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A CULTURA DO
CINEMA
MÓDULO 9
A EUFORIA DAS
INVENÇÕES
1905-1960 - Da exposição dos
Fauves à viragem dos anos 60
■ 1905 – marca para a Europa o fim de uma época de felicidade
e superficialidade – Belle Époque – e o início de uma outra
mais cética e violenta, marcada por uma escalada de
rivalidades e violência que culminou num conflito mundial – a
1ª Guerra Mundial (1914-1918).
Guerra das Trincheiras (1914-18)
■ Dois anos depois do fim da guerra, foram assinados os tratados
de paz, estabelecendo uma nova ordem mundial, que afirmava
os EUA numa posição hegemónica.
■ O pós-guerra foi marcado pela reconstrução física e psicológica.
■ A inflação e o desemprego aumentaram de uma forma
galopante.
■ Os governos ficaram enfraquecidos e não tinham verbas para a
saída da crise nem para a reconstrução material.
■ A agitação social cresceu, incentivada pelo movimento operário
e pelos partidos políticos de esquerda, que tiveram como
referência o êxito da Revolução Socialista Soviética (Rússia
1917).
■ O grande credor da Europa foi neste período o Governo dos
EUA. Foi nesta situação de extraordinária prosperidade que deu
origem ao mito do american way of life.
■ Em 1929, deu-se o crash na Bolsa de Nova Iorque que
provocou a Grande Depressão, que se expandiu à escala
mundial, agravando as condições de vida e provocando o
descontentamento e a agitação social e política.
■ A agitação social extremou-se – por um lado, os partidos de
esquerda (marxistas e socialistas), por outro os de feição
autoritária, como o nacional-socialismo alemão e o fascismo
italiano.
■ Os nacionalismos exagerados puseram em marcha uma política
ofensiva, rompendo o equilíbrio internacional, o que iria provocar
a 2ª Guerra Mundial.(1939-1945)
■ O fim da 2ª Guerra Mundial marcou o recomeço de um novo
equilíbrio internacional, fiscalizado pelas Nações Unidas (ONU)
e o surgimento do antagonismo entre o mundo capitalista e
liberal liderado pelos EUA e o mundo comunista chefiado pela
URSS, entre os quais se gerou a Guerra Fria.
■ As contradições vividas, o comportamento do ser humano
durante as guerras puseram em causa:
– os valores do pensamento racionalista;
– A descrença na ciência e na tecnologia;
– Tornaram obsoletas as convicções tradicionais.
■ O ceticismo, o relativismo, o absurdo, a crise de valores e a
contestação sistemática, socialmente provocatória,
manifestaram-se nas criações dos intelectuais desta época:
– Filósofos;
– Artistas plásticos;
– Cineastas;
– Músicos.
■ O crescimento das cidades, a alteração e modernização dos
modos de vida e o crescimento demográfico contribuíram para a
criação de uma cultura de massas, que a publicidade e a
propaganda pretenderam manipular no seu interesse e cujos
principais veículos de comunicação foram:
– Os jornais;
– A rádio;
– O cinema.
■ Neste clima de massificação crescente, a arte ganhou um
estatuto individualista e independente, reivindicando total
autonomia e liberdade em relação a sociedade ou a qualquer
programa político, ideológico, temático ou técnico.
■ Reservou-se, o direito de intervir ou integrar essas
transformações e refletir sobre elas.
DA EUROPA PARA A
AMÉRICA
■ Até à 1ª Guerra Mundial a Europa dominou o mundo a todos os
níveis:
– Político, económico, demográfico, científico e tecnológico.
■ Aperfeiçoou a democracia, desenvolveu a industrialização e
progrediu na ciência e na tecnologia.
■ Durante e após a 2ª Grande Guerra, muitos europeus, da classe
média e classe média-alta, abandonaram o velho continente,
fugidos às más condições de vida, e foram para os EUA
■ No campo artístico, a emigração para os EUA iniciou-se ainda
nos anos 30 do século XX, com a partida de muitos artistas e
intelectuais de vanguarda, entre os quais os arquitetos e
designers que lecionaram na Bauhaus (Walter Gropius).
■ Nos EUA, a sociedade adotou novas formas de vida e novos
comportamentos sociais, onde o aparecimento do jazz, das
primeiras estrelas de cinema e de uma vida social intensa foram
o reflexo de um clima otimista e de prosperidade.
O CINEMA
■ Após a 1ª Guerra, Hollywood impõe-se como a «cidade do
cinema», concentrando grandes estúdios cinematográficos e
convertendo o cinema numa indústria.
■ Instituiu-se o star system (fabrico de estrelas, divas e heróis) e o
cinema confunde-se com o american way of life, difundindo os
seus costumes, os seus valores e a sua cultura.
Fotograma de «Viagem à Lua», Georges Méliès
O HOMEM PSICANALISADO
■ Freud, neurologista fundador da Psicanálise, dedicou-se ao
estudo da mente humana e das suas patologias, no domínio do
comportamento.
■ O pensamento de Freud corresponde a uma viragem científica
ao salientar o conhecimento mas profundo do «eu» e o papel do
inconsciente no comportamento humano.
■ Freud demonstrou a importância do inconsciente na
compreensão da complexidade da personalidade humana
através da utilização de métodos como a «livre associação de
ideias» e a «interpretação dos sonhos».
■ Freud concluiu que o comportamento humano também é
comandado por impulsos inconscientes, escondidos na
profundidade da mente humana, que se manifestam através de
neuroses e psicoses criadas por traumas e recalcamentos.
■ A Psicanálise e a descoberta do inconsciente contribuíram para
o entendimento de certas tendências artísticas, aparentemente
incompreensíveis e absurdas, bem como inspiraram certas
correntes artísticas que entenderam a arte como ação livre ou
libertação do «eu».
■ Dadaísmo e Surrealismo foram dois movimentos artísticos
influenciados pelos estudos de Freud.
RUTURAS: AUTORITARISMOS E
NACIONALISMOS, OS HORRORES DA
ÉPOCA. NOVOS MUNDOS
EMERGENTES E NOVAS
LINGUAGENS ARTÍSTICAS
■ Neste tempo, a Europa foi palco dos acontecimentos mais
trágicos de toda a História.
■ A arte era dominada por um ambiente de experimentalismo e
rutura. As relações políticas entre as nações agudizaram-se na
sequência de conflitos ideológicos, exacerbações nacionalistas
e prepotências totalitárias.
■ Na União Soviética milhões de dissidentes do regime comunista
são deportados para os «campos de trabalho», enquanto na
Alemanha são criados os «campos de concentração» que se
converteram numa das maiores calamidades perpetradas pelo
Homem – O Holocausto
AS GRANDES RUTURAS:
CRIAR É PROVOCAR
■ As primeiras décadas do século XX são marcadas, em termos
artísticos pela rutura com os valores tradicionais e pela criação
de novas linguagens estéticas associadas à ideia de
«vanguarda»
■ Vanguarda é uma palavra que procede da linguagem militar
avant-garde para designar o corpo do exército que combatia na
linha da frente abrindo brechas nas fileiras inimigas.
■ O termo foi aplicado a estas correntes artísticas, pois estes
artistas assumiram:
– uma atitude pioneira de luta contra as normas académicas;
– apresentaram propostas inovadoras e originais;
– Consideravam-se à frente do seu tempo.
O FAUVISMO E A
AUTONOMIA DA COR
■ O Fauvismo, a primeira vanguarda, pretendeu libertar a
utilização da cor da sua tradicional referência direta à realidade.
■ Os pintores fauves enalteceram o valor da cor como elemento
privilegiado da composição e da representação.
■ As suas composições evidenciam uma força expressiva
decorrente das qualidades plásticas dos elementos, das tensões
internas e dos contrastes utilizados.
■ Caraterísticas temáticas, plásticas e técnicas:
– Temática sem preocupações com questões de carácter
social, político ou psicológico;:
– Transmissão de sensações e de emoções profundas, através
da utilização expressiva da cor;
– Recurso ao «primitivismo» das formas, à simplicidade do
traço e à distorção dos volumes;
– Exaltação da cor com recurso a cores fortes, berrantes e
puras, usadas em tonalidade arbitrárias e contrastantes;
– Aplicação de pinceladas livres, intuitivas e emotivas, com
empastes grossos e espessos.
Henri Matisse, O Retrato da Risca
Verde, 1905, óleo sobre tela, 40,5 x 32,5
Neste retrato, os planos de cor estão
divididos no rosto por uma risca
verde. No lado esquerdo, a face
amarela sobressaí do fundo
vermelho, enquanto que a metade
direita, mais rosada, se planifica e
retrai para o nível do fundo em cor
verde.
Henri Matisse, Natureza morta com Tapete Vermelho, 1906, óleo
sobre tela 100 x140
André Derain, Retrato de Matisse,
1905, óleo sobre tela, 46 x 34,9
O retrato é feito em grandes
superfícies de cor, aplicadas em
pinceladas fragmentadas, matéricas
e texturadas, de cores fortes e
contrastadas.
O EXPRESSIONISMO E A
CAPACIDADE EXPRESSIVA DAS
FORMAS: OS GRUPOS DIE BRÜCKE E
DER BLAUE REITER
■ Designa-se por Expressionismo o movimento artístico que
nasceu na Alemanha, no início do século XX e que põe a tónica
da sua arte na expressão das emoções e sentimentos.
■ Ao contrário do Impressionismo, que procurou representar a
realidade visível, captada de fora para dentro, o Expressionismo
representa as realidades invisíveis, executando uma arte de
dentro para fora.
■ Como arte de espírito, o Expressionismo é o reflexo dos tempos
conturbados que antecederam e acompanharam a 1ª Guerra e
da renovação cultural e de mentalidades.
■ Esta forma de arte foi desenvolvida por dois movimentos:
– O grupo Die Brücke (A Ponte) – fundada na cidade alemã
Dresden;
– O grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) – nascido na
cidade de Munique.
Grupo Die Brücke
■ O grupo Die Brücke significa A Ponte, foi fundado por Ernst
Kirchner, Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff.
■ As suas pinturas compunham-se de cores violentas e
figuras deformadas, numa pincelada vigorosa,
representando temáticas de crítica social, num sentido
irónico, grotesco ou dramático.
■ Exprimindo as inquietudes de um período ameaçado pela guerra Die
Brücke refletia a angústia da condição humana, solitária e
desamparada em ambientes despojados de qualquer sentimento.
■ A estética do movimento foi patética e convulsiva, revelada por uma
linguagem figurativa, de formas simplificadas, propositadamente
deformadas e aguçadas, contornadas por linhas a negro e
preenchidas por cores ora puras, violentas e contrastadas, ora
sombrias e “sujas”, anti naturalistas e aplicadas em pinceladas
rápidas, matéricas e texturadas.
Emil Nolde, Susana e os Velhos, 1912-
13
É uma pintura rude e grosseira, quer
pelo desenho quer pela cor. O autor faz
sobressair o grotesco e o lascivo pela
deformação do corpo e do rosto das
personagens.
■ As temáticas usadas por este grupo privilegiaram:
– A vida íntima;
– A sexualidade;
– O erotismo;
– Cenas de rua;
– Cafés, cabarés;
– O mundo da prostituição e da miséria urbana;
– Os retratos e auto-retratos.
■ Os expressionistas de A Ponte foram influenciados pelas
inovações plásticas e estéticas dos pós-impressionistas, com
relevo para Van Gogh e pela arte de alguns pintores anteriores
ao nascimento do grupo, como James Ensor e Edvard Munch.
James Ensor, A Máscara Escandalizada, 1883
Foi o pintor do macabro e do insólito. As
fisionomias são deformadas, como máscaras,
com cores vibrantes e matérias de sentido
satírico e grotesco
Edvard Munch, A Rapariga na Ponte, 1901
A perspetiva e as formas simplificadas
acentuam o aspeto enigmático, intrigante e
inquietante da cena.
Grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul)
■ Surgiu em 1910, na Alemanha, Munique, fundado pelo artista
russo Wassily Kandinsky.
■ O objetivo do grupo era unir sob o mesmo ideal artístico – a
da vanguarda da arte europeia – criadores de Váris
nacionalidades e de diferentes expressões, ultrapassando
barreiras culturais e ideológicas.
■ As preferências do grupo vão para as temáticas naturalistas, de
sentido algo irreal e alegórico, como paisagens, cenas sociais e
da vida animal.
■ Na construção das formas, valorizam:
– A mancha cromática;
– A utilização de cores antinaturais, arbitrárias, claras, líricas e
opostas.
■ As composições são orientadas maioritariamente por linhas
circulares e sinuosas, segundo ritmos musicais.
■ A expressividade incide no lirismo, na emotividade, na
tranquilidade e na paz, explorando o sentido mágico e místico
dos conteúdos.
Wassily Kandinsky, Composição IV Wassily Kandinsky, Paraíso
Franz Marc, Grandes Cavalos Azuis, 1911 Paul Klee, Vento Quente no
Jardim de Mac, 1915
DADAÍSMO OU MOVIMENTO
DADA
■ O Dadaísmo foi um movimento cultural, artístico e filosófico de
grande abrangência, surgido nas cidades de Zurique e Nova
Iorque, durante a 1ª Guerra Mundial, por iniciativa de alguns
intelectuais.
■ O seu nome deriva da palavra alemã “dada” (sons balbuciados
pelos bebés).
■ Os artistas deste movimento pretenderam negar os conceitos de
arte e de objeto, bem como as técnicas artísticas transmitidas
pela tradição, anulando o próprio conceito de Arte – a
verdadeira arte seria a antiarte.
■ O Dadaísmo surge como reação e provocação às sociedades
burguesas e capitalistas da época.
■ Esta reação foi motivada pela violência e crueldade da guerra.
■ Os autores dadaístas acreditavam que, para construir uma
“nova” sociedade, era preciso começar por destruir a antiga.
■ Principais técnicas:
– O ready-made – um objeto vulgar extraído do seu contexto
original e exibido como arte
Roda da Bicicleta, Marcel Duchamp, 1913
– A colagem, a assemblege – uma reunião de objetos
fragmentados num quadro.
Max Enst, Fruto de Uma Longa Experiência, 1919
– Os rayographs – fotografias feitas pelo contacto dos objetos
com o papel sensível.
Raoul Hausmann, Sombras, 1951
■ Características do Dadaísmo:
– A crítica social e a denúncia do que consideravam ser a
hipocrisia dos valores burgueses da época;
– As atitudes provocatórias e o recurso ao nonsense como
forma de comunicação e expressão do movimento;
– A negação dos conceitos, dos valores e das normas da arte
vigentes;
– A dessacralização (retirada do carácter sagrado) do objeto
artístico através da apropriação e descontextualização de
objetos de uso comum;
– A defesa da espontaneidade e do carácter individualista da
criação artística.
O CUBISMO
■ O Cubismo foi o movimento artístico, iniciado por Georges
Braque e Pablo Picasso, por volta de 1907.
■ O Cubismo evoluiu em três fases:
■ A primeira decorreu entre 1907 e 1909 e resultou das
influências de Cézanne e da escultura africana – foi a fase
cezanniana.
Picasso, Les Demoiselles d’Avignon, 1906-07
Georges Braque, Casas de Estaque, 1908
■ As obras desta fase caracterizam-se:
– pelas temáticas da paisagem e da figura humana em atelier;
– Pela representação racional das formas com contorno
quebrado;
– Pela manutenção dos volumes.
■ A fase analítica ou hermética durou de 1909 a 1912 foi
definida pela visão simultânea e multifacetada dos vários planos
do motivo observado, fazendo com que o objeto aparecesse na
tela como que quebrado ou implodido.
Georges Braque, Violino e
Cântaro, 1910
Pablo Picasso, O Aficcionado,
1912
■ Na transição da fase analítica para a sintética, Braque e Picasso
começaram a introduzir nos quadros colagens de elementos
reais, bi e tridimensionais, tais como recortes de jornal, papel de
música, alfinetes e outros pequenos objetos.
■ A terceira fase designa-se fase sintética, que vai de 1912 a
1914 e que se caracteriza:
– pela simplificação das formas;
– Redução do número de planos;
– Pelo retorno à policromia.
Georges Braque, A Mesa do Músico, 1913
■ Características inovadoras do Cubismo:
– A geometrização das formas e do espaço;
– A redução dos volumes à bidimensionalidade;
– A multiplicação de pontos de vista, pela rotação,
sobreposição e interceção de planos;
– A introdução da pluridimensionalidade no quadro;
– A experimentação de novas técnicas, como a colagem de
materiais diversos e a introdução do lettering.
O SURREALISMO: O
REGRESSO AO MUNDO
VISÍVEL
■ Surrealismo – movimento artístico e literário desenvolvido a
partir do programa estético do poeta André Breton, procurando
exprimir as novas dimensões da condição humana.
■ Influências:
– Pintura metafísica (de Giorgio de Chirico): representações
figurativas de seres e objetos estranhos em espaços
ambíguos e «impossíveis»;
– Dadaísmo: o humor e o insólito, o grotesco e o irónico, as
atitudes provocatórias e a contestação aos códigos
convencionais, o sentido niilista das obras;
– Teorias no domínio da Psicanálise de Freud, assumindo
o sonho, o imaginário e ato espontâneo como fatores
primordiais do processo criativo.
■ Características:
– Corrente do «automatismo psíquico» ou da «livre
associação», procurando a intervenção espontânea e
aleatória e visando exprimir as profundezas do
subconsciente;
– Corrente onírica explorando o mundo dos sonhos, em
representações figurativas incongruentes, estranhas e
enigmáticas.
■ Técnicas do surrealismo:
– Pintura automática;
– A frottage (frottage do francês "frotter", em português"friccionar" é um
método surrealista e "automático" de produção criativa desenvolvido por Max
Ernst. No frottage o artista utiliza um lápis ou outra ferramenta de desenho e
faz uma "fricção" sobre uma superfície texturizada. O desenho pode ser
deixado como está, ou pode ser utilizado como base para aperfeiçoamento.
Embora superficialmente similar à fricção em latão e a outras formas de
"esfregar", visando reproduzir um objeto já existente, a técnica do frottage
difere por ser aleatória;
Max Ernst - Frottage
– Collage.
 Dentro do Surrealismo formaram-se duas correntes
principais:
 A do «automatismo psíquico», ou de livre associação,
explorada por Joan Miró e André Masson, que procurou a
correspondência imediata entre o inconsciente e a ação
pictórica, num exercício espontâneo e aleatório para
exprimir as profundezas do subconsciente.
Uma gota de orvalho caindo da asa de um pássaro desperta Rosália que dorme à
sombra de uma teia de aranha, Joan Miró, 1939.
Seguindo a técnica do «automatismo psíquico», Miró vagueia entre a abstração e a
figuração.
– E uma via onírica, desenvolvida por Salvador Dali, René
Magritte e Yves Tanguy, com uma temática oriunda do
mundo dos sonhos, em associações figurativas
incongruentes, estranhas, enigmáticas e por vezes
bizarras.
Aparição de uma cara e de um fruteiro
numa praia, Salvador Dali, 1938
A Traição das Imagens (Isto não é um
Cachimbo), René Magritte, 1929
O NEORREALISMO: DO MURALISMO
MEXICANO AO PROPAGANDISMO
SOVIÉTICO
■ Neorrealismo – movimento figurativo surgido na América Latina
(México) inspirando-se em temáticas revolucionárias e
fundamentos sociais.
■ Características:
– Execução de pinturas murais de grande dimensão com
representações de carácter realista;
– Exploração de temáticas revolucionárias de forte
compromisso político e social a favor da Revolução e da
luta de libertação dos povos;
– Obras de tendência ideológica e com uma explícita
retórica propagandística.
A História do México: o Mundo de Hoje e Amanhã, Diego Rivera, fresco
no Palácio Nacional do México, 1929-1935.
A ESCOLA DE NOVA IORQUE: O
EXPRESSIONISMO ABSTRATO E A
ABSTRAÇÃO GEOMÉTRICA
■ Desenvolvendo-se a partir dos anos 1940, o Expressionismo
Abstrato foi o primeiro movimento especificamente americano,
colocando Nova Iorque no centro do mundo.
■ Aspetos sociais e culturais que favoreceram este movimento:
– A deslocação do centro artístico de Paris para Nova Iorque,
com a imigração de grande parte dos artistas europeus
durante a II Guerra Mundial;
– Condições económicas e sociais estáveis nos EUA;
– Ascensão económica de uma classe burguesa recetiva a
inovações artísticas;
– Expansão do mercado da arte.
■ Influências:
– Expressionismo alemão, em particular a Abstração Lírica
desenvolvida por Kandinsky;
– Surrealismo;
– Abstracionismo geométrico de vanguardas como o
Suprematismo e o Neoplasticismo.
■ Os artistas desta corrente valorizam mais o processo do que o
produto do seu trabalho.
■ Neste contexto distingue-se Jackson Pollock, um arquétipo do
«artista solitário», melancólico, violento e consumido por
neuroses e frustrações.
■ Inovações plásticas e formais:
– Gestualismo e a pintura de ação (action painting);
– Dripping (verter tinta ou deitar pingos e manchas sobre a
tela);
– Over all painting, a pintura a toda a dimensão da tela sem
critérios de composição;
– Envolvimento do corpo no processo criativo, quer interferindo
fisicamente no espaço da obra, quer estabelecendo uma
relação física com os suportes, instrumentos e materiais.
Número 1, Jackson Pollock, 1948 Convergence, Jackson Pollock, 1952
ARTE E FUNÇÃO:
ARQUITETURA E DESIGN
■ A transição para o Modernismo na arquitetura processa-se em
torno de questões como a relação arte/técnica, o conflito
tradição/modernidade, a divergência academismo/funcionalismo
ou a articulação forma/função.
■ Quer a «Escola de Glasgow» (Mackintosh), quer a «Escola de
Chicago» (Sullivan), lançam as bases da racionalidade
estrutural, da simplicidade formal e da determinação da forma
pela função que fundamentariam a arquitetura.
FRANK LLOYD WRIGHT E OS
FUNDAMENTOS DO
ORGANICISMO
■ Discípulo de Sullivan, Frank Lloyd Wright criou o Organicismo,
uma arquitetura em sintonia com a natureza.
■ Relação da obra de Frank Lloyd Wright com o Organicismo:
– Articulação entre a forma construída e o espaço
natural/paisagem;
– Relação entre o espaço interior e exterior;
– Valorização da cor e textura dos materiais, e utilização de
materiais locais;
– Aplicação de novas tecnologias construtivas e de materiais
inovadores (estruturas de aço e betão);
– Individualização de cada solução arquitetónica integrada no
sítio e na envolvente.
■ Características da arquitetura organicista:
– Enquadramento harmoniosa na Natureza;
– Simplificação formal, relação dinâmica entre as linhas
horizontais e verticais;
– Relação próxima e equilibrada entre os elementos
construtivos artificiais (lajes de betão) e os elementos
naturais (rochas, terra e arvoredo);
– Valorização das qualidades plásticas e cromáticas dos
materiais locais utilizados em estado puro.
Casa da Cascata,Frank Lloyd Wright,
Pensilvânia, EUA, 134-1936
GROPIUS E A BAUHAUS
■ Criada em 1919, a Bauhaus (uma escola de artes, arquitetura e
design) foi o mais importante projeto artístico deste período.
■ Recuperou o espírito da unidade das artes e estabeleceu uma
nova relação arte-técnica e arte-indústria, num projeto
pedagógico inovador em que mestres, artesãos e alunos
partilhavam experiências formativas, numa grande diversidade
de expressões artísticas
LE CORBUSIER E O
FUNCIONALISMO
■ Na sua vasta obra teórica e prática, Le Corbusier estabelece as
bases do Funcionalismo:
– Entende a casa como uma «máquina de habitar» e afirma
que «a forma segue a função»
■ Os seus edifícios privilegiam o racionalismo formal, a liberdade
na composição de plantas e alçados e a predominância das
linhas retas e horizontais.
■ Le Corbusier contribui para a evolução do Modernismo na
arquitetura através dos seguintes aspetos:
– Conceção do sistema construtivo Dom-ino constituído por
pilares e lajes de betão organizadas de modo racional;
Estrutura da Casa Dom-ino, Le
Corbusier, 1914-1915
– Predomínio da função sobre a forma, adaptação do espaço
seguindo os princípios do funcionalismo;
– Importância da criação do Modular, uma escala de
proporções arquitetónicas que tinha como referência o corpo
humano;
– Conceção da casa como uma máquina de habitar –
satisfação das necessidades materiais, emocionais e
espirituais.
■ As suas pesquisas durante a década de 1920, culminaram na
célebre Villa Savoye, na qual concretizou uma das suas
principais teorias – Os Cinco Pontos para uma nova
Arquitetura, onde sintetizou os princípios gerais da arquitetura
moderna:
– O edifício deve ser construído sobre pilotis (pilares
cilíndricos), elevando a edificação do solo e permitindo
ocupar o piso térreo com áreas de serviço e apoio à
habitação;
– Planta livre, organização utilitária e funcional do espaço
interior;
– Alçado livre, sem funções estruturais as paredes da fachada
podem receber uma composição livre;
– Janelas rasgadas horizontalmente melhorando a iluminação
interior;
– Cobertura em terraço, aproveitando o espaço para áreas de
lazer, jardim ou solário
Villa Savoye, Le Corbusier, França, 1928-1931
A ARTE PORTUGUESA ATÉ AOS
ANOS 1960
■ Na viragem do século XIX para o século XX, Portugal mantinha-se
pobre e distante do desenvolvimento económico e social registado
nos restantes países europeus.
■ Nas cidades uma classe burguesa de características provincianas
dominava os meios artísticos e culturais e oferecia resistência à
mudança estética, persistindo:
– o gosto pela pintura de costumes;
– Pelo Naturalismo;
– Pelos valores arreigados à tradição.
■ O primeiro sinal de rutura é dado pela exposição de Arte Livre
(1911) organizada por Manuel Bentes.
■ A eclosão da 1ª Guerra Mundial forçou o regresso de Paris de
um grupo de artistas que aí tinham convivido com as
vanguardas modernistas, entre eles encontram-se:
– Amadeo de Souza-Cardoso;
– Santa Rita;
– Eduardo Viana
Mentores do Orfismo
■ A estes jovens inconformistas juntar-se-iam:
– Almada Negreiros;
– Os poetas Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa
– Formaram o grupo modernista do Orpheu
■ Tratava-se de um grupo muito heterogéneo de artistas que,
hasteando a bandeira do recém-apresentado Futurismo.
■ Com uma produção mais literária do que propriamente
plástica, este período foi marcado pela excentricidade de
Santa-Rita Pintor
Cabeça Cubo-Futurista, Santa-
Rita Pintor, c.1910
Em 1912 Santa-Rita declarou: «Futurista declarado há
só um, que sou eu». Esta frase contém a provocação e
a impertinência de um dos mais carismáticos artistas do
Modernismo português.
Da obra produzida, pouco restou. A seu pedido, todos
os trabalhos disponíveis forma destruídos após a sua
morte.
Esta obra manifesta uma interessante síntese entre o
Cubismo Analítico e o dinamismo futurista.
■ Pela irreverência e múltipla criatividade de Almada Negreiros
Autorretrato num Grupo, Almada Negreiros, 1925
Retratando-se em pleno café A Brasileira, no Chiado, este quadro reflete o ambiente
de modernidade e cosmopolitismo vivido em Lisboa nos anos 1920
■ E pelo pioneirismo de Amadeo Souza-Cardoso, com uma
profícua pesquisa plástica que percorreu as vanguardas, do
Fauvismo ao Futurismo, só interrompida pela morte prematura
aos 30 anos.
A Máscara de Olho Verde,
Amadeo de Souza-Cardoso,
c.1915
 Influências pictóricas na obra:
– Cubismo:
evocação do primitivismo das máscaras
africanas (influência de Picasso);
geometrismo do desenho.
– Expressionismo:
dramatismo expressivo; utilização das
manchas de cores fortes, violentas e
empastadas

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A cultura do cinema

  • 3. 1905-1960 - Da exposição dos Fauves à viragem dos anos 60 ■ 1905 – marca para a Europa o fim de uma época de felicidade e superficialidade – Belle Époque – e o início de uma outra mais cética e violenta, marcada por uma escalada de rivalidades e violência que culminou num conflito mundial – a 1ª Guerra Mundial (1914-1918).
  • 5. ■ Dois anos depois do fim da guerra, foram assinados os tratados de paz, estabelecendo uma nova ordem mundial, que afirmava os EUA numa posição hegemónica. ■ O pós-guerra foi marcado pela reconstrução física e psicológica. ■ A inflação e o desemprego aumentaram de uma forma galopante. ■ Os governos ficaram enfraquecidos e não tinham verbas para a saída da crise nem para a reconstrução material.
  • 6. ■ A agitação social cresceu, incentivada pelo movimento operário e pelos partidos políticos de esquerda, que tiveram como referência o êxito da Revolução Socialista Soviética (Rússia 1917). ■ O grande credor da Europa foi neste período o Governo dos EUA. Foi nesta situação de extraordinária prosperidade que deu origem ao mito do american way of life.
  • 7. ■ Em 1929, deu-se o crash na Bolsa de Nova Iorque que provocou a Grande Depressão, que se expandiu à escala mundial, agravando as condições de vida e provocando o descontentamento e a agitação social e política. ■ A agitação social extremou-se – por um lado, os partidos de esquerda (marxistas e socialistas), por outro os de feição autoritária, como o nacional-socialismo alemão e o fascismo italiano.
  • 8. ■ Os nacionalismos exagerados puseram em marcha uma política ofensiva, rompendo o equilíbrio internacional, o que iria provocar a 2ª Guerra Mundial.(1939-1945) ■ O fim da 2ª Guerra Mundial marcou o recomeço de um novo equilíbrio internacional, fiscalizado pelas Nações Unidas (ONU) e o surgimento do antagonismo entre o mundo capitalista e liberal liderado pelos EUA e o mundo comunista chefiado pela URSS, entre os quais se gerou a Guerra Fria.
  • 9. ■ As contradições vividas, o comportamento do ser humano durante as guerras puseram em causa: – os valores do pensamento racionalista; – A descrença na ciência e na tecnologia; – Tornaram obsoletas as convicções tradicionais.
  • 10. ■ O ceticismo, o relativismo, o absurdo, a crise de valores e a contestação sistemática, socialmente provocatória, manifestaram-se nas criações dos intelectuais desta época: – Filósofos; – Artistas plásticos; – Cineastas; – Músicos.
  • 11. ■ O crescimento das cidades, a alteração e modernização dos modos de vida e o crescimento demográfico contribuíram para a criação de uma cultura de massas, que a publicidade e a propaganda pretenderam manipular no seu interesse e cujos principais veículos de comunicação foram: – Os jornais; – A rádio; – O cinema.
  • 12. ■ Neste clima de massificação crescente, a arte ganhou um estatuto individualista e independente, reivindicando total autonomia e liberdade em relação a sociedade ou a qualquer programa político, ideológico, temático ou técnico. ■ Reservou-se, o direito de intervir ou integrar essas transformações e refletir sobre elas.
  • 13. DA EUROPA PARA A AMÉRICA
  • 14. ■ Até à 1ª Guerra Mundial a Europa dominou o mundo a todos os níveis: – Político, económico, demográfico, científico e tecnológico. ■ Aperfeiçoou a democracia, desenvolveu a industrialização e progrediu na ciência e na tecnologia. ■ Durante e após a 2ª Grande Guerra, muitos europeus, da classe média e classe média-alta, abandonaram o velho continente, fugidos às más condições de vida, e foram para os EUA
  • 15. ■ No campo artístico, a emigração para os EUA iniciou-se ainda nos anos 30 do século XX, com a partida de muitos artistas e intelectuais de vanguarda, entre os quais os arquitetos e designers que lecionaram na Bauhaus (Walter Gropius). ■ Nos EUA, a sociedade adotou novas formas de vida e novos comportamentos sociais, onde o aparecimento do jazz, das primeiras estrelas de cinema e de uma vida social intensa foram o reflexo de um clima otimista e de prosperidade.
  • 17. ■ Após a 1ª Guerra, Hollywood impõe-se como a «cidade do cinema», concentrando grandes estúdios cinematográficos e convertendo o cinema numa indústria. ■ Instituiu-se o star system (fabrico de estrelas, divas e heróis) e o cinema confunde-se com o american way of life, difundindo os seus costumes, os seus valores e a sua cultura.
  • 18. Fotograma de «Viagem à Lua», Georges Méliès
  • 20. ■ Freud, neurologista fundador da Psicanálise, dedicou-se ao estudo da mente humana e das suas patologias, no domínio do comportamento. ■ O pensamento de Freud corresponde a uma viragem científica ao salientar o conhecimento mas profundo do «eu» e o papel do inconsciente no comportamento humano.
  • 21. ■ Freud demonstrou a importância do inconsciente na compreensão da complexidade da personalidade humana através da utilização de métodos como a «livre associação de ideias» e a «interpretação dos sonhos». ■ Freud concluiu que o comportamento humano também é comandado por impulsos inconscientes, escondidos na profundidade da mente humana, que se manifestam através de neuroses e psicoses criadas por traumas e recalcamentos.
  • 22. ■ A Psicanálise e a descoberta do inconsciente contribuíram para o entendimento de certas tendências artísticas, aparentemente incompreensíveis e absurdas, bem como inspiraram certas correntes artísticas que entenderam a arte como ação livre ou libertação do «eu». ■ Dadaísmo e Surrealismo foram dois movimentos artísticos influenciados pelos estudos de Freud.
  • 23. RUTURAS: AUTORITARISMOS E NACIONALISMOS, OS HORRORES DA ÉPOCA. NOVOS MUNDOS EMERGENTES E NOVAS LINGUAGENS ARTÍSTICAS
  • 24. ■ Neste tempo, a Europa foi palco dos acontecimentos mais trágicos de toda a História. ■ A arte era dominada por um ambiente de experimentalismo e rutura. As relações políticas entre as nações agudizaram-se na sequência de conflitos ideológicos, exacerbações nacionalistas e prepotências totalitárias.
  • 25. ■ Na União Soviética milhões de dissidentes do regime comunista são deportados para os «campos de trabalho», enquanto na Alemanha são criados os «campos de concentração» que se converteram numa das maiores calamidades perpetradas pelo Homem – O Holocausto
  • 27. ■ As primeiras décadas do século XX são marcadas, em termos artísticos pela rutura com os valores tradicionais e pela criação de novas linguagens estéticas associadas à ideia de «vanguarda» ■ Vanguarda é uma palavra que procede da linguagem militar avant-garde para designar o corpo do exército que combatia na linha da frente abrindo brechas nas fileiras inimigas.
  • 28. ■ O termo foi aplicado a estas correntes artísticas, pois estes artistas assumiram: – uma atitude pioneira de luta contra as normas académicas; – apresentaram propostas inovadoras e originais; – Consideravam-se à frente do seu tempo.
  • 29. O FAUVISMO E A AUTONOMIA DA COR
  • 30. ■ O Fauvismo, a primeira vanguarda, pretendeu libertar a utilização da cor da sua tradicional referência direta à realidade. ■ Os pintores fauves enalteceram o valor da cor como elemento privilegiado da composição e da representação. ■ As suas composições evidenciam uma força expressiva decorrente das qualidades plásticas dos elementos, das tensões internas e dos contrastes utilizados.
  • 31. ■ Caraterísticas temáticas, plásticas e técnicas: – Temática sem preocupações com questões de carácter social, político ou psicológico;: – Transmissão de sensações e de emoções profundas, através da utilização expressiva da cor; – Recurso ao «primitivismo» das formas, à simplicidade do traço e à distorção dos volumes;
  • 32. – Exaltação da cor com recurso a cores fortes, berrantes e puras, usadas em tonalidade arbitrárias e contrastantes; – Aplicação de pinceladas livres, intuitivas e emotivas, com empastes grossos e espessos.
  • 33. Henri Matisse, O Retrato da Risca Verde, 1905, óleo sobre tela, 40,5 x 32,5 Neste retrato, os planos de cor estão divididos no rosto por uma risca verde. No lado esquerdo, a face amarela sobressaí do fundo vermelho, enquanto que a metade direita, mais rosada, se planifica e retrai para o nível do fundo em cor verde.
  • 34. Henri Matisse, Natureza morta com Tapete Vermelho, 1906, óleo sobre tela 100 x140
  • 35. André Derain, Retrato de Matisse, 1905, óleo sobre tela, 46 x 34,9 O retrato é feito em grandes superfícies de cor, aplicadas em pinceladas fragmentadas, matéricas e texturadas, de cores fortes e contrastadas.
  • 36. O EXPRESSIONISMO E A CAPACIDADE EXPRESSIVA DAS FORMAS: OS GRUPOS DIE BRÜCKE E DER BLAUE REITER
  • 37. ■ Designa-se por Expressionismo o movimento artístico que nasceu na Alemanha, no início do século XX e que põe a tónica da sua arte na expressão das emoções e sentimentos. ■ Ao contrário do Impressionismo, que procurou representar a realidade visível, captada de fora para dentro, o Expressionismo representa as realidades invisíveis, executando uma arte de dentro para fora.
  • 38. ■ Como arte de espírito, o Expressionismo é o reflexo dos tempos conturbados que antecederam e acompanharam a 1ª Guerra e da renovação cultural e de mentalidades. ■ Esta forma de arte foi desenvolvida por dois movimentos: – O grupo Die Brücke (A Ponte) – fundada na cidade alemã Dresden; – O grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) – nascido na cidade de Munique.
  • 39. Grupo Die Brücke ■ O grupo Die Brücke significa A Ponte, foi fundado por Ernst Kirchner, Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff. ■ As suas pinturas compunham-se de cores violentas e figuras deformadas, numa pincelada vigorosa, representando temáticas de crítica social, num sentido irónico, grotesco ou dramático.
  • 40. ■ Exprimindo as inquietudes de um período ameaçado pela guerra Die Brücke refletia a angústia da condição humana, solitária e desamparada em ambientes despojados de qualquer sentimento. ■ A estética do movimento foi patética e convulsiva, revelada por uma linguagem figurativa, de formas simplificadas, propositadamente deformadas e aguçadas, contornadas por linhas a negro e preenchidas por cores ora puras, violentas e contrastadas, ora sombrias e “sujas”, anti naturalistas e aplicadas em pinceladas rápidas, matéricas e texturadas.
  • 41. Emil Nolde, Susana e os Velhos, 1912- 13 É uma pintura rude e grosseira, quer pelo desenho quer pela cor. O autor faz sobressair o grotesco e o lascivo pela deformação do corpo e do rosto das personagens.
  • 42. ■ As temáticas usadas por este grupo privilegiaram: – A vida íntima; – A sexualidade; – O erotismo; – Cenas de rua; – Cafés, cabarés; – O mundo da prostituição e da miséria urbana; – Os retratos e auto-retratos.
  • 43. ■ Os expressionistas de A Ponte foram influenciados pelas inovações plásticas e estéticas dos pós-impressionistas, com relevo para Van Gogh e pela arte de alguns pintores anteriores ao nascimento do grupo, como James Ensor e Edvard Munch.
  • 44. James Ensor, A Máscara Escandalizada, 1883 Foi o pintor do macabro e do insólito. As fisionomias são deformadas, como máscaras, com cores vibrantes e matérias de sentido satírico e grotesco Edvard Munch, A Rapariga na Ponte, 1901 A perspetiva e as formas simplificadas acentuam o aspeto enigmático, intrigante e inquietante da cena.
  • 45. Grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) ■ Surgiu em 1910, na Alemanha, Munique, fundado pelo artista russo Wassily Kandinsky. ■ O objetivo do grupo era unir sob o mesmo ideal artístico – a da vanguarda da arte europeia – criadores de Váris nacionalidades e de diferentes expressões, ultrapassando barreiras culturais e ideológicas.
  • 46. ■ As preferências do grupo vão para as temáticas naturalistas, de sentido algo irreal e alegórico, como paisagens, cenas sociais e da vida animal. ■ Na construção das formas, valorizam: – A mancha cromática; – A utilização de cores antinaturais, arbitrárias, claras, líricas e opostas.
  • 47. ■ As composições são orientadas maioritariamente por linhas circulares e sinuosas, segundo ritmos musicais. ■ A expressividade incide no lirismo, na emotividade, na tranquilidade e na paz, explorando o sentido mágico e místico dos conteúdos.
  • 48. Wassily Kandinsky, Composição IV Wassily Kandinsky, Paraíso
  • 49. Franz Marc, Grandes Cavalos Azuis, 1911 Paul Klee, Vento Quente no Jardim de Mac, 1915
  • 51. ■ O Dadaísmo foi um movimento cultural, artístico e filosófico de grande abrangência, surgido nas cidades de Zurique e Nova Iorque, durante a 1ª Guerra Mundial, por iniciativa de alguns intelectuais. ■ O seu nome deriva da palavra alemã “dada” (sons balbuciados pelos bebés).
  • 52. ■ Os artistas deste movimento pretenderam negar os conceitos de arte e de objeto, bem como as técnicas artísticas transmitidas pela tradição, anulando o próprio conceito de Arte – a verdadeira arte seria a antiarte. ■ O Dadaísmo surge como reação e provocação às sociedades burguesas e capitalistas da época. ■ Esta reação foi motivada pela violência e crueldade da guerra.
  • 53. ■ Os autores dadaístas acreditavam que, para construir uma “nova” sociedade, era preciso começar por destruir a antiga. ■ Principais técnicas: – O ready-made – um objeto vulgar extraído do seu contexto original e exibido como arte Roda da Bicicleta, Marcel Duchamp, 1913
  • 54. – A colagem, a assemblege – uma reunião de objetos fragmentados num quadro. Max Enst, Fruto de Uma Longa Experiência, 1919
  • 55. – Os rayographs – fotografias feitas pelo contacto dos objetos com o papel sensível. Raoul Hausmann, Sombras, 1951
  • 56. ■ Características do Dadaísmo: – A crítica social e a denúncia do que consideravam ser a hipocrisia dos valores burgueses da época; – As atitudes provocatórias e o recurso ao nonsense como forma de comunicação e expressão do movimento; – A negação dos conceitos, dos valores e das normas da arte vigentes;
  • 57. – A dessacralização (retirada do carácter sagrado) do objeto artístico através da apropriação e descontextualização de objetos de uso comum; – A defesa da espontaneidade e do carácter individualista da criação artística.
  • 59. ■ O Cubismo foi o movimento artístico, iniciado por Georges Braque e Pablo Picasso, por volta de 1907. ■ O Cubismo evoluiu em três fases: ■ A primeira decorreu entre 1907 e 1909 e resultou das influências de Cézanne e da escultura africana – foi a fase cezanniana.
  • 60. Picasso, Les Demoiselles d’Avignon, 1906-07
  • 61. Georges Braque, Casas de Estaque, 1908
  • 62. ■ As obras desta fase caracterizam-se: – pelas temáticas da paisagem e da figura humana em atelier; – Pela representação racional das formas com contorno quebrado; – Pela manutenção dos volumes.
  • 63. ■ A fase analítica ou hermética durou de 1909 a 1912 foi definida pela visão simultânea e multifacetada dos vários planos do motivo observado, fazendo com que o objeto aparecesse na tela como que quebrado ou implodido.
  • 64. Georges Braque, Violino e Cântaro, 1910 Pablo Picasso, O Aficcionado, 1912
  • 65. ■ Na transição da fase analítica para a sintética, Braque e Picasso começaram a introduzir nos quadros colagens de elementos reais, bi e tridimensionais, tais como recortes de jornal, papel de música, alfinetes e outros pequenos objetos.
  • 66. ■ A terceira fase designa-se fase sintética, que vai de 1912 a 1914 e que se caracteriza: – pela simplificação das formas; – Redução do número de planos; – Pelo retorno à policromia.
  • 67. Georges Braque, A Mesa do Músico, 1913
  • 68. ■ Características inovadoras do Cubismo: – A geometrização das formas e do espaço; – A redução dos volumes à bidimensionalidade; – A multiplicação de pontos de vista, pela rotação, sobreposição e interceção de planos; – A introdução da pluridimensionalidade no quadro; – A experimentação de novas técnicas, como a colagem de materiais diversos e a introdução do lettering.
  • 69. O SURREALISMO: O REGRESSO AO MUNDO VISÍVEL
  • 70. ■ Surrealismo – movimento artístico e literário desenvolvido a partir do programa estético do poeta André Breton, procurando exprimir as novas dimensões da condição humana.
  • 71. ■ Influências: – Pintura metafísica (de Giorgio de Chirico): representações figurativas de seres e objetos estranhos em espaços ambíguos e «impossíveis»; – Dadaísmo: o humor e o insólito, o grotesco e o irónico, as atitudes provocatórias e a contestação aos códigos convencionais, o sentido niilista das obras;
  • 72. – Teorias no domínio da Psicanálise de Freud, assumindo o sonho, o imaginário e ato espontâneo como fatores primordiais do processo criativo.
  • 73. ■ Características: – Corrente do «automatismo psíquico» ou da «livre associação», procurando a intervenção espontânea e aleatória e visando exprimir as profundezas do subconsciente; – Corrente onírica explorando o mundo dos sonhos, em representações figurativas incongruentes, estranhas e enigmáticas.
  • 74. ■ Técnicas do surrealismo: – Pintura automática; – A frottage (frottage do francês "frotter", em português"friccionar" é um método surrealista e "automático" de produção criativa desenvolvido por Max Ernst. No frottage o artista utiliza um lápis ou outra ferramenta de desenho e faz uma "fricção" sobre uma superfície texturizada. O desenho pode ser deixado como está, ou pode ser utilizado como base para aperfeiçoamento. Embora superficialmente similar à fricção em latão e a outras formas de "esfregar", visando reproduzir um objeto já existente, a técnica do frottage difere por ser aleatória;
  • 75. Max Ernst - Frottage
  • 76. – Collage.  Dentro do Surrealismo formaram-se duas correntes principais:  A do «automatismo psíquico», ou de livre associação, explorada por Joan Miró e André Masson, que procurou a correspondência imediata entre o inconsciente e a ação pictórica, num exercício espontâneo e aleatório para exprimir as profundezas do subconsciente.
  • 77. Uma gota de orvalho caindo da asa de um pássaro desperta Rosália que dorme à sombra de uma teia de aranha, Joan Miró, 1939. Seguindo a técnica do «automatismo psíquico», Miró vagueia entre a abstração e a figuração.
  • 78. – E uma via onírica, desenvolvida por Salvador Dali, René Magritte e Yves Tanguy, com uma temática oriunda do mundo dos sonhos, em associações figurativas incongruentes, estranhas, enigmáticas e por vezes bizarras.
  • 79. Aparição de uma cara e de um fruteiro numa praia, Salvador Dali, 1938 A Traição das Imagens (Isto não é um Cachimbo), René Magritte, 1929
  • 80. O NEORREALISMO: DO MURALISMO MEXICANO AO PROPAGANDISMO SOVIÉTICO
  • 81. ■ Neorrealismo – movimento figurativo surgido na América Latina (México) inspirando-se em temáticas revolucionárias e fundamentos sociais. ■ Características: – Execução de pinturas murais de grande dimensão com representações de carácter realista;
  • 82. – Exploração de temáticas revolucionárias de forte compromisso político e social a favor da Revolução e da luta de libertação dos povos; – Obras de tendência ideológica e com uma explícita retórica propagandística.
  • 83. A História do México: o Mundo de Hoje e Amanhã, Diego Rivera, fresco no Palácio Nacional do México, 1929-1935.
  • 84. A ESCOLA DE NOVA IORQUE: O EXPRESSIONISMO ABSTRATO E A ABSTRAÇÃO GEOMÉTRICA
  • 85. ■ Desenvolvendo-se a partir dos anos 1940, o Expressionismo Abstrato foi o primeiro movimento especificamente americano, colocando Nova Iorque no centro do mundo. ■ Aspetos sociais e culturais que favoreceram este movimento: – A deslocação do centro artístico de Paris para Nova Iorque, com a imigração de grande parte dos artistas europeus durante a II Guerra Mundial;
  • 86. – Condições económicas e sociais estáveis nos EUA; – Ascensão económica de uma classe burguesa recetiva a inovações artísticas; – Expansão do mercado da arte.
  • 87. ■ Influências: – Expressionismo alemão, em particular a Abstração Lírica desenvolvida por Kandinsky; – Surrealismo; – Abstracionismo geométrico de vanguardas como o Suprematismo e o Neoplasticismo.
  • 88. ■ Os artistas desta corrente valorizam mais o processo do que o produto do seu trabalho. ■ Neste contexto distingue-se Jackson Pollock, um arquétipo do «artista solitário», melancólico, violento e consumido por neuroses e frustrações.
  • 89. ■ Inovações plásticas e formais: – Gestualismo e a pintura de ação (action painting); – Dripping (verter tinta ou deitar pingos e manchas sobre a tela); – Over all painting, a pintura a toda a dimensão da tela sem critérios de composição; – Envolvimento do corpo no processo criativo, quer interferindo fisicamente no espaço da obra, quer estabelecendo uma relação física com os suportes, instrumentos e materiais.
  • 90. Número 1, Jackson Pollock, 1948 Convergence, Jackson Pollock, 1952
  • 92. ■ A transição para o Modernismo na arquitetura processa-se em torno de questões como a relação arte/técnica, o conflito tradição/modernidade, a divergência academismo/funcionalismo ou a articulação forma/função. ■ Quer a «Escola de Glasgow» (Mackintosh), quer a «Escola de Chicago» (Sullivan), lançam as bases da racionalidade estrutural, da simplicidade formal e da determinação da forma pela função que fundamentariam a arquitetura.
  • 93. FRANK LLOYD WRIGHT E OS FUNDAMENTOS DO ORGANICISMO
  • 94. ■ Discípulo de Sullivan, Frank Lloyd Wright criou o Organicismo, uma arquitetura em sintonia com a natureza. ■ Relação da obra de Frank Lloyd Wright com o Organicismo: – Articulação entre a forma construída e o espaço natural/paisagem; – Relação entre o espaço interior e exterior; – Valorização da cor e textura dos materiais, e utilização de materiais locais;
  • 95. – Aplicação de novas tecnologias construtivas e de materiais inovadores (estruturas de aço e betão); – Individualização de cada solução arquitetónica integrada no sítio e na envolvente.
  • 96. ■ Características da arquitetura organicista: – Enquadramento harmoniosa na Natureza; – Simplificação formal, relação dinâmica entre as linhas horizontais e verticais; – Relação próxima e equilibrada entre os elementos construtivos artificiais (lajes de betão) e os elementos naturais (rochas, terra e arvoredo);
  • 97. – Valorização das qualidades plásticas e cromáticas dos materiais locais utilizados em estado puro. Casa da Cascata,Frank Lloyd Wright, Pensilvânia, EUA, 134-1936
  • 98. GROPIUS E A BAUHAUS
  • 99. ■ Criada em 1919, a Bauhaus (uma escola de artes, arquitetura e design) foi o mais importante projeto artístico deste período. ■ Recuperou o espírito da unidade das artes e estabeleceu uma nova relação arte-técnica e arte-indústria, num projeto pedagógico inovador em que mestres, artesãos e alunos partilhavam experiências formativas, numa grande diversidade de expressões artísticas
  • 100. LE CORBUSIER E O FUNCIONALISMO
  • 101. ■ Na sua vasta obra teórica e prática, Le Corbusier estabelece as bases do Funcionalismo: – Entende a casa como uma «máquina de habitar» e afirma que «a forma segue a função» ■ Os seus edifícios privilegiam o racionalismo formal, a liberdade na composição de plantas e alçados e a predominância das linhas retas e horizontais.
  • 102. ■ Le Corbusier contribui para a evolução do Modernismo na arquitetura através dos seguintes aspetos: – Conceção do sistema construtivo Dom-ino constituído por pilares e lajes de betão organizadas de modo racional; Estrutura da Casa Dom-ino, Le Corbusier, 1914-1915
  • 103. – Predomínio da função sobre a forma, adaptação do espaço seguindo os princípios do funcionalismo; – Importância da criação do Modular, uma escala de proporções arquitetónicas que tinha como referência o corpo humano; – Conceção da casa como uma máquina de habitar – satisfação das necessidades materiais, emocionais e espirituais.
  • 104. ■ As suas pesquisas durante a década de 1920, culminaram na célebre Villa Savoye, na qual concretizou uma das suas principais teorias – Os Cinco Pontos para uma nova Arquitetura, onde sintetizou os princípios gerais da arquitetura moderna: – O edifício deve ser construído sobre pilotis (pilares cilíndricos), elevando a edificação do solo e permitindo ocupar o piso térreo com áreas de serviço e apoio à habitação;
  • 105. – Planta livre, organização utilitária e funcional do espaço interior; – Alçado livre, sem funções estruturais as paredes da fachada podem receber uma composição livre; – Janelas rasgadas horizontalmente melhorando a iluminação interior; – Cobertura em terraço, aproveitando o espaço para áreas de lazer, jardim ou solário
  • 106. Villa Savoye, Le Corbusier, França, 1928-1931
  • 107. A ARTE PORTUGUESA ATÉ AOS ANOS 1960
  • 108. ■ Na viragem do século XIX para o século XX, Portugal mantinha-se pobre e distante do desenvolvimento económico e social registado nos restantes países europeus. ■ Nas cidades uma classe burguesa de características provincianas dominava os meios artísticos e culturais e oferecia resistência à mudança estética, persistindo: – o gosto pela pintura de costumes; – Pelo Naturalismo; – Pelos valores arreigados à tradição.
  • 109. ■ O primeiro sinal de rutura é dado pela exposição de Arte Livre (1911) organizada por Manuel Bentes. ■ A eclosão da 1ª Guerra Mundial forçou o regresso de Paris de um grupo de artistas que aí tinham convivido com as vanguardas modernistas, entre eles encontram-se: – Amadeo de Souza-Cardoso; – Santa Rita; – Eduardo Viana Mentores do Orfismo
  • 110. ■ A estes jovens inconformistas juntar-se-iam: – Almada Negreiros; – Os poetas Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa – Formaram o grupo modernista do Orpheu
  • 111. ■ Tratava-se de um grupo muito heterogéneo de artistas que, hasteando a bandeira do recém-apresentado Futurismo. ■ Com uma produção mais literária do que propriamente plástica, este período foi marcado pela excentricidade de Santa-Rita Pintor
  • 112. Cabeça Cubo-Futurista, Santa- Rita Pintor, c.1910 Em 1912 Santa-Rita declarou: «Futurista declarado há só um, que sou eu». Esta frase contém a provocação e a impertinência de um dos mais carismáticos artistas do Modernismo português. Da obra produzida, pouco restou. A seu pedido, todos os trabalhos disponíveis forma destruídos após a sua morte. Esta obra manifesta uma interessante síntese entre o Cubismo Analítico e o dinamismo futurista.
  • 113. ■ Pela irreverência e múltipla criatividade de Almada Negreiros Autorretrato num Grupo, Almada Negreiros, 1925 Retratando-se em pleno café A Brasileira, no Chiado, este quadro reflete o ambiente de modernidade e cosmopolitismo vivido em Lisboa nos anos 1920
  • 114. ■ E pelo pioneirismo de Amadeo Souza-Cardoso, com uma profícua pesquisa plástica que percorreu as vanguardas, do Fauvismo ao Futurismo, só interrompida pela morte prematura aos 30 anos.
  • 115. A Máscara de Olho Verde, Amadeo de Souza-Cardoso, c.1915  Influências pictóricas na obra: – Cubismo: evocação do primitivismo das máscaras africanas (influência de Picasso); geometrismo do desenho. – Expressionismo: dramatismo expressivo; utilização das manchas de cores fortes, violentas e empastadas