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RESENHA DO TEXTO:
A ARQUITETURA DOS JESUÍTAS NO BRASIL (Lucio Costa)
No texto apresentado, o arquiteto e urbanista Lucio Costa aborda sobre as
características do estilo construtivo dos padres jesuítas em solo brasileiro que se
desenvolveu entre os séculos XVI e XVIII, período em paralelo o qual a Europa
passava sendo influenciada pela Companha de Jesus, com princípios barrocos.
Segundo Lúcio Costa (1941), a Arquitetura Jesuítica é o que o Brasil possui
de mais antigo em questões arquitetônicas e que não se resumiram somente em
construções religiosas, mas também estava presente em residências e demais
edifícios que constituíam o início dos traçados urbanos de nosso país.
No Brasil, essa arquitetura era produzida de forma ainda renascentista, mas
possuindo representações de formas diversas e sendo influenciadas pelo meio, de
acordo com as conveniências e recursos locais e com peculiaridades próprias de
cada período, com materiais, técnicas e personalidades diferentes.
Em diferentes partes do mundo em que os jesuítas se fixaram, realizaram
construções de estilos e formas diferentes, sendo em algumas colônias- como por
exemplo, os hispano-americanos – abrangeu o estilo barroco por completo e no
Brasil, foi interrompido no ano de 1759 com o ar severo da Contrarreforma.
O surgimento do Barroco foi uma resposta ás repetidas construções
renascentistas - que não utilizavam de forma funcional os elementos classicistas
(coluna, entablamento, frontões etc.), somente plasticamente – inaugurando um
período de evolução e concepção plástica, liberta dos paradigmas anteriores e
fundada, conforme Lúcio Costa, de princípios lógicos, e sãos. Esse novo estilo
também possuiu formas diferentes de expressão em solo brasileiro, estando
presente essa diversidade na composição e talha dos retábulos de altar.
O autor discursa sobre as fases de estudo de obras arquitetônicas,
começando-se pelo programa (analise do meio físico e social, finalidades e
necessidades funcionais), sem seguida a técnica (materiais e sistema de construção
adotado), depois o partido (a maneira, através da técnica, de plástica arquitetônica
toma para se produzir o programa) e por último a “comodulação” e “modenatura”
(qualidade estética).
O programa das construções jesuíticas era simples, constituindo-se um local
para o culto (igreja com coro e a sacristia), para o trabalho (aulas e oficinas) e por
último a residência (“cubículos – dormitórios-, enfermaria, horta e pomar). Referente
ao primeiro item, os padres tinham como necessidade uma igreja ampla, para a
concentração de muitos fieis, de preferência em frente a um local aberto e sem a
existência de construções ao seu redor, para evitar a intervenção de outras partes
religiosas e políticas, fato que ocorreu de forma esmagadora com os chamados Sete
Povos das Missões (Província do Paraguai).
No início (1583-1585), as construções jesuíticas provisórias ainda possuíam
um caráter envelhecido, projetadas de madeira e barro de mão e com cobertura
vegetal, no entanto, não eram precárias. Em algumas construções nessa mesma
época já se empregava o uso do tijolo na região de Pernambuco, ainda em domínio
holandês.
Ao passar das décadas, essas igrejas foram substituídas em caráter definitivo
por construções de pedra e cal ou taipa de pilão, de acordo com as possibilidades
de materiais e técnicas da região. A última, que somente era utilizada na ausência
de boa argila, pedra e cal, possuía aspecto menos definido e acachapado, como
pode ser observado na capela paulista de Santo Antônio do município de São
Roque; nessas construções, observa-se o uso do pranchão como uma verga sobre a
janela, também empregadas nas construções de pedra quando não é possível o
enquadramento dos vãos em cantaria. Exemplo: porta travessa da igreja de Reritiba
em Anchieta – ES. A capela de São Miguel (1622), construída com paredes de
adobe no alteamento da nave e escoramento interno de madeira e é possível notar
traças de mão indígena nas capelas típicas de aldeia, como a de Carapicuíba de
1735.
Outra característica dessas construções de pedra e barro são os grandes
beirais dos telhados, para evitar o contato das paredes com a agua, que ocorriam
paralelamente com as construções igrejas e colégios de alvenaria de pedra, como
por exemplo, o mosteiro mandado construir por Mem de Sá em Salvador para o
Mosteiro de Jesus, nova igreja de N. Sra. Da Graça do Colégio de Olinda (todos em
pedra e cal de ostra). Costa afirma, no entanto, que a única igreja jesuítica
quinhentista construída com todas as características do estilo e autentica é a igreja
de São Roque, projetada pelo arquiteto Francisco Dias.
Em suas implantações em quadra, a igreja jesuítica ocupa ¼ da mesma e
dispostas as outras construções de maneira a se produzir um pátio interno (ex.:
Colégio de Olinda, do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de Embu).
No que se refere à planta baixa, a maior parte das igrejas constituía-se de
uma única nave, com exceção a igreja de São Pedro d’Aldeia (plasticamente e
tecnicamente pura, com três naves) e da antiga igreja de Reritiba (sustentação do
madeiramento da cobertura por duas ordens de arcadas). Nas igrejas de somente
uma nave, existem quatro tipos de plantas diferentes:
I. Primeiro Grupo: capelas mais singelas e rudimentares dos primeiros tempos,
com capela-mor e nave como um mesmo corpo, dividido em algumas obras
por um arco cruzeiro. Ex.: capela de Santo Antônio.
II. Segundo Grupo: igrejas com nave e capela-mor distintas, com a última com
largura e pé-direito menores. Ex.: igrejas mineiras.
III. Terceiro Grupo: igrejas com traçado singelo e geral e partido arquitetônico
complexo das igrejas maiores do século XVII, com três altares usuais do
modelo anterior com particularidades e pequenas capelas colaterais com
profundidades diferentes. Ec.: igreja de Olinda e igrejas modestas, algumas
vezes om capela transversal, cruz latina (igreja de Socorro, Sergipe).
IV. Quarto Grupo: igrejas seiscentistas, influencias pelo padrão de planta
corrente da igreja jesuítica romana de Gesù, com numeroso altares
organizados em capelas laterais, sendo que as duas mais próximas da
capela-mor faziam-se quase sempre mais largas, altas e profundas,
marcando o cruzeiro. . Ex.: igreja do Colégio do Salvador, a “matriz” da
Companhia de Jesus; as de São Paulo de Piratininga e de Belém do Pará
(COSTA, LUCIO, p. 18. 1941).
No quesito plástico, os padres adotavam em suas igrejas os estilos mais
modernos e avançados. A maior parte da Arquitetura Jesuítica foi produzida sobre o
período de dominação espanhol do monarca Felipe II, onde ser caráter frio e severo
influenciou nitidamente as proporções e modenatura a arquitetura das construções,
produzidas pelo então importado arquiteto Francisco Dias no Brasil.
Ainda referente ás características constritivas dessas igrejas, as coberturas,
quando em telhas nas torres eram feitas de tijolo, ficava amostra o acabamento
natural do extradorso caiado – influência da técnica moçárabe. Quando feita em
pedra e cal, prevalecia o acabamento em forma de pirâmide. Somente no séc. XVIII
surgem nesses acabamentos os perfis bulbosos.
Embora algumas técnicas e arquitetos importados para o Brasil, o que melhor
exemplifica a arquitetura jesuítica é a presença do frontão reto, pois não foram
utilizadas de forma evoluída no barroco e não estão persentes nesse estilo. As
portas também são diversificadas nessa arquitetura, ocorrendo de maneira única,
numerosa, frontal, lateral, ornamentadas ou não, etc.
Mesmo produzida de maneira tão diversificada no território, a arquitetura jesuítica
teve sempre como tema a sobriedade, mesmo em suas igrejas e altares mais bem
elaborados.
Até o presente momento, o ilustre arquiteto discursa somente sobre os
aspectos exteriores das construções jesuíticas brasileiras. Agora, informações
quanto as propriedades internas destas igrejas.
Primeiramente, o autor expõe a evolução do “risco” dos retábulos produzidos,
todos com características próprias, com preferencias de cada comunidade ou região
cristã.
I. Primeiro Estilo: séc. XVI, pertencem entre a fase de transição do
Renascimento ao Barroco, com características confusas e indefinidas.
II. Segundo Estilo: retábulos ricos, severos e de grande beleza, com colunas
torsas repetidas em planos reentrantes e arquivoltas concêntricas – aspectos
geralmente encontrados em obras franciscanas. Esse estilo vai perdendo sua
exatidão no fim do séc. XVII, verificando-se o “afastamento das colunas para
dar lugar às imagens, os arcos se abrem para receber o dossel sobre o trono;
multiplicam-se os anjos, as volutas, os florões e as linhas mestras do desenho
quase que se perdem” (COSTA, LÚCIO, p. 28. 1941).
III. Terceiro Estilo: retábulo barroco, no entanto, um estilo já não mais
contemporâneo aos jesuítas.
IV. Quarto Estilo: estilo mineiro da última fase, que como exemplares mais típicos
são os dois retábulos das capelas de Santo Inácio e de São Francisco Xavier,
na igreja do antigo Colégio do Salvador. O modelado baixo da talha, certas
delicadezas de técnica e o apuro bastante precioso e convencional do
acabamento.
Como atributos gerais, os retábulos possuem a presença de capiteis coríntios
de aspecto “repolhudo” – assim chamado por Lúcio Costa -, com fustes estriados em
posição diagonal e com o terço inferior ornamentado; as pinturas colocadas acima
do entablamento, com molduras de folhas de acanto ou de escamas; volutas de
desenho caprichoso; pináculos marcando a prumada dos fustes; etc.
Lucio Costa discursa brevemente sobre a origem do entalhe feito nos
retábulos, no que se refere a mão-de-obra e também do material. De certo, grande
parte dessas peças foram produzidas em território internacional e trazidas para o
Brasil, no entanto, uma grande gama de retábulos também foram produzidos por
artistas brasileiros ou em solo brasileiro, que não por esse motivo são menos
interessantes ou belos que os primeiros, mas baseados nos mesmo. Exemplo:
banca da comunhão de São Miguel.
Referente as pinturas internas das igrejas jesuíticas, desde em grandes e
pequenos quadros até as pinturas nas paredes e tetos, as mesmas sempre tiverem
papel importante podendo dividir as igrejas brasileiras em dois grupos.
O primeiro, abrange todo o período das primeiras igrejas até o começo do
século XVIII, as pinturas ornamentais dos tetos continham arabescos florais
simétricos com um núcleo central, contidas nos limites do forro e madeiramento da
cobertura – Salvador, Embu – ou possuíam desenhos mais livres indo-persa de
interessantes efeitos – sacristia da igreja do Seminário de Belém da Cachoeira -.
Essas pinturas eram de fato quadros posicionados ao teto, em tecido emoldurado às
tempera ou a gesso e cola na cobertura das igrejas/ capelas. As igrejas da
Companhia correspondem principalmente a este período.
O segundo grupo corresponde as construções religiosas da metade do século
XVIII, apresentam-se da mesma maneira que o primeiro, no entanto, com detalhes
mais minuciosos e caprichosos exemplificadas nas capelas baianas de Santo Inácio
e São Francisco Xavier, de concepção ilusionista barroca.
Além da própria decoração interior, essas pinturas empregadas de técnica de
perspectiva davam a sensação de maior dimensão e amplitude à nave. Essa nova
pintura evoluiu do tratamento pesado e opressivo, onde prevaleciam a
representação de formas arquitetônicas e o colorido sombrio. Nesse segundo grupo,
as pinturas também ganharam tratamento artístico mais dramático, sendo atribuídas
de douramentos, estofagem e pintura nas imagens dando-lhes o aspecto de
faiscarem.
As imagens, assim como as pinturas, muitas delas eram trazidas da Europa e
copiadas aqui, ou produzidas originalmente em solo nacional por portugueses ou
brasileiros natos, que mesmo com a repetição dos diversos santos e santas em
larga escalas não deixaram de ser bonitos e de evoluírem em sua técnica. Grande
parte dos artesãos que as produziram eram padres, com por exemplo o seiscentista
frei Agostinho de Jesus.
Somadas os retábulos, as pinturas e imagens, o conjunto interno das igrejas
do segundo período, ou seja, das igrejas barrocas eram constituídos também de
outros acessórios atribuídos ao culto, mobiliário etc.
No final de seu texto, Lúcio Costa retoma o assunto sobre os Sete Povos das
Missões, que embora obras arquitetônicas jesuíticas na Província do Paraguai, seu
legado também se estende ao território nacional, parcialmente destruído e impedido
sua demolição total pela Comissão de Terras em 1928, em São Miguel. A
reconstrução de parte desse arquipélago colonial foi realizada pelo SPHAN desde
1938, com a reconstrução da torre e do cunhal tombado do pórtico e restos
construtivos e religiosos levados ao museu local.
Em frente a essas igrejas jesuíticas existia sempre uma grande praça ou
terreiro, circundado de construções de habitação coletiva (apartamentos de 5,0m x
7,0m), construídos de pedra ou barro. A medida que as construções iam crescendo,
iam-se formando malhas urbanas envolvendo a quadra principal (da praça e igreja);
algumas casas eram distantes uma das outras e criavam gados, e seguiam até a
cidade a partir de ruas – orgânico e articulado.
A disposição dessa malha urbana era exemplarmente calculada, com uma
organização quase que militar organizada pelos jesuítas. Na igreja missionaria de
São Miguel, observa-se uma obra singular, constituía de dois frontões, projetado
com grande conhecimento de modenatura e proporção,

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Resenha: A ARQUITETURA DOS JESUÍTAS NO BRASIL (Lucio Costa)

  • 1. RESENHA DO TEXTO: A ARQUITETURA DOS JESUÍTAS NO BRASIL (Lucio Costa) No texto apresentado, o arquiteto e urbanista Lucio Costa aborda sobre as características do estilo construtivo dos padres jesuítas em solo brasileiro que se desenvolveu entre os séculos XVI e XVIII, período em paralelo o qual a Europa passava sendo influenciada pela Companha de Jesus, com princípios barrocos. Segundo Lúcio Costa (1941), a Arquitetura Jesuítica é o que o Brasil possui de mais antigo em questões arquitetônicas e que não se resumiram somente em construções religiosas, mas também estava presente em residências e demais edifícios que constituíam o início dos traçados urbanos de nosso país. No Brasil, essa arquitetura era produzida de forma ainda renascentista, mas possuindo representações de formas diversas e sendo influenciadas pelo meio, de acordo com as conveniências e recursos locais e com peculiaridades próprias de cada período, com materiais, técnicas e personalidades diferentes. Em diferentes partes do mundo em que os jesuítas se fixaram, realizaram construções de estilos e formas diferentes, sendo em algumas colônias- como por exemplo, os hispano-americanos – abrangeu o estilo barroco por completo e no Brasil, foi interrompido no ano de 1759 com o ar severo da Contrarreforma. O surgimento do Barroco foi uma resposta ás repetidas construções renascentistas - que não utilizavam de forma funcional os elementos classicistas (coluna, entablamento, frontões etc.), somente plasticamente – inaugurando um período de evolução e concepção plástica, liberta dos paradigmas anteriores e fundada, conforme Lúcio Costa, de princípios lógicos, e sãos. Esse novo estilo também possuiu formas diferentes de expressão em solo brasileiro, estando presente essa diversidade na composição e talha dos retábulos de altar. O autor discursa sobre as fases de estudo de obras arquitetônicas, começando-se pelo programa (analise do meio físico e social, finalidades e necessidades funcionais), sem seguida a técnica (materiais e sistema de construção adotado), depois o partido (a maneira, através da técnica, de plástica arquitetônica
  • 2. toma para se produzir o programa) e por último a “comodulação” e “modenatura” (qualidade estética). O programa das construções jesuíticas era simples, constituindo-se um local para o culto (igreja com coro e a sacristia), para o trabalho (aulas e oficinas) e por último a residência (“cubículos – dormitórios-, enfermaria, horta e pomar). Referente ao primeiro item, os padres tinham como necessidade uma igreja ampla, para a concentração de muitos fieis, de preferência em frente a um local aberto e sem a existência de construções ao seu redor, para evitar a intervenção de outras partes religiosas e políticas, fato que ocorreu de forma esmagadora com os chamados Sete Povos das Missões (Província do Paraguai). No início (1583-1585), as construções jesuíticas provisórias ainda possuíam um caráter envelhecido, projetadas de madeira e barro de mão e com cobertura vegetal, no entanto, não eram precárias. Em algumas construções nessa mesma época já se empregava o uso do tijolo na região de Pernambuco, ainda em domínio holandês. Ao passar das décadas, essas igrejas foram substituídas em caráter definitivo por construções de pedra e cal ou taipa de pilão, de acordo com as possibilidades de materiais e técnicas da região. A última, que somente era utilizada na ausência de boa argila, pedra e cal, possuía aspecto menos definido e acachapado, como pode ser observado na capela paulista de Santo Antônio do município de São Roque; nessas construções, observa-se o uso do pranchão como uma verga sobre a janela, também empregadas nas construções de pedra quando não é possível o enquadramento dos vãos em cantaria. Exemplo: porta travessa da igreja de Reritiba em Anchieta – ES. A capela de São Miguel (1622), construída com paredes de adobe no alteamento da nave e escoramento interno de madeira e é possível notar traças de mão indígena nas capelas típicas de aldeia, como a de Carapicuíba de 1735. Outra característica dessas construções de pedra e barro são os grandes beirais dos telhados, para evitar o contato das paredes com a agua, que ocorriam paralelamente com as construções igrejas e colégios de alvenaria de pedra, como por exemplo, o mosteiro mandado construir por Mem de Sá em Salvador para o Mosteiro de Jesus, nova igreja de N. Sra. Da Graça do Colégio de Olinda (todos em
  • 3. pedra e cal de ostra). Costa afirma, no entanto, que a única igreja jesuítica quinhentista construída com todas as características do estilo e autentica é a igreja de São Roque, projetada pelo arquiteto Francisco Dias. Em suas implantações em quadra, a igreja jesuítica ocupa ¼ da mesma e dispostas as outras construções de maneira a se produzir um pátio interno (ex.: Colégio de Olinda, do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de Embu). No que se refere à planta baixa, a maior parte das igrejas constituía-se de uma única nave, com exceção a igreja de São Pedro d’Aldeia (plasticamente e tecnicamente pura, com três naves) e da antiga igreja de Reritiba (sustentação do madeiramento da cobertura por duas ordens de arcadas). Nas igrejas de somente uma nave, existem quatro tipos de plantas diferentes: I. Primeiro Grupo: capelas mais singelas e rudimentares dos primeiros tempos, com capela-mor e nave como um mesmo corpo, dividido em algumas obras por um arco cruzeiro. Ex.: capela de Santo Antônio. II. Segundo Grupo: igrejas com nave e capela-mor distintas, com a última com largura e pé-direito menores. Ex.: igrejas mineiras. III. Terceiro Grupo: igrejas com traçado singelo e geral e partido arquitetônico complexo das igrejas maiores do século XVII, com três altares usuais do modelo anterior com particularidades e pequenas capelas colaterais com profundidades diferentes. Ec.: igreja de Olinda e igrejas modestas, algumas vezes om capela transversal, cruz latina (igreja de Socorro, Sergipe). IV. Quarto Grupo: igrejas seiscentistas, influencias pelo padrão de planta corrente da igreja jesuítica romana de Gesù, com numeroso altares organizados em capelas laterais, sendo que as duas mais próximas da capela-mor faziam-se quase sempre mais largas, altas e profundas, marcando o cruzeiro. . Ex.: igreja do Colégio do Salvador, a “matriz” da Companhia de Jesus; as de São Paulo de Piratininga e de Belém do Pará (COSTA, LUCIO, p. 18. 1941). No quesito plástico, os padres adotavam em suas igrejas os estilos mais modernos e avançados. A maior parte da Arquitetura Jesuítica foi produzida sobre o período de dominação espanhol do monarca Felipe II, onde ser caráter frio e severo
  • 4. influenciou nitidamente as proporções e modenatura a arquitetura das construções, produzidas pelo então importado arquiteto Francisco Dias no Brasil. Ainda referente ás características constritivas dessas igrejas, as coberturas, quando em telhas nas torres eram feitas de tijolo, ficava amostra o acabamento natural do extradorso caiado – influência da técnica moçárabe. Quando feita em pedra e cal, prevalecia o acabamento em forma de pirâmide. Somente no séc. XVIII surgem nesses acabamentos os perfis bulbosos. Embora algumas técnicas e arquitetos importados para o Brasil, o que melhor exemplifica a arquitetura jesuítica é a presença do frontão reto, pois não foram utilizadas de forma evoluída no barroco e não estão persentes nesse estilo. As portas também são diversificadas nessa arquitetura, ocorrendo de maneira única, numerosa, frontal, lateral, ornamentadas ou não, etc. Mesmo produzida de maneira tão diversificada no território, a arquitetura jesuítica teve sempre como tema a sobriedade, mesmo em suas igrejas e altares mais bem elaborados. Até o presente momento, o ilustre arquiteto discursa somente sobre os aspectos exteriores das construções jesuíticas brasileiras. Agora, informações quanto as propriedades internas destas igrejas. Primeiramente, o autor expõe a evolução do “risco” dos retábulos produzidos, todos com características próprias, com preferencias de cada comunidade ou região cristã. I. Primeiro Estilo: séc. XVI, pertencem entre a fase de transição do Renascimento ao Barroco, com características confusas e indefinidas. II. Segundo Estilo: retábulos ricos, severos e de grande beleza, com colunas torsas repetidas em planos reentrantes e arquivoltas concêntricas – aspectos geralmente encontrados em obras franciscanas. Esse estilo vai perdendo sua exatidão no fim do séc. XVII, verificando-se o “afastamento das colunas para dar lugar às imagens, os arcos se abrem para receber o dossel sobre o trono; multiplicam-se os anjos, as volutas, os florões e as linhas mestras do desenho quase que se perdem” (COSTA, LÚCIO, p. 28. 1941). III. Terceiro Estilo: retábulo barroco, no entanto, um estilo já não mais contemporâneo aos jesuítas. IV. Quarto Estilo: estilo mineiro da última fase, que como exemplares mais típicos são os dois retábulos das capelas de Santo Inácio e de São Francisco Xavier,
  • 5. na igreja do antigo Colégio do Salvador. O modelado baixo da talha, certas delicadezas de técnica e o apuro bastante precioso e convencional do acabamento. Como atributos gerais, os retábulos possuem a presença de capiteis coríntios de aspecto “repolhudo” – assim chamado por Lúcio Costa -, com fustes estriados em posição diagonal e com o terço inferior ornamentado; as pinturas colocadas acima do entablamento, com molduras de folhas de acanto ou de escamas; volutas de desenho caprichoso; pináculos marcando a prumada dos fustes; etc. Lucio Costa discursa brevemente sobre a origem do entalhe feito nos retábulos, no que se refere a mão-de-obra e também do material. De certo, grande parte dessas peças foram produzidas em território internacional e trazidas para o Brasil, no entanto, uma grande gama de retábulos também foram produzidos por artistas brasileiros ou em solo brasileiro, que não por esse motivo são menos interessantes ou belos que os primeiros, mas baseados nos mesmo. Exemplo: banca da comunhão de São Miguel. Referente as pinturas internas das igrejas jesuíticas, desde em grandes e pequenos quadros até as pinturas nas paredes e tetos, as mesmas sempre tiverem papel importante podendo dividir as igrejas brasileiras em dois grupos. O primeiro, abrange todo o período das primeiras igrejas até o começo do século XVIII, as pinturas ornamentais dos tetos continham arabescos florais simétricos com um núcleo central, contidas nos limites do forro e madeiramento da cobertura – Salvador, Embu – ou possuíam desenhos mais livres indo-persa de interessantes efeitos – sacristia da igreja do Seminário de Belém da Cachoeira -. Essas pinturas eram de fato quadros posicionados ao teto, em tecido emoldurado às tempera ou a gesso e cola na cobertura das igrejas/ capelas. As igrejas da Companhia correspondem principalmente a este período. O segundo grupo corresponde as construções religiosas da metade do século XVIII, apresentam-se da mesma maneira que o primeiro, no entanto, com detalhes mais minuciosos e caprichosos exemplificadas nas capelas baianas de Santo Inácio e São Francisco Xavier, de concepção ilusionista barroca. Além da própria decoração interior, essas pinturas empregadas de técnica de perspectiva davam a sensação de maior dimensão e amplitude à nave. Essa nova pintura evoluiu do tratamento pesado e opressivo, onde prevaleciam a
  • 6. representação de formas arquitetônicas e o colorido sombrio. Nesse segundo grupo, as pinturas também ganharam tratamento artístico mais dramático, sendo atribuídas de douramentos, estofagem e pintura nas imagens dando-lhes o aspecto de faiscarem. As imagens, assim como as pinturas, muitas delas eram trazidas da Europa e copiadas aqui, ou produzidas originalmente em solo nacional por portugueses ou brasileiros natos, que mesmo com a repetição dos diversos santos e santas em larga escalas não deixaram de ser bonitos e de evoluírem em sua técnica. Grande parte dos artesãos que as produziram eram padres, com por exemplo o seiscentista frei Agostinho de Jesus. Somadas os retábulos, as pinturas e imagens, o conjunto interno das igrejas do segundo período, ou seja, das igrejas barrocas eram constituídos também de outros acessórios atribuídos ao culto, mobiliário etc. No final de seu texto, Lúcio Costa retoma o assunto sobre os Sete Povos das Missões, que embora obras arquitetônicas jesuíticas na Província do Paraguai, seu legado também se estende ao território nacional, parcialmente destruído e impedido sua demolição total pela Comissão de Terras em 1928, em São Miguel. A reconstrução de parte desse arquipélago colonial foi realizada pelo SPHAN desde 1938, com a reconstrução da torre e do cunhal tombado do pórtico e restos construtivos e religiosos levados ao museu local. Em frente a essas igrejas jesuíticas existia sempre uma grande praça ou terreiro, circundado de construções de habitação coletiva (apartamentos de 5,0m x 7,0m), construídos de pedra ou barro. A medida que as construções iam crescendo, iam-se formando malhas urbanas envolvendo a quadra principal (da praça e igreja); algumas casas eram distantes uma das outras e criavam gados, e seguiam até a cidade a partir de ruas – orgânico e articulado. A disposição dessa malha urbana era exemplarmente calculada, com uma organização quase que militar organizada pelos jesuítas. Na igreja missionaria de São Miguel, observa-se uma obra singular, constituía de dois frontões, projetado com grande conhecimento de modenatura e proporção,