Camões lírico: vida obra

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Introdução ao estudo de Camões lírico: entre a medida velha e a medida nova

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Camões lírico: vida obra

  1. 1. 1 | Português – 10º ano | A lírica Camoniana Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 A Lírica Camoniana Objectivos a alcançar: . Conhecer a vida e Obra de Camões Conhecer as principais Características do Renascimento . Reconhecer as formas poéticas tradicionais na lírica de Camões, através da análise de poemas como: Descalça vai para a fonte; Endechas a Bárbara Escrava; Verdes são os campos… .Reconhecer as formas poéticas renascentistas e respectivas temáticas na lírica de Camões: o amor e a mulher petrarquista, o desconcerto do mundo; a mudança, o destino… . Reconhecer o carácter autobiográfico da lírica camoniana.
  2. 2. 2 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 N. Lisboa (?) 1524 (?) F. Lisboa, 10/06/1580 “Numa mão sempre a espada e noutra a pena.” . Epopeia: Os Lusíadas . Poesia: Tradicional / Clássica . Peças de teatro: Autos…
  3. 3. 3 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 O dia em que nasci moura e pereça, Não o queira jamais o tempo dar; Não torne mais ao Mundo, e, se tornar, Eclipse nesse passo o Sol padeça. A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça, Mostre o Mundo sinais de se acabar, Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar, A mãe ao próprio filho não conheça. As pessoas pasmadas, de ignorantes, As lágrimas no rosto, a cor perdida, Cuidem que o mundo já se destruiu. Ó gente temerosa, não te espantes, Que este dia deitou ao Mundo a vida Mais desgraçada que jamais se viu! Luís de Camões
  4. 4. 4 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 A LÍRICAA LÍRICA *A obra lírica de Camões foi publicada postumamente, em 1595, sob o título Rimas. A poesia de Camões marca a transição da medida velha (usada na tradição medieval) para a medida nova (soneto). Luís Vaz de Camões é considerado o maior poeta renascentista português e uma das mais expressivas vozes de nossa língua.
  5. 5. 5 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Cantiga alheio: Menina dos olhos verdes, por que me não vedes? Eles verdes são, e têm por usança na cor, esperança e nas obras, não. Vossa condição não é d’olhos verdes, porque me não vedes. Haviam de ser, por que possa vê-los que uns olhos tão belos não se hão de esconder; mas fazeis-me crer que já não são verdes, porque me não vedes. Verdes não o são no que alcanço deles; verdes são aqueles que esperança dão, Se na condição está serem verdes Por que não me vedes? Os temas, tradicionais e populares são geralmente ingénuas e graciosos, e versam sobre o amor, a natureza, o ambiente palaciano e a saudade. Cultivou o verso de cinco sílabas métricas (redondilha menor) e de sete sílabas métricas (redondilha maior). Por influência tradicional escreveu vilancetes, cantigas, esparsas, trovas, ... Contudo, Camões frequentemente versa nas redondilhas os mesmos temas graves e dramáticos dos seus sonetos. Medida velha
  6. 6. 6 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Medida Nova: Soneto: 2 quartetos 2 tercetos (Verso decassilábico) Busque Amor novas artes, novo engenho para matar-me, e novas esquivanças; que não pode tirar-me as esperanças, que mal me tirará o que eu não tenho. Olhai de que esperanças me mantenho! Vede que perigosas seguranças! Que não temo contrastes nem mudanças, andando em bravo mar, perdido o lenho. Mas, conquanto não pode haver desgosto onde esperança falta, lá me esconde Amor um mal, que mata e não se vê. Que dias há que n’alma me tem posto um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei por quê. Nas temáticas de influência Renascentista cultivou o amor platónico, a saudade, o destino, a beleza suprema, a mudança, o desconcerto do mundo, a mulher vista à luz do Petrarquismo e do Destino.
  7. 7. 7 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Renascimento: Tempo e Arte de mudançaTempo e Arte de mudança . Movimento cultural que surgiu em Itália, no século XV, prolongando-se até ao século XVII, e que teve o seu apogeu entre 1495 e 1520. . Resultante de um conjunto de transformações sociais, culturais económicas, o este movimento surge em oposição à escolástica medieval, procurando uma nova maneira de olhar e estudar o mundo natural. . Em termos artísticos, o renascimento caracteriza-se por uma forte tendência naturalista. Os novos conhecimentos da anatomia, da fisiologia e da geometria são prontamente incorporados, possibilitando, por exemplo, a representação do volume no plano. . Caracterizado pela retoma dos valores da cultura greco-romana (Classicismo), visa a aceitação das formas artísticas greco-latinas e a assimilação do espírito que as anima - “Imitar os Clássicos, imitar a Natureza”: - procura-se a pureza formal, equilíbrio e o rigor / a mitologia passou a ser usado como tema, a par das cenas bíblicas, realçando-se a humanização das figuras / o retrato, normalmente enquadrado na natureza, e o nu são temas recorrentes.
  8. 8. 8 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 "O homem é a medida de todas as coisas” Protágoras Humanismo: o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, os amores, as contradições humanas tornaram-se objectos de preocupação, compreendidos como produto da acção do homem. Racionalismo - Experimentalismo: a convicção de que tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa em acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada. Individualismo: emergência da burguesia e de novas relações de trabalho. A ideia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, a possibilidade de fazer opções e de manifestar-se sobre diversos assuntos, tomando decisões. Hedonismo: visão do prazer e da felicidade como bens supremos. Heliocentrismo: Copérnico nega o centrismo da Terra. Expansionismo: movimento de expansão marítima que teve como ponto alto os Descobrimentos portugueses.
  9. 9. 9 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Humanização das figuras / Perspectiva, luz e harmonia / Ideal de beleza / Simetria Danae, Antonio Allegri O homem vitruviano, Leonardo Da Vinci David, Michelangelo Madona no prado, Rafael O Nascimento de Vénus, Sandro Botticelli
  10. 10. 10 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 A temática da líricaA temática da lírica camoniana poderácamoniana poderá ser essencialmenteser essencialmente dividida em doisdividida em dois grandes em:grandes em: Neoplatonismo Amoroso Reflexão Filosófica TemasTemas
  11. 11. 11 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Platão + Camões O Amor, no ideal platónico, não se fundamenta num interesse material, mas na virtude. Platão defendia que o verdadeiro Amor nunca deveria ser concretizado. Quando esse amor é concretizado, aparecem os defeitos de carácter da pessoa amada.
  12. 12. 12 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Neoplatonismo Camões cultivou o ideal Platónico (de Platão): o Amor -com maiúscula - é um ideal superior, único e perfeito, o Bem supremo pelo qual ansiamos. Mas os seres decaídos e imperfeitos são incapazes de atingir esse ideal. A estes resta-lhe a contingência do amor físico (com minúscula), simples imitação do Amor ideal. A constante tensão entre esses dois pólos gera toda a angústia e insatisfação da alma humana. Amor x amor Superior Perfeito Divino Físico Superficial humano
  13. 13. 13 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 A MulherA Mulher A mulher, objecto do desejo, também ela um ser imperfeito, é espiritualizadaespiritualizada,, tornando-se a imagem da Mulher ideal.Mulher ideal. Transforma-se o amador na cousa amada, por virtude do muito imaginar; não tenho, logo, mais que desejar, pois em mim tenho a parte desejada. Se nela está minha alma transformada, que mais deseja o corpo de alcançar? Em si somente pode descansar, pois consigo tal alma está ligada. Mas esta linda e pura semideia, que, como um acidente em seu sujeito, assim como a alma minha se conforma, está no pensamento como ideia: [e] o vivo e puro amor de que sou feito, como a matéria simples busca a forma.
  14. 14. 14 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Alma minha gentil, que te partiste tão cedo desta vida descontente, repousa lá no Céu eternamente e viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente, não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode merecer-te alguma cousa a dor que me ficou da mágoa, sem remédio, de perder-te, roga a Deus, que teus anos encurtou, que tão cedo de cá me leve a ver-te, quão cedo de meus olhos te levou. Este soneto tem sido frequentemente interpretado como um soneto autobiográfico, dedicado a DinameneDinamene, a namorada chinesa de Camões, morta em um naufrágio.
  15. 15. 15 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Camões contrapõe a perfeição do mundo das Ideias (neoplatonismo) às imperfeições do mundo terreno. Disso resulta uma visão pessimista da vida
  16. 16. 16 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Ao desconcerto do mundo Os bons vi sempre passar No mundo graves tormentos; E para mais me espantar, Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos. Cuidando alcançar assim O bem tão mal ordenado, Fui mau, mas fui castigado. Assim que, só para mim, Anda o mundo concertado. Reflexão Filosófica Ao desconcerto do mundo Os bons vi sempre passar No mundo graves tormentos; E para mais me espantar, Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos. Cuidando alcançar assim O bem tão mal ordenado, Fui mau, mas fui castigado. Assim que, só para mim, Anda o mundo concertado.
  17. 17. 17 | Português – 10º ano | Luís de Camões: Vida e Obra Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Os bons vi sempre passar No mundo graves tormentos; E para mais me espantar, Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos. Cuidando alcançar assim O bem tão mal ordenado, Fui mau, mas fui castigado. Assim que, só para mim, Anda o mundo concertado. Fontes: www.wikipedia.com www.portaldoastronomo.org http://educaterra.terra.com.br/literatura/temadomes/2003/11/21/004.htm http://www.slideshare.net/clauheloisa/lus-vaz-de-cames Para estudar e exercitar: http://portuguesonline.no.sapo.pt/liricacamoes.htm

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