Parnasianismo e Simbolismo

1.292 visualizações

Publicada em

Literatura Parnasianismo e Simbolismo, características, contexto e principais autores no Brasil.

Publicada em: Educação
0 comentários
4 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.292
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
197
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
99
Comentários
0
Gostaram
4
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Parnasianismo e Simbolismo

  1. 1. Parnasianismo e Simbolismo Características e principais autores
  2. 2. Parnasianismo e principais autores no Brasil
  3. 3. Contexto (final da década de 1870) • Parnassus: morada das musas (mitologia): ▫ Antiguidade clássica (greco-romana). • Ideais antirromânticos: ▫ Objetividade no trato dos temas; ▫ Culto da forma. • Traços: ▫ Descrição nítida; ▫ Visão tradicionalista da forma (metro, rima, ritmo); ▫ Ideal da impessoalidade → realismo.  Mimese pela mimese = arte pela arte.
  4. 4. Características • Objetividade temática: ▫ Negação do sentimentalismo romântico; • Impassibilidade + Impessoalidade; • Perfeição formal → racionalismo: ▫ Fatos, paisagens, objetos exóticos; ▫ Amor carnal; ▫ Preferência pelo soneto.
  5. 5. Principais autores (Brasil) • Alberto de Oliveira (poeta dos vasos); • Raimundo Correia (poeta das pombas); • Olavo Bilac (nacionalista); • Francisca Júlia (musa impassível); • Vicente Carvalho (poeta do mar). Tríade Parnasiana
  6. 6. Alberto de Oliveira • Composição do quadro: cena/retrato; • Arte pela arte → tentativa de desfazer-se do compromisso com os níveis da existência (busca pela impessoalidade): ▫ Concentra-se na reprodução de objetos decorativos; • Fidelidade a leis métricas; • Fetichismo do objeto; • Alheio a problemas nacionais.
  7. 7. Estranho mimo aquele vaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível.
  8. 8. Estranho mimo aquele vaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível.
  9. 9. Estranho mimo aquele vaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível. OBJETO DESCRIÇÃO
  10. 10. Estranho mimo aquele vaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível. OBJETO DESCRIÇÃO A B A B Esquema de rimas
  11. 11. Estranho mimo aquele vaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível. OBJETO DESCRIÇÃO A B A B Esquema de rimas Busca por rimas preciosas: Pronome + adjetivo
  12. 12. Estranho mimo aquele vaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio; Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente de um calor sombrio [...] (Vaso Chinês) Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. (Vaso Grego) É um velho paredão, todo gretado. Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco musgo em cada fenda. (O muro) Temática decorativa (objetos ornamentais). Descrição objetiva, mas não completamente impassível. OBJETO DESCRIÇÃO A B A B Esquema de rimas Busca por rimas preciosas: Pronome + adjetivo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Versos decassílabos
  13. 13. Ser palmeira! Existir num píncaro azulado, Vendo as nuvens mais perto e as estrelas em bando; Dar ao sopro do mar o seio perfumado, Ora os leques abrindo, ora os leques fechando; [...] E isto que aqui não digo então dizer: - que te amo, Mãe natureza! Mas de modo tal que o entendas, Como entendes a voz do pássaro no ramo E o eco que têm no oceano as borrascas tremendas. (Aspiração) Natureza exaltada → visão trazida pela tradição romântica. Descrição da paisagem (tema parnasiano), rigidez da forma + fascínio poético pela natureza.
  14. 14. Raimundo Correia • + “sensível” → combinações semânticas e musicais; ▫ Sensações / sinestesia; ▫ Pessimismo; ▫ Cadências pré-simbolistas. Raia sanguínea e fresca a madrugada (As pombas) As cabeleiras líquidas ondulam (Missa Universal) Por céus de ouro e de púrpura raiados (Anoitecer) De um sanguinoso abutre a rubra garra viva (O povo)
  15. 15. Esta, de fel mesclada e de doçura, Melancolia augusta e vespertina, Que, com a sombra, avulta, cresce, invade E enche de luto a natureza inteira... Esse outro bardo, o sabiá, não trina Nos galhos de cheirosa laranjeira; E, ao silêncio e ao torpor cedendo, cerra O dia os olhos no Ocidente absortos; E fuma um negro incenso, Que envolve toda a terra - Sepultura comum, túmulo imenso, Dos vivos e dos mortos... [...] (Harmonias de uma noite de verão)
  16. 16. Olavo Bilac • Exaltado nacionalismo; • “Indiferença” → viabiliza o trato de diferentes temas como exercício literário; • “Chave de ouro” → fim do poema = acorde de efeito. • Real fantasia artística + sentimento da condição humana sob um prisma descritivo. Na maior alegria andar chorando (son. VI) Capaz de ouvir e de entender estrelas (XIII) Saiba, chorando, traduzir no verso (XXV) Como um jorro de lágrimas ardentes(XXIX)
  17. 17. Torce, aprimora, alteia, lima A frase, e enfim, No verso de ouro engasta a rima. Como um rubim. Quero que a estrofe cristalina, Dobrada ao jeito Do ourives, saia da oficina Sem um defeito. Assim procedo. Minha pena Segue esta norma, Por te servir, Deusa serena, Serena forma. (Profissão de Fé) Poema metalinguístico. Fechamento de “efeito”
  18. 18. Francisca Júlia • Fidelidade e rigidez; • + próxima da impassibilidade parnasiana. Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero Luto jamais te afeie o cândido semblante! Diante de Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero. Em teus olhos não quero a lágrima; não quero Em tua boca o suave e idílico descante. Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante, Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero. (Musa Impassível)
  19. 19. Vicente de Carvalho • Parnasiano convicto → rigor formal + atitude antirromântica; • Poeta naturista (visão da natureza). Ao pôr do Sol, pela tristeza Da meia-luz crepuscular, Tem a toada de uma reza A voz do mar. Aumenta, alastra e desce pelas Rampas dos morros, pouco a pouco, O ermo de sombra, vago e oco, Do céu sem sol e sem estrelas. Tudo amortece; a tudo invade Uma fadiga, um desconforto... Como a infeliz serenidade Do embaciado olhar de um morto. (Sugestões do crepúsculo)
  20. 20. Vicente de Carvalho • Parnasiano convicto → rigor formal + atitude antirromântica; • Poeta naturista (visão da natureza). Ao pôr do Sol, pela tristeza Da meia-luz crepuscular, Tem a toada de uma reza A voz do mar. Aumenta, alastra e desce pelas Rampas dos morros, pouco a pouco, O ermo de sombra, vago e oco, Do céu sem sol e sem estrelas. Tudo amortece; a tudo invade Uma fadiga, um desconforto... Como a infeliz serenidade Do embaciado olhar de um morto. (Sugestões do crepúsculo) Imagens da natureza + ressonâncias psicológicas. Situação objetiva (crepúsculo) Reação diversa (estímulo exterior, resposta humana)
  21. 21. Simbolismo e principais autores no Brasil
  22. 22. Simbolismo • Reação ao positivismo e ao materialismo: ▫ Parnasianismo: representava o pensamento da classe burguesa + privilegiada. Estilo das camadas dirigentes. ▫ Simbolismo: movimento de oposição ao pensamento vigente. • Valorização do interior humano e de valores transcendentais: ▫ O Bem, o Belo, o Verdadeiro, o Sagrado. • Contra a “objetificação” do sujeito; • Resgate do símbolo. • Brasil → pouca repercussão. Além do significado. Evoca, traz à imaginação, admite interpretação. Antecipa movimentos de vanguarda (modernistas)
  23. 23. Características • Subjetividade → íntimo, interior; • Intuição, espiritualidade, místico; • Anseios, estados da alma; • “Religião do verbo”: ▫ Musicalidade: ▫ Assonância/aliteração, ritmo, ecos, rimas internas; ▫ Sinestesia → mistura de sentidos; • Referências ao vago, misterioso, místico, nebuloso; • “Poesia existencial”.
  24. 24. Cruz e Sousa • Obras marcadas pelo preconceito racial, pelas dificuldades e pela doença (tuberculose); • Dor e sofrimento do negro = sofrimento humano; • Jogos de sons, sentidos e palavras Vozes, veladas, veladoras, vozes, volúpias dos violões, vozes veladas, vogam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas (Violões que choram) E fria, fluente, frouxa claridade flutua como as brumas de um letargo... (Lua)
  25. 25. Cruz e Sousa • Obras marcadas pelo preconceito racial, pelas dificuldades e pela doença (tuberculose); • Dor e sofrimento do negro = sofrimento humano; • Jogos de sons, sentidos e palavras Vozes, veladas, veladoras, vozes, volúpias dos violões, vozes veladas, vogam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas (Violões que choram) E fria, fluente, frouxa claridade flutua como as brumas de um letargo... (Lua) ALITERAÇÃO
  26. 26. Cruz e Sousa • Obras marcadas pelo preconceito racial, pelas dificuldades e pela doença (tuberculose); • Dor e sofrimento do negro = sofrimento humano; • Jogos de sons, sentidos e palavras Vozes, veladas, veladoras, vozes, volúpias dos violões, vozes veladas, vogam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas (Violões que choram) E fria, fluente, frouxa claridade flutua como as brumas de um letargo... (Lua) ALITERAÇÃO RIMAS INTERNAS
  27. 27. Alphonsus de Guimaraens • Pouca variação temática: ▫ Presença constante da morte da amada; ▫ Natureza, arte e religião; ▫ Amor e misticismo. Meus pobres sonhos que sonhei, já tão sonhados, Que vento de desdita e de luto vos leva? Que fúria de pavor, sedenta de pecados, Vos guia em turbilhões de poeira e treva? (Pobres sonhos) Ontem, à meia-noite, estando junto A uma igreja, lembrei-me de ter visto Um velho que levava às costas isto: Um caixão de defunto. (O Leito)
  28. 28. Cynthia Funchal http://www.portuguesatodaprova.com.br • A reprodução, alteração e utilização dos slides e textos é livre para fins didáticos, porém, recomenda-se a citação da fonte. É expressamente proibida, para distribuição comercial, a veiculação deste material.

×