SlideShare uma empresa Scribd logo
Volição,
psicomotricidade, e
funções superiores
Estudos dos Fenômenos
Psicopatológicos I – Aula 6
Objetivos
• Conceituar volição, psicomotricidade, e
pensamento para a psicopatologia
• Descrever alterações de volição,
psicomotricidade, pensamento, e juízo de
realidade
• Apontar algumas síndromas que apresentam
essas alterações
Vontade/volição
• O processo de decidir e se comprometer com um curso de ação em particular
– Envolve tomar decisões e agir para que elas ocorram
– “Força de vontade” é um termo coloquial para descrever volição
• Dimensão complexa da vida mental, relacionada com as esferas afetivas e cognitivas,
bem como com valores, princípios, hábitos, e normas socioculturais
• Construto importante de diversos textos filosóficos de matriz romântica, incluindo
Schopenhauer (vontade para a vida) e Nietzche (vontade de poder) e os existencialistas
(conflitos entre livre arbítrio e determinismo)
• Esfera motivacional: definição de como o comportamento é iniciado, dirigido, e
sustentado, em suas dimensões intencionais e reguladoras
• Não esqueçamos que a psicopatologia é da mesma matriz que a prisão! Assim, uma
pergunta fundamental que se faz é: “ele queria fazer isso?” - ou seja, há volição
envolvida em determinados atos (violentos)?
Atos volitivos
• Para Nobre de Melo (1979), o ato volitivo (ou ato
de vontade) é traduzido pelas expressões típicas
do “eu quero” ou “eu não quero”
• Distinguem-se também os motivos, ou razões
intelectuais que influem sobre o ato volitivo, dos
móveis, ou influências afetivas atrativas ou
repulsivas que pressionam a decisão volitiva
para um lado ou para outro.
Processo volitivo
• O ato volitivo se dá como um processo
1) fase de intenção ou propósito, na qual se esboçam as tendências básicas
do indivíduo, suas inclinações e interesses.
●
Impulsos, desejos e temores inconscientes exercem influência decisiva
2) fase de deliberação, que diz respeito à ponderação consciente, levando-
se em conta tanto os motivos como os móveis implicados no ato volitivo
●
Análise básica, quase sempre com base em elementos afetivos
3) fase de decisão propriamente dita é o momento culminante do processo
volitivo, instante que demarca o começo da ação
4) fase de execução constitui a etapa final do processo volitivo, em que o
comportamento é executado
Abulia / hipobulia
• Diminuição ou até abolição da atividade volitiva
• O indivíduo refere que não tem vontade para nada,
sente-se muito desanimado, sem forças, sem “pique”
• Geralmente, a hipobulia/abulia encontra-se associada à
apatia (indiferença afetiva), à fadiga fá cil, à dificuldade
de decisão, tão típicas dos depressivos grave
Atos impulsivos
• Ato impulsivo – “curto-circuito” do ato voluntário da fase de
intenção à fase de execução
– “O ato impulsivo abole abruptamente as fases de intenção,
deliberação e decisão, em função tanto da intensidade dos
desejos ou temores inconscientes como da fragilidade das
instâncias psíquicas implicadas na reflexão, na análise, na
ponderação e na contenção dos impulsos e dos desejos”
• Nos impulsos patológicos predominam as ações
psicomotoras automáticas, sem reflexão, ponderação ou
decisão prévias, de tipo instantâneo e explosivo.
Atos impulsivos
• É realizado sem fase prévia de intenção, deliberação e decisão.
• É realizado, de modo geral, de forma egossintônica.
• É geralmente associado a impulsos patológicos, de natureza
inconsciente, ou à incapacidade de tolerância à frustração e
necessária adaptação à realidade objetiva.
• O indivíduo dominado pelo ato impulsivo tende a desconsiderar os
desejos e as necessidades das outras pessoas
Atos compulsivos
• Geralmente uma ação motora complexa que pode
envolver desde atos compulsivos relativamente
simples, como coçar-se, picar-se, arranhar-se, até
rituais compulsivos complexos, como tomar banho de
forma repetida e muito ritualizada, lavar as mãos e
secar-se de modo estereotipado, por inúmeras vezes
seguidas, etc.
• Diferem do ato impulsivo por ser reconhecido pelo
indivíduo como indesejável e inadequado, assim como
pela tentativa de refreá-lo ou adiá-lo
Atos compulsivos
• Há a vivência freqüente de desconforto subjetivo por parte do
indivíduo que realiza o ato compulsivo.
• Comumente são egodistônicos
• Há a tentativa de resistir (ou pelo menos adiar) à realização do
ato compulsivo.
• Poder haver sensação de alívio ao realizar o ato compulsivo,
que logo é substituído pelo retorno do desconforto subjetivo e
pela urgência em realizar novamente o ato compulsivo.
•
Impulsos e compulsões agressivas
auto- e heterodirigidas
• Automutilação. É o impulso (ou compulsão) seguido de
comportamento de autolesão voluntária
– Leves a moderadas observadas em pacientes borderline e TOC; as
formas mais graves podem acontecer em estados psicóticos
• Frangofilia. Impulso patológico de destruir os objetos que
circundam o indivíduo, associado geralmente a estados de
excitação impulsiva intensa e agressiva
• Piromania. Impulso de atear fogo a objetos, prédios, lugares, &c
• Impulso suicida.
Impulso suicida
• Ocorre quase sempre associado a outros sintomas mentais e
condições gerais como humor depressivo, desesperança, ansiedade
intensa, desmoralização crônica, dor ou disfunções orgânicas
crônicas.
• Sempre que o examinador encontrar um paciente deprimido,
cronicamente ansioso e hostil, ralizado, sem perspectivas, deve
investigar detidamente os impulsos suicidas.
• Mais comum em depressão maior, dependência de álcool,
esquizofrenia, distimias e transtornos da adaptação do tipo
depressivo, bem como em transtornos de personalidade borderline,
dependente, esquizóide, histriônica, e de evitação (Ferreira de Castro
et al.,1998).
Semiotécnica da ideação e do
impulso suicida
• A ideação, os impulsos e os planos suicidas devem ser
sempre investigados no caso de mínima suspeita.
• O tema deve ser tratado como algo delicado e pessoal, de
modo circunspecto, mas franco.
• Após contato inicial, inquirir de modo que seja mais fácil para
o paciente falar sobre o tema, começando a perguntar sobre
o desejo de “desaparecer”, de “sair de cena”, de “dormir para
sempre” até o desejo definido de se matar. O paciente
potencialmente suicida sente-se, muitas vezes, aliviado por
poder falar sobre o tema.
Semiotécnica da ideação e do
impulso suicida
• Perguntar, por exemplo: “Às vezes, você se sente tão mal que gostaria de desaparecer,
dormir muito tempo ou não mais viver?”
• Prosseguir então avaliando idéias claramente suicidas, planos suicidas: “Pensa em
terminar com a sua vida? Já fez alguma coisa no sentido de realizar tais idéias?”
• Verificar se o paciente pensa em adquirir ou já comprou veneno, remédios, uma corda, um
revólver, etc.
• Verificar se o paciente tem outros sentimentos, idéias ou atos autodestrutivos.
• Perguntar se já tentou o suicídio alguma vez.
• A notificação é obrigatória! Portaria GM/MS nº 1271/2014 e SINAN versão 5.0
Atenção especial a pacientes que...
1) Tentaram o suicídio recentemente (nos últimos meses ou anos) e
continuam com graves problemas.
2) Estavam muito deprimidos e “melhoram” subitamente (pois tal
“melhora” pode resultar em, finalmente, ter se decidido a cometer o
suicídio e, assim, livrar-se do sofrimento).
3) Embora neguem o impulso suicida, comportam-se de forma muito
autodestrutiva, revelando o seu potencial suicida.
4) “Resolvem” seus negócios (vendem pertences, fazem testamento,
etc.) sem motivo aparente.
Impulsos e compulsões relacionados
à ingestão de substâncias ou alimentos
• Dipsomania. Impulso ou compulsão periódica para ingestão
de grandes quantidades de álcool.
– O indivíduo bebe seguidamente até ficar inconsciente; a crise é
superada, voltando o paciente à situação anterior, havendo
geralmente amnésia retrógrada para o ocorrido.
• Bulimia. Impulso irresistível de ingerir rapidamente grande
quantidade de alimentos, seguido de vômitos voluntários ou
laxativos.
• Potomania. É a compulsão de beber água ou outros
líquidos sem que haja sede exagerada.
Impulsões e compulsões relacionados
ao desejo e comportamento sexual
• Fetichismo. Impulso e o desejo sexual concentrado em (ou exclusivamente
relacionado a) partes da vestimenta ou do corpo da pessoa desejada.
• Exibicionismo. impulso de mostrar os órgãos genitais, geralmente contra a vontade
da pessoa que observa. O ato de mostrar já é suficiente para o indivíduo obter prazer;
ele não busca contato sexual direto com a pessoa para a qual se exibe.
• Voyeurismo. Impulso de obter prazer pela observação visual de uma pessoa que está
tendo relação sexual, ou simplesmente está nua ou se despindo.
• Ninfomania e satiríase. Aumentos patológicos do desejo sexual ocorrem
principalmen-te em indivíduos em fase maníaca
• Cronoinversões. Pedofilia e gerontofilia.
• Outras parafilias. Zoofilia, necrofilia, coprofilia.
Alterações volitivas típicas da
esquizofrenia
• Tipicamente, alterações de volição acompanham a esquizofrenia catatônica,
comumente associadas a catalepsia e flexibilidade cerácea
• Negativismo. É a oposição do indivíduo às solicitações do meio ambiente.
Verifica-se uma resistência automática e obstinada a todos ou quase todos os
pedidos que a equipe médica ou a família faz ao paciente
• Sitiofobia. Recusa sistemática de alimentos, geralmente revelando
negativismo profundo
• Obediência automática. É o oposto ao negativismo. Nesse caso, o indivíduo
obedece automaticamente, como um robô teleguiado, às solicitações de
pessoas que entrem em contato com ele.
Alterações voliticas típicas da
esquizofrenia
• Fenômenos em eco (ecopraxia, ecolalia,
ecomimia, ecografia). Neste caso, o indivíduo
repete de forma automática, durante a entrevista,
os últimos atos do entrevistador, suas palavras
ou sílabas, reações mímicas ou escrita.
• Os fenômenos em eco revelam acentuada perda
do controle da atividade voluntária e sua
substituição por atos automáticos, sugeridos pelo
ambiente circundante.
Psicomotricidade
Definições
• Integração das funções motoras e
psíquicas em consequência da
maturidade do sistema nervoso.
• Assim como o ato motor é o componente
final do ato volitivo, as alterações da
psicomotricidade frequentemente são a
expressão final de alterações de volição
Alterações da psicomotricidade
• Agitação psicomotora: Aceleração e exaltação de toda a atividade motora do indivíduo, em geral secundária a
taquipsiquismo acentuado. Comumente se associa à hostilidade e à heteroagressividade. É um sinal psicopatológico muito
frequente, sendo visto todos os dias nos serviços de emergência e internação.
– Associado a quadros maníacos, episódios esquizofrênicos agudos, quadros psico-orgânicos agudos (p.ex intoxicação por substâncias
químicas, síndromes de abstinência, traumas cranioencefálicos,encefalopatias metabólicas,etc.), quadros paranóides em transtornos do
neurodesenvolvimento e em indivíduos com transtorno neurocognitivo maior.
• Lentificação psicomotora: Reflete a desaceleração de toda a atividade psíquica (bradipsiquismo), tendo toda a atividade
de movimentação voluntária lentificada,”pesada”, o que se denomina classicamente de inibição psicomotora.
Alterações da psicomotricidade
• Estupor. Perda de toda a atividade espontânea que atinge o indivíduo
globalmente, na vigência de um nível de consciência aparentemente preservado
e de capacidade sensório-motora para reagir ao ambiente. Envolve toda a
atividade voluntária, incluindo a comunicação não-verbal, verbal, mímica, olhar,
gesticulação e marcha. Em geral, o indivíduo fica restrito ao
leito,acordado,porém sem reagir de modo algum ao ambiente.
• Catalepsia. Acentuação exagerada do tônus postural, com grande redução da
mobilidade passiva dos vários segmentos corporais e com hipertonia muscular
global de tipo plástico.
• Flexibilidade cerácea. O indivíduo, ou uma parte de seu corpo (braço, perna,
cabeça), é colocada em uma posição, mesmo muito desconfortável,
permanecendo nessa posição como se fosse um homem de cera.
Alterações da psicomotricidade
• Cataplexia. Perda abrupta do tônus muscular,geralmente
acompanhada de queda ao chão.
• Estereotipias motoras. Repetições automáticas e uniformes de
determinado ato motor complexo, indicando geralmente marcante
perda do controle voluntário sobre a esfera motora. O paciente repete
o mesmo gesto com as mãos dezenas ou centenas de vezes em um
mesmo dia.
• Maneirismo. É um tipo de estereotipia motora caracterizada por
movimentos bizarros e repetitivos, geralmente complexos, que buscam
certo objetivo, mesmo que esdrúxulo. A harmonia do conjunto de
gestos do indivíduo é substituída por posturas e movimentos
estranhos, exagerados, afetados ou bizarros.
Alterações da psicomotricidade
• Tiques. Atos coordenados, repetitivos, resultantes de contrações súbitas,
breves e intermitentes,envolvendo geralmente um grupo de músculos que atua
em suas relações sinérgicas normais. Acentuam-se muito com a ansiedade.
• Conversão. Surgimento abrupto de sintomas físicos (paralisias, cegueira,
anestesias, parestesias, etc.), de origem psicogênica. A conversão motora
(paralisias, contraturas conversivas, ataxias psicogênicas, etc.) ocorre
geralmente em situação estressante, de ameaça ou conflito intrapsíquico ou
interpessoal significativos para o indivíduo.
https://www.youtube.com/watch?v=_s1lzxHRO4U
Semiotécnica da volição e da
psicomotricidade
• O paciente vem à consulta por iniciativa
própria ou é trazido por alguém?
• A atitude geral do paciente é passiva ou
ativa? Colabora com o entrevistador, é
indiferente ou se opõe a ele?
• Como são os seus movimentos espontâneos?
Seus gestos são lentos e “difíceis” ou rápidos
e “fáceis”?
• Anda de um lado para outro? Esfrega as
mãos? Mexe as pernas inquietamente?
• Como é sua mímica de repouso?
• O tom da voz é alto, baixo ou estridente?
• Fala espontaneamente ou apenas quando
solicitado?
• Mostra-se hostil, contrariado, agressivo?
Parece ter dificuldades em controlar seus
impulsos?
• O paciente parece estar pronto a explodir
a qualquer momento?
• Faz movimentos inadequados? Faz
movimentos ou gestos bizarros?
• O paciente parece ter dificuldade em
controlar suas emoções?
Semiotécnica da volição e da
psicomotricidade
• Pragmatismo: O que você tem feito nos últimos dias e semanas? Tem sido capaz de
trabalhar ou estudar no último mês? O que você tem sido capaz de fazer? Tem
dificuldade em terminar o que começa? O que faz para se divertir?
• Impulsividade (perguntar ao paciente mas, sobretudo, aos acompanhantes): Ele
(você) responde sem pensar? Interrompe com frequência os outros? Não consegue
esperar a sua vez? Tem pavio curto, é explosivo? Descreva suas explosões.
• Julgamento e sentimento moral: Se você encontrasse um envelope endereçado e
selado em uma calçada, o que faria? Se encontrasse uma carteira com dinheiro e uma
carteira de identidade em uma calçada, o que faria?
O pensamento e suas alterações
Definições
• O pensamento se constitui a partir de elementos sensoriais, que, embora não sejam
propriamente intelectivos, podem fornecer substrato para o processo do pensar: são as
imagens perceptivas e as representações.
• O conceito não apresenta elementos de sensorialidade, não sendo possível contemplá-lo,
nem imaginá-lo. Trata-se de um elemento puramente cognitivo, intelectivo.
– O conceito é o elemento estrutural básico do pensamento, nele se exprimem os caracteres essenciais
dos objetos e fenômenos da natureza.
• O juízo consiste, a princípio, na afirmação de uma relação entre dois conceitos.
– O juízo tem por função básica formular uma relação unívoca entre um sujeito e um predicado.
– Na dimensão linguística, os conceitos se expressam geralmente por palavras; e os juízos, por frases ou
proposições.
• O processo do raciocínio representa um modo especial de ligação entre conceitos, de
sequência de juízos, de encadeamento de conhecimentos, derivando sempre uns dos outros
O processo do pensar
• O curso do pensamento é o modo como o
pensamento flui, a sua velocidade e seu ritmo ao longo
do tempo.
• A forma do pensamento é a sua estrutura básica, sua
“arquitetura”, preenchida pelos mais diversos conteúdos
e interesses do indivíduo.
• O conteúdo do pensamento pode ser definido como
aquilo que dá substância ao pensamento, os seus
temas predominantes, o assunto em si.
Alterações dos conceitos
• Desintegração dos conceitos. Ocorre quando os conceitos sofrem
um processo de perda de seu significado original. Os conceitos se
desfazem, e uma mesma palavra passa a ter significados cada vez
mais diversos, por vezes idiossincráticos (Paim, 1986).
• Condensação dos conceitos. Ocorre quando dois ou mais
conceitos são fundidos, o paciente involuntariamente condensa duas
ou mais idéias em um único conceito, que se expressa por uma
nova palavra.
Alterações dos juízos
• Juízo deficiente ou prejudicado. É um tipo de
juízo falso que se estabelece porque a elaboração
dos juízos é prejudicada por deficiência intelectual
e pobreza cognitiva do indivíduo.
– Conceitos são inconsistentes; e o raciocínio, pobre e
defeituoso. Os juízos são por demais simplistas,
concretos e sujeitos à influência do meio social
• Delírio
Alterações do raciocínio
e do estilo de pensar
• O tipo e o estilo de pensamento comum de
um indivíduo não acometido por doença
mental são apenas precariamente lógicos.
Isso faz com que seja difícil discriminar
entre pensamento normal e pensamento
patológico.
• Ainda assim, alguns padrões emergem da
observação da psicopatologia.
Alterações do raciocínio
e do estilo de pensar
• Pensamento mágico. É o tipo de pensamento que fere frontalmente os princípios da
lógica formal, bem como os indicativos e imperativos da realidade.
– Contiguidade e similaridade
• Pensamento dereístico. Só obedece à lógica e à realidade naquilo que interessa ao
desejo do indivíduo, distorcendo a realidade para que esta se adapte aos seus anseios.
– O pensar volta-se muito mais ao mundo interno do sujeito, suas fantasias e seus sonhos,
manifestando-se como um devaneio, no qual tudo é possível e favorável ao indivíduo
• Pensamento inibido. Ocorre a inibição do raciocínio, com diminuição da velocidade e do
número de conceitos, juízos e representações utilizados no processo de pensar
• Pensamento vago. Relações conceituais, formação dos juízos e a concatenação destes
caracterizadas pela imprecisão
– Pode ser um sinal inicial da esquizofrenia ou ocorrer em quadros demenciais iniciais, transtornos da
personalidade (p. ex., esquizotípica) e neuroses graves
Alterações do raciocínio
e do estilo de pensar
• Pensamento prolixo. O paciente não consegue chegar a
qualquer conclusão sobre o tema de que está tratando,
senão após muito tempo e esforço.
• Pensamento oligofrênico (deficitário). Estrutura pobre e
rudimentar. O indivíduo tende ao raciocínio concreto; os
conceitos são escassos e utilizados em sentido mais literal
que abstrato ou metafórico. A abstração apenas ocorre
com dificuldade, sem consistência ou grande alcance.
Alterações do raciocínio
e do estilo de pensar
• Desorganização do pensamento
– Pensamento demencial. Semelhante ao oligofrênico, mas o
empobrecimento é desigual
– Pensamento confusional. Pensamento incoerente, tortuoso, devido à
turvação da consciência.
– Pensamento desagregado. Pensamento radicalmente incoerente, no
qual os conceitos e os juízos não se articulam minimamente de forma
lógica. A linguagem correspondente é o que se denomina “salada de
palavras”.
• Pensamento obsessivo. Predominam ideias ou representações
que, apesar de terem um conteúdo absurdo ou repulsivo ao
indivíduo, se impõem à consciência de modo persistente e
incontrolável
Alterações do processo do pensar:
Curso
• Aceleração do pensamento
• Lentificação do pensamento
• Bloqueio ou interceptação do pensamento. Verifica-se quando o
paciente, ao relatar algo, no meio de uma conversa, brusca e
repentinamente interrompe seu pensamento, sem qualquer motivo
aparente. O doente relata que, sem saber por que, “o pensamento
pára”, é bloqueado.
• Roubo do pensamento. É uma vivência, frequentemente associada ao
bloqueio do pensamento, na qual o indivíduo tem a nítida sensação de
que seu pensamento foi roubado de sua mente, por uma força ou ente
estranho
Alterações do processo do pensar:
Forma
• Fuga de ideias. É uma alteração da estrutura do pensamento secundária à acentuada aceleração do
pensamento, na qual uma ideia se segue a outra de forma extremamente rápida, perturbando-se as
associações lógicas entre os juízos e os conceitos
– Assonâncias, associação com estímulos externos contingentes
• Dissociação do pensamento. Os pensamentos passam progressivamente a não seguir uma sequência
lógica e bem-organizada, e os juízos não se articulam de forma coerente uns com os outros.
• Afrouxamento das associações. As associações parecem mais livres, não tão bem-articuladas.
• Descarrilhamento do pensamento. O pensamento passa a extraviar-se de seu curso normal, toma
atalhos colaterais, des vios, pensamentos supérfluos, retornando aqui e acolá ao seu curso original.
• Desagregação do pensamento. Profunda e radical perda dos enlaces associativos, total perda da
coerência do pensamento. Sobram apenas “pedaços” de pensamentos, conceitos e idéias fragmentadas
Alterações do processo do pensar:
Conteúdo
• Temas principais:
1. Persecutórios
2. Depreciativos
3. Religiosos
4. Sexuais
5. De poder, riqueza, prestígio, ou grandeza
6. De ruína ou culpa
7. Conteúdos hipocondríacos
Semiotécnica do pensamento
• Verificar a capacidade de abstração e de generalização e o grau de
sofisticação das respostas:
– Que diferença há entre a mão e o pé? Entre o boi e o cavalo? Entre a água e
o gelo? E entre o cristal e a madeira?
– Entre um quilo de chumbo e um quilo de palha, o que pesa mais? Que
diferença há entre falar uma coisa errada e dizer uma mentira? E entre a
admiração e a inveja? E entre ser uma pessoa econômica e ser uma pessoa
mesquinha, um “pão-duro”?
– Que semelhanças há entre o carro, o trem e o avião?
• Resposta precária e concreta: “São coisas.”
• Resposta correta, mas ainda concreta: “Servem para a gente andar.”
• Resposta com bom nível de generalização: “São veículos ou meios de transporte.”
Semiotécnica do pensamento
• Ao longo da entrevista, verificar:
– Como flui o pensamento do paciente; seu curso (velocidade, ritmo), forma e
conteúdos. O pensamento é lento e difícil ou rápido e fácil? O raciocínio alcança o
seu objetivo, chega a um ponto final, ou fica “orbitando” em temas secundários?
– A forma e o tipo de pensamento. O pensamento é coerente e bem-compreensível?
Ou é vago, com trechos incompreensíveis? O pensamento é predominantemente
incompreensível, muito incoerente? Há associações por assonância? Há fuga de
idéias? É concreto ou revela capacidade de abstração e uso de símbolos e
categorias de generalização? O pensamento respeita a realidade ou segue os
desígnios dos desejos e temores do paciente?
Semiotécnica do pensamento
• Se há pensamento desorganizado:
– tal desorganização é do tipo confusional (alteração da consciência),
demencial (alteração da cognição) ou deficitária (pobreza homogênea)?
• Estão presentes alterações características da esquizofrenia
(afrouxamento, descarrilhamento, desagregação)?
• Há idéias ou pensamentos do tipo obsessivo?
• Quais os conteúdos mais recorrentes e marcantes no discurso do
paciente?

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Transtornos depressivos
Transtornos depressivosTranstornos depressivos
Transtornos depressivos
Caio Maximino
 
Sensação e Percepção
Sensação e PercepçãoSensação e Percepção
Sensação e Percepção
Nilson Dias Castelano
 
Transtornos mentais comuns e somatização
Transtornos mentais comuns e somatização Transtornos mentais comuns e somatização
Transtornos mentais comuns e somatização
Inaiara Bragante
 
O juízo da realidade e suas alterações (o delírio)
O juízo da realidade e suas alterações (o delírio)O juízo da realidade e suas alterações (o delírio)
O juízo da realidade e suas alterações (o delírio)
Darciane Brito
 
Aula 03 - Funções psíquicas
Aula 03 - Funções psíquicasAula 03 - Funções psíquicas
Aula 03 - Funções psíquicas
Lampsi
 
Luto
LutoLuto
Erik erikson - Desenvolvimento Psicossocial
Erik erikson - Desenvolvimento PsicossocialErik erikson - Desenvolvimento Psicossocial
Erik erikson - Desenvolvimento Psicossocial
marta12l
 
Teorias do desenvolvimento
Teorias do desenvolvimentoTeorias do desenvolvimento
Teorias do desenvolvimento
Felipe Saraiva Nunes de Pinho
 
Pensamento e suas alterações
Pensamento e suas alteraçõesPensamento e suas alterações
Pensamento e suas alterações
Carol Lucas
 
Freud e a Psicanálise
Freud e a PsicanáliseFreud e a Psicanálise
Freud e a Psicanálise
Paulo Gomes
 
A síndrome da adolescência normal
A síndrome da adolescência normalA síndrome da adolescência normal
A síndrome da adolescência normal
Felipe Saraiva Nunes de Pinho
 
TRANSTORNO BIPOLAR
TRANSTORNO BIPOLARTRANSTORNO BIPOLAR
TRANSTORNO BIPOLAR
Leticia Costa
 
saude mental
saude mental saude mental
saude mental
IsabeldaCosta5
 
Transtorno bipolar e transtornos relacionados
Transtorno bipolar e transtornos relacionadosTranstorno bipolar e transtornos relacionados
Transtorno bipolar e transtornos relacionados
Caio Maximino
 
Epilepsia
EpilepsiaEpilepsia
Epilepsia
Hamilton Lima
 
Personalidade
PersonalidadePersonalidade
Introdução ao estudo dos processos psicológicos básicos
Introdução ao estudo dos processos psicológicos básicosIntrodução ao estudo dos processos psicológicos básicos
Introdução ao estudo dos processos psicológicos básicos
Caio Maximino
 
Transtornos mentais
 Transtornos mentais Transtornos mentais
Transtornos mentais
Gustavo Henrique
 
Aula - Introdução à Psicologia 1
Aula - Introdução à Psicologia 1Aula - Introdução à Psicologia 1
Aula - Introdução à Psicologia 1
Felipe Saraiva Nunes de Pinho
 
Psicopatologia – aula 01
Psicopatologia – aula 01Psicopatologia – aula 01
Psicopatologia – aula 01
Rochelle Arruda
 

Mais procurados (20)

Transtornos depressivos
Transtornos depressivosTranstornos depressivos
Transtornos depressivos
 
Sensação e Percepção
Sensação e PercepçãoSensação e Percepção
Sensação e Percepção
 
Transtornos mentais comuns e somatização
Transtornos mentais comuns e somatização Transtornos mentais comuns e somatização
Transtornos mentais comuns e somatização
 
O juízo da realidade e suas alterações (o delírio)
O juízo da realidade e suas alterações (o delírio)O juízo da realidade e suas alterações (o delírio)
O juízo da realidade e suas alterações (o delírio)
 
Aula 03 - Funções psíquicas
Aula 03 - Funções psíquicasAula 03 - Funções psíquicas
Aula 03 - Funções psíquicas
 
Luto
LutoLuto
Luto
 
Erik erikson - Desenvolvimento Psicossocial
Erik erikson - Desenvolvimento PsicossocialErik erikson - Desenvolvimento Psicossocial
Erik erikson - Desenvolvimento Psicossocial
 
Teorias do desenvolvimento
Teorias do desenvolvimentoTeorias do desenvolvimento
Teorias do desenvolvimento
 
Pensamento e suas alterações
Pensamento e suas alteraçõesPensamento e suas alterações
Pensamento e suas alterações
 
Freud e a Psicanálise
Freud e a PsicanáliseFreud e a Psicanálise
Freud e a Psicanálise
 
A síndrome da adolescência normal
A síndrome da adolescência normalA síndrome da adolescência normal
A síndrome da adolescência normal
 
TRANSTORNO BIPOLAR
TRANSTORNO BIPOLARTRANSTORNO BIPOLAR
TRANSTORNO BIPOLAR
 
saude mental
saude mental saude mental
saude mental
 
Transtorno bipolar e transtornos relacionados
Transtorno bipolar e transtornos relacionadosTranstorno bipolar e transtornos relacionados
Transtorno bipolar e transtornos relacionados
 
Epilepsia
EpilepsiaEpilepsia
Epilepsia
 
Personalidade
PersonalidadePersonalidade
Personalidade
 
Introdução ao estudo dos processos psicológicos básicos
Introdução ao estudo dos processos psicológicos básicosIntrodução ao estudo dos processos psicológicos básicos
Introdução ao estudo dos processos psicológicos básicos
 
Transtornos mentais
 Transtornos mentais Transtornos mentais
Transtornos mentais
 
Aula - Introdução à Psicologia 1
Aula - Introdução à Psicologia 1Aula - Introdução à Psicologia 1
Aula - Introdução à Psicologia 1
 
Psicopatologia – aula 01
Psicopatologia – aula 01Psicopatologia – aula 01
Psicopatologia – aula 01
 

Semelhante a Volição, psicomotricidade, e pensamento

Exame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde MentalExame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde Mental
Aroldo Gavioli
 
POC - Psicopatologia
POC - PsicopatologiaPOC - Psicopatologia
POC - Psicopatologia
Ana Sofia Costa
 
Aula Psicopatologia.ppt
Aula Psicopatologia.pptAula Psicopatologia.ppt
Aula Psicopatologia.ppt
KarlaDeSouzaMoreira
 
História das obsessões
História das obsessõesHistória das obsessões
História das obsessões
Caio Maximino
 
Aula 3 psicologia anormal
Aula 3   psicologia anormalAula 3   psicologia anormal
Aula 3 psicologia anormal
José Vitor Alves
 
Esquizofrenia Hebefrênica
Esquizofrenia HebefrênicaEsquizofrenia Hebefrênica
Esquizofrenia Hebefrênica
Ravenny Caminha
 
2013-03-13-Aula-Obsessão e Transtornos Psíquicos-Rosana De Rosa
2013-03-13-Aula-Obsessão e Transtornos Psíquicos-Rosana De Rosa2013-03-13-Aula-Obsessão e Transtornos Psíquicos-Rosana De Rosa
2013-03-13-Aula-Obsessão e Transtornos Psíquicos-Rosana De Rosa
Rosana De Rosa
 
Aula 2 psicologia apostila
Aula 2   psicologia apostilaAula 2   psicologia apostila
Aula 2 psicologia apostila
José Vitor Alves
 
Manejo multidisciplinar
Manejo multidisciplinarManejo multidisciplinar
Manejo multidisciplinar
vidamentalforense
 
Seminario saude mental
Seminario saude mentalSeminario saude mental
Seminario saude mental
morganal13
 
Tre1
Tre1Tre1
Salvamento de suicida
Salvamento de suicidaSalvamento de suicida
Salvamento de suicida
Kleber Alves
 
Emergencias Psiquiatricas 2022.pptx
Emergencias Psiquiatricas 2022.pptxEmergencias Psiquiatricas 2022.pptx
Emergencias Psiquiatricas 2022.pptx
Basilio4
 
Guia rápido de perturbações psicológicas
Guia rápido de perturbações psicológicasGuia rápido de perturbações psicológicas
Guia rápido de perturbações psicológicas
Oficina Psicologia
 
AULA 10 Aspectos Psicológicos e Direitos do Cuidador.pptx
AULA 10 Aspectos Psicológicos e Direitos do Cuidador.pptxAULA 10 Aspectos Psicológicos e Direitos do Cuidador.pptx
AULA 10 Aspectos Psicológicos e Direitos do Cuidador.pptx
NadjaAndrade5
 
TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo
TOC - Transtorno Obsessivo CompulsivoTOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo
TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo
Aillyn F. Bianchi, Faculdade de Medicina - UNIC
 
Transtornos do espectro obsessivo-compulsivo 1
Transtornos do espectro obsessivo-compulsivo 1Transtornos do espectro obsessivo-compulsivo 1
Transtornos do espectro obsessivo-compulsivo 1
Caio Maximino
 
Aula 02 - SAUDE MENTAL para saúde me.pdf
Aula 02 - SAUDE MENTAL para saúde me.pdfAula 02 - SAUDE MENTAL para saúde me.pdf
Aula 02 - SAUDE MENTAL para saúde me.pdf
limadossantostainara
 
Processos Psicológicos Básicos - Psicologia
Processos Psicológicos Básicos - PsicologiaProcessos Psicológicos Básicos - Psicologia
Processos Psicológicos Básicos - Psicologia
profdeniseismarsi
 
historia da tcc
historia da tcchistoria da tcc
historia da tcc
Fred Clementino
 

Semelhante a Volição, psicomotricidade, e pensamento (20)

Exame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde MentalExame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde Mental
 
POC - Psicopatologia
POC - PsicopatologiaPOC - Psicopatologia
POC - Psicopatologia
 
Aula Psicopatologia.ppt
Aula Psicopatologia.pptAula Psicopatologia.ppt
Aula Psicopatologia.ppt
 
História das obsessões
História das obsessõesHistória das obsessões
História das obsessões
 
Aula 3 psicologia anormal
Aula 3   psicologia anormalAula 3   psicologia anormal
Aula 3 psicologia anormal
 
Esquizofrenia Hebefrênica
Esquizofrenia HebefrênicaEsquizofrenia Hebefrênica
Esquizofrenia Hebefrênica
 
2013-03-13-Aula-Obsessão e Transtornos Psíquicos-Rosana De Rosa
2013-03-13-Aula-Obsessão e Transtornos Psíquicos-Rosana De Rosa2013-03-13-Aula-Obsessão e Transtornos Psíquicos-Rosana De Rosa
2013-03-13-Aula-Obsessão e Transtornos Psíquicos-Rosana De Rosa
 
Aula 2 psicologia apostila
Aula 2   psicologia apostilaAula 2   psicologia apostila
Aula 2 psicologia apostila
 
Manejo multidisciplinar
Manejo multidisciplinarManejo multidisciplinar
Manejo multidisciplinar
 
Seminario saude mental
Seminario saude mentalSeminario saude mental
Seminario saude mental
 
Tre1
Tre1Tre1
Tre1
 
Salvamento de suicida
Salvamento de suicidaSalvamento de suicida
Salvamento de suicida
 
Emergencias Psiquiatricas 2022.pptx
Emergencias Psiquiatricas 2022.pptxEmergencias Psiquiatricas 2022.pptx
Emergencias Psiquiatricas 2022.pptx
 
Guia rápido de perturbações psicológicas
Guia rápido de perturbações psicológicasGuia rápido de perturbações psicológicas
Guia rápido de perturbações psicológicas
 
AULA 10 Aspectos Psicológicos e Direitos do Cuidador.pptx
AULA 10 Aspectos Psicológicos e Direitos do Cuidador.pptxAULA 10 Aspectos Psicológicos e Direitos do Cuidador.pptx
AULA 10 Aspectos Psicológicos e Direitos do Cuidador.pptx
 
TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo
TOC - Transtorno Obsessivo CompulsivoTOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo
TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo
 
Transtornos do espectro obsessivo-compulsivo 1
Transtornos do espectro obsessivo-compulsivo 1Transtornos do espectro obsessivo-compulsivo 1
Transtornos do espectro obsessivo-compulsivo 1
 
Aula 02 - SAUDE MENTAL para saúde me.pdf
Aula 02 - SAUDE MENTAL para saúde me.pdfAula 02 - SAUDE MENTAL para saúde me.pdf
Aula 02 - SAUDE MENTAL para saúde me.pdf
 
Processos Psicológicos Básicos - Psicologia
Processos Psicológicos Básicos - PsicologiaProcessos Psicológicos Básicos - Psicologia
Processos Psicológicos Básicos - Psicologia
 
historia da tcc
historia da tcchistoria da tcc
historia da tcc
 

Mais de Caio Maximino

Papel de receptores 5-HT2CL en la socialidad del pez cebra
Papel de receptores 5-HT2CL en la socialidad del pez cebraPapel de receptores 5-HT2CL en la socialidad del pez cebra
Papel de receptores 5-HT2CL en la socialidad del pez cebra
Caio Maximino
 
Efectos de fluoxetina sobre la agresión del pez cebra dependiente del fenotipo
Efectos de fluoxetina sobre la agresión del pez cebra dependiente del fenotipoEfectos de fluoxetina sobre la agresión del pez cebra dependiente del fenotipo
Efectos de fluoxetina sobre la agresión del pez cebra dependiente del fenotipo
Caio Maximino
 
Impacto del pez cebra en biología y neurociencias
Impacto del pez cebra en biología y neurocienciasImpacto del pez cebra en biología y neurociencias
Impacto del pez cebra en biología y neurociencias
Caio Maximino
 
El pez cebra en el estudio de psicofarmacos
El pez cebra en el estudio de psicofarmacosEl pez cebra en el estudio de psicofarmacos
El pez cebra en el estudio de psicofarmacos
Caio Maximino
 
Minicurso "Primeiros socorros: Em caso de ataque de pânico"
Minicurso "Primeiros socorros: Em caso de ataque de pânico"Minicurso "Primeiros socorros: Em caso de ataque de pânico"
Minicurso "Primeiros socorros: Em caso de ataque de pânico"
Caio Maximino
 
A cerebralização do sofrimento psíquico
A cerebralização do sofrimento psíquicoA cerebralização do sofrimento psíquico
A cerebralização do sofrimento psíquico
Caio Maximino
 
Human physiological response in perspective: Focus on the capitalocene
Human physiological response in perspective: Focus on the capitaloceneHuman physiological response in perspective: Focus on the capitalocene
Human physiological response in perspective: Focus on the capitalocene
Caio Maximino
 
Vertebrate stress mechanisms under change
Vertebrate stress mechanisms under changeVertebrate stress mechanisms under change
Vertebrate stress mechanisms under change
Caio Maximino
 
The nervous system: an evolutionary approach
The nervous system: an evolutionary approachThe nervous system: an evolutionary approach
The nervous system: an evolutionary approach
Caio Maximino
 
O monstruoso do capital: Ansiedades culturais e subjetividade
O monstruoso do capital: Ansiedades culturais e subjetividadeO monstruoso do capital: Ansiedades culturais e subjetividade
O monstruoso do capital: Ansiedades culturais e subjetividade
Caio Maximino
 
Por um cérebro histórico-cultural: Uma introdução à neurociência crítica
Por um cérebro histórico-cultural: Uma introdução à neurociência críticaPor um cérebro histórico-cultural: Uma introdução à neurociência crítica
Por um cérebro histórico-cultural: Uma introdução à neurociência crítica
Caio Maximino
 
Genética dos transtornos mentais: Cultura, genética e epigenética em uma pers...
Genética dos transtornos mentais: Cultura, genética e epigenética em uma pers...Genética dos transtornos mentais: Cultura, genética e epigenética em uma pers...
Genética dos transtornos mentais: Cultura, genética e epigenética em uma pers...
Caio Maximino
 
Métodos quantitativos na pesquisa em educação e ensino
Métodos quantitativos na pesquisa em educação e ensinoMétodos quantitativos na pesquisa em educação e ensino
Métodos quantitativos na pesquisa em educação e ensino
Caio Maximino
 
Aula 2: Um pouco de filosofia da ciência
Aula 2: Um pouco de filosofia da ciênciaAula 2: Um pouco de filosofia da ciência
Aula 2: Um pouco de filosofia da ciência
Caio Maximino
 
Inferência estatística nas ciências experimentais
Inferência estatística nas ciências experimentaisInferência estatística nas ciências experimentais
Inferência estatística nas ciências experimentais
Caio Maximino
 
Aprendizagem baseada em problemas: Adaptações ao ensino remoto
Aprendizagem baseada em problemas: Adaptações ao ensino remotoAprendizagem baseada em problemas: Adaptações ao ensino remoto
Aprendizagem baseada em problemas: Adaptações ao ensino remoto
Caio Maximino
 
A importância das práticas corporais para a saúde mental
A importância das práticas corporais para a saúde mentalA importância das práticas corporais para a saúde mental
A importância das práticas corporais para a saúde mental
Caio Maximino
 
Transtornos do neurodesenvolvimento
Transtornos do neurodesenvolvimentoTranstornos do neurodesenvolvimento
Transtornos do neurodesenvolvimento
Caio Maximino
 
Evidências científicas de eficácia em farmacoterapia
Evidências científicas de eficácia em farmacoterapiaEvidências científicas de eficácia em farmacoterapia
Evidências científicas de eficácia em farmacoterapia
Caio Maximino
 
Transtornos alimentares
Transtornos alimentaresTranstornos alimentares
Transtornos alimentares
Caio Maximino
 

Mais de Caio Maximino (20)

Papel de receptores 5-HT2CL en la socialidad del pez cebra
Papel de receptores 5-HT2CL en la socialidad del pez cebraPapel de receptores 5-HT2CL en la socialidad del pez cebra
Papel de receptores 5-HT2CL en la socialidad del pez cebra
 
Efectos de fluoxetina sobre la agresión del pez cebra dependiente del fenotipo
Efectos de fluoxetina sobre la agresión del pez cebra dependiente del fenotipoEfectos de fluoxetina sobre la agresión del pez cebra dependiente del fenotipo
Efectos de fluoxetina sobre la agresión del pez cebra dependiente del fenotipo
 
Impacto del pez cebra en biología y neurociencias
Impacto del pez cebra en biología y neurocienciasImpacto del pez cebra en biología y neurociencias
Impacto del pez cebra en biología y neurociencias
 
El pez cebra en el estudio de psicofarmacos
El pez cebra en el estudio de psicofarmacosEl pez cebra en el estudio de psicofarmacos
El pez cebra en el estudio de psicofarmacos
 
Minicurso "Primeiros socorros: Em caso de ataque de pânico"
Minicurso "Primeiros socorros: Em caso de ataque de pânico"Minicurso "Primeiros socorros: Em caso de ataque de pânico"
Minicurso "Primeiros socorros: Em caso de ataque de pânico"
 
A cerebralização do sofrimento psíquico
A cerebralização do sofrimento psíquicoA cerebralização do sofrimento psíquico
A cerebralização do sofrimento psíquico
 
Human physiological response in perspective: Focus on the capitalocene
Human physiological response in perspective: Focus on the capitaloceneHuman physiological response in perspective: Focus on the capitalocene
Human physiological response in perspective: Focus on the capitalocene
 
Vertebrate stress mechanisms under change
Vertebrate stress mechanisms under changeVertebrate stress mechanisms under change
Vertebrate stress mechanisms under change
 
The nervous system: an evolutionary approach
The nervous system: an evolutionary approachThe nervous system: an evolutionary approach
The nervous system: an evolutionary approach
 
O monstruoso do capital: Ansiedades culturais e subjetividade
O monstruoso do capital: Ansiedades culturais e subjetividadeO monstruoso do capital: Ansiedades culturais e subjetividade
O monstruoso do capital: Ansiedades culturais e subjetividade
 
Por um cérebro histórico-cultural: Uma introdução à neurociência crítica
Por um cérebro histórico-cultural: Uma introdução à neurociência críticaPor um cérebro histórico-cultural: Uma introdução à neurociência crítica
Por um cérebro histórico-cultural: Uma introdução à neurociência crítica
 
Genética dos transtornos mentais: Cultura, genética e epigenética em uma pers...
Genética dos transtornos mentais: Cultura, genética e epigenética em uma pers...Genética dos transtornos mentais: Cultura, genética e epigenética em uma pers...
Genética dos transtornos mentais: Cultura, genética e epigenética em uma pers...
 
Métodos quantitativos na pesquisa em educação e ensino
Métodos quantitativos na pesquisa em educação e ensinoMétodos quantitativos na pesquisa em educação e ensino
Métodos quantitativos na pesquisa em educação e ensino
 
Aula 2: Um pouco de filosofia da ciência
Aula 2: Um pouco de filosofia da ciênciaAula 2: Um pouco de filosofia da ciência
Aula 2: Um pouco de filosofia da ciência
 
Inferência estatística nas ciências experimentais
Inferência estatística nas ciências experimentaisInferência estatística nas ciências experimentais
Inferência estatística nas ciências experimentais
 
Aprendizagem baseada em problemas: Adaptações ao ensino remoto
Aprendizagem baseada em problemas: Adaptações ao ensino remotoAprendizagem baseada em problemas: Adaptações ao ensino remoto
Aprendizagem baseada em problemas: Adaptações ao ensino remoto
 
A importância das práticas corporais para a saúde mental
A importância das práticas corporais para a saúde mentalA importância das práticas corporais para a saúde mental
A importância das práticas corporais para a saúde mental
 
Transtornos do neurodesenvolvimento
Transtornos do neurodesenvolvimentoTranstornos do neurodesenvolvimento
Transtornos do neurodesenvolvimento
 
Evidências científicas de eficácia em farmacoterapia
Evidências científicas de eficácia em farmacoterapiaEvidências científicas de eficácia em farmacoterapia
Evidências científicas de eficácia em farmacoterapia
 
Transtornos alimentares
Transtornos alimentaresTranstornos alimentares
Transtornos alimentares
 

Último

Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdfAviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Falcão Brasil
 
Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).pdf
Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).pdfEscola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).pdf
Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).pdf
Falcão Brasil
 
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIALA GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
ArapiracaNoticiasFat
 
Desafios Contemporâneos para o Exército Brasileiro (EB).pdf
Desafios Contemporâneos para o Exército Brasileiro (EB).pdfDesafios Contemporâneos para o Exército Brasileiro (EB).pdf
Desafios Contemporâneos para o Exército Brasileiro (EB).pdf
Falcão Brasil
 
Qualidade do Ar interior nas escolas.pptx
Qualidade do Ar interior nas escolas.pptxQualidade do Ar interior nas escolas.pptx
Qualidade do Ar interior nas escolas.pptx
MariaJooSilva58
 
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdfPortfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Falcão Brasil
 
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdfIntrodução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
valdeci17
 
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdfEscola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Falcão Brasil
 
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsxQue Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Luzia Gabriele
 
Construção Aeronáutica no Brasil. Embraer.pdf
Construção Aeronáutica no Brasil. Embraer.pdfConstrução Aeronáutica no Brasil. Embraer.pdf
Construção Aeronáutica no Brasil. Embraer.pdf
Falcão Brasil
 
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
Falcão Brasil
 
Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da TerraUma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
Luiz C. da Silva
 
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdfMarinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Falcão Brasil
 
O que é o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
O que é  o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?O que é  o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
O que é o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
Marcelo Botura
 
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
Falcão Brasil
 
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptxSlides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
Slides Lição 3, Betel, A relevância da Igreja no cumprimento de sua Missão.pptx
Slides Lição 3, Betel, A relevância da Igreja no cumprimento de sua Missão.pptxSlides Lição 3, Betel, A relevância da Igreja no cumprimento de sua Missão.pptx
Slides Lição 3, Betel, A relevância da Igreja no cumprimento de sua Missão.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdfA Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
Falcão Brasil
 

Último (20)

Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdfAviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
 
Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).pdf
Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).pdfEscola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).pdf
Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).pdf
 
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIALA GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
 
Desafios Contemporâneos para o Exército Brasileiro (EB).pdf
Desafios Contemporâneos para o Exército Brasileiro (EB).pdfDesafios Contemporâneos para o Exército Brasileiro (EB).pdf
Desafios Contemporâneos para o Exército Brasileiro (EB).pdf
 
Elogio da Saudade .
Elogio da Saudade                          .Elogio da Saudade                          .
Elogio da Saudade .
 
Qualidade do Ar interior nas escolas.pptx
Qualidade do Ar interior nas escolas.pptxQualidade do Ar interior nas escolas.pptx
Qualidade do Ar interior nas escolas.pptx
 
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdfPortfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
 
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdfIntrodução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
 
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdfEscola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
 
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsxQue Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
 
Construção Aeronáutica no Brasil. Embraer.pdf
Construção Aeronáutica no Brasil. Embraer.pdfConstrução Aeronáutica no Brasil. Embraer.pdf
Construção Aeronáutica no Brasil. Embraer.pdf
 
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
 
Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da TerraUma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
Uma Breve História da Origem, Formação e Evolução da Terra
 
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdfMarinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
 
O que é o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
O que é  o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?O que é  o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
O que é o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
 
Festa dos Finalistas .
Festa dos Finalistas                    .Festa dos Finalistas                    .
Festa dos Finalistas .
 
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
 
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptxSlides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
 
Slides Lição 3, Betel, A relevância da Igreja no cumprimento de sua Missão.pptx
Slides Lição 3, Betel, A relevância da Igreja no cumprimento de sua Missão.pptxSlides Lição 3, Betel, A relevância da Igreja no cumprimento de sua Missão.pptx
Slides Lição 3, Betel, A relevância da Igreja no cumprimento de sua Missão.pptx
 
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdfA Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
 

Volição, psicomotricidade, e pensamento

  • 1. Volição, psicomotricidade, e funções superiores Estudos dos Fenômenos Psicopatológicos I – Aula 6
  • 2. Objetivos • Conceituar volição, psicomotricidade, e pensamento para a psicopatologia • Descrever alterações de volição, psicomotricidade, pensamento, e juízo de realidade • Apontar algumas síndromas que apresentam essas alterações
  • 3. Vontade/volição • O processo de decidir e se comprometer com um curso de ação em particular – Envolve tomar decisões e agir para que elas ocorram – “Força de vontade” é um termo coloquial para descrever volição • Dimensão complexa da vida mental, relacionada com as esferas afetivas e cognitivas, bem como com valores, princípios, hábitos, e normas socioculturais • Construto importante de diversos textos filosóficos de matriz romântica, incluindo Schopenhauer (vontade para a vida) e Nietzche (vontade de poder) e os existencialistas (conflitos entre livre arbítrio e determinismo) • Esfera motivacional: definição de como o comportamento é iniciado, dirigido, e sustentado, em suas dimensões intencionais e reguladoras • Não esqueçamos que a psicopatologia é da mesma matriz que a prisão! Assim, uma pergunta fundamental que se faz é: “ele queria fazer isso?” - ou seja, há volição envolvida em determinados atos (violentos)?
  • 4. Atos volitivos • Para Nobre de Melo (1979), o ato volitivo (ou ato de vontade) é traduzido pelas expressões típicas do “eu quero” ou “eu não quero” • Distinguem-se também os motivos, ou razões intelectuais que influem sobre o ato volitivo, dos móveis, ou influências afetivas atrativas ou repulsivas que pressionam a decisão volitiva para um lado ou para outro.
  • 5. Processo volitivo • O ato volitivo se dá como um processo 1) fase de intenção ou propósito, na qual se esboçam as tendências básicas do indivíduo, suas inclinações e interesses. ● Impulsos, desejos e temores inconscientes exercem influência decisiva 2) fase de deliberação, que diz respeito à ponderação consciente, levando- se em conta tanto os motivos como os móveis implicados no ato volitivo ● Análise básica, quase sempre com base em elementos afetivos 3) fase de decisão propriamente dita é o momento culminante do processo volitivo, instante que demarca o começo da ação 4) fase de execução constitui a etapa final do processo volitivo, em que o comportamento é executado
  • 6. Abulia / hipobulia • Diminuição ou até abolição da atividade volitiva • O indivíduo refere que não tem vontade para nada, sente-se muito desanimado, sem forças, sem “pique” • Geralmente, a hipobulia/abulia encontra-se associada à apatia (indiferença afetiva), à fadiga fá cil, à dificuldade de decisão, tão típicas dos depressivos grave
  • 7. Atos impulsivos • Ato impulsivo – “curto-circuito” do ato voluntário da fase de intenção à fase de execução – “O ato impulsivo abole abruptamente as fases de intenção, deliberação e decisão, em função tanto da intensidade dos desejos ou temores inconscientes como da fragilidade das instâncias psíquicas implicadas na reflexão, na análise, na ponderação e na contenção dos impulsos e dos desejos” • Nos impulsos patológicos predominam as ações psicomotoras automáticas, sem reflexão, ponderação ou decisão prévias, de tipo instantâneo e explosivo.
  • 8. Atos impulsivos • É realizado sem fase prévia de intenção, deliberação e decisão. • É realizado, de modo geral, de forma egossintônica. • É geralmente associado a impulsos patológicos, de natureza inconsciente, ou à incapacidade de tolerância à frustração e necessária adaptação à realidade objetiva. • O indivíduo dominado pelo ato impulsivo tende a desconsiderar os desejos e as necessidades das outras pessoas
  • 9. Atos compulsivos • Geralmente uma ação motora complexa que pode envolver desde atos compulsivos relativamente simples, como coçar-se, picar-se, arranhar-se, até rituais compulsivos complexos, como tomar banho de forma repetida e muito ritualizada, lavar as mãos e secar-se de modo estereotipado, por inúmeras vezes seguidas, etc. • Diferem do ato impulsivo por ser reconhecido pelo indivíduo como indesejável e inadequado, assim como pela tentativa de refreá-lo ou adiá-lo
  • 10. Atos compulsivos • Há a vivência freqüente de desconforto subjetivo por parte do indivíduo que realiza o ato compulsivo. • Comumente são egodistônicos • Há a tentativa de resistir (ou pelo menos adiar) à realização do ato compulsivo. • Poder haver sensação de alívio ao realizar o ato compulsivo, que logo é substituído pelo retorno do desconforto subjetivo e pela urgência em realizar novamente o ato compulsivo. •
  • 11. Impulsos e compulsões agressivas auto- e heterodirigidas • Automutilação. É o impulso (ou compulsão) seguido de comportamento de autolesão voluntária – Leves a moderadas observadas em pacientes borderline e TOC; as formas mais graves podem acontecer em estados psicóticos • Frangofilia. Impulso patológico de destruir os objetos que circundam o indivíduo, associado geralmente a estados de excitação impulsiva intensa e agressiva • Piromania. Impulso de atear fogo a objetos, prédios, lugares, &c • Impulso suicida.
  • 12. Impulso suicida • Ocorre quase sempre associado a outros sintomas mentais e condições gerais como humor depressivo, desesperança, ansiedade intensa, desmoralização crônica, dor ou disfunções orgânicas crônicas. • Sempre que o examinador encontrar um paciente deprimido, cronicamente ansioso e hostil, ralizado, sem perspectivas, deve investigar detidamente os impulsos suicidas. • Mais comum em depressão maior, dependência de álcool, esquizofrenia, distimias e transtornos da adaptação do tipo depressivo, bem como em transtornos de personalidade borderline, dependente, esquizóide, histriônica, e de evitação (Ferreira de Castro et al.,1998).
  • 13. Semiotécnica da ideação e do impulso suicida • A ideação, os impulsos e os planos suicidas devem ser sempre investigados no caso de mínima suspeita. • O tema deve ser tratado como algo delicado e pessoal, de modo circunspecto, mas franco. • Após contato inicial, inquirir de modo que seja mais fácil para o paciente falar sobre o tema, começando a perguntar sobre o desejo de “desaparecer”, de “sair de cena”, de “dormir para sempre” até o desejo definido de se matar. O paciente potencialmente suicida sente-se, muitas vezes, aliviado por poder falar sobre o tema.
  • 14. Semiotécnica da ideação e do impulso suicida • Perguntar, por exemplo: “Às vezes, você se sente tão mal que gostaria de desaparecer, dormir muito tempo ou não mais viver?” • Prosseguir então avaliando idéias claramente suicidas, planos suicidas: “Pensa em terminar com a sua vida? Já fez alguma coisa no sentido de realizar tais idéias?” • Verificar se o paciente pensa em adquirir ou já comprou veneno, remédios, uma corda, um revólver, etc. • Verificar se o paciente tem outros sentimentos, idéias ou atos autodestrutivos. • Perguntar se já tentou o suicídio alguma vez. • A notificação é obrigatória! Portaria GM/MS nº 1271/2014 e SINAN versão 5.0
  • 15. Atenção especial a pacientes que... 1) Tentaram o suicídio recentemente (nos últimos meses ou anos) e continuam com graves problemas. 2) Estavam muito deprimidos e “melhoram” subitamente (pois tal “melhora” pode resultar em, finalmente, ter se decidido a cometer o suicídio e, assim, livrar-se do sofrimento). 3) Embora neguem o impulso suicida, comportam-se de forma muito autodestrutiva, revelando o seu potencial suicida. 4) “Resolvem” seus negócios (vendem pertences, fazem testamento, etc.) sem motivo aparente.
  • 16. Impulsos e compulsões relacionados à ingestão de substâncias ou alimentos • Dipsomania. Impulso ou compulsão periódica para ingestão de grandes quantidades de álcool. – O indivíduo bebe seguidamente até ficar inconsciente; a crise é superada, voltando o paciente à situação anterior, havendo geralmente amnésia retrógrada para o ocorrido. • Bulimia. Impulso irresistível de ingerir rapidamente grande quantidade de alimentos, seguido de vômitos voluntários ou laxativos. • Potomania. É a compulsão de beber água ou outros líquidos sem que haja sede exagerada.
  • 17. Impulsões e compulsões relacionados ao desejo e comportamento sexual • Fetichismo. Impulso e o desejo sexual concentrado em (ou exclusivamente relacionado a) partes da vestimenta ou do corpo da pessoa desejada. • Exibicionismo. impulso de mostrar os órgãos genitais, geralmente contra a vontade da pessoa que observa. O ato de mostrar já é suficiente para o indivíduo obter prazer; ele não busca contato sexual direto com a pessoa para a qual se exibe. • Voyeurismo. Impulso de obter prazer pela observação visual de uma pessoa que está tendo relação sexual, ou simplesmente está nua ou se despindo. • Ninfomania e satiríase. Aumentos patológicos do desejo sexual ocorrem principalmen-te em indivíduos em fase maníaca • Cronoinversões. Pedofilia e gerontofilia. • Outras parafilias. Zoofilia, necrofilia, coprofilia.
  • 18. Alterações volitivas típicas da esquizofrenia • Tipicamente, alterações de volição acompanham a esquizofrenia catatônica, comumente associadas a catalepsia e flexibilidade cerácea • Negativismo. É a oposição do indivíduo às solicitações do meio ambiente. Verifica-se uma resistência automática e obstinada a todos ou quase todos os pedidos que a equipe médica ou a família faz ao paciente • Sitiofobia. Recusa sistemática de alimentos, geralmente revelando negativismo profundo • Obediência automática. É o oposto ao negativismo. Nesse caso, o indivíduo obedece automaticamente, como um robô teleguiado, às solicitações de pessoas que entrem em contato com ele.
  • 19. Alterações voliticas típicas da esquizofrenia • Fenômenos em eco (ecopraxia, ecolalia, ecomimia, ecografia). Neste caso, o indivíduo repete de forma automática, durante a entrevista, os últimos atos do entrevistador, suas palavras ou sílabas, reações mímicas ou escrita. • Os fenômenos em eco revelam acentuada perda do controle da atividade voluntária e sua substituição por atos automáticos, sugeridos pelo ambiente circundante.
  • 21. Definições • Integração das funções motoras e psíquicas em consequência da maturidade do sistema nervoso. • Assim como o ato motor é o componente final do ato volitivo, as alterações da psicomotricidade frequentemente são a expressão final de alterações de volição
  • 22. Alterações da psicomotricidade • Agitação psicomotora: Aceleração e exaltação de toda a atividade motora do indivíduo, em geral secundária a taquipsiquismo acentuado. Comumente se associa à hostilidade e à heteroagressividade. É um sinal psicopatológico muito frequente, sendo visto todos os dias nos serviços de emergência e internação. – Associado a quadros maníacos, episódios esquizofrênicos agudos, quadros psico-orgânicos agudos (p.ex intoxicação por substâncias químicas, síndromes de abstinência, traumas cranioencefálicos,encefalopatias metabólicas,etc.), quadros paranóides em transtornos do neurodesenvolvimento e em indivíduos com transtorno neurocognitivo maior. • Lentificação psicomotora: Reflete a desaceleração de toda a atividade psíquica (bradipsiquismo), tendo toda a atividade de movimentação voluntária lentificada,”pesada”, o que se denomina classicamente de inibição psicomotora.
  • 23. Alterações da psicomotricidade • Estupor. Perda de toda a atividade espontânea que atinge o indivíduo globalmente, na vigência de um nível de consciência aparentemente preservado e de capacidade sensório-motora para reagir ao ambiente. Envolve toda a atividade voluntária, incluindo a comunicação não-verbal, verbal, mímica, olhar, gesticulação e marcha. Em geral, o indivíduo fica restrito ao leito,acordado,porém sem reagir de modo algum ao ambiente. • Catalepsia. Acentuação exagerada do tônus postural, com grande redução da mobilidade passiva dos vários segmentos corporais e com hipertonia muscular global de tipo plástico. • Flexibilidade cerácea. O indivíduo, ou uma parte de seu corpo (braço, perna, cabeça), é colocada em uma posição, mesmo muito desconfortável, permanecendo nessa posição como se fosse um homem de cera.
  • 24. Alterações da psicomotricidade • Cataplexia. Perda abrupta do tônus muscular,geralmente acompanhada de queda ao chão. • Estereotipias motoras. Repetições automáticas e uniformes de determinado ato motor complexo, indicando geralmente marcante perda do controle voluntário sobre a esfera motora. O paciente repete o mesmo gesto com as mãos dezenas ou centenas de vezes em um mesmo dia. • Maneirismo. É um tipo de estereotipia motora caracterizada por movimentos bizarros e repetitivos, geralmente complexos, que buscam certo objetivo, mesmo que esdrúxulo. A harmonia do conjunto de gestos do indivíduo é substituída por posturas e movimentos estranhos, exagerados, afetados ou bizarros.
  • 25. Alterações da psicomotricidade • Tiques. Atos coordenados, repetitivos, resultantes de contrações súbitas, breves e intermitentes,envolvendo geralmente um grupo de músculos que atua em suas relações sinérgicas normais. Acentuam-se muito com a ansiedade. • Conversão. Surgimento abrupto de sintomas físicos (paralisias, cegueira, anestesias, parestesias, etc.), de origem psicogênica. A conversão motora (paralisias, contraturas conversivas, ataxias psicogênicas, etc.) ocorre geralmente em situação estressante, de ameaça ou conflito intrapsíquico ou interpessoal significativos para o indivíduo.
  • 27. Semiotécnica da volição e da psicomotricidade • O paciente vem à consulta por iniciativa própria ou é trazido por alguém? • A atitude geral do paciente é passiva ou ativa? Colabora com o entrevistador, é indiferente ou se opõe a ele? • Como são os seus movimentos espontâneos? Seus gestos são lentos e “difíceis” ou rápidos e “fáceis”? • Anda de um lado para outro? Esfrega as mãos? Mexe as pernas inquietamente? • Como é sua mímica de repouso? • O tom da voz é alto, baixo ou estridente? • Fala espontaneamente ou apenas quando solicitado? • Mostra-se hostil, contrariado, agressivo? Parece ter dificuldades em controlar seus impulsos? • O paciente parece estar pronto a explodir a qualquer momento? • Faz movimentos inadequados? Faz movimentos ou gestos bizarros? • O paciente parece ter dificuldade em controlar suas emoções?
  • 28. Semiotécnica da volição e da psicomotricidade • Pragmatismo: O que você tem feito nos últimos dias e semanas? Tem sido capaz de trabalhar ou estudar no último mês? O que você tem sido capaz de fazer? Tem dificuldade em terminar o que começa? O que faz para se divertir? • Impulsividade (perguntar ao paciente mas, sobretudo, aos acompanhantes): Ele (você) responde sem pensar? Interrompe com frequência os outros? Não consegue esperar a sua vez? Tem pavio curto, é explosivo? Descreva suas explosões. • Julgamento e sentimento moral: Se você encontrasse um envelope endereçado e selado em uma calçada, o que faria? Se encontrasse uma carteira com dinheiro e uma carteira de identidade em uma calçada, o que faria?
  • 29. O pensamento e suas alterações
  • 30. Definições • O pensamento se constitui a partir de elementos sensoriais, que, embora não sejam propriamente intelectivos, podem fornecer substrato para o processo do pensar: são as imagens perceptivas e as representações. • O conceito não apresenta elementos de sensorialidade, não sendo possível contemplá-lo, nem imaginá-lo. Trata-se de um elemento puramente cognitivo, intelectivo. – O conceito é o elemento estrutural básico do pensamento, nele se exprimem os caracteres essenciais dos objetos e fenômenos da natureza. • O juízo consiste, a princípio, na afirmação de uma relação entre dois conceitos. – O juízo tem por função básica formular uma relação unívoca entre um sujeito e um predicado. – Na dimensão linguística, os conceitos se expressam geralmente por palavras; e os juízos, por frases ou proposições. • O processo do raciocínio representa um modo especial de ligação entre conceitos, de sequência de juízos, de encadeamento de conhecimentos, derivando sempre uns dos outros
  • 31. O processo do pensar • O curso do pensamento é o modo como o pensamento flui, a sua velocidade e seu ritmo ao longo do tempo. • A forma do pensamento é a sua estrutura básica, sua “arquitetura”, preenchida pelos mais diversos conteúdos e interesses do indivíduo. • O conteúdo do pensamento pode ser definido como aquilo que dá substância ao pensamento, os seus temas predominantes, o assunto em si.
  • 32. Alterações dos conceitos • Desintegração dos conceitos. Ocorre quando os conceitos sofrem um processo de perda de seu significado original. Os conceitos se desfazem, e uma mesma palavra passa a ter significados cada vez mais diversos, por vezes idiossincráticos (Paim, 1986). • Condensação dos conceitos. Ocorre quando dois ou mais conceitos são fundidos, o paciente involuntariamente condensa duas ou mais idéias em um único conceito, que se expressa por uma nova palavra.
  • 33. Alterações dos juízos • Juízo deficiente ou prejudicado. É um tipo de juízo falso que se estabelece porque a elaboração dos juízos é prejudicada por deficiência intelectual e pobreza cognitiva do indivíduo. – Conceitos são inconsistentes; e o raciocínio, pobre e defeituoso. Os juízos são por demais simplistas, concretos e sujeitos à influência do meio social • Delírio
  • 34. Alterações do raciocínio e do estilo de pensar • O tipo e o estilo de pensamento comum de um indivíduo não acometido por doença mental são apenas precariamente lógicos. Isso faz com que seja difícil discriminar entre pensamento normal e pensamento patológico. • Ainda assim, alguns padrões emergem da observação da psicopatologia.
  • 35. Alterações do raciocínio e do estilo de pensar • Pensamento mágico. É o tipo de pensamento que fere frontalmente os princípios da lógica formal, bem como os indicativos e imperativos da realidade. – Contiguidade e similaridade • Pensamento dereístico. Só obedece à lógica e à realidade naquilo que interessa ao desejo do indivíduo, distorcendo a realidade para que esta se adapte aos seus anseios. – O pensar volta-se muito mais ao mundo interno do sujeito, suas fantasias e seus sonhos, manifestando-se como um devaneio, no qual tudo é possível e favorável ao indivíduo • Pensamento inibido. Ocorre a inibição do raciocínio, com diminuição da velocidade e do número de conceitos, juízos e representações utilizados no processo de pensar • Pensamento vago. Relações conceituais, formação dos juízos e a concatenação destes caracterizadas pela imprecisão – Pode ser um sinal inicial da esquizofrenia ou ocorrer em quadros demenciais iniciais, transtornos da personalidade (p. ex., esquizotípica) e neuroses graves
  • 36. Alterações do raciocínio e do estilo de pensar • Pensamento prolixo. O paciente não consegue chegar a qualquer conclusão sobre o tema de que está tratando, senão após muito tempo e esforço. • Pensamento oligofrênico (deficitário). Estrutura pobre e rudimentar. O indivíduo tende ao raciocínio concreto; os conceitos são escassos e utilizados em sentido mais literal que abstrato ou metafórico. A abstração apenas ocorre com dificuldade, sem consistência ou grande alcance.
  • 37. Alterações do raciocínio e do estilo de pensar • Desorganização do pensamento – Pensamento demencial. Semelhante ao oligofrênico, mas o empobrecimento é desigual – Pensamento confusional. Pensamento incoerente, tortuoso, devido à turvação da consciência. – Pensamento desagregado. Pensamento radicalmente incoerente, no qual os conceitos e os juízos não se articulam minimamente de forma lógica. A linguagem correspondente é o que se denomina “salada de palavras”. • Pensamento obsessivo. Predominam ideias ou representações que, apesar de terem um conteúdo absurdo ou repulsivo ao indivíduo, se impõem à consciência de modo persistente e incontrolável
  • 38. Alterações do processo do pensar: Curso • Aceleração do pensamento • Lentificação do pensamento • Bloqueio ou interceptação do pensamento. Verifica-se quando o paciente, ao relatar algo, no meio de uma conversa, brusca e repentinamente interrompe seu pensamento, sem qualquer motivo aparente. O doente relata que, sem saber por que, “o pensamento pára”, é bloqueado. • Roubo do pensamento. É uma vivência, frequentemente associada ao bloqueio do pensamento, na qual o indivíduo tem a nítida sensação de que seu pensamento foi roubado de sua mente, por uma força ou ente estranho
  • 39. Alterações do processo do pensar: Forma • Fuga de ideias. É uma alteração da estrutura do pensamento secundária à acentuada aceleração do pensamento, na qual uma ideia se segue a outra de forma extremamente rápida, perturbando-se as associações lógicas entre os juízos e os conceitos – Assonâncias, associação com estímulos externos contingentes • Dissociação do pensamento. Os pensamentos passam progressivamente a não seguir uma sequência lógica e bem-organizada, e os juízos não se articulam de forma coerente uns com os outros. • Afrouxamento das associações. As associações parecem mais livres, não tão bem-articuladas. • Descarrilhamento do pensamento. O pensamento passa a extraviar-se de seu curso normal, toma atalhos colaterais, des vios, pensamentos supérfluos, retornando aqui e acolá ao seu curso original. • Desagregação do pensamento. Profunda e radical perda dos enlaces associativos, total perda da coerência do pensamento. Sobram apenas “pedaços” de pensamentos, conceitos e idéias fragmentadas
  • 40. Alterações do processo do pensar: Conteúdo • Temas principais: 1. Persecutórios 2. Depreciativos 3. Religiosos 4. Sexuais 5. De poder, riqueza, prestígio, ou grandeza 6. De ruína ou culpa 7. Conteúdos hipocondríacos
  • 41. Semiotécnica do pensamento • Verificar a capacidade de abstração e de generalização e o grau de sofisticação das respostas: – Que diferença há entre a mão e o pé? Entre o boi e o cavalo? Entre a água e o gelo? E entre o cristal e a madeira? – Entre um quilo de chumbo e um quilo de palha, o que pesa mais? Que diferença há entre falar uma coisa errada e dizer uma mentira? E entre a admiração e a inveja? E entre ser uma pessoa econômica e ser uma pessoa mesquinha, um “pão-duro”? – Que semelhanças há entre o carro, o trem e o avião? • Resposta precária e concreta: “São coisas.” • Resposta correta, mas ainda concreta: “Servem para a gente andar.” • Resposta com bom nível de generalização: “São veículos ou meios de transporte.”
  • 42. Semiotécnica do pensamento • Ao longo da entrevista, verificar: – Como flui o pensamento do paciente; seu curso (velocidade, ritmo), forma e conteúdos. O pensamento é lento e difícil ou rápido e fácil? O raciocínio alcança o seu objetivo, chega a um ponto final, ou fica “orbitando” em temas secundários? – A forma e o tipo de pensamento. O pensamento é coerente e bem-compreensível? Ou é vago, com trechos incompreensíveis? O pensamento é predominantemente incompreensível, muito incoerente? Há associações por assonância? Há fuga de idéias? É concreto ou revela capacidade de abstração e uso de símbolos e categorias de generalização? O pensamento respeita a realidade ou segue os desígnios dos desejos e temores do paciente?
  • 43. Semiotécnica do pensamento • Se há pensamento desorganizado: – tal desorganização é do tipo confusional (alteração da consciência), demencial (alteração da cognição) ou deficitária (pobreza homogênea)? • Estão presentes alterações características da esquizofrenia (afrouxamento, descarrilhamento, desagregação)? • Há idéias ou pensamentos do tipo obsessivo? • Quais os conteúdos mais recorrentes e marcantes no discurso do paciente?