O alienista Machado de Assis

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O alienista Machado de Assis

  1. 2. <ul><li>“ Eu gosto de catar o mínimo e escondido. Onde ninguém mete o nariz, aí entra o meu com curiosidade estreita e aguda que descobre o encoberto.” </li></ul><ul><li>(Machado de Assis, 11 de novembro de 1847) </li></ul>
  2. 3. Assim era Joaquim Maria Machado de Assis <ul><li>Alguém que colocava a essência humana na microestrutura de sua obra. Para que o leitor a observasse por meio de pequenos gestos e de palavras aparentemente irrelevantes, mas possuidoras de grande significado na obra machadiana. </li></ul>
  3. 4. <ul><li>O universo machadiano constitui-se de um permanente jogo entre a essência e a aparência. Machado de Assis foi mestre em utilizar a superfície do texto para suscitar discussões e denunciar uma sociedade patriarcal e escravocrata como foi a de seu tempo. Por meio desta superficialidade Machado de Assis vai desnudando o psiquismo e as relações humanas. </li></ul>
  4. 5. <ul><li>Machado de Assis não se furta do direito de explorar o comportamento de seus personagens em geral medíocres, pouco inteligentes, frívolos e vaidosos </li></ul>
  5. 6. <ul><li>Outra característica importante na obra machadiana e que merece destaque é o anticlimax, que consiste em criar-se um conflito cuja solução seja aparentemente previsível para depois frustrar essa previsibilidade com uma solução inusitada. </li></ul><ul><li>A estratégia estilística criada por M.A tem por objetivo principal neutralizar o binômio “felicidade ou desgraça” que permeava as obras românticas. </li></ul>
  6. 7. <ul><li>E fortalecer os princípios realistas momento literário do qual faz parte nosso brilhante escritor. Pode-se afirmar diante da peculiaridade do autor que: Machado de Assis não se prende a um estilo de época. Cria seu próprio estilo. </li></ul><ul><li>“ A fama de machado de Assis transcende sua morte física ”(José Paulo Ramos Junior-Discutindo literatura – vol 4 p.37) </li></ul>
  7. 8. O CONTO MACHADIANO <ul><li>Além da concisão do pensamento, sutileza de idéias e sobriedade de estilo (EUGÊNIO GOMES, vol 70 p.7) </li></ul><ul><li>Há um novo elemento que será predominante em seus contos: o humorismo irônico. </li></ul>
  8. 9. O Estilo de época <ul><li>A base cultural e histórica do realismo é a ciência, que dominou a segunda metade do séc. XIX, chegando mesmo a adentrar no século XX. O mundo se viu invadido por uma onda materialista, com o positivismo de Conte, o evolucionismo de Darwin, o psicologismo de Wundt, o determinismo de Taine. Nasce o gosto pela análise. </li></ul>
  9. 10. <ul><li>Análise psicológica ou sociológica </li></ul><ul><li>A objetividade </li></ul><ul><li>A observação </li></ul><ul><li>A fidelidade </li></ul><ul><li>A impassibilidade </li></ul><ul><li>A imparcialidade </li></ul><ul><li>que são características dominantes do realismo cujo objetivo era mostrar, um retrato fiel e preciso da realidade. </li></ul>
  10. 11. Estrutura da obra <ul><li>Conto estruturado em treze capítulos. M.A fundamenta-se em possíveis “crônicas”.O que se pode comprovar logo no início do conto :”As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos ...(O alienista- Machado de Assis) . Os tempos remotos citados anteriormente remontam à primeira metade do século XVIII </li></ul>
  11. 12. VAMOS AO CONTO <ul><li>A publicação do Conto “ O alienista” em algumas edições chega a possuir mais de oitenta páginas o que leva alguns críticos classificarem-no como novela. Porém em “O alienista ao contrário da novela não há grande número de células dramáticas e preocupação em contar a história simplesmente. Fatores importantes na constituição da novela. </li></ul>
  12. 13. O alienista – capítulo I De como Itaguaí ganhou uma “Casa de Orates ” <ul><li>Simão Bacamarte (protagonista da estória) médico recém chagado da Europa estabelece residência em Itaguaí casa-se com uma moça chamada Evarista Mascarenhas, 25 anos, viúva possuidora de pouca beleza , porém de condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem (de acordo com S.B). Sendo assim poderiam ter ela e S.B filhos sãos e inteligentes (a mulher enquanto reprodutora e responsável pela perpetuação da família) </li></ul>
  13. 14. <ul><li>Simão bacamarte tinha a ciência como seu universo e seu único emprego. Diante da frustração de não ter um filho pois pensara em tudo menos na possibilidade de D. Evarista ser estéril . </li></ul><ul><li>S. B mergulha em seus estudos científicos cada vez mais e acaba por ocupar-se com o “recanto psiquiátrico” </li></ul><ul><li>“ A saúde da alma... É a ocupaçãp mais digna do médico” (O alienista – ed. Scipione p.1) </li></ul>
  14. 15. <ul><li>Decidido a estudar a mente humana (a loucura mais especificamente) S. B. consegue o apoio da Câmara para a construção da casa de Orates. A empreitada causa estranheza em muitos moradores do local </li></ul><ul><li>“— Olhe D.Evarista — disse-lhe o padre- veja se seu marido dá um passeio ao Rio de janeiro Isso de estudar sempre, sempre, não é bom, vira o juizo.” (p.2 idem) </li></ul>
  15. 16. Capítulo II – Torrente de loucos <ul><li>O alienista desvenda o mistério de seu coração. </li></ul><ul><li>Caridade? “Se eu conhecer quanto se pode saber, e não tiver caridade, não sou nada.” — I epístola de São Paulo aos Coríntios. (p. 3 idem) </li></ul>
  16. 17. Motivo principal <ul><li>As causa e o remédio( motivo aparente) “O principal nesta obra da Casa Verde é estudar profundamente a loucura, os seus diversos graus, classificar-lhes os casos, descobrir enfim a causa do fenômeno e o remédio universal.(p.3 idem) </li></ul>
  17. 18. Intenção verdadeira <ul><li>Simão bacamarte deseja servir à ciência, porém, sua intenção é atingir a glória e ser a pessoa mais importante de Itaguaí. </li></ul><ul><li>“ Machado de Assis desmascara a hipocrisia humana” </li></ul><ul><li>Ao final de quatro meses estava construída a Casa de Orates </li></ul>
  18. 19. Capítulo III – Torrente de loucos <ul><li>“ A princípio , a inauguração do sanatório é comemorada pela população. Entretanto, as pessoas logo mudam de conduta, quando S.B. recolhe à Casa Verde pessoas em cuja loucura a população não acredita. Para S.B. o homem é considerado um caso que deve ser analisado cientificamente. S.B. representa a caricatura do despotismo cientificista do século XIX (algo que pode-se comprovar através de seu sobrenome). S.B tornou-se vítima de suas próprias idéias, recolhendo-se à Casa Verde por se considerar o único cérebro bem organizado em Itaguaí.” </li></ul>
  19. 20. Capítulo IV, XI, XII – As teorias de Simão Bacamarte <ul><li>São loucos aqueles que apresentarem um comportamento anormal de acordo com o conhecimento da maioria </li></ul><ul><li>“ A razão é o ,perfeito equilíbrio de todas as faculdades, fora daí, insânia, insânia e só insânia.” </li></ul>
  20. 21. <ul><li>Os loucos agora são leais, os justos, os honestos e imparciais. Dizia que se devia admitir como normal o desequilíbrio das faculdades e como ,patológico, o seu equilíbrio </li></ul><ul><li>O único ser perfeito de Itaguaí era o próprio Simão Bacamarte. Logo somente ele deveria ir para a Casa Verde. </li></ul>
  21. 22. O narrador <ul><li>É de 3ª pessoa, portanto, onisciente. Sua intenção é: </li></ul><ul><li>analisar o comportamento humano, procurando atingir os motivos essenciais de sua conduta. </li></ul><ul><li>Criticar a postura do cientista e do extremo cientificismo </li></ul>
  22. 23. <ul><li>Observe que o narrador não conheceu Simão Bacamarte e nem morou em Itaguaí e vale-se dos cronistas a quem recorre constantemente: </li></ul><ul><li> “ As crônicas da Vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali..” </li></ul><ul><li>Observe o uso do advérbio ali posicionando o narrador em um lugar distante de onde ocorre a narrativa. Os tempos remotos remontam a primeira metade do século XVIII ( reinado de D.João V) </li></ul>
  23. 24. <ul><li>O narrador provavelmente mora ou morou no Rio de Janeiro </li></ul><ul><li>“ ...agora que ela perdera as últimas esperanças de respirar os ares da nossa boa cidade..”(p.8 idem) </li></ul><ul><li>Observe o uso do pronome nossa o que configura local de nascimento ou moradia </li></ul>
  24. 25. Os personagens <ul><li>Já conhecemos bem Simão Bacamarte e D. Evarista. Conheçamos agora outros personagens. </li></ul><ul><li>Crispim Soares – boticário muito amigo de S.B. e admirador de sua obra “humanitária”. Também passou pela Casa Verde, pois não soube “ser prudente em tempos de revolução” </li></ul>
  25. 26. <ul><li>Padre Lopes : era o vigário do local. Homem de muitas virtudes, foi recolhido também à Casa verde por isso mesmo. Foi posto em liberdade por ter traduzido grego e hebraico, embora não soubesse nada dessas línguas. Foi considerado normal. </li></ul>
  26. 27. <ul><li>Porfírio, o barbeiro: sua participação no conto é das mais importantes posto que representa a caricatura política na sátira machadiana. Representa bem a ambição de poder, quando lidera a rebelião que depôs o governo legal. Foi preso na casa verde duas vezes; primeiro por ter liderado a rebelião; segundo porque se negou a participar de uma segunda revolução. “Preso por ter cão, preso por não ter cão.” (p.31 idem) </li></ul>
  27. 28. O poder corrompe <ul><li>Porfírio, ao assumir o poder em Itaguaí, procura o apoio de Simão Bacamarte, mostrando que, os políticos fazem conchavos para manter-se no poder, mesmo sendo ele um representante do povo. </li></ul>
  28. 29. Decurso temporal <ul><li>Toda a história se passa no passado, havendo uso do flash back: </li></ul><ul><li>“ As crônicas da Vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico: </li></ul><ul><li>o Dr. Simão Bacamarte.” </li></ul>
  29. 30. Aspectos de crítica social <ul><li>Pode-se perceber no povo Itaguaiense a submissão, a fácil manipulação diante do conhecimento e da liderança. </li></ul><ul><li>na figura de Porfírio analisa-se o político sempre buscando vantagens pessoais </li></ul>
  30. 31. <ul><li>Simão Bacamarte aparece como símbolo de um saber duvidoso, pois não se revela senão em estado de pânico em que põe o universo, quando ele procura determinar uma norma geral de conduta para o comportamento humano, igualando rasteiramente todos os indivíduos.É a deformação do “cientista” que toma como verdade absoluta os pressupostos da ciência e comete, em seu nome, equívocos sucessivos sem dar pelo absurdo de suas pretensões.” </li></ul>
  31. 32. Máximas machadianas <ul><li>Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva,... </li></ul><ul><li>Memórias Póstumas de Brás Cubas </li></ul><ul><li>Não tive filhos não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. (idem) </li></ul>
  32. 33. <ul><li>O alienista </li></ul><ul><li>Na visão de </li></ul><ul><li>Cândido Portinari </li></ul>
  33. 34. BIBLIOGRAFIA <ul><li>ASSIS, Machado de , O Alienista e Outros contos , Ed. Moderna. 2001 </li></ul><ul><li>ALENCAR, HERON DE . José de Alencar e a Ficção Romântica. In COUTINHO, Afrânio. A Literatura no Brasil, 3@ ed. Ver. Atual. Rio de janeiro: José olympio; Niterói: Eduff,1986 </li></ul>

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