O Centro - n.º 70 – 26.06.2009

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Versão integral da edição n.º 70 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 26.06.2009.

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O Centro - n.º 70 – 26.06.2009

  1. 1. DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO IV N.º 70 (II série) 26 de Junho de 2009 1 euro (iva incluído) TERÇA-FEIRA (DIA 30), ÁS 18 HORAS O fascínio das estrelas em Coimbra com Gil Vicente, Camões Vieira, Pessoa e “jazz” PÁG. 5 CIC’09 LITERATURA CHOUPAL FOTOGRAFIA Indústria Novas obras Plataforma Imagens e comércio de M.ª Helena exige aéreas mostram-se Teixeira explicações de Varela em Coimbra e J. H. Dias sobre viaduto Pècurto PÁG. 12 e 13 PÁG. 2 e 19 PÁG. 10 PÁG. 11
  2. 2. 2 COIMBRA 26 DE JUNHO DE 2009 NO PRÓXIMO DIA 8, NA CASA DA CULTURA DE COIMBRA Livro de crónicas de José Henrique Dias apresentado por Cristina Robalo Cordeiro No próximo dia 8 de Julho (quarta-fei- junto à estação do Rossio, frequentada por ra), pelas 18 horas, na Casa Municipal da nomes cimeiros da literatura e da arte por- Cultura de Coimbra, decorre a sessão de tuguesas, publicando entre 1956 e 1969, lançamento do livro de crónicas intitulado ininterruptamente, séries de crónicas se- “A Outra face do Espelho”. O autor é manais. Tendo-se dedicado ao ensino e à José Henrique Dias, e a apresentação será actividade teatral como encenador, o seu feita por Cristina Robalo Cordeiro, Vice- trabalho centrou-se mais na investigação Reitora da Universidade de Coimbra. sobre o século XIX, primeiro no domínio Com edição de “Campo da Comunica- das ideias políticas, depois na sociocomu- ção”, a obra de José Henrique Dias é nicação teatral. composta pelas crónicas que o professor universitário publicou, nos anos mais re- centes, nos jornais de Coimbra “O Des- pertar” e “Centro”. Inclui desenhos inéditos de Nadir Afon- so e prefácio do romancista Fernando Campos. “Os lugares são sobretudo Coimbra e Lisboa, uma fugidia referência a Chaves e à Figueira e pouco mais. O tempo re- cua para trás da vida do Autor, memória das memórias dos mais velhos, e vem até aos nossos dias. Se se fizesse um índice de pessoas e factos referidos, que acervo de riqueza de cultura, humanismo e hu- manidade, desde o nomear de escritores, artistas, cientistas, actores, médicos, ad- José Henrique Dias vogados, professores, músicos, políticos, saltimbancos, contorcionistas, trapezistas, dela, está o Autor e este sentimento de Ideias Sociais. Depois de uma longa car- que sei eu!...” – escreve Fernando Cam- eco autobiográfico mais de uma vez nos reira no ensino público, leccionou na Uni- pos no prefácio, acrescentando: acode ao espírito…O médico (que não versidade Nova de Lisboa, depois de apo- “O antes e depois do 25 de Abril não quis ser) está presente e o filósofo e o sentado no ISCEM e actualmente é pre- Instado por colegas, regressou às cró- podia deixar de ter especial lugar… com poeta, além, claro, do jornalista… .”. sidente do Conselho Científico do Institu- nicas em jornais de Coimbra, primeiro em nomes, factos e rememorações…e, se se to Superior Miguel Torga. “O Despertar”, depois no “Centro”, reto- verrinam os tempos da “outra senhora”, UM CONIMBRICENSE Desde os verdes anos ligado à escrita, mando um dos seus velhos títulos, “A ou- não se deixa de lançar olhar crítico aos ILUSTRE integrou em Coimbra tertúlias de que en- tra face do espelho”. É uma colectânea grafitti que maculam tudo quanto é pare- tre outros faziam parte Zeca Afonso, Lou- dessas crónicas que agora se apresentam de (“…a arte e os equívocos…”), as flo- José Henrique Dias nasceu em Coim- zã Henriques, Manuel Alegre, António neste livro, onde, ficcionadas, passam restas de cimento que desfiguram, nas bra, em 1934. Licenciado em História, fez Portugal e Levi Baptista. A partir de fi- momentos de vidas marcadamente no cidades, o que era écloga… Mestrado em História Cultural e Política nais dos anos cinquenta e primeiros anos espaço e tempos de uma Coimbra sem- Notável a “capacidade de lidar com as na UNL e é doutorado pela mesma uni- da década de sessenta do século passa- pre mítica e evocações de figuras da mú- palavras e as imagens”, diz uma persona- versidade em História e Teoria das Idei- do, integra o grupo polarizado por Edmun- sica coimbrã, de que também foi, ainda gem, mas nós sentimos que, por detrás as, com especialidade em História das do de Bettencourt, no Café Restauração, vai sendo, cultor. Aos Assinantes do “Centro” Director: Jorge Castilho Como tem sido bem evidente nas notícias vindas a público, o sector da comunicação social (Carteira Profissional n.º 99) é um dos mais afectados pela crise que se abateu sobre toda a sociedade, sobretudo pelo brutal Editor/Propriedade: Audimprensa decréscimo nos investimentos publicitários. NIF: 501 863 109 Perante isto, até os grandes grupos de comunicação social estão a fazer despedimentos Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho em massa, para além de haver muitos jornais regionais que se viram já obrigados a suspender a publicação. ISSN: 1647-0540 Aqui no “Centro” estamos a fazer um enorme esforço para superar as dificuldades. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Mas esse esforço só será bem sucedido se conseguirmos receitas de publicidade e se os nossos Composição e montagem: Audimprensa Assinantes tiverem a gentileza de proceder ao pagamento da respectiva assinatura anual Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra - que se mantém em 20 euros desde o início do jornal. Se quer que esta tribuna livre possa manter-se, muito agradecemos que nos envie o pagamento Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 da sua assinatura - uma verba que representa apenas o equivalente a cerca de 5 cêntimos por dia, e-mail: centro.jornal@gmail.com menos de 40 cêntimos por semana! Impressão: CORAZE Outra forma de ajudar este projecto independente é conseguir-nos novos Assinantes, Oliveira de Azeméis por exemplo entre os seus familiares e amigos (veja a página ao lado). Depósito legal n.º 250930/06 Tiragem média: 5.000 exemplares Contamos consigo!
  3. 3. 26 DE JUNHO DE 2009 COIMBRA 3 NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, NO MUSEU DA ÁGUA Francisco Bandeira em debate promovido pelo Clube de Empresários de Coimbra Na próxima sexta-feira (dia 3 de Ju- presários, Pedro Vaz Serra. “Por outro Machado de Castro. lho) o Clube de Empresários de Coim- lado, a pertinência do tema é indiscutí- Francisco Marques Bandeira é Vice- bra promove o primeiro de uma série de vel, pois a conquista de novos mercados Presidente do Conselho de Administra- jantares-debate do Museu da Água des- é algo de incontornável para a esmaga- ção da CGD desde Janeiro de 2008. tinados “a dinamizar o tecido empresari- dora maioria das empresas portuguesas”, Entre outros cargos, integra os conse- al da região” e em que trarão a esta ci- sublinha. lhos de administração do Grupo Pestana dade “figuras de relevo do panorama De resto, nem a escolha do próprio Pousadas, da AdP - Águas de Portugal económico e financeiro” espaço onde decorrerá o debate foi dei- e da Visabeira. É ainda presidente do Neste primeiro debate, o convidado é xada ao acaso. “Queremos, mais uma Banco Caixa Geral, presidente do Con- Francisco Bandeira, Vice-Presidente da vez, efectuar a ponte entre o meio em- selho Directivo da Caixa Geral de Apo- Caixa Geral de Depósitos (CGD). No presarial e o património cultural que te- sentações e presidente dos conselhos de jantar-debate, para o qual foram convi- mos em Coimbra, razão pela qual resol- administração da Locarent - Companhia dados todos os sócios do Clube, Francis- vermos promover este jantar-palestra no Portuguesa de Aluguer de Viaturas e da co Bandeira deverá explicar aos empre- Museu da Água que, desta forma e pela Caixa Leasing e Factoring - Instituição Francisco Bandeira sários como é que a Caixa Geral de De- primeira vez desde a sua inauguração, Financeira de Crédito. pósitos os pode ajudar a conquistar no- zões: é um cidadão de Coimbra e ocupa, recebe uma iniciativa deste género”, fri- Licenciado em Economia pela Univer- vos mercados, abrindo assim novas pers- neste momento, funções de grande res- sa. Recorde-se que já a tomada de pos- sidade de Coimbra, Francisco Bandeira pectivas para o desenvolvimento econó- ponsabilidade na maior instituição finan- se dos actuais órgãos sociais, a 5 de foi agraciado pelo Presidente da Repú- mico da região. ceira portuguesa, com grandes e direc- Maio, teve como palco um dos princi- blica, Jorge Sampaio, com o grau de “Tivemos a preocupação de convidar tas repercussões no meio empresarial”, pais pólos culturais da região e do país, o Comendador da Ordem do Infante D. o vice-presidente da CGD por duas ra- explica o Presidente do Clube de Em- recém-reinaugurado Museu Nacional Henrique em Julho de 1999. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
  4. 4. 4 INTERNACIONAL 26 DE JUNHO DE 2009 UM EXEMPLO QUE VEM DO BRASIL Supermercados suspendem compras a empresas envolvidas na desflorestação da Amazónia A Wal-Mart, o Carrefour e o Pão de acordo com a associação de supermer- comprou gado de fazendas multadas pelo A decisão foi resultado da acção civil Açúcar, as três maiores redes de super- cados, inclui notificar as empresas de pro- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e pública do Ministério Público Federal que mercados do Brasil, suspenderam as cessamento de carne, exigir delas as gui- dos Recursos Naturais Renováveis (Iba- encaminhou, na última semana, uma re- compras de produtos bovinos de fazen- as de trânsito animal junto às notas fis- ma) e de outra que fica dentro de uma comendação às grandes redes de super- das envolvidas na desflorestação da cais, e suspender compras das fazendas reserva indígena. mercados e outros 72 compradores de Amazónia. denunciadas pelo Ministério Público Fe- A ONG informa que foram propostas produtos bovinos para que parem de ad- Numa reunião realizada este mês na deral (MPF) do Pará. 21 acções ao Ministério Público do Pará quirir carne proveniente da destruição da Associação Brasileira de Supermercados “Como medida adicional, as três redes pedindo o pagamento de 2,1 mil milhões floresta. (Abras), o Carrefour, Wal-Mart e o Pão solicitarão, ainda, um plano de auditoria de reais (770 milhões euros) em indemni- O desrespeito do pedido poderá resul- de Açúcar tomaram esta medida em re- independente e de reconhecimento inter- zações pelos danos ambientais à socieda- tar em multa de 500 reais (180 euros) por púdio de práticas denunciadas pela orga- nacional que assegure que os produtos que de brasileira. A área total desflorestada, quilo de produto comercializado. nização não-governamental Greenpeace. comercializam não são procedentes de diz o Greenpeace, corresponde à superfí- O Ministério Público Federal pretende Segundo um comunicado da Abras, “o áreas de devastação da Amazónia”, des- cie da cidade de São Paulo. ainda ampliar estas acções de combate à sector de supermercados não irá compac- tacou o comunicado. A decisão foi tomada pelas três maio- desflorestação com responsabilização da tuar com as acções denunciadas e reagi- Entre as empresas processadas está res redes de supermercados por não ha- cadeia produtiva da pecuária para outros rá energicamente”. uma das maiores do sector no Brasil, a ver “garantias de que a carne não vem de estados da chamada Amazónia Legal, A posição definida pelas empresas, de Bertin S.A, que, segundo a Greenpeace, áreas desmatadas na Amazónia”. como Mato Grosso e Rondónia. Um forte abraço de concorrência uma combinação de interacção e con- Paquistão. dos militares empenhados em tarefas Fiodor Lukyanov * corrência. Hoje em dia, Washington tenta, sem «práticas e concretas» nos campos de O facto da China e da Rússia faze- sucesso, activizar os seus aliados euro- combate no Afeganistão e no Paquistão. As duas cimeiras, decorridas em me- rem parte da OCX já é mais que sufici- peios que não querem afastar-se muito Portanto, o papel da OCX na arena glo- ados de Junho em Ekaterinburgo, no ente para a organização estar em das zonas tradicionais da responsabilida- bal irá crescer gradualmente, o que cor- coração dos Urais – da Organização de responde aos interesses de Moscovo e Cooperação de Xangai e de BRIC (Bra- Pequim. sil, Rússia, Índia e China) – tiveram por Ao nível global, os interesses da Chi- objectivo demonstrar uma maior diver- na e da Rússia são, em princípio, conci- sificação política externa da Rússia. dentes. Mas ao nível regional, estes paí- Do encontro dos dirigentes do Brasil, ses são, e cada vez serão mais, fortes da Rússia, da Índia e da China pode-se rivais. tirar uma conclusão parodoxal: os seus Pequim vê na OCX um instrumento participantes, vistos neste formato, não de reforço da sua presença nos merca- têm praticamente nada em comum. dos da Ásia Central e de acesso ao re- De facto, os 4 países têm diferentes cursos energéticos da região. Moscovo sistemas políticos, tipos de identifiicação pretende o mesmo. Percebe-se que o nacional, modelos económicos, priorida- domínio económico da China na OCX é des de desenvolvimento e relações com inegável. Assim, na cimeira de Ekaterin- os maiores jogadores na arena interna- burgo, Pequim prometeu 10 mil milhões cional. O formato de BRIC é como um de dólares de ajuda para financiar pro- mundo não ocidental em miniatura, e as jectos no quadro da organização. Mas discussões travadas no quadro da nova as capitais dos países da Ásia Central organização reflectem toda a multicida- conhecem muito bem o pragmatismo de dos problemas globais. Já que os pon- chinês: Pequim não concede ajudas mas tos de vista ocidentais sobre os proces- foco.Nos últimos anos os políticos oci- de da Organização do Tratado do Atlân- apenas financia projectos que lhe são sos internacionais predominam no mun- dentais receavam uma nova e verdadei- tico Norte. Entretanto, tanto Moscovo, vantajosas economica e politicamente. do, pode, aliás, ser útil escutar as opini- ra aliança entre Moscovo e Pequim. Na como Pequim e os países da Ásia Cen- O trunfo russo é a cooperação políti- ões destes quatro Estados importantes. primeira metade dos anos 2000, a força tral, percebem a importância vital do nó co-militar, já que a China, devido à sua No caso de BRIC não se pode falar motora da aproximação política no qua- afegão-paquistanês. No caso paquista- filosofia política externa, não dá garanti- sobre qualquer tipo de bloco, aliança ou dro da OCX foi o desejo de mostrar aos nês, já não se pode fazer nada sem Pe- as de segurança a ninguém. E os peque- organização formal a tomar decisões «forasteiros» (leia os EUA) os limites do quim: a influência da China sobre a elite nos vizinhos da China preferem não usá- práticas. A concordância tem apenas um permissível na região cujos «donos» são militar paquistanesa começa a superar a las, pois têm mais medo do domínio de carácter geral. Qualquer tentativa de a Rússia e a China. influência norte-americana. Pequim de que do de Moscovo. concretizar algo embaterá numa insupe- Um exempo desta audácia foi o ulti- Claro que os pontos de vista e as pri- À medida que a OCX, de uma organi- rável diferença de interesses contradi- mato para Washington definir os prazos oridades da OCX e da coligação ociden- zação simbólica a censurar o expansio- tórios. No caso de BRIC, é difícil falar da estadia das forças armadas norte- tal ainda divergem bastante. Mas o mun- nismo norte-americano transforma-se numa concorrência interna. Esta estru- americanas na Ásia Central, assim como do em rápida mudança e as capacidades numa estrutura com importantes objec- tura dificilmente adquirirá um grau de o convite para o Irão ocupar na OCX limitadas dos EUA obrigam a alterar as tivos concretos a alcançar ao nível regi- maturidade quando as divergências dos um lugar de observador. táticas e estratégias ocidentais. onal, a tarefa de Moscovo complica-se. participantes impedem a fazer algo. A importância da OCX não pára de Nos últimos meses surgiram sintomas Exige-se um árduo e consequente tra- Na Organização de Cooperação de crescer. Até agora, os EUA e a NATO de uma atitude mais prática de Washing- balho com os vizinhos e uma estratégia Xangai a situação é muito diferente. Os têm evitado uma interacção com esta ton para com a OCX. Mas. Os impulsos acertada de relações com o «amigo-con- interesses dos países membros entrela- estrutura na solução dos sérios proble- não partem dos políticos, que continuam corrente» chinês. çam-se de modo tão estreito que surge mas que enfrentam no Afeganistão e no a recear alianças concorrentes, mas sim * in revista A Rússia na Política Global
  5. 5. 26 DE JUNHO DE 2009 COIMBRA 5 Rotary Club de Coimbra/Olivais tem novo Conselho Director Realiza-se no próximo dia 6 de Julho, Jorge Humberto (Tesoureiro). Os restan- no decorrer do seu mandato irá promover nhecida reputação em cada uma das áre- pelas 21,30 horas (no Hotel Tryp de Co- tes lugares passam a ser ocupados por o debate sobre diversos temas de grande as focadas. imbra), uma Assembleia Geral do Rotary Jorge Corte-Real, Amílcar Carvalho, Jor- actualidade, dos quais salientou “Coimbra Club de Coimbra / Olivais, onde acaba de ge Castilho, Santos Cabral, Ernesto Viei- e o seu Património”, “Nutrição e Saúde” RIBEIRO FERREIRA PRESIDE decorrer a transmissão de poderes. ra, Isolina Mesquita e António Pato. e “Água e Recuros Hídricos”. AO CLUBE DE COIMBRA Assim, a presidente cessante, Maria Na cerimónia de transmissão de po- No âmbito do primeiro tema, vão ser Helena Goulão, passou o cargo a Alber- deres, Albertino de Sousa elogiou o tra- organizadas visitas guiadas a monumen- Também no Rotary Clube de Coim- tino de Reis e Sousa. balho desenvolvido por Helena Goulão e tos de Coimbra e da Região, alargando a bra se procedeu à cerimónia detransmis- O novo Presidente constituiu o seu saudou também Agostinho Almeida San- participação nessas iniciativas aos ele- são de poderes. Conselho Director com os seguintes ele- tos, já designado para assumir a Presi- mentos dos outros Clubes Rotários. O novo Presidente é José Ribeiro Fer- mentos: Rodrigo Santiago (Vice-Presi- dência do Club no próximo ano. Para abordar os outros temas irão sen- reira, que referiu que a sua aposta vai ser dente), António José Gala (Secretário), Albertino de Sousa revelou ainda que do convidadas personalidades de reco- sobretudo na Cultura. TERÇA-FEIRA (DIA 30), ÁS 18 HORAS O fascínio das estrelas em Coimbra com Gil Vicente, Camões, Vieira, Pessoa e “jazz” Sabia que a música também deu ori- avança José António Paixão. gem a uma teoria astronómica? E que o Mas, acrescenta, os astros foram tam- Padre António Vieira estava atento às bém uma importante fonte de inspiração inovações da Astronomia? E o que terá para a música e, em particular, para o jazz. ele dito sobre a revolução iniciada por “Já na obra dos ‘veteranos’ Duke Elling- Copérnico, também jesuíta, mas com ton e Charlie Parker encontramos temas uma teoria que abalaria as crenças da que remetem directamente para os astros. Igreja? O dramaturgo Mário Montene- Com o advento do free jazz e do jazz de gro, a matemática Carlota Simões e o fusão, nas década de 60 e 70, muitos são físico José António Paixão dão a conhe- os artistas que gravaram composições ins- cer em Coimbra cruzamentos inespera- piradas na aventura espacial. E são mui- dos entre a Arte e a Astronomia. tas as referências ao cosmos na música Acompanharam de perto as revoluções contemporânea, do “Big Bang” aos bura- na Astronomia e as suas obras estão re- cos negros”, revela o também responsá- pletas de referências rigorosas a fenóme- vel pelo projecto ‘Quark!’, uma escola nos celestes: o fascínio pelas estrelas con- olímpica da Universidade de Coimbra des- tagiou alguns dos expoentes da arte em tinada a jovens pré-universitários e onde Portugal, e não só. O dramaturgo Mário a Física e o Jazz se entrecruzam. Montenegro, a matemática Carlota Si- A sessão na Almedina, subordinada ao mões e o físico José António Paixão vão :Intervenientes da última sessão do ciclo “O Universo da Astronomia” deram tema “A Astronomia e as Artes” é a ter- dicas preciosas para que todos possam desfrutar ao máximo das estrelas dar a conhecer em Coimbra o lado este- ceira do ciclo “O Universo da Astrono- lar do teatro, da literatura e da música. A mia”, organizado pela Almedina e pela e ‘Os Lusíadas’ de Camões coincidem da Universidade de Coimbra, onde inves- sessão terá lugar no dia 30 de Junho (ter- Ideias Concertadas no âmbito das come- com a época áurea dos Descobrimentos, tiga a relação entre o teatro e a ciência, o ça-feira) às 18 horas na livraria Almedina morações do Ano Internacional da As- quando as caravelas cruzaram a linha do dramaturgo irá ainda dar a conhecer o tra- Estádio, em Coimbra. A entrada é livre. tronomia (AIA 2009). equador e tiveram finalmente acesso ao balho da Marionet na área da divulgação Carlota Simões, professora e investi- Depois de sessões dedicadas a Gali- céu do hemisfério Sul, desconhecido até das temáticas astronómicas. gadora do Departamento de Matemáti- leu, às observações astronómicas e, ago- ca da Universidade de Coimbra, irá re- então”, lembra a investigadora. A MÚSICA TAMBÉM ra, às Artes, o “Universo da Astronomia” velar uma face menos conhecida de al- Na Almedina, Carlota Simões irá ain- termina a 9 de Julho às 18 horas com INFLUENCIOU AS ESTRELAS guns dos nomes maiores da escrita em da mostrar como em alguns autores, como uma conferência sobre o ensino da As- português: a sua relação com os céus. Camões e Alberto Pimenta, é possível Mas se o Universo inspirou a litera- tronomia. Os convidados serão Rosa Pela mão da investigadora da Faculdade descobrir ou confirmar a data de aconte- tura e o teatro, a Astronomia influen- Doran, do NUCLIO - Núcleo Interacti- de Ciências e Tecnologia, os participan- cimentos associados na escrita a eventos ciou também a música. E, não menos vo de Astronomia, Joana Marques, do tes poderão conhecer o lado astronómi- astronómicos. A investigadora irá, por fim, importante, deixou-se influenciar por Museu da Ciência da Universidade de co de Leão Hebreu, Gil Vicente, Luís de revelar o que é que Padre António Vieira ela, explica o professor do Departa- Coimbra, e Victor Gil, presidente da di- Camões, Padre António Vieira, Fernan- achou do sistema heliocêntrico do tam- mento de Física da UC José António recção do Exploratório - Centro Ciência do Pessoa e Alberto Pimenta. bém jesuíta Nicolau Copérnico, que, ao Paixão. Viva de Coimbra. Algumas das descobertas mais impor- sugerir que o Sol (e não a Terra) era o “As regularidades que se observam O Ano Internacional da Astronomia é tantes da Astronomia foram imortaliza- centro do Sistema Solar, abalaria uma das nos movimentos dos astros e nos sons coordenado em Portugal pela Sociedade das por incontornáveis da literatura. As principais convicções da Igreja. musicais levaram os primeiros astróno- Portuguesa de Astronomia, com o apoio obras do tempo da expansão marítima, Já Mário Montenegro, director artísti- mos a intuir a existência de uma relação da Fundação para a Ciência e Tecnolo- como ‘Os Lusíadas’, são, de resto, fon- co da companhia de teatro Marionet, vai entre a harmonia cósmica e a musical – gia, da Agência Nacional Ciência Viva, tes ricas sobre a evolução da Ciência, debruçar-se sobre a forma como a As- como a proposta na ‘música das esfe- do Museu da Ciência da Universidade explica Carlota Simões. “A publicação tronomia tem influenciado o universo tea- ras’ de Kepler, uma teoria para o movi- de Coimbra e da Fundação Calouste de ‘Diálogos de Amor’ de Leão Hebreu tral. Doutorando na Faculdade de Letras mento planetário inspirada na música”, Gulbenkian.
  6. 6. 6 CRÓNICA 26 DE JUNHO DE 2009 A OUTRA FACE DO ESPELHO Parque Verde José Henrique Dias* jhrdias@gmail.com Podemos dar uma volta no Parque Verde. Foi as- sim que começou a conversa, quando a tarde se ex- tinguia na sala onde acabara a conferência, sobre aquelas coisas que às vezes nos pedem e a que não podemos dizer não, por dever de ofício. Nem sem- pre os temas nos agradam, quantas vezes nos obri- gam a trabalho suplementar, leituras apressadas, umas nótulas securitárias para não corrermos risco de aba- far, mas sempre esta obrigação de estar ali, a funci- onar no funcionalismo gratuito da contribuição cul- tural, porque nunca ninguém se lembra de quanto vale o que sabemos e podemos disponibilizar, paga- se ao médico, ao advogado, ao arquitecto, paga-se ao pintor, ao carpinteiro, ao canalizador, mas ao tra- balhador intelectual faz-se o favor de convidar para uma mesa-redonda, uma palestra, conferência, sei lá o quê, venha daí em viagem à sua própria custa, que fará parte do adorno ou servirá para compor o currículo. Quando me disse podemos dar uma volta no Par- que Verde, senti que era a compensação de que dis- punha para me colocar no limbo dos bons momen- tos. O certo é que eu não sabia o que era o Parque A mulher já não tinha muita paciência para aturar as formas ridículas que afinal são as que valem a Verde. Aprendi depois que é um lugar aprazível, à os pequenos caprichos do senhor administrador, gos- pena, pronto, o Parque Verde está visto e agora, se- beira de um Mondego que é outro naquele passear tava das festas sociais e sair nas revistas ao lado nhor engenheiro, vou levá-lo ao hotel. de horas mais ou menos lânguidas, onde as mãos se dele, mas era bem mais interessante o motorista, que Foi então que ele olhou e viu um pequeno cartaz podem encontrar, os sorrisos adormecerem, os olha- um dia a levou ao Algarve para uma festa de notá- que falava numa homenagem ao António Portugal. res multiplicarem cumplicidades e, quem sabe, tal- veis a que ele não podia ir. Lembrou então os idos de finais dos anos quarenta, vez um regato nascente para um rio de ternura, que Depois, bem, passado o embaraço da timidez foi todos os anos cinquenta do século passado, a Coim- a ternura é sempre o esperável que vale a pena es- tudo o jogo da glória e nem uma pitada de remorso, bra dos preparatórios de engenharia, que então não perar. Ai de quem não sabe isto, quem apenas se ele também mas faz, logo estamos quites, penso que havia licenciatura, os encontros com o António e a prende nas realizações de futuros organizados, arru- não disse assim, o motorista é que ficou sem saber Teresa, todos os daquela tertúlia depois de almoço, madinhos, muito conseguidos para. Quem funciona- como tratá-la, também para que interessa a maneira que se espreguiçava pela tarde, se repetia depois de liza o amor ou isso a que é costume chamar amor, como as pessoas se tratam na intimidade, há sempre jantar até horas mortas. como querem sempre funcionalizar a inteligência a O António Portugal ficará como um símbolo, não recibos verdes ou contratos a termo certo, que é sem- de uma geração, mas de um esforço renovador. Que pre termo sabido, amar com horário e relógio de pon- é muito mais do que marcar um tempo, é ser o pró- to, que horror, disse-me ela no Parque Verde, quan- prio tempo. A partir daquela noite em que Artur Pa- do isto tudo me saía torrencial para expurgar a re- redes, com o filho Carlos, Arménio Silva e Ferreira volta, que horror, senhor engenheiro, nem sei se hei- Alves, no Avenida, nas comemorações das Bodas de chamar-lhe engenheiro ou economista, repetia, de Diamante do Orfeon trouxeram uma outra sono- mas não se chama a ninguém senhor economista, ridade à guitarra, o António Portugal ficou depositá- reparo agora, disse com ar gaiato, diz-se sempre se- rio da responsabilidade de mudar tudo no espaço nhor doutor, também serve para tudo, mas senhor coimbrão. Assumiu com tranquilidade exaltante. Com economista também soa mal, não acha? a guitarra e uma maneira de se dobrar com ela. Ar- Divertia-me ouvi-la e pensei no curso de enge- rebatado. Como em tudo. Até o coração aguentar. nharia do Técnico e depois nos estudos de econo- Naquele rés-do-chão da Avenida Afonso Henri- mia, o doutoramento em Boston, os conselhos de ad- ques. Corria o ano de 1955. Eu sei que isto pode ministração e as aulas, os convites das televisões incomodar alguns, não sou evidentemente especia- em programas para dizer o que se quer ouvir, pensei lista. Tenho memória. Sei que semeava a diferença. em tudo, julgo que pensei, porque na verdade apenas Que construiu a diferença. andava à solta nos canteiros dos seus olhares de O António, que então tocava com o Jorge Godi- desafio, penso que eram de desafio, que a madureza nho, o Manuel Pepe e o Levi Baptista, percebeu bem da minha idade talvez abrisse alguma especial curio- o que eram cromáticos, é assim que se diz?, agarrou sidade, como será na cama este tipo tido por sábio na guitarra e meteu-se a fazer a Aguarela Portu- em questões económicas, ora ora, são todos iguais, guesa. Seguiu-se um salto enorme, com os poemas mas talvez haja alguma coisa que a gente não sabe, do Alegre, a voz do Goes e do Adriano, quantas mais. um qualquer viciozito privado, qualquer surpresa, isto A resistência activa mas acima de tudo um toque andava vagamente na cabeça dela, ou talvez apenas de qualidade que repercutiu em tantos dos que vie- na minha cabeça, eu é que estava a pensar o que ram depois, e não vou nomeá-los, que agora já nem queria que ela pensasse, faltava-me coragem para me importam os olhos da mulher que acaba de dizer verbalizar um convite. é altura de ir para o hotel… Aquela coragem com que era capaz de demolir Valeu a pena saber o que é o Parque Verde. Para as grandes opções de um qualquer plano de um qual- poder marcar este encontro com o António Portugal. quer governo. Interfiro agora na história, mudo a António Portugal pessoa, a conjugação neutraliza o que pode. * Professor universitário
  7. 7. 26 DE JUNHO DE 2009 OPINIÃO 7 ponto . por . ponto Por Sertório Pinho Martins mata-mata! Há cerca de um ano, esta coluna riga vazia dos contribuintes bate derrocada de sonhos para uns tantos do parceiro a contra-gosto) e PS + BE dava à luz um texto cujo título balan- mais forte do que a vozearia dos que nada fizeram para merecer outro (que vai durar o tempo de um sopro, çava entre o real e o jocoso: “a cor- debates sobre o estado da nação ? destino, e um quebra-cabeças para mi- porque os tempos não são de nacio- da e o circo”. E passo a citar dois Remodelando agora, terá no míni- lhões de portugueses que só querem nalizar sectores de que o BE quer a excertos, que parece terem parado no mo o benefício da dúvida de quem apostar certo e garantir que não lhes todo o transe pôr-e-dispor). tempo. foi solidário até ao limite do tole- tiram o resto da pele que já deixaram E um governo minoritário, como “Cada um faz o seu número de rável, mas que não hesitou em dar nos desfiles de rua, na dobradiça das fará passar o seu ‘programa’? Se for circo, a corda vai esticando debai- o passo patriótico quando esgotou portas do emprego fechadas com es- do PS, o PCP não lhe dará mais que o xo das nossas desilusões e não nos todas as esperanças em homens que trondo, nos salários em atraso, nas fi- benefício da ‘abstenção’, e o BE pode demos conta que já estamos a tra- afinal desapontaram o país real. E las de espera de uma esperança cada não chegar para que passe rés-vés balhar sem rede! Numa conjuntura contra a aliança parlamentar PSD- económico-social sem precedentes CDS, – sendo certo que, se for um desde há décadas, o que passa a BE-fiel-de-balança, fará duras exi- valer é o chorrilho de asneiras, a E depois de 27 de Setembro? Ninguém vai gências que lhe continuem a dar visi- surdez à voz do bom-senso, a com- bilidade e protagonismo. Mas o mun- petição pela maior parvoíce políti- sobreviver sozinho, e os ‘fiéis-de-balança’ do que Francisco Louçã sonha não é ca – porque no fim alguém há-de (CDS e BE), emergentes de um desnorte o que aí vem, feito de consensos ao apagar as luzes! ... Qualquer even- centro, de privatização da economia, to (por mais insignificante) serve que atacou os indecisos e os desalentados, de liberalização das leis laborais e de para tocar a rebate e a lançar re- cados que não têm segunda leitu- voltam a ser (Deus nos acuda!) os decisores esbatimento do Estado como golden- share dos sectores-chave do século ra, cruzam-se ameaças por cima das do equilíbrio político que nos é necessário XXI. Se for do PSD, o CDS ajudará nossas cabeças atarantadas com mas quererá também contrapartidas, tanto despudor político, e o hori- como pão para a boca! e com toda a certeza que o PCP, PS e zonte continua nublado a perder de BE votarão contra – e aí, adeus pro- vista. Cheira cada vez mais a quei- grama de governo! mado e ninguém repara na direc- Conclusão? A batata pode voltar às ção do vento!” se ele tem por onde escolher!”. vez mais ténue. E quando em 27 de mãos de Cavaco Silva, que decerto “José Sócrates tem nas mãos uma Escrevi isto em Julho de 2008, an- Setembro e 11 de Outubro chegar o não hesitará em pôr ordem na bagun- maioria absoluta, base primeira tes do big-bang do suprime america- momento de fazer escolhas, receio ça. E ai de quem lhe apontar que não para a estabilidade política que ou- no que já corroía a economia ameri- muito que o “mata-mata” assassino e foi um gajo-porreiro-pá e deu aos par- tros vão ter que conquistar, esgri- cana e que os gurus europeus acha- sem discernimento se sobreponha ao tidos todas as oportunidades de se en- mindo argumentos que levem a dar vam que não se atreveria a passar o razoável de uma realidade que deixou tenderem em nome da paz política que um passo atrás aos que em 2005 Atlântico a vau, e antes das catástro- de ter esperança. o país (que os sustenta!) exige, e que votaram claramente no PS. Dir-se- fes universais em cadeia que se lhe E depois de 27 de Setembro? Nin- já está assegurada noutros parceiros á que nessa altura já havia no ar seguiram. Mas também nunca tive guém vai sobreviver sozinho, e os ‘fi- europeus que vão dar as mãos para uma ‘dinâmica de mudança’ ; mas veleidades (há que dizê-lo) de que al- éis-de-balança’ (CDS e BE), emer- chegar ao lado de lá do terramoto que chegar à maioria absoluta foi um guém ligasse a mais uma voz perdida gentes de um desnorte que atacou os varre o mundo desde há um ano a esta feito indiscutível. Porém, ao primei- no deserto. Diz-se tanta coisa que não indecisos e os desalentados, voltam a parte. ro-ministro falta-lhe dominar es- passa do ‘diz-se-diz-se’… ser (Deus nos acuda!) os decisores Quem não enxergar isto, não me- pontaneidades, dosear ímpetos, si- E fico perplexo com o que mudou do equilíbrio político que nos é neces- rece mais que o “mata-mata” adivi- mular contrições e sacrificar peões num ano! E fico doente com o que se sário como pão para a boca! Cenári- nhado dos próximos actos eleitorais para chegar ao pleno em 2009. Ora vai passar nos próximos três meses! os? Todos eles são de cedências fei- que decidirão o nosso futuro colecti- sacrificar peões é algo que Sócra- E fico em pânico com a eventual in- tos: PSD + CDS (natural, até onde vo. Muita cabeça vai rolar e algumas tes ainda não absorveu e interiori- governabilidade que se desenha no ho- Manuela Ferreira Leite tiver paciên- promissoras carreiras cairão sob a gui- zou do mundo da política, a ponto rizonte descalcificado das nossas cia para segurar Paulo Portas), PS + lhotina inexorável do voto popular. de ir remodelar tão só para as elei- energias nacionais. CDS (em que o primeiro dá ao segun- Mas não merecem outra coisa, por- ções de 2009. Senão, que outros As eleições europeias foram uma do dois ou três ministérios — Defesa, que a esperança de um amanhã me- trunfos ou actos de propaganda lhe agradável surpresa para alguns, uma Assuntos Sociais, Negócios Estrangei- lhor vale por todos os pessimismos do restam, numa altura em que a bar- alegria esfusiante para outros, uma ros?– para usar como quiser os votos hoje. VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780
  8. 8. 8 OPINIÃO 26 DE JUNHO DE 2009 gência de prazer e de poder está a von- Egipto fazer um discurso que agradou Mais avisados, os do Norte da Euro- tade de sentido. (...) tanto a judeus como a muçulmanos, a pa desataram a andar de bicicleta e a Anselmo Borges tese de que o Presidente americano é descobrir o charme de compartilhar odo- Diário de Notícias Satanás ganhou força. Talvez este ho- res e sabores a próximo nos transportes mem seja, de facto, o Anticristo respon- públicos. (...) EMERGÊNCIA sável pelo Apocalipse, na medida em Rui Reininho DO PODER PIRATA que parece capaz de acabar com o Jornal de Notícias mundo tal como o conhecemos. Apa- O muito jovem Partido Pirata sueco fez uma entrada assinalável no Parla- mento Europeu, tendo obtido 7,1% dos votos na eleição de 7 de Junho de 2009. Para Estrasburgo vai enviar dois depu- tados. (...) UM ÚLTIMO OLHAR É preciso levar a sério a emergência SOBRE AS EUROPEIAS desta nova oferta política. Depois de apenas três anos de existência, o Pira- (...) As sondagens das eleições europeias tpartiet reúne cerca de 50.000 aderen- portuguesas eram, afinal, quase tão fanta- tes e é a terceira força militante da polí- siosas como os resultados das eleições tica sueca, logo atrás dos Moderados. nacionais iranianas. Há que dizer, contudo, (Os adversários do Partido Pirata subli- que não era fácil a tarefa de quem sonda. nham que a adesão ali é gratuita.) Em Boa parte dos resultados eleitorais era qua- 2009, houve uma adesão maciça dos jo- se impossível de prever. A vitória do PSD, vens entre os 18 e os 30 anos – na gran- por exemplo, acaba por ser surpreenden- de maioria, homens – a um programa te, sobretudo se tivermos em conta que fundado na legalização da partilha de fi- Paulo Rangel teve de superar algumas di- cheiros. O principal detonador deste ficuldades sérias: a falta de apoio de mui- movimento foi o processo «The Pirate tos dos principais militantes do partido, a Bay», do nome de um sítio sueco na In- sua relativa inexperiência política e uma ternet que propunha um motor de busca perturbadora semelhança física com o especializado nos ficheiros torrents, que Manelinho, da Mafalda, poderiam ter dei- permitem descarregar e partilhar, entre tado tudo a perder. utilizadores, filmes, música, programas Outra surpresa: o candidato ideal do informáticos, etc (...) PS, percebemo-lo agora, era Basílio Philippe Rivière Horta. Recordo que, segundo o ministro Le Monde Diplomatique Manuel Pinho, Paulo Rangel teria de comer muita papa Maizena para chegar A CRISE DA JUSTIÇA rentemente, está interessado em trocá- “NÃO ABRACE TÁXI, aos calcanhares de Basílio Horta. No lo por outro melhor, mas não deixa de destruir o nosso. Obama já tinha torna- JUNTE COM CAMBITO” entanto, e mantendo a metáfora da fari- Custa-me abordar este assunto, pelo nha láctea, que é realmente elegante, seu especial melindre. Mas, em consci- do claro que o nosso sistema de pre- conceitos, que era tão fiável e seguro, Rio Branco (Acre) – Se alguém pe- Rangel comeu as papas na cabeça de ência, não posso deixar de o fazer. A cri- dir: por favor, pode me destentar este che- Vital Moreira. Imaginem agora a quanti- se da Justiça está aí, é uma evidência estava pervertido. Um respeitável se- nhor branco de alguma idade como Ber- que, e você souber que o sujeito é fari- dade de papa Maizena que Vital Morei- incontornável. Não pode deixar de preo- nha de cruzeiro, destente. Se tiver dinhei- ra teria de comer para chegar aos cal- cupar os cidadãos responsáveis. nard Madoff roubou-nos a todos e deu cabo da economia, e um negro relativa- ro, tudo bem, é tarefa que você pode re- canhares de Basílio Horta. (...) A Justiça, em demasiados casos, não alizar sem abraçar táxi. Vai ser como Ricardo Araújo Pereira funciona, nomeadamente quando envol- mente jovem deseja endireitá-la outra vez. Confesso que já não sei quem hei- juntar com cambito. E se avistar um ho- Visão ve políticos mediáticos ou desportistas mem usando bosoroca não estranhe, ele igualmente mediáticos. Os juízes não se de temer, quando passo por um beco escuro. (...) é homem mesmo. Ao ouvir “cuida, me- entendem com os procuradores e estes nina”, não se preocupe. Agora, saindo não se entendem com os responsáveis Ricardo Araújo Pereira QUE NOS ESPERA? por ai, cuidado com as peremas. Grande da Polícia Judiciária. Há a sensação de Visão e vasto é o Brasil, digo sempre, sem (...) O Homem vem ao mundo por que disputam, entre si, para aparecerem medo do clichê. Porque é mesmo. fazer e quer queira quer não tem essa nas televisões, como vedetas. Não re- NORMAL OU SUPER? Felizmente, viajar por causa da litera- tarefa constitutiva: fazer-se a si mesmo. sistem a responder a perguntas dispara- tura tem me ajudado a conhecer o país E tanto podemos fazer de nós uma obra tadas ou mal intencionadas e nem sem- (...) Quando os carros andavam a e, principalmente, descobrir as múltiplas de arte como fracassar. pre o fazem com o bom senso que seria Normal, os dos remediados cujos pais se variações de nossa língua. Vou incorpo- Einstein constatou que quem sente a de esperar. deslocavam a pé ou de carroça no senti- rando aos meus caderninhos os vocabu- vida vazia de sentido não é feliz e sobre- Assim sendo, perdem a distância - tão do de dar estudos e educação aos filhos, lários locais, além de trazer dicionários vive mal. O Homem não pode viver sem necessária à profissão que exercem - e o gasóleo era para quem trabalhava e se regionais. Destentar é descontar. Abra- sentido. Aliás, a existência humana está desacreditam as magistraturas. Parece tinha que fazer à estrada; os do normal çar táxi é trabalho difícil (diga tachi e não baseada na convicção do sentido. A sua não perceberem que o silêncio é de ouro tiravam o coberto ao carro, limpavam- táxi), é sofrer. Bosoroca é uma bolsinha própria negação ainda o afirma. No limi- e a palavra, em certas circunstâncias, lhe pó e iam ali até à praia ou à ribeira onde se carregam cartuchos. Cuida, te, não é possível o “suicídio lógico”, pois lhes é bastante inconveniente. O que mais próxima ouvir o relato enquanto se menina significa se apresse, avie-se! quem pegasse numa arma para suicidar- contribui, com alguma frequência, para fazia um croché e as crianças suspira- Farinha de cruzeiro é gente boa, confiá- se, porque tudo é absurdo, negaria o ab- o descrédito da Justiça, nos espíritos dos vam pela sumol e pelos bolos de coco. vel, enquanto juntar com cambito é coi- surdo e afirmaria o sentido. telespectadores, que nas suas casas, num Nesse Mesozóico, também houve uma sa fácil de fazer. Peremas são mulheres O famoso psiquiatra Viktor Frankl, contexto diferente, os vêem, escutam, gravíssima crise de combustíveis por dadas, oferecidas, assanhadas e até mais fundador da logoterapia, mostrou, a par- avaliam. E não gostam... (...) causa dos ayatollas que contestavam as do que isso. tir dos estudos que realizou com base na Mário Soares modernices do xá da Pérsia. As viaturas Aos dicionários de gauchês e de per- sua terrível experiência nos campos de Visão tinham só um depósito com que se haver nambucanês, já acrescentei o baianês e concentração nazis, que a exigência mais aos fins-de- semana, de matrículas par o cearês. Agora tenho o acreano, do Gil- radical do ser humano é o sentido, ra- OBAMA ANTICRISTO? ou ímpar para circular e o Júlio Isidro berto Braga de Mello, delicioso. Gilber- zões para viver. Contra Freud e Adler, aproveitou para inventar a Música na TV, to, como todo acreano, firma pé. Apesar no mais fundo de nós, mais do que a exi- (...) Quando, há dias, Obama foi ao como o Bernstein cá do burgo. da reforma ortográfica, os acreanos, com
  9. 9. 26 DE JUNHO DE 2009 OPINIÃO 9 E, se recusam a se tornar acrianos, com se pela “eficácia” do discurso e pela “for- ser prejudicial (veja-se a Educação). Só- vas bases: continuando o barrosismo I. Que se mantenha o E, clamam, indig- ça” da sua imagem. Ao ponto de a linha de crates gosta de governar sozinho. Ideias, sem Barroso, assim como Guterres inau- nados. Ouçamos, minha gente, essas rumo, de que tantos falam agora, ter sido, precisam-se. E coerência. Não basta co- gurara um cavaquismo de “rosto huma- vozes distantes, elas não estão separa- nos últimos dois anos, substituída por uma piar a música e o slogan de Obama. Por- no”. das do Brasil. (...) sucessão ininterrupta de momentos de pro- que ao PSD basta-lhe uma ideia: estar no Durão Barroso revelou-se, no entan- Ignácio de Loyola Brandão paganda ao longo dos quais o Governo sal- poder. E querer estar no poder. Ser o balu- to, um excelente presidente da Comis- “O Estado de São Paulo” tava de anúncio em anúncio, de promessa arte contra o avanço da esquerda. são Europeia. Reabilitou a imagem da em promessa, de inauguração em inaugu- Clara Ferreira Alves “coisa”, depois dos desastres de Santer PENSAR NO FUTURO ração como se o país fosse um palco, imu- Expresso e Prodi, tratou dos assuntos essenciais, ne às contingências da realidade. e sobretudo antecipou estratégias, numa (...) Quando a crise chegou, Portugal já Daí que os apelos que se fazem sentir, O CAMINHO DE DURÃO União sonâmbula e pouco atenta. Foi era outro país, apesar das raivas que late- no interior do PS, a uma mudança de estilo um dos primeiros a advertir para a cri- javam em muitos sectores e que foram não deixem de ser um retrato fiel da deso- Aos costumes digo que sou amigo e se energética e a hiperdependência da ampliados pelas traições internas e acções rientação que existe hoje em todo o parti- fui colega de Durão Barroso. Conheci- Europa face ao ex-Leste. E a agir aí. (...) inusitadas como as de Manuel Alegre. Se do: porque o estilo é a única marca de uma o, era ele um dirigente do MRPP já com Nuno Rogeiro Sócrates resistiu a tudo, até chegar a crise maioria que privilegiou a forma ao conteú- muitas dúvidas, em trânsito para uma si- Jornal de Notícias que devastou todos os países do mundo, do, a ficção à realidade e a propaganda a não teve força para o ‘tsunami’ que apare- qualquer linha de rumo. Mudar o que pode O NOSSO FADO ceu. Apesar dos erros cometidos pelo Go- parecer acessório é, neste caso, mudar o verno, foi nessa altura precisa que Sócra- essencial. É que por trás do acessório, exis- Não, nunca iremos tornar-nos um tes começou a desfalecer. te apenas um imenso vazio. imenso Portugal. O nosso fado está tra- A maior acção de contra-informação Constança Cunha e Sá çado e, após oportunidades e mais opor- desencadeada no sentido de afirmar que o Correio da Manhã tunidades desperdiçadas, vamos ser ape- culpado da crise era o governo produziu os nas um Portugal dos pequeninos, um efeitos desejados. Sócrates não soube tra- AIRBUS SAI DO SILÊNCIO Portugal pequenino. var mais esta investida, ainda por cima com Vamos ser o Portugal onde os melho- porta-vozes, como Santos Silva, que em vez Doze dias depois do acidente com o res já não querem governar porque não de mudarem a onda agravaram os seus A330-200 do voo AF 447 onde morrem aguentam a eterna maledicência da rua. efeitos, com tantas baboseiras. Foi por tudo 228 pessoas o fabricante Airbus aban- Onde o povo tanto lhe faz ser mal ou isto que Sócrates perdeu. Agora é hora de dona o silêncio costumeiro para defen- bem governado porque é sempre con- renovar a estratégia para novos desafios der sua cria. “O A330 é um dos melho- tra. Onde ninguém - pessoa, corporação, que aí vêm. res e está entre os mais seguros aviões empresa, sindicato - deixa de achar sem- Emídio Rangel construídos até hoje”, disse o alemão pre que tudo lhe é devido e nada lhe é Correio da Manhã Thomas Enders, presidente da compa- exigível. Onde as grandes construtoras nhia européia. Ele se baseia na ficha vivem quase todas de sacar ao Estado A MATAMORFOSE corrida do A330-200. Desde que o avião obras inúteis, porque de outro modo não foi brevetado, em 1996, houve apenas um tuação de independência, primeiro, e para sabem viver. Onde ninguém pensa a pra- (...) Embora o País tenha dito nas ur- acidente com vítimas fatais: o vôo AF o PPD, depois. zo porque há sempre uma eleição pelo nas que já chega ao actual primeiro-mi- 447 do 1 junho que fazia o trajeto Rio- Não nos aproximava nem a doutrina, meio que não se pode perder, mesmo que nistro, convém não o subestimar. Sócra- Paris. “Um avião Airbus decola a cada nem a história, nem as “opções políticas”, seja a feijões, como as europeias que tes transformar-se-á no que os guerrei- dois segundos no mundo, a aviação civil nem sequer a formação intelectual, mas acabamos de atravessar. (...) ros do marketing político lho ditarem. E continua sendo o meio de transporte mais penso que nos juntava a curiosidade de A mediocridade há-de sempre que- como agora tantos falam em humildade, seguro do planeta.” compreensão dos motivos, pensamento rer que o nivelamento se faça por bai- o primeiro-ministro será humilde. Talvez O pronunciamento inédito de diretor e expressão dos aparentes “inimigos”, e xo. Há-de sempre querer afastar cri- até sereno e simpático para com os seus alto graduado da Airbus depois de um a previsão dessa era que hoje se chama térios que assentem no mérito, no tra- adversários. Nem que tenha de ensaiar a acidente envolvendo uma de suas aero- de “pós-ideológica”. Teremos também balho, no talento, na honestidade, nos metamorfose mil vezes, só aparentemen- naves não acontece por acaso. Nunca tido uma certa cumplicidade no entendi- valores. O que distingue um país com te contrariando a sua natureza (o que quer houve uma pressão tão grande da opi- mento dos rumos, nem sempre fáceis ou futuro de outro que o não tem é justa- é o mesmo). E agradece a moção de cen- nião pública mundial para saber as cau- explicáveis, do “interesse nacional”. mente o desfecho desse embate. Em sura. Não nos iludamos, será o mesmo. sas de um acidente de avião. (...) O seu projecto de governo, depois de Portugal premeia-se o absentismo e a Paula Teixeira da Cruz António Ribeiro muitas peripécias de saúde, de muitas rotina; desculpa-se a incompetência e Correio da Manhã Veja negociações e subidas a pulso, de mui- aceita-se resignadamente a burocracia tos caminhos solitários, ou incompreen- e o autoritarismo imbecil; perdoa-se a OFERTA CULTURAL A DECADÊNCIA didos, acabou na coligação “pragmática” ausência de valores éticos a todos os DO SOCIALISMO com um ex-aliado, ex-adversário, ex-po- níveis e trata-se socialmente por se- O primeiro-ministro admitiu que o lemista, Paulo Portas. Apesar das previ- nhores os que nada mais são do que (...) Olhamos para o PS e que vemos? Governo errou (aqui está uma novidade) sões de catástrofe, conseguiu rumar pe- bandidos; condecora-se o triunfo em- As caras e aproveitadores do costume. A por não ter investido muito na cultura e los escolhos complicados do “país de tan- presarial por favor político; perdoam- larga testa do dr. Vitorino, o único ‘inteli- lamentou a falta de oferta cultural. Se é ga”, manteve unidas facções díspares, e se os impostos e os crimes fiscais aos gente’ do partido, que tem um think tank só verdade que José Sócrates quer ‘arrepi- entrou no Campeonato Europeu de Fu- grandes vigaristas, enquanto se perse- para ele. A oportunista testa do dr. Carri- ar caminho’ e aparecer com um imagem tebol, feito em estádios que não tinha gue implacavelmente o pequeno e ho- lho, sentado na sinecura da UNESCO. diferente, convém que saiba do que fala. previsto nem aprovado, com altos níveis nesto devedor ou aqueles que mais im- Vemos alegristas e guterristas, senhoras do A oferta cultural só é diminuta para quem de confiança. postos pagam e que não fogem ao fis- costume, apparatchiks obsoletos, luta pela anda distraído; há bastantes coisas a A saída para Bruxelas fracturou a sua co; arquivam-se os crimes que são di- sobrevivência e confrangedora ausência de acontecer todos os dias e o Governo não própria base de apoio. fíceis de investigar e tortura-se a mãe discussão e de temas. Vemos que uma fez falta, a não ser para quem quer ter Achei-a, na altura, incompreensível, da Joana, transformando os responsá- certa intelligentsia que votaria no PS pas- emprego fácil. (...) prejudicial, má para Portugal, para a es- veis em vedetas mediáticas; consen- sou a votar no Bloco de Esquerda, por ra- Francisco José Viegas tabilidade, para a confiança nos políti- te-se o indecoroso tráfico de influên- zões éticas e estéticas, ou porque o Bloco Correio da Manhã cos. Com a opção comissarial abriu-se cias entre o poder político e a advoca- é uma ‘vanguarda’ não ‘corrompida’. E uma crise de legitimidade, cujos efeitos cia de negócios e pretende-se calar o tem o poder de não ser poder. O Bloco fez MUDAR DE RUMO ainda sentimos, obrigando Santana Lo- bastonário dos advogados que, à reve- do PS o seu inimigo principal. E o PS dei- pes a um sacrifício de emergência, Jor- lia dos bons costumes, denuncia o que xou. A hemorragia do PS é culpa do PS. (...) Por oposição à dra. Ferreira Leite, ge Sampaio a um bizarro presidencia- todos sabem ser verdade. (...) Tal como o PCP, foi derrotado. Sócrates capaz de comunicar apenas a sua própria lismo de tutela e vigilância, e à recria- Miguel Sousa Tavares tem a vantagem do voluntarismo e da re- incapacidade, o eng. Sócrates distinguia- ção do PS pós-Ferro Rodrigues em no- Expresso sistência. Voluntarismo não chega e pode
  10. 10. 10 COIMBRA arte em café 26 DE JUNHO DE 2009 CARLOS ENCARNAÇÃO ACUSA ESTADO DE SE DISTRAIR DAS QUESTÕES SOCIAIS Coimbra é uma lição em projecto integrador de comunidade cigana O Presidente da Câmara de Coimbra pal lançou do ponto de vista humano e experiência poderá ser alargada a cida- afirmou há dias que o Estado “continua social. dãos não ciganos, a outras comunidades distraído” no que respeita a questões “Esta é uma missão insubstituível do que também vivem em situação de ex- sociais, tendo as autarquias de assumir Estado, que continua distraído das ques- clusão social. essas competências para minimizar os tões sociais. É obrigação do Estado fa- “Portugal devia adoptar o lema “Por- problemas. zer isto. É uma questão nacional que tem tugal País de Todos”, disse, em adapta- “O que mais me ofende é que o Es- cambiantes locais”, observou. ção do lema escolhido por Coimbra para tado faça de conta que não sabe dos pro- Para Carlos Encarnação, “não vai ser o projecto, que contempla o acompanha- blemas. Que seja distraído”, declarou possível ao Estado deixar de ter atenção mento multisectorial de famílias ciganas Carlos Encarnação, ao encerrar, em a estas soluções” que o projecto pionei- num centro de estágio habitacional; um Coimbra, um debate nacional sobre a ro de Coimbra apresenta ao nível da in- espaço de conquista de competências população cigana em situação de preca- tegração da comunidade cigana. para a sua integração em bairros da ci- riedade habitacional”. Também Artur Trindade, secretário- dade. Na sessão, que contou com o envolvi- geral da ANMP criticou o Estado por Sara Carvalhal, responsável por esse mento da Associação Nacional de Mu- deixar nas mãos dos municípios a reso- centro de estágio habitacional da Câma- nicípios Portugueses (ANMP), a Câma- Carlos Encarnação lução de problemas sociais sem lhes ra de Coimbra, por onde passam as fa- ra de Coimbra apresentou aos técnicos bém impressão que as comunidades não transferir essa competência, e sem as mílias ciganas, afirmou que o seu perfil de várias autarquias do país um projecto compreendam estes problemas”, afirmou dotar de meios financeiros para tal. não difere de qualquer família multipro- pioneiro de intervenção junto da popula- o autarca. “Tenho orgulho pela Câmara Muni- blemática pobre, isolada, que não tive ção cigana, que já está a ser adoptado Reportando-se ao projecto “Coimbra cipal de Coimbra que, em representação acesso a oportunidades. pela Câmara Municipal de Ovar. Cidade de Todos”, que a sua autarquia do poder local, tenha tido esta iniciati- Também a Alta Comissária para a “Não fico bem com a minha consci- lançou em 2004 para intervir junto da va”, afirmou o dirigente, desejando que Imigração e Diálogo Intercultural, Rosá- ência quando vejo cidadãos a degradar comunidade cigana a viver em barracas, a experiência seja adaptada e transpor- rio Farmhouse, defendeu na sessão que a sua situação, e abandonados a si pró- Carlos Encarnação disse tratar-se “das tada para outros municípios. o projecto de Coimbra seja aplicado nou- prios a viver na cidade. Causa-me tam- melhores coisas” que a Câmara Munici- Na perspectiva de Artur Trindade, esta tros municípios. “Plataforma do Choupal” quer Câmara a dar explicações sobre projecto de novo viaduto O movimento Plataforma do Chou- mo que a Câmara de Coimbra “tenho ressados observassem a circulação po que entenderem”, explicou o bió- pal considerou ontem (dia 25) que a o mesmo estatuto no processo, com o rodoviária. logo Miguel Dias, que integra o movi- Câmara Municipal de Coimbra “deve argumento de que estão a defender os “Ficou comprovado que não há si- mento. explicações” sobre a necessidade de interesses do município”. tuações de entupimento, apenas situ- A iniciativa começa hoje (sexta-fei- se construir uma nova ponte na cida- “Parece-nos haver vontade das Es- ações pontuais de dificuldades no es- ra) às 18:00 e, durante 48 horas, os de, na zona da Mata do Choupal. tradas de Portugal de não deixar de coamento”, disse Luís de Sousa, re- participantes podem “correr, andar de O movimento, que contesta a cons- fora uma parte interessada no proces- ferindo que a Plataforma do Choupal bicicleta ou caminhar”. trução de um viaduto rodoviário com so”, referiu. está contra o “desperdício de dinhei- No caso da corrida, os participan- 40 metros de largura e que atraves- A Plataforma do Choupal conside- ros públicos num troço sem necessi- tes devem fazer uma pré-inscrição sa o Choupal numa extensão de 150 rou ainda “extremamente positiva” a dade”. através do e-mail metros, no âmbito do novo IC2, re- iniciativa designada por “Desafio Elec- No âmbito do processo de contes- plataformadochoupal@gmail.com. velou hoje, em conferência de im- trónico à População!, que procurou tação à construção do viaduto sobre Segundo Luís Sousa, estão já ins- prensa, que o município “está desde mostrar “a total ausência de entupi- a Mata do Choupal, iniciado em Fe- critos cerca de 150 participantes. o primeiro momento por detrás desta mentos ou engarrafamentos” de trân- vereiro deste ano, o movimento pro- Entre eles os candidatos à autarquia solução”. sito na Ponte Açude, junto à Mata do move entre os dias 26 e 28 de Junho de Coimbra Pina Prata (independen- Luís Sousa, do movimento, disse à Choupal, onde o Governo pretende mais uma iniciativa desportiva, que se te), Francisco Queirós (CDU), Cata- Agência Lusa que, na contestação do construir o viaduto rodoviário. designa “Uma espécie de corrida”. rina Martins (BE) e as deputadas so- Ministério do Ambiente e das Estra- Através de uma câmara, o movi- “Trata-se de uma espécie de corri- cialistas Teresa Portugal e Matilde das de Portugal à acção popular in- mento disponibilizou durante uma se- da desportiva sem regras, em que to- Sousa Franco, para além do provedor terposta no tribunal por sete cidadãos, mana imagens permanentes em direc- dos os participantes podem praticar a do Ambiente de Coimbra, Massano foi requerida por este último organis- to da Ponte Açude para que os inte- actividade que quiserem durante o tem- Cardoso.

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