PROF. DR. SILVIO REINOD COSTA

      CENTRO UNIVERSITÁRIO “BARÃO DE MAUÁ”
             Ribeirão Preto – São Paulo
Ferdinand de Saussure (*Genebra
(Suíça), 26 de novembro de 1857 – †
Morges (Suíça), 22 de fevereiro de 1913).

 Foi um linguista e filósofo suíço, cujas
elaborações teóricas propiciaram o
desenvolvimento       da      Linguística
enquanto ciência autônoma.

                                        2
O pensamento de Saussure exerceu
grande influência sobre o campo da
Teoria da Literatura e dos Estudos
Culturais.

Entendia a Linguística como um ramo da
ciência mais geral dos signos, que ele
propôs fosse chamada de SEMIOLOGIA.
                                     3
Graças aos seus estudos e ao trabalho de
Leonard Bloomfield, a Linguística
adquiriu autonomia, objeto e métodos
próprios. Seus conceitos serviram de base
para o desenvolvimento do Estruturalis-
mo no século XX.

                                        4
Filho de um eminente naturalista, foi
introduzido aos estudos linguísticos pelo
filólogo e amigo da família, Adolphe
Pictet. Estudou Física e Química, mas
continuou fazendo cursos de gramática
grega e latina.

                                        5
Por fim, Saussure convenceu-se de que
sua carreira estava nos estudos da
linguagem e ingressou na Sociedade
Linguística de Paris.

 Estudou língua europeias em Leipzig e aos
vinte anos publicou uma dissertação sobre o
sistema primitivo nas vogais nas língua
indoeuropeias, a qual foi muito bem aceita.
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1879: “Mémoire sur le primitif système
des voyelles dans les langues indo-
européenes”.

 Apesar da orientação atomística própria
da corrente neogramática, Saussure inova
em sua Mémoire situando o problema da
reconstituição fonética do indoeuropeu
sob uma perspectiva sistemática.
                                       7
8
1880: Tese de Doutoramento de
Saussure:“De l empoi du génitif absolu
en sanskrit”.

  Saussure defendeu sua Tese de
Doutoramento em Berlim e retornou a
Paris, onde passou a ensinar Sânscrito,
Gótico e Alto Alemão e depois Filologia
Indoeuropeia.
                                      9
DE L´EMPLOI DU
GÉNITIF ABSOLU EN
SANSKRIT, publicado
em Genebra, em 1881
                  10
Retornou a Genebra, onde lecionou
sânscrito e linguística histórica em geral.


   Além de artigos de Gramática
Comparada, infelizmente nada mais nos
legou em vida o genial mestre genebrino.

                                          11
Entre 1907 e 1910, Saussure ministrou três
cursos sobre linguística na Universidade de
Genebra. Em 1916, três anos após sua morte,
dois de seus alunos, Charles Bally e Albert
Sechehaye, com a colaboração de A.
Ridlinger, compilaram as anotações de
alunos que compareceram a estes cursos e
editaram o Curso de Linguística Geral, livro
seminal da ciência linguística.
                                           12
Paralelamente ao trabalho teórico reunido no Curso,
Saussure também realizou, entre 1906 e 1909, outro
estudo que é comumente chamado de Os anagramas
de Saussure. Nesse trabalho, o mestre genebrino
perscrutou um corpus de poemas clássicos para tentar
provar a existência de um mecanismo de composição
poética baseado na análise fônica das palavras;
mecanismo este formado pelo anagrama e pelo
hipograma. O hipograma (palavra-tema) é o nome de
um deus ou de um herói diluído foneticamente no
poema. O anagrama, por sua vez, é o processo que
propicia a diluição do hipograma nos versos.

                                                  13
FERDINAND DE SAUSSURE
      (* 1857 - † 1913)
                          14
15
Para Saussure, o signo é a “a união do sentido e
da imagem acústica”.

 O que Saussure chama de “sentido” é a mesma
coisa    que conceito ou ideia, isto é, a
representação mental de um objeto ou realidade
social em que nos situamos, representação essa
condicionada,      plasmada     pela     formação
sociocultural que nos cerca desde o berço.
                                              16
Em outras palavras, para Saussure, conceito é
sinônimo de significado, algo como a parte
espiritual da palavra, sua contraparte inteligível,
em oposição ao significante, que é sua parte
sensível [= material].



                                                17
18
19
20
21
O laço que une o significante ao significado
 é arbitrário ou então, visto que
 entendemos por signo o total resultante
 da associação de um significante com um
 significado,   podemos       dizer     mais
 simplesmente: o signo linguístico é
 arbitrário.

                                           22
Assim, a ideia de "mar" não está ligada por relação
 alguma interior à sequência de sons m-a-r que
 lhe serve de significante: poderia ser
 representada igualmente bem por outra
 sequência, não importa qual; como prova, temos
 as diferenças entre as línguas e a própria
 existência de línguas diferentes: o significado da
 palavra francesa boeuf ("boi") tem por
 significante b-ö-f de um lado da fronteira franco-
 germânica, e o-k-s (Ochs) do outro.
                                                 23
24
O significante, sendo de natureza auditiva,
desenvolve-se no tempo, unicamente, e
tem as características que toma do tempo:
a) representa uma extensão, e b) essa
extensão é mensurável numa só
dimensão: é uma linha.

                                         25
Este princípio é evidente, mas parece que
 sempre se negligenciou enunciá-lo, sem
 dúvida      porque     foi    considerado
 demasiadamente simples; todavia, ele é
 fundamental e suas consequências são
 incalculáveis; sua importância é igual à da
 primeira lei. Todo o mecanismo da língua
 depende dele.
                                          26
Por oposição aos significantes visuais (sinais
 marítimos etc.), que podem oferecer
 complicações      simultâneas    em      várias
 dimensões, os significantes acústicos dispõem
 apenas da linha do tempo; seus elementos se
 apresentam um após outro; formam uma
 cadeia. Esse caráter aparece imediatamente
 quando os representamos pela escrita e
 substituímos a sucessão do tempo pela linha
 espacial dos signos gráficos.                27
Em certos casos, isso não aparece com
destaque. Se, por exemplo, acentuo uma
sílaba, parece que acumulo num só ponto
elementos significativos diferentes. Mas
trata-se de uma ilusão: a sílaba e seu
acento constituem apenas um ato
fonatório; não existe dualidade no interior
desse ato, mas somente oposições
diferentes com o que se acha a seu lado.
                                         28
A doutrina de Saussure baseia-se numa
série de pares de distinções, atribuídas
por George Mounin (1973:54) à sua
“mania dicotômica”.

“A linguagem é redutível a cinco ou seis
dualidades ou pares de coisas”. (Saussure)

                                         29
“(...) o fenômeno linguístico
apresenta perpetuamente duas
faces, que se corresponde e das
quais uma não vale senão pela
outra.” (Saussure, CLG, 15)

                              30
Esta é sua dicotomia básica e,
juntamente        com        o     par
sincronia/diacronia, constitui uma das
mais fecundas.

     Fundamentada          na    oposição
social/individual, revelou-se com o tempo
extremamente profícua.
                                        31
O que é fato da língua (langue) está no campo
social; o que é fato da fala ou discurso (parole)
está no campo individual. Repousando sua
dicotomia na Sociologia, ciência nascente e já
de grande prestígio então, Saussure (p. 16)
afirma e adverte ao mesmo tempo: “a
linguagem tem um lado individual e um lado
social, sendo impossível conceber um sem o
outro”.
                                                32
 A língua como acervo linguístico:

A língua é uma realidade psíquica formada de
 significados e imagens acústicas; “constitui-se
 num sistema de signos, onde, de essencial, só
 existe a união do sentido e da imagem acústica,
 onde as duas partes do signo são igualmente
 psíquicas” (p.23); é “um tesouro depositado pela
 prática da fala em todos os indivíduos
 pertencentes à mesma comunidade, um sistema
                                                33
gramatical que existe virtualmente em cada
cérebro ou, mais exatamente, nos cérebros
dum conjunto de indivíduos” (p. 21); a língua
é “uma soma de sinais depositados em cada
cérebro, mais ou menos como um dicionário
cujos exemplares, todos idênticos, fossem
repartidos entre os indivíduos” (p. 27)

                                            34
A língua, como acervo linguístico, é “o
 conjunto de hábitos linguísticos que
 permitem a uma pessoa compreender e
 fazer-se compreender” (p. 92) e “as
 associações ratificadas pelo consentimen-
 to coletivo, e cujo conjunto constitui a
 língua, são realidades que têm sua sede
 no cérebro” (p. 23)
                                         35
 A língua como instituição social:

Saussure considera que a língua “não está
 completa em nenhum indivíduo, e só na
 massa ela existe de modo completo” (p.
 21), por isso, ela é, ao mesmo tempo,
 realidade psíquica e instituição social.

                                        36
Para Saussure, a língua “é, ao mesmo tempo,
 um produto social da faculdade da linguagem
 e um conjunto de convenções necessárias,
 adotadas pelo corpo social para permitir o
 exercício dessa faculdade nos indivíduos” (p.
 17); “é a parte social da linguagem, exterior ao
 indivíduo, que, por si só, não pode nem criá-la
 nem modificá-la; ela não existe senão em
 virtude de uma espécie de contrato social
 estabelecido entre os membros da
 comunidade” (p. 22)
                                                37
 A língua como realidade sistemática e
 funcional – conteúdo mais importante do
 conceito saussureano sobre língua:

A língua é, antes de tudo, “um sistema de
 signos distintos correspondentes a ideias
 distintas” (p. 18); é um código, um sistema
 onde, “de essencial, só existe a união do
 sentido e da imagem acústica” (p. 23).
                                          38
Saussure vê a língua como um objeto de
 “natureza homogênea” (p. 23) e que,
 portanto, se enquadra perfeitamente na
 sua definição basilar: “a língua é um
 sistema de signos que exprimem ideias”
 (p. 24)

                                      39
A fala, ao contrário da língua, por se
 constituir de atos individuais, torna-se
 múltipla, imprevisível, irredutível a uma
 pausa sistemática. Os atos linguísticos
 individuais são ilimitados, não formam
 um sistema. Os atos linguísticos sociais,
 bem diferentemente, formam um
 sistema,     pela    própria      natureza
 homogênea.                               40
Ora, a Linguística como ciência só pode
 estudar aquilo que é recorrente, constante,
 sistemático. Os elementos da língua
 podem ser, quando muito, variáveis, mas
 jamais apresentam a inconstância, a
 irreverência,     a       heterogeneidade
 característica da fala, a qual, por isso
 mesmo, não se presta a um estudo
 sistemático.                             41
LÍNGUA       X     FALA:

. social             . individual
. homogênea          . heterogênea
. sistemática        . assistemática
. abstrata           . concreta
. constante           . variável
. duradoura           . momentânea
. conservadora       . Inovadora
. virtual            . real
                                       42
LÍNGUA            X     FALA:

. permanente            . ocasional
. supraindividual       . Individual
. essencial             . acidental
. psíquica              . psicofísica
. instituição            . práxis (ação)
. essência               . existência
. potencialidade         . realidade
. fato social             . ato individual
                                             43
LÍNGUA           X         FALA:

. unidade                 . diversidade
. forma                   . substância
. produto                 . Produção
. indivíduo subordinado   . indivíduo “senhor”
. instrumento e produto   . língua em ação
da fala
. sistema                 . realização
                                                 44
LÍNGUA               X         FALA:

. adotada pela comunidade . surge no indivíduo
. potencialidade ativa        . faz evoluir a língua
de produzir a fala
. necessária para a inteligi- . necessária para que a
bilidade e execução da fala língua se estabeleça
. 1 + 1´+ 1´´...= I            . 1 + 1´+ 1´´+...
. competência                  . desempenho
                                                        45
Segunda dicotomia saussureana, acolhida
 amplamente pela Linguística moderna,
 principalmente pelos norte-americanos,
 preocupados      em     não    introduzir
 considerações históricas na descrição de
 um estado de língua.

                                        46
Para Saussure, é indispensável, em
 Linguística, como em todas as demais
 ciências, se distingam os fenômenos de
 duas maneiras: 1º.) do ponto de vista de sua
 configuração sobre o eixo AB das
 simultaneidades (“relações entre coisas
 coexistentes”),    excluindo-se    qualquer
 consideração de tempo; 2º.) de acordo com
 a posição do fenômeno sobre o eixo CD das
                                           47
sucessividades, no qual cada coisa deve ser
 considerada por si mesma, sem esquecer,
 contudo, que todos os fatos do primeiro
 eixo aí se situam com suas respectivas
 transformações. A figura que segue aparece
 à página 95 do CLG:

                                         48
C
        AB = sincronia
        CD = diacronia


A                        B




    D
                             49
Para Saussure, sincronia, está para um
 “estado de língua”, assim como diacronia
 para uma “fase de evolução” (CLG, p. 96).
 Optando pela primeira, e rejeitando
 igualmente a síntese pancrônica, invoca
 que “a multiplicidade dos signos da língua
 nos impede absolutamente de estudar-
 -lhe, ao mesmo tempo, as relações no
 tempo e no sistema” (CLG, p. 96).       50
SINCRONIA             X   DIACRONIA:

. estática                . evolutiva
. descritiva              . prospectiva e retrospectiva
. Gramática Geral         . Gramática Histórica
. interessa-se pelo        . interessa-se pelas evolu-
sistema                     ções e suas causas
. faz descrições           . apoia-se em descrições
sincrônicas                 sincrônicas
                                                     51
SINCRONIA         X     DIACRONIA:

. descreve estados de . descreve fenômenos evo-
língua e suas relações    lutivos individuais
. abstrai o tempo       . leva em conta o tempo
. trata de fatos simul- . trata de fatos sucessivos
tâneos
. estuda fatos que formam . estuda fatos que não
sistema entre si            formam sistema entre
                             si
                                                  52
SINCRONIA         X     DIACRONIA:

. estuda o modo como . estuda o processo de evo-
a língua funciona         lução da língua
. preocupa-se com        . preocupa-se com evolução
funcionamento
. syn (simultaneidade) + . diá (movimento através
 khrónos (tempo)           de) + khrónos (tempo)
. descreve um determinado . Confronta estados dife-
estado de uma mesma           rentes de uma mesma
língua                       língua
                                                 53
SINCRONIA          X   DIACRONIA:

. estruturalismo        . atomismo
. parte                  . todo
. relação              . fato
. descrição            . explicação
. funcionamento        . evolução



                                      54
Para Saussure, tudo na sincronia se prende a
dois eixos: o eixo associativo (= paradigmático) e
o sintagmático.


As relações sintagmáticas baseiam-se no caráter
linear do signo linguístico, “que exclui a
possibilidade de [se] pronunciar dois elementos
ao mesmo tempo” (CLG, 142)
                                                55
A língua é formada de elementos que se
sucedem um após o outro lineramente,
isto é, “na cadeia da fala” (CLG, 142). À
relação entre esses elementos Saussure (p.
142) chama de sintagma:


                                         56
O sintagma se compõe sempre de duas ou
mais unidades consecutivas: re-ler, contra
todos, a vida humana, Deus é bom, se fizer
bom tempo, sairemos etc.



                                        57
O sintagma, segundo Saussure (p. 114):

a noção de sintagma se aplica não só às
 palavras, mas aos grupos de palavras, às
 unidades complexas de toda dimensão e de toda
 espécie (palavras compostas,         derivadas,
 membros de frases, frases inteiras).


                                              58
É o princípio da linearidade do significante que
 possibilita a realização do sintagma, a partir da
 combinação de elementos que contrastam entre si
 na cadeia da fala. Esse contraste ocorre entre
 unidades do mesmo nível, isto é, um fonema
 contrasta com outros fonemas, um morfema
 contrasta com outros morfemas, e um termo da
 oração, com outro termo da oração, formando,
 desse modo, o chamado contexto linguístico.
                                               59
SINTAGMÁTICAS       X      PARADIGMÁTICAS:

. base: sintagma          . base: paradigma
. na frase                 . no sistema
. realidade               . potencialidade
. contraste               . oposição
. oposição contrastiva    . oposição distintiva
. in praesentia           . in absentia
. valor por contraste       . valor por oposição a ter-
com os termos presentes       mos ausentes

                                                     60
SINTAGMÁTICAS        X    PARADIGMÁTICAS:

. baseiam-se na linearida- . situam-se na memória
de do significante           do falante
. combinação               . seleção
. metonímia                . metáfora




                                                61
Podemos esquematizar figurativamente os dois
 eixos, paradigmático e sintagmático, assim:



                        oposição contrastiva
  oposição distintiva




                                               62
plano da expressão (ste)  oposições fonológicas


                                            gramaticais   declinações

Relações                                                  conjugações
                                                          afixos
                                                          desinências
                                                          artigos
                                                          preposições
Paradigmáticas                                            pronomes
                                                          advérbios
                                                          conjunções




                 plano da expressão (sdo)
                                             lexicais  nomes e verbos  cam-
                                             pos semânticos




                                                                           63
CARVALHO, Castelar de. Para compreender
 Saussure: fundamentos e visão crítica. 11. ed.
 corrigida. Rio de Janeiro: Vozes, 1997.


http://lacan.orgfree.com/textosvariados/saussure
  naturezadosigno.htm Acessado em 20/10/2011 -
  21h:08min


                                              64
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_de_Saussur
  e Acessado em 20/10/2011 - 20h: 50min




                                                65

Saussure vida e obra

  • 1.
    PROF. DR. SILVIOREINOD COSTA CENTRO UNIVERSITÁRIO “BARÃO DE MAUÁ” Ribeirão Preto – São Paulo
  • 2.
    Ferdinand de Saussure(*Genebra (Suíça), 26 de novembro de 1857 – † Morges (Suíça), 22 de fevereiro de 1913). Foi um linguista e filósofo suíço, cujas elaborações teóricas propiciaram o desenvolvimento da Linguística enquanto ciência autônoma. 2
  • 3.
    O pensamento deSaussure exerceu grande influência sobre o campo da Teoria da Literatura e dos Estudos Culturais. Entendia a Linguística como um ramo da ciência mais geral dos signos, que ele propôs fosse chamada de SEMIOLOGIA. 3
  • 4.
    Graças aos seusestudos e ao trabalho de Leonard Bloomfield, a Linguística adquiriu autonomia, objeto e métodos próprios. Seus conceitos serviram de base para o desenvolvimento do Estruturalis- mo no século XX. 4
  • 5.
    Filho de umeminente naturalista, foi introduzido aos estudos linguísticos pelo filólogo e amigo da família, Adolphe Pictet. Estudou Física e Química, mas continuou fazendo cursos de gramática grega e latina. 5
  • 6.
    Por fim, Saussureconvenceu-se de que sua carreira estava nos estudos da linguagem e ingressou na Sociedade Linguística de Paris. Estudou língua europeias em Leipzig e aos vinte anos publicou uma dissertação sobre o sistema primitivo nas vogais nas língua indoeuropeias, a qual foi muito bem aceita. 6
  • 7.
    1879: “Mémoire surle primitif système des voyelles dans les langues indo- européenes”. Apesar da orientação atomística própria da corrente neogramática, Saussure inova em sua Mémoire situando o problema da reconstituição fonética do indoeuropeu sob uma perspectiva sistemática. 7
  • 8.
  • 9.
    1880: Tese deDoutoramento de Saussure:“De l empoi du génitif absolu en sanskrit”. Saussure defendeu sua Tese de Doutoramento em Berlim e retornou a Paris, onde passou a ensinar Sânscrito, Gótico e Alto Alemão e depois Filologia Indoeuropeia. 9
  • 10.
    DE L´EMPLOI DU GÉNITIFABSOLU EN SANSKRIT, publicado em Genebra, em 1881 10
  • 11.
    Retornou a Genebra,onde lecionou sânscrito e linguística histórica em geral. Além de artigos de Gramática Comparada, infelizmente nada mais nos legou em vida o genial mestre genebrino. 11
  • 12.
    Entre 1907 e1910, Saussure ministrou três cursos sobre linguística na Universidade de Genebra. Em 1916, três anos após sua morte, dois de seus alunos, Charles Bally e Albert Sechehaye, com a colaboração de A. Ridlinger, compilaram as anotações de alunos que compareceram a estes cursos e editaram o Curso de Linguística Geral, livro seminal da ciência linguística. 12
  • 13.
    Paralelamente ao trabalhoteórico reunido no Curso, Saussure também realizou, entre 1906 e 1909, outro estudo que é comumente chamado de Os anagramas de Saussure. Nesse trabalho, o mestre genebrino perscrutou um corpus de poemas clássicos para tentar provar a existência de um mecanismo de composição poética baseado na análise fônica das palavras; mecanismo este formado pelo anagrama e pelo hipograma. O hipograma (palavra-tema) é o nome de um deus ou de um herói diluído foneticamente no poema. O anagrama, por sua vez, é o processo que propicia a diluição do hipograma nos versos. 13
  • 14.
    FERDINAND DE SAUSSURE (* 1857 - † 1913) 14
  • 15.
  • 16.
    Para Saussure, osigno é a “a união do sentido e da imagem acústica”. O que Saussure chama de “sentido” é a mesma coisa que conceito ou ideia, isto é, a representação mental de um objeto ou realidade social em que nos situamos, representação essa condicionada, plasmada pela formação sociocultural que nos cerca desde o berço. 16
  • 17.
    Em outras palavras,para Saussure, conceito é sinônimo de significado, algo como a parte espiritual da palavra, sua contraparte inteligível, em oposição ao significante, que é sua parte sensível [= material]. 17
  • 18.
  • 19.
  • 20.
  • 21.
  • 22.
    O laço queune o significante ao significado é arbitrário ou então, visto que entendemos por signo o total resultante da associação de um significante com um significado, podemos dizer mais simplesmente: o signo linguístico é arbitrário. 22
  • 23.
    Assim, a ideiade "mar" não está ligada por relação alguma interior à sequência de sons m-a-r que lhe serve de significante: poderia ser representada igualmente bem por outra sequência, não importa qual; como prova, temos as diferenças entre as línguas e a própria existência de línguas diferentes: o significado da palavra francesa boeuf ("boi") tem por significante b-ö-f de um lado da fronteira franco- germânica, e o-k-s (Ochs) do outro. 23
  • 24.
  • 25.
    O significante, sendode natureza auditiva, desenvolve-se no tempo, unicamente, e tem as características que toma do tempo: a) representa uma extensão, e b) essa extensão é mensurável numa só dimensão: é uma linha. 25
  • 26.
    Este princípio éevidente, mas parece que sempre se negligenciou enunciá-lo, sem dúvida porque foi considerado demasiadamente simples; todavia, ele é fundamental e suas consequências são incalculáveis; sua importância é igual à da primeira lei. Todo o mecanismo da língua depende dele. 26
  • 27.
    Por oposição aossignificantes visuais (sinais marítimos etc.), que podem oferecer complicações simultâneas em várias dimensões, os significantes acústicos dispõem apenas da linha do tempo; seus elementos se apresentam um após outro; formam uma cadeia. Esse caráter aparece imediatamente quando os representamos pela escrita e substituímos a sucessão do tempo pela linha espacial dos signos gráficos. 27
  • 28.
    Em certos casos,isso não aparece com destaque. Se, por exemplo, acentuo uma sílaba, parece que acumulo num só ponto elementos significativos diferentes. Mas trata-se de uma ilusão: a sílaba e seu acento constituem apenas um ato fonatório; não existe dualidade no interior desse ato, mas somente oposições diferentes com o que se acha a seu lado. 28
  • 29.
    A doutrina deSaussure baseia-se numa série de pares de distinções, atribuídas por George Mounin (1973:54) à sua “mania dicotômica”. “A linguagem é redutível a cinco ou seis dualidades ou pares de coisas”. (Saussure) 29
  • 30.
    “(...) o fenômenolinguístico apresenta perpetuamente duas faces, que se corresponde e das quais uma não vale senão pela outra.” (Saussure, CLG, 15) 30
  • 31.
    Esta é suadicotomia básica e, juntamente com o par sincronia/diacronia, constitui uma das mais fecundas. Fundamentada na oposição social/individual, revelou-se com o tempo extremamente profícua. 31
  • 32.
    O que éfato da língua (langue) está no campo social; o que é fato da fala ou discurso (parole) está no campo individual. Repousando sua dicotomia na Sociologia, ciência nascente e já de grande prestígio então, Saussure (p. 16) afirma e adverte ao mesmo tempo: “a linguagem tem um lado individual e um lado social, sendo impossível conceber um sem o outro”. 32
  • 33.
     A línguacomo acervo linguístico: A língua é uma realidade psíquica formada de significados e imagens acústicas; “constitui-se num sistema de signos, onde, de essencial, só existe a união do sentido e da imagem acústica, onde as duas partes do signo são igualmente psíquicas” (p.23); é “um tesouro depositado pela prática da fala em todos os indivíduos pertencentes à mesma comunidade, um sistema 33
  • 34.
    gramatical que existevirtualmente em cada cérebro ou, mais exatamente, nos cérebros dum conjunto de indivíduos” (p. 21); a língua é “uma soma de sinais depositados em cada cérebro, mais ou menos como um dicionário cujos exemplares, todos idênticos, fossem repartidos entre os indivíduos” (p. 27) 34
  • 35.
    A língua, comoacervo linguístico, é “o conjunto de hábitos linguísticos que permitem a uma pessoa compreender e fazer-se compreender” (p. 92) e “as associações ratificadas pelo consentimen- to coletivo, e cujo conjunto constitui a língua, são realidades que têm sua sede no cérebro” (p. 23) 35
  • 36.
     A línguacomo instituição social: Saussure considera que a língua “não está completa em nenhum indivíduo, e só na massa ela existe de modo completo” (p. 21), por isso, ela é, ao mesmo tempo, realidade psíquica e instituição social. 36
  • 37.
    Para Saussure, alíngua “é, ao mesmo tempo, um produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” (p. 17); “é a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, que, por si só, não pode nem criá-la nem modificá-la; ela não existe senão em virtude de uma espécie de contrato social estabelecido entre os membros da comunidade” (p. 22) 37
  • 38.
     A línguacomo realidade sistemática e funcional – conteúdo mais importante do conceito saussureano sobre língua: A língua é, antes de tudo, “um sistema de signos distintos correspondentes a ideias distintas” (p. 18); é um código, um sistema onde, “de essencial, só existe a união do sentido e da imagem acústica” (p. 23). 38
  • 39.
    Saussure vê alíngua como um objeto de “natureza homogênea” (p. 23) e que, portanto, se enquadra perfeitamente na sua definição basilar: “a língua é um sistema de signos que exprimem ideias” (p. 24) 39
  • 40.
    A fala, aocontrário da língua, por se constituir de atos individuais, torna-se múltipla, imprevisível, irredutível a uma pausa sistemática. Os atos linguísticos individuais são ilimitados, não formam um sistema. Os atos linguísticos sociais, bem diferentemente, formam um sistema, pela própria natureza homogênea. 40
  • 41.
    Ora, a Linguísticacomo ciência só pode estudar aquilo que é recorrente, constante, sistemático. Os elementos da língua podem ser, quando muito, variáveis, mas jamais apresentam a inconstância, a irreverência, a heterogeneidade característica da fala, a qual, por isso mesmo, não se presta a um estudo sistemático. 41
  • 42.
    LÍNGUA X FALA: . social . individual . homogênea . heterogênea . sistemática . assistemática . abstrata . concreta . constante . variável . duradoura . momentânea . conservadora . Inovadora . virtual . real 42
  • 43.
    LÍNGUA X FALA: . permanente . ocasional . supraindividual . Individual . essencial . acidental . psíquica . psicofísica . instituição . práxis (ação) . essência . existência . potencialidade . realidade . fato social . ato individual 43
  • 44.
    LÍNGUA X FALA: . unidade . diversidade . forma . substância . produto . Produção . indivíduo subordinado . indivíduo “senhor” . instrumento e produto . língua em ação da fala . sistema . realização 44
  • 45.
    LÍNGUA X FALA: . adotada pela comunidade . surge no indivíduo . potencialidade ativa . faz evoluir a língua de produzir a fala . necessária para a inteligi- . necessária para que a bilidade e execução da fala língua se estabeleça . 1 + 1´+ 1´´...= I . 1 + 1´+ 1´´+... . competência . desempenho 45
  • 46.
    Segunda dicotomia saussureana,acolhida amplamente pela Linguística moderna, principalmente pelos norte-americanos, preocupados em não introduzir considerações históricas na descrição de um estado de língua. 46
  • 47.
    Para Saussure, éindispensável, em Linguística, como em todas as demais ciências, se distingam os fenômenos de duas maneiras: 1º.) do ponto de vista de sua configuração sobre o eixo AB das simultaneidades (“relações entre coisas coexistentes”), excluindo-se qualquer consideração de tempo; 2º.) de acordo com a posição do fenômeno sobre o eixo CD das 47
  • 48.
    sucessividades, no qualcada coisa deve ser considerada por si mesma, sem esquecer, contudo, que todos os fatos do primeiro eixo aí se situam com suas respectivas transformações. A figura que segue aparece à página 95 do CLG: 48
  • 49.
    C AB = sincronia CD = diacronia A B D 49
  • 50.
    Para Saussure, sincronia,está para um “estado de língua”, assim como diacronia para uma “fase de evolução” (CLG, p. 96). Optando pela primeira, e rejeitando igualmente a síntese pancrônica, invoca que “a multiplicidade dos signos da língua nos impede absolutamente de estudar- -lhe, ao mesmo tempo, as relações no tempo e no sistema” (CLG, p. 96). 50
  • 51.
    SINCRONIA X DIACRONIA: . estática . evolutiva . descritiva . prospectiva e retrospectiva . Gramática Geral . Gramática Histórica . interessa-se pelo . interessa-se pelas evolu- sistema ções e suas causas . faz descrições . apoia-se em descrições sincrônicas sincrônicas 51
  • 52.
    SINCRONIA X DIACRONIA: . descreve estados de . descreve fenômenos evo- língua e suas relações lutivos individuais . abstrai o tempo . leva em conta o tempo . trata de fatos simul- . trata de fatos sucessivos tâneos . estuda fatos que formam . estuda fatos que não sistema entre si formam sistema entre si 52
  • 53.
    SINCRONIA X DIACRONIA: . estuda o modo como . estuda o processo de evo- a língua funciona lução da língua . preocupa-se com . preocupa-se com evolução funcionamento . syn (simultaneidade) + . diá (movimento através khrónos (tempo) de) + khrónos (tempo) . descreve um determinado . Confronta estados dife- estado de uma mesma rentes de uma mesma língua língua 53
  • 54.
    SINCRONIA X DIACRONIA: . estruturalismo . atomismo . parte . todo . relação . fato . descrição . explicação . funcionamento . evolução 54
  • 55.
    Para Saussure, tudona sincronia se prende a dois eixos: o eixo associativo (= paradigmático) e o sintagmático. As relações sintagmáticas baseiam-se no caráter linear do signo linguístico, “que exclui a possibilidade de [se] pronunciar dois elementos ao mesmo tempo” (CLG, 142) 55
  • 56.
    A língua éformada de elementos que se sucedem um após o outro lineramente, isto é, “na cadeia da fala” (CLG, 142). À relação entre esses elementos Saussure (p. 142) chama de sintagma: 56
  • 57.
    O sintagma secompõe sempre de duas ou mais unidades consecutivas: re-ler, contra todos, a vida humana, Deus é bom, se fizer bom tempo, sairemos etc. 57
  • 58.
    O sintagma, segundoSaussure (p. 114): a noção de sintagma se aplica não só às palavras, mas aos grupos de palavras, às unidades complexas de toda dimensão e de toda espécie (palavras compostas, derivadas, membros de frases, frases inteiras). 58
  • 59.
    É o princípioda linearidade do significante que possibilita a realização do sintagma, a partir da combinação de elementos que contrastam entre si na cadeia da fala. Esse contraste ocorre entre unidades do mesmo nível, isto é, um fonema contrasta com outros fonemas, um morfema contrasta com outros morfemas, e um termo da oração, com outro termo da oração, formando, desse modo, o chamado contexto linguístico. 59
  • 60.
    SINTAGMÁTICAS X PARADIGMÁTICAS: . base: sintagma . base: paradigma . na frase . no sistema . realidade . potencialidade . contraste . oposição . oposição contrastiva . oposição distintiva . in praesentia . in absentia . valor por contraste . valor por oposição a ter- com os termos presentes mos ausentes 60
  • 61.
    SINTAGMÁTICAS X PARADIGMÁTICAS: . baseiam-se na linearida- . situam-se na memória de do significante do falante . combinação . seleção . metonímia . metáfora 61
  • 62.
    Podemos esquematizar figurativamenteos dois eixos, paradigmático e sintagmático, assim: oposição contrastiva oposição distintiva 62
  • 63.
    plano da expressão(ste)  oposições fonológicas gramaticais declinações Relações conjugações afixos desinências artigos preposições Paradigmáticas pronomes advérbios conjunções plano da expressão (sdo) lexicais  nomes e verbos  cam- pos semânticos 63
  • 64.
    CARVALHO, Castelar de.Para compreender Saussure: fundamentos e visão crítica. 11. ed. corrigida. Rio de Janeiro: Vozes, 1997. http://lacan.orgfree.com/textosvariados/saussure naturezadosigno.htm Acessado em 20/10/2011 - 21h:08min 64
  • 65.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_de_Saussur eAcessado em 20/10/2011 - 20h: 50min 65