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O NEGRO NA FORMAÇÃO DA
SOCIEDADE BRASILEIRA
Dandara Baçã
HISTÓRIA
• A história do negro não teve inicio com o tráfico
de escravos. É uma história bem antiga, anterior
à escravidão nas Américas.
• Na África havia impérios poderosos como o
Mali, reinos bem consolidados como o Kongo,
prósperos como o Egito, mas também pequenas
aldeias agrupadas por laços de descendência
ou linhagem.
ESCRAVIZAÇÃO
• Doméstica - após a guerra os vitoriosos faziam
escravos entre os vencidos. Aprisionavam para
utilizar a força de trabalho na agricultura de
pequena escala.
• Punitiva - condenados por roubo, assassinato,
feitiçaria, e às vezes adultério.
• Civil - penhora e rapto individual, a troca e a
compra
ESCRAVIZAÇÃO
• Em algumas sociedades, a exemplo do
povo Sena de Moçambique, a
escravização também era uma estratégia
de sobrevivência quando a fome e a seca.
se faziam desastrosas. A venda ou troca
de um indivíduo por comida era uma forma
de manter o grupo.
ESCRAVIZAÇÃO ÁRABE
• Desde que os árabes ocuparam o Egito e o norte da
África, entre o fim do século VII e metade do século
VIII, a escravidão doméstica, de pequena escala,
passou a conviver com o comércio mais intenso de
escravos. A escravidão africana foi transformada
significamente com a ofensiva dos mulçumanos. Os
árabes organizaram e desenvolveram o tráfico de
escravos como empreendimento comercial de grande
escala na África.
ESCRAVIZAÇÃO ÁRABE
• O Corão não condenava o
cativeiro. Para os seguidores do
profeta Maomé, a escravização
era uma espécie de missão
religiosa. O infiel, ao ser
escravizado, "ganhava" a
oportunidade de conversão e,
depois de devidamente instruído
nos preceitos islâmicos, tinha
direito de voltar a ser livre.
JINGA OU NZINGA MBANDI
• Jinga ou Nzinga Mbandi (1581-1663) foi a rainha que durante treze
anos lutou contra os portugueses em Angola. Em 1621, a rainha Jinga
de Mutamba, seguida por uma vistosa comitiva, propôs uma aliança aos
portugueses. Em troca da paz aceitou certas condições, inclusive a
conversão ao catolicismo. Ela foi batizada com o nome de Dona Ana de
Souza, na igreja matriz de Luanda, em 1622, mas não aceitou pagar
tributos como exigiam os lusitanos. No ano seguinte, empreendeu outra
guerra contra os portugueses e mandou uma embaixada ao Papa
Alexandre VII pedindo o reconhecimento do seu reino. Esquecendo o
padroado, o papa enviou-lhe uma carta com orientações para que seu
reino fosse cristão, junto com vários missionários capuchinhos italianos.
Mas a rainha foi derrotada à frente de suas tropas, e suas duas irmãs,
as princesas Cambe e Funge, foram levadas para Luanda e batizadas
com os nomes de Bárbara e Engrácia. Quando, em 1641, os
holandeses saíram do norte do Brasil e ocuparam Luanda, Jinga aliou-
se a eles contra os portugueses. Mas em 1648, Salvador Correa de Sá
retomou Luanda dos holandeses, com uma armada saída do Rio de
Janeiro. A rainha Jinga morreu em 17 de dezembro de 1663, quando
teria cerca de 80 anos. A memória dos cortejos e lutas das suas tropas
continua presente nos congados brasileiros.
ESCRAVIZAÇÃO CRISTÃ
• O tráfico africano era um negócio complexo que envolvia
a participação e cooperação de uma cadeia extensa de
participantes especializados, que incluía chefes políticos,
grandes e pequenos comerciantes africanos.
• Angola, desde fins do século XVI até a primeira metade
do século XVIII, foi o maior fornecedor de escravizados
para as Américas portuguesas e espanhola.Entre 1575 e
1591,foram embarcados da região de Angola mais de 52
mil africanos para o Brasil.
• Nenhuma comunidade indígena se firmou como
fornecedora regular de cativos, o que dificultou
a formação de redes comerciais que pudessem
atender à demanda crescente de mão-de-obra
• O padre Antonio Vieira considerava o tráfico um
"grande milagre" de Nossa Senhora do Rosário,
pois retirados da África, os negros teriam
chance de salvação da alma no Brasil católico.
• Relato de Mahommah G. Baquaqua sobre o
interior de um navio negreiro: “Fomos
arremessados, nus, porão adentro, os
homens apinhados de um lado e as
mulheres do outro. O porão era baixo que
não podíamos ficar em pé, éramos
obrigados a nos agachar ou a sentar no
chão. Noite e dia eram iguais para nós, o
sono nos sendo negado devido ao
confinamento de nossos corpos. Ficamos
desesperados com o sofrimento e a
fadiga.Oh! A repugnância e a imundície
daquele lugar horrível nunca serão
apagadas de minha memória. Não: enquanto
a memória mantiver seu posto nesse cérebro
distraído, lembrarei daquilo. Meu coração
até hoje adoece ao pensar nisto.”
• O africano Mahommah G. Baquaqua viveu a experiência do
tráfico e a relatou em um livro publicado em 1854: “Quando
estávamos prontos para embarcar, fomos acorrentados uns
aos outros e amarrados com cordas pelo pescoço e assim
arrastados para a beira do mar. O navio estava a alguma
distância da praia. Nunca havia visto um navio antes e pensei
que fosse algum objeto de adoração do homem branco.
Imaginei que serí- amos todos massacrados e que estávamos
sendo conduzidos para lá com essa intenção. Temia por minha
segurança e o desalento se apossou quase inteiramente de
mim.Uma espécie de festa foi realizada em terra firme naquele
dia. Aqueles que remaram os barcos foram fartamente
regalados com uísque e, aos escravos, serviam arroz e outras
coisas gostosas em abundância. Não estava ciente de que
esta seria minha última festa na África. Não sabia do meu
destino. Feliz de mim que não sabia. Sabia apenas que era
um escravo, acorrentado pelo pescoço, e devia submeter-me
prontamente e de boa vontade, acontecesse o que
acontecesse. Isso era tudo quanto eu achava que tinha o
direito de saber.”
NAVIO NEGREIRO
• os africanos eram conduzidos aos navios
negreiros, também chamados de tumbeiros. Antes
de entrar nas embarcações, eles eram marcados
a ferro quente no peito ou nas costas com os
sinais que identificavam a que traficante
pertenciam, uma vez que em cada barco viajavam
escravizados pertencentes a diferentes donos. No
interior das embarcações, por segurança, os
cativos eram postos a ferros até que não se
avistasse mais a costa africana. As condições das
embarcações eram precárias porque, para
garantir alta rentabilidade, os capitães só
zarpavam da África com número máximo de
passageiros. O número de cativos embarcados
em cada navio dependia da capacidade de suas
instalações. Nos séculos XVI e XVII, uma
caravela portuguesa era capaz de transportar
cerca de 500 cativos e um pequeno bergantim
podia transportar até 200. No século XIX, os
traficantes utilizaram os navios a vapor, o que
reduziu o tempo das viagens. Nos últimos anos
do tráfico, a média de escravos transportados por
navio era de 350.
NAVIO NEGREIRO
NAVIO NEGREIRO
• Pode-se imputar as mortes a bordo a fatores como escassez de alimentos e
água, maus-tratos, superlotação e até mesmo ao terror da experiência
vivida, que debilitava física e mentalmente os africanos. Além disso, o tráfico
colocava os africanos em contato com doenças para eles desconhecidas e
para as quais ainda não haviam criado defesas suficientes. Ao colocar em
contato povos de diversas regiões da África e mais tripulações brasileiras e
européias, os navios negreiros funcionavam como verdadeiros misturadores
de enfermidades típicas de cada continente. Em caso de contagio de febre
amarela, tifo ou varíola era grande o número de mortes não apenas entre os
cativos, mas também entre a tripulação. Havia ainda a morte provocada por
suicídio e não foram poucos os cativos que puseram fim à existência
precipitando-se no mar. Mesmo considerando o alto índice de mortalidade, o
trá- fico era um negócio bastante lucrativo.
• “Ah! Como doía nas costas o chicote do homem que
mandava nos negros. De manhã se subia para ver o sol.
Todos estavam nus e fedia o buraco onde tinham que
dormir. Mas de noite ouvia um rumor de bater de asas.
Asas brancas que voavam para cima dela. Era o vôo das
almas que não podiam voar para o céu. Todas as noites
elas vinham bater pelas janelas do barco. Elas só podiam
voar para o céu, saindo da terra. Os corpos dos que eram
lançados na profundeza do mar não davam almas nem para
o céu nem para o inferno [...]. De noite ainda vejo os
pássaros grandes em cima do telhado do quarto. As almas
ainda não me abandonaram.”
NAVIO NEGREIRO
OS AFRO - BRASILEIROS
• Sem participação dos africanos dificilmente os portugueses co
nseguiriam ocupar as terras descobertas no processo de expan
são marítima. No século XVI, não havia população suficiente e
m Portugal para levar à frente a ocupação da colônia.
Capoeira – Expressão
Artística Afro Brasileira –
Arte Marcial
Algumas Esculturas Africanas
RESISTÊNCIA
• As sociedades escravistas nas Américas foram
marcadas pela rebeldia escrava. Onde quer que
o trabalho escravo tenha existido, senhores e
governantes foram regularmente surpreendidos
com a resistência escrava.
• Fugir sempre fazia parte dos planos dos
escravizados - fugas reinvindicatórias
RESISTÊNCIA
• Sabotagem era uma forma de resistência, sabotavam a
produção, fingir doenças, envenenar as pessoas da
casa grande, desobedecer sistematicamente, negociar
sua venda para outro senhor que mais lhe agradasse.
• Quilombos - exploravam minas, cultivavam alimentos,
mas também podiam ameaçar viajantes, controlar a
entrada e saída de pessoas e mercadorias nas vilas e
roubar comboios transportando ouro.
RESISTÊNCIA
• Os xavantes e caiapós de Goiás destruíram
mais quilombos do que as expedições dos
bandeirantes. Houve um tempo no inicio do
seculo XVIII, em que os xavantes consideravam
todos os negros livres ou escravos como
inimigos. Foi uma força majoritariamente
formada por índios que destruiu Palmares em
1649.
PALMARES
• Palmares foi uma comunidade quilombola que, no século XVII, ocupava a
Serra da Barriga. Essa região se estendia do rio São Francisco, em Alagoas,
até as vizinhanças do cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Tratava-se
de um terreno acidentado e de difícil acesso, coberto de espessa mata
tropical que incluía a pindoba, um tipo de palmeira, daí o nome Palmares.
Se a vegetação dificultava o deslocamento dos caçadores de escravos
fugidos, chamados capitães-do-mato ou capitães-de-assalto, e a abundância
de árvores frutíferas, caça, pesca e água potável facilitava a sobrevivência
dos quilombolas, também exigia dos moradores habilidade para enfrentar os
perigos e as dificuldades da vida na floresta. O mesmo ecossistema que os
protegia também os ameaçava.
PALMARES
• Calcula-se que em meados do século XVII viviam em Palmares
cerca de onze mil pessoas. A maior autoridade era o rei, Ganga
Zumba, e depois Zumbi, que governava auxiliado por chefes
distribuídos em diferentes mocambos. Os homens, que eram a
maioria, se ocupavam da agricultura. Já a organização e
supervisão dos trabalhos cabiam às mulheres. O excedente da
produção era entregue pelas famílias aos chefes dos
mocambos para que fosse armazenado para época de secas,
pragas e ataques, ou negociado com os comerciantes das
redondezas.
LUTAS NEGRAS
• Conjuração baiana ou revolta dos alfaiates ou revolta dos búzios (1798)
• Balaiada (1830-1841)
• Cabanagem (1833-1840)
• Revolta dos malês (1835)
• Sabinada (1837-1838)
• Guerra de Canudos (1893-1897)
• Guerra faroupilha (1835-1845)
• Revolta da vacina (1904)
• Revolta da chibata (1910)
REVOLTAS ESCRAVAS
• Alguns levantes, talvez a maioria deles, não passaram da fase da
conspiração. Em 1807, por exemplo, Salvador foi palco de uma conspiração
planejada para o dia 28 de maio, durante as comemorações de Corpus
Christi. Naquela noite, depois da festa, os rebeldes pretendiam incendiar a
Casa da Alfândega e uma igreja. Instaurada a confusão, os escravos
empossariam seu próprio governador, convocariam outros negros,
eliminariam os brancos por envenenamento e queimariam as imagens
católicas numa grande fogueira no meio da praça. Em seguida, uma força
rumaria para Pernambuco, onde também havia uma numerosa população
escrava, e lá se juntaria a outros escravos para formar um reino
independente no interior.
REVOLTAS ESCRAVAS
• Em 1846 as autoridades da província de Pernambuco desarticularam uma
sociedade secreta de negros acusada de tramar uma insurreição escrava na
cidade do Recife.
• O líder, chamado de Divino Mestre por cerca de trezentos seguidores, era o
crioulo Agostinho José Pereira.
• A seita considerava que a Bíblia já anunciava o fim da escravidão, cobrava
dízimos dos fiéis e dizia que os santos católicos eram apenas estátuas.
Apesar da afronta que a crença do Divino Mestre representava para a Igreja
católica, o que mais assustou as autoridades policiais foram os versos, que
falavam da revolução no Haiti, encontrados na casa de um dos seus
discípulos. Nos versos a expressão moreno é usada, tudo indica, para
significar o conjunto dos afro-descendentes.
GUERRA DE CANUDOS
• Canudos foi um povoado no sertão da Bahia, numa região de caatinga cercada por
morros e à beira do rio Vaza-Barris. Antô- nio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro,
chegou ao vilarejo em 1893 com algumas centenas de fiéis e logo passou a chamar o
lugar de Belo Monte. Segundo a descrição de Euclides da Cunha, Conselheiro era uma
figura de cabelos crescidos até os ombros, barba longa, face encaveirada e olhar
fulgurante. Sob a liderança do Conselheiro, o vilarejo passou a crescer num ritmo
acelerado, com as levas de seguidores que lá chegavam para viver. A igreja de Santo
Antônio, também chamada de “igreja velha”, mal comportava a multidão de fiéis que se
reunia para ouvir as pregações do Conselheiro. Para melhor acolhê-los, foi construída a
“igreja nova”, às custas de doações recolhidas por fiéis espalhados em todo estado da
Bahia.
• Negros, muitos deles ex-escravos, eram maioria entre os moradores de Belo Monte. A
população negra era tão numerosa que já se disse que Canudos foi o nosso último
quilombo. Também havia um grande número de índios Kaimbé e Kiriri.
GUERRA DE CANUDOS
• No dia 6 de novembro de 1896 partiu de Salvador a primeira
expedição militar contra Canudos, composta de cento e treze
soldados. A essa investida se somariam mais duas, sem que os
seguidores de Conselheiro fossem vencidos. Durante um ano a
população de Canudos enfrentou mais de dez mil soldados
recrutados em 17 estados brasileiros e organizados em quatro
expedi- ções militares. Até que no dia 5 de outubro os
sertanejos de Belo Monte foram vencidos. Calcula-se que
morreram mais de 25 mil pessoas.
REVOLTA DA VACINA
REVOLTA DA VACINA
• Desde meados do século XIX a febre amarela e a varíola se tornaram
endêmicas no Brasil. Os médicos tentavam identificar as formas de
transmissão e tratamento das doenças que, pouco a pouco, se tornavam o
grande problema de saúde pública do país. Mas as políticas sanitárias não
escaparam da lógica racial que orientava muitas decisões governamentais.
Foi o que se notou, por exemplo, em relação ao controle da febre amarela.
Entre 1850 e 1904, essa doença vitimou no Rio de Janeiro principalmente a
popula- ção branca, em especial imigrantes estrangeiros. Essa grande
incidência de estrangeiros acometidos com a febre amarela desencorajava a
imigração européia. Por isso acabar com ela virou prioridade dos
sanitaristas. Já a tuberculose, que fazia mais mortes entre os negros, não
teve a mesma atenção.
REVOLTA DA VACINA
• Os médicos higienistas estavam crentes de que
eram nas habitações coletivas de gente negra e
pobre, mais precisamente nos cortiços do centro
da cidade, que as epidemias surgiam e se
disseminavam. A estrutura das casas e as
supostas propensões dos moradores a uma vida
viciosa e anti-higiênica lhes pareciam sérias
ameaças à saúde pública.
REVOLTA DA VACINA
• Sob o comando de Horácio José da Silva, mais conhecido como Prata
Preta, os rebeldes protagonizaram os últimos confrontos com o
Exército justamente na Saúde. Prata Preta era um negro que sempre
estava às voltas com a polícia. Ao ser preso na tarde do dia 16 de
novembro, depois de matar um soldado do Exército e ferir dois
policiais, ele trazia consigo dois revólveres, uma navalha e uma faca.
Junto com ele foram presos mais alguns dos envolvidos nos conflitos
na Saúde: Bombacha, Chico da Baiana, Valente e Manduca Pivete.
Embora estivessem lutando por sua cidadania, todos eles foram
identificados pela polícia como desordeiros, violentos e amantes da
baderna. Ao fim da revolta popular, um saldo desastroso: vinte três
mortos, quase mil presos e muitos feridos nos confrontos, além
daqueles submetidos a torturas na ilha das Cobras e outros tantos
deportados para o Acre.
REVOLTA DA VACINA
• Na perspectiva dessa população, o contágio da varíola tinha razões
sobrenaturais, e a cura exigia procedimentos religiosos. Para tanto,
pressupunha-se a intermediação de um curandeiro e o cumprimento dos
rituais, em geral, devidos a Omolu, divindade iorubana da varíola. Rezam as
tradições religiosas afro-brasileiras que pertence a ele o poder de espalhar e
exterminar doenças.
• Pode-se imaginar que não deve ter sido difícil encontrar entre os revoltosos
contra a vacina quem julgasse ser a doença assunto exclusivo para
iniciados nas religiões afro-brasileiras. A intervenção do médico lhes parecia
desnecessária e até ilegítima. Assim, reafirmava-se a importância das
tradições culturais em detrimento das considerações da ciência. Explicando
mais um pouco, podemos dizer que, ao legitimar o poder das práticas
religiosas afrobrasileiras no controle das epidemias, os adeptos acabavam
por desacreditar a medicina e os recursos dos sanitaristas.
Leis
emancipatórias
Ventre livre
Crianças e direitos
civis
Eusébio de
Queiróz
Tráfico de
escravizados
7 de novembro de
1831
Todos os escravos
que entrassem no
país seriam livres
Lei dos
sexagenários
+ de 60 anos
Lei Áurea Abolição
CONTRIBUIÇÕES
• Foram os africanos e seus descendentes, juntamente
com os indígenas que desbravaram matas, ergueram
cidades e portos, atravessaram rios, abriram estradas
que conduziam aos locais mais remotos do território.
• A mineração do ferro no Brasil foi aprendida dos
africanos. Com eles a lingua portuguesa não apenas
incorporou novas palavras, como ganhou maior
espontaniedade e leveza.
• O tráfico escravizou africanos e africanizou o Brasil.
• “Quando acreditamos que o Brasil foi feito de negros, brancos e índios,
estamos aceitando sem muita crítica a ideia de que esses contingentes
humanos se encontraram de modo espontâneo,numa espécie de carnaval
social e biológico. Mas nada disso é verdade. O fato contundente de nossa
história é que somos um país feito por portugueses brancos e aristocráticos, um
sociedade hierarquizada e que foi formada dentro de um quadro rígido de
valores discriminatórios. Os portugueses já tinham uma legislação
discriminatória contra judeus, mouros e negros, muito antes de terem chegado
ao Brasil; e quando aqui chegaram apenas ampliaram essas formas de
preconceito. A mistura de raças foi um modo de esconder a profunda injustiça
social [....]. É mai fácil dizer que o Brasil foi formado por um triângulo de raças
[...]do que assumir que somos uma sociedade, que opera por meio de
gradações e que, por isso mesmo, pode admitir entre o branco superior e o
negro inferior, uma série de critérios de classificação.” Roberto DaMatta
ARTE AFRO - BRASILEIRA
• Baseada nas histórias, crenças, lendas e na filosofia africana.
• Basicamente feito com elementos da Natureza.
Máscara de Madeira Igbo-Ukwu: arte africana em bronze
MÚSICA
• Alfredo da Rocha Viana Júnior, o Pixinguinha, foi um dos
grandes nomes do choro e valsa na cena musical da sua
época. Esse carioca começou a carreira de músico aos quinze
anos, tocando em festas familiares que reuniam chorões e
sambistas. Na década de 1920 ele passou a fazer parte do
conjunto Os Oito Batutas e a tocar em grandes festas e salões
fora das favelas. Segundo o próprio Pixinguinha ele foi um dos
primeiros negros a tocar na rádio Sociedade, em 1924. Até
então aos músicos negros não era permitido sequer tocar nas
orquestras que entretiam o público nas ante-salas dos cinemas
elegantes.
CAPOEIRA
• Foi na década de 1930 que teve curso algo fundamental para a popularização e a descriminalizaç
ão da capoeira: a criação da capoeira regional na Bahia pelo mestre Bimba. Em Salvador já eram
famosas as rodas de capoeiras da rampa do Mercado Modelo, na zona portuária, nas festas em
homenagem a Nossa Senhora da Conceição e Santa Luzia. A capoeira regional trouxe mudanças
no jogo da capoeira que a destituía do estigma de desordem, de luta exclusiva dos valentões, e a
colocava no patamar de prática desportiva.
CAPOERIA
• Na década de 1930 que a prática de esportes começou a ser a
principal recomendação para a saúde. As competições de futebol,
atletismo e boxe atraíam e empolgavam a um público cada vez
maior. O mestre Bimba reinventou o jogo da capoeira incorporando
golpes das lutas marciais que faziam sucesso na época, sem
dissociá-la de suas raízes negras. Ao mesmo tempo ele promoveu a
inclusão de jovens brancos nos grupos de capoeira regional. Em
1933, veio o reconhecimento oficial como prática desportiva e a sua
inclusão entre as práticas do pugilismo, tal qual o boxe e o jiu-jitsu.
Estava em curso o processo de descriminalização da capoeira, que
foi conquistando a condição de luta genuinamente brasileira.
FUTEBOL
• Até a década de 1930, jogadores negros
não eram admitidos nos times de primeira
divisão do campeonato paulista. No
entanto havia campeonatos de clubes
negros concorridos que aconteciam nos
campos de várzea do Bom Retiro. O
futebol era então um fator de coesão da
comunidade negra. Foi a partir de um time
de futebol que se organizou o bloco
carnavalesco Vai Vai, em 1930.
TAMBOR DE CRIOULA
• O tambor de crioula é uma dança própria do Maranhão,
na qual os tambores são acompanhados por versos de
improviso. É o som dos tambores que se ouve em
festas públicas. Aos homens cabe cantar e tocar três
tambores de madeira de tamanhos diferentes,
enquanto as mulheres dançam. Conta-se no Maranhão
que São Benedito gosta de tambor de crioula e por
isso muitas promessas ao santo são pagas com uma
festa de tambor de crioula
CARNAVAL
• No Rio de Janeiro, por volta de 1928, surgiram as primeiras
organizações de sambistas no Estácio, nos morros da favela,
no centro da cidade e na Mangueira. As escolas de samba, no
início, eram agremiações com fins festivos e assistenciais e aos
poucos conquistaram espaço na indústria do entretenimento
celebrando temas nacionais. À estrutura dramática dos
enredos, personagens, estandarte e alas, já definidas pelos
ranchos, foi acrescida a novidade rítmica do samba, das
coreografias e da exaltação à nação brasileira. A beleza e o
exotismo nacional passaram a fazer parte do repertório dos
sambistas.
CARNAVAL
• Do Estácio de Sá, bairro situado entre os rios Comprido e o
Catumbi, as agremiações carnavalescas ganharam o morro de
São Carlos, as encostas da Saúde, Salgueiro, Mangueira. Ao
mesmo tempo, as escolas de samba foram oficializadas como
principais atrações do carnaval carioca. A partir de 1932 coube
a cada agremiação a escolha de tema e o enredo, para que
pudessem concorrer às subvenções e prêmios pagos pela
prefeitura. Àquela altura o Carnaval já era a grande festa
nacional, a mais autêntica representação de brasilidade, sem
que isto significasse a inclusão da população negra na
categoria de cidadãos.
Da Esquerda para direita: Viola, Médio
e Gunga(ou Berra-Boi)
Tambores
Moqueca
Vatapá
Feijoada
QUESTÕES DO ENEM
E PAS 2015
•Resposta: B
COMENTÁRIOS DA QUESTÃO
• De acordo com o professor Eduardo Calbucci, supervisor de português e redação do
Anglo, o Enem gosta de trabalhar com gêneros variados e um deles é a canção popular
brasileira. "Ontem, teve Toquinho e Vinícius, Chico Buarque e uma terceira baseada em
canção, nessa do Pixinguinha com Gastão Viana. Tão importante quanto ler a questão, é
tentar entender o que ela significa", apontou o professor.
• "Ao fazer uso do iorubá na composição do autor, o aluno deve tentar entender por que
isso foi citado. O que faria o Gastão Viana e o Pixinguinha usarem termos em iorubá.
Poxa, se pensarmos na origem do samba e do choro, está muito ligada à cultura negra e
aos morros do Rio de Janeiro. É um tom de homenagem. As palavras foram incorporadas
em tom de homenagem. A resposta que a banca esperava é a letra B", comentou.
• "Nos últimos anos, apareceu Noel Rosa, por exemplo. Os alunos não precisam conhecer
a música de antemão. Mas quem tem repertório maior já sai mais À frente, o aluno que
tem repertório cultural maior resolve com mais facilidade. Isso é uma vantagem em
relação ao tempo."
•
•Resposta: B
COMENTÁRIOS DA QUESTÃO
• De acordo com o professor Eduardo Calbucci, supervisor de português e redação do Anglo, a
alternativa indicada é a letra B. "Quando a gente pensa na cultura hip hop, pensa na música,
no grafite e em formas de dança. O interessante da questão é que ela dialoga com uma das
competências ligadas à educação física. Porque é uma pergunta a respeito do significado de
um tipo de dança, que pressupõe movimentos corporais", explicou.
•
• "Aconteciam as batalhas de break. Era caracterizado pela improvisação. Tinha uma simbologia
importante porque nos guetos era comum ter violência física. E aí se criou um embate entre
grupos diferentes, mas através da cultura. São movimentos improvisados. Olhando as opções
de resposta, pensando nesse universo da cultura urbana, “improvisado” parece ser a melhor
forma de entender o break. É uma questão que fala de diversidade cultural, especificamente de
cultura negra."
•
• "É uma questão que fala de diversidade cultural, especificamente de cultura negra, incorpora
diversidade, dialoga com educação física. Fala do corpo como produtor de significados e de
sentidos."
•Resposta: E
• De acordo com o professor Eduardo Calbucci, supervisor de português e redação
do Anglo, a alternativa indicada é a letra E. "Questão de história do Brasil, deu
muita discussão entre os colegas historiadores, então fico imaginando que é uma
questão que trouxe dificuldades aos alunos. Se professores em conjunto, sem
limite de tempo, com acesso a obras, têm dificuldade em marcar no gabarito,
imagine o aluno, em 3 minutos", afirmou o professor.
• "A verdade é que já havia muitos negros alforriados. Era difícil distinguir os
escravos dos alforriados. Não havia mais a ideia de quem, por ser negro, seria
escravo. Eles querem dizer eu o texto I acrescenta um dado ao texto 2. O texto 1
diz que a importância da lei áurea não deve ser só mensurada pelos números. O
texto termina falando sobre o impacto que a extinção da escravidão causou na
sociedade. Ou seja: independentemente de quantos negros foram libertos, existe
uma importância
•Resposta: D
•Resposta: B
•Resposta: E
•Resposta: E
•Resposta: C
GABARITO
• 48 - C
• 49 – E
• 50 – E
• 51 – E
• 52 – B
• 53 - C
GABARITO
• 94 – C
• 95 - 162
Redação do
PAS - 2015
Meninas negras não brincam bonecas pretas! Pretas!
Tô cansada do embranquecimento do Brasil
Preconceito racismo como nunca se viu
Meninas negras não brincam com bonecas pretas
Foi a Barbie que carreguei até a minha adolescência
Porque não posso andar no estilo da minha raiz
Sempre riam do meu cabelo e do meu nariz
Na novela sou empregada
Da globo sou escrava
Não me dão oportunidade aqui pra nada
Sou revolucionária negra consciente
Não uso corpo, eu não me mostro eu uso a mente
Só afro descendente você vai ter que me aceitar assim
Cabelo enraizado é bom pra mim
Patrão puto que não me contrata na sua empresa
Porque não tenho olho claro, ele não me aceita
Eu entro no seu comércio
Eu gasto, eu consumo
Ai você me aceita
Isso é um absurdo
Dinheiro não tem cor, mais pra trabalhar tem
Há muitos negros vencedores
Eu digo amém
Negra mudando de cor não é normal
Pra poder ser aceita no país do real
Não troco minha raça
Por nada essa é minha casa
Mais uma negra militante mostrando a cara
Branco correndo tá atrasado
Preto correndo tá armado
E é tiro da policia para todos os lados
Genocídio cresce no meu povo negro
Porque temos que morrer
Só porque somos pretos
Policia racista, raça do diabo
Estão nas ruas correndo
Pra todos os lado
Com sangue no olho, em desespero
Pego o negro estudante e fala que é suspeito
20 de novembro, não nasceu por acaso
Zumbi Palmares lutou e foi executado
Teve sua cabeça cortada, salgada e espetada
Num poste em Recife na luta pela causa
Sou quilombola, descendente do guerreiro Zumbi
Não é você sistema opressor, que vai me impedir de sorrir
FALSA ABOLIÇÃO
TARJA-PRETA
13 de maio a Falsa Abolição, dos escravos
A princesinha nos livrou e nos condenou
O sistema fez ela passar como adoradora
Não nos deu educação e nem informação
Lei do sexagenário ai foi tiração
Libertaram os negros velhos, sem nenhuma condição
Lei do Ventre livre ou do condenado
Pequenos negros sem pai, para todos os lados
Na escola não aprendi
Aprendi na escola da vida
Estudei me informando atrás de sabedoria
Nossa cultura esquecida
Apagada e queimada
Na escola nunca ouvir
Falar de Dandara
Somos obrigados aprender o que é de fora
Europa Oriente, essa cultura não é nossa
Discriminam as religiões afro brasileiras
Falando que é do diabo
Que é coisa feia
Mais temos que se mexer para acreditar
Pra obter conquista é preciso reivindicar
Meninas negras
Não brincam com bonecas (refrão
Somos todos iguais
Porque você me rejeita
Dominam os meus pensamentos
Como grande líder negro
Eu não espero e vou a luta
De tudo o que quero
Sou puro sangue envenenado
Corpo mente e alma
Não tenho medo de nada
Brasil é minha casa
Honro minha raiz
Luto pela minha cor
Tudo o que busco é por nós
E faço com amor
Cabelo pixa-in, da pele preta
Aparência não me rebaixa, porque amo ser negra
Sou mais uma guerreira que como Dandara
Quero conhecer o meu passado
E família na África
Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela
Gonzaga de Bragança
? Que se fez de boazinha aquela cretina?
Assinou abolição, sem nos dar esperança
FALSA ABOLIÇÃO
TARJA-PRETA
Que lutou subiu, quem não lutou ainda espera
Quilombos formados
Hoje codinome favela
Algemas minhas verdades
Ninguém é dono dela
Queimar arquivos não consolam os negros dessa terra
A porcentagem não sei, por isso não citarei
A grande parte dos carentes são negros eu sei
Rei de quilombos que foram no passado
De sua terra natal, foram arrancados
Agora tentam esconder com cotas de igualdades
Se a maior parte do preconceito
Está na faculdade
Eu não consigo me ver tomando chibatada
Roupa rasgada na mata violentada
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Mistura de raça camufla a História da nação
Algemas no punho e nos pensamentos
Ainda somos escravos mesmo não querendo
A luta continua só você não ver
Abra os olhos que ninguém abrirá pra você
Olha lá, olha lá
Mais um navio negreiro
Mais mão de obra de graça
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Será que a história da época
Era a mesma de hoje
Promessas de empregos
Que iludem a cabeça dos negros
Muitos morreram antes da liberdade sonhada
Gotas de sangue escorriam do couro da chibata
Lágrimas derramadas pra muitos foram piadas
Soltos das correntes
Sem poder voltar pra casa
Meninas negras
Não brincam com bonecas bonecas pretas (refrão)
Somos todos iguais
Porque você me rejeita?
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O papel do negro na formação da sociedade brasileira

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O papel do negro na formação da sociedade brasileira

  • 1. O NEGRO NA FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA Dandara Baçã
  • 2.
  • 3. HISTÓRIA • A história do negro não teve inicio com o tráfico de escravos. É uma história bem antiga, anterior à escravidão nas Américas. • Na África havia impérios poderosos como o Mali, reinos bem consolidados como o Kongo, prósperos como o Egito, mas também pequenas aldeias agrupadas por laços de descendência ou linhagem.
  • 4.
  • 5. ESCRAVIZAÇÃO • Doméstica - após a guerra os vitoriosos faziam escravos entre os vencidos. Aprisionavam para utilizar a força de trabalho na agricultura de pequena escala. • Punitiva - condenados por roubo, assassinato, feitiçaria, e às vezes adultério. • Civil - penhora e rapto individual, a troca e a compra
  • 6. ESCRAVIZAÇÃO • Em algumas sociedades, a exemplo do povo Sena de Moçambique, a escravização também era uma estratégia de sobrevivência quando a fome e a seca. se faziam desastrosas. A venda ou troca de um indivíduo por comida era uma forma de manter o grupo.
  • 7. ESCRAVIZAÇÃO ÁRABE • Desde que os árabes ocuparam o Egito e o norte da África, entre o fim do século VII e metade do século VIII, a escravidão doméstica, de pequena escala, passou a conviver com o comércio mais intenso de escravos. A escravidão africana foi transformada significamente com a ofensiva dos mulçumanos. Os árabes organizaram e desenvolveram o tráfico de escravos como empreendimento comercial de grande escala na África.
  • 8. ESCRAVIZAÇÃO ÁRABE • O Corão não condenava o cativeiro. Para os seguidores do profeta Maomé, a escravização era uma espécie de missão religiosa. O infiel, ao ser escravizado, "ganhava" a oportunidade de conversão e, depois de devidamente instruído nos preceitos islâmicos, tinha direito de voltar a ser livre.
  • 9. JINGA OU NZINGA MBANDI • Jinga ou Nzinga Mbandi (1581-1663) foi a rainha que durante treze anos lutou contra os portugueses em Angola. Em 1621, a rainha Jinga de Mutamba, seguida por uma vistosa comitiva, propôs uma aliança aos portugueses. Em troca da paz aceitou certas condições, inclusive a conversão ao catolicismo. Ela foi batizada com o nome de Dona Ana de Souza, na igreja matriz de Luanda, em 1622, mas não aceitou pagar tributos como exigiam os lusitanos. No ano seguinte, empreendeu outra guerra contra os portugueses e mandou uma embaixada ao Papa Alexandre VII pedindo o reconhecimento do seu reino. Esquecendo o padroado, o papa enviou-lhe uma carta com orientações para que seu reino fosse cristão, junto com vários missionários capuchinhos italianos. Mas a rainha foi derrotada à frente de suas tropas, e suas duas irmãs, as princesas Cambe e Funge, foram levadas para Luanda e batizadas com os nomes de Bárbara e Engrácia. Quando, em 1641, os holandeses saíram do norte do Brasil e ocuparam Luanda, Jinga aliou- se a eles contra os portugueses. Mas em 1648, Salvador Correa de Sá retomou Luanda dos holandeses, com uma armada saída do Rio de Janeiro. A rainha Jinga morreu em 17 de dezembro de 1663, quando teria cerca de 80 anos. A memória dos cortejos e lutas das suas tropas continua presente nos congados brasileiros.
  • 10. ESCRAVIZAÇÃO CRISTÃ • O tráfico africano era um negócio complexo que envolvia a participação e cooperação de uma cadeia extensa de participantes especializados, que incluía chefes políticos, grandes e pequenos comerciantes africanos. • Angola, desde fins do século XVI até a primeira metade do século XVIII, foi o maior fornecedor de escravizados para as Américas portuguesas e espanhola.Entre 1575 e 1591,foram embarcados da região de Angola mais de 52 mil africanos para o Brasil.
  • 11. • Nenhuma comunidade indígena se firmou como fornecedora regular de cativos, o que dificultou a formação de redes comerciais que pudessem atender à demanda crescente de mão-de-obra • O padre Antonio Vieira considerava o tráfico um "grande milagre" de Nossa Senhora do Rosário, pois retirados da África, os negros teriam chance de salvação da alma no Brasil católico.
  • 12. • Relato de Mahommah G. Baquaqua sobre o interior de um navio negreiro: “Fomos arremessados, nus, porão adentro, os homens apinhados de um lado e as mulheres do outro. O porão era baixo que não podíamos ficar em pé, éramos obrigados a nos agachar ou a sentar no chão. Noite e dia eram iguais para nós, o sono nos sendo negado devido ao confinamento de nossos corpos. Ficamos desesperados com o sofrimento e a fadiga.Oh! A repugnância e a imundície daquele lugar horrível nunca serão apagadas de minha memória. Não: enquanto a memória mantiver seu posto nesse cérebro distraído, lembrarei daquilo. Meu coração até hoje adoece ao pensar nisto.” • O africano Mahommah G. Baquaqua viveu a experiência do tráfico e a relatou em um livro publicado em 1854: “Quando estávamos prontos para embarcar, fomos acorrentados uns aos outros e amarrados com cordas pelo pescoço e assim arrastados para a beira do mar. O navio estava a alguma distância da praia. Nunca havia visto um navio antes e pensei que fosse algum objeto de adoração do homem branco. Imaginei que serí- amos todos massacrados e que estávamos sendo conduzidos para lá com essa intenção. Temia por minha segurança e o desalento se apossou quase inteiramente de mim.Uma espécie de festa foi realizada em terra firme naquele dia. Aqueles que remaram os barcos foram fartamente regalados com uísque e, aos escravos, serviam arroz e outras coisas gostosas em abundância. Não estava ciente de que esta seria minha última festa na África. Não sabia do meu destino. Feliz de mim que não sabia. Sabia apenas que era um escravo, acorrentado pelo pescoço, e devia submeter-me prontamente e de boa vontade, acontecesse o que acontecesse. Isso era tudo quanto eu achava que tinha o direito de saber.” NAVIO NEGREIRO
  • 13. • os africanos eram conduzidos aos navios negreiros, também chamados de tumbeiros. Antes de entrar nas embarcações, eles eram marcados a ferro quente no peito ou nas costas com os sinais que identificavam a que traficante pertenciam, uma vez que em cada barco viajavam escravizados pertencentes a diferentes donos. No interior das embarcações, por segurança, os cativos eram postos a ferros até que não se avistasse mais a costa africana. As condições das embarcações eram precárias porque, para garantir alta rentabilidade, os capitães só zarpavam da África com número máximo de passageiros. O número de cativos embarcados em cada navio dependia da capacidade de suas instalações. Nos séculos XVI e XVII, uma caravela portuguesa era capaz de transportar cerca de 500 cativos e um pequeno bergantim podia transportar até 200. No século XIX, os traficantes utilizaram os navios a vapor, o que reduziu o tempo das viagens. Nos últimos anos do tráfico, a média de escravos transportados por navio era de 350. NAVIO NEGREIRO
  • 14. NAVIO NEGREIRO • Pode-se imputar as mortes a bordo a fatores como escassez de alimentos e água, maus-tratos, superlotação e até mesmo ao terror da experiência vivida, que debilitava física e mentalmente os africanos. Além disso, o tráfico colocava os africanos em contato com doenças para eles desconhecidas e para as quais ainda não haviam criado defesas suficientes. Ao colocar em contato povos de diversas regiões da África e mais tripulações brasileiras e européias, os navios negreiros funcionavam como verdadeiros misturadores de enfermidades típicas de cada continente. Em caso de contagio de febre amarela, tifo ou varíola era grande o número de mortes não apenas entre os cativos, mas também entre a tripulação. Havia ainda a morte provocada por suicídio e não foram poucos os cativos que puseram fim à existência precipitando-se no mar. Mesmo considerando o alto índice de mortalidade, o trá- fico era um negócio bastante lucrativo.
  • 15. • “Ah! Como doía nas costas o chicote do homem que mandava nos negros. De manhã se subia para ver o sol. Todos estavam nus e fedia o buraco onde tinham que dormir. Mas de noite ouvia um rumor de bater de asas. Asas brancas que voavam para cima dela. Era o vôo das almas que não podiam voar para o céu. Todas as noites elas vinham bater pelas janelas do barco. Elas só podiam voar para o céu, saindo da terra. Os corpos dos que eram lançados na profundeza do mar não davam almas nem para o céu nem para o inferno [...]. De noite ainda vejo os pássaros grandes em cima do telhado do quarto. As almas ainda não me abandonaram.” NAVIO NEGREIRO
  • 16. OS AFRO - BRASILEIROS • Sem participação dos africanos dificilmente os portugueses co nseguiriam ocupar as terras descobertas no processo de expan são marítima. No século XVI, não havia população suficiente e m Portugal para levar à frente a ocupação da colônia. Capoeira – Expressão Artística Afro Brasileira – Arte Marcial Algumas Esculturas Africanas
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  • 18.
  • 19. RESISTÊNCIA • As sociedades escravistas nas Américas foram marcadas pela rebeldia escrava. Onde quer que o trabalho escravo tenha existido, senhores e governantes foram regularmente surpreendidos com a resistência escrava. • Fugir sempre fazia parte dos planos dos escravizados - fugas reinvindicatórias
  • 20. RESISTÊNCIA • Sabotagem era uma forma de resistência, sabotavam a produção, fingir doenças, envenenar as pessoas da casa grande, desobedecer sistematicamente, negociar sua venda para outro senhor que mais lhe agradasse. • Quilombos - exploravam minas, cultivavam alimentos, mas também podiam ameaçar viajantes, controlar a entrada e saída de pessoas e mercadorias nas vilas e roubar comboios transportando ouro.
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  • 22.
  • 23. RESISTÊNCIA • Os xavantes e caiapós de Goiás destruíram mais quilombos do que as expedições dos bandeirantes. Houve um tempo no inicio do seculo XVIII, em que os xavantes consideravam todos os negros livres ou escravos como inimigos. Foi uma força majoritariamente formada por índios que destruiu Palmares em 1649.
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  • 25. PALMARES • Palmares foi uma comunidade quilombola que, no século XVII, ocupava a Serra da Barriga. Essa região se estendia do rio São Francisco, em Alagoas, até as vizinhanças do cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Tratava-se de um terreno acidentado e de difícil acesso, coberto de espessa mata tropical que incluía a pindoba, um tipo de palmeira, daí o nome Palmares. Se a vegetação dificultava o deslocamento dos caçadores de escravos fugidos, chamados capitães-do-mato ou capitães-de-assalto, e a abundância de árvores frutíferas, caça, pesca e água potável facilitava a sobrevivência dos quilombolas, também exigia dos moradores habilidade para enfrentar os perigos e as dificuldades da vida na floresta. O mesmo ecossistema que os protegia também os ameaçava.
  • 26. PALMARES • Calcula-se que em meados do século XVII viviam em Palmares cerca de onze mil pessoas. A maior autoridade era o rei, Ganga Zumba, e depois Zumbi, que governava auxiliado por chefes distribuídos em diferentes mocambos. Os homens, que eram a maioria, se ocupavam da agricultura. Já a organização e supervisão dos trabalhos cabiam às mulheres. O excedente da produção era entregue pelas famílias aos chefes dos mocambos para que fosse armazenado para época de secas, pragas e ataques, ou negociado com os comerciantes das redondezas.
  • 27. LUTAS NEGRAS • Conjuração baiana ou revolta dos alfaiates ou revolta dos búzios (1798) • Balaiada (1830-1841) • Cabanagem (1833-1840) • Revolta dos malês (1835) • Sabinada (1837-1838) • Guerra de Canudos (1893-1897) • Guerra faroupilha (1835-1845) • Revolta da vacina (1904) • Revolta da chibata (1910)
  • 28. REVOLTAS ESCRAVAS • Alguns levantes, talvez a maioria deles, não passaram da fase da conspiração. Em 1807, por exemplo, Salvador foi palco de uma conspiração planejada para o dia 28 de maio, durante as comemorações de Corpus Christi. Naquela noite, depois da festa, os rebeldes pretendiam incendiar a Casa da Alfândega e uma igreja. Instaurada a confusão, os escravos empossariam seu próprio governador, convocariam outros negros, eliminariam os brancos por envenenamento e queimariam as imagens católicas numa grande fogueira no meio da praça. Em seguida, uma força rumaria para Pernambuco, onde também havia uma numerosa população escrava, e lá se juntaria a outros escravos para formar um reino independente no interior.
  • 29. REVOLTAS ESCRAVAS • Em 1846 as autoridades da província de Pernambuco desarticularam uma sociedade secreta de negros acusada de tramar uma insurreição escrava na cidade do Recife. • O líder, chamado de Divino Mestre por cerca de trezentos seguidores, era o crioulo Agostinho José Pereira. • A seita considerava que a Bíblia já anunciava o fim da escravidão, cobrava dízimos dos fiéis e dizia que os santos católicos eram apenas estátuas. Apesar da afronta que a crença do Divino Mestre representava para a Igreja católica, o que mais assustou as autoridades policiais foram os versos, que falavam da revolução no Haiti, encontrados na casa de um dos seus discípulos. Nos versos a expressão moreno é usada, tudo indica, para significar o conjunto dos afro-descendentes.
  • 30. GUERRA DE CANUDOS • Canudos foi um povoado no sertão da Bahia, numa região de caatinga cercada por morros e à beira do rio Vaza-Barris. Antô- nio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro, chegou ao vilarejo em 1893 com algumas centenas de fiéis e logo passou a chamar o lugar de Belo Monte. Segundo a descrição de Euclides da Cunha, Conselheiro era uma figura de cabelos crescidos até os ombros, barba longa, face encaveirada e olhar fulgurante. Sob a liderança do Conselheiro, o vilarejo passou a crescer num ritmo acelerado, com as levas de seguidores que lá chegavam para viver. A igreja de Santo Antônio, também chamada de “igreja velha”, mal comportava a multidão de fiéis que se reunia para ouvir as pregações do Conselheiro. Para melhor acolhê-los, foi construída a “igreja nova”, às custas de doações recolhidas por fiéis espalhados em todo estado da Bahia. • Negros, muitos deles ex-escravos, eram maioria entre os moradores de Belo Monte. A população negra era tão numerosa que já se disse que Canudos foi o nosso último quilombo. Também havia um grande número de índios Kaimbé e Kiriri.
  • 31.
  • 32. GUERRA DE CANUDOS • No dia 6 de novembro de 1896 partiu de Salvador a primeira expedição militar contra Canudos, composta de cento e treze soldados. A essa investida se somariam mais duas, sem que os seguidores de Conselheiro fossem vencidos. Durante um ano a população de Canudos enfrentou mais de dez mil soldados recrutados em 17 estados brasileiros e organizados em quatro expedi- ções militares. Até que no dia 5 de outubro os sertanejos de Belo Monte foram vencidos. Calcula-se que morreram mais de 25 mil pessoas.
  • 33.
  • 35. REVOLTA DA VACINA • Desde meados do século XIX a febre amarela e a varíola se tornaram endêmicas no Brasil. Os médicos tentavam identificar as formas de transmissão e tratamento das doenças que, pouco a pouco, se tornavam o grande problema de saúde pública do país. Mas as políticas sanitárias não escaparam da lógica racial que orientava muitas decisões governamentais. Foi o que se notou, por exemplo, em relação ao controle da febre amarela. Entre 1850 e 1904, essa doença vitimou no Rio de Janeiro principalmente a popula- ção branca, em especial imigrantes estrangeiros. Essa grande incidência de estrangeiros acometidos com a febre amarela desencorajava a imigração européia. Por isso acabar com ela virou prioridade dos sanitaristas. Já a tuberculose, que fazia mais mortes entre os negros, não teve a mesma atenção.
  • 36. REVOLTA DA VACINA • Os médicos higienistas estavam crentes de que eram nas habitações coletivas de gente negra e pobre, mais precisamente nos cortiços do centro da cidade, que as epidemias surgiam e se disseminavam. A estrutura das casas e as supostas propensões dos moradores a uma vida viciosa e anti-higiênica lhes pareciam sérias ameaças à saúde pública.
  • 37. REVOLTA DA VACINA • Sob o comando de Horácio José da Silva, mais conhecido como Prata Preta, os rebeldes protagonizaram os últimos confrontos com o Exército justamente na Saúde. Prata Preta era um negro que sempre estava às voltas com a polícia. Ao ser preso na tarde do dia 16 de novembro, depois de matar um soldado do Exército e ferir dois policiais, ele trazia consigo dois revólveres, uma navalha e uma faca. Junto com ele foram presos mais alguns dos envolvidos nos conflitos na Saúde: Bombacha, Chico da Baiana, Valente e Manduca Pivete. Embora estivessem lutando por sua cidadania, todos eles foram identificados pela polícia como desordeiros, violentos e amantes da baderna. Ao fim da revolta popular, um saldo desastroso: vinte três mortos, quase mil presos e muitos feridos nos confrontos, além daqueles submetidos a torturas na ilha das Cobras e outros tantos deportados para o Acre.
  • 38. REVOLTA DA VACINA • Na perspectiva dessa população, o contágio da varíola tinha razões sobrenaturais, e a cura exigia procedimentos religiosos. Para tanto, pressupunha-se a intermediação de um curandeiro e o cumprimento dos rituais, em geral, devidos a Omolu, divindade iorubana da varíola. Rezam as tradições religiosas afro-brasileiras que pertence a ele o poder de espalhar e exterminar doenças. • Pode-se imaginar que não deve ter sido difícil encontrar entre os revoltosos contra a vacina quem julgasse ser a doença assunto exclusivo para iniciados nas religiões afro-brasileiras. A intervenção do médico lhes parecia desnecessária e até ilegítima. Assim, reafirmava-se a importância das tradições culturais em detrimento das considerações da ciência. Explicando mais um pouco, podemos dizer que, ao legitimar o poder das práticas religiosas afrobrasileiras no controle das epidemias, os adeptos acabavam por desacreditar a medicina e os recursos dos sanitaristas.
  • 39.
  • 40. Leis emancipatórias Ventre livre Crianças e direitos civis Eusébio de Queiróz Tráfico de escravizados 7 de novembro de 1831 Todos os escravos que entrassem no país seriam livres Lei dos sexagenários + de 60 anos Lei Áurea Abolição
  • 41. CONTRIBUIÇÕES • Foram os africanos e seus descendentes, juntamente com os indígenas que desbravaram matas, ergueram cidades e portos, atravessaram rios, abriram estradas que conduziam aos locais mais remotos do território. • A mineração do ferro no Brasil foi aprendida dos africanos. Com eles a lingua portuguesa não apenas incorporou novas palavras, como ganhou maior espontaniedade e leveza. • O tráfico escravizou africanos e africanizou o Brasil.
  • 42.
  • 43. • “Quando acreditamos que o Brasil foi feito de negros, brancos e índios, estamos aceitando sem muita crítica a ideia de que esses contingentes humanos se encontraram de modo espontâneo,numa espécie de carnaval social e biológico. Mas nada disso é verdade. O fato contundente de nossa história é que somos um país feito por portugueses brancos e aristocráticos, um sociedade hierarquizada e que foi formada dentro de um quadro rígido de valores discriminatórios. Os portugueses já tinham uma legislação discriminatória contra judeus, mouros e negros, muito antes de terem chegado ao Brasil; e quando aqui chegaram apenas ampliaram essas formas de preconceito. A mistura de raças foi um modo de esconder a profunda injustiça social [....]. É mai fácil dizer que o Brasil foi formado por um triângulo de raças [...]do que assumir que somos uma sociedade, que opera por meio de gradações e que, por isso mesmo, pode admitir entre o branco superior e o negro inferior, uma série de critérios de classificação.” Roberto DaMatta
  • 44. ARTE AFRO - BRASILEIRA • Baseada nas histórias, crenças, lendas e na filosofia africana. • Basicamente feito com elementos da Natureza. Máscara de Madeira Igbo-Ukwu: arte africana em bronze
  • 45. MÚSICA • Alfredo da Rocha Viana Júnior, o Pixinguinha, foi um dos grandes nomes do choro e valsa na cena musical da sua época. Esse carioca começou a carreira de músico aos quinze anos, tocando em festas familiares que reuniam chorões e sambistas. Na década de 1920 ele passou a fazer parte do conjunto Os Oito Batutas e a tocar em grandes festas e salões fora das favelas. Segundo o próprio Pixinguinha ele foi um dos primeiros negros a tocar na rádio Sociedade, em 1924. Até então aos músicos negros não era permitido sequer tocar nas orquestras que entretiam o público nas ante-salas dos cinemas elegantes.
  • 46. CAPOEIRA • Foi na década de 1930 que teve curso algo fundamental para a popularização e a descriminalizaç ão da capoeira: a criação da capoeira regional na Bahia pelo mestre Bimba. Em Salvador já eram famosas as rodas de capoeiras da rampa do Mercado Modelo, na zona portuária, nas festas em homenagem a Nossa Senhora da Conceição e Santa Luzia. A capoeira regional trouxe mudanças no jogo da capoeira que a destituía do estigma de desordem, de luta exclusiva dos valentões, e a colocava no patamar de prática desportiva.
  • 47. CAPOERIA • Na década de 1930 que a prática de esportes começou a ser a principal recomendação para a saúde. As competições de futebol, atletismo e boxe atraíam e empolgavam a um público cada vez maior. O mestre Bimba reinventou o jogo da capoeira incorporando golpes das lutas marciais que faziam sucesso na época, sem dissociá-la de suas raízes negras. Ao mesmo tempo ele promoveu a inclusão de jovens brancos nos grupos de capoeira regional. Em 1933, veio o reconhecimento oficial como prática desportiva e a sua inclusão entre as práticas do pugilismo, tal qual o boxe e o jiu-jitsu. Estava em curso o processo de descriminalização da capoeira, que foi conquistando a condição de luta genuinamente brasileira.
  • 48.
  • 49. FUTEBOL • Até a década de 1930, jogadores negros não eram admitidos nos times de primeira divisão do campeonato paulista. No entanto havia campeonatos de clubes negros concorridos que aconteciam nos campos de várzea do Bom Retiro. O futebol era então um fator de coesão da comunidade negra. Foi a partir de um time de futebol que se organizou o bloco carnavalesco Vai Vai, em 1930.
  • 50. TAMBOR DE CRIOULA • O tambor de crioula é uma dança própria do Maranhão, na qual os tambores são acompanhados por versos de improviso. É o som dos tambores que se ouve em festas públicas. Aos homens cabe cantar e tocar três tambores de madeira de tamanhos diferentes, enquanto as mulheres dançam. Conta-se no Maranhão que São Benedito gosta de tambor de crioula e por isso muitas promessas ao santo são pagas com uma festa de tambor de crioula
  • 51.
  • 52. CARNAVAL • No Rio de Janeiro, por volta de 1928, surgiram as primeiras organizações de sambistas no Estácio, nos morros da favela, no centro da cidade e na Mangueira. As escolas de samba, no início, eram agremiações com fins festivos e assistenciais e aos poucos conquistaram espaço na indústria do entretenimento celebrando temas nacionais. À estrutura dramática dos enredos, personagens, estandarte e alas, já definidas pelos ranchos, foi acrescida a novidade rítmica do samba, das coreografias e da exaltação à nação brasileira. A beleza e o exotismo nacional passaram a fazer parte do repertório dos sambistas.
  • 53.
  • 54. CARNAVAL • Do Estácio de Sá, bairro situado entre os rios Comprido e o Catumbi, as agremiações carnavalescas ganharam o morro de São Carlos, as encostas da Saúde, Salgueiro, Mangueira. Ao mesmo tempo, as escolas de samba foram oficializadas como principais atrações do carnaval carioca. A partir de 1932 coube a cada agremiação a escolha de tema e o enredo, para que pudessem concorrer às subvenções e prêmios pagos pela prefeitura. Àquela altura o Carnaval já era a grande festa nacional, a mais autêntica representação de brasilidade, sem que isto significasse a inclusão da população negra na categoria de cidadãos.
  • 55. Da Esquerda para direita: Viola, Médio e Gunga(ou Berra-Boi) Tambores
  • 58.
  • 60. COMENTÁRIOS DA QUESTÃO • De acordo com o professor Eduardo Calbucci, supervisor de português e redação do Anglo, o Enem gosta de trabalhar com gêneros variados e um deles é a canção popular brasileira. "Ontem, teve Toquinho e Vinícius, Chico Buarque e uma terceira baseada em canção, nessa do Pixinguinha com Gastão Viana. Tão importante quanto ler a questão, é tentar entender o que ela significa", apontou o professor. • "Ao fazer uso do iorubá na composição do autor, o aluno deve tentar entender por que isso foi citado. O que faria o Gastão Viana e o Pixinguinha usarem termos em iorubá. Poxa, se pensarmos na origem do samba e do choro, está muito ligada à cultura negra e aos morros do Rio de Janeiro. É um tom de homenagem. As palavras foram incorporadas em tom de homenagem. A resposta que a banca esperava é a letra B", comentou. • "Nos últimos anos, apareceu Noel Rosa, por exemplo. Os alunos não precisam conhecer a música de antemão. Mas quem tem repertório maior já sai mais À frente, o aluno que tem repertório cultural maior resolve com mais facilidade. Isso é uma vantagem em relação ao tempo." •
  • 61.
  • 63. COMENTÁRIOS DA QUESTÃO • De acordo com o professor Eduardo Calbucci, supervisor de português e redação do Anglo, a alternativa indicada é a letra B. "Quando a gente pensa na cultura hip hop, pensa na música, no grafite e em formas de dança. O interessante da questão é que ela dialoga com uma das competências ligadas à educação física. Porque é uma pergunta a respeito do significado de um tipo de dança, que pressupõe movimentos corporais", explicou. • • "Aconteciam as batalhas de break. Era caracterizado pela improvisação. Tinha uma simbologia importante porque nos guetos era comum ter violência física. E aí se criou um embate entre grupos diferentes, mas através da cultura. São movimentos improvisados. Olhando as opções de resposta, pensando nesse universo da cultura urbana, “improvisado” parece ser a melhor forma de entender o break. É uma questão que fala de diversidade cultural, especificamente de cultura negra." • • "É uma questão que fala de diversidade cultural, especificamente de cultura negra, incorpora diversidade, dialoga com educação física. Fala do corpo como produtor de significados e de sentidos."
  • 64.
  • 65.
  • 67. • De acordo com o professor Eduardo Calbucci, supervisor de português e redação do Anglo, a alternativa indicada é a letra E. "Questão de história do Brasil, deu muita discussão entre os colegas historiadores, então fico imaginando que é uma questão que trouxe dificuldades aos alunos. Se professores em conjunto, sem limite de tempo, com acesso a obras, têm dificuldade em marcar no gabarito, imagine o aluno, em 3 minutos", afirmou o professor. • "A verdade é que já havia muitos negros alforriados. Era difícil distinguir os escravos dos alforriados. Não havia mais a ideia de quem, por ser negro, seria escravo. Eles querem dizer eu o texto I acrescenta um dado ao texto 2. O texto 1 diz que a importância da lei áurea não deve ser só mensurada pelos números. O texto termina falando sobre o impacto que a extinção da escravidão causou na sociedade. Ou seja: independentemente de quantos negros foram libertos, existe uma importância
  • 68.
  • 70.
  • 72.
  • 74.
  • 76.
  • 78.
  • 79. GABARITO • 48 - C • 49 – E • 50 – E • 51 – E • 52 – B • 53 - C
  • 80.
  • 81. GABARITO • 94 – C • 95 - 162
  • 83. Meninas negras não brincam bonecas pretas! Pretas! Tô cansada do embranquecimento do Brasil Preconceito racismo como nunca se viu Meninas negras não brincam com bonecas pretas Foi a Barbie que carreguei até a minha adolescência Porque não posso andar no estilo da minha raiz Sempre riam do meu cabelo e do meu nariz Na novela sou empregada Da globo sou escrava Não me dão oportunidade aqui pra nada Sou revolucionária negra consciente Não uso corpo, eu não me mostro eu uso a mente Só afro descendente você vai ter que me aceitar assim Cabelo enraizado é bom pra mim Patrão puto que não me contrata na sua empresa Porque não tenho olho claro, ele não me aceita Eu entro no seu comércio Eu gasto, eu consumo Ai você me aceita Isso é um absurdo Dinheiro não tem cor, mais pra trabalhar tem Há muitos negros vencedores Eu digo amém Negra mudando de cor não é normal Pra poder ser aceita no país do real Não troco minha raça Por nada essa é minha casa Mais uma negra militante mostrando a cara Branco correndo tá atrasado Preto correndo tá armado E é tiro da policia para todos os lados Genocídio cresce no meu povo negro Porque temos que morrer Só porque somos pretos Policia racista, raça do diabo Estão nas ruas correndo Pra todos os lado Com sangue no olho, em desespero Pego o negro estudante e fala que é suspeito 20 de novembro, não nasceu por acaso Zumbi Palmares lutou e foi executado Teve sua cabeça cortada, salgada e espetada Num poste em Recife na luta pela causa Sou quilombola, descendente do guerreiro Zumbi Não é você sistema opressor, que vai me impedir de sorrir FALSA ABOLIÇÃO TARJA-PRETA
  • 84. 13 de maio a Falsa Abolição, dos escravos A princesinha nos livrou e nos condenou O sistema fez ela passar como adoradora Não nos deu educação e nem informação Lei do sexagenário ai foi tiração Libertaram os negros velhos, sem nenhuma condição Lei do Ventre livre ou do condenado Pequenos negros sem pai, para todos os lados Na escola não aprendi Aprendi na escola da vida Estudei me informando atrás de sabedoria Nossa cultura esquecida Apagada e queimada Na escola nunca ouvir Falar de Dandara Somos obrigados aprender o que é de fora Europa Oriente, essa cultura não é nossa Discriminam as religiões afro brasileiras Falando que é do diabo Que é coisa feia Mais temos que se mexer para acreditar Pra obter conquista é preciso reivindicar Meninas negras Não brincam com bonecas (refrão Somos todos iguais Porque você me rejeita Dominam os meus pensamentos Como grande líder negro Eu não espero e vou a luta De tudo o que quero Sou puro sangue envenenado Corpo mente e alma Não tenho medo de nada Brasil é minha casa Honro minha raiz Luto pela minha cor Tudo o que busco é por nós E faço com amor Cabelo pixa-in, da pele preta Aparência não me rebaixa, porque amo ser negra Sou mais uma guerreira que como Dandara Quero conhecer o meu passado E família na África Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança ? Que se fez de boazinha aquela cretina? Assinou abolição, sem nos dar esperança FALSA ABOLIÇÃO TARJA-PRETA
  • 85. Que lutou subiu, quem não lutou ainda espera Quilombos formados Hoje codinome favela Algemas minhas verdades Ninguém é dono dela Queimar arquivos não consolam os negros dessa terra A porcentagem não sei, por isso não citarei A grande parte dos carentes são negros eu sei Rei de quilombos que foram no passado De sua terra natal, foram arrancados Agora tentam esconder com cotas de igualdades Se a maior parte do preconceito Está na faculdade Eu não consigo me ver tomando chibatada Roupa rasgada na mata violentada Brasil o primeiro em miscigenação Mistura de raça camufla a História da nação Algemas no punho e nos pensamentos Ainda somos escravos mesmo não querendo A luta continua só você não ver Abra os olhos que ninguém abrirá pra você Olha lá, olha lá Mais um navio negreiro Mais mão de obra de graça Pros canavieiros Será que a história da época Era a mesma de hoje Promessas de empregos Que iludem a cabeça dos negros Muitos morreram antes da liberdade sonhada Gotas de sangue escorriam do couro da chibata Lágrimas derramadas pra muitos foram piadas Soltos das correntes Sem poder voltar pra casa Meninas negras Não brincam com bonecas bonecas pretas (refrão) Somos todos iguais Porque você me rejeita? FALSA ABOLIÇÃO TARJA-PRETA