Universidade das Quebradas
Linguagem e Expressão
Universidade das Quebradas

Para começar

A aula me trouxe a certeza de que fica muito
difícil analisar a nacionalidade brasileira sob uma
só perspectiva, uma vez que somos essa confusão
toda.

Rogéria Reis

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Como se organizam os textos?

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Narração

Nisto, ecoou na estalagem um bramido de fera enraivecida:
Firmo acabava de receber, sem esperar, uma formidável
cacetada na cabeça. É que Jerônimo havia corrido à casa e
armara-se com o seu varapau minhoto. E então o mulato,
com o rosto banhado de sangue, refilando as presas e
espumando de cólera, erguera o braço direito, onde se viu
cintilar a lâmina de uma navalha. Fez-se uma debandada
em volta dos dois adversários, estrepitosa, cheia de pavor.
Aluísio de Azevedo
O cortiço, capítulo X
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Características da narração:

 Referência a um ou mais personagens,
situações, tempos e espaços
 Mudança de situação do(s) personagem(ns)
 Progressão temporal dos eventos
 Tempo predominante: pretérito
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Descrição
Não me demoro em descrevê-lo. Imagina só que trazia o calo do
ofício, o sorriso aprovador, a fala branda e cautelosa, o ar da
ocasião, a expressão adequada, tudo tão bem distribuído que era
um gosto ouvi-lo e vê-lo. Talvez a pele da cara rapada estivesse
prestes a mostrar os primeiros sinais do tempo. Ainda assim o
bigode, que era moço na cor e no apuro com que acabava em ponta
fina e rija, daria um ar de frescura ao rosto, quando o meio século
chegasse. O mesmo faria o cabelo, vagamente grisalho, apartado ao
centro. No alto da cabeça havia um início de calva. Na botoeira uma
flor eterna.
Machado de Assis
Esaú e Jacó, capítulo XII
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Características da descrição:
 Seres ou objetos concretos
 Simultaneidade de propriedades e aspectos

 Organização espacial dos elementos descritos
 Tempos preferidos: presente e pretérito
imperfeito
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Exposição
Há muito remédio contra a insônia. O mais vulgar é contar de um
até mil, dois mil, três mil ou mais, se a insônia não ceder logo. É
remédio que ainda não fez dormir ninguém, ao que parece, mas não
importa. Até agora, todas as aplicações eficazes contra a tísica vão
de par com a noção de que a tísica é incurável. Convém que os
homens afirmem o que não sabem, e, por ofício, o contrário do que
sabem; assim se forma esta outra incurável, a Esperança.
Machado de Assis
Esaú e Jacó, capítulo LXXXIII

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Características da exposição:

 Abordagem de um tema com termos
abstratos
 Mudança de situação
 Organização por relações de analogia, causa,
correspondência, etc.
 Tempo predominante: presente
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Argumentação
Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e
duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos,
que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há
batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do
campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz
nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a
outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações,
recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra
não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de
que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo
motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a
destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
Machado de Assis
Quincas Borba, capítulo VI
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Características da argumentação:

 Defesa (ou ataque) de uma ideia, um
produto, etc.
 Objetivo: convencimento do leitor/ouvinte
 Uso de argumentos e outras estratégias de
convencimento

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Injunção

Se você ainda é um aluno, faça uma pequena revolução na
próxima aula. Coloque as cadeiras em semicírculo. Identifique
um problema de sua comunidade, da favela ao lado, da própria
faculdade ou escola, e tente encontrar uma solução. Comece a
treinar sua habilidade de criar consenso e liderança. Se o
professor quiser colaborar, melhor ainda. Lembre-se de que na
vida você terá de ser aprovado pelos seus colegas e futuros
companheiros de trabalho, não pelos seus antigos professores.
Stephen Kanitz
Veja, 18/10/2000

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Características da injunção:

 Orientação para uma ação/ atitude
 Justificativa do pedido, ordem, súplica, etc.
 Predomínio de formas verbais do imperativo

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Qual é o modo de organização destes
textos?

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O carnaval é uma festa dinâmica, sempre sujeita a
constante transformação e mudanças. Sempre
influenciada pela Europa, pelos terreiros de candomblé,
pela elite e pelo povo, ela toma seus atuais contornos na
primeira metade do séc. XX, com as primeiras marchinhas
e com as fantasias de inspiração europeia.
Márcio Rufino

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O teatro representa uma sala. No fundo, porta de entrada;
à esquerda, duas janelas de sacadas, e à direita, duas
portas que dão para o interior. Todas as portas e janelas
terão cortinas de cassa branca. À direita, entre as duas
portas, um sofá, cadeiras, uma mesa redonda com um
candeeiro francês aceso, duas jarras com flores naturais,
alguns bonecos de porcelana; à esquerda, entre as
janelas, mesas pequenas com castiçais de mangas de vidro
e jarras com flores. Cadeiras pelos vazios das paredes.
Todos estes móveis devem ser ricos.
Cenário do Ato Único de Os dois ou o inglês maquinista, de Martins Pena.
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Já era tarde e, ao passar próximo da casa do irmão, eles
resolveram então passar a noite lá. Chegando na casa, todos
entraram e foram muito bem recebidos. Obará pediu à esposa
que preparasse comida e bebida para todos, e acabaram com
toda a comida da casa. Logo os irmãos foram embora sem
agradecer, mas antes lhe deixaram as abóboras como presente,
até porque de nada esse presente valia para os irmãos.
No almoço, a esposa de Obará falou que não havia mais nada o
que comer, só as abóboras que não estavam boas, mas Obará
pediu-lhe que as fizesse assim mesmo. Quando abriram as
abóboras, havia riquezas em ouro e pedras preciosas e Obará
prosperou.
Fábio Augusto
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Queres uma prova da superioridade do meu sistema? Contempla a inveja. Não há
moralista grego ou turco, cristão ou muçulmano, que troveje contra o sentimento
da inveja, O acordo é universal, desde os campos da Idumeia até o Alto da Tijuca.
Ora bem; abre mão dos velhos preconceitos, esquece as retóricas rafadas, e estuda
a inveja, esse sentimento tão sutil e tão nobre. Sendo cada homem uma redução de
Humanitas, é claro que nenhum homem é fundamentalmente oposto a outro
homem, quaisquer que sejam as aparências contrárias. Assim, por exemplo, o algoz
que executa o condenado pode excitar o vão clamor dos poetas; mas
substancialmente é Humanitas que corrige em Humanitas uma infração da lei de
Humanitas. O mesmo direi do indivíduo que estripa a outro; é uma manifestação
da força de Humanitas. Nada obsta (e há exemplos) que ele seja igualmente
estripado. Se entendeste bem, facilmente compreenderás que a inveja não é senão
uma admiração que luta, e sendo a luta a grande função do gênero humano, todos
os sentimentos belicosos são os mais adequados à sua felicidade. Daí vem que a
inveja é uma virtude.
Machado de Assis
Memórias póstumas de Brás Cubas, capítulo CXVII
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Quebradas (aula 12 de novembro 2013)

  • 1.
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    Universidade das Quebradas Paracomeçar A aula me trouxe a certeza de que fica muito difícil analisar a nacionalidade brasileira sob uma só perspectiva, uma vez que somos essa confusão toda. Rogéria Reis Linguagem e Expressão
  • 3.
  • 4.
  • 5.
  • 6.
    Universidade das Quebradas Comose organizam os textos? Linguagem e Expressão
  • 7.
    Universidade das Quebradas Narração Nisto,ecoou na estalagem um bramido de fera enraivecida: Firmo acabava de receber, sem esperar, uma formidável cacetada na cabeça. É que Jerônimo havia corrido à casa e armara-se com o seu varapau minhoto. E então o mulato, com o rosto banhado de sangue, refilando as presas e espumando de cólera, erguera o braço direito, onde se viu cintilar a lâmina de uma navalha. Fez-se uma debandada em volta dos dois adversários, estrepitosa, cheia de pavor. Aluísio de Azevedo O cortiço, capítulo X Linguagem e Expressão
  • 8.
    Universidade das Quebradas Característicasda narração:  Referência a um ou mais personagens, situações, tempos e espaços  Mudança de situação do(s) personagem(ns)  Progressão temporal dos eventos  Tempo predominante: pretérito Linguagem e Expressão
  • 9.
    Universidade das Quebradas Descrição Nãome demoro em descrevê-lo. Imagina só que trazia o calo do ofício, o sorriso aprovador, a fala branda e cautelosa, o ar da ocasião, a expressão adequada, tudo tão bem distribuído que era um gosto ouvi-lo e vê-lo. Talvez a pele da cara rapada estivesse prestes a mostrar os primeiros sinais do tempo. Ainda assim o bigode, que era moço na cor e no apuro com que acabava em ponta fina e rija, daria um ar de frescura ao rosto, quando o meio século chegasse. O mesmo faria o cabelo, vagamente grisalho, apartado ao centro. No alto da cabeça havia um início de calva. Na botoeira uma flor eterna. Machado de Assis Esaú e Jacó, capítulo XII Linguagem e Expressão
  • 10.
    Universidade das Quebradas Característicasda descrição:  Seres ou objetos concretos  Simultaneidade de propriedades e aspectos  Organização espacial dos elementos descritos  Tempos preferidos: presente e pretérito imperfeito Linguagem e Expressão
  • 11.
    Universidade das Quebradas Exposição Hámuito remédio contra a insônia. O mais vulgar é contar de um até mil, dois mil, três mil ou mais, se a insônia não ceder logo. É remédio que ainda não fez dormir ninguém, ao que parece, mas não importa. Até agora, todas as aplicações eficazes contra a tísica vão de par com a noção de que a tísica é incurável. Convém que os homens afirmem o que não sabem, e, por ofício, o contrário do que sabem; assim se forma esta outra incurável, a Esperança. Machado de Assis Esaú e Jacó, capítulo LXXXIII Linguagem e Expressão
  • 12.
    Universidade das Quebradas Característicasda exposição:  Abordagem de um tema com termos abstratos  Mudança de situação  Organização por relações de analogia, causa, correspondência, etc.  Tempo predominante: presente Linguagem e Expressão
  • 13.
    Universidade das Quebradas Argumentação Daío caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. Machado de Assis Quincas Borba, capítulo VI Linguagem e Expressão
  • 14.
    Universidade das Quebradas Característicasda argumentação:  Defesa (ou ataque) de uma ideia, um produto, etc.  Objetivo: convencimento do leitor/ouvinte  Uso de argumentos e outras estratégias de convencimento Linguagem e Expressão
  • 15.
    Universidade das Quebradas Injunção Sevocê ainda é um aluno, faça uma pequena revolução na próxima aula. Coloque as cadeiras em semicírculo. Identifique um problema de sua comunidade, da favela ao lado, da própria faculdade ou escola, e tente encontrar uma solução. Comece a treinar sua habilidade de criar consenso e liderança. Se o professor quiser colaborar, melhor ainda. Lembre-se de que na vida você terá de ser aprovado pelos seus colegas e futuros companheiros de trabalho, não pelos seus antigos professores. Stephen Kanitz Veja, 18/10/2000 Linguagem e Expressão
  • 16.
    Universidade das Quebradas Característicasda injunção:  Orientação para uma ação/ atitude  Justificativa do pedido, ordem, súplica, etc.  Predomínio de formas verbais do imperativo Linguagem e Expressão
  • 17.
    Universidade das Quebradas Qualé o modo de organização destes textos? Linguagem e Expressão
  • 18.
    Universidade das Quebradas Ocarnaval é uma festa dinâmica, sempre sujeita a constante transformação e mudanças. Sempre influenciada pela Europa, pelos terreiros de candomblé, pela elite e pelo povo, ela toma seus atuais contornos na primeira metade do séc. XX, com as primeiras marchinhas e com as fantasias de inspiração europeia. Márcio Rufino Linguagem e Expressão
  • 19.
    Universidade das Quebradas Oteatro representa uma sala. No fundo, porta de entrada; à esquerda, duas janelas de sacadas, e à direita, duas portas que dão para o interior. Todas as portas e janelas terão cortinas de cassa branca. À direita, entre as duas portas, um sofá, cadeiras, uma mesa redonda com um candeeiro francês aceso, duas jarras com flores naturais, alguns bonecos de porcelana; à esquerda, entre as janelas, mesas pequenas com castiçais de mangas de vidro e jarras com flores. Cadeiras pelos vazios das paredes. Todos estes móveis devem ser ricos. Cenário do Ato Único de Os dois ou o inglês maquinista, de Martins Pena. Linguagem e Expressão
  • 20.
    Universidade das Quebradas Jáera tarde e, ao passar próximo da casa do irmão, eles resolveram então passar a noite lá. Chegando na casa, todos entraram e foram muito bem recebidos. Obará pediu à esposa que preparasse comida e bebida para todos, e acabaram com toda a comida da casa. Logo os irmãos foram embora sem agradecer, mas antes lhe deixaram as abóboras como presente, até porque de nada esse presente valia para os irmãos. No almoço, a esposa de Obará falou que não havia mais nada o que comer, só as abóboras que não estavam boas, mas Obará pediu-lhe que as fizesse assim mesmo. Quando abriram as abóboras, havia riquezas em ouro e pedras preciosas e Obará prosperou. Fábio Augusto Linguagem e Expressão
  • 21.
    Universidade das Quebradas Queresuma prova da superioridade do meu sistema? Contempla a inveja. Não há moralista grego ou turco, cristão ou muçulmano, que troveje contra o sentimento da inveja, O acordo é universal, desde os campos da Idumeia até o Alto da Tijuca. Ora bem; abre mão dos velhos preconceitos, esquece as retóricas rafadas, e estuda a inveja, esse sentimento tão sutil e tão nobre. Sendo cada homem uma redução de Humanitas, é claro que nenhum homem é fundamentalmente oposto a outro homem, quaisquer que sejam as aparências contrárias. Assim, por exemplo, o algoz que executa o condenado pode excitar o vão clamor dos poetas; mas substancialmente é Humanitas que corrige em Humanitas uma infração da lei de Humanitas. O mesmo direi do indivíduo que estripa a outro; é uma manifestação da força de Humanitas. Nada obsta (e há exemplos) que ele seja igualmente estripado. Se entendeste bem, facilmente compreenderás que a inveja não é senão uma admiração que luta, e sendo a luta a grande função do gênero humano, todos os sentimentos belicosos são os mais adequados à sua felicidade. Daí vem que a inveja é uma virtude. Machado de Assis Memórias póstumas de Brás Cubas, capítulo CXVII Linguagem e Expressão