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DANÇA DE SALÃO: UMA PROPOSTA PARA A ESCOLA Carlyle Rosemond Freire Santos

  1. 1. Revista Ciências da Educação Maceió, ano I, vol. 01, n. 01, jan./mar. 2014 DANÇA DE SALÃO: UMA PROPOSTA PARA A ESCOLA Carlyle Rosemond Freire Santos carlyle.rosemond@gmail.com RESUMO Levar a dança de salão para a escola não precisa ser um grande desafio, mas uma grande conquista. O objetivo deste estudo, tanto no levantamento bibliográfico como na pesquisa de campo, é refletir sobre e apresentar uma metodologia de ensino para a dança de salão em escolas de ensino regular de forma a seguir as propostas dos Parâmetros Curriculares Nacional. A partir do conhecimento básico da dança, histórico e comportamental, pode-se compreender melhor a sua execução nos salões e o seu aperfeiçoamento através do tempo, facilitando o aprendizado pelo aluno em sala de aula. A intenção da proposta não é transformar a escola em uma academia de dança, com todos aqueles passos decorados e alunos de frente ao espelho, mas fazer com que esses mesmos alunos possam conhecer e sentir a dança de salão pelo que ela pode proporcionar para o seu futuro, tanto cognitivo quanto motor e social. A proposta abre caminho para que o aluno possa contextualizar e problematizar a dança de variadas maneiras, dentro de um universo de amplas possibilidades. PALAVRAS-CHAVE: metodologia de ensino; dança de salão. 1. INTRODUÇÃO A dança por muito tem sido vista na escola, em perspectiva tradicional pelos educadores, pais e alunos, como lazer e entretenimento, idéia tem se mantido até os dias de hoje, mesmo com todas as Leis de favorecimento ao ensino das Artes e do aperfeiçoamento da pedagogia. O grande desafio é mudar essa imagem distorcida da comunidade escolar sem precisar entrar em um confronto direto e desnecessário, mostrando que o ensino da arte do movimento pode contribuir bastante para o desenvolvimento dos alunos, seja ele de caráter psíquico, social e/ou motor. É de conhecimento acadêmico que as atividades artísticas em sala de aula, devem interligar o conhecer, o apreciar e o fazer, buscando nos processos cognitivos o equilíbrio entre razão, emoção e intuição. Atualmente a Proposta Triangular vem sendo vista como uma maneira diferente de ensinar arte, já que exigem do educador uma percepção interdisciplinar do conhecimento e uma compreensão maior da sociedade em sua multiculturalidade. Afinal, que dança seria essa a ser dançada, ensinada e trabalhada na escola entre os vários estilos existentes? A dança existe desde a mais remota antiguidade, o que talvez se  Mestrando em Educação – UNASUR; Especialista em Metodologia do Ensino das Artes – FACINTER, 2012; Graduado em Dança – UFAL, 2010.
  2. 2. Revista Ciências da Educação Maceió, ano I, vol. 01, n. 01, jan./mar. 2014 deva à necessidade do homem de estar em constante movimento. Assim, sou levado a crer, que muito mais importante que o estilo da dança, é que os seus objetivos educacionais do seu uso estejam de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais. A proposta apresentada faz parte de um estudo em sala de aula, realizado através da Universidade Federal de Alagoas, de forma semestral, o qual utiliza o conhecimento histórico da dança de salão combinado às sensações e ações cotidianas, comum a todos, como meio para se aprender a dançar. 2. A DANÇA DE SALÃO NA ESCOLA Antes de analisar como a Dança de Salão pode ter importância na escola foi necessário recorrer a alguns autores que abordam o tema: dança na escola. De acordo com Nanni (2003), o movimento é de vital importância para o desenvolvimento da criança, esta sendo vista como um ser dinâmico, com múltiplas habilidades físicas e indagações naturais, utilizando as habilidades motoras para expandir seu ser. A autora ainda reforça afirmando: [...] O sucesso, a alegria, a excitação, a realização que as crianças experimentam a partir de atividades em dança permitirão às mesmas receber reforço positivo, imediato tão valiosa à estruturação de sua personalidade, pois reforçam o auto-conceito, a auto-estima, auto-confiança e auto-imagem. (NANNI, 2003, p. 39) Gariba (1973) cita que a dança apresenta-se como uma das atividades mais completas, além de concorrer de forma acentuada para o desenvolvimento integral do ser humano. Araújo (1997) comenta que os movimentos da dança proporcionam além do aumento da auto- estima, uma descoberta e ampliação das possibilidades de cada indivíduo; sendo vista também por Santos et al (2005) como uma atividade que prioriza a educação motora consciente e global, não se limitando a uma ação puramente pedagógica, mas também psicológica. Já Liano Jr. (2001, apud SANTOS et al,1995), afirma que a dança contribui para o desenvolvimento das funções intelectuais como: atenção, memória, raciocínio, curiosidade, observação, criatividade, exploração, entendimento qualitativo de situações e poder de crítica. A portenha Maria Fux fala sobre a dança como uma disciplina curricular: [...] Dançar, então, não é um adorno na educação, mas um meio paralelo a outras disciplinas, que formam em conjunto a educação do homem.
  3. 3. Revista Ciências da Educação Maceió, ano I, vol. 01, n. 01, jan./mar. 2014 Integrando-a nas escolas de ensino comum, como mais uma matéria formativa, reencontraríamos um novo homem com menos medos e com a percepção de seu corpo como meio expressivo em relação com a própria vida. (FUX, 1983, p.40) Também temos, na mesma perspectiva, através Marcelino e Knijnik (2002), que a dança possui definições relacionadas a vários enfoques, envolvendo sempre o movimento, como: relação própria, com os outros e com a natureza; emoção, expressão, e sentimentos; linguagem e comunicação; interação entre aspectos fisiológicos, psicológicos, intelectuais e emocionais; tempo, espaço, ritmo; arte e educação. Bertoni (1992) prioriza a dança como fator educacional, tendo grande contribuição no desenvolvimento psicológico, social, anatômico, intelectual, criativo e familiar. Além disso, a prática de dança pode produzir efeitos terapêuticos que proporcionam formas de expressar alegria, tristeza e euforia, o que permite que a criança lide com seus problemas, aumentando seu repertório e possibilitando identificar e nomear seus próprios sentimentos e pensamentos. Segundo Marques (2007), a dança pode ser interpretada com umas das vias de educação do corpo criador e crítico, tornando-se praticamente indispensável para vivermos presentes, críticos, participantes e significantes. Com isso, observa-se que a dança, mesmo estando ela ligada a uma visão limitada à educação física, tem um caráter educativo, podendo auxiliar na ação pedagógica e trazendo benefícios, dentre os quais se destacam os comportamentais, mais ligados à dança como disciplina própria e constantemente trabalhados na Dança de Salão. Mas a prática da Dança de Salão é bem mais que isso, pois abrange em sua essência o conjunto de movimentos corporais, interferindo diretamente na consolidação comportamental dos praticantes da modalidade. Isso comprova que a mesma vai além de um mero entretenimento, trazendo além dos benefícios físicos, os benefícios emocionais, cognitivos e sociais, o que, voltado para a escola, pode e deverá ser uma grande contribuição no desenvolvimento pessoal do aluno. A dança, de forma geral, faz parte dos parâmetros curriculares nacionais da educação brasileira (PCN) desde 1997, e segundo o mesmo uma criança que na pré-escola tiver a oportunidade de participar de aulas de dança, certamente, terá mais facilidade para ser alfabetizada. É claro que não é o mérito da questão falar da pré-escola, já que o objetivo é o ensino fundamental e o médio. Assim voltando ao que já foi dito, a Dança de Salão no contexto atual deve ser percebida por seu valor em si, muito mais do que um passatempo ou um divertimento.
  4. 4. Revista Ciências da Educação Maceió, ano I, vol. 01, n. 01, jan./mar. 2014 Portanto, no âmbito da educação, ela deve estar voltada para o desenvolvimento global da criança e do adolescente para favorecer a todo tipo de aprendizado que eles possam necessitar. A Dança de Salão, como dança, deve ser percebida, hoje, por seu valor de construção de cultura e cidadania. Apesar das várias visões, dos vários métodos abordados, não há uma proposta de grade curricular para a escola. Se a dança é uma disciplina, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394/96, por que até agora não foi sugerida uma grade curricular que contemple o ensino da dança nas escolas? Essa grade poderia ser tomada como base e nortear os professores que estão em sala de aula, possibilitando sintonizar mais as práticas realizadas por diferentes escolas em cada série. A dança, como disciplina, ainda é pouco conhecida e precisa de afirmação e credibilidade, o que convém ressaltar que a dança, como conteúdo na escola, se apresenta mascarada, onde um processo sistematizado para o desenvolvimento do ritmo e do movimento é substituído pelos treinamentos para festas usualmente comemoradas, a fim de apresentações em datas comemorativas. Isso subestima o processo investigativo nas descobertas deste conteúdo a favor de uma plasticidade promocional, por isso, no meu ponto de vista, torna-se bastante necessária a criação de uma grade curricular para o ensino de dança nas escolas, que considere o trabalho do desenvolvimento motor, o movimento e o seu domínio final, para que só assim possamos ter um discurso e uma prática uníssonos. A melhor forma de trabalhar a dança na escola seria utilizar o sistema de ensino gradativo, onde a dança, seja de salão, ballet, ventre ou hip-hop, qualquer que seja, iria sendo construída ao longo das séries, tanto na forma prática, como na teórica, como acontece em nas disciplinas. Na matemática ninguém aprende o “Binômio de Newton” se não souber antes as quatro operações, o que é polinômio e, por último, análise combinatória, a partir de sequência de aprendizados, como deve ser pensado para a dança. E por que escolher a Dança de Salão como dança a ser ensinada nas escolas de ensino regular? É importante entender que, historicamente comprovada, a dança de salão esteve presente nas culturas das sociedades desde o século XVIII, atravessou séculos, desenvolveu- se em concomitância às sociedades e continua sendo praticada por distintas gerações. É um dos processos de linguagem corporal que o homem utiliza para se comunicar e se desenvolver socialmente, não deixando de ressaltar que sua prática como atividade física atua com efeitos positivos na energia motriz e condutora ativa do nosso corpo, assim como o equilíbrio, a postura, o ritmo e a flexibilidade. A dança de salão possibilita, também, a criação de
  5. 5. Revista Ciências da Educação Maceió, ano I, vol. 01, n. 01, jan./mar. 2014 sensações ou de estados de espírito, normalmente de caráter estético, que desperta a auto- estima e contribui na melhoria em lidar com situações de estresse e tensão. A escola, com a inclusão da dança como disciplina curricular, pode tonar-se um canal de ligação do conhecimento cognitivo com a consciência corporal, o que é possível não apenas tratando-a como entretenimento ou como mera atividade física, mas sim a partir de toda uma teorização e reflexão dos seus tantos benefício, e assim, ser conscientemente praticada. Segundo Ried (2003), a dança é um elemento vivo que sofre influência do universo a sua volta, revela os aspectos psicológicos de um povo, seu sistema de valores, normas, ideais e conceitos estéticos. É nessa ideia que este trabalho está fundamentado. Conhecer e entender a história, desenvolver conhecimentos teóricos para depois trabalhar, ou concomitantemente, a prática faz parte desta proposta metodológica. Nesse contexto, faz-se importante que se produza uma base de conhecimento teórico, história sobre a dança, no caso tratado aqui com especificidade, para a dança de salão, servindo de base para um melhor aprendizado prático desse estilo, tornando-o seu ensino e aprendizagem mais significativo, tendo em vista nenhuma prática no âmbito educacional deve se promover sem sustentação teórica, inclusive a dança. Como nos diz Martins (2007), a teoria só adquire significado quando vinculada a uma problemática originada da prática e esta mesma teoria só pode ser transformada quando compreendida nas múltiplas determinações, nas suas raízes profundas, com o auxílio de um saber sistematizado e baseado na prática. Ou seja, uma prática não irá se sustentar por muito tempo sem uma base teórica e vice-versa. 3. A PROPOSTA METODOLÓGICA O ensino da dança visa ao processo criativo, devendo estar professor e aluno sempre motivados para as aulas. É de fundamental importância que haja um planejamento profundo e consciente dos objetivos a serem alcançados bem como a utilização de estratégias que estabeleçam relações entre as demais disciplinas e que permitam ao aluno, quando ainda criança, desenvolver sua personalidade através de seus conhecimentos, de suas habilidades, de seus comportamentos e da própria consciência corporal sobre as individualidades e limitações.
  6. 6. Revista Ciências da Educação Maceió, ano I, vol. 01, n. 01, jan./mar. 2014 A prática da dança de salão deve proporcionar ao aluno o aperfeiçoamento de sua consciência corporal, desenvolvendo a criatividade, a liderança e a exteriorização dos seus sentimentos, por isso, o professor precisa saber explorar o potencial do aluno, para possibilitar seu desenvolvimento progressivo e favorecer o despertar da autonomia. Ele não deve, apenas, ensinar o aluno como se dançar, mas sim favorecer esse processo mais amplo de aprendizagem. Baseada em uma pesquisa iniciada na Universidade Federal de Alagoas em 2007, sobre como o ensino da dança de salão pode ser diferente do modelo aplicado nas academias de dança e contribuir para a disciplina de dança nas escolas de ensino regular, a proposta utiliza-se dos movimentos do indivíduo e suas ações no cotidiano. Além disso, tendo como base a Proposta Triangular, busca-se contextualizar esse ensino através da história da dança de salão. O trabalho é uma combinação de pesquisa bibliográfica com pesquisa de campo, onde na pesquisa de campo a opção pelo questionário contribuiu para adaptar e melhorar a metodologia em sala de aula. Toda pesquisa de campo está baseada em alguns critérios básicos para o aprendizado da dança de salão, como: tempo de aprendizado, consciência postural, equilíbrio, condução do parceiro e nível de dificuldade, independente do estilo de salão a ser aprendido. Durante todo o processo, além do conhecimento da história de cada estilo de dança, são abordadas técnicas para as variações coreográficas aprendidas, e por meio desse conhecimento histórico e dessas variações básicas, os alunos passam a ter maior liberdade para se relacionarem com seus pares e autoconfiança, uma vez que a comum preocupação em executar os passos deixa de existir. Assim, como organizar uma aula de Dança de Salão dentro de uma escola, cumprindo o que sugere os Parâmetros Curriculares Nacionais? O primeiro passo é abolir o espelho da sala de aula, o que trás uma facilidade para a maioria das escolas do país, que insistem em afirmar que não tem um espaço próprio para o ensino de dança, e que ventila a possibilidade de trabalhar em qualquer sala ou auditório. Os alunos devem estar separados em grupos para facilitar na condução das aulas, divididos pelas fases de crescimento; crianças, pré-adolescentes, adolescentes e adultos, promovendo o relacionamento de alunos de várias séries. Como já foi citado, inicialmente, deve ser analisado o nível do desenvolvimento motor de cada aluno dentro da disciplina, de acordo com o modelo proposto por Anita J. Harrow,
  7. 7. Revista Ciências da Educação Maceió, ano I, vol. 01, n. 01, jan./mar. 2014 que sugere o direcionamento da sequência de desenvolvimento motor de acordo com os graus de escolaridade. Após esse passo deve-se planejar e direcionar as atividades de acordo com o grau de desenvolvimento motor de cada aluno, quando criança, pois há uma necessidade de trabalhar o refinamento e a diversificação das habilidades básicas adquiridas, proporcionando padrões seqüenciais mais complexos e quando necessário retornar às habilidades básicas direcionadas ao grupo, mas de forma individualizada. No próximo passo devem ser trabalhadas as capacidades físicas dos alunos visando uma consciência corporal, desenvolvendo os fatores básicos do movimento (peso, espaço, tempo e fluência) relacionado com a expressão, a musicalidade, a criatividade e a socialização, ligados à teoria de Jean Piaget, que afirma sobre a capacidade da criança em relacionar tempo e espaço, que corresponde ao estágio de operações concretas, dentro da faixa etária a ser trabalhada. Dessa forma será desenvolvido o conhecimento da dança, os limites e a capacidade de aperfeiçoamento de cada aluno por meio da criação de um plano de ação, buscando alcançar a meta pré-estabelecida: o ensino da dança através da consciência corporal e do desenvolvimento psicomotor. Quando não se tratar do ensino para crianças, o professor deve adaptar os passos iniciais de forma que os alunos possam entender como o próprio corpo se desenvolve. Todas as aulas devem iniciar com um aquecimento, até porque se trata também de uma atividade física, mas o ponto principal é iniciar o primeiro contato indagando o aluno; Você sabe andar? Sentar? Fica em pé? Os alunos se perguntarão o que tem haver isso com a dança de salão, e é nesse momento que o conhecimento histórico entra. Apesar de ser uma aula inicial, esse conhecimento será utilizado até o final do curso (ano letivo). O professor deve mostrar que a configuração da dança de salão, quando criadas em seus vários estilos, acompanhava as regras da sociedade da época e/ou eram executadas de acordo com a característica do povo que a criou. A partir dessa informação o professor pode iniciar o ensino da caminhada, mostrando que há pouca diferença entre andar e dançar, pois ambos precisam de ritmo, mesmo que não haja música. É claro que o professor deve ter conhecimento prévio sobre as diversas culturas mundiais, e da conjuntura na qual se desenvolveram, que a influenciaram, como questões de política, religião, economia, dentre outros fatores. A educação postural é outro fator de grande importância para o desenvolvimento da metodologia, algo a ser trabalhado dentro e fora da sala de aula, como exercício permanente. Para o aprendizado do repertório de movimento são utilizadas diferentes estratégias didáticas
  8. 8. Revista Ciências da Educação Maceió, ano I, vol. 01, n. 01, jan./mar. 2014 com a finalidade de explorar vários aspectos educacionais, de modo que o repertório coreográfico não se torne um fim em si mesmo. Quer dizer que o aprendizado do repertório, apesar de constituir-se em uma das metas a ser atingida, não se configura como o principal aspecto do processo ensino-aprendizagem. Ações cotidianas como sentar, levantar, abaixar, esticar e pular também são trabalhadas dentro da proposta, quando utilizadas para a criação das figuras coreográficas, destacando os pontos de apoio e equilíbrio durante sua execução. O trabalho dessas ações cotidianas podem contribuir para o desenvolvimento motor da criança ou, em outras fases de crescimento com a consciência corporal do indivíduo. Durante todo o processo de trabalho, mais especificamente no fator tempo, será aplicado na vivência dos alunos a rítmica e a musicalidade, elementos de fundamental importância para o relacionamento harmônico entre o corpo, a música e o meio externo. Questões como a adaptação ao espaço e aos parceiros de trabalho deverão ser enfatizadas, sobretudo no início do trabalho, pois a dança deve ser utilizada como um canal para unir pessoas com as mais diferentes características, tanto físicas quanto emocionais. Durante a pesquisa um questionário padrão foi utilizado a cada fim de semestre, desde 2007 até o fim de 2012, com 372 (trezentos e setenta e dois) alunos entre adolescentes e adultos, o qual afirmou e aprimorou a metodologia aplicada em sala de aula. O questionário mostrou, ao longo da pesquisa, que 96,77% dos alunos só conheciam o método da repetição dos movimentos frente ao espelho ou a compilação de passos dados pelo professor; apenas 1,88% qualificaram a metodologia aplicada como regular; que apesar de 56,18% terem achado fácil o aprendizado, 95,4% apontaram como divertido o método de ensino, além de 92,74% dos alunos reconhecerem no método uma novidade; para finalizar, apenas 4,84% dos alunos ainda optaram pelos antigos métodos. A pesquisa ainda está em andamento, mas deixou as dependências da Universidade Federal de Alagoas, em dezembro de 2012, por falta de apoio e incentivo. 4. CONCLUSÃO A partir do que a pesquisa aborda, fica fácil de entender que a dança de salão, utilizando essa nova proposta metodológica, pode ser ensinada nas escolas de ensino regular diferenciando-a do ensino da educação física e das academias de dança. A proposta abre um
  9. 9. Revista Ciências da Educação Maceió, ano I, vol. 01, n. 01, jan./mar. 2014 caminho para o ensino da dança de salão nas escolas, trabalhando o movimento a partir das ações praticadas no dia-a-dia. Ao final de cada curso percebe-se que o aluno se sente mais seguro daquilo que aprendeu, sem a necessidade de decorar uma sequência de passos para montar uma coreografia, pois, o próprio aluno pode criar sua série de passos, iniciando e variando a base principal de cada estilo. Além disso, a relação social durante as aulas melhora o relacionamento pessoal, também, fora da sala de aula. A realidade é que são tantos fatores que envolvem a dança de salão, tantas controvérsias, tantos problemas e tantas “batalhas” a serem travadas principalmente para seja vista em sua possibilidade de fazer parte do currículo das escolas. É preciso analisar o que realmente é importante; ensinar a dança, aí a de salão, na escola ou apenas dançar (por dançar) na escola. A dança, e foi o que se tentou demonstrar com este texto, pode ser um veículo de desenvolvimento, para muitas aprendizagens. Assim, esta proposta metodológica, pretende ser algo que abra caminho para que o aluno possa contextualizar e problematizar a dança de variadas maneiras, dentro de um universo de gigantesco de possibilidades e crescer nos vários âmbitos dos seus desenvolvimentos, utilizando-a como meio para crescer para a vida. RESUMEN Llevar el baile de salón para la escuela no tiene que ser un gran reto, pero es un gran logro. El propósito de este estudio, tanto en la bibliografía y en la investigación de campo, es para reflexionar y presentar una metodología para la enseñanza de bailes de salón en las escuelas regulares con el fin de seguir las propuestas de las Directrices Curriculares Nacionales. A partir del conocimiento básico de la historia de la danza y el comportamiento, podemos entender mejor su aplicación en las salas y su mejora con el tiempo, lo que facilita el aprendizaje por parte del alumno en el aula. La intención de la propuesta no es convertir la escuela en una academia de baile, con todos esos pasos decorados y estudiantes al frente del espejo, pero hacer con que estos mismos alumnos puedan conocer y sentir la danza en el salón de baile por lo ella le puede proporcionar a su futuro, ya sea en el aspecto cognitivo, motor y social. La propuesta abre el camino para que el estudiante pueda contextualizar y problematizar la danza de diversas maneras, dentro de un gran universo de posibilidades. PALABRAS CLAVE: metodología de la enseñanza; bailes de salón. REFERÊNCIAS
  10. 10. Revista Ciências da Educação Maceió, ano I, vol. 01, n. 01, jan./mar. 2014 ARAÚJO, Márcia Virgínia Bezerra de. A dança: laboratório multicultural – relato de experiência. CORPORIS – Revista da Escola Superior de Educação Física da UPE. Ano 2 n.2 p.15-21. jan/dez. Pernambuco:1997. BARRETO, Débora. Dança...: ensino, sentidos e possibilidades na escola. Campinas: Autores Associados, 2004. BERTONI, Iris Gomes. A dança e a evolução: o ballet e seu contexto teórico. São Paulo: Tanz do Brasil, 1992. CELLARIUS, Henri; GAVARNI, Paul; LAVIEILLE, Jacques Adrien. La danse des salons. Grenoble: Jérôme Milon, 1987. DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. Brasília: MEC; São Paulo: Cortez, 2003. DEUTSCH, Silvia. Música e dança de salão: interferências da audição e da dança nos estados de ânimo. São Paulo: USP. Tese de doutorado apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. São Paulo: Instituto de Psicologia-USP, 1997. FREITAS, Rinaldo Donizete; BARBOSA, Cláudia. Dança de salão: a vida em movimento. Franca: Fundação Mário de Andrade, 1997. FUX, Maria. Dança: experiência de vida. 3. ed. São Paulo: Summus, 1983. GARIBA, Chames Maria S. Dança escolar: uma linguagem possível na educação física. Buenos Aires: 2005. Disponível em: < http://www.efdeportes.com/ >. Acesso em: 25 de Out. de 2009. GONZAGA, Luiz. Técnicas de dança de salão. Rio de Janeiro: Sprint, 1996. HAAD, Aline Nogueira. Ritmo e dança. Canoas: ULBRA, 2003. LIANO JR., Nelson. A arte de viver bem. Revista Super Interessante. n. 167, Ago. São Paulo: Editora Abril, 2001. MARCELINO, Elisa Popyelisko; KNIJNIK, Jorge Dorfman. A escola vai ao baile? Possíveis relações entre dança e educação física da escola. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte. v.5 (especial), p.65-72. 2006. MARQUES, Isabel Azevedo. Ensino de dança hoje: textos e contextos. São Paulo: Cortez, 2007. NANNI, Dionísia. Dança educação: pré-Escola à Universidade. Rio de Janeiro: Editora Sprint, 2003. OLIVEIRA, Maria Marta Alcântara de. Dança de salão: experiência do sagrado. São Paulo: 2004. Dissertação (mestrado) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
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