Artigo tcc paula

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Música no cotidiano da Educação Infantil

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  1. 1. MÚSICA NO COTIDIANO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Importância da arte musical no desenvolvimento infantil Paula Veronica Mello1 Sabrina Eliz Inácio2 Resumo Este artigo trata do cotidiano musical para crianças em idade pré-escolar em uma escola de educação infantil da periferia de Porto Alegre – RS, pensando a importância da música infantil para o desenvolvimento, oportunizando momentos para seu desenvolvimento integral. Baseia-se na proposta de formação integral da criança da professora Teca Alencar de Brito, do curso de Licenciatura em Música da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). As ações pautaram-se em pesquisa ação e bibliográfica, onde pude me inserir no grupo e trabalhar em diferentes momentos da rotina da turma em questão. Observou-se que após um longo período de trabalho e estimulação, tanto dos alunos quanto dos educadores, as aprendizagens tornaram-se mais significativas e prazerosas. Palavras-chave: Inteligência Musical. Educação Infantil. Infância. Desenvolvimento. Arte Musical. Música. 1 INTRODUÇÃO Temos evidências da importância da música no cotidiano e na história da humanidade. As crianças, até um passado não longínquo, eram consideradas adultos miniaturas, portanto, não encontramos um histórico de músicas infantis rico como os dos adultos, mas o fascínio sempre existiu, e temos como cenário uma tendência de as crianças escutarem músicas de adultos, reproduzindo em seu cotidiano expressões e verbetes que não conhecem. A criança é um ser ―brincante‖ e, brincando, faz música, pois assim se relaciona com o mundo que descobre a cada dia. Fazendo música, ela, metaforicamente, ―transforma-se em sons‖, num permanente exercício: receptiva e curiosa, a criança pesquisa materiais sonoros, ―descobre instrumentos‖, inventa e imita motivos melódicos e rítmicos e ouve com prazer a música de todos os povos. (BRITO, 2003. p.35). Sendo vista desta forma, as práticas educacionais referentes à música, conduzidas com planejamento adequado, onde o professor atue como estimulador, proporcionador de vivências, não apenas musicais, mas integralmente, podem e devem ter um enfoque lúdico, onde as ações tenham real significado para o desenvolvimento infantil. Partindo de uma análise que considera que, em sua essência, a música é jogo, o compositor, pesquisador e educador francês François Delalande relacionou as 1 Professora graduada em Pedagogia com ênfase em Educação Infantil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS (2005); Professora na Secretaria Municipal de Educação-SMED de Porto Alegre (2011). E-mail: paulaveronica6@gmail.com. 2 Orientadora graduada em Psicologia/Bacharel pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos-UNISINOS (2004);Pós-graduação/Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional pelo Instituto Catarinense de Pós-graduação-ICPG (Grupo UNIASSELVI)(2009); Professora Tutora na Pós-graduação Flex EAD- Grupo UNISSELVI(2012). E-mail: tutoriergs@gmail.com
  2. 2. 2 formas de atividade lúdica infantil propostas por Jean Piaget a três dimensões presentes na música: - jogo sensório-motor – vinculado à exploração do som e do gesto; - jogo simbólico – vinculado ao valor expressivo e à significação mesma do discurso musical; - jogo com regras – vinculado à organização e à estruturação da linguagem musical. (BRITO, 2003. p. 31). A teoria do psicólogo cognitivo e professor da Universidade de Harvard, Howard Gardner a respeito de sete diferentes tipos de inteligências diz que: ... a ―inteligência‖ é uma faculdade singular, utilizada em qualquer situação de resolução de problemas. Uma vez que a instrução lida abundantemente com a solução de problemas de vários tipos, predizer esta capacidade em crianças pequenas prediz seu futuro sucesso na escola. (GARDNER, 1995. p. 19). As sete inteligências compõem-se de: Inteligência musical, Inteligência corporalcinestésica, Inteligência lógico-matemática, Inteligência linguística, Inteligência espacial, Inteligência interpessoal e Inteligência intrapessoal. Afirma Gardner (1995, p. 15), ―Embora eu cite primeiro as inteligências linguística e a lógico-matemática, não é porque as julgo mais importantes – de fato, estou convencido de que todas as sete inteligências têm igual direito à prioridade.‖. A teoria das inteligências múltiplas nos remete à discussão sobre a individualidade dos alunos. Em nossa rotina observamos afirmações do quanto um aluno tem facilidade com a matemática, ou com a leitura e escrita, mas mais raro damos valor ou o devido incentivo àqueles que se destacam nas artes. Parece-nos que para ter este valor, depende de ter sucesso absoluto em alguma das duas áreas citadas anteriormente. Quando Gardner nos apresenta um estudo que defende a mesma importância para cada inteligência, surge o questionamento: o que estou fazendo para proporcionar momentos múltiplos? Estou ajudando no estímulo para todas as sete inteligências? Partindo deste desafio, resolvi observar, testar e vivenciar práticas pedagógicas direcionadas às questões musicais, buscando incentivar o trabalho com as diferentes inteligências. A música é tida como eixo de trabalho no Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil: ...crianças de zero a três anos e crianças de quatro a seis anos — e se concretiza em dois âmbitos de experiências - Formação Pessoal e Social e Conhecimento de Mundo — que são constituídos pelos seguintes eixos de trabalho: Identidade e autonomia, Movimento, Artes visuais, Música, Linguagem oral e escrita, Natureza e sociedade, e Matemática. (RCN: EI, MEC/SEF, 1998. VI. p.43). O ensino de artes se tornou componente obrigatório na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em 1997: Art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; (LDB, 1996. p.1). Ainda: Art. 26º. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional
  3. 3. 3 comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. § 1º. Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil. § 2º. O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. (LDB, 1996. p.11). E nos Parâmetros Curriculares Nacionais Arte, a música é prevista como linguagem a ser trabalhada no ensino fundamental. Há o suporte legal além de estudos que comprovam a importância e relevância dos trabalhos realizados com música. O documento de Arte expõe uma compreensão do significado da arte na educação, explicitando conteúdos, objetivos e especificidades, tanto no que se refere ao ensino e à aprendizagem, quanto no que se refere à arte como manifestação humana. (PCN:Arte, MEC/SEF 1997. p. 15). Ainda: Os Parâmetros Curriculares Nacionais enfatizam o ensino e a aprendizagem de conteúdos que colaboram para a formação do cidadão, buscando igualdade de participação e compreensão sobre a produção nacional e internacional de arte. A seleção e a ordenação de conteúdos gerais de Arte têm como pressupostos a clarificação de alguns critérios, que também encaminham a elaboração dos conteúdos de Artes Visuais, Música, Teatro e Dança e, no conjunto, procuram promover a formação artística e estética do aprendiz e a sua participação na sociedade. (PCN:Arte, MEC/SEF 1997. p. 41). Com base nestes pressupostos, foi feita pesquisa de natureza aplicada, com abordagem quali-quanti, possuindo procedimento técnico bibliográfico e pesquisa-ação. Teve como objeto de estudo uma turma de Jardim B com 24 alunos, onde participei ativamente das rotinas, observei e fiz propostas musicais que se associassem com os momentos vividos pelo grupo. Analisei os documentos pedagógicos da escola e o contexto econômico das famílias. 2 APRESENTAÇÃO DA ESCOLA E OBSERVAÇÕES DA TURMA DE JARDIM B A Escola Municipal de Educação Infantil XXXXXX, localiza-se na zona sul da cidade de Porto Alegre, bairro Restinga, possuindo uma turma de Berçário I, uma de Berçário II, duas de Maternal I, duas de Maternal II, duas de Jardim A e duas de Jardim B. Atende os alunos em turno integral, oferecendo quatro refeições diárias. No Projeto Político Pedagógico da Escola, elaborado em 2011, não está explícita a previsão do trabalho com música, mas faz referência às diferentes culturas e datas comemorativas, isto nos leva a crer que a música está implícita em algumas destas ações. A escola possui documento chamado Plano de Formação Continuada, onde professores e funcionários da escola se reúnem mensalmente com o intuito de organizar as atividades administrativas e pedagógicas. Nestes encontros ocorrem construções de planos e projetos de trabalho, trocas de experiências, estudos e pesquisas. Tive a oportunidade de estar presente em alguns encontros e pude observar que o grupo se preocupa com os interesses infantis, o que me deixou tranquila para a execução desta pesquisa-ação. Na turma de Jardim B a ser pesquisada, a idade das crianças fica entre 5 (cinco) e 6 (seis) anos, média da renda familiar de R$ 500,00 (quinhentos reais) e residem próximos à escola.
  4. 4. 4 Como a escola é municipal, um dos critérios para o sorteio é baixa renda e zoneamento escolar. Iniciei meu trabalho com a turma do Jardim B no mês de julho, primeiramente observando as aulas e verificando em que momentos a música se mostrava presente. A turma segue rotinas fixas como: - Chegada até às 08h. - Café às 08h30min. - Roda de conversa. - Execução do planejamento da professora. - Higiene das mãos às 11h. - Almoço às 11h20min. - Escovação. - Descanso. - Despertar às 14h. - Higiene das mãos às 14h30min. - Lanche às 14h40min. - Roda de conversa. - Execução do planejamento da monitora (recreação). - Higiene das mãos às 16h. - Janta às 16h15min. - Preparação para saída à partir das 17h. Para a realização das rotinas, as crianças precisam deslocar-se pela escola, ir ao refeitório ou pátio por exemplo. Os momentos de higiene vistos tanto pelos educadores quanto pelas crianças como uma obrigação, um protocolo. Na roda de conversa, muitas trocas, muitas experiências das crianças divididas com os colegas, mas nem sempre os amigos prestavam a atenção, algumas vezes leituras de livros infantis para o grupo, o que os deixava atentos, organização coletiva das rotinas do dia e combinações. Na execução do planejamento da professora, geralmente eram trabalhos manuais, pinturas, jogos, televisão e pátio. Uma turma com problemas de relacionamentos, onde um grupo isolava o outro, os meninos em momentos de agressividade extrema, dando socos, tapas e empurrões fortes, havendo alguns casos de crianças realmente machucadas. Deslocamentos desorganizados, filas onde não havia paz, somente empurrões e reclamações. Meninas totalmente dependentes das educadoras para a resolução de seus conflitos e somente 3 (três) alunos da turma sabiam amarrar os tênis. Em momentos diversos, a música se mostrava presente espontaneamente, as crianças cantarolavam e dançavam músicas referentes às novelas, como por exemplo ―Assim você mata o papai‖ do grupo Sorriso Maroto, o que me deixou reflexiva pelo horário em que se passava a novela, 21h, mas isso é tema para uma próxima produção. Música divulgada pelo jogador de futebol Neymar, Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha, de João Lucas e Marcelo e outras. Todas de conteúdo adulto, onde o universo infantil não consegue penetrar pela complexidade dos conceitos intrínsecos de linguagem e movimentos. Pode-se pensar que a prática musical quase não se fazia presente nos planejamentos, mas a música fazia parte de suas vidas.
  5. 5. 5 3 A MÚSICA COMO BASE DE INTERVENÇÃO Podemos observar nos ambientes infantis o grande prazer sentido pelas crianças diante da música. Quem conhece uma criança sabe o quanto se contagiam com um ritmo, uma melodia interessante, um som agradável e estimulador. Sabemos e temos o mesmo prazer, a mesma sensibilidade. Dificilmente encontramos alguém que nunca tenha se reportado ao passado ao ouvir uma melodia marcante de momentos significativos. É difícil encontrar alguém que não se relacione com a música de um modo ou de outro: escutando, cantando, dançando, tocando um instrumento, em diferentes momentos e por diversas razões. Ouvimos música no supermercado ou sentados na cadeira do dentista! Surpreendemo-nos cantando aquela canção que parece ter ―cola‖ e que não sai de nossa cabeça e não resistimos a, pelo menos, mexer os pés, reagindo a um ritmo envolvente. E quantos de nós já não inventamos canções, seja durante a infância, seja para ninar nossos filhos? (BRITO, 2003. p.31) Por esta razão já temos um bom motivo para olhar a música como uma arte essencial para o desenvolvimento, o crescimento e a construção de conhecimentos. A música merece ser analisada levando em consideração sua concepção histórica, o conhecimento de quem foi o artista, em que situações foram criadas, além de serem apreciadas, sentidas. Mas vamos além disso, como podemos fazer uso desta na sala de aula? Qual o motivo de fazermos uso dela? Para Condessa (2012, p. 37), ―A música permeia a prática diária da criança. Para enriquecermos o universo musical infantil é preciso que sejam oferecidos os mais diferentes contatos da criança coma música: escutar, dançar, tocar, cantar, entre outros.‖. As propostas de intervenção buscaram despertar o interesse por músicas infantis, já que pela televisão e rádio, o acesso maior é de músicas de adultos. Fiz uma busca em rádios e pesquisas junto à internet, e não encontrei sintonia de rádio infantil ou programa de rádio infantil na cidade de Porto Alegre que eles possam acessar de casa. Houve nas décadas de 50 e 60 um programa infantil na Rádio Farroupilha chamado Clube do Guri3. Quanto às novelas? Sim, a maior parte dos pais não se opõe ao fato de seus filhos assistirem até tarde, apesar de haver programas infantis na televisão, a preferência é assistir novelas junto aos pais. Com estes dados podemos inferir que o espaço escolar pode e deve propiciar oportunidades destes alunos conhecerem as produções fonográficas brasileiras e despertar para o prazer da arte musical infantil. A seguir, apresentarei as intervenções realizadas nos diferentes momentos da rotina da turma de Jardim B da escola pesquisada. 3.1 RODA DE CONVERSA Nas rodas de conversa tive o prazer de trocar experiências com as crianças, perguntei quais as músicas que conheciam, eles me mostraram com muita empolgação as músicas que costumavam escutar em suas casas. Em sua totalidade músicas de adultos, com letras para adultos, danças para adultos (que eles interpretavam com muito orgulho), em sua maioria, inclusive com conteúdo pouco apropriado para crianças. Minhas reações foram positivas, 3 Fonte: II Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho Florianópolis, de 15 a 17 de abril de 2004 GT História da Mídia Sonora Coordenação: Prof. Ana Baum (UFF)
  6. 6. 6 incentivando as colocações, as falas, sorrindo e cantando junto por vezes com a intenção de investigar. Como pesquisadora, em alguns momentos das conversas, perguntei se alguém conhecia músicas de criança, alguns meninos reagiram com desdém, querendo demonstrar que não são mais bebês ou algo neste sentido, mas a grande maioria abriu um largo sorriso, e começou a se empolgar, falando todos juntos lembrando-se de canções. Fiquei muito feliz em saber que aqueles sorrisos eram resultado de lembranças positivas de suas vivências relacionadas à música, e até os que de início não gostaram da ideia, quando se perceberam estavam participando ativamente da atividade. Houve inclusive relatos empolgados de experiências anteriores no espaço escolar. Entendi ser necessária uma busca em sites4 que indicassem músicas de conteúdo pedagógico, utilizadas no cotidiano da educação infantil. Propus então várias situações onde cantarolamos e exploramos as músicas5 por mim selecionadas. As músicas foram utilizadas também como forma de trazer o colega menos atento para a roda de conversas. Assim, as conversas começaram a ficar mais organizadas, os grupos mais envolvidos uns com os outros, diminuindo as rivalidades, sendo apenas a música a maneira de promover o interesse no que o grupo estava compartilhando. Descobriu-se a possibilidade da solidariedade, aprendemos a amarrar os tênis uns dos outros em meio às cantorias e alguns descobriram o poder de solucionar seus problemas de forma autônoma através de diálogo, sem agressões. Foi muito agradável e de fácil aceitação das crianças. 3.2 HIGIENE Ao tratarmos da higiene, apresentei alguns vídeos musicais referentes à temática, uma vez que a escola possui um projeto sobre saúde, e entendi ser pertinente trabalhar os hábitos de higiene como uma atividade prazerosa. Dentre os vídeos, apresentei um do Castelo Rá Tim Bum – Ratinho – Escovando os Dentes6, e Tchibum7 do Grupo Palavra Cantada, que se refere ao banho. As crianças adoraram e passaram a pedir para colocar o vídeo quando fossem lavar as mãos ou escovar os dentes, mas como o aparelho de dvd tem dia certo para ser utilizado pelas turmas, resolvemos aprender as canções para cantarmos. Ocorreu que em uma roda de conversa dos alunos, estes propuseram inventar uma canção, questionei sobre o que seria esta música, e eles disseram que seria de escovar os dentes ―que nem o ratinho fez‖. Adorei a ideia e estimulei para que compusessem juntos naquele mesmo momento. É importante estimular a atividade de criação, e, a princípio, é preferível deixar que a criança invente – letra e melodia – sem a interferência do adulto. Podemos, no entanto, sugerir temas (como por exemplo, algum assunto que o grupo esteja estudando) ou ajudar a organizar as ideias das crianças (quando estão inventando juntas), com o cuidado de não conduzir a composição para o modo adulto de perceber e expressar. (BRITO, 2003. p.135). 4 http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/cantigas-roda-pre-escola-590941.shtml, http://letras.mus.br/temas-infantis/, http://www.webdahora.com/musicas/musicas-infantis-mais-tocadas-nasfestas, http://www.musicainfantil.eliotu.com/, http://www.qdivertido.com.br/cantigas.php. 5 Dona Aranha. Fui morar numa casinha. O sapo não lava o pé. O cravo brigou com a rosa. Se essa rua fosse minha. A canoa virou. Carneirinho carneirão. Ciranda cirandinha. 6 https://www.youtube.com/watch?v=BJM8lj3PQbc. 7 https://www.youtube.com/watch?v=KQ_Plm_Ieg4.
  7. 7. 7 O resultado foi uma melodia com mistura de rap e hip hop: Escova, escova, escova Escova, escova, escova Dente limpo Dente sujo Dente limpo Dente sujo Dente limpo pra ficar bonito Que legal Aí mané... Esta então passou a ser a canção utilizada nos momentos de organização para lavar as mãos e de escovar os dentes, por vezes iniciativa minha, e outras por iniciativa dos alunos, mas na hora da escovação, a cantoria era em volume baixo, respeitando sempre as outras turmas que se encontravam no descanso, o que também contribuiu para o sentimento de solidariedade. 3.3 JOGOS As atividades que envolveram jogos foram de início baseadas no conceito de som e silêncio. De acordo com Brito (2003, p. 26), ―Falar sobre parâmetros do som não é, obviamente, falar sobre música. Mas a passagem do sonoro ao musical se dá pelo relacionamento entre sons (e seus parâmetros) e silêncios‖. A escolha de como, quando e quais jogos utilizar, levaram em consideração o interesse dos alunos, maturidade, sempre buscando significados unidos ao prazer da execução. Segundo Celso Antunes: De certa forma, a elaboração do programa deve ser precedida do conhecimento dos jogos específicos e, na medida em que estes aparecerem na proposta pedagógica, é que devem ser aplicados, sempre com o espírito crítico para mantê-los, alterá-los, substituí-los por outros ao se perceber que ficariam distantes desses objetivos. Assim, o jogo somente tem validade se usado na hora certa e essa hora é determinada pelo seu caráter desafiador, pelo interesse do aluno e pelo objetivo proposto. Jamais deve ser introduzido antes que o aluno revele maturidade para superar seu desafio e nunca quando o aluno revelar cansaço pela atividade ou tédio por seus resultados. (2003, p. 40). Propus jogos referentes à inteligência musical em dias alternados conforme o interesse e necessidade do grupo. Antes de iniciarmos com instrumentos, brincamos com sons dos objetos, sons do próprio corpo, e treinamos nossa audição focando a atenção em determinado espaço, como por exemplo, ―que sons ouvimos da sala ao lado?‖, ―que som vem lá da rua?‖, ―qual a diferença de eu arrastar a cadeira ou eu levantá-la para colocar no lugar?‖. A escuta se torna música: Em sua concepção, a construção musical se dá no nível interno, pela ação de uma escuta intencional, transformadora, geradora de sentidos e significados; o ouvinte é ouvinte-compositor, e as relações entre os sinais sonoros, sejam buzinas e motores de carros ou uma sinfonia de Beethoven, tornam-se música pela intenção estabelecida entre o mundo subjetivo e objetivo: dentro e fora / silêncio interno e sons do externo / sons do interno e silêncio externo. (BRITO, 2003. p. 27). As reações nestas propostas foram variadas, uns perplexos pela sua capacidade de produção de som, outros orgulhosos de conseguirem acertar todas as perguntas, outros
  8. 8. 8 tímidos, mas quando questionados, estavam dispostos a falar sobre sua experiência. Relatos como ―O barulho da batida de pé da Sabrina é diferente do barulho do pé da Eduarda.‖, referente às batidas de pés no chão, ―Lá no berçário tem um bebê chorando, tu não tá ouvindo?‖, foram frequentes e em diferentes momentos, não só durante as atividades, mas no decorrer do dia, eles ficaram mais atentos aos sons e reproduzindo-os. Um dia, coloquei uma caixa de instrumentos que a escola possui no centro da sala, e deixei que brincassem livremente. Foi um espetáculo de tons e ritmos misturados. Por uns 5 minutos, exploravam, aparentemente, quase sem critério algum cada instrumento, ansiosos pela descoberta, mas, aos poucos, formaram-se grupos, alguns meninos sentaram-se em roda, simulando uma roda de samba, e tocavam os instrumentos cantarolando músicas famosas, além de algumas meninas sambando ao lado. Outros se juntaram em duplas, um cantando outro tocando algum instrumento. Tive que recolher a caixa após uma hora de utilização, e foi onde surgiu o questionamento: ―podemos ter nossos instrumentos?‖, claro que sim, respondi, podemos fazê-los com sucatas. Podemos observar até aqui a exploração das formas de atividade lúdica como: jogo sensório-motor/ exploração do som e gesto, jogo simbólico/significação, jogo com regras/organização e estruturação da linguagem musical. Numa outra oportunidade ofereci material de sucata no centro da sala e fiz algumas combinações como: dividirmos a turma em grupos para utilizarmos com mais tranquilidade os materiais, um empresta para o outro, um ajuda o outro e que poderiam construir os instrumentos musicais que quisessem. Ficaram empolgados, então providenciei materiais como colas coloridas, fitas adesivas, tesouras e outros. Segundo Brito: Construir objetos musicais e/ou objetos sonoros é atividade que desperta a curiosidade e o interesse das crianças. Além de contribuir para o entendimento de questões elementares referentes à produção do som e às suas qualidades, à acústica, ao mecanismo e ao funcionamento dos instrumentos musicais, a construção de instrumentos estimula a pesquisa, a imaginação, o planejamento, a organização, a criatividade, sendo, por isso, ótimo meio para desenvolver a capacidade de elaborar e executar projetos. É importante sugerir ideias, apresentar modelos já prontos e também estimular a criação de novos instrumentos musicais. (BRITO, 2003. p.69). O resultado foi positivo, até uma guitarra foi confeccionada com cordas de atilhos, presas em uma caixa de leite cujo braço seria um rolo de papel higiênico. Além de outros tantos que chamaram a atenção. O processo criativo gerou um sentimento de autonomia, fazendo com que quisessem levar para casa. Observei que durante a execução da atividade, o relacionamento entre as crianças estava mais pacífico, onde um ajudava o outro, seja dando ideias ou alcançando objetos. Outra proposta utilizou uma garrafa pequena de iogurte para cada um, branco com tampa, e disse que seria nosso instrumento para ficar na escola e que utilizaríamos no desfile da semana da pátria. Surgiram os questionamentos naturalmente como: ―profe, posso colocar areia aqui?‖, ―e folhas...‖, então combinei com eles que iriam ao pátio, colocar alguma coisa dentro das garrafas, o que eles achassem que fosse fazer barulho. A turma ficou motivada e a dedicação foi total na escolha dos sons. Uns comparavam seu som com o do colega, outros vinham mostrar como ficou, outros pediram pra colocar água, enfim, utilizaram todos os recursos disponíveis no pátio para fazer som com seus chocalhos. Voltarmos à sala e mostrarmos uns aos outros e decidimos decorar os instrumentos. Segundo Brito (2003, p. 74), ―Pintar ou decorar instrumentos também é uma parte importante da atividade. Personalizando os materiais criados, as crianças sentem-se ainda mais motivadas
  9. 9. 9 para fazer música com eles – autoras de todo o processo de construção.‖. Ouvi então o comentário entre eles que tinham que colocar o nome para não confundirem depois. Perguntei se sabiam escrever o nome e a resposta foi afirmativa. Escreveram com lápis preto e iniciaram a decoração. Após a secagem, demos início às práticas, fizemos vários jogos, dividindo em grupos por tipos de som, onde eles mesmos faziam a comparação, tarefas diferentes para cada grupo, como por exemplo, o grupo 1 tocava uma vez ao sinal da professora, o grupo 2 tocava duas vezes e o grupo 3 tocava três vezes. Foi muito divertido, pois a professora fazia sinais em tempos diferentes, criando ritmos diferentes para o som que estávamos emitindo. No desfile da semana da Pátria combinamos que o toque do chocalho deveria acompanhar os passos dados, estes se tornaram mais firmes gerando sorrisos e demonstração de orgulho entre eles. 3.4 PROCESSO DE LEITURA E ESCRITA Estas atividades tinham como objetivo apresentar às crianças o alfabeto, colado na parede em local de fácil visualização, assim como os números de 0 a 10. Entre outras dinâmicas e brincadeiras relacionadas ao tema, a mais apreciada pelas crianças foi o alfabeto cantado8. Foram em média 2 a 3 letras por semana, não chegando ao final do alfabeto, mas sentimos que depois de conhecerem parte deste repertório, interessaram-se mais pela compreensão das letras. De acordo com Brito (2003, p.92), ―É importante brincar e cantar com as crianças, pois, como dissemos, o vínculo afetivo e prazeroso que se estabelece nos grupos em que se canta é forte e significativo.‖. Brincávamos de desenhar no quadro as letras se apresentando, falando seu nome, representando com balões de falas de quadrinhos. Cantávamos nos deslocamentos pela escola, indo ao refeitório, para o pátio ou até mesmo em passeios, o que gerava comentários ao reconhecerem as letras nas paredes. A proposta não estava centrada no processo de alfabetização, mas no despertar o interesse pelo mundo letrado. A proposta foi contemplada na medida em que os pais relataram a empolgação de seus filhos cantando em casa, querendo escrever e mostrar para os mesmos as letras aprendidas, além da observação do interesse das crianças em sala de aula. Nesta perspectiva, podemos inferir que as crianças se mostraram mais dispostas a escutar músicas infantis, alguns pais ou responsáveis também passaram a apreciar a felicidade das crianças e incentivaram-nas cantando junto em casa, outros pediram cópias das músicas trabalhadas em aula, o que tornou possível identificar alguns pais que são músicos, solicitando cifras das músicas. 3.5 ACALANTOS Para o momento do sono, selecionei o CD PALAVRA CANTADA Canções de Ninar (1994), com acalantos que mexem com os sentimentos infantis, falando sobre as vivências e momentos das crianças, fazendo-as relaxar e sentirem-se seguras. Segundo Brito (2003, p 97) ―Seja para afastar os bichos ou personagens estranhas que poderiam assustar ou levar o menino, seja para protegê-lo ou ameaça-lo, as cantigas de ninar estão muito presentes em nossa cultura.‖ Transformamos este momento em diversão e descanso, muitas vezes os alunos se acomodavam no colchonete individual e ficavam cantando baixinho até o sono chegar. 8 http://www.bebele.com.br/karaoke/
  10. 10. 10 3.6 MOMENTOS DE ATIVIDADES ARTÍSTICAS MANUAIS OU BRINQUEDO LIVRE A produção fonográfica escolhida foi CD PALAVRA CANTADA Canções Curiosas (1998), que em especial trata de conceitos importantes de serem abordados na educação infantil, como localização geográfica, cultura, tradição, exploração do trabalho infantil, tempo, esportes e outros que de forma lúdica e através de linguagem de fácil entendimento infantil tornam-se acessíveis às crianças. Por vezes parávamos o que estávamos fazendo para dançar determinadas músicas ou encenar, o que gerou a ideia de fazer uma apresentação teatro musical no dia da formatura dos alunos no final da etapa da educação infantil. Para Brito (2003, p. 93): É certo que a música é gesto, movimento, ação. No entanto, é preciso dar às crianças a possibilidade de desenvolver sua expressão, permitindo que criem seus gestos, que observem e imitem os colegas e que, principalmente, concentrem-se na interpretação da canção, sem a obrigação de fazer gestos comandados durante todo o tempo[...]. As intervenções explicitadas aqui objetivaram apresentar situações de aprendizagem que envolvessem a música e as diferentes situações do cotidiano escolar. A seguir algumas considerações acerca da pesquisa-ação realizada. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Temos diversas teorias a respeito da educação musical nas escolas, aqui optei por trabalhar a de Howard Gardner, que afirma em suas pesquisas haver 7 inteligências no ser humano, entre elas a inteligência musical, e que tem a mesma importância de todas as outras. Temos um trabalho marcante da autora Teca Alencar de Brito, livro que trata de música na educação infantil, no qual baseia a importância do desenvolvimento musical dentro de um currículo bem elaborado e propõe assim a formação integral da criança. A pesquisa na escola XXXXXXXX, foi realizada em 6 (seis) meses, com trabalhos desenvolvidos pelo menos 2 vezes por semana. As rotinas musicais propostas foram muito bem recebidas e absorvidas pelos educadores e alunos, reanimando o que estava ficando cansativo. Neste universo infantil no qual todos nós estivemos e muitos permanecem, seja trabalhando ou através da maternidade ou paternidade, seja sentindo-se criança ou admirando uma, podemos perceber a intensidade dos sentimentos que a música produz. Acredito que em uma escola onde os educadores sejam dedicados e organizados, a música, assim como todas as outras artes e inteligências, possa contribuir para um caminho de realizações e sucesso para os alunos, onde se sintam seguros de suas capacidades, e tornem-se pessoas, independentes e autônomas. Após esta experiência na escola, pude receber muitos olhares esperançosos, tanto de pais que inclusive pediam auxílio para trabalhar com seus filhos em casa através de cd’s ou letras de músicas, quanto das crianças e educadores, pois os dias tornaram-se muito mais prazerosos e divertidos, além da curiosidade que passou a se destacar, pois dentro das canções trabalhadas, muitas tratavam de assuntos que despertavam interesse, seja de uma cultura diferente, seja do lugar onde moram, tipos de brincadeiras que existem, maneiras de conversar e ser cordial, enfim, a conclusão a que se chega, é de que a música tem papel essencial no
  11. 11. 11 desenvolvimento infantil, sendo apropriada à idade e com propósito definido dentro do currículo escolar. 5 REFERÊNCIAS ANTUNES, Celso. Jogos para estimulação das múltiplas inteligências. Petrópolis: Vozes, 1998. BAUM, Ana. II Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho Florianópolis, de 15 a 17 de abril de 2004 GT História da Mídia Sonora. (UFF). BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes curriculares nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC, 1999. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998. ______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 5692. Brasília, 1996ª. ______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394. Brasília, 1996b. ______. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, 1997b. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte. Brasília: MEC/SEF,1997. BRITO, Teca de Alencar. Música na Educação Infantil. São Paulo: Peirópolis, 2003. CONDESSA, Janaína. Expressão do corpo e musicalidade. Indaial: Uniasselvi, 2012. GARDNER, Howard. A criança pré-escolar: Como pensa e como a escola pode ensiná-la. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. _________________. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
  12. 12. 12 BEBELÊ. http://www.bebele.com.br/karaoke. Acesso em: 01 julho 2012. CIFRA CLUB. http://letras.mus.br/temas-infantis. Acesso em 07 julho 2012. MUSICA. Caderninho de músicas infantil. http://www.musicainfantil.eliotu.com. Acesso 07 julho 2012. NADAL, Paula. Nova Escola. Cantigas de roda para crianças da educação infantil. http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/cantigas-roda-pre-escola590941.shtml. Acesso em: 06 julho 2012. QDIVERTIDO. http://www.qdivertido.com.br/cantigas.php. Acesso 07 julho 2012. YOUTUBE. https://www.youtube.com/watch?v=BJM8lj3PQbc. Acesso em: 01 julho 2012. ______. https://www.youtube.com/watch?v=KQ_Plm_Ieg4. Acesso em: 01 julho 2012. WEB DA HORA. http://www.webdahora.com/musicas/musicas-infantis-mais-tocadas-nasfestas. Acesso em 07 julho 2012.

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