O Centro - n.º 63 – 03.12.2008

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Versão integral da edição n.º 63 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 03.12.2008.

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O Centro - n.º 63 – 03.12.2008

  1. 1. DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO III N.º 63 (II série) 3 a 16 de Dezembro de 2008 1 euro (iva incluído) NO RENOVADO CAMPO DE JOGOS DE SANTA CRUZ (COIMBRA) Sapos-parteiros vencem o mais PÁG. 12 e 13 importante dos desafios São uma espécie em vias de extinção. Uma colónia vive há décadas no Campo de Santa Cruz (Coimbra), onde a boa Um exemplar de sapo-parteiro, assim chamado porque o macho vontade de muitas pessoas se conjugou para que sobrevivessem (como se vê na imagem) carrega os ovos sobre as costas durante e após as profundas obras que ali decorreram JOVEM MÉDICO E PRATICANTE DE TÉNIS DE MESA CONSIDERADO” “PERSONALIDADE DO ANO” PÁG. 3 Campeão de Coimbra só soube pelos jornais!... BISSAYA-BARRETO ANIMAL MILITARES FUTURO DE COIMBRA Fundação Adopte Indignação Júdice com 50 anos um amigo já começou defende tem honrado no Canil a extravasar novas o Patrono Municipal dos quartéis estratégias PÁG. 2 PÁG. 4 e 5 PÁG. 11 PÁG. 14
  2. 2. 2 NACIONAL 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 SUBLINHOU JOSÉ SÓCRATES EM COIMBRA Fundação Bissaya Barreto reflecte amor à Pátria do fundador O primeiro-ministro José Sócrates feriu José Sócrates, ao intervir na ses- nossa volta”. de doença prolongada, no passado mês afirmou em Coimbra, na passada sema- são de encerramento das comemorações José Sócrates sublinhou que a acção de Julho). na (dia 26) que a obra social desenvolvi- do 50º aniversário da Fundação Bissaya social de Bissaya Barreto, natural da “Será um prémio a atribuir anualmen- da pela Fundação Bissaya Barreto Barreto. Castanheira de Pera, que foi maçon e te e que visa distinguir o mérito daqueles (FBB) nos últimos 50 anos tem a marca O primeiro-ministro salientou que a deputado da Assembleia Constituinte de que nas diferentes áreas de actuação da do “amor aos outros e à Pátria” do seu obra de “amor aos outros” do professor 1911, tornando-se mais tarde amigo do Fundação Bissaya Barreto – educação, patrono. de Medicina Bissaya Barreto, falecido ditador Salazar, evidenciou o seu “amor cultura saúde e solidariedade - se distin- “Essa obra, que não tem parado de em 1974, reflectia o que pensava sobre à educação e ao conhecimento”, além da gam pela excelência”, disse. crescer e se expandir nos últimos anos, a sociedade do seu tempo: “não pode- saúde. Interveio também na sessão o antigo releva do espírito do seu fundador”, re- mos ser felizes com tanta gente infeliz à “Isto não se faz sem amor à Pátria”, presidente da Assembleia da República, acentuou, questionando por que razão António Almeida Santos, na qualidade de essa dedicação à Pátria tem estado afas- Presidente do Grande Conselho da FBB, LIVRO DE PEDRO DIAS REÚNE tada dos discursos políticos em geral. que teve palavras de rasgado elogio para Considerando que a actividade social a obra da Fundação, para Nuno Viegas MELHORES OBRAS DE ARTE DE COIMBRA da FBB merece uma “justa homenagem Nascimento e para a forma como Patrí- nacional”, José Sócrates fez votos para cia Viegas Nascimento tem sabido con- O Claustro da Manga, a Capela do Sa- ção, tendo palavras de homenagem para que “os próximos 50 anos estejam à altu- tinuar a sua obra. cramento da Sé Velha e a Biblioteca Jo- o falecido Presidente Viegas Nascimen- ra dos 50 que passaram”. A cerimónia de encerramento das co- anina são algumas das mais importantes to, e de elogio para a forma como os des- A presidente da Fundação, Patrícia memorações dos 50 anos da instituição, obras de arte da cidade, na opinião de tinos da Fundação continuam a ser diri- Viegas Nascimento, anunciou que a ins- que decorreu no auditório do Campus do Pedro Dias, autor do livro “100 Obras gidos pela actual Presidente. tituição decidiu criar o Prémio Nuno Vi- Conhecimento e da Cidadania, incluiu a de Arte de Coimbra”. Quanto a Predo Dias, eespecialista em egas Nascimento (seu marido e Presi- apresentação da fotobiografia “Bissaya O luxuosos livro foi apresentado em História de Arte, destaca “a modernida- dente do Conselho de Administração da Barreto - Um Homem de Causas” e a sessão realizada no Salão Nobre da Câ- de, do ponto de vista estético”, tendo em Fundação durante mais de duas décadas, abertura de uma exposição alusiva à efe- mara Municipal de Coimbra, com a pre- conta a época, e a “grande carga simbó- até ao seu prematuro falecimento, vítima méride. sença de diversas entidades, entre as lica e erudita” que os três monumentos quais a Presidente da Fundação Bissaya citados no início apresentam. Barreto, Patrícia Viegas Nascimento, que O livro, de 300 páginas, é uma “apre- recordou ter sido aquela obra uma von- ciação pessoal” das “extraordinárias tade se seu marido, Nuno Viegas Nasci- obras” que a cidade possui, disse. mento (falecido no passado mês de Ju- “Coimbra é uma cidade, ao contrário lho), que entendeu ser essa uma forma do que muita gente diz, com uma produ- de legar à cidade uma obra de elevada ção artística extraordinária, particular- qualidade, ao mesmo tempo que enrique- mente ao nível da arquitectura. É uma cia o programa comemorativo dos 50 referência nacional e internacional pelas anos da Fundação Bissaya Barreto e obras que possui”, considerou. prestava homenagem ao seu patrono, Pedro Dias colaborou em projectos de atendendo a que Bissaya Barreto tinha restauro de inúmeros monumentos, en- rara sensibilidade artística e reuniu um tre os quais o Mosteiro de Santa Cruz de conjunto muito valioso de obras de arte. Coimbra, o Palácio da Vila de Sintra e o O Prsidente da Câmara Municipal, Mosteiro dos Jerónimos. Carlos Encarnação, congratulou-se com O primeiro monumento referenciado a qualidade da obra e felicitou a Funda- no livro é o Criptopórtico de Coimbra, importante obra de engenharia romana em Portugal. A mais recente obra pre- sente no livro é a recente Ponte Pedonal Pedro e Inês. O Claustro da Manga (Jardim da Man- Director: Jorge Castilho ga) e a Capela do Sacramento da Sé Ve- (Carteira Profissional n.º 99) lha, realçou, apresentam uma simbolo- gia ligada à religião, associando-se a Fon- Propriedade: Audimprensa NIF: 501 863 109 te da Manga (fonte da vida) à maneira como o Cristianismo se espalhava no Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho mundo e a Capela do Sacramento da Sé ISSN: 1647-0540 Velha à reforma da Igreja após o Concí- lio de Trento. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 O livro, considerou Pedro Dias, é tam- Composição e montagem: Audimprensa bém “uma espécie de agradecimento” à Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra Cidade pela Medalha de Ouro que o au- Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 tor recebeu este ano da autarquia. Mas é ainda, sublinhou o historiador, o cum- e-mail: centro.jornal@gmail.com primento de um compromisso assumido Impressão: CIC - CORAZE com um grande amigo, Nuno Viegas Nas- Oliveira de Azeméis cimento, e uma homenagem à obra por Depósito legal n.º 250930/06 este levada a cabo na Fundação Bissaya Tiragem: 10.000 exemplares Barreto.
  3. 3. 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 3 Campeão de Coimbra soube pelo jornal que fora considerado “Personalidade do Ano” Gonçalo Castanheira, jovem médico em 1990 (campeão nacional de inicia- de Coimbra e um dos mais destacados dos), ingressando em 1991 na Alta Com- praticantes de ténis de mesa do País, foi petição e na Selecção Nacional. distinguido como “Personalidade do Ano Em 1999 iníciou funções Associativas de 2008” naquela modalidade, e deveria – Presidente da Direcção da Associa- ter ido receber este justo galardão na ção de Ténis de Mesa de Coimbra, que cerimónia que decorreu no passado dia ainda hoje ocupa, sendo o responsável 20 de Novembro no Casino Estoril. máximo pela modalidade no Distrito de E dizemos deveria porque Gonçalo Coimbra. Castanheira não esteve presente, uma Actualmente é membro da Direcção vez que só tomou conhecimento de que da ACM de Coimbra (presidida pelo esta distinção lhe havia sido atribuída Prof. Norberto Canha), como Director quando, no dia seguinte, leu os jornais!... do Departamento de Desporto. É tam- Ou seja, a Federação Portuguesa de bém Presidente da Direcção da Associa- Ténis de Mesa indigitou-o como “Perso- ção da Juventude Acemista. nalidade do Ano”, mas esqueceu-se de Continua a ser jogador da 1ª Divisão lhe comunicar o facto, pelo que foi pelos Nacional de Ténis de Mesa ao serviço jornais publicados após a cerimónia que da ACM de Coimbra. Gonçalo Castanheira teve a alegria de De salientar que acumula as funções saber-se distinguido, mas também a de- de jogador e dirigente por amor à moda- cepção por não ter estado presente no lidade, uma vez que se licenciou em Casino Estoril para receber o galardão. na Associação Cristã da Mocidade Secção de Ténis de Mesa da ACM, Medicina, estando actualmente a finali- Nascido em Coimbra em Julho de (ACM) de Coimbra em 1985, por inici- ecom o acompanhamento do técnico zar o internato médico para iniciar em 1977, Gonçalo Nuno Coimbra Casta- ativa de seu pai, o advogado José Cas- João Paulo Costa. Janeiro a especialidade de Medicina Le- nheira iniciou a prática da modalidade: tanheira, que é também Director da Conquistou o primeiro título nacional gal em Coimbra. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
  4. 4. 4 MUNDO ANIMAL 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 CAMPANHA “COIMBRA ADOPCÃO” A troco de nada ganhe um grande amigo O Canil/Gatil Municipal de Coimbra pros- muito triste e tremendamente injusto). nas custam uns minutos na deslocação, para aranimal@gmail.com segue uma campanha intitulada “Adop- Aproxima-se a época de Natal, e é sabi- escolher um companheiro (ou companhei- ou consultar o site Cão”, com o seguinte lema: “Adoptem do como os tempos de crise que se atraves- ra) para a vida, que será sempre fiel e de www.cm-coimbra.pt/741.htm um animal no Canil Municipal”. sam tornam mais complicada a aquisição uma enorme dedicação e em troca apenas Os dias e horas especificamente desti- Trata-se de uma iniciativa muito meritó- de prendas, sobretudo para a miudagem. pede um pouco de atenção e de carinho. nados às adopções são os seguintes: ria, que permite que pessoas que gostam de Ora a verdade é que um cão ou um gato O Canil/Gatil Municipal fica no Campo - segundas-feiras, das 14h30 às 16h30; animais ali possam ir buscar um fiel compa- é sempre um presente bem recebido, desde do Bolão, Mata do Choupal, onde os ani- - quintas-feiras, das 10 às 12 horas. nheiro, sem nada pagarem por isso. que a pessoa a quem ele se oferece goste mais esperam, ansiosos, por uma nova casa São muitos os cães (e também alguns de animais, não os encare como um brin- e uma nova família. Na página seguinte publicamos imagens gatos) que esperam que gente com bom quedo ou um objecto e tenha condições mí- Os interessados em obter mais informa- de alguns dos bons aamigos de 4 patas que coração os vá adoptar, tendo como recom- nimas para deles tratar convenientemente. ções podem ligar para o telemóvel 927 441 estão à espera de que alguém queira apro- pensa conquistarem um amigo para toda a Se for o caso, está encontrada uma ex- 888 (a qualquer hora), ou para o Canil/Gatl veitar todo o carinho que têm para dar. vida, já que estes animais rapidamente se celente forma de dar prendas de Natal de (das 9 às 17h30 dos dias úteis) através do Se gosta de animais, não hesite! Faça feliz adaptam aos seus novos donos (que, para enomre valor (basta ver os preços nas lojas telefone 239 493 200. um destes que esperam por si e não se ar- além do mais, os estarão a poupar a um fim de animais!...), mas que no Canil/Gatil ape- Podem também enviar um e-mail para rependerá! Castração dos gatos Salvador St.Aubyn Mascarenhas Médico Veterinário salvadorvet@gmail.com é fácil e recomendável Hoje vou falar sobre a castração dos recupera a sua actividade normal nesse recem e, durante a época de reprodu- riscos de tumores mamários são gran- gatos e a esterilização das gatas e da mesmo dia. ção, os machos lutam para ganharem demente reduzidos se a esterilização confusão que isto faz na cabeça de mui- A esterilização das gatas consiste na as fêmeas. Essas batalhas causam ocorrer antes do primeiro cio e também ta gente. remoção cirúrgica do útero e dos ovários dentadas e arranhões, principalmente gatas esterilizadas nunca desenvolverão Penso que há uma grande desinfor- do abdómen.Uma área da barriga é depi- na cabeça e nas patas, que frequen- infecções uterinas. mação sobre isso. Algumas pessoas pen- lada. Ambos os ovários e o útero são re- temente se transformam em abcessos Uma gata castrada é muito mais amo- sam que castrar um animal não é bom movidos por uma incisão muito pequena e requerem uma visita ao veterinário. rosa, porque a sua energia já não será para ele, que é uma mutilação, um acto que pode ser de 2 centímetros. A cirurgia é Por vezes, há arranhões nos olhos que constantemente direccionada para a pro- irreversível que o vai tornar num felino muito rápida. Normalmente a gata vai para têm de ser tratados com urgência. cura de um macho. infeliz e de certo modo diminuído. casa ao fim do dia ou no dia seguinte, e Também contraem infecções virais Além de tudo isso, tanto a castra- Contudo, castrar ou esterilizar previ- fica a agir normalmente em dois dias. Trá sem cura e fatais como a leucose fe- ção como a esterilização vão impedir ne muito mais do que evitar crias inde- de ser medicada com antibióticos e anal- lina (que felizmente tem uma vacina) que as gatas fiquem grávidas, por isso sejadas. Ajuda também o seu felino a gésicos por poucos dias. e a sida dos gatos (que não se trans- esses animais nunca produzirão gati- manter-se mais saudável e a viver mais Usualmente recomendamos a castração mite aos humanos), esta sem vacina nhos indesejados que serão abandona- tempo e com mais qualidade. ou esterilização aos seis meses, antes do ainda. Já perdi a conta dos gatos que dos ou mortos por afogamento como é De acordo com as estatísticas da As- gato atingir a sua maturidade sexual,mas vão à clínica e voltam várias vezes usual. sociação dos Hospitais Veterinários nalguns países é incrivelmente comum cas- todos os anos cheios de abcessos e Alguns gatos ganham peso com a Americanos, mais de 80 por cento dos trar os gatos em idades muito precoces, com os donos a resistirem à castra- castração ou com a esterilização. Ani- cães e gatos são castrados ou esteriliza- por vezes às oito semanas. ção, até que um dia é tarde demais, e mais não castrados normalmente têm dos. O que é que eles sabem e que nós Isso porque depois da puberdade, não são poucos os casos. Tenho re- um forte desejo para a cópula e po- não sabemos? aproximadamente aos 6-8 meses de ida- parado que é muito mais fácil conven- dem despender imensa energia na pro- Devo começar por dizer que a cas- de, os gatos desenvolvem um sem nú- cê-los a esterilizarem as fêmeas, mas cura de um parceiro. Sem esse dese- tração dos machos ou esterilização das mero de características comportamen- isso já seria assunto para o Dr. jo o seu gato pode continuar a comer fêmeas dos felinos é o mais simples pro- tais indesejáveis. Tornam-se territoriais, Freud... a mesma quantidade de comida mas cedimento cirúrgico da medicina veteri- começam a marcar o território, muitas As estatísticas indicam que os machos não queima tantas calorias como an- nária. A única preocupação do dono an- vezes dentro de casa, esguichando uri- castrados tendem a viver mais tempo que teriormente, por isso pode engordar se tes da cirurgia é que o gato faça jejum na, que nessa altura, por acção das hor- os machos não castrados. não reduzir a sua ingestão de calorias durante a noite para que a anestesia seja monas, tem um cheiro particularmente A castração reduz enormemente as através de uma dieta adequada ou es- feita num animal com estômago vazio. forte, que é difícil de eliminar. E também possibilidades do gato marcar o territó- timulando exercícios e brincadeiras A castração nos machos é a remoção começam por alargar o seu território fa- rio dentro de casa, arranhar e esguichar onde gaste energia. dos testículos, retirando assim a fonte de zendo passeios cada vez maiores e mais urina nos móveis e nos ângulos das pa- Ninhadas indesejadas contribuem para esperma e também da hormona sexual, distantes da casa, particularmente à noi- redes e logo reduz o stress que isso cau- a existência de excesso populacional de a testosterona, que é responsável pelo te. Por esta razão, muitos dos gatos que sa aos donos, aumentando a possibilida- gatos. Isto é um problema porque os fe- comportamento sexual do gato. Sob anes- são atropelados são gatos não castrados. de do gato ser amado e querido como linos, se deixados à sua vontade, conse- tesia geral, depila-se o escroto. Uma Na época da reprodução ambos, gatos e membro da família. Os gatos castrados guem reproduzir-se em números assom- (que é como eu faço) ou duas pequenas gatas, fazem imenso barulho com os seus continuam a ser territoriais mas em mui- brosos num curto espaço. Para terem incisões são feitas na pele do escroto e vagidos (vocalizações aflitivas que ouvi- to menor escala, reduzindo-se o territó- uma ideia, basta uma ninhada de 4 ga- ambos os testículos são removidos. Nor- mos pelas madrugadas nos nossos telha- rio normalmente ao jardim da casa. tos, sendo dois machos e duas fêmeas, malmente não se dão pontos, em virtude dos). E se o seu gato estiver dentro de A esterilização da gata, por seu lado, ser deixada à vontade para que no prazo do corte ser muito pequeno e fechar ra- casa e cheirar a presença de uma gata elimina por completo o cio, que normal- de um ano dê origem a cerca de cem pidamente em 3 dias. O dono só terá de no cio (o que pode fazer a distância con- mente ocorre várias vezes por ano, e o gatos. não deixar o gato sair para poder vigiá- siderável) não conseguirá dormir enquan- comportamento associado ao cio como Termino dizendo que é dever de qual- lo durante esses 3 dias, e aplicar Betadi- to ele praticar a sua cantoria. miados lancinantes, agitação, rebolar quer proprietário responsável mandar ne na zona da incisão. O gato vai para a O gato inteiro protege o seu terri- constante pelo chão, esguichar urina e esterilizar ou castrar o seu felino – a não casa logo que acordar da anestesia e tório e ataca todos os gatos que apa- lutas com outras gatas pelos machos. Os ser, claro, que zqueria reproduzir gatos.
  5. 5. 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 MUNDO ANIMAL 5 A Cookie é uma cadelinha com cerca de 1 ano, de porte pequeno, muito meiga e calminha. Tem a particularidade de ter um olho castanho e outro azul clarinho O SPEEDY é um podengo, estava abandonado e tem 8 meses. É muito brincalhão e muito atento a tudo o que se passa à sua volta O BOB é um Dalmata adulto, com 8 anos, castrado, que foi entregue no canil pelo dono. Como todos os cães entregues no canil pelos donos é um pouco triste. Mas que voltará a alegrar-se quando tiver novo dono O Dominó é um cãozinho doce, de porte pequeno, abandonado pelo dono no Canil, e que provavelmente deve ter sido vítima de maus-tratos, pois está quase sempre triste e escondido. No entanto, é super meigo, e quando ganha confiança com as pessoas é muito brincalhão. Precisa urgentemente de uma família que tenha paciência com ele e que lhe dê muito carinho O TOMMY também foi abandonado é um cão muito engraçado, tem uns olhos muito bonitos e tem cerca de 1 ano de idade O MURPHY tem cerca de 2 anos de idade foi encontrado abandonado e é muito meigo A Flay foi entregue no Canil pela dona. Tem dois bebes muito bonitos e é uma excelente mãe. È também muito meiga e tem um olhar muito doce. È calminha e deve ser uma boa cadela para ter em apartamento Para quem prefere gatos, o Canil/Gatil Municipal tem vários destes felinos à espera de um dono ou uma A Guapa é uma cadelinha muito, muito pequenina, que dona a quem retribuma mimos com um suave ronronar teve bebés e que já foram adoptados. Ela ainda espera O RALPH foi encontrado abandonado e estava muito e muitas marradinhas. que alguém a adopte! È uma ternura, muito meiga e magro, condição que ainda mantêm embora já tenha Esta bonita gata tricolor chama-se Tareca, e é um dos adora saltar para o nosso colo! Cativa qualquer pessoa melhorado. Tem cerca de 2 anos e é muito meigo gatos que esperam por um amigo que os adopte
  6. 6. 6 INTERNACIONAL 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 Obama quer acabar a guerra no Iraque “de forma responsável” em 16 meses O Presidente eleito norte-america- tiu que vai ouvir o conselho dos mili- Obama comprometeu-se ainda a fa- no, Barack Obama, afirmou que de- tares. zer com que as forças armadas nor- seja retirar as tropas do Iraque em 16 “Penso que 16 meses é um período te-americanas continuem a ser “as meses e que confiou ao futuro secre- acertado. Mas como já disse, muitas mais fortes do Planeta”. tário da Defesa, Robert Gates, a mis- vezes, escutarei as recomendações “Todos partilhamos da convicção de são de acabar a guerra “de forma res- dos meus comandantes”, garantiu. que é preciso continuarmos a ter as ponsável”. “Poderá ser necessário manter uma forças armadas mais fortes do Plane- “Como disse durante a minha cam- força residual para treinar (as forças ta”, por isso, “continuaremos a fazer panha, vou confiar ao secretário da de segurança iraquianas) e proteger os investimentos necessários para re- Defesa (Robert) Gates e às nossas o povo iraquiano”, disse. forçar as nossas forças armadas e forças armadas uma nova missão, as- “Vamos garantir também que temos aumentar as nossas forças terrestres”. sim que assumir funções”, afirmou em os meios e a estratégia necessárias “Estamos igualmente de acordo so- conferência de imprensa realizada an- para vencer a Al-Qaida e os talibãs” bre o facto de o poder das nossas for- teontem, depois de anunciar que man- no Afeganistão, sublinhou o Presiden- ças armadas dever estar aliado à sa- tém no cargo o actual chefe do Pen- te eleito, comprometendo-se a enviar bedoria e ao poder da diplomacia. E tágono. reforços para a zona. comprometemo-nos a reconstruir e a Obama reafirmou que deseja reali- “O Afeganistão é o local onde co- reforçar as alianças no mundo no in- zar a retirada do Iraque de todas as meçou a guerra contra o terrorismo, tuito de defender os interesses e a se- brigadas de combate norte-america- e deve ser o sítio onde acaba”, de- gurança dos Estados Unidos”, afir- nas, no espaço de 16 meses, e garan- Obama quer acabar a guerra no Iraque fendeu. mou. O escudo inox de Ronald Reagan problema. mentos Ofensivos Estratégicos (SALT-1) Fiodor Lukyanov * Instalar os elementos da Defesa Antimís- termina em 2009. sil na Europa Central foi uma decisão unila- Hoje em dia, há nos EUA mais partidári- teral de Washington, tomada sem consultas os influentes de desarmamento nuclear. No «Meus caros compatriotas! Hoje avan- prévias com os seus aliados. A Europa foi entanto, se, ao mesmo tempo, Washington çamos uma iniciativa que promete alterar a simplesmente informada de que os EUA lhe continuar a intensificar a criação do escudo curso da História!». Foi deste modo que fornecerão um escudo antimíssil. A aprova- antimíssil universal, a situação tornar-se-á Ronald Reagan apresentou ao país, na Pri- ção formal do projecto pelos países mem- mais contraditória. Ao conversar sobre a re- mavera de 1983, a SDI (Stratigic Defense bros da NATO ocorreu apenas na cimeira dução dos arsenais nucleares, Moscovo, na Initiative – Iniciativa de Defesa Estratégi- de Bucareste, realizada em Abril de 2008, e verdade, acabará por facilitar a tarefa dos ca), mais conhecida como «a guerra das sob uma fortíssima pressão da administra- EUA de criar este escudo: a possibilidade estrelas». ção norte-americana. de intercepção de mísseis depende directa- Nos 25 anos desde então decorridos, a Entretanto, a Defesa Antimíssil continua mente do seu número. ideia de criar um escudo antimíssil univer- a ser um problema de carácter global. Os Numa palavra, a discussão do problema sal transformou-se do belo sonho num pro- EUA não se cansam de repetir que «um da Defesa Antimíssil deve decorrer num for- jecto geoestratégico, que não pára de en- radar na República Checa e 10 mísseis in- mato internacional. Há uma chance de en- venenar as relações entre Washington e terceptores na Polónia em nada afectam a contrar um interlocutor interessado em Wa- Moscovo. eficácia do poderio nuclear russo». Há mui- O sistema da Defesa Antimíssil pode ser shington logo depois de 20 de Janeiro de Depois da eleição de Barack Obama ta verdade nestas declarações. Mas, colo- um instrumento de estabilidade mundial ape- 2009. Os democratas sempre eram menos para a presidência, os representantes da car assim a questão não passa de uma ma- nas em caso de abranger todos os grandes entusiastas «da guerra das estrelas». Além futura administração norte-americana evi- nha com objectivo de destrair a atenção geral jogadores e formar um espaço comum de disso, a nova administração ver-se-á obri- tam opinar sobre a Defesa Antimíssil. No apenas para um aspecto do problema. segurança. Se um destes jogadores for ex- gada a poupar os recursos. A Casa Branca entanto, a resolução deste problema seria A terceira região posicional da Defesa cluído, por exemplo, a Rússia ou a China, e o Congresso terão que precisar as suas capaz de fornecer uma chave para a solu- Antimíssil não é o fim, mas só o início da surgirá uma fonte de atritos à escala estra- prioridades. ção de toda uma série das contradições es- criação dum sistema antimíssil global. Se- tégica. Os excluídos farão tudo ao seu al- A situação geral no mundo está a evoluir tratégicas existentes. guir-se-ão a quarta região, a quinta região, e cance para abortar esta iniciativa. contra a iniciativa da Defesa Antimíssil. A O tema da Defesa Antimíssil contém, ali- assim por diante. Sem isso, o projecto não A propósito, Ronald Reagan, ao assina- Europa permite-se duvidar das razões apre- ás, uma contradição conceptual: o proble- tem qualquer sentido. Insistir resolutamente lar o carácter defensivo da sua iniciativa, sentadas pelos militares norte-americanos. ma possui um carácter global e exige uma neste projecto, politicamente provocador, só admitia que esta «pode criar certos proble- O Presidente Nicolas Sarkozy muda com solução coordenada, mas desde o início os tem sentido na perspectiva de algo grandio- mas e mesmo uma interpretação dúbia. Se frequência a opinião, dependendo do audi- EUA preferem acções individuais. so, capaz de mudar o curso da História. Isto começar a desenvolver-se a par dos siste- tório. Mas quer ele, quer alguns outros polí- Em 2001, os EUA saíram unilateralmen- é, aquele mesmo escudo antimíssil univer- mas ofensivos, pode ser visto como um es- ticos europeus não são grandes adeptos da te do Tratado de Defesa Antimíssil, assi- sal que defenderá os EUA de todas as ame- tímulo à política agressiva». iniciativa . Na República Checa cresce, de- nado em 1972 e que restringia as acções aças: as iranianas, as chinesas, as russas, as Sem uma solução mutuamente aceitável pois do recente êxito da oposição nas elei- de Washington e Moscovo a duas regiões paquistanesas, etc. do problema da Defesa Antimíssil, dificil- ções, o número de adversários do radar. Na posicionais. O Presidente George W. Bush Ainda não se sabe se o projecto é real- mente haverá conversações construtivas Polónia, para muitos, a Defesa Antimíssil é fundamentou esta decisão, afirmando que mente viável. Mas, se assim for, a situação sobre o controlo de armamentos. A Rússia apenas um assunto secundário, decorrente «para garantir a sua defesa, os EUA pre- estratégica no mundo alterar-se-á radical- por mais de uma vez apelava à administra- do principlal – modernizar o exército com cisavam de liberdade e flexibilidade de ac- mente, pois desaparece o princípio base da ção de George W. Bush no sentido de vol- ajuda financeira dos EUA. ção». Mas a posterior actuação de Wa- estabilidade dos nossos dias – uma destrui- tar à agenda de redução dos arsenais nu- shington neste sentido apenas agravou o ção recíproca garantida. cleares, já que o Tratado sobre os Arma- * in revista A Rússia na Política Global
  7. 7. 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 7 Portugueses generosos para o “Banco Alimentar ” A campanha do Banco Alimentar Con- tou Isabel Jonet, Presidente do BA. treferiu Isabel Jonet. A campanha decorreu em estabele- tra a Fome (BA) realizada no último fim- A campanha realizada no sábado e no A distribuição dos alimentos decorrerá cimentos comerciais das zonas de Lis- de-semana em Portugal bateu recordes com domingo em 1.119 superfícies comerciais re- atráves dos 14 bancos alimentares, tendo boa, Porto, Coimbra, Évora, Beja, Avei- a recolha de 1.905 toneladas de alimentos. presentou um aumento de 19 por cento em estes uma acção local. ro, Abrantes, São Miguel, Setúbal, Cova A campanha decorreu em estabelecimen- relação à iniciativa de Dezembro de 2007. “Todos os bens são distribuídos onde são da Beira, Leiria, Fátima, Oeste, Algar- tos comerciais de norte a sul do país e os Segundo Isabel Jonet, tem havido maior recolhidos. Isto permite aproximar quem dá ve, Portalegre e Braga. alimentos recolhidos vão ser distribuídos a receptividade porque as pessoas receiam de quem recebe e sobretudo permite um Até ao próximo domingo, dia 7, continua- partir de terça-feira, através de 1.618 inti- que um dia também elas próprias possam grande controlo sobre os produtos que são rá a iniciativa “Ajuda Vale”, que permite que tuições, com destino a 245 mil pessoas ca- precisar de auxílio. distribuídos”, explicou a presidente do BA. cada pessoa contribua para o Banco Ali- renciadas. “Não se pretende que estes alimentos A campanha deste fim-de-semana con- mentar através de cupões disponíveis em “Isto significa que cerca de 2,5 por cento sejam um fim em si mesmo ou que queiram tou com a colaboração de cerca de vinte lojas, nos quais é identificado o produto doa- da população portuguesa de alguma forma criar dependências. Os alimentos são, con- mil voluntários, o que representa, segundo do e mencionado que se trata de uma en- é ajudada pelos produtos entregues pelos soante o caso e cada pessoa a quem é en- Isabel Jonet, a maior acção de voluntariado trega para os Bancos Alimentares Contra a bancos alimentares contra a fome”, consta- tregue, muitas vezes uma ajuda pontual” - em Portugal. Fome. ponto . por . ponto A “Caixa de Pandora” Por Sertório Pinho Martins as primeiras queixas de clientes à procura pânico se instalar, pode ser um rastilho, por- (fica bem a discrição distanciada, vestida dos seus fundos evaporados. Isto não está que a classe política que temos já mostrou da confiança que já foi) dizer a uma e a As notícias sobre a banca portuguesa que para cardíacos! A procissão ainda vai no que não sabe lidar com ‘serviços de urgên- outro que saiam pelo seu pé, para não em- vivia de milagres de alguns santos com pés adro, e que o diga a responsável pela Ope- cia’: esta crise veio dizer preto-no-branco baraçar quem lhes cobre a retaguarda, e a de barro, vieram para ficar. E ninguém pa- ração Furacão, quando vem a público desa- que os ministros da área económico-finan- coisa pode ficar feia: os professores não rece estar a salvo, com o que já se sabe, bafar que a PJ foi afastada do processo por ceira, depois de todas as gabarolices sobre desarmam na rua, e a esquerda em ascen- mais o que está por saber, e mais o que al- razões anormais. Pudera! o défice, a recessão, as previsões da OCDE são não vai deixar morrer solteira a derro- gum poder instalado vai querer que não se O novelo é tamanho, que agora são (para e os balões vazios que atulham (e entulham) cada do BPN. A passividade de S.Bento e saiba. Miguel Cadilhe, ao apresentar queixa já!) 18 importantes empresas públicas e o Orçamento de 2009, andam desde o início de Belém valerão o risco de uma perda da dos atropelos de gestão no BPN, abriu uma outras instituições do Estado (do Estado!), a reboque dos acontecimentos, sem estra- maioria absoluta e de espaço para um novo ‘caixa de pandora’ cuja dimensão está por que desde 2004 foram ‘ajudadas’ pelo BPN/ tégia, sem sentido de antecipação e – o que mandato presidencial? Só um cego é que avaliar e ele próprio não teve a percepção EFISA em operações que atingem 2,3 mil é mais grave! – sem a noção do tempo exac- não vê! de quantas porcelanas iria partir com os seus milhões de euros. Até engasga que se ande to para mudar as pedras do xadrez que lhes E a chicana vai continuar, porque o PS pés elefantinos: podia ter ‘apenas’ alertado por aí a falar com ligeireza em tantos milha- travam o caminho para o xeque-mate elei- encontrou farta matéria eleitoral no caso o Ministro das Finanças (sairia igualmente res de milhões, depois da guerra acesa que toral a uma oposição que cresce pela es- BPN. O poder judicial já compreendeu que bem na fotografia) e deixava o custo do ter- foi, tão só há alguns meses, o esbanjamento querda do Governo e que nada garante que o segredo é a alma do negócio (Cadilhe pre- ramoto para quem o desencadeasse. Mos- anunciado com o novo aeroporto de Alco- não cresça pelo centro (basta Manuela Fer- feriu o ‘concurso público’ e estendeu-se ao trou nervosismo, inépcia, e disse alto e bom chete e o TGV. Onde isso já vai, depois dos reira Leite dar o palco a um samurai frio e comprido); mas o partido do Governo, o PCP som que não tinha a mínima noção daquilo vinte mil milhões postos aos pés da banca limpo de pecado). E, tal como Cadilhe, há e o BE querem centrar a discussão na As- em que estava a mexer, que não tem faro falida? Ah, e com tanto aval a quem andou mais elefantes a pastar na coutada nacio- sembleia da República, onde mandam calar político, e que numa situação de emergên- a brincar aos offshores, ao desvio fraudu- nal: e Vítor Constâncio é apenas um deles, as minorias e onde a comadrice e as vin- cia nacional não saberá segurar um país – o lento de depósitos (e o que está por saber?!) porventura o mais responsável! ganças políticas vão falar mais alto. E en- que quer dizer também que a sua possibili- e à especulação de pés de barro com o di- Mas a coisa também não está de feição, quanto Maria de Lurdes Rodrigues e Ma- dade de ser candidato a primeiro-ministro, nheiro dos outros, o mesmo Estado ainda mas mesmo nada, para o lado do Governo nuel Dias Loureiro continuarem dentro do numa saída airosa de Manuela Ferreira Lei- teima em manter na agenda as obras de ou de figuras gradas da oposição. Dois exem- barco, Belém e S. Bento dançarão ao sabor te, já foi chão de uvas. E quem lhe voltará a Alcochete e do comboio de alta velocida- plos, entre muitos, que ainda vão fazer cor- das marchas na avenida e do zurzir sem dó confiar pântanos desta dimensão? Felizmen- de??? Bem se vê que o dinheiro continua a rer tinta grossa (a menos que se decidam nem piedade no cavaquismo de cujo ventre te que o homem se lembrou (gato escalda- não ser do Estado, mas do eu-tu-ele-nós- também pela porta dos fundos): Maria de poderiam sair nomes para um governo de do…) de impor ao BPN, antes de aceitar o vós-eles a quem não é dado gritar “alto aí, Lurdes Rodrigues e Manuel Dias Loureiro. amanhã e de certeza a base eleitoral de papel de messias, um PPR de dez milhões. que isso é um assalto!”, e assiste inerme a O que já fizeram e o que não se decidem a Cavaco Silva em 2011. O tempo não vai de Até dói! decisões tomadas por uma vintena de go- fazer para estancar danos colaterais, só tem feição para falhas de marinhagem, e as ‘cai- E aí está também o BPP com os dias de vernantes, mais centena e meia de deputa- um nome: sobrevivência à custa n’importe xas de pandora’ ameaçam multiplicar-se. ‘estado de graça’ contados, a saída discreta dos a ver o seu ganha-pão ir à vida em quais- quoi! Enquanto José Sócrates e Cavaco Quem não se aviar em terra, afunda-se-á de João Rendeiro pela porta dos fundos e quer eleições antecipadas. E daqui até o Silva não mandarem emissários impositivos no primeiro golpe de mar. VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780
  8. 8. 8 OPINIÃO 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 pela ressurreição, no seio da Trindade? - Arriscava-se não apenas a favorecer Factos como Guantánamo não podem , em boa parte a má vontade contra a sem critério famílias em situação desafo- manter-se, nem repetir-se. Os EUA fo- Igreja radicar na sua relação com o sexo. gada como até a dar azo à prática de per- ram indispensáveis em duas guerras mun- Como admitir, por exemplo, mesmo quan- niciosos jogos de computador durante o diais, para dominarem os demónios interi- do a saúde e a própria vida ficam amea- horário escolar, agora que tantos profes- ores dos europeus: continuam a ser indis- çadas, a proibição do preservativo? sores ameaçam com tantos e tão omino- pensáveis para redefinir a governança O que envenenou a relação da Igreja sos tresmalhamentos do serviço. (...) mundial, desta vez ajudando a dominar os com a sexualidade foi o choque entre o demónios interiores do globalismo. (...) poder e o prazer, porque o prazer pode Vasco Graça Moura abalar o poder. DN 26/Novembro/08 Adriano Moreira Concretamente, há a doutrina do pe- DN 25/Novembro/08 cado original, entendido não como o pri- OBAMA (I) meiro de todos os pecados - todos pe- OBAMA (II) cam -, mas como um pecado herdado de (...) É evidente que responder ao con- Adão e transmitido por geração, portan- junto de problemas em que se destacam A magia e o simbolismo da eleição do EDUCAÇÃO to, no acto sexual. o Iraque e o Afeganistão, mas que inclu- Presidente Obama varreram o mundo Depois, com a reforma gregoriana, em por exemplo o Paquistão em crise, como um cometa. O clarão da esperan- A educação é um dos mais interes- século XI, foram-se erguendo as três ou o Irão em crescimento de ambição ça, da vitória contra o racismo, da opor- santes laboratórios da democracia con- colunas sobre as quais assenta, segundo internacional, não é questão para resol- tunidade da paz foi tão intenso que, por temporânea, tanto das suas melhores Hans Küng, o paradigma católico-roma- ver em velocidade de cruzeiro. Não po- momentos, o mundo pareceu reconcilia- ambições como dos seus mais persisten- no: papismo (poder centrado no Papa), dem esperar-se milagres, por muito ca- do consigo mesmo. Foram momentos tes impasses. É por isso necessário e útil, celibatismo (celibato obrigatório por lei paz, eficiente e credível que seja o grupo breves, mas deram para imaginar a uto- para compreender a actual crise do sec- para os padres), marianismo (devoção a de talentos chamados a apoiar a Presi- pia de uma sociedade mais democrática, tor, ter presente alguns parâmetros que Nossa Senhora como compensação). dência. sem preconceitos raciais, centrada na definem o cerne dos seus problemas. Como se determinou que tudo o que se O discurso da mudança conseguiu busca da paz e da justiça social. Como Parâmetros que qualquer política da edu- refere ao sexo é por princípio matéria gra- convencer o eleitorado doméstico, e todas as luzes muito fortes, o clarão ce- cação tem de, reflectida e estrategica- ve e como, por outro lado, não há ninguém muitos governos inevitavelmente envol- gou-nos para a realidade que estava sen- mente, incorporar nas suas propostas e que não tenha pelo menos pensamentos re- nas suas decisões. lacionados com o sexo e só o sacerdote ou O primeiro é o das relações entre a o bispo podem perdoar os pecados, a con- família e a escola. A tradicional cumpli- fissão acabou por tornar-se não um espa- cidade entre a família e a escola esbo- ço de reconciliação e paz, mas tantas ve- roou-se nas últimas décadas, com a pri- zes de opressão, e raramente uma institui- meira a transferir para a segunda as suas ção acabou por deter tanto poder sobre as funções de socialização das crianças e consciências, criando infindos complexos dos jovens. E com esta transformação de culpabilização. Quando se lê os manu- aumentou também a contestação das ais dos confessores e todos aqueles inter- funções mais tradicionais da escola, so- rogatórios inquisitoriais, quase reduzidos ao bretudo em nome dos valores afectivos campo sexual, percebe-se que muitos te- de uma infância e de uma adolescência nham começado a abandonar a Igreja por fortemente idealizadas. Idealização que causa da confissão, considerada ofensiva cresceu em paralelo com a ignorância dos direitos humanos. (...) das efectivas condições de vida infantil e juvenil, marcadas pelo empobrecimen- Anselmo Borges to da sua experiência e do seu ambiente (padre e professor universitário) simbólico. Criou-se assim uma situação DN 29/Novembro/08 complexa, em que as expectativas das famílias e as finalidades da escola ten- “MAGALHÃES” dem a divergir profundamente. (...) Um último ponto, de que se fala me- (...) O esquema é simples. Pega-se nos do que dos anteriores mas que é igual- no Magalhães, entrega-se, filma-se para mente decisivo, é o da formação cultu- a televisão, recolhe-se e leva-se para ral, no sentido lato do termo, dos profes- outro lado. Faz-se uma negaça à oposi- sores. Aqui, é preciso olhar para o esta- ção, poupa-se na aquisição de novas uni- do do nosso ensino universitário, que em dades, reforça-se a capacidade de ex- geral não propicia como devia aos futu- portação para a Venezuela, e assegura- ros professores a solidez do conhecimen- se, numa implícita concessão às vozes to, a autonomia intelectual, o sentido pe- críticas, que os meninos e as meninas fi- dagógico e a abertura ao mundo. carão a aprender muito melhor sem o aparelho. Manuel Maria Carrilho O efeito multiplicador da propaganda DN 29/Novembro/08 é notoriamente acrescido. Na propagan- vidos pelos efeitos directos ou colaterais tada ao lado da imaginação em pose tão da do Governo é que não se pode falar das decisões americanas: à confiança na sedutora. No preciso momento em que IGREJA E SEXUALIDADE em estagnação e também já não é preci- autenticidade dos propósitos tem de cor- o mundo assistia comovido ao discurso so concentrar a informação no desem- responder a paciência de quem não pode de aceitação de Obama, na noite de 4 de No lançamento do livro A Sexualida- prego nos Açores. Chama-se a isto fa- ser dispensado da cooperação e da es- Novembro, uma festa de casamento, no de, a Igreja e a Bioética. 40 anos de zer mais com menos. E reconheçamos pera. O que significa que a restaura- Norte do Afeganistão, era destruída pe- Humanae Vitae, de Miguel Oliveira da que, independentemente de se tratar de ção do crédito moral da Administração los bombardeiros não tripulados dos Silva, procurei reflectir sobre o parado- uma questão de bateria ou de uma qual- americana parece a plataforma a par- EUA, deixando no solo de sangue e rou- xo de, sendo o cristianismo uma religião quer exigência burocrática, seria com- tir da qual a combinação da esperança pa de festa 40 cadáveres. Foi o sexto do corpo - não diz a Bíblia que Deus criou pletamente estúpido e sobretudo desca- e da paciência deverá assegurar a re- casamento destruído assim, desde a in- os seres humanos em corpo e viu que bido em termos de economia nacional e cuperação dos aliados, convencidos de vasão do Iraque. (...) era muito bom e não confessa a fé cristã de opinião pública que o primeiro-minis- que as invocadas ideias do fim da his- que Deus assumiu em Jesus a corporei- tro andasse por aí a entregar-se à dissi- tória não são o corolário de uma su- Boaventura Sousa Santos dade humana e que ela está presente, pação e à liberalidade. premacia militar. Visão
  9. 9. 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 OPINIÃO 9 A CRISE Sempre achei que a indignação é um pe- olhares, gestos, o som de um sorriso. (...) cia num ápice. Depois da prisão da ban- dregulho atravessado no caminho da inteli- queira dos pobres, chegou a hora do ban- A crise alastra-se e aprofunda-se em gência. Mas o facto é que ela foi arvorada António Lobo Antunes queiro dos ricos. toda a parte sem ninguém saber, ao certo, em direito e eu sou pró: se a criação de um Visão Embora não se saiba a extensão dos da- onde nos leva e quando será possível ven- direito não vier prejudicar outros mais im- nos causados pela gestão do BPN, a verda- cê-la. Em todo o caso varia e tem contor- portantes, sou sempre a favor. Mas uma CAVACO E A HISTÓRIA de é que os ricos não saíram à rua em ma- nos diferentes de país para país. Relati- coisa é tê-lo e outra usá-lo. O direito à indig- nifestações de pesar e de protesto. Cala- vamente ao Ocidente há grandes diferen- nação deve ser usado com grande e sábia (...) O dr. Cavaco é responsável por muito ram-se. E o Governo com pena dos ricos ças entre os Estados Unidos, epicentro da parcimónia, senão só atrapalha quem o exer- de mau e de mal que incutiu no País. Acaso nacionalizou o BPN e agora vamos nós pa- crise, e a União Europeia. Enquanto os ce. Eu gostaria até de reservá-lo para os por incompetência política e fundas lacunas gar as dezenas de milhares de euros das Estados Unidos se tornaram, após a vitó- seis meses sem democracia. (...) culturais. Podemos acusá-lo de uma série moedas do euro, das colecções de pintura, ria de Barack Obama e do Partido De- Nuno Brederode Santos de amolgadelas na democracia; porém, de das negociatas do banco insular. Mas o mocrático, “a terra onde tudo pode voltar DN 23/Novembro/08 desonestidade, creio que nunca. Governo tem razão, os nossos ricos metem a acontecer”, a Europa continua parali- Há uma coisa assustadora que se exige dó. A maioria deles foi forjada nos mean- sada e sem rumo à vista, não podendo BANCO PORTUGUÊS de nós: conhecermo-nos; por isso, fazemos dros mais escuros da política, cresceu à custa abstrair-se da ameaça de alguma dege- DE NÚPCIAS por esquecê-la. Conhecermo-nos, e manter de um subsídio e do financiamento público, neração. Situação perigosíssima. essa memória, pode ser mau ou bom, mas é sem nunca ter produzido um cêntimo para a A um mês do fim da presidência fran- É impressão minha ou o caso BPN fica sempre perigoso. Sei do que falo. A atonia riqueza do País. E agora que o banqueiro cesa, que não será exagerado dizer que mais enternecedor a cada dia que passa? teve muita parra e pouca uva, e em vés- Tem sido comovente desde o início, mas peras da passagem da presidência para estes últimos episódios foram mais emoci- a República Checa, cheia de preconcei- onantes que o fim de Casablanca. À se- tos e dúvidas quanto ao futuro da União, melhança do que costuma acontecer nas não parece provável que o Tratado de histórias tristes, esta também tem um in- Lisboa seja ratificado pelos 27 Estados válido, como o Tiny Tim, do Dickens. O membros, como se previa há meses. Aliás, caso BPN tem, aliás, vários inválidos, e cu- o Tratado perdeu importância e signifi- riosamente são todos ceguinhos: o Banco cado, devido ao desastre do neoliberalis- de Portugal não viu que havia falcatruas, mo e à perspectiva de se entrar num novo os administradores do banco não repara- ciclo político-económico. Tudo está a ram que o presidente praticava um tipo de mudar aceleradamente. Ora as soluções gestão que a lei, ao que parece, proíbe… para a grande crise passam, obviamen- E agora estamos no ponto em que entra te, por novos caminhos... (...) em cena a injustiça: Oliveira e Costa foi acusado de burla agravada, falsificação de Mário Soares documentos, fraude fiscal e branqueamento DN 25/Novembro/08 de capitais. Quem o acusa de enriqueci- mento ilícito só pode desconhecer o seu ELEIÇÕES desarmante altruísmo. Segundo o Correio da Manhã, em Março deste ano, Oliveira Vivemos o período mais longo sem e Costa divorciou-se da mulher com quem eleições nacionais da democracia. Pas- era casado havia 42 anos, e passou os bens saram mais de mil dias desde as presi- para o nome da senhora. Muito embora o denciais de 22 de Janeiro de 2006, aci- divórcio se tenha realizado por mútuo con- ma do máximo anterior de 916 dias en- sentimento, não deixa de ser admirável que tre as legislativas de 10 de Junho de 1991 um homem premeie a mulher de forma tão e autárquicas de 12 de Dezembro de generosa na hora da separação. Trata-se 1993. Em maioria absoluta, está na altu- do rigoroso oposto do «golpe do baú»: o ra de balanço desta inaudita estabilida- objectivo não é casar para ficar rico, é di- da sociedade portuguesa, o explícito conú- dos ricos foi preso, ficam quietos, escondi- de. O sr. primeiro-ministro declarou há vorciar-se para enriquecer o cônjuge. Que bio entre zonas seculares, antagónicas por dos, à espera da piedade do Estado. pouco não pensar nas consequências um homem tão desprendido dos bens ma- essência, resultou na irremediável fatalida- eleitorais da sua política (Rádio Renas- teriais seja acusado daqueles crimes é sim- de de os dirigentes não estarem à altura das Francisco Moita Flores cença, dia 14, às 13.12), sinal de que não plesmente revoltante. (...) nossas urgências e necessidades. Repug- Correio da Manhã 23/Novembro/08 pensa noutra coisa e a campanha já co- nam-me os dez anos “cavaquistas”, duran- meçou. (...) Ricardo Araújo Pereira te os quais tudo parecia moldado à seme- A ÉTICA DOS JUÍZES João César das Neves Visão lhança do maioral. O que ocorreu nas re- DN 24/Novembro/08 dacções dos jornais, das rádios e das televi- O ‘Compromisso Ético’ que a Asso- SOFRIMENTO sões, com a imposição de uma nova ordem ciação Sindical dos Juízes fez aprovar no DEMOCRACIA que principiava pela substituição das chefi- recente congresso é inepto e insano. Não (...) As pessoas que me lêem como- as e a remoção de jornalistas qualificados, tem qualquer validade jurídico-constitu- “Eu não acredito em reformas, quando vem-me: fiz um livro diferente para cada mas desafectos ou mesmo dissentes - é uma cional ou força para vincular os juízes se está em democracia”: eis a frase que uma delas, com palavras diferentes, do história sórdida, e esquecida por muitos. (...) associados e, por maioria de razão, mui- antecedeu e contextualizou o verdadeiro mesmo jeito que um alfaiate trabalha por to menos os não associados. A ASJP pro- detonador da escandaleira. E este foi: “Até medida, porque a vida de cada um é úni- Baptista-Bastos duziu um documento para o museu le- não sei se a certa altura não é bom haver ca, nunca existiu ninguém antes. As ex- DN 26/Novembro/08 gislativo dos seus arquivos. É um enun- seis meses sem democracia, mete-se tudo periências podem ser parecidas, a ma- ciado de princípios gerais, de vacuida- na ordem e depois então venha a democra- neira de vivê-las diversa: somos mundos A PRISÃO DE BANQUEIROS des e pretensioso nos seus propósitos. cia.” Manuela Ferreira Leite falou estes dez sem fim. Guardo olhos, sorrisos, vozes, Nem como instrumento de auto-regula- segundos e, durante três dias, a balbúrdia dedos que apertaram os meus, uma co- Diziam os jornais este fim-de-semana que ção pode valer, porque os juízes, consti- das indignações chutou para canto os re- munhão indizível. São eu e eu sou elas, fora preso o primeiro banqueiro em Portu- tucionalmente, não se podem auto-regu- mansos da razão. Indignaram-se à esquer- falando para elas, por elas. Tanto sofri- gal. Não é verdade. É o segundo. A primei- lar em matérias que têm que ver com a da com o apelo à suspensão da democra- mento também, algumas alegrias, um ra foi a banqueira do povo, a D. Branca, forma como exercem a profissão. (...) cia. Aproveitou o CDS para também se in- imenso, impartilhável silêncio que dese- que lançou na rua manifestações de milha- dignar um bocadinho. Indignaram-se o se- ja, com toda a força da alma, ser escuta- res de pessoas, atónicas, sem perceberem Rui Rangel cretário-geral e o líder parlamentar do PSD do. Durante os autógrafos oiço muito como um sistema financeiro tão rentável, (juiz-desembargador) com a indignação de todos os indignados. mais do que digo, escuto expressões, tão feito ao jeito dos pobrezinhos, desapare- Correio da Manhã 26/Novembro/08
  10. 10. 10 CRÓNICA arte em café 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 A OUTRA FACE DO ESPELHO Ortografias… José Henrique Dias* jhrdias@gmail.com Começa a fazer-se tarde. Quero eu dizer que anoitece tão cedo que não chego a prover bem os meus dias da luz que necessito. Já não bastava o que a natureza administra, na sucessão dos dias e das noites, ainda mexem nos relógi- os e tudo fica adulterado. Não posso nem consigo gover- nar-me neste interim do levantar-me e deitar-me, descom- passado daquilo que acho ser chamado de ritmo biológico. Será? Ontem, claro que há sempre um ontem em relação ao dia seguinte, este em que estou… será mesmo que há? Às vezes penso que há uma enorme confusão entre tempo e duração. O Pessoa, pela inteligência de Álvaro de Cam- pos, diz isto de uma maneira curiosa, creio ser assim, Hoje não faço anos. Duro. Não tenho o poema à mão, mas todo o Pessoa anda sempre por dentro da minha cabeça. E verdadeiramente, interessa-me agora confundi-lo na minha ideia de não-tempo em favor da ideia de duração. Quando uso a lupa para tentar ler, amplio quatro vezes a escrita mas confronto-me com a distorção das palavras. Em absoluto. As palavras ondeiam e simplificam-se em le- tras tortuosas que me levam a pensar outras palavras. Quando era pequeno, minha Mãe, às vezes, sentava-se perto de mim na soleira da porta e apontava-me as letras e dizia os nomes. Sempre achei as letras coisas esquisitas. Aqueles desenhos falavam. Sonorizavam a minha cabeça. Largo da Feira antes da destruição da Alta de Coimbra Quando aprendi a palavra Mãe tinha um i. Mãi. E pai tinha um e, Pae. E funcionava tudo na mesma. Havia as duas e Egídio, Políbio Gomes dos Santos, Mário Sacramento, pouso no Gerês. Pois sim, irei, terá dito. Depois o pátio da formas para os dois casos, só que minha Mãe nasceu no Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Álvaro Feijó, ou- casa de S. Miguel de Ceide quando se ouviu o estalido seco século dezanove, e era assim que vinha no velho Morais ou tros mais, aquela casa e aquela rua, Coimbra no sufoco da à espera dos gritos de Ana Plácido. no velho Faria. Experimentem percorrer estes velhos dicio- ditadura mas na respiração dos jovens transgressores. É Quando minha Mãe chamava Carlitos, o i prolongado nários. Uma delícia. Sabem ao tempo dos que antes de nós preciso voltar a eles. Perceber melhor algumas coisas. Sem para o nome durar, brincava por ali perto uma outra Ana. foram construindo o que somos com palavras exactas. Têm preconceitos. Tinha um bibe de riscado cinzento e dois lacinhos brancos o gosto dos velhos jornais das bibliotecas, das hemerotecas, O que me fascinava, ia dizer, na cena daquela rua, era nas trancitas negras. Dava ares de ciganita. Sempre que ensinava-me o meu professor do tempo em que se ensina- Guilherme Lira, aquele estudante que varreu a varapau o jogava a malha e ficava perto, olhava para ela à espera de vam coisas, gazetas em que podemos ver a intensidade das pérfido D. Alexandre de Aguilar e o Airão, criado e mata- um sorriso. Perdemo-nos. Perdemo-nos sempre das coisas grandes ideias que mudaram o mundo e hoje achamos pe- dor contratado para acabarem com o bom do Casimiro de belas que descobrimos, do que amamos, porque a idade quenas coisas, nem sequer pensamos nelas. Bettancourt, suposto plebeu, preferido pela doce Cristina gasta-nos, os dias tornam-se cada vez mais pequenos, a luz Senhor Carlos, são horas de se deitar. Sempre aí nessa de Nelas, parente do fidalgo rejeitado, fugitivos e casados escoa-se nos olhos, Carlitos, anda lanchar. lida com os seus papéis. Ai, ai, o médico já disse que o quer na auspiciosa resolução de amores em O Bem e o Mal Agora já não posso, Mãe, mudou a ortografia nos meus sossegado, não pode… onde embrenhei as verduras de meus anos. olhos, com um e ou com um i, tanto faz, se não posso ler Estou farto de ouvir isto. Senhor Carlos já é tarde, se- Ficam-nos sempre memórias dos lugares e das leituras, para que quero eu lanchar? nhor Carlos toca a levantar, senhor Carlos temos de fazer o mas o Camilo deve ter sido para aqui chamado por causa A cadeira de balanço. Estamos a dançar. Olhos nos olhos. penso, senhor Carlos vamos para a mesa, senhor Carlos daquele dia em que o sábio Gama Pinto lhe disse que não Foi há tanto tempo. O rosto moreno e o lume no olhar. Sem tem de ter cuidado quando come, senhor Carlos sujou a havia nada a fazer. Houve ainda aquela visita de Edmundo muros. Sem estarmos emparedados. Como eu agora. Nes- roupa toda, senhor Carlos não faça, não queira, não pode, Machado, oftalmologista de Aveiro, que lhe aconselhou re- te desconforto de julgarem que me dão tudo. Tão indizivel- não vai… mente só. Tanta gente. Tanta gente a querer cuidar de mim. Eu acho que não me chamo Carlos, porque lhes deu por Nunca saberão nada. Como se um adeus. me chamarem assim? Eu sempre fui Carlitos. Minha Mãe, Porque andam aqui estas bruxas à minha volta, senhor com e ou com i, mas infinitamente minha Mãe, sempre Carlos isto, senhor Carlos aquilo, se começa a fazer-se tar- chamava quando eu andava a brincar no Largo da Feira: de, ia eu a dizer, quando comecei a falar mas sempre me Carliiiitos! Anda lanchar. perco? Sempre no espaço labiríntico da duração. Contrariado largava a malha, media os palmos, fazia uma “Sabe-se a tortura contínua em que vivia por causa dos marca, estou à frente, dá cá, não dou, quem dá e torna a seus padecimentos. Hoje, pelas seis horas da tarde, num tirar ao inferno vai parar, aprazava com os companheiros a momento de desespero…”. Telegrama publicado pelo Sé- continuação para daí a um bocado, corria para o tempo de culo, em 1 de Junho de 1890. uma caneca de café com leite e uma rodela de pão com Carliiiitos! manteiga, agora tens de fazer os deveres, ó Mãe só mais Já estou a ir, Mãe. Queria brincar só mais um um bocadinho, é só acabar o jogo, também é só uma cópia, bocadinho… faço num instante… * Professor universitário Quando pensei que começava a fazer-se tarde, quando estava a pensar no tempo, lembrei-me muito do Camilo. Não costume preocupar-me com as “gralhas” que pos- sam debicar os meus textos. Conto com a inteligência dos Desse mesmo. Do Camilo Castelo Branco. Sempre tive leitores. Mas algumas são especialmente divertidas. Na mi- um grande fascínio por uma cena ali para a rua da minha nha última crónica, o couro cabeludo virou coro cabelu- escola primária, a Rua do Loureiro, quase lá para o pé da- do. O que pode dar para que pensemos naqueles rapazes de quele arco e da casa onde viveu a família Cochofel. O João Liverpool, que viraram a música e os hábitos capilares mas- José Cochofel. Aquela gente do Novo Cancioneiro pas- culinos. Que de resto apareceram, mais coisa menos coisa, sava toda por lá. O Namora, os irmãos Namorado, Joaquim pelo tempo diegético daquela minha estória.
  11. 11. 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 11 ATÉ AO PRÓXIMO SÁBADO Junta de Freguesia dos Olivais mostra-se no “Dolce Vita Coimbra” Desde ontem (terça-feira) e até ao próximo sá- guesia) e a projecção de um filme sobre a Fregue- bado (dia 6), a Junta de Freguesia dos Olivais e o sia e a Vida de Santo António. “Dolce Vita Coimbra” associam-se para divulgar O programa para hoje é o seguinte: junto do público uma mostra das múltiplas activi- 16h00 - Aula de Yoga (seniores da Freguesia) dades desenvolvidas, em diversas áreas, pela refe- 17h - Aula de Chi Kung (seniores da Freguesia) rida Junta de Freguesia. 18h - Aula de Dança de Salão O programa completo será divulgado hoje, em 19h - Ilusionismo- Mágico Telmo conferência de imprensa em que participam o Pre- 20h30 - Actuação do Coro de Professores de Coimbra sidente da Junta de Freguesia dos Olivais, Francis- Amanhã (quinta-feira, 4 de Dezembro) co Andrade, e a Directora do “Dolce Vita Coim- 19h30- Actuação do Coro Coral da Casa de Pes- bra”, Solange Rocha. soal dos Hospitais da Universidade de Coimbra De qualquer forma, o “Centro” pode já adiantar Sexta-feira, 5 de Dezembro alguns aspectos do referido programa (que vão des- 20h30- Actuação do Coro “Carlos Seixas” da Câ- de as aulas para seniores até aos coros e espectá- mara Municipal de Coimbra culos de ilusionismo), e que permitem mostrar aos Sábado, 6 de Dezembro milhares de visitantes do centro comercial “Dolce 15h- Exibição das pequenas ginastas do Centro Vita”, o dinamismo e o espírito de serviço da Junta Norton de Matos de Freguesia dos Olivais (a maior de Coimbra e 18h- Danças de Salão da Casa do Pessoal dos uma das maiores do País). Hospitais da Universidade de Coimbra. Assim, ontem já houve aula de Chi Kung e de Enfim, mais uma meritória iniciativa da Junta de Fre- Francisco Andrade Tai Chi (com muitos praticantes seniores da Fre- guesia dos Olivais, que decerto surpreenderá. A indignação dos militares Monteiro Valente - RELAÇÃO POLÍTICO-MILITAR EM CRISE? (Major-General na reforma) conhecer estar informado por aqueles so- blicamente transformadas em grandes re- modo interiorizada que chega a ser vivida bre os problemas socioprofissionais dos formas. “Todos os políticos, eleitos ou no- como realidade, e cultivando um isolamento Há alguns dias atrás, os cidadãos me- militares, acrescentando estarem os mes- meados, têm legitimidade própria, mas a da sociedade institucionalmente e politica- nos atentos às questões militares foram sur- mos em vias de resolução. Curiosamente, o um elevado número falta cultura de Esta- mente alimentado, os militares dos quadros preendidos e sobressaltados com um arti- actual ministro da Defesa Nacional é a do e do sistema internacional ou tem inten- permanentes começaram, entretanto, a to- go publicado em o “Público” pelo general mesma pessoa que em 2004 afirmou que a ções escondidas, evitando assumir respon- mar consciência da degradação do estatuto Loureiro dos Santos, alertando para os “si- relação civil-militar “foi um dos problemas sabilidades claras e, quando o fazem, em da condição militar e das consequências nais preocupantes com origem nos milita- mais bem resolvidos do actual regime”! muitos casos, não as cumprem. Este com- para o seu futuro da transformação ope- res”, de “profunda indignação”, “desde os As reacções dos vários governos peran- portamento é inaceitável para os militares. rada com a profissionalização das For- mais baixos aos mais elevados graus da te os problemas das Forças Armadas têm Se há algo que o bom militar não aceita é a ças Armadas – um novo modelo que ten- hierarquia”, que, “poderá conduzir a actos derá a dispensar bastantes graduados so- de desespero, capazes de gerar consequên- As reacções dos vários governos perante os problemas bretudo nos escalões superiores, frus- cias de gravidade”, e prevenindo os mais das Forças Armadas têm sido sistematicamente as mesmas, trando naturais expectativas de progres- altos responsáveis políticos a lerem “com arrastando indefinidamente as situações, procurando iludir são nas carreiras de muitos deles e exa- atenção os sinais que saem da instituição a realidade com empolgantes discursos de circunstância cerbando tensões internas. militar” e a não insistirem em “pensar que e sucessivos anúncios de profundas reorganizações, “Os militares passaram a desconfiar «acontecimentos (funestos) do passado continuamente adiadas, refugiando-se, habitualmente, dos políticos e a ficar de pé atrás face não voltam a acontecer»”. nos argumentos da autoridade do Estado e da condição militar aos chefes”, escrevia o general Loureiro A reacção do Governo não tardou, re- quando as tensões internas extravasam as paredes dos quartéis dos Santos no “Público”, em 3 Maio de correndo às habituais técnicas da deslegi- 2004, posição então corroborada por timação, da transferência de responsabili- sido sistematicamente as mesmas, arrastan- mentira sistemática” – escreveria alguns António José Telo, historiador e profes- dades e do silêncio, negando ao autor qua- do indefinidamente as situações, procuran- dias depois no Expresso o general Garcia sor civil da Academia Militar, dando con- lidade para representar as Forças Arma- do iludir a realidade com empolgantes dis- Leandro. ta de “um acumular de críticas e mal- das, alegando desconhecer o mal-estar cursos de circunstância e sucessivos anún- Mas, ao longo dos anos, os chefes milita- entendidos entre militares e o poder po- entre os militares e lembrando a estes as cios de profundas reorganizações, continu- res, na sua maioria, também pouco contri- lítico, numa tendência para aumentar”. regras da hierarquia e da disciplina a que amente adiadas, refugiando-se, habitualmen- buíram para reverter a situação, com o imo- Ora, sendo as críticas dos militares em estão obrigados. Porém, confrontado com te, nos argumentos da autoridade do Estado bilismo corporativo em que, por regra, se relação ao poder político uma constante a realidade e amplitude do descontentamen- e da condição militar quando as tensões in- fecharam, o irrealismo de vários projectos na nossa história contemporânea, facil- to de que o artigo fazia eco – do qual as ternas extravasam as paredes dos quartéis. de reorganização e reequipamento, a inde- mente absorvidas numa situação de es- sucessivas manifestações promovidas pe- Nesta matéria, as posições políticas têm al- finição ou incoerência de objectivos de pla- tabilidade, com alguma frequência aca- las associações profissionais também não ternado entre o discurso laudatório, mais ca- neamento e da acção de comando, as ilusó- baram por desembocar em rupturas de deixavam já quaisquer dúvidas –, com as racterístico dos governos de direita, e a ati- rias expectativas que alimentaram junto dos regime quando à agitação nos quartéis consequências negativas do enfraqueci- tude displicente que tem marcado sobretu- subordinados e a relação difícil que manti- se associou uma crise nacional grave. E mento da autoridade dos chefes dos esta- do a postura dos socialistas, num e noutro veram com o poder político, tendo sido ra- nem sempre as rupturas foram no mes- dos-maiores e com o reconhecido prestí- caso à mistura com muito desconhecimen- ros os que não terminaram o mandato em mo sentido que em 25 de Abril de 1974! gio do general Loureiro dos Santos, o mi- to e muita falta de visão estratégica, limitan- situação de conflito com o mesmo. Absor- Continuará, no futuro, a União Europeia nistro da Defesa Nacional acabaria por re- do-se, por regra, a mudanças mínimas, pu- vidos numa aparência profissional de tal a ser o «guarda-chuva da democracia»?

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