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Epilepsia e crise convulsiva

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Apresentação de seminário da disciplina Ensino Clínico 4 - Saúde do Adulto - Profº Paulo Lima

Publicada em: Saúde
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Epilepsia e crise convulsiva

  1. 1.  žRelatos de epilepsia datam de 2000 a.C. em textos de origem babilônica. O termo EPILEPSIA, de termo grego, significa literalmente “fulminar”, “abater com surpresa”. O povo usava-o por acreditar que as crises eram causadas por um demônio e assim a epilepsia tornou-se uma doença sagrada. Esta é a base para os mitos e medos (com vestígios nos dias de hoje) que a cercam e que influenciam as atitudes populares no sentido de dificultar ainda mais o alcance de uma vida normal para os portadores da mesma.
  2. 2.  A epilepsia fora muito bem identificada por Hipócrates (400 a.C.) considerado o pai da medicina e, mais tarde, por Galeno (175 d.C.). Estes pensadores foram os primeiros da antiguidade a deduzirem que a epilepsia tinha origem em anomalias decorrentes do cérebro, ainda assim, não foram capazes de alterar o pensamento popular daquela época e durante a idade média, mais precisamente entre os séculos XV e XVI, a Santa Inquisição perseguiu e condenou à morte muitos epiléticos considerados loucos e hereges. Hipócrates Galeno
  3. 3.  A epilepsia não tem barreiras sociais, étnicas, geográficas, etárias ou sexuais e é o transtorno neurológico crônico grave mais comum. Ela também apresenta problemas sociais e econômicos, tornando-se assim um problema de saúde pública.
  4. 4.  Crises Convulsiva:  Ocorrência de sinais e/ou sintomas transitórios decorrentes de atividade neuronal excessiva ou síncrona no cérebro. Esses sinais ou sintomas incluem fenômenos anormais súbitos e transitórios tais como alterações da consciência, ou eventos motores, sensitivos/sensoriais, autonômicos ou psíquicos involuntários percebidos pelo paciente ou por um observador.
  5. 5.  Epilepsia:  É um distúrbio cerebral caracterizado pela predisposição persistente em gerar crises epilépticas e pelas consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais desta condição. A definição de epilepsia requer a ocorrência de pelo menos uma crise epiléptica (ILAE 2005).  Porém, uma crise isolada não é sinônimo de epilepsia.
  6. 6.  Estima-se que acometa 60 milhões de pessoas no mundo e que a cada ano somem-se aproximadamente 3 milhões de novos casos.  Existem entre 1.1 a 1.7 vezes mais homens do que mulheres com epilepsia.  1 em cada 20 pessoas pode ter um ataque epiléptico uma vez na vida.  Crianças e idosos apresentam maior taxa de incidência.  1% da população dos países desenvolvidos são acometidos pela epilepsia.  Nos países em desenvolvimento 2% da população é acometida pela epilepsia
  7. 7.  A etiologia é muito variada, incluindo causas genéticas e adquiridas  Segundo sua etiologia as epilepsias se classificam em:  Epilepsias Idiopáticas: problemas de carga genética  Epilepsias Sintomáticas: associadas a enfermidades e patologias adquiridas  Epilepsia Criptogênica: sem causa identificável
  8. 8.  Epilepsias Idiopáticas:  Herança poligênica em síndromes generalizadas de ocorrência frequente  Herança monogênica em síndrome focais de rara ocorrência  Epilepsias Sintomáticas:  Malformações, enfermidades cerebrovascular, trauma encefálico, tumores cerebrais, infecções do SNC, degenerativas, outras
  9. 9.  Descargas neuronais excessivas e síncronas em determinada população neuronal  Alteração das correntes iônicas a nível neuronal  Entrada de sódio e cálcio: despolarização neuronal e aumento da excitabilidade  Saída de potássio: hiperpolarização dos dendritos com diminuição da excitabilidade  Alteração dos receptores de neurotransmissores, por sua vez associada a canais iônicos (Glutamato, GABA)  Ocorre excitação excessiva pelo Glutamato ou falta de inibição do GABA
  10. 10.  GLUTAMATO - ácido L-glutamato  Importante neurotransmissor excitatório do cérebro. Atua tanto através dos receptores acoplados aos canais iónicos (receptores ionotrópicos: AMPA, NMDA e Cainato) como a receptores acoplados a proteína G (receptores metabotrópicos)
  11. 11.  GABA - ácido gama-aminobutírico:  Principal neurotransmissor inibitório do cérebro. ▪ GABAA - receptor do GABA, que ao ser ativado permite o influxo de cloreto pela membrana celular. ▪ GABAB - receptor do GABA, que é ligado por meio da proteína G aos canais de potássio. também impede a abertura dos canais de sódio.
  12. 12.  Existem basicamente dois tipos de epilepsia: I. Crises Parciais (Focais) II. Crises Generalizadas
  13. 13.  Nas epilepsias parciais, os impulsos atingem um grupo específico de neurônios e sua manifestação depende do local atingido. Se for na área motora, o paciente apresentará, durante a crise, movimentos convulsivos dos membros. Caso a parte atingida seja a região visual, ele verá pontos luminosos. Mas existem ainda crises parciais, quando o paciente apresenta ausências momentâneas de consciência.
  14. 14.  Nas epilepsias generalizadas o cérebro sofre uma espécie de curto-circuito geral, e o paciente costuma ter convulsões.
  15. 15.  I. Crises Parciais (Focais)  a - Parciais Simples  b - Parciais Complexas  c - Secundariamente Generalizada  II. Crises Generalizadas  a - Ausência (pequeno mal)  b - Mioclônicas  c - Clônicas  d - Tônicas  e - Tônico - Clônicas (grande mal)  f - Atônicas  III. Crises Não Classificadas
  16. 16.  I. Crises Parciais (Focais)  a - Parciais Simples  b - Parciais Complexas  c - Secundariamente Generalizada
  17. 17.  Sem comprometimento da consciência  Atinge uma parte do cérebro
  18. 18.  Com sintomas:  Motores - incluindo jacksoniana, versiva e postural  Sensitivos - somatossensitivo, visual, auditivo e olfativo  Autonômicos  Psíquicos - incluindo disfasia, alucinatórios e alterações afetivas
  19. 19.  Com comprometimento parcial ou total da consciência:  Início como parcial simples seguida por comprometimento da consciência  Com comprometimento da consciência desde o início  Com automatismos
  20. 20.  De parcial simples para secundariamente generalizada  De parcial complexa para secundariamente generalizada  De parcial simples evoluindo para uma crise parcial complexa e depois para uma generalização secundária
  21. 21. Antes do começo de uma crise algumas pessoas experimentam uma sensação chamada “AURA”. Ela pode ocorrer com antecedência que possibilite à pessoa tomar medidas preventivas quanto a possíveis lesões provocadas pelas crises.
  22. 22.  O tipo de aura varia entre as pessoas. Algumas sentem uma mudança na temperatura corporal, outros ouvem um som, um gosto estranho ou curioso odor. Se a pessoa consegue fazer uma boa descrição de sua aura isso pode ajudar o médico a descobrir em que região do cérebro ocorre a descarga inicial.  Uma aura pode ocorrer sem ser seguida por uma crise e, em alguns casos, ela mesma pode ser classificada como sendo um tipo de “crise parcial simples”.
  23. 23.  Experiências relacionadas a memória como a sensação de “já visto”
  24. 24.  II. Crises Generalizadas  a - Ausência (pequeno mal)  b - Mioclônicas  c - Clônicas  d - Tônicas  e - Tônico - Clônicas (grande mal)  f - Atônicas
  25. 25.  Origem em ambos os hemisférios cerebrais ao mesmo tempo  Sem qualquer início focal detectável
  26. 26.  Infância e adolescência  Lapso súbitos e breves da consciência - 10 a 30 segundos  Pode ocorrer várias vezes ao dia  Pode ser imperceptível à criança e aos pais  Manifestações motoras discretas com automatismo orais, manuais, piscamento, aumento ou diminuição do tono muscular  Remissão espontânea na adolescência em 60% a 70%  Não há alterações neurológicas
  27. 27.  Ausência atípica:  Perda da consciência mais demorada  Início e fim menos bruscos  Automatismo mais evidentes  Associado à alterações neurológicas  Respondem menos a anticonvulsivantes
  28. 28.  Contração muscular súbita e breve semelhantes a choque  Uma parte ou todo o corpo  Aparecem de forma isolada ou repetida  Ocorrem após privação do sono, ao despertar e ao adormecer  Associada a:  Distúrbios metabólicos  Doenças degenerativas do SNC  Lesão cerebral anóxica
  29. 29.  Abalos clônicos repetitivos comprometendo a consciência
  30. 30.  Contração muscular mantida com duração de poucos segundos a minutos
  31. 31.  Tipo de crise mais frequente, em 10% dos epilépticos  Perda abrupta da consciência  Contração tônica e depois clônica dos quatro membros  Sialorréia, liberação esfincteriana, apnéia e mordedura de língua  “Grito epiléptico”: ar expulso pela glote fechada  Período pós-crítico: confusão mental e sonolência
  32. 32.  Fases:  Tônica: contração tônica de todo o corpo. Dura de 10-20s (“grito epiléptico”, cianóse, mordedura da língua)  Clônica: períodos de relaxamento que aumentam progressivamente. Dura 1 min  Recuperação: volta ao estado de alerta. 10-30 min (flacidez muscular, salivação excessiva, confusão mental e recuperação gradual da consciência)
  33. 33.  Fases:
  34. 34.  Há perda súbita do tono muscular postural. Dura 1-2s  Breve perda da consciência  Crise:  Breve: queda da cabeça  Prolongada: queda lenta se o indivíduo estiver em pé
  35. 35.  III. Crises Não Classificadas  Se incluem neste grupo todas as crises que por dados incompletos ou inadequados as impossibilite de classificar em alguma das categorias descritas anteriormente  Especialmente na infância
  36. 36.  Febre  Suspensão abrupta das DAE's (Drogas Antiepilépticas)  Fadiga física  Ingestão de álcool  Privação de sono  Hiperventilação (respiração forçada)  Emoções (relacionadas à preocupação, alegria, tristeza, irritação e outras).
  37. 37.  I. Epilepsias e síndromes relacionadas com a localização  I.1. Idiopáticas (com início relacionado a idade) ▪ Epilepsia benigna da infância com paroxismos centro-temporais ▪ Epilepsia benigna da infância com paroxismos occipitais ▪ Epilepsia primária da leitura  I.2. Sintomáticas ▪ Epilepsias do lobo temporal, frontal, parietal e occipital ▪ Epilepsia parcial contínua crônica progressiva da infância ▪ Síndrome com crises com fatores precipitantes  I.3. Criptogênicas
  38. 38.  II. Epilepsias e síndromes generalizadas  II.1. Idiopáticas (com início relacionado a idade) ▪ Convulsão neonatal benigna (familiares ou não) ▪ Epilepsia mioclônica benigna do lactente ▪ Epilepsia infantil ou juvenil com ausência ▪ Epilepsia mioclônica juvenil ▪ Epilepsia com crises tônico-clônica ao despertar ▪ Outras epilepsias generalizadas idiopáticas ▪ Epilepsia com crises precipitadas por modos específicos de ativação
  39. 39.  II. Epilepsias e síndromes generalizadas  II.2. Criptogênicas ou Sintomáticas ▪ Síndrome de West (espasmos infantis) ▪ Síndrome de Lennox-Gastaut ▪ Epilepsia com crises mioclônico-astáticas ▪ Epilepsia com ausências mioclônicas  II.3. Sintomáticas ▪ Encefalopatia mioclônica precoce ▪ Encefalopatia epiléptica precoce com auto-supressão ▪ Crises decorrentes de outros estados patológicos
  40. 40.  III. Epilepsias e síndromes indeterminadas, focais ou generalizadas  Crises neonatal  Epilepsia mioclônica grave do lactente  Epilepsia com ponta-onda contínua durante o sono lento  Epilepsia afasia adquirida  outras epilepsia indeterminadas IV. Síndromes especiais (crises relacionadas com a situação)  Convulsões febris  Crises isoladas ou estado de mal-epilético isolado  Crises que resultam apenas de perturbações metabólicas ou tóxicas agudas (ex: álcool, fármacos)
  41. 41.  O diagnóstico de epilepsia é fundamentalmente clínico  Por isso é muito importante a descrição detalhada das crises  Dão suporte e permitem confirmar o diagnóstico:  Estudo eletrofisiológico (EEG e vídeo-EEG)  Imagens cerebrais (tomografia e ressonância magnética)  Estudo de laboratório  Estudo genético
  42. 42.  Tratamento Clínico  Tem por finalidade evitar as crises e assegurar ao paciente as condições de uma vida social a mais próxima possível da normal. Baseia-se em medicamentos que não estão desprovidos de efeitos secundários, devendo ser adaptados à forma da epilepsia, sua gravidade e sua tolerância individual.
  43. 43.  Tratamento Cirúrgico  Interrupção das vias nervosas ao longo das quais se espalham os impulsos que transmitem as crises.  Remoção da área cerebral responsável pela produção das crises. ▪ Lobectomia: destina-se a remoção de um dos lobos cerebrais. ▪ Hemisferoctomia: remoção de quase um dos hemisférios do cérebro. ▪ Calosotomia: corta-se a ponte onde passam as fibras que conectam uma metade cerebral com a outra (corpo caloso) impedindo a difusão das crises. ▪ Ressecções subpiais múltiplas: Consiste em praticar pequenas incisões no cérebro impedindo a difusão dos impulsos responsáveis pelas crises.
  44. 44.  Estimulador do Nervo Vagal  É colocado um estimulador elétrico à bateria no subcutâneo do paciente semelhante um marcapasso cardíaco, que a determinados intervalos provoca estimulação do nervo vago do lado esquerdo do pescoço. O procedimento é caro por que o aparelho é importado e necessita de procedimento cirúrgico para sua implantação.
  45. 45.  Dieta Cetogênica  Tem sido utilizada no tratamento de epilepsia refratária na infância. consiste em submeter a criança a uma dieta rica em gorduras e pobre em hidrato de carbono e adequada em proteínas para provocar uma condição chamada de cetose
  46. 46.  Eficácia: Capacidade da droga para controlar as crises  Tolerância: Incidência, gravidade e o impacto dos efeitos adversos das DAE’s  Efetividade: Eficácia e tolerância as DAE’s que se reflete na adesão ao tratamento
  47. 47.  Antiepiléticos de primeira geração:  Fenobarbital, fenitoína, primidona, etosuximida, benzodiazepínicos, carbamazepina, e valproato  Antiepiléticos de segunda geração:  Felbamato, gabapentina, lamotrigina, tiagabina, topiramato, oxcarbazepina, leviracetam, zonisamida , vigabatrina e outras
  48. 48.  Aumento da atividade sináptica inibitória  Diminuição da atividade sináptica excitatória  Controle da excitabilidade da membrana neuronal e da permeabilidade iônica
  49. 49.  Considerações especiais:  Dos hormônios femininos, o estrogênio facilita o aparecimento das crises, enquanto a progesterona diminui. Portanto, nos dias antes da menstruação pode aumentar o risco das mesmas  Gravidez em uma mulher epilética deve ser sempre considerado como gravidez de alto risco  Alguns medicamentos antiepiléticos podem aumentar o risco de malformações na gravidez  Aleitamento materno não é contra-indicado, aconselhando-se a tomar a medicação dividida em doses menores
  50. 50.  Primeiro não se desesperar; depois seguir o passo a passo:  A testemunha, amigo ou familiar deve colocar a pessoa deitada, com algum apoio na cabeça (roupa ou almofada) e com a cabeça virada de lado (para evitar engasgos com saliva ou vômitos);  Não tentar puxar a língua do paciente ou enfiar dedos na boca: no momento da crise, a força e rigidez do paciente pode machucar os dedos de quem tentar fazer isso!  Esperar e tentar arejar o ambiente, pois em geral as crises duram poucos minutos. Se a crises demorar mais do que o Habitual, transportar o paciente em ambulância e levar imediatamente ao hospital.
  51. 51. EPILEPSIA Não tem explicação religiosa Não é contagiosa Não é doença
  52. 52.  http://www.neurologia.srv.br/epilepsia  http://www.minhavida.com.br/saude/temas/epilepsi a  http://drauziovarella.com.br/letras/c/convulsao-2/  http://www.infoescola.com/neurologia/crise- convulsiva/  http://www.epilepsiabrasil.org.br/  http://www.epilepsia2016.com.br/site/
  53. 53. Lucy França Tacianna Lins Renata Tassya Renata Mirelle Rafaela Ingridy

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