PRINCIPIO VITAL
Seres Orgânicos e Inorgânicos - Princípio Vital Todos os corpos, minerais, vegetais, animados ou inanimados, sólidos, líquidos ou gasosos, por mais infinita que seja a sua variedade, podem ser classificados em dois grandes grupos: seres inorgânicos e seres orgânicos.
Seres Inorgânicos Seres inorgânicos são todos aqueles que não possuem vitalidade, nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar, etc... (LE - 1º. Cap. IV - ítem - intr.).  A partir das transformações do Fluido Universal surgem os elementos materiais que, sob determinadas condições e circunstâncias, vão propiciar a formação dos corpos no mundo material. Eles compõem os elementos encontrados na Natureza e classificados pela Química na Tabela Periódica dos Elementos. Os corpos inorgânicos são compostos por uma força de atração, subordinada qualitativa e quantitativamente a leis estabelecidas pela Química e pela Física, as quais governam a estabilidade da agregação de seus elementos.
Seres Orgânicos Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida: nascem, crescem, reproduzem-se e morrem.  São providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida e apropriados às necessidades da própria conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. (LE - Livro 1º. - Cap. IV - ítem i - Intr.), cuja escala ascendente inicia-se nos microorganismos, virus, bactérias e gérmens.  Na sua formação não entra nenhum corpo ou elemento especial que não seja encontrado nos seres inorgânicos, e isto porque há uma cadeia evolutiva envolvendo a criação divina. Todos os elos dessa cadeia têm um ponto em comum com o elo precedente.  A diferença primordial e essencial entre os seres inorgânicos e os orgânicos, é que nos seres orgânicos constata-se a presença do princípio vital que se une à matéria inorgânica, animalizando-a.
Princípio Vital O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos (LE, perg. 67a). É um dos elementos necessários à constituição do universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal (LE, perg.64). Tomando como exemplo a fórmula: CARBONO + HIDROGÊNIO + NITROGÊNIO, tem-se como resultado uma substância inorgânica qualquer. Mas se essa fórmula tiver condições adequadas para assimilar o princípio vital, haverá uma modificação na sua estrutura molecular resultando, ao invés de uma molécula mineral, o surgimento de uma célula orgânica. O Princípio Vital é o mesmo para todos os seres orgânicos, porém, sensivelmente modificado segundo as espécies (LE, perg. 66).  São sutis ajustes da mesma natureza dos que ocorrem no Fluido Universal, que se estendem também ao princípio vital, de modo a tipificar cada elemento ou cada célula dos seres orgânicos.
Para se ter uma idéia de como o Fluido Universal pode apresentar formas diferenciadas, basta compará-lo aos sons emitidos por um piano.  Ao se dedilhar as teclas, todos os sons da escala não passam de vibrações emitidas pelas cordas. Contudo, eles se diferenciam sensivelmente uns dos outros, sem se confundirem.  E mais: esses mesmos sons, emitidos por outro instrumento, podem até serem uníssonos, apresentando as mesmas frequências. Novamente, porém, mantém-se uma sutil assintonia, um timbre que permite identificar uma e outra fonte emissora. E ainda aqui, tais sons não se confundem continuam diferenciados.
A Vida e a Morte A Vida:  Qual a causa da animalização da matéria? –  Sua união com o Princípio Vital (LE, perg. 62).  Ao mesmo tempo que o princípio vital atua sobre a matéria e por ela se deixa viabilizar, a matéria, por sua vez, também assimila e reage sobre este; ambos repercutem magneticamente um sobre o outro, em igualdade de sintonia e intensidade. Vale dizer que, se de um lado ele impulsiona os órgãos deste corpo, ao mesmo tempo se desenvolve por força dessa ação.
A Morte:  A causa da morte nos seres orgânicos é a exaustão dos órgãos (LE, perg. 68).  Isto ocorre quando a relação biunívoca entre o princípio vital e a matéria se quebra, cessando a harmonia.  A Química consegue fazer a análise (decomposição) e a síntese (recomposição) da grande maioria dos corpos inorgânicos e orgânicos. Contudo, ela jamais conseguiu nem conseguirá reconstruir um ser vivente, porque o princípio vital se esvai do ser orgânico fenecido.  No organismo morto, seja vegetal, seja animal, está extinto o principio vital; a centelha divina criadora da vida, nele não mais existe. É por isso que a Química não consegue reconstituir os elementos formativos dos corpos orgânicos porque, não existindo a causa, não lhe é possível reproduzir o efeito. Sobrevém então a morte e a matéria inerte se decompõe, retornando à suas origens, no aguardo de uma nova oportunidade para formar outros organismos.
INSTINTO E INTELIGÊNCIA Ao classificar os seres, segundo o grau de evolução, podemos fazer a seguinte distinção: 1 - os seres inanimados, formados somente de matéria, sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2 - os seres animados não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3 - os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade, e tendo ainda um princípio inteligente que os leva a pensar (LE, perg. 71)
INSTINTO No primeiro caso, os corpos brutos não possuem nenhuma manifestação de vitalidade ou de inteligência. Caracterizam-se pela inércia.  No segundo, os seres vivos, embora não considerados seres inteligentes, já manifestaram um início de inteligência ainda rudimentar, que seria o instinto.  Pode-se afirmar, com efeito, que o instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às sua necessidades (LE, perg. 73). É difícil assinalar onde acaba um e começa o outro, porque eles frequentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência (LE, perg. 74)
O instinto compreende um conjunto de atos involuntários e inconscientes. Todo ato maquinal é instintivo, enquanto inteligência revela-se por atos voluntários, refletidos e premeditados, segundo as circunstâncias. Já os atos intintivos não são refletidos nem premeditados.  Quando o homem anda, o faz instintivamente sem refletir nos seus próprios passos, mas desvia ao precisar transpor um obstáculo quando precisa diminuir ou acelerar seu passo, etc...  O impulso involuntário do movimento é o ato instintivo, enquanto que a direção calculada do movimento vem a ser o ato inteligente.
O instinto predomina no ser humano com exclusividade no início de sua vida; é a própria expressão infantil que faz dar os primeiros passos em direção à sua maturidade.  A tendência é as manifestações instintivas enfraquecerem-se pela predominância da inteligência, mas ele estará sempre presente.  O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades.  Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade (LE, perg. 75a).
INTELIGÊNCIA Não se pode tomar a inteligência como sendo um atributo do princípio vital, pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que vida orgânica (LE, perg. 71).  É assim que existem seres animados não pensantes, e seres animados pensantes, sendo que esses últimos possuem de forma manifesta o princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar. A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos, aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover suas necessidades (LE, perg. 71).
Efetivamente, somente os Espíritos enquanto individualizações podem ser considerados seres inteligentes na criação, pois podem conhecer e refletir sobre o mundo exterior em que vivem, e possuem, sobretudo, consciência de si mesmos, de sua existência e de sua individualidade.  É assim que a Biologia denomina o homem como "sapiens sapiens", ou seja, o ser que sabe que sabe, que reflexiona a inteligência sobre si mesma.  Com efeito, a consciência lhe confere o atributo da vontade e da liberdade, o que o difere especificamente dos outros seres naturais do mesmo gênero.
CONDIÇÕES E EFICÁCIA DA PRECE "O que quer que seja que pedirdes na prece, crede que obtereis, e vos será concedido“  (Marcos, cap. XI, v. 24)”
A prece é uma invocação; é o mais elevado veículo de ligação através do qual o homem coloca-se em relação mental com a espiritualidade.  É uma projeção do pensamento, a partir do qual irá se estabelecer uma corrente fluídica cuja intensidade dependerá do teor vibratório de quem ora, e nisto reside o seu poder e o seu alcance, pois nesta relação fluídica o homem atrai para si ajuda dos Espíritos Superiores a lhe inspirar bons pensamentos.
CONDIÇÕES DA PRECE Jesus Cristo fez entender claramente que, quando alguém ora, não é preciso colocar-se em evidência.  A prece deve ser feita em segredo, no recôndito da consciência e em profunda meditação.  Não é necessário que ela seja proferida repetidamente.  Preces prolongadas ou repetidas e mesmo proferidas em idioma estranho, tornam-se fastidiosas e, muitas vezes, delas não participam o pensamento e o coração.
Assim, a condição da prece está no pensamento reto, podendo-se orar em qualquer lugar, a qualquer hora, a sós ou em conjunto, desde que haja o recolhimento íntimo necessário para se estabelecer a sintonia harmoniosa no ato sublime de louvar, agradecer e rogar a Deus o auxílio necessário.  Por isto a importância do sentimento amoroso, humilde, piedoso, livre de qualquer ressentimento ou mágoa, pois só assim o homem irá absorver a força moral necessária para vencer as dificuldades com seus próprios méritos.
EFICÁCIA DA PRECE Existem aqueles que contestam a eficácia da prece, alegando que pelo fato de Deus conhecer as necessidades humanas, torna-se dispensável o ato de orar, pois sendo o Universo regido por leis sábias e eternas, as súplicas jamais poderão alterar os desígnios do Criador.  No entanto, o ensinamento de Jesus vem esclarecer que a justiça divina não é inflexível ao ponto de não atender os que lhe fazem súplicas.  Ocorre que existem determinadas leis naturais e imutáveis que não se alteram segundo os caprichos de cada um. Porém, isso não deve levar à crença de que tudo esteja submetido à fatalidade.  O homem desfruta do livre-arbítrio para compor a trajetória de sua encarnação, pois Deus não lhe concedeu a inteligência e o entendimento para que não os utilizasse.
Existem acontecimentos na vida atual aos quais o homem não pode furtar-se; são consequências de falhas e deslizes cometidos em vidas passadas que necessitam de reajustes; é a aplicação da Lei de Causa e Efeito e isto explica porque alguns alegam que pedem benefícios a Deus, mas que nunca são concedidos, o que parece, a princípio, contrariar o ensinamento de Jesus:  "Aquilo que pedirdes pela prece vos será dado" (Marcos, cap. XI, v. 24).  Muitas coisas que na vida presente parecem úteis e essenciais para a felicidade do homem, poderão ser-lhe prejudiciais e esta é a razão por que elas não lhe são concedidas. Contudo, o egoísmo e o imediatismo não permitem que ele perceba com exatidão a eficácia da prece.  Porém, seus efeitos ocorrem segundo os desígnios divinos, a curto prazo na medida em que consola, alivia os sofrimentos, reanima e encoraja; a médio e longo prazo porque pelo pensamento edificante dá-se a aproximação das forças do bem a restaurar as energias de quem ora.
Àquele que pede, Deus está sempre pronto a conceder-lhe a coragem, a paciência, a resignação para enfrentar as dificuldades e os dissabores inerentes à natureza humana, com idéias que lhes são sugeridas pelos Espíritos benfeitores, deixando-lhe contudo o mérito da ação, e isto porque não se deve ficar ocioso à espera de um milagre, pois a Providência Divina sempre ampara os que se ajudam a si mesmos:  "Ajuda-te e o céu te ajudará" (ESE, cap. XXVII, ítem 7). Jesus ensinou que um fariseu e um publicano foram ao templo para orar.  O primeiro era tido como um homem virtuoso, respeitável sob todos os aspectos, embora ocultasse costumes dissolutos.  O segundo era considerado homem corrupto e eivado de maus pendores.
O fariseu, tomado de orgulho e olhando para o Alto, orava:  "Ó Deus, graças te dou, porque não sou igual aos demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou o dizimo de tudo o que possuo" (Lucas, cap. XVIII, v. 9 a 14).  O publicano por sua vez, sem ousar levantar os olhos, assim orava:  "Ó Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador!" Afirmou então o Mestre que este último saiu do Templo justificado, porque Deus ouviu a sua prece, ao contrário do fariseu, pois "quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado“ (Lucas, cap. XVIII, v. 9 a 14).
Assim, deve-se notar o fato de o publicano ter pronunciado reduzido número de palavras e, no entanto, sua prece foi acolhida, porque nela havia humildade e devotamento, ao contrário do fariseu, cujo coração estava repleto de maldade, de egoísmo e de orgulho. Portanto, a eficácia da prece está na dependência da renovação íntima do homem, em que deve prevalecer a linguagem do amor, do perdão e da humildade para que ele possa assim, de coração liberto de sentimentos negativos, agradecer a Deus a dádiva da vida.
BIBLIOGRAFIA Livro dos Espíritos Evangelho Segundo o Espiritismo

Primeiro Módulo - Aula 5 - Principio vital

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    Seres Orgânicos eInorgânicos - Princípio Vital Todos os corpos, minerais, vegetais, animados ou inanimados, sólidos, líquidos ou gasosos, por mais infinita que seja a sua variedade, podem ser classificados em dois grandes grupos: seres inorgânicos e seres orgânicos.
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    Seres Inorgânicos Seresinorgânicos são todos aqueles que não possuem vitalidade, nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar, etc... (LE - 1º. Cap. IV - ítem - intr.). A partir das transformações do Fluido Universal surgem os elementos materiais que, sob determinadas condições e circunstâncias, vão propiciar a formação dos corpos no mundo material. Eles compõem os elementos encontrados na Natureza e classificados pela Química na Tabela Periódica dos Elementos. Os corpos inorgânicos são compostos por uma força de atração, subordinada qualitativa e quantitativamente a leis estabelecidas pela Química e pela Física, as quais governam a estabilidade da agregação de seus elementos.
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    Seres Orgânicos Osseres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida: nascem, crescem, reproduzem-se e morrem. São providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida e apropriados às necessidades da própria conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. (LE - Livro 1º. - Cap. IV - ítem i - Intr.), cuja escala ascendente inicia-se nos microorganismos, virus, bactérias e gérmens. Na sua formação não entra nenhum corpo ou elemento especial que não seja encontrado nos seres inorgânicos, e isto porque há uma cadeia evolutiva envolvendo a criação divina. Todos os elos dessa cadeia têm um ponto em comum com o elo precedente. A diferença primordial e essencial entre os seres inorgânicos e os orgânicos, é que nos seres orgânicos constata-se a presença do princípio vital que se une à matéria inorgânica, animalizando-a.
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    Princípio Vital Oprincípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos (LE, perg. 67a). É um dos elementos necessários à constituição do universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal (LE, perg.64). Tomando como exemplo a fórmula: CARBONO + HIDROGÊNIO + NITROGÊNIO, tem-se como resultado uma substância inorgânica qualquer. Mas se essa fórmula tiver condições adequadas para assimilar o princípio vital, haverá uma modificação na sua estrutura molecular resultando, ao invés de uma molécula mineral, o surgimento de uma célula orgânica. O Princípio Vital é o mesmo para todos os seres orgânicos, porém, sensivelmente modificado segundo as espécies (LE, perg. 66). São sutis ajustes da mesma natureza dos que ocorrem no Fluido Universal, que se estendem também ao princípio vital, de modo a tipificar cada elemento ou cada célula dos seres orgânicos.
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    Para se teruma idéia de como o Fluido Universal pode apresentar formas diferenciadas, basta compará-lo aos sons emitidos por um piano. Ao se dedilhar as teclas, todos os sons da escala não passam de vibrações emitidas pelas cordas. Contudo, eles se diferenciam sensivelmente uns dos outros, sem se confundirem. E mais: esses mesmos sons, emitidos por outro instrumento, podem até serem uníssonos, apresentando as mesmas frequências. Novamente, porém, mantém-se uma sutil assintonia, um timbre que permite identificar uma e outra fonte emissora. E ainda aqui, tais sons não se confundem continuam diferenciados.
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    A Vida ea Morte A Vida: Qual a causa da animalização da matéria? – Sua união com o Princípio Vital (LE, perg. 62). Ao mesmo tempo que o princípio vital atua sobre a matéria e por ela se deixa viabilizar, a matéria, por sua vez, também assimila e reage sobre este; ambos repercutem magneticamente um sobre o outro, em igualdade de sintonia e intensidade. Vale dizer que, se de um lado ele impulsiona os órgãos deste corpo, ao mesmo tempo se desenvolve por força dessa ação.
  • 8.
    A Morte: A causa da morte nos seres orgânicos é a exaustão dos órgãos (LE, perg. 68). Isto ocorre quando a relação biunívoca entre o princípio vital e a matéria se quebra, cessando a harmonia. A Química consegue fazer a análise (decomposição) e a síntese (recomposição) da grande maioria dos corpos inorgânicos e orgânicos. Contudo, ela jamais conseguiu nem conseguirá reconstruir um ser vivente, porque o princípio vital se esvai do ser orgânico fenecido. No organismo morto, seja vegetal, seja animal, está extinto o principio vital; a centelha divina criadora da vida, nele não mais existe. É por isso que a Química não consegue reconstituir os elementos formativos dos corpos orgânicos porque, não existindo a causa, não lhe é possível reproduzir o efeito. Sobrevém então a morte e a matéria inerte se decompõe, retornando à suas origens, no aguardo de uma nova oportunidade para formar outros organismos.
  • 9.
    INSTINTO E INTELIGÊNCIAAo classificar os seres, segundo o grau de evolução, podemos fazer a seguinte distinção: 1 - os seres inanimados, formados somente de matéria, sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2 - os seres animados não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3 - os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade, e tendo ainda um princípio inteligente que os leva a pensar (LE, perg. 71)
  • 10.
    INSTINTO No primeirocaso, os corpos brutos não possuem nenhuma manifestação de vitalidade ou de inteligência. Caracterizam-se pela inércia. No segundo, os seres vivos, embora não considerados seres inteligentes, já manifestaram um início de inteligência ainda rudimentar, que seria o instinto. Pode-se afirmar, com efeito, que o instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às sua necessidades (LE, perg. 73). É difícil assinalar onde acaba um e começa o outro, porque eles frequentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência (LE, perg. 74)
  • 11.
    O instinto compreendeum conjunto de atos involuntários e inconscientes. Todo ato maquinal é instintivo, enquanto inteligência revela-se por atos voluntários, refletidos e premeditados, segundo as circunstâncias. Já os atos intintivos não são refletidos nem premeditados. Quando o homem anda, o faz instintivamente sem refletir nos seus próprios passos, mas desvia ao precisar transpor um obstáculo quando precisa diminuir ou acelerar seu passo, etc... O impulso involuntário do movimento é o ato instintivo, enquanto que a direção calculada do movimento vem a ser o ato inteligente.
  • 12.
    O instinto predominano ser humano com exclusividade no início de sua vida; é a própria expressão infantil que faz dar os primeiros passos em direção à sua maturidade. A tendência é as manifestações instintivas enfraquecerem-se pela predominância da inteligência, mas ele estará sempre presente. O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade (LE, perg. 75a).
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    INTELIGÊNCIA Não sepode tomar a inteligência como sendo um atributo do princípio vital, pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que vida orgânica (LE, perg. 71). É assim que existem seres animados não pensantes, e seres animados pensantes, sendo que esses últimos possuem de forma manifesta o princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar. A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos, aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover suas necessidades (LE, perg. 71).
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    Efetivamente, somente osEspíritos enquanto individualizações podem ser considerados seres inteligentes na criação, pois podem conhecer e refletir sobre o mundo exterior em que vivem, e possuem, sobretudo, consciência de si mesmos, de sua existência e de sua individualidade. É assim que a Biologia denomina o homem como "sapiens sapiens", ou seja, o ser que sabe que sabe, que reflexiona a inteligência sobre si mesma. Com efeito, a consciência lhe confere o atributo da vontade e da liberdade, o que o difere especificamente dos outros seres naturais do mesmo gênero.
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    CONDIÇÕES E EFICÁCIADA PRECE "O que quer que seja que pedirdes na prece, crede que obtereis, e vos será concedido“ (Marcos, cap. XI, v. 24)”
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    A prece éuma invocação; é o mais elevado veículo de ligação através do qual o homem coloca-se em relação mental com a espiritualidade. É uma projeção do pensamento, a partir do qual irá se estabelecer uma corrente fluídica cuja intensidade dependerá do teor vibratório de quem ora, e nisto reside o seu poder e o seu alcance, pois nesta relação fluídica o homem atrai para si ajuda dos Espíritos Superiores a lhe inspirar bons pensamentos.
  • 17.
    CONDIÇÕES DA PRECEJesus Cristo fez entender claramente que, quando alguém ora, não é preciso colocar-se em evidência. A prece deve ser feita em segredo, no recôndito da consciência e em profunda meditação. Não é necessário que ela seja proferida repetidamente. Preces prolongadas ou repetidas e mesmo proferidas em idioma estranho, tornam-se fastidiosas e, muitas vezes, delas não participam o pensamento e o coração.
  • 18.
    Assim, a condiçãoda prece está no pensamento reto, podendo-se orar em qualquer lugar, a qualquer hora, a sós ou em conjunto, desde que haja o recolhimento íntimo necessário para se estabelecer a sintonia harmoniosa no ato sublime de louvar, agradecer e rogar a Deus o auxílio necessário. Por isto a importância do sentimento amoroso, humilde, piedoso, livre de qualquer ressentimento ou mágoa, pois só assim o homem irá absorver a força moral necessária para vencer as dificuldades com seus próprios méritos.
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    EFICÁCIA DA PRECEExistem aqueles que contestam a eficácia da prece, alegando que pelo fato de Deus conhecer as necessidades humanas, torna-se dispensável o ato de orar, pois sendo o Universo regido por leis sábias e eternas, as súplicas jamais poderão alterar os desígnios do Criador. No entanto, o ensinamento de Jesus vem esclarecer que a justiça divina não é inflexível ao ponto de não atender os que lhe fazem súplicas. Ocorre que existem determinadas leis naturais e imutáveis que não se alteram segundo os caprichos de cada um. Porém, isso não deve levar à crença de que tudo esteja submetido à fatalidade. O homem desfruta do livre-arbítrio para compor a trajetória de sua encarnação, pois Deus não lhe concedeu a inteligência e o entendimento para que não os utilizasse.
  • 20.
    Existem acontecimentos navida atual aos quais o homem não pode furtar-se; são consequências de falhas e deslizes cometidos em vidas passadas que necessitam de reajustes; é a aplicação da Lei de Causa e Efeito e isto explica porque alguns alegam que pedem benefícios a Deus, mas que nunca são concedidos, o que parece, a princípio, contrariar o ensinamento de Jesus: "Aquilo que pedirdes pela prece vos será dado" (Marcos, cap. XI, v. 24). Muitas coisas que na vida presente parecem úteis e essenciais para a felicidade do homem, poderão ser-lhe prejudiciais e esta é a razão por que elas não lhe são concedidas. Contudo, o egoísmo e o imediatismo não permitem que ele perceba com exatidão a eficácia da prece. Porém, seus efeitos ocorrem segundo os desígnios divinos, a curto prazo na medida em que consola, alivia os sofrimentos, reanima e encoraja; a médio e longo prazo porque pelo pensamento edificante dá-se a aproximação das forças do bem a restaurar as energias de quem ora.
  • 21.
    Àquele que pede,Deus está sempre pronto a conceder-lhe a coragem, a paciência, a resignação para enfrentar as dificuldades e os dissabores inerentes à natureza humana, com idéias que lhes são sugeridas pelos Espíritos benfeitores, deixando-lhe contudo o mérito da ação, e isto porque não se deve ficar ocioso à espera de um milagre, pois a Providência Divina sempre ampara os que se ajudam a si mesmos: "Ajuda-te e o céu te ajudará" (ESE, cap. XXVII, ítem 7). Jesus ensinou que um fariseu e um publicano foram ao templo para orar. O primeiro era tido como um homem virtuoso, respeitável sob todos os aspectos, embora ocultasse costumes dissolutos. O segundo era considerado homem corrupto e eivado de maus pendores.
  • 22.
    O fariseu, tomadode orgulho e olhando para o Alto, orava: "Ó Deus, graças te dou, porque não sou igual aos demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou o dizimo de tudo o que possuo" (Lucas, cap. XVIII, v. 9 a 14). O publicano por sua vez, sem ousar levantar os olhos, assim orava: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador!" Afirmou então o Mestre que este último saiu do Templo justificado, porque Deus ouviu a sua prece, ao contrário do fariseu, pois "quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado“ (Lucas, cap. XVIII, v. 9 a 14).
  • 23.
    Assim, deve-se notaro fato de o publicano ter pronunciado reduzido número de palavras e, no entanto, sua prece foi acolhida, porque nela havia humildade e devotamento, ao contrário do fariseu, cujo coração estava repleto de maldade, de egoísmo e de orgulho. Portanto, a eficácia da prece está na dependência da renovação íntima do homem, em que deve prevalecer a linguagem do amor, do perdão e da humildade para que ele possa assim, de coração liberto de sentimentos negativos, agradecer a Deus a dádiva da vida.
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    BIBLIOGRAFIA Livro dosEspíritos Evangelho Segundo o Espiritismo