CURSO DE ATUALIZAÇÃO EM
MEDICINA DE FAMÍLIA E
COMUNIDADE
da Sociedade Brasileira de Medicina de Família
e Comunidade
Síncope
Aline Rosa Machado
Médica Cardiologista
Agenda
 Definição
 Fisiopatologia
 Classificação e causas
 Diagnóstico diferencial
 Avaliação clínica
 Exames complementares
 Pistas diagnósticas
 Achados de alto risco
 Quando encaminhar à emergência
 Quando encaminhar ao especialista
 Tratamento
Síncope
• Perda transitória da consciência ocasionada por
hipoperfusão cerebral global
• Início rápido, curta duração e recuperação
completa e espontânea
• Pode ser precedida de pródromos
– Náusea
– Sudorese
– Escurecimento visual
– Tontura
Fisiopatologia
Redução da
PA
Hipoperfusão
cerebral
Queda na
resistência
vascular
periférica
Redução do
débito cardíaco
Classificação
Reflexa
(neuromediada)
• Vasovagal
• Ortostática
• Emocional – medo, dor
• Situacional
• Micção, vômito, tosse,
pós-esforço, pós-
prandial
• Hipersensibilidade do
seio carotídeo
Hipotensão
ortostática
• Uso de medicações
• Anti-hipertensivos
• Vasodilatadores
• Bloqueadores α-
adrenérgicos
• Betabloqueadores
• Diuréticos
• Hipovolemia
• Disfunção autonômica
• Dç de Parkinson
• Diabetes
• Lesões de coluna
espinhal
• Neuropatias
Cardíaca
• Doenças estruturais
• Estenose aórtica
• Miocardiopatia
hipertrófica
• Infarto
• Bradicardias
• Disfunção do nó sinusal
• Bloqueios
atrioventriculares
• Taquicardias
• Supraventriculares
• Ventriculares
• Doença de grandes
vasos
• Embolia pulmonar
• Dissecção aórtica
+ Comum (35-48%)
Diagnóstico Diferencial
Perda transitória de consciência pós-traumática
Parada cardiorrespiratória
Sem perda de consciência
• Quedas
• Doenças psiquiátricas
• Tontura, vertigem
• Ataque isquêmico transitório
Perda de consciência sem hipoperfusão cerebral
• Crise convulsiva
• Intoxicações exógenas agudas – álcool
• Hipoglicemia
• Hipóxia
• Hemorragia subaracnóide
Avaliação Clínica
• Anamnese
– Circunstancias do evento
• Posição (ortostase prolongada, ao levantar)
• Atividade (repouso, após exercício, ao urinar, ao tossir...)
• Predisponentes (ambiente quente, medo, dor, movimentação do
pescoço...)
– Pródromos
• Náusea, sudorese, aura, palpitações
– Durante o evento
• Abalos musculares
• Cianose, palidez
– Após o evento
• Duração da perda de consciência
• Confusão/letargia
• Palpitações
• Incontinência urinária/fecal
Avaliação Clínica
• Antecedentes
– História de doença cardíaca ou neurológica
– História familiar de morte súbita
– Uso de medicações
– Uso de álcool/drogas
– Episódios prévios
• Exame físico
– Ausculta de sopros
– Sinais de desidrataçao
– Hipotensão postural - queda de PAs ≥ 20 mmHg ou PAd ≥ 10
mmHg após três minutos em ortostase
– Diferença de amplitude de pulsos periféricos
– Desvio do ictus cardíaco, presença de B3, presença de turgência
jugular, edema
Exames Complementares
• Eletrocardiograma
– Avaliação de causas cardíacas
– Ajuda a estimar o risco e a gravidade do evento
• Outros exames podem ser indicados a depender
da suspeita diagnóstica:
– Ecocardiograma
– Holter
– Teste ergométrico
– Tilt-test
– Eletroencefalograma
Pistas diagnósticas
Sugere causa...
• Reflexa:
– Jovens, sem doença cardíaca
– Após ortostase prolongada, após refeição copiosa, após
exercício físico
– Em locais fechados, calor intenso
– Sintomas prodrômicos
– Rotação da cabeça ou pressão no pescoço (barbear,
apertar a gravata...) -> hipersensibilidade do seio
carotídeo
Pistas diagnósticas
Sugere causa...
• Hipotensão ortostática:
– Durante ou após levantar-se
– Após longo período deitado ou após esforço físico
intenso
– Após aumento de medicações
hipotensoras/vasodilatadoras
– Desidratação
– Presença de doença autonômica/Parkinson
– Hipotensão ortostática
Pistas diagnósticas
Sugere causa...
• Cardíaca
– Durante o esforço ou deitado
– Antecedida ou sucedida de palpitações
– História familiar de morte súbita
– Presença de doença cardíaca estrutural
– Alterações eletrocardiográficas
– Alterações no exame físico: sopro de estenose aórtica,
diferença de amplitude de pulsos radiais
Achados de Alto Risco
• Clínicos
– Síncope durante esforço físico
– Síncope em posição supina
– Precedida de palpitações
– Tipo “desliga-liga”
– História Familiar de morte súbita
– Trauma relacionado ao evento – TCE/fraturas
• Doença coronariana
• Insuficiência cardíaca
• Doença cardíaca estrutural
Achados de Alto Risco
• Achados no ECG
– Taquicardia ventricular não-sustentada
– Bloqueios de ramo
– Bradicardia
– Onda delta (pré-excitação)
– Intervalo QT longo ou curto
– Sd. De Brugada
– Cardiomiopatia arritmogênica do VD
Avaliação inicial
(Anamnese, exame físico,
ECG)
Síncope
Diagnóstico
provável
Diagnóstico
incerto
Estratificação de
risco
•Prosseguir investigação
•Encaminhar ao especialista
Alto risco de
eventos graves
•Prosseguir investigação
•Encaminhar ao especialista
Baixo risco
Eventos
recorrentes
•Sem necessidade de investigação
adicional
•Tranquilizar e explicar
Baixo risco
Eventos raros
Adaptado de: 2018 ESC Guidelines for the diagnosis and
management of syncope
Tratar conforme
causa específica
Quando encaminhar à Emergência
• Sinais de hipoperfusão
• Congestão pulmonar
• Dor torácica ou suspeita de SCA
• Fibrilação atrial de início recente
• Alterações de alto risco no ECG
Quando encaminhar ao especialista -
Cardiologia
• Síncope com suspeita de origem cardíaca
• Alterações no ECG
• Em pacientes com doença cardíaca conhecida
• História familiar de morte súbita
• Síncope de origem indeterminada
Tratamento
• Evitar gatilhos situacionais
• Manter hidratação e adequada ingesta de sal
• Ajuste de medicações hipotensoras
• Manobras de contrapressão isométricas
• Tilt training
– Ostostatismo com os pés 15cm afastados da parede,
30 min por dia por 30 dias
• Uso de meia elástica
• Raramente – medicações: midrodrina /
fludrocortisona
Conclusões
• A maioria das síncopes são de causa reflexa
• Procurar na avaliação clínica as pistas que
direcionam ao mecanismo da síncope
• O eletrocardiograma é fundamental para a
avaliação de causas cardíacas
• Estratificar o risco sempre
• Na suspeita de síncope cardíaca, sempre
encaminhar ao especialista
Referências
• Rotinas em Unidade Vascular. Luiz Antônio Nasi. Artmed
Editora, 2009
• Emergências Clínicas: abordagem prática. Herlon Saraiva
Martins et al. 10. ed. Manole, 2015
• Protolocos de encaminhamento da atenção básica para
atenção especializada. Brasília, Ministério da Saúde, 2016
• 2018 ESC Guidelines for the diagnosis and management of
syncope. European Heart Journal, 2018
Obrigada!
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16 - Síncope e Desmaio.pdf

  • 1.
    CURSO DE ATUALIZAÇÃOEM MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade Síncope Aline Rosa Machado Médica Cardiologista
  • 2.
    Agenda  Definição  Fisiopatologia Classificação e causas  Diagnóstico diferencial  Avaliação clínica  Exames complementares  Pistas diagnósticas  Achados de alto risco  Quando encaminhar à emergência  Quando encaminhar ao especialista  Tratamento
  • 3.
    Síncope • Perda transitóriada consciência ocasionada por hipoperfusão cerebral global • Início rápido, curta duração e recuperação completa e espontânea • Pode ser precedida de pródromos – Náusea – Sudorese – Escurecimento visual – Tontura
  • 4.
  • 5.
    Classificação Reflexa (neuromediada) • Vasovagal • Ortostática •Emocional – medo, dor • Situacional • Micção, vômito, tosse, pós-esforço, pós- prandial • Hipersensibilidade do seio carotídeo Hipotensão ortostática • Uso de medicações • Anti-hipertensivos • Vasodilatadores • Bloqueadores α- adrenérgicos • Betabloqueadores • Diuréticos • Hipovolemia • Disfunção autonômica • Dç de Parkinson • Diabetes • Lesões de coluna espinhal • Neuropatias Cardíaca • Doenças estruturais • Estenose aórtica • Miocardiopatia hipertrófica • Infarto • Bradicardias • Disfunção do nó sinusal • Bloqueios atrioventriculares • Taquicardias • Supraventriculares • Ventriculares • Doença de grandes vasos • Embolia pulmonar • Dissecção aórtica + Comum (35-48%)
  • 6.
    Diagnóstico Diferencial Perda transitóriade consciência pós-traumática Parada cardiorrespiratória Sem perda de consciência • Quedas • Doenças psiquiátricas • Tontura, vertigem • Ataque isquêmico transitório Perda de consciência sem hipoperfusão cerebral • Crise convulsiva • Intoxicações exógenas agudas – álcool • Hipoglicemia • Hipóxia • Hemorragia subaracnóide
  • 7.
    Avaliação Clínica • Anamnese –Circunstancias do evento • Posição (ortostase prolongada, ao levantar) • Atividade (repouso, após exercício, ao urinar, ao tossir...) • Predisponentes (ambiente quente, medo, dor, movimentação do pescoço...) – Pródromos • Náusea, sudorese, aura, palpitações – Durante o evento • Abalos musculares • Cianose, palidez – Após o evento • Duração da perda de consciência • Confusão/letargia • Palpitações • Incontinência urinária/fecal
  • 8.
    Avaliação Clínica • Antecedentes –História de doença cardíaca ou neurológica – História familiar de morte súbita – Uso de medicações – Uso de álcool/drogas – Episódios prévios • Exame físico – Ausculta de sopros – Sinais de desidrataçao – Hipotensão postural - queda de PAs ≥ 20 mmHg ou PAd ≥ 10 mmHg após três minutos em ortostase – Diferença de amplitude de pulsos periféricos – Desvio do ictus cardíaco, presença de B3, presença de turgência jugular, edema
  • 9.
    Exames Complementares • Eletrocardiograma –Avaliação de causas cardíacas – Ajuda a estimar o risco e a gravidade do evento • Outros exames podem ser indicados a depender da suspeita diagnóstica: – Ecocardiograma – Holter – Teste ergométrico – Tilt-test – Eletroencefalograma
  • 10.
    Pistas diagnósticas Sugere causa... •Reflexa: – Jovens, sem doença cardíaca – Após ortostase prolongada, após refeição copiosa, após exercício físico – Em locais fechados, calor intenso – Sintomas prodrômicos – Rotação da cabeça ou pressão no pescoço (barbear, apertar a gravata...) -> hipersensibilidade do seio carotídeo
  • 11.
    Pistas diagnósticas Sugere causa... •Hipotensão ortostática: – Durante ou após levantar-se – Após longo período deitado ou após esforço físico intenso – Após aumento de medicações hipotensoras/vasodilatadoras – Desidratação – Presença de doença autonômica/Parkinson – Hipotensão ortostática
  • 12.
    Pistas diagnósticas Sugere causa... •Cardíaca – Durante o esforço ou deitado – Antecedida ou sucedida de palpitações – História familiar de morte súbita – Presença de doença cardíaca estrutural – Alterações eletrocardiográficas – Alterações no exame físico: sopro de estenose aórtica, diferença de amplitude de pulsos radiais
  • 13.
    Achados de AltoRisco • Clínicos – Síncope durante esforço físico – Síncope em posição supina – Precedida de palpitações – Tipo “desliga-liga” – História Familiar de morte súbita – Trauma relacionado ao evento – TCE/fraturas • Doença coronariana • Insuficiência cardíaca • Doença cardíaca estrutural
  • 14.
    Achados de AltoRisco • Achados no ECG – Taquicardia ventricular não-sustentada – Bloqueios de ramo – Bradicardia – Onda delta (pré-excitação) – Intervalo QT longo ou curto – Sd. De Brugada – Cardiomiopatia arritmogênica do VD
  • 15.
    Avaliação inicial (Anamnese, examefísico, ECG) Síncope Diagnóstico provável Diagnóstico incerto Estratificação de risco •Prosseguir investigação •Encaminhar ao especialista Alto risco de eventos graves •Prosseguir investigação •Encaminhar ao especialista Baixo risco Eventos recorrentes •Sem necessidade de investigação adicional •Tranquilizar e explicar Baixo risco Eventos raros Adaptado de: 2018 ESC Guidelines for the diagnosis and management of syncope Tratar conforme causa específica
  • 16.
    Quando encaminhar àEmergência • Sinais de hipoperfusão • Congestão pulmonar • Dor torácica ou suspeita de SCA • Fibrilação atrial de início recente • Alterações de alto risco no ECG
  • 17.
    Quando encaminhar aoespecialista - Cardiologia • Síncope com suspeita de origem cardíaca • Alterações no ECG • Em pacientes com doença cardíaca conhecida • História familiar de morte súbita • Síncope de origem indeterminada
  • 18.
    Tratamento • Evitar gatilhossituacionais • Manter hidratação e adequada ingesta de sal • Ajuste de medicações hipotensoras • Manobras de contrapressão isométricas • Tilt training – Ostostatismo com os pés 15cm afastados da parede, 30 min por dia por 30 dias • Uso de meia elástica • Raramente – medicações: midrodrina / fludrocortisona
  • 19.
    Conclusões • A maioriadas síncopes são de causa reflexa • Procurar na avaliação clínica as pistas que direcionam ao mecanismo da síncope • O eletrocardiograma é fundamental para a avaliação de causas cardíacas • Estratificar o risco sempre • Na suspeita de síncope cardíaca, sempre encaminhar ao especialista
  • 20.
    Referências • Rotinas emUnidade Vascular. Luiz Antônio Nasi. Artmed Editora, 2009 • Emergências Clínicas: abordagem prática. Herlon Saraiva Martins et al. 10. ed. Manole, 2015 • Protolocos de encaminhamento da atenção básica para atenção especializada. Brasília, Ministério da Saúde, 2016 • 2018 ESC Guidelines for the diagnosis and management of syncope. European Heart Journal, 2018
  • 21.
    Obrigada! © Copyright©2019 EditoraManole Ltda. Todos os direitos reservados. O conteúdo aqui apresentado, na forma de imagens ou texto, é de responsabilidade exclusiva do autor. Nenhuma parte deste conteúdo poderá ser reproduzida, por qualquer processo, sem a permissão expressa dos autores e editores.