SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 56
Baixar para ler offline
os Maias 
de Eça de Queiróz
Índice 
Introdução; 
Geração de 70 e a Questão Coimbrã; 
Realismo e Naturalismo; 
Vida e Obra de Eça de Queiróz; 
“Os Maias”: título e subtítulo; 
Ação: intriga principal e secundária; 
Personagens mais importantes: caracterização; 
O Espaço - físico, social e psicológico; 
Tempo: arquitetura do romance; 
O Narrador; 
A Educação; 
Simbolismo; 
Estilo e Linguagem; 
A minha visão; 
Bibliografia;
Introdução 
“Os Maias” é, sem dúvida, uma das obras mais importantes da literatura portuguesa. Considerada por muitos a melhor obra de Eça de Queiróz, esta obra publicada pela primeira vez em 1888 centra-se na história da família Maia ao longo de três gerações dando destaque especial à última, a de Carlos da Maia. O amor incestuoso de Carlos e Maria Eduarda corresponde, assim, ao tema principal d’“Os Maias”. À medida que a história se desenrola nesta vertente, desenvolve-se uma segunda linha de ação correspondente à crítica da sociedade oitocentista Lisboeta. Quer a nível político ou cultural, a burguesia é espicaçada das mais variadas formas na tentativa de despoletar a reflexão e mudança de hábitos. Este trabalho visa a análise e desenvolvimento de alguns aspetos da obra inseridos no programa da disciplina de Português de 11º ano, sem esquecer a caracterização do autor mencionando alguns aspectos e acontecimentos históricos da época em que viveu. 
´
A Geração de 70 e a Questão Coimbrã 
Em 1865, António de Castilho, mentor de um grupo de ultrarromânticos teceu comentários depreciativos em relação à poesia de Teófilo Braga e Antero Quental. Tanto Eça como Antero, realistas, respondem a Castilho de forma destruidora, desencadeando polémicas no meio literário. Muitos escritores envolveram-se na questão (a Questão Coimbrã) criando-se dois grupos: os que concordavam com Castillho e os que concordavam com os autores conimbrences. 
A Geração de 70 ou Geração de Coimbra corresponde à geração oposta ao ultrarromantismo de Castilho ligada ao período de Regeneração que revolucionou a cultura portuguesa (literatura e política) com a introdução do realismo. 
António de Castilho 
Antero de Quental
Este grupo de jovens intelectuais da Universidade de Coimbra defendia a intrusão da literatura na vida social que era marcada pela ignorância e corrupção. Este grupo é composto por onze portugueses que tiveram destaque na vida social e política do século XIX como por exemplo Antero de Quental, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro e Eça de Queirós. Estes reuniam-se com regularidade entre 1888 e 1894 para convivência intelectual, troca de ideias, livros e formas de renovar a política e cultura portuguesas. Atentos às ideias e tendências europeias, defendiam uma poesia atual e objetiva baseados nos contributos científicos e filosóficos. 
Mais tarde, já em Lisboa, o grupo reúne-se no Casino Lisbonense onde se realizam as Conferências do Casino. Nestas reuniões, Eça critica o romantismo decadente e apoia o realismo de Émile Zola (por exemplo) e Antero de Quental expõe os seus ideais socialistas. Por outro lado, esta geração critica a monarquia decadente preparando a revolução republicana de 1910.
Desta forma, tanto a Questão Coimbrã como as Conferências do Casino inserem-se num processo que tem como objetivo a dissolução do ultrarromantismo sentimental e subjetivo. 
Através da eliminação da ala esquerda liberal e da criação de um governo constituído por poucos elementos, esta geração consegui a estabilização (apenas aparente) da vida política e social. 
Apesar de tudo, a Geração de 70, no final, desiste de uma intervenção histórica concreta e imediata, transformando-se no Grupo dos Vencidos da Vida. 
Em 1891, Antero suicida-se marcando esta Geração de forma trágica. 
N’ “Os Maias”, Carlos e Ega são da mesma geração que a geração de 70 e tal como esta não realizam nenhum dos projetos que propõe realizar, sendo igualmente uns vencidos da vida. 
Os Vencidos da Vida
Realismo e Naturalismo 
O Realismo e o Naturalismo foram as duas escolas literárias dominantes desde o fim do século XIX até ao iníncio do século XX. Frequentemente estas duas concenções são confundidas devido à sua relativa proximidade. No entanto, há diferenças que as permitem distinguir. 
Surgindo como reação contra o romantismo, o Realismo é a doutrina filosófica e corrente estética e literária que procura retratar a realidade com exatidão. Esta escola mostra preocupação com a estética e com factos concretos. Intimamente ligada a momentos cronológicos tais como descobertas científicas e revelações tecnológicas, o realista não apresenta tanta profundidade analítica como um naturalista e, por isso, não tem preocupação pela patologia pessoal. Este movimento artístico preocupa- se então com a objetividade da realidade (ao invés do subjetivismo emocional naturalista) que é analisada sem a interferência de reflexões intelectuais.
Um romance realista procura pintar o retrato de uma época, descrevendo espaços sociais minuciosa e pormenorizadamente. Isto é observável n’”Os Maias” em que o comportamento das personagens (principalmente as personagens tipo) é descrito para criticar a sociedade que é corrupta, supérflua, ignorante e retrógrada. 
Cronologicamente posterior ao Realismo, o Naturalismo é a conceção filosófica caracterizada pelo determinismo e pela ideologia que o destino das personagens é de certa forma decidido pela Natureza. Segundo Eça, o naturalismo consiste em descrever a realidade tal como ela é, ignorando conceitos transcendentes às ciências naturais por nós produzidos. A obra naturalista tenta justificar os níveis emocionais da personagem com o seu passado, educação, hereditariedade e posição socioeconómica. 
Um romance naturalista é, por excelência experimental (tal como uma ciência) e orienta a sua tese com análise social coletiva onde o humano é guiado por forças instintivas naturais. Um naturalista identifica a verdadeira tese com intenção científica como uma obra de arte e analisa o que há de errado numa sociedade com rigor técnico. 
Concluindo, os realistas e naturalistas têm preconceitos científicos semelhantes, sendo a forma como interpretam os dados analisados para fazer uma obra de arte, indubitavelmente distintas.
Vida e Obra de Eça de Queiróz 
1845 – José Maria Eça de Queirós nasce na Póvoa do Varzim a 25 de Novembro, fruto de uma relação ilegítima entre D. Carolina Augusta Pereira de Eça e José Maria d`Almeida de Teixeira de Queiróz. D. Carolina Augusta fugiu de casa para que a sua criança nascesse afastada do escândalo da ilegitimidade. O pequeno Eça foi levado para casa de sua madrinha, em Vila do Conde, onde permaneceu até aos quatro anos. 
1849 – Os seus pais casam-se, tornando o casamento legítimo o que fez com que Eça fosse levado para Aveiro, para a casa dos seus avós onde ficou a viver dez anos. 
1859 – Junta-se aos seus pais no Porto onde faz os seus estudos secundários. 
1861 – Já na Universidade de Coimbra, onde estuda Direito, junta-se ao famoso grupo académico da Escola de Coimbra e, juntamente com Antero Quental, torna-se um dos elementos mais proeminentes da Questão Coimbrã e da Geração de 70. 
1865 – O grupo revolta-se contra o grupo de escritores de Lisboa o que viria a ser considerada como a semente do realismo em Portugal. 
Póvoa do Varzim, 1845 
Pais de Eça 
Grupo Académico dos Vencidos da Vida
1866 – Acaba o curso e fixa-se em Lisboa, em casa dos pais, no Rossio, 26, 4º andar, onde trabalha como jornalista e advogado no Supremo Tribunal da Justiça 
1869 - Assiste à inauguração do Canal do Suez o que o faz viajar pela Palestina que serviu de fonte de informação para escrever “O Egito” e “A Relíquia”. 
1870 – Participou ativamente nas “Conferências do Casino” onde apresentou o Realismo como nova expressão de Arte e iniciou, em conjunto com Ramalho Ortigão, escreveu o romance policial “O Mistério da Estrada de Sintra” 
1871 – Ainda com Ramalho Ortigão, publica “As Farpas”, sátiras à vida social publicadas em folhetins. Entra para o Serviço Diplomático e foi Administrador do Concelho em Leiria. 
1872 - É nomeado Cônsul em Cuba. 
1873 – Viaja pelo Canadá, Estados Unidos e América Central. 
1875 – É transferido para Inglaterra, onde começou a escrever “Os Maias”, “O Mandarim” e “A Relíquia”. Neste ano “O Crime do Padre Amaro” é publicado, marcando o início do Realismo em Portugal. 
Rossio, nº26, em 2014 
Canal do Suez, na altura da sua inauguração 
Eça em Montreal, Canadá. 
Eça em Newcastle, Inglaterra.
1878 – Abandona Inglaterra e publica “O Primo Basílio”. 
1886 – Casa com D. Maria Emília de Castro, apesar da diferença de idades de 11 anos que os separava. Acabam por ter dois filhos. 
1888 – É nomeado cônsul de Portugal em Paris. Neste ano também publica “Os Maias” e “A Ilustre Casa de Ramires”. Dirige a "Revista de Portugal”. 
1900 – Morre em Paris, a 16 de Agosto. Em Setembro, o corpo é transferido para Portugal. 
Emília de Castro 
Eça e o filho 
Eça e a filha. 
Eça em Paris. 
Casa de Neuilly, Paris em 1897 
Cortejo fúnebre ao autor em Lisboa.
“Os Maias”: título e subtítulo 
A obra “Os Maias” recebe este título porque acompanha três gerações da família Maia correspondentes a momentos histórico-políticos e culturais diferentes: 
1º Geração, a de Afonso da Maia, marcada pela reação contra o absolutismo e a defesa dos valores antigos. 
2º Geração, a de Pedro da Maia, marcada pela instauração do Liberalismo e pelo ultrarromantismo. 
3º Geração, a de Carlos da Maia, marcada pela queda dos ideais liberais. 
1º Geração 
2º Geração 
3º Geração
O título refere-se às intriga principal e secundária e acompanha a história de vida e peripécias dos três elementos masculinos da família Maia antes referidos. 
O subtítulo “Episódios da Vida Romântica” indica a intenção de descrever o estilo de vida romântico através de episódios que se relacionam de alguma maneira com as personagens principais. O subtítulo é justificado pois o narrador oferece-nos vários casos, cenas ou atitudes, consideradas típicas dos Romantismos de 1875/1876 e de Portugal caracterizado pelo desânimo da geração de setenta.
Ação: intriga principal e secundária 
A ação n’”Os Maias” desenvolve-se em dois níveis distintos: o da intriga (correspondente ao título), história vivida pelas personagens e o da crónica de costumes (que justifica a existência do subtítulo), a crítica da vida social. 
A intriga, identificada como uma ação fechada (pressupõe desenlace), pode ser divida em intriga principal e intriga secundária. 
A intriga principal é organizada em torno do amor incestuoso do protagonista Carlos e Maria Eduarda que acaba com a separação da família e morte de Afonso, o desfecho trágico. Resume-se da seguinte forma: 
1. Carlos vê Maria Eduarda 
2. Carlos visita Rosa 
3. Carlos conhece Maria Eduarda 
4. Carlos e Maria Eduarda envolvem-se e consuma-se o incesto (embora inconsciente) 
5. Guimarães conta revelações a Ega 
6. Ega conta as revelações a Carlos que por sua vez conta a Afonso 
7. Consuma-se o incesto conscientemente
8. Carlos encontra-se com Afonso 
9. Afonso morre 
10. Carlos conta revelações a Maria Eduarda 
11. Maria Eduarda parte 
Na intriga secundária, predecessora da principal, é narrada a história de Afonso da Maia, a história de Pedro da Maia e Maria Monforte e a infância e juventude de Carlos. Esta pode ser resumida da seguinte forma: 
1. Pedro vê Maria Monforte 
2. Pedro namora Maria Monforte 
3. Pedro casa com Maria Monforte 
4. Maria Monforte abandona Pedro e leva a filha 
5. Pedro suicida-se 
Como sugerido pelo subtítulo, em alternância com esta história desenrola-se um conjunto de episódios chamado “Crónica de Costumes”. A crónica de costumes são episódios de representação social em que nos é dada uma visão dos costumes quotidianos da sociedade lisboeta no final do século XIX. É numa Lisboa monótona, amolecida e de clima rico, que Eça vai fazer a crítica social, em que domina a ironia, corporizada em representantes de ideias, mentalidades, costumes, políticas, conceções do mundo, etc.
Estes episódios servem de pano de fundo para a intriga principal por isso a relação com esta é evidente e são muitos os momentos que o comprovam: 
Os Maias 
Episódios da Vida Romântica 
O Jantar do Hotel Central 
Carlos vê Maria Eduarda pela 1º vez 
As Corridas no Hipódromo 
Carlos procura Maria Eduarda 
O Jantar dos Gouvarinhos 
Carlos declara- se a Maria Eduarda 
Episódios da "Corneta do Diabo" e "A Tarde" 
Ega é cúmplice da relação amorosa 
Sarau Literário da Trindade 
Revelação do relacionamento incestuoso
Concluindo: a intriga principal articula-se com a intriga secundária para construir uma linha de narração. Enquanto que isto acontece, os vários episódios da vida romântica vão ocorrendo, por vezes entrando em contacto com a intriga. A continuidade da intriga é inviabilizada pelo desenlace e o romance acaba.
As Personagens Mais Importantes 
e sua Caracterização 
N’ “Os Maias” são mencionadas mais de uma centena de personagens que podem ser organizadas de acordo com o seu relevo e participação na narrativa. Assim deparamo-nos com personagens que contribuem para a intriga principal e secundária (a história em si) e com personagens que fazem parte da crónica dos costumes (dos episódios da vida romântica). 
As personagens de maior importância da intriga são: 
 Afonso da Maia - Personagem secundária e modelada 
Filho de Caetano da Maia e avô de Carlos, Afonso fisicamente era “maciço”, baixo com cabelo branco curto, cara larga, ombros fortes e barba comprida. Símbolo do liberalismo, abandona Portugal para ir para Inglaterra regressando apenas para casar com Maria Runa. Afonso é a única personagem a quem não são apontados quaisquer defeitos pois este representa o português ideal: sério mas simpático, firme, austero embora generoso e sensível, determinado, culto, com bom gosto e de bons valores (família, justiça e sociedade). Com uma paciência interminável é quem vai educar Carlos após Pedro se suicidar. Passa os seus dias com os seus amigos no Ramalhete mas mantém sempre a sua ligação com Santa Olávia onde fica em contacto com a natureza. Na sequência do incesto dos seus netos morre de apoplexia (e de desgosto), no jardim do Ramalhete.
 Maria Eduarda Runa – Personagem secundária 
Filha do conde de Runa, Maria Runa, é a linda e mimosa mulher de Afonso e avó de Carlos. Quando Afonso é forçado a exilar-se, Maria Eduarda Runa acompanha-o mas não reage bem a Inglaterra, mostrando- se sempre infeliz e nostálgica. Por causa da sua devoção extrema, faz com que Pedro seja educado de forma tradicional, contrariando a heresia daquela terra. A sua tristeza e melancolia acabam por levar a melhor desta lisboeta ferrenha que morre na agonia. 
 Pedro da Maia - Personagem secundária e modelada 
Pedro da Maia, filho de Afonso e pai de Carlos, é caracterizado como sendo pequeno, com face oval e belos olhos. Considerado o protótipo do herói romântico, Pedro, vítima da educação que recebe, torna-se fraco, nervoso e emocionalmente instável. Aquando da fuga de Maria Monforte, por quem tem uma repentina e arrebatadora paixão, mostra-se um cobarde ao suicidar-se por não conseguir lidar com o problema e aceitar a realidade. 
 Maria Monforte – Personagem secundária 
Mãe de Carlos e de Maria Eduarda, Maria Monforte é uma mulher extremamente bela, loira, exuberante, com lindos olhos azuis e figura clássica e estatual. Descontente com o seu casamento com Pedro da Maia, foge com Tancredo levando consigo a filha e abandona Carlos e Pedro, que se suicida. Mesmo depois de Tancredo morrer, Maria Monforte não tenta pedir por perdão e continua a aventurar-se em futilidades, morrendo pouco tempo depois. É descrita como uma mulher leviana, imoral, fria, cruel e caprichosa e uma das personagens mais importantes ao ser a responsável por desencadear a intriga principal e, consequentemente, por todas as desgraças da família Maia.
 Carlos da Maia – Personagem principal modelada 
Carlos da Maia, o protagonista d’”Os Maias”, fisicamente era alto, bem constituído, bonito com ombros largos, pele branca, cabelos e olhos negros (dos Maias) e um bonito bigode à semelhança de um cavaleiro. Filho de Maria Monforte e Pedro da Maia, Carlos, quando o pai se suicida, vai viver em Santa Olávia com o avô que lhe proporciona uma educação britânica. Seguidamente vai para Coimbra onde estuda Medicina e conhece quem viria a ser o seu inseparável amigo, João da Ega. Depois de fazer uma viagem pela Europa, Carlos regressa a Lisboa e instala-se no Ramalhete com o avô. Em Lisboa causa uma boa impressão entre o meio aristocrata por ser culto, com bom gosto e elegante e por parecer tão promissor apesar de cair rapidamente no diletantismo, ao ter os mais variadíssimos projetos que nunca chega a concretizar. A certo ponto tem um caso com a condessa Gouvarinho mas Carlos só depois é que chega a conhecer o seu verdadeiro amor, Maria Eduarda, com quem teria uma relação aparentemente adúltera. Depois de descobrir que Maria Eduarda era sua irmã, refugia-se em Paris assumindo que falhara na vida. Representa, assim, a falta de capacidade de regeneração do país. 
 Maria Eduarda - Personagem principal modelada 
Maria Eduarda, irmã de Carlos, viúva de Mac Gren e mãe de Rosa, era uma mulher de uma beleza divinal, loira, delicada, bem feita e sensual. O seu encanto é intensificado pelo facto de o seu passado ser misterioso durante grande parte da obra com o objetivo de preparar o final dramático.
Esta personagem mantêm-se sempre à margem das outras personagens e nunca é criticada sendo a sua caracterização feita com o contraste entre si e as outras personagens femininas. Sempre sensata, equilibrada e digna, Maria Eduarda, por ter sido educada num convento, apresenta tanto uma vertente moral e cultural como uma vertente de grande vulgaridade. Simboliza, à semelhança do resto das mulheres da família, a fatalidade e a desgraça. 
 João da Ega - Personagem principal modelada 
Considerado o alter-ego de Eça de Queiróz, Ega, fisicamente, era esguio, com membros longos, nariz curvo e usava sempre monóculo. Filho de uma rica fidalga, Ega licenciou-se em Direito em Coimbra juntamente com Carlos de quem ficou melhor amigo. Destaca-se por ser sentimentalista, sarcástico, naturalista, provocador, excêntrico e um ateu de primeira. Em resumo: o diabo em pessoa. Gosta de ser o centro das atenções, de ser lisonjeado e só para provocar o escândalo é capaz de discordar de com quem fala sobre os assuntos mais elementares. Sempre envolto em planos (peças, livros, revistas) que nunca a chega a executar, Ega apaixona-se por Raquel Cohen mas o caso não acaba bem. Ega é, indubitavelmente, o fiel confidente de Carlos ao longo de toda a obra e nos últimos capítulos ocupa um papel de grande relevo na intriga principal. É ele que fica a saber dos documentos que identificavam Maria Eduarda como irmã de Carlos e é ele a quem tais documentos são entregues; é ele que conta a Vilaça a revelação trágica e é na sua companhia que Carlos a conta a Afonso.
 Guimarães - Figurante, personagem plana 
Com grandes barbas e chapéu de abas, Guimarães, tio do Dâmaso, era um antigo trabalhador do jornal “Rappel” que veio de Paris. Guimarães acaba por ser a personificação do destino ao trazer um cofre a ele confiado por Maria Monforte, que continha declarações da verdadeira identidade da filha. Vai assim desencadear a catástrofe e trazer a verdade destruidora da felicidade de Carlos e Maria Eduarda. 
Usadas como meio para criticar a sociedade, as personagens mais importantes da crónica dos costumes são: 
 Dâmaso Salcede - Figurante, personagem plana tipo 
Gordo e baixo, Dâmaso era o sobrinho de Guimarães e filho de um agiota. Dâmaso era pretensioso, convencido, excêntrico e um cobarde sem dignidade. Antes um grande amigo e confidente de Carlos por partilharem ideiais culturais semelhantes, Dâmaso acaba por ser um poço de defeitos. Pela grande admiração (e inveja) que tem por Carlos, a personificação do bom gosto, tenta imitá-lo em tudo o que faz de forma a tornar-se “chic a valer”. É, também, o protagonista de situações importantes e/ou cómicas na obra como quando assina uma carta alegando que é um bêbedo para evitar o duelo com Carlos, quando escreve a carta anónima a Castro Gomes revelando o envolvimento de Maria Eduarda com Carlos e quando é responsável pela notícia sobre n’ “A Corneta do Diabo”. Para além disso, Dâmaso é ateu, desenvolve projetos que nunca cumpre e está sempre a criticar os vício, pelo que é considerado a representação dos vícios e podridão da sociedade.
 Euzebiozinho (Silveira) - Figurante, personagem plana tipo 
Eusebiozinho (ou Silveirinha) é o primogénito de uma das senhoras ricas da Quinta da Lagoaça, as Silveiras, e irmão da Teresinha. Cresceu em Santa Olávia ao lado de Carlos com quem brincava mas devido à educação retrógrada que recebeu, cresceu tornando-se triste, molengão e sem motivações nem objetivos na vida. Acabou por casar-se quase por obrigação mas cedo ficou viúvo. Com uma vida medíocre, Eusebiozinho é a representação da forma ridícula de educação tradicional portuguesa e um instrumento para o autor a criticar. 
 (Tomás de) Alencar - Figurante, personagem plana 
Alencar fisicamente era muito alto, careca, com voluptuosos bigodes, nariz curvo e olhos encovados. Companheiro de Pedro da Maia, é utilizado pelo autor para começar discussões entre as escolas naturalista e romântica (sendo ele um ávido defensor da última). Tais discussões são representações satíricas da Questão Coimbrã. 
 Cruges - Figurante, personagem plana tipo 
Amigo de Carlos e íntimo do Ramalhete, Cruges é maestro e pianista e representante da cultura artística. Tinha um nariz espetado, olhos pequenos e um cabelo longo e ondulado. Com a sociedade lisboeta a revelar falta de cultura e interesse, a sua música acabava por ser menosprezada pelo que fica desmotivado e frustrado. É o músico idealista que pelo verdadeiro amor à arte que revela distingue-se da mediocridade artística nacional.
 Craft - Figurante, personagem plana tipo 
Pouco importante no desenrolar da ação, este frequentador do Ramalhete defende a arte como uma expressão do melhor da Natureza pelo que gasta o seu tempo e dinheiro a viajar e colecionar obras de arte. Representa a formação britânica e é o protótipo do que um homem deve ser: forte, culto, de hábitos rígidos, educado e de grande retidão. 
 Conde de Gouvarinho - Figurante, personagem plana tipo 
O conde de Gouvarinho era ministro do Reino e era casado com a condessa de Gouvarinho que tratava com brutalidade. Velho e conservador, revela falta de cultura e de capacidade de análise nos jantares descritos. É uma representação do político incompetente que, apesar de ocupar altos cargos, manifesta grandes lapsos de conhecimento sobre os assuntos mais básicos. 
 Condessa de Gouvarinho - Figurante, personagem plana tipo 
Filha de um rico comerciante inglês, a condessa de Gouvarinho é a mulher do conde de Gouvarinho. Com cabelo ruivo, olhos escuros e uma linda pele, a condessa é sensual e provocadora. Apaixona-se por Carlos com quem tem uma relação (ou obsessão) amorosa sem ter qualquer tipo de remorsos. Despreza totalmente o marido por questões monetárias e mostra-se disposta a abandoná-lo, o que revela a sua falta de escrúpulos e valores morais. Representa a aristocracia de Lisboa e todas as mulheres que mantêm amores fora do casamento.
 Sousa Neto - Figurante, personagem plana tipo 
Sousa Neto é o oficial superior da administração do Ministério da Instrução Pública que é tudo menos culto. Vaidoso e não muito inteligente, representa a ineficácia e falta de cultura da Administração Pública. 
 (Jacob) Cohen - Figurante, personagem plana tipo 
Cohen é o diretor do Banco Nacional e marido de Raquel. É vaidoso, idiota, desonesto, incompetente e revela falta de perspicácia ao não descobrir o caso amoroso de sua mulher. Aproveita-se da situação económica do país para explorar as pessoas para proveito próprio. Representa o estado financeiro nacional conduzido por pessoas da burguesia que, apesar de pouco inteligentes, ocupam lugares de grande poder. 
 Raquel Cohen - Figurante, personagem plana 
Raquel Cohen é a vaidosa e lindíssima mulher de Jacob Cohen. Provocadora e leviana, envolve-se numa relação (obviamente adúltera) com Ega mas, quando este é expulso de sua casa, percebe que a relação era puramente para sua diversão e que Raquel não tinha qualquer intenção de ficar com ele. 
 Palma Cavalão - Figurante, personagem plana tipo 
Palma Cavalão é o redator e proprietário do jornal “A Corneta do Diabo”. Facilmente corrompido e cego pelo dinheiro, publica ou retira artigos caluniosos do seu jornal em função dos subornos que recebe. Sem escrúpulos ou moral, encara o jornalismo como apenas uma forma de fazer dinheiro. Alencar define-o como sendo um “canalha” gordo.
 Neves - Figurante, personagem plana tipo 
Neves é o diretor do jornal “A Tarde” e representa o jornalista que influencia politicamente os seus leitores ignorantes. Em conjunto com Palma Cavalão, representa a decadência do jornalismo português.
O Espaço 
N' “Os Maias” podemos encontrar três tipos de espaço: físico ou geográfico, psicológico e social. O espaço físico subdivide-se por sua vez em: espaços interiores e exteriores. 
Espaço Físico 
São muitos os espaços físicos n’“Os Maias” passando-se maior parte da narrativa em Portugal, mais especificamente em Lisboa e arredores. Os espaços geográficos de maior importância são: 
 Lisboa 
É aqui que se sucedem os acontecimentos essenciais da vida de Pedro da Maia e para onde Carlos vai viver depois de se formar desenvolvendo depois um amor por Maria Eduarda. Lisboa também vai ser o palco para o fracasso de Carlos e para a caracterização de personagens da sociedade de costumes, através de micro-espaços criados pelo autor. 
Espaço 
Físico 
Interiores 
Exteriores 
Psicológico 
Social
 Santa Olávia 
Situada na margem do rio Douro, é onde Carlos passa a sua infância e para onde foge quando sabe a verdade sobre Maria Eduarda. 
 Coimbra 
É aqui que Carlos faz a sua formação académica e tem os seus primeiros casos amorosos. 
 Sintra 
Lugar de encontro de personagens da crónica de costumes e do par romântico protagonista. 
 Olivais 
Aqui se situa a Toca, onde Carlos e Maria Eduarda se encontram em segredo. 
 O estrangeiro 
O estrangeiro, apesar de não ser descrito na obra, é utilizado como uma maneira para resolver problemas. As três gerações da família Maia chegam a ir para o estrangeiro a certo ponto das suas vidas com Afonso a exilar-se em Inglaterra para fugir aos miguelistas, com Pedro e Maria Monforte a fugirem para Paris e Itália para que Afonso aceitasse o seu amor e com Carlos a ir numa viagem para se refugiar do seu fracasso incessante, já no final. Também Dâmaso decide fugir para Paris depois da publicação da sua carta. 
Para além de espaços exteriores, n’“Os Maias” são referidos vários espaços interiores: 
O Ramalhete – Situada na Rua S. Francisco de Paula em Lisboa, o Ramalhete era a residência da família Maia. Lá podemos encontrar os jardins, o salão de convívio, o quarto de Carlos, o severo escritório de Afonso e o informal e diletante consultório de Carlos. 
Sintra
A Vila Balzac – Este retiro amoroso de João da Ega é uma projeção da sua personalidade ambígua por revelar-se dividido entre duas formas de expressão. 
A Toca – Esta propriedade de Craft é arrendada por Carlos para consumar de forma privada o seu amor com Maria Eduarda. Esta exótica casa surge como um presságio do incesto e uma representação do que é moralmente proibido. 
A casa de Maria Eduarda – Situada na Rua S. Francisco, esta casa alugada à família Castro Gomes por Cruges é onde Carlos e Maria Eduarda falam pela primeira vez. 
Outros espaços de menor importância que servem de palco (alguns literalmente) para as personagens da crónica de costumes são: o Grémio Literário, o Teatro de S. Carlos, o Teatro da Trindade, o Hotel Central, o Hotel de Bragança, a casa dos Gouvarinhos e o Hipódromo. 
Rua S. Francisco 
Grémio Literário 
Grémio Literário, 2014 
Teatro de S. Carlos, 1884 
Teatro de S. Carlos, 2014
Teatro da Trindade 
Teatro da Trindade, 2014 
Hotel Central e Largo Camões 
Hotel Central e Largo Camões, 2014 
Hotel Bragança, 1881 
Hipódromo de Lisboa 
A menção destes espaços é de extrema importância para Eça que, como realista, acreditava que o ambiente que rodeia uma personagem vai interagir mutuamente com ela.
Espaço Social 
Mais importante que o físico, o espaço social abarca momentos como as soirés, os bailes, os espetáculos e os jantares onde atuam as personagens da alta aristocracia e burguesia. Estas personagens são usadas por serem uma representação fiel da sociedade criticada pelo autor que tenta recriar através delas o panorama social organizando os acontecimentos em episódios inseridos na crónica de costumes. Podemos ver essa crítica principalmente nos seguintes episódios: O Sarau no Teatro da Trindade, as corridas de cavalos no Hipódromo e os jantares (no Hotel Central, em Santa Olávia, na Toca e em casa dos Gouvarinho). Nestes episódios, personagens como o novo-rico (Dâmaso), o literato ultrarromântico (Alencar), o diplomata (Steinbroken), o banqueiro (Cohen), o artista incompreendido (Cruges) e o diletante (Craft) reúnem- se manifestando as características das classes sociais a que pertencem. Por exemplo, no episódio das corridas de cavalo, o autor satiriza e critica a ambição da sociedade de ser como sociedades estrangeiras e ironiza a forma como a assistência feminina se comportava e se vestia fazendo-nos perceber que a ignorante e supérflua sociedade burguesa vivia de aparências. Podemos concluir que o espaço social cumpre ao longo da obra um papel marcadamente crítico.
Espaço Psicológico 
O espaço psicológico é constituído pela consciência, os estados de alma, as emoções e o íntimo das personagens e é manifestado principalmente em momentos de grande carga emocional através de monólogos interiores. As personagens (sobretudo as principais) mostram- nos as suas reflexões, sonhos e imaginação dando-nos a sua visão subjetiva do mundo e das pessoas que as rodeiam. À medida que nos aproximamos do desenlace, a importância dada ao espaço psicológico vai aumentando, principalmente com Carlos da Maia. Destaca-se como espaço psicológico os seguintes momentos, quando Carlos: 
 sonha com Maria Eduarda (duas vezes); 
 reflete sobre o grau de parentesco que o liga a Maria Eduarda; 
 encontra o avô morto, no jardim; 
 vê o Ramalhete e o avô, após o incesto; 
 vê a casa de Maria Eduarda de forma diferente após saber que ela era sua irmã; 
O espaço psicológico também está presente com Ega depois de descobrir a verdadeira identidade de Maria Eduarda e de ter de tomar uma decisão de como contar a Carlos. 
É o espaço psicológico que, ao nos revelar as profundezas da consciência das personagens, permite caracterizar Carlos e Ega como personagens modeladas.
Tempo: arquitectura do romance 
Tal como o espaço, o tempo n’ “Os Maias” pode ser de três tipos: o tempo histórico, o tempo do discurso e o tempo psicológico. 
Tempo Histórico 
O tempo histórico é aquele que subdivide-se em anos, meses e dias e que organiza os acontecimentos vividos pelas personagens de forma cronológica. A ação passa-se no século XIX, entre 1820 e 1887 abrangendo, portanto, quase setenta anos. No entanto a forma como o tempo é distribuído pelos anos não é consistente: Carlos acaba por se destacar relativamente aos outros membros das três gerações da família Maia.
Tempo do Discurso 
O tempo de discurso é, por definição, aquele aquele que se deteta no próprio texto organizado pelo narrador, ordenado ou alterado logicamente, alargado ou resumido. 
O discurso começa em 1875, no Outono. Carlos acabara de voltar da sua viagem pós-formatura para viver em Lisboa com o avô. O narrador vai então, através de uma analepse, relatar os acontecimentos passados: a juventude de Afonso; a educação de Pedro e seu envolvimento com Maria Monforte e a educação e formação de Carlos (Capítulos I a IV). Apesar de corresponder a cerca de sessenta anos, esta analepse ocupa relativamente pouco tempo (poucas páginas) na obra. Isto deve-se ao facto de o autor, com recurso a resumos e elipses, reduzir o tempo do discurso ficando este muito mais curto que o tempo histórico (anisocronia). 
No entanto, do Outono de 1875 a Janeiro de 1877, o narrador, ao utilizar diálogos, tenta que haja isocronia, ou seja, tenta que o tempo do discurso coincida com o tempo da história de forma a reproduzir fielmente o ritmo do dia-a-dia. Desta forma o narrador vai alternar lentamente as cenas do quotidiano lisboeta com a intriga principal.
Tempo Psicológico 
O tempo psicológico é o tempo conforme é vivido pelas personagens. Este é subjetivo porque depende de cada personagem e alarga-se ou encurta- se dependendo do estado de espírito em que esta se encontra permitindo-nos compreender a perspetiva da personagem e os seus sentimentos. 
No romance, é possível encontrar-se momentos de tempo psicológico quando: 
 Pedro da Maia comunica a seu pai o desaparecimento de Maria Monforte; 
 Carlos recorda o beijo que a Condessa de Gouvarinho lhe dera; 
 Carlos passava longas e monótonas horas no seu consultório; 
 Ega espera que lhe entreguem o cofre com informações sobre Maria Eduarda; 
 Carlos e Ega, acabados de chegar de Paris, contemplam o Ramalhete e, com nostalgia e emoção, recordam os tempos vividos naquela casa. Carlos, amargurado e ressentido, acaba por proferir uma exclamação que resume a definição de tempo psicológico: “É curioso! Só vivi 2 anos nesta casa e é nela que me parece estar metade da minha vida inteira!”
O Narrador 
Quanto à presença, o narrador é heterodiegético, ou seja, não é uma personagem da narrativa. Algumas marcas linguísticas que permitem fazer esta classificação são a utilização de pronomes, verbos e determinantes na terceira pessoa e o discurso indireto livre. Através do distanciamento característico deste tipo de narrador, um exame social de maior eficácia e objetivide é nos revelado. 
Quanto à ciência, o narrador é omnisciente pois mostra-se conhecedor dos sentimentos, emoções e desejos das personagens. O narrador sabe o passado e futuro de cada personagem, revela possuir total conhecimento da história e usa técnicas narrativas para arquitectar o romance ao caracterizar de forma exaustiva os espaços e personagens. 
Por vezes, o narrador abdica da sua omnisciência para adotar a focalização interna em que certas personagens tomam o papel crítico e/ou descritivo do narrador. Por exemplo, quando Maria Eduarda é caracterizada nota-se que o narrador encarrega Carlos de o fazer, dá mais valor ao ponto de vista subjetivo da personagem, montando a sua perspetiva com e como ele.
Para além da focalização interna, o narrador opta, por vezes, pela focalização externa quando, por exemplo, descreve fisicamente as personagens e os espaços geográficos onde se encontram, numa tentativa de objetividade. Porém, através de diminutivos, advérbios e adjetivos com valor subjetivo, esta ojetividade revela-se apenas aparentente.
A Educação 
A educação é, sem dúvida, um tema de grande centralidade n’“Os Maias”, revelando o comportamento e mentalidade de um Portugal marcadamente romântico em oposição a um Portugal novo e voltado para o futuro. Este facto deve-se à importância dada a esta problemática na caracterização das personagens segundo uma perspetiva naturalista. Ao elaborar um fiel retrato da sociedade, o narrador atribui, em parte, a culpa da crise social e cultural ao tipo de educação que um indivíduo recebe. A educação vai, assim, condicionar os princípios e valores de cada um que são, eventualmente, a base de qualquer sociedade. Através das personagens, o autor vai nos dar a conhecer diferentes conceções educativas, revelando a cultura adjacente a cada uma. 
São-nos então apresentados dois sistemas educativos antagónicos: 
A educação tradicional e conservadora (à portuguesa) protagonizada por Pedro da Maia e Eusebiozinho em que: 
 Recorria-se à memorização e ao catecismo para criar uma ideologia religiosa que cultivava a devoção, os valores morais e a punição do pecado -“...a decorar versos, páginas inteiras do «Catecismo de Perseverança»...” e “...Que memória! Que memória... É um prodígio!...”;
 Dava-se atenção ao Latim que, pela sua grande coneção à igreja, deveria ser aprendido - “...a instrução para uma criança não é recitar Tityre, tu patulae recubans...” 
 O contacto com a Natureza era proibido tendo uma criança de ficar dentro de casa, quase enclausurado 
e sempre em contacto com os velhos livros - : " ... tinha medo do vento e das árvores... “ e “... Admirar as pinturas de um enorme e rico volume, «Os costumes de todos os povos do Universo»...”; 
 O juízo crítico e a criatividade eram desvalorizadas e inibidas de forma a que a vontade pessoal fosse alterada e de forma a levar o indivíduo a um estado de declínio das faculdades físicas e mentais. 
Foi este tipo de educação que levou Pedro da Maia a ser débil, a não ter a capacidade de resolver os seus problemas e a desenvolver uma relação pouco saudável com a mãe. Pedro, um ultrarromântico por excelência, é abandonado por Maria Monforte e não consegue lidar com o fracasso amoroso, acabando por se suicidar. Eusebiozinho tendo recebido o mesmo tipo de educação torna-se uma pessoa triste, intolerante, amarga, monótona e fisicamente débil ao invés do “prodígio” que todos pensavam que ele se iria tornar. Isto leva-o a ser forçado a um casamento miserável e a levar uma vida de corrupção. Esta educação, ao
longo da obra, é defendida por Vilaça, pelo Abade Custódio, pela maior parte das pessoas da casa dos Maias e pelas pessoas de Resende. 
A educação moderna e atradicional (“à inglesa”) protagonizada por Carlos da Maia, ao contrário da educação “à portuguesa”, valoriza: 
 O exercício físico, a ginástica e o contacto direto com a Natureza - “... Correr, cair, trepar às árvores, molhar- se, apanhar soalheiras, como um filho de caseiro...” ; 
 O desenvolvimento intelectual por via da informação empírica - “... É saber factos, noções, coisas úteis, 
coisas práticas...”; 
 As línguas vivas como Inglês (Carlos tinha um tutor inglês), em detrimento do Latim - “... Mostrou-lhe o neto que palrava inglês com o Brown...”; 
 O espírito crítico e a imaginação; 
 A tolerância e convivência social ao instruir valores de honra, cavalheirismo e virtude.
Carlos da Maia foi educado segundo esta educação de forma a compensar a educação do seu pai que ia contra os ideias de Afonso. Graças a ela, adquiriu valores do trabalho e conhecimento experimental que fizeram com que seguisse medicina e estivesse constantemente envolto em projetos de investigação que acabam por fracassar por culpa da sociedade em que estava inserido. Pedro da Maia, aquando da fuga de Maria Monforte, não consegue lidar com o seu fiasco amoroso ao passo que Carlos, depois do seu fracasso ocupacional, decide procurar um novo caminho. Desta vez fá-lo com a mentalidade de não recear o que possa perder ou não conseguir alcançar, o que faz com que planeie grandes projectos com o seu grande amigo Ega, que nunca chega a realizar. 
No entanto, por ser tão rígida e metódica, esta educação quando cumprida excessivamente à risca, acaba por formar indivíduos que não se adaptam no meio social português de modo que os seus efeitos nocivos só são revelados com o passar do tempo (em oposição a educação tradicional cujos aspetos negativos eram mais realçados na infância através do contraste entre Eusebiozinho e Carlos). Carlos, após o seu amor incestuoso, acaba por falhar na vida apesar da sua educação, enquanto que Pedro falha na vida por causa da sua educação. Foi a sociedade que o conduziu ao fracasso, pela falta de motivação e paixão romântica que o seduzira. Contudo, jamais Afonso, que tenta evitar que a desgraça do filho se repita com o neto, é posto em causa no que toca à
educação que dá a Carlos cuja desgraça é de tal maneira incompatível com os valores morais que se sobrepõe ao seu módulo educacional. 
Para além de Afonso, este modo educativo é defendido por Brown (professor particular de Carlos quando este era pequeno) e pelo próprio narrador.
Simbolismo 
“Os Maias” é uma obra que, depois de uma certa análise, revela-se carregado de simbolismo. Tanto as personagens como os espaços denunciam uma componente metafórica que nos é introduzida, por exemplo, por certas cores e objetos sujeitos a diferentes interpretações. A simbologia n”Os Maias” tem uma função pressagiosa da tragédia. 
Quanto aos espaços, é importante referir: 
A Vila Balzac 
Muito presente no quarto da casa de Ega, o vermelho transpira paixão e simboliza a dimensão fugaz e carnal do seu amor por Raquel Cohen. Os tons de amarelo e dourado também usados na casa exprimem tanto a natureza divina como o Outono associado à morte. 
O Ramalhete 
Esta casa acompanha e é a personificação do estado espírito da família Maia. Estabelece uma coneção com a dormência de Portugal até ao momento em que é habitada por Carlos e Afonso que lhe restauram a vida e esperança através da introdução de uma decoração luxuosa e cosmopolita.
O jardim do Ramalhete, rico em simbologias, também é alvo de uma evolução. Neste destaca-se: 
 A cascata, um símbolo de purificação e regeneração, conota-se com o choro. No primeiro capítulo, está seca pois ainda nada aconteceu enquanto que no último esta, cheia 
de água, chora a tragédia que se abatera sobre os Maias bem como a morte da Afonso. É um prenúncio de tristeza e marca de forma inexorável, a passagem do tempo e os sentimentos que este faz aparecer e desaparecer. 
 Os girassóis que ornamentam a casa remetem-nos para o passado dos Maias e para as próprias personagens. Tal como a relação girassóis-Sol, Carlos e Pedro vêm-se envoltos em amores 
dos quais não consegue sair, girando cegamente ao favor das suas amadas a quem prometem fidelidade eterna;
 O cedro e o cipreste no jardim são árvores que simbolizam, respetivamente, o envelhecimento e a morte. Unidos por um laço quase mítico e inseparável, estas árvores testemunham a história da família. Também simbolizam os inseparáveis Carlos e Ega que no final da obra ficam tão sozinhos como as árvores. 
 A estátua feita de mármore fúnebre de Vénus Citereira, deusa do amor, cuja presença obscura marca o início e o fim da ação principal: quando Maria Monforte foge, esta fica mais negra refletindo o ambiente; após a remodelação aparece esplendorosa simbolizando a ressurreição da esperança e no fim mostra-se 
enferrujada e monstruosa, à semelhança de Maria Eduarda. Esta estátua incorpora as mulheres fatais do romance. 
A Toca 
A Toca é, por definição, o nome dado à habitação de alguns animais pelo que a este refúgio amoroso de Carlos e de Maria Eduarda seja atribuído um carácter animalesco. Neste lugar, a atracção carnal e a busca pelo prazer acabam por substituir e ignorar os valores morais. 
O quarto de Maria Eduarda tem uma grande simbologia trágica e está carregada de presságios:
 O quadro com a cabeça degolada de S. João Baptista (que tinha revelado a relação incestuosa de Herodes) parece pressagiar a desgraça que viria a acontecer; 
 As tapeçarias que descreviam o amor “desmaiado” de Vénus e Marte (que também 
era proibido) parecem prever o desvanecimento da relação dos protagonistas; 
 A coruja a olhar fixamente para o leito representa o mistério, o mau agouro e o fim sinistro da relação. 
Ainda na Toca, o ídolo japonês remete-nos para uma cultura estranha e figura a sensualidade e exotismo do relacionamento incestuoso. Neste armário, encontramos igualmente dois faunos que encarnam os dois amantes cheios de hedonismo e com total desprezo de quem os rodeia, evangelistas que representam a religião e os guerreiro representantes do espírito heroico. 
É importante referir que, na primeira noite em que os dois amantes vão para a Toca, a trovoada no exterior reflete os tempos turbulentos que se avizinhavam.
O consultório de Carlos 
O consultório de Carlos tem, como cor predominante, um vermelho escuro que revela força, sensualidade e mistério. Por vezes a roçar o fúnebre, esta cor é também considerada como a mais associada ao princípio da vida pelo seu poder, brilho e presença ardente. 
A estátua de Camões que, no final, representa o passado nostálgico. 
Quanto às personagens as que, neste assunto, revelam-se importantes são: 
Maria Eduarda e Maria Monforte 
Maria Eduarda crê em presságios e pequenas coisas que a levam a adivinhar um futuro não muito risonho. As semelhanças entre Carlos e sua mãe, as semelhanças de caráter entre ela (Maria Eduarda) e Afonso e a similitude do nome de Carlos com o dela, por exemplo, são considerados presságios de uma tragédia.
Maria Eduarda é a terceira Maria de três gerações da família Maia e à semelhança do que acontece com Maria Monforte e Maria Runa, Maria Eduarda morre (embora de forma psicológica). Maria é, assim, a revelação simbólica da família. Tanto Maria Eduarda como Maria Monforte usavam o vermelho (feminino, apaixonante e destruidor) em conjunto com o dourado, designando tanto a vida como a morte, tanto o divino como o mero mortal. 
Afonso 
Afonso da Maia é, sem dúvida, uma figura simbólica. Afonso vê semelhanças entre Pedro e um elemento da família Runa que se suicidou. Este facto aparece-nos como um claro presságio, pois Pedro também se suicida. Também é com Afonso a ser testemunha de um passeio de Pedro e Maria Monforte que nos apercebemos de certos presságios: Maria Monforte usa um vestido rosa que simboliza a vida romântica que vivia; os olhos de Maria eram de um azul sombrio e a ramagem à beira de onde caminhavam eram de um verde obscuro. Então, cores normalmente associados a bons sentimentos são pervertidos ao prever tristezas e complicações: o guarda-sol vermelho lembra a Afonso uma mancha de sangue parecida àquela que seria vista à beira de Pedro, morto.
Estilo e Linguagem 
N’ “Os Maias”, a prosa de Eça de Queiróz exprime fluidamente a sua opinião e forma de pensar. Com uma mestria e destreza com as palavras, o autor preocupa-se que tanto com intriga principal como com a crítica social usando vocábulos simples aos quais atribui sentidos conotativos e mostra que o brilhantismo desta obra não reside unicamente no tema. 
De todas as características da prosa queiroziana presentes nesta obra, há que frisar a utilização de/da: 
 adjetivos – aparecendo em séries binárias e ternárias, os adjectivos contribuem para musicalidade e ritmo da frase. Os adjetivos evocam a realidade sem comprometer o espaço para a imaginação e musicalidade frásica Assim, consegue demonstrar a sua visão crítica sobre a sociedade do século XIX de uma forma subtil mas que terá um grande ênfase, fazendo com que a sua sátira nos pareça objetiva – Ex: “Dâmaso era interminável, torrencial, inundante, a falar das suas conquistas”; 
 verbos – tal como os adjetivos e advérbios, o autor utiliza os verbos de forma impressionista. Para evitar a monotonia da utilização constante de verbos similares, o autor substitui verbos vulgares por verbos menos comuns. O tempo mais utilizado é o pretérito imperfeito que faz com que o leitor se depare com a situação a ocorrer no momento narrado. Com o mesmo efeito, o gerúndio é igualmente utilizado para que o leitor “deslize” na narrativa – Ex: “decente, estudando, pensando, fazendo civilização como outrora”;
 advérbios – Eça estende os adjetivos aos advérbios (advérbios com função de adjectivo), dispondo de uma vasta panóplia de advérbios expressivos com grande poder sugestivo À semelhança dos adjetivos os advérbios obrigam a que a criatividade e imaginação do leitor surja de forma espontânea. Por vezes estes estão associados em gradação “Fechou sobre mim a portinhola gravemente, supremamente” ; 
 vocabulário rico e variado – com o uso de neologismos, palavras inventadas pelo autor (ex: gouvarinhar) e com o uso de anglicismos e galicismos (ex: dog-cart, chic); 
 diminutivos – Maioritariamente usados para caracterizar ironicamente as personagens mas também para revelar ternura – Ex: “as perninhas flácidas” e “tinha uma cadelinha escocesa”; 
 todos os níveis de linguagem – a autor apresenta um estilo muito particular ao utilizar tanto linguagem familiar como infantil, passando por outras. O autor adapta o tipo de linguagem à personagem e sua classe social; 
 uso de frases curtas e diretas para que haja variedade nos discursos revelando preocupação com o ritmo e musicalidade da frase. Empregou frases curtas para que os factos e as emoções apresentadas fossem transmitidas objetivamente e, através de rimas internas, paralelismos, antíteses, frases em parelha e repetições, evita frases demasiado expositivas, fastidiosas e pouco esclarecedoras (muito característica do romantismo); 
 discurso indireto livre – Com o objetivo de aproximar a prosa à fala e de evitar a repetição desnecessária e aborrecida de verbos conectores do discurso, o discurso indirecto livre é muitas vezes utilizado durante a obra;
 recursos expressivos – Os inúmeros recursos estilísticos utilizados enriquecem a prosa de Eça de Queiróz. Os mais utilizados e característicos são: 
† a hipálage – figura de estilo que consiste em atribuir uma qualidade de um nome a outro que lhe está relacionado, revelando assim a impressão do escritor face ao que descreve. Ex: “As titis faziam meias sonolentas” (sonolentas é transposto das personagens para o objeto); 
† a sinestesia – recurso estilístico que ao descrever os ambientes através do realismo, apela aos sentidos do leitor de forma a aumentar a nossa imersão na narrativa – Ex: “e, muito alto no ar, passava o claro repique de um sino”; 
† a ironia – recurso estilístico quase sempre presente na prosa queiroziano que, por expressar o contrário da realidade, serve para satirizar e expor contrastes e paradoxos – Ex: “É possível – respondeu o inteligente Silveira”; 
† a aliteração – Com a mesmo função da sinestesia, a aliteração é um recurso expressivo que utiliza a repetição de sons para exprimir sensações ou sons do meio envolvente – Ex: “um moço loiro, lento, lânguido, que se curvara em silêncio diante dela”; 
† a gradação; 
† a enumeração; 
† a comparação; 
† a personificação.
A minha visão 
“Os Maias” foi a primeira obra de Eça de Queiróz que li e devo dizer que achei a sua leitura mais do que agradável. Com uma história cativante, personagens ricas e brilhante conceção, esta obra mudou radicalmente a opinião que tinha de Eça de Queiróz. Muito influenciado pela perspectiva de quem já tinha lido, pensei que se tratava de uma obra aborrecida e entediante mas sei agora que “Os Maias” é tudo menos isso. A obra é interessante, o tema é muito chamativo e as personagens vão do cómico ao dramático, passando pelo misterioso e caricato. O aspeto que mais me agrada na obra é o facto de esta estar repleta de deliciosas e longas descrições que me transportaram para a calçada lisboeta, para o núcleo do quotidiano destas pessoas, numa experiência verdadeiramente imersiva. Aprecio particularmente a capacidade e a aparente facilidade que o autor tem de mudar a carga emocional da narrativa, havendo cenas extremamente cómicas em oposição a cenas que me deixaram nervoso, a querer saber o que vai acontecer. “Os Maias” , na minha opinião, merece indubitavelmente o título de “clássico da literatura” tanto portuguesa como mundial e de todas as obras inseridas no programa da disciplina de Português foi a que mais gostei de ler. A única coisa que consigo apontar de não tão bom na obra é a certa propensão para os devaneios do autor, que por vezes se aventura pelas suas reflexões e debates interiores sobre as diferentes escolas artísticas, assunto que não me suscita grande
curiosidade. Apesar disso, considero “Os Maias” um longo page-turner (na sua própria maneira) que se lê de um folgo e, certamente, um livro que irei reler no futuro porque afinal não se trata da história em si mas da maneira como é contada e nisso a obra é praticamente irrepreensível. O assunto (ou assuntos) da obra é o que faz dela uma obra intemporal, aplicável aos dias de hoje e que perdurará e resistirá aos castigos do tempo. Em resumo, uma sucessão de brilhantismo crítico, social e introspetivo e um livro essencial que sempre recordarei como principal incentivador da minha futura leitura de outras obras do autor.
Bibliografia 
 CARNEIRO, Roberto, 2004, nova activa multimédia – Enciclopédia de Consulta – Literatura Portuguesa, Lexicultural 
 FERREIRA, José Tomás, 1994, Apontamentos Europa- América Explicam Eça de Queirós - Os Maias Nº 17, Europa- América 
 SILVA, Pedro, 2012, Expressões – Português 11º ano, Porto, Porto Editora 
 2013, Os Maias - Ensino Secundário, Ideias de Ler
Webgrafia 
 http://jbo.no.sapo.pt/eca/eca_de_queiros_bio_main.htm 
 http://www.e-biografias.net/eca_queiroz/ 
 http://eca-dequeiros.blogspot.pt 
 http://www.feq.pt 
 http://portugues-fcr.blogspot.pt 
 http://auladeliteraturaportuguesa.blogspot.pt 
 http://www.edutotal.net 
 http://sentirportugus.blogspot.pt 
 http://danielaemarta.no.sapo.pt 
 http://osmaias.blogs.sapo.pt 
 http://modulo8linguaportuguesa.blogspot.pt 
 http://auladaproflis.blogspot.pt 
 http://portefolioportugues.blogs.sapo.pt 
 http://portuguesnanet.com.sapo.pt
Trabalho realizado por Luís Oliveira, nº 14 
11ºG 
Escola Secundária da Maia 
Disciplina de Português. 
O Fim

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

AMOR DE PERDIÇÃO análise capítulo IV
AMOR DE PERDIÇÃO análise capítulo IVAMOR DE PERDIÇÃO análise capítulo IV
AMOR DE PERDIÇÃO análise capítulo IVEmília Maij
 
Os maias-resumo-e-analise
Os maias-resumo-e-analiseOs maias-resumo-e-analise
Os maias-resumo-e-analisekeve semedo
 
Corrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os MaiasCorrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os Maiasmauro dinis
 
Os maias: Características trágicas da intriga
Os maias: Características trágicas da intrigaOs maias: Características trágicas da intriga
Os maias: Características trágicas da intrigaMariana Silva
 
Análise Capitulo XV - Os Maias
Análise Capitulo XV -  Os MaiasAnálise Capitulo XV -  Os Maias
Análise Capitulo XV - Os Maiasmonicasantosilva
 
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo BrancoAmor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo BrancoLurdes Augusto
 
Mensagem - D. Sebastião Rei de Portugal
Mensagem - D. Sebastião Rei de PortugalMensagem - D. Sebastião Rei de Portugal
Mensagem - D. Sebastião Rei de PortugalMaria Teixiera
 
Fernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da InfânciaFernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da InfânciaSamuel Neves
 
Gil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereiraGil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereiraDavid Caçador
 
Alberto caeiro biografia e caracteristicas
Alberto caeiro biografia e caracteristicasAlberto caeiro biografia e caracteristicas
Alberto caeiro biografia e caracteristicasAnabela Fernandes
 
Cesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-SistematizaçãoCesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-SistematizaçãoDina Baptista
 
Os Maias, capítulos I a IV
Os Maias, capítulos I a IVOs Maias, capítulos I a IV
Os Maias, capítulos I a IVDina Baptista
 
Power point "Frei Luís de Sousa"
Power point "Frei Luís de Sousa"Power point "Frei Luís de Sousa"
Power point "Frei Luís de Sousa"gracacruz
 

Mais procurados (20)

. Maias simplificado
. Maias simplificado. Maias simplificado
. Maias simplificado
 
Os Maias - Capítulo IV
Os Maias - Capítulo IVOs Maias - Capítulo IV
Os Maias - Capítulo IV
 
AMOR DE PERDIÇÃO análise capítulo IV
AMOR DE PERDIÇÃO análise capítulo IVAMOR DE PERDIÇÃO análise capítulo IV
AMOR DE PERDIÇÃO análise capítulo IV
 
Os maias-resumo-e-analise
Os maias-resumo-e-analiseOs maias-resumo-e-analise
Os maias-resumo-e-analise
 
Corrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os MaiasCorrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os Maias
 
Os maias: Características trágicas da intriga
Os maias: Características trágicas da intrigaOs maias: Características trágicas da intriga
Os maias: Características trágicas da intriga
 
Análise Capitulo XV - Os Maias
Análise Capitulo XV -  Os MaiasAnálise Capitulo XV -  Os Maias
Análise Capitulo XV - Os Maias
 
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo BrancoAmor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo Branco
 
Cesário verde
Cesário verdeCesário verde
Cesário verde
 
Mensagem - D. Sebastião Rei de Portugal
Mensagem - D. Sebastião Rei de PortugalMensagem - D. Sebastião Rei de Portugal
Mensagem - D. Sebastião Rei de Portugal
 
Fernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da InfânciaFernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da Infância
 
Os maias a intriga
Os maias   a intrigaOs maias   a intriga
Os maias a intriga
 
Amor de perdição
Amor de perdiçãoAmor de perdição
Amor de perdição
 
Gil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereiraGil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereira
 
Alberto caeiro biografia e caracteristicas
Alberto caeiro biografia e caracteristicasAlberto caeiro biografia e caracteristicas
Alberto caeiro biografia e caracteristicas
 
Cesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-SistematizaçãoCesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-Sistematização
 
OCEANO NOX_Análise.ppsx
OCEANO NOX_Análise.ppsxOCEANO NOX_Análise.ppsx
OCEANO NOX_Análise.ppsx
 
Recursos expressivos
Recursos expressivosRecursos expressivos
Recursos expressivos
 
Os Maias, capítulos I a IV
Os Maias, capítulos I a IVOs Maias, capítulos I a IV
Os Maias, capítulos I a IV
 
Power point "Frei Luís de Sousa"
Power point "Frei Luís de Sousa"Power point "Frei Luís de Sousa"
Power point "Frei Luís de Sousa"
 

Destaque

Destaque (6)

Educação n' os maias
Educação n' os maiasEducação n' os maias
Educação n' os maias
 
Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões
 
Frei luís de sousa
Frei luís de sousaFrei luís de sousa
Frei luís de sousa
 
Análise de Os Lusíadas
Análise de Os Lusíadas Análise de Os Lusíadas
Análise de Os Lusíadas
 
Frei luis de sousa
Frei luis de sousaFrei luis de sousa
Frei luis de sousa
 
Frei luís de sousa
Frei luís de sousaFrei luís de sousa
Frei luís de sousa
 

Semelhante a Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica

O realismo e o naturalismo em portugal e no brasil
O realismo e o naturalismo em portugal e no brasilO realismo e o naturalismo em portugal e no brasil
O realismo e o naturalismo em portugal e no brasilJose Arnaldo Silva
 
A percepção critica pelo olhar de Eça de Queirós
 A percepção critica pelo olhar de Eça de Queirós  A percepção critica pelo olhar de Eça de Queirós
A percepção critica pelo olhar de Eça de Queirós Laryssa Prudencio
 
Realismo naturalismo
Realismo   naturalismoRealismo   naturalismo
Realismo naturalismonagelaviana
 
O realismo na literatura oitocentista
O realismo na literatura oitocentistaO realismo na literatura oitocentista
O realismo na literatura oitocentistaTina Lima
 
Os Maias Apresentação
Os Maias   Apresentação Os Maias   Apresentação
Os Maias Apresentação joanana
 
2011 2 – língua portuguesa roamantismo_história
2011 2 – língua portuguesa roamantismo_história2011 2 – língua portuguesa roamantismo_história
2011 2 – língua portuguesa roamantismo_históriaLilian Lima
 
Realismofinal 100118094323-phpapp01 (1)
Realismofinal 100118094323-phpapp01 (1)Realismofinal 100118094323-phpapp01 (1)
Realismofinal 100118094323-phpapp01 (1)Silmara Braz
 
Do Ultrarromantismo ao Realismo
Do Ultrarromantismo ao RealismoDo Ultrarromantismo ao Realismo
Do Ultrarromantismo ao RealismoLurdes Augusto
 
Realismo naturalismo 2018 versao final
Realismo naturalismo 2018 versao finalRealismo naturalismo 2018 versao final
Realismo naturalismo 2018 versao finalKarin Cristine
 
Apresentação dos Maias - Capítulo 4
Apresentação dos Maias - Capítulo 4Apresentação dos Maias - Capítulo 4
Apresentação dos Maias - Capítulo 4SofiaAntunes21
 
António Feliciano de Castilho
António Feliciano de CastilhoAntónio Feliciano de Castilho
António Feliciano de CastilhoMaiina
 
Realismo narturalismo 2016
Realismo narturalismo 2016Realismo narturalismo 2016
Realismo narturalismo 2016Josi Motta
 

Semelhante a Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica (20)

Realismo
RealismoRealismo
Realismo
 
Realismo Português
Realismo PortuguêsRealismo Português
Realismo Português
 
O realismo e o naturalismo em portugal e no brasil
O realismo e o naturalismo em portugal e no brasilO realismo e o naturalismo em portugal e no brasil
O realismo e o naturalismo em portugal e no brasil
 
A percepção critica pelo olhar de Eça de Queirós
 A percepção critica pelo olhar de Eça de Queirós  A percepção critica pelo olhar de Eça de Queirós
A percepção critica pelo olhar de Eça de Queirós
 
Realismo naturalismo
Realismo   naturalismoRealismo   naturalismo
Realismo naturalismo
 
O realismo na literatura oitocentista
O realismo na literatura oitocentistaO realismo na literatura oitocentista
O realismo na literatura oitocentista
 
Os Maias Apresentação
Os Maias   Apresentação Os Maias   Apresentação
Os Maias Apresentação
 
2011 2 – língua portuguesa roamantismo_história
2011 2 – língua portuguesa roamantismo_história2011 2 – língua portuguesa roamantismo_história
2011 2 – língua portuguesa roamantismo_história
 
Cenáculo
CenáculoCenáculo
Cenáculo
 
Realismofinal 100118094323-phpapp01 (1)
Realismofinal 100118094323-phpapp01 (1)Realismofinal 100118094323-phpapp01 (1)
Realismofinal 100118094323-phpapp01 (1)
 
Realismo-naturalismo.ppt
Realismo-naturalismo.pptRealismo-naturalismo.ppt
Realismo-naturalismo.ppt
 
Realismo x Romantismo
Realismo x RomantismoRealismo x Romantismo
Realismo x Romantismo
 
Do Ultrarromantismo ao Realismo
Do Ultrarromantismo ao RealismoDo Ultrarromantismo ao Realismo
Do Ultrarromantismo ao Realismo
 
Realismo - Naturalismo
Realismo - NaturalismoRealismo - Naturalismo
Realismo - Naturalismo
 
Realismo naturalismo 2018 versao final
Realismo naturalismo 2018 versao finalRealismo naturalismo 2018 versao final
Realismo naturalismo 2018 versao final
 
Apresentação dos Maias - Capítulo 4
Apresentação dos Maias - Capítulo 4Apresentação dos Maias - Capítulo 4
Apresentação dos Maias - Capítulo 4
 
Ppt realismo (2)
Ppt realismo (2)Ppt realismo (2)
Ppt realismo (2)
 
António Feliciano de Castilho
António Feliciano de CastilhoAntónio Feliciano de Castilho
António Feliciano de Castilho
 
Realismo narturalismo 2016
Realismo narturalismo 2016Realismo narturalismo 2016
Realismo narturalismo 2016
 
O Realismo
O RealismoO Realismo
O Realismo
 

Mais de LuisMagina

United Kingdom? Yes, please!
United Kingdom? Yes, please!United Kingdom? Yes, please!
United Kingdom? Yes, please!LuisMagina
 
Job interview - Work and Career
Job interview - Work and Career Job interview - Work and Career
Job interview - Work and Career LuisMagina
 
Reis e Presidentes de Portugal
Reis e Presidentes de PortugalReis e Presidentes de Portugal
Reis e Presidentes de PortugalLuisMagina
 
Protestantismo
ProtestantismoProtestantismo
ProtestantismoLuisMagina
 
Teenage pregnancy
Teenage pregnancyTeenage pregnancy
Teenage pregnancyLuisMagina
 
Immanuel Kant
Immanuel Kant Immanuel Kant
Immanuel Kant LuisMagina
 
New Year in London (Festival and Eve)
New Year in London (Festival and Eve)New Year in London (Festival and Eve)
New Year in London (Festival and Eve)LuisMagina
 
Monumentos de Londres
Monumentos de LondresMonumentos de Londres
Monumentos de LondresLuisMagina
 
Luís de Camões
Luís de CamõesLuís de Camões
Luís de CamõesLuisMagina
 
Road to the Oscars 2013/2014
Road to the Oscars 2013/2014Road to the Oscars 2013/2014
Road to the Oscars 2013/2014LuisMagina
 
Romanização da Península Ibérica
Romanização da Península IbéricaRomanização da Península Ibérica
Romanização da Península IbéricaLuisMagina
 
Gravidez na Adolescência
Gravidez na AdolescênciaGravidez na Adolescência
Gravidez na AdolescênciaLuisMagina
 
Life in the Future
Life in the FutureLife in the Future
Life in the FutureLuisMagina
 
Ergonomia e Antropometria
Ergonomia e AntropometriaErgonomia e Antropometria
Ergonomia e AntropometriaLuisMagina
 

Mais de LuisMagina (20)

United Kingdom? Yes, please!
United Kingdom? Yes, please!United Kingdom? Yes, please!
United Kingdom? Yes, please!
 
Job interview - Work and Career
Job interview - Work and Career Job interview - Work and Career
Job interview - Work and Career
 
Reis e Presidentes de Portugal
Reis e Presidentes de PortugalReis e Presidentes de Portugal
Reis e Presidentes de Portugal
 
A Higiene
A Higiene A Higiene
A Higiene
 
Protestantismo
ProtestantismoProtestantismo
Protestantismo
 
Dar sangue
Dar sangueDar sangue
Dar sangue
 
Teenage pregnancy
Teenage pregnancyTeenage pregnancy
Teenage pregnancy
 
Immanuel Kant
Immanuel Kant Immanuel Kant
Immanuel Kant
 
Immanuel Kant
Immanuel KantImmanuel Kant
Immanuel Kant
 
New Year in London (Festival and Eve)
New Year in London (Festival and Eve)New Year in London (Festival and Eve)
New Year in London (Festival and Eve)
 
Monumentos de Londres
Monumentos de LondresMonumentos de Londres
Monumentos de Londres
 
Luís de Camões
Luís de CamõesLuís de Camões
Luís de Camões
 
Road to the Oscars 2013/2014
Road to the Oscars 2013/2014Road to the Oscars 2013/2014
Road to the Oscars 2013/2014
 
Romanização da Península Ibérica
Romanização da Península IbéricaRomanização da Península Ibérica
Romanização da Península Ibérica
 
Gravidez na Adolescência
Gravidez na AdolescênciaGravidez na Adolescência
Gravidez na Adolescência
 
Life in the Future
Life in the FutureLife in the Future
Life in the Future
 
Thanksgiving
ThanksgivingThanksgiving
Thanksgiving
 
Canada
Canada Canada
Canada
 
Furacões
FuracõesFuracões
Furacões
 
Ergonomia e Antropometria
Ergonomia e AntropometriaErgonomia e Antropometria
Ergonomia e Antropometria
 

Último

atividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetizaçãoatividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetizaçãodanielagracia9
 
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdf
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdfO Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdf
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdfQueleLiberato
 
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdf
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdfTIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdf
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdfmarialuciadasilva17
 
Estudo Dirigido de Literatura / Primeira Série do E.M.
Estudo Dirigido de Literatura / Primeira Série do E.M.Estudo Dirigido de Literatura / Primeira Série do E.M.
Estudo Dirigido de Literatura / Primeira Série do E.M.Paula Meyer Piagentini
 
AULA-06---DIZIMA-PERIODICA_9fdc896dbd1d4cce85a9fbd2e670e62f.pptx
AULA-06---DIZIMA-PERIODICA_9fdc896dbd1d4cce85a9fbd2e670e62f.pptxAULA-06---DIZIMA-PERIODICA_9fdc896dbd1d4cce85a9fbd2e670e62f.pptx
AULA-06---DIZIMA-PERIODICA_9fdc896dbd1d4cce85a9fbd2e670e62f.pptxGislaineDuresCruz
 
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitação
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitaçãoSer Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitação
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitaçãoJayaneSales1
 
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptxSlides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptxLuizHenriquedeAlmeid6
 
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETO
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETOProjeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETO
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETODouglasVasconcelosMa
 
CRONOGRAMA: AÇÕES DO PROJETO ESTAÇÃO LEITURA
CRONOGRAMA: AÇÕES DO PROJETO ESTAÇÃO LEITURACRONOGRAMA: AÇÕES DO PROJETO ESTAÇÃO LEITURA
CRONOGRAMA: AÇÕES DO PROJETO ESTAÇÃO LEITURADouglasVasconcelosMa
 
As variações do uso da palavra "como" no texto
As variações do uso da palavra "como" no  textoAs variações do uso da palavra "como" no  texto
As variações do uso da palavra "como" no textoMariaPauladeSouzaTur
 
A área de ciências da religião no brasil 2023.ppsx
A área de ciências da religião no brasil  2023.ppsxA área de ciências da religião no brasil  2023.ppsx
A área de ciências da religião no brasil 2023.ppsxGilbraz Aragão
 
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...nexocan937
 
Modelos atômicos: quais são, história, resumo
Modelos atômicos: quais são, história, resumoModelos atômicos: quais são, história, resumo
Modelos atômicos: quais são, história, resumoprofleticiasantosbio
 
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...Unidad de Espiritualidad Eudista
 
Jogo de Revisão Terceira Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Terceira Série (Primeiro Trimestre)Jogo de Revisão Terceira Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Terceira Série (Primeiro Trimestre)Paula Meyer Piagentini
 
Prova de Empreendedorismo com gabarito.pptx
Prova de Empreendedorismo com gabarito.pptxProva de Empreendedorismo com gabarito.pptx
Prova de Empreendedorismo com gabarito.pptxJosAurelioGoesChaves
 
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoGametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoCelianeOliveira8
 
Jogo de Revisão Segunda Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Segunda Série (Primeiro Trimestre)Jogo de Revisão Segunda Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Segunda Série (Primeiro Trimestre)Paula Meyer Piagentini
 

Último (20)

atividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetizaçãoatividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetização
 
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdf
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdfO Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdf
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdf
 
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdf
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdfTIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdf
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdf
 
Estudo Dirigido de Literatura / Primeira Série do E.M.
Estudo Dirigido de Literatura / Primeira Série do E.M.Estudo Dirigido de Literatura / Primeira Série do E.M.
Estudo Dirigido de Literatura / Primeira Série do E.M.
 
AULA-06---DIZIMA-PERIODICA_9fdc896dbd1d4cce85a9fbd2e670e62f.pptx
AULA-06---DIZIMA-PERIODICA_9fdc896dbd1d4cce85a9fbd2e670e62f.pptxAULA-06---DIZIMA-PERIODICA_9fdc896dbd1d4cce85a9fbd2e670e62f.pptx
AULA-06---DIZIMA-PERIODICA_9fdc896dbd1d4cce85a9fbd2e670e62f.pptx
 
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitação
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitaçãoSer Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitação
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitação
 
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptxSlides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
 
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETO
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETOProjeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETO
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETO
 
CRONOGRAMA: AÇÕES DO PROJETO ESTAÇÃO LEITURA
CRONOGRAMA: AÇÕES DO PROJETO ESTAÇÃO LEITURACRONOGRAMA: AÇÕES DO PROJETO ESTAÇÃO LEITURA
CRONOGRAMA: AÇÕES DO PROJETO ESTAÇÃO LEITURA
 
As variações do uso da palavra "como" no texto
As variações do uso da palavra "como" no  textoAs variações do uso da palavra "como" no  texto
As variações do uso da palavra "como" no texto
 
A área de ciências da religião no brasil 2023.ppsx
A área de ciências da religião no brasil  2023.ppsxA área de ciências da religião no brasil  2023.ppsx
A área de ciências da religião no brasil 2023.ppsx
 
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
 
“O AMANHÃ EXIGE O MELHOR DE HOJE” _
“O AMANHÃ EXIGE O MELHOR DE HOJE”       _“O AMANHÃ EXIGE O MELHOR DE HOJE”       _
“O AMANHÃ EXIGE O MELHOR DE HOJE” _
 
Modelos atômicos: quais são, história, resumo
Modelos atômicos: quais são, história, resumoModelos atômicos: quais são, história, resumo
Modelos atômicos: quais são, história, resumo
 
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...
 
Os Ratos - Dyonelio Machado FUVEST 2025
Os Ratos  -  Dyonelio Machado  FUVEST 2025Os Ratos  -  Dyonelio Machado  FUVEST 2025
Os Ratos - Dyonelio Machado FUVEST 2025
 
Jogo de Revisão Terceira Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Terceira Série (Primeiro Trimestre)Jogo de Revisão Terceira Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Terceira Série (Primeiro Trimestre)
 
Prova de Empreendedorismo com gabarito.pptx
Prova de Empreendedorismo com gabarito.pptxProva de Empreendedorismo com gabarito.pptx
Prova de Empreendedorismo com gabarito.pptx
 
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoGametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
 
Jogo de Revisão Segunda Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Segunda Série (Primeiro Trimestre)Jogo de Revisão Segunda Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Segunda Série (Primeiro Trimestre)
 

Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica

  • 1. os Maias de Eça de Queiróz
  • 2. Índice Introdução; Geração de 70 e a Questão Coimbrã; Realismo e Naturalismo; Vida e Obra de Eça de Queiróz; “Os Maias”: título e subtítulo; Ação: intriga principal e secundária; Personagens mais importantes: caracterização; O Espaço - físico, social e psicológico; Tempo: arquitetura do romance; O Narrador; A Educação; Simbolismo; Estilo e Linguagem; A minha visão; Bibliografia;
  • 3. Introdução “Os Maias” é, sem dúvida, uma das obras mais importantes da literatura portuguesa. Considerada por muitos a melhor obra de Eça de Queiróz, esta obra publicada pela primeira vez em 1888 centra-se na história da família Maia ao longo de três gerações dando destaque especial à última, a de Carlos da Maia. O amor incestuoso de Carlos e Maria Eduarda corresponde, assim, ao tema principal d’“Os Maias”. À medida que a história se desenrola nesta vertente, desenvolve-se uma segunda linha de ação correspondente à crítica da sociedade oitocentista Lisboeta. Quer a nível político ou cultural, a burguesia é espicaçada das mais variadas formas na tentativa de despoletar a reflexão e mudança de hábitos. Este trabalho visa a análise e desenvolvimento de alguns aspetos da obra inseridos no programa da disciplina de Português de 11º ano, sem esquecer a caracterização do autor mencionando alguns aspectos e acontecimentos históricos da época em que viveu. ´
  • 4. A Geração de 70 e a Questão Coimbrã Em 1865, António de Castilho, mentor de um grupo de ultrarromânticos teceu comentários depreciativos em relação à poesia de Teófilo Braga e Antero Quental. Tanto Eça como Antero, realistas, respondem a Castilho de forma destruidora, desencadeando polémicas no meio literário. Muitos escritores envolveram-se na questão (a Questão Coimbrã) criando-se dois grupos: os que concordavam com Castillho e os que concordavam com os autores conimbrences. A Geração de 70 ou Geração de Coimbra corresponde à geração oposta ao ultrarromantismo de Castilho ligada ao período de Regeneração que revolucionou a cultura portuguesa (literatura e política) com a introdução do realismo. António de Castilho Antero de Quental
  • 5. Este grupo de jovens intelectuais da Universidade de Coimbra defendia a intrusão da literatura na vida social que era marcada pela ignorância e corrupção. Este grupo é composto por onze portugueses que tiveram destaque na vida social e política do século XIX como por exemplo Antero de Quental, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro e Eça de Queirós. Estes reuniam-se com regularidade entre 1888 e 1894 para convivência intelectual, troca de ideias, livros e formas de renovar a política e cultura portuguesas. Atentos às ideias e tendências europeias, defendiam uma poesia atual e objetiva baseados nos contributos científicos e filosóficos. Mais tarde, já em Lisboa, o grupo reúne-se no Casino Lisbonense onde se realizam as Conferências do Casino. Nestas reuniões, Eça critica o romantismo decadente e apoia o realismo de Émile Zola (por exemplo) e Antero de Quental expõe os seus ideais socialistas. Por outro lado, esta geração critica a monarquia decadente preparando a revolução republicana de 1910.
  • 6. Desta forma, tanto a Questão Coimbrã como as Conferências do Casino inserem-se num processo que tem como objetivo a dissolução do ultrarromantismo sentimental e subjetivo. Através da eliminação da ala esquerda liberal e da criação de um governo constituído por poucos elementos, esta geração consegui a estabilização (apenas aparente) da vida política e social. Apesar de tudo, a Geração de 70, no final, desiste de uma intervenção histórica concreta e imediata, transformando-se no Grupo dos Vencidos da Vida. Em 1891, Antero suicida-se marcando esta Geração de forma trágica. N’ “Os Maias”, Carlos e Ega são da mesma geração que a geração de 70 e tal como esta não realizam nenhum dos projetos que propõe realizar, sendo igualmente uns vencidos da vida. Os Vencidos da Vida
  • 7. Realismo e Naturalismo O Realismo e o Naturalismo foram as duas escolas literárias dominantes desde o fim do século XIX até ao iníncio do século XX. Frequentemente estas duas concenções são confundidas devido à sua relativa proximidade. No entanto, há diferenças que as permitem distinguir. Surgindo como reação contra o romantismo, o Realismo é a doutrina filosófica e corrente estética e literária que procura retratar a realidade com exatidão. Esta escola mostra preocupação com a estética e com factos concretos. Intimamente ligada a momentos cronológicos tais como descobertas científicas e revelações tecnológicas, o realista não apresenta tanta profundidade analítica como um naturalista e, por isso, não tem preocupação pela patologia pessoal. Este movimento artístico preocupa- se então com a objetividade da realidade (ao invés do subjetivismo emocional naturalista) que é analisada sem a interferência de reflexões intelectuais.
  • 8. Um romance realista procura pintar o retrato de uma época, descrevendo espaços sociais minuciosa e pormenorizadamente. Isto é observável n’”Os Maias” em que o comportamento das personagens (principalmente as personagens tipo) é descrito para criticar a sociedade que é corrupta, supérflua, ignorante e retrógrada. Cronologicamente posterior ao Realismo, o Naturalismo é a conceção filosófica caracterizada pelo determinismo e pela ideologia que o destino das personagens é de certa forma decidido pela Natureza. Segundo Eça, o naturalismo consiste em descrever a realidade tal como ela é, ignorando conceitos transcendentes às ciências naturais por nós produzidos. A obra naturalista tenta justificar os níveis emocionais da personagem com o seu passado, educação, hereditariedade e posição socioeconómica. Um romance naturalista é, por excelência experimental (tal como uma ciência) e orienta a sua tese com análise social coletiva onde o humano é guiado por forças instintivas naturais. Um naturalista identifica a verdadeira tese com intenção científica como uma obra de arte e analisa o que há de errado numa sociedade com rigor técnico. Concluindo, os realistas e naturalistas têm preconceitos científicos semelhantes, sendo a forma como interpretam os dados analisados para fazer uma obra de arte, indubitavelmente distintas.
  • 9. Vida e Obra de Eça de Queiróz 1845 – José Maria Eça de Queirós nasce na Póvoa do Varzim a 25 de Novembro, fruto de uma relação ilegítima entre D. Carolina Augusta Pereira de Eça e José Maria d`Almeida de Teixeira de Queiróz. D. Carolina Augusta fugiu de casa para que a sua criança nascesse afastada do escândalo da ilegitimidade. O pequeno Eça foi levado para casa de sua madrinha, em Vila do Conde, onde permaneceu até aos quatro anos. 1849 – Os seus pais casam-se, tornando o casamento legítimo o que fez com que Eça fosse levado para Aveiro, para a casa dos seus avós onde ficou a viver dez anos. 1859 – Junta-se aos seus pais no Porto onde faz os seus estudos secundários. 1861 – Já na Universidade de Coimbra, onde estuda Direito, junta-se ao famoso grupo académico da Escola de Coimbra e, juntamente com Antero Quental, torna-se um dos elementos mais proeminentes da Questão Coimbrã e da Geração de 70. 1865 – O grupo revolta-se contra o grupo de escritores de Lisboa o que viria a ser considerada como a semente do realismo em Portugal. Póvoa do Varzim, 1845 Pais de Eça Grupo Académico dos Vencidos da Vida
  • 10. 1866 – Acaba o curso e fixa-se em Lisboa, em casa dos pais, no Rossio, 26, 4º andar, onde trabalha como jornalista e advogado no Supremo Tribunal da Justiça 1869 - Assiste à inauguração do Canal do Suez o que o faz viajar pela Palestina que serviu de fonte de informação para escrever “O Egito” e “A Relíquia”. 1870 – Participou ativamente nas “Conferências do Casino” onde apresentou o Realismo como nova expressão de Arte e iniciou, em conjunto com Ramalho Ortigão, escreveu o romance policial “O Mistério da Estrada de Sintra” 1871 – Ainda com Ramalho Ortigão, publica “As Farpas”, sátiras à vida social publicadas em folhetins. Entra para o Serviço Diplomático e foi Administrador do Concelho em Leiria. 1872 - É nomeado Cônsul em Cuba. 1873 – Viaja pelo Canadá, Estados Unidos e América Central. 1875 – É transferido para Inglaterra, onde começou a escrever “Os Maias”, “O Mandarim” e “A Relíquia”. Neste ano “O Crime do Padre Amaro” é publicado, marcando o início do Realismo em Portugal. Rossio, nº26, em 2014 Canal do Suez, na altura da sua inauguração Eça em Montreal, Canadá. Eça em Newcastle, Inglaterra.
  • 11. 1878 – Abandona Inglaterra e publica “O Primo Basílio”. 1886 – Casa com D. Maria Emília de Castro, apesar da diferença de idades de 11 anos que os separava. Acabam por ter dois filhos. 1888 – É nomeado cônsul de Portugal em Paris. Neste ano também publica “Os Maias” e “A Ilustre Casa de Ramires”. Dirige a "Revista de Portugal”. 1900 – Morre em Paris, a 16 de Agosto. Em Setembro, o corpo é transferido para Portugal. Emília de Castro Eça e o filho Eça e a filha. Eça em Paris. Casa de Neuilly, Paris em 1897 Cortejo fúnebre ao autor em Lisboa.
  • 12. “Os Maias”: título e subtítulo A obra “Os Maias” recebe este título porque acompanha três gerações da família Maia correspondentes a momentos histórico-políticos e culturais diferentes: 1º Geração, a de Afonso da Maia, marcada pela reação contra o absolutismo e a defesa dos valores antigos. 2º Geração, a de Pedro da Maia, marcada pela instauração do Liberalismo e pelo ultrarromantismo. 3º Geração, a de Carlos da Maia, marcada pela queda dos ideais liberais. 1º Geração 2º Geração 3º Geração
  • 13. O título refere-se às intriga principal e secundária e acompanha a história de vida e peripécias dos três elementos masculinos da família Maia antes referidos. O subtítulo “Episódios da Vida Romântica” indica a intenção de descrever o estilo de vida romântico através de episódios que se relacionam de alguma maneira com as personagens principais. O subtítulo é justificado pois o narrador oferece-nos vários casos, cenas ou atitudes, consideradas típicas dos Romantismos de 1875/1876 e de Portugal caracterizado pelo desânimo da geração de setenta.
  • 14. Ação: intriga principal e secundária A ação n’”Os Maias” desenvolve-se em dois níveis distintos: o da intriga (correspondente ao título), história vivida pelas personagens e o da crónica de costumes (que justifica a existência do subtítulo), a crítica da vida social. A intriga, identificada como uma ação fechada (pressupõe desenlace), pode ser divida em intriga principal e intriga secundária. A intriga principal é organizada em torno do amor incestuoso do protagonista Carlos e Maria Eduarda que acaba com a separação da família e morte de Afonso, o desfecho trágico. Resume-se da seguinte forma: 1. Carlos vê Maria Eduarda 2. Carlos visita Rosa 3. Carlos conhece Maria Eduarda 4. Carlos e Maria Eduarda envolvem-se e consuma-se o incesto (embora inconsciente) 5. Guimarães conta revelações a Ega 6. Ega conta as revelações a Carlos que por sua vez conta a Afonso 7. Consuma-se o incesto conscientemente
  • 15. 8. Carlos encontra-se com Afonso 9. Afonso morre 10. Carlos conta revelações a Maria Eduarda 11. Maria Eduarda parte Na intriga secundária, predecessora da principal, é narrada a história de Afonso da Maia, a história de Pedro da Maia e Maria Monforte e a infância e juventude de Carlos. Esta pode ser resumida da seguinte forma: 1. Pedro vê Maria Monforte 2. Pedro namora Maria Monforte 3. Pedro casa com Maria Monforte 4. Maria Monforte abandona Pedro e leva a filha 5. Pedro suicida-se Como sugerido pelo subtítulo, em alternância com esta história desenrola-se um conjunto de episódios chamado “Crónica de Costumes”. A crónica de costumes são episódios de representação social em que nos é dada uma visão dos costumes quotidianos da sociedade lisboeta no final do século XIX. É numa Lisboa monótona, amolecida e de clima rico, que Eça vai fazer a crítica social, em que domina a ironia, corporizada em representantes de ideias, mentalidades, costumes, políticas, conceções do mundo, etc.
  • 16. Estes episódios servem de pano de fundo para a intriga principal por isso a relação com esta é evidente e são muitos os momentos que o comprovam: Os Maias Episódios da Vida Romântica O Jantar do Hotel Central Carlos vê Maria Eduarda pela 1º vez As Corridas no Hipódromo Carlos procura Maria Eduarda O Jantar dos Gouvarinhos Carlos declara- se a Maria Eduarda Episódios da "Corneta do Diabo" e "A Tarde" Ega é cúmplice da relação amorosa Sarau Literário da Trindade Revelação do relacionamento incestuoso
  • 17. Concluindo: a intriga principal articula-se com a intriga secundária para construir uma linha de narração. Enquanto que isto acontece, os vários episódios da vida romântica vão ocorrendo, por vezes entrando em contacto com a intriga. A continuidade da intriga é inviabilizada pelo desenlace e o romance acaba.
  • 18. As Personagens Mais Importantes e sua Caracterização N’ “Os Maias” são mencionadas mais de uma centena de personagens que podem ser organizadas de acordo com o seu relevo e participação na narrativa. Assim deparamo-nos com personagens que contribuem para a intriga principal e secundária (a história em si) e com personagens que fazem parte da crónica dos costumes (dos episódios da vida romântica). As personagens de maior importância da intriga são:  Afonso da Maia - Personagem secundária e modelada Filho de Caetano da Maia e avô de Carlos, Afonso fisicamente era “maciço”, baixo com cabelo branco curto, cara larga, ombros fortes e barba comprida. Símbolo do liberalismo, abandona Portugal para ir para Inglaterra regressando apenas para casar com Maria Runa. Afonso é a única personagem a quem não são apontados quaisquer defeitos pois este representa o português ideal: sério mas simpático, firme, austero embora generoso e sensível, determinado, culto, com bom gosto e de bons valores (família, justiça e sociedade). Com uma paciência interminável é quem vai educar Carlos após Pedro se suicidar. Passa os seus dias com os seus amigos no Ramalhete mas mantém sempre a sua ligação com Santa Olávia onde fica em contacto com a natureza. Na sequência do incesto dos seus netos morre de apoplexia (e de desgosto), no jardim do Ramalhete.
  • 19.  Maria Eduarda Runa – Personagem secundária Filha do conde de Runa, Maria Runa, é a linda e mimosa mulher de Afonso e avó de Carlos. Quando Afonso é forçado a exilar-se, Maria Eduarda Runa acompanha-o mas não reage bem a Inglaterra, mostrando- se sempre infeliz e nostálgica. Por causa da sua devoção extrema, faz com que Pedro seja educado de forma tradicional, contrariando a heresia daquela terra. A sua tristeza e melancolia acabam por levar a melhor desta lisboeta ferrenha que morre na agonia.  Pedro da Maia - Personagem secundária e modelada Pedro da Maia, filho de Afonso e pai de Carlos, é caracterizado como sendo pequeno, com face oval e belos olhos. Considerado o protótipo do herói romântico, Pedro, vítima da educação que recebe, torna-se fraco, nervoso e emocionalmente instável. Aquando da fuga de Maria Monforte, por quem tem uma repentina e arrebatadora paixão, mostra-se um cobarde ao suicidar-se por não conseguir lidar com o problema e aceitar a realidade.  Maria Monforte – Personagem secundária Mãe de Carlos e de Maria Eduarda, Maria Monforte é uma mulher extremamente bela, loira, exuberante, com lindos olhos azuis e figura clássica e estatual. Descontente com o seu casamento com Pedro da Maia, foge com Tancredo levando consigo a filha e abandona Carlos e Pedro, que se suicida. Mesmo depois de Tancredo morrer, Maria Monforte não tenta pedir por perdão e continua a aventurar-se em futilidades, morrendo pouco tempo depois. É descrita como uma mulher leviana, imoral, fria, cruel e caprichosa e uma das personagens mais importantes ao ser a responsável por desencadear a intriga principal e, consequentemente, por todas as desgraças da família Maia.
  • 20.  Carlos da Maia – Personagem principal modelada Carlos da Maia, o protagonista d’”Os Maias”, fisicamente era alto, bem constituído, bonito com ombros largos, pele branca, cabelos e olhos negros (dos Maias) e um bonito bigode à semelhança de um cavaleiro. Filho de Maria Monforte e Pedro da Maia, Carlos, quando o pai se suicida, vai viver em Santa Olávia com o avô que lhe proporciona uma educação britânica. Seguidamente vai para Coimbra onde estuda Medicina e conhece quem viria a ser o seu inseparável amigo, João da Ega. Depois de fazer uma viagem pela Europa, Carlos regressa a Lisboa e instala-se no Ramalhete com o avô. Em Lisboa causa uma boa impressão entre o meio aristocrata por ser culto, com bom gosto e elegante e por parecer tão promissor apesar de cair rapidamente no diletantismo, ao ter os mais variadíssimos projetos que nunca chega a concretizar. A certo ponto tem um caso com a condessa Gouvarinho mas Carlos só depois é que chega a conhecer o seu verdadeiro amor, Maria Eduarda, com quem teria uma relação aparentemente adúltera. Depois de descobrir que Maria Eduarda era sua irmã, refugia-se em Paris assumindo que falhara na vida. Representa, assim, a falta de capacidade de regeneração do país.  Maria Eduarda - Personagem principal modelada Maria Eduarda, irmã de Carlos, viúva de Mac Gren e mãe de Rosa, era uma mulher de uma beleza divinal, loira, delicada, bem feita e sensual. O seu encanto é intensificado pelo facto de o seu passado ser misterioso durante grande parte da obra com o objetivo de preparar o final dramático.
  • 21. Esta personagem mantêm-se sempre à margem das outras personagens e nunca é criticada sendo a sua caracterização feita com o contraste entre si e as outras personagens femininas. Sempre sensata, equilibrada e digna, Maria Eduarda, por ter sido educada num convento, apresenta tanto uma vertente moral e cultural como uma vertente de grande vulgaridade. Simboliza, à semelhança do resto das mulheres da família, a fatalidade e a desgraça.  João da Ega - Personagem principal modelada Considerado o alter-ego de Eça de Queiróz, Ega, fisicamente, era esguio, com membros longos, nariz curvo e usava sempre monóculo. Filho de uma rica fidalga, Ega licenciou-se em Direito em Coimbra juntamente com Carlos de quem ficou melhor amigo. Destaca-se por ser sentimentalista, sarcástico, naturalista, provocador, excêntrico e um ateu de primeira. Em resumo: o diabo em pessoa. Gosta de ser o centro das atenções, de ser lisonjeado e só para provocar o escândalo é capaz de discordar de com quem fala sobre os assuntos mais elementares. Sempre envolto em planos (peças, livros, revistas) que nunca a chega a executar, Ega apaixona-se por Raquel Cohen mas o caso não acaba bem. Ega é, indubitavelmente, o fiel confidente de Carlos ao longo de toda a obra e nos últimos capítulos ocupa um papel de grande relevo na intriga principal. É ele que fica a saber dos documentos que identificavam Maria Eduarda como irmã de Carlos e é ele a quem tais documentos são entregues; é ele que conta a Vilaça a revelação trágica e é na sua companhia que Carlos a conta a Afonso.
  • 22.  Guimarães - Figurante, personagem plana Com grandes barbas e chapéu de abas, Guimarães, tio do Dâmaso, era um antigo trabalhador do jornal “Rappel” que veio de Paris. Guimarães acaba por ser a personificação do destino ao trazer um cofre a ele confiado por Maria Monforte, que continha declarações da verdadeira identidade da filha. Vai assim desencadear a catástrofe e trazer a verdade destruidora da felicidade de Carlos e Maria Eduarda. Usadas como meio para criticar a sociedade, as personagens mais importantes da crónica dos costumes são:  Dâmaso Salcede - Figurante, personagem plana tipo Gordo e baixo, Dâmaso era o sobrinho de Guimarães e filho de um agiota. Dâmaso era pretensioso, convencido, excêntrico e um cobarde sem dignidade. Antes um grande amigo e confidente de Carlos por partilharem ideiais culturais semelhantes, Dâmaso acaba por ser um poço de defeitos. Pela grande admiração (e inveja) que tem por Carlos, a personificação do bom gosto, tenta imitá-lo em tudo o que faz de forma a tornar-se “chic a valer”. É, também, o protagonista de situações importantes e/ou cómicas na obra como quando assina uma carta alegando que é um bêbedo para evitar o duelo com Carlos, quando escreve a carta anónima a Castro Gomes revelando o envolvimento de Maria Eduarda com Carlos e quando é responsável pela notícia sobre n’ “A Corneta do Diabo”. Para além disso, Dâmaso é ateu, desenvolve projetos que nunca cumpre e está sempre a criticar os vício, pelo que é considerado a representação dos vícios e podridão da sociedade.
  • 23.  Euzebiozinho (Silveira) - Figurante, personagem plana tipo Eusebiozinho (ou Silveirinha) é o primogénito de uma das senhoras ricas da Quinta da Lagoaça, as Silveiras, e irmão da Teresinha. Cresceu em Santa Olávia ao lado de Carlos com quem brincava mas devido à educação retrógrada que recebeu, cresceu tornando-se triste, molengão e sem motivações nem objetivos na vida. Acabou por casar-se quase por obrigação mas cedo ficou viúvo. Com uma vida medíocre, Eusebiozinho é a representação da forma ridícula de educação tradicional portuguesa e um instrumento para o autor a criticar.  (Tomás de) Alencar - Figurante, personagem plana Alencar fisicamente era muito alto, careca, com voluptuosos bigodes, nariz curvo e olhos encovados. Companheiro de Pedro da Maia, é utilizado pelo autor para começar discussões entre as escolas naturalista e romântica (sendo ele um ávido defensor da última). Tais discussões são representações satíricas da Questão Coimbrã.  Cruges - Figurante, personagem plana tipo Amigo de Carlos e íntimo do Ramalhete, Cruges é maestro e pianista e representante da cultura artística. Tinha um nariz espetado, olhos pequenos e um cabelo longo e ondulado. Com a sociedade lisboeta a revelar falta de cultura e interesse, a sua música acabava por ser menosprezada pelo que fica desmotivado e frustrado. É o músico idealista que pelo verdadeiro amor à arte que revela distingue-se da mediocridade artística nacional.
  • 24.  Craft - Figurante, personagem plana tipo Pouco importante no desenrolar da ação, este frequentador do Ramalhete defende a arte como uma expressão do melhor da Natureza pelo que gasta o seu tempo e dinheiro a viajar e colecionar obras de arte. Representa a formação britânica e é o protótipo do que um homem deve ser: forte, culto, de hábitos rígidos, educado e de grande retidão.  Conde de Gouvarinho - Figurante, personagem plana tipo O conde de Gouvarinho era ministro do Reino e era casado com a condessa de Gouvarinho que tratava com brutalidade. Velho e conservador, revela falta de cultura e de capacidade de análise nos jantares descritos. É uma representação do político incompetente que, apesar de ocupar altos cargos, manifesta grandes lapsos de conhecimento sobre os assuntos mais básicos.  Condessa de Gouvarinho - Figurante, personagem plana tipo Filha de um rico comerciante inglês, a condessa de Gouvarinho é a mulher do conde de Gouvarinho. Com cabelo ruivo, olhos escuros e uma linda pele, a condessa é sensual e provocadora. Apaixona-se por Carlos com quem tem uma relação (ou obsessão) amorosa sem ter qualquer tipo de remorsos. Despreza totalmente o marido por questões monetárias e mostra-se disposta a abandoná-lo, o que revela a sua falta de escrúpulos e valores morais. Representa a aristocracia de Lisboa e todas as mulheres que mantêm amores fora do casamento.
  • 25.  Sousa Neto - Figurante, personagem plana tipo Sousa Neto é o oficial superior da administração do Ministério da Instrução Pública que é tudo menos culto. Vaidoso e não muito inteligente, representa a ineficácia e falta de cultura da Administração Pública.  (Jacob) Cohen - Figurante, personagem plana tipo Cohen é o diretor do Banco Nacional e marido de Raquel. É vaidoso, idiota, desonesto, incompetente e revela falta de perspicácia ao não descobrir o caso amoroso de sua mulher. Aproveita-se da situação económica do país para explorar as pessoas para proveito próprio. Representa o estado financeiro nacional conduzido por pessoas da burguesia que, apesar de pouco inteligentes, ocupam lugares de grande poder.  Raquel Cohen - Figurante, personagem plana Raquel Cohen é a vaidosa e lindíssima mulher de Jacob Cohen. Provocadora e leviana, envolve-se numa relação (obviamente adúltera) com Ega mas, quando este é expulso de sua casa, percebe que a relação era puramente para sua diversão e que Raquel não tinha qualquer intenção de ficar com ele.  Palma Cavalão - Figurante, personagem plana tipo Palma Cavalão é o redator e proprietário do jornal “A Corneta do Diabo”. Facilmente corrompido e cego pelo dinheiro, publica ou retira artigos caluniosos do seu jornal em função dos subornos que recebe. Sem escrúpulos ou moral, encara o jornalismo como apenas uma forma de fazer dinheiro. Alencar define-o como sendo um “canalha” gordo.
  • 26.  Neves - Figurante, personagem plana tipo Neves é o diretor do jornal “A Tarde” e representa o jornalista que influencia politicamente os seus leitores ignorantes. Em conjunto com Palma Cavalão, representa a decadência do jornalismo português.
  • 27. O Espaço N' “Os Maias” podemos encontrar três tipos de espaço: físico ou geográfico, psicológico e social. O espaço físico subdivide-se por sua vez em: espaços interiores e exteriores. Espaço Físico São muitos os espaços físicos n’“Os Maias” passando-se maior parte da narrativa em Portugal, mais especificamente em Lisboa e arredores. Os espaços geográficos de maior importância são:  Lisboa É aqui que se sucedem os acontecimentos essenciais da vida de Pedro da Maia e para onde Carlos vai viver depois de se formar desenvolvendo depois um amor por Maria Eduarda. Lisboa também vai ser o palco para o fracasso de Carlos e para a caracterização de personagens da sociedade de costumes, através de micro-espaços criados pelo autor. Espaço Físico Interiores Exteriores Psicológico Social
  • 28.  Santa Olávia Situada na margem do rio Douro, é onde Carlos passa a sua infância e para onde foge quando sabe a verdade sobre Maria Eduarda.  Coimbra É aqui que Carlos faz a sua formação académica e tem os seus primeiros casos amorosos.  Sintra Lugar de encontro de personagens da crónica de costumes e do par romântico protagonista.  Olivais Aqui se situa a Toca, onde Carlos e Maria Eduarda se encontram em segredo.  O estrangeiro O estrangeiro, apesar de não ser descrito na obra, é utilizado como uma maneira para resolver problemas. As três gerações da família Maia chegam a ir para o estrangeiro a certo ponto das suas vidas com Afonso a exilar-se em Inglaterra para fugir aos miguelistas, com Pedro e Maria Monforte a fugirem para Paris e Itália para que Afonso aceitasse o seu amor e com Carlos a ir numa viagem para se refugiar do seu fracasso incessante, já no final. Também Dâmaso decide fugir para Paris depois da publicação da sua carta. Para além de espaços exteriores, n’“Os Maias” são referidos vários espaços interiores: O Ramalhete – Situada na Rua S. Francisco de Paula em Lisboa, o Ramalhete era a residência da família Maia. Lá podemos encontrar os jardins, o salão de convívio, o quarto de Carlos, o severo escritório de Afonso e o informal e diletante consultório de Carlos. Sintra
  • 29. A Vila Balzac – Este retiro amoroso de João da Ega é uma projeção da sua personalidade ambígua por revelar-se dividido entre duas formas de expressão. A Toca – Esta propriedade de Craft é arrendada por Carlos para consumar de forma privada o seu amor com Maria Eduarda. Esta exótica casa surge como um presságio do incesto e uma representação do que é moralmente proibido. A casa de Maria Eduarda – Situada na Rua S. Francisco, esta casa alugada à família Castro Gomes por Cruges é onde Carlos e Maria Eduarda falam pela primeira vez. Outros espaços de menor importância que servem de palco (alguns literalmente) para as personagens da crónica de costumes são: o Grémio Literário, o Teatro de S. Carlos, o Teatro da Trindade, o Hotel Central, o Hotel de Bragança, a casa dos Gouvarinhos e o Hipódromo. Rua S. Francisco Grémio Literário Grémio Literário, 2014 Teatro de S. Carlos, 1884 Teatro de S. Carlos, 2014
  • 30. Teatro da Trindade Teatro da Trindade, 2014 Hotel Central e Largo Camões Hotel Central e Largo Camões, 2014 Hotel Bragança, 1881 Hipódromo de Lisboa A menção destes espaços é de extrema importância para Eça que, como realista, acreditava que o ambiente que rodeia uma personagem vai interagir mutuamente com ela.
  • 31. Espaço Social Mais importante que o físico, o espaço social abarca momentos como as soirés, os bailes, os espetáculos e os jantares onde atuam as personagens da alta aristocracia e burguesia. Estas personagens são usadas por serem uma representação fiel da sociedade criticada pelo autor que tenta recriar através delas o panorama social organizando os acontecimentos em episódios inseridos na crónica de costumes. Podemos ver essa crítica principalmente nos seguintes episódios: O Sarau no Teatro da Trindade, as corridas de cavalos no Hipódromo e os jantares (no Hotel Central, em Santa Olávia, na Toca e em casa dos Gouvarinho). Nestes episódios, personagens como o novo-rico (Dâmaso), o literato ultrarromântico (Alencar), o diplomata (Steinbroken), o banqueiro (Cohen), o artista incompreendido (Cruges) e o diletante (Craft) reúnem- se manifestando as características das classes sociais a que pertencem. Por exemplo, no episódio das corridas de cavalo, o autor satiriza e critica a ambição da sociedade de ser como sociedades estrangeiras e ironiza a forma como a assistência feminina se comportava e se vestia fazendo-nos perceber que a ignorante e supérflua sociedade burguesa vivia de aparências. Podemos concluir que o espaço social cumpre ao longo da obra um papel marcadamente crítico.
  • 32. Espaço Psicológico O espaço psicológico é constituído pela consciência, os estados de alma, as emoções e o íntimo das personagens e é manifestado principalmente em momentos de grande carga emocional através de monólogos interiores. As personagens (sobretudo as principais) mostram- nos as suas reflexões, sonhos e imaginação dando-nos a sua visão subjetiva do mundo e das pessoas que as rodeiam. À medida que nos aproximamos do desenlace, a importância dada ao espaço psicológico vai aumentando, principalmente com Carlos da Maia. Destaca-se como espaço psicológico os seguintes momentos, quando Carlos:  sonha com Maria Eduarda (duas vezes);  reflete sobre o grau de parentesco que o liga a Maria Eduarda;  encontra o avô morto, no jardim;  vê o Ramalhete e o avô, após o incesto;  vê a casa de Maria Eduarda de forma diferente após saber que ela era sua irmã; O espaço psicológico também está presente com Ega depois de descobrir a verdadeira identidade de Maria Eduarda e de ter de tomar uma decisão de como contar a Carlos. É o espaço psicológico que, ao nos revelar as profundezas da consciência das personagens, permite caracterizar Carlos e Ega como personagens modeladas.
  • 33. Tempo: arquitectura do romance Tal como o espaço, o tempo n’ “Os Maias” pode ser de três tipos: o tempo histórico, o tempo do discurso e o tempo psicológico. Tempo Histórico O tempo histórico é aquele que subdivide-se em anos, meses e dias e que organiza os acontecimentos vividos pelas personagens de forma cronológica. A ação passa-se no século XIX, entre 1820 e 1887 abrangendo, portanto, quase setenta anos. No entanto a forma como o tempo é distribuído pelos anos não é consistente: Carlos acaba por se destacar relativamente aos outros membros das três gerações da família Maia.
  • 34. Tempo do Discurso O tempo de discurso é, por definição, aquele aquele que se deteta no próprio texto organizado pelo narrador, ordenado ou alterado logicamente, alargado ou resumido. O discurso começa em 1875, no Outono. Carlos acabara de voltar da sua viagem pós-formatura para viver em Lisboa com o avô. O narrador vai então, através de uma analepse, relatar os acontecimentos passados: a juventude de Afonso; a educação de Pedro e seu envolvimento com Maria Monforte e a educação e formação de Carlos (Capítulos I a IV). Apesar de corresponder a cerca de sessenta anos, esta analepse ocupa relativamente pouco tempo (poucas páginas) na obra. Isto deve-se ao facto de o autor, com recurso a resumos e elipses, reduzir o tempo do discurso ficando este muito mais curto que o tempo histórico (anisocronia). No entanto, do Outono de 1875 a Janeiro de 1877, o narrador, ao utilizar diálogos, tenta que haja isocronia, ou seja, tenta que o tempo do discurso coincida com o tempo da história de forma a reproduzir fielmente o ritmo do dia-a-dia. Desta forma o narrador vai alternar lentamente as cenas do quotidiano lisboeta com a intriga principal.
  • 35. Tempo Psicológico O tempo psicológico é o tempo conforme é vivido pelas personagens. Este é subjetivo porque depende de cada personagem e alarga-se ou encurta- se dependendo do estado de espírito em que esta se encontra permitindo-nos compreender a perspetiva da personagem e os seus sentimentos. No romance, é possível encontrar-se momentos de tempo psicológico quando:  Pedro da Maia comunica a seu pai o desaparecimento de Maria Monforte;  Carlos recorda o beijo que a Condessa de Gouvarinho lhe dera;  Carlos passava longas e monótonas horas no seu consultório;  Ega espera que lhe entreguem o cofre com informações sobre Maria Eduarda;  Carlos e Ega, acabados de chegar de Paris, contemplam o Ramalhete e, com nostalgia e emoção, recordam os tempos vividos naquela casa. Carlos, amargurado e ressentido, acaba por proferir uma exclamação que resume a definição de tempo psicológico: “É curioso! Só vivi 2 anos nesta casa e é nela que me parece estar metade da minha vida inteira!”
  • 36. O Narrador Quanto à presença, o narrador é heterodiegético, ou seja, não é uma personagem da narrativa. Algumas marcas linguísticas que permitem fazer esta classificação são a utilização de pronomes, verbos e determinantes na terceira pessoa e o discurso indireto livre. Através do distanciamento característico deste tipo de narrador, um exame social de maior eficácia e objetivide é nos revelado. Quanto à ciência, o narrador é omnisciente pois mostra-se conhecedor dos sentimentos, emoções e desejos das personagens. O narrador sabe o passado e futuro de cada personagem, revela possuir total conhecimento da história e usa técnicas narrativas para arquitectar o romance ao caracterizar de forma exaustiva os espaços e personagens. Por vezes, o narrador abdica da sua omnisciência para adotar a focalização interna em que certas personagens tomam o papel crítico e/ou descritivo do narrador. Por exemplo, quando Maria Eduarda é caracterizada nota-se que o narrador encarrega Carlos de o fazer, dá mais valor ao ponto de vista subjetivo da personagem, montando a sua perspetiva com e como ele.
  • 37. Para além da focalização interna, o narrador opta, por vezes, pela focalização externa quando, por exemplo, descreve fisicamente as personagens e os espaços geográficos onde se encontram, numa tentativa de objetividade. Porém, através de diminutivos, advérbios e adjetivos com valor subjetivo, esta ojetividade revela-se apenas aparentente.
  • 38. A Educação A educação é, sem dúvida, um tema de grande centralidade n’“Os Maias”, revelando o comportamento e mentalidade de um Portugal marcadamente romântico em oposição a um Portugal novo e voltado para o futuro. Este facto deve-se à importância dada a esta problemática na caracterização das personagens segundo uma perspetiva naturalista. Ao elaborar um fiel retrato da sociedade, o narrador atribui, em parte, a culpa da crise social e cultural ao tipo de educação que um indivíduo recebe. A educação vai, assim, condicionar os princípios e valores de cada um que são, eventualmente, a base de qualquer sociedade. Através das personagens, o autor vai nos dar a conhecer diferentes conceções educativas, revelando a cultura adjacente a cada uma. São-nos então apresentados dois sistemas educativos antagónicos: A educação tradicional e conservadora (à portuguesa) protagonizada por Pedro da Maia e Eusebiozinho em que:  Recorria-se à memorização e ao catecismo para criar uma ideologia religiosa que cultivava a devoção, os valores morais e a punição do pecado -“...a decorar versos, páginas inteiras do «Catecismo de Perseverança»...” e “...Que memória! Que memória... É um prodígio!...”;
  • 39.  Dava-se atenção ao Latim que, pela sua grande coneção à igreja, deveria ser aprendido - “...a instrução para uma criança não é recitar Tityre, tu patulae recubans...”  O contacto com a Natureza era proibido tendo uma criança de ficar dentro de casa, quase enclausurado e sempre em contacto com os velhos livros - : " ... tinha medo do vento e das árvores... “ e “... Admirar as pinturas de um enorme e rico volume, «Os costumes de todos os povos do Universo»...”;  O juízo crítico e a criatividade eram desvalorizadas e inibidas de forma a que a vontade pessoal fosse alterada e de forma a levar o indivíduo a um estado de declínio das faculdades físicas e mentais. Foi este tipo de educação que levou Pedro da Maia a ser débil, a não ter a capacidade de resolver os seus problemas e a desenvolver uma relação pouco saudável com a mãe. Pedro, um ultrarromântico por excelência, é abandonado por Maria Monforte e não consegue lidar com o fracasso amoroso, acabando por se suicidar. Eusebiozinho tendo recebido o mesmo tipo de educação torna-se uma pessoa triste, intolerante, amarga, monótona e fisicamente débil ao invés do “prodígio” que todos pensavam que ele se iria tornar. Isto leva-o a ser forçado a um casamento miserável e a levar uma vida de corrupção. Esta educação, ao
  • 40. longo da obra, é defendida por Vilaça, pelo Abade Custódio, pela maior parte das pessoas da casa dos Maias e pelas pessoas de Resende. A educação moderna e atradicional (“à inglesa”) protagonizada por Carlos da Maia, ao contrário da educação “à portuguesa”, valoriza:  O exercício físico, a ginástica e o contacto direto com a Natureza - “... Correr, cair, trepar às árvores, molhar- se, apanhar soalheiras, como um filho de caseiro...” ;  O desenvolvimento intelectual por via da informação empírica - “... É saber factos, noções, coisas úteis, coisas práticas...”;  As línguas vivas como Inglês (Carlos tinha um tutor inglês), em detrimento do Latim - “... Mostrou-lhe o neto que palrava inglês com o Brown...”;  O espírito crítico e a imaginação;  A tolerância e convivência social ao instruir valores de honra, cavalheirismo e virtude.
  • 41. Carlos da Maia foi educado segundo esta educação de forma a compensar a educação do seu pai que ia contra os ideias de Afonso. Graças a ela, adquiriu valores do trabalho e conhecimento experimental que fizeram com que seguisse medicina e estivesse constantemente envolto em projetos de investigação que acabam por fracassar por culpa da sociedade em que estava inserido. Pedro da Maia, aquando da fuga de Maria Monforte, não consegue lidar com o seu fiasco amoroso ao passo que Carlos, depois do seu fracasso ocupacional, decide procurar um novo caminho. Desta vez fá-lo com a mentalidade de não recear o que possa perder ou não conseguir alcançar, o que faz com que planeie grandes projectos com o seu grande amigo Ega, que nunca chega a realizar. No entanto, por ser tão rígida e metódica, esta educação quando cumprida excessivamente à risca, acaba por formar indivíduos que não se adaptam no meio social português de modo que os seus efeitos nocivos só são revelados com o passar do tempo (em oposição a educação tradicional cujos aspetos negativos eram mais realçados na infância através do contraste entre Eusebiozinho e Carlos). Carlos, após o seu amor incestuoso, acaba por falhar na vida apesar da sua educação, enquanto que Pedro falha na vida por causa da sua educação. Foi a sociedade que o conduziu ao fracasso, pela falta de motivação e paixão romântica que o seduzira. Contudo, jamais Afonso, que tenta evitar que a desgraça do filho se repita com o neto, é posto em causa no que toca à
  • 42. educação que dá a Carlos cuja desgraça é de tal maneira incompatível com os valores morais que se sobrepõe ao seu módulo educacional. Para além de Afonso, este modo educativo é defendido por Brown (professor particular de Carlos quando este era pequeno) e pelo próprio narrador.
  • 43. Simbolismo “Os Maias” é uma obra que, depois de uma certa análise, revela-se carregado de simbolismo. Tanto as personagens como os espaços denunciam uma componente metafórica que nos é introduzida, por exemplo, por certas cores e objetos sujeitos a diferentes interpretações. A simbologia n”Os Maias” tem uma função pressagiosa da tragédia. Quanto aos espaços, é importante referir: A Vila Balzac Muito presente no quarto da casa de Ega, o vermelho transpira paixão e simboliza a dimensão fugaz e carnal do seu amor por Raquel Cohen. Os tons de amarelo e dourado também usados na casa exprimem tanto a natureza divina como o Outono associado à morte. O Ramalhete Esta casa acompanha e é a personificação do estado espírito da família Maia. Estabelece uma coneção com a dormência de Portugal até ao momento em que é habitada por Carlos e Afonso que lhe restauram a vida e esperança através da introdução de uma decoração luxuosa e cosmopolita.
  • 44. O jardim do Ramalhete, rico em simbologias, também é alvo de uma evolução. Neste destaca-se:  A cascata, um símbolo de purificação e regeneração, conota-se com o choro. No primeiro capítulo, está seca pois ainda nada aconteceu enquanto que no último esta, cheia de água, chora a tragédia que se abatera sobre os Maias bem como a morte da Afonso. É um prenúncio de tristeza e marca de forma inexorável, a passagem do tempo e os sentimentos que este faz aparecer e desaparecer.  Os girassóis que ornamentam a casa remetem-nos para o passado dos Maias e para as próprias personagens. Tal como a relação girassóis-Sol, Carlos e Pedro vêm-se envoltos em amores dos quais não consegue sair, girando cegamente ao favor das suas amadas a quem prometem fidelidade eterna;
  • 45.  O cedro e o cipreste no jardim são árvores que simbolizam, respetivamente, o envelhecimento e a morte. Unidos por um laço quase mítico e inseparável, estas árvores testemunham a história da família. Também simbolizam os inseparáveis Carlos e Ega que no final da obra ficam tão sozinhos como as árvores.  A estátua feita de mármore fúnebre de Vénus Citereira, deusa do amor, cuja presença obscura marca o início e o fim da ação principal: quando Maria Monforte foge, esta fica mais negra refletindo o ambiente; após a remodelação aparece esplendorosa simbolizando a ressurreição da esperança e no fim mostra-se enferrujada e monstruosa, à semelhança de Maria Eduarda. Esta estátua incorpora as mulheres fatais do romance. A Toca A Toca é, por definição, o nome dado à habitação de alguns animais pelo que a este refúgio amoroso de Carlos e de Maria Eduarda seja atribuído um carácter animalesco. Neste lugar, a atracção carnal e a busca pelo prazer acabam por substituir e ignorar os valores morais. O quarto de Maria Eduarda tem uma grande simbologia trágica e está carregada de presságios:
  • 46.  O quadro com a cabeça degolada de S. João Baptista (que tinha revelado a relação incestuosa de Herodes) parece pressagiar a desgraça que viria a acontecer;  As tapeçarias que descreviam o amor “desmaiado” de Vénus e Marte (que também era proibido) parecem prever o desvanecimento da relação dos protagonistas;  A coruja a olhar fixamente para o leito representa o mistério, o mau agouro e o fim sinistro da relação. Ainda na Toca, o ídolo japonês remete-nos para uma cultura estranha e figura a sensualidade e exotismo do relacionamento incestuoso. Neste armário, encontramos igualmente dois faunos que encarnam os dois amantes cheios de hedonismo e com total desprezo de quem os rodeia, evangelistas que representam a religião e os guerreiro representantes do espírito heroico. É importante referir que, na primeira noite em que os dois amantes vão para a Toca, a trovoada no exterior reflete os tempos turbulentos que se avizinhavam.
  • 47. O consultório de Carlos O consultório de Carlos tem, como cor predominante, um vermelho escuro que revela força, sensualidade e mistério. Por vezes a roçar o fúnebre, esta cor é também considerada como a mais associada ao princípio da vida pelo seu poder, brilho e presença ardente. A estátua de Camões que, no final, representa o passado nostálgico. Quanto às personagens as que, neste assunto, revelam-se importantes são: Maria Eduarda e Maria Monforte Maria Eduarda crê em presságios e pequenas coisas que a levam a adivinhar um futuro não muito risonho. As semelhanças entre Carlos e sua mãe, as semelhanças de caráter entre ela (Maria Eduarda) e Afonso e a similitude do nome de Carlos com o dela, por exemplo, são considerados presságios de uma tragédia.
  • 48. Maria Eduarda é a terceira Maria de três gerações da família Maia e à semelhança do que acontece com Maria Monforte e Maria Runa, Maria Eduarda morre (embora de forma psicológica). Maria é, assim, a revelação simbólica da família. Tanto Maria Eduarda como Maria Monforte usavam o vermelho (feminino, apaixonante e destruidor) em conjunto com o dourado, designando tanto a vida como a morte, tanto o divino como o mero mortal. Afonso Afonso da Maia é, sem dúvida, uma figura simbólica. Afonso vê semelhanças entre Pedro e um elemento da família Runa que se suicidou. Este facto aparece-nos como um claro presságio, pois Pedro também se suicida. Também é com Afonso a ser testemunha de um passeio de Pedro e Maria Monforte que nos apercebemos de certos presságios: Maria Monforte usa um vestido rosa que simboliza a vida romântica que vivia; os olhos de Maria eram de um azul sombrio e a ramagem à beira de onde caminhavam eram de um verde obscuro. Então, cores normalmente associados a bons sentimentos são pervertidos ao prever tristezas e complicações: o guarda-sol vermelho lembra a Afonso uma mancha de sangue parecida àquela que seria vista à beira de Pedro, morto.
  • 49. Estilo e Linguagem N’ “Os Maias”, a prosa de Eça de Queiróz exprime fluidamente a sua opinião e forma de pensar. Com uma mestria e destreza com as palavras, o autor preocupa-se que tanto com intriga principal como com a crítica social usando vocábulos simples aos quais atribui sentidos conotativos e mostra que o brilhantismo desta obra não reside unicamente no tema. De todas as características da prosa queiroziana presentes nesta obra, há que frisar a utilização de/da:  adjetivos – aparecendo em séries binárias e ternárias, os adjectivos contribuem para musicalidade e ritmo da frase. Os adjetivos evocam a realidade sem comprometer o espaço para a imaginação e musicalidade frásica Assim, consegue demonstrar a sua visão crítica sobre a sociedade do século XIX de uma forma subtil mas que terá um grande ênfase, fazendo com que a sua sátira nos pareça objetiva – Ex: “Dâmaso era interminável, torrencial, inundante, a falar das suas conquistas”;  verbos – tal como os adjetivos e advérbios, o autor utiliza os verbos de forma impressionista. Para evitar a monotonia da utilização constante de verbos similares, o autor substitui verbos vulgares por verbos menos comuns. O tempo mais utilizado é o pretérito imperfeito que faz com que o leitor se depare com a situação a ocorrer no momento narrado. Com o mesmo efeito, o gerúndio é igualmente utilizado para que o leitor “deslize” na narrativa – Ex: “decente, estudando, pensando, fazendo civilização como outrora”;
  • 50.  advérbios – Eça estende os adjetivos aos advérbios (advérbios com função de adjectivo), dispondo de uma vasta panóplia de advérbios expressivos com grande poder sugestivo À semelhança dos adjetivos os advérbios obrigam a que a criatividade e imaginação do leitor surja de forma espontânea. Por vezes estes estão associados em gradação “Fechou sobre mim a portinhola gravemente, supremamente” ;  vocabulário rico e variado – com o uso de neologismos, palavras inventadas pelo autor (ex: gouvarinhar) e com o uso de anglicismos e galicismos (ex: dog-cart, chic);  diminutivos – Maioritariamente usados para caracterizar ironicamente as personagens mas também para revelar ternura – Ex: “as perninhas flácidas” e “tinha uma cadelinha escocesa”;  todos os níveis de linguagem – a autor apresenta um estilo muito particular ao utilizar tanto linguagem familiar como infantil, passando por outras. O autor adapta o tipo de linguagem à personagem e sua classe social;  uso de frases curtas e diretas para que haja variedade nos discursos revelando preocupação com o ritmo e musicalidade da frase. Empregou frases curtas para que os factos e as emoções apresentadas fossem transmitidas objetivamente e, através de rimas internas, paralelismos, antíteses, frases em parelha e repetições, evita frases demasiado expositivas, fastidiosas e pouco esclarecedoras (muito característica do romantismo);  discurso indireto livre – Com o objetivo de aproximar a prosa à fala e de evitar a repetição desnecessária e aborrecida de verbos conectores do discurso, o discurso indirecto livre é muitas vezes utilizado durante a obra;
  • 51.  recursos expressivos – Os inúmeros recursos estilísticos utilizados enriquecem a prosa de Eça de Queiróz. Os mais utilizados e característicos são: † a hipálage – figura de estilo que consiste em atribuir uma qualidade de um nome a outro que lhe está relacionado, revelando assim a impressão do escritor face ao que descreve. Ex: “As titis faziam meias sonolentas” (sonolentas é transposto das personagens para o objeto); † a sinestesia – recurso estilístico que ao descrever os ambientes através do realismo, apela aos sentidos do leitor de forma a aumentar a nossa imersão na narrativa – Ex: “e, muito alto no ar, passava o claro repique de um sino”; † a ironia – recurso estilístico quase sempre presente na prosa queiroziano que, por expressar o contrário da realidade, serve para satirizar e expor contrastes e paradoxos – Ex: “É possível – respondeu o inteligente Silveira”; † a aliteração – Com a mesmo função da sinestesia, a aliteração é um recurso expressivo que utiliza a repetição de sons para exprimir sensações ou sons do meio envolvente – Ex: “um moço loiro, lento, lânguido, que se curvara em silêncio diante dela”; † a gradação; † a enumeração; † a comparação; † a personificação.
  • 52. A minha visão “Os Maias” foi a primeira obra de Eça de Queiróz que li e devo dizer que achei a sua leitura mais do que agradável. Com uma história cativante, personagens ricas e brilhante conceção, esta obra mudou radicalmente a opinião que tinha de Eça de Queiróz. Muito influenciado pela perspectiva de quem já tinha lido, pensei que se tratava de uma obra aborrecida e entediante mas sei agora que “Os Maias” é tudo menos isso. A obra é interessante, o tema é muito chamativo e as personagens vão do cómico ao dramático, passando pelo misterioso e caricato. O aspeto que mais me agrada na obra é o facto de esta estar repleta de deliciosas e longas descrições que me transportaram para a calçada lisboeta, para o núcleo do quotidiano destas pessoas, numa experiência verdadeiramente imersiva. Aprecio particularmente a capacidade e a aparente facilidade que o autor tem de mudar a carga emocional da narrativa, havendo cenas extremamente cómicas em oposição a cenas que me deixaram nervoso, a querer saber o que vai acontecer. “Os Maias” , na minha opinião, merece indubitavelmente o título de “clássico da literatura” tanto portuguesa como mundial e de todas as obras inseridas no programa da disciplina de Português foi a que mais gostei de ler. A única coisa que consigo apontar de não tão bom na obra é a certa propensão para os devaneios do autor, que por vezes se aventura pelas suas reflexões e debates interiores sobre as diferentes escolas artísticas, assunto que não me suscita grande
  • 53. curiosidade. Apesar disso, considero “Os Maias” um longo page-turner (na sua própria maneira) que se lê de um folgo e, certamente, um livro que irei reler no futuro porque afinal não se trata da história em si mas da maneira como é contada e nisso a obra é praticamente irrepreensível. O assunto (ou assuntos) da obra é o que faz dela uma obra intemporal, aplicável aos dias de hoje e que perdurará e resistirá aos castigos do tempo. Em resumo, uma sucessão de brilhantismo crítico, social e introspetivo e um livro essencial que sempre recordarei como principal incentivador da minha futura leitura de outras obras do autor.
  • 54. Bibliografia  CARNEIRO, Roberto, 2004, nova activa multimédia – Enciclopédia de Consulta – Literatura Portuguesa, Lexicultural  FERREIRA, José Tomás, 1994, Apontamentos Europa- América Explicam Eça de Queirós - Os Maias Nº 17, Europa- América  SILVA, Pedro, 2012, Expressões – Português 11º ano, Porto, Porto Editora  2013, Os Maias - Ensino Secundário, Ideias de Ler
  • 55. Webgrafia  http://jbo.no.sapo.pt/eca/eca_de_queiros_bio_main.htm  http://www.e-biografias.net/eca_queiroz/  http://eca-dequeiros.blogspot.pt  http://www.feq.pt  http://portugues-fcr.blogspot.pt  http://auladeliteraturaportuguesa.blogspot.pt  http://www.edutotal.net  http://sentirportugus.blogspot.pt  http://danielaemarta.no.sapo.pt  http://osmaias.blogs.sapo.pt  http://modulo8linguaportuguesa.blogspot.pt  http://auladaproflis.blogspot.pt  http://portefolioportugues.blogs.sapo.pt  http://portuguesnanet.com.sapo.pt
  • 56. Trabalho realizado por Luís Oliveira, nº 14 11ºG Escola Secundária da Maia Disciplina de Português. O Fim