-se vantagem competitiva susten-tável 
- VCS, o elemento da estratégia empresarial 
que fornece uma vantagem importante sobre os 
concorrentes existentes e futuros. Uma VCS deve 
ser substancial e suficiente para fazer a diferença 
(AAKER, 2007). 
Uma vantagem competitiva sustentável de-penderá, 
em parte, das estratégias e programas 
funcionais além da sua maneira de competir no 
mercado. As lojas Wal-Mart e a Dell computer têm
Tema 4 | Enfoque sistêmico 161 
VCS baseadas em suas estratégias e programas 
funcionais. No entanto, uma efetiva vantagem com-petitiva 
sustentável também envolve outros aspec-tos, 
como ativos e competências, proposição de 
valor e a seleção de produto-mercado. 
Neste sentido, o quadro abaixo pode de-monstrar 
como é desenvolvida a vantagem compe-titiva 
sustentável. 
Posicionamento de mercado 
Com o aumento incessante da competição 
entre as empresas, buscando cada vez mais o au-mento 
de sua participação no mercado e tentando 
sobreviver no jogo capitalista, surge uma ideia que 
passou a revolucionar o mercado global. 
O termo posicionamento veio para fazer parte 
do famoso mix de marketing composto pelo preço, 
produto, ponto e promoção. Segundo Al Ries e Jack 
Trout (2009, p.16), o posicionamento começa com 
um produto, uma mercadoria, um serviço, uma em-presa, 
uma instituição, ou até mesmo uma pessoa.
162 Administração 
No entanto, os autores dizem que o posicio-namento 
não é o que você faz com um produto, 
mas a consequência da criação de valor desse pro-duto 
na mente do cliente. 
O mercado de hoje não reage mais às 
estratégias que deram certo no passado. 
Há produtos demais, empresas demais 
e barulho de marketing demais (RIES & 
TROUT, 2009, p.18). 
O posicionamento de mercado partiu do prin-cípio 
de que um produto ou serviço deve entrar na 
mente do cliente, com isso, a melhor maneira de 
entrar na mente é ser o primeiro a chegar, onde nem 
sempre o primeiro pode ser considerado o melhor. 
Dentre os diversos ensinamentos do posiciona-mento 
para as organizações, considera-se que se você 
não é o primeiro no mercado, procure direcionar-se 
para outro segmento onde ainda ninguém explorou. 
Veja como exemplo o conhecido caso da Ap-ple. 
ela queria entrar no mercado de computadores 
de grande porte, no entanto a IBM já era a primeira 
e seria muito arriscado competir de igual para igual 
com aquela gigante líder de mercado. O que fez a Ap-ple, 
buscou outro segmento que na área de computa-dores 
ainda não tivesse sido investido por nenhuma 
empresa, com isso, adentrou no mercado de micro 
computadores e se tornou a líder nesse segmento. 
Outro grande ensinamento da abordagem do 
posicionamento refere-se a procurar uma brecha 
no mercado, ou seja, procure um segmento que 
ninguém está atuando ou uma falha do líder para 
então atacar. Além disso, Ries e Trout (2009) dizem 
que o posicionamento do líder nem sempre funcio-
Tema 4 | Enfoque sistêmico 163 
na para o seguidor, até porque, os seguidores não 
estão na mesma posição para beneficiar-se de uma 
estratégia de confronto. Quando um seguidor copia 
o líder, isso não é confronto, mas sim uma resposta 
do tipo “eu também”. 
Outro tipo de ensinamento diz respeito à ex-tensão 
de linha, onde se deve tomar muito cuidado 
com a vontade de lançar produtos para diversos 
segmentos diferentes do produto principal da em-presa, 
isso pode acarretar em enfraquecimento e 
fragmentação da marca. 
Ecologia organizacional 
Desde o início dos estudos, relacionados ao 
desenvolvimento sustentável que tem como pre-missa 
básica a preservação organizada e conscien-te 
do meio ambiente para deixar uma herança ver-de 
para as gerações futuras. 
Neste contexto, encontramos as organiza-ções, 
moldadas por uma economia capitalista, onde 
o lucro é o carro chefe do crescimento econômico 
de um país, por sua vez devendo se adequar a uma 
mudança de cultura global visando a preservação e 
continuidade de nossa espécie. 
Portanto, de acordo com Morgan (2002, 
p.82), as organizações e seus ambientes estão en-volvidos 
no processo de continuidade da huma-nidade 
de forma muito estreita, em que cada um 
produz o outro, assim, no mundo organizacional, 
vemos que, com a natureza, a colaboração é tão 
comum quanto a competição. 
Uma perspectiva ecológica que enfatiza a im-portância 
da colaboração bem como da competi-
164 Administração 
ção pode dar uma contribuição importante a nosso 
modo de entender e administrar o mundo das or-ganizações 
(MORGAN, 2006). 
O objetivo da ecologia organizacional é per-mitir 
que a ecologia das relações organizacionais 
evolua e sobreviva. Assim, como os ecologistas 
naturais estão preocupados com os efeitos desas-trosos 
da poluição industrial no mundo, acredita 
que nossa ecologia organizacional está ameaçada 
por linhas de ação altamente individualistas que 
ameaçam tornar o mundo social completamente 
inadministrável. Com isso, o conceito de ecologia 
organizacional sugere uma forma nova e criativa de 
pensar e agir em relação a esses problemas. 
Redes sociais 
A chegada do mundo interligado o tempo 
todo via internet mudou a cultura global, fazen-do 
com que as empresas e as pessoas tivessem 
que se adaptar à nova realidade. Com esse novo 
contexto, uma empresa pode chamar a atenção do 
público hoje e desaparecer de repente amanhã. 
Neste sentido, a necessidade de comunica-ção, 
informação entre pessoas e empresas passou 
a acontecer em uma velocidade inúmeras vezes 
maior do que há duas décadas atrás. Com isso, o 
mundo se mostrou acessível à chegada das redes 
sociais, a partir do Orkut até facebook, twitter, den-tre 
outros. A evidência desse tipo de prática nas 
organizações segue o exemplo da Dell computer 
que segundo HSM (2009, v.75 p.46) vendeu cerca 
de um milhão de dólares em equipamentos pelo 
Twitter. As empresas estão mudando e a experiên-cia 
é profunda.
Tema 4 | Enfoque sistêmico 165 
Com esse cenário sendo desenhado a partir 
das redes sociais, o processo de decisão passa a 
ser altamente influenciado pelo que outras pessoas 
acham, na realidade, as pessoas que participam 
dessas redes sociais passam a ser inconsciente-mente 
marketeiros. 
Gestão do caos 
Segundo Philip Kotler, um dos grandes gurus 
da Administração de Marketing no mundo, a partir 
de agora, as empresas terão de instalar um siste-ma 
de alerta e resposta rápida que lhes permita 
desenvolver rapidamente novos cenários quando 
a economia entrar em queda, o que segundo ele, 
deve acontecer com frequência. 
Em outras palavras, a gestão do caos adverte 
que as empresas precisam abandonar a sensação 
de segurança que haviam construído, visto que o 
novo ambiente é instável e sua imprevisibilidade 
não permite estados de segurança e conforto, mas 
sim, turbulência constante. 
Neste contexto de gestão do caos, as empresas 
devem pensar proativamente sempre, assim, pode-mos 
dizer que um lado de uma crise é a vulnerabilida-de, 
o outro é a oportunidade, com isso as empresas 
precisam fazer uma análise do ambiente, envolvendo 
pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças. A 
oportunidade gira em torno de avançar sobre os con-correntes, 
adquirindo seus ativos ou talentos. 
Assim, as duas novas dimensões-chave do 
jogo dos negócios, velocidade e interdependência, 
requerem novo sistema de gestão, que responde 
com mais eficácia ao revezamento entre períodos 
de turbulência e calmaria.
166 Administração 
A gestão do caos irá atuar na análise de 
cinco principais ameaças: 
• Econômica: aumento do preço dos ali-mentos, 
água e energia; sustentabilidade 
do crescimento da China e da Índia; fi-nanciamento 
insuficiente dos sistemas de 
pensões e de saúde das nações desen-volvidas 
(HSM, 2009, v.75 p.20); 
• Geopolítica: terrorismo, disseminação de 
armas nucleares, conflitos regionais e es-tados 
falidos ou enfraquecidos, expansão 
do crime organizado (HSM, 2009, v.75 
p.20); 
• Ambiental: climas extremos, degradação 
do meio ambiente, escassez de água, 
desmatamento, aquecimento globa (HSM, 
2009, v.75 p.21); 
• Sociais: pandemias globais, doenças in-fecciosas, 
aumento da obesidade, dia-betes 
e doenças cardiovasculares, po-larização 
da riqueza, superpopulação, 
limitações no transporte(HSM, 2009, v.75 
p.21); 
• Tecnológicas: falhas na infraestrutura 
essencial (água, luz, telefone), lacunas 
éticas, terrorismo cibernético e nuclear, 
estado de guerra biológica (HSM, 2009, 
v.75 p.21).
Tema 4 | Enfoque sistêmico 167 
Indicação de Leitura Complementar 
Procure ler com mais profundidade sobre posicio-namento 
no livro RIES, A. e TROUT, J. Posiciona-mento. 
São Paulo: M. Books, 2009. Busque ler do 
cap. 1 ao 12. 
Aproveite e busque ler sobre as redes sociais na 
revista HSM Management em seu número 75 de 
julho-agosto de 2009. 
Para Refletir 
Com a chegada dessas novas abordagens, tente 
se enquadrar no cenário mundial. qual a influência 
das referidas abordagens no seu dia a dia e até 
que ponto essas novas técnicas passaram a ser 
positivas para você neste século XXI?
168 Administração 
Resumo 
Caro aluno, nesta etapa você teve a possibilidade 
de conhecer as teorias e abordagens que foram 
desenvolvidas conforme o enfoque sistêmico, con-siderando 
a organização como um sistema aberto 
e complexo. 
Você passou a entender inicialmente a influência 
dos estudos sobre sistemas orgânicos e a Adminis-tração 
e compreendemos que o todo é maior que a 
soma das partes. 
Pudemos compreender através das diversas teorias 
apresentadas, a relação estreita entre a Administra-ção 
e o resultado organizacional. 
Então, lhe foi apresentada a última teoria da Ad-ministração, 
até então chamada apenas de aborda-gem 
por apresentar resultados de pesquisas feitas 
em inúmeras organizações, as quais envolviam as-suntos 
relacionados à organização, as pessoas e 
ao ambiente. 
Por fim, depois de entender que após a teoria da 
contingência não houve mais teorias, você conhe-ceu 
as então chamadas abordagens emergentes, as 
quais são utilizadas nos dias de hoje. Dessa forma, 
acreditamos que este material servirá de base teó-rica 
e conceitual para suas reflexões e conclusões 
em relação à ciência da Administração.
Teoria Geral da Administração 169 
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São Paulo. Prenticehall. 2007. 
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estratégica. São Paulo: Editora. Atlas, 1987 
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SILVA, Reinaldo O. da.Teorias da Administração. 
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Administração 171 
Anotações
172 Administração 
Anotações

Administração(1) livro

  • 2.
    Eduardo Carpejani DanielleThaís Barros de Souza Administração
  • 3.
    C294t Carpejani, Eduardo Administração. / Eduardo Carpejani, Danielle Thais Barros de Souza. Aracaju: UNIT, 2013. 172. : il. 22 cm. Inclui bibliografia. 1. Teoria geral da administração. 2. Princípio administração. 3. Teoria burocrática. 4. Tipologia da organi-zação. 5. Enfoque comportamental. I. Souza Danielle, Taís Barros de. II. Uni-versidade Tiradentes. III. Educação a Distância. IV. Título. Redação: Núcleo de Educação a Distância - Nead Av. Murilo Dantas, 300 - Farolândia Prédio da Reitoria - Sala 40 CEP: 49.032-490 - Aracaju / SE Tel.: (79) 3218-2186 E-mail: infonead@unit.br Site: www.ead.unit.br Impressão: Gráfica Gutemberg Telefone: (79) 3218-2154 E-mail: grafica@unit.br Site: www.unit.br Banco de Imagens: Shutterstock CDU:658 Copyright © Grupo Tiradentes.
  • 4.
    Sumário Parte 01:Teorias Pré-Sistemas Tema 01- Enfoque Mecanicista . .11 1.1 Introdução à Teoria Geral da Administração: Princípios da Administração e a influência filosófica. . 12 1.2 Administração Científica: A escola de F.W.Taylor . .20 1.3 Abordagem Clássica da Administração . 32 1.4 Abordagem Humanística da Administração. .40 Tema 02 - Enfoque Organizacional. . 51 2.1 Teoria Burocrática. . 52 2.2 Teoria Neoclássica. . .60 2.3 Tipologias da Organização. . .68 2.4 Novas Abordagens da Administração . 78 Parte 02: Teorias Pós-Sistemas Tema 03 - Enfoque Comportamental. . 89 3.1 Abordagem comportamental: Teóricos da Motivação. . .90 3.2 Abordagem comportamental: Outros teóricos. . 101 3.3 Processo Decisório . 110 3.4 Teoria Estruturalista. . 120 Tema 04 - Enfoque Sistêmico. . 133 4.1 Teoria de Sistemas. . 134 4.2 Teoria Contingencial. . 142 4.3 Abordagens do Desenvolvimento Organizacional . 150 4.4 Abordagens Emergentes. . 160 Referências . .169
  • 6.
    Concepção da Disciplina Ementa Enfoque mecanicista: Introdução à Teoria Ge-ral da Administração: Princípios da Administração e a influência filosófica; Administração Científica: A escola de F.W.Taylor; Abordagem Clássica da Ad-ministração; Abordagem Humanística da Adminis-tração. Enfoque Organizacional: Teoria Burocrática; Teoria Neoclássica; Tipologia das Organizações; Novas Abordagens da Administração. Enfoque Comportamental: Abordagem comportamental e os teóricos da Motivação; Abordagem comportamental e outros teóricos; Processo Decisório; Teoria Estru-turalista. Enfoque Sistêmico: Teoria de Sistemas; Teoria Contingencial; Abordagem do Desenvolvi-mento Organizacional; Abordagens Emergentes. Objetivos Geral Situar o aluno quanto à origem e ao processo evolutivo do pensamento administrativo de modo a evidenciar a importância e a utilidade do estudo da teoria administrativa. Específicos • Conhecer os conceitos fundamentais de cada teoria, visando à compreensão dos fenômenos organizacionais;
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    • Dominar osfundamentos conceituais da teoria administrativa a fim de permitir o posterior e constante aperfeiçoamento profissional baseado na absorção de tec-nologias futuras desenvolvidas na área de Administração. Orientação para Estudo A disciplina propõe orientá-lo em seus pro-cedimentos de estudo e na produção de trabalhos científicos, possibilitando que você desenvolva em seus trabalhos pesquisas, o rigor metodológico e o espírito crítico necessários ao estudo. Tendo em vista que a experiência de estudar a distância é algo novo, é importante que você ob-serve algumas orientações: • Cuide do seu tempo de estudo! Defina um horário regular para acessar todo o conteúdo da sua disciplina disponível neste material impresso e no Ambiente Vir-tual de Aprendizagem (AVA). Organize-se de tal forma para que você possa dedicar tempo suficiente para leitura e reflexão; • Esforce-se para alcançar os objetivos pro-postos na disciplina;
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    • Utilize-se dosrecursos técnicos e huma-nos que estão ao seu dispor para bus-car esclarecimentos e para aprofundar as suas reflexões. Estamos nos referindo ao contato permanente com o professor e com os colegas a partir dos fóruns, chats e encontros presenciais, além dos recur-sos disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Para que sua trajetória no curso ocorra de forma tranquila, você deve realizar as atividades propostas e estar sempre em contato com o profes-sor, além de acessar o AVA. Para se estudar num curso a distância deve- -se ter a clareza de que a área da Educação a Dis-tância pauta-se na autonomia, responsabilidade, cooperação e colaboração por parte dos envolvi-dos, o que requer uma nova postura do aluno e uma nova forma de concepção de educação. Por isso, você contará com o apoio das equi-pes pedagógica e técnica envolvidas na operacio-nalização do curso, além dos recursos tecnológicos que contribuirão na mediação entre você e o pro-fessor.
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    1 Enfoque Mecanicista As organizações são, sem discussão, o tipo de sistema social predominante nas sociedades industriais. No entanto, sua origem nos traz a ideia de que antes das organizações, a Administração era vista como arte e ciência. Quando usamos a expressão ciência, nos de-paramos com o sentido de descrever os fenômenos do mundo real, ou seja, referimo-nos à Administração enquanto ciência que busca a compreensão das formas de organização social, no tocante às suas estruturas e formas de gestão. Você, como futuro profissional da área que estuda, estará com-pletamente envolvido com uma ciência considerada social e aplicada, isto é, com todas as atividades que estão preocupadas em sistema-ticamente investigar e explicar aspectos da relação entre o indivíduo e a sociedade da qual é integrante. Nesta viagem pela ciência da Administração você perceberá a influência sofrida através da filosofia, sua origem e evolução, desde seu início na era clássica ao momento atual. Boa leitura!
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    12 Administração 1.1Introdução à Teoria Geral da Administração: Princípios da Administração e a influência filosófica A história da Administração se constrói ao lon-go da história por meio de indícios de diferentes épocas. Neste sentido, apontar onde se originou é complexo, pois é possível realizar uma análise desde a Idade Média até a Revolução Industrial. O certo é que em todos esses momentos históricos houve uma relação entre capital, trabalho e comércio. Podemos começar mencionando indícios his-tóricos, tais como a construção das pirâmides do Egito, por volta de 3000 a.C., onde se buscou a resolução de problemas relacionados à administra-ção de mão de obra e logística. Na China, em 2000 a.C. encontramos a inci-dência de soluções inovadoras na Administração Pública, através de aconselhamentos com asses-sores e delegação de poder para resolução de pro-blemas. Diante do fato de que a Administração é uma área que é constituída de pessoas e voltada a pes-soas, ainda na China, Confúcio (500 a.C.) cita que a importância das pessoas acontece pelo mérito/ conhecimento. Evidenciamos, ainda, as bases da burocracia e a construção de uma das maiores ma-ravilhas do mundo, a muralha da China. Já na Babilônia, 1800 a.C., evidenciamos a criação de políticas ou normas, através do código de Hamurabi, além da preocupação com a adminis-tração das vendas, envolvendo receitas e despesas. Seguindo no processo evolutivo da Adminis-tração, chegamos à Grécia (500 a.C.), onde consta-tou- se a preocupação com a democracia e a ética na
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 13 Administração Pública, onde é importante ressaltar que diversos filósofos contribuíram para a Adminis-tração. Neste sentido, Muniz (2007) ressalta algu-mas evidências oriundas da filosofia, dentre elas: • Os estudos sobre as habilidades indivi-duais aprofundados por Sócrates (469- 399 a.C.); • A relação entre a Administração e as questões políticas e sociais elucidadas por Platão (429-347 a.C) ao discutir a forma como o governo pode agir através da democracia, ou seja, seus estudos sobre a Administração Pública; • A definição das formas de governo ado-tadas, dentre elas: Monarquia (onde apenas uma pessoa detinha o poder de governar uma nação); a aristocracia (onde existia a influência da elite na Administração Pública e a democracia (onde os cidadãos passam a ter direito ao voto), foram pensadas por Aristóteles (384-322 a.C), servindo de grande con-tribuição para o desenvolvimento das nações; • A criação dos estudos sobre a lógica matemática, dando origem aos métodos indutivo e experimental elaborados por Francis Bacon (1561-1626), os quais con-tribuíram para a Administração no sen-tido de estudar a razão na tomada de decisão gerencial;
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    14 Administração •A criação da teoria do contrato social, a qual serviu de base para determinar os direitos e deveres das partes interes-sadas que entre si passavam a ter um objetivo comum, fazendo com que hou-vesse um maior controle por parte dos interessados na busca pelas eficientes tratativas comerciais, foi a contribuição de Jean-Jaques Rosseau (1712-1778); • A criação do discurso do método, o qual foi ponto de partida para os estudos matemáticos, os quais contribuíram para a Administração no sentido de subsidiar o gestor de critérios visando uma toma-da de decisão com menor incidência de risco. Com isso, René Descartes (1596- 1650) passou a ser um dos grandes íco-nes do desenvolvimento da ciência da Administração, contribuindo com a defi-nição de alguns princípios, como o a aná-lise, a síntese, a enumeração e a dúvida; • E os estudos oriundos da economia que passavam a influenciar indiretamente as Organizações. Neste sentido, a contribui-ção de Karl Marx (1818-1883) trouxe a dis-cussão sobre as relações econômicas. Além das evidências apresentadas pelos di-versos filósofos e demais estudiosos da sociedade, é possivel citar a grande influência da organização militar na Administração. Através das iniciativas dos exércitos na busca por derrotar o inimigo, encontramos algumas ações que apresentavam claramente a incidência do pen-
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 15 samento estratégico através do planejamento, da organização, da direção e do controle durante uma batalha. Assim, podemos relatar algumas evidên-cias como: • A criação da unidade de comando, dando ênfase à hierarquia de poder vertical (de cima para baixo) dentro do batalhão; • E a definição do princípio da direção, que possui a noção clara sobre sua real atri-buição; Além disso, podemos também encontrar evi-dências de ações que contribuíram para a ciência da Administração durante o período das revoluções industriais. Quanto a estas, destacamos o período de 1780 a 1860, chamado de 1ª Revolução Indus-trial ou Revolução do carvão e do ferro, o qual foi composto por quatro fases: 1ª fase: a mecanização da indústria e da agri-cultura; 2ª fase: aplicação da força motriz à indústria; 3ª fase: desenvolvimento do sistema fabril; 4ª fase: aceleramento dos transportes e das comunicações.
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    16 Administração Maquinaa vapor e caldeira A partir do final do século XVIII, com a in-venção da máquina a vapor por James Watt (1736- 1819) e sua posterior aplicação à produção, uma nova concepção de trabalho passou gradativamen-te a dominar, dando início a um novo sistema de produção, com a invenção e o uso de novos instru-mentos, processos, novas fontes de energia (o mo-tor a vapor e o uso do carvão) e máquinas para fa-bricação. Esses novos instrumentos surgiram como resultado direto do aumento dos conhecimentos durante o período de grande atividade intelectual na renascença. Neste sentido, do final do século XVIII ao iní-cio do século XIX, deu-se início ao período clássico da Administração, onde o sistema fabril levou a produção domiciliar para as fábricas. Os mestres e comerciantes se tornaram empregados do grupo emergente de capitalistas e as habilidades dos em-pregados foram transferidas para as máquinas e as ferramentas recém-desenvolvidas.
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 17 Em seguida, entre 1860 a 1914, surge a 2ª Revolução Industrial ou Revolução do aço e da ele-tricidade, onde foram considerados como aspectos relevantes: • O desenvolvimento de um novo processo de fabricação de aço; • A substituição do vapor pela eletricidade e em seguida pelo petróleo; • A máquina automática e a ênfase na es-pecialização do trabalho; • O crescente domínio da ciência sobre a indústria; • O aperfeiçoamento do dínamo; • A invenção do motor de combustão; • As discussões sobre o Capitalismo.
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    18 Administração Como crescimento das empresas de forma cada vez mais acelerada e com a necessidade de obtenção de melhor aproveitamento das máquinas e dos equipamentos, surge o estudo da Adminis-tração como uma ciência capaz de proporcionar, efetividade, eficácia e eficiência ao setor fabril. Foi, portanto, nesse cenário que a Adminis-tração passou a melhor se desenvolver, pois se rompem os laços com a estrutura coorporativa e de poder inerentes à idade média. É nesse período que percebemos a transição do tipo de produção artesanal para o industrial. Indicação de Leitura Complementar Caro leitor, para melhor entender a relação entre a ciência e a teoria organizacional, leia o capítulo 4 de: CARAVANTES, Geraldo R. Teoria geral da adminis-tração: pensando e refazendo. 4. ed. Porto Alegre: AGE, 2003 No referido capítulo, você terá a possibilidade de ter maior clareza sobre o conceito de organização, além do que poderá distinguir entre ciência e teoria. Aproveite e leia também o primeiro capítulo do Livro: MOTTA, Fernando Cláudio Prestes. VASCONCELOS, Isabella Gouveia de. Teoria geral da administração: uma introdução. 3. ed. São Paulo: Thomson Lear-ning, 2006
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 19 Para Refletir Neste tópico conhecemos os antecedentes histó-ricos da Administração e a influência de cada um nesta ciência. Além disso, fomos capazes de en-tender o real motivo do surgimento das indústrias. Neste contexto, discuta com seus colegas o fato da Administração ser uma atividade essencialmente empírica. Ao administrarmos qualquer coisa, seja ela uma empresa, um exército ou nosso próprio tempo, estamos procurando formas de interagir com a realidade que nos cerca, na busca de deter-minados objetivos. Para o estudo da Administração, interessa-nos prioritariamente a administração de organizações. Assim, ao ler o material complementar citado aci-ma, reflita sobre o conceito de organização e sua relação com a ciência.
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    20 Administração 1.2Administração Científica: A escola de F.W.Taylor Há vários momentos que relatam indícios da origem da Administração, no entanto, parece um consenso que os estudos elaborados por Taylor, entre o final do século XIX e início do século XX, tiveram uma relevante repercussão na sociedade capitalista da época. É neste contexto que você irá a partir de agora, conhecer todos os antecedentes referentes à Administração Científica, seu principal expoente, seus precursores e sua relação com os dias atuais. Frederick Winston Taylor (1856-1915), conheci-do como o pai da Administração Científica, começou sua carreira na Filadelphia em 1978. Enquanto lá trabalhava, ascendeu a diversos cargos até chegar a Engenheiro Chefe e responsável pelo gerencia-mento de grandes empresas nos Estados Unidos. Taylor publicou cinco livros, dentre eles: Prin-cípios da Administração Científica (1903) e Gerência de Fábrica (1911), que se tornaram muito conheci-dos; além de registrar cerca de 50 patentes de in-venções sobre máquinas, ferramentas e processos de trabalho, fatos que o levaram a ser eleito como um dos principais expoentes do pensamento admi-nistrativo da época. Em sua Teoria da Administração Científica, Taylor defende o emprego do método científico para resolver problemas da Administração, median-te uma abordagem sistêmica. Neste sentido, pode-mos apontar como elementos básicos do método científico de Taylor os seguintes aspectos. Frederick Winston Taylor
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 21 Conforme Chiavenato (2001, p.65), [...] os ele-mentos básicos de seu método de Taylor foram: 1. Estudo do Trabalho: para Taylor, o traba-lho era mais bem executado e com mais economia através da divisão e subdivi-são de todos os movimentos necessários à execução de cada tarefa. Observando com muito detalhe a execução do traba-lho dos operários, ele viu a possibilidade de decompor as tarefas e as operações em uma série ordenada de movimentos simples, compreendendo o estudo dos tempos e movimentos. 2. Desenho de cargos e tarefas: onde segundo ele, a tarefa constitui-se na menor unidade possível dentro da divisão do trabalho em uma organização. Já o cargo é o conjunto de tarefas existentes de forma cíclica ou repetitiva. A ênfase sobre as tarefas a se-rem executadas levou à simplificação dos cargos no intuito de obter o máximo de especialização de cada trabalhador. Diante disso, a simplificação do desenho dos cargos apresenta algumas vantagens, tais como: • Quando o funcionário é admitido com a mínima qualificação possível, há uma di-minuição dos custos da empresa; • Possibilidade de diminuição na quantidade de treinamentos, consequentemente, redu-zindo também os custos em treinamento;
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    22 Administração •Redução de erros no processo produtivo, diminuindo desperdícios e refugos; • Facilita a supervisão, permitindo maior controle em relação aos empregados; Por fim, proporciona também um aumento da eficiência do trabalhador, permitindo maior produ-tividade (CHIAVENATO, 2001, p.65). 3. Padronização de ferramentas e instrumen-tos: busca facilitar a execução do trabalho para os operários, com o objetivo de au-mentar a produtividade. A padronização é uma aplicação de pa-drões em uma organização para obter uniformidade e redução de custos. 4. Seleção e treinamento de pessoal visan-do à especialização: com isso, pensava- -se em enquadrar o operário em uma função que ele apresente maior talento, podendo assim desenvolver cada vez mais sua capacidade, visando também o aumento da produtividade; 5. Supervisão e planejamento: neste contex-to, Taylor acreditava que era melhor se-parar as pessoas que pensam a empresa daquelas que executam o trabalho rotinei-ramente. Ele criou o conceito de super-visão funcional, ou seja, a existência de diversos supervisores, cada qual especia-
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 23 lizado em uma área específica, com auto-ridade sobre os mesmos operários; 6. Motivação baseada em prêmios por pro-dução: o operário que obtivesse produ-ção acima da quantidade determinada receberia uma gratificação financeira como forma de incentivar o aumento da sua produtividade; 7. Estudo dos tempos e movimentos: é um método científico baseado nos movimen-tos necessários para a execução de uma tarefa em determinado espaço de tempo ou cronometragem dos movimentos no tempo mínimo necessário para a correta execução de um trabalho industrial. Objetivos do estudo de tempos e movimentos O estudo dos tempos e movimentos possi-bilita a racionalização do tempo de execução de uma tarefa, através da fixação de padrões para sua realização. Dentre as vantagens deste método, po-demos citar: • Eliminação de movimentos desnecessários; • Racionalização do processo de seleção e treinamento do pessoal; • Melhoria do desempenho dos funcioná-rios através da padronização das tarefas e diminuição do esforço;
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    24 Administração •Padronização do trabalho; • Salários iguais para funções iguais e prê-mios por produtividade; • Definição de normas e procedimentos para execução das tarefas, reduzindo o tempo de nivelamento e preparação do funcionário. Dessa forma, Taylor (1970, p.35) salienta que [...] existe uma maneira melhor (padrão) para rea-lizar cada tarefa, uma ferramenta melhor (padrão) para executar a tarefa e um tempo ideal (padrão), para ser cumprida a tarefa. Neste sentido, Muniz (2007) acrescenta cinco princípios norteadores da Administração Científica elencados por Taylor: • Princípio do planejamento; • Princípio do preparo; • Princípio do controle; • Princípio da execução; • Princípio da exceção. Também é neste contexto que uma das ideias centrais do movimento da administração científica é a de que o homem é um ser racional e que ao tomar uma decisão, conhece todos os caminhos possíveis, bem como as consequências da escolha. Com isso, os resultados de sua decisão passam a
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 25 ser aumentados e os riscos reduzidos. Esse tipo de entendimento nos remete ao conceito de Homo Economicus, ou seja, aquele que leva em consi-deração o lucro como um dos valores principais (MOTTA, 1998, p.8). É importante lembrar ainda que Taylor teve sua obra dividida em dois períodos. De acordo com Muniz (2007) eles são: PRIMEIRO PERÍODO DE TAYLOR Este período refere-se à publicação de seu livro Shop Management (Administração de Oficinas) (1903). Nesta obra Taylor busca demonstrar as técnicas de racionalização do trabalho através do Estudo dos Tempos e Movimentos. Segundo Taylor, o objetivo principal da Ad-ministração é aumentar a produtividade através da redução de custos de produção e do pagamento de salários por produtividade. Ele salienta que para realizar isto, a Administração deve utilizar-se de práticas científicas, baseadas em pesquisas e expe-riências, visando formular princípios e estabelecer processos padronizados. Neste sentido, os ope-rários devem ser cientificamente testados com a utilização de materiais e condições de trabalho de maneira adequada. A Administração passa então a necessitar de um ambiente voltado ao compromisso com os operários, visando à manutenção do bom ambiente psicológico. O ponto de partida do pensamento de Taylor foi a aplicação dos princípios de engenharia oriun-dos da época junto ao trabalho manual. Neste caso, o método criado por Descartes, baseado na razão, passa a fazer parte da base de seus estudos.
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    26 Administração SEGUNDOPERÍODO DE TAYLOR Nesta etapa dos estudos de Taylor, descritos em seu Livro Princípios de Administração Científica (1911), ele chega à conclusão de que a otimização da Administração da Produção depende da raciona-lização do trabalho. Diante do contexto vivenciado por Taylor, ele apontava que as indústrias em sua época sofriam de três problemas graves: 1. Os funcionários eram considerados va-dios e preguiçosos; 2. A falta de preparo do corpo gerencial em relação às rotinas de trabalho e o tempo para realização de cada tarefa; 3. Falta de padronização dos métodos de trabalho. Segundo Taylor, a Administração Científica é uma evolução e não uma teoria, apresentando um enfoque muito mais analítico e racional do que vol-tado ao bom senso. No entanto, apesar de sua maneira pessimis-ta de entender a natureza humana, Taylor preocu-pava- se em criar uma maneira didática baseada na intensificação do ritmo de trabalho visando sempre a maior eficiência.
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 27 Apresentamos abaixo, alguns contemporâne-os de Taylor e de suas ideias: CARL GEORGE LANGE BARTH (1860-1939): descobriu a lei que regula o efeito da fadiga provo-cada pelo trabalho pesado; HENRY LAWRENCE GANT (1861-1919): suas contribuições foram: • Inventou o gráfico de Gantt; • Criou o sistema de salários; • Estudou sobre as formas de treinamento para os trabalhadores; • Introduziu o conceito de responsabilida-de industrial. HARRINGTON EMERSON (1853-1931): criou doze princípios da eficiência. FRANK (1868-1924) E LILIAN GILBRETH (1878- 1972): Frank foi precursor da fisiologia do trabalho, iniciou a aplicação da psicologia ao estudo da ad-ministração e se concentrou no estudo de tempos e movimentos. Quanto a Lilian, além de contribuir no estudo da fadiga humana, foi pioneira na seleção, colocação e treinamento de pessoal, desenvolveu uma série de obras onde considera que a produti-vidade do indivíduo depende muito mais da atitu-de, das oportunidades e do ambiente físico do que propriamente do uso correto de métodos e equipa-mentos ideais.
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    28 Administração Produçãoem massa e linha de montagem Ainda no período da Administração Científi-ca, temos os estudos sobre produção em massa e linha de montagem, onde seu principal expoente foi o empresário do ramo automobilístico Henry Ford. HENRY FORD (1863-1947) e sua contribuição para a Administração Científica Ford, sem dúvida, foi o elemento chave na propulsão da linha de montagem, mesmo não ten-do sido ele que a criou nem a produção em massa. Todavia, usou esses conceitos com grande eficácia. Sendo um homem com enorme capacidade de associar uma produção altamente suficiente, com grandes volumes de produção usando, para tanto, uma produção onde há uma relação de hierarquia de cima para baixo verticalmente integrada, associa-da a altos salários e baixos preços de venda. Sua visão para massificar a produção era acompanhada pela baixa qualidade dos carros pro-duzidos, e que em geral, eram muito simples, sem nenhuma sofisticação tecnológica. Sua empresa combinava a manufatura e a montagem de todas as peças componentes de um carro, usando uma linha de montagem principal, com inú-meras sublinhas de menor por-te alimentadoras, aplicando o princípio de integração vertical. Ele fundou a Ford Motor Co. que passaria a ser uma das
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 29 empresas de montagem de automóveis mais im-portante dos Estados Unidos. Para ele, o segredo da produção em massa é a simplicidade, sendo considerados três princípios básicos de acordo com o quadro 1: Quadro 1 - Princípios básicos de Ford: 1 Princípio da intensificação Diminuir o tempo de duração da produção com o emprego imediato dos equipamentos, matéria-prima e rapidez na comercialização 2 Princípio da Economicidade Consiste em reduzir ao mínimo o volume do estoque da matéria-prima em transformação, fazendo com que o automóvel fosse pago à empresa antes de vencido o prazo de pagamento da matéria-prima adquirida e dos salários. A velocidade de produção deveria ser rápida. 3 Princípio da produtividade Aumentar a capacidade de produção do homem no mesmo período por meio da especialização e da linha de montagem Críticas à Administração Científica De acordo com Muniz (2007), apresentamos abaixo algumas críticas da época, relacionadas à Administração Científica: • Excessiva ênfase no Mecanismo da Admi-nistração Científica; • Superespecialização do Operário; • Abordagem normativa e prescritiva;
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    30 Administração •Ausência de Cientificismo; • Abordagem incompleta da Organização; • Limitação do Campo de Aplicação; • Visão Microscópica do operário, não aproveitando seus talentos; • Abordagem Sistêmica Fechada. LEITURA COMPLEMENTAR Para complemento de seu aprendizado, procure ler o capítulo 1 do livro: MOTTA, Fernando Cláudio Prestes. VASCONCELOS, Isabella Gouveia de. Teoria geral da administração: uma introdução. 3. ed. São Paulo: Thomson Lear-ning, 2006. Nele, você poderá fazer uma reflexão muito particu-lar em relação à Teoria Clássica. Nele você poderá ter uma visão crítica sobre a abordagem da admi-nistração científica e poderá fazer uma comparação com o que foi lido, formando seu juízo de valor sobre o assunto. Na sequência, procure fazer uma leitura do capítulo 6 de CARAVANTES, Geraldo. Administração Teorias e Processo. São Paulo: Prenticehall. 2005, p.55-78.
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 31 PARA REFLETIR A revolução industrial procurou tirar proveito da economia de escala com novas formas de organiza-ção e gerência. A eficiência passa a depender tanto da especialização quanto da uniformidade e padro-nização. O taylorismo e o fordismo constituíram-se em expressões fundamentais da modernidade no sistema produtivo da época. Previa-se o aumento da especialização do trabalho e da mecanização, as máquinas substituiriam os trabalhadores e os problemas humanos praticamente desapareceriam. No entanto, a padronização e a massificação leva-ram a uma maior exploração e alienação dos tra-balhadores, estes, sem controle de sua atividade produtiva. Neste sentido, quais as consequências da padroni-zação e da massificação? Além disso, reflita com seus colegas como seria o mundo organizacional e social sem a especializa-ção e a mecanização.
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    32 Administração 1.3Abordagem Clássica da Administração Henri Fayol (1841-1925) foi a contrapartida francesa para o Taylor norte-americano. Considera-do de família burguesa, nasceu em 1841, na França e ainda jovem começou a trabalhar na empresa mi-neradora S.A. Commentry-Fourchambault, onde em pouco tempo alcançou a posição de Diretor-Geral. De maneira inversa a Taylor, enfrentava os proble-mas organizacionais com uma visão gerencial ao in-vés de operacional. Seus conceitos gerenciais pas-saram a constituir a chamada teoria gerencial que fazia parte de seus estudos sobre a Administração industrial e geral (CARAVANTES, 2005). Ele foi o primeiro a salientar a necessidade de que o pensamento gerencial passasse a ser ob-jeto do sistema de ensino. Segundo Fayol, não existe nada que não pode ser modificado dentro da administração, para ele, tudo era voltado para a medição, com isso, en-fatiza que quase nunca se aplicará o mesmo princí-pio duas vezes em condições iguais (MUNIZ, 2007). As características principais de sua teoria são: • Ênfase na estrutura; • Abordagem sintética, global e universal da empresa; • Proporcionalidade das funções adminis-trativas. Henri Fayol
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 33 Administração e Organização Para Fayol, a ênfase dada a Administração se baseia na divisão da empresa em áreas e/ou depar-tamentos, no entanto ele salienta que a organiza-ção é o todo e por sua vez, maior que a soma de suas partes. Este conceito justifica a organização como função administrativa. Segundo Chiavenato (2001), Fayol estabele-ceu 14 princípios norteadores para a gestão em-presarial. Esses passaram a ser conhecidos como princípios gerais da Administração e são: 1. Divisão do trabalho - especialização das tarefas e pessoas com o objetivo de au-mentar o rendimento. 2. Autoridade e responsabilidade - direito de ordenar. A responsabilidade é uma consequência da autoridade. 3. Disciplina – compromisso estabelecido entre empresa e empregado; 4. Unidade de comando - o empregado é subordinado a apenas um chefe. 5. Unidade de direção – a mesma direção para todos. 6. Subordinação do interesse particular ao interesse geral - os interesses da empre-sa deve sempre estar em primeiro.
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    34 Administração 7.Remuneração do pessoal – incentivo pelo trabalho desenvolvido. 8. Centralização - convergência da autorida-de na direção da empresa. 9. Hierarquia (ou cadeia escalar) - linha de autoridade. 10. Ordem – Colocar uma regra, organização material e humana. 11. Equidade – refere-se à justiça, visando a boa vontade e compromisso. 12. Estabilidade - a permanência no cargo por longo um período de tempo. 13. Iniciativa – possibilidade de tomar uma atitude, agir. 14. União do pessoal - a harmonia e união são fatores importantes para o bom fun-cionamento da empresa. Chefia, no contexto de Fayol, era o termo empregado para os controladores, cujas atribuições eram de averiguação e con-ferência entre a descrição e o objetivo da tarefa e o realmente executado. Desse modo, o estilo de gestão a ele associado também é mecânico, determinístico e in-tervencionista.
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 35 Assim, a contribuição de Fayol para a ciência da Administração é fruto de sua vasta experiência vivida na gestão da empresa Commentry-Fourcham-bault , na qual compôs o corpo diretivo até seu fa-lecimento em 1925. Para ele A Administração não é nem privilégio ex-clusivo, nem encargo pessoal do chefe ou dos dirigentes da empresa; é uma função que se reparte, como as outras funções essenciais, entre a cabeça e os membros do corpo social ( FAYOL, 1981, p. 26.) Com isso, é importante sabermos ainda que para Fayol cada grupo de operação, ou função es-sencial, possui uma capacidade específica. Assim, existe a capacidade técnica, a capacidade comer-cial, a capacidade financeira, a capacidade adminis-trativa, dentre outras inerentes à empresa. Desta forma, podemos dizer que até Fayol a influência da administração estava voltada para as indústrias e usinas, com a preocupação maior na produtividade. Contudo, ele levou a administra-ção do nível da produção para o da gestão. Neste sentido, uma das principais contribuições de Fayol ao pensamento administrativo foi a definição de departamentalização. As seis funções da empresa, segundo Fayol são: • Técnica; • Comercial; • Financeira; • Segurança; • Contábeis; • Administrativa.
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    36 Administração Principaiscontemporâneos de Fayol e suas contribuições: LINDALL F. URWICK (1891-1983) enfatizou que os elementos da Administração são: investigação, previsão, planejamento, organização, coordenação, comando e controle. Considerando ainda como princípios gerais a especialização, autoridade, am-plitude administrativa e definição. LUTHER GULICK (1892-1993), define os ele-mentos da administração como: planejamento, or-ganização, administração de pessoal, direção ou comando, coordenação, informação e orçamento. Para ele, os processos da Administração interagem horizontal e verticalmente. JAMES DAVID MOONEY (1884-1957), é con-siderado o inovador da teoria das organizações, suas principais ideias são similares às de Fayol, foi executivo da GM, onde consolidou toda a teoria formulada pela escola clássica. Analisou o princípio escolar, o qual envolve os conceitos de liderança, delegação e definição funcional. Para ele, o modelo militar deveria ser o paradigma do comportamento administrativo. OLIVER SHELDON (1894-1951) deu ênfase à responsabilidade social na empresa. Para ele, todo negócio existe para servir à comunidade. Desenvol-veu um conjunto de princípios que procuravam um equilíbrio entre a abordagem científica da produção e a responsabilidade social da administração. Sabendo que tanto a abordagem científica de Taylor quanto a abordagem clássica de Fayol fazem parte da mesma teoria, podemos traçar inúmeras
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 37 comparações entre eles. Aproximações e contrastes sempre nos auxiliam na busca de um maior e me-lhor entendimento da realidade com que lidamos. Comparação entre Fayol e Taylor: • Ambos tinham uma grande correlação com as indústrias; • Taylor era adepto da Administração no chão de fábrica, já Fayol se relacionava mais com a gestão; • Ambos foram criticados, tachados pelos estudiosos da Administração – Taylor em especial – por incentivarem uma visão me-canicista da organização. Fayol tinha uma visão da organização como corpo social. As regras por ele propostas pretendiam funcionar como elementos norteadores. Fonte: CARAVANTES, Geraldo. Administração: Teorias e Proces-so. São Paulo: Prentice Hall, 2005, p.62.
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    38 Administração ApreciaçõesCríticas à Teoria Clássica – Fayol • Abordagem simplificada da organização formal; • Ausência de trabalhos experimentais; • Extremo racionalismo na concepção da administração; • Teoria da máquina; • Abordagem incompleta da organização, no sentido de mostrar que as conclusões da referida teoria eram superficiais, de-pendendo de um maior detalhamento. Por fim, é importante ressaltarmos que a im-portância da contribuição de Fayol não foi total-mente reconhecida no mundo anglo-saxônico, pois a tradução de sua obra para o inglês só ocorreu em 1947, portanto após a Segunda Guerra Mundial.
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 39 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Ao longo do texto, encontram-se momentos de re-flexão e de análise crítica sobre a teoria clássica, no sentido de exercitar seu senso crítico. Assim, suge-rimos fazer uma leitura do livro MOTTA, Fernando Cláudio Prestes. VASCONCELOS, Isabella Gouveia de. Teoria geral da administração: uma introdução. 3. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2006, entre as páginas 03 e 10. Para complementar sua reflexão, leia sobre a teoria clássica no livro CHIAVENATO, Idalberto. Adminis-tração nos novos tempos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. PARA REFLETIR Procure ler o texto elaborado por Fayol, constante nas páginas 63 e 64 de Geraldo Caravantes, Admi-nistração Teorias e Processo, Prentice Hall, 2005 e tente perceber o grau de atualidade tanto de sua concepção gerencial quanto do vocabulário por ele empregado, fazendo uma correlação com as em-presas atuais.
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    40 Administração 1.4Abordagem Humanística da Administração Com o crescimento das empresas e o conse-quente aumento do número de funcionários, tanto homens quanto mulheres, provenientes de outras culturas, hábitos e costumes, surgiram problemas de relacionamento tanto grupais quanto individu-ais, geralmente prejudicando os objetivos de pro-dução das organizações. Diante deste contexto, a nova organização se viu na necessidade de usar novos paradigmas vin-dos de outras ciências sociais como a psicologia e a sociologia. Nesta abordagem, você poderá notar a mudança do homem econômico para o homem social, complexo cujo comportamento não pode ser reduzido a um esquema simples e mecanicista. Abordagem de Follett Mary Parker Follett (1868-1944) foi a primei-ra precursora da abordagem de relações humanas, inserindo em seus postulados, variáveis e compo-nentes psicológicos na organização. Ela acreditava que uma sociedade mais justa poderia existir a partir do enfoque no gerenciamen-to e nas funções administrativas, passando a gerar a organização social. Seu princípio de organização estava focado em dois aspectos: interpenetração da autoridade e o controle sobre fatos mais do que sobre pessoas.
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 41 Os quatro princípios fundamentais da coorde-nação, segundo Follett citados em Muniz (2007) são: 1. Princípio do contato direto: estreitar os contatos diretos entre as pessoas interes-sadas e responsáveis, seja na hierarquia horizontal, seja na hierarquia vertical; 2. Princípio de planejamento: envolvimento das pessoas em um trabalho desde o mo-mento do planejamento e da estruturação; 3. Princípio das relações recíprocas: todos os elementos de um referido grupo de-vem estar mutuamente relacionados; 4. Princípio do processo contínuo de coor-denação: a coordenação é um processo continuado; Follett criou ainda a Lei da Situação, onde formulou que os funcionários não devem estar su-bordinados a uma pessoa e sim a um processo. Ela acreditava que cada decisão é um momen-to de um processo e somente é de fato importante dentro do âmbito desse processo. Nesse contexto, geralmente existirá o conflito, visto que pessoas são diferentes e divergem em determinados momentos. Com relação ao conflito, Follet dizia que ele é um fato comum onde se registram diferenças, visando o crescimento intelectual dos envolvidos. Além disso, Follet apontou três métodos de solução de conflitos industriais:
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    42 Administração •Método da força: a administração atinge seus objetivos em relação aos operários através da força, da ameaça de redução da satisfação de necessidades. • Método da barganha: os conflitos são re-solvidos através da troca de concessões, de um compromisso entre empregados e a administração, em que as necessidades de ambos são satisfeitas. • Método da integração: os conflitos são resolvidos através de uma terceira solu-ção, diferente da apresentada pelos em-pregados e pelos patrões, uma solução integradora de ambas as partes e que le-varia estas a reduzir seu grau de satisfa-ção de necessidades para que o conflito fosse resolvido. Ainda dentro dos estudos sobre a teoria de relações humanas, a autora discorre sobre a ques-tão da autoridade, a qual conceitua como um exer-cício do poder com vista a alcançar um objetivo específico. Segundo ela, o poder pode ser baseado na coerção, na cooperação ou diante de cada situ-ação. Mary Parker Follett trouxe uma nova visão à administração, sendo pioneira na abordagem da motivação. Seus estudos sobre liderança envolviam processo global de autoridade e decisão, trabalho em grupo e sua dinâmica. Sua abordagem contri-buiu ainda para o surgimento da teoria de relações humanas.
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 43 Experiência de Hawthorne Em diversos livros da área de Administração, poderemos encontrar a terceira teoria que é a de Relações Humanas, no entanto, ela estará sempre sendo correlacionada à experiência de Hawthorne e ao trabalho de Elton Mayo (1880-1949). A pesquisa foi desenvolvida por Mayo em um bairro dos arredores de Chicago, chamado Ha-wthorne, tinha como objetivo principal o estudo da influência da iluminação nas atividades das operá-rias de um setor de relés. Veja a seguir no texto complementar quais foram as fazes da experiência de Hawthorne e suas conclusões. TEXTO COMPLEMENTAR “Primeira fase: Em 1927, foram selecionados dois grupos de operários para a realização de uma mes-ma atividade: Um grupo (experimental) trabalhou sobre a variação da intensidade da luz e o outro (grupo de controle) trabalhou sobre luz de intensi-dade constante. Verificou-se que as pessoas rea-giam de acordo com as suposições pessoais. Conclusões: comprovou a preponderância do fator psicológico ao fisiológico. Segunda fase: Determinaram-se mudanças nas condições de trabalho, tais como: período de des-canso, lanche, redução de horário, tendo em vista analisar os efeitos das mesmas na produtividade, Foi selecionado um grupo de seis moças na seção de montagem de relés.
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    44 Administração Conclusões:ocorreu o desenvolvimento social, ge-rado pelo trabalho em equipe, o desenvolvimento da liderança e do exercício de liderança gerado pe-los objetivos comuns, além do ambiente de traba-lho ter passado a ser amistoso. Terceira fase: Buscou-se verificar as relações hu-manas no trabalho, através de um programa de entrevistas diretas e não diretas, com o objetivo de conhecer os sentimentos e as atitudes dos fun-cionários e ouvir opiniões sobre o trabalho. Entre 1928 e 1930 foram entrevistados 21.126 emprega-dos do total de 40.000. Conclusões: verificou-se a existência de uma orga-nização informal de operários, em que existia leal-dade e liderança de certos funcionários em relação ao grupo. A punição não era formalizada, mas apli-cada pelo grupo ao membro. Quarta fase: Tinha por objetivo analisar a organiza-ção informal dos operários. Conclusões: igualdade de sentimentos entre os membros do grupo; e relação entre organização formal e informal.” MUNIZ, Adir Janeiro de Oliveira; FARIAS, Humberto Augusto. Teoria geral da administração: noções bá-sicas. São Paulo: Atlas, 2001, p. 38. Observação: foram selecionados nove operadores, nove soldadores e dois inspetores, todos da mon-tagem de terminais para estações telefônicas.
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 45 Os estudos de Hawthorne concluíram que: 1. A colaboração nos grupos não ocorre aci-dentalmente, ela precisa ser planejada e desenvolvida. Se a colaboração grupal é alcançada, as relações no ambiente de trabalho podem alcançar um nível de co-esão capaz de resistir aos distúrbios ex-ternos de uma sociedade turbulenta em busca de adaptar-se. 2. O trabalhador é uma pessoa cuja atitu-de e eficácia são condicionadas pelas demandas sociais tanto internas quanto externas à organização. 3. Os grupos informais internos à organiza-ção exercem forte controle social sobre os hábitos de trabalho e atitudes dos tra-balhadores. 4. A mudança de uma sociedade estabeleci-da e estável para uma sociedade adapta-tiva ou em mudança tende em base con-tinuar a perturbar a organização social de uma empresa ou indústria. 5. O trabalho é uma atividade de grupo. 6. O mundo social de um adulto é prima-riamente estruturado pela atividade do trabalho. 7. A necessidade de reconhecimento, segu-rança e senso de pertencimento são mais
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    46 Administração importantesna determinação da moral do trabalhador e de sua propriedade do que as condições físicas que lhe são oferecidas. 8. Uma queixa não corresponde necessaria-mente a uma relação objetiva de fatos, ela é usualmente um sintoma, manifes-tando uma perturbação na posição de status do reclamante. IdeiaS CENTRAIS Modelo de Homem O homem social, isto é, o operário das fábricas no período do desenvolvimento da teoria das rela-ções humanas é considerado um ser complexo, cujo comportamento não pode ser reduzido ao esquema simples e mecanicista existente na Teoria Clássica. Os valores que orientam o comportamento de cada indivíduo são, de um lado diretamente de-rivados das necessidades, que constituem a fonte de valores sociais, e de outro, dos sistemas sociais de que ele participa. O comportamento humano é alvo de enten-dimento por parte da Teoria de Relações Humanas, onde se constatou que mesmo sendo um indivíduo parecido com outro, em relação à personalidade eles serão diferentes. Com isso, o homem social passa a ser reco-nhecido como aquele onde a satisfação das suas necessidades parte de um contexto que envolve reconhecimento, compromisso, colaboração, sendo que o salário, apesar de necessário, não é o item mais importante.
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 47 Grupo Informal Quando a relação entre os funcionários es-tende- se além dos muros da organização, passa-se a evidenciar o surgimento dos grupos informais. A escola de relações humanas busca dar maior im-portância à existência do ser humano e com isso, abre-se o precedente para a organização dos gru-pos informais. Para Blau e Scott (1979 apud Caravantes, 2005), todas as relações sociais, contatos e valores que não foram definidos pela organização formal, são pertinentes ao grupo informal. Dessa forma, as relações passam a ser as mais variadas, desde amizade a inimizade, simpatia, antipatia, conflito, cooperação, agressão, vaidade, inveja, liderança e subordinação, todas possuindo como característica, além do caráter oposto ao formal, um sistema de interações que ocorre casual e espontaneamente. Características dos grupos informais • Relação de coesão ou antagonismo; • Status; • Colaboração espontânea; • Possibilidade de oposição ao formal; • Padrões de relação e atitude; • Mudanças de níveis e alterações dos gru-pos informais;
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    48 Administração •A organização informal transcende à for-mal; • Padrões de desempenho nos grupos in-formais. Tipos de formação de grupos informais • Relacionamento obrigatório de pessoas entre si; • A flutuação do pessoal na empresa; • Períodos de lazer (tempos livres ou in-tervalos); • Interesses comuns; • Satisfação das necessidades; • Proximidade e atração; • Atividades grupais; • As metas do grupo; • Estrutura grupal.
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    Tema 1 |Enfoque mecanicista 49 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Procure ler o livro: CARAVANTES, Geraldo. Admi-nistração Teoria e Processos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005, p.79-87; E complemente com: CHIAVENATO, Idalberto. Teo-ria Geral da Administração. Campus, Rio de Janeiro: 2004, cap.3. Com este material, você poderá aprofundar um pouco mais o seu entendimento sobre a referida teoria e entenderá o contexto seguindo outra abor-dagem teórica. PARA REFLETIR Caro leitor, neste momento você pode conhecer a origem e a evolução histórica da teoria de relações humanas e pode entender a grande importância dada aos grupos informais. Dessa maneira, pense em duas situações de grupo: uma banda de rock e um time de futebol, após faça uma breve descrição de como deveria ser o líder de cada um desses grupos, identificando também o que mantém cada grupo coeso.
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    50 Administração RESUMO Caro leitor, estamos no início da viagem pela ciên-cia da Administração e você teve a possibilidade de conhecer as primeiras influências sofridas pela Administração em seu processo de formação como ciência. Em seguida, você conheceu a influência histórica proveniente das revoluções industriais e então os primeiros indícios da Administração em termos de teoria, através da administração científica e da te-oria clássica, estas apresentando um enfoque ex-tremamente mecanicista, voltado para a tarefa e produtividade. Estas duas primeiras abordagens foram criadas por engenheiros. No tocante à próxima abordagem, foi apresentada a abordagem de relações humanas que passa a ser um contraponto às duas primeiras, no sentido de dar maior ênfase ao ser humano e às relações informais através do ambiente de tra-balho.
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    Enfoque Organizacional 2 Caro leitor, neste momento você terá a possibilidade de conhe-cer um pouco mais dos autores que escreveram e criaram a ciência da Administração. Em especial, veremos agora abordagens mais vol-tadas aos profissionais da sociologia e psicologia que influenciaram nossa ciência. Neste sentido, poderemos conhecer na sequência, a teorias as quais tiveram um enfoque voltado ao controle e aos tipos de organi-zação existentes. Entraremos em seguida na abordagem neoclássica, esta representando a necessidade de entender a organização em ter-mos de planejamento, direção, organização e controle. Boa leitura !!!
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    52 Administração 2.1Teoria Burocrática A organização burocrática apresentou seus aspectos fundamentais a partir do crescimento das indústrias e de suas necessidades de controle de processos e de pessoas. Sua construção do tipo ideal de organização envolve a racionalidade, a adequação dos meios aos objetivos, a impessoa-lidade nas relações trabalhistas e o atendimento severo de normas escritas. A teoria da Burocracia teve sua origem nas mudanças religiosas verificadas após o renascimen-to. Embora considerada como fenômeno antigo, apenas na modernidade se tornou um fator social dominante, onde um dos motivos para tal foi a mudança da unidade básica de produção que deixa de ser a família e passa a ser a empresa burocrática (MOTTA, 1986). Neste contexto, passamos a conhecer Emil Maximillian Weber, mais conhecido como Max We-ber (1864-1920). Weber nasceu na Alemanha, filho de um juris-ta e político em ascensão em Berlim. Foi um grande estudioso da teoria das estruturas de autoridade e criador da escola cultural voltada para o estudo da sociologia da burocracia. Em 1904, escreveu a ética protestante, onde no mesmo momento, em visita a Chicago, nos Estados Unidos, impressionou-se pela agitação, pela vibração urbana, seus arranha-céus, pela violência e também a falta de leis na época. Nesse contexto, Weber define a burocracia, baseando-se nos conceitos de mudança organiza-cional, assim, esclarece sobre a passagem da auto-ridade tradicional para a autoridade legal e racional que foi a base de seus estudos, isto porque, viu Max Weber
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 53 os Estados Unidos como um modelo de sociedade em que era indispensável a máquina burocrática e política para garantir uma democracia de massa. Weber desenvolveu seus estudos baseado em três aspectos fundamentais. O primeiro corres-ponde à própria argumentação em que se funda-menta a legitimidade da autoridade racional-legal, ou seja, que encontra seu apoio nas normas legais, no exercício da autoridade legal que está relaciona-do com o cargo ocupado pelo funcionário. Autoridade legal é aquela constituída ofi-cialmente através de documentos, como contrato de trabalho, portarias de admis-são, resoluções, etc. O segundo aspecto trata das características inerentes à organização encarregada de exercer a autoridade racional-legal: • Uma estrutura de cargos, cujos conte-údos e limitações são definidos pelas normas, organizados hierarquicamente de cima para baixo, onde os cargos infe-riores estejam sob supervisão e controle dos superiores; • Especificação de áreas de competência, ou seja, relacionadas à divisão do traba-lho e à diferenciação de funções, além do desempenho dessas funções por alguém investido de autoridade que pode usar da coerção (imposição) dentro de condi-ções e limites do cargo;
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    54 Administração •Existência de um quadro administrativo, constituído por funcionários nomeados, os quais possuem comportamento norte-ado pelas normas técnicas; • Separação entre a propriedade da orga-nização, que é controlada dentro da esfe-ra do cargo, e a propriedade pessoal do funcionário, acessível a seu uso privado; • Distinção e separação dos propósitos pessoais dos propósitos como funcioná-rio visto à conduta no cargo ser impesso-al e orientada pelas normas; • Registro documental de atos administra-tivos, decisões, normas e ordens. O terceiro aspecto relaciona-se ao exercício da autoridade racional-legal, que tem seu suporte nas normas que definem as competências dos car-gos na hierarquia determinada pela empresa (es-tatutos, regimentos internos, resoluções, portarias, manuais de procedimentos). Instrumentos estes que designam, orientam, determinam os deveres, atribuições e responsabilidades do ocupante do cargo, veja quadro abaixo. A burocracia para Weber é uma tentativa de organizar as atividades humanas por critérios puramente racionais e seculares que permeiam o exercício da autoridade determinada sob tais atividades as quais se desenvolvem.
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 55 Veja abaixo, as características da burocracia segundo os estudos de Max Weber, segundo Muniz (2007, p.61-63): • Caráter legal de normas e regulamentos: A burocracia através da padronização, proporcionar maior controle e organiza-ção dos procedimentos; • Caráter formal das comunicações: Através da comunicação escrita, busca-se assegu-rar a clareza da interpretação dos fatos relatados; • Caráter racional e divisão do trabalho: A divisão do trabalho é adequada aos ob-jetivos a serem atingidos; • Impessoalidade no relacionamento: O caráter de impessoalidade da burocracia está ligado à distribuição feita em termos de cargos e funções e não de pessoas envolvidas; • Hierarquização da autoridade: A burocra-cia prevê o estabelecimento de cargos segundo o princípio da hierarquia. A autoridade é o poder de controle resul-tante de uma posição reconhecida, sen-do inerente ao cargo e não ao indivíduo que o ocupa.
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    56 Administração •Rotina e procedimentos: As atividades dos cargos são desempenhadas segundo padrões pré-estabelecidos; • Competência técnica e mérito: A escolha das pessoas é baseada no mérito e na competência técnica e não em preferên-cias pessoais; • Especialização da Administração: A burocra-cia separa a propriedade da administração; • Profissionalização dos participantes: A bu-rocracia considera cada funcionário como um profissional especialista, assalariado, nomeado por superior hierárquico; • Previsibilidade de comportamento: Weber parte do pressuposto de que o comporta-mento de cada membro é perfeitamente previsível. Segundo Weber, o controle é o caminho mais próximo para atingir a eficiência organizacional. Na sequência aos estudos da burocracia, en-contramos Robert Merton (1910-2003), também soció-logo, o qual teve grande contribuição na abordagem burocrática, quando chamou a atenção para as dis-funções da burocracia resultantes das pressões inter-nas da estrutura organizacional criada por Weber, e apresentou a teoria das disfunções estruturais, funda-da sobre o conceito de fontes estruturais de super-conformidade, ou seja, padronizada de acordo com o que é pré-definido pela empresa (MERTON, 1970).
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 57 Para Merton, tais disfunções estão ligadas ao comportamento do funcionário, podendo ser compre-endidas pela aplicação do conceito de incapacidade treinada, psicose ocupacional e deformação profissio-nal. Quanto à incapacidade treinada, a mesma refe-re- se ao fato de mesmo depois de treinamentos, o funcionário ainda não desempenhar a função como lhe é proposta. Já a psicose ocupacional relaciona-se ao sentido de traumas e frustrações no trabalho que acabam afetando o desempenho do funcionário. Por fim, a deformação profissional refere-se ao não aten-dimento do perfil exigido para o cargo. Disfunções da Burocracia segundo Merton • Maior internalização das regras e exage-rado apego aos regulamentos; • Excesso de formalismo e papelório; • Resistência a mudanças; • Despersonalização dos relacionamentos; • Categorização como base do processo decisorial; • Superconformidade às rotinas e aos pro-cedimentos; • Exibição de sinais de autoridade; • Dificuldade no atendimento ao cliente e conflitos com o público; • Imprevisibilidade de comportamento.
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    58 Administração Outroestudioso da área é Philip Selznick, so-ciólogo americano e discípulo de Merton, que rea-lizou pesquisas sobre a instituição organizacional. É considerado precursor da abordagem estrutural e comportamental. Segundo ele, tomando-se a organização como instituição, o executivo passa a exercer pa-pel de estadista. Ele salienta ainda que a organiza-ção burocrática é uma estrutura social adaptativa; dentro da organização formal desenvolve-se uma estrutura informal; a organização informal torna-se indispensável e paralela ao próprio sistema formal de delegação e controle; a burocracia deve ser ana-lisada sob o ponto de vista estrutural e funcional; a análise do comportamento organizacional interno e tensões e dilemas da organização são resolvidas através das restrições ambientais. Modelo de Homem segundo Weber O homem burocrata tem comportamento for-mal e previsto, pois as normas e procedimentos não permitem ações fora do padrão estabelecido. As relações existentes passam a ser basea-das por normas e não por visões particulares. A im-pessoalidade nas relações deixa transparecer a não participação nos processos de integração social. A motivação do burocrata está diretamente ligada ao cargo que ocupa, sendo extremamente materialista, no sentido de valorizar os bens e recursos mate-riais disponibilizados para o desempenho de seu trabalho (MUNIZ, 2007). Não há incentivos sociais, pois a impessoalidade nas relações impede a ado-ção de um sistema motivador.
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 59 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Procure conhecer como é vista a teoria da burocra-cia na visão de MAXIMIANO, Antônio Cesar Amar. Teoria geral da Administração: da revolução urbana à revolução digital. São Paulo: Atlas, 2002. E CARAVANTES, Geraldo. Administração, teorias e processo. São Paulo: Person Prentice Hall, 2005 p.87. A leitura será um complemento ao que foi exposto neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica sobre a referida abordagem. PARA REFLETIR Caro leitor, neste momento de sua leitura você pos-sivelmente se deparou com um conceito de buro-cracia o qual não é pejorativo como conhecemos. Realmente a intenção da burocracia não é atrapalhar, mas sim de controlar o crescimento organizacional através de normas, regulamentos, procedimentos. Então, reflita o motivo pelo qual o conceito de bu-rocracia tomou contornos tão deformados, chegan-do no dia de hoje a ser sinônimo de lentidão e atraso. Exponha sua opinião no ambiente virtual de aprendizagem e compartilhe com seus colegas.
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    60 Administração 2.2Teoria Neoclássica A Teoria Neoclássica surge em decorrência da atualização dos fundamentos e princípios da teoria clássica diante das mudanças ocorridas nas orga-nizações desde a primeira revolução industrial até os dias atuais, utilizando-se também dos conceitos e princípios da teoria das relações humanas, buro-crática, estruturalista, comportamental, de sistemas dentre outras, em um novo arranjo para a formação do administrador prático. Essa teoria aborda o processo administrati-vo voltado para as práticas administrativas a partir dos elementos da função administrativa definida por Fayol (ver livro de fundamentos da Administra-ção), ou seja, planejamento, organização, direção e controle aplicando-o de forma individualizada a cada tipo de organização. As razões principais que norteiam a ação da teoria neoclássica são: • Ênfase na prática da Administração: A uti-lização do pragmatismo em busca de re-sultados concretos e palpáveis, com base nos conceitos teóricos da Administração; • Reafirmação dos postulados clássicos: É o retorno de um grande estudo desen-volvido pela teoria clássica, só que bus-cando dar uma reestruturação de acordo com a situação atual; • Ênfase nos princípios gerais da Adminis-tração: Os princípios utilizados na teoria clássica são encarados como critérios
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 61 mais ou menos elásticos para a busca de soluções administrativas práticas; • Ênfase nos objetivos e nos resultados: É em função dos objetivos e resultados que a organização deve ser dimensionada, es-truturada e orientada; • Ecletismo da Teoria Neoclássica: A teoria absorve conceitos de várias escolas. Princípios da Teoria Neoclássica Segundo Brown (apud Muniz, 2007), os prin-cípios que orientam as ações administrativas po-dem ser explicitados como: • Os objetivos empresariais devem ser cla-ramente definidos por escrito; • A responsabilidade deve ter ligação di-reta com o desempenho de uma função; • As funções devem designadas para pes-soas em um mesmo cargo, funções iguais; • Definição e escalonamento de autoridade e responsabilidade; • Não pode haver centralização da autoridade; • Deve ser limitado o número de posições de um indivíduo em uma empresa; • A estrutura da empresa deve possuir um número mínimo de níveis hierárquicos;
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    62 Administração Aspectoscomuns às organizações Levando em consideração que de acordo com a abordagem neoclássica, a administração recebe o enfoque de técnica social, ela passa a ter consis-tência a partir do momento em que orienta, dirige e controla os esforços de um grupo de indivíduos para um objetivo comum. Assim, o bom administrador irá possibilitar ao grupo o alcance de seus objetivos com o míni-mo de dispêndio de recursos e esforços com me-nos atritos em relação a outras atividades úteis. Para essa teoria, as organizações apresentam três aspectos comuns: • Quanto aos objetivos: São as prioridades que a organização estipula para o aten-dimento das necessidades da sociedade; • Quanto à administração: Todas as organi-zações têm diferenças em seus objetivos, em seus propósitos, mas são essencial-mente semelhantes na área administrati-va, na organização e na busca da eficácia e eficiência organizacionais; • Quanto ao desempenho individual: Está li-gado ao aspecto da eficácia e da eficiência. Centralização e descentralização A centralização e a descentralização refletem o grau de concentração de autoridade nos diversos níveis da organização, neste sentido, em virtude da teoria neoclássica ser considerada como a mudança
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 63 da organização coercitiva para a organização flexível, esses dois conceitos passam a fazer parte então do dia a dia da Administração a partir daquele momento. Os fatores que afetam o grau de descentrali-zação e centralização da autoridade são: • Influência da cultura e da filosofia da ad-ministração na empresa; • História do crescimento organizacional: a empresa que tem seu crescimento in-terno maior que o externo tende à cen-tralização da autoridade; as organizações que passaram por processos de fusões e aquisições tendem à descentralização; • Distribuição geográfica da organização: quanto maior for a distribuição e a dis-persão geográfica da organização, maior a tendência à descentralização; • Controles eficazes: no nível operacional ou de produção; • Capacitação e qualificação dos empregados: quanto maior o nível de qualificação profis-sional e capacitação técnica dos emprega-dos, maior o grau de descentralização; • Diversidade de produtos e serviços: quanto maior for a diversidade de pro-dutos e serviços, maior será a tendência à descentralização, e quanto menor for o grau de diversificação, mais a tendência será de centralização.
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    64 Administração Jáa descentralização administrativa é maior quando: • Tanto maior for o número de decisões to-madas nas escalas baixas da hierarquia; • Tanto mais importantes forem estas decisões tomadas nas escalas baixas da hierarquia; • Tanto maior for o número de funções afe-tadas pelas decisões nas escalas baixas da hierarquia; • Tanto menor for a supervisão de decisão. Processo Administrativo O processo administrativo, o qual já foi visto no livro de Fundamentos da Administração produ-zido pela UNIT, é composto dos elementos: plane-jamento, organização, direção e controle ou PODC, os quais fazem parte também da teoria neoclássica, visto à mesma desenvolver conceitos que permeiam por todas essas etapas da função administrativa. Esse processo envolve as seguintes caracte-rísticas: • Cíclico e repetitivo, visto que se trata de um processo permanente e contínuo, além de estar sendo sempre completado e repetido continuamente; • Interativo, visto que cada elemento ou função interage com as demais, influen-ciando- as e por ela sendo influenciada;
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 65 • Interativo, quando o processo adminis-trativo se portar como uma sequência de passos que embora não sejam seguidos, constituam um itinerário sujeito a ajus-tes, avanços e recuos, durante um pro-cesso de implementação; • Sistêmico, quando o processo não pode ser analisado por cada uma de suas par-tes e sim em sua totalidade. Administração por Objetivos A Administração por objetivos é uma ação organizacional que possibilita aos gestores e su-bordinados terem o conhecimento sobre onde a empresa quer chegar e quando. Assim, cada um na sua responsabilidade saberá como agir para con-templar o objetivo maior da empresa. Segundo Drucker (1970), o desempenho es-perado de um gerente deve ser o reflexo do resul-tado da empresa. O administrador tem que saber e entender o que as metas da empresa esperam dele em termos de desempenho. A administração por objetivos – APO sur-giu na década de 50, quando empresas privadas norte-americanas sofriam pressões acentuadas. O problema econômico da época gerou dentro das empresas uma administração por pressão, sendo que esta pressão exercida sobre os gerentes não conduziu a melhores resultados. A APO surgiu como método de avaliação e con-trole do desempenho tanto dos funcionários quanto da empresa, especificamente em ambientes de merca-do com rápido crescimento. Inicialmente, constituiu- -se em um critério financeiro de avaliação e controle.
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    66 Administração Ospontos principais da APO são: • Análise da situação para consecução dos objetivos empresariais; • Objetivos estabelecidos por setor da or-ganização; • Interligação entre objetivos; • Participação efetiva entre chefias; • Definição de meios e tarefas para imple-mentação de medidas; • Adoção de sistemas de mensuração; • Conscientização de todos para com o ob-jetivo maior da organização; • Ação corretiva quando necessário. Ciclo da Administração por Objetivos A APO envolve um comportamento cíclico, permitindo que haja ajustamento no ciclo seguinte. Costuma corresponder ao exercício fiscal da empre-sa, para facilitar a execução do controle. Fonte: MUNIZ, A. FARIA, H. Teoria Geral da Administração. 5ª Ed. São Paulo: Atlas. 2007. P. 131
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 67 Indicação de Leitura Complementar Procure conhecer como é vista a teoria neoclássica em: http://bit.ly/teoria_neoclassica Para reforçar a leitura, conheça também: http://www.ead.fea.usp.br/cad-esq/arquivos/ v10n1art3.pdf As leituras serão um complemento ao que foi ex-posto e possibilitará a você uma reflexão crítica sobre a referida abordagem. Para Refletir Caro leitor, diante do fato desta teoria buscar enfo-car a prática na Administração, procure relacionar o que você vivencia na empresa que trabalha ou ou-tra que conheça com a teoria aqui descrita e trace suas próprias conclusões.
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    68 Administração 2.3Tipologias da Organização As tipologias das organizações apresentam um estudo sobre os diversos tipos de comporta-mentos existentes nas organizações. Assim, para facilitar a análise comparativa das mesmas, os es-truturalistas desenvolvem então tipologia de or-ganizações que as classifica de acordo com certas características distintivas (empresas pequenas, mé-dias e grandes). Conheça agora na visão de Muniz (2007, p.84-99) sobre as tipologias organizacionais. Tipologia de Etzioni As organizações passam a ser definidas con-forme uma escala criada por Etzione, onde dentre os fatores que contribuem para sua definição são: Divisão de trabalho e atribuição de poder e res-ponsabilidade, centros de poder e substituição do pessoal. Neste sentido, diferem das unidades sociais naturais, nas organizações o controle informal não é adequado. Por isso, as organizações impõem uma distribuição de recompensas e sanções para garantir obediência às suas normas. Para Etzioni, os meios de controle podem ser classificados como: físicos, materiais ou simbóli-cos. Sendo que o Controle Físico impõe tratamen-to severo, a motivação é negativa e baseia-se em punição; quanto ao Controle Material baseia-se no interesse, na vantagem desejada e nos incentivos econômicos e materiais; já o Controle Normativo traduz-se em símbolos puros ou em valores sociais, crenças e fé.
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 69 Sua desvantagem é dar pouca conside-ração à estrutura, tecnologia utilizada e ao ambiente externo, baseada exclusiva-mente nos tipos de controle. Este tipo de tipologia classifica as organiza-ções com base no uso e significado da obediência, ou seja, que utilizam da coerção para atingir seus resultados. Tipologia de Blau e Scott As organizações estão inseridas em comuni-dade e as relações servem para proporcionar bene-fícios e/ou resultados para seus membros. Elas são divididas em cinco categorias a se-rem conhecidas: • Organizações normativas, onde o poder acontece através do consenso sobre ob-jetivos; • Organização de benefícios mútuos; • Organização de interesse comercial; • Organizações de serviços; • Organizações de Estado.
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    70 Administração ObjetivosOrganizacionais Os objetivos organizacionais são muito ex-plorados pelos autores neoclássicos (APO) e es-truturalistas. As organizações são unidades sociais que procuram atingir resultados. Um objetivo orga-nizacional é uma imagem que a organização pre-tende para o seu futuro. Os objetivos são diretrizes a serem atingidas pela organização a fim de transformá-las em reali-dade. Toda a organização deve buscar condições para sua existência de forma sustentável, assim, os estudiosos da APO definiram dois modelos a serem seguidos pelas empresas: • Modelos de sobrevivência: quando a or-ganização desenvolve objetivos que a possibilitam se manter no mercado; • Modelos de eficiência: quando a orga-nização desenvolve objetivos que lhe permita não apenas existir, mas também buscar se desenvolver e ser competitiva. É importante sabermos ainda que a definição de objetivos parte de um processo de interação en-tre a organização e o ambiente: consiste em deter-minar as relações da organização com a sociedade. Existem cinco categorias de objetivos conhe-cidas pelos analistas organizacionais, que são: • Objetivos da sociedade; • Objetivos de produção; • Objetivos de sistemas; • Objetivos de produtos; • Objetivos derivados.
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 71 O estudo dos objetivos das organizações identifica as relações entre as organizações e a so-ciedade em geral, no entanto, a sociedade está em constante mudança, fazendo com que os referidos objetivos tenham que ser monitorados e alterados de acordo com o direcionamento do mercado. Ambiente Organizacional As organizações vivem em um mundo hu-mano, social, político e econômico. Elas existem em um contexto ao qual denominamos ambiente. Ambiente é tudo o que envolve externamente uma organização. Para os estruturalistas, o ambiente é constituído pelas outras organizações que formam a sociedade (MUNIZ, 2007). A relação entre organização e ambiente é fa-tor de grande importância para a compreensão do estruturalismo. Pelo fato da sociedade moderna ser manipulada pelas organizações, os estruturalistas criticam a grande ênfase dada sobre a relação entre as pessoas e a pouca importância sobre a relação entre ambientes e organizações. Neste contexto, há dois conceitos essenciais para a análise entre organizações: o conceito de interdependência das organizações e o conceito de conjunto organizacional. Interdependência das Organizações com a So-ciedade Toda organização, por ser um sistema com-plexo inserido em um ambiente, que tanto o in-fluencia quanto é influenciada por ele, consequen-temente tem sua sobrevivência relacionada com a
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    72 Administração sobrevivênciade outras organizações. No entanto, existe ainda uma interdependência das organiza-ções com a sociedade em geral em virtude da pe-culiaridade de suas relações. Algumas das consequências dessa interde-pendência são relacionadas às constantes mudan-ças nos objetivos organizacionais fruto de altera-ções no ambiente externo e, a um certo controle ambiental sobre a organização, o que limita sua liberdade de agir, onde as organizações desen-volvem estratégias para lidar com o seu ambien-te, sendo elas consideradas de cooperação ou de competição. Conjunto Organizacional O conceito de conjunto organizacional é análogo ao de conjunto de papéis. Cada organi-zação ou classes de organizações tem interações com uma cadeia de organizações em seu ambiente, formado um conjunto organizacional. Desta manei-ra, os estruturalistas inauguram um novo ciclo na teoria administrativa: o gradativo desprendimento daquilo que ocorre dentro das organizações para aquilo que ocorre fora delas. Conflitos Organizacionais Conflito significa a existência de ideias, sen-timentos, atitudes ou interesses divergentes que podem entrar em choque. Sempre que se fala em acordo, aprovação, coordenação, resolução, unida-de, consentimento, consistência, harmonia, não po-demos esquecer que existe o lado contrário, opos-to destas palavras e é essa oposição que podemos considera como fonte geradora do conflito.
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 73 Para os estruturalistas, o conflito apresenta um lado muito positivo, onde pode-se proceder uma verificação e ajuste em relação à situação atual, des-sa forma, atingindo o equilíbrio na organização. Todavia, os conflitos não deixarão de existir, visto que eles geraram mudanças, as quais provo-carão reações e assim por diante. Conflito entre Autoridade pelo Conhecimento e a Autoridade pela Hierarquia Uma das situações de conflito típicas é em relação ao conhecimento e autoridade, isso porque sabemos que o conhecimento traz conflitos com a hierarquia. Buscando elucidar essa questão, Etzioni sugere três tipos de organização, do ponto de vista de como se organiza o conhecimento: • Organizações especializadas: como uni-versidades, escolas, organizações de pes-quisa, hospitais; • Organizações não-especializadas: como empresas e o exército; • Organizações de serviço: como empresas especializadas em consultoria ou asses-soria, centros de pesquisa e desenvolvi-mento; Dilemas da Organização Segundo Blau e Scott Para Blau e Scott (apud Muniz, 2007), há uma relação de dependência entre conflito e mudança, visto que as mudanças incentivam conflitos e estes
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    74 Administração geraminovações. Os conflitos, mesmo ocultos ou reprimidos pela burocracia excessiva, tornam-se a fonte principal da mudança organizacional. Os processos de mudança organizacional tra-zem à tona a discussão entre conflito e dilema, visto que a sua clara interpretação possibilita a re-solução dos conflitos. Assim, segundo Blau e Scott (apud Muniz, 2007), há três dilemas básicos na or-ganização formal, como segue: • Dilema entre coordenação e comunicação livre. • Dilema entre disciplina burocrática e es-pecialização profissional. • Dilema entre a necessidade de planeja-mento centralizado e a necessidade de iniciativa individual. Sátiras à Organização Os estruturalistas analisam a organização sob uma ótica extremamente crítica. Contudo, surgiram livros de cunho humorístico e irreverente, em que são expostos à sátira, fatos inerentes ao dia-a-dia em uma organização, os quais chegam à proximida-de do absurdo e do exagero. Demonstram o ridículo de certos princípios dogmáticos, utilizam afirmações sem coerência e demonstram uma visão irrepará-vel e pessimista das organizações. Apesar de não proporem qualquer tipo de solução, esses autores satíricos apontam falhas e inconsistências nos pro-cessos geralmente racionais da organização. A disse-minação das sátiras, entretanto, tende a popularizar visões críticas, negativas do funcionamento das or-ganizações. Nesse caso, tendendo ao exagero.
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 75 Lei de Parkinson Segundo Muniz (2007), Northcote Parkinson publicou um livro no qual fazia uma análise irre-verente e implacável da administração burocrática. Sua premissa principal envolvia a “lei do trabalho”, também conhecida como “lei de Parkinson”: assim, o trabalho aumenta a fim de preencher o tempo disponível para sua execução. Da “lei do trabalho” derivam dois princípios que ocasionam a chamada “pirâmide em ascensão”: * “Lei da multiplicação de subordinados”: um chefe de seção deseja sempre aumentar o número de subordinados, desde que não se-jam seus rivais. * “Lei da multiplicação do trabalho”: um che-fe de seção sempre inventa trabalho para ou-tros funcionários. Segundo esses dois princípios, todo chefe procura provocar a impressão de ter responsabi-lidade apenas pelo quantitativo de subordinados e, com isto, busca subir a posições no plano de carreira da organização. Princípio de Peter Peter e Hull publicaram um livro, onde procu-ravam provar que em toda ação executada dentro de uma organização, quando errada, busca-se uma justi-ficativa para o mal desempenho. O princípio de Peter ou princípio da incompetência, é assim enunciado: em uma hierarquia, todo empregado tende a subir até chegar ao seu nível de incompetência (MUNIZ, 2007).
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    76 Administração DramaturgiaAdministrativa de Thompson Victor A. Thompson aborda a “dramaturgia administrativa”. Defende que nas organizações existe uma falta de consenso entre o direito de decidir e o poder de realizar. A organização só alcançará um caráter trans-parente quando o conflito entre a autoridade hie-rárquica e a autoridade do conhecimento for re-conhecido e aceito. A parceria entre a hierarquia e a especialização depende da aceitação da inter-dependência dessas duas funções na organização. Thompson salienta por fim que, a produção e a inovação possuem uma relação variável e in-versa, além disso, a hierarquia se fixa em uma es-trutura formal e inflexível e, portanto, contrária à criatividade e à inovação. Maquiavelismo nas Organizações A ciência da Administração, segundo Antony Jay, procura demonstrar que “a nova ciência da Ad-ministração não é, na verdade, mais do que uma continuação da velha arte de governar”, baseando- -se em Maquiavel. Nicclò Machiavelli escreveu o livro O Príncipe, em 1513, oferecido a Lourenço de Médici, como sugestões para a difícil arte de governar. No livro expõe a sua teoria política, conhecida como maquiavelismo, cujos principais aspectos são: • Os fins justificam os meios. • A ação deve ser de acordo com os inte-resses particulares; • Oportunismo;
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 77 • A ação do príncipe é necessária, mas não santificada: acima do ideal está a realida-de implacável, férrea e iníqua. A principal característica da obra de Maquia-vel está no seu desapego à moral. Para Maquiavel, a moral se relaciona com as circunstâncias do mo-mento. Por isso, a palavra maquiavelismo passou a ser usada, tanto na esfera pública como na par-ticular, para designar ações sagazes e hipócritas, nas quais os fins são mais importantes do que os meios. O livro (O Príncipe) retrata a arte de gover-nar pela força, malícia, intimidação e astúcia. Indicação de Leitura Complementar Leia no link, http://www.amitaietzioni.org/biogra-phy. html, a biografia de Etzioni e tente entender os motivos pelos quais ele chegou ao desenvolvimen-to das tipologias da organização. Leia também no livro digital abaixo, relatos sobre a questão das mudanças sociais e sua relação com as tipologias organizacionais. http://bit.ly/amitai_etzioni. A leitura será um complemento ao que foi exposto neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica sobre a referida abordagem.
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    78 Administração ParaRefletir Pois bem prezado leitor, a partir deste ponto nos estudos das organizações, você passou a notar a importância das diversas pesquisas sobre os tipos de organização. Portanto, reflita e tente enquadrar a empresa que trabalha ou uma que conheça em um dos tipos de organização apresentados nesta leitura. 2.4 Novas Abordagens da Administração Dentre as novas abordagens da Administra-ção optamos por mencionar aqui a Reengenharia, o Downsizing, o Benchmarking, o Outplacement e Fundamentos de Critérios de Excelência. Todas se-rão detalhadas abaixo. Reengenharia A reengenharia, também chamada Reenge-nharia do Processo de Negócio, nada mais é do que o processo de reconstrução de uma determi-nada empresa, não física, mas na forma como esta trabalha.Seu objetivo é a busca melhorias signifi-cativas no desempenho da instituição, no entanto, não falamos aqui de um aperfeiçoamento, ou de um conjunto de ajustes, mas do retorno à esta-ca zero, desde seu projeto, para alcançar melhoras substanciais (Silva, 2007).
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 79 A importância e profundidade da reengenha-ria ficam claros, segundo Alcoforado (1997), pois este é um modelo de gestão com potencial para produzir transformações nos processos produtivos, maiores que aquelas produzida pelo Fordismo ou pelo Taylorismo. Mudanças estas, projetadas para um horizonte temporal próximo. Segundo os autores Hammer e Champy, “a reengenharia é o repensar fundamental e a rees-truturação radical dos processos empresariais, que visam alcançar drásticas melhorias em indicadores críticos e contemporâneos de desempenho, como custos, qualidade, atendimento e velocidade” (Al-coforado, 1997). Quando observamos a definição de Reenge-nharia elaborada por Hammer e Champy, fica claro que trata-se de um modelo que propõe mudan-ças extremas. Podemos concluir que não se trata de um processo de reforma, ou ajustes no modus operandi da instituição, mas da reformulação inte-gral da forma como a empresa trabalha, rompendo completamente com as técnicas e pensamento em uso até o momento. Daí, podemos inferir o poten-cial transformador de que já falamos. A partir de seu conceito podemos extrair qua-tro termos principais que norteiam a reengenharia: 1. Fundamental: Na aplicação da reengenha-ria, a empresa deve ser repensada com-pletamente, desde o porquê de executar sua atividade ao modo como a mesma é realizada. Assim, procura-se romper completamente com o atual e repensar a forma como a empresa funciona em sua totalidade.
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    80 Administração 2.Radical: Desconstrução integral do modo de se pensar o negócio e criação de no-vos métodos de trabalho. 3. Processo: A reengenharia não busca tra-balhar com tarefas ou serviços e pessoas, mas com processos, sendo o processo uma organização espaço-temporal do tra-balho com começo, fim, entradas e saí-das definidas e bem delimitadas. 4. Drástica: a reengenharia não diz res-peito a pequenas melhorias, mas a de aumento expressivo do desempenho. A reengenharia guarda algumas semelhanças superficiais com a Administração da Qualidade To-tal, contudo, não se devem confundir. Apesar de ambas possuírem como objetivo final a melhoria do desempenho, a TQM procura aprimorar os proces-sos já existentes, se volta para o bom atendimento da necessidade do cliente, e, principalmente, busca pequenas graduais, diferente do rompimento radi-cal com as práticas e padrão de desempenho da reengenharia. Downsizing O Downsizing pode ser traduzido como o achatamento da estrutura hierárquica da empresa, com a redução de seus níveis. Fundamentalmente o downsizing ocorre em função de redução de custos ou da participação no mercado. Acredita-se que o downsizing conduza a um aumento do lucro, da produtividade, maior flexi-
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 81 bilidade organizacional e melhor desempenho dos estoques. É importante observar, contudo, seus pontos negativos, como os custos associados à ex-clusão de cargos, a capacitação dos funcionários que permanecerem, a redução da moral da equipe e a possível perda de qualidade do produto, aspec-tos muitas vezes desconsiderados pelas empresas. Benchmarking O benchmarking é uma ferramenta de avalia-ção comparativa, entre a empresa e o mercado, nos termos de produtos, processos e serviços. Precisamos lembrar que esta comparação é feita com empresas que se encontram em uma melhor condição que a analisada, com o intuito de esta progrida seguindo linhas de ação inspiradas nas concorrentes buscando ultrapassá-las. O Benchmarking busca observar o univer-so que circunda a empresa, suas concorrentes, em busca de respostas para o aprimoramento da pró-pria produção. Outplacement A fim de evitar todos os impactos negativos acarretados pelo processo de demissão, tanto para a empresa, que pode desenvolver interna e externa-mente uma imagem de instabilidade, quanto para o profissional, que se vê excluído de sua função e obrigado a buscar sozinho uma nova posição, as empresas têm buscado novas formas de conduzir seus processos de reestruturação. É então que surge o Outplacement como uma alternativa, menos impactante para ambos, aos
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    82 Administração processosde demissão. Podemos resumir o Outpla-cement, como uma nova maneira de conduzir o pro-cesso de transição profissional de um colaborador. Seu surgimento remonta aos anos 60, nos Estados Unidos, quando o país foi atingido por uma forte recessão, e hoje alcançou todos os paí-ses industrializados. É importante ressaltar que os programas de Outplacement, ou recolocação, como são também conhecidos, vêm sendo executados principalmen-te para funcionários de alto escalão, geralmente executivos, e em alguns casos, para profissionais altamente especializados. Fundamentos de Critérios de Excelência O termo e conceito base da excelência orga-nizacional foram cunhados, em 1982 por Thomas J. Peters e Robert H. Waterman. Para estes autores, trata-se de excelência, a condição ou estado em que os produtos de determinado processo superam os resultados inicialmente planejados, seja em ter-mos de eficácia ou resultado (SILVA, 2007). A excelência organizacional, segundo estes autores é dotada de oito atributos fundamentais: • Orientação para a ação - Segundo este princípio, o sucesso depende da capa-cidade de ir além do campo das ideias, levando à implementação daquilo que foi idealizado. Além disso, as equipes de trabalho devem ter como orientação a solução de problemas, ser compostas por poucos membros, e ter caráter tran-sitório;
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 83 • Proximidade do Cliente - O principal ob-jetivo é a satisfação das necessidades do cliente, que se incluso mesmo em todo o ciclo desde o projeto até o marketing, passando pela produção; • Autonomia e espírito empreendedor - Uma maior flexibilidade estrutural onde se pode trabalhar em projetos e criar, com certo grau de liberdade; • Produtividade por meio das pessoas - A valorização do capital humano, que pas-sa a ocupar lugar de destaque para a qualidade nos processos; • Ação inspirada por valores - A liderança deverá passar para as equipes de traba-lho um senso de objetivo e significado para suas ações. O sistema de crenças da organização fazendo uso de histórias, mitos e lendas; • Concentração do que é conhecido - A ad-ministração está focada naquilo em que tem maior expertise, voltando-se para o desenvolvimento da própria empresa, em lugar de buscar fusões; • Estrutura simples e enxuta - A centrali-zação da autoridade deve ser evitada, e junto a isso, deve ser reduzida a vertica-lização da hierarquia;
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    84 Administração •Propriedades simultaneamente flexíveis e rígidas - A rigidez devem se deter prin-cipalmente aos controles estratégicos e financeiros, ao tempo que autonomia e oportunidade de criação devem ser com-partilhadas com os empregados, que são livres para inovar e assumir riscos, con-sequentemente contemplando a possibi-lidade de erros. Estes atributos foram obtidos pela observa-ção, pelos pesquisadores, de empresas considera-das excelentes. Devemos atentar a que estes foram os mais recorrentes diagnosticados por Peters e Waterman, mas não os únicos. O próprio Peters, em co-autoria com Austin, estabeleceria anos de-pois que apenas três aspectos seriam suficientes para incorporar todos os atributos citados e alcan-çar a excelência, desde que usados em concomitân-cia com um estilo particular de administração, se-riam eles: Atenção integral aos clientes; Constante processo de inovação; e Pessoas. O trabalho de Peters e Waterman tornou- -se alvo de muitas críticas de outros pesquisadores que criticaram tanto em seu método como na forma minimalista como abordaram os temas propostos. Outros autores e instituições dedicaram-se ao longo do tempo à busca pelos padrões de qua-lidade e excelencia. No Brasil, a FNQ - Fundação Nacional da Qualidade - criou o PEG - Programa de Excelência em Gestão.
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    Tema 2 |Enfoque organizacional 85 Indicação de Leitura Complementar Leia as páginas 277, 278 e 279 do livro: CARAVAN-TES, Geraldo R.; PANNO, Cláudia C.; KLOECKNER, Mônica C. Administração: teorias e processos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. Tente enten-der as transformações decorrentes do processo de reengenharia e discuta com seus colegas. Leia também no livro: MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007. Na página 465 o texto intitulado Benchma-rking: copiando as melhores práticas e entenda um pouco mais sobre esta técnica que consiste em fazer comparações e em imitar organizações com praticas exemplares de administração. A leitura será um complemento ao que foi exposto neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica sobre o referido conteúdo. Para Refletir Pois bem prezado leitor, a partir deste ponto nos estudos das organizações, você passou a notar a importância do aprimoramento de processos. Por-tanto, reflita e tente enquadrar a empresa que tra-balha ou uma que conheça em um destes proces-sos apresentados nesta leitura.
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    86 Administração Resumo Muito bem, caro aluno, chegamos ao final de mais um capítulo em nossa viagem pelas teorias da Administração. Na passagem pelo enfoque com-portamental, você pode conhecer a influência da psicologia na ciência da Administração e pode re-fletir sobre a motivação, a liderança, a gerência e a importância de se conhecer o outro e desenvolver uma relação ética e profissional, é essencial para o crescimento de uma empresa. Na sequência, você passou a entender que deve-se ter critérios para a tomada de decisão gerencial e que o processo decisório em uma organização está muito baseado no fator racional. Durante essa viagem, você chegou à teoria do de-senvolvimento organizacional e passou a entender que o mundo está em constantes mudanças e que aquela empresa ou até mesmo aquela pessoa que não se adaptar às novas realidades impostas pelo ambiente, poderá ser conduzida ao fracasso. Diante da grande importância deste enfoque com-portamental é que a Administração passou a mudar sua história, dando maior ênfase na relação empre-sa, indivíduo, ambiente.
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    Enfoque Comportamental 3 A abordagem comportamental da ciência administrativa propõe o abandono de posições normativas e descritivas e a adoção de uma posição humanística, mantida, portanto, a ênfase nas pessoas. Esta abordagem diferencia-se da apresentada por Jonh B. Wat-son, que trabalhou o enfoque individual através da realização de experimentos em laboratório, analisando: aprendizagem; estímulo e reações, hábitos. O método de Watson evoluiu para a análise comportamental de grupos, utilizada por Kurt Lewin na chamada Psicologia Social (Teoria das Relações Humanas) e a seguir para a Psicologia Organizacional em um sentido amplo, ainda que não desconsiderasse os pequenos grupos sociais. Desta forma, a Psicologia Organizacional contribuiu decisiva-mente para o surgimento de uma teoria administrativa mais democrá-tica e humanística, a Teoria Comportamental da Administração.
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    90 Administração 3.1Abordagem comportamental: Teóricos da Motivação Abraham Maslow – Teoria das necessidades humanas O administrador precisa conhecer os meca-nismos motivacionais para poder dirigir adequada-mente as pessoas. Nesta abordagem, procura-se através das ciências do comportamento, conhecer o processo e a dinâmica organizacional, visto que os estudiosos desta abordagem consideram a or-ganização como um sistema cooperativo e racional. Origens: Dentre as origens da teoria com-portamental, podemos citar o pensamento oposto entre a teoria clássica e a de relações humanas, onde segundo Caravantes (2005, p.95-102) estão: • A abordagem comportamental é um apro-fundamento da Teoria das Relações Hu-manas, sendo contra a sua visão ingênua e romântica, mas aproveitando e refor-mulando alguns dos seus princípios; • A Crítica à Teoria Clássica, sendo conside-rada por alguns autores uma abordagem contrária à organização formal, aos prin-cípios gerais da administração, e ao en-foque mecanístico dos autores clássicos; • Com a Teoria Comportamental houve a contribuição da Sociologia da Burocracia, aumentando a abrangência da teoria ad-ministrativa; Abraham Maslow (1908-1970)
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 91 • Crítica a Teoria da Burocracia; • O surgimento do livro de Herbert Simon, em 1947, “O comportamento administra-tivo”. É neste contexto de crítica e correção às te-orias anteriores, que diversos psicólogos organiza-cionais passaram a estudar com mais ênfase a re-lação das pessoas na organização, suas influências e relações. Assim passaremos em seguida a conhecer os maiores precursores da teoria comportamental. Sua experiência foi essencialmente obtida em meio a gerência de organizações complexas, atra-vés dela, publicou em 1938, o livro as funções do executivo. Sua proposta era fornecer uma teoria global do comportamento cooperativo nas organizações formais. As palavras chave para descrever seu tra-balho são: cooperação, comunicação, responsabili-dade, propósito, ser eficiente e efetivo, e qualidade moral na liderança. Abraham Maslow (1908-1970) Maslow foi um estudioso da área compor-tamental, onde seus pontos de vista eram sem-pre originais, até porque, os demais psicólogos da época se preocupavam mais com as patologias da área. A psicologia humanista, corrente impulsiona-da por ele, deu origem a diversas diferentes formas de psicoterapia, todas com a premissa de que as pessoas possuem condições necessárias ao cresci-mento e à cura e o objetivo da terapia era remover
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    92 Administração asbarreiras mentais para que o indivíduo possa se superar. A mais famosa dessas técnicas foi a terapia centrada na pessoa, desenvolvida por Carl Rogers (MUNIZ, 2007 p.140). Uma das principais descobertas de Maslow se deu quando, ao pesquisar o comportamento dos macacos, chegou à conclusão de que existem vários tipos de necessidades e algumas são mais importantes que outras. Utilizando-se das conclusões sobre o expe-rimento, Maslow, criou sua famosa Hierarquia de Necessidades. A “visão de Maslow”, segundo Caravantes (2005, p.106-108) refere-se ao estudo da motivação humana, priorizando as necessidades do homem, inserindo-as em uma pirâmide. Para Maslow a motivação humana possui re-lação com suas necessidades. A premissa básica de seus estudos tinha as seguintes conclusões: • Determinada necessidade passa a ser ur-gente quando a anterior estiver satisfeita; • Quando as necessidades inferiores esti-verem satisfeitas, as superiores tornam- -se prioridade; • Quando uma necessidade de nível mais baixo deixa de ser satisfeita, ela passa a ser prioridade novamente; • O indivíduo geralmente se motiva por diversos motivos, neste caso, todos os níveis da hierarquia passam a influenciar junto o comportamento, perdendo a prio-ridade a partir do momento que foram atendidas;
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 93 • Quando há frustração pelo não atendi-mento da necessidade prioritária, gera-se a insatisfação. Também psicólogo como Maslow, além de professor, Herzberg também passou a ser conhe-cido pelos estudos voltados á motivação humana, onde criou a chamada teoria dos dois fatores, sen-do: os de higiene (como as condições de trabalho, salário, status e segurança); e os de motivação (re-alização, reconhecimento, satisfação no trabalho, responsabilidade e desenvolvimento pessoal. Foi também precursor dos estudos relacionados ao conceito de enriquecimento do trabalho (job enri-chment ) (MUNIZ, 2007, p.143). Frederick Herzberg – Teoria dos Dois Fatores Frederick Irving Herzberg foi um psicólogo americano, autor da teoria dos Fatores de Motiva-ção (teoria dos dois fatores). Segundo Hezberg, em sua teoria, existem dois fatores que atuam sobre as pessoas em seu trabalho, são eles: 1. Fatores higiênicos – Também chamados fato-res extrínsecos, são aqueles que dizem res-peito ao ambiente em que se inserem as pes-soas e incluindo suas condições de trabalho. Trata-se de condições que não se encontram sob controle das pessoas. Notemos que, nas abordagens mais tradicio-nais, apenas esta categoria de fatores era utilizada na busca por uma maior motivação dos emprega-dos, sendo os reajustes e bônus pecuniários, as-
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    94 Administração censãona carreira estavam entre as formas mais aplicadas para isso. Os estudos de Herzberg revelaram que em situações em que estes fatores atendem condições ideais, servem apenas para prevenir um estado de insatisfação dos empregados. Qualquer ganho mo-tivacional através destes métodos é transitório, no entanto, quando estes fatores estão em condições insipientes, tornam-se a causa da insatisfação dos empregados. Desta tendência a influenciar mais fortemen-te de maneira negativa a condição de satisfação, Herzberg nomeou-os fatores higiênicos, pois seu papel é principalmente profilático e preventivo: eles servem para evitar a insatisfação, mas não tra-zem satisfação duradoura. Por sua maior relação com a insatisfação, Herzberg também os chama de fatores insatisfacientes. Dentre eles, podem ser citados: remunera-ção, ergonomia, políticas e diretrizes da empresa, relação entre os funcionários e a empresa, regula-mentos internos, etc. 2. Fatores motivacionais – também chamados fatores intrínsecos, devido a sua relação com o conteúdo do cargo e a natureza das ta-refas atribuídas ao funcionário. Estes fatores encontram-se ao alcance do controle do fun-cionário, pois sua relação é com aquilo que ele faz e desempenha. Estão envolvidos aqui sentimentos de crescimento individual, reco-nhecimento profissional e auto-realização, e vai depender das funções desempenhadas em seu trabalho.
  • 96.
    Tema 3 |Enfoque comportamental 95 As tarefas e cargos eram organizados e de-finidos, mais comumente, com foco na eficiência e economia, deixando de lado o desafio e a criativi-dade pessoal. O efeito disto era a perda do signi-ficado psicológico para a pessoa responsável por sua execução levando a um efeito de “desmotiva-ção”, causando apatia, e perda de interesse. Estes fatores têm efeito mais duradouro, es-tável e profundo sobre as pessoas, e quando em condições ótimas, provocam o estado de satisfação nas pessoas. Por outro lado, caso sejam precários, eles previ-nem a satisfação, e por essa relação com a satisfação, Herzberg também os chama de fatores satisfacientes. Os dois fatores não são dependentes entre si não mantendo vínculos de qualquer tipo entre si. Aquilo que traz satisfação profissional é totalmente desconectado e distinto do que acarreta insatisfa-ção profissional. A condição oposta à satisfação não é a insa-tisfação, mas ausência da primeira. As teorias de motivação de Maslow e Herzberg apresentam certas características em comum, pois os fatores higiênicos de Herzberg estão ligados às necessidades primárias de Maslow englobadas aqui necessidades fisiológicas, de segurança, e algumas necessidades sociais. Já os fatores motivacionais re-lacionam- se com as necessidades secundárias. Douglas McGregor – Teoria X e Y Psicólogo social e especialista em compor-tamento humano doutorou-se em Harvard, onde lecionou Psicologia social. Preocupou-se em estu-dar os dois estilos administrativos opostos, ao que chamou de Teoria X e Teoria Y. Douglas M. Mcgregor (1906-1964)
  • 97.
    96 Administração TeoriaX: Esta teoria tem uma influência marcante dos estudos da Administração científica de Taylor, da te-oria clássica de Fayol e dos estudos sobre burocracia de Weber. Na observação de McGregor, o ser humano era considerado como uma engrenagem, um recurso ou equipamento. Conclusões estas inadequadas em relação ao estudo do comportamento humano. Teoria Y: Já a Teoria Y, apresenta o sentido oposto ao da Teoria X, onde seu enfoque principal é através do estudo dos valores sociais e humanos. O aspecto que sustenta sua linha de pen-samento é consequência da dependência entre superior e subordinado. O tratamento das conse quências irá condicionar o sucesso ou fracasso das relações, uma vez que o subordinado possui neces-sidade de segurança e realização. Segundo McGregor (1975 apud Muniz, 2007, p.146), existem alguns aspectos da relação chefe- -subordinado que influencia o comportamento do subordinado em qualquer nível da organização. O primeiro aspecto é o clima formado pela influencia do superior, descoberto pela sua atitude em relação aos funcionários O outro aspecto é o que se espera do subor-dinado em relação ao conhecimento do trabalho. Segundo McGregor, há seis itens que interferem na satisfação atendida: • Conhecer a filosofia e as diretrizes da empresa; • Conhecer as rotinas, regulamentos, limi-tações e possibilidades;
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 97 • Conhecer suas responsabilidades e papel; • Entender o comportamento do superior para basear sua maneira de agir com ele; • Ter um retorno sobre seu desempenho no trabalho, através do chefe imediato; • Conhecer as tendências futuras da em-presa, as mudanças na organização e a relação com sua função. McGregor alerta que conhecer é poder, prin-cipalmente porque diminui a dependência no des-conhecido e no imprevisível. Dessa forma, o uso de uma disciplina coerente é o terceiro aspecto da segurança do subordinado em sua relação com o superior. Neste sentido, para suprir a necessidade de realização dos subordinados, McGregor conta com mais três requisitos que são: • Participação do funcionário • Responsabilidade • Direito de apelar Seus estudos estão centrados no bom de-sempenho da organização e na sua relação com a previsibilidade e controle que consegue imprimir no comportamento humano. Para ele, as estraté-gias de liderança são influenciadas pelas crenças do líder sobre a natureza do ser humano. Modelo de Homem: O modelo de homem da escola comportamen-tal é chamado de homem administrativo, aquele que
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    98 Administração procuraapenas a maneira satisfatória de realizar um trabalho e não a melhor maneira. O comportamento administrativo é satisfaciente e não otimizante. Não se preocupa com o lucro máximo, mas o adequado; não o preço ótimo, mas o razoável. David McClelland – Teoria das três necessidades David McClelland foi um psicólogo america-no, que dedicou-se, ao estudo da motivação huma-na. Em sua obra, McClelland divide as pessoas, em termos psicológicos, em dois grupos: 1. Uma menor parte encontra desafios nas oportunidades que se apresentam, e possuem disposição para trabalhar ardu-amente para alcançar seus objetivos; 2. Uma maior parte que não sente o desafio para alcançar resultados. Segundo estudos sobre pessoas com um elevado nivel de realização (high achievement), esta pequena parcela das pessoas é motivada por uma personalidade que ele chamava Motivação A. Pessoas deste tipo buscam um constante aprimora-mento. As principais características de pessoas com este tipo de personalidade são: • Estabelecimento desafios para si mesmas; • Não entregar ao acaso a resolução dos problemas, preferindo trabalhar para isso; • • Preferência por receber avaliações quan-to a seu desempenho.
  • 100.
    Tema 3 |Enfoque comportamental 99 Este tipo de pessoa irá, no caso de neces-sidade de assessoria externa, por exemplo, dar preferência à competência na hora de escolher um assessor acima de qualquer relação de amizade ou afinidade que possa ter com outras pessoas. Isso se deve a uma alta necessidade de realização. Outra categoria de pessoas irá, devido à uma forte necessidade de afiliação faria uma escolha contrária, priorizando as relações de amizade so-bre o expertise do funcionário a ser contratado. McClelland caracterizou ainda um terceiro tipo de pessoas, aquelas que têm necessidade de poder. Para mensurar essas necessidades Mc- Clelland desenvolveu um conjunto de ferramentas chamadas n Ach, para avaliar a necessidade de re-alização, n Aff, para mensurar a necessidade de afi-liação, e o n Power, para a necessidade de poder. Indicação de Leitura Complementar Procure conhecer a biografia dos diversos autores apresentados neste texto, constantes no livro: Procure ler o livro: CARAVANTES, Geraldo. Admi-nistração Teoria e Processos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005, p. 93-144), além do capítulo 5 do livro digital http://bit.ly/fundamentosdecompor-tamentoorganizacional. Através dessas leituras, você poderá entender o porque das conclusões desses autores.
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    100 Administração ParaRefletir Muito bem, prezado aluno, você acabou de enten-der a influência da psicologia na ciência da Admi-nistração e viu que nesta profissão, o bem mais importante são as pessoas. Neste sentido, diante dos diversos estudos apre-sentados sobre motivação, você pode constatar que há uma influência das pessoas na cultura orga-nizacional e que é da administração dessa cultura que se baseiam as grandes organizações. Aproveite para refletir sobre os diversos ensina-mentos de nossos psicólogos organizacionais, até que ponto as afirmativas são realmente verdadei-ras quando comparadas com a prática vivenciada nas empresas que você conhece.
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 101 3.2 Abordagem comportamental: Outros teóricos Rensis Likert - Sistema 4 Likert foi um pesquisador americano cujos trabalhos tinham como foco a motivação. Segundo Likert, existe uma relação direta entre o estilo de gerência e supervisão e a satisfação e desempenho dos indivíduos. Em seu trabalho, foram divididos em 4 os estilos de gerência, chamados: Sistema 1 – Autoritário-coersivo: • Mão de obra intensiva e tecnologia rudi-mentar, ou seja, pessoas de pouca quali-ficação e educação; • O processo decisorial é totalmente cen-tralizado na cúpula da organização; • Sistema de comunicação muito precário. Somente comunicações verticais e des-cendentes por meio de ordens diretivas; • Relações interpessoais com clima de des-confiança em relação a organização infor-mal. É vedada e considerada prejudicial; • Utilizam medidas disciplinares. Obediên-cia cega aos regulamentos internos. Ra-ras recompensas.
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    102 Administração Sistema2 – Autoritário-benevolente: • Tecnologia mais apurada e mão de obra mais especialista; coerção para manter controle sobre o comportamento; • O processo decisorial é centralizado na cúpula, mas permitindo algumas delega-ções para atividades rotineiras; • O sistema de comunicação é precário. As comunicações descendentes prevalecem sobre as comunicações ascendentes; • As relações interpessoais são toleradas. É inci-piente e considerada uma ameaça à empresa; • Possui um sistema de recompensas e punições onde se utiliza punições e me-didas disciplinares mais amenas. Obedi-ência restrita aos regulamentos internos. Raras recompensas. Sistema 3 – Consultivo: • Áreas administrativas mais organizadas e avançadas em termos de relações com empregados; • Consulta aos níveis inferiores permitindo participações e delegações. • A cúpula procura facilitar o fluxo de co-municação, tanto no sentido descendente como no ascendente;
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 103 • Certa confiança nas pessoas e nas rela-ções; • Utilizam recompensas materiais e sociais. As punições e castigos são raros. Sistema 4 – Participativo: • Este sistema faz uso de sofisticada tecno-logia e pessoal altamente especializado; • O processo decisorial é totalmente des-centralizado. A cúpula define políticas e controla os resultados. • Sistema de comunicação eficiente é fun-damental para o sucesso da organização; • Utilizam recompensas materiais e sociais. As punições são raras. Para avaliar qual o sistema praticado, usam- -se oito variáveis fundamentais: • Processos de liderança aplicados; • Forças motivacionais; • Caráter do processo de comunicação; • Processo de interação/influência; • Processo Decisório; • Estabelecimento de objetivos; • Processo de controle; • Objetivos de desempenho; • Treinamento
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    104 Administração Asvariáveis são interpretadas através da análise de 52 itens. Dentre todos os sistemas cita-dos, Likert apresenta em seus trabalhos clara pre-ferência pelo sistema 4. Neste sistema, o processo decisório é des-centralizado, apesar de os níveis superiores ainda determinarem as políticas gerais de gestão da or-ganização. A descentralização da tomada de deci-são dependerá também de outros fatores, como o contexto da organização. No momento da tomada de decisão. Dado o exposto se faz fundamental no Siste-ma 4 um sistema de comunicação aberto onde pre-valeça todos os tipos de comunicação, que devem poder transitar entre os níveis da instituição. Neste sistema, o relacionamento interpessoal se baseia no trabalho em equipe. O objetivo disto é a troca de informações experiências e ainda o fortalecimento dos relacionamentos na instituição. O sistema de recompensas e punições des-te sistema, se baseia em recompensas simbólicas e sociais, não sendo retiradas do sistema as pre-miações e punições materiais. Preferencialmente as punições são aplicadas em último caso. Kurt Lewin O trabalho de Lewin acelerou o ritmo do de-senvolvimento das ciências sociais. Mesmos endo um psicólogo e ter contribuído bastante nesta área, seu trabalho influenciou muito alem das fronteiras da psicologia. Um dos motivos para essa influencia é que grande parte do seu trabalho se preocupou com a determinação de pré-requisitos metodológicos e
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 105 conceituais para uma ciência madura do comporta-mento humano. Lewin analisou os atributos principais que irão caracterizar os métodos de trabalho de qual-quer cientista social, qualquer que seja sua orien-tação teórica. Ele discute vários problemas básicos do mé-todo cientifico que todos os cientistas sociais pre-cisam enfrentar e propõe soluções não tanto com base em um “certo ou errado” absolutos, mas em termos do que fará o cientista mais produtivo. Diversos temas são abordados pelos estudos de Lewin. Porem alguns princípios norteiam seus princípios que guiam seu desenvolvimento. Desta-que aqui para a natureza dos constructos nas ciên-cias sociais e o processo de conceitualização, bem como a seu modelo de “Análise do campo de for-ças”, precursor e base dos modelos de transforma-ção planejada propostos uma década mais tarde. O lugar dos constructos na ciência social Para Lewin a natureza essencial do traba-lho do cientista consiste em fazer uma tradução adequada dos fenômenos para os conceitos. Para o desenvolvimento de um conceito satisfatório, o cientista tem que ser particularmente cuidadoso em relação a forma como é desenvolvido. Antes de um sistema possa ser totalmente útil, os conceitos nele inseridos tem de ser definidos de forma: 1. Permitir o tratamento de aspectos qua-litativos e quantitativos em um sistema único;
  • 107.
    106 Administração 2.Representar de maneira correta os atribu-tos ou causas dos fenômenos; 3. Facilitar a definição operacional e a con-sequente mensuração dos mesmos; 4. Permitir tanto a generalização para leis universais como o tratamento concreto do caso individual. Apesar de ser abstrata, a análise da natureza da conceitualização é importante para o entendi-mento do trabalho do teórico em questão. A es-sência e maior parte de seu trabalho consistiu na analise conceitual da natureza dos fenômenos que previamente tiveram rótulos populares. O modelo de Lewin - Análise do campo de forças Este modelo parte do pressuposto de que a mudança é um processo dinâmico e não como um evento esporádico e desconectado, ou seja, um esfor-ço continuo entre dois conjuntos de forças: um que empurra em direção a mudança e outro que afasta. O modelo auxilia a compreender o funcio-namento dessas forças. Argumenta que o primei-ro passo para iniciar a mudança é desestabilizar o atual estado de equilíbrio, o que pode ser feito de uma das três formas básicas que seguem ou pela combinação delas: 1. Aumentando a força das forças propulso-ras da mudança; 2. Reduzindo a força das forças restritivas;
  • 108.
    Tema 3 |Enfoque comportamental 107 3. Mudando a direção de uma força de ma-neira que um fator restritivo se torne um fator propulsor. Para que a mudança seja bem sucedida o teórico aqui estudado propõe três passos: 1. Descongelar – tem como objetivo estabe-lecer um motivo para a mudança. 2. Mover – Por envolver pessoas no apren-dizado de um novo repertório de com-portamentos, em geral isso é mais facil-mente dito do que feito. O problema é que quando as pessoas já tem uma forma familiar de comportamento, pode ser di-fícil abandoná-las. As pessoas podem se sentir incentivadas a mudar ao verem os outros aos redor fazendo isso. 3. Recongelar - O objetivo é estabelecer como normal um novo padrão de compor-tamento. Consiste no condicionamento das pessoas premiando o novo compor-tamento desejado e desencorajando-as a retornar ao comportamento anterior. O modelo de pesquisa-ação Destaca a existência de uma especificação bastante clara do novo padrão de comportamento exigido. Segue um esboço do método: • Identificação do problema – o ciclo tem inicio quando o proponente da mudança
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    108 Administração identificaque os padrões existentes do comportamento do empregado não serão compatíveis com a situação modificada. • Coleta de dados e diagnóstico – deve ser feito por um consultor externo. Partin-do da suspeita dos sintomas, os dados são reunidos para revelar a causa, o que envolve coletar informações dos clientes e também dos empregados para que se possa obter suas versões sobre o assunto. • Feedback – consiste no envolvimento dos empregados na identificação dos problemas e nas sugestões de soluções potenciais. • Plano de ação – trabalhando unidos, con-sultor e colaboradores desenvolvem uma solução para o problema. • Ação – Solução posta em pratica pelos colaboradores que adotam novos pa-drões de comportamento. • Reavaliação - dados analisados para de-terminar se houve melhora, de quanto foi a melhora e se é viável a solução. Caso necessário o ciclo se repete. As pessoas devem ser envolvidas desde o inicio do processo, o que ajuda a diminuir a resis-tência: • A mudança está centrada em um objeti-vo, mas para solucionar o problema não
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 109 se são vantagens do método de pesqui-sa- ação; • Cria novos imprevistos e problemas; • A mudança é introduzida em incremen-tos, sendo possível identificar e impedir efeitos que podem se transformar em problemas. Indicação de Leitura Complementar Procure conhecer mais sobre a teoria de Rensis Li-kert e de Kurt Lewin na visão de: CARAVANTES, Geraldo R.; PANNO, Cláudia C.; KLO-ECKNER, Mônica C. Administração: teorias e proces-sos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005, página 123 a 129. Além de aprofundar seu conhecimento lendo sobre As tendências para uma teoria de Administração Mundial no quadro APRENDA MAIS. CARAVANTES, Geraldo R.; PANNO, Cláudia C.; KLO-ECKNER, Mônica C. Administração: teorias e pro-cessos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005, página, p. 128 A leitura será um complemento ao que foi exposto neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica sobre a referida abordagem.
  • 111.
    110 Administração ParaRefletir Olá, caro leitor, uma das principais dificuldades está relacionada a distinção entre observação e interpretação. Em todas as ciências é importante manter a observação o mais livre possível de teo-rias e interpretações subjetivas. Essa não é uma tarefa fácil. Vamos pensar se isto pode ser totalmente obtido na psicologia social? Uma ação amigável ou agressiva pode ser observa-da sem interpretação como ocorre com o movimen-to de um braço? Neste sentido, reflita sobre tais questionamentos. 3.3 Processo Decisório Herbert Simon e Chester Barnard - Processo Decisório A decisão é o ato de escolher qual a atitude que será tomada em determinado momento para atingir um objetivo esperado. O ato de tomar uma decisão é o ponto focal da administração, pois cabe ao administrador designar o que deve ser fei-to, por quem e de que maneira. Assim, a função do administrador é tomar decisões, ou seja, realizar escolhas, sempre observando seus efeitos, para o sucesso da organização.
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 111 Devemos observar que sem a tomada de de-cisões, não há ação a ser executada, assim, é o pro-cesso decisório, o ponto de partida para quaisquer ações na organização. Assim, Chiavenato (2007), nos ensina que podemos caracterizar a empresa como um sistema de decisões, onde as ações são fruto da tomada de decisões de todos os seus com-ponentes, dos gestores aos funcionários. Deste modo, podemos entender que as de-cisões tomadas por cada um destes componentes produzirá efeitos sobre as decisões dos demais. De-vemos observar também que os fatores dos quais dependerá o resultado de determinada decisão são muitos e nem sempre podem ser controlados. De acordo com Chiavenato (2007), a decisão envolve minimamente: • Tomador da Decisão – é a pessoa ou gru-po sobre quem recai a responsabilidade e autoridade de realizar a escolha; • Objetivos – Como foi dito anteriormente, a decisão deve ter um propósito, assim, trata-se aqui dos objetivos finais do to-mar da decisão; • Sistema de valores – Trata-se de crité-rios de preferência voltados a tomada de decisão com o objetivo de fazer uma es-colha; • Cursos de Ação – são aqueles conjuntos de ações que estão à disposição do to-mador de decisão para escolher;
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    112 Administração •Estados da natureza – São as variáveis ambientais que cercam o tomador de de-cisão, e afetam sua escolha; e • Consequências – os efeitos do conjunto formado pelas ações ou ação escolhidas no contexto de um determinado estado da natureza. Etapas do Processo Decisório Quando consideramos que uma decisão é to-mada com algum propósito que precisa ser atendi-do, precisamos lembrar que a decisão não é um ato isolado, mas uma etapa de um processo mais am-plo e complexo. Assim, o processo decisório não é tão simples quanto se faz parecer. Como todo pro-cesso, o processo decisório segue uma sequência ordenada de passos para que possa ser executado adequadamente, sendo os principais deles: 1. D iagnóstico e definição do problema – Nesta fase é realizado o levantamento de informações acerca do problema que pre-cisa ser sanado, sua origem, definições, contexto em que está inserido e o seu diagnóstico. Um método aplicável é o uso da análise SWOT como guia neste processo (Caravantes, et al. 2006). 2 . Busca por soluções alternativas mais pro-missoras – É nesta fase que são levanta-dos os cursos de ações que podem ser
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 113 tomados e que podem atender da melhor maneira a necessidade do tomador de decisão. É necessário que seja levantado mais de um curso de ação possível. 3. Análise e comparação de alternativas vol-tadas a busca de solução – Este é o mo-mento em que analisamos e realizamos a comparação entre os cursos de ação levantados, quanto ao custo e retorno esperado de cada um. Além disso, as consequências de cada um deles devem também ser ponderadas. 4. Seleção e escolha da melhor alternativa para o plano de ação – a opção racional por determinada linha de ação, abdican-do de todas as demais alternativas. Classificações do processo decisório Apesar de o processo decisório seguir basi-camente os mesmos passos, as decisões podem variar tanto quanto à forma quanto ao nível em que são tomadas. No que diz respeito ao nível, as decisões podem ser: • Estratégicas – São decisões tomadas em um nível institucional, e que estão liga-das à forma como a empresa se relaciona com o ambiente. Elas servem como guia para o comportamento da empresa; • Administrativas – São aquelas tomadas em um nível intermediário na organiza-
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    114 Administração ção,e que estão voltadas ao estabeleci-mento da estrutura e configuração orga-nizacional da empresa; • Operacionais – As decisões operacionais são aquelas que dizem respeito à seleção e orientação dos níveis operacionais da empresa. Além destas categorias, o processo decisó-rio pode variar também quanto à sua forma. Neste quesito, podemos classificar as decisões como: • Programáveis – tratam-se aqui as decisões que seguem conjunto de técnicas e méto-dos já conhecidos, ou seja, a escolha de uma linha de ação já convencionada; • Não programáveis – São decisões ino-vadoras, que não seguem caminhos pré- -determinados, e acabam exigindo maior esforço para que se possa realizar o diag-nóstico do problema, e sua identificação através de levantamentos. CONDIÇÕES PARA TOMADA DE DECISÕES Existem três condições, um dos aspectos do estado da natureza citado anteriormente, em que as decisões podem ser tomadas, e dizem respeito ao grau de conhecimento detido pelo tomador de decisão no memento da escolha do curso de ação. São elas: a) Incerteza: É um contexto em que o to-
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 115 mador de decisão dispõe de nenhum ou pouco conhecimento acerca dos possí-veis resultados de sua escolha; b) Risco: O tomador de decisões tem infor-mação suficiente para estimar até certo ponto o resultado de sua decisão, po-rém, há mais de um resultado provável; c) Certeza: O gestor tem conhecimento total das consequências de cada alternativa de ação para aresolução do problema. ABORDAGENS AO PROCESSO DECISÓRIO Caravantes (2006) cita duas maneiras distin-tas de se conduzir o processo decisório: O Modelo Racional e o Modelo Comportamental. Modelo Racional Este modelo pressupõe a racionalidade por parte dos tomadores de decisão. Para sua adoção, é necessário que: • O tomador de decisões tenha acesso a in-formações completas e de alta qualidade; • Tenha uma ampla gama de alternativas; • Seja Racional; • Tenha em mente, ao longo de todo o pro-cesso, os melhores interesses da organi-zação, acima inclusive de seus próprios.
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    116 Administração Seconsiderarmos todos estes critérios para sua adoção, podemos perceber que dificilmente o modelo racional poderá ser implementado efe-tivamente, uma vez que existem n variáveis, que vão desde satisfação pessoal e profissional, estado emocional, ao seu acesso a informações, interferin-do no poder de decisão do administrador. Modelo Comportamental O Modelo comportamental no processo deci-sório, que foi introduzido por Hebert Simon, apre-senta- se como uma alternativa em um universo de variáveis que não permitem ou favorecem a adoção do modelo racional. Ao contrário do modelo anterior, o modelo comportamental aceita o fato de que o gerente nem sempre tem acesso a informações perfeitas, sejam no que diz respeito a completude, ou a sua acurácia. Outro contraponto ao modelo racional é a possibilidade de o gerente contar com poucas al-ternativas para a resolução do problema. Isto pode decorrer de seu desconhecimento de determinadas soluções ou apenas da dificuldade de se prever os resultados da adoção de algumas delas. Os gerentes são caracterizados, no modelo comportamental como seres de racionalidade de-limitada, conforme Caravantes (2006), assim, mes-mo tentando ser racionais, suas decisões serão in-fluenciadas, sua racionalidade recebe as limitações decorrentes, de fatores endógenos, como seus va-lores e experiências anteriores. Por fim, espera-se que o gerente se envolva em um processo comportamental conhecido como Satisficing, ou seja, a escolha da primeira alternati-
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 117 va que se adéque, mesmo que em termos mínimos às necessidades para solução do problema. Além do Satisficing, podemos citar aqui ou-tros processos comportamentais envolvidos no processo decisório, como a Escalada do Compro-metimento. A Escalada do Comprometimento é um processo pelo qual, mesmo tendo cometido um erro de julgamento, as pessoas tendem a se ape-gar à decisão tomada até o fim. Isso se deve ao comprometimento que as pessoas assumem com suas decisões mesmo quando elas estão erradas. O último exemplo abordado aqui é o Enqua-dramento da Decisão é o modo pelo qual a situação da decisão é vizualizada pelo tomador de decisão em termos de ganho ou perda em potencial. Quan-do a alternativa constitui uma perda em potencial, é comum que os administradores assumam posturas de maior risco. Já quando ela pode acarretar ganhos, ocorre o contrario da situação anterior, e se escolhe as linhas de ações com menores índices de riscos. Ao se escolher a alternativa mais arriscada em uma situação em que os prejuízos são inevitáveis, consequências mais graves são mais comumente ob-servadas. Para evitar a Assumpção de posturas exces-sivamente arriscadas nestas situações, existem algu-mas medidas que podem ser adotadas, dentre elas: • Treinar os gerentes para que tenham ple-no conhecimento dos efeitos do enqua-dramento realizado de certas maneiras; • Tentar adotar múltiplos enquadramentos de referencia para a abordagem do problema; • Evitar adotar ações de maneira impulsiva.
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    118 Administração FERRAMENTASAUXILIARES NO PROCESSO DE-CISÓRIO Existem diversas técnicas para a melhoria da habilidade de um gestor em tomar decisões, dentre elas podemos citar: • Matriz de Payoff – Ferramenta que envolve o cálculo dos valores esperados como re-sultado das alternativas disponíveis. Esta ferramenta só pode ser aplicada quando a probabilidade de cada um dos resultados pode ser estimada individualmente. • Árvores de Decisão – Trata-se da exten-são da matriz de payoff em que estima- -se resultados subsequentes à tomada da primeira decisão. Da mesma forma que a ferramenta anterior, o gerente terá que calcular as chances de ocorrência de to-dos os resultados possíveis em todos os níveis. Atualmente, a Tecnologia de infor-mação maximizou os resultados do uso de árvores de decisões, facilitando a vida dos tomadores de decisões. • Modelo de Inventário – É uma ferramenta que auxilia o gerente na manutenção de níveis ótimos de inventários, equilibran-do os custos de aquisição com a necessi-dade de consumo da organização.
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 119 Indicação de Leitura Complementar Procure conhecer mais sobre este conteúdo na vi-são de: CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Admi-nistração. 3. ed. Campus, 2004. Além do seu complemento com: CARAVANTES, G. Administração, teorias e processo. 2005, p.88. A leitura será um complemento ao que foi exposto neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica sobre a referida abordagem. Para Refletir Olá, caro leitor, a organização se trata de um sis-tema de decisões em que cada pessoa participa consciente e racionalmente escolhendo e decidindo entre alternativas mais ou menos racionais que são apresentadas de acordo com sua personalidade, motivações e atitudes. Neste sentido, reflita sobre a seguinte afirmação: As pessoas são processadores de informação, cria-doras de opinião e tomadoras de decisão.
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    120 Administração 3.4Teoria Estruturalista Vamos iniciar este conteúdo com a leitura da metáfora abaixo: Os Cegos e o Elefante - John Godfrery Saxe (1816-1887): Certa época, no Hindustão, viviam sete cegos sábios, inclinados a aprender muito e a orientar, passavam o dia discutindo e brigando em relação aos seus pontos de vista individuais. Certo dia, o sétimo cego se revoltou e disse: vocês não conse-guem viver em harmonia, sequer escutam uns aos outros, vou embora morar na montanha. Um certo dia chegou um circo na cidade e to-dos eufóricos correram para ver o circo chegando. Dentre os animais, existia um enorme elefante que era a atração principal. Neste momento, os cegos correram também para conhecer o magnífico animal que ali se encon-trava e cada um, por observação, poderia satisfazer sua mente sobre o significado do animal.
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 121 O Primeiro aproximou-se do Elefante, e acon-teceu de chocar-se contra seu amplo e forte lado Imediatamente começou a gritar: “Deus me aben-çoe, mas o Elefante é semelhante a um muro”. O Segundo, pegando na presa, Gritou, “Oh! O que temos aqui, tão redondo, liso e pontiagudo? Para mim isto é muito claro. esta maravilha de elefante é muito semelhante a uma lança!” O Terceiro aproximou-se do animal e acon-teceu de pegar a sinuosa tromba com suas mãos. Assim, falou em voz alta: “Vejo”, disse ele, “O Ele-fante é muito parecido com uma cobra!” O Quarto esticou a mão, ansioso e apalpou em torno do joelho. “Com o que este maravilhoso animal se parece é muito fácil”, disse ele: “Está bem claro que o Elefante é muito semelhante a uma árvore!” O Quinto, por acaso, tocou a orelha, E disse: “Até um cego pode dizer com o que ele se parece: Negue quem puder, esta maravilha de Elefante é muito parecido com um leque!” O Sexto, mal havia começado A apalpar o animal, Pegou na cauda que balançava E veio ao seu alcance. “Vejo”, disse ele, “O Elefante é muito parecido a uma corda!” Neste momento chegava, descendo da mon-tanha, o sétimo cego acompanhado por um meni-no, o qual perguntou: o que está acontecendo? O menino respondeu dizendo: é um circo que che-gou e os cegos sábios estão envolta do elefante a apaupá-lo. Assim, o sétimo cego pediu ao menino que desenhasse no chão o contorno do animal e ao tocar concluiu: Esses homens sábios do Hindustão discutem cada um com sua opinião, excessivamen-
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    122 Administração terígida e forte. Embora cada um estivesse, em parte, certo, todos estavam errados! (MINTZBERG, 2004). Mintzberg (2004) afirma que como ninguém teve a visão para enxergar o animal inteiro, cada um tocou uma ou outra parte e prosseguiu em to-tal ignorância a respeito do elefante. Somando as partes, certamente teremos um elefante. O elefan-te, contudo, é mais do que a soma delas. Embora saibamos que para compreender o todo, também precisamos conhecer cada membro. Após conhecer esta metáfora, caro leitor, você pode compreender que a abordagem estru-turalista pode ser definida como uma tentativa de englobar aspectos importantes da abordagem clás-sica e das relações humanas. Ao analisarmos a organização sob a ótica es-truturalista, estamos fazendo uma análise do todo organizacional. Mais que isso, estamos reconhecen-do a integração e a interdependência das áreas da organização e a influência direta que exercem umas sobre as outras. Cabe aos estruturalistas o mérito de serem os primeiros a incluírem o ambiente externo na vida organizacional, bem como perceberem a inter-dependência de fatores antes considerados isola-damente no todo organizacional. Para os estudiosos da abordagem estru-turalista, o todo é maior que a soma das partes.
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 123 Motta (1998) caracteriza o estruturalismo me-diante os seguintes conceitos: • Um sistema aberto e deliberadamente construído; • Um sistema onde os conflitos são inevitá-veis e muitas vezes desejáveis; • Considera que a motivação acontece por um conjunto de fatores; • Interpreta a natureza humana, no sentido do homem organizacional; • Busca resultados. A figura central da abordagem estruturalista foi Amitai Etzione o qual desenvolveu uma carreira bem-sucedida como sociólogo organizacional, sen-do um dos criadores da Teoria Estruturalista. Teoria Estruturalista Ao final da década de 1950, a Teoria das Re-lações Humanas, entrou em declínio. Essa primeira tentativa sistemática de introdução das ciências do comportamento na teoria administrativa gerou uma profunda reviravolta na Administração. Se, de um lado, buscou-se combater as crí-ticas à teoria clássica, por outro lado não propor-cionou as bases adequadas de uma nova teoria que pudesse substituí-la. A oposição entre a Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas criou um impasse dentro da Administração que mesmo a Te- Amitai Etzione
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    124 Administração oriaBurocrática não teve condições de ultrapassar. A Teoria Estruturalista reapresenta um dobra-mento da Teoria da Burocracia e uma leve aproxi-mação à Teoria das Relações Humanas. Dessa for-ma, conforme Caravantes (2005, p.88), veja sobre as origens da teoria estruturalista. Origens da Teoria Estruturalista segundo Cara-vantes (2005, p.88) As origens da Teoria Estruturalista na Admi-nistração foram as seguintes: • À medida que vão se criando as teorias da Administração, a teoria subsequente sempre busca corrigir as falhas da an-terior. Neste sentido, a oposição surgi-da entre a Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas – incompatíveis entre si – mostrou a necessidade de uma teo-ria que abrangesse os aspectos que eram considerados por uma e omitidos pela outra. • A influência do estruturalismo nas ciên-cias sociais e sua repercussão no estudo das organizações. • Novo conceito de estrutura. O conceito de estrutura é bastante antigo, ou seja, a estrutura mantém-se mesmo com a al-teração de um dos seus elementos ou relações.
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 125 A Sociedade das Organizações A sociedade contemporânea tem como carac-terística a existência de uma grande quantidade de organizações, a ponto de se poder afirmar que o homem passa a depender delas para nascer, viver e morrer. Esse aspecto das sociedades modernas re-quer um tipo todo especial de personalidade, na qual estejam presentes todos os anseios do cida-dão moderno. A mediação dos conflitos na busca pelo equi-líbrio das relações de trabalho. O desejo permanente de realização que ga-rante a conformidade com as normas, que possi-bilitam o crescimento profissional. Desta forma, a cooperação é conseguida como moeda de troca na busca pela recompensa financeira, material ou pes-soal, tornando o sujeito, dependente dos proces-sos de socialização. Dessa forma, o homem organizacional, apre-senta uma personalidade individualista, imediatista e capitalista. Parece, entretanto, que algumas das virtu-des menores do protestantismo ascético, tais como a laboriosidade, a pontualidade, a integridade, o conformismo e a realização desempenham um pa-pel de enorme relevância na determinação do com-portamento do homem organizacional. A máquina organizacional, em seu excesso de controle, pode causar nas pessoas que parti-cipam da organização, um certo conformismo e acomodação com a situação imposta. No entanto, esse mesmo sujeito passível de conformismo pode, através de seu desejo de realização, causar uma
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    126 Administração mudançaorganizacional a qual pode mudar todo o contexto da empresa. Veja abaixo, de acordo com Muniz (2007, p.81-84) a análise das organizações e suas etapas. Análise das Organizações A análise das organizações, baseia-se na in-ter- relação entre as teorias pré-sistemas, constituin-do- se em uma abordagem múltipla que envolve: 1. Organização formal e informal. 2. Recompensas salariais e materiais além das recompensas sociais e simbólicas. 3. Todo os diferentes níveis hierárquicos de uma organização. 4. Todo os diferentes tipos de organizações. 5. A análise intra-organizacional e a análise interorganizacional. 1. Abordagem Múltipla: Organização Formal e Informal • Para os estruturalistas, a organização é vista como uma unidade social grande e complexa, na qual estão integrados mui-tos grupos sociais. • A Teoria das Relações Humanas enfatizou as relações informais entre os funcionários. • A organização formal traduz o cenário organizacional determinado pela admi-nistração: divisão do trabalho e poder de controle, as regras e regulamentos, o controle de qualidade etc.
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 127 2. Abordagem Múltipla: Recompensas Mate-riais e Sociais • O significado das recompensas é um pode-roso fator de incentivo que reforça o com-promisso entre empregado e empregador. • Para que as recompensas, sejam elas sociais e/ou simbólicas tenham uma resposta positi-va, deve haver uma clara percepção de com-prometimento por parte dos empregados. No entanto, as recompensas sociais apresentem um resultado menor para os funcionários de níveis mais baixos, do que para aqueles que ocupam funções mais elevadas. 3. Abordagem Múltipla: Os Diferentes Enfo-ques da Organização • Na visão dos estudiosos do estruturalismo, as organizações podem se basear no mo-delo racional, através do alcance de metas, ou no modelo natural, através da hierarquia; • Quanto aos objetivos organizacionais para os estruturalistas, são explicados que to-dos os aspectos e componentes da orga-nização são deliberadamente escolhidos em função de sua contribuição aos obje-tivos e, as estruturas organizacionais são definidas para alcançar a eficiência, os re-cursos são adequados e alocados de acor-do com um plano diretor, todas as ações são apropriadas e iniciadas por planos e seus resultados devem coincidir com eles.
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    128 Administração •Daí a ênfase no planejamento e no contro-le. Tudo na organização deve ser passível de controle e este é exercido de acordo com um plano maior, o qual relaciona as causas e efeitos aos objetivos diretos. 4. Abordagem Múltipla: Os Níveis da Orga-nização Dentre as características das organizações, uma das principais é a hierarquia de autoridade. O dia-a-dia nas empresas é rodeado de problemas e conflitos a serem solucionados. Neste contexto, eles são classificados em três níveis: institucional, gerencial e técnico, sendo que: • O Nível institucional, composto por fun-cionários de alto escalão é também de-nominado nível estratégico, por ser res-ponsável pela definição dos principais objetivos e das estratégias organizacio-nais, relaciona-se com assuntos com re-torno a longo prazo e com a totalidade da organização. • O Nível gerencial, considerado como o nível intermediário. Por estar entre o ins-titucional e o técnico, busca fazer a inte-gração entre eles. • Quanto ao Nível técnico, este localiza- -se na parte operacional da organização, onde as tarefas são executadas.
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 129 5. Abordagem Múltipla: A Diversidade de Or-ganizações • Enquanto os estudos voltados à Adminis-tração Científica e à Escola de Relações Humanas eram enfatizadas nas indústrias, a abordagem estruturalista ampliou o campo da análise da organização, a fim de incluir outros tipos diferentes de organi-zações além das industrias: organizações pequenas, médias e grandes, públicas e privadas, empresas dos mais diversos ti-pos, organizações militares, organizações religiosas, organizações filantrópicas, par-tidos políticos, prisões, sindicatos etc. 6. Abordagem Múltipla: Análise Interorgani-zacional Neste contexto, os estruturalistas ampliam a abordagem passando a preocuparem-se também com os fenômenos que ocorrem externamente às empresas, mas que a afetam internamente. Os as-pectos internos são melhor entendidos quando são conhecidos os aspectos externos que os provocam. A análise organizacional se utiliza das infor-mações inerentes tanto ao ambiente interno quanto ao externo da empresa, visto que há uma estreita relação entre ela e o meio que está inserida. Além desse tipo de análise, os estruturalis-tas começam a se preocupar com o ambiente entre organizações, ou interorganizacional. Essa análise do comportamento tornou-se relevante a partir da crescente complexidade ambiental e da interdepen-dência das organizações.
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    130 Administração Indicaçãode Leitura Complementar Procure conhecer como é vista a teoria estruturalis-ta na visão de: CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Admi-nistração. 3. ed. Campus, 2004. Além do seu complemento com: CARAVANTES, G. Administração, teorias e processo. 2005, p.88 A leitura será um complemento ao que foi exposto neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica sobre a referida abordagem. Para Refletir Olá, caro leitor, ainda estamos no enfoque organi-zacional, neste momento você pode notar a influ-ência da teoria clássica e seus autores através dos diversos estudos sobre os níveis organizacionais, sobre a relação formal e informal. Neste sentido, reflita sobre a seguinte afirmação: Encontrar o equilíbrio entre os elementos racionais e não racionais do comportamento humano consti-tui um ponto principal da vida, da sociedade e do pensamento moderno. Constitui também o proble-ma central da teoria organizacional. Aproveite para conhecer a opinião de seus colegas no ambiente virtual de aprendizagem.
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    Tema 3 |Enfoque comportamental 131 Resumo Muito bem, caro aluno, chegamos ao final de mais um capítulo em nossa viagem pelas teorias da Administração. Na passagem pelo enfoque com-portamental, você pode conhecer a influência da psicologia na ciência da Administração e pode re-fletir sobre a motivação, a liderança, a gerência e a importância de se conhecer o outro e desenvolver uma relação ética e profissional, é essencial para o crescimento de uma empresa. Na sequência, você passou a entender que deve-se ter critérios para a tomada de decisão gerencial e que o processo decisório em uma organização está muito baseado no fator racional. Durante essa viagem, você chegou à teoria do de-senvolvimento organizacional e passou a entender que o mundo está em constantes mudanças e que aquela empresa ou até mesmo aquela pessoa que não se adaptar às novas realidades impostas pelo ambiente, poderá ser conduzida ao fracasso. Diante da grande importância deste enfoque com-portamental é que a Administração passou a mudar sua história, dando maior ênfase na relação empre-sa, indivíduo, ambiente.
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    Enfoque Sistêmico 4 A teoria de sistemas é um ramo específico da teoria geral de sistemas e fundamenta-se em três premissas básicas: os sistemas existem dentro de sistemas; os sistemas são abertos, caracterizados por um processo de intercâmbio com o ambiente e; as funções de um sistema dependem de sua estrutura. A perspectiva sistêmica mostra que a organização deve ser administrada como um todo complexo, em oposição a focar as partes em separado. Os parâmetros dos siste-mas são: entrada, processamento, saída, retroação e ambiente. A abordagem contingencial tenta explicar a inexistência de um modelo padrão para as empresas alcançarem seus objetivos, visto que a complexidade de uma organização impossibilita aproveitar na íntegra uma prática de sucesso utilizada em outra empresa, até porque existem variáveis, como a cultural, que detêm grande influência neste contexto. Importante que chamemos atenção ao fato de que não se trata exatamente de uma teoria administrativa, mas a teoria do Desenvol-vimento Organizacional é um movimento que reuniu vários autores com o objetivo de fazer uso das ciências do comportamento na Admi-nistração. Por fim, você vão ter contato com as Abordagens Emergen-tes, pois é importante termos em mente ainda que com a evolução da ciência da Administração e a chegada do século XXI, podemos notar a influência da era da informação no contexto organizacional. Com isso, novas abordagens foram se destacando, dentre elas: vantagem competitiva sustentável, posicionamento de mercado, ecologia orga-nizacional, redes sociais, gestão do caos.
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    134 Administração 4.1Teoria de Sistemas O conceito da teoria geral de sistemas foi introduzido pela biologia, através de Ludwig Von Bertalanffy (1901-1972), antes dele, tínhamos ape-nas como estudo, o método analítico de René Des-cartes: a decomposição do todo em partes. Os estudos de Bertalanffy eram relacionados a abordagem orgânica, onde o organismo é um todo maior que a soma de suas partes. Fez uma severa crítica à afirmação de que o mundo é dividi-do em diferentes áreas, como a física, química, bio-logia. Oposto a isso, sugeriu que um sistema devia ser estudado em seu todo com envolvimento de suas interdependências, pois cada um dos elemen-tos, ao serem reunidos para constituir uma unidade funcional maior, desenvolvem qualidades que não se encontram em suas partes isoladamente. Sistema: Conceito e Hierarquização Como definição mais apropriada, podemos considerar aquela que cita o sistema como: qualquer entidade conceitual ou física, composta por partes inter-relacionadas, interatuantes ou interdependentes, dota-da de um objetivo. Um dos primeiros teóricos a tratar explici-tamente da complexidade sistêmica foi Kenneth Boulding (1910-1993), o qual classificou nove níveis crescentes de complexidade de um sistema, que são, segundo Caravantes (2005, p.147-148):
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 135 • Estruturas estáticas: sistemas imóveis re-lacionados a uma estrutura fixa; • Sistemas dinâmicos simples: compostos de partes dotadas de movimentos conhe-cidos e previsíveis; • Sistemas cibernéticos: sistemas que dis-põem de mecanismos de controle e retro-alimentação; • Sistemas abertos: sistemas que apresen-tam características de auto-reprodução; • Sistemas genéticos: sistemas compostos de associação de diversos sistemas aber-tos interdependentes; • Animais: sistemas que adicionam ainda a capacidade de comportamento teleológi-co e consciente; • Seres humanos: sistemas ainda mais complexos que contam também com a capacidade de aprendizagem, consciência de si e reflexibilidade; • Sistemas sociais: organizações sociais fundadas em valores culturais e represen-tações coletivas; • Sistemas transcendentais: sistemas in-compreensíveis.
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    136 Administração Bouldingobservava que os métodos cientí-ficos da época de 50 eram limitados pelo fato de explicarem fenômenos até os sistemas abertos. O conhecimento científico passa a ter neste contexto um novo objetivo, o aumento da complexidade dos sistemas biológicos (plantas, animais e seres hu-manos) e sociais (organizações). Componentes de um sistema e suas características 1. Insumos (entradas, inputs): Recursos mate-riais, humanos, financeiros e tecnológicos. 2. Processamento (throughput): Transfor-mar os insumos recebidos em algo dese-jável e esperado. 3. Saídas (produtos, outputs): Produto ou sa-ída, que será colocado no meio ambiente.
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 137 4. Entropia: É a tendência que tem os orga-nismos, quaisquer que sejam, no sentido da desagregação. 5. Homeostase: É o reequilíbrio do sistema. 6. Retroalimentação (feedback): É a capaci-dade do sistema reajustar sua conduta em função do desempenho já ocorrido. 7. Decomposição do sistema em subsiste-mas: Os elementos de um sistema po-dem considerar-se como subsistemas, cujos elementos podem ser subsistemas de ordem inferior. Assim, a empresa, considerada como um sistema é com-posta de subsistemas, considerados de-partamentos que são compostos de ou-tros subsistemas, as seções e assim por diante(CARAVANTES, 2005, p.149). Tipologia dos sistemas Na tipologia dos sistemas organizacionais, destacamos os sistemas mecanísticosorganísmicos, o sistema sóciotécnico e o modelo organizacional, conforme Muniz (2007, p.268). Sistemas mecanísticos e organísmicos de Burns(1913-2001) e Stalker Seus estudos nos anos 50 deram início à teoria contingencial, com ênfase na adaptação ao ambiente, o qual em constantes mudanças, gerava novos problemas e desafios. Frente a isso, surge
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    138 Administração anecessidade das organizações em assumir uma postura de flexibilidade e abertura, para que a im-previsibilidade organizacional seja vista como um diferencial competitivo. Dessa forma, criaram os sistemas mecanís-tico e organísmico, como segue: • Mecanísticos: mecânico – adequado a condições relativamente estáveis. Há uma nítida hierarquia de controle, e a responsabilidade pelo conhecimento glo-bal e pela coordenação, situa-se no topo da hierarquia. Enfatiza-se a comunicação vertical de cima para baixo, havendo a insistência em relação à lealdade organi-zacional e obediência aos superiores. • Organísmico: orgânico – adequado a con-dições instáveis, quando surgem continu-amente problemas novos e não familiares que não podem ser decompostos e distri-buídos entre os papéis existentes. Sistema sociotécnico de Trist (1911-1993) Teve sua origem na teoria de sistemas de Ber-talanffy( 1901-1972), onde com base neste sistema sociotécnico, qualquer organização, lucrativa ou não, tem seu resultado desejado atingido através da ação de um sistema social e um sistema técnico que se inter-relacionam alcançando os objetivos traçados. Assim, o sistema sociotécnico identifica a in-ter- relação da tecnologia com a estrutura social da organização que se compõem de dois subsistemas: • Subsistema social, onde são envolvidos os trabalhadores com suas características
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 139 e seu nível de qualificação, além das re-lações sociais dentro da organização e as condições de trabalho. • Subsistema técnicocorresponde às ta-refas a serem realizadas e as condições técnicas para a sua realização. Modelo organizacional de Katz e Kahn No modelo criado pelos dois autores, temos o conceito de inclusão parcial do ser humano na organização e o conceito de papel, que seria a real atribuição do funcionário na organização. O modelo organizacional desenvolvido tem como bases as características típicas de um sistema social aberto, que são de acordo com Muniz (2007, p.276): • Ciclo de eventos: considera-se a troca de energia de caráter cíclico; • Entropia negativa; • Estado firme e homeostase dinâmica; • Equifinidade; • Importação de energia: quando há a ne-cessidade de utilização de energia exter-na ao sistema; • Transformação: enquanto ao realizar um trabalho, os sistemas transformam a energia do processo, a organização cria um produto ou proporciona um serviço; • Outputs: quando o produto final é expor-tado para o meio ambiente;
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    140 Administração Modelode Homem O homem funcional, presente na teoria sistê-mica, comporta-se em um dos papéis dentro da or-ganização, inter-relacionando-se com os demais in-divíduos, como um sistema aberto. Em suas ações, em um conjunto de funções, mantém expectativas quanto ao papel dos demais participantes e procu-ra enviar aos outros as suas expectativas. Seu comportamento organizacional é traduzi-do como interativo, participativo e grupal, pois in-terage como elemento do sistema social existente, de acordo com seus valores, normas e função. O sistema de motivação a ser adotado para incentivar o homem funcional deverá ser o multimotivacional, buscando dessa forma, satisfazer a suas necessida-des, expectativas dentro do contexto organizacio-nal em que se encontra. Indicação de Leitura Complementar Procure conhecer as opiniões de Geraldo Caravan-tes em: CARAVANTES, Geraldo. Administração Teo-ria e Processos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005, p. 145-157). E também no artigo digital: http://bit.ly/maria_alice_ borges Esta leitura lhe possibilitará complementar o assun-to aqui descrito e o ajudará a formar seu juízo de valor sobre o assunto.
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 141 Para Refletir Caro leitor, agora que você entendeu a relação en-tre a teoria de sistemas e a Administração, reflita sobre o que vem a ser uma visão sistêmica, como você a exemplificaria em relação ao nosso país ou na organização que você atua, ou até mesmo em sua vida pessoal.
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    142 Administração 4.2Teoria Contingencial Na segunda metade da década de 70 mais um enfoque de ciências administrativas chega à América Latina, o enfoque contingencial ou situacional. Esse enfoque representa, em última análise, a constatação de que continua não existindo uma teoria administrativa aplicável a todos os casos e a todas as circunstâncias. Cada um dos enfoques ou combinação de enfoques se presta melhor à análise de certa e determinada situação do que outro enfo-que ou combinação de enfoques (WARLICH, 1986). Contingência é algo incerto ou eventual, algo que pode ou não ocorrer. A abordagem contingencial tenta explicar a inexistência de uma receita, um modelo padrão para as empresas alcançarem seus objetivos, visto que a complexidade de uma organização impossi-bilita aproveitar na íntegra uma prática de sucesso utilizada em outra empresa, até porque existem va-riáveis, como a cultural, que detêm grande influên-cia neste contexto. (CHIAVENATO, 1999). Os autores neoclássicos procuraram au-mentar o grau de abrangência da Escola Clássica, acrescendo aspectos das teorias comportamentais, mantendo as premissas básicas da Teoria Clássi-ca. “A abordagem contingencial seguiu o mesmo caminho, incorporou os pressupostos da teoria de sistemas sobre a interdependência e a natureza or-gânica da organização, além de incorporar também o caráter aberto e adaptativo das organizações e a necessidade de ser flexível em face às mudanças, procurando formas de unir a teoria com a prática, em uma abordagem sistêmica (SCOTT & MICHELL apud CARAVANTES, 1998).
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 143 Origem da Teoria Contingencial Os estudiosos da teoria contingencial, bus-cando verificar os modelos de estruturas organi-zacionais mais eficazes em determinados tipos de indústrias, realizaram inúmeras pesquisas, as quais os fizeram chegar aos resultados abaixo: • A estrutura de uma organização e o seu funcionamento são dependentes da sua relação com o ambiente externo. • Com a Teoria da Contingência muda o foco da gestão de dentro para fora da organização - ênfase no ambiente e nas necessidades do ambiente sobre a dinâ-mica das organizações; • Não há “a melhor maneira”(“thebestway”) de se organizar, tudo depende (it depen-ds , çadepend ) das características ambien-tais significativas p/ a organização; • Não há nada de absoluto nas organiza-ções ou na teoria administrativa. Tudo é relativo, tudo depende. (relação funcional -se-então) Dessa forma, a Teoria da Contingência apre-senta os seguintes aspectos básicos: • Natureza sistêmica, isto é, ela é um sis-tema aberto; • Interação entre si e com o ambiente;
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    144 Administração •Características ambientais são variáveis independentes, enquanto as característi-cas organizacionais são variáveis depen-dentes daquelas. PAUL R. LAWRENCE& JAY W. LORSCH Pesquisaram sobre os defrontamentos: orga-nização x ambiente; grupo x grupo e; indivíduo x organização. O desenvolvimento destas inter-rela-ções conduz a análise das metas organizacionais e dos objetivos dos seus participantes. O trabalho deles marca o aparecimento da Teoria da Contingência. O próprio nome Teoria da Contingência derivou desta pesquisa. Com isso, es-tudaram as características que devem ter as em-presas para enfrentar com eficiência as diferentes condições externas, tecnológicas e de mercado. Os autores concluíram que os problemas organizacio-nais básicos são a diferenciação e a integração. • Conceito de diferenciação: parte da pre-missa de que a organização de ser divi-dida em áreas de acordo com suas espe-cificidades; • Conceito de integração: a integração refe-re- se ao conceito oposto, ou seja, a bus-ca da unidade de esforços para se atingir os resultados esperados; • Conceito de integração requerida e de diferenciação requerida: a diferencia-ção e integração requeridas referem-se a predições de exigências do ambiente
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 145 da empresa. Sustentam que a empresa que mais se aproxima das características requeridas pelo ambiente esta mais sujei-ta ao sucesso do que a empresa que se afasta muito delas. Conclusões dos autores As indústrias com elevado desempenho apre-sentam as seguintes características: • Melhor ajustamento às necessidades do ambiente através de alta diferenciação principalmente nos departamentos rela-cionados diretamente com o problema ambiental; • Integração interdepartamental através de uma necessidade de trabalho conjunto e integrado. JOAN WOODWARD(1916–1971) - Procurou es-tabelecer uma relação entre sistemas de produção, tecnologia e gerenciamento. Concluiu que a tecnologia adotada pela em-presa influencia tanto sua estrutura quanto o com-portamento organizacional (MUNIZ, 2007, p.288). ALFRED CHANDLER – Desenvolveu pesquisas sobre mudanças estruturais nas organizações e as suas relações com a estratégia de negócios utiliza-da. Concluiu que a estrutura organizacional (dese-nho da organização) das grandes empresas ameri-canas era influenciada pela estratégia de mercado.
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    146 Administração TOMBURNS & G.M.STALKER Desenvolveram pesquisa visando conhecer a relação entre as prá-ticas administrativas e o ambiente externo de vinte indústrias inglesas, como resultado do trabalho, puderam classificar as indústrias em dois tipos: • Mecanísticas: ênfase nos princípios da Teoria Clássica; • Orgânicas: ênfase nos princípios da Teo-ria das Relações Humanas. Para Burns e Stalker o ambiente é que determina a estrutura e o funcionamento das organizações. Ambiente É tudo aquilo que envolve externamente as organizações (ou sistemas), é o contexto (ambiente geral e ambiente de tarefa ou operacional) Modelo de Homem O homem relacionado à teoria da contingên-cia é considerado como um sistema complexo de valores, percepções, características pessoais e ne-cessidades inerentes a cada indivíduo. Age como um sistema buscando o equilíbrio interno diante das demandas que lhe são feitas pelas forças exter-nas do ambiente (MUNIZ, 2007, p.321).
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 147 Características das organizações mecanísticas • Estrutura burocrática assentada em minu-ciosa divisão do trabalho; • Cargos ocupados por especialistas com atribuições perfeitamente definidas; • Altamente centralizadas, as decisões são geralmente tomadas nos níveis superio-res da empresa; • Hierarquia rígida • Sistema simples de controle: a informação ascendente sobe através de uma sucessão de filtros e as decisões descem através de uma sucessão de amplificadores; • Predomínio da interação vertical entre su-perior – subordinado; • Amplitude de controle do supervisor mais estreita; • Maior confiança nas regras e procedimen-tos formais; • Ênfase nos princípios da Teoria Clássica. Características das organizações orgânicas • Estruturas flexíveis que nem sempre po-dem sofrer divisão do trabalho e frag-mentação bem definida;
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    148 Administração •Cargos continuamente redefinidos por in-teração com outros indivíduos participan-tes da tarefa; • Relativamente descentralizadas, com de-cisões delegadas aos níveis inferiores; • Tarefas são executadas à luz do conheci-mento que os indivíduos têm das tarefas da empresa como um todo; • Predomínio da interação lateral sobre a vertical; • Amplitude de controle do supervisor mais ampla; • Maior confiança nas comunicações; • Ênfase nos princípios da Teoria das Rela-ções Humanas. Adhocracia Esta se constitui como um sistema organiza-do através de problemas a serem resolvidos por grupos de pessoas com habilidades profissionais diversas. A Adhocracia é o oposto da burocracia em termos organizacionais, ela é a alternativa para àquelas empresas que necessitam de criatividade e inovação, e quando as tarefas são mais técnicas e apresentam uma complexidade maior além de mos-trarem em alguns casos resultados imprevisíveis. É na teoria contingencial que essa prática se torna apropriada e eficaz.
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 149 Indicação de Leitura Complementar Procure conhecer as opiniões de outros profissio-nais sobre o assunto, através dos artigos: http://bit.ly/administracao e; http://bit.ly/dosgregosateoriau Estas leituras lhe possibilitarão complementar o as-sunto aqui descrito e o ajudará a formar seu juízo de valor sobre o assunto. Para Refletir Após sua leitura atenta sobre o assunto, temos cer-teza que você notou a grande semelhança entre contingência e situação, não é? Pois então, caro aluno, essa é realmente a teoria ou abordagem situacional, nela parte-se da premis-sa de que não há uma proposta de planejamento organizacional que seja a melhor em todas as si-tuações e, sim, que as circunstâncias (ou contin-gências) de cada caso tornam mais produtiva uma determinada solução organizacional. Reflita com seus colegas sobre isso!!!
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    150 Administração 4.3Abordagens do Desenvolvimento Organiza-cional O movimento de Desenvolvimento Organiza-cional - DO se origina da década de 60 como um resultado funcional da Teoria Comportamental, vol-tada a uma abordagem sistêmica. Importante que chamemos atenção ao fato de que não se trata aqui exatamente de uma teoria administrativa, mas de um movimento que reuniu vários autores com o ob-jetivo de fazer uso das ciências do comportamento na Administração (CARAVANTES, et al., 2006). Segundo French e Bell, chama-se Desenvol-vimento Organizacional o “esforço de longo prazo, apoiado pela alta direção, no sentido de melhorar os processos de resolução de problemas de reno-vação organizacional, particularmente por meio de um eficaz e colaborativo diagnóstico e administra-ção da cultura organizacional - com ênfase especial nas equipes formais de trabalho, equipes temporá-rias e cultura intergrupal - com a assistência de um consultor-facilitador e a utilização da teoria e da tecnologia das ciências comportamentais, incluindo ação e pesquisa” (CHIAVENATO, 2004). Este conceito foi construído a partir da deri-vação da Teoria Comportamental, realizada por um grupo de cientistas sociais e consultores de empre-sas, com uma abordagem mais atual ao desenvol-vimento planejado das organizações. A sua origem se deve a uma série de fato-res, dentre os quais podemos citar: • A dificuldade de operacionalizar os con-ceitos das diversas teorias administrati-vas – Isto se deve principalmente à diver-sidade de abordagens existente;
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 151 • Os estudos sobre a motivação humana - tais estudos evidenciaram a necessidade de uma abordagem da Administração que se voltasse para a interpretação da nova concepção do homem e da organização que se baseia na dinâmica motivacional; • A criação do National Training Laboratory (NTL) de Bethel – A criação deste labo-ratório trouxe com ele os resultados das primeiras pesquisas sobre o comporta-mento de grupo; Um mundo dinâmico – A grande diversidade de mudanças no mundo, como: • Transformações rápidas e inesperadas do ambiente organizacional. • Organizações maiores e mais complexas. • Maior variedade e sofisticação da tecno-logia, conduzindo à necessidade de inte-grar atividades, pessoas, e competências diferentes. Características do DO Dentre as características do DO, podemos ci-tar (CHIAVENATO, 2004): • Foco na organização – Para que as mu-danças possam efetivamente ser imple-mentadas, é necessário o envolvimento da organização em todos os seus níveis.
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    152 Administração Omesmo serve para a resolução de pro-blemas. • Orientação sistêmica - O DO busca trabalhar de forma integrada: a articulação entre as áreas da organização que sofrem influência umas das outras;as relações de trabalho in-terpessoais; a estrutura organizacional;e os processos organizacionais. O objetivo disso é tornar possível que todas estas partes trabalharem conjunta-mente de maneira eficaz, dando ênfase no relacionamento entre elas. • Agente de mudança - A DO utiliza como agentes de mudança, pessoas que de-sempenham o papel de estimular, orien-tar e coordenar a mudança dentro de um grupo ou organização. Existem ainda or-ganizações que têm um departamento de DO para detectar e conduzir as mudanças necessárias para aumentar a competiti-vidade organizacional. O administrador está se tornando um poderoso agente de mudança dentro das organizações. O seu novo papel está exigindo a aprendizagem de habilidades de diagnóstico da situa-ção e de implementação da mudança. • Solução de problemas – O foco é imple-mentar a resolução dos problemas de for-ma concreta, não permanecendo preso a um ciclo de discussões teóricas. Assim, a preocupação aqui são os problemas reais e não os artificiais.
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 153 • Aprendizagem experiencial - Os agentes envolvidos são treinados de forma práti-ca, em um ambiente detreinamento,a lidar com problemas que podem vir encontrar na execução de seu trabalho. É criado um espaço de discussão e análise daspraticas a que são submetidos para maior apren-dizagem. Esta metodologia é mais eficien-te para promover mudanças comporta-mentais que os métodos tradicionais de ensino. Apesar de ser fundamentalmente prática, esta abordagem não torna desne-cessário o estudo das teorias. • Processos grupais e desenvolvimento de equipes - O DO concentra-se na formação de equipes de trabalho, sejam formadas por pequenos ou grandes grupos, onde se busca a integração e cooperação aci-ma de interesses próprios. Trata-se de um movimento fundamentalmente an-tiautoritário. Para alcançar o sucesso nestas iniciativas os esforços se voltam para melhorar as relações interpessoais, aprimorar a co-municação, estabelecer relações de con-fiança, e estimular o comprometimento e as responsabilidades entre as pessoas. • Retroação - O DO gera informações para as pessoas acerca dos resultados e efei-tos de suas ações, para que assim, possa permitir a elas um processo de auto-aper-feiçoamento no intuito de melhorar seu desempenho frente a outras situações.
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    154 Administração •Orientação contingencial - O DO é flexí-vel e voltado à prática. Não adere a pro-cedimentos rígidos e pré-determinados, prezando pela adaptabilidade às situa-ções, adequando as ações à necessidade iminente diagnosticada. Assim, os agen-tes envolvidos discutem todas as abor-dagens possíveis para a solução de um problema. • Desenvolvimento de equipes - O DO pas-sa a frente da Teoria Comportamental quando passa a buscar a mudança da cultura e não dos indivíduos. Daí deriva a necessidade de realizar o DO por equi-pes, pois é um meio eficiente de realizar as mudanças planejadas na cultura da or-ganização. • Enfoque interativo – É fundamental que haja sinergia nas interações, sendo elas e a comunicação o enfoque principal do DO. Objetivos do DO Os objetivos gerais de um programa de De-senvolvimento Organizacional: • A construção de uma identificação das pessoas para com a organização, buscan-do aumentar a lealdade, o comprometi-mento e o compartilhamento de objeti-vos comuns. • Aumentar a integração e melhorar os
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 155 relacionamentos, para promoção de um maior espírito de equipe. • Melhoria da percepção comum sobre o ambiente externo a para facilitar a adap-tação da organização como um todo. O Método de Pesquisa-Ação e o DO Precisamos manter em mente que o Desen-volvimento organizacional é fundamentalmente pragmático. Ele se volta para as questões práticas da organização. assim, as ações que precisam ser implementadas não podem permanecer indefinida-mente no campo das ideias. O método de pesquisa-ação entra exatamen-te neste ponto, conjugando as duas coisas em um único processo, onde o pesquisador e os partici-pantes da equipe trabalham conjuntamente para a análise e desenvolvimento da situação-problema na organização (Caravantes, et al., 2006). Segundo Chiavenato (2004), a pesquisa ação envolve seis passos para sua execução: • Diagnóstico prévio do problema estudado; • Levantamento de dados para validação do resultado do diagnóstico; • Feedback aos participantes da organiza-ção das informações adquiridas; • Análise exploratória dos dados pelos agentes envolvidos;
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    156 Administração •Planejamento do curso de ação a ser adotado; • Implementação da solução escolhida. Etapas para Realização do DO Para a implementação de um programa de Desenvolvimento Organizacional, Chiavenato (2004) estabelece oito etapas a serem seguidas: • Decisão da direção da empresa de utilizar o DO - A direção da empresa deve tomar a decisão de usar o DO como instrumento para promoção da mudança organizacio-nal. Além disso, deve contratar um con-sultor externo para atuar na coordenação do programa. • Diagnóstico inicial – O consultor e a dire-ção da organização decidem de maneira conjunta o modelo de DO a ser aplica-do. O consultor realiza ainda nesta etapa uma pesquisa através de entrevistas com membros da organização para conseguir informações. • Colheita de dados - É realizada uma pesquisa para caracterizar o ambiente interno, avaliar o clima organizacional e levantar dados sobre problemas compor-tamentais. O consultor deve procurar se reunir com os colaboradores com o ob-jetivo de se informar sobre as condições que contribuem para a eficácia no traba-
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 157 lho e o que pode ser agente transforma-dor no funcionamento da empresa. • Retroação de dados e confrontação - São realizados a avaliação e revisão dos da-dos através de grupos de trabalho. Estes grupos deverão ainda mediar áreas de desentendimentos, localizar problemas e estabelecer as mudanças prioritárias. • Planejamento de ação e solução de pro-blemas – Com base nos dados levanta-dos, os grupos fazem recomendações sobre quais mudanças devem ser adota-das na solução dos problemas diagnosti-cados, no formato de planos específicos, que conduzirão as ações. • Desenvolvimento de equipes - O consul-tor encoraja a formação de grupos e de-senvolvimento de equipes para que cada participante enxerguem como os demais trabalham juntos e como se da a inte-ração entre os grupos. Para maior efici-ência e eficácia dos grupos, o consultor incentiva uma comunicação mais aberta possível e o estabelecimento da con-fiança como pré-requisitos. Os gerentes e seus subordinados passam a trabalhar em equipes. • Desenvolvimento intergrupal - Os grupos passam a realizar reuniões de discussão para melhorar o relacionamento intergru-pal entre as diversas equipes.
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    158 Administração •Avaliação e acompanhamento – Com a ajuda do consultor, a empresa avalia os resultados dos esforços empreendidos para a mudança e aplica novos progra-mas naquelas áreas onde se precisa de maiores resultados. Isto é feito por meio da retroação de dados. Modelos de DO Existem diversos modelos de DO, com dife-rentes abordagens, estratégias e conceitos, dentre os quais podemos citar: Modelo da Renovação Institucional de G. Ca-ravantes Segundo Caravantes, em seu Modelo de Re-novação Institucional (MRI) existem oito catego-rias que devem sempre estar inclusas em qualquer modelo que busque implementar mudanças e não apenas realizar diagnósticos de mudanças passa-das. São elas: • Missão Organizacional; • Agentes Potenciais; • Fator Crítico ou Estratégico; • Possibilidade Objetiva; • Participação e Consenso; • Estratégias de Aprendizagem; • Estágios de Desenvolvimento; • Contexto. Estas categorias não apresentam ordem de importância, sendo todas elas consideradas funda-mentais nesta abordagem.
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 159 Managerial grid* ou do tipo grid35 Trata-se de uma tecnologia integrada de DO, desenvolvida por Blake e Mouton, segundo a qual a mudança organizacional deve ter início no indi-viduo para que possa desencadear transformações nos níveis interpessoal, grupal e intergrupal, que devem anteceder as mudanças na estratégia e no ambiente interno da organização. Pode-se induzir a mudança e alcançar os resultados desejados de uma maneira ordenada e controlada em toda a or-ganização. Teoria 3-D da eficácia gerencial de Reddin O modelo apresentado por Reddin se volta ao Desenvolvimento da Eficácia Gerencial, e deno-mina- se Teoria 3_D. O modelo conceitual se baseia no fato de que se espera do administrador muita eficácia que é mensurada em sua capacidade de se adaptar de maneira apropriada em situações de mudança. Ser eficaz é a única tarefa do adminis-trador.
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    160 Administração 4.4Abordagens Emergentes Após a abordagem contingencial, houve uma desaceleração da criação de novas teorias adminis-trativas, desencadeando a transformação de pes-quisas, estudos de caso e experiências, em aborda-gens chamadas então de abordagens emergentes da Administração. No entanto, é importante termos em mente ainda que com a evolução da ciência da Adminis-tração e a chegada do século XXI, podemos notar a influência da era da informação no contexto or-ganizacional. Com isso, novas abordagens foram se destacando, dentre elas: vantagem competitiva sustentável, posicionamento de mercado, ecologia organizacional, redes sociais, gestão do caos. Estas abordagens são apenas algumas das novas abor-dagens que fazem parte da vida das organizações neste novo século, direcionando as ações das em-presas na busca da criação de valor para o cliente. Na sequência, você poderá conhecer cada uma delas e seus principais precursores. Vantagem competitiva sustentável Constitui-se vantagem competitiva susten-tável - VCS, o elemento da estratégia empresarial que fornece uma vantagem importante sobre os concorrentes existentes e futuros. Uma VCS deve ser substancial e suficiente para fazer a diferença (AAKER, 2007). Uma vantagem competitiva sustentável de-penderá, em parte, das estratégias e programas funcionais além da sua maneira de competir no mercado. As lojas Wal-Mart e a Dell computer têm
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 161 VCS baseadas em suas estratégias e programas funcionais. No entanto, uma efetiva vantagem com-petitiva sustentável também envolve outros aspec-tos, como ativos e competências, proposição de valor e a seleção de produto-mercado. Neste sentido, o quadro abaixo pode de-monstrar como é desenvolvida a vantagem compe-titiva sustentável. Posicionamento de mercado Com o aumento incessante da competição entre as empresas, buscando cada vez mais o au-mento de sua participação no mercado e tentando sobreviver no jogo capitalista, surge uma ideia que passou a revolucionar o mercado global. O termo posicionamento veio para fazer parte do famoso mix de marketing composto pelo preço, produto, ponto e promoção. Segundo Al Ries e Jack Trout (2009, p.16), o posicionamento começa com um produto, uma mercadoria, um serviço, uma em-presa, uma instituição, ou até mesmo uma pessoa.
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    162 Administração Noentanto, os autores dizem que o posicio-namento não é o que você faz com um produto, mas a consequência da criação de valor desse pro-duto na mente do cliente. O mercado de hoje não reage mais às estratégias que deram certo no passado. Há produtos demais, empresas demais e barulho de marketing demais (RIES & TROUT, 2009, p.18). O posicionamento de mercado partiu do prin-cípio de que um produto ou serviço deve entrar na mente do cliente, com isso, a melhor maneira de entrar na mente é ser o primeiro a chegar, onde nem sempre o primeiro pode ser considerado o melhor. Dentre os diversos ensinamentos do posiciona-mento para as organizações, considera-se que se você não é o primeiro no mercado, procure direcionar-se para outro segmento onde ainda ninguém explorou. Veja como exemplo o conhecido caso da Ap-ple. ela queria entrar no mercado de computadores de grande porte, no entanto a IBM já era a primeira e seria muito arriscado competir de igual para igual com aquela gigante líder de mercado. O que fez a Ap-ple, buscou outro segmento que na área de computa-dores ainda não tivesse sido investido por nenhuma empresa, com isso, adentrou no mercado de micro computadores e se tornou a líder nesse segmento. Outro grande ensinamento da abordagem do posicionamento refere-se a procurar uma brecha no mercado, ou seja, procure um segmento que ninguém está atuando ou uma falha do líder para então atacar. Além disso, Ries e Trout (2009) dizem que o posicionamento do líder nem sempre funcio-
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 163 na para o seguidor, até porque, os seguidores não estão na mesma posição para beneficiar-se de uma estratégia de confronto. Quando um seguidor copia o líder, isso não é confronto, mas sim uma resposta do tipo “eu também”. Outro tipo de ensinamento diz respeito à ex-tensão de linha, onde se deve tomar muito cuidado com a vontade de lançar produtos para diversos segmentos diferentes do produto principal da em-presa, isso pode acarretar em enfraquecimento e fragmentação da marca. Ecologia organizacional Desde o início dos estudos, relacionados ao desenvolvimento sustentável que tem como pre-missa básica a preservação organizada e conscien-te do meio ambiente para deixar uma herança ver-de para as gerações futuras. Neste contexto, encontramos as organiza-ções, moldadas por uma economia capitalista, onde o lucro é o carro chefe do crescimento econômico de um país, por sua vez devendo se adequar a uma mudança de cultura global visando a preservação e continuidade de nossa espécie. Portanto, de acordo com Morgan (2002, p.82), as organizações e seus ambientes estão en-volvidos no processo de continuidade da huma-nidade de forma muito estreita, em que cada um produz o outro, assim, no mundo organizacional, vemos que, com a natureza, a colaboração é tão comum quanto a competição. Uma perspectiva ecológica que enfatiza a im-portância da colaboração bem como da competi-
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    164 Administração çãopode dar uma contribuição importante a nosso modo de entender e administrar o mundo das or-ganizações (MORGAN, 2006). O objetivo da ecologia organizacional é per-mitir que a ecologia das relações organizacionais evolua e sobreviva. Assim, como os ecologistas naturais estão preocupados com os efeitos desas-trosos da poluição industrial no mundo, acredita que nossa ecologia organizacional está ameaçada por linhas de ação altamente individualistas que ameaçam tornar o mundo social completamente inadministrável. Com isso, o conceito de ecologia organizacional sugere uma forma nova e criativa de pensar e agir em relação a esses problemas. Redes sociais A chegada do mundo interligado o tempo todo via internet mudou a cultura global, fazen-do com que as empresas e as pessoas tivessem que se adaptar à nova realidade. Com esse novo contexto, uma empresa pode chamar a atenção do público hoje e desaparecer de repente amanhã. Neste sentido, a necessidade de comunica-ção, informação entre pessoas e empresas passou a acontecer em uma velocidade inúmeras vezes maior do que há duas décadas atrás. Com isso, o mundo se mostrou acessível à chegada das redes sociais, a partir do Orkut até facebook, twitter, den-tre outros. A evidência desse tipo de prática nas organizações segue o exemplo da Dell computer que segundo HSM (2009, v.75 p.46) vendeu cerca de um milhão de dólares em equipamentos pelo Twitter. As empresas estão mudando e a experiên-cia é profunda.
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 165 Com esse cenário sendo desenhado a partir das redes sociais, o processo de decisão passa a ser altamente influenciado pelo que outras pessoas acham, na realidade, as pessoas que participam dessas redes sociais passam a ser inconsciente-mente marketeiros. Gestão do caos Segundo Philip Kotler, um dos grandes gurus da Administração de Marketing no mundo, a partir de agora, as empresas terão de instalar um siste-ma de alerta e resposta rápida que lhes permita desenvolver rapidamente novos cenários quando a economia entrar em queda, o que segundo ele, deve acontecer com frequência. Em outras palavras, a gestão do caos adverte que as empresas precisam abandonar a sensação de segurança que haviam construído, visto que o novo ambiente é instável e sua imprevisibilidade não permite estados de segurança e conforto, mas sim, turbulência constante. Neste contexto de gestão do caos, as empresas devem pensar proativamente sempre, assim, pode-mos dizer que um lado de uma crise é a vulnerabilida-de, o outro é a oportunidade, com isso as empresas precisam fazer uma análise do ambiente, envolvendo pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças. A oportunidade gira em torno de avançar sobre os con-correntes, adquirindo seus ativos ou talentos. Assim, as duas novas dimensões-chave do jogo dos negócios, velocidade e interdependência, requerem novo sistema de gestão, que responde com mais eficácia ao revezamento entre períodos de turbulência e calmaria.
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    166 Administração Agestão do caos irá atuar na análise de cinco principais ameaças: • Econômica: aumento do preço dos ali-mentos, água e energia; sustentabilidade do crescimento da China e da Índia; fi-nanciamento insuficiente dos sistemas de pensões e de saúde das nações desen-volvidas (HSM, 2009, v.75 p.20); • Geopolítica: terrorismo, disseminação de armas nucleares, conflitos regionais e es-tados falidos ou enfraquecidos, expansão do crime organizado (HSM, 2009, v.75 p.20); • Ambiental: climas extremos, degradação do meio ambiente, escassez de água, desmatamento, aquecimento globa (HSM, 2009, v.75 p.21); • Sociais: pandemias globais, doenças in-fecciosas, aumento da obesidade, dia-betes e doenças cardiovasculares, po-larização da riqueza, superpopulação, limitações no transporte(HSM, 2009, v.75 p.21); • Tecnológicas: falhas na infraestrutura essencial (água, luz, telefone), lacunas éticas, terrorismo cibernético e nuclear, estado de guerra biológica (HSM, 2009, v.75 p.21).
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    Tema 4 |Enfoque sistêmico 167 Indicação de Leitura Complementar Procure ler com mais profundidade sobre posicio-namento no livro RIES, A. e TROUT, J. Posiciona-mento. São Paulo: M. Books, 2009. Busque ler do cap. 1 ao 12. Aproveite e busque ler sobre as redes sociais na revista HSM Management em seu número 75 de julho-agosto de 2009. Para Refletir Com a chegada dessas novas abordagens, tente se enquadrar no cenário mundial. qual a influência das referidas abordagens no seu dia a dia e até que ponto essas novas técnicas passaram a ser positivas para você neste século XXI?
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    168 Administração Resumo Caro aluno, nesta etapa você teve a possibilidade de conhecer as teorias e abordagens que foram desenvolvidas conforme o enfoque sistêmico, con-siderando a organização como um sistema aberto e complexo. Você passou a entender inicialmente a influência dos estudos sobre sistemas orgânicos e a Adminis-tração e compreendemos que o todo é maior que a soma das partes. Pudemos compreender através das diversas teorias apresentadas, a relação estreita entre a Administra-ção e o resultado organizacional. Então, lhe foi apresentada a última teoria da Ad-ministração, até então chamada apenas de aborda-gem por apresentar resultados de pesquisas feitas em inúmeras organizações, as quais envolviam as-suntos relacionados à organização, as pessoas e ao ambiente. Por fim, depois de entender que após a teoria da contingência não houve mais teorias, você conhe-ceu as então chamadas abordagens emergentes, as quais são utilizadas nos dias de hoje. Dessa forma, acreditamos que este material servirá de base teó-rica e conceitual para suas reflexões e conclusões em relação à ciência da Administração.
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