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Português B
Pedro Pinto
PEDRO PINTO
O REALISMO
P o r t u g u ê s B
Escola Secundária Padre António Martins Oliveira de Lagoa
_______________________
19/04/2004
Na capa: Eça de Queirós, época de “O Primo Basílio” (fotografia de autor
desconhecido de 1878).
2
Índice
Introdução......................................................................................................................... 4
Realismo........................................................................................................................... 5
Contextualização .......................................................................................................... 5
Em Portugal.................................................................................................................. 6
Eça de Queirós.............................................................................................................. 9
Conclusão ....................................................................................................................... 11
Bibliografia..................................................................................................................... 13
3
Introdução
Ao ser-me solicitado, no âmbito da disciplina de Português B, um trabalho sobre
o Realismo em Portugal e a vida e obra de Eça de Queirós, procurei recolher a
informação necessária que me permitisse a realização deste trabalho. Utilizei como
fontes de pesquisa diversos livros sobre a História de Portugal, Enciclopédias,
Dicionários de literatura, de forma a encontrar uma relação entre os temas em estudo.
Para uma melhor compreensão, dividi-o por tópicos de forma a facilitar não só a
leitura como a compreensão dos temas.
A elaboração deste trabalho permitiu-me enriquecer os meus conhecimentos
sobre a vida e obra de Eça de Queirós, o período em que viveu e a própria sociedade da
altura, assim como o Realismo.
4
Realismo
Contextualização
Movimento artístico e literário do séc. XIX, que surgiu por oposição aos
excessos líricos do romantismo e o idealismo classicista. Caracterizou-se
fundamentalmente pela sua ligação crítica mas construtiva à sociedade: o retorno à
objectividade na literatura, em contraposição ao romantismo; o rigor da escrita poética,
assente num rigor reflexivo e numa planificação composicional.
O termo “realista” foi inicialmente utilizado para caracterizar a obra de artistas
franceses naturalistas dos finais de oitocentos, este termo permite definir movimentos
artísticos com programas diferentes, embora com alguns denominadores ideológicos
comuns.
A renovação literária é
impulsionada pela França. Sente-se a crise
religiosa no positivismo de Auguste
Comte. Renan com o seu ateísmo,
Michelet e o seu anticlericalismo, o
socialismo de Proudhon vão determinar
essa renovação que se opera na segunda
metade do século XIX. Também o
determinismo e o naturalismo de Taine e,
na literatura, Flaubert e Baudelaire,
Alphonse Daudet, Balzac e Zola, uns com
o romance realista e o Parnasianismo,
outros com o romance naturalista, exercem
a sua influência nessa viragem que se opera. É a análise critica dos vícios da classe
dominante para modificar o modo de vida, renovar as mentalidades e transformar a
sociedade. Com estes parâmetros, proclama uma literatura arejada, sã, positiva, com
uma natureza soalheira, viva, matizada, aberta à observação e não propensa ao
devaneio. Substitui-se o subjectivismo pelo objectivismo. A arte é posta ao serviço da
ciência e daí o naturalismo. Afirma-se o impessoalismo, a objectividade, a captação das
impressões pelos sentimentos. É evidente a apetência pelo pormenor descritivo, com
Imagem 1 – Guardando o Rebanho (óleo
de Silva Porto, pintado em 1893). Era
como ele via o país, um rebanho de
carneiros a andarem num caminho
poeirento.
5
uma relevância especial no emprego do adjectivo, da imagem, do concreto pelo
abstracto. São postos de parte os valores espirituais, é anulado o interesse pelo passado
nacional, o cosmopolitismo afirma-se. O realismo trouxe o enriquecimento e
aperfeiçoamento da língua, com novas formas de expressão.
Em Portugal
Em Portugal agitava-se o mesmo
sentido reformista, porque segundo Eça,
“Coimbra vivia então (1860-65) uma
grande actividade ou antes um grande
tumulto mental”. Diariamente, facilitados
os meios de comunicação, os comboios
despejavam no seio dessa juventude o
ideário que a França irradiava.
Esta falange de jovens devorava o
socialista Proudhon, Zola, Renan, Vítor
Hugo, entre outros, e breve se fez sentir
essa rajada ideológica de natureza social e
política nas Odes Modernas (1865) de
Antero e na Visão dos Tempos e
Tempestades Sonoras (1864) de Teófilo de
Braga.
Imagem 2 – Retrato de Antero de Quental
(óleo de Domingos Rebelo).
Preparava-se a tempestade literária que havia de arejar as ideais, protagonizada
por: a “Geração de 70”, de Coimbra, modernos e realistas, agrupada em torno de Antero
e de Eça de Queirós, reunia um grupo de jovens intelectuais onde se contava Guerra
Junqueiro, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Jaime Batalha Reis, Teófilo Braga e
alguns outros; e o grupo de Lisboa, dos antigos e ultra-romanticos, onde se encontrava
Castilho, Pinheiro Chagas, Júlio de Castilho, entre outros.
Castilho, em Lisboa, era o magister dixit de um grupo de novos poetas
conservadores do romantismo, que procurava no “mestre” a carta de alforria que lhes
desse nome. Forma-se assim, o clima elogio mútuo.
6
Reagira Castilho, negativamente, ao receber as Odes Modernas que Antero, seu
antigo discípulo, lhe ofereceu. Mas as nuvens adensaram-se, quando Pinheiro Chagas
publicou o seu Poema da Mocidade, dedicado a Castilho, que o fez acompanhar de uma
carta onde, abertamente, expendia o seu elogio, ao poema, ao poeta, que indigitava para
o lugar de professor de literatura no Curso de Letras que vagara e, o que foi pior, fez
insinuações destrutivas a Antero e Teófilo de Braga, “de quem (dizia) pelas alturas em
que voam, confesso humilde e envergonhado, que muito pouco enxergo, nem atino para
onde vão, nem avento o que será deles”. Do grupo de três, salvou-se Vieira de Castro,
acerca do qual disse, logo a seguir: “é um talento verdadeiro, grandioso, exuberante, e
dum futuro que me parece cobiçável”. Era o rastilho para a explosão.
Antero, com o destempero próprio da
juventude, replica afrontosamente com Bom
Senso e Bom Gosto, em forma de carta. Diz ele:
O que se ataca… não é uma opinião literária
menos provada, uma concepção poética mais
atrevida, um estilo ou uma ideia. Isso é o
pretexto, apenas. Mas a guerra faz-se à
independência irreverente de escritores que
entendem fazer por si o seu caminho, sem
pedirem licença aos mestres, mas consultando só
o seu trabalho e a sua consciência… A guerra
faz-se à impiedade destes hereges das letras, que
se revoltam contra a autoridade dos papes e
pontífices… quem move estes ridículos
combates de frases é a vaidade ferida dos
mestres e dos pontífices… é a banalidade que
quer dormir sossegada no seu leito de ninharias;
é a vulgaridade…”
O crime da escola de Coimbra foi querer
inovar. E ataca, depois, o verbalismo oco dos “apóstolos do dicionário” que “têm por
evangelho um tratado de metrificação”. Esses “desprezam a ideia”. Aponta, em seguida,
os grandes pensadores (Hegel, Stuart Mill, Comte…) e, antes de concluir, declara, com
injustiça do seu arrebatamento. Como é natural, as fracções dividem-se.
Imagem 3 – Antero de Quental, Bom
senso e bom gosto. Carta ao
excellentissimo senhor Antonio
Feliciano de Castilho, Coimbra
1865, rosto, p. 1
7
Pinheiro Chagas responde com uma carta sob o mesmo título, Camilo escreve
Vaidades irritadas e irritantes – do lado de Castilho. Teófilo Braga ataca-o com as
Teocracias Literárias e Antero com A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais.
Foi acesa a contenda em que se escreveram algumas dezenas de panfletos.
O ponto final foi um duelo de Antero com Ortigão, no Porto, a pedir satisfação
das críticas que este lhe dirigiu em Literatura d’Hoje. Embora em desacordo com a
literatura ultrapassada do grupo de Castilho, Ramalho não aceitou a deselegância e
injustiça do grupo de Coimbra.
Eis, pois, em traços gerais, aquela polémica literária que passou à história com o
nome de Questão Coimbrã, a qual, se foi negativa pelo que de desagradável teve essa
disputa acesa, conseguiu destruir as barreiras que impediam o avanço para o realismo.
Em 1871, a queda do Segundo Império e a Comuna de Paris tinham alarmado os
meios políticos. O socialismo começava a passar do reino das utopias para o das
ameaças e a possibilidade de
transformar o Estado aparecia a
muita gente como uma
possibilidade concreta. O
esforço empreendido pelo
grupo do Cenáculo (formado
pelo grupo de Coimbra ao
reunir-se na capital) foi a
organização de um ciclo de
conferências em Lisboa, no
Casino Lisbonense. No
respectivo programa expunha-se o objectivo: “estudar as condições de transformação
política, económica e religiosa da sociedade portuguesa”.
Imagem 4 – Casino Lisbonense, Largo da Abegoaria
em Lisboa. Postal ilustrado, s.d.
O Governo proibiu as conferências e os homens do Cenáculo tentaram
desencadear um grande movimente de protesto, mas não o conseguiram. O próprio
Herculano, a quem pediram a opinião, mostrou-se muito evasivo. E foi este o último
grande episódio da “geração de 70”. Os homens que inicialmente a tinham constituído
dispersaram-se, e não é possível estabelecer qualquer espécie de unidade programática
ou ideológica entre as intervenções que depois disso tiveram na vida portuguesa. O
movimento nascera no seio de uma elite, inspirara-se em correntes de opinião
8
estrangeiras e nascidas de conjunturas muito diferentes da que se verificava em Portugal
e acabou como nasceu: um grupo de onze intelectuais, que se designava a si próprio por
Os Vencidos da Vida, passou a jantar todas as semanas no Hotel Bragança, onde, com
bem-humorado pessimismo, discreteava finalmente sobre os problemas nacionais.
Imagem 5 – Os Vencidos da Vida (fotografia tirada no pátio da Casa dos Condes de Arnoso,
em Lisboa,em 1888). A partir da esquerda vêem-se o conde de Sabugosa, o marquês de Soveral,
Carlos Mayer, o conde de Ficalho,Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Carlos Lobo de Ávila,
o conde de Arnoso, Eça de Queirós e Oliveira Martins.
Eça de Queirós
José Maria Eça de Queirós, filho natural de José Maria d’Almeida de Teixeira de
Queirós e de mãe incógnita, nasceu a 25 de Novembro de 1845, na Póvoa de Varzim, e
morreu a 16 de Agosto de 1900, em Paris.
A partir de 1863 cursa Direito, em Coimbra, onde se torna amigo de Antero de
Quental; os primeiros folhetins que publica, indiciadores de uma nova estilística
imaginativa, só sairão postumamente em livro com o título Prosas Bárbaras. Em 1867
funda o jornal O Distrito de Évora. De regresso a Lisboa, participa nas reuniões do
Cenáculo que virão a estar na origem das Conferências do Casino. De parceria com
Ramalho Ortigão, publica no Diário de Notícias, em folhetins, O Mistério da Estrada de
Sintra (1870). No ano seguinte começa a publicar As Farpas. Concorre à diplomacia,
9
começando por ser cônsul em Havana e depois em Newcastlee. Em 1886 Eça desposa
Emília de Castro, fá-lo de certo modo passar a ver o mundo de outra maneira.
A partir de 1888 torna-se cônsul em Paris. O afastamento do meio português
(aonde só vinha muito espaçadamente) não o impediu de colaborar na nossa imprensa,
de fundar a Revista de Portugal (desde 1889) e deu-lhe um critério de observação mais
objectivo e crítico da sociedade portuguesa, sobretudo das camadas mais altas. Aliás, foi
em Inglaterra que Eça escreveu a parte mais significativa da sua obra, através da qual se
revela um dos mais notáveis artistas da
língua portuguesa.
As suas obras mais importantes
são: O Crime do Padre Amaro (1874,
mas a 3ª versão, definitiva, surge em
1880), O Primo Basílio (1878), A
Relíquia (1887), Os Maias (1888,
considerada a sua obra-prima), A Ilustre
Casa de Ramires (1897) e A Cidade e as
Serras (1899). Parte da restante obra foi
publicada já depois da sua morte.
Imagem 6 – Eça no seu escritório, em
Neuilly, 1897.
10
Conclusão
Os historiadores da literatura dão muito relevo a um movimento de renovação de
ideais e de modelos literários verificado em Portugal nas décadas decorridas entre 1860
e 1880, o realismo. Compreende-se essa atenção porque o movimento teve por porta-
vozes alguns dos maiores escritores portugueses do século XIX: Antero, Eça de
Queirós, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Teófilo Braga (é a esse núcleo, acrescido
de mais alguns nomes que se convencionou colar a etiqueta de geração de 70). Do
ponto de vista de uma eficiente intervenção politica, e principalmente do dos resultados
conseguidos na evolução das ideias e das
instituições, a importância da “geração de
70” foi quase nula. Tem um certo interesse
verificar que, dos homens que a formaram, o
que mais influenciou o curso dos factos
políticos foi precisamente o que, sob o
aspecto literário, é mais medíocre: Teófilo
Braga.
O chamado “movimento da geração
de 70” iniciou-se em Coimbra e começou por
revestir o aspecto de um protesto contra a
arcaica disciplina da Universidade. Iria ter
como características, o sol da liberdade, o
progresso do século, idealista, revolucionária
e literária, mas no fundo muito desligada dos
problemas concretos da estrutura social
portuguesa.
Um grande representante do realismo
foi Eça de Queirós. Teve um êxito imenso,
era um homem de forte talento e isso bastaria para explicar o seu prodigioso destino
literário. Eça tinha uma visão de Portugal vista do estrangeiro, e isso permitiu uma
observação mais objectiva e critica, especialmente da alta sociedade, tendo-o
demonstrado com “Os Maias”, considerada a sua obra-prima. Enriqueceu e aperfeiçoou
a língua portuguesa, com novas formas de expressão.
Imagem 7 – Capa da 1.ª ed., do Volume
I de “Os Maias”.
11
A prosa de Eça foi a mais bela que se escreveu em Portugal durante todo o
século XIX, o que tem de superior, é que é a prosa de um homem extremamente
inteligente, com uma visão superior que o coloca muito acima de todos. Eça era um
homem de cima, ele compreendia e escrevia, e em tudo o que ele escreve há um dom de
generosidade, é homem que ama sem o confessar, e corrige sem ofender, é um
espantoso prosador.
12
Bibliografia
SARAIVA, José António – As Ideias de Eça de Queirós, Lisboa, Gradiva Publicações,
1.ª ed., 2000, pp. 45-85.
SIMÕES, João Gaspar – Eça de Queirós: a obra e o homem, Lisboa, Editora Arcádia,
3.ª ed., 1978, pp.135-165.
CIDADE, Hernâni – Antero de Quental: a obra e o homem, Lisboa, Editora Arcádia, 2.ª
ed., 1978, pp. 11-49.
MÓNICA, Maria Filomena – Eça de Queirós, Lisboa, Quetzal Editores, 4.ª ed., 2001,
pp. 13-100.
LABOURDETTE, Jean-François – História de Portugal, Lisboa, Publicações Dom
Quixote, 1.ª ed., 2001, pp. 531-533.
CARRIÇO, Lilaz – Literatura Prática II, Porto, Porto Editora, 1.ª ed., 1999, pp. 175-
263.
SARAIVA, José Hermano; GUERRA, Maria Luísa – Diário da História de Portugal,
Madrid, Selecções do Reader’s Digest, 1.ª ed., 1998, pp. 457-459.
REIS, António – Portugal Contemporâneo – Volume I, Lisboa, Publicações Alfa, 1.ª
ed., 1996, pp. 655-664.
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea – Academia das Ciências de Lisboa
– II Volume, Lisboa, Editorial Verbo, 1.ª ed., 2001, pp. 3097-3098.
CABRAL, Avelino Soares – O Realismo Eça de Queirós e “Os Maias”, Mem Martins,
Sebenta Editora, 1.ª ed., 1997, pp. 5-25.
SARAIVA, António José; LOPES, Óscar – História da Literatura Portuguesa, Porto,
Porto Editora, 17.ª ed., 2001, pp. 797-913.
SARAIVA, José Hermano – História de Portugal, Mira-Sintra, Publicações Europa-
América, 6.ª ed., 2001, pp. 452-455.
CIDADE, Hernâni; SARAIVA, José Hermano – História de Portugal – Volume VII,
Matosinhos, Edição e Conteúdos, 1ª ed., 2004, pp. 67-77.
JACINTO, Conceição; LANÇA, Gabriela – Os Mais de Eça de Queirós, Porto, Porto
Editora, 1.ª ed., 2003, pp. 5-11.
MACHADO, Álvaro Manuel – Dicionário de Literatura Portuguesa, Lisboa, Editorial
Presença, 1.ª ed., 1996, pp. 395-401, 522-523 e 543-545.
13
RODRIGUES, António Simões – História de Portugal em Datas, Lisboa, Círculo de
Leitores, 1.ª ed., 1994, pp. 222-223.
BUESCU, Maria Leonor Carvalhão; CEIA, Carlos – Português – B – 11.º Ano, Lisboa,
Texto Editora, 2.ª ed., 2002, pp. 300-307.
RIBEIRA, Maria Aparecida – História Crítica da Literatura Portuguesa – Realismo e
Naturalismo, Lisboa, Editorial Verbo, 2.ª ed., 2000, pp. 75-81, 181-188 e 361-366
SARAIVA, José Hermano – História Essencial de Portugal – Volume V (DVD), Lisboa,
Videofono, 1.ª ed., 2003, Capítulo 5.
Diciopédia 2004 (DVD), Porto, Porto Editora, 1.ª ed., 2003.
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Ppt realismo (2)

  • 2. PEDRO PINTO O REALISMO P o r t u g u ê s B Escola Secundária Padre António Martins Oliveira de Lagoa _______________________ 19/04/2004
  • 3. Na capa: Eça de Queirós, época de “O Primo Basílio” (fotografia de autor desconhecido de 1878). 2
  • 4. Índice Introdução......................................................................................................................... 4 Realismo........................................................................................................................... 5 Contextualização .......................................................................................................... 5 Em Portugal.................................................................................................................. 6 Eça de Queirós.............................................................................................................. 9 Conclusão ....................................................................................................................... 11 Bibliografia..................................................................................................................... 13 3
  • 5. Introdução Ao ser-me solicitado, no âmbito da disciplina de Português B, um trabalho sobre o Realismo em Portugal e a vida e obra de Eça de Queirós, procurei recolher a informação necessária que me permitisse a realização deste trabalho. Utilizei como fontes de pesquisa diversos livros sobre a História de Portugal, Enciclopédias, Dicionários de literatura, de forma a encontrar uma relação entre os temas em estudo. Para uma melhor compreensão, dividi-o por tópicos de forma a facilitar não só a leitura como a compreensão dos temas. A elaboração deste trabalho permitiu-me enriquecer os meus conhecimentos sobre a vida e obra de Eça de Queirós, o período em que viveu e a própria sociedade da altura, assim como o Realismo. 4
  • 6. Realismo Contextualização Movimento artístico e literário do séc. XIX, que surgiu por oposição aos excessos líricos do romantismo e o idealismo classicista. Caracterizou-se fundamentalmente pela sua ligação crítica mas construtiva à sociedade: o retorno à objectividade na literatura, em contraposição ao romantismo; o rigor da escrita poética, assente num rigor reflexivo e numa planificação composicional. O termo “realista” foi inicialmente utilizado para caracterizar a obra de artistas franceses naturalistas dos finais de oitocentos, este termo permite definir movimentos artísticos com programas diferentes, embora com alguns denominadores ideológicos comuns. A renovação literária é impulsionada pela França. Sente-se a crise religiosa no positivismo de Auguste Comte. Renan com o seu ateísmo, Michelet e o seu anticlericalismo, o socialismo de Proudhon vão determinar essa renovação que se opera na segunda metade do século XIX. Também o determinismo e o naturalismo de Taine e, na literatura, Flaubert e Baudelaire, Alphonse Daudet, Balzac e Zola, uns com o romance realista e o Parnasianismo, outros com o romance naturalista, exercem a sua influência nessa viragem que se opera. É a análise critica dos vícios da classe dominante para modificar o modo de vida, renovar as mentalidades e transformar a sociedade. Com estes parâmetros, proclama uma literatura arejada, sã, positiva, com uma natureza soalheira, viva, matizada, aberta à observação e não propensa ao devaneio. Substitui-se o subjectivismo pelo objectivismo. A arte é posta ao serviço da ciência e daí o naturalismo. Afirma-se o impessoalismo, a objectividade, a captação das impressões pelos sentimentos. É evidente a apetência pelo pormenor descritivo, com Imagem 1 – Guardando o Rebanho (óleo de Silva Porto, pintado em 1893). Era como ele via o país, um rebanho de carneiros a andarem num caminho poeirento. 5
  • 7. uma relevância especial no emprego do adjectivo, da imagem, do concreto pelo abstracto. São postos de parte os valores espirituais, é anulado o interesse pelo passado nacional, o cosmopolitismo afirma-se. O realismo trouxe o enriquecimento e aperfeiçoamento da língua, com novas formas de expressão. Em Portugal Em Portugal agitava-se o mesmo sentido reformista, porque segundo Eça, “Coimbra vivia então (1860-65) uma grande actividade ou antes um grande tumulto mental”. Diariamente, facilitados os meios de comunicação, os comboios despejavam no seio dessa juventude o ideário que a França irradiava. Esta falange de jovens devorava o socialista Proudhon, Zola, Renan, Vítor Hugo, entre outros, e breve se fez sentir essa rajada ideológica de natureza social e política nas Odes Modernas (1865) de Antero e na Visão dos Tempos e Tempestades Sonoras (1864) de Teófilo de Braga. Imagem 2 – Retrato de Antero de Quental (óleo de Domingos Rebelo). Preparava-se a tempestade literária que havia de arejar as ideais, protagonizada por: a “Geração de 70”, de Coimbra, modernos e realistas, agrupada em torno de Antero e de Eça de Queirós, reunia um grupo de jovens intelectuais onde se contava Guerra Junqueiro, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Jaime Batalha Reis, Teófilo Braga e alguns outros; e o grupo de Lisboa, dos antigos e ultra-romanticos, onde se encontrava Castilho, Pinheiro Chagas, Júlio de Castilho, entre outros. Castilho, em Lisboa, era o magister dixit de um grupo de novos poetas conservadores do romantismo, que procurava no “mestre” a carta de alforria que lhes desse nome. Forma-se assim, o clima elogio mútuo. 6
  • 8. Reagira Castilho, negativamente, ao receber as Odes Modernas que Antero, seu antigo discípulo, lhe ofereceu. Mas as nuvens adensaram-se, quando Pinheiro Chagas publicou o seu Poema da Mocidade, dedicado a Castilho, que o fez acompanhar de uma carta onde, abertamente, expendia o seu elogio, ao poema, ao poeta, que indigitava para o lugar de professor de literatura no Curso de Letras que vagara e, o que foi pior, fez insinuações destrutivas a Antero e Teófilo de Braga, “de quem (dizia) pelas alturas em que voam, confesso humilde e envergonhado, que muito pouco enxergo, nem atino para onde vão, nem avento o que será deles”. Do grupo de três, salvou-se Vieira de Castro, acerca do qual disse, logo a seguir: “é um talento verdadeiro, grandioso, exuberante, e dum futuro que me parece cobiçável”. Era o rastilho para a explosão. Antero, com o destempero próprio da juventude, replica afrontosamente com Bom Senso e Bom Gosto, em forma de carta. Diz ele: O que se ataca… não é uma opinião literária menos provada, uma concepção poética mais atrevida, um estilo ou uma ideia. Isso é o pretexto, apenas. Mas a guerra faz-se à independência irreverente de escritores que entendem fazer por si o seu caminho, sem pedirem licença aos mestres, mas consultando só o seu trabalho e a sua consciência… A guerra faz-se à impiedade destes hereges das letras, que se revoltam contra a autoridade dos papes e pontífices… quem move estes ridículos combates de frases é a vaidade ferida dos mestres e dos pontífices… é a banalidade que quer dormir sossegada no seu leito de ninharias; é a vulgaridade…” O crime da escola de Coimbra foi querer inovar. E ataca, depois, o verbalismo oco dos “apóstolos do dicionário” que “têm por evangelho um tratado de metrificação”. Esses “desprezam a ideia”. Aponta, em seguida, os grandes pensadores (Hegel, Stuart Mill, Comte…) e, antes de concluir, declara, com injustiça do seu arrebatamento. Como é natural, as fracções dividem-se. Imagem 3 – Antero de Quental, Bom senso e bom gosto. Carta ao excellentissimo senhor Antonio Feliciano de Castilho, Coimbra 1865, rosto, p. 1 7
  • 9. Pinheiro Chagas responde com uma carta sob o mesmo título, Camilo escreve Vaidades irritadas e irritantes – do lado de Castilho. Teófilo Braga ataca-o com as Teocracias Literárias e Antero com A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais. Foi acesa a contenda em que se escreveram algumas dezenas de panfletos. O ponto final foi um duelo de Antero com Ortigão, no Porto, a pedir satisfação das críticas que este lhe dirigiu em Literatura d’Hoje. Embora em desacordo com a literatura ultrapassada do grupo de Castilho, Ramalho não aceitou a deselegância e injustiça do grupo de Coimbra. Eis, pois, em traços gerais, aquela polémica literária que passou à história com o nome de Questão Coimbrã, a qual, se foi negativa pelo que de desagradável teve essa disputa acesa, conseguiu destruir as barreiras que impediam o avanço para o realismo. Em 1871, a queda do Segundo Império e a Comuna de Paris tinham alarmado os meios políticos. O socialismo começava a passar do reino das utopias para o das ameaças e a possibilidade de transformar o Estado aparecia a muita gente como uma possibilidade concreta. O esforço empreendido pelo grupo do Cenáculo (formado pelo grupo de Coimbra ao reunir-se na capital) foi a organização de um ciclo de conferências em Lisboa, no Casino Lisbonense. No respectivo programa expunha-se o objectivo: “estudar as condições de transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa”. Imagem 4 – Casino Lisbonense, Largo da Abegoaria em Lisboa. Postal ilustrado, s.d. O Governo proibiu as conferências e os homens do Cenáculo tentaram desencadear um grande movimente de protesto, mas não o conseguiram. O próprio Herculano, a quem pediram a opinião, mostrou-se muito evasivo. E foi este o último grande episódio da “geração de 70”. Os homens que inicialmente a tinham constituído dispersaram-se, e não é possível estabelecer qualquer espécie de unidade programática ou ideológica entre as intervenções que depois disso tiveram na vida portuguesa. O movimento nascera no seio de uma elite, inspirara-se em correntes de opinião 8
  • 10. estrangeiras e nascidas de conjunturas muito diferentes da que se verificava em Portugal e acabou como nasceu: um grupo de onze intelectuais, que se designava a si próprio por Os Vencidos da Vida, passou a jantar todas as semanas no Hotel Bragança, onde, com bem-humorado pessimismo, discreteava finalmente sobre os problemas nacionais. Imagem 5 – Os Vencidos da Vida (fotografia tirada no pátio da Casa dos Condes de Arnoso, em Lisboa,em 1888). A partir da esquerda vêem-se o conde de Sabugosa, o marquês de Soveral, Carlos Mayer, o conde de Ficalho,Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Carlos Lobo de Ávila, o conde de Arnoso, Eça de Queirós e Oliveira Martins. Eça de Queirós José Maria Eça de Queirós, filho natural de José Maria d’Almeida de Teixeira de Queirós e de mãe incógnita, nasceu a 25 de Novembro de 1845, na Póvoa de Varzim, e morreu a 16 de Agosto de 1900, em Paris. A partir de 1863 cursa Direito, em Coimbra, onde se torna amigo de Antero de Quental; os primeiros folhetins que publica, indiciadores de uma nova estilística imaginativa, só sairão postumamente em livro com o título Prosas Bárbaras. Em 1867 funda o jornal O Distrito de Évora. De regresso a Lisboa, participa nas reuniões do Cenáculo que virão a estar na origem das Conferências do Casino. De parceria com Ramalho Ortigão, publica no Diário de Notícias, em folhetins, O Mistério da Estrada de Sintra (1870). No ano seguinte começa a publicar As Farpas. Concorre à diplomacia, 9
  • 11. começando por ser cônsul em Havana e depois em Newcastlee. Em 1886 Eça desposa Emília de Castro, fá-lo de certo modo passar a ver o mundo de outra maneira. A partir de 1888 torna-se cônsul em Paris. O afastamento do meio português (aonde só vinha muito espaçadamente) não o impediu de colaborar na nossa imprensa, de fundar a Revista de Portugal (desde 1889) e deu-lhe um critério de observação mais objectivo e crítico da sociedade portuguesa, sobretudo das camadas mais altas. Aliás, foi em Inglaterra que Eça escreveu a parte mais significativa da sua obra, através da qual se revela um dos mais notáveis artistas da língua portuguesa. As suas obras mais importantes são: O Crime do Padre Amaro (1874, mas a 3ª versão, definitiva, surge em 1880), O Primo Basílio (1878), A Relíquia (1887), Os Maias (1888, considerada a sua obra-prima), A Ilustre Casa de Ramires (1897) e A Cidade e as Serras (1899). Parte da restante obra foi publicada já depois da sua morte. Imagem 6 – Eça no seu escritório, em Neuilly, 1897. 10
  • 12. Conclusão Os historiadores da literatura dão muito relevo a um movimento de renovação de ideais e de modelos literários verificado em Portugal nas décadas decorridas entre 1860 e 1880, o realismo. Compreende-se essa atenção porque o movimento teve por porta- vozes alguns dos maiores escritores portugueses do século XIX: Antero, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Teófilo Braga (é a esse núcleo, acrescido de mais alguns nomes que se convencionou colar a etiqueta de geração de 70). Do ponto de vista de uma eficiente intervenção politica, e principalmente do dos resultados conseguidos na evolução das ideias e das instituições, a importância da “geração de 70” foi quase nula. Tem um certo interesse verificar que, dos homens que a formaram, o que mais influenciou o curso dos factos políticos foi precisamente o que, sob o aspecto literário, é mais medíocre: Teófilo Braga. O chamado “movimento da geração de 70” iniciou-se em Coimbra e começou por revestir o aspecto de um protesto contra a arcaica disciplina da Universidade. Iria ter como características, o sol da liberdade, o progresso do século, idealista, revolucionária e literária, mas no fundo muito desligada dos problemas concretos da estrutura social portuguesa. Um grande representante do realismo foi Eça de Queirós. Teve um êxito imenso, era um homem de forte talento e isso bastaria para explicar o seu prodigioso destino literário. Eça tinha uma visão de Portugal vista do estrangeiro, e isso permitiu uma observação mais objectiva e critica, especialmente da alta sociedade, tendo-o demonstrado com “Os Maias”, considerada a sua obra-prima. Enriqueceu e aperfeiçoou a língua portuguesa, com novas formas de expressão. Imagem 7 – Capa da 1.ª ed., do Volume I de “Os Maias”. 11
  • 13. A prosa de Eça foi a mais bela que se escreveu em Portugal durante todo o século XIX, o que tem de superior, é que é a prosa de um homem extremamente inteligente, com uma visão superior que o coloca muito acima de todos. Eça era um homem de cima, ele compreendia e escrevia, e em tudo o que ele escreve há um dom de generosidade, é homem que ama sem o confessar, e corrige sem ofender, é um espantoso prosador. 12
  • 14. Bibliografia SARAIVA, José António – As Ideias de Eça de Queirós, Lisboa, Gradiva Publicações, 1.ª ed., 2000, pp. 45-85. SIMÕES, João Gaspar – Eça de Queirós: a obra e o homem, Lisboa, Editora Arcádia, 3.ª ed., 1978, pp.135-165. CIDADE, Hernâni – Antero de Quental: a obra e o homem, Lisboa, Editora Arcádia, 2.ª ed., 1978, pp. 11-49. MÓNICA, Maria Filomena – Eça de Queirós, Lisboa, Quetzal Editores, 4.ª ed., 2001, pp. 13-100. LABOURDETTE, Jean-François – História de Portugal, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1.ª ed., 2001, pp. 531-533. CARRIÇO, Lilaz – Literatura Prática II, Porto, Porto Editora, 1.ª ed., 1999, pp. 175- 263. SARAIVA, José Hermano; GUERRA, Maria Luísa – Diário da História de Portugal, Madrid, Selecções do Reader’s Digest, 1.ª ed., 1998, pp. 457-459. REIS, António – Portugal Contemporâneo – Volume I, Lisboa, Publicações Alfa, 1.ª ed., 1996, pp. 655-664. Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea – Academia das Ciências de Lisboa – II Volume, Lisboa, Editorial Verbo, 1.ª ed., 2001, pp. 3097-3098. CABRAL, Avelino Soares – O Realismo Eça de Queirós e “Os Maias”, Mem Martins, Sebenta Editora, 1.ª ed., 1997, pp. 5-25. SARAIVA, António José; LOPES, Óscar – História da Literatura Portuguesa, Porto, Porto Editora, 17.ª ed., 2001, pp. 797-913. SARAIVA, José Hermano – História de Portugal, Mira-Sintra, Publicações Europa- América, 6.ª ed., 2001, pp. 452-455. CIDADE, Hernâni; SARAIVA, José Hermano – História de Portugal – Volume VII, Matosinhos, Edição e Conteúdos, 1ª ed., 2004, pp. 67-77. JACINTO, Conceição; LANÇA, Gabriela – Os Mais de Eça de Queirós, Porto, Porto Editora, 1.ª ed., 2003, pp. 5-11. MACHADO, Álvaro Manuel – Dicionário de Literatura Portuguesa, Lisboa, Editorial Presença, 1.ª ed., 1996, pp. 395-401, 522-523 e 543-545. 13
  • 15. RODRIGUES, António Simões – História de Portugal em Datas, Lisboa, Círculo de Leitores, 1.ª ed., 1994, pp. 222-223. BUESCU, Maria Leonor Carvalhão; CEIA, Carlos – Português – B – 11.º Ano, Lisboa, Texto Editora, 2.ª ed., 2002, pp. 300-307. RIBEIRA, Maria Aparecida – História Crítica da Literatura Portuguesa – Realismo e Naturalismo, Lisboa, Editorial Verbo, 2.ª ed., 2000, pp. 75-81, 181-188 e 361-366 SARAIVA, José Hermano – História Essencial de Portugal – Volume V (DVD), Lisboa, Videofono, 1.ª ed., 2003, Capítulo 5. Diciopédia 2004 (DVD), Porto, Porto Editora, 1.ª ed., 2003. 14