UMA IDEIA E MUITO TRABALHO:
CONSTRUINDO VANTAGENS COMPETITIVAS ATRAVÉS DE ESTRATÉGIAS
INOVADORAS EM HOSPITALIDADE.
CRUZ, Bruno da Silva.
O empreendedorismo tem-se destacado nos últimos anos, tanto nos meios
acadêmicos como organizacionais, devido a sua importância socioeconômica,
cultural e organizacional (GEM, 2016). Desta forma, empreendedores podem ser
considerados impulsionadores da economia, gerando emprego e renda1
, assim
como, inovação2
em suas respectivas áreas de atuação (SCHUMPETER, 1985;
MORRISON, 1998).
Para Dornellas (2014) e Chiavenato (2012), cresce a cada ano a importância
econômica dos empreendedores na geração de renda e trabalho, evidenciando-se
assim o papel do empreendedor no desenvolvimento econômico nacional, que
envolve mais do que apenas o acréscimo de produção e renda per capita; envolve
iniciar e construir mudanças na composição do negócio e da sociedade. Tal
mudança é seguida pelo crescimento e por maior produção, permitindo que mais
riqueza seja dividida pelos vários componentes da sociedade (DORNELLAS, 2014).
Assim, Timmons (1994) acredita que o empreendedorismo é uma revolução
silenciosa, que será para o século XXI mais do que foi a revolução industrial para o
século XX. Dessa forma, torna-se relevante saber o que determina o surgimento de
um empreendedor, se é possível aprender a empreender ou se é uma qualidade
inata. Uma vez que os empreendedores estão revolucionando o mundo, seu
comportamento e o próprio processo empreendedor devem ser estudados e
entendidos em seus múltiplos níveis.
1
De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (2016), a redução do ritmo de crescimento
econômico no período atual não tem impedido o segmento empreendedor de se desenvolver. Entre
2003 e 2015, verificou-se aumento de 33,8% no número de empreendimentos, o que fez aumentar a
quantidade de empregos formais gerados por este segmento. Em 2015, as (MPE’s) Micro e pequenas
empresas responderam, por 52% dos empregos formais de estabelecimentos privados do país e de
quase 42% da massa de salários paga aos trabalhadores destes estabelecimentos, representando
16,2 milhões de empregos diretos, fora os indiretos, respondendo assim, por 25% do PIB nacional.
2
Conforme conceitua Schumpeter (1985), o empreendedor é o agente do processo de inovação ou
como ele denomina “destruição criativa”, que se manifesta por meio da formação de pequenas
empresas inovadoras e agressivas. Eles desafiam grandes empresas muitas vezes acomodadas
explorando, por exemplo, as deficiências nos seus produtos, serviços ou na sua segmentação de
mercado.
Drucker (1985) e Schumpeter (1985) afirmam que o empreendedorismo é um
fenômeno especial, pois: cria novos mercados ou produtos; direciona o
comportamento do consumidor, modificando seu hábito de consumo. Pode-se
constatar essa afirmação quando se percebe no setor hoteleiro a proliferação de
aplicativos que estão mudando a forma que o consumidor faz as suas reservas,
assim como, os tipos de hospedagem ao qual se direciona. Exemplo desse novo
paradigma é o surgimento do Airbnb3
.
Neste contexto surgem algumas questões a respeito do perfil e do
comportamento dos empreendedores. Na visão de Man e Lau (2000) para que se
possa compreender as características individuais dos empreendedores é preciso
enfocar em suas competências. De acordo com Zarifian (2001) a ideia de
competência4
está vinculada à ideia de agregação de valor e qualidade na entrega
de um produto ou serviço em determinado contexto, assim como, ligada a uma
combinação de conhecimentos, de saber fazer, de experiências e comportamentos
que se exerce em um ambiente especifico.
Já McClelland (1962) destaca algumas competências e características que
considera inerentes ao empreendedor, sendo estas: confiança, perseverança,
habilidade, criatividade, iniciativa, versatilidade, inteligência e percepção. Por sua
vez, Morrison (1998) define seis atitudes e comportamentos dos empreendedores
baseado no modelo de Timmons5
que são: Liderança, comprometimento e
determinação, obsessão por oportunidades, tolerância a riscos e incerteza,
criatividade autonomia e adaptabilidade e a motivação para vencer.
Dentro destes paradigmas o empreendedorismo pode ser considerado fator
importante para a criação de vantagens competitivas, uma vez que pode incidir
3
Como destaca a Revista Hotéis (2015), vive-se a era do compartilhamento é possível dividir tudo, e
foi o que fizeram dois estudantes norte-americanos em 2007, eles perceberam que os hotéis da
cidade estavam lotados devido a um congresso, então colocaram à disposição três colchões, e
pronto. Bastou uma momentânea falta de oferta hoteleira para que fosse criada a startup e, tem feito
as grandes redes hoteleiras entrarem em alerta, como é o caso da rede JW Marriot, Hilton e Hyatt
entre outras, que estão buscando concorrer com essa inovação da indústria hoteleira, tentando
reconquistar o espaço que foi preenchido pelo startup, as grandes agora tentam copiar esse modelo
de atuação (REVISTA HOTÉIS, 2015).
4
Na visão de Le Boterf (1995) o conceito de competência possui três eixos: a formação pessoal
(biografia, socialização), a formação educacional e a experiência profissional. Para ele a competência
é um saber agir responsável e que é reconhecido pelos outros.
5
De acordo com Timmons (1994) o empreendedorismo está apoiado sobre o tripé: Oportunidade,
equipe de trabalho e recursos, também chamado de modelo 3M. A oportunidade deve ser avaliada
para que se tome a decisão de continuar ou não com o projeto. O segundo fator é a equipe
empreendedora, ou seja, quem, além do empreendedor, estará atuando. Por fim, os recursos
necessários para o início do negócio deve ser a primeira das tarefas a ser realizada para evitar que o
empreendedor e sua equipe restrinjam a análise da oportunidade.
sobre o desenvolvimento de estratégias que busquem o aprimoramento dos
métodos. Com isso, busca-se não só alcançar como também manter a organização
em uma situação de vantagem em relação ao mercado (PORTER, 1989).
Focalizando-se o setor da hospitalidade e sua relação com a busca de
vantagens competitivas6
através da inovação, Bronzeri e Bulgacov (2014) afirmam
que por meio da diferenciação a organização tem maiores chances de desenvolver
vantagens competitivas, uma vez que, esta é mais difícil de ser copiada ou superada
pelos concorrentes.
Para Goulart et al. (2003) a maioria dos setores ligados ao trade turístico, em
especial no Brasil, ainda não atentaram a relevância de se ter profissionais
empreendedores. Esta crescente necessidade por empreendedores atuantes, em
setor cada vez mais competitivo, aumenta a exigência de se formarem profissionais
que atendam às exigências mutáveis do mercado. (HONMA E TEIXEIRA, 2008).
Perante esse novo panorama mercadológico, faz-se necessário conhecer a
influência que a gestão empreendedora pode acarretar a essas novas organizações.
Berry e Parasuraman (1985) afirma que criar uma operação de serviços bem-
sucedida é incontestavelmente uma tarefa difícil e sustentar o sucesso é uma tarefa
mais difícil ainda. Por isso, empreendedores modernos usam estratégias de
diferenciação e se apropriam de conceitos atuais de marketing para inovarem em
seus nichos. É importante que os empreendedores se atentem a essas ferramentas
mercadológicas para que consigam levar sua organização a uma posição
confortável perante a concorrência. (SILVA, 2016)
Além disso, pode-se dizer que o empreendedor atento entende a
organização em sentido global, analisa holisticamente sua organização e as demais
em busca continua pela excelência na satisfação dos clientes, conquistando e
fidelizando sua quota de mercado. Além disso, está atento as mudanças no mercado
e de novas soluções para satisfazer clientes com diferentes exigências e superar as
suas expectativas. A qualidade dos serviços, a satisfação e a fidelização do
consumidor na atualidade ganha a cada dia novos contornos. A busca pela
6
D’aveni (1995) complementa que, o ciclo de vida dos produtos e o tempo útil dos projetos foram
reduzidos, já o desenvolvimento de inovação tecnológica passou a crescer. Em mercados
hipercompetitivos, assim que as vantagens passam a ser corroídas pelos concorrentes, tal benefício
deixa de diferenciar à organização, a qual necessita desenvolver novos privilégios para não perder
mercado para seus concorrentes tornando-se mais eficaz a destruição da ideia de vantagens
competitivas sustentáveis, buscando desenvolver vantagens competitivas temporárias.
satisfação começa a orientar as estratégias das empresas modernas com a intenção
de consolidar sua posição e participação no mercado (PIZAM E ELLIS, 1999)
As experiências de hospedagem são uma mistura de bens e serviços. Dessa
forma, pode-se dizer que a satisfação é uma experiência composta da soma da
satisfação dos elementos individuais e os benefícios de todos os serviços que
compõe essa experiência (PIZAM E ELLIS, 1999). Dessa forma para que a atividade
turística se desenvolva, o empreendedor busca melhorias gerenciais, capacitando-
se e inovando em sua gestão (MELO NETO; FROES, 2002).
REFERÊNCIAS:
PARASURAMAN, A.; ZEITHAML, V. A.; BERRY, L. L. A conceptual model of
services quality and its implication for future research. Journal of Marketing, v. 49,
n. 4, p. 41-50, 1985.
BRASIL. Portal Ministério do Turismo. 2013. Plano Nacional de Turismo 2013 –
2016. Disponível em: http://www.turismo.gov.br/. Acesso em 09 Outubro de 2017, às
08h30min.
BRONZERI, M. de S.; BULGACOV, S. Estratégias na cadeia produtiva do café no
norte pioneiro do Paraná: competição, colaboração e conteúdo estratégico, Lavras,
Organizações Rurais & Agroindustriais, v. 16, n. 1, p. 77-91, 2014.
CHIAVENATO, I. Empreendedorismo: dando asa ao espírito empreendedor. 4 ed.
Barueri, São Paulo: Manole, 2012.
D’AVENI, R. A. Hipercompetição: estratégias para dominar à dinâmica do mercado.
Trad. Bazan Tecnologia e Linguística. Rio de Janeiro: Campus, 1995.
DORNELLAS, J. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 5ed. Rio
de Janeiro: Empreende/LTC, 2014.
DRUCKER, P. Inovação e espírito empreendedor: prática e princípios. São Paulo:
Pioneira, 1985.
GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR 2016 (GEM), Empreendedorismo no
Brasil 2016, Paraná: IBQP, 2017. Disponível em: https://m.sebrae.com.br Acesso
em 25 set 2017, às 10h30min.
GOULART, D. F.; BALDERRAMAS, H. A.; HEUBEL, M. T. C.; XAVIER, P. R.
Profissional empreendedor: um pré-requisito para o mercado turístico. Turismo e
Ação. Visão e Ação. v. 5, n. 3, p. 272, set/dez. 2003.
HONMA, E. T.; TEIXEIRA, R. M. Competências Empreendedoras: Estudo de Casos
Múltiplos no Setor Hoteleiro em Curitiba. In: Seminário Internacional de Turismo,
SIT,10, Curitiba, 2008.
LE BOTERF, G. De la competénce. Essai sur un attacteur étrange. Quatrième
tirage, Paris: Les Éditions D.Organizations, 1995.
MCCLELLAND, D. Business Drive and national achievement. Harvard Business
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MAN, T. W. Y.; LAU, T. Entrepreneurial competencies of SME owner/ manager in the
Hong Kong services sector: a qualitative analysis. Journal of Enterprising. v.8, n.
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MORRISON, A. (Editor). Entrepreuneurship. An international perspective.
Oxford: Butterworth-Heinemann, 1998.
MELO NETO, F. P de; FROES, C. Empreendedorismo Social: a transição para a
sociedade sustentável. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.
ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT
(OECD). Oslo manual: guidelines for collecting and interpreting technological
innovation data 3ed Paris: OECD, 2005. Disponível em: http://www.oecd-ilibrary.org
Acesso em 07 de Outubro 2017, às 10h:10min.
PIZAM, A.; ELLIS, T. “Customer satisfaction and its measurement in hospitality
enterprises”. International Journal of Hospitality Management. Vol. 11, n. 7, p.
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PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho
superior. Trad. Maria de Pinho Braga. 35º reimpr. Rio de Janeiro: Elseiver. 1989.
SANTOS, R. O. 2015. Revista Hotéis: Airbnb desperta polêmica no setor
hoteleiro. Disponivel em: http://www.revistahoteis.com.br Acesso em 10 de Outubro
de 2017 às 07h25min
SCHUMPETER, J. A. A teoria do desenvolvimento econômico. São Paulo:
Editora Nova Cultural, 1985.
SILVA, A. M.; FREIRE, J. B. A. Avaliação da Qualidade dos Serviços Prestados por
uma Casa Lotérica de Cajazeiras/PB, na Percepção do Cliente. RAUnP - Revista
Eletrônica do Mestrado Profissional em Administração da Universidade
Potiguar, v. 9, n. 1, p. 9-23, 2016.
TIMMONS, J.A. New Venture Creation: Entrepreneurship for 21st Century.
Chicago, IL: Irvin, 4th ed. 1994.
ZARIFIAN, P. Objetivo competência: por uma nova lógica. Tradução: Maria Helena
C. V. Trylinski. São Paulo: Ed. Atlas, 2001.
ZARIFIAN, P. Objetivo competência: por uma nova lógica. Tradução: Maria Helena
C. V. Trylinski. São Paulo: Ed. Atlas, 2001.

Uma ideia e muito trabalho

  • 1.
    UMA IDEIA EMUITO TRABALHO: CONSTRUINDO VANTAGENS COMPETITIVAS ATRAVÉS DE ESTRATÉGIAS INOVADORAS EM HOSPITALIDADE. CRUZ, Bruno da Silva. O empreendedorismo tem-se destacado nos últimos anos, tanto nos meios acadêmicos como organizacionais, devido a sua importância socioeconômica, cultural e organizacional (GEM, 2016). Desta forma, empreendedores podem ser considerados impulsionadores da economia, gerando emprego e renda1 , assim como, inovação2 em suas respectivas áreas de atuação (SCHUMPETER, 1985; MORRISON, 1998). Para Dornellas (2014) e Chiavenato (2012), cresce a cada ano a importância econômica dos empreendedores na geração de renda e trabalho, evidenciando-se assim o papel do empreendedor no desenvolvimento econômico nacional, que envolve mais do que apenas o acréscimo de produção e renda per capita; envolve iniciar e construir mudanças na composição do negócio e da sociedade. Tal mudança é seguida pelo crescimento e por maior produção, permitindo que mais riqueza seja dividida pelos vários componentes da sociedade (DORNELLAS, 2014). Assim, Timmons (1994) acredita que o empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que foi a revolução industrial para o século XX. Dessa forma, torna-se relevante saber o que determina o surgimento de um empreendedor, se é possível aprender a empreender ou se é uma qualidade inata. Uma vez que os empreendedores estão revolucionando o mundo, seu comportamento e o próprio processo empreendedor devem ser estudados e entendidos em seus múltiplos níveis. 1 De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (2016), a redução do ritmo de crescimento econômico no período atual não tem impedido o segmento empreendedor de se desenvolver. Entre 2003 e 2015, verificou-se aumento de 33,8% no número de empreendimentos, o que fez aumentar a quantidade de empregos formais gerados por este segmento. Em 2015, as (MPE’s) Micro e pequenas empresas responderam, por 52% dos empregos formais de estabelecimentos privados do país e de quase 42% da massa de salários paga aos trabalhadores destes estabelecimentos, representando 16,2 milhões de empregos diretos, fora os indiretos, respondendo assim, por 25% do PIB nacional. 2 Conforme conceitua Schumpeter (1985), o empreendedor é o agente do processo de inovação ou como ele denomina “destruição criativa”, que se manifesta por meio da formação de pequenas empresas inovadoras e agressivas. Eles desafiam grandes empresas muitas vezes acomodadas explorando, por exemplo, as deficiências nos seus produtos, serviços ou na sua segmentação de mercado.
  • 2.
    Drucker (1985) eSchumpeter (1985) afirmam que o empreendedorismo é um fenômeno especial, pois: cria novos mercados ou produtos; direciona o comportamento do consumidor, modificando seu hábito de consumo. Pode-se constatar essa afirmação quando se percebe no setor hoteleiro a proliferação de aplicativos que estão mudando a forma que o consumidor faz as suas reservas, assim como, os tipos de hospedagem ao qual se direciona. Exemplo desse novo paradigma é o surgimento do Airbnb3 . Neste contexto surgem algumas questões a respeito do perfil e do comportamento dos empreendedores. Na visão de Man e Lau (2000) para que se possa compreender as características individuais dos empreendedores é preciso enfocar em suas competências. De acordo com Zarifian (2001) a ideia de competência4 está vinculada à ideia de agregação de valor e qualidade na entrega de um produto ou serviço em determinado contexto, assim como, ligada a uma combinação de conhecimentos, de saber fazer, de experiências e comportamentos que se exerce em um ambiente especifico. Já McClelland (1962) destaca algumas competências e características que considera inerentes ao empreendedor, sendo estas: confiança, perseverança, habilidade, criatividade, iniciativa, versatilidade, inteligência e percepção. Por sua vez, Morrison (1998) define seis atitudes e comportamentos dos empreendedores baseado no modelo de Timmons5 que são: Liderança, comprometimento e determinação, obsessão por oportunidades, tolerância a riscos e incerteza, criatividade autonomia e adaptabilidade e a motivação para vencer. Dentro destes paradigmas o empreendedorismo pode ser considerado fator importante para a criação de vantagens competitivas, uma vez que pode incidir 3 Como destaca a Revista Hotéis (2015), vive-se a era do compartilhamento é possível dividir tudo, e foi o que fizeram dois estudantes norte-americanos em 2007, eles perceberam que os hotéis da cidade estavam lotados devido a um congresso, então colocaram à disposição três colchões, e pronto. Bastou uma momentânea falta de oferta hoteleira para que fosse criada a startup e, tem feito as grandes redes hoteleiras entrarem em alerta, como é o caso da rede JW Marriot, Hilton e Hyatt entre outras, que estão buscando concorrer com essa inovação da indústria hoteleira, tentando reconquistar o espaço que foi preenchido pelo startup, as grandes agora tentam copiar esse modelo de atuação (REVISTA HOTÉIS, 2015). 4 Na visão de Le Boterf (1995) o conceito de competência possui três eixos: a formação pessoal (biografia, socialização), a formação educacional e a experiência profissional. Para ele a competência é um saber agir responsável e que é reconhecido pelos outros. 5 De acordo com Timmons (1994) o empreendedorismo está apoiado sobre o tripé: Oportunidade, equipe de trabalho e recursos, também chamado de modelo 3M. A oportunidade deve ser avaliada para que se tome a decisão de continuar ou não com o projeto. O segundo fator é a equipe empreendedora, ou seja, quem, além do empreendedor, estará atuando. Por fim, os recursos necessários para o início do negócio deve ser a primeira das tarefas a ser realizada para evitar que o empreendedor e sua equipe restrinjam a análise da oportunidade.
  • 3.
    sobre o desenvolvimentode estratégias que busquem o aprimoramento dos métodos. Com isso, busca-se não só alcançar como também manter a organização em uma situação de vantagem em relação ao mercado (PORTER, 1989). Focalizando-se o setor da hospitalidade e sua relação com a busca de vantagens competitivas6 através da inovação, Bronzeri e Bulgacov (2014) afirmam que por meio da diferenciação a organização tem maiores chances de desenvolver vantagens competitivas, uma vez que, esta é mais difícil de ser copiada ou superada pelos concorrentes. Para Goulart et al. (2003) a maioria dos setores ligados ao trade turístico, em especial no Brasil, ainda não atentaram a relevância de se ter profissionais empreendedores. Esta crescente necessidade por empreendedores atuantes, em setor cada vez mais competitivo, aumenta a exigência de se formarem profissionais que atendam às exigências mutáveis do mercado. (HONMA E TEIXEIRA, 2008). Perante esse novo panorama mercadológico, faz-se necessário conhecer a influência que a gestão empreendedora pode acarretar a essas novas organizações. Berry e Parasuraman (1985) afirma que criar uma operação de serviços bem- sucedida é incontestavelmente uma tarefa difícil e sustentar o sucesso é uma tarefa mais difícil ainda. Por isso, empreendedores modernos usam estratégias de diferenciação e se apropriam de conceitos atuais de marketing para inovarem em seus nichos. É importante que os empreendedores se atentem a essas ferramentas mercadológicas para que consigam levar sua organização a uma posição confortável perante a concorrência. (SILVA, 2016) Além disso, pode-se dizer que o empreendedor atento entende a organização em sentido global, analisa holisticamente sua organização e as demais em busca continua pela excelência na satisfação dos clientes, conquistando e fidelizando sua quota de mercado. Além disso, está atento as mudanças no mercado e de novas soluções para satisfazer clientes com diferentes exigências e superar as suas expectativas. A qualidade dos serviços, a satisfação e a fidelização do consumidor na atualidade ganha a cada dia novos contornos. A busca pela 6 D’aveni (1995) complementa que, o ciclo de vida dos produtos e o tempo útil dos projetos foram reduzidos, já o desenvolvimento de inovação tecnológica passou a crescer. Em mercados hipercompetitivos, assim que as vantagens passam a ser corroídas pelos concorrentes, tal benefício deixa de diferenciar à organização, a qual necessita desenvolver novos privilégios para não perder mercado para seus concorrentes tornando-se mais eficaz a destruição da ideia de vantagens competitivas sustentáveis, buscando desenvolver vantagens competitivas temporárias.
  • 4.
    satisfação começa aorientar as estratégias das empresas modernas com a intenção de consolidar sua posição e participação no mercado (PIZAM E ELLIS, 1999) As experiências de hospedagem são uma mistura de bens e serviços. Dessa forma, pode-se dizer que a satisfação é uma experiência composta da soma da satisfação dos elementos individuais e os benefícios de todos os serviços que compõe essa experiência (PIZAM E ELLIS, 1999). Dessa forma para que a atividade turística se desenvolva, o empreendedor busca melhorias gerenciais, capacitando- se e inovando em sua gestão (MELO NETO; FROES, 2002). REFERÊNCIAS: PARASURAMAN, A.; ZEITHAML, V. A.; BERRY, L. L. A conceptual model of services quality and its implication for future research. Journal of Marketing, v. 49, n. 4, p. 41-50, 1985. BRASIL. Portal Ministério do Turismo. 2013. Plano Nacional de Turismo 2013 – 2016. Disponível em: http://www.turismo.gov.br/. Acesso em 09 Outubro de 2017, às 08h30min. BRONZERI, M. de S.; BULGACOV, S. Estratégias na cadeia produtiva do café no norte pioneiro do Paraná: competição, colaboração e conteúdo estratégico, Lavras, Organizações Rurais & Agroindustriais, v. 16, n. 1, p. 77-91, 2014. CHIAVENATO, I. Empreendedorismo: dando asa ao espírito empreendedor. 4 ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2012. D’AVENI, R. A. Hipercompetição: estratégias para dominar à dinâmica do mercado. Trad. Bazan Tecnologia e Linguística. Rio de Janeiro: Campus, 1995. DORNELLAS, J. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 5ed. Rio de Janeiro: Empreende/LTC, 2014. DRUCKER, P. Inovação e espírito empreendedor: prática e princípios. São Paulo: Pioneira, 1985. GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR 2016 (GEM), Empreendedorismo no Brasil 2016, Paraná: IBQP, 2017. Disponível em: https://m.sebrae.com.br Acesso em 25 set 2017, às 10h30min. GOULART, D. F.; BALDERRAMAS, H. A.; HEUBEL, M. T. C.; XAVIER, P. R. Profissional empreendedor: um pré-requisito para o mercado turístico. Turismo e Ação. Visão e Ação. v. 5, n. 3, p. 272, set/dez. 2003.
  • 5.
    HONMA, E. T.;TEIXEIRA, R. M. Competências Empreendedoras: Estudo de Casos Múltiplos no Setor Hoteleiro em Curitiba. In: Seminário Internacional de Turismo, SIT,10, Curitiba, 2008. LE BOTERF, G. De la competénce. Essai sur un attacteur étrange. Quatrième tirage, Paris: Les Éditions D.Organizations, 1995. MCCLELLAND, D. Business Drive and national achievement. Harvard Business Review, v.1, n. 3, p. 99 -112, jul/ago. 1962. MAN, T. W. Y.; LAU, T. Entrepreneurial competencies of SME owner/ manager in the Hong Kong services sector: a qualitative analysis. Journal of Enterprising. v.8, n. 3, p. 235-254, Set. 2000. MORRISON, A. (Editor). Entrepreuneurship. An international perspective. Oxford: Butterworth-Heinemann, 1998. MELO NETO, F. P de; FROES, C. Empreendedorismo Social: a transição para a sociedade sustentável. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD). Oslo manual: guidelines for collecting and interpreting technological innovation data 3ed Paris: OECD, 2005. Disponível em: http://www.oecd-ilibrary.org Acesso em 07 de Outubro 2017, às 10h:10min. PIZAM, A.; ELLIS, T. “Customer satisfaction and its measurement in hospitality enterprises”. International Journal of Hospitality Management. Vol. 11, n. 7, p. 326-339, Jul. 1999. PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Trad. Maria de Pinho Braga. 35º reimpr. Rio de Janeiro: Elseiver. 1989. SANTOS, R. O. 2015. Revista Hotéis: Airbnb desperta polêmica no setor hoteleiro. Disponivel em: http://www.revistahoteis.com.br Acesso em 10 de Outubro de 2017 às 07h25min SCHUMPETER, J. A. A teoria do desenvolvimento econômico. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1985. SILVA, A. M.; FREIRE, J. B. A. Avaliação da Qualidade dos Serviços Prestados por uma Casa Lotérica de Cajazeiras/PB, na Percepção do Cliente. RAUnP - Revista Eletrônica do Mestrado Profissional em Administração da Universidade Potiguar, v. 9, n. 1, p. 9-23, 2016. TIMMONS, J.A. New Venture Creation: Entrepreneurship for 21st Century. Chicago, IL: Irvin, 4th ed. 1994.
  • 6.
    ZARIFIAN, P. Objetivocompetência: por uma nova lógica. Tradução: Maria Helena C. V. Trylinski. São Paulo: Ed. Atlas, 2001.
  • 7.
    ZARIFIAN, P. Objetivocompetência: por uma nova lógica. Tradução: Maria Helena C. V. Trylinski. São Paulo: Ed. Atlas, 2001.