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AGRISSÊNIOR
NOTÍCIAS
Pasquim informativo virtual.
Opiniões, humor e mensagens.
EDITORES: Luiz Ferreira da Silva
(luizferreira1937@gmail.com) e
Jefferson Dias :jeffcdiass@gmail.com)
Edição 434 – ANO IX Nº 45 – 03 de julho de 2013
EDIÇÃO HISTÓRICA
Se a Revista VEJA, nossa concorrente, lançou sua edição comemorativa, porque o
AGRISSÊNIOR NOTÍCIAS, não pode fazer o mesmo? Ora essa!
O momento é de perspectiva de um NOVO BRASIL. Da letargia à ação. Da catalepsia ao
movimento. Da passividade à energia grupal. Do engolir sem mastigar ao ser, pelo menos
indigesto. O valor da mobilização dos jovens pode ser medido, em termos da sua factibilidade,
pelas três conquistas imediatas: redução da tarifa das passagens; derrubada da PEC-37 e
reunião a toque de caixa da Presidenta com Governadores e Ministros. Está faltando o
movimento dos nordestinos sofridos da seca nordestina. No intuito de propiciar ao prezado
leitor uma análise do que está acontecendo , o AN escolheu quatro intelectuais que, através da
sua experiência, emitiram suas opiniões acerca das passeatas e da arte de ludibriação, que
abalaram a estrutura política do país, possibilitando-lhe repensar e ajuizar o valor e as causas
dessa manifestação da juventude. (Os Editores).
A ONDA DE PROTESTOS: COMO EXPLICAR?
Zander Navarro
1. Sobre os "vândalos e a violência". Embora
tão enfatizado pela mídia e pelo pensamento
conservador, esse é tema que pode ser
colocado à margem (pelo menos enquanto
não existirem vítimas fatais). Está ocorrendo
em quase todos os locais por duas razões: (a)
os protestos não têm por trás um "movimento
organizado" que comandem-nos. O MPL
(Movimento Passe Livre) não tem esta força e
tamanho, é minúsculo. Me faz lembrar as
manifestações públicas do MST: jamais
ocorria violência generalizada, mas somente
quando a Polícia enfrentava os militantes.
Porque o MST sempre tinha equipes "de
segurança" para manter a ordem na marcha.
E (b) porque a polícia, ou não tem preparo
suficiente ou, então, está intimidada com os
números impressionantes que a mobilização
envolve e a evidente simpatia que está
gerando na população. Portanto, o tema da
"baderna" é secundário, mas tornado mais
visível porque são protestos sem "comando",
ou liderança e, claro, a imprensa mais
conservadora amplifica. Quando ocorrem
manifestações em grande número e com
essas características, é quase inevitável que
ocorra algum grau de violência;
2. A maior parte dos participantes deriva de
dois grupos: primeiro, pessoas tipicamente de
classe média, insatisfeitas, em especial, com
a política brasileira e a sucessão de
escândalos, quase diários, que desmoralizam
os partidos e as instituições do sistema
político e do Estado, o que inclui a Justiça. A
maior parte sem um interesse direto com os
partidos, mas com bom nível de informação e
frustradas com a condução política do país,
seu ridículo Congresso e um Executivo que foi
totalmente instrumentalizado a serviço de um
partido e seus satélites, sob o chamado
"presidencialismo de coalizão", um arranjo
que pode ser sintetizado da seguinte forma:
um acordo de diversos interesses para sugar
o Estado (e a população que se dane). É
arranjo que já existia antes, mas sob Lula foi
levado ao paroxismo;
3. Em segundo lugar, o outro grupo são os
estudantes, normalmente universitários,
"órfãos dos partidos", que não participaram de
nenhum dos "ciclos de protestos" anteriores (e
que foram, grosso modo, o de 68, o das
diretas já, em 1984, e a derrubada de Collor,
em 1992). Esperaríamos mais uma etapa
recente, mas não houve, pois o campo petista
chegou ao poder e partiu para a maior ação
de cooptação política de nossa história,
beneficiado por um ciclo econômico mais
favorável. Cooptou e anestesiou todas as
"forças vivas" da sociedade civil, amortecendo
a possibilidade de manter viva a chama dos
protestos cíclicos, necessária em qualquer
regime democrático. Esses foram os dois
grandes grupos sociais inicialmente
mobilizados, em São Paulo. Posteriormente,
com a difusão dos protestos, outros grupos,
com demandas mais específicas e locais,
aproveitaram a formação desse "ciclo de
protestos" e também se integraram. Mas são
protestos que tem mobilizado,
majoritariamente, setores da classe média;
4. É bom lembrar que esse segundo grupo
(formado especialmente por jovens e
estudantes) não tem uma adesão política
"compulsória" com a esquerda ou o campo
petista. Eram crianças, quando Lula chegou
ao poder, em 2003;
5. O que realmente mobilizou, para além de
São Paulo? Entendo que contribuiu muito a
burrice da PM paulista, que logo na segunda
manifestação partiu para a repressão
irresponsável e violenta. Foi, talvez, o
principal catalizador que contribuiu para
espalhar o rastilho de protestos por todo o
Brasil;
6. A dimensão dos protestos e sua amplitude
geográfica demonstram que existia e estava
sendo fermentada uma insatisfação
crescente, um tanto subterrânea, não visível,
pois existe uma narrativa dominante, oriunda
o Governo Federal, sobre um "país feliz", um
Brasil "que encontrou seu caminho" e a
intensa propaganda sobre os milhões "que
saíram da miséria", "o Brasil que agora dá
certo", etc. Essa narrativa não permitia ver a
insatisfação subterrânea, sobretudo de uma
classe média que acompanha mais os fatos.
A aceleração recente da inflação foi o fator
detonador para esse segmento de classe
média;
7. Quem ganha e quem perde? Se
escrevesse um artigo para um jornal,
analisando este momento, seria intitulado: "Os
protestos são antipetistas". Qual seria a lógica
da argumentação? Com a chegada do campo
petista ao poder, tudo o que significava,
potencialmente, um campo contestatório, foi
devidamente cooptado e anestesiado por este
grupo político, dos sindicatos aos movimentos
sociais, dos intelectuais aos partidos
conservadores. O campo petista fez de tudo
para matar a política no Brasil, desde a
chegada de Lula ao poder, inclusive apelando
para a delinquência, como foi o caso do
mensalão. Enquanto isto, uma nova geração,
nos últimos dez anos, foi sendo formada,
fermentando lentamente uma difusa
insatisfação, com os partidos e com os
escândalos diários em nosso país. E seus
pais se frustraram com um grupo político que
prometera "moralizar" a política no Brasil.
Escolarizados e com algum nível de
informação, trocando idéias a cada segundo
nas "redes sociais", esta geração mais jovem
não tem nenhum compromisso direto com o
campo petista, como tivemos muitos de nós,
no passado. Desta forma, ao irem para as
ruas, a partir de um "fator detonador", que foi
o aumento das tarifas e a convocação feita
por um minúsculo grupo quase anarquista (o
MPL), conseguiram também atrair a atenção
dos setores de classe média insatisfeitos com
a instrumentalização das instituições e do
Estado, "capturado" para oferecer cargos para
os amigos e a desmoralização cotidiana da
política comandada por Lula e o campo
petista, desde o primeiro minuto que
estiveram no Planalto;
8. Instalado o ciclo de protestos, tudo o que
está desagradando encontrou um "conduto
público" para desaguar, ampliando os
protestos para todos os lugares e todas as
bandeiras possíveis. Dos gastos excessivos
com estádios desnecessários à própria PEC
37. Esta última bandeira, aliás, é
emblemática: quantas pessoas saberiam até
o que é uma PEC? Pouquíssimos, por certo,
mas muitos sabem que a tal PEC 37 pode
aumentar a impunidade generalizada que
observamos a cada dia, especialmente aquela
que favorece os mais poderosos. Tudo
somado, os protestos são contra "o governo"
e a má qualidade dos "serviços públicos", pois
tais movimentos sempre são contra "as
autoridades". É por isto que não h á
ganhadores entre os partidos, nenhum deles,
mas há um nítido perdedor - o campo petista,
pois este é o partido mais ativo, comanda a
maior cidade brasileira e, principalmente, está
no Governo Federal há dez anos. Por isto
também o impressionante ato falho do
presidente do PT, Rui Falcão - "o PT não tem
medo das ruas". Ninguém havia dito isto e,
assim, este ato falho revela o temor crescente
no campo petista, que intui que serão os
maiores perdedores da onda de protestos;
9. A onda de protestos não produzirá maiores
resultados (exceto uma ou outra redução de
tarifa), mas poderá ter reflexos diretos na
conjuntura pré-eleitoral que ora vivemos, a
mais extrema delas (se a conjuntura se
agudizar na direção antipetista) a remoção de
Dilma e a volta de Lula para a cena principal,
como candidato no ano que vem. Se isto
ocorrer, poderemos ter um acirramento
fortíssimo da disputa, pois se tornará em um
evento plebiscitário sobre os anos petistas no
poder;
10. Por fim, uma suspeita (e não mais do que
isto: um palpite). Suspeito que existirá uma
beneficiária disto tudo: Marina Silva. Por isto,
as tentativas desesperadas do campo petista
de retirá-la da disputa, com o projeto que
limita a criação de partidos.
(Em tempo: a comunicação quase
instantânea, que alguns enfatizam tão
fortemente, é apenas um meio, não o
processo social em si. Há uma crise, sem
dúvida, das formas de representação
políticas, mas não estou convencido sobre
nada que ainda possa substituir tais formas
de representação. Entendo que uma suposta
"horizontalidade da política" é, por enquanto,
não mais do que uma hipótese sobre o futuro)
(Enviada por Zeuller Navarro)
A CRISE DOS BURROS
Francisco José dos Santos Braga
I. INTRODUÇÃO
Durante a recente crise europeia, tem
circulado uma parábola intitulada "A Crise dos
Burros", traduzida para diversas línguas. A
versão que segue abaixo constitui minha
tradução quase literal desse texto,
diretamente da língua grega. Consta que essa
fábula apareceu pela primeira vez em francês,
foi traduzida para o italiano e, em seguida, se
espalhou por todas as línguas. O pressuposto
nesta história é que empresários, banqueiros
e autoridades públicas se unem em sintonia,
em detrimento dos habitantes de uma aldeia,
não identificada, mas que está sujeita às "leis
de mercado"... dos burros.
Como se sabe, a situação ali retratada é
particularmente sentida nos países da zona do
euro, especialmente Grécia, Espanha, Portugal e
Itália, que, ao fugirem à bancarrota, são submetidos
às maiores atrocidades para cumprirem metas
impostas por diversos organismos internacionais
que lhes concedem crédito.
Como nenhum país está imune à intempérie
nesses nossos tempos de globalização, em
que a crise econômica não respeita fronteiras
e ameaça indistintamente todos os países,
julgo conveniente pensar que a situação
descrita nessa fábula também possa não ser
muito diferente da brasileira, em que pesem
estatísticas e discursos oficiais não quererem
reconhecer os maus ventos.
II. Minha tradução para "A CRISE DOS
BURROS"
Um dia apareceu numa aldeia um homem de
terno e gravata. Subiu no banco da praça e
gritou para a população local ouvir que
compraria por 100 euros todos os burros que
lhe trouxessem, e, ainda por cima, a dinheiro.
Os aldeões ficaram um pouco surpreendidos,
mas o preço era muito bom e aqueles que
aceitaram vender voltaram para casa com a
bolsa cheia e um sorriso nos lábios.
No dia seguinte, o mesmo homem voltou e
ofereceu 150 euros por burro não vendido;
assim os demais camponeses venderam seus
animais. Nos dias subsequentes, aumentou a
oferta para 300 euros pelos animais que
ficaram sem vender, tendo por consequência
os últimos (camponeses) vendido seus burros
sem arrependimento.
Quando aquele homem percebeu que na
aldeia não restara nenhum burro, anunciou a
todos que voltaria uma semana depois para
comprar qualquer burro que encontrasse
por... 500 euros! E se retirou.
No dia seguinte, confiou a seu sócio a
manada de burros que tinha comprado e
enviou-o à mesma aldeia com ordem de os
vender todos ao preço de 400 euros cada.
Os aldeões anteviram a possibilidade de
lucrar 100 euros por animal na semana que
se seguiu. Por isso, ao longo dos dias
restantes, compraram os burros por 400 euros
cada, ou seja, readquiriram seus animais até
quatro vezes mais caro do que o preço ao
qual os tinham vendido, e, para o fazerem,
foram obrigados a pedir EMPRÉSTIMO ao
banco local.
Como se pode imaginar, depois da transação,
os dois empresários saíram de férias para um
paraíso fiscal do Caribe, enquanto os aldeões
ficavam superendividados, desapontados e
com os burros em sua posse.
É claro que os camponeses tentaram vender
os burros para cobrirem as dívidas, mas foi
inútil, pois todos já estavam abarrotados de
burros cujo preço tinha chegado ao fundo.
Por isso, o banco confiscou os burros e, em
seguida, os alugou aos antigos proprietários
para tentar cobrar-lhes as dívidas.
Ainda assim, o banqueiro foi até ao prefeito
da aldeia e lhe explicou que, caso não
recuperasse os fundos emprestados ao
Município, não só o prefeito iria à falência,
como também pediria a suspensão da linha
de crédito concedida ao Município, por via de
consequência.
Aterrorizado, o prefeito, para evitar a
catástrofe, em vez de dar dinheiro aos
aldeões para cobrirem suas dívidas, deu-o ao
banqueiro, o qual, aliás, era compadre do
presidente da Câmara Municipal. O
banqueiro, com a transação dos burros, após
ter recuperado o seu capital, não quitou as
dívidas dos aldeões nem do Município.
Ao ver as dívidas multiplicarem-se e apertado
pelos juros, o prefeito pediu ajuda às
prefeituras vizinhas; mas todas responderam
negativamente, por terem sofrido prejuízo
com seus próprios... burros!
Diante disso, o banqueiro deu ao prefeito o
abnegado conselho de diminuir as despesas
do Município da seguinte forma: menos
dinheiro para as escolas, para o hospital da
aldeia, para a polícia municipal, revogação
dos programas sociais e de pesquisa,
diminuição do financiamento para novas
obras de infraestrutura, aumento da idade
para aposentadoria, exoneração da maioria
dos funcionários municipais, cortes nos
ordenados dos que permanecessem e
aumento dos impostos.
Foi dito ser inevitável, mas prometido que
aquelas mudanças estruturais eram "para por
ordem no funcionamento do Estado, para por
fim aos desperdícios" e... para moralizar o
comércio dos burros.
A história começou a ficar interessante quando
se ficou sabendo que os dois empresários e o
banqueiro eram primos e residiam juntos numa
ilha próxima a Bahamas, que tinham comprado
com o seu... suor!
Ficaram conhecidos por "família dos
mercados financeiros", e com grande bravura
se ofereceram para financiar a campanha
eleitoral dos prefeitos das aldeias da região.
Em todo caso, a história não terminou aí,
porque ninguém soube o que fizeram depois
os camponeses. (Enviada por Marcelo
Câmara)
UM RIO QUE PASSOU EM NOSSA VIDA
Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo (25/06/2013)
À primeira vista, essas manifestações pareciam
uma provocação anárquica, sem rumo. Muitos
acharam isso, inclusive eu. Nós temos democracia
desde 1985; mas 'democracia' tem de ser
aperfeiçoada, senão, decai. Entre nós tudo sempre
acabou em pizza, diante da paralisia dos três
poderes. O Brasil parecia desabitado. De repente,
reapareceu o povo. Parecia um mar.
Acordou uma juventude calada há 20 anos,
uma juventude que nascia enquanto o Collor
caía... Isso pode ser o início de uma
'primavera brasileira'. Contra ditadores? Em
parte sim, uma ditadura difusa, ditada por
entendimentos silenciosos que formam uma
rede de interesses mutuamente atendidos.
Nossa rede corrupta tem uma lógica
complexa, mas sólida, em que a perversão
pavorosa do Congresso se soma à
incompetência tradicional dos petistas e
sindicalistas do Executivo e um STF querendo
acordar, sob uma chuva de embargos. Tudo
atende aos interesses dos canalhas. Nossa
rede de escrotidões é muito funcional.
Sempre que se abre uma porta, damos com
uma outra fechada. O atraso é muito bem
planejado. O Brasil é o país mais bem
'desorganizado' do mundo.
Subitamente, o povo reapareceu. Andava
muito sumido, como se a sociedade não
existisse mais.
Nossa opinião pública era queixosa - reclamava
muito e agia pouco. Agora, mudou. Os jovens
estão com a maravilhosa sensação do Poder.
Agora esse movimento tem de proteger o
imenso poder de influência que conquistou.
Mas, sutilmente, essa vitória pode ser
apagada pouco a pouco, com a solerte
esperteza do Executivo e do Legislativo.
Vocês repararam que o governo central, na
fala de Dilma na TV, está 'encantado' com a
democracia? Prefeitos, governadores, todos
fascinados com a democracia. Todos (de
nariz meio torcido) elogiam a 'juventude que
despertou', etecetera e tal. Mas, no fundo, ou
melhor, na cara, só pensam em recuperar
Ibopes e em sossegar os leões. Muitos
políticos com culpa no cartório estão
ansiosos: "Meu Deus, não se pode nem
roubar em paz! Precisamos apoiar isso tudo
para que tudo continue como sempre foi",
pensam. Quase todos que assinaram o apoio
à PEC 37 - a PEC da impunidade - têm ficha
suja. São mais de 200.
Todo mundo apoia a democracia - que
legal!... - mas ninguém explica, por exemplo,
por que a Petrobrás comprou a refinaria no
Texas por mais de um bilhão de dólares, se o
valor real é de apenas 100 milhões? Por quê?
Por que a ferrovia Norte-Sul, desmoralizada
há 27 anos pela Folha de S. Paulo, que
anunciou o resultado da concorrência dois
dias antes? E não está pronta ainda, mesmo
depois de descoberta a roubalheira da Valec.
E a volta da inflação, que causa arrepios nos
economistas do mundo todo, menos no
trêmulo e incompetente Mantega? E
Belmonte? E a refinaria com os fascistas da
Venezuela, que não pagam? E o canal do Rio
S. Francisco parado? E as privatizações
envergonhadas que não saem? E corruptos
impunes? E o Estado quebrado, cheio de
gastos de custeio, sem dinheiro para investir?
E as alianças com partidos ladrões que
impedem qualquer reforma? E a preocupação
somente eleitoral? E o custo dos estádios? E
a infraestrutura morta?
Ninguém explica. A Dilma tinha de explicar,
em vez de tentar acalmar a "massa atrasada".
Lula, o eterno e nefasto presidente, já disse
que "Tudo bem; quem nos apoia não está se
manifestando - são os miseráveis do Bolsa-
Família" (que com inflação crescente vai
murchar para vinténs). Foi o mesmo que ele
disse na cena do dossiê dos 'aloprados',
lembram?: "Não tem 'pobrema', pois o povão
pensa que 'dossiê' é doce de batata".
Vamos botar a bola no chão: O PT está no
governo há dez anos e é o responsável principal
por esta cag... catástrofe pública. Ou não é?
Mas o que pode acabar com o Movimento? O
vandalismo, sem dúvida. O vandalismo se
explica pela infiltração de vagabundos, punks e
marginais, aproveitando que a polícia não pode
matar. Mas também há o vandalismo proposital,
programado por radicais, para desclassificar o
Movimento. Será que alguns bolcheviques
estão seguindo a lição de Lenin, quando
escreveu como desqualificar movimentos de
rua: "Infiltrem nossos homens em outros
partidos e (...) dividam a população em grupos
antagônicos, estimulando divergências entre
eles sobre questões sociais".
E aí? O que pode esvaziar o Movimento?
Bem, em primeiro lugar, o vazio, a abstração,
a luta pela luta, o horror da política. Se virar
um movimento genérico demais, tudo acaba.
Não podem achar que podem mudar o País
num 'passe livre de mágica'. Não podem.
Não podem se deslumbrar com o sucesso. O
fundamental é alguma humildade no processo
todo.
É necessário lutar contra causas concretas,
pontuais.
É preciso a organização de lideranças, sim,
assumidas, inclusive com células nos
Estados, todos conectados para agir, sempre
em cima de um tema.
A sensação de poder é maravilhosa, mas não
pode levar a sentimentos de onipotência, a
um excesso de otimismo. Tem de ser um
movimento de vigilância, um poder paralelo e
discreto que se articula rapidamente para
protestos pontuais.
Os partidos que existem têm de ser
questionados em seus malfeitos e em seus
programas oportunistas.
Creio que este movimento jovem tem de ser
uma periferia crítica permanente, sem ser um
partido tradicional, mas uma vigilância no dia
a dia de Brasília.
O Movimento tem de representar a
sociedade. Uma espécie de Ministério Público
sem gravata.
Outro perigo que ronda os jovens é o tempo.
Sim, os corruptos trabalham com o tempo.
São todos cobras criadas que contam com o
cansaço dos manifestantes jovens, esperando
a hora em que a mamãe chama para o jantar.
Contam também com o tédio da população.
Eles adoram a falta de memória e os dias que
passam. Já adiaram expressamente a
votação da emenda PEC 37, para momentos
'mais calmos' - esqueceram que a votação
será nominal, logo, anotaremos todos os
inimigos declarados.
Se essas provações forem superadas por
jovens sem experiência política, eles terão
nos dado uma grande lição: "Temos
democracia; agora, temos de formar uma
República". Se não, tudo
será apenas um rio que passou em nossa
vida e... sumiu.
MARACANÃ
Manoel Malheiros Tourinho
Estimado Luiz. Que bom que gradualmente
estamos aguçando a nossa memoria no
comparativo da historia e das estória com as
tuas idas ao velho Maraca. Ao sermos
aguçado não há como deixar de enaltecer a
meninada "cara pintada", renovar as nossas
velhas esperanças e no dizer do "quem sabe
faz a hora não espera acontecer" também
nós, mesmo mancando, de bengala,
passando gelol nas pernas, sairmos às ruas
em defesa da reconstrução da ética. A ética
deve ser reconstruída porque foi destruída
com o lulismo e o PT quando o seu Inácio
assinou a carta ao povo brasileiro logo depois
de eleito e empossado pelo primeira vez. No
gesto infame ele entregava sem delongas e
sem vacilos a economia nacional ao sistema
monetário internacional representado na
figura antipatriótica do banco internacionais
(HSBC, SANTANDER + os orelhinhas
brasileiros). Lula nunca pensou no povo, para
emancipa-lo, ao contrário pensou sim em
subordiná-lo e se apropriando dos
instrumentos do imperialismo internacional e
dos vade-mécum do Banco Mundial,
fomentou & fomentou o "Bolsismo" e
gradualmente foi substituindo os coronéis da
terra com seus currais eleitorais pelos
coronéis modernos saídos das contabilidades
da Caixa Econômica, Banco do Brasil, etc.
O POVO AINDA NÃO ESTÁ LIVRE. CONTINUA
ESCRAVO. PRECISAMOS DE MAIS LUTA..
OCUPAR TODAS AS PRAÇAS E RUAS DESSE
PAÍS . DEFENESTRAR DEFINITIVAMENTE
TODA A ESCORIA DE POLITICOS SUJOS,
MORALMENTE MORTOS, ETICAMENTE
INEXISTENTES. NA PROXIMA CONVOCATORIA
DAS REDES SOCIAIS DEVEMOS IR LÁ E
MOSTRAR QUE NOS IDOSOS, APOSENTADOS,
SENIORS, PAES&AVÓS, ACREDITAMOS
NESSA JUVENTUDE E QUE NÃO
ACREDITAMOS NA CONTINUAÇÃO DESSA
BANDALHEIRA QUE NOS ENVERGONHA
ESCRITA PELA CORJA PETISTA DO
PLANALTO SEM EXECEÇAO. (MANOEL
TOURINHO, ARREPENDIDO DE UM DIA TER
COLOCADO MEUS FILHOS NA RUA AGITANDO
BANDEIRAS DO PT PARA ELEGER UM
SACRIPANTA CHAMADO LULA).
A PIADA DA SEMANA
Hoje, um outro tipo de piada: as bobagens
dos governantes ante ao movimento da
juventude. A gente tem que rir da Presidenta
propondo uma Constituição específica; do
Governador do Rio de Janeiro estupefato com
os vândalos, quando são conhecidos de
todos, inclusive da sua despreparada polícia;
do Prefeito de São Paulo preocupado em não
desagradar os seus três patrões, Lula, Dilma
e o PT ; do Gilberto Carvalho sem saber
explicar a ação de seus prepostos; do
Governador de São Paulo com sua cara de
nojo ao ter que anunciar em conjunto com o
Prefeito a redução da passagem; e dos
políticos de todo o país "gazeteando", fugindo
das passeatas como o diabo corre da Cruz.
oOo
Acessar: www.r2cpress.com.br

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  • 1. AGRISSÊNIOR NOTÍCIAS Pasquim informativo virtual. Opiniões, humor e mensagens. EDITORES: Luiz Ferreira da Silva (luizferreira1937@gmail.com) e Jefferson Dias :jeffcdiass@gmail.com) Edição 434 – ANO IX Nº 45 – 03 de julho de 2013 EDIÇÃO HISTÓRICA Se a Revista VEJA, nossa concorrente, lançou sua edição comemorativa, porque o AGRISSÊNIOR NOTÍCIAS, não pode fazer o mesmo? Ora essa! O momento é de perspectiva de um NOVO BRASIL. Da letargia à ação. Da catalepsia ao movimento. Da passividade à energia grupal. Do engolir sem mastigar ao ser, pelo menos indigesto. O valor da mobilização dos jovens pode ser medido, em termos da sua factibilidade, pelas três conquistas imediatas: redução da tarifa das passagens; derrubada da PEC-37 e reunião a toque de caixa da Presidenta com Governadores e Ministros. Está faltando o movimento dos nordestinos sofridos da seca nordestina. No intuito de propiciar ao prezado leitor uma análise do que está acontecendo , o AN escolheu quatro intelectuais que, através da sua experiência, emitiram suas opiniões acerca das passeatas e da arte de ludibriação, que abalaram a estrutura política do país, possibilitando-lhe repensar e ajuizar o valor e as causas dessa manifestação da juventude. (Os Editores). A ONDA DE PROTESTOS: COMO EXPLICAR? Zander Navarro 1. Sobre os "vândalos e a violência". Embora tão enfatizado pela mídia e pelo pensamento conservador, esse é tema que pode ser colocado à margem (pelo menos enquanto não existirem vítimas fatais). Está ocorrendo em quase todos os locais por duas razões: (a) os protestos não têm por trás um "movimento organizado" que comandem-nos. O MPL (Movimento Passe Livre) não tem esta força e tamanho, é minúsculo. Me faz lembrar as manifestações públicas do MST: jamais ocorria violência generalizada, mas somente quando a Polícia enfrentava os militantes. Porque o MST sempre tinha equipes "de segurança" para manter a ordem na marcha. E (b) porque a polícia, ou não tem preparo suficiente ou, então, está intimidada com os números impressionantes que a mobilização envolve e a evidente simpatia que está gerando na população. Portanto, o tema da "baderna" é secundário, mas tornado mais visível porque são protestos sem "comando", ou liderança e, claro, a imprensa mais conservadora amplifica. Quando ocorrem manifestações em grande número e com essas características, é quase inevitável que ocorra algum grau de violência; 2. A maior parte dos participantes deriva de dois grupos: primeiro, pessoas tipicamente de classe média, insatisfeitas, em especial, com a política brasileira e a sucessão de escândalos, quase diários, que desmoralizam os partidos e as instituições do sistema político e do Estado, o que inclui a Justiça. A maior parte sem um interesse direto com os partidos, mas com bom nível de informação e frustradas com a condução política do país, seu ridículo Congresso e um Executivo que foi
  • 2. totalmente instrumentalizado a serviço de um partido e seus satélites, sob o chamado "presidencialismo de coalizão", um arranjo que pode ser sintetizado da seguinte forma: um acordo de diversos interesses para sugar o Estado (e a população que se dane). É arranjo que já existia antes, mas sob Lula foi levado ao paroxismo; 3. Em segundo lugar, o outro grupo são os estudantes, normalmente universitários, "órfãos dos partidos", que não participaram de nenhum dos "ciclos de protestos" anteriores (e que foram, grosso modo, o de 68, o das diretas já, em 1984, e a derrubada de Collor, em 1992). Esperaríamos mais uma etapa recente, mas não houve, pois o campo petista chegou ao poder e partiu para a maior ação de cooptação política de nossa história, beneficiado por um ciclo econômico mais favorável. Cooptou e anestesiou todas as "forças vivas" da sociedade civil, amortecendo a possibilidade de manter viva a chama dos protestos cíclicos, necessária em qualquer regime democrático. Esses foram os dois grandes grupos sociais inicialmente mobilizados, em São Paulo. Posteriormente, com a difusão dos protestos, outros grupos, com demandas mais específicas e locais, aproveitaram a formação desse "ciclo de protestos" e também se integraram. Mas são protestos que tem mobilizado, majoritariamente, setores da classe média; 4. É bom lembrar que esse segundo grupo (formado especialmente por jovens e estudantes) não tem uma adesão política "compulsória" com a esquerda ou o campo petista. Eram crianças, quando Lula chegou ao poder, em 2003; 5. O que realmente mobilizou, para além de São Paulo? Entendo que contribuiu muito a burrice da PM paulista, que logo na segunda manifestação partiu para a repressão irresponsável e violenta. Foi, talvez, o principal catalizador que contribuiu para espalhar o rastilho de protestos por todo o Brasil; 6. A dimensão dos protestos e sua amplitude geográfica demonstram que existia e estava sendo fermentada uma insatisfação crescente, um tanto subterrânea, não visível, pois existe uma narrativa dominante, oriunda o Governo Federal, sobre um "país feliz", um Brasil "que encontrou seu caminho" e a intensa propaganda sobre os milhões "que saíram da miséria", "o Brasil que agora dá certo", etc. Essa narrativa não permitia ver a insatisfação subterrânea, sobretudo de uma classe média que acompanha mais os fatos. A aceleração recente da inflação foi o fator detonador para esse segmento de classe média; 7. Quem ganha e quem perde? Se escrevesse um artigo para um jornal, analisando este momento, seria intitulado: "Os protestos são antipetistas". Qual seria a lógica da argumentação? Com a chegada do campo petista ao poder, tudo o que significava, potencialmente, um campo contestatório, foi devidamente cooptado e anestesiado por este grupo político, dos sindicatos aos movimentos sociais, dos intelectuais aos partidos conservadores. O campo petista fez de tudo para matar a política no Brasil, desde a chegada de Lula ao poder, inclusive apelando para a delinquência, como foi o caso do mensalão. Enquanto isto, uma nova geração, nos últimos dez anos, foi sendo formada, fermentando lentamente uma difusa insatisfação, com os partidos e com os escândalos diários em nosso país. E seus pais se frustraram com um grupo político que prometera "moralizar" a política no Brasil. Escolarizados e com algum nível de informação, trocando idéias a cada segundo nas "redes sociais", esta geração mais jovem não tem nenhum compromisso direto com o campo petista, como tivemos muitos de nós, no passado. Desta forma, ao irem para as ruas, a partir de um "fator detonador", que foi o aumento das tarifas e a convocação feita por um minúsculo grupo quase anarquista (o MPL), conseguiram também atrair a atenção dos setores de classe média insatisfeitos com a instrumentalização das instituições e do Estado, "capturado" para oferecer cargos para os amigos e a desmoralização cotidiana da política comandada por Lula e o campo petista, desde o primeiro minuto que estiveram no Planalto; 8. Instalado o ciclo de protestos, tudo o que está desagradando encontrou um "conduto público" para desaguar, ampliando os protestos para todos os lugares e todas as bandeiras possíveis. Dos gastos excessivos
  • 3. com estádios desnecessários à própria PEC 37. Esta última bandeira, aliás, é emblemática: quantas pessoas saberiam até o que é uma PEC? Pouquíssimos, por certo, mas muitos sabem que a tal PEC 37 pode aumentar a impunidade generalizada que observamos a cada dia, especialmente aquela que favorece os mais poderosos. Tudo somado, os protestos são contra "o governo" e a má qualidade dos "serviços públicos", pois tais movimentos sempre são contra "as autoridades". É por isto que não h á ganhadores entre os partidos, nenhum deles, mas há um nítido perdedor - o campo petista, pois este é o partido mais ativo, comanda a maior cidade brasileira e, principalmente, está no Governo Federal há dez anos. Por isto também o impressionante ato falho do presidente do PT, Rui Falcão - "o PT não tem medo das ruas". Ninguém havia dito isto e, assim, este ato falho revela o temor crescente no campo petista, que intui que serão os maiores perdedores da onda de protestos; 9. A onda de protestos não produzirá maiores resultados (exceto uma ou outra redução de tarifa), mas poderá ter reflexos diretos na conjuntura pré-eleitoral que ora vivemos, a mais extrema delas (se a conjuntura se agudizar na direção antipetista) a remoção de Dilma e a volta de Lula para a cena principal, como candidato no ano que vem. Se isto ocorrer, poderemos ter um acirramento fortíssimo da disputa, pois se tornará em um evento plebiscitário sobre os anos petistas no poder; 10. Por fim, uma suspeita (e não mais do que isto: um palpite). Suspeito que existirá uma beneficiária disto tudo: Marina Silva. Por isto, as tentativas desesperadas do campo petista de retirá-la da disputa, com o projeto que limita a criação de partidos. (Em tempo: a comunicação quase instantânea, que alguns enfatizam tão fortemente, é apenas um meio, não o processo social em si. Há uma crise, sem dúvida, das formas de representação políticas, mas não estou convencido sobre nada que ainda possa substituir tais formas de representação. Entendo que uma suposta "horizontalidade da política" é, por enquanto, não mais do que uma hipótese sobre o futuro) (Enviada por Zeuller Navarro) A CRISE DOS BURROS Francisco José dos Santos Braga I. INTRODUÇÃO Durante a recente crise europeia, tem circulado uma parábola intitulada "A Crise dos Burros", traduzida para diversas línguas. A versão que segue abaixo constitui minha tradução quase literal desse texto, diretamente da língua grega. Consta que essa fábula apareceu pela primeira vez em francês, foi traduzida para o italiano e, em seguida, se espalhou por todas as línguas. O pressuposto nesta história é que empresários, banqueiros e autoridades públicas se unem em sintonia, em detrimento dos habitantes de uma aldeia, não identificada, mas que está sujeita às "leis de mercado"... dos burros. Como se sabe, a situação ali retratada é particularmente sentida nos países da zona do euro, especialmente Grécia, Espanha, Portugal e Itália, que, ao fugirem à bancarrota, são submetidos às maiores atrocidades para cumprirem metas impostas por diversos organismos internacionais que lhes concedem crédito. Como nenhum país está imune à intempérie nesses nossos tempos de globalização, em que a crise econômica não respeita fronteiras e ameaça indistintamente todos os países, julgo conveniente pensar que a situação descrita nessa fábula também possa não ser muito diferente da brasileira, em que pesem estatísticas e discursos oficiais não quererem reconhecer os maus ventos. II. Minha tradução para "A CRISE DOS BURROS" Um dia apareceu numa aldeia um homem de terno e gravata. Subiu no banco da praça e gritou para a população local ouvir que compraria por 100 euros todos os burros que lhe trouxessem, e, ainda por cima, a dinheiro. Os aldeões ficaram um pouco surpreendidos, mas o preço era muito bom e aqueles que aceitaram vender voltaram para casa com a bolsa cheia e um sorriso nos lábios. No dia seguinte, o mesmo homem voltou e ofereceu 150 euros por burro não vendido;
  • 4. assim os demais camponeses venderam seus animais. Nos dias subsequentes, aumentou a oferta para 300 euros pelos animais que ficaram sem vender, tendo por consequência os últimos (camponeses) vendido seus burros sem arrependimento. Quando aquele homem percebeu que na aldeia não restara nenhum burro, anunciou a todos que voltaria uma semana depois para comprar qualquer burro que encontrasse por... 500 euros! E se retirou. No dia seguinte, confiou a seu sócio a manada de burros que tinha comprado e enviou-o à mesma aldeia com ordem de os vender todos ao preço de 400 euros cada. Os aldeões anteviram a possibilidade de lucrar 100 euros por animal na semana que se seguiu. Por isso, ao longo dos dias restantes, compraram os burros por 400 euros cada, ou seja, readquiriram seus animais até quatro vezes mais caro do que o preço ao qual os tinham vendido, e, para o fazerem, foram obrigados a pedir EMPRÉSTIMO ao banco local. Como se pode imaginar, depois da transação, os dois empresários saíram de férias para um paraíso fiscal do Caribe, enquanto os aldeões ficavam superendividados, desapontados e com os burros em sua posse. É claro que os camponeses tentaram vender os burros para cobrirem as dívidas, mas foi inútil, pois todos já estavam abarrotados de burros cujo preço tinha chegado ao fundo. Por isso, o banco confiscou os burros e, em seguida, os alugou aos antigos proprietários para tentar cobrar-lhes as dívidas. Ainda assim, o banqueiro foi até ao prefeito da aldeia e lhe explicou que, caso não recuperasse os fundos emprestados ao Município, não só o prefeito iria à falência, como também pediria a suspensão da linha de crédito concedida ao Município, por via de consequência. Aterrorizado, o prefeito, para evitar a catástrofe, em vez de dar dinheiro aos aldeões para cobrirem suas dívidas, deu-o ao banqueiro, o qual, aliás, era compadre do presidente da Câmara Municipal. O banqueiro, com a transação dos burros, após ter recuperado o seu capital, não quitou as dívidas dos aldeões nem do Município. Ao ver as dívidas multiplicarem-se e apertado pelos juros, o prefeito pediu ajuda às prefeituras vizinhas; mas todas responderam negativamente, por terem sofrido prejuízo com seus próprios... burros! Diante disso, o banqueiro deu ao prefeito o abnegado conselho de diminuir as despesas do Município da seguinte forma: menos dinheiro para as escolas, para o hospital da aldeia, para a polícia municipal, revogação dos programas sociais e de pesquisa, diminuição do financiamento para novas obras de infraestrutura, aumento da idade para aposentadoria, exoneração da maioria dos funcionários municipais, cortes nos ordenados dos que permanecessem e aumento dos impostos. Foi dito ser inevitável, mas prometido que aquelas mudanças estruturais eram "para por ordem no funcionamento do Estado, para por fim aos desperdícios" e... para moralizar o comércio dos burros. A história começou a ficar interessante quando se ficou sabendo que os dois empresários e o banqueiro eram primos e residiam juntos numa ilha próxima a Bahamas, que tinham comprado com o seu... suor! Ficaram conhecidos por "família dos mercados financeiros", e com grande bravura se ofereceram para financiar a campanha eleitoral dos prefeitos das aldeias da região. Em todo caso, a história não terminou aí, porque ninguém soube o que fizeram depois os camponeses. (Enviada por Marcelo Câmara) UM RIO QUE PASSOU EM NOSSA VIDA Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo (25/06/2013) À primeira vista, essas manifestações pareciam uma provocação anárquica, sem rumo. Muitos acharam isso, inclusive eu. Nós temos democracia desde 1985; mas 'democracia' tem de ser aperfeiçoada, senão, decai. Entre nós tudo sempre acabou em pizza, diante da paralisia dos três poderes. O Brasil parecia desabitado. De repente, reapareceu o povo. Parecia um mar.
  • 5. Acordou uma juventude calada há 20 anos, uma juventude que nascia enquanto o Collor caía... Isso pode ser o início de uma 'primavera brasileira'. Contra ditadores? Em parte sim, uma ditadura difusa, ditada por entendimentos silenciosos que formam uma rede de interesses mutuamente atendidos. Nossa rede corrupta tem uma lógica complexa, mas sólida, em que a perversão pavorosa do Congresso se soma à incompetência tradicional dos petistas e sindicalistas do Executivo e um STF querendo acordar, sob uma chuva de embargos. Tudo atende aos interesses dos canalhas. Nossa rede de escrotidões é muito funcional. Sempre que se abre uma porta, damos com uma outra fechada. O atraso é muito bem planejado. O Brasil é o país mais bem 'desorganizado' do mundo. Subitamente, o povo reapareceu. Andava muito sumido, como se a sociedade não existisse mais. Nossa opinião pública era queixosa - reclamava muito e agia pouco. Agora, mudou. Os jovens estão com a maravilhosa sensação do Poder. Agora esse movimento tem de proteger o imenso poder de influência que conquistou. Mas, sutilmente, essa vitória pode ser apagada pouco a pouco, com a solerte esperteza do Executivo e do Legislativo. Vocês repararam que o governo central, na fala de Dilma na TV, está 'encantado' com a democracia? Prefeitos, governadores, todos fascinados com a democracia. Todos (de nariz meio torcido) elogiam a 'juventude que despertou', etecetera e tal. Mas, no fundo, ou melhor, na cara, só pensam em recuperar Ibopes e em sossegar os leões. Muitos políticos com culpa no cartório estão ansiosos: "Meu Deus, não se pode nem roubar em paz! Precisamos apoiar isso tudo para que tudo continue como sempre foi", pensam. Quase todos que assinaram o apoio à PEC 37 - a PEC da impunidade - têm ficha suja. São mais de 200. Todo mundo apoia a democracia - que legal!... - mas ninguém explica, por exemplo, por que a Petrobrás comprou a refinaria no Texas por mais de um bilhão de dólares, se o valor real é de apenas 100 milhões? Por quê? Por que a ferrovia Norte-Sul, desmoralizada há 27 anos pela Folha de S. Paulo, que anunciou o resultado da concorrência dois dias antes? E não está pronta ainda, mesmo depois de descoberta a roubalheira da Valec. E a volta da inflação, que causa arrepios nos economistas do mundo todo, menos no trêmulo e incompetente Mantega? E Belmonte? E a refinaria com os fascistas da Venezuela, que não pagam? E o canal do Rio S. Francisco parado? E as privatizações envergonhadas que não saem? E corruptos impunes? E o Estado quebrado, cheio de gastos de custeio, sem dinheiro para investir? E as alianças com partidos ladrões que impedem qualquer reforma? E a preocupação somente eleitoral? E o custo dos estádios? E a infraestrutura morta? Ninguém explica. A Dilma tinha de explicar, em vez de tentar acalmar a "massa atrasada". Lula, o eterno e nefasto presidente, já disse que "Tudo bem; quem nos apoia não está se manifestando - são os miseráveis do Bolsa- Família" (que com inflação crescente vai murchar para vinténs). Foi o mesmo que ele disse na cena do dossiê dos 'aloprados', lembram?: "Não tem 'pobrema', pois o povão pensa que 'dossiê' é doce de batata". Vamos botar a bola no chão: O PT está no governo há dez anos e é o responsável principal por esta cag... catástrofe pública. Ou não é? Mas o que pode acabar com o Movimento? O vandalismo, sem dúvida. O vandalismo se explica pela infiltração de vagabundos, punks e marginais, aproveitando que a polícia não pode matar. Mas também há o vandalismo proposital, programado por radicais, para desclassificar o Movimento. Será que alguns bolcheviques estão seguindo a lição de Lenin, quando escreveu como desqualificar movimentos de rua: "Infiltrem nossos homens em outros partidos e (...) dividam a população em grupos antagônicos, estimulando divergências entre eles sobre questões sociais". E aí? O que pode esvaziar o Movimento? Bem, em primeiro lugar, o vazio, a abstração, a luta pela luta, o horror da política. Se virar um movimento genérico demais, tudo acaba. Não podem achar que podem mudar o País num 'passe livre de mágica'. Não podem. Não podem se deslumbrar com o sucesso. O fundamental é alguma humildade no processo todo.
  • 6. É necessário lutar contra causas concretas, pontuais. É preciso a organização de lideranças, sim, assumidas, inclusive com células nos Estados, todos conectados para agir, sempre em cima de um tema. A sensação de poder é maravilhosa, mas não pode levar a sentimentos de onipotência, a um excesso de otimismo. Tem de ser um movimento de vigilância, um poder paralelo e discreto que se articula rapidamente para protestos pontuais. Os partidos que existem têm de ser questionados em seus malfeitos e em seus programas oportunistas. Creio que este movimento jovem tem de ser uma periferia crítica permanente, sem ser um partido tradicional, mas uma vigilância no dia a dia de Brasília. O Movimento tem de representar a sociedade. Uma espécie de Ministério Público sem gravata. Outro perigo que ronda os jovens é o tempo. Sim, os corruptos trabalham com o tempo. São todos cobras criadas que contam com o cansaço dos manifestantes jovens, esperando a hora em que a mamãe chama para o jantar. Contam também com o tédio da população. Eles adoram a falta de memória e os dias que passam. Já adiaram expressamente a votação da emenda PEC 37, para momentos 'mais calmos' - esqueceram que a votação será nominal, logo, anotaremos todos os inimigos declarados. Se essas provações forem superadas por jovens sem experiência política, eles terão nos dado uma grande lição: "Temos democracia; agora, temos de formar uma República". Se não, tudo será apenas um rio que passou em nossa vida e... sumiu. MARACANÃ Manoel Malheiros Tourinho Estimado Luiz. Que bom que gradualmente estamos aguçando a nossa memoria no comparativo da historia e das estória com as tuas idas ao velho Maraca. Ao sermos aguçado não há como deixar de enaltecer a meninada "cara pintada", renovar as nossas velhas esperanças e no dizer do "quem sabe faz a hora não espera acontecer" também nós, mesmo mancando, de bengala, passando gelol nas pernas, sairmos às ruas em defesa da reconstrução da ética. A ética deve ser reconstruída porque foi destruída com o lulismo e o PT quando o seu Inácio assinou a carta ao povo brasileiro logo depois de eleito e empossado pelo primeira vez. No gesto infame ele entregava sem delongas e sem vacilos a economia nacional ao sistema monetário internacional representado na figura antipatriótica do banco internacionais (HSBC, SANTANDER + os orelhinhas brasileiros). Lula nunca pensou no povo, para emancipa-lo, ao contrário pensou sim em subordiná-lo e se apropriando dos instrumentos do imperialismo internacional e dos vade-mécum do Banco Mundial, fomentou & fomentou o "Bolsismo" e gradualmente foi substituindo os coronéis da terra com seus currais eleitorais pelos coronéis modernos saídos das contabilidades da Caixa Econômica, Banco do Brasil, etc. O POVO AINDA NÃO ESTÁ LIVRE. CONTINUA ESCRAVO. PRECISAMOS DE MAIS LUTA.. OCUPAR TODAS AS PRAÇAS E RUAS DESSE PAÍS . DEFENESTRAR DEFINITIVAMENTE TODA A ESCORIA DE POLITICOS SUJOS, MORALMENTE MORTOS, ETICAMENTE INEXISTENTES. NA PROXIMA CONVOCATORIA DAS REDES SOCIAIS DEVEMOS IR LÁ E MOSTRAR QUE NOS IDOSOS, APOSENTADOS, SENIORS, PAES&AVÓS, ACREDITAMOS NESSA JUVENTUDE E QUE NÃO ACREDITAMOS NA CONTINUAÇÃO DESSA BANDALHEIRA QUE NOS ENVERGONHA ESCRITA PELA CORJA PETISTA DO PLANALTO SEM EXECEÇAO. (MANOEL TOURINHO, ARREPENDIDO DE UM DIA TER COLOCADO MEUS FILHOS NA RUA AGITANDO BANDEIRAS DO PT PARA ELEGER UM SACRIPANTA CHAMADO LULA).
  • 7. A PIADA DA SEMANA Hoje, um outro tipo de piada: as bobagens dos governantes ante ao movimento da juventude. A gente tem que rir da Presidenta propondo uma Constituição específica; do Governador do Rio de Janeiro estupefato com os vândalos, quando são conhecidos de todos, inclusive da sua despreparada polícia; do Prefeito de São Paulo preocupado em não desagradar os seus três patrões, Lula, Dilma e o PT ; do Gilberto Carvalho sem saber explicar a ação de seus prepostos; do Governador de São Paulo com sua cara de nojo ao ter que anunciar em conjunto com o Prefeito a redução da passagem; e dos políticos de todo o país "gazeteando", fugindo das passeatas como o diabo corre da Cruz. oOo Acessar: www.r2cpress.com.br