Seminário Julio Castro sobre
      Alfabetização
     Montevideo 14/12/2001
Alfabetização tecnológico-digital

        Jarbas Novelino Barato
         jarbas.barato@gmail.com
Metáfora proposta por Alan Kay
O COMPUTADOR É UM PIANO
O que fazem analfabetos em pianos?
O que fazem os alfabetizados em
           pianos?
Metáfora de Alan Kay
• Tem riqueza mais grande que uma
  comunicação sobre o tema da alfabetização
  digital
• Mostra o ridículo (e o dramático) em
  carregamento de pianos
• Deixa claro que o cidadão comum deve fazer
  música com o piano
Pianos expandem capacidade humana
           de fazer música
Plano de exposição
•   Enunciar princípios
•   Revelar referências
•   Falar de raízes
•   Citar um crítico
•   Apresentar dois casos
•   Sugerir direções
Os Princípios
Alfabetizado
         Acessa
       Transforma
         Produz
       Compartilha

Diz a própria palavra
Acessa
INFORMAÇÃO
Transforma
INFORMAÇÃO
Produz
CONHECIMENTO
Compartilha
CONHECIMENTO
Diz a própria palavra
Alfabetização como...
•   Afirmação de cidadania
•   Consciência do significado
•   Resistência à dominação
•   Domínio da linguagem
•   Produção de saber pessoal
•   Afirmação de humanidade
Referências Pré-digitais
• Paulo Freire: objetivo último da alfabetização
  é a capacidade de ler o mundo, no texto e no
  contexto
• Don Lorenzo Milani: objetivo último da
  alfabetização é o de superar diferença entre a
  privação e acesso pleno à cultura; de maneira
  que o alfabetizado diga a própria palavra
Freire e tecnologia digital: um exemplo
• Blogs e possibilidade de dizer a própria
  palavra
• O caso de periodistas na ocupação do Iraque
• Atuação de Christine Boese: apoio técnico e
  indicação de caminho para escapar de leitura
  oficial da guerra
• Surgimento de warblogs que trouxeram visões
  divergentes sobre a ocupação do Iraque
Tradução (português) do artigo
          de Boese
  http://jarbas.wordpress.com/035-
     paulo-freire-na-blogolandia/
Raízes
•   No princípio era a informação
•   Mais é melhor
•   Aqui agora
•   Informação se converte em mercadoria
•   Tecnologia digital multiplica constantemente a
    informação
Corte cinematográfico

Sigo Daniel Boorstin e viajo para
tempos anteriores à tecnologia
             digital
Consumo de imagem//Consumo de informação
Como a tecnologia da informação pode produzir analfabetos
Para Boorstin
mudança na cultura: substituição da substância
 pela imagem.

facilidade para produzir e reproduzir imagens
  diminuiu interesse pela escrita

surgimento das relações públicas manipulativas e
  da cultura da publicidade substituiu outra
  cultura baseada na busca da Verdade
Tecnologia como forma de des-alfabetizar as pessoas
Exemplo de uso da imagem, na sua dimensão simbólica, como
                forma de ocultara verdade.
Um exemplo
•   Greve em mina em Ludlow (1914)
•   Polícia age
•   Cinquenta e três mortos
•   Família Rockefeller ganha fama de crueldade
•   Má fama era ruim para os negócios
•   Entra em cena um jornalista...
Ivy Ledbetter Lee cria uma imagem
                 para

• Desacreditar os grevistas
• Promover imagem pública favorável de
  Rockefeller
• Produzir pseudo-evento:
Rockefeller preocupado com o bem-estar social
Finalidade da invenção de Lee

Converter em notícia a nova
 imagem do magnata
Des-alfabetizar o leitor
O caso contado
• Destaca aspectos inerentes – quase sempre
  invisíveis – das novas tecnologias
• Mostra a emergência da imagem – concreta e
  simbolicamente – como móvel principal da
  informação
• Sugere necessidade de insistir em “leitura do
  mundo”
Uma Crítica

NEIL POSTMAN
Destaques
• Tecnologia dá, tecnologia tira (saca)
• Conversão da possibilidade em necessidade
• Importância da semântica
Postman complementado por Kay
• Muita informação
• Dificuldades pra determinar importância da
  informação
• Incapacidade para ler informação; fica-se em
  simples reprodução
• Saída necessária: capacidade de transformar
  informação em saberes significativos
CASOS
Figura em material sobre a linguagem Basic

REFERÊNCIA AO BASIC FICARÁ
CLARA LÁ NA FRENTE
As investigadoras da SDSU em 82
• Incapazes de chamar 313
• Incapazes de fazer o que sabiam
• Vítimas de um medo promovido por
  profissionais dos meios digitais
• Incomodadas com necessidade de utilizar uma
  meta-linguagem
Investigadoras...
• Aterrorizadas com a meta-programação para
  usar o SPSS’x
• Domínio de saberes estatísticos precedia
  domínio da meta programação
• Engano de ênfase em sintaxe; como se vê a
  seguir
Nos anos 80
• Predominou visão de que a alfabetização
  deveria ser sintática
• Milhares de pessoas – talvez milhões – fizeram
  curso de Basic
• O Basic não abriu paraísos ocupacionais
• Gente capacitada em Basic perdeu tempo e
  dinheiro
Outro caso: a primeira vez
A primeira vez de jovens e adultos em
                  90
•   Sem dor
•   Sem medo
•   Sem dependência
•   Com afirmação
•   Com prazer
Dois casos sugerem
• Fracasso de abordagem sintática
• Existência de concepção que insiste em
  iniciação em entranhas dos computadores e
  sistemas
• Obsolescência muito rápida das gramáticas
  digitais
Inspiração
Caminante no hay camino
SE HACE CAMINO AL ANDAR
Direções
Definição de Tecnologia



Tecnologia = ferramenta + imaginação
Definição de Tecnologia


  Tecnologia exige:
        Ação
   Transformação
      Produção
Artefatos e sistemas não são
               tecnologia


São ferramentas cujo potencial de uso depende
  de imaginação
Alerta importante de Donald
          Norman
   É preciso deixar de lado qualquer
 sugestão desumanizante de tecnologia
 como a proposta pelo lema da Feira de
                Chicago
Lema da Feira de Chicago



A ciência descobre, a indústria
aplica, os homens se adaptam.
Duas perspectivas

•   Tecnologia soberana    •   Gente no comando
•   Ênfase na informação   •   Ênfase no Conhecimento
•   Reprodução             •   Produção
•   Adaptação humana       •   Ferramentas de trabalho
•   Estrutura e sintaxe    •   Semântica
Alfabetização digital requer
• Reconhecimento de mundo representado pelo
  texto
• Transformação da informação disponível em
  conhecimento significativo para os sujeitos
• Desenvolvimento de sentimento de autoria
• Criação de redes nas quais seja possível
  compartilhar saberes
Nada de ...
Carregar pianos
Tudo a ver com...
Criar música com o piano
Gracias a todas y todos

Roteiro utu 11

  • 1.
    Seminário Julio Castrosobre Alfabetização Montevideo 14/12/2001
  • 2.
    Alfabetização tecnológico-digital Jarbas Novelino Barato jarbas.barato@gmail.com
  • 3.
    Metáfora proposta porAlan Kay O COMPUTADOR É UM PIANO
  • 4.
    O que fazemanalfabetos em pianos?
  • 6.
    O que fazemos alfabetizados em pianos?
  • 8.
    Metáfora de AlanKay • Tem riqueza mais grande que uma comunicação sobre o tema da alfabetização digital • Mostra o ridículo (e o dramático) em carregamento de pianos • Deixa claro que o cidadão comum deve fazer música com o piano
  • 9.
    Pianos expandem capacidadehumana de fazer música
  • 10.
    Plano de exposição • Enunciar princípios • Revelar referências • Falar de raízes • Citar um crítico • Apresentar dois casos • Sugerir direções
  • 11.
  • 12.
    Alfabetizado Acessa Transforma Produz Compartilha Diz a própria palavra
  • 13.
  • 14.
  • 15.
  • 16.
  • 17.
  • 18.
    Alfabetização como... • Afirmação de cidadania • Consciência do significado • Resistência à dominação • Domínio da linguagem • Produção de saber pessoal • Afirmação de humanidade
  • 19.
    Referências Pré-digitais • PauloFreire: objetivo último da alfabetização é a capacidade de ler o mundo, no texto e no contexto • Don Lorenzo Milani: objetivo último da alfabetização é o de superar diferença entre a privação e acesso pleno à cultura; de maneira que o alfabetizado diga a própria palavra
  • 21.
    Freire e tecnologiadigital: um exemplo • Blogs e possibilidade de dizer a própria palavra • O caso de periodistas na ocupação do Iraque • Atuação de Christine Boese: apoio técnico e indicação de caminho para escapar de leitura oficial da guerra • Surgimento de warblogs que trouxeram visões divergentes sobre a ocupação do Iraque
  • 22.
    Tradução (português) doartigo de Boese http://jarbas.wordpress.com/035- paulo-freire-na-blogolandia/
  • 23.
    Raízes • No princípio era a informação • Mais é melhor • Aqui agora • Informação se converte em mercadoria • Tecnologia digital multiplica constantemente a informação
  • 24.
    Corte cinematográfico Sigo DanielBoorstin e viajo para tempos anteriores à tecnologia digital
  • 26.
    Consumo de imagem//Consumode informação Como a tecnologia da informação pode produzir analfabetos
  • 27.
    Para Boorstin mudança nacultura: substituição da substância pela imagem. facilidade para produzir e reproduzir imagens diminuiu interesse pela escrita surgimento das relações públicas manipulativas e da cultura da publicidade substituiu outra cultura baseada na busca da Verdade
  • 28.
    Tecnologia como formade des-alfabetizar as pessoas Exemplo de uso da imagem, na sua dimensão simbólica, como forma de ocultara verdade.
  • 29.
    Um exemplo • Greve em mina em Ludlow (1914) • Polícia age • Cinquenta e três mortos • Família Rockefeller ganha fama de crueldade • Má fama era ruim para os negócios • Entra em cena um jornalista...
  • 30.
    Ivy Ledbetter Leecria uma imagem para • Desacreditar os grevistas • Promover imagem pública favorável de Rockefeller • Produzir pseudo-evento: Rockefeller preocupado com o bem-estar social
  • 31.
    Finalidade da invençãode Lee Converter em notícia a nova imagem do magnata Des-alfabetizar o leitor
  • 32.
    O caso contado •Destaca aspectos inerentes – quase sempre invisíveis – das novas tecnologias • Mostra a emergência da imagem – concreta e simbolicamente – como móvel principal da informação • Sugere necessidade de insistir em “leitura do mundo”
  • 33.
  • 34.
    Destaques • Tecnologia dá,tecnologia tira (saca) • Conversão da possibilidade em necessidade • Importância da semântica
  • 35.
    Postman complementado porKay • Muita informação • Dificuldades pra determinar importância da informação • Incapacidade para ler informação; fica-se em simples reprodução • Saída necessária: capacidade de transformar informação em saberes significativos
  • 36.
  • 38.
    Figura em materialsobre a linguagem Basic REFERÊNCIA AO BASIC FICARÁ CLARA LÁ NA FRENTE
  • 39.
    As investigadoras daSDSU em 82 • Incapazes de chamar 313 • Incapazes de fazer o que sabiam • Vítimas de um medo promovido por profissionais dos meios digitais • Incomodadas com necessidade de utilizar uma meta-linguagem
  • 40.
    Investigadoras... • Aterrorizadas coma meta-programação para usar o SPSS’x • Domínio de saberes estatísticos precedia domínio da meta programação • Engano de ênfase em sintaxe; como se vê a seguir
  • 41.
    Nos anos 80 •Predominou visão de que a alfabetização deveria ser sintática • Milhares de pessoas – talvez milhões – fizeram curso de Basic • O Basic não abriu paraísos ocupacionais • Gente capacitada em Basic perdeu tempo e dinheiro
  • 42.
    Outro caso: aprimeira vez
  • 43.
    A primeira vezde jovens e adultos em 90 • Sem dor • Sem medo • Sem dependência • Com afirmação • Com prazer
  • 44.
    Dois casos sugerem •Fracasso de abordagem sintática • Existência de concepção que insiste em iniciação em entranhas dos computadores e sistemas • Obsolescência muito rápida das gramáticas digitais
  • 45.
  • 46.
    Caminante no haycamino SE HACE CAMINO AL ANDAR
  • 47.
  • 48.
    Definição de Tecnologia Tecnologia= ferramenta + imaginação
  • 49.
    Definição de Tecnologia Tecnologia exige: Ação Transformação Produção
  • 50.
    Artefatos e sistemasnão são tecnologia São ferramentas cujo potencial de uso depende de imaginação
  • 51.
    Alerta importante deDonald Norman É preciso deixar de lado qualquer sugestão desumanizante de tecnologia como a proposta pelo lema da Feira de Chicago
  • 52.
    Lema da Feirade Chicago A ciência descobre, a indústria aplica, os homens se adaptam.
  • 53.
    Duas perspectivas • Tecnologia soberana • Gente no comando • Ênfase na informação • Ênfase no Conhecimento • Reprodução • Produção • Adaptação humana • Ferramentas de trabalho • Estrutura e sintaxe • Semântica
  • 54.
    Alfabetização digital requer •Reconhecimento de mundo representado pelo texto • Transformação da informação disponível em conhecimento significativo para os sujeitos • Desenvolvimento de sentimento de autoria • Criação de redes nas quais seja possível compartilhar saberes
  • 55.
  • 56.
  • 57.
    Tudo a vercom...
  • 58.
  • 59.