A escultura portuguesa de frei Cipriano daCruz a Soares dos Reis
Manuel de Sousa nasceu em Braga entre 1645  e 1650. Por volta dos 30 anos ingressou no          mosteiro de Tibães, a casa...
Olhos amendoados, pálpebras pesadas olhando              para baixo, sobrancelhas altas e simétricas, lábios              ...
O tema da Sagrada Família éantigo, embora reforçado pelaContra-Reforma e com grande    popularidade no séc. XVIII.  Esta é...
A escultura seiscentista, além da madeira, elegeu o barro.  Os barristas de Alcobaça representaram o auge desta corrente.F...
Retábulo da morte de S. Bernardo, aobra mais significativa da escola deAlcobaça.
Em Arouca, prossegue na época joaninauma tradição escultórica provincial, muitomarcada pelo gosto popular e que elege ocal...
Na igreja de S. Paulo, em Braga,pertencente aos Jesuítas, encontramos um   conjunto de estátuas representando os          ...
Claude Laprade (1682 – 1738) foi umescultor francês que deixou obramarcante no nosso país a partir dos finaisdo séc. XVII ...
No interior da galeria da Via Latina,     em Coimbra, foi colocada umacomposição de Laprade executada                     ...
A partir de 1732, chega a Mafra, proveniente de Itália, a primeira remessa de estátuas devulto destinadas ao convento joan...
Uma das exigências prendia-se com o rigor iconográfico, pedindo-se que os atributos estivessemconforme a ortodoxia.
Os trabalhos deviam ser empedra de mármore perfeito deCarrara e sem qualquerdouramento.
Camilo Rusconi, o mais famoso escultor italiano daquele tempo, faleceu em 1728, pelo que o nome que mais se destacou de en...
Outros nomes merecem referência:,ocupando-se boa parte dos escultoresromanos:Agostino Cornnacchini (1685 – 1754);Giovanni ...
Apesar disso, assegura-se umaunidade artística: O cânone e as proporções sãoconstantes; utilização de um único blocode m...
As dezenas de estátuas constituem um percurso ilustrado de devoção para os crentesque culmina na capela-mor com um Cristo ...
Alexandre Giusti ( 1715 – 1799 ) foi omais famoso dos escultores estrangeirosa trabalhar em Portugal.Esteve ao serviço de ...
Giusti formou discípulos portugueses que, no entanto, não merecem destaque. Excepção paraJoaquim Machado de Castro (1731- ...
A escultura neoclássica portuguesa é muito pobre, comopode ver-se por esta estátua de glorificação a D. Maria I,          ...
O núcleo da Ajuda constitui o mais importante centro da escultura neoclássica. Oprograma escultórico do palácio foi atribu...
Machado de Castro esculpiu 3 estátuas do     total de 25: a    Generosidade, o Conselho e a Gratidão.A escultura neoclássi...
Faustino José Rodrigues, o    discípulo predilecto de Machado de Castro, assinou  esta alegoria que intitulou Amor da Pátr...
Joaquim José Barros Laborãosucederá a Giusti na direcção daescola de Mafra. Na Ajuda, assinauma série de trabalhos: aHones...
Manuel Joaquim Barros Laborão é filho de JoséJoaquim e assina duas estátuas: a Inocência e aHumanidade, que se vê na figur...
João José de Aguiartambém trabalhou naAjuda, mas a sua obra maisnotável, e o melhortrabalho da esculturaneoclássica, é a e...
João José Joaquim de Sousa Alão                foi um dos raros escultores               portuenses neoclássicos. As      ...
António Soares dos Reis (1847 –1889) foi o grande renovador daescultura portuguesa e o maiorescultor nacional da segundame...
O Desterrado (1872; MNSR) éa sua obra mais importante.Foi produzida em Roma,enquanto bolseiro do Estado.A herança clássica...
O material é o mármore de Carrara. O corpo é tratado com umvirtusosimo que se torna quase exibicionista no entrelaçar dosd...
Retrato de uma Nação decadente ou auto-retrato do autorque se suicidaria em 1889, nas vésperas do Ultimatum?
Soares dos ReisBusto de Senhora Inglesa1877Museu do Chiado
Soares dos Reis Conde Ferreira          1877         MNSR
Soares dos Reis            Avelar BroteroJardim Botânico (Coimbra)                     1886        gesso original no MNSR
Soares dos ReisViscondessa de Almedina                   1882                  MNSR
Simões de Almeida (1844 – 1926) esculpiu este D. Sebastiãocomo rei-menino, colocando em causa o problema daeducação do rei...
Simões de Almeida          Infância             1907    Museu Chiado
Simões de AlmeidaPuberdade1878
Teixeira LopesA Bulha
António Teixeira Lopes (1866 – 1942) foidiscípulo de Soares dos Reis e um dos maisimportantes escultores naturalistas.A su...
Teixeira LopesCaim1889MNSR
A escultura original era em mármore. No entanto, actos de vandalismo determinaram a sua recolha e substituição por umacópi...
Moreira Rato: Sem Casa e sem Pão; Museu do Chiado
Costa Mota (tio)O LavradorJardim da Estrela
Costa Mota (tio)Bernardim Ribeiro1907Museu do Chiado
Bibliografia:- ANACLETO, Regina: História da Arte em Portugal; vol. 10: «Neoclassicismo e Romantismo»;Lisboa; Publicações ...
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A escultura portuguesa de frei cipriano da cruz a soares dos reis

  1. 1. A escultura portuguesa de frei Cipriano daCruz a Soares dos Reis
  2. 2. Manuel de Sousa nasceu em Braga entre 1645 e 1650. Por volta dos 30 anos ingressou no mosteiro de Tibães, a casa mãe dos beneditinos, adoptando o nome de Frei Cipriano da Cruz. Frei Cipriano da Cruz Sousa produziu em Coimbra muitas obras de Santos,nomeadamente para a igreja do Colégio de S. Bento, destruída em 1932. Além do trabalho escultórico, merece destaque a policromia e as decorações emrelevo, o que obriga a repartir a autoria entre o escultor e o policromador. Pietá Madeira de castanho Manuel da Costa Pereira (pintor) 1684 – 1691 Originalmente da igreja de S. Bento, MNMC
  3. 3. Olhos amendoados, pálpebras pesadas olhando para baixo, sobrancelhas altas e simétricas, lábios pequenos e um tufo de cabelo na testa. O corpo é coberto e as partes deixadas à vista são tratadas muito sumariamente. O pregueado cai verticalmente. As mangas (3) deixam ver os botões dos punhos, caem em V e, por fim, desabam longamente.S. BentoMadeira de castanhoManuel Ferreira (pintor)1684 – 1691Originalmente da igreja de S. Bento,Actualmente, na igreja de Nossa Senhora do Carmo; Coimbra
  4. 4. O tema da Sagrada Família éantigo, embora reforçado pelaContra-Reforma e com grande popularidade no séc. XVIII. Esta é uma das últimas obras do artista e uma das mais conhecidas.A policromia é original. Morreu em Tibães em 1716. Sagrada Família (pintor desconhecido) 1704 – 1707 Igreja de do Mosteiro de Tibães; Braga
  5. 5. A escultura seiscentista, além da madeira, elegeu o barro. Os barristas de Alcobaça representaram o auge desta corrente.Frei Cipriano distinguiu-se igualmente no trabalho do barro, o quelevou os monges de Cister a aliciá-lo para Alcobaça onde, além do mais, abunda a matéria-prima de qualidade. Não é possível destacar nenhum artista, apesar dos esforços em individualizar um tal Frei Pedro que, afinal, nunca terá existido. A imagem mostra uma Virgem de um retábulo que foi desmantelado quando do restauro da abadia.
  6. 6. Retábulo da morte de S. Bernardo, aobra mais significativa da escola deAlcobaça.
  7. 7. Em Arouca, prossegue na época joaninauma tradição escultórica provincial, muitomarcada pelo gosto popular e que elege ocalcário de Ançã como matéria-prima.Os temas são os Santos cistercienses ebeneditinos. Jacinto Vieria Santa Gertrudes c. 1725 Arouca
  8. 8. Na igreja de S. Paulo, em Braga,pertencente aos Jesuítas, encontramos um conjunto de estátuas representando os evangelistas. O autor é desconhecido, mas o enorme dinamismo das vestes e dos cabelos, tecnicamente muito bem tratados, revela um artista de excelente capacidade, influenciado pela moda berninesca.
  9. 9. Claude Laprade (1682 – 1738) foi umescultor francês que deixou obramarcante no nosso país a partir dos finaisdo séc. XVII e ao longo do reinado de D.João V.Introduziu os modelos do barroco italianoe francês, iniciando uma nova fase naescultura portuguesa.Este túmulo, na igreja de N.ª Sr.ª daPenha de França, em Ílhavo, mostra umaconcepção triunfal da morte.Túmulo do bispo de Miranda D. Manuel de Moura ManuelCapela de Nossa Senhora da Penha de França; Ílhavo
  10. 10. No interior da galeria da Via Latina, em Coimbra, foi colocada umacomposição de Laprade executada em 1701-1702. Dois atlantes suportam o frontão,enquadrando uma imagem do rei D. José I, aplicada posteriormente.
  11. 11. A partir de 1732, chega a Mafra, proveniente de Itália, a primeira remessa de estátuas devulto destinadas ao convento joanino. Assim se inaugura um longo processo entre oencomendador português, que definiu todo o plano iconográfico, e os fornecedoresitalianos.
  12. 12. Uma das exigências prendia-se com o rigor iconográfico, pedindo-se que os atributos estivessemconforme a ortodoxia.
  13. 13. Os trabalhos deviam ser empedra de mármore perfeito deCarrara e sem qualquerdouramento.
  14. 14. Camilo Rusconi, o mais famoso escultor italiano daquele tempo, faleceu em 1728, pelo que o nome que mais se destacou de entre os jovens escultores que satisfizeram a encomenda foi Carlo Monaldi (1683 – 1760)
  15. 15. Outros nomes merecem referência:,ocupando-se boa parte dos escultoresromanos:Agostino Cornnacchini (1685 – 1754);Giovanni Batista Maini (1690 – 1752);Filippo della Valle (1698 – 1768);Pietro Bacci (1690 – 1773);Bernardino Ludovisi (1693 – 1749);Giuseppe Lironi (1698 – 1749) eAgostino Corsini (1688 – 1757)
  16. 16. Apesar disso, assegura-se umaunidade artística: O cânone e as proporções sãoconstantes; utilização de um único blocode mármore branco e sem veios; uma pose estável, os gestos eo rosto teatralmente tratados; o tratamento das vestes, comoque batidas por um vento suave; a importância dos objectosiconográficos.
  17. 17. As dezenas de estátuas constituem um percurso ilustrado de devoção para os crentesque culmina na capela-mor com um Cristo crucificado, ladeado por dois anjos, daautoria de Francesco Maria Schiafino.
  18. 18. Alexandre Giusti ( 1715 – 1799 ) foi omais famoso dos escultores estrangeirosa trabalhar em Portugal.Esteve ao serviço de D. João V, de quemlavrou este excelente busto.A partir de 1750, destacou-se nosestaleiros de Mafra, onde iniciara umaimportante escola de escultura.
  19. 19. Giusti formou discípulos portugueses que, no entanto, não merecem destaque. Excepção paraJoaquim Machado de Castro (1731- 1822) que trabalha em Mafra entre 1756 e 1771. Da suaautoria é a escultura da basílica da Estrela, a última grande iniciativa barroca. Na verdade,Machado de Castro é já um escultor neoclássico.
  20. 20. A escultura neoclássica portuguesa é muito pobre, comopode ver-se por esta estátua de glorificação a D. Maria I, hoje em Queluz. Deve-se a João José de Aguiar (1769 — 1841), que estudara com Antonio Canova, a encomenda de Pina Manique.
  21. 21. O núcleo da Ajuda constitui o mais importante centro da escultura neoclássica. Oprograma escultórico do palácio foi atribuído a Machado de Castro.
  22. 22. Machado de Castro esculpiu 3 estátuas do total de 25: a Generosidade, o Conselho e a Gratidão.A escultura neoclássica é académica e prefere os temas alegóricos e moralizantes. Utiliza poses de grandeteatralidade e destaca-se a inexpressividade dos rostos.
  23. 23. Faustino José Rodrigues, o discípulo predilecto de Machado de Castro, assinou esta alegoria que intitulou Amor da Pátria (à dir.) , alémdo Amor da Virtude (à esq.) e a Intrepidez.A escultura neoclássica preferea pedra ao barro e à madeira, bem como abdica da cor.
  24. 24. Joaquim José Barros Laborãosucederá a Giusti na direcção daescola de Mafra. Na Ajuda, assinauma série de trabalhos: aHonestidade, o Decoro, a Diligência eo Desejo. Joaquim José de Barros Laborão A Honestidade
  25. 25. Manuel Joaquim Barros Laborão é filho de JoséJoaquim e assina duas estátuas: a Inocência e aHumanidade, que se vê na figura ao lado.Reflecte um estilo mais elegante que tenta rompercom o «monótono purismo neoclássico»
  26. 26. João José de Aguiartambém trabalhou naAjuda, mas a sua obra maisnotável, e o melhortrabalho da esculturaneoclássica, é a estátua deD. João VI que fez em 1823para o Hospital da Marinha.
  27. 27. João José Joaquim de Sousa Alão foi um dos raros escultores portuenses neoclássicos. As estátuas da fachada da igreja da Ordem Terceira de S. Francisco são o seu melhor trabalho, embora atestem quanto o granitoHumildade se desadequa a esta estética do Inocência movimento.
  28. 28. António Soares dos Reis (1847 –1889) foi o grande renovador daescultura portuguesa e o maiorescultor nacional da segundametade do século XIX.
  29. 29. O Desterrado (1872; MNSR) éa sua obra mais importante.Foi produzida em Roma,enquanto bolseiro do Estado.A herança clássica é valorizada,mas adere a uma poética novajá simbolista na sua melancoliadecadentista.
  30. 30. O material é o mármore de Carrara. O corpo é tratado com umvirtusosimo que se torna quase exibicionista no entrelaçar dosdedos.
  31. 31. Retrato de uma Nação decadente ou auto-retrato do autorque se suicidaria em 1889, nas vésperas do Ultimatum?
  32. 32. Soares dos ReisBusto de Senhora Inglesa1877Museu do Chiado
  33. 33. Soares dos Reis Conde Ferreira 1877 MNSR
  34. 34. Soares dos Reis Avelar BroteroJardim Botânico (Coimbra) 1886 gesso original no MNSR
  35. 35. Soares dos ReisViscondessa de Almedina 1882 MNSR
  36. 36. Simões de Almeida (1844 – 1926) esculpiu este D. Sebastiãocomo rei-menino, colocando em causa o problema daeducação do rei pelos Jesuítas em relação com o desastrede Alcácer-Quibir.O olhar reflexivo da criança torna-se uma prenúncio dadecadência nacional, fazendo desta obra um dosexemplares mais significativos da escultura portuguesa dasegunda metade do séc. XIX. Simões de Almeida D. Sebastião 1877 Museu do Chiado
  37. 37. Simões de Almeida Infância 1907 Museu Chiado
  38. 38. Simões de AlmeidaPuberdade1878
  39. 39. Teixeira LopesA Bulha
  40. 40. António Teixeira Lopes (1866 – 1942) foidiscípulo de Soares dos Reis e um dos maisimportantes escultores naturalistas.A sua obra mais famosa é A Viúva. O títulotorna-se fundamental para a leitura da obra.A questão social desperta umsentimentalismo que sensibiliza o públicoburguês. Teixeira Lopes A Viúva 1893 Museu do Chiado
  41. 41. Teixeira LopesCaim1889MNSR
  42. 42. A escultura original era em mármore. No entanto, actos de vandalismo determinaram a sua recolha e substituição por umacópia em bronze. Teixeira Lopes Eça de Queirós Lisboa 1903 Sobre a nudez forte da Verdade, o manto diáfano da fantasia.
  43. 43. Moreira Rato: Sem Casa e sem Pão; Museu do Chiado
  44. 44. Costa Mota (tio)O LavradorJardim da Estrela
  45. 45. Costa Mota (tio)Bernardim Ribeiro1907Museu do Chiado
  46. 46. Bibliografia:- ANACLETO, Regina: História da Arte em Portugal; vol. 10: «Neoclassicismo e Romantismo»;Lisboa; Publicações Alfa; 1986. A escultura (pp. 43 – 51).- LE GAC, Agnès e ALCOFORADO, Ana: Frei Cipriano da Cruz em Coimbra; Coimbra; s/ed. ; 2003.- MOURA, Carlos: Uma poética da refulgência, a escultura e a talha dourada; in «História daArte em Portugal»; volume 8; Lisboa; Publicações Alfa; 1986; pp. 87 – 119.- CASTRO, Laura e SILVA, Raquel Henriques da: História da Arte Portuguesa. ÉpocaContemporânea; Lisboa; Universidade Aberta; 1997; pp. 27-29 e 85-87. Raquel Henriques daSilva assina igualmente o capítulo sobre a escultura neste período em estudo na História da ArtePortuguesa dirigida por Paulo Pereira (Lisboa; Círculo de Leitores; 3º volume; 1995), entre aspáginas 349 e 351.- FRANÇA, José Augusto: A Arte em Portugal no século XIX; Venda Nova; Bertand; 3ª edição;1990; volume I (; pp. 53, 108 e 452) e volume II (pp. 214-226).- PEREIRA, José Fernandes: O Barroco do Século XVIII. A Escultura; História da Arte Portuguesadirigida por Paulo Pereira (Lisboa; Círculo de Leitores; 3º volume; 1995); pp. 86 – 105. Estemesmo autor é o responsável pelo 12º volume da colecção Arte Portuguesa, dirigida por DalilaRodrigues (Lisboa; Fubu Editores; 2009), tratando da escultura a partir da página 85.- PEREIRA, José Fernandes: A escultura de Mafra; Lisboa; IPPAR; 2003.

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