ESCRITORES, BOM DIA!
SÉRGIO AUGUSTO DE MUNHOZ PITAKI
8 de abril de 2017
MODERNISMO
SEMANA DE 22
Trovadorismo
Humanismo
Renascimento
Classicismo
Quinhentismo
Barroco
Arcadismo
Romantismo
Realismo
Naturalismo
Parnasianismo
Simbolismo
Pré-modernismo
Modernismo
”Surgindo de um estado de espírito característico,
desaparecendo com o aparecimento de outro estado
de espírito característico...”
Wilson Martins, A Ideia Modernista. 2002. pg. 18
Mário de Andrade
TROVADORISMO - SÉCULO XII
Cantiga da Ribeirinha, de Paio Soares Taveirós
No mundo nom me sei parelha,
mentre me for como me vai;
ca ja moiro por vós, e ai!,
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia?
Mao dia me levantei,
que vos entomnom vi feia!
E, mia senhor, desaquelha,
me foi a mi mui mal di' ai!
E vós, filha de Dom Pai
Moniz, en bem vos semelha
d' haver eu por vós gabundarvaia?
Pois eu, mia senhor, d' alfaia
nunca de vós houve nem hei
valia d'ua correia!”
Nascimento: 20 de julho de 1304, Arezzo, Itália
Falecimento: 19 de julho de 1374, Arquà Petrarca, Itália
Magnum opus: Canzoniere
WILLIAM SHAKESPEARE
1564-1616
"Farto de tudo, a paz da morte imploro
Para não ver no mérito um pedinte
E o nulo se ostentanto sem decoro.
E a fé mais pura em degradado acinte,
E a honra, que era de ouro, regredida.
E a virtude das virgens violadas,
E a reta perfeição ser retorcida,
E a força pelo fraco subjulgada,
E a prepotência amordaçando a arte,
E impondo regra o tolo doutoural,
E a verdade singela posta à parte,
E o bem cativo estar no ativo mal:
Farto de tudo, a morte é o bom caminho,
Mas, morto, deixo o meu amor sozinho.”
Gonçalves Dias
(1823/1864)
1846
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
ROMANTISMO
Correspondências - Charles Baudelaire (França, 1857)
A natureza é um templo onde vivos pilares
Podem deixar ouvir confusas vozes: e estas
Fazem o homem passar através de florestas
De símbolos que o vêem com olhos familiares
Como os ecos além confundem seus rumores
Na mais profunda e mais tenebrosa unidade,
Tão vasta como a noite e com a claridade,
Harmonizam-se os sons, os perfumes e as cores.
Perfumes frescos como carnes de criança
Ou oboés de doçura ou verdejantes ermos
E outros ricos, triunfais e podres na fragrância
Que possuem a expansão do universo sem termos
Como o sândalo, o almíscar, o benjoim e o incenso
Que cantam dos sentidos o transporte imenso.
SIMBOLISMO
OLAVO BILAC
AO CORAÇÃO QUE SOFRE
Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
PARNASIANISMO
MODERNISMO
ARTE DE AMAR
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Manuel Bandeira
PÓS—MODERNISMO
DOIS E DOIS: QUATRO
Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena
Como teus holos são claros
e a tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena
como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena
- sei que dois e dois são quatro
- e a liberdade, pequena
ANITA MALFATTI - 1921-27
MÁRIO RAUL DE MORAIS ANDRADE SP -1893-1945
Mario Raul Moraes de Andrade
foi poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista, ensaísta brasileiro.
Ele foi um dos pioneiros da poesia moderna brasileira com a publicação de seu livro
Pauliceia Desvairada em 1922.
Nascimento: 9 de outubro de 1893, São Paulo, São Paulo
Falecimento: 25 de fevereiro de 1945, São Paulo, São Paulo
1918 1922 1927 1928 1928
1933
1944
1934 1959
1937 1937 1942 1943
LUNDU DO ESCRITOR DIFÍCIL
Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquizila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar duma vez:
É só tirar a cortina
Que entra luz nesta escuridez.
Cortina de brim caipora,
Com teia caranguejeira
E enfeite ruim de caipira,
Fale fala brasileira
Que você enxerga bonito
Tanta luz nesta capoeira
Tal-e-qual numa gupiara.
Misturo tudo num saco,
Mas gaúcho maranhense
Que pára no Mato Grosso,
Bate este angu de caroço
Ver sopa de caruru;
A vida é mesmo um buraco,
Bobo é quem não é tatu!
Eu sou um escritor difícil,
Porém culpa de quem é!...
Todo difícil é fácil,
Abasta a gente saber.
Bajé, pixé, chué, ôh "xavié"
De tão fácil virou fóssil,
O difícil é aprender!
Virtude de urubutinga
De enxergar tudo de longe!
Não carece vestir tanga
Pra penetrar meu caçanje!
Você sabe o francês "singe"
Mas não sabe o que é guariba?
— Pois é macaco, seu mano,
Que só sabe o que é da estranja.
MÁRIO DE ANDRADE
• “Minhas obras todas na significação verdadeira delas
• (MARTINS, 2002, p. 262).
VIAGEM - BRASIL
O Brasil é lindo.
O Brasil é grande.
O Brasil é verde.
Planta-se. Come-se. Bebe-se. Muito
Soja. Trigo. Milho. Café. Cana. Muita.
Palmeiras há. Buritís. Carnaúbas.
Açaís.
O Brasil tem Nerildo e Nerivan.
O Brasil tem menestréis. Tem
Poesia.
O Brasil tem sertão. Inhambú-xintã.
Rouba-se. Corrompe-se. Muito.
Estradas boas em Goiás.
Ceará nem tanto. Nem no Sul.
O Brasil tem pinhão. Moqueca.
O Brasil tem tucupí. Tucunaré.
O Brasil tem jambú. Tacacá.
No final de uma descida íngreme
Tem um rio. E uma ponte.
Na subida tem um céu azul.
O Brasil são brasís.
O Brasil são sotaques.
O Brasil são cores.
Amores. Pernas. E cabeças.
Com jeitos. Maneiras.
Somos iguais.
O Brasil tem rima.
O Brasil tem molejo. Ginga.
O Brasil é Macunaíma.
Sérgio Pitaki
ANITA MALFATTI
SP - 1889-1964
“A BOBA”
O HOMEM AMARELO
ANITA MALFATTI
JOSÉ OSWALD DE SOUSA ANDRADE
Antropófago (1890-1954)
1917 - defesa de Anita Malfatti contra as críticas de Monteiro
Lobato em sua coluna no "Jornal do Comércio".
1926 - Casa-se com Tarsila do Amaral em 1926.
1929 - Abalos financeiros com a crise de 29.
1930 - separa-se de Tarsila, casa com a escritora Patrícia Galvão
(Pagú)
1930 - 45 - Por influência da companheira, ingressa no P.
Comunista
Desse período são as obras mais significativas de sua carreira, como
"Manifesto Antropófago", "Serafim Ponta Grande" e "O Rei da Vela".
- mudou a gênese das palavras, como a de "deglutição".
- Debochado, irônico e crítico
Rupturas sintáticas, lógicas e fragmentação
Nacionalismo crítico
Em 1924, em Paris, Oswald lança o "Manifesto da Poesia Pau-Brasil".
Deglutição de gêneros
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
Oswald de Andrade
Canto de regresso à pátria
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
Oswald de Andrade
Retrato de Oswald de Andrade, 1922
Tarsila do Amaral ( Brasil 1886-1973)
óleo sobre tela
MANUEL CARNEIRO DE SOUZA BANDEIRA FILHO
Recife, 1886; RJ, 1968.
Tuberculoso viveu na Suiça, em Clavadel.
1917 - "Cinzas da Horas”
1919 - "Carnaval"
1922 - Semana de Arte Moderna - “Os sapos"
1924 - "Ritmo Dissoluto"
1930 - "Libertinagem"
1940 - Membro Academia Brasileira de Letras
1946 - Prêmio Nacional de Literatura
Os Sapos
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz:
- Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte!
E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A formas a forma.
Clame a saparia
Em críticas cépticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas...
Urra o sapo-boi:
- Meu pai foi rei!
- "Foi!" - "Não foi!"
- "Foi!" - "Não foi!".
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".
Outros, sapos-pipas (Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
“Vou-me embora pra Pasárgada” foi o poema de mais
longa gestação em toda minha obra. Vi pela primeira vez
esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis
anos e foi num autor grego.
Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas”,
suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um
país de delícias.
Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha
casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo
desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do
subconsciente esse grito estapafúrdio:
“Vou-me embora pra Pasárgada!”.
VICTOR BRECHERET
Fernese, It - 1884; SP 1955
"Monumento às Bandeiras"
Maquete - 1920; Inauguração - 1953
"Foi sua arte magnífica que abriu
os nossos cérebros, (...) criando
entre nós uma arte forte, liberta,
espontânea.” Menotti del Pichia
CÂNDIDO PORTINARI
GRAÇA ARANHA
São Luiz do Maranhão -1868
Rio de Janeiro -1931
“Se a Academia se desvia desse movimento regenerador,
se a Academia não se renova, morra a Academia!
A Academia Brasileira morreu para mim,
como também não existe para o pensamento e
para a vida atual do Brasil.
Se fui incoerente aí entrando e permanecendo,
separo-me da Academia pela coerência.”
“Espírito Moderno” - 1924
MUITO OBRIGADO
SÉRGIO AUGUSTO DE MUNHOZ PITAKI
CADEIRA No. 27
ACADEMIA PARANAENSE DE POESIA

SEMANA DE ARTE MODERNA - UMA VISÃO

  • 1.
    ESCRITORES, BOM DIA! SÉRGIOAUGUSTO DE MUNHOZ PITAKI 8 de abril de 2017
  • 2.
  • 3.
  • 4.
    ”Surgindo de umestado de espírito característico, desaparecendo com o aparecimento de outro estado de espírito característico...” Wilson Martins, A Ideia Modernista. 2002. pg. 18 Mário de Andrade
  • 5.
    TROVADORISMO - SÉCULOXII Cantiga da Ribeirinha, de Paio Soares Taveirós No mundo nom me sei parelha, mentre me for como me vai; ca ja moiro por vós, e ai!, mia senhor branca e vermelha, queredes que vos retraia quando vos eu vi em saia? Mao dia me levantei, que vos entomnom vi feia! E, mia senhor, desaquelha, me foi a mi mui mal di' ai! E vós, filha de Dom Pai Moniz, en bem vos semelha d' haver eu por vós gabundarvaia? Pois eu, mia senhor, d' alfaia nunca de vós houve nem hei valia d'ua correia!”
  • 6.
    Nascimento: 20 dejulho de 1304, Arezzo, Itália Falecimento: 19 de julho de 1374, Arquà Petrarca, Itália Magnum opus: Canzoniere
  • 7.
    WILLIAM SHAKESPEARE 1564-1616 "Farto detudo, a paz da morte imploro Para não ver no mérito um pedinte E o nulo se ostentanto sem decoro. E a fé mais pura em degradado acinte, E a honra, que era de ouro, regredida. E a virtude das virgens violadas, E a reta perfeição ser retorcida, E a força pelo fraco subjulgada, E a prepotência amordaçando a arte, E impondo regra o tolo doutoural, E a verdade singela posta à parte, E o bem cativo estar no ativo mal: Farto de tudo, a morte é o bom caminho, Mas, morto, deixo o meu amor sozinho.”
  • 8.
    Gonçalves Dias (1823/1864) 1846 Canção doexílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar — sozinho, à noite — Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. ROMANTISMO
  • 9.
    Correspondências - CharlesBaudelaire (França, 1857) A natureza é um templo onde vivos pilares Podem deixar ouvir confusas vozes: e estas Fazem o homem passar através de florestas De símbolos que o vêem com olhos familiares Como os ecos além confundem seus rumores Na mais profunda e mais tenebrosa unidade, Tão vasta como a noite e com a claridade, Harmonizam-se os sons, os perfumes e as cores. Perfumes frescos como carnes de criança Ou oboés de doçura ou verdejantes ermos E outros ricos, triunfais e podres na fragrância Que possuem a expansão do universo sem termos Como o sândalo, o almíscar, o benjoim e o incenso Que cantam dos sentidos o transporte imenso. SIMBOLISMO
  • 10.
    OLAVO BILAC AO CORAÇÃOQUE SOFRE Ao coração que sofre, separado Do teu, no exílio em que a chorar me vejo, Não basta o afeto simples e sagrado Com que das desventuras me protejo. Não me basta saber que sou amado, Nem só desejo o teu amor: desejo Ter nos braços teu corpo delicado, Ter na boca a doçura de teu beijo. E as justas ambições que me consomem Não me envergonham: pois maior baixeza Não há que a terra pelo céu trocar; E mais eleva o coração de um homem Ser de homem sempre e, na maior pureza, Ficar na terra e humanamente amar. PARNASIANISMO
  • 11.
    MODERNISMO ARTE DE AMAR Sequeres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus - ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não. Manuel Bandeira
  • 12.
    PÓS—MODERNISMO DOIS E DOIS:QUATRO Como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena embora o pão seja caro e a liberdade pequena Como teus holos são claros e a tua pele, morena como é azul o oceano e a lagoa, serena como um tempo de alegria por trás do terror me acena e a noite carrega o dia no seu colo de açucena - sei que dois e dois são quatro - e a liberdade, pequena
  • 21.
    ANITA MALFATTI -1921-27 MÁRIO RAUL DE MORAIS ANDRADE SP -1893-1945
  • 22.
    Mario Raul Moraesde Andrade foi poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista, ensaísta brasileiro. Ele foi um dos pioneiros da poesia moderna brasileira com a publicação de seu livro Pauliceia Desvairada em 1922. Nascimento: 9 de outubro de 1893, São Paulo, São Paulo Falecimento: 25 de fevereiro de 1945, São Paulo, São Paulo 1918 1922 1927 1928 1928
  • 23.
  • 25.
    LUNDU DO ESCRITORDIFÍCIL Eu sou um escritor difícil Que a muita gente enquizila, Porém essa culpa é fácil De se acabar duma vez: É só tirar a cortina Que entra luz nesta escuridez. Cortina de brim caipora, Com teia caranguejeira E enfeite ruim de caipira, Fale fala brasileira Que você enxerga bonito Tanta luz nesta capoeira Tal-e-qual numa gupiara. Misturo tudo num saco, Mas gaúcho maranhense Que pára no Mato Grosso, Bate este angu de caroço Ver sopa de caruru; A vida é mesmo um buraco, Bobo é quem não é tatu! Eu sou um escritor difícil, Porém culpa de quem é!... Todo difícil é fácil, Abasta a gente saber. Bajé, pixé, chué, ôh "xavié" De tão fácil virou fóssil, O difícil é aprender! Virtude de urubutinga De enxergar tudo de longe! Não carece vestir tanga Pra penetrar meu caçanje! Você sabe o francês "singe" Mas não sabe o que é guariba? — Pois é macaco, seu mano, Que só sabe o que é da estranja.
  • 28.
    MÁRIO DE ANDRADE •“Minhas obras todas na significação verdadeira delas • (MARTINS, 2002, p. 262).
  • 29.
    VIAGEM - BRASIL OBrasil é lindo. O Brasil é grande. O Brasil é verde. Planta-se. Come-se. Bebe-se. Muito Soja. Trigo. Milho. Café. Cana. Muita. Palmeiras há. Buritís. Carnaúbas. Açaís. O Brasil tem Nerildo e Nerivan. O Brasil tem menestréis. Tem Poesia. O Brasil tem sertão. Inhambú-xintã. Rouba-se. Corrompe-se. Muito. Estradas boas em Goiás. Ceará nem tanto. Nem no Sul. O Brasil tem pinhão. Moqueca. O Brasil tem tucupí. Tucunaré. O Brasil tem jambú. Tacacá. No final de uma descida íngreme Tem um rio. E uma ponte. Na subida tem um céu azul. O Brasil são brasís. O Brasil são sotaques. O Brasil são cores. Amores. Pernas. E cabeças. Com jeitos. Maneiras. Somos iguais. O Brasil tem rima. O Brasil tem molejo. Ginga. O Brasil é Macunaíma. Sérgio Pitaki
  • 31.
    ANITA MALFATTI SP -1889-1964 “A BOBA”
  • 32.
  • 33.
    JOSÉ OSWALD DESOUSA ANDRADE Antropófago (1890-1954) 1917 - defesa de Anita Malfatti contra as críticas de Monteiro Lobato em sua coluna no "Jornal do Comércio". 1926 - Casa-se com Tarsila do Amaral em 1926. 1929 - Abalos financeiros com a crise de 29. 1930 - separa-se de Tarsila, casa com a escritora Patrícia Galvão (Pagú) 1930 - 45 - Por influência da companheira, ingressa no P. Comunista Desse período são as obras mais significativas de sua carreira, como "Manifesto Antropófago", "Serafim Ponta Grande" e "O Rei da Vela". - mudou a gênese das palavras, como a de "deglutição". - Debochado, irônico e crítico Rupturas sintáticas, lógicas e fragmentação Nacionalismo crítico Em 1924, em Paris, Oswald lança o "Manifesto da Poesia Pau-Brasil". Deglutição de gêneros
  • 34.
    Pronominais Dê-me um cigarro Diza gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro. Oswald de Andrade
  • 36.
    Canto de regressoà pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que veja a Rua 15 E o progresso de São Paulo. Oswald de Andrade Retrato de Oswald de Andrade, 1922 Tarsila do Amaral ( Brasil 1886-1973) óleo sobre tela
  • 38.
    MANUEL CARNEIRO DESOUZA BANDEIRA FILHO Recife, 1886; RJ, 1968. Tuberculoso viveu na Suiça, em Clavadel. 1917 - "Cinzas da Horas” 1919 - "Carnaval" 1922 - Semana de Arte Moderna - “Os sapos" 1924 - "Ritmo Dissoluto" 1930 - "Libertinagem" 1940 - Membro Academia Brasileira de Letras 1946 - Prêmio Nacional de Literatura
  • 39.
    Os Sapos Enfunando ospapos, Saem da penumbra, Aos pulos, os sapos. A luz os deslumbra. Em ronco que aterra, Berra o sapo-boi: - "Meu pai foi à guerra!" - "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". O sapo-tanoeiro, Parnasiano aguado, Diz: - Meu cancioneiro É bem martelado. Vede como primo Em comer os hiatos! Que arte! E nunca rimo Os termos cognatos. O meu verso é bom Frumento sem joio. Faço rimas com Consoantes de apoio. Vai por cinquenta anos Que lhes dei a norma: Reduzi sem danos A formas a forma. Clame a saparia Em críticas cépticas: Não há mais poesia, Mas há artes poéticas... Urra o sapo-boi: - Meu pai foi rei! - "Foi!" - "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". Brada em um assomo O sapo-tanoeiro: - A grande arte é como Lavor de joalheiro. Ou bem de estatuário. Tudo quanto é belo, Tudo quanto é vário, Canta no martelo". Outros, sapos-pipas (Um mal em si cabe), Falam pelas tripas, - "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!". Longe dessa grita, Lá onde mais densa A noite infinita Veste a sombra imensa; Lá, fugido ao mundo, Sem glória, sem fé, No perau profundo E solitário, é Que soluças tu, Transido de frio, Sapo-cururu Da beira do rio...
  • 40.
    “Vou-me embora praPasárgada” foi o poema de mais longa gestação em toda minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas”, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias. Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: “Vou-me embora pra Pasárgada!”.
  • 44.
    VICTOR BRECHERET Fernese, It- 1884; SP 1955 "Monumento às Bandeiras" Maquete - 1920; Inauguração - 1953 "Foi sua arte magnífica que abriu os nossos cérebros, (...) criando entre nós uma arte forte, liberta, espontânea.” Menotti del Pichia
  • 48.
  • 57.
    GRAÇA ARANHA São Luizdo Maranhão -1868 Rio de Janeiro -1931 “Se a Academia se desvia desse movimento regenerador, se a Academia não se renova, morra a Academia! A Academia Brasileira morreu para mim, como também não existe para o pensamento e para a vida atual do Brasil. Se fui incoerente aí entrando e permanecendo, separo-me da Academia pela coerência.” “Espírito Moderno” - 1924
  • 58.
    MUITO OBRIGADO SÉRGIO AUGUSTODE MUNHOZ PITAKI CADEIRA No. 27 ACADEMIA PARANAENSE DE POESIA

Notas do Editor

  • #4 Tendências Contemporâneas
  • #16 Edvuard Munch – 1893 Expressionismo norueguês – 1863 - 1944 "Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta– havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza."
  • #22 Mário Raul de Morais Andrade (São Paulo, 9 de outubro de 1893 — São Paulo, 25 de fevereiro de 1945) foi um poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista, ensaísta brasileiro. Ele foi um dos pioneiros da poesia moderna brasileira com a publicação de seu livro Paulicéia Desvairada em 1922. Andrade exerceu uma grande influência na literatura moderna brasileira e, como ensaísta e estudioso—foi um pioneiro do campo da etnomusicologia—sua influência transcendeu as fronteiras do Brasil.1 Andrade foi a figura central do movimento de vanguarda de São Paulo por vinte anos.2 Músico treinado e mais conhecido como poeta e romancista, Andrade esteve pessoalmente envolvido em praticamente todas as disciplinas que estiveram relacionadas com o modernismo em São Paulo, tornando-se o polímata nacional do Brasil. Suas fotografias e seus ensaios, que cobriam uma ampla variedade de assuntos, da história à literatura e à música, foram amplamente divulgados na imprensa da época. Andrade foi a força motriz por trás da Semana de Arte Moderna, evento ocorrido em 1922 que reformulou a literatura e as artes visuais no Brasil, tendo sido um dos integrantes do "Grupo dos Cinco". As idéias por trás da Semana seriam melhor delineadas no prefácio de seu livro de poesia Paulicéia Desvairada e nos próprios poemas. Depois de trabalhar como professor de música e colunista de jornal ele publicou seu maior romance, Macunaíma, em 1928. Andrade continuou a publicar obras sobre música popular brasileira, poesia e outros temas de forma desigual, sendo interrompido várias vezes devido a seu relacionamento instável com o governo brasileiro. No fim de sua vida, se tornou o diretor-fundador do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo3 formalizando o papel que ele havia desempenhado durante muito tempo como catalisador da modernidade artística na cidade—e no país.
  • #36 José Oswald de Sousa Andrade (São Paulo, 11 de janeiro de 1890 — São Paulo, 22 de outubro de 1954) foi um escritor, ensaísta e dramaturgo brasileiro.1 Era filho único de José Oswald Nogueira de Andrade e de Inês Henriqueta Inglês de Sousa Andrade. Seu nome pronuncia-se com acento na letra 'a' (Oswáld). Foi um dos promotores da Semana de Arte Moderna que ocorreu 1922 em São Paulo, tornando-se um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro. Foi considerado pela crítica como o elemento mais rebelde do grupo,1 sendo o mais inovador entre estes. Colaborou na revista Contemporânea2 (1915-1926).
  • #44 Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, 5 de março de 1887 – Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1959) foi um maestro e compositor brasileiro.1 Destaca-se por ter sido o principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música, sendo considerado o maior expoente da música do modernismo no Brasil, compondo obras que contém nuances das culturas regionais brasileiras, com os elementos das canções populares e indígenas.2 No Brasil, sua data de nascimento é celebrada como Dia Nacional da Música Clássica 3 . Embora tenha sido um dos mais importantes nomes da música a apresentar-se na Semana de Arte Moderna, Villa-Lobos não foi o único compositor a ser interpretado, também foram interpretadas obras de Debussy, por Guiomar Novaes, de Eric Satie, por Ernani Braga, que interpretou também "A Fiandeira", de Villa-Lobos.
  • #46 Victor Brecheret (Farnese, 22 de fevereiro de 1894 — São Paulo, 17 de dezembro de 1955) foi um escultor ítalo-brasileiro, considerado um dos mais importantes do país.1 É responsável pela introdução do modernismo na escultura brasileira. Sua figura ficou marcada pela boina que costumava vestir, ressaltando uma imagem tradicional do "artista".