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Leandro coser

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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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Leandro coser

  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenziePERMANÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO DAS TÉCNICAS CONSTRUTIVASTRADICIONAIS DA ARQUITETURA RURAL NA SERRA DA MANTIQUEIRALeandro André Venâncio Coser (IC) e Cecília H. G. Rodrigues dos Santos (Orientadora)Apoio: PIVIC Mackenzie e PIBIC CNPqResumoO objetivo dessa pesquisa é contribuir para o estudo da arquitetura vernacular através doinventário e documentação das casas rurais na Serra da Mantiqueira, identificando eregistrando a permanência e transformação das técnicas construtivas tradicionais,contribuindo para a preservação que esse patrimônio.Palavras-chave: arquitetura rural; preservação do patrimônio; tradição vernacularAbstractThe research aims to contribute to the study of vernacular architecture through the inventoryand documentation of rural households in Sierra Mantiqueira, recording the traditionalbuilding techniques as a contribution to preserving that heritage.Key-words: rural architecture, heritage preservation, vernacular tradition 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011INTRODUÇÃOA arquitetura rural vernacular da Serra da Mantiqueira, objeto desta pesquisa, é resultado douso de materiais da própria região trabalhados nos moldes das técnicas construtivastradicionais, com programa e forma resultantes da interpretação cultural, das necessidadesde abrigo e proteção, tendo se desenvolvido ao longo do tempo como resposta à situaçãosocial e geográfica, transmitidas de geração a geração. Para efeito dessa pesquisa,portanto, consideramos a arquitetura vernacular como “a resposta de uma comunidade aoseu meio cultural, social, econômico e físico (...), a arquitetura cujos materiais, técnicas eformas construtivas, são determinadas pelo clima, geologia, geografia, economia e culturalocais, e cuja construção, não recebe orientação de técnicos e profissionais, mas segue osensinamentos passados de geração a geração” (SANTOS:2009).As casas rurais tradicionais típicas da região do sul de Minas Gerais, seguem o esquemageral descrito por Sylvio Vasconcellos em seu estudo sobre as técnicas construtivastradicionais do Brasil : construídas segundo a técnica construtiva tradicional do pau a pique,ou taipa de mão - estrutura autônoma em madeira – com telhado em quatro águas de telhasde barro, materiais obtidos na própria região. (VASCONCELLOS:1961).A partir do final da década de 1970, porém, as novas construções têm cada vez maisagregado técnicas e materiais industrializados como a alvenaria de tijolo ou bloco, osrevestimentos cerâmicos e as esquadrias de metal, em partidos e programas desvinculadosda tradição da região. O resultado é a substituição das moradias tradicionais quepermanecem às vezes abandonadas se desintegrando lentamente no mesmo terreno , àsvezes modernizadas e descaracterizadas com a construção de anexos e puxados, ,introdução de novos materiais para revestimentos, cobertura, entre outras melhorias.(ANDRADE:1986).Assim como em outras regiões do Brasil, identificam-se como as principais causas dadestruição da arquitetura tradicional da região em estudo: as mudanças nas relações deprodução, a facilidade da comunicação representada principalmente pela televisão e pelaInternet, a grande mobilidade da população mais jovem e o turismo de consumo(CANDIDO:2001). Ainda, deve-se considerar que a mudança das relações dos bairros ruraiscom os centros urbanos mais próximos e a melhoria das estradas vicinais tem feitoprevalecer a opção pela facilidade no consumo de produtos industrializados. O estudo e oresgate da arquitetura vernacular é fundamental para a sua preservação e nesta pesquisaesse estudo está voltado principalmente para a recuperação da relação dos materiais comas técnicas construtivas, sem deixar de considerar a organização dos espaços de moradia ede trabalho, a organização dos espaços internos e seus equipamentos fixos, além do 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana Mackenzieagenciamento das diversas unidades no terreno de cada núcleo de habitação,contextualizados na cultura local.O reconhecimento da importância da arquitetura vernacular como parte do universo culturalbrasileiro – com origem no passado colonial e com perspectivas sustentáveis para aconstrução no futuro - é confirmada pela recente criação de instrumentos específicos paraseu estudo e preservação;, integrando hoje uma categoria especial de estudo sobre opatrimônio junto à UNESCO (SANTOS: 2007). No Brasil, contribuíram para estereconhecimento os estudos pioneiros de Lucio Costa assim como dos arquitetos do antigoServiço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a partir da sua criação em 1936,especialmente os arquitetos Luis Saia e Sylvio de Vasconcellos, além dos estudos epesquisas desenvolvidos na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de SãoPaulo, particularmente no âmbito da disciplina “História das Técnicas no Brasil,” pelosarquitetos Ruy Gama, Carlos Lemos, Julio Katinsky e Antonio Luiz Dias de Andrade. Estespesquisadores foram guiados pelas reflexões e considerações levantadas pelo arquitetoLúcio Costa e em suas observações sobre a arquitetura tradicional, a importância do seureconhecimento e do seu potencial como contribuição para a produção da arquiteturamoderna e contemporânea: “Haveria, portanto, interesse em conhecê-la melhor, não propriamente para evitar a repetição de semelhantes leviandades ou equívocos – que seria lhes atribuir demasiada importância -, mas para dar aos que de alguns tempos a essa parte se vêm empenhando em estudar de mais perto tudo o que nos diz respeito, encarando com simpatia coisas que sempre se desprezaram ou mesmo procuraram encobrir, a oportunidade de servir-se dela como material para novas pesquisas, e também para que nós outros, arquitetos modernos, possamos aproveitar a lição da sua experiência de mais de trezentos anos, de outro modo que não esse de lhe estarmos a reproduzir o aspecto já morto." (COSTA:1995, p. 458)O objetivo principal da pesquisa, portanto, é inventariar, investigar e estudar a arquiteturavernacular da serra da Mantiqueira, contribuindo para seu reconhecimento e preservaçãoenquanto patrimônio arquitetônico. 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011REFERENCIAL TEÓRICOO adjetivo “vernacular” é raramente encontrado nos dicionários da língua portuguesa. Emseus vários significados – refere-se mais freqüentemente a uma língua falada ou ao que épróprio a um país (SANTOS:2009), - do que às origens tradicionais, seja de uma arquitetura,uma técnica construtiva ou um grupo social. No caso da arquitetura, vai expressar o modode vida e organização de um povo, percebidos em suas construções os costumes e acultura daqueles que a constroem e habitam.Uma das formas de identificar e compreender a arquitetura vernacular é estudar as técnicaconstrutivas utilizadas Ana manipulação dos materiais nos seus contextos sócio-culturaisespecíficos. . A importância do estudo da técnica apresentada por Julio Katinsky em seulivro Um guia para a história da técnica no Brasil colônia, quando aborda as diferentesmanifestações da técnica e sua transformação, dividindo-a em técnicas de ocupaçãoterritorial, incluindo as técnicas construtivas aqui estudadas; técnicas da troca-comércio etecnologia de representação. Ainda segundo o autor, as técnicas construtivas coloniais,seguem tradições ibéricas, com paredes em alvenaria de pedra, alvenaria de tijolo, taipa depilão ou taipa de mão, esta última um sistema de madeira (gaiola) com enchimento de barrodos painéis de pau a pique, característico da arquitetura rural de Minas Gerias, inclusive daregião em estudo. As coberturas das casas também seguem a tradição lusitana,apresentando uma armação de madeira com terças, caibros e ripado, por vezes fazendorecurso às tesouras. O madeiramento suporta telhas de barro do tipo “capa e canal”. Apintura das paredes é quase sempre branca e seguindo a tradição da caiação lusa, e asmadeiras recebem pigmentos com óleo de linhaça e tinta nas cores tradicionais azul ouverde.No Brasil, a principal contribuição para o reconhecimento da arquitetura vernacular é devidaao arquiteto Lucio Costa, principalmente através dos seus estudos pioneiros publicados pelaRevista do SPHAN e na obra “Lucio Costa: sobre arquitetura”, organizada pelo Centro dosEstudantes Universitários de Arquitetura de Porto Alegre em 1962. Também são importantesos estudos dos arquitetos do antigo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,elaborados a partir da sua criação em 1936 Deve-se citar especialmente o arquiteto LuisSaia com sua pesquisa sobre a casa rural paulista do período colonial, a chamada CasaBandeirista (SAIA:1995), onde o autor situa a produção das casas senhoriais em taipa depilão no âmbito na história de ocupação e transformação de São Paulo, e o arquiteto Sylviode Vasconcellos com seu estudo sobre a arquitetura mineira colonial, inclusive suastécnicas construtivas, onde descreve, ilustrada e relacionada à arquitetura colonial de outrasregiões do Brasil. (VASCONCELLOS:1961). 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana MackenzieEm São Paulo, devemos citar ainda os estudos e pesquisas desenvolvidos na Faculdade deArquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, particularmente no âmbito dadisciplina “História das Técnicas no Brasil,” pelos arquitetos Ruy Gama , Carlos Lemos(LEMOS:1979), Julio Katinsky ( KATINSKY:1976) e Antonio Luiz Dias de Andrade(ANDRADE:1986). O resumo do conteúdo dessa disciplina está no pequeno livro Um Guiapara a História da Técnica no Brasil Colônia, de Julio Katinsky, que trata em um de seuscapítulos dos “sistemas construtivos” tradicionais, ou seja, dos materiais e das técnicasconstrutivas entendidos no contexto histórico, geográfico e sócio-cultural de cadaconstrução, além de abordar outras técnicas relacionadas às de ocupação do solo, conjuntoonde se inserem as técnicas construtivas.Em seu livro História da Casa Brasileira (LEMOS:1925), Carlos Lemos propõe uma leiturada casa brasileira desde os tempos coloniais, analisando as suas transformações. ParaLemos, concordando com Lúcio Costa, a casa rural tem sua raiz nas construçõesvernáculas portuguesas, adequadas para as condições materiais e climáticas, o que faz comque a arquitetura rural seja tão diversificada em função da variedade de regiões e situaçõesexistentes.Para compreender melhor as técnicas e sua importância para a identificação da arquiteturavernacular através do estudo dos seus sistemas construtivos tradicionais, Katinsky explicaque a técnica, relacionada com a “história das invenções”, só vai ser proposta como históriaem meados do século XX, sendo legitimada pela qualidade e eficiência do seu produto final.No caso dessa pesquisa, o estudo das casas rurais será justificada pela criatividade dassoluções técnicas mais do que pela necessidade de abrigo e falta de recursos, mostrando oengenho em tirar partido estrutural e construtivo de materiais como a terra, a madeira e apedra. (KATINSKY:1976). Ao estudar a história da técnica no Brasil Colônia, Julio Katinskysepara o estudo da técnica pela sua aplicação, em três categorias de recursos utilizadospara construir uma dada história e a respectiva tradição cultural, apresentando o grandepanorama em que se posiciona o estudo da técnica no âmbito dos estudos sobre aformação e ocupação do território brasileiro, principalmente do estado de Minas Gerais,onde a miscigenação de técnicas vindas de outras regiões do Brasil e do mundo têm suaparticularidade.Em Minas, com o processo de ocupação propiciado pela exploração do ouro que culminounas expedições bandeiristas no final do século XVII, aumenta o povoamento dessas regiões,destaca-se a imigração de paulistas e portugueses, promovendo a abertura de no voscaminhos desertos para estimular e facilitar o abastecimento. (CRUZ:2010) “Antigos mineradores e negociantes se transformam em fazendeiros; artesãos e empregados se fazem posseiros de terras devolutas. Citadinos 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 ruralizados espalham-se pelos matos, selecionando a terra já não pela riqueza aurífera, mas por suas qualidades para moradia e cultivo.” (VASCONCELLOS:1957 Apud: CRUZ:2010).A ultima fase de ocupação de Minas Gerais no século XVIII, é a fase de uma certaruralização, incentivada pela independência de alguns dos trabalhadores das grandesfazendas – que vão se disseminar pela região e ocupar novos territórios com suas moradase equipamentos – e também pelos mineiros destituídos de seus ofícios diante da escassezdo ouro (CRUZ:2010). Esta fase de ocupação corresponde ao início de um novo movimentode ocupação da região que, no começo do século XX, vai gerar a maior parte das casasaqui encontradas.Quanto ao sistema construtivo da arquitetura rural, tudo começa com a escolha de um sítioque satisfaça às necessidades funcionais como água, terra boa para o cultivo, facilidade deacessos e disponibilidade de materiais para a construção. A implantação das casas não temum padrão comum, e elas são construídas diretamente no solo ou em alicerces de pedra oumadeira (VASCONCELLOS:1961), sempre observando a topografia do terreno, o que emalguns casos caba resultando em construções com porão, conforme observa Carlos Lemos,“daí ser o sobrado, sobrado de qualquer tipo, a solução mineira”, diferente da casa paulistaem taipa, que idealiza o terreno fazendo terraplenos (LEMOS:1996, p. 43).A estrutura principal das construções é em madeira, genericamente conhecida como“estrutura autônoma de madeira”, ou “gaiola de madeira””, apoiada ou não sobre a base depedra.(CRUZ:2010). A armação da estrutura da casa, seguida do alicerce, quando danecessidade, é a primeira montagem a ser erguida, onde vão ser trabalhadas as paredes.As paredes são erguidas na técnica do pau-a-pique, descrita por Vasconcellos como umaarmadura formada pelos barrotes, paus colocados perpendicularmente e fixados entre osbaldrames e os frechais, onde são amarradas as ripas ou varas mais finas dispostas nahorizontal, de ambos os lados, armação esta que vai receber e suster o barro que é jogadoe apertado sobre ela com as mãos para preencher os seus vazios e por fim receberrevestimento do mesmo barro para o acabamento, onde depois de seco recebe caiação.(VASCONCELLOS:1961). O telhado é armado por paus roliços de madeira para receber oentelhamento, em estrutura independente apoiada sobre a gaiola. A armadura é quasesempre em quatro águas, em alguns casos especiais, com dupla inclinação, uma técnicaportuguesa com influência oriental que lança a água da chuva pra longe da parede(CRUZ:2010). As telhas de barro são quase sempre do tipo capa-e-canal ou capa e bica,como apresenta Vasconcellos. Os beirais protegem toda a estrutura da casa, principalmente 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana Mackenzieas paredes, motivo particular de suas avantajadas proporções, em algumas casassustentados por cachorros, peças horizontais de madeira apoiada nos frechais.Contudo, o olhar mais preocupado em identificar e valorizar as manifestações da arquiteturabrasileira colonial vai se desenvolver a partir dos textos e conferências de alguns intelecutaiscomo o arqueólogo-etnólogo Ricardo Severo. “Se em Portugal, o discurso de RicardoSevero inseria-se num contexto europeu de descoberta e valorização de tradiçõesvernáculas e sua transformação em tradição nacional, no Brasil essa discussão estavalocalizada apenas nas obras esparsas de velhos folcloristas pioneiros e nos manifestos dosnovos artistas modernistas.” (SANTOS: 2009) Lúcio Costa e José Marianno Filho deramcontinuidade a essas pesquisas e à valorização da arquitetura colonial. Pesquisasacompanhadas de levantamentos, inventários, desenhos e observações foramdesenvolvidas por arquitetos como Sylvio de Vasconcellos, em 1961, importantepesquisador da arquitetura rural mineira. Em seus estudos, descreve com riqueza dedetalhes os sistemas construtivos e materiais utilizados nessas construções brasileiras,ambientados pela vasta bibliografia recorrida. O trabalho que também propõe o estudo daarquitetura rural em Minas Gerais contextualizada na história da arquitetura colonial dasFazendas do Sul de Minas do arquiteto Cícero Ferraz Cruz (2010), que dá continuidade aessa pesquisa, aprofundando aspectos da construção através do estudo do processo deocupação da região, apresentando um panorama da arquitetura colonial no Brasil eprincipalmente em Minas Gerais, descrevendo sua técnica construtiva através do estudo decasos.A relação da arquitetura com a paisagem onde está inseridas, especialmente a arquiteturavernacular, é discutida e apresentada pelo geógrafo Rafael Winter Ribeiro no livro PaisagemCultural e Patrimônio (RIBEIRO: 2007), onde procura “problematizar o conceito de paisagemcultural para além da sua utilização pelo senso comum e discutir como ele pode ser útil àatribuição de valor, identificação e proteção do patrimônio cultural brasileiro” – considera apaisagem cultural como “fruto do agenciamento do homem sobre seu espaço” e estreita arelação entre o espaço natural e o construídos.MÉTODOComo esta pesquisa propõe o estudo e inventário das técnicas construtivas utilizadas naarquitetura vernacular rural, este trabalho teve início com a revisão e complementação dabibliografia que teve continuidade ao longo do desenvolvimento de toda a pesquisa.Delimitamos como área para pesquisa de campo na Serra da Mantiqueira, o município deGonçalves e cidades próximas, ligadas por estradas vicinais ou rodovias, entre algumas 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011delas podemos citar: Extrema, Itapeva, Camanducaia, Cambuí, Córrego do Bom Jesus,Paraisópolis e Consolação - região rica em exemplares de arquitetura vernaclar rural, comoapresenta o ensaio do arquiteto Marcelo Ferraz (FERRAZ: 1992).Norteado e restringido pelos limites ocupados pela Serra da Mantiqueira logo que encontraos territórios mineiros, em seu extremo Sul, o recorte territorial escolhido como área deestudo, pode-se dizer que foi se configurando conforme a pesquisa de campo foi sedesenvolvendo, uma vez que as casas estudadas nessa pesquisa, quase em sua totalidade,foram localizadas em mais de 800 quilômetros de estrada de terra percorridos na Serra,para além da região de estudo. Figura 01 – Mapa do Sul de Minas Gerais. Fonte: www.fortunatoimoveis.com “A Serra da Mantiqueira nasce no extremo sul de Minas Gerais, na divisa com o estado de São Paulo, e segue no sentido leste-nordeste, servindo como divisa natural entre dois estados, até a tríplice fronteira entre Rio, São Paulo e Minas. A Serra é o divisor de águas entre a bacia do rio Paraíba do Sul e as bacias do rio Sapucaí, Verde e Grande. A partir da divisão dos três estados, segue no sentido nordeste para dentro de Minas diluindo-se lentamente até encontrar outro complexo montanhoso, a serra do Espinhaço.” (CRUZ:2010). 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana MackenzieA primeira área de estudo escolhida abrangia um total de oito municípios na Serra daMantiqueira, Estado de Minas Gerais, três deles situados às margens da rodovia federalFernão Dias. Nesta região montanhosa, a maior parte dos municípios teve origem naagregação de bairros rurais isolados, reunidos até poucos anos apenas por estradas ruraissem pavimentação. Formados por grupos de casas, as vezes uma capela e pequeno largofrontal, no passado contando as vezes também com equipamento coletivo, como monjolo eroda d’água, os.pequenos vilarejos se configuram geralmente próximos à capela ou igreja,onde algumas famílias se instalam e vivem suas vidas em comunidade, buscando junto aosrecursos da cidade o pouco do material que não conseguem produzir por conta própria.1881 Figura 02: Acervo Bairro Venâncios. Fonte mapa: Google earthMesmo tendo identificado interessantes exemplares da arquitetura vernacular espalhadaspelos bairros rurais dos sete municípios mineiros visitado – Extrema, Itapeva, Camanducaia,Cambuí, Córrego do Bom Jesus, Gonçalves, Paraisópolis e Consolação - , foi na cidade emGonçalves que encontramos um acervo mais significativo, destacando-se o bairro dosVenâncios, com mais de dez casas, todas muito bem conservadas e, quase todas, aindaservindo de habitação às famílias locais. No bairro, destaca-se a casa mais antigaencontrada na pesquisa de campo, edificada próximo à igreja em 1881 e em ótimo estadode conservação. 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Na pesquisa de campo tratamos do mapeamento das casas utilizando métodos deinventário: levantamento cadastral para o registro das técnicas construtivas.Na primeira etapa de levantamento, fizemos um pré-reconhecimento de algumas casas,acompanhado de entrevista com os moradores e, na medida do possível, com osconstrutores. A partir desse contato preliminar, desenvolvemos uma Ficha Cadastral quepara sistematizar e organizar os dados obtidos na pesquisa de campo. Adaptamos nossaficha a partir do modelo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN –elaborado para o trabalho de levantamento e cadastro de bens, importando alguns itenscomo: referências e coordenadas geográficas para a exata localização das casasencontradas, recorte temático que discrimina o tema da pesquisa e seu foco de trabalho,código identificador que cataloga cada objeto de estudo e que em sua leitura permite sabero estado e cidade onde a obra está inserida e também dados técnicos cadastrais básicos,como endereço, proprietário, confrotantes etc. - introduzindo outros itens consideradospertinentes aos objetivos da pesquisa e que fazem parte do repertório da arquiteturavernacular local e que irão possibilitar estabelecer as relações com as construções de outrasregiões - como nomenclaturas próprias utilizadas, detalhes técnico-construtivos, ano deconstrução, intervenções e reformas etc., de acordo com que os dados iam sendogarimpados nas entrevistas.Ainda que necessária a elaboração da ficha cadastral para os trabalhos de campo,procuramos não restringir a pesquisa apenas aos questionamentos e itens pré-estabelecidos, para não restringir as informações potenciais. Para isso, introduzimos naficha itens genéricos como “relatos históricos” e “observações complementares” junto dasobservações de campo, para dar mais flexibilidade às anotações. 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana MackenzieFigura 03: Ficha Cadastral final, preenchida com os dados obtidos em levantamento, anotados antes em uma ficha básica, mais prática para uso em campo – Parte 1 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Figura 04: Ficha Cadastral final, – Parte 2Para registro e detalhamento das peças construtivas, encaixes, fechamentos e equipmentosreferentes à arquitetura tradicional, todas as casas fotografadas e desenhadas para facilitara identificação, o reconhecimento e o registro das técnicas construtivas identificadas e dacasa como um todo. 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenzie Figura 05 e 06: Ficha cadastralRESULTADO E DISCUSSÃOO estudo das técnicas construtivas tradicionais, somado às pesquisas sobre o emprego dosmateriais locais para a construção está relacionado com questões de ordem social,econômica, geo-morfológica e cultural; com o homem do campo, suas raízes e suastradições. A arquitetura vernacular revela o rico e elaborado sistema tradicional de construir,visíveis nos robustos apoios em pedra ou madeira que suspendem a casa protegendo daumidade do solo; na estrutura principal autônoma em madeira fechada por vedos de pau-a-pique; no engenhoso telhado que, como um grande chapéu, protege a construção do frio edo sol, ao tempo que os seus beirais protegem da chuva o barreado das paredes. “Trabalhoa ser feito, senão pelo homem do oficio, ao menos com a assistência dele, afim de garantirexatidão técnica e objetividade, sem o que perderia a própria razão de ser.” (COSTA:1995)O recorrente uso desse tipo de soluções técnicas e da aplicação de materiais alternativos esustentáveis foi perdendo terreno na medida em que as relações capitalistas foram-seexpandindo e mudando a relação do meio urbano e rural que por sua vez fio abrindoespaços para os materiais e técnicas construtivas mais elaboradas e contemporâneas, emuma “unilateral dependência do rural em relação ao urbano, que se moderniza e neste seintegra apenas na medida em que consome os produtos e os estilos de vida da sociedadeurbana.” (ANDRADE:1986) 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Acompanhando algumas baixadas e vencendo os morros na Serra da Mantiqueira, a rodoviaFernão Dias segue sentido interior de Minas ligando as capitais São Paulo e Belo Horizonte,passando pela região em estudo e em alguns momentos por dentro de algumas cidades.Com a descoberta do ouro no final do século XVII e o adensamento populacional das vilasde São Paulo, tem início o “primeiro movimento expressivo e definitivo de interiorização dapopulação na América portuguesa.” (CRUZ:2010). “O sul da captania foi rota de penetração para as minas de ouro, por sua posição aurífera e o ponto de partida, que era a cidade de São Paulo. Os caminhos mais usados pelos paulistas foram três: o primeiro, que teria sido percorrido por Fernão Dias, ficou conhecido por Fernão Dias; o segundo era chamado de caminho de São Paulo ou caminho Velho, e o terceiro, caminho dos Guaianases.” (MORAES:2005)Conforme a pesquisa de campo foi avançando para as cotas mais altas da Serra e seafastando das margens da rodovia, onde o clima frio característico junto à paisagem naturale construída ainda preservadas, marcadas pela vasta presença da araucária e do pinheiro,vegetação típica do lugar, percebe-se maior incidência de casas construídas preservadasnos moldes tradicionais. Na cidade de Gonçalves foi onde encontramos maior número decasas rurais, inclusive ainda em uso e em perfeito estado de conservação. Com suascaracterísticas de interior preservadas, a cidade possuía, em 2010, 4220 habitantes. A cincoquilômetros do centro da cidade, à sudeste, fica o bairro Venâncios, lugar ondeoriginalmente tinha suas casas construídas nos moldes tradicionais e onde ainda seencontram várias construções em perfeito estado de conservação e originalidade, inclusiveno que diz respeito às reformas e adequações, algumas vezes utilizando do mesmo sistemaconstrutivo.O motivo por ser encontrado maior número de casas rurais conforme o afastamento dasregiões por onde passa a rodovia Fernão Dias e, por conseguinte, das cidades maisdesenvolvidas urbanisticamente, deve-se ao fato da menor facilidade de acesso a materiais,dificuldade para o transporte e carência de mão de obra para os novos sistemas,contribuindo para o uso das técnicas tradicionais de construção e a preservação das casasrurais existentes. “Com efeito, exigem tais edificações mínimas aplicações de recursosfinanceiros, na medida em que empregam os materiais disponíveis no meio ambiente e sãoconstruídas pelo próprio morador e sua família, quando são utilizadas formas de auxiliovicinal.” (ANDRADE:1986). 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana MackenziePara a implantação da casa, quando o terreno é irregular, a casa é nivelada e apoiada emseus esteios de madeira ou bases de pedra, liberando a parte debaixo do piso para depósitoou abrigo para o lenhado. Não existe o hábito de acertar o terreno. Em alguns casos, osbaldrames são assentados diretamente sobre o solo, ficando a resistência à umidade eexposição às intempéries do tempo por conta da escolha de uma madeira resistente.Figura 06: Apoios em pedra para implantação. Córrego do Bom Jesus, B. Campos dos RapososFigura 07: Implantação e topografia. Gonçalves, B. VenânciosFigura 08: Implantação e topografia. Gonçalves, B. VenânciosFigura 09: Porão. Gonçalves, B. VenânciosAs técnicas construtivas encontradas nos levantamentos realizados apresentam-se muitosemelhantes em seu aspecto geral, pelo uso da “estrutura autônoma de madeira”, vedaçãoem pau-a-pique, portas, janelas, forros e soalhos em tábuas de madeira, e cobertura emtelha de barro do tipo capa-e-canal, uma vez que os materiais disponíveis são praticamenteos mesmos – a pedra, a madeira e a terra, obtidos no próprio local (CRUZ:2010).Figura 10: Detalhe em corte do pau-a-pique e base em pedra. Fonte: CRUZ:2010Figura 11: Detalhe janela – vista interna e externa. Fonte: CRUZ:2010Figura 12: Peças do telhado e beiral. Fonte: VASCONCELLOS:1961Figura 13: Beiral e telha. Fonte: CRUZ:1998Assim como é farta a terra nessa região, as pedras também são facilmente encontradas nasencostas dos caminhos, nos rios próximos aos vilarejos, nos pastos e nos campos são 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011usadas principalmente na construção do alicerce que serve de base para receber osbaldrames, isolando a casa da umidade, e como sistema de fechamento para o porão,quando não afundada no solo, como falsos alicerces. (LEMOS:1961). As pedras sãoassentadas sem argamassa umas sobre as outras apenas pelo encaixe, técnica conhecidacomo pedra seca, “obtendo-se o acabamento das pedras maiores pela interpolação deoutras menores” (LEMOS:1961) utilizando suas faces “chatas” para o assentamento e, àsvezes, utilizando o barro para tapar os pequenos veios formados pela sua irregularidadeformal (figura 03). Em alguns casos, as pedras são utilizadas como degraus ou nas escadapara vencer alguns desníveis (figura 14).Figura 14:Base em pedra com escada do mesmo material. Gonçalves, B. VenânciosFigura 15:Apoios em pedra para correção do desnível. Cambuí, B. Água BrancaFigura 16:Parede em pedra com vedação em barro. Córrego do Bom Jesus, B. CatiguáFigura 17: Base em pedra sustentando o baldrame. Gonçalves, B. VenânciosO material mais utilizado nas casas rurais é a madeira, participando tanto da estruturaprincipal quanto das peças menores, como portas e janelas – com suas folhas feitas comtábuas de pinheiro justapostas e unidas, umas às outras por travessa, em vários casostambém se encontra folhas com junção do tipo macho-fêmea. A madeira também é utilizadana armação do pau-a-pique – barrotes e ripas dispostos de forma a criar uma grelha,amarrada com cipó, onde é assentado o barro. A “gaiola” é formada por baldrames, esteiose frechais, junto às peças que estruturam o telhado, muito semelhante à estrutura usada nasfazendas do sul de Minas, que muito se assemelha à gaiola pombalina pelo uso desambladuras e articulações (CRUZ:2010). Por serem peças mais importantesestruturalmente, os baldrames e os esteios são confeccionados em madeiras nobres, comoo guatambu e a cajarana, mais resistentes à ação do sol e da chuva, principalmente quandoos baldrames ou os esteios fazem contato direto com o solo. O piso das casas é sempreassoalhado, quando o cômodo não toca o solo, assim como o alpendre e as escadas. Emalguns casos, a cozinha também segue o mesmo piso da casa e o fogão à lenha éconstruído sobre as tábuas. 16
  17. 17. Universidade Presbiteriana MackenzieFiguras 18, 19, 20, 21 e 22: Casas diversas. Gonçalves, B. VenânciosA terra é um elemento bastante característico nas construções vernaculares devido aoimediato reconhecimento da arquitetura rural pelo uso do pau-a-pique e sua estrutura emmadeira, o mais difundido no Brasil (LEMOS:1961). Encontrada em abundância na regiãoem estudo, a terra é usada principalmente para o barreamento das paredes. Após montadaa grelha que recebe o barreamento - mistura de terra, água escremento de animal evegetação seca, a mistura é atirada de encontro à grelha pelos dois lados e niveladoposteriormente com uma camada mais fina do mesmo material(CRUZ:2010). A terra étambém a matéria-prima para o fabrico das telhas, em sua maioria do tipo capa-e-canal. Emalguns casos, nas paredes que ficam junto ao fogão à lenha, é passada uma camada detinta à base de terra tabatinga ou argila, devido à intensa incidência de fumaça nessasparedes, o que permite praticidade em retocar a “tinta”, que por sua freqüente aplicação,resulta no engrosso da área pintada. Nas casas mais humildes, o piso é feito direto na terra,nivelado e revestido com argila ou terra tabatinga.Figura 23 e 24: Pau-a-pique. Gonçalves, B. VenânciosFigura 25: Parede pintada com terra tabatinga. Gonçalves, B. VenânciosFigura 26: Parede externa com acabamento em terra tabatinga. Córrego do Bom Jesus. B. CatiguáAs soluções encontradas referente ao uso da pedra como base ou como vedação restringe-se às construções mais antigas, anteriores a 1950. Posteriormente, as casas eram erguidasdiretamente do chão apoiadas nos esteios que partiam do porão até encontrar os frechais,onde se apóia a cobertura ou às vezes a casa é construída sobre pequenos apoios oufieiras de pedra. Quando da necessidade de fechamento dos porões, recorria-se ao uso de 17
  18. 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011tábuas, sendo posteriormente substituídos pelo bloco de cimento ou alvenaria de tijolos(figura XX).percebe-se uma simplificação e racionalização uso da madeira ou sua substituição, quesempre foi colhida nos arredores da construção ou nas matas vizinhas, por um lado emfunção da dificuldade em adquirir e trabalhar o material e, por outro, em função de outrosmateriais mais práticos, como o cimento para revestir o piso, queimado e tingido devermelho ou amarelo, forros em madeira adquiridos no comércio bem como outras peçasutilizadas na construção, como o madeiramento do telhado, portas e janelas.A terra é constante e pouco foi modificado o seu uso nas construções rurais. Dependente dobarro para sua vedação, o pau-a-pique encontrado nas casas levantadas demonstra ummesmo processo construtivo, encontrando em alguns casos o uso de argamassa de cimentopara a reforma de algumas paredes, mas se utilizando a mesma estrutura armada.Figura 27: Baldrames apoiados direto no solo e sobre pequena base. Gonçalves, B. VenânciosFigura 28: Foto de 1992 e 2011. Mudança no fechamento do porão. Gonçalves, B. VenânciosFigura29 :Uso de cimento para reparo do pau-a-pique. Cambuí, B. Água BrancaEm alguns casos especiais, quando da necessidade de se construir uma segunda casadevido ao desgaste sofrido com o passar do tempo, geralmente após 40, 50 anos de uso,principalmente pela fragilidade das paredes e também por algumas peças estruturais ouportas e janelas, conforme alguns casos encontrados, a construção antiga é desmontada esuas peças principais, geralmente os esteios e baldrames (vigas e colunas de madeira), oassoalhado, algumas guarnições internas, por serem feitos com madeiras especiais e dealta resistência, acabam sendo reutilizados na nova construção..Em outros casos, quandoda necessidade de mais espaço na casa, uma segunda é construída ao invés de refazê-lapermanecendo a casa antiga, geralmente ocupada pela mesma família. A planta da novacasa segue a da casa antiga devido ao encaixe original das peças e ao posicionamento noterreno também ser o mesmo, uma vez que ao importar a planta antiga, resolve-se aomesmo tempo as questões de insolação, acessos, etc.. O que muda às vezes é a 18
  19. 19. Universidade Presbiteriana Mackenziedistribuição dos cômodos, que são adequados ao número de integrantes da família, mas acozinha sempre corresponde ao posicionamento da anterior.CONCLUSÃOAtualmente, o interesse pelo estudo e reconhecimento da arquitetura vernacular no Brasiltem crescido e vem sendo discutido e apresentado por pesquisadores e arquitetos em buscade maior compreensão da nossa cultura e da história da nossa arquitetura, suas raízes erepercussões mais contemporâneas. Conclui-se do material levantado em campo que astransformações ocorridas com as casas rurais têm contribuído para a descaracterizaçãodessa arquitetura e a perda de originalidade construtiva que, apesar da necessidade do usoda tecnologia, ainda permanecem na região casas bem conservadas, evidenciando aindamais a necessidade de instrumentos que contribuam para a preservação da arquitetura rurale das técnicas construtivas tradicionais.BIBLIOGRAFIAANDRADE, Antônio Luiz Dias de. “Arquitetura Vernacular: Vale do Paraíba”. Revista doPatrimônio, n. 9. Rio de Janeiro, IPHAN, 1986, ps. 158 a 164.__________________________. Vale do Paraíba: Sistemas Construtivos. Dissertação(Mestrado). São Paulo, 1984.Arquitectura Popular em Portugal. Lisboa: Associação dos Arquitectos Portugueses, 1980.AZEVEDO, Paulo Ormindo de. “Por um inventário cultural brasileiro”. Revista do Patrimônio.Rio de Janeiro, SPHAN, 1987, ps. 82 a 85.BARDI, Lina Bo. Caipiras, capiaus: pau-a-pique. São Paulo: SESC, 1984.CÂNDIDO, Antônio. Parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e atransformação dos seus meios de vida. São Paulo: Ed. Duas Cidades, 2001.CORONA, Eduardo e LEMOS, Carlos A. C.. Dicionário da arquitetura brasileira. São Paulo:EDART – São Paulo Livraria Editora Ltda, 1972.COSTA, Lucio. “Documentação Necessária”. In: COSTA, Lucio. Lucio Costa: registro deuma vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995. 19
  20. 20. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011CRUZ, Cícero Ferraz. Fazendas do Sul de Minas Gerais: Arquitetura Rural nos SéculosXVIII e XIX. São Carlos: Dissertação (Mestrado), 2008.estes não são ops dados dolvro – evocê consultou o livro_________________. Pesquisa e Levantamento de fazendas do Sul de Minas – SéculoXVIII e XIX. São Paulo. Iniciação Científica, FAU-USP, 1997.FERRAZ, Marcelo Carvalho. Arquitetura Rural na Serra da Mantiqueira. São Paulo:Empresa das Artes, 1992.FLORES, C. Arquitectura Popular Española. Madrid: Ed. Aguilar, 1973-77.Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia - IPAC-BA. Salvador: Secretaria daIndústria, Comercio e Turismo da Bahia - Coordenação de Fomento ao Turismo. volumes deI a V ,1975-1988.JUNQUEIRA, Walter Ribeiro. Fazendas e Famílias Sul-Mineiras. São Lourenço, Gráfica eEditora Novo Mundo, 2004..KATINSKY, Julio Roberto. O ofício da carpintaria no Brasil: justificação para umainvestigação sistemática. São Paulo: FFLCH, 1967 p. 521-535.______________________. Um guia para a história da técnica no Brasil colônia. 2. ed. SãoPaulo: EDUSP, 1976.LEMOS, Carlos A. C. Arquitetura Brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1979._________________História da Casa Brasileira. São Paulo: Contexto,1996.OLIVER, Paul (org.). Encyclopedia of Vernacular Architecture of the World. Londres, OxfordBrookes University, 1997.PESSÔA, José (org). Lucio Costa: Documentos de Trabalho. Rio de Janeiro: IPHAN, 1999.RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo:Companhia das Letras, 1996.SAIA, Luís. Morada Paulista. São Paulo: Perspectiva, 2005SAIA, Luís. “Notas sobre a arquitetura rural paulista do segundo século”. In: Revista doSPHAN, n.8. Rio de Janeiro, SPHAN, 1944. ps.211-75. 20
  21. 21. Universidade Presbiteriana MackenzieCOELHO, Sandra Lemos. Transformações arquitetônicas: constribuição ao estudo dasfazendas mineiras do século XVIII e princípio do XIX. Rio de Janeiro: Mestrado emarquitetura, PROARQ / FAU / UFRJ, 2000.SANTOS, Cecilia H. G. Rodrigues dos. Mapeando os lugares do esquecimento: idéias epráticas na origem da preservação do patrimônio no Brasil. São Paulo: Tese dedoutoramento, FAU - USP, 2007.____________________. “Sobre raízes e referências vernaculares: contribuição ao debatesobre a arquitetura do Movimento Moderno”. In: Arquitetura Brasileira, Tradição Moderna,Cultura Contemporânea - Programa Nacional de Cooperação Acadêmica – PROCAD,PROPAR-UFRGS / PPG-FAU-USP / PPGAU-MACKENZIE. Disponível em:http://sites.google.com/site/procadufrgsuspupm/VASCONCELLOS, Sylvio de. Arquitetura no Brasil - sistemas construtivos. Belo Horizonte:Escola de Arquitetura da Universidade de Minas Gerais, 1961._____________________. Vila Rica: Formação e Desenvolvimento – Residências. Rio deJaneiro: Instituto Nacional do Livro, 1956.Contato: venanciocoser@yahoo.com.br e altoalegre@uol.com.br 21

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