Fazer Bem Feito
Valores em educação profissional e tecnológica
Estudo da UNESCO
Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica
2015
Fazer Bem Feito
Apresentação
Jarbas Novelino Barato
Ética, Estética e Axiologia do
Trabalho
Nosso estudo de valores não se reduziu a
desenvolvimento moral. Ele esteve atento também para a
estética e a axiologia.
Duplo sentido de bem feito
Qualidade e retidão.
Atendimento a padrões de produção historicamente
construídos pela categoria + compromisso do trabalhador
com sua obra.
Retomo aqui a autocrítica de
Jerome Bruner ao abordar estudo
de Sylvia Scribner
Sylvia propôs e realizou um estudo interessante sobre o
saber engastado no trabalho dos distribuidores de leite
de Nova Iorque.
Somos mais
inteligentes que outros
animais porque temos
mãos. (Anaxágoras)
Ressaltar não apenas manualidade,
mas corporeidade. É preciso superar
o erro cartesiano do par
mente/corpo. Base estética –
experimentar o mundo – do saber e
do valorar.
Onde estão os valores?
 Em proposições?
 Nos discursos da sala de
aula?
 Nas intenções
anunciadas?
 Nas generalizações
desencarnadas?
 Em ações?
 Nas produções de uma
oficina?
 Nas atividades realizadas?
 No saber local?
Constatação
Nas propostas de ensino, o desenvolvimento de valores
aparece como atividade em sala de aula. A ação, o fazer
em oficinas, é ignorada como situação que constitui
valores em práticas reiteradas.
Decisão
Observar atividades em oficinas e recolher nas
observações indicadores sobre desenvolvimento de
valores na ação.
Indicações claras de que os valores
são desenvolvidos como parte
integrante do fazer.
O estudo constatou a existência de muitos valores que
são ignorados pelos planos de curso e educadores da
coordenação.
 Docentes que ajudam a desenvolver valores são
aqueles que pertencem às comunidades de prática
vinculadas à profissão.
 Ainda existe nas instituições de EPT claros sinais de
mestria (a do mestre que é capaz de produzir obras
expressivas...). (cf. Messias)
 Os alunos mais aprendem quanto mais trabalham (cf.
depoimentos de cozinheiros)
Outras indicações
“FUI EU QUEM FEZ”
Identificação do trabalhador com sua obra sinaliza
integralidade do fazer, mostrando que valores não se
agregam à ação. Eles são parte integrante do fazer.
Referência para o caso
Estudo de Mike Rose, numa investigação que foi
conduzida com empatia pelo trabalho e pelo trabalhador.
Dificuldade no caso
Em muitas atividades, trabalhador e trabalho são
invisíveis,
História do Otávio
 Situação tensa de preparação para o teste final.
 Trabalho intenso e concentrado.
 Estranha conversa do Otávio com seu vizinho de
cabine.
 Cessão da cabine para o vizinho.
“Isso é
companheirismo,
professor.”
Observações anteriores mostravam
pequenos atos de ajuda mútua
sempre que necessário.
O companheirismo é construído por
atos continuados de cooperação,
mediados pela ação, pelo
compromisso com uma obra que
sensibiliza uma comunidade de
prática.
 Costureiras e máquina com problema
 Modistas e um molde com medida duvidosa
 Ajuda em corte de carne no açougue da cozinha
 Apoio ao menino muito pequeno que não alcançava
controles de máquinas na marcenaria
 Apoio a companheiros cegos na bancada de produção
de salgados
Outros exemplos
Os casos indicam
presença de uma ética
do cuidado nos
ambientes de
trabalho/aprendizagem.
O cuidado não se estabelece apenas
por consideração pelo outro, mas por
intermediações de obras numa
comunidade de prática (prática
social). “A fé sem obras é morta”.
Carícia na madeira num
ato de admiração.
Identificação com a obra.
Admiração pelo trabalho bem feito.
Desenvolvimento de uma estética
que é prenhe de significados que
envolvem percepção de totalidade.
 O sentimento de admiração foi desenvolvido a partir
de grande envolvimento com a matéria que se
transformou em obra de um profissional.
 Essa admiração não se constrói com discurso, mas
com contínuos fazeres.
Notas sobre o caso
“Você é o que
você faz.”
faz.
Celebração da
aprendizagem em fotos
de unhas bem feitas
Iniciativa de uma professora de
manicure é indicativa de muitas
outras ações de professores que, nas
oficinas, criam situações de
celebração do trabalho.
 Resultados de aprendizagem não são celebrados em
ambientes escolarizados.
 Reconhecimento da obra como algo que a
comunidade de prática considera como uma arte é
elemento importante no desenvolvimento da
apreciação do bem feito.
Notas
Banheiro de uma escola
com uma boa proposta
de desenvolvimento de
valores...
Será que as atividades de sala de aula
vão remediar o que os alunos
aprenderam indo a esse banheiro?
O edifício escolar é a evidência visível e
tangível da atitude do público para com a
educação.
William Carr, 1935 (cf Burke; Grosvenor)
 Boa intenção e rebaixamento do trabalho e do
trabalhador em ofertas de educação profissional
precárias.
 Diferenças gritantes entre ambientes de
trabalho/aprendizagem dignos e situações de puro
improviso em ofertas para os desafortunados...
Notas
Considerar sempre que decisões
sobre espaço físico (implementos,
ferramentas, etc.) direcionam
aprendizagem de valores.
Importante
 Em comunidades de prática...
 Em obras que exigem compartilhamento de
saberes...
 Em ambientes onde se celebra o trabalho
 Em fazeres que envolvem integralmente os
aprendizes...
 Na história dos saberes profissionais concretizados
em obra...
Valores estão
 jarbas.barato@gmail.com
 No Facebook: Jarbas Novelino Facebook
 Na blogosfera: https://jarbas.wordpress.com/
 bit.ly/fazerbemfeito
Contatos

Non verbis

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    Fazer Bem Feito Valoresem educação profissional e tecnológica Estudo da UNESCO Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica 2015
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    Ética, Estética eAxiologia do Trabalho Nosso estudo de valores não se reduziu a desenvolvimento moral. Ele esteve atento também para a estética e a axiologia.
  • 5.
    Duplo sentido debem feito Qualidade e retidão. Atendimento a padrões de produção historicamente construídos pela categoria + compromisso do trabalhador com sua obra.
  • 6.
    Retomo aqui aautocrítica de Jerome Bruner ao abordar estudo de Sylvia Scribner Sylvia propôs e realizou um estudo interessante sobre o saber engastado no trabalho dos distribuidores de leite de Nova Iorque.
  • 7.
    Somos mais inteligentes queoutros animais porque temos mãos. (Anaxágoras) Ressaltar não apenas manualidade, mas corporeidade. É preciso superar o erro cartesiano do par mente/corpo. Base estética – experimentar o mundo – do saber e do valorar.
  • 8.
    Onde estão osvalores?  Em proposições?  Nos discursos da sala de aula?  Nas intenções anunciadas?  Nas generalizações desencarnadas?  Em ações?  Nas produções de uma oficina?  Nas atividades realizadas?  No saber local?
  • 9.
    Constatação Nas propostas deensino, o desenvolvimento de valores aparece como atividade em sala de aula. A ação, o fazer em oficinas, é ignorada como situação que constitui valores em práticas reiteradas.
  • 10.
    Decisão Observar atividades emoficinas e recolher nas observações indicadores sobre desenvolvimento de valores na ação.
  • 11.
    Indicações claras deque os valores são desenvolvidos como parte integrante do fazer. O estudo constatou a existência de muitos valores que são ignorados pelos planos de curso e educadores da coordenação.
  • 12.
     Docentes queajudam a desenvolver valores são aqueles que pertencem às comunidades de prática vinculadas à profissão.  Ainda existe nas instituições de EPT claros sinais de mestria (a do mestre que é capaz de produzir obras expressivas...). (cf. Messias)  Os alunos mais aprendem quanto mais trabalham (cf. depoimentos de cozinheiros) Outras indicações
  • 14.
    “FUI EU QUEMFEZ” Identificação do trabalhador com sua obra sinaliza integralidade do fazer, mostrando que valores não se agregam à ação. Eles são parte integrante do fazer.
  • 15.
    Referência para ocaso Estudo de Mike Rose, numa investigação que foi conduzida com empatia pelo trabalho e pelo trabalhador.
  • 16.
    Dificuldade no caso Emmuitas atividades, trabalhador e trabalho são invisíveis,
  • 18.
    História do Otávio Situação tensa de preparação para o teste final.  Trabalho intenso e concentrado.  Estranha conversa do Otávio com seu vizinho de cabine.  Cessão da cabine para o vizinho.
  • 19.
    “Isso é companheirismo, professor.” Observações anterioresmostravam pequenos atos de ajuda mútua sempre que necessário. O companheirismo é construído por atos continuados de cooperação, mediados pela ação, pelo compromisso com uma obra que sensibiliza uma comunidade de prática.
  • 20.
     Costureiras emáquina com problema  Modistas e um molde com medida duvidosa  Ajuda em corte de carne no açougue da cozinha  Apoio ao menino muito pequeno que não alcançava controles de máquinas na marcenaria  Apoio a companheiros cegos na bancada de produção de salgados Outros exemplos
  • 21.
    Os casos indicam presençade uma ética do cuidado nos ambientes de trabalho/aprendizagem. O cuidado não se estabelece apenas por consideração pelo outro, mas por intermediações de obras numa comunidade de prática (prática social). “A fé sem obras é morta”.
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    Carícia na madeiranum ato de admiração. Identificação com a obra. Admiração pelo trabalho bem feito. Desenvolvimento de uma estética que é prenhe de significados que envolvem percepção de totalidade.
  • 24.
     O sentimentode admiração foi desenvolvido a partir de grande envolvimento com a matéria que se transformou em obra de um profissional.  Essa admiração não se constrói com discurso, mas com contínuos fazeres. Notas sobre o caso
  • 25.
    “Você é oque você faz.” faz.
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    Celebração da aprendizagem emfotos de unhas bem feitas Iniciativa de uma professora de manicure é indicativa de muitas outras ações de professores que, nas oficinas, criam situações de celebração do trabalho.
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     Resultados deaprendizagem não são celebrados em ambientes escolarizados.  Reconhecimento da obra como algo que a comunidade de prática considera como uma arte é elemento importante no desenvolvimento da apreciação do bem feito. Notas
  • 30.
    Banheiro de umaescola com uma boa proposta de desenvolvimento de valores... Será que as atividades de sala de aula vão remediar o que os alunos aprenderam indo a esse banheiro?
  • 31.
    O edifício escolaré a evidência visível e tangível da atitude do público para com a educação. William Carr, 1935 (cf Burke; Grosvenor)
  • 32.
     Boa intençãoe rebaixamento do trabalho e do trabalhador em ofertas de educação profissional precárias.  Diferenças gritantes entre ambientes de trabalho/aprendizagem dignos e situações de puro improviso em ofertas para os desafortunados... Notas
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    Considerar sempre quedecisões sobre espaço físico (implementos, ferramentas, etc.) direcionam aprendizagem de valores. Importante
  • 34.
     Em comunidadesde prática...  Em obras que exigem compartilhamento de saberes...  Em ambientes onde se celebra o trabalho  Em fazeres que envolvem integralmente os aprendizes...  Na história dos saberes profissionais concretizados em obra... Valores estão
  • 35.
     jarbas.barato@gmail.com  NoFacebook: Jarbas Novelino Facebook  Na blogosfera: https://jarbas.wordpress.com/  bit.ly/fazerbemfeito Contatos