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Classificação da obra: poesia, assuntos diversos.
Organizador: José Miguel Wisnik.
Contexto histórico-cultural: séc. XVII, Bahia.
Linguagem: mescla o erudito, o coloquialismo e espontaneidade na fala, mais algumas
expressões em tupi ou de origem africana.
Comentários
Em tempos de eleição e de denúncias sobre corrupção nos bastidores da política
nacional, ler os versos do bardo Gregório de Matos, poeta satírico nascido na Bahia, no
século XVII, é sempre uma oportunidade de descobrir, ou lembrar, que seu trabalho
continua desconcertante e atual. Se trocarmos os nomes dos governantes da época
colonial para seus herdeiros no poder três séculos depois, sem grande esforço, dá para
especular até que o “Boca do Inferno” era um profeta. Ou então, que a história do Brasil,
para o bem e para o mal, gira em círculos infinitos.
A verdade é que Gregório não cai de moda. Prova disso é que a editora Companhia
das Letras resgatou a coletânea do autor 35 anos depois do primeiro lançamento. Trata-
se do livro Poemas Escolhidos de Gregório de Matos, organizado por José Miguel
Wisnik, em 1975, e na época lançado pela Cultrix, e que em 2010, chegou ao mercado
editorial com organização e revisão do próprio Wisnik.
Ao longo das 360 páginas do livro, Wisnik não apenas reproduz os melhores
versos apócrifos atribuídos à lavra gregoriana, mas em notas de rodapé muito bem
embasadas, lança luz sobre fatos, nomes, datas e expressões do português arcaico usadas
pelo bardo setecentista. Para quem nunca teve contato com a obra do autor, nem nas aulas
sobre poesia satírica no Ensino Médio, a publicação funciona como boa introdução não
apenas aos poemas de Gregório de Matos, mas a todo um período histórico e social
retratado por seus versos de escárnio e de amor.
Wisnik também assina o prefácio do volume, onde além de traçar um esboço
biográfico do poeta, explica o processo de seleção dos poemas que compõem a obra. A
alusão – ou provocação – ao fato de que ainda não existe na história da literatura brasileira
uma edição crítica da obra de Gregório de Matos, a mesma feita quando da primeira
publicação dos Poemas Escolhidos, demonstra ainda que, embora não caia de moda, o
“Boca de Brasa” não tem sido valorizado como merece.
Língua ferina – Taxado de pornográfico por uns, de ressentido por outros e de
gênio por terceiros, Gregório de Matos usou e abusou da poesia para desancar desafetos
e cantar os males da administração colonial. Mas não fez só isso. Na pudica sociedade do
século XVII, revelou segredos de alcova com picardia e praticou o amor cortês, herança
do cancioneiro da Europa medieval. Na produção atribuída ao autor, não falta ainda a
poesia sacra, revelando seu lado de homem religioso e contraditoriamente barroco.
A rima precisa e a ironia ora escrachada, ora sutil de seus versos chamam atenção
de imediato de quem se propõe a passear pelos Poemas Escolhidos. Para facilitar a vida
dos leitores, Wisnik divide o livro em Poesia de Circunstância: Satírica e Encomiástica
(de louvação), Poesia Amorosa Lírica e Erótico-Irônica; e por fim Poesia Religiosa.
A partir dessa divisão fica mais fácil perceber as idiossincrasias da personalidade
do “Boca de Brasa”: apesar de escrever poesia erótica, mantinha opiniões conservadoras
e preconceituosas em diversos temas, sobretudo a homossexualidade. Mesmo cobrando
progresso para a Bahia “madrasta de seus filhos”, mantinha-se preso a exigências de
respeito à casta dos bem-nascidos (nobreza da qual fazia parte) e um desprezo pelos
brancos da terra – nascidos no Brasil -, negros, índios e mestiços.
No entanto, o mesmo Gregório, filho de senhor de engenho, homem branco,
pertencente à elite, formado em universidade europeia (Coimbra) possuía seu lado
“popular”. A adoção da sátira como forma de expressão e o uso de expressões em tupi e
africanas nos seus poemas é prova de que estava sintonizado com as mudanças de seu
tempo, embora maldissesse a mistura de raças e a cultura daí resultante.
Os versos sobre Salvador, por exemplo, ou sobre a Cidade da Bahia, como era
chamada naquela época, revelam uma relação ora de enternecido amor, ora de ódio da
então capital da colônia. A raiva tanto vinha do abandono que sucessivos governos
corruptos legaram à cidade quanto do ressentimento de classe. Principalmente com a crise
da economia açucareira, ascensão dos comerciantes “sem berço” e, consequentemente, a
bancarrota dos senhores de engenho.
Mapa de Salvador no século XVII, a época em que viveu o “Boca do Inferno”
Poesia apócrifa – O grande problema para publicar Gregório de Matos advém do
fato de que o poeta, de próprio punho, nunca assinou ou publicou nenhum verso. Sua
poesia é considerada apócrifa (sem comprovação de autoria) e está registrada em códices,
ou seja, livretos manuscritos onde admiradores copiavam os versos de Gregório de Matos,
que além de satírico de mão cheia, teria sido também violeiro e repentista dos mais
profícuos.
Na seleção para os Poemas Escolhidos, José Miguel Wisnik optou por utilizar
como base uma edição das Obras Completas feita pela Academia Brasileira de Letras,
em 1933, e também cita diferenças em alguns versos, apontadas por outra edição de obras
completas feita por James Amado, em 1968. A primeira tentativa de catalogar a obra de
Gregório, porém, teria sido feita em 1882 (no século XIX), por Alfredo Vale Cabral, que
morreu antes de concluir o intento.
Na Bahia, outro profundo estudioso e conhecedor da obra do Boca do Inferno é o
escritor e professor da UFBA, Fernando da Rocha Peres. Além disso, em 1983, Pedro
Calmon publicou uma biografia do autor, usando como base de pesquisa os próprios
versos de Gregório; enquanto a escritora Ana Miranda romanceou a vida do poeta
em Boca do Inferno, de 1989.
Quem foi Gregório de Matos?
Gregório de Matos e Guerra era o caçula de três
homens, filhos de abastada família baiana ligada à cultura açucareira. Teria nascido em
dezembro de 1633. Há quem registre 1636, conforme relata o próprio Wisnik no prefácio
dos Poemas Escolhidos. Aos 14 anos, viajou da Bahia para Lisboa, onde concluiu os
primeiros estudos, rumando depois para a famosa Universidade de Coimbra, onde
estudou Direito Canônico. Em Portugal, depois de formado, exerceu importantes cargos
na magistratura e só voltou para Salvador em 1683, para exercer cargos importantes no
clero: Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia e tesoureiro-mor da Sé Primacial
do Brasil. Tido como intratável, acabou brigando com o arcebispo, por se recusar a vestir
roupas sacerdotais obrigatórias para os cargos. Com uma vida envolta em mistérios e com
vários mitos em torno do seu nome, Gregório teria até entrado na mira da Inquisição, mas
escapou graças ao prestigio da família. Tinha também fama de mulherengo, esbanjador e
boêmio incorrigível.
Para entender a obra de Gregório de Matos é preciso conhecer o contexto histórico
no qual ele está inserido, uma vez que grande parte de sua poesia (principalmente a
satírica) faz alusão a duas de suas maiores referências: o Brasil e Portugal. No final do
século XVII, Portugal estava em decadência, sendo que o sistema escravocrata não
conseguia mais sustentar a economia da Metrópole. Assim, Portugal impunha ao Brasil
uma série de restrições comerciais a fim de conseguir vantagens. Por conta disso, os
senhores do engenho e proprietários rurais brasileiros passaram a enfrentar uma forte crise
econômica.
Em contrapartida à crise do mercado de escravos e do engenho de açúcar, surge
uma rica burguesia composta por imigrantes vindos de Portugal e que comandavam o
comércio na colônia. Essa rica burguesia dominou também o mercado de crédito e outros
contratos reais. Por conta do monopólio gerado por esses imigrantes, agravou-se a crise
dos proprietários rurais brasileiros e a hostilidade entre os dois grupos foi crescendo ao
longo dos anos.
Gregório de Matos, como filho de senhor de engenho e bacharel em Direito,
encontra-se em uma posição central neste cenário, tendo condições de pensar e analisar
seu momento histórico sob diversas perspectivas. Gregório de Matos, apesar de ter tido
diversos cargos de poder, resolve desligar-se de tudo e viver à margem da sociedade como
um poeta itinerante, percorrendo o recôncavo baiano e frequentando festas e rodas
boemias. Porém, mesmo distanciado da sociedade hipócrita a qual ele condena, ele
também se insere nela, pois Gregório ainda depende da nobreza e vive à custa de favores
deles. Ao mesmo tempo, ele encara o papel do portador de uma “voz crítica” sobre essa
mesma sociedade na qual ele se insere.
Conforme explica José Wisnik, o poema satírico de Gregório de Matos é marcado
por essa “briga” entre uma sociedade “normal” – que é a do homem bem nascido” – e
outra “absurda” – que é composta por pessoas oportunistas, mas que estão instaurados no
poder. Porém, no caso de Gregório de Matos a “sociedade absurda” é real, pois é a Bahia
onde ele vive; e a sociedade considerada “normal”, que é a dos homens bem nascidos e
cultos, é absurda perante a realidade baiana. Assim, ambas são consideradas absurdas
uma perante a outra. Esse impasse é o da realidade histórica desse momento, coexistindo
em um mesmo local duas Bahia: uma “normal”, que é vista com ar nostálgico, e outra
“absurda” e amaldiçoada.
Se de um lado existe a obra satírica de Gregório de Matos, onde ele expõe e critica
sem nenhum pudor a sociedade da época, de outro lado há também a poesia lírica
produzida por ele. Seus poemas líricos são comumente divididos em: lírico-amorosos e
burlescos/eróticos. Há ainda uma vasta produção de poemas com temática religiosa.
Porém, há de se ressaltar que a ironia e crítica social existente nos poemas satíricos não
são deixados de lado em sua produção lírica e religiosa.
Na poesia amorosa e erótica de Gregório de Matos, o tema básico continua sendo
o choque de opostos: “espírito” e “matéria”, “ascetismo” e “sensualismo”. Essa visão
dualista também aparece na figura da mulher desejada, sendo que esta representa uma
espécie de “anjo-demônio”. É interessante notar que na obra de Gregório de Matos o
“outro lado” em um par de opostos sempre irá conter um pedaço do seu par antagônico.
Ou seja, se tomarmos por exemplo a figura da mulher, quando ela aparece como um ser
angelical, ela também terá uma parte demoníaca, e vice-versa.
Dessa forma, a poesia lírico-amorosa de Gregório de Matos é construída em torno
de contradições e pares de opostos, utilizando figuras de linguagens como o oxímoro, que
reforça essas contradições. Porém, deve-se ter em mente que estas contradições não se
anulam e a mensagem final que o poeta passa é de que “diferença é identidade”. Já a
poesia erótica de Gregório de Matos, na qual o poeta utiliza uma linguagem mais direta e
explícita do que na lírico-amorosa, o amor carnal aparece como forma de libertação do
corpo e, por consequência, do indivíduo também.
Por fim, tem-se a poesia religiosa de Gregório de Matos, que também é trabalhada
constantemente através de pares de opostos. O ambiente fortemente cristão do período
barroco, faz-se presente aqui, onde os pares antagônicos da vez é a “culpa” versus
“perdão”. Gregório de Matos faz uso da poesia para se libertar e ela é a única forma
possível de salvação para o poeta. Esta salvação não se dá somente entre o poeta e Deus,
mas também perante a sociedade e si mesmo.
Poemas representativos
“A Jesus Cristo Nosso Senhor”
Esse soneto é um dos maiores representantes da poesia sacra/religiosa de Gregório
de Matos. Segundo a crítica literária, foi inspirado em outros poemas de autoria
desconhecida já existentes em língua espanhola. Outra inspiração do poeta foi a passagem
do evangelho de São Lucas, onde Jesus Cristo conta a parábola da ovelha perdida e
conclui dizendo que “há grande alegria nos céus quando um pecador se arrepende de seus
pecados e dá meia volta”.
Nesse soneto, a temática da “culpa” versus “perdão” aparece posta em xeque, pois
o poeta utiliza da linguagem para conseguir seu perdão e salvação. Enfrentando o poder
divino, o eu-lírico pede para que Deus cobre os pecados cometidos por ele, pois quanto
mais pecados ele comete, mais Deus se esforça para perdoa-los. Assim, da mesma forma
como o poder divino precisa perdoar, o pecador precisa pecar para poder ser perdoado.
Estruturalmente, o soneto é composto por 14 versos decassílabos com rimas no
esquema ABBA, ABBA, ABC, ABC.
“Aos Afetos, e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem”
Esse soneto faz parte da produção lírico-amorosa de Gregório de Matos.
Estruturalmente é composto por 14 versos decassílabos com rimas ABBA, ABBA, CDC,
DCD.
O poema é composto através de antíteses, figura de linguagem que aproxima pares
de opostos, o que é uma marca da poesia lírico-amorosa de Gregório de Matos. A primeira
parte do soneto, que é formada pelos dois quartetos, é marcada por um tom de lamentação
onde o eu-lírico vive um embate entre “paixão” (simbolizado através de imagens como
“fogo” e incêndio”) e “dor” (simbolizado por “neve” e “água”, remetendo à “lagrimas”).
Na segunda parte, o eu-lírico se indaga sobre a natureza contraditória do amor, fazendo
lembrar a lírica do poeta português Camões (“Amor é fogo que arde sem se ver / É ferida
que dói e não se sente”). A ideia de que “diferença é identidade” presente na poesia
amorosa de Gregório de Matos se faz presente de modo exemplar nesse soneto.
“Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”
Esse soneto satírico é composto por versos decassílabos em esquema de rimas
ABBA, ABBA, CDE, CDE.
A Bahia de outrora aparece com um tom nostálgico, e o poeta critica a degradação
moral e econômico no qual a cidade se encontra no momento. Os ladrões e oportunistas
(comerciantes exploradores) são os detentores do poder político e econômico, enquanto
os trabalhadores honestos encontram-se na pobreza. Esse tom nostálgico e de lamentação
aparece também no famoso soneto “À cidade da Bahia”, em que vemos a decadência dos
engenhos de açúcar e a ascensão de uma burguesia oportunista segundo o poeta.

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  • 1. Classificação da obra: poesia, assuntos diversos. Organizador: José Miguel Wisnik. Contexto histórico-cultural: séc. XVII, Bahia. Linguagem: mescla o erudito, o coloquialismo e espontaneidade na fala, mais algumas expressões em tupi ou de origem africana. Comentários Em tempos de eleição e de denúncias sobre corrupção nos bastidores da política nacional, ler os versos do bardo Gregório de Matos, poeta satírico nascido na Bahia, no século XVII, é sempre uma oportunidade de descobrir, ou lembrar, que seu trabalho continua desconcertante e atual. Se trocarmos os nomes dos governantes da época colonial para seus herdeiros no poder três séculos depois, sem grande esforço, dá para especular até que o “Boca do Inferno” era um profeta. Ou então, que a história do Brasil, para o bem e para o mal, gira em círculos infinitos. A verdade é que Gregório não cai de moda. Prova disso é que a editora Companhia das Letras resgatou a coletânea do autor 35 anos depois do primeiro lançamento. Trata- se do livro Poemas Escolhidos de Gregório de Matos, organizado por José Miguel Wisnik, em 1975, e na época lançado pela Cultrix, e que em 2010, chegou ao mercado editorial com organização e revisão do próprio Wisnik. Ao longo das 360 páginas do livro, Wisnik não apenas reproduz os melhores versos apócrifos atribuídos à lavra gregoriana, mas em notas de rodapé muito bem embasadas, lança luz sobre fatos, nomes, datas e expressões do português arcaico usadas pelo bardo setecentista. Para quem nunca teve contato com a obra do autor, nem nas aulas sobre poesia satírica no Ensino Médio, a publicação funciona como boa introdução não apenas aos poemas de Gregório de Matos, mas a todo um período histórico e social retratado por seus versos de escárnio e de amor. Wisnik também assina o prefácio do volume, onde além de traçar um esboço biográfico do poeta, explica o processo de seleção dos poemas que compõem a obra. A alusão – ou provocação – ao fato de que ainda não existe na história da literatura brasileira uma edição crítica da obra de Gregório de Matos, a mesma feita quando da primeira publicação dos Poemas Escolhidos, demonstra ainda que, embora não caia de moda, o “Boca de Brasa” não tem sido valorizado como merece. Língua ferina – Taxado de pornográfico por uns, de ressentido por outros e de gênio por terceiros, Gregório de Matos usou e abusou da poesia para desancar desafetos e cantar os males da administração colonial. Mas não fez só isso. Na pudica sociedade do século XVII, revelou segredos de alcova com picardia e praticou o amor cortês, herança do cancioneiro da Europa medieval. Na produção atribuída ao autor, não falta ainda a poesia sacra, revelando seu lado de homem religioso e contraditoriamente barroco. A rima precisa e a ironia ora escrachada, ora sutil de seus versos chamam atenção de imediato de quem se propõe a passear pelos Poemas Escolhidos. Para facilitar a vida dos leitores, Wisnik divide o livro em Poesia de Circunstância: Satírica e Encomiástica (de louvação), Poesia Amorosa Lírica e Erótico-Irônica; e por fim Poesia Religiosa. A partir dessa divisão fica mais fácil perceber as idiossincrasias da personalidade do “Boca de Brasa”: apesar de escrever poesia erótica, mantinha opiniões conservadoras e preconceituosas em diversos temas, sobretudo a homossexualidade. Mesmo cobrando
  • 2. progresso para a Bahia “madrasta de seus filhos”, mantinha-se preso a exigências de respeito à casta dos bem-nascidos (nobreza da qual fazia parte) e um desprezo pelos brancos da terra – nascidos no Brasil -, negros, índios e mestiços. No entanto, o mesmo Gregório, filho de senhor de engenho, homem branco, pertencente à elite, formado em universidade europeia (Coimbra) possuía seu lado “popular”. A adoção da sátira como forma de expressão e o uso de expressões em tupi e africanas nos seus poemas é prova de que estava sintonizado com as mudanças de seu tempo, embora maldissesse a mistura de raças e a cultura daí resultante. Os versos sobre Salvador, por exemplo, ou sobre a Cidade da Bahia, como era chamada naquela época, revelam uma relação ora de enternecido amor, ora de ódio da então capital da colônia. A raiva tanto vinha do abandono que sucessivos governos corruptos legaram à cidade quanto do ressentimento de classe. Principalmente com a crise da economia açucareira, ascensão dos comerciantes “sem berço” e, consequentemente, a bancarrota dos senhores de engenho. Mapa de Salvador no século XVII, a época em que viveu o “Boca do Inferno” Poesia apócrifa – O grande problema para publicar Gregório de Matos advém do fato de que o poeta, de próprio punho, nunca assinou ou publicou nenhum verso. Sua poesia é considerada apócrifa (sem comprovação de autoria) e está registrada em códices, ou seja, livretos manuscritos onde admiradores copiavam os versos de Gregório de Matos, que além de satírico de mão cheia, teria sido também violeiro e repentista dos mais profícuos. Na seleção para os Poemas Escolhidos, José Miguel Wisnik optou por utilizar como base uma edição das Obras Completas feita pela Academia Brasileira de Letras, em 1933, e também cita diferenças em alguns versos, apontadas por outra edição de obras completas feita por James Amado, em 1968. A primeira tentativa de catalogar a obra de Gregório, porém, teria sido feita em 1882 (no século XIX), por Alfredo Vale Cabral, que morreu antes de concluir o intento. Na Bahia, outro profundo estudioso e conhecedor da obra do Boca do Inferno é o escritor e professor da UFBA, Fernando da Rocha Peres. Além disso, em 1983, Pedro Calmon publicou uma biografia do autor, usando como base de pesquisa os próprios
  • 3. versos de Gregório; enquanto a escritora Ana Miranda romanceou a vida do poeta em Boca do Inferno, de 1989. Quem foi Gregório de Matos? Gregório de Matos e Guerra era o caçula de três homens, filhos de abastada família baiana ligada à cultura açucareira. Teria nascido em dezembro de 1633. Há quem registre 1636, conforme relata o próprio Wisnik no prefácio dos Poemas Escolhidos. Aos 14 anos, viajou da Bahia para Lisboa, onde concluiu os primeiros estudos, rumando depois para a famosa Universidade de Coimbra, onde estudou Direito Canônico. Em Portugal, depois de formado, exerceu importantes cargos na magistratura e só voltou para Salvador em 1683, para exercer cargos importantes no clero: Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia e tesoureiro-mor da Sé Primacial do Brasil. Tido como intratável, acabou brigando com o arcebispo, por se recusar a vestir roupas sacerdotais obrigatórias para os cargos. Com uma vida envolta em mistérios e com vários mitos em torno do seu nome, Gregório teria até entrado na mira da Inquisição, mas escapou graças ao prestigio da família. Tinha também fama de mulherengo, esbanjador e boêmio incorrigível. Para entender a obra de Gregório de Matos é preciso conhecer o contexto histórico no qual ele está inserido, uma vez que grande parte de sua poesia (principalmente a satírica) faz alusão a duas de suas maiores referências: o Brasil e Portugal. No final do século XVII, Portugal estava em decadência, sendo que o sistema escravocrata não conseguia mais sustentar a economia da Metrópole. Assim, Portugal impunha ao Brasil uma série de restrições comerciais a fim de conseguir vantagens. Por conta disso, os senhores do engenho e proprietários rurais brasileiros passaram a enfrentar uma forte crise econômica. Em contrapartida à crise do mercado de escravos e do engenho de açúcar, surge uma rica burguesia composta por imigrantes vindos de Portugal e que comandavam o comércio na colônia. Essa rica burguesia dominou também o mercado de crédito e outros contratos reais. Por conta do monopólio gerado por esses imigrantes, agravou-se a crise dos proprietários rurais brasileiros e a hostilidade entre os dois grupos foi crescendo ao longo dos anos. Gregório de Matos, como filho de senhor de engenho e bacharel em Direito, encontra-se em uma posição central neste cenário, tendo condições de pensar e analisar seu momento histórico sob diversas perspectivas. Gregório de Matos, apesar de ter tido diversos cargos de poder, resolve desligar-se de tudo e viver à margem da sociedade como
  • 4. um poeta itinerante, percorrendo o recôncavo baiano e frequentando festas e rodas boemias. Porém, mesmo distanciado da sociedade hipócrita a qual ele condena, ele também se insere nela, pois Gregório ainda depende da nobreza e vive à custa de favores deles. Ao mesmo tempo, ele encara o papel do portador de uma “voz crítica” sobre essa mesma sociedade na qual ele se insere. Conforme explica José Wisnik, o poema satírico de Gregório de Matos é marcado por essa “briga” entre uma sociedade “normal” – que é a do homem bem nascido” – e outra “absurda” – que é composta por pessoas oportunistas, mas que estão instaurados no poder. Porém, no caso de Gregório de Matos a “sociedade absurda” é real, pois é a Bahia onde ele vive; e a sociedade considerada “normal”, que é a dos homens bem nascidos e cultos, é absurda perante a realidade baiana. Assim, ambas são consideradas absurdas uma perante a outra. Esse impasse é o da realidade histórica desse momento, coexistindo em um mesmo local duas Bahia: uma “normal”, que é vista com ar nostálgico, e outra “absurda” e amaldiçoada. Se de um lado existe a obra satírica de Gregório de Matos, onde ele expõe e critica sem nenhum pudor a sociedade da época, de outro lado há também a poesia lírica produzida por ele. Seus poemas líricos são comumente divididos em: lírico-amorosos e burlescos/eróticos. Há ainda uma vasta produção de poemas com temática religiosa. Porém, há de se ressaltar que a ironia e crítica social existente nos poemas satíricos não são deixados de lado em sua produção lírica e religiosa. Na poesia amorosa e erótica de Gregório de Matos, o tema básico continua sendo o choque de opostos: “espírito” e “matéria”, “ascetismo” e “sensualismo”. Essa visão dualista também aparece na figura da mulher desejada, sendo que esta representa uma espécie de “anjo-demônio”. É interessante notar que na obra de Gregório de Matos o “outro lado” em um par de opostos sempre irá conter um pedaço do seu par antagônico. Ou seja, se tomarmos por exemplo a figura da mulher, quando ela aparece como um ser angelical, ela também terá uma parte demoníaca, e vice-versa. Dessa forma, a poesia lírico-amorosa de Gregório de Matos é construída em torno de contradições e pares de opostos, utilizando figuras de linguagens como o oxímoro, que reforça essas contradições. Porém, deve-se ter em mente que estas contradições não se anulam e a mensagem final que o poeta passa é de que “diferença é identidade”. Já a poesia erótica de Gregório de Matos, na qual o poeta utiliza uma linguagem mais direta e explícita do que na lírico-amorosa, o amor carnal aparece como forma de libertação do corpo e, por consequência, do indivíduo também. Por fim, tem-se a poesia religiosa de Gregório de Matos, que também é trabalhada constantemente através de pares de opostos. O ambiente fortemente cristão do período barroco, faz-se presente aqui, onde os pares antagônicos da vez é a “culpa” versus “perdão”. Gregório de Matos faz uso da poesia para se libertar e ela é a única forma possível de salvação para o poeta. Esta salvação não se dá somente entre o poeta e Deus, mas também perante a sociedade e si mesmo. Poemas representativos “A Jesus Cristo Nosso Senhor” Esse soneto é um dos maiores representantes da poesia sacra/religiosa de Gregório de Matos. Segundo a crítica literária, foi inspirado em outros poemas de autoria desconhecida já existentes em língua espanhola. Outra inspiração do poeta foi a passagem do evangelho de São Lucas, onde Jesus Cristo conta a parábola da ovelha perdida e
  • 5. conclui dizendo que “há grande alegria nos céus quando um pecador se arrepende de seus pecados e dá meia volta”. Nesse soneto, a temática da “culpa” versus “perdão” aparece posta em xeque, pois o poeta utiliza da linguagem para conseguir seu perdão e salvação. Enfrentando o poder divino, o eu-lírico pede para que Deus cobre os pecados cometidos por ele, pois quanto mais pecados ele comete, mais Deus se esforça para perdoa-los. Assim, da mesma forma como o poder divino precisa perdoar, o pecador precisa pecar para poder ser perdoado. Estruturalmente, o soneto é composto por 14 versos decassílabos com rimas no esquema ABBA, ABBA, ABC, ABC. “Aos Afetos, e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem” Esse soneto faz parte da produção lírico-amorosa de Gregório de Matos. Estruturalmente é composto por 14 versos decassílabos com rimas ABBA, ABBA, CDC, DCD. O poema é composto através de antíteses, figura de linguagem que aproxima pares de opostos, o que é uma marca da poesia lírico-amorosa de Gregório de Matos. A primeira parte do soneto, que é formada pelos dois quartetos, é marcada por um tom de lamentação onde o eu-lírico vive um embate entre “paixão” (simbolizado através de imagens como “fogo” e incêndio”) e “dor” (simbolizado por “neve” e “água”, remetendo à “lagrimas”). Na segunda parte, o eu-lírico se indaga sobre a natureza contraditória do amor, fazendo lembrar a lírica do poeta português Camões (“Amor é fogo que arde sem se ver / É ferida que dói e não se sente”). A ideia de que “diferença é identidade” presente na poesia amorosa de Gregório de Matos se faz presente de modo exemplar nesse soneto. “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia” Esse soneto satírico é composto por versos decassílabos em esquema de rimas ABBA, ABBA, CDE, CDE. A Bahia de outrora aparece com um tom nostálgico, e o poeta critica a degradação moral e econômico no qual a cidade se encontra no momento. Os ladrões e oportunistas (comerciantes exploradores) são os detentores do poder político e econômico, enquanto os trabalhadores honestos encontram-se na pobreza. Esse tom nostálgico e de lamentação aparece também no famoso soneto “À cidade da Bahia”, em que vemos a decadência dos engenhos de açúcar e a ascensão de uma burguesia oportunista segundo o poeta.