Classicismo

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Classicismo

  1. 1. CLASSICISMO
  2. 2. O que foi o renascimento?• Importante movimento de renovação cultural,ocorrido na Europa durante os séculos XV e XVI.• É considerado o marco inicial da era moderna.• Estimulou a vida urbana e o surgimento de umnovo homem.
  3. 3. Naturalismo: volta à naturezaHedonismo: defesa do prazer individualNeoplatonismo: elevação espiritual pormeio da interiorização.
  4. 4. Qual a visão do mundo?• Humanismo ou Antropocentrismo:“Homem tornou-se a medida de todas as coisas”.• Não se tratava de opor o homem a Deus e medirsuas forças. Deus continuou sendo soberano.Tratava-se na verdade de valorizar as pessoas emsi, encontrar nelas as qualidades e as virtudesnegadas pelo pensamento católico medieval.
  5. 5. MonalisaRevela o interesse doRenascimento pelohomem. Reproduzida detodas as formasimagináveis, a magiadessa figura “feminina”continua intacta.
  6. 6. A última ceiaVisão mais humanista
  7. 7. DaviA valorização do serhumano resultou nacriação de muitas telas eesculturas quevalorizavam as formashumanas ou queretratavam corpos nus.
  8. 8. PietáA figura do Cristo morto pareceter vida correndo nas veias. Osolhos abaixados da Virgem, aocontrário da tradição,emocionampela dor e pela resignação. Seumanto, drapeado, arranca domármore uma leveza.
  9. 9. ArquiteturaA aplicação dessas ordens não é arbitrária,elas representam as tão almejadas proporçõeshumanas: a base é o pé, a coluna, o corpo, e ocapitel, a cabeça.
  10. 10. ArquiteturaPalácio de Carlos VAlhandra, GranadaPalácio de Vázquezde Molina Úbeda,Jaén
  11. 11. ArquiteturaCúpula da igreja deBruneleschi, Florença.
  12. 12. LITERATURA - MARCO INICIALEm 1527, quando Francisco Sá de Mirandaretorna a Portugal, vindo da Itália, trazendo odoce estilo novo (soneto + medida nova).
  13. 13. Naquele tempo.... Crise da Igreja.. Expansão marítima.. Mercantilismo.. Absolutismo monárquico.. Reforma protestante. Copérnico: heliocentrismo.. Galileu Galilei: sistema astronômico.
  14. 14. Em Portugal.... Conquista do norte da África;. Caminho marítimo para as Índias;. Descobrimento do Brasil;. Monopólio do Poder político e econômico dorei;. Dinastia de Avis: D. Afonso V, D. JoãoII,D. Manuel, o Venturoso
  15. 15. 1- Imitação dos autoresclássicos gregos e romanos daantiguidade: Homero, Virgílio,Ovídio, etc...2- Uso da mitologia: Os deusese as musas, inspiradoras dosclássicos gregos e latinosaparecem também nos clássicosrenascentistas: Os Lusíadas:(Vênus) = a deusa do amor;Marte( o deus da guerra),protegem os portugueses emsuas conquistas marítimas.
  16. 16. 3- Predomínio da razão sobre ossentimentos: A linguagem clássicanão é subjetiva nem impregnada desentimentalismos e de figuras,porque procura coar, através darazão, todas os dados fornecidospela natureza e, desta formaexpressou verdades universais.4- Uso de uma linguagem sóbria,simples, sem excesso de figurasliterárias.
  17. 17. 5- Idealismo: O classicismo aborda o homemideal, liberto de suas necessidades diárias,comuns. Os personagens centrais dasepopéias(grandes poemas sobre grandes feitose heróicos) nos são apresentados como seressuperiores, verdadeiros semi-deuses, semdefeitos. Ex.: Vasco da Gama em os Lusíadas: éum ser dotados de virtudes extraordinárias,incapaz de cometer qualquer erro.
  18. 18. 6- Amor Platônico: Os poetas clássicosrevivem a idéia de Platão de que o amordeve ser sublime, elevado, espiritual,puro, não-físico.7- Busca da universalidade eimpessoalidade: A obra clássica torna-sea expressão de verdades universais,eternas e despreza o particular, oindividual,aquilo que é relativo.
  19. 19. •Substituição da "medida velha"medieval (versos de 5 e 7sílabas métricas - redondilhamenor e redondilha maior) pela"medida nova", proveniente daItália (versos decassílabos -soneto).
  20. 20. LUÍS VAZDECAMÕES
  21. 21. •Poesia lírica e poesia épica - Camões.Autores e obras•Luís Vaz de Camões, poeta-filósofo: deinfluência medieval e clássica, detemática variada e abrangente (osmistérios da condição humana, apresença do homem no mundo, osconceitos e contradições amorosas etc.)
  22. 22. Eu cantarei de amor tão docemente,Por uns termos em si tão concertados,Que dois mil acidentes namoradosFaça sentir ao peito que não sente.Farei que amor a todos avivente,Pintando mil segredos delicados,Brandas iras, suspiros magoados,Temerosa ousadia e pena ausente.Também, Senhora, do desprezo honestoDe vossa vista branda e rigorosa,Contentar-me-ei dizendo a menor parte.Porém, pera cantar de vosso gestoA composição alta e milagrosaAqui falta saber, engenho e arte.
  23. 23. Alma minha gentil, que te partisteTão cedo desta vida, descontente,Repousa lá no céu eternamenteE viva eu cá na terra sempre triste.Se lá no assento etéreo, onde subiste,Memória desta vida se consente,Não te esqueças daquele amor ardenteQue já nos olhos meus tão puro viste.E se vires que pode merecer-teAlguma cousa a dor que me ficouDa mágoa, sem remédio, de perder-te,Roga a Deus, que teus anos encurtou,Que tão cedo de cá me leve a ver-te,Quão cedo de meus olhos te levou.
  24. 24. Os Lusíadas
  25. 25. Os Lusíadas (1572)O poema se organiza tradicionalmente em cinco partes:1. Proposição (Canto I, Estrofes 1 a 3)Apresentação da matéria a ser cantada: os feitos dos navegadoresportugueses, em especial os da esquadra de Vasco da Gama e a história dopovo português.2. Invocação (Canto I, Estrofes 4 e 5)O poeta invoca o auxílio das musas do rio Tejo, as Tágides, que irãoinspirá-lo na composição da obra.3. Dedicatória (Canto I, Estrofes 6 a 18)O poema é dedicado ao rei Dom Sebastião, visto como a esperança depropagação da fé católica e continuação das grandes conquistasportuguesas por todo o mundo.4. Narração (Canto I, Estrofe 19 a Canto X, Estrofe 144)A matéria do poema em si. A viagem de Vasco da Gama e as glórias dahistória heróica portuguesa.5. Epílogo (Canto X, Estrofes 145 a 156)Grande lamento do poeta, que reclama o fato de sua “voz rouca” não serouvida com mais atenção.
  26. 26. A armada de Vasco da Gama partiu do Restelo no dia 8 de Julho de 1497 echegou a Calecute, na Índia, no dia 20 de Maio de 1498.
  27. 27.   Resumo do enredo      Portugal, como foi visto anteriormente,passava por um momento de grandiosidadediante das demais nações européias. Essemomento era ainda mais valorizado peloespírito de nacionalismo que surgia nosséculos XV e XVI. Motivados com aliderança nas grandes navegações, foramvárias as tentativas de fazer uma epopéiasobre o assunto e, com isso, registrar para aposteridade esse momento de glória.
  28. 28. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 *      1. As – ar - mas – e os – ba – rões – a – ssi – na – la - dos A      2. Que da ocidental praia lusitana B      3. Por mares nunca dantes navegados, A      4. Passaram ainda muito além da Taprobana, B      5. E em perigos e guerras esforçados A      6. Mais do que prometia a força humana, B      7. E entre gente remota edificaram C      8. Novo reino, que tanto sublimaram; C
  29. 29. A morte de Inês de Castro
  30. 30. O EPISÓDIO DE INÊS DE CASTROCamões, como outros artistas que retrataram a mortede Inês de Castro, prefere a imagem da espadaencravada no peito, sem dúvida, mais lírica, à dodegolamento:Tais contra Inês os brutos matadores,No colo de alabastro, que sustinhaAs obras com que Amor matou de amoresAquele que depois a fez rainha,As espadas banhando e as brancas floresQue ela dos olhos seus regadas tinha,Se encarniçavam, férvidos e irosos,No futuro castigo não cuidosos.
  31. 31. Tu, só tu puro Amor, com força crua,Que os corações humanos tanto obrigaDeste causa à molesta morte sua,Como se fora pérfida inimiga.Se dizem, fero Amor, que a sede tuaNem com lágrimas tristes se mitiga,É porque queres, áspero e tiranoTuas aras banhar em sangue humano.
  32. 32. O lirismo dentro da obra épicaOs Lusíadas é uma obra de caráter épico onde o universomasculino é o predominante. Assim, todo o episódio de Inês deCastro entra em perfeito contraste com a restante obra. Nesteepisódio a personagem central é feminina e o lirismo presente nossonetos camonianos é transposto para estas estâncias. Luís deCamões consegue estabelecer com o leitor um contactoinquestionavelmente emotivo. com os versos O desespero queCamões coloca nas falas de Inês (inventadas por si) faz com que umuniverso de terror progrida e “arraste” consigo o próprio leitor.Existem momentos em que o leitor é levado a sentir compaixão elevado também a partilhar o sofrimento das personagens da tragédia,a piedade perante tal destino trágico instala-se dando assim origem àCatarse.
  33. 33. O velho do Restelo
  34. 34. —"Ó glória de mandar! Ó vã cobiçaDesta vaidade, a quem chamamos Fama!Ó fraudulento gosto, que se atiçaCuma aura popular, que honra se chama!Que castigo tamanho e que justiçaFazes no peito vão que muito te ama!Que mortes, que perigos, que tormentas,Que crueldades neles experimentas!— "Dura inquietação dalma e da vida,Fonte de desamparos e adultérios,Sagaz consumidora conhecidaDe fazendas, de reinos e de impérios:Chamam-te ilustre, chamam-te subida,Sendo dina de infames vitupérios;Chamam-te Fama e Glória soberana,Nomes com quem se o povo néscio engana!
  35. 35. O velho do Restelo
  36. 36. EPISÓDIO DO VELHO DO RESTELOA cena mostra, logo de início urna massa aflita e desesperada com apartida de seus filhos e esposos. As mulheres, chorando, representamtoda a multidão que ficava em terra firme vendo seus queridos partirempara o desconhecido:Em tão longo caminho e duvidoso,Por perdidos as gentes nos julgavam;As mulheres c’um choro piedoso,Mães, esposas, irmãs, que o temerosoAmor mais desconfia, acrescentavamA desesperação e frio medoDe já nos não tornar a ver tão cedoQual via dizendo: — “Ó filho, a quem eu tinhaSó para refrigério e doce amparoDesta cansada já velhice minha,Que em choro acabará penoso e amaroPorque me deixas, mísera e mesquinha?Porque de mi te vás, á filho caro,A fazer funéreo enterramentoOnde sejas de peixes mantimento?
  37. 37. A fala do velho do Restelo pode ser interpretada como asobrevivência da mentalidade feudal, agrária, oposta aoexpansionismo e às navegações, que configuravam os interessesda burguesia e da monarquia. É a expressão rigorosa doconservadorismo. Certo é que Camões, mesmo numa epopéia quese propõe a exaltar as Grandes Navegações, dá a palavra aos quese opõem ao projeto expansionista. Portanto, O Velho do Restelorepresenta a oposição passado x presente, antigo x novo. O Velhochama de vaidoso aqueles que, por cobiça ou ânsia de glória, porsua audácia ou coragem, se lançam às aventuras ultramarinas.Simboliza a preocupação daqueles que antevêem um futurosombrio para a Pátria.
  38. 38. MAR PORTUGUÊSÓ mar salgado, quanto do teu salSão lágrimas de Portugal!Por te cruzarmos, quantas mães choraram,Quantos filhos em vão rezaram!Quantas noivas ficaram por casarPara que fosses nosso, ó mar!Valeu a pena? Tudo vale a penaSe a alma não é pequena.Quem quer passar além do BojadorTem que passar além da dor.Deus ao mar o perigo e o abismo deu,Mas nele é que espelhou o céu.Fernando Pessoa
  39. 39. Gigante Adamastor
  40. 40. GIGANTE ADAMASTORO gigante chama os portugueses de ousados e afirma que nuncarepousam e que tem por meta a glória particular, pois chegaram aosconfins do mundo. Repare na ênfase que se dá ao fato de aquelaságuas nunca terem sido navegadas por outros: o gigante diz queaquele mar que há tanto ele guarda nunca foi conhecido por outros.E disse: "Ó gente ousada, mais que quantasNo mundo cometeram grandes cousas,Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,E por trabalhos vãos nunca repousas,Pois os vedados términos quebrantasE navegar nos longos mares ousas,Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,Nunca arados d’estranho ou próprio lenho:
  41. 41. Não acabava, quando uma figuraSe nos mostra no ar, robusta e válida,De disforme e grandíssima estatura;O rosto carregado, a barba esquálida,Os olhos encovados, e a posturaMedonha e má e a cor terrena e pálida;Cheios de terra e crespos os cabelos,A boca negra, os dentes amarelos.
  42. 42. No plano histórico, simboliza a superaçãopelos portugueses do medo do “MarTenebroso”, das superstições medievais quepovoavam o Atlântico e o Índico de monstrose abismos. Adamastor é uma visão, umespectro, uma alucinação que existe só nascrendices dos portugueses. É contra seuspróprios medos que os navegadores triunfam.
  43. 43. Vasco da Gama quando chegou às Índias.
  44. 44. Ilha dos amores
  45. 45. ILHA DOS AMORESVênus imagina um meio de recompensá-los por todas as dificuldadesenfrentadas com um prêmio. Auxiliada por Cupido prepara-lhes umailha maravilhosa onde as mais belas ninfas esperarão por eles. Camõesmostra o local como um verdadeiro paraíso:Nesta frescura tal desembarcaramJá das naus os segundos argonautas,Onde pela floresta se deixavamAndar as belas deusas, como incautasAlgüas doces cítaras tocavam,Algüas harpas e sonoras flautas;Outras, cos arcos de ouro, se fingiamSeguir os animais que não seguiam.(...)Duma os cabelos de ouro o vento levaCorrendo, e de outra as flaldas delicadas.Acende-se o desejo, que se cavaNas alvas carnes, súbito mostradas.
  46. 46. Mas cá onde mais se alarga, ali tereisParte também, co pau vermelho nota;De Santa Cruz o nome lhe poreis;Descobri-la-á a primeira vossa frota.Ao longo desta costa, que tereis,Irá buscando a parte mais remotaO Magalhães, no feito, com verdadePortuguês, porém não na lealdade.
  47. 47. Todo o episódio tem um carácter simbólico.Em primeiro lugar, serve para desmitificar o recurso à mitologiapagã, apresentada aqui como simples ficção, útil para "fazer versosdeleitosos".Em segundo lugar, representa a glorificação do povo português, aquem é reconhecido um estatuto de excepcionalidade. Pelo seuesforço continuado, pela sua persistência, pela sua fidelidade àtarefa de expansão da fé cristã, os portugueses como que sedivinizam. Tornam-se assim dignos de ombrear com os deuses,adquirindo um estatuto de imortalidade que é afinal o prémiomáximo a que pode aspirar o ser humano.De certo modo, podemos dizer que é o amor que conduz osportugueses à imortalidade. Não o amor no sentido vulgar dapalavra, mas o amor num sentido mais amplo: o amordesinteressado, o amor da pátria, o amor ao dever, o empenhamentototal nas tarefas colectivas, a capacidade de suportar todas asdificuldades, todos os sacrifícios.
  48. 48. Voltando aos comentários que se podem tecer a respeito do epílogo daobra, é perceptível certo tom melancólico nas palavras do poeta que,prevendo o fim dos bons tempos de Portugal, aproveita para fazer sua“voz rouca” ser ouvida novamente ao criticar a corte que cercavaD.Sebastião e a perda dos bons costumes da sociedade, a corrupção quepor sua vez levaria o país ao “caos”, como se pode notar na estrofe 145“No mais, Musa, no mais, que a lira tenhoDestemperada e a voz enrouquecida,E não do canto, mas de ver que venhoCantar a gente surda e endurecida.O favor com quem mais se acende o engenhoNão no dá a pátria, não, que está metidaNo gosto da cobiça e na rudezaDua austera, apagada e vil tristeza.”.
  49. 49. De mais, há que se dizer que Camõesestava correto em sua “profecia”, pois após8 anos da publicação de “Os Lusíadas”,data que coincide com a morte do poeta, orei D.Sebastião desaparece na Batalha deAlcácer-Quibir, o que tem comoconsequência o declive de Portugal esubmissão ao domínio espanhol.

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