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CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
ARQUITETURA E URBANISMO
IZIS FERREIRA PAIXÃO
RESENHA
ESCOLA CARIOCA
Arquitetura Contemporânea no Brasil - Páginas 71 a 115, Yves Bruand.
Arquiteturas no Brasil - 1900-1990 - Páginas 77 a 102, Hugo Segawa
Santo André – SP
2017
CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
ARQUITETURA E URBANISMO
Disciplina: História e Teoria da Arquitetura e Urbanismo
Prof.: Enrique Staschower
Alunos: Izis Ferreira Paixão RA: 718682
RESENHA
ESCOLA CARIOCA
Arquitetura Contemporânea no Brasil - Páginas 71 a 115, Yves Bruand.
Arquiteturas no Brasil - 1900-1990 - Páginas 77 a 102, Hugo Segawa
Santo André – SP
2017
RESENHA CRÍTICA
ESCOLA CARIOCA. Yves Bruand, Arquitetura Contemporânea no Brasil.
Perspectiva. 1991 - Páginas 71 a 115; Hugo Segawa, Arquiteturas no Brasil - 1900-
1990. EDUSP, 1998 – Páginas 77 a 102.
Por Izis Ferreira Paixão, aluna do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro
Universitário Fundação Santo André, Santo André- SP.
A Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), em 1930, ainda se encontrava
incorporada nos estilos neocoloniais, mesmo os arquitetos já cientes do movimento
racionalista europeu, não estavam convencidos, acreditando ser um estilo
passageiro, - visão essa compartilhada também por Lúcio Costa, estudioso do
patrimônio arquitetônico brasileiro, mas diferenciado dos seus colegas pelo seu
interesse nas soluções funcionais e volumétricas das construções dos séculos XVII
e XVIII, ao invés das formas decorativas das obras passadistas, o que o levou
posteriormente a aderir ao Movimento Moderno (BRUAND, Yves; p.71-72, 1991).
Segundo Bruand (p. 72, 1991), a relutância inicial de Lúcio Costa pela adesão
do modernismo estava associava ao fato de seus principais teóricos terem caráter
absolutista e de desprezo ao passado, fato esse que mudou com o aprofundamento
do arquiteto ao tema e principalmente após da vinda de Le Corbusier ao Brasil em
1925 – organizada por Paulo Prado e Warchavchik -, em sua conferencia na ENBA e
sua proposta de revitalização do Rio de Janeiro, pautada nos ensinamentos
racionalistas modernos e respeitando a estrutura da cidade e a paisagem natural.
Com Getúlio Vargas no poder, houve a necessidade de reformulações
administrativas e políticas, como por exemplo, a criação do Ministério da Educação,
cujo chefe de gabinete era o intelectual advogado Rodrigo Mello Franco de Andrade,
que convenceu o ministro Francisco Campos a colocar Lúcio Costa como diretor da
ENBA em 1930. Pretendia-se uma reforma no ensinamento da escola, onde os
alunos poderiam escolher entre o academicismo ou a didática moderna, que resultou
em um rápido fracasso devido às reclamações e críticas dos professores
academicistas, que teve como consequência a saída do jovem diretor da escola
(BRUAND, Yves; p. 72-73, 1991), sob protestos dos estudantes que contaram com a
participação de Frank Lloyd Wright, que se encontrava no Rio de Janeiro (SEGAWA,
Hugo; p. 79, 1998).
As violentas críticas a Lúcio Costa e a Arquitetura Moderna eram
vigorosamente lançadas pelo seu antigo professor e diretor José Mariano Filho,
acusando o arquiteto de ser “[...] um cínico arrivista, pronto a vender-se pela melhor
oferta, e um oportunista sem caráter [...]” (BRUAND, Yves; p. 73, 1991) e de
Christiano das Neves, em São Paulo (SEGAWA, Hugo; p. 79, 1998), onde Lúcio
Costa respondia com total nobreza e paciência, dizendo que como estudante da
arquitetura neocolonial, procurou interpretá-la como um profissional, considerando
sua racionalidade a partir de sua verdade construtiva e emprego de matérias, que no
entanto, eram mascarados pelas decorações e não consideravam as questões
econômicas e sociais, não correspondendo as necessidades do século XX. Verifica-
se em Lúcio Costa, desde 1931, seu entendimento racionalista – influenciado pela
vanguarda europeia – sintetizado com a tradição local.
Segundo Segawa (p. 79-81, 1998), ainda nesse período, Lúcio Costa “[...]
possuía uma interpretação difusa das vanguardas europeias e da percepção da
modernidade num quadro de transformações sociais e materiais [...]”, atuando no
modernismo apenas pelo descontentamento com o neocolonialismo. Foi somente
com as conferencias de Le Corbusier, que o mesmo tomou ciência da abordagem
completa do Modernismo, seja em seu caráter social, tecnológico, construtivo e
plástico.
Os anos de 1931 a 1935 serviram para a aprofundar as ideias e
conhecimentos da arquitetura moderna de arquitetos recém-formados, que
analisavam obras de Le Corbusier, Gropius, Mies Van de Rohe e Lúcio Costa,
atraídos pela função social e econômica dessa nova corrente e elementos de ordem
técnica e plástica. A influência desse primeiro arquiteto foi de grande importância
para a produção da arquitetura moderna em solo brasileiro – representada pelas
obras iniciais de Warchavchik em 1928 -, mas que ocorreu de forma madura
somente em 1936, onde passou-se a produzir a Arquitetura Moderna Brasileira,
original e de respeito internacional (BRUAND, Yves; p. 74, 1991).
Bruand (p. 74-76, 1991), disserta sobre alguns dos principais arquitetos
modernistas formados da ENBA, cujas primeiras obras desse período sofreram
influência direta das diretrizes corbusianas, como por exemplo, o conjunto da
Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira em Monlevade de Lúcio Costa; o Clube
Esportivo, de Oscar Niemeyer de 1934, quando ainda estudava na ENBA; as obras
municipais e propostas de Affonso Eduardo Reidy- definidos, segundo Segawa (p.
82, 1998) pela busca da racionalidade do programa, dos usos e das circulações,
com ênfase na iluminação e ventilação naturais e a modulação do concreto armado,
como lógica construtiva -; todas esses projetos são caracterizados pela presença
dos pilotis, planta e fachada livres em consequência da estrutura independente e em
balanço, janelas em fita, faltando somente o terraço jardim. Esses primeiros anos
foram importantes para assegurar a mudança lenta, mas segura que estava
ocorrendo na arquitetura.
Segundo Segawa (p.83-84, 1998), Luís Nunes foi um arquiteto revolucionário,
também estudante da ENBA, mas que logo que formado mudou-se para Recife,
onde, através do apoio político do governador Carlos de Lima Cavalcânti, montou
uma equipe de arquitetos, engenheiros e artesãos – onde pode-se citar, o arquiteto-
paisagista Roberto Burle Marx e o engenheiro Joaquim Cardozo - para liderar as
obras do município. Nunes pretendia que os projetos fossem elaborados dentro de
um único critério, e possuía um rígido método de controle de qualidade de suas
obras, introduzindo novos métodos e materiais construtivos, mais econômicos e
setorizados, oferecendo inclusive cursos profissionalizantes para qualificar a mão-
de-obra da região pernambucana.
Entre suas obras, cita-se a Escola para Crianças Excepcionais, de 1935 -
onde o jovem arquiteto conseguiu de maneira audaciosa unir os aspectos formais da
arquitetura moderna e soluções tradicionais - e o Hospital da Brigada Militar, de
1935 a 1937, cuja solução modernista do arquiteto se deve pela utilização do terreno
de forma racional; esse período também é caracterizado por grandes conquistas
urbanísticas por parte desse arquiteto mineiro. Verifica-se a produção de Luís Nunes
com caráter original – diferente da produção carioca – cuja inspiração se partia de
Gropius, e não uma influência rígida de Le Corbusier; fazendo surgir em
Pernambuco as primeiras obras que podem ser consideradas Arquitetura Moderna
Brasileira (SEGAWA, Hugo; p. 84-85, 1998).
Ainda que surgindo inicialmente em São Paulo, a produção da arquitetura
moderna passou para a capital carioca, segundo Bruand (p. 80, 1991), devido seus
percussores paulistas– Warchavchic e Rino Levi – o primeiro estrangeiro e ambos
de formação internacional, quando a sociedade moderna aclamava por
nacionalidade e principalmente, pelo fato na cidade paulista não possuir uma Escola
de Belas Artes na época, somente a Escola Politécnica, mergulhada nos
ensinamentos de Ramos de Azevedo e impermeável as novas tendências
racionalistas, que estavam presentes em alguns indivíduos isolados em São Paulo,
mas que não representavam a originalidade brasileira e as obras de Luís Nunes
estavam muito distantes para influenciar o restante do país. Essa situação somente
mudaria em 1936, com o edifício do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de
Janeiro.
Concluído em 1943, o ministério teve seu projeto supervisionado por Le
Corbusier, que resultou em uma experiência profunda para o grupo de arquitetos
que fazia parte e as obras futuras que iriam produzir, que levaram a exposição de R.
Kidder-Smith no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e outras publicações.
Derivado de um concurso, o Ministério da Educação e Saúde teve como proposta
ganhadora a do arquiteto Archimedes Memória – professor academicistas da ENBA
-, mas que não agradou o ministro Gustavo Capanema – persuadido pelo
Modernismo – não aprovando o projeto, mas dando o pagamento aos vencedores.
Em seguida, convidou o grupo liderado por Lúcio Costa – que posteriormente, se
juntariam aos autores das outras três propostas modernas, todos formados pela
ENBA e influenciados por Le Corbusier, composto por Affonso Reidy, Carlos Leão,
Jorge Moreira, Ernani Vasconcellos e Oscar Niemeyer - para apresentar um projeto
novo e monumental (BRUAND, Yves; p. 81-82, 1991).
A estadia de Le Corbusier no Rio de Janeiro fomentou dois grandes projetos:
a supervisão do projeto do ministério e a Cidade Universitária, que contavam com
outros jovens arquitetos do CIAM, mas que não foi construído. O arquiteto franco-
suíço elaborou uma série de estudos e croquis, prevendo inclusive a mudança do
terreno do projeto – que não foi consentida – com o uso predominantemente da
horizontalidade, com orientação e vista para baia determinada. Segundo Segawa (p.
78, 1998), as palestras do arquiteto estrangeiro foram de extrema importância e
influencia para recém-formados como Carlos Leão e Álvaro Vital Brazil, para a
engenharia Carmen Portinho, entre outras personalidades.
Os arquitetos brasileiros após a partida de Le Corbusier analisaram suas
propostas para a elaboração do projeto final, realizando alterações de ordenamento
espacial e volumétrica do edifício, tendendo-o a verticalização. Assim foi construído
o edifício do Ministério da Educação e Saúde, transformado o térreo em uma grande
esplanada, espaços abertos de ambos os lados – favorecendo a sua
monumentalidade – e outros aspectos plásticos, funcionais e racionais adotados por
esse grupo de arquitetos – e a presença de Le Corbusier, tornaram-no o grande
marco do início da Arquitetura Moderna Brasileira (BRUAND, Yves; p. 83-87, 1991),
visão compartilhada com Segawa (p. 92, 1998), conforme trecho abaixo:
“A sede do Ministério da Educação e Saúde é considerado o
ponto inicial de uma arquitetura moderna de feitio brasileiro
[...] os desdobramentos posteriores caminham no sentido de
confirmar a afirmação, sobretudo no plano internacional [...]”
(SEGAWA, Hugo; p. 92, 1998).
A experiência do grupo de arquitetos brasileiros na estadia de Le Corbusier
em 1936, foi essencial para a maturidade de nossa arquitetura, onde, conforme
Bruand (p. 89-91, 1991), pode-se retirar três pontos importantes: o método de
trabalho, a preocupação com os problemas formais e a valorização dos elementos
locais - paisagem natural e materiais-, compreendendo também os racionalistas
brasileiros que “[...] a arquitetura nova não estava essencialmente voltada para a
austeridade, e que não se devia excluir o apelo aos recursos do passado, se estes
conservavam sua razão de ser e de se adaptam ao espirito das edificações
modernas [...]” (BRUAND, Yves; p. 91, 1991).
Entre os aspectos da Arquitetura Moderna Brasileira àquela ensinada por Le
Corbusier, percebe-se a presença das curvas orgânicas, do térreo completamente
livre do chão através dos pilotis, plástica baseada na elegância da construção. Outro
fato aliado a arquitetura moderna nacional é o fato dos arquitetos trabalharem em
conjuntos com mestres de outras artes complementares à arquitetura, como é o
caso das pinturas de Cândido Portinari, as esculturas de Bruno Giorgi, Antônio Celso
e Jacques Lipchitz, o paisagismo de Roberto Burle Marx, que segundo Yves Bruand
(p.93, 1991): “[...] O resultado obtido foi um conjunto de grande beleza plástica,
realçando e complementando magnificamente a arquitetura, mas, ao mesmo tempo,
a ela subordinado [...]”.
Segundo Bruand (p. 93-95, 1991) o mérito do primeiro edifício moderno
brasileiro cabe aos irmãos Marcelo e Milton Roberto, com o projeto ganhador do
concurso para a sede da Associação Brasileira de Imprensa (A.B.I.), no ano de 1938
e que não teve a consultoria de Le Corbusier, onde o autor relata que “cuja
contribuição foi decisiva, mas que correspondeu a um processo já em marcha”. O
projeto possuía a princípio os cinco pontos de sua arquitetura, mas que não foram
consideradas apropriadas para este caso; os arquitetos estão modificaram essas
diretrizes para a elaboração de uma proposta original e moderna.
Os dois irmãos conseguiram provar através dessa construção que a
arquitetura moderna era rentável em todos os sentidos, e conseguiram através da
técnica não somente a plástica necessária, mas principalmente de uma estética de
alta qualidade. No entanto, de acordo com o mesmo autor, não se pode equiparar a
sede da A.B.I com o Ministério da Educação e Saúde, devido o primeiro não ter
conseguido alcançar o perfeito equilíbrio e vigor plástico do segundo (BRUAND,
Yves; p. 96, 1991).
Logo após ao sucesso da primeira grande obra dos irmãos, venceram
também o concurso para o Aeroporto de Santos Dumont, de 1938-1944, que passou
por grandes transformações do projeto inicial ao construído. Posteriormente
projetaram também o edifício do Instituto de Resseguros do Brasil (I.R.B.), de 1941 e
concluído em 1944, caracterizado pela sua concepção geométrica, aperfeiçoamento
de processos já existentes e plástica – proporções, cores, materiais e integração das
artes. Bruand (p. 102-103, 1991) também destaca as obras do arquiteto Attílio
Correa Lima, para a Estação de Hidraviões no Rio de Janeiro.
Segawa (p. 85-86, 1998), cita também outros dois arquitetos, ex-alunos da
escola carioca, que assim como os irmãos Marcelo e Milton Roberto, já continham
os sinais da mudança da arquitetura brasileira, que é o caso de Álvaro Vital Brazil,
que em 1936, juntamente com Adhemar Marinho, ganharam o concurso do
anteprojeto para um edifício de alto padrão de uso misto, que viria a ser o Edifício
Esther, em São Paulo. Vital encontrou soluções econômicas levando em
consideração os cinco pontos corbusiano.
Outro arquiteto de grande influência da maturidade arquitetônica brasileira foi
Oscar Niemeyer, que teve a sua primeira oportunidade de firmação com a Creche
Obra do Berço, de 1937, caracterizada por um jogo hábil de volumes simples,
pureza nas proporções de todas os elementos e leveza. Seu grande potencial
plástico iria se evidenciar no Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Nova
Iorque, em 1937, juntamente com Lúcio Costa, que buscaram desenvolver um
projeto de construção simples, harmonioso e equilibrado, contendo uma rampa
sinuosa e um corpo retangular rígido mais afastado, cujo predomínio das curvas
quebrava a ortogonalidade e rigor do estilo internacional (BRUAND, Yves; p. 104-
106, 1991).
“[...]Tratava-se de convincente exemplo de nova forma de
expressão arquitetônica, com características de criação
autenticamente brasileiras com sua flexibilidade e riquezas
plásticas; contudo esse caráter nacional não era mais
perseguido na cópia esterilizante das formas do passado,
mas através de uma linguagem moderna, com marcante
interpretação pessoal plenamente valida e de grande
significação [...]“ (BRUAND, Yves; p. 107, 1991).
Bruand (p. 107-110, 1991) cita outras obras desse grande arquiteto carioca foi
o Grande Hotel de Ouro Preto, de 1940, utilizando materiais tradicionais e métodos
modernos de construção, o projeto conseguiu dialogar com as demais construções
do conjunto histórico da cidade, através do jogo de volumes e espaços. Logo em
seguida, foi autor do projeto do conjunto da Pampulha, através do prefeito de Belo
Horizonte Juscelino Kubitschek, onde diversos edifícios – um cassino, um clube, um
salão de dança popular, uma igreja e um hotel - foram dispostos ao redor do lago
artificial da Pampulha, onde Oscar Niemeyer exibiu uma gama de possibilidades
plásticas que o concreto armado poderia fornecer, onde se há um contraste entre os
volumes planos e curvos e entre superfícies.
Segundo Bruand (p. 114, 1991) discorda de Gillo Dorfles (apud DORFLES,
Gillo; p. 110-114, 1956) ao dizer que a arquitetura de Niemeyer estava apoiada ás
praticas barrocas, devido a sinuosidade de suas construções e o estudo do espaço,
onde o autor ressalta que essa inovação se dá ao fato do concreto armado
proporcionar “soluções novas e criativas, sugeridas pela técnica contemporânea”.
No entanto, no texto de Segawa (p. 96, 1998) o mesmo cita um trecho do
pronunciamento de Lúcio Costa sobre o Pavilhão Brasileiro em Nova Iorque, onde o
arquiteto faz referência ao barroco, como uma ligação mais intima com a tradição
brasileira, mais ainda pautada na racionalidade das formas:
“Essa quebra de rigidez, esse movimento ordenado que
percorre de um extremo a outro a composição tem mesmo
qualquer coisa de barroco – no bom sentido da palavra – o
que é muito importante para nós pois representa de certo
modo uma ligação com o espírito tradicional da arquitetura
luso-brasileira” (SEGAWA, Hugo; p. 96, 1998 apud Pavilhão
do Brasil, 1939).
Em outros trechos, Segawa (p. 96, 1998), refere-se ainda a apologia de
Niemeyer na utilização das curvas, fundamentado em citações de Lúcio Costa a
comparando a curvas femininas – feitio jônico – característica brasileira, que não
mais seguia os dogmas da arquitetura moderna europeia – que mais se assemelha
ao dórico.
Além da exposição fotográficas de R. Kidder-Smith no Museu de Arte
Moderna de Nova Iorque, com o Ministério da Educação e Saúde, outra importante
publicação para a representatividade internacional da arquitetura brasileira foi o livro
“Brazil Build” – Brasil Constrói – de Goodwin em 1943, um esforço dos norte-
americanos de divulgar as conquistas brasileiras, cujo real propósito era a
vinculação do Brasil como aliado nos conflitos europeus. Dessa aliança, o pais
conseguiu recursos norte-americanos para a implantação da Usina Siderúrgica de
Volta Redonda. Após o sucesso do Pavilhão Lúcio Costa e Oscar Niemeyer e as
exposições da arquitetura brasileiras nos EUA, a produção em solo brasileiro se
acentuou, principalmente em São Paulo, onde os arquitetos não tiveram as mesmas
oportunidades e apoio por parte do poder público (SEGAWA, Hugo; p. 100-102,
1998).
Yves Bruand conclui, que dois grandes feitos contribuíram para o respeito e
reconhecimento internais da arquitetura brasileira: o primeiro, o grande apoio político
que propiciou a reforma administrativa da ENBA no Rio de Janeiro e construção de
obras de caráter cívico e monumental e a colaboração presencial do arquiteto Le
Corbusier, fato esse divisor de águas para a produção madura dessa arquitetura,
marcada pela grandiosidade de suas obras, sua riqueza formal e material e por sua
plasticidade autentica (BRUAND, Yves; p. 114-115, 1991).
REFERÊNCIAS
BRUAND, Yves, Arquitetura Contemporânea no Brasil. Editora Perspectiva, 1991.
SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil. 1900-1990. São Paulo: Editora da
Universidade de São Paulo, 1997.

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  • 1. CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ ARQUITETURA E URBANISMO IZIS FERREIRA PAIXÃO RESENHA ESCOLA CARIOCA Arquitetura Contemporânea no Brasil - Páginas 71 a 115, Yves Bruand. Arquiteturas no Brasil - 1900-1990 - Páginas 77 a 102, Hugo Segawa Santo André – SP 2017
  • 2. CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ ARQUITETURA E URBANISMO Disciplina: História e Teoria da Arquitetura e Urbanismo Prof.: Enrique Staschower Alunos: Izis Ferreira Paixão RA: 718682 RESENHA ESCOLA CARIOCA Arquitetura Contemporânea no Brasil - Páginas 71 a 115, Yves Bruand. Arquiteturas no Brasil - 1900-1990 - Páginas 77 a 102, Hugo Segawa Santo André – SP 2017
  • 3. RESENHA CRÍTICA ESCOLA CARIOCA. Yves Bruand, Arquitetura Contemporânea no Brasil. Perspectiva. 1991 - Páginas 71 a 115; Hugo Segawa, Arquiteturas no Brasil - 1900- 1990. EDUSP, 1998 – Páginas 77 a 102. Por Izis Ferreira Paixão, aluna do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Fundação Santo André, Santo André- SP. A Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), em 1930, ainda se encontrava incorporada nos estilos neocoloniais, mesmo os arquitetos já cientes do movimento racionalista europeu, não estavam convencidos, acreditando ser um estilo passageiro, - visão essa compartilhada também por Lúcio Costa, estudioso do patrimônio arquitetônico brasileiro, mas diferenciado dos seus colegas pelo seu interesse nas soluções funcionais e volumétricas das construções dos séculos XVII e XVIII, ao invés das formas decorativas das obras passadistas, o que o levou posteriormente a aderir ao Movimento Moderno (BRUAND, Yves; p.71-72, 1991). Segundo Bruand (p. 72, 1991), a relutância inicial de Lúcio Costa pela adesão do modernismo estava associava ao fato de seus principais teóricos terem caráter absolutista e de desprezo ao passado, fato esse que mudou com o aprofundamento do arquiteto ao tema e principalmente após da vinda de Le Corbusier ao Brasil em 1925 – organizada por Paulo Prado e Warchavchik -, em sua conferencia na ENBA e sua proposta de revitalização do Rio de Janeiro, pautada nos ensinamentos racionalistas modernos e respeitando a estrutura da cidade e a paisagem natural. Com Getúlio Vargas no poder, houve a necessidade de reformulações administrativas e políticas, como por exemplo, a criação do Ministério da Educação, cujo chefe de gabinete era o intelectual advogado Rodrigo Mello Franco de Andrade, que convenceu o ministro Francisco Campos a colocar Lúcio Costa como diretor da ENBA em 1930. Pretendia-se uma reforma no ensinamento da escola, onde os alunos poderiam escolher entre o academicismo ou a didática moderna, que resultou em um rápido fracasso devido às reclamações e críticas dos professores academicistas, que teve como consequência a saída do jovem diretor da escola (BRUAND, Yves; p. 72-73, 1991), sob protestos dos estudantes que contaram com a
  • 4. participação de Frank Lloyd Wright, que se encontrava no Rio de Janeiro (SEGAWA, Hugo; p. 79, 1998). As violentas críticas a Lúcio Costa e a Arquitetura Moderna eram vigorosamente lançadas pelo seu antigo professor e diretor José Mariano Filho, acusando o arquiteto de ser “[...] um cínico arrivista, pronto a vender-se pela melhor oferta, e um oportunista sem caráter [...]” (BRUAND, Yves; p. 73, 1991) e de Christiano das Neves, em São Paulo (SEGAWA, Hugo; p. 79, 1998), onde Lúcio Costa respondia com total nobreza e paciência, dizendo que como estudante da arquitetura neocolonial, procurou interpretá-la como um profissional, considerando sua racionalidade a partir de sua verdade construtiva e emprego de matérias, que no entanto, eram mascarados pelas decorações e não consideravam as questões econômicas e sociais, não correspondendo as necessidades do século XX. Verifica- se em Lúcio Costa, desde 1931, seu entendimento racionalista – influenciado pela vanguarda europeia – sintetizado com a tradição local. Segundo Segawa (p. 79-81, 1998), ainda nesse período, Lúcio Costa “[...] possuía uma interpretação difusa das vanguardas europeias e da percepção da modernidade num quadro de transformações sociais e materiais [...]”, atuando no modernismo apenas pelo descontentamento com o neocolonialismo. Foi somente com as conferencias de Le Corbusier, que o mesmo tomou ciência da abordagem completa do Modernismo, seja em seu caráter social, tecnológico, construtivo e plástico. Os anos de 1931 a 1935 serviram para a aprofundar as ideias e conhecimentos da arquitetura moderna de arquitetos recém-formados, que analisavam obras de Le Corbusier, Gropius, Mies Van de Rohe e Lúcio Costa, atraídos pela função social e econômica dessa nova corrente e elementos de ordem técnica e plástica. A influência desse primeiro arquiteto foi de grande importância para a produção da arquitetura moderna em solo brasileiro – representada pelas obras iniciais de Warchavchik em 1928 -, mas que ocorreu de forma madura somente em 1936, onde passou-se a produzir a Arquitetura Moderna Brasileira, original e de respeito internacional (BRUAND, Yves; p. 74, 1991). Bruand (p. 74-76, 1991), disserta sobre alguns dos principais arquitetos modernistas formados da ENBA, cujas primeiras obras desse período sofreram
  • 5. influência direta das diretrizes corbusianas, como por exemplo, o conjunto da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira em Monlevade de Lúcio Costa; o Clube Esportivo, de Oscar Niemeyer de 1934, quando ainda estudava na ENBA; as obras municipais e propostas de Affonso Eduardo Reidy- definidos, segundo Segawa (p. 82, 1998) pela busca da racionalidade do programa, dos usos e das circulações, com ênfase na iluminação e ventilação naturais e a modulação do concreto armado, como lógica construtiva -; todas esses projetos são caracterizados pela presença dos pilotis, planta e fachada livres em consequência da estrutura independente e em balanço, janelas em fita, faltando somente o terraço jardim. Esses primeiros anos foram importantes para assegurar a mudança lenta, mas segura que estava ocorrendo na arquitetura. Segundo Segawa (p.83-84, 1998), Luís Nunes foi um arquiteto revolucionário, também estudante da ENBA, mas que logo que formado mudou-se para Recife, onde, através do apoio político do governador Carlos de Lima Cavalcânti, montou uma equipe de arquitetos, engenheiros e artesãos – onde pode-se citar, o arquiteto- paisagista Roberto Burle Marx e o engenheiro Joaquim Cardozo - para liderar as obras do município. Nunes pretendia que os projetos fossem elaborados dentro de um único critério, e possuía um rígido método de controle de qualidade de suas obras, introduzindo novos métodos e materiais construtivos, mais econômicos e setorizados, oferecendo inclusive cursos profissionalizantes para qualificar a mão- de-obra da região pernambucana. Entre suas obras, cita-se a Escola para Crianças Excepcionais, de 1935 - onde o jovem arquiteto conseguiu de maneira audaciosa unir os aspectos formais da arquitetura moderna e soluções tradicionais - e o Hospital da Brigada Militar, de 1935 a 1937, cuja solução modernista do arquiteto se deve pela utilização do terreno de forma racional; esse período também é caracterizado por grandes conquistas urbanísticas por parte desse arquiteto mineiro. Verifica-se a produção de Luís Nunes com caráter original – diferente da produção carioca – cuja inspiração se partia de Gropius, e não uma influência rígida de Le Corbusier; fazendo surgir em Pernambuco as primeiras obras que podem ser consideradas Arquitetura Moderna Brasileira (SEGAWA, Hugo; p. 84-85, 1998). Ainda que surgindo inicialmente em São Paulo, a produção da arquitetura moderna passou para a capital carioca, segundo Bruand (p. 80, 1991), devido seus
  • 6. percussores paulistas– Warchavchic e Rino Levi – o primeiro estrangeiro e ambos de formação internacional, quando a sociedade moderna aclamava por nacionalidade e principalmente, pelo fato na cidade paulista não possuir uma Escola de Belas Artes na época, somente a Escola Politécnica, mergulhada nos ensinamentos de Ramos de Azevedo e impermeável as novas tendências racionalistas, que estavam presentes em alguns indivíduos isolados em São Paulo, mas que não representavam a originalidade brasileira e as obras de Luís Nunes estavam muito distantes para influenciar o restante do país. Essa situação somente mudaria em 1936, com o edifício do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. Concluído em 1943, o ministério teve seu projeto supervisionado por Le Corbusier, que resultou em uma experiência profunda para o grupo de arquitetos que fazia parte e as obras futuras que iriam produzir, que levaram a exposição de R. Kidder-Smith no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e outras publicações. Derivado de um concurso, o Ministério da Educação e Saúde teve como proposta ganhadora a do arquiteto Archimedes Memória – professor academicistas da ENBA -, mas que não agradou o ministro Gustavo Capanema – persuadido pelo Modernismo – não aprovando o projeto, mas dando o pagamento aos vencedores. Em seguida, convidou o grupo liderado por Lúcio Costa – que posteriormente, se juntariam aos autores das outras três propostas modernas, todos formados pela ENBA e influenciados por Le Corbusier, composto por Affonso Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira, Ernani Vasconcellos e Oscar Niemeyer - para apresentar um projeto novo e monumental (BRUAND, Yves; p. 81-82, 1991). A estadia de Le Corbusier no Rio de Janeiro fomentou dois grandes projetos: a supervisão do projeto do ministério e a Cidade Universitária, que contavam com outros jovens arquitetos do CIAM, mas que não foi construído. O arquiteto franco- suíço elaborou uma série de estudos e croquis, prevendo inclusive a mudança do terreno do projeto – que não foi consentida – com o uso predominantemente da horizontalidade, com orientação e vista para baia determinada. Segundo Segawa (p. 78, 1998), as palestras do arquiteto estrangeiro foram de extrema importância e influencia para recém-formados como Carlos Leão e Álvaro Vital Brazil, para a engenharia Carmen Portinho, entre outras personalidades.
  • 7. Os arquitetos brasileiros após a partida de Le Corbusier analisaram suas propostas para a elaboração do projeto final, realizando alterações de ordenamento espacial e volumétrica do edifício, tendendo-o a verticalização. Assim foi construído o edifício do Ministério da Educação e Saúde, transformado o térreo em uma grande esplanada, espaços abertos de ambos os lados – favorecendo a sua monumentalidade – e outros aspectos plásticos, funcionais e racionais adotados por esse grupo de arquitetos – e a presença de Le Corbusier, tornaram-no o grande marco do início da Arquitetura Moderna Brasileira (BRUAND, Yves; p. 83-87, 1991), visão compartilhada com Segawa (p. 92, 1998), conforme trecho abaixo: “A sede do Ministério da Educação e Saúde é considerado o ponto inicial de uma arquitetura moderna de feitio brasileiro [...] os desdobramentos posteriores caminham no sentido de confirmar a afirmação, sobretudo no plano internacional [...]” (SEGAWA, Hugo; p. 92, 1998). A experiência do grupo de arquitetos brasileiros na estadia de Le Corbusier em 1936, foi essencial para a maturidade de nossa arquitetura, onde, conforme Bruand (p. 89-91, 1991), pode-se retirar três pontos importantes: o método de trabalho, a preocupação com os problemas formais e a valorização dos elementos locais - paisagem natural e materiais-, compreendendo também os racionalistas brasileiros que “[...] a arquitetura nova não estava essencialmente voltada para a austeridade, e que não se devia excluir o apelo aos recursos do passado, se estes conservavam sua razão de ser e de se adaptam ao espirito das edificações modernas [...]” (BRUAND, Yves; p. 91, 1991). Entre os aspectos da Arquitetura Moderna Brasileira àquela ensinada por Le Corbusier, percebe-se a presença das curvas orgânicas, do térreo completamente livre do chão através dos pilotis, plástica baseada na elegância da construção. Outro fato aliado a arquitetura moderna nacional é o fato dos arquitetos trabalharem em conjuntos com mestres de outras artes complementares à arquitetura, como é o caso das pinturas de Cândido Portinari, as esculturas de Bruno Giorgi, Antônio Celso e Jacques Lipchitz, o paisagismo de Roberto Burle Marx, que segundo Yves Bruand (p.93, 1991): “[...] O resultado obtido foi um conjunto de grande beleza plástica, realçando e complementando magnificamente a arquitetura, mas, ao mesmo tempo, a ela subordinado [...]”.
  • 8. Segundo Bruand (p. 93-95, 1991) o mérito do primeiro edifício moderno brasileiro cabe aos irmãos Marcelo e Milton Roberto, com o projeto ganhador do concurso para a sede da Associação Brasileira de Imprensa (A.B.I.), no ano de 1938 e que não teve a consultoria de Le Corbusier, onde o autor relata que “cuja contribuição foi decisiva, mas que correspondeu a um processo já em marcha”. O projeto possuía a princípio os cinco pontos de sua arquitetura, mas que não foram consideradas apropriadas para este caso; os arquitetos estão modificaram essas diretrizes para a elaboração de uma proposta original e moderna. Os dois irmãos conseguiram provar através dessa construção que a arquitetura moderna era rentável em todos os sentidos, e conseguiram através da técnica não somente a plástica necessária, mas principalmente de uma estética de alta qualidade. No entanto, de acordo com o mesmo autor, não se pode equiparar a sede da A.B.I com o Ministério da Educação e Saúde, devido o primeiro não ter conseguido alcançar o perfeito equilíbrio e vigor plástico do segundo (BRUAND, Yves; p. 96, 1991). Logo após ao sucesso da primeira grande obra dos irmãos, venceram também o concurso para o Aeroporto de Santos Dumont, de 1938-1944, que passou por grandes transformações do projeto inicial ao construído. Posteriormente projetaram também o edifício do Instituto de Resseguros do Brasil (I.R.B.), de 1941 e concluído em 1944, caracterizado pela sua concepção geométrica, aperfeiçoamento de processos já existentes e plástica – proporções, cores, materiais e integração das artes. Bruand (p. 102-103, 1991) também destaca as obras do arquiteto Attílio Correa Lima, para a Estação de Hidraviões no Rio de Janeiro. Segawa (p. 85-86, 1998), cita também outros dois arquitetos, ex-alunos da escola carioca, que assim como os irmãos Marcelo e Milton Roberto, já continham os sinais da mudança da arquitetura brasileira, que é o caso de Álvaro Vital Brazil, que em 1936, juntamente com Adhemar Marinho, ganharam o concurso do anteprojeto para um edifício de alto padrão de uso misto, que viria a ser o Edifício Esther, em São Paulo. Vital encontrou soluções econômicas levando em consideração os cinco pontos corbusiano. Outro arquiteto de grande influência da maturidade arquitetônica brasileira foi Oscar Niemeyer, que teve a sua primeira oportunidade de firmação com a Creche
  • 9. Obra do Berço, de 1937, caracterizada por um jogo hábil de volumes simples, pureza nas proporções de todas os elementos e leveza. Seu grande potencial plástico iria se evidenciar no Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Nova Iorque, em 1937, juntamente com Lúcio Costa, que buscaram desenvolver um projeto de construção simples, harmonioso e equilibrado, contendo uma rampa sinuosa e um corpo retangular rígido mais afastado, cujo predomínio das curvas quebrava a ortogonalidade e rigor do estilo internacional (BRUAND, Yves; p. 104- 106, 1991). “[...]Tratava-se de convincente exemplo de nova forma de expressão arquitetônica, com características de criação autenticamente brasileiras com sua flexibilidade e riquezas plásticas; contudo esse caráter nacional não era mais perseguido na cópia esterilizante das formas do passado, mas através de uma linguagem moderna, com marcante interpretação pessoal plenamente valida e de grande significação [...]“ (BRUAND, Yves; p. 107, 1991). Bruand (p. 107-110, 1991) cita outras obras desse grande arquiteto carioca foi o Grande Hotel de Ouro Preto, de 1940, utilizando materiais tradicionais e métodos modernos de construção, o projeto conseguiu dialogar com as demais construções do conjunto histórico da cidade, através do jogo de volumes e espaços. Logo em seguida, foi autor do projeto do conjunto da Pampulha, através do prefeito de Belo Horizonte Juscelino Kubitschek, onde diversos edifícios – um cassino, um clube, um salão de dança popular, uma igreja e um hotel - foram dispostos ao redor do lago artificial da Pampulha, onde Oscar Niemeyer exibiu uma gama de possibilidades plásticas que o concreto armado poderia fornecer, onde se há um contraste entre os volumes planos e curvos e entre superfícies. Segundo Bruand (p. 114, 1991) discorda de Gillo Dorfles (apud DORFLES, Gillo; p. 110-114, 1956) ao dizer que a arquitetura de Niemeyer estava apoiada ás praticas barrocas, devido a sinuosidade de suas construções e o estudo do espaço, onde o autor ressalta que essa inovação se dá ao fato do concreto armado proporcionar “soluções novas e criativas, sugeridas pela técnica contemporânea”. No entanto, no texto de Segawa (p. 96, 1998) o mesmo cita um trecho do pronunciamento de Lúcio Costa sobre o Pavilhão Brasileiro em Nova Iorque, onde o arquiteto faz referência ao barroco, como uma ligação mais intima com a tradição brasileira, mais ainda pautada na racionalidade das formas:
  • 10. “Essa quebra de rigidez, esse movimento ordenado que percorre de um extremo a outro a composição tem mesmo qualquer coisa de barroco – no bom sentido da palavra – o que é muito importante para nós pois representa de certo modo uma ligação com o espírito tradicional da arquitetura luso-brasileira” (SEGAWA, Hugo; p. 96, 1998 apud Pavilhão do Brasil, 1939). Em outros trechos, Segawa (p. 96, 1998), refere-se ainda a apologia de Niemeyer na utilização das curvas, fundamentado em citações de Lúcio Costa a comparando a curvas femininas – feitio jônico – característica brasileira, que não mais seguia os dogmas da arquitetura moderna europeia – que mais se assemelha ao dórico. Além da exposição fotográficas de R. Kidder-Smith no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, com o Ministério da Educação e Saúde, outra importante publicação para a representatividade internacional da arquitetura brasileira foi o livro “Brazil Build” – Brasil Constrói – de Goodwin em 1943, um esforço dos norte- americanos de divulgar as conquistas brasileiras, cujo real propósito era a vinculação do Brasil como aliado nos conflitos europeus. Dessa aliança, o pais conseguiu recursos norte-americanos para a implantação da Usina Siderúrgica de Volta Redonda. Após o sucesso do Pavilhão Lúcio Costa e Oscar Niemeyer e as exposições da arquitetura brasileiras nos EUA, a produção em solo brasileiro se acentuou, principalmente em São Paulo, onde os arquitetos não tiveram as mesmas oportunidades e apoio por parte do poder público (SEGAWA, Hugo; p. 100-102, 1998). Yves Bruand conclui, que dois grandes feitos contribuíram para o respeito e reconhecimento internais da arquitetura brasileira: o primeiro, o grande apoio político que propiciou a reforma administrativa da ENBA no Rio de Janeiro e construção de obras de caráter cívico e monumental e a colaboração presencial do arquiteto Le Corbusier, fato esse divisor de águas para a produção madura dessa arquitetura, marcada pela grandiosidade de suas obras, sua riqueza formal e material e por sua plasticidade autentica (BRUAND, Yves; p. 114-115, 1991).
  • 11. REFERÊNCIAS BRUAND, Yves, Arquitetura Contemporânea no Brasil. Editora Perspectiva, 1991. SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil. 1900-1990. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1997.