Madrinhas de GuerraGuerra Colonial Portuguesa         1961-74
Matchbox: Portugal is not a Small Country (143-41)  2009 | jacto de tinta sobre papel | 52x64 cm
► No final dos anos 50 e início dos anos 60 do séc. XX, surgiram movimentos   defensores da independência em quase todas a...
► Os guerrilheiros iniciam os ataques contraa presença dos portugueses nas colónias.► Salazar mobilizava tropas, na flor d...
Três Frentes de Batalha em África
Guerra ColonialNas três frentes o ambiente que se vivia era o mesmo: a morte e o desesperoestavam presentes no dia a dia d...
Jovens soldados morriam em África, longe dos seus familiares,numa guerra com a qual não concordavam, mas eramobrigados a ir.
O cenário de guerra era demasiado stressante, o convívio com a morte doscamaradas deixou sequelas nos sobreviventes, que p...
“A morte saiu à rua…”
Mães, mulheres, noivas e restantes familiares faziamperegrinações em Portugal.
A romaria ao Santuário deFátima por familiares emdesespero, era um cenáriorecorrente na Metrópole.                        ...
Movimento Nacional    Feminino
♦ O Movimento Nacional Feminino (MNF) foi criado no dia 28 deAbril de 1961 pela Drª Cecília Supico Pinto, mais conhecida n...
Áreas de Intervenção do Movimento         Nacional Feminino• Presidente:                • - Apoio Social:  Cecília Supico ...
•   - Apoio Material:                     • - Informação•   a) Secção de aerogramas               • a) Secção de participa...
O Movimento Nacional Feminino (1961-1974) apresentava-se comouma estrutura de mulheres criada e organizada para apoiar os ...
Às Madrinhas de guerra era pedido/estipulado adistracção do(s) seus(s) afilhados através da troca decorrespondência na qua...
Registe-se que o pedido dos soldados de "Madrinhas de Guerra" devia fazer-se directamente para a Comissão Central do Servi...
As "Madrinhas de Guerra", pelo tipo de trabalhodesenvolvido, foram muito importantes em termos de apoiopsicológico àqueles...
Madrinhas de Guerra
MADRINHAS DE GUERRA:"Que cada uma de nós se lembre que lá longe, nas provínciasultramarinas, há rapazes que deixaram tudo:...
A Crónica Feminina       Nessa altura circulava em Portugal uma       revista, a “Crónica Feminina”, que,       apesar de ...
Eu fui Madrinha de Guerra“Os anos 60 (finais) e 70 preencheram a minhaadolescência e juventude. O rock, o flower power, a ...
"Querido militar:(...) Lutas pela paz da tua família. Lutas para que, em tuacasa, todos possam viver sem terror. Lutas par...
Madrinhas de Guerra na primeira                 pessoa“Então eu respondia a esses gritos de solidão, de liberdade adiada. ...
Madrinhas de Guerra na primeira              pessoa                            “Havia um dia em que o aerograma           ...
♦ A correspondência entre osmilitares e as suas famílias, amigos,namoradas e madrinhas de guerraera realizada através dest...
♦ Em qualquer ponto de África onde houvesse militares lá   chegavam os aerogramas, também designados por   “bate-estradas”...
♦ Quanto aos três primeiros dígitos e dado que a mobilização deunidades em África cresceu muito, houve a necessidade derap...
•   NR: Quem quiser conhecer em detalhe a história do SPM não deixe de ler o    livro “História do Serviço Postal Militar”...
NATAL DE 1971“O primeiro que o nosso Batalhão passa em Moçambique. Não nosdetivemos a chorar o facto de nos encontrar-mos ...
Cecília Supico Pinto em visita às tropas
Cecília Supico Pinto em visita àstropas
A alegria momentânea da visita de Cecília Supico Pinto
O Regresso dos Militares
A alegria do reencontro/ Regresso do Soldado são e salvo…
Guerra ColonialSOLDADOS                      Mortos            Desaparecidos   Feridos                    Massacrados
As Nossas Jornadas IVGrupo de HistóriaBiblioteca Escolar                     23 de Maio de 2012
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Esta apresentação mostra como as cartas eram importantes em tempo de guerra...

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Madrinhas de guerra

  1. 1. Madrinhas de GuerraGuerra Colonial Portuguesa 1961-74
  2. 2. Matchbox: Portugal is not a Small Country (143-41) 2009 | jacto de tinta sobre papel | 52x64 cm
  3. 3. ► No final dos anos 50 e início dos anos 60 do séc. XX, surgiram movimentos defensores da independência em quase todas as colónias portuguesas. Em Angola O MPLA (1961) A UPA/ O FNLA (1962) A UNITA ( 1966) Na Guiné ► O PAIGC (1963) Em Moçambique ► A FRELIMO (1964)
  4. 4. ► Os guerrilheiros iniciam os ataques contraa presença dos portugueses nas colónias.► Salazar mobilizava tropas, na flor da idade,para combaterem no Ultramar. “Para Angola,rapidamente e em força!”► Iniciou-se uma guerra de guerrilha iriadurar 13 anos, com vitórias e reveses de partea parte.► De Lisboa partiam sucessivos contingentesde militares com destino às colónias.► A Guerra Colonial provocou milhares demortos e de feridos, consumindo verbas muitoavultadas aos nossos cofres.► Esta Guerra sem tréguas levou a quePortugal ficasse cada vez mais isolado a nívelinternacional, levando Salazar a fazer acélebre afirmação:“Estamos orgulhosamente sós”.
  5. 5. Três Frentes de Batalha em África
  6. 6. Guerra ColonialNas três frentes o ambiente que se vivia era o mesmo: a morte e o desesperoestavam presentes no dia a dia dos nossos soldados.
  7. 7. Jovens soldados morriam em África, longe dos seus familiares,numa guerra com a qual não concordavam, mas eramobrigados a ir.
  8. 8. O cenário de guerra era demasiado stressante, o convívio com a morte doscamaradas deixou sequelas nos sobreviventes, que permanecem até hoje.
  9. 9. “A morte saiu à rua…”
  10. 10. Mães, mulheres, noivas e restantes familiares faziamperegrinações em Portugal.
  11. 11. A romaria ao Santuário deFátima por familiares emdesespero, era um cenáriorecorrente na Metrópole. Quantos regressavam vivos, mas estropiados.
  12. 12. Movimento Nacional Feminino
  13. 13. ♦ O Movimento Nacional Feminino (MNF) foi criado no dia 28 deAbril de 1961 pela Drª Cecília Supico Pinto, mais conhecida nosmeios militares por "Cilinha". Tratava-se de um movimentopatriótico de mulheres, que se dedicaram ao apoio moral e, tantoquanto possível, material dos militares que prestavam serviço noUltramar.♦ Para além de outras iniciativas, foi este Movimento que criouos célebres e populares aerogramas . Baratos e por vezes grátis,sem precisarem de selo nem de sobrescrito, tiveram uma largaaderência de militares e famílias como forma prática e rápidade trocarem correspondência postal.
  14. 14. Áreas de Intervenção do Movimento Nacional Feminino• Presidente: • - Apoio Social: Cecília Supico Pinto • a) Secção de embarque (durante os anos de b) Secção das madrinhas de existência do Movimento) guerra c) Serviço de acolhimento de feridos e doentes d) Secção de visitas aos• - Administrativas: hospitais• a) Secretaria e) Secção de empregos b) Tesouraria f) Secção de assistência à família g) Serviço de urgência
  15. 15. • - Apoio Material: • - Informação• a) Secção de aerogramas • a) Secção de participação de b) Secção de passagens c) Bibliotecas baixas d) Secção de apoio aos oficiais b) Secção de notícias milicianos c) Secção de informação e e) Auxílio aos capitães militares e divulgação missões f) Secção de farmácia g) Secção de encomendas h) Secção de lembranças individuais e colectivas; • - Publicações próprias: i) Secção de contencioso – a) Revista Presença b) Revista Mensagem c) Revista Guerrilha d) Revista Movimento
  16. 16. O Movimento Nacional Feminino (1961-1974) apresentava-se comouma estrutura de mulheres criada e organizada para apoiar os militares,as suas famílias e o esforço do Estado Português em África.De facto, a secção do Movimento com o nome de Madrinhas deGuerra, incluída nos seus registos, disponibilizava para apoio aossoldados nas colónias.As mulheres teriam que cumprir os seguintes requisitos: nacionalidadeportuguesa, maiores de 21 anos, moral idónea, espírito patriótico,coragem, capacidade de sacrifício, confiança na vitória e capacidade detransmissão dessa ideia.
  17. 17. Às Madrinhas de guerra era pedido/estipulado adistracção do(s) seus(s) afilhados através da troca decorrespondência na qual se devia transmitir coragem,confiança, orgulho pela prestação de um importanteserviço à Pátria.Por outro lado, deviam também estabelecer contactoscom a(s) família(s) desse(s) soldado(s), amparando-a(s)em tudo o que fosse possível, nomeadamente emtermos morais e materiais.
  18. 18. Registe-se que o pedido dos soldados de "Madrinhas de Guerra" devia fazer-se directamente para a Comissão Central do Serviço Nacional de Madrinhas, onde era devidamente analisado e correspondido de acordo com as possibilidades. Salienta-se que as madrinhas deviam ser da mesma região, cidade ou povoação vizinha do(s) afilhado(s), por questões de afinidade, conhecimento da família e mais fácil prestação de apoio. Importa dizer que o aumento entretanto verificado do número de pedidos tornou notória a insuficiência de inscrições por parte de voluntárias.
  19. 19. As "Madrinhas de Guerra", pelo tipo de trabalhodesenvolvido, foram muito importantes em termos de apoiopsicológico àqueles que estava longe de sua casa e dosseus familiares Uma carta recebida e uma carta escrita eram fundamentaisnum contexto como aquele em que milhares de homens(jovens) se encontravam.
  20. 20. Madrinhas de Guerra
  21. 21. MADRINHAS DE GUERRA:"Que cada uma de nós se lembre que lá longe, nas provínciasultramarinas, há rapazes que deixaram tudo: mulheres, filhos, mães,noivas e o seu trabalho, o seu interesse, tudo enfim, para cumprirem oseu dever de soldados. É preciso que as mulheres portuguesas secompenetrem da sua missão, e assim como eles estão cumprindo o seudever, lutando pela nossa querida Pátria, também vós tendes paracumprir o vosso, lutando pelo bem-estar dos nossos soldados - luta essabem pequenina, pois uma só palavra, um pouco de conforto moral bastapara levar alguma felicidade aos que estão contribuindo para a defesa daintegridade do nosso Portugal.OFEREÇAM-SE PARA MADRINHAS DE GUERRA. MANDEM O VOSSONOME E A VOSSA MORADA PARA A SEDE DO MOVIMENTONACIONAL FEMININO".("Madrinhas de guerra". In: Revista Presença. Nº 1, 1963, p. 36-37).
  22. 22. A Crónica Feminina Nessa altura circulava em Portugal uma revista, a “Crónica Feminina”, que, apesar de ser considerada leitura inferior, era lida religiosamente todas as semanas, quer pelas novidades da moda, quer pelo fotonovela - folhetim, encaixado nas páginas centrais. Na última página era havia uma lista de pedidos de correspondência: Beltrano Sicrano, 1º cabo do RA5, em comissão de serviço na Guiné, deseja corresponder-se com menina dos 17 aos 25 anos, alegre, comunicativa e que goste de música pop. Resposta para o SPM 123456789. Era mais ou menos este o teor do pedido. Entrou na moda, estava na moda.
  23. 23. Eu fui Madrinha de Guerra“Os anos 60 (finais) e 70 preencheram a minhaadolescência e juventude. O rock, o flower power, a mini-saia, ocupavam os nossos dias descontraídos enquantoque as baladas, os livros emprestados à socapa e aguerra no ultramar deixavam no ar perguntas semresposta e desenhavam uma realidade malcompreendida.Todos os rapazes meus conhecidos passavam por uminterregno nas suas vidas. Largavam os empregos, asfamílias, os amigos e abalavam do cais de Alcântara, aosmagotes, para África. O porquê era sempre uma perguntadifícil de responder.”
  24. 24. "Querido militar:(...) Lutas pela paz da tua família. Lutas para que, em tuacasa, todos possam viver sem terror. Lutas para que osrapazinhos de agora tenham aquela Pátria grande e livreque herdaste!Tu enfrentas de armas na mão, orgulhosamente, oinimigo que pretende roubar a segurança do teu lar!Obrigada, soldado!SAÚDA-TE A TUA MADRINHA".("Querido Militar". In: Revista Mensagem.Nº 2, 1962, p. 2).
  25. 25. Madrinhas de Guerra na primeira pessoa“Então eu respondia a esses gritos de solidão, de liberdade adiada. Durante três ou quatro anos fui madrinha de guerra de uns quantos soldados. Os aerogramas não tinham franquia, pelo que a correspondência circulava com muita assiduidade. Eram palavras simples, descrições do dia a dia, relatos de filmes, letras de canções, poemas, fotografias, postais ilustrados. Enfim, baús cheios de tesouros para quem estava confinado ao mato, à imensidão africana, longe de tudo e de todos.”
  26. 26. Madrinhas de Guerra na primeira pessoa “Havia um dia em que o aerograma trazia a notícia do fim da comissão, o agradecimento profundo pelos bons momentos de leitura e o conforto que as palavras da madrinha desconhecida tinham dado. A vida continuava.”“Por duas ou três vezes houve um último aerograma sem resposta dolado de lá. O passar dos dias encarregou-se de apagar a dúvida, umpensamento doloroso.De todos os afilhados de guerra, só conheci um. Acabada a suatarefa, voltou para a terra e veio conhecer-me. Trouxe o irmão comquem tinha sido criado e ficou amigo lá de casa. As coisas que elecontava eram um mundo à parte. Ajudou-me a compreender a talrealidade que nos passava um pouco ao lado e trouxe-me algumasrespostas às tais perguntas difíceis. Ajudou-me a crescer emconsciência. Hoje recordo-lhe o riso franco e aberto. O Tempo, esseinsano amigo, levou o resto.”
  27. 27. ♦ A correspondência entre osmilitares e as suas famílias, amigos,namoradas e madrinhas de guerraera realizada através deste suporteem papel designado “aerograma”. Osde cor amarela eram destinados aocorreio entre as provínciasultramarinas e a metrópole,enquanto os de cor azul faziam opercurso inverso.♦ Dobrados sobre si mesmos,guardaram sonhos e promessas deamor, outras vezes medos efantasmas. Foram o elo de ligaçãoentre a distante e quente África e ocantinho mais escondido de Portugalcontinental e insular.
  28. 28. ♦ Em qualquer ponto de África onde houvesse militares lá chegavam os aerogramas, também designados por “bate-estradas” ou “corta-capim” embora chegassem via aérea através dos pequenos aviões militares Dornier (DO).♦ Apesar de a morada do militar ser definida por código, o chamado SPM (Serviço Postal Militar) a entrega do correio nunca falhou, mesmo tendo em conta uma média de 10 toneladas por dia de correio que o SPM tratava e enviava. O indicativo postal do SPM era composto por 4 dígitos e nos primeiros tempos de guerra os três primeiros definiam a unidade militar e o último a província ultramarina. Moçambique tinha o 4, Angola o 6 e a Guiné o 8. Só com esta definição do último dígito era fácil ao SPM em Lisboa encaminhar o correio para a respectiva província.
  29. 29. ♦ Quanto aos três primeiros dígitos e dado que a mobilização deunidades em África cresceu muito, houve a necessidade derapidamente se alterar o critério inicial, mas mantendo sempre o últimodígito definidor do território de destino.Mas o correio não nos trazia só aerogramas, por vezes tambémvinham algumas encomendas mais pesadas. Essas eram sempre asmais desejadas. Base táctica da Cecília (2/11/1971), no planalto do Luaia, província do Uíge, Angola,
  30. 30. • NR: Quem quiser conhecer em detalhe a história do SPM não deixe de ler o livro “História do Serviço Postal Militar” de Eduardo Barreiros e Luís Barreiros.
  31. 31. NATAL DE 1971“O primeiro que o nosso Batalhão passa em Moçambique. Não nosdetivemos a chorar o facto de nos encontrar-mos longe dos nossosfamiliares, a quem muito queremos. Não que os esqueçamos, tentamossim, viver esta quadra o melhor que nos for possível. No dia 13 deDezembro, tivemos a presença amiga e generosa de D. Lisete Lopes,locutora do Rádio Clube de Moçambique e orientadora do programadedicado às Forças Armadas, que saía para o ar todos os Sábados àtarde. Nesse dia esteve também presente uma equipa de reportagem doRádio Clube de Moçambique que em colaboração com a EmissoraNacional, vieram gravar mensagens dos soldados para serem ouvidas naMetrópole.”In Blogue de antigos soldados
  32. 32. Cecília Supico Pinto em visita às tropas
  33. 33. Cecília Supico Pinto em visita àstropas
  34. 34. A alegria momentânea da visita de Cecília Supico Pinto
  35. 35. O Regresso dos Militares
  36. 36. A alegria do reencontro/ Regresso do Soldado são e salvo…
  37. 37. Guerra ColonialSOLDADOS Mortos Desaparecidos Feridos Massacrados
  38. 38. As Nossas Jornadas IVGrupo de HistóriaBiblioteca Escolar 23 de Maio de 2012

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