A prosa modernista

21.246 visualizações

Publicada em

Aula sobre a prosa modernista

Publicada em: Educação, Turismo
0 comentários
5 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
21.246
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
16
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
249
Comentários
0
Gostaram
5
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A prosa modernista

  1. 1. A PROSA MODERNISTA DE 22 <br />A FASE DE RUPTURA<br />
  2. 2. A PROSA MODERNISTA DE 22<br /><ul><li>O modernismo de 22 enfatizou muito mais a produção poética, os manifestos e os movimentos primitivistas.
  3. 3. A produção romanesca foi resumida, destacando-se Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Antônio Alcântara Machado.
  4. 4. Mário de Andrade produziu dois romances exemplares: Macunaíma e Amar, verbo intransitivo, além da narrativa curta: Contos novos e Contos de Belazarte.
  5. 5. Oswald de Andrade destacou-se com os romances Memórias sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande.
  6. 6. Antônio Alcântara Machado produziu um livros de contos com o título de Brás, Bexiga e Barra funda. </li></li></ul><li>MACUNAÍMA<br /><ul><li>É uma obra classificada não propriamente como um romance, mas como uma rapsódia, já que a narrativa é uma mistura de lendas, mitos e folclore.
  7. 7. Narrada em terceira pessoa, a obra procura sintetizar os elementos da cultura brasileira, apoiando-se, portanto, no índio, negro, mestiço e no branco.
  8. 8. Perpassa por toda a narrativa um tom de paródia, principalmente, no tocante ao índio, à cultura acadêmica e à visão idealizada da formação cultural e racial brasileira.
  9. 9. É uma narrativa mágica, sobrenatural, em que o narrador enfatiza o caráter primitivo e mítico da cultura indígena e negra.
  10. 10. O protagonista, Macunaíma, sintetiza o homem latino-americano ou brasileiro, já que seu caráter é multifacetado, e, por isso, é chamado de herói sem nenhum caráter. </li></li></ul><li>AMAR, VERBO INTRANSITIVO<br /><ul><li>Romance narrado em terceira pessoa, narrador onisciente e intruso e com intensa quebra da linearidade.
  11. 11. Percebe-se que a intenção de Mário foi refletir sarcasticamente sobre a cultura brasileira europeizada e sobre os valores culturais e sociais burgueses.
  12. 12. A trama gira em torno de uma relação afetivo-amorosa entre um rapaz de classe burguesa e uma governanta ariana, chamada Elza, denominada de Fraulein.
  13. 13. O romance coloca em choque elementos da cultura nacional e da cultura europeia, desmistificando o conceito de superioridade que se tem da cultura estrangeira.
  14. 14. Através da ironia e do humor, Mário reafirma, como já fez em Macunaíma, os valores da cultura e da sociabilidade brasileira.
  15. 15. Do ponto de vista estrutural, o romance apresenta um estilo moderno, sem enredo tradicional, e com constantes intromissões do narrador através de comentários e explicações. </li></li></ul><li>MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMAR<br /><ul><li>O principal romance de Oswald de Andrade apresenta um estilo transgressor, sendo denominado de antirromance.
  16. 16. A obra foge completamente ao padrão tradicional de narrativa, não tendo propriamente um enredo, sendo formado de uma mistura de gêneros.
  17. 17. O enredo é centrado nas digressões do protagonista, João Miramar, um intelectual burguês que morou em Paris e no retorno ao Brasil procurar refletir sobre vários aspectos da cultura brasileira e europeia.
  18. 18. As digressões aparecem em formas diversas de linguagem não configurando, portanto, uma narrativa tradicional.
  19. 19. A obra é permeada de um tom irônico, humorístico, satírico e parodístico, em que o alvo é a cultura burguesa e acadêmica.
  20. 20. O romance ou antirromance vale muito mais pelo caráter de invenção, de paródia e de experimentação de linguagem do que pela história, pelo enredo.</li></li></ul><li>BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA<br /><ul><li>É a principal obra de Antônio Alcântara Machado, escritor descendente de italianos.
  21. 21. Os contos que compõem a obra tematizam a vida do imigrante italiano na cidade de São Paulo.
  22. 22. São narrativas que destacam as relações sociais e culturais nos bairros Brás, Bexiga e Barra funda, envolvendo normalmente personagens italianos e brasileiros.
  23. 23. Os contos revelam como os italianos vão se adaptando à cultura brasileira e as influências da cultura italiana no Brasil.
  24. 24. Antônio Alcântara Machado é considerado autor de um “português macarrônico” porque em suas narrativas tematiza a mistura linguística entre italiano e português em função do encontro das culturas europeia e brasileira.
  25. 25. As narrativas também revelam a formação da consciência proletária brasileira proporcionada pelos operários italianos e a penetração dos chamados “carcomanos” no universo aristocrático brasileiro, sempre com uma boa dose de ironia. </li></li></ul><li>O ROMANCE DE TRINTA<br />UMA REFLEXÃO SOBRE O SUBDESENVOVIMENTO BRASILEIRO <br />
  26. 26. O NEORREALISMO DE TRINTA<br /><ul><li>A mais substancial literatura brasileira surge na década de trinta, principalmente, no Nordeste brasileiro.
  27. 27. De feição neorrealista, o romance de trinta aborda as questões sociais , econômicas e políticas que fazem do Brasil um país subdesenvolvido.
  28. 28. O manifesto regionalista do Recife, elaborado por intelectuais nordestinos, como Gilberto Freire e José Lins do Rego, foi o responsável pela solidificação uma literatura nordestina.
  29. 29. A literatura de trinta não foi somente do Nordeste, pois apareceram escritores no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. </li></li></ul><li>O ROMANCE DE TRINTA NO BRASIL<br /><ul><li>Érico Veríssimo será o principal escritor deste período no Rio Grande do Sul, fazendo uma obra em que aparecem duas tendências: um romance histórico, de feições sociais e políticas, com destaque para a trilogia O Tempo e O Vento e Incidente em Antares; um romance urbano de tendência psicossocial, em que se destacam Clarissa e Olhai os lírios do campo.
  30. 30. No Rio de Janeiro, Marques Rebelo é o destaque, principalmente, com o seu A estrela sobe, em que traça um painel crítico das questões sociais e culturais de um Rio de Janeiro que está se tornando uma metrópole capitalista. </li></li></ul><li>O ROMANCE DE TRINTA NO BRASIL<br /><ul><li>Em Goiás, o grande destaque é Bernardo Élis com o seu romance épico, O Tronco, em que tematiza a saga dos coronéis latifundiários em confronto com o novo governo.
  31. 31. Avultam, Nordeste, entretanto, os escritores mais importantes deste período: do Ceará à Bahia aparecem obras que deixarão para sempre uma visão de mundo marcada pela reflexão crítica sobre o subdesenvolvimento da região.
  32. 32. O grande destaque de trinta, indubitavelmente, está relacionado com Raquel de Queiroz, no Ceará; José Américo de Almeida e José Lins do Rego na Paraíba. </li></li></ul><li>O ROMANCE DE TRINTA NO BRASIL<br /><ul><li>Em Pernambuco, Gilberto Freire vai influenciar a geração de trinta ao fazer Casa Grande e Senzala, um misto de sociologia e literatura, em que discute a formação da sociedade patriarcal nordestina.
  33. 33. Em Alagoas, o destaque fica por conta de Graciliano Ramos, escritor clássico, universal, mas dono de uma obra humanista sem precedentes, principalmente, pela abordagem que faz da relação entre o homem e o meio opressor.
  34. 34. Vidas secas, São Bernardo, Angústia e o autobiográfico Memórias do cárcere estão entre as melhores obras do período. </li></li></ul><li>O ROMANCE DE TRINTA NO BRASIL<br /><ul><li>Em Sergipe, aparece Amando Fontes, inserindo o estado na Literatura de trinta com dois romances de formação proletária: Os Corumbas e Rua do Siriri.
  35. 35. Jorge Amado será o responsável pela obra mais extensa e mais comprometida politicamente produzida no país a partir deste período.
  36. 36. Basicamente sua produção literária possui duas fases: a primeira, de 30 a 56, apresenta uma coloração política ideológica bem nítida, o que levou seus críticos a chamarem de panfletária.
  37. 37. A segunda, a partir de Gabriela, cravo e canela se volta para questões de ordem social e cultural em que aborda questões como preconceito, racismo e liberdade. </li></li></ul><li>O MUNDO DO ENGENHO EM A BAGACEIRA<br />
  38. 38. MODERNISMO DE TRINTA<br /><ul><li>A Bagaceira, em 1928, é o primeiro romance de feições neorrealistas a ser publicado pelo chamado grupo nordestino.
  39. 39. O romance de José Américo de Almeida aborda questões econômicas, sociais, culturais e políticas do Nordeste brasileiro, denunciando o subdesenvolvimento da região.
  40. 40. Basicamente a temática de A Bagaceira gira em torno das transformações que ocorrem no interior do mundo do engenho de cana de açúcar.
  41. 41. Avultam também questões relativas aos códigos morais, culturais e éticos do mundo patriarcal nordestino.
  42. 42. Observa-se o fenômeno do cangaço que aparece como elemento de resistência à exploração e à opressão do senhor de engenho.</li></li></ul><li>JOSÉ LINS DO REGO <br />
  43. 43. O ENGENHO DE JOSÉ LINS DO REGO<br />
  44. 44. O CICLO DA CANA DE AÇÚCAR<br /><ul><li>A obra de José Lins do Rego tematiza o mundo do engenho no interior do Nordeste brasileiro, revelando principalmente o processo de decadência do mundo rural.
  45. 45. Nos romances inseridos no ciclo da cana de açúcar ocorre um resgate das relações sociais, econômicas e políticas através de um tom saudosista do autor.
  46. 46. A maior parte dos romances de José Lins do Rego possui um cunho memorialista e com fortes traços autobiográficos, já que o autor é oriundo da região.
  47. 47. Dos romances do ciclo, Menino de engenho é o que apresenta uma visão mais lírica do mundo do engenho, enquanto que Fogo Morto é o seu romance mais crítico em relação ao processo de decadência do engenho.</li></li></ul><li>CASA GRANDE X SENZALA<br /><ul><li>A visão lírica, saudosista, da maior parte dos romances do ciclo, em Fogo Morto, é substituída por uma crítica contundente ás relações sociais.
  48. 48. O Senhor de engenho aparece com elemento opressor, explorador das classes marginalizadas, no romance, simbolizadas pelo mestre José Amaro.
  49. 49. Surge então como elemento de resistência o cangaceiro que representa os pobres e oprimidos, respondendo com violência a opressão dos senhores de engenho.
  50. 50. Em Fogo Morto, a figura do personagem quixotesco, capitão Vitorino, simbolicamente representa a justiça num mundo em que a lei é a do mais forte. </li></li></ul><li>O ENGENHO, UM MUNDO EM DESTRUIÇÃO<br /><ul><li>Em Menino de engenho, o menino Carlos Melo representa o alter-ego de José Lins do Rego, neto de senhor de engenho e criado em sua infância entre os moleques da bagaceira.
  51. 51. O romance, entretanto, não é apenas saudosista, porque à medida que o menino Carlos Melo vai relembrando o auge do engenho e seu declínio emana uma visão crítica de um mundo em derrocada.
  52. 52. De Menino de Engenho a Usina, José Lins do Rego nos dá painel das relações sociais, políticas e econômicas no interior do engenho, desde seu apogeu à sua decadência, na primeira metade do século XX, com a chegada da Usina e consequentemente do Capitalismo. </li></li></ul><li>GRACILIANO RAMOS<br />
  53. 53. A LITERATURA HUMANISTA<br /><ul><li>Indubitavelmente a literatura mais importante de trinta é a de Graciliano Ramos, visto que o escritor alagoano extrapolou as questões regionais, para se fixar em dramas humanos e universais.
  54. 54. Vidas Secas, por exemplo, não aborda apenas a seca e o latifúndio como elementos de opressão ao sertanejo no Nordeste brasileiro, mas a relação direta do homem com uma sociedade ditatorial, adversa, que coisifica e reifica o ser humano.
  55. 55. Em São Bernardo, Graciliano reflete como o processo capitalista reduz o homem a um mero joguete das forças produtivas, tornando-o desumano, bruto, alienado ao sistema. </li></li></ul><li>VIDAS SECAS<br />
  56. 56. VIDAS SECAS<br /><ul><li>Único romance de Graciliano Ramos narrado em terceira pessoa, mas com uma temática acentuadamente psicológica.
  57. 57. O narrador em discurso indireto e indireto livre perscruta a vida interior do vaqueiro Fabiano e de sua família num verdadeiro estudo da alma humana.
  58. 58. O romance, entretanto, não se resume à interrogação psicológica, mas a uma reflexão profunda sobre o embrutecimento do homem em sua relação com o meio social e o ambiente hostil.
  59. 59. O tema do romance gira em torno do processo de coisificação a que são submetidos os personagens em sua relação com a estrutura social e o embrutecimento a que são reduzidos em contato com a natureza adversa. </li></li></ul><li>VIDAS SECAS<br /><ul><li>A disposição dos personagens no romance ocorre dentro de uma estrutura de poder: de um lado, a classe dominante formada pelo fazendeiro, pelo cobrador de impostos e pelo soldado amarelo; do outro, a classe dominada composta por Fabiano, o vaqueiro, sua mulher, Sinhá Vitória, o menino mais velho e o menino mais novo.
  60. 60. A cachorra baleia e um papagaio fazem parte da estrutura familiar em sua luta pela sobrevivência.
  61. 61. Aparecem ainda no romance Seu Tomaz da Bolandeira, o guarda livros da fazenda, e Sinhá Terta, a costureira.
  62. 62. O personagem protagonista Fabiano é explorado brutalmente pelos três personagens da classe dominante, representando a estrutura social, política e fundiária do Nordeste brasileiro. </li></li></ul><li>VIDAS SECAS<br />
  63. 63. VIDAS SECAS<br /><ul><li>Não bastasse a exploração a que é submetido pela estrutura social, Fabiano e sua família também é oprimido pela seca.
  64. 64. O romance possui uma estrutura cíclica, ou seja, inicia-se com os personagens fugindo de uma seca e termina com outra fuga, revelando, pois, uma situação que não apresenta saída.
  65. 65. A modernidade de Vidas Secas reside não só na estrutura cíclica, mas também na quebra da linearidade, já que os capítulos formam blocos, como se fossem pequenos contos.
  66. 66. A opressão e a exploração a que são submetidos os personagens marginais são os elementos temáticos de ligação entre os capítulos. </li></li></ul><li>A LINGUAGEM ANTI LÍRICA <br /><ul><li>Graciliano Ramos produziu uma obra sem concessão ao sentimentalismo e, por isso, a sua linguagem trabalhada artisticamente constitui um dos aspectos mais importantes de sua literatura.
  67. 67. Uma linguagem sem adjetivação abundante, eivada de frases curtas, objetivas, através de um vocabulário seco e frases sintéticas, tudo devidamente adequado ao tema abordado.
  68. 68. Do ponto de vista sintático, Graciliano foi um escritor clássico, pautando sua escrita com uma linguagem correta, sem o coloquialismo que aparece exageradamente em escritores de sua época.
  69. 69. Sua obra é fortemente introspectiva, ensimesmada, de forte conteúdo psicológico, mas com reflexões de teor universal. </li></li></ul><li>SÃO BERNARDO<br />
  70. 70. SÃO BERNARDO, UMA CRÍTICA AO CAPITALISMO<br /><ul><li>Romance narrado em primeira pessoa, narrador personagem Paulo Honório que, em determinado momento, resolve escrever sobre sua vida, fazendo uma reflexão do que teria levado sua trajetória ao fracasso existencial.
  71. 71. O personagem é um ex-guia de cego obcecado por possuir a fazenda São Bernardo de seu ex-patrão e para tanto se acerca do herdeiro, um liberal chamado Padilha, emprestando-lhe dinheiro para depois arrematar a propriedade.
  72. 72. Paulo Honório representa em todos os aspectos o sistema capitalista, mas, ao mesmo tempo, em que enriquece, embrutece-se num processo de coisificação e reificação. </li></li></ul><li>SÃO BERNARDO<br /><ul><li>Paulo Honório é um homem rude, que vive no interior de Alagoas, obcecado pela acumulação de capital e tratando todos a sua volta como se fossem coisas, objetos, numa verdadeira atitude desumana.
  73. 73. Depois da morte de sua mulher, a professora Madalena, o personagem sente-se desanimado e solitário e, por isso, resolver escrever sobre sua vida.
  74. 74. A narrativa torna-se, portanto, um balanço de sua trajetória existencial e social em que, as poucos, ele vai revelando o processo de reificação e coisificação por que passou.
  75. 75. A narrativa é um libelo contra o chamado capitalismo selvagem, que embrutece as pessoas no processo de acumulação de capital. </li></li></ul><li>MEMÓRIAS DO CÁRCERE<br />
  76. 76. MEMÓRIAS DO CÁRCERE<br /><ul><li>Considerado o romance autobiográfico de Graciliano Ramos, escrito depois que saiu da prisão, o tema gira basicamente em torno dos percalços sofridos por ele quando preso pela polícia de Vargas.
  77. 77. O romance, contudo, extrapola a mera narrativa dos episódios autobiográficos, para se tornar uma reflexão sobre a relação homem X sociedade ditatorial.
  78. 78. O narrador, o próprio Graciliano Ramos, reflete também sobre o papel do intelectual, do escritor e da imprensa numa sociedade ditatorial.
  79. 79. Observa-se também uma análise acurada sobre o sistema penitenciário brasileiro, sendo que, no desfecho, o romance acaba se tornando uma defesa dos valores humanos numa sociedade ditatorial. </li></li></ul><li>RAQUEL DE QUEIROZ<br />
  80. 80. RAQUEL DE QUEIROZ<br /><ul><li>Sua literatura é também engajada, neorrealista, em que o social se funde com o psicológico, numa visão profunda das relações humanas e sociais no interior do Nordeste.
  81. 81. O Quinze é indiscutivelmente seu principal romance, ambientado no interior do Ceará, com temática centrada no impacto da seca de 1915 nos sertanejos nordestinos.
  82. 82. Mas, a exemplo de Graciliano Ramos, Raquel não cai no esquematismo comum ao sistema político de achar no ambiente climático a causa principal dos sofrimentos do sertanejo nordestino, pois, ao extrapolar a relação clima X homem, nos proporciona um testemunho da exploração e opressão exercida pela latifúndio na região. </li></li></ul><li>RAQUEL DE QUEIROZ<br /><ul><li>Sem ser feminista, Raquel de Queiroz produz uma literatura feminina, na medida em que seus personagens apresentam uma visão da mulher que se afirma num mundo patriarcal e machista.
  83. 83. Assim é o que acontece com Conceição, em O Quinze; Noemi, em Caminho de Pedra; Maria Moura, no Memorial; Maria Beata, em Maria Beata do Egito; Josefa, Marta e Cremilde, em As três Marias.
  84. 84. A obra de Raquel de Queiroz é um compromisso de resgatar a dignidade dos pobre e oprimidos numa luta incansável de resistência contra um sistema opressor e explorador, em que, às vezes, o cangaço aparece como forma de resistência. </li></li></ul><li>AMANDO FONTES SERGIPE NO ROMANCE DE TRINTA<br />
  85. 85. A TEMÁTICA PROLETÁRIA<br /><ul><li>Sua obra pode ser inserida no chamado romance proletário da década de trinta, de feição neorrealista e neonaturalista.
  86. 86. Em Rua do Siriri, a temática da prostituição em Aracaju é vista pelo ângulo da opressão e exploração de classe.
  87. 87. Em Os Corumbas, o tema gira em torno:
  88. 88. Da formação do proletariado em Aracaju em que se colocam em posição antagônica os trabalhadores da indústria têxtil e a classe dominante.
  89. 89. Do drama da prostituição vista pelos aspectos sociais e econômicos, num nítido painel das relações sociais na Aracaju dos anos vinte.
  90. 90. Do processo de migração do sertanejo para a periferia da capital reforçando os bolsões de pobreza. </li></li></ul><li>ÉRICO VERÍSSIMO <br />
  91. 91. O ROMANCE DE TEMÁTICA HISTÓRICA<br /><ul><li>Sua obra basicamente pode ser dividida em dois blocos temáticas: romances de fundo histórico-político e romances de feição psicossocial.
  92. 92. O Tempo e o vento é a sua obra principal, trilogia formada pelo O Continente, O Arquipélago e O Retrato.
  93. 93. Nesses três romances narra em tom épico a história do Rio Grande do Sul, desde o século XVIII até meados do século XX.
  94. 94. A narrativa privilegia momentos importantes do ponto de vista político, econômico e cultural da formação do estado a partir dos cruzamentos raciais e culturais.
  95. 95. Incidente em Antares é um romance alegórico com temática centrada no Brasil dos anos sessenta, revelando aspectos peculiares da história política. </li></li></ul><li>O ROMANCE URBANO E PSICOLÓGICO<br /><ul><li>Porto Alegre dos anos trinta é o cenário da maioria dos romances urbanos, cujas histórias possuem um fundo psicológico e social.
  96. 96. As tramas dos romances giram em torno dos conflitos psicológicos vividos pela classe média burguesa porto-alegrense numa sociedade que estava se tornando efetivamente capitalista.
  97. 97. Os romances se concentram na luta pela ascensão social, nas relações afetivas por interesse, enfim traçam um painel das relações sociais urbanas.
  98. 98. Destacam-se Olhai os lírios do campo, Música ao longe, Caminhos Cruzados, em que ocorre a técnica do contraponto, e Clarissa. </li></li></ul><li>GILBERTO FREIRECASA GRANDE E SENZALA <br />
  99. 99. CASA GRANDE E SENZALA<br /><ul><li>A casa-grande é utilizada como uma metáfora do Brasil colonial, cuja sociedade teve seu arcabouço na atividade econômica, a monocultura açucareira; dela resultando uma sociedade patriarcal, agrária, escravista e mestiça.
  100. 100. Freyre discute a formação da sociedade brasileira a partir das contribuições das raças branca, índia e negra, imbricado aos conceitos de raça e cultura.
  101. 101. Através da relação entre os primeiros portugueses, degredados ou não, e as índias, vistas com exuberância pelos olhos europeus, que tem início a povoação num clima de "intoxicação sexual". </li></li></ul><li>O ROMANCE DE 45<br />
  102. 102. O REGIONALISMO DE GUIMARÃES ROSA<br /><ul><li>O regionalismo de Guimarães Rosa renova e inova esta tendência da Literatura brasileira, tanto do ponto de vista linguístico quanto do temático.
  103. 103. A linguagem regionalista do Modernismo pde Guimarães Rosa é transfigurada por um processo de reinvenção.
  104. 104. São rupturas sintáticas, inversões violentas, neologismos, arcaísmos, hibridismos e expressões do falar sertanejo misturadas com a oralidade urbana.
  105. 105. Semanticamente opera uma simbiose de provérbios e ditos populares com cantigas, literatura de cordel e manifestações do folclore.
  106. 106. Uso constante de elementos sonoros, tais como, aliteração, assonância, paronomásia e onomatopeias.</li></li></ul><li>A LINGUAGEM NAS MINAS GERAIS<br />“Compadre meu Quelemém me hospedou, deixou meu contar minha história inteira. Como vi que ele me olhava com aquela enorme paciência - calma de que minha dor passasse; e que podia esperar muito longo tempo. O que vendo, tive vergonha, assaz .Mas , por fim , eu tomei coragem , e tudo perguntei:-"O senhor acha que a minha alma eu vendi , pactário?! "Então ele sorriu, o pronto sincero, e me vale me respondeu :-"Tem cisma não. Pensa para diante. Comprar ou vender, às vezes, são as ações que são as quase iguais ..."<br />
  107. 107. A TEMÁTICA ROSEANA<br />A linguagem de Guimarães Rosa ultrapassa os limites "prosaicos" para ganhar dimensão poético-filosófica, como se pode observar, em Grande Sertão: Veredas, quando Riobaldo expressa seus sentimentos a Diadorim através de aforismos:<br /><ul><li>Viver é muito perigoso.
  108. 108. Deus é paciência
  109. 109. Sertão. O senhor sabe: sertão 'onde manda quem é forte, com as astúcias.
  110. 110. ...sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar .
  111. 111. ...toda saudade é uma espécie de velhice.
  112. 112. Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.
  113. 113. ...quem ama é sempre muito escravo , mas não obedece nunca de verdade.</li></li></ul><li>OS TEMAS MAIS OBSERVADOS <br /><ul><li>A psicologia mítica e mística do sertanejo do interior do Brasil, através de crenças no sobrenatural, no mágico.
  114. 114. O culto da cultura primitiva em que se observa valores assentados em códigos morais e éticos.
  115. 115. O choque entre o racional e o primitivo no interior do Brasil, proveniente da chegada de valores capitalistas.
  116. 116. A violência e a Jagunçagem no interior do Sertão Mineiro, como resultantes do mundo primitivo em que vivem os personagens.
  117. 117. O questionamento do sentido de Sertão como um espaço social.
  118. 118. A loucura e os fenômenos paranormais.
  119. 119. O questionamento da existência de Deus e do diabo.</li></li></ul><li>CLARICE LISPECTOR<br />
  120. 120. CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS E ESTILÍSTICAS<br /><ul><li>Sua obra é densamente psicológica, introspectiva, intimista.
  121. 121. Suas narrativas em sua maior parte são de primeira pessoa.
  122. 122. Normalmente, o narrador de Clarice é uma mulher, que reflete sobre uma situação existencial.
  123. 123. O universo ficcional de Clarice gira em torno da mulher pequeno-burguesa ou burguesa.
  124. 124. Clarice flagra seus personagens no momento da “descoberta”, da autodescoberta, da “Epifania”.
  125. 125. Em algumas situações seus personagens se encontram em situação “absurda” diante da vida.</li></li></ul><li>CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS E ESTILÍSTICAS<br /><ul><li>Normalmente, o narrador de Clarice depara-se com o problema da “escritura”, ou seja, da “expressão”, o que envolve uma preocupação metalinguística.
  126. 126. A linguagem de Clarice é densamente simbólica, alegórica, metafórica.
  127. 127. A linguagem é intensamente introspectiva, visto que o que interessa em Clarice é a sondagem interior do Personagem.
  128. 128. Os personagens de primeira pessoa desnudam-se e os de terceira desnudam os protagonistas.
  129. 129. Usa constantemente o “Fluxo da Consciência” à maneira de Joyce, Proust e Virgínia Wolf.</li></li></ul><li>A PROSA CONTEMPORÂNEA<br />( romances, contos e crônicas ) <br />
  130. 130. O TROPICALISMO <br /><ul><li>A Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo).
  131. 131. Misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais, resgatando alguns pressupostos do Modernismo de 22.
  132. 132. Tinha objetivos comportamentais radicais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar que impunha severa censura.
  133. 133. O movimento manifestou-se principalmente na música, nas artes plásticas, no cinema e no teatro brasileiro.</li></li></ul><li>A TEMÁTICA DA VIOLÊNCIA URBANA<br />RUBEM FONSECA<br /><ul><li>Suas narrativas são, em maior parte, curtas, ou seja, de contos e o tema principal gira em torno da “violência urbana”.
  134. 134. Em Rubem a “violência urbana” assume uma conotação sócio-política, em que os assuntos são abordados sociologicamente.
  135. 135. Há nele uma nítida preferência por personagens “marginalizados” e de nomes exóticos, esquisitos, quase todos denominados por uma falha física no corpo.
  136. 136. O mundo da transgressão em Rubem assume uma função simbólica de luta de classe, em que um grupo tenta ter aquilo que lhe é negado pela sociedade.</li></li></ul><li>A TEMÁTICA DA VIOLÊNCIA URBANA<br /><ul><li>Sua linguagem assume também uma função transgressora, por isso faz uso constantemente de “palavras eróticas” consideradas pela sociedade como “pornográficas”.
  137. 137. Rubem Fonseca ficou conhecido por causa de Agosto, obra em que tematiza em tom policialesco os episódios que culminaram com a morte de Getúlio Vargas. Esta obra foi adaptada para uma série da televisão.
  138. 138. Principais contos: Feliz Ano Novo, O Cobrador, Passeio Noturno um e dois, Intestino Grosso e As Agruras de um Jovem Escritor.</li></li></ul><li>A TEMÁTICA DA VIOLÊNCIA URBANA<br />DALTON TREVISAN<br /><ul><li>Sua obra é basicamente composta por contos e coloca Curitiba como o cenário simultaneamente mágico e vulgar de seus relatos.
  139. 139. Seus personagens vivem em torno dos desastres do amor, numa sucessão de desejos alucinados, taras, compulsões, traições cruéis, crimes do coração, paixões proibidas e infelizes.
  140. 140. Um personagem símbolo desse mundo de paixões terríveis e solidão não menos assustadora é Nelsinho, rapaz que vaga pela cidade em busca de sexo e afeto. Ele é o célebre vampiro de Curitiba.</li></li></ul><li>A TEMÁTICA DA VIOLÊNCIA URBANA<br />JOÃO ANTONIO<br /><ul><li>Um dos escritores que mais contestaram a ditadura militar nos anos de 1970, o carioca João Antônio fez uma obra da “estetização da miséria” em contraste com a propagando opulenta da época em obras como Lambões de caçarola e Leão de Chácara.
  141. 141. Seu livro de contos “Malagueta, perus e bacanaço”, em que expõe de forma simples e lírica (mas contundente), flagrantes da vida de personagens suburbanos, registrando especialmente o drama dos jogadores de sinuca, os últimos malandros paulistas, condenados ao desaparecimento pela urbanização feroz da cidade. </li></li></ul><li>LIGIA FAGUNDES TELES<br /><ul><li>Sua obra se diferencia da de Clarice à medida que desenvolve uma temática social, sem deixar de ser introspectiva, destacando principalmente as posições políticas da mulher e seus dramas nos conflitos individuais em diversos níveis.
  142. 142. Lya Luft e Nélida Piñon também se dividem entre as solicitações da velha ordem patriarcal, representadas pela estrutura familiar, e um fundo desejo de ruptura e libertação. Desse debate, resultam os conflitos nucleares que estruturam as narrativas da autora, sempre caracterizadas por um estilo de alto refinamento e vigor lírico. </li></li></ul><li>O REGIONALISMO DE FRANCISCO DANTAS<br />
  143. 143. MEMORIALISMO E REGIONALISMO<br /><ul><li>O sergipano Francisco Dantas faz da rememoração o procedimento central que dá vida às suas personagens e as anima a contar a trajetória de seus percalços, de resto indissociável da história de seus antepassados e do contexto sociocultural do patriarcalismo nordestino.
  144. 144. É assim em seu primeiro romance, não por acaso intitulado Coivara da Memória; já no segundo, Os Desvalidos, o memorialismo é menor, embora permaneça como um motor importante da escrita; em Cartilha do Silêncio, a memória volta a ser o dispositivo matriz que deflagra o relato e lhe dá contorno e consistência.</li></li></ul><li>O ESPAÇO SERGIPANO <br /><ul><li>O espaço de Sergipe, através dos pseudônimos de Rio-das-Paridas, Contendas dos papudos, Vilarejo de Alvide e Varginha, constitui um elemento literário recorrente em seus textos, e isso, associado à sua concepção de língua aberta à revitalizante contribuição da cultura popular, explorada a partir do registro da oralidade.
  145. 145. A vida rural nordestina, com seu ambiente agreste e atávico, faz parte da literatura de forte caráter memorialístico e elaborada construção verbal, sendo não apenas o pano de fundo, mas personagem central de sua ficção, resgatando uma tendência do Modernismo de trinta e quarenta e cinco. </li></li></ul><li>SARGENTO GETÚLIO<br /><ul><li>João Ubaldo Ribeiro situa o enredo deste romance no estado de Sergipe para contar a história de Getúlio, um rude sargento que tem a missão de levar um prisioneiro , que é inimigo político de seu chefe de Paulo Afonso a Aracaju.
  146. 146. No meio do caminho, em virtude de uma mudança no panorama político, o sargento recebe a ordem para soltar o prisioneiro, mas devido a seu temperamento avesso às mudanças, ele decide terminar a missão que lhe foi confiada, mesmo que tenha de matar para completá-la.
  147. 147. O romance apresenta uma linguagem de experimentação, à maneira de Guimarães Rosa, e intensamente oral e regional. </li></li></ul><li>TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS: A CRÔNICA E SUA TIPOLOGIA<br /><ul><li>A narrativa, bem próxima do conto, cujo autor típico é Fernando Sabino.
  148. 148. A metafísica, feita de reflexões filosóficas, na tradição de Machado e Drummond e também seguida por Paulo Mendes Campos.
  149. 149. A poema-em-prosa, de conteúdo lírico, mostrando o êxtase da alma humana diante de algo carregado de significado para o autor. Seus autores mais representativos são Rubem Braga, Lourenço Diaféria, Carlos Eduardo Novaes.
  150. 150. A crônica-comentário, falando de muitas coisas diferentes como no caso de Plínio Marcos, Mário Prata e Inácio de Loyola Brandão.</li></li></ul><li>TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS<br />Conto<br /><ul><li>São inúmeros os exemplos de contistas de excepcional qualidade na literatura contemporânea. Entre os mais significativos citam-se: Dalton Trevisan, Moacyr Scliar, Rubem Fonseca, Domingos Pellegrini Júnior e João Antônio.</li></ul>Romance<br /><ul><li>No romance, temos duas tendências. A dos escritores que adotam recursos e técnicas tradicionais, como Lygia Fagundes Telles, Otto Lara Rezende, Heitor Cony, Mário Palmério. E a dos que se utilizam de recursos experimentais, com Osman Lins, Ariano Suassuna, Geraldo Ferraz.</li></li></ul><li>TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS<br />Teatro<br /><ul><li>Autores como Nelson Rodrigues, Oduvaldo Viana e Gianfrancesco Guarnieri dão aos seus textos teatrais a função de questionar a realidade brasileira e, por isso, foram muito visados pela ditadura militar que perseguiu e exilou muitos dos dramaturgos. </li></ul>Cinema Novo<br /><ul><li>Com o advento do Cinema Novo, o cinema brasileiro realizou verdadeiras obras-primas, adaptando textos literários para a linguagem cinematográfica: Vidas Secas, Memórias do Cárcere, Macunaíma, Lição do Amor, A hora e a vez de Augusto Matraga, Morte e Vida Severina.</li>

×