Livro bibliologia novo testamento

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Livro bibliologia novo testamento

  1. 1. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB242 AULA Nº 5 5. AS CARTAS (EPÍSTOLAS) Introdução às epístolas Iniciamos agora a seção da Epístolas do Novo testamen- to. Todas elas somam 21 espístolas, de Romanos até Judas. Nelas estão contidas as explicações da obra, mensagem e dou- trina de Cristo, ou seja, as epístolas compõem toda estrutura doutrinária de Cristo para a Igreja. Das 21, treze foram escri- tas por Paulo; por isso são camadas de “Cartas Paulinas”. Ele escreveu essas Epístolas às igrejas de Tessalônica, Gálatas, Co- rínto e Roma durante suas viagens missionárias. Quando pri- sioneiro em Roma, escreveu Efésios, Colossenses, Filipenses e Filemon. Por último escreveu as Epístolas a Timóteo e a Tito, denominadas de Epístolas pastorais. Há também as “Epístolas Gerais” que são os escritos nos quais os autores mencionam os destinatários em termos gerais e não relacionado com uma localidade específica. Enquanto as Epístolas são, em geral, para os cristãos, para relatar-lhes como viver a vida cristã, nem todas as instruções se aplicam a qualquer pessoa num dado tempo, por exemplo: Há instruções para novos cristãos ou “meninos em Cristo”. Há instruções para aqueles que vivem em Cristo há mais tempo; para diáconos e anciãos (presbíteros) que se aplicam somente a eles; há instruções para as viúvas da igreja, para as crianças, para os pais, para as mães, para os ministros. Algumas delas são gerais e se aplicam a todos os cristãos, em qualquer lugar e em todos os tempos. 5.1 EPÍSTOLAS PAULINAS 5.1.1 ROMANOS Autor: O apóstolo Paulo.
  2. 2. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB 243 Destinatários: Os cristãos romanos (Rm 1.7). Textos-chave: Romanos 1.16; 5.1. Temas principais: O plano da salvação — a justificação pela fé e a santifi- cação por meio do Espírito Santo são assuntos abordados na epístola. Esse assunto pode ser visto do capítulo 1 a 11. Para esclarecer o propósito de Paulo podemos citar aqui a pergun- ta de dois personagens da Bíblia Sagrada. Um deles é Jó, e o outro o carcereiro de Filipos: Jó perguntou: “... como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9.2); O carcereiro de Filipos perguntou: “... que devo fazer para que seja salvo?” (At 16.30). Esses dois homens deram expressão a uma das mais im- portantes perguntas que se possa fazer: como o homem pode ficar de bem com Deus e ter certeza da sua aprovação? A Epístola aos romanos é uma resposta explicativa, deta- lhada e acima de tudo inspirada a essa pergunta. O tema do livro é claríssimo em Rm 1.16,17: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o po- der de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.” Este texto pode ser anunciado com as seguintes palavras: o evangelho é o poder de Deus para a salvação dos homens, porque demonstra como a posição e a condição dos pecado- res pode ser alterada de tal modo que fiquem reconciliados com Deus. Os capítulos restantes tratam da santificação por meio do Espírito Santo. São assuntos abordados na epístola de exorta-
  3. 3. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB244 ções, principalmente, acerca dos deveres cristãos e vida con- sagrada (caps. 12, 13, 14, 15, 16). Um argumento poderoso O apóstolo prova que o ser humano está rodeado por três barreiras intransponíveis e insuperáveis: a) A barreira da culpabilidade universal (At 1, 2, 3); b) A barreira das tendências pecaminosas e das concu- piscências carnais (At 7:15-24); c) A barreira da eleição soberana de Deus (At 9:7-18); Contudo, em meio ao argumento de que é terrível a situ- ação do homem natural, ele acentua as portas da miseri- córdia divina mediante a provisão do plano de salvação, por meio das quais todos os que desejam podem escapar dos iminentes juízos de Deus. Síntese dos assuntos de Romanos: I. Introdução e tema - Rm 1.1-17; II. Todo mundo é culpado diante de Deus - Rm 1.18-3.20; III. Justificação pela fé em Cristo - Rm 3.21-5.21; IV. Santificação por meio da união com Cristo em Sua morte e ressurreição - Rm 6-8; V. Problema da incredulidade dos judeus _ Rm 9-11; VI. A vida e o serviço cristão para a glória de Deus - Rm 12.1-15.13;
  4. 4. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB 245 VII. Os planos de Paulo - Rm 15.14-33; VIII. Saudações pessoais, advertências e bênçãos - Rm 16.1-27. 5.1.2 I CORÍNTIOS Autor: O apóstolo Paulo. Contexto histórico: A igreja de Corinto foi fundada por Paulo em sua se- gunda viagem missionária (At 18.1-11). Essa igreja havia sido contaminada com os males que a rodeavam, pois Corinto era uma cidade depravada. Os gregos estavam orgulhosos de seus conhecimentos e de sua filosofia, mas ao mesmo tempo, eram muito imorais. Eram especialmente amantes da eloquência (fala elegante e com poder de convencimento e persuasão). A sociedade de Corinto adorava os prazeres, as divisões e cultivavam jogos da força e perícia atlética. Celebravam-se todos os anos os jogos ístmicos, semelhantes aos jogos olím- picos dos nossos dias, jogos estes, nascidos na Grécia anti- ga e praticados em homenagem a Zeus, o deus principal dos gregos. Mas o atletismo não era a maior diversão dos corín- tios! A palavra Coríntos tornou-se sinônimo de prostituição, alcoolismo e vida descontrolada. Até a sua religião apoiava tais práticas. O templo de Afrodite, suposta deusa da beleza e do amor, ficava numa colina de seiscentos metros de altura, ao sul de Corínto. Um historiador informa que mil escravas, chamadas sacerdoti-sas, serviam ali na categoria de prostitu- tas. Todo tipo de pecado era comum e notório na cidade, e a imoralidade reinante nesta sociedade já tinha se infiltrado na igreja de Corínto e Paulo precisava entrar em ação imediata- mente e evitar que a igreja fosse destruída.
  5. 5. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB246 Paulo escreveu para responder as perguntas que os co- ríntios lhe haviam feito, mas ele tinha também outras preocu- pações, que apesar de a igreja possuir muitos dons e conheci- mento (I Co 1.4-7), lhes faltava maturidade e espiritualidade (I Co 3.1-4). Paulo tratou de diversos problemas nesta epístola. Ele soube dessas questões pelo relato dos membros da família de Cloe (I Co 1.1), por rumores generalizados: “Geralmente se ouve que há entre vós” (I Co 5.1). O desejo de purificar a igreja das facções espirituais e da imoralidade foi o que motivou levou Paulo escrever a carta. Tema principal: São vários os assuntos abordados no livro de Coríntios, porém todos podem ser relacionados e resumidos com um tema geral: conduta cristã. Logo na introdução Paulo demonstra o reconhecimento da riqueza de dons e conhecimento que a igreja havia recebi- do de Cristo por intermédio do seu ministério, para em segui- da apresentar os fatos de irregularidades: Reconhecimento: “Sempre dou graças a meu Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus; porque, em tudo, fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento; assim como o tes- temunho de Cristo tem sido confirmado em vós, porque, em tudo, fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento; assim como o testemunho de Cristo tem sido confirmado em vós, de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cris- to, o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irre- preensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Co 1.4-8). Um dos fatos de irregularidades na igreja: “Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós” (I Co 1.11);
  6. 6. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB 247 A Epístola nasceu com o propósito de corrigir desordens que havia surgido na igreja de Corinto e estabelecer aos ir- mãos, um modelo de conduta cristã tirando dúvidas sobre as- suntos tais como: O casamento; e o uso de alimentos sacrifica- dos aos ídolos (I Co 7.1-40; 8.1-13), é ainda notório que Paulo estava muito preocupado com o comportamento e estilo de vida dos irmãos em Corínto (I Co 3.1-9). Não havia proble- mas graves de heresias propriamente ditas, porem a carnali- dade na igreja levou o apóstolo a repreendê-los em diversas áreas. Entre os assuntos abordados por Paulo estão: a) Divisões e partidos dentro da igreja: “Pois a vosso res- peito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo.” (I Co 1, 11,12; ler também 3.4); b) Indiferença da igreja com problemas de um in-cesto: “Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai. E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegas- tes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?” (I Co 5.1-2); c) Litígios entre os irmãos (I Co 6.1-11); d) Dúvidas sobre casamento (I Co 7.1-40); e) Uso de alimentos oferecido aos ídolos (I Co 8.1-13); f) Paulo e sua autoridade apostólica (I Co 9.1.27); g) Orientação para o culto (I Co 11.2- 16); h) Desordem na Ceia do Senhor (I Co 11.17-34); i) Uso dos Dons Espirituais (I Co 12.1-1440); j) A preeminência do amor (I Co 13.1-13); k) Questões da ressurreição do corpo (I Co 15.1-58 e etc.).
  7. 7. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB248 Podemos resumir desta maneira o propósito de Paulo ao escrever a Epístola: • A conduta cristã na igreja, no lar e no mundo. Síntese dos assuntos de I Coríntios: I. Introdução - I Co 1.1-9; II. Divisões na igreja de Coríntios - I Co 1.10- 4.21; III. Repreensão à imoralidade; Disciplina ordenada _ I Co 5.1-6.8; IV. A santidade do corpo; o Casamento cristão - I Co 6.9-7.40; V. Coisas oferecidas aos ídolos; Limitações da liberdade cristã - I Co 8.1-11.1; VI. A ordem cristã e a Ceia do Senhor - I Co 11.2-34; VII. Os Dons Espirituais e o seu uso em amor - I Co 12.1- 14.40; VIII. A ressurreição de Cristo e a nossa - I Co 15; IX. Conclusão: Instruções e Saudações finais - I Co 16. 5.1.3 II CORÍNTIOS Autor: O apóstolo Paulo. Tema principal:
  8. 8. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB 249 Embora não pareça, enquanto Paulo escrevia, a finalida- de era defender seu apostolado, e isso é percebido logo no início da Carta: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus...” (II Co 1.1). Ainda que a maioria das cartas de Paulo fosse escrita com saudação, informações sobre o autor (isto é, Paulo e seu apostolado) e destinatário, sua identificação nesta epístola como “apóstolo de Jesus Cristo” é especialmente importante na carta de II Coríntios, porque os falsos apóstolos estavam opondo-se a ele em Corínto e causando confusão: “Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo em que se gloriam. Porque os tais são falsos após- tolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras”. (II Co 11.12-15). A segunda epístola aos Coríntios é uma das cartas mais pessoais de Paulo, na qual ele fala principalmente de seu mi- nistério e abre o coração, revelando seus motivos, sua paixão espiritual e seu entranhável amor pela igreja: “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas. Pois, em que tendes vós sido inferiores às outras igrejas, a não ser que eu mesmo vos não fui pesado? Perdoai-me este agra- vo. Eis aqui estou pronto para pela terceira vez ir ter convosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso, mas sim a vós: porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos. Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos
  9. 9. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB250 cada vez mais, seja menos amado.” (II Co 12-15). A epístola é mais do que um manual doutrinário ou uma instrução corretiva, é uma defesa pessoal de Paulo frente à situação que se agravou na igreja, isto é, a presença de falsos mestres em Corínto, que punha em dúvida sua autoridade com acusações caluniosas, gerando uma onda de desconfian- ça e pondo em dúvida o seu caráter. Parece que isso indu- ziu alguns membros da igreja a contestar seu apostolado. Foi uma ação que tornou necessária uma reação: “uma defesa do seu ministério e chamado”. Ao fazer essa defesa, foi obrigado relatar evidências ir- resistíveis de sua sinceridade no serviço prestado a Deus e se vê obrigado a compor uma espécie de currículo, por meio do qual se defende das acusações e apresenta suas credenciais como ministro, tanto por seu sofrimento como por suas rea- lizações e experiências (II Co 11.16-33). Ambas as cartas aos coríntios indicam a existência, nessa igreja, de alguém que pretendia desacreditar o ministério e a autoridade de Paulo (Ler I Co 9.1-27). Portanto é nítido que a epístola foi redigida em uma época difícil entre Paulo e os coríntios, época esta, em que os seus opositores, chamados “super apóstolos” (veja II Co caps. 10-13), haviam questio- nado a condição de Paulo como apóstolo e sua autoridade de líder, que respondendo, confirma seu chamado e ministério de apóstolo. A fala vigorosa sobre seu papel de autoridade o fez des- crever um autorretrato que é um dos aspectos mais fascinante da epístola, pois ela contém informações autobiográficas va- liosíssimas. Os principais temas são: a) A gratidão de Paulo para com Deus (II Co1. 3; 5.14); b) Seu ministério em contínuo triunfo em Cristo (II Co 2.14);
  10. 10. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB 251 c) Sua participação da vida ressurreta de Cristo (II Co 4.10-11); d) Ao mesmo tempo, orgulhava-se das fraquezas e con- tentava-se com enfermidades, perseguições e calamida- des por amor a Cristo (II Co 12.9); e) Ministério marcado por integridade e sofrimento (II Co 1.8-12; 6.3-10; 11.23-29), que são sinais de um após- tolo genuíno. Os itens acima pontuados formam o retrato que são as credenciais de um verdadeiro apostolado. Considerando que II Coríntios é a vigorosa defesa pes- soal do ministério apostólico de Paulo, podemos resumir seu tema do seguinte modo: • O ministério de Paulo, suas razões, sacrifícios, res- ponsabilidades e eficiência. Síntese dos assuntos de II Coríntios: I. Introdução _II Co 1.1-2; II. A experiência apostólica - II Co 1.3-11; III. A explanação apostólica - II Co 1.12-2.11; IV. O ministério apostólico - II Co 2.12-7.16; V. A comunhão apostólica - II Co 8.1-9.15; VI. A defesa do apostolado - II Co 10.1-13.14. 5.1.4 GÁLATAS A carta magna da igreja Essa carta é chamada assim por alguns escritores. O principal argumento é a defesa da liberdade cristã em oposi- ção ao ensino dos judaizantes. Esses falsos mestres insistiam que a observância das cerimônias da Lei era parte essencial do
  11. 11. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB252 plano de salvação. Autor: O apóstolo Paulo. Data: Provavelmente 55-60 a.C. Destinatários: As igrejas da Galácia, região da Ásia Me- nor, cujos limites não podem ser determinados com seguran- ça. Temas principais: A defesa da doutrina da justificação pela fé, advertências contra a reversão ao judaísmo e a vindicação do apostolado de Paulo. A polêmica questão nesta carta é: como os cristãos de- veriam se comportar diante da lei de Moisés? A questão se os gentios deveriam guardar a lei de Moisés foi resolvida no concílio de Jerusalém (At 15). A decisão foi que os gentios eram justificados pela fé sem as obras da lei. Esta decisão, no entanto, não parecia satisfazer ao partido dos judaizantes , o qual insistia em que, apesar de serem salvos os gentios pela fé, esta seria aperfeiçoada pela observância da lei de Moisés. Ao pregar a mensagem da mistura da Lei e da Graça, os judaizantes faziam todo o possível para incitar os seus segui- dores novos convertidos contra Paulo e contra a mensagem que pregava. Conseguiram seu objetivo ao ponto de traze- rem sob a observância da Lei toda a igreja dos gálatas - uma igreja gentílica: “Paulo, apóstolo (...) às igrejas da Galácia (...) Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo” (Gl 1.1,2,6,7). Contra esta pretensão, que contrariava frontalmente a Nova Aliança, que
  12. 12. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB 253 Paulo levantou-se. Na epístola aos Gálatas, o apóstolo sublinha que a salva- ção em Cristo não é obtida pela observância da Lei, mas pela fé no Filho de Deus: “E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.” (Gl 3.11). Paulo cita Habacuque 2.4 para mostrar que o indivíduo só pode ser justificado por meio da fé. Entre suas abordagens o apóstolo cita seu confronto com Pedro (Gl 2.11,12), porque antes ele comia com os gentios, mas depois passou a contradizer o que a muito ele mesmo ha- via reconhecido: que o evangelho era também para os gentios: “Depois que eles terminaram, falou Tiago, dizendo: Irmãos atentai nas minhas palavras: expôs Simão como Deus, primeira- mente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome. Conferem com isto as palavras dos profetas, como está escrito: Cumpridas estas coisas, voltarei e reedifica- rei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei. Para que os demais homens busquem o Senhor, e também todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos”.(At 15.13-18) Para restaurar esta igreja ao seu estado anterior de graça, Paulo escreveu esta epístola que podemos resumir com o se- guinte tema: • A justificação e a santificação, não pelas obras da Lei, mas, sim pela fé. Texto-chave: “Para a liberdade foi que Cristo nos liber- tou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl 5.1). Palavras-chave de Gálatas: “Fé”, “graça”, “liberdade” e “cruz”.
  13. 13. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB254 Síntese dos assuntos de Gálatas: I. Introdução - Gl 1.1-5; II. Motivo por que foi escrita a Epístola: o afas-tamento dos gálatas do verdadeiro evangelho - Gl 1.6-9; III. A defesa de Paulo do seu ministério apostólico - Gl 1.10-2.21; IV. A justificação é toda pela fé, à parte da lei - Gl 3.1-24; V. O governo da vida do crente é da graça, não da lei - Gl 3.25-5.1; VI. Características visíveis na vida de um cristão somen- te pela fé - Gl 5.2.26; VII. A operação da nova vida em Cristo Jesus - Gl 6.1-16; VIII. Conclusão - Gl 6.17-18. 5.1.5 EFÉSIOS Esta é uma das quatro epístolas escritas por Paulo quando aprisionado em Roma também conhecidas como: “epístolas da prisão”. As outras foram Filipenses, Colossenses e Filemon. Autor: O apóstolo Paulo. Data: Provavelmente escrita em Roma entre 60 e 64 d.C. O ministério de Paulo em Éfeso
  14. 14. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB 255 Sua primeira visita (At 18.18-21); em sua segunda visita, o Espírito Santo foi dado aos crentes (At 19:2-7); continua seu trabalho com êxito extraordinário (At 19.9-20); seu conflito com os artífices (At 19.23-41; sua palavra aos anciãos efésios (At 20.17-35)). Contexto histórico: Os judeus convertidos nas igrejas primitivas inclinavam-se ao exclusivismo e à separação dos irmãos gentios. Essa situação pode ter motivado o apóstolo a escrever essa carta, cuja ideia fundamental é a unidade cristã. Texto-chave: “esforçando-vos diligentemente por pre- servar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (4.13). Tema principal: A epístola aos efésios é uma grande exposição de uma doutrina fundamental de Paulo, a saber, a unidade de toda na- tureza de Cristo, a unidade dos judeus e gentios em seu corpo - a Igreja - e o propósito de Deus, nesse campo, é a eternidade. A epístola é dividida em duas seções: Em sua primeira parte é doutrinária: trata das doutrinas centrais cristãs - aborda sobre o plano de Deus em unir todas as coisas em Cristo, um propósito determinado pelo Criador, antes da fundação do mundo (Ef 1.3-14). Na cruz Jesus uniu judeus e gentios, anulando as coisas que os separava, fazen- do de ambos, um novo homem (Ef 2.11-22). Paulo também faz declarações dando testemunho do ministério da graça aos gentios (efésios) a ele confiado e lembrando-lhes que eram “co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho” (Ef 3.6). E ainda fala de sua intercessão a favor deles para que sejam
  15. 15. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB256 fortalecidos, alicerçados, iluminados de conhecimento acerca do amor de Cristo e completos em Deus (Ef 3.1-21). Em sua segunda parte descreve como essas verdades de- vem refletir na conduta do cristão como co-herdeiros e co- participantes da promessa de Cristo - O apóstolo discute as- pectos mais práticos do plano de Deus e seus efeitos na vida do cristão. Aborda ainda assuntos ligados ao corpo de Cristo e seus ministérios e dons, recursos espirituais de organiza- ção, fortalecimento e amadurecimento do corpo (Ef 4.1-16), do comportamento e atitude do novo homem (individual), de sua vida espiritual, de seus relacionamentos familiares e sociais (5.22-33; 6.14) e orienta a igreja acerca da busca de proteção espiritual e de sua batalha contínua em um mundo dominado pelas forças do império de Satanás (6.10-20), aqui ele usa a armadura de um soldado romano como alegoria da proteção espiritual que o cristão desfruta. Percebe-se que Paulo faz aqui uma série de discussões importantes, mas toda a carta enfatiza na verdade de que to- dos os cristãos estão unidos em Cristo porque a Igreja é o corpo de Cristo. É importante notar que a Igreja tanto citada nesta carta, refere-se à Igreja verdadeira (modelo) e não local, como em Coríntios e etc., pois nela contém verdades elevadíssimas so- bre o que é realmente “A Igreja”. Paulo descreve o desejo de Deus: que a igreja local de Éfeso se alinhasse a todas as ver- dades descritas por ele em sua mensagem (coisa que todas as igrejas locais do mundo deveria fazer). O tema da carta pode ser resumido da seguinte ma- neira: • A Igreja escolhida, redimida e unida em Cristo; de sorte que a Igreja deva andar em unidade, em novidade de
  16. 16. FORMAÇÃO MINISTERIAL ICB 257 vida, na força do Senhor com a armadura de Deus. A igreja e o plano de salvação Nota: Ao discutir o plano de salvação nas diferentes epís- tolas, Paulo varia a ênfase. Em Romanos, ele o faz firmado sobre a fé sem as obras; em Gálatas, sobre a fé sem as ob- servâncias cerimoniais da Lei de Moisés; em Efésios, sobre a unidade dos crentes. Síntese dos assuntos de Efésios: I. Introdução - Ef 1.1-2; II. A posição do crente na graça - Ef 1.3-21; III. O andar e o serviço do crente - Ef 4.1-5.17; IV. O andar e a luta do crente cheio do Espírito Santo - Ef 5.18-6.20; V. Conclusão - Ef 6.21-24.

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