Universidade das Quebradas

     Linguagem e Expressão
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Para começar



Tomei coragem para publicar algo e
escrever mais.



               Cassiano, na pós-aula de Eucanaã.

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Como se organizam os textos?




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Narração
Era uma vez na beira do rio Parnaíba, caudaloso e cheio
de perigos, havia Crispim, pescador, e sua mãe, que
moravam em uma tapera. Dia com muito vento e
pescador não conseguiu pegar nada. Voltou para casa
bêbado e praguejando que estava com fome, a mãe
correu a dizer que tinha um caldo de osso. O filho,
louco de fúria descontrolada, agrediu a mãezinha com
um pedaço de osso. A pobre mãe, ensanguentada,
indignada e cheia de dor no peito, rogou-lhe praga que
haveria de vagar com a cabeça boiando no rio e
devorar ou deflorar sete Marias virgens.
                Clarice Azul, numa pré-aula de Linguagem e Expressão.

                       Linguagem e Expressão
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Características da narração:

   Refere-se a um ou mais personagens,
    situações, tempos e espaços

   Mudança de situação do(s) personagem(ns)

   Progressão temporal dos eventos

   Tempo predominante: pretérito

                    Linguagem e Expressão
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Descrição

Clara estava bem vestidinha. Era inteiramente de crepom
o seu vestido, com guarnição de renda caseira, mas bonita
e bem trabalhada; o pescoço saía-lhe nu e a gola
terminava numa pala debruada de rendas. Calçava
sapatos de verniz e meias. Nas orelhas tinha grandes
africanas e penteara-se de bandós, rematando o penteado
para trás, na altura do pescoço, um coque, fixado por um
grande pente de tartaruga ou coisa parecida.

                                     Lima Barreto, no livro Clara dos Anjos



                      Linguagem e Expressão
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Características da descrição:

   Seres ou objetos concretos

   Simultaneidade de propriedades e aspectos

   Organização espacial dos elementos descritos

   Tempos preferidos: presente e pretérito
    imperfeito

                    Linguagem e Expressão
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Exposição
O líder de mudança é aquele que se encarrega de levar adiante as tarefas,
enfrentando conflitos, buscando soluções, arriscando-se sempre diante do
novo. O contrário dele é o líder de resistência, não podem existir um sem
o outro. Os dois são necessários para o equilíbrio do grupo. Esta é a visão
de uma relação democrática, pois na relação autoritária e na
espontaneísta os encaminhamentos poderão ser outros. Para cada maior
acelerada do líder de mudança, maior freio, brecada, do líder de
resistência. Isto porque, muitas vezes, o líder de mudança radicaliza suas
percepções, encaminhamentos, na direção dos ideais do grupo,
descuidando do princípio de realidade. Neste momento o líder de
resistência traz para o grupo uma excessiva crítica (princípio de realidade
exacerbado), provocando uma desidealização (desilusionamento),
produzido assim um contrapeso às propostas do outro.
                                                                  Madalena Freire

                              Linguagem e Expressão
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Características da exposição:

   Aborda um tema com termos abstratos

   Mostra mudança de situação

   Organiza-se por relações de analogia, causa,
    correspondência, etc.

   Tempo predominante: presente

                    Linguagem e Expressão
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Argumentação
Isto é o que querem "os da elite", que as classes menos favorecidas discutam a
importância ou não de uma ação afirmativa reparadora para a classe C ou D... 1º
Quando criaram um processo de cota que dividia as terras entre os Europeus
existentes no Brasil, ninguém polemizou. 2º Quando disseram que cotas para
negros é inconstitucional, "muitas pessoas" foram a favor sem levarem em conta
a existência de cotas para filhos de militares e outras que favorecem a "grande
elite". 3º O debate deveria ser para criarem medidas de acessibilidade para todos
os povos desvaforecidos, mas nós ainda ficamos no "EUCENTRISMO” e
esquecemos por segundos da desvalorização, agressão, violência física e mental,
depreciação e afins feitos pelos povos brancos contra os povos negros e nativos.
4º A mestiçagem foi algo criado como lei /Lei do embranquecimento/, logo
discutir mestiçagem é discutir a violência que os brancos fizeram com as
mulheres negras durantes anos. Esses pontos podem ser até discutidos, mas são
verídicos e históricos. Existiram no Brasil e são os pontos de partida para a
discriminação, preconceito, racismo e similares.
                                      João Griot, em 22 de novembro de 2012, no Facebook.
                                Linguagem e Expressão
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Características da argumentação:

      Defende (ou ataca) uma ideia, um
       produto, etc.

      Busca persuadir o leitor/ouvinte

      Usa argumentos e outras estratégias de
       convencimento


                   Linguagem e Expressão
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Agora é sua vez!
Qual é o modo de organização destes textos?

Em 1993 fomos viajar pelo Rio São Francisco; eu, Guilherme
Vasconcelos e Luiz Bolognese. O Guilherme levou Grande
Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa. Começou a ler em voz
alta quando chegamos em Pirapora. Em pouco tempo virou
uma disputa, havia só um livro e três leitores. Foi uma viagem
de sertão profundo, o rio era o livro e o livro era o rio. No final
cada um foi pra um lado. O livro ficou comigo, quando peguei
um ônibus para São Paulo em Penedo, Alagoas. Reli os últimos
capítulos já na Dutra.

                  Beá Meira, numa enquete da Universidade das Quebradas.

                          Linguagem e Expressão
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Ninguém nasce sabendo das histórias. Um narrador é aquele
que teve a oportunidade de ouvir muito, tanto que apreendeu,
isto é, pescou este peixão simbólico que serve para alimentar
entre outras coisas, como compartilhar e agradecer. Coisas que
dão valor à vida e garantem a sua sustentação. Esse valor é
produzido na qualidade da relação entre pessoas: adultos,
crianças, mestres, discípulos, natureza, sociedade e
principalmente o eu com o mesmo. É disso que as histórias
antigas e longínquas e seus narradores estão falando: a fala do
saber viver, do gosto que a vida tem, de preservar a memória
desse gosto e de que vale a pena.

                       Rute Casoy, na pré-aula de Linguagem e Expressão.

                         Linguagem e Expressão
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Eu sou um sujeito…meio alto/meio baixo, meio
gordo/meio magro, que se você encontrasse no
meio de uma multidão, creio que nada chamasse a
atenção…mesmo sendo, apesar disso, uma pessoa
extremamente peculiar…(ou não, rs).


         José Carlos Oliveira Soares Junior, ao traçar o seu perfil.




                        Linguagem e Expressão
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As estratégias e discussões de políticas públicas não devem estar
pautadas no pensamento eurocêntrico, que (re)força o senso de
uma cultura colonizada. É preciso que o Estado estude, planeje e
crie estratégias, cuja espinha dorsal tenha como ponto de partida
movimentos e ações endógenas. Sabemos que é caro manter um
grande museu, assim como sabemos que esses templos são
impositivos e ao mesmo tempo segregados do convívio de grande
parte da população local. Não sou contra os museus-templos,
precisamos deles. Concordo que as políticas públicas culturais
devem caminhar para a inclusão sociocultural nos ditos “grandes”
museus, legitimando, no entanto, as ações sociais já existentes e
resistentes, especialmente em periferias. As práticas sociais de
humanização, “de afetos”, nos museus, não podem passar a “existir”
para o Estado somente através das grandes instituições.
                                                  Pablo Ramoz, em post de 16/10/2012.
                          Linguagem e Expressão

Quebradas (aula 27 de novembro)

  • 1.
    Universidade das Quebradas Linguagem e Expressão
  • 2.
    Universidade das Quebradas Paracomeçar Tomei coragem para publicar algo e escrever mais. Cassiano, na pós-aula de Eucanaã. Linguagem e Expressão
  • 3.
    Universidade das Quebradas Comose organizam os textos? Linguagem e Expressão
  • 4.
    Universidade das Quebradas Narração Erauma vez na beira do rio Parnaíba, caudaloso e cheio de perigos, havia Crispim, pescador, e sua mãe, que moravam em uma tapera. Dia com muito vento e pescador não conseguiu pegar nada. Voltou para casa bêbado e praguejando que estava com fome, a mãe correu a dizer que tinha um caldo de osso. O filho, louco de fúria descontrolada, agrediu a mãezinha com um pedaço de osso. A pobre mãe, ensanguentada, indignada e cheia de dor no peito, rogou-lhe praga que haveria de vagar com a cabeça boiando no rio e devorar ou deflorar sete Marias virgens. Clarice Azul, numa pré-aula de Linguagem e Expressão. Linguagem e Expressão
  • 5.
    Universidade das Quebradas Característicasda narração:  Refere-se a um ou mais personagens, situações, tempos e espaços  Mudança de situação do(s) personagem(ns)  Progressão temporal dos eventos  Tempo predominante: pretérito Linguagem e Expressão
  • 6.
    Universidade das Quebradas Descrição Claraestava bem vestidinha. Era inteiramente de crepom o seu vestido, com guarnição de renda caseira, mas bonita e bem trabalhada; o pescoço saía-lhe nu e a gola terminava numa pala debruada de rendas. Calçava sapatos de verniz e meias. Nas orelhas tinha grandes africanas e penteara-se de bandós, rematando o penteado para trás, na altura do pescoço, um coque, fixado por um grande pente de tartaruga ou coisa parecida. Lima Barreto, no livro Clara dos Anjos Linguagem e Expressão
  • 7.
    Universidade das Quebradas Característicasda descrição:  Seres ou objetos concretos  Simultaneidade de propriedades e aspectos  Organização espacial dos elementos descritos  Tempos preferidos: presente e pretérito imperfeito Linguagem e Expressão
  • 8.
    Universidade das Quebradas Exposição Olíder de mudança é aquele que se encarrega de levar adiante as tarefas, enfrentando conflitos, buscando soluções, arriscando-se sempre diante do novo. O contrário dele é o líder de resistência, não podem existir um sem o outro. Os dois são necessários para o equilíbrio do grupo. Esta é a visão de uma relação democrática, pois na relação autoritária e na espontaneísta os encaminhamentos poderão ser outros. Para cada maior acelerada do líder de mudança, maior freio, brecada, do líder de resistência. Isto porque, muitas vezes, o líder de mudança radicaliza suas percepções, encaminhamentos, na direção dos ideais do grupo, descuidando do princípio de realidade. Neste momento o líder de resistência traz para o grupo uma excessiva crítica (princípio de realidade exacerbado), provocando uma desidealização (desilusionamento), produzido assim um contrapeso às propostas do outro. Madalena Freire Linguagem e Expressão
  • 9.
    Universidade das Quebradas Característicasda exposição:  Aborda um tema com termos abstratos  Mostra mudança de situação  Organiza-se por relações de analogia, causa, correspondência, etc.  Tempo predominante: presente Linguagem e Expressão
  • 10.
    Universidade das Quebradas Argumentação Istoé o que querem "os da elite", que as classes menos favorecidas discutam a importância ou não de uma ação afirmativa reparadora para a classe C ou D... 1º Quando criaram um processo de cota que dividia as terras entre os Europeus existentes no Brasil, ninguém polemizou. 2º Quando disseram que cotas para negros é inconstitucional, "muitas pessoas" foram a favor sem levarem em conta a existência de cotas para filhos de militares e outras que favorecem a "grande elite". 3º O debate deveria ser para criarem medidas de acessibilidade para todos os povos desvaforecidos, mas nós ainda ficamos no "EUCENTRISMO” e esquecemos por segundos da desvalorização, agressão, violência física e mental, depreciação e afins feitos pelos povos brancos contra os povos negros e nativos. 4º A mestiçagem foi algo criado como lei /Lei do embranquecimento/, logo discutir mestiçagem é discutir a violência que os brancos fizeram com as mulheres negras durantes anos. Esses pontos podem ser até discutidos, mas são verídicos e históricos. Existiram no Brasil e são os pontos de partida para a discriminação, preconceito, racismo e similares. João Griot, em 22 de novembro de 2012, no Facebook. Linguagem e Expressão
  • 11.
    Universidade das Quebradas Característicasda argumentação:  Defende (ou ataca) uma ideia, um produto, etc.  Busca persuadir o leitor/ouvinte  Usa argumentos e outras estratégias de convencimento Linguagem e Expressão
  • 12.
    Universidade das Quebradas Agoraé sua vez! Qual é o modo de organização destes textos? Em 1993 fomos viajar pelo Rio São Francisco; eu, Guilherme Vasconcelos e Luiz Bolognese. O Guilherme levou Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa. Começou a ler em voz alta quando chegamos em Pirapora. Em pouco tempo virou uma disputa, havia só um livro e três leitores. Foi uma viagem de sertão profundo, o rio era o livro e o livro era o rio. No final cada um foi pra um lado. O livro ficou comigo, quando peguei um ônibus para São Paulo em Penedo, Alagoas. Reli os últimos capítulos já na Dutra. Beá Meira, numa enquete da Universidade das Quebradas. Linguagem e Expressão
  • 13.
    Universidade das Quebradas Ninguémnasce sabendo das histórias. Um narrador é aquele que teve a oportunidade de ouvir muito, tanto que apreendeu, isto é, pescou este peixão simbólico que serve para alimentar entre outras coisas, como compartilhar e agradecer. Coisas que dão valor à vida e garantem a sua sustentação. Esse valor é produzido na qualidade da relação entre pessoas: adultos, crianças, mestres, discípulos, natureza, sociedade e principalmente o eu com o mesmo. É disso que as histórias antigas e longínquas e seus narradores estão falando: a fala do saber viver, do gosto que a vida tem, de preservar a memória desse gosto e de que vale a pena. Rute Casoy, na pré-aula de Linguagem e Expressão. Linguagem e Expressão
  • 14.
    Universidade das Quebradas Eusou um sujeito…meio alto/meio baixo, meio gordo/meio magro, que se você encontrasse no meio de uma multidão, creio que nada chamasse a atenção…mesmo sendo, apesar disso, uma pessoa extremamente peculiar…(ou não, rs). José Carlos Oliveira Soares Junior, ao traçar o seu perfil. Linguagem e Expressão
  • 15.
    Universidade das Quebradas Asestratégias e discussões de políticas públicas não devem estar pautadas no pensamento eurocêntrico, que (re)força o senso de uma cultura colonizada. É preciso que o Estado estude, planeje e crie estratégias, cuja espinha dorsal tenha como ponto de partida movimentos e ações endógenas. Sabemos que é caro manter um grande museu, assim como sabemos que esses templos são impositivos e ao mesmo tempo segregados do convívio de grande parte da população local. Não sou contra os museus-templos, precisamos deles. Concordo que as políticas públicas culturais devem caminhar para a inclusão sociocultural nos ditos “grandes” museus, legitimando, no entanto, as ações sociais já existentes e resistentes, especialmente em periferias. As práticas sociais de humanização, “de afetos”, nos museus, não podem passar a “existir” para o Estado somente através das grandes instituições. Pablo Ramoz, em post de 16/10/2012. Linguagem e Expressão