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Modernismo
1ª FASE MODERNISTA
(1922-1929)
Poética (MANUEL BANDEIRA)
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr.
diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de cosenos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as
diferentes maneiras de agradar & agraves mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.
Não quero saber do lirismo que não é libertação.
MODERNISMO 1922-1928
FASE DE DESTRUIÇÃO E EXPERIMENTAÇÃO
Rompimento com o passadismo e com o
academicismo literário.
Ruptura com a gramática normativa, em especial
com sintaxe.
Liberdade formal, personificada pelo uso do verso
livre, pelas formas de composição sem nenhuma
regularidade, pela pontuação subjetiva, ou ausência
de pontuação.
Livre associação de idéias.
Iconoclastia
O trabalho contra o
detalhe naturalista – pela
síntese; contra a
morbidez romântica”
Incorporação e valorização do prosaico, do vulgar,
do cotidiano, inclusive a linguagem coloquial na
prosa e na poesia. Linguagem telegráfica/
fragmentada /coloquial
Postura crítica ante determinados valores sociais,
em especial os da elite burguesa.
Humor como recurso crítico: poema-piada (curto e
com intenção humorística) e poema-paródia (criados
sobre os textos consagrados da literatura brasileira,
satirizam, sobretudo, o sentimentalismo romântico e
formalismo parnasiano.
Pesquisa das raízes nacionais.
Nacionalismo crítico ou ufanista, dependendo da
corrente em que se insere.
 Manifestos:
Pau-Brasil (1924): Oswald de Andrade, neste manifesto,
pregava uma literatura extremamente vinculada à realidade
brasileira, buscando um redescoberta do Brasil. Arte tipo
“exportação”
Além disso, propunha a utilização de uma linguagem sem
erudição e a valorização de elementos cotidianos de nossa
cultura. De raiz, telúrica e primitiva.
“Contra o gabinetismo, a prática culta da vida. (...) A língua sem
arcaísmo, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição
milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.”
“Só não se inventou a máquina de fazer versos –
já havia o poeta parnasiano.”
“Nenhuma fórmula contra a contemporânea expressão do
mundo. Ver com olhos livres.”
 Manifestos:
Verde-Amarelo (1924) e Anta (1929): formado por
Guilheme de Almeida,Plínio Salgado e Menotti del
Picchia, o grupo propunha uma proposta primitivista e
ufanista.
Idolatria ao Tupi e à Anta como símbolo nacional.
Arte nacionalista ufanista
Valorização elemento indígena
Contra os estrangeirismo. Caráter direitista
“Anta. É este um animal que abre caminhos, e aí
parece estar indicada a predestinação da gente tupi.”
o manifesto é uma
extensão do manifesto
Pau-Brasil, pregando a
postura antropofágica,
de aproveitamento das
influências
estrangeiras, porém
adequadas à nossa
realidade – vinculação
com a postura do
Tropicalismo.
Manifesto Antropófago (1928):
Abaporu (do tupi-garani aba e poru,
"homem que come. Tarsila do Amaral
O manifesto foi publicado
no primeiro número da
Revista de Antropofagia.
“Tupy or not tupy, that
is the question.”
“Só a Antropofagia nos
une. Socialmente.
Economicamente.
Filosoficamente. (...)
“Só me interessa o que
não é meu. Lei do
homem. Lei do
antropófago. (...)”
“Antes dos portugueses
descobrirem o Brasil, o
Brasil tinha descoberto a
felicidade.”
“Queremos a revolução Caraíba*. Maior que a
Revolução Francesa. Sem nós a Europa não teria
sequer a sua pobre declaração dos direitos do
homens (...)”
Postura antropofágica, de aproveitamento das
influências estrangeiras, porém adequadas à
nossa realidade – vinculação com a postura do
Tropicalismo.
Caraíba- (Do tupi "Kara ' ib" (sábio, inteligente) ) é o nome de duas pequenas
árvores, Cordia calocephala e C. insignis. Ocorre em regiões de pouca
densidade vegetal da Floresta Amazônica, nos campos baixos da Ilha do Marajó,
e também no sul do Pantanal Matogrossense.
OSWALD DE ANDRADE
(1890-1954)
Filho da burguesia de São Paulo
Postura destruidora
Nacionalismo crítico e paródico
Ruptura com os padrões
Lingüísticos (sintaxe lógica)
Linguagem fragmentada / elíptica
Visão social (década de 30)
Bandeira Mario Graça Aranha
Oswald
Modernismo - 1ª Fase.ppt efkjebvbwvbwhjbvhj
O Último Poema
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
— Respire
.........................................................
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o
pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
OSWALD DE ANDRADE (1890-1954)
O autor criou uma poesia em que a linguagem
falada, fragmentada e cotidiana ganha espaço,
rompendo com a gramática tradicional; e também
explorando a paródia em poemas curtos, sintéticos
(“poema-minuto”, “poema-piada”).
Já em sua prosa, a fusão dos gêneros Prosa e
Poesia, os capítulos brevíssimos (“capítulos-
relâmpago”), a criação de neologismos, as
metáforas insólitas, o rompimento com a gramática
tradicional (como na poesia) e a colagem de
fragmentos desconexos, são pontos marcantes.
Erro de Português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Canto de Regresso à Pátria
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMAR (1924)
A história, narrada em 1ª pessoa de forma
fragmentada (163 fragmentos),
apresenta a trajetória de um pequeno burguês,
o próprio João Miramar, no início do século XX.
João Miramar relembra suas aventuras amorosas,
as viagens à Europa,
o namoro com a prima Célia.
A vida de casado, inicialmente, foi satisfatória para
Miramar:
a boa convivência com a família de Célia,
as idas aos cabarés,
o nascimento de Celiazinha.
Entretanto, uma antiga amante (Rolah) viaja para o
Brasil,
e eles reiniciam o caso,
que consome o patrimônio de Miramar,
que tornara-se descuidado com a família.
Na preguiça solar da mesma sala grande onde
fôramos felizes, Célia e a cadeira de balanço
choravam como um tango.
—Já viu sua filha como está grandinha?
—Já.
—Nem se importa mais com ela. Ela teve sarampo
e gripe. Quase ficou com o olho torto. (Um silêncio
cheio de moscas.) Diga a verdade! Recebi uma
carta anônima contando tudo. Não há nada mais
triste do que ser enganada. Você está apaixonado
por essa atriz, Joãozinho! Conte tudo. Acho você
envelhecido, preocupado, com cara de viciado,
Joãozinho!
O personagem enfrenta a falência, o divórcio solicitado pela
esposa Célia. Fim também do caso com Rolah.
A ex-mulher de Miramar recebe herança de uma tia (Gabriela)
Célia morre, Celinha herdeira.
Miramar ganha a guarda de Celinha.
João Miramar se recusa a continuar a história, e a obra
acaba.
João Miramar é uma espécie de caricatura do homem
paulistano das classes mais abastadas - herdeiro da cultura
do café, avesso às coisas brasileiras e fascinado pelo que é
estrangeiro
Mario de Andrade (1893-1945)
Deu a substância teórica do modernismo
Criou (com Oswald e os modernistas) e adotou as
inovações modernas, mas a sua pesquisa girou
mais em torno do Brasil (folclore, cultura), do
interior e da cidade (São Paulo)
Era mais renovador do que destruidor
Macunaíma, o Herói sem nenhum caráter (1928)
Baseada em
lendas reunidas
indígenas.
Narra a história
de Macunaíma,
índio, que parte
(após matar a
mãe) em busca
de aventuras com
seus irmãos
Maanape e Jiguê.
Modernismo - 1ª Fase.ppt efkjebvbwvbwhjbvhj
Apecto Arlequinal, para
representar a
multifacetada São
Paulo.
PREFÁCIO INTERESSANTÍSSIMO
1. Leitor:
Está fundado o Desvairismo.
2. Este prefácio, apesar de interessante, inútil.
4. Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar
tudo o que meu inconsciente me grita. Pensao depois:
não só para corrigir, como para justificar o que escrevi.
Daí a razão desse Prefácio Interessantíssimo.
Poesia -> Impulso inconsciente + técnica posterior
12. Não sou futurista (de Marinetti). Disse-o e repito-o.
Tenho pontos de contato com o futurismo. Oswald de
Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é
minha.
Sabia da existência do artigo e deixei que
saísse. Tal foi o escândalo, que desejei a morte do
mundo. Era vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje
tenho orgulho.(…)
63. E está acabada a escola poética. “Desvairismo”
64. Próximo livro fundarei outra.
65. E não quero discípulos. Em arte: escola =
Imbecilidade de muitos para vaidade dum só.
Verso melódico Verso harmônico
Ora, si em vez de unicamente usar versos melódicos
horizontais:
"Mnezarete, a divina, a pálida Frinéia comparece
ante a austera e rígida assembléia do Aerópago
supremo..." fizemos que se sigam palavras sem
ligação imediata entre si: estas palavras, pelo fato
mesmo de não seguirem intelectual,
gramaticalmente, se sobrepõem umas às outras,
para nossa sensação, formando, não mais melodias,
mas harmonias.
Explico melhor:
Harmonia: combinação de sons simultâneos.
Exemplo:
"Arroubos.. Lutas... Setas... Cantigas...
Povoar!..."
Estas palavras não se ligam. Não formam
enumeração. Cada uma é fase, período
elíptico, reduzido ao mínimo telegráfico.
Assim: em vez de melodia (frase gramatical)
temos acorde arpejado, harmonia, - o verso
harmônico.
Arpejo: sequência de todas as notas de um acorde
Ode ao Burguês
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco! (...)
Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!
Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!
"— Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
Um colar... — Conto e quinhentos!!!
Más nós morremos de fome!"
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares! (...)
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!...
Os Cortejos
Monotonias das minhas retinas...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...
Todos os sempres das minhas visões! "Bom giorno, caro."
Horríveis as cidades!
Vaidades e mais vaidades...
Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria!
Oh! Os tumultuários das ausências!
Paulicéia - a grande boca de mil dentes;
e os jorros dentre a língua trissulca
de pus e de mais pus de distinção...
Giram homens fracos, baixos, magros...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...
Estes homens de São Paulo,
Todos iguais e desiguais,
Quando vivem dentro dos meus olhos tão ricos,
Parecem-me uns macacos, uns macacos.
Poesia = Impulso inconsciente +
técnica posterior
Achava o futurismo parte do
modernismo (mas não era futurista)
Temas:
São Paulo,
critica social (Ode ao Burguês)
Prosa:
União de núcleos
Universo familiar da burguesia paulistana e/ou
primitivismo de fundo folclórico e popular
Amar, verbo intransitivo (1927)
Sousa Costa (industrial e fazendeiro), casado com
Laura, contrata Elza (Fräulein, professora de alemão
de 35 anos) para ensinar Alemão aos filhos.
Na verdade ela deve seduzir e inciar sexualmente o
jovem Carlos Alberto, ensinar-lhe a “civilizada”
crença de que deve-se amar, simplesmente, sem
prender-se de maneira bárbara ao objeto do amor.
Destacar
O fim não é o fim
Título
Narrador, oscila de 3ª para 1ª (comentários)
Isto não sei se é bem se é mal, mas a culpa é toda
de Elza. Isto sei e afirmo...
Volto a afirmar que o meu livro tem 50 leitores.
Comigo 51.
Macunaíma, o Herói sem nenhum caráter (1928)
Encontra CI, Mãe do Mato, amazona que é possuída
por Macunaíma. Ela engravida, perde o filho e, antes
de morrer, dá ao herói um amuleto a Muiraquitã.
Macunaíma perde esse amuleto. Que é encontrado
pelo o gigante Wenceslau Pietro Pietra, comedor de
gente que mora em SP. (um pássaro, uirapuru,
enviado pelo Negrinho do Pastoreio, é quem revela o
destino da pedra)
A maior parte do livro narra os combates entre Pietro
Pietra e Macunaíma, que percorrem o Brasil de ponta
a ponta.
Macunaíma também rejeita o amor de uma das
filhas de Vei, deusa-sol, que lhe oferece uma de suas
filhas – ele prefere uma portuguesa,
rejeitando a formação de uma raça puramente
indígena.
Consegue derrotar o gigante, recuperar a muiraquitã, e
retornar para a Uraricoera (onde nascera).
Perde novamente o amuleto, e se cansa de viver.
Sobre num cipó e se transforma na constelação Ursa
Maior.
“Pouca saúde e muita saúva os males do Brasil são”
A linguagem é ponto importante, pois apresenta
expressões populares ao lado de termos indígenas,
provérbios.
Apresenta uma síntese de aspectos de nossa
cultura: paradoxalmente formada por aspectos
primitivos e civilizados.
Rapsódia, mistura de mitos e lendas do folclore popular
Paródia do Herói nacional (Anti-herói)
No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de
nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve
um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o
murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma
criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.
Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro
passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar
exclamava:
- Ai! que preguiça…
e não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca,
trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e
principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e
Jiguê na força de homem. O divertimento dele era decepar
cabeça de saúva. Vivia deitado, mas si punha olhos em dinheiro.
Macunaíma dandava pra ganhar vintém. E também espertava
quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus.
Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres
sotavam gritos gozados por causa dos guaimuns diz-que
habitando a água doce por lá.
Compare:
Além, muito além daquela serra, que ainda
azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que
tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna,
e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era tão doce como seu
sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como
seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena
virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde
campeava sua guerreira tribo, da grande nação
tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava
apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as
primeiras águas.
Senhoras:
Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e
a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto,
iniciar estas linhas de saudades e muito amor, com
desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade
de São Paulo - a maior do universo no dizer de seus
prolixos habitantes - não sois conhecidas por
'icamiabas', voz espúria, sinão que pelo apelativo de
Amazonas; e vós, se afirma, cavalgardes ginetes
belígeros e virdes da Hélade clássica; e assim sois
chamadas. Muito nos pesou a nós, Imperador vosso,
tais dislates da erudição, porém heis de convir
conosco que, assim ficais mais heróicas e mais
conspícuas, tocadas por essa pátina respitável da
tradição e de pureza antiga."
União das raças
Síntese geográfica cultural psicológica
Sátira aos padrões lingüístico (carta às icamiabas)
“Valores” principais do herói:
Irreverência
Deboche
Preguiça
Sensualidade, luxúria
Malandragem = (Diferente de
MSM:representa uma Malandragem
derrotada)
O PERU DE NATAL
(CONTOS NOVOS)
Sobre o livro Macunaíma, de Mário de Andrade, é incorreto
afirmar que
a) Macunaíma é um “anti-herói” com características como o
individualismo e a malandragem. Tem como irmãos Maanape e
Jiguê.
b) o livro aproveita as tradições míticas dos índios.
c) aproveita também ditados populares, obscenidades, frases
feitas, com fortes traços de oralidade.
d) o livro, um dos mais relevantes do Modernismo brasileiro, foi
chamado de rapsódia por se constituir em uma compilação de
lendas de nosso folclore.
e) Embora bastante vanguardista do ponto de vista dos
procedimentos narrativos, a obra apresenta certo
conservadorismo linguístico.
(UFRGS/2013). Considere as afirmações abaixo sobre o livro
Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade.
I - Macunaíma deixa a mata onde nasceu para trabalhar com Venceslau Pietro
Pietra, de quem ganha como prêmio a pedra muiraquitã, um amuleto mágico.
II - A "Carta pras Icamiabas", capitulo IX do
livro, escrita durante a permanência de Macunaíma na cidade grande, tem por
objetivo pedir dinheiro (cacau), daí o tom formal e os artifícios retóricos, que se
diferenciam do restante da narrativa.
Ill - ''Por cá tudo são delícias e venturas,
porém nenhum gozo teremos e nenhum
descanso, enquanto não rehouvermos o
perdido talismã." Neste trecho da Carta, o
autor remete ao poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, num diálogo às
avessas, em que exalta a cidade, o cá.
Quais estão corretas?
(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas I e III.
(D) Apenas II e III.
(E) I, II e III.

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  • 2. Poética (MANUEL BANDEIRA) Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor. Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas. Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo. De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de cosenos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar & agraves mulheres, etc. Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbados O lirismo dos clowns de Shakespeare. Não quero saber do lirismo que não é libertação.
  • 3. MODERNISMO 1922-1928 FASE DE DESTRUIÇÃO E EXPERIMENTAÇÃO Rompimento com o passadismo e com o academicismo literário. Ruptura com a gramática normativa, em especial com sintaxe. Liberdade formal, personificada pelo uso do verso livre, pelas formas de composição sem nenhuma regularidade, pela pontuação subjetiva, ou ausência de pontuação. Livre associação de idéias. Iconoclastia O trabalho contra o detalhe naturalista – pela síntese; contra a morbidez romântica”
  • 4. Incorporação e valorização do prosaico, do vulgar, do cotidiano, inclusive a linguagem coloquial na prosa e na poesia. Linguagem telegráfica/ fragmentada /coloquial Postura crítica ante determinados valores sociais, em especial os da elite burguesa. Humor como recurso crítico: poema-piada (curto e com intenção humorística) e poema-paródia (criados sobre os textos consagrados da literatura brasileira, satirizam, sobretudo, o sentimentalismo romântico e formalismo parnasiano. Pesquisa das raízes nacionais. Nacionalismo crítico ou ufanista, dependendo da corrente em que se insere.
  • 5.  Manifestos: Pau-Brasil (1924): Oswald de Andrade, neste manifesto, pregava uma literatura extremamente vinculada à realidade brasileira, buscando um redescoberta do Brasil. Arte tipo “exportação” Além disso, propunha a utilização de uma linguagem sem erudição e a valorização de elementos cotidianos de nossa cultura. De raiz, telúrica e primitiva. “Contra o gabinetismo, a prática culta da vida. (...) A língua sem arcaísmo, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.” “Só não se inventou a máquina de fazer versos – já havia o poeta parnasiano.” “Nenhuma fórmula contra a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres.”
  • 6.  Manifestos: Verde-Amarelo (1924) e Anta (1929): formado por Guilheme de Almeida,Plínio Salgado e Menotti del Picchia, o grupo propunha uma proposta primitivista e ufanista. Idolatria ao Tupi e à Anta como símbolo nacional. Arte nacionalista ufanista Valorização elemento indígena Contra os estrangeirismo. Caráter direitista “Anta. É este um animal que abre caminhos, e aí parece estar indicada a predestinação da gente tupi.”
  • 7. o manifesto é uma extensão do manifesto Pau-Brasil, pregando a postura antropofágica, de aproveitamento das influências estrangeiras, porém adequadas à nossa realidade – vinculação com a postura do Tropicalismo. Manifesto Antropófago (1928): Abaporu (do tupi-garani aba e poru, "homem que come. Tarsila do Amaral
  • 8. O manifesto foi publicado no primeiro número da Revista de Antropofagia. “Tupy or not tupy, that is the question.”
  • 9. “Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. (...) “Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago. (...)” “Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.”
  • 10. “Queremos a revolução Caraíba*. Maior que a Revolução Francesa. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homens (...)” Postura antropofágica, de aproveitamento das influências estrangeiras, porém adequadas à nossa realidade – vinculação com a postura do Tropicalismo. Caraíba- (Do tupi "Kara ' ib" (sábio, inteligente) ) é o nome de duas pequenas árvores, Cordia calocephala e C. insignis. Ocorre em regiões de pouca densidade vegetal da Floresta Amazônica, nos campos baixos da Ilha do Marajó, e também no sul do Pantanal Matogrossense.
  • 11. OSWALD DE ANDRADE (1890-1954) Filho da burguesia de São Paulo Postura destruidora Nacionalismo crítico e paródico Ruptura com os padrões Lingüísticos (sintaxe lógica) Linguagem fragmentada / elíptica Visão social (década de 30)
  • 12. Bandeira Mario Graça Aranha Oswald
  • 14. O Último Poema Assim eu quereria meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
  • 15. Pneumotórax Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: — Diga trinta e três. — Trinta e três… trinta e três… trinta e três… — Respire ......................................................... — O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? — Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
  • 16. O bicho Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.
  • 17. Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconsequente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d’água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcaloide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar — Lá sou amigo do rei — Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada. VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
  • 18. OSWALD DE ANDRADE (1890-1954) O autor criou uma poesia em que a linguagem falada, fragmentada e cotidiana ganha espaço, rompendo com a gramática tradicional; e também explorando a paródia em poemas curtos, sintéticos (“poema-minuto”, “poema-piada”). Já em sua prosa, a fusão dos gêneros Prosa e Poesia, os capítulos brevíssimos (“capítulos- relâmpago”), a criação de neologismos, as metáforas insólitas, o rompimento com a gramática tradicional (como na poesia) e a colagem de fragmentos desconexos, são pontos marcantes.
  • 19. Erro de Português Quando o português chegou Debaixo de uma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português
  • 20. Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro
  • 21. Canto de Regresso à Pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá
  • 22. Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que veja a Rua 15 E o progresso de São Paulo.
  • 23. MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMAR (1924) A história, narrada em 1ª pessoa de forma fragmentada (163 fragmentos), apresenta a trajetória de um pequeno burguês, o próprio João Miramar, no início do século XX. João Miramar relembra suas aventuras amorosas, as viagens à Europa, o namoro com a prima Célia. A vida de casado, inicialmente, foi satisfatória para Miramar:
  • 24. a boa convivência com a família de Célia, as idas aos cabarés, o nascimento de Celiazinha. Entretanto, uma antiga amante (Rolah) viaja para o Brasil, e eles reiniciam o caso, que consome o patrimônio de Miramar, que tornara-se descuidado com a família.
  • 25. Na preguiça solar da mesma sala grande onde fôramos felizes, Célia e a cadeira de balanço choravam como um tango. —Já viu sua filha como está grandinha? —Já. —Nem se importa mais com ela. Ela teve sarampo e gripe. Quase ficou com o olho torto. (Um silêncio cheio de moscas.) Diga a verdade! Recebi uma carta anônima contando tudo. Não há nada mais triste do que ser enganada. Você está apaixonado por essa atriz, Joãozinho! Conte tudo. Acho você envelhecido, preocupado, com cara de viciado, Joãozinho!
  • 26. O personagem enfrenta a falência, o divórcio solicitado pela esposa Célia. Fim também do caso com Rolah. A ex-mulher de Miramar recebe herança de uma tia (Gabriela) Célia morre, Celinha herdeira. Miramar ganha a guarda de Celinha. João Miramar se recusa a continuar a história, e a obra acaba. João Miramar é uma espécie de caricatura do homem paulistano das classes mais abastadas - herdeiro da cultura do café, avesso às coisas brasileiras e fascinado pelo que é estrangeiro
  • 27. Mario de Andrade (1893-1945) Deu a substância teórica do modernismo Criou (com Oswald e os modernistas) e adotou as inovações modernas, mas a sua pesquisa girou mais em torno do Brasil (folclore, cultura), do interior e da cidade (São Paulo) Era mais renovador do que destruidor
  • 28. Macunaíma, o Herói sem nenhum caráter (1928) Baseada em lendas reunidas indígenas. Narra a história de Macunaíma, índio, que parte (após matar a mãe) em busca de aventuras com seus irmãos Maanape e Jiguê.
  • 30. Apecto Arlequinal, para representar a multifacetada São Paulo.
  • 31. PREFÁCIO INTERESSANTÍSSIMO 1. Leitor: Está fundado o Desvairismo. 2. Este prefácio, apesar de interessante, inútil. 4. Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Pensao depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão desse Prefácio Interessantíssimo. Poesia -> Impulso inconsciente + técnica posterior
  • 32. 12. Não sou futurista (de Marinetti). Disse-o e repito-o. Tenho pontos de contato com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existência do artigo e deixei que saísse. Tal foi o escândalo, que desejei a morte do mundo. Era vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje tenho orgulho.(…) 63. E está acabada a escola poética. “Desvairismo” 64. Próximo livro fundarei outra. 65. E não quero discípulos. Em arte: escola = Imbecilidade de muitos para vaidade dum só.
  • 33. Verso melódico Verso harmônico Ora, si em vez de unicamente usar versos melódicos horizontais: "Mnezarete, a divina, a pálida Frinéia comparece ante a austera e rígida assembléia do Aerópago supremo..." fizemos que se sigam palavras sem ligação imediata entre si: estas palavras, pelo fato mesmo de não seguirem intelectual, gramaticalmente, se sobrepõem umas às outras, para nossa sensação, formando, não mais melodias, mas harmonias.
  • 34. Explico melhor: Harmonia: combinação de sons simultâneos. Exemplo: "Arroubos.. Lutas... Setas... Cantigas... Povoar!..." Estas palavras não se ligam. Não formam enumeração. Cada uma é fase, período elíptico, reduzido ao mínimo telegráfico. Assim: em vez de melodia (frase gramatical) temos acorde arpejado, harmonia, - o verso harmônico. Arpejo: sequência de todas as notas de um acorde
  • 35. Ode ao Burguês Eu insulto o burguês! O burguês-níquel o burguês-burguês! A digestão bem-feita de São Paulo! O homem-curva! O homem-nádegas! O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-pouco! (...) Morte à gordura! Morte às adiposidades cerebrais! Morte ao burguês-mensal! Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi! Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano! "— Ai, filha, que te darei pelos teus anos? Um colar... — Conto e quinhentos!!! Más nós morremos de fome!"
  • 36. Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma! Oh! purée de batatas morais! Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas! Ódio aos temperamentos regulares! (...) Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio! Morte ao burguês de giolhos, cheirando religião e que não crê em Deus! Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico! Ódio fundamento, sem perdão! Fora! Fu! Fora o bom burguês!...
  • 37. Os Cortejos Monotonias das minhas retinas... Serpentinas de entes frementes a se desenrolar... Todos os sempres das minhas visões! "Bom giorno, caro." Horríveis as cidades! Vaidades e mais vaidades... Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria! Oh! Os tumultuários das ausências! Paulicéia - a grande boca de mil dentes; e os jorros dentre a língua trissulca de pus e de mais pus de distinção... Giram homens fracos, baixos, magros... Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...
  • 38. Estes homens de São Paulo, Todos iguais e desiguais, Quando vivem dentro dos meus olhos tão ricos, Parecem-me uns macacos, uns macacos. Poesia = Impulso inconsciente + técnica posterior Achava o futurismo parte do modernismo (mas não era futurista) Temas: São Paulo, critica social (Ode ao Burguês)
  • 39. Prosa: União de núcleos Universo familiar da burguesia paulistana e/ou primitivismo de fundo folclórico e popular Amar, verbo intransitivo (1927) Sousa Costa (industrial e fazendeiro), casado com Laura, contrata Elza (Fräulein, professora de alemão de 35 anos) para ensinar Alemão aos filhos. Na verdade ela deve seduzir e inciar sexualmente o jovem Carlos Alberto, ensinar-lhe a “civilizada” crença de que deve-se amar, simplesmente, sem prender-se de maneira bárbara ao objeto do amor.
  • 40. Destacar O fim não é o fim Título Narrador, oscila de 3ª para 1ª (comentários) Isto não sei se é bem se é mal, mas a culpa é toda de Elza. Isto sei e afirmo... Volto a afirmar que o meu livro tem 50 leitores. Comigo 51.
  • 41. Macunaíma, o Herói sem nenhum caráter (1928) Encontra CI, Mãe do Mato, amazona que é possuída por Macunaíma. Ela engravida, perde o filho e, antes de morrer, dá ao herói um amuleto a Muiraquitã. Macunaíma perde esse amuleto. Que é encontrado pelo o gigante Wenceslau Pietro Pietra, comedor de gente que mora em SP. (um pássaro, uirapuru, enviado pelo Negrinho do Pastoreio, é quem revela o destino da pedra) A maior parte do livro narra os combates entre Pietro Pietra e Macunaíma, que percorrem o Brasil de ponta a ponta. Macunaíma também rejeita o amor de uma das filhas de Vei, deusa-sol, que lhe oferece uma de suas filhas – ele prefere uma portuguesa,
  • 42. rejeitando a formação de uma raça puramente indígena. Consegue derrotar o gigante, recuperar a muiraquitã, e retornar para a Uraricoera (onde nascera). Perde novamente o amuleto, e se cansa de viver. Sobre num cipó e se transforma na constelação Ursa Maior. “Pouca saúde e muita saúva os males do Brasil são” A linguagem é ponto importante, pois apresenta expressões populares ao lado de termos indígenas, provérbios. Apresenta uma síntese de aspectos de nossa cultura: paradoxalmente formada por aspectos primitivos e civilizados. Rapsódia, mistura de mitos e lendas do folclore popular
  • 43. Paródia do Herói nacional (Anti-herói) No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma. Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava: - Ai! que preguiça… e não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força de homem. O divertimento dele era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado, mas si punha olhos em dinheiro. Macunaíma dandava pra ganhar vintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres sotavam gritos gozados por causa dos guaimuns diz-que habitando a água doce por lá.
  • 44. Compare: Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era tão doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
  • 45. Senhoras: Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saudades e muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo - a maior do universo no dizer de seus prolixos habitantes - não sois conhecidas por 'icamiabas', voz espúria, sinão que pelo apelativo de Amazonas; e vós, se afirma, cavalgardes ginetes belígeros e virdes da Hélade clássica; e assim sois chamadas. Muito nos pesou a nós, Imperador vosso, tais dislates da erudição, porém heis de convir conosco que, assim ficais mais heróicas e mais conspícuas, tocadas por essa pátina respitável da tradição e de pureza antiga." União das raças Síntese geográfica cultural psicológica Sátira aos padrões lingüístico (carta às icamiabas)
  • 46. “Valores” principais do herói: Irreverência Deboche Preguiça Sensualidade, luxúria Malandragem = (Diferente de MSM:representa uma Malandragem derrotada)
  • 47. O PERU DE NATAL (CONTOS NOVOS)
  • 48. Sobre o livro Macunaíma, de Mário de Andrade, é incorreto afirmar que a) Macunaíma é um “anti-herói” com características como o individualismo e a malandragem. Tem como irmãos Maanape e Jiguê. b) o livro aproveita as tradições míticas dos índios. c) aproveita também ditados populares, obscenidades, frases feitas, com fortes traços de oralidade. d) o livro, um dos mais relevantes do Modernismo brasileiro, foi chamado de rapsódia por se constituir em uma compilação de lendas de nosso folclore. e) Embora bastante vanguardista do ponto de vista dos procedimentos narrativos, a obra apresenta certo conservadorismo linguístico.
  • 49. (UFRGS/2013). Considere as afirmações abaixo sobre o livro Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade. I - Macunaíma deixa a mata onde nasceu para trabalhar com Venceslau Pietro Pietra, de quem ganha como prêmio a pedra muiraquitã, um amuleto mágico. II - A "Carta pras Icamiabas", capitulo IX do livro, escrita durante a permanência de Macunaíma na cidade grande, tem por objetivo pedir dinheiro (cacau), daí o tom formal e os artifícios retóricos, que se diferenciam do restante da narrativa. Ill - ''Por cá tudo são delícias e venturas, porém nenhum gozo teremos e nenhum descanso, enquanto não rehouvermos o perdido talismã." Neste trecho da Carta, o autor remete ao poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, num diálogo às avessas, em que exalta a cidade, o cá. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas I e III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III.