INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO CEARÁ
CAMPUS SOBRAL
EIXO TECNOLÓGICO DE RECURSOS HÍDRICOS
CURSO DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM
DISCIPLINA: FITOSSANIDADE
PIMENTÃO (Capsicum Annuum L.)
James do Nascimento Costa
INTRODUÇÃO
Originário da América Central, o Pimentão, Capsicum Annuum L. (Solanaceae), é uma das 10
hortaliças de maior consumo no Brasil, ocupando significante área de plantio. Além de cultivares de
frutos vermelhos, quando maduros, existem diversos híbridos coloridos, com cores que variam do
marfim ao púrpuro, passando pelo creme, amarelo e laranja. Os frutos apresentam quatro formatos
típicos: retangular, cônico, quadrado e blocky.
A área de pimentão cultivada anualmente no Brasil é em torno de 13 mil hectares, com a
produção de 350 mil toneladas de frutos.
DESCRIÇÃO BOTÂNICA:
Subarbusto ramificado anual ou bienal; caule lenhoso com ramos eretos, angulosos e
pubescentes; folhas simples, inteiras, oval acuminadas, glabras, de coloração verde escura, e de
tamanho variado; flores simples, pequenas e numerosas, pétalas brancas, aparecendo na inserção
dos ramos; Sua forma de propagação é através de sementes.
OS FATORES DA DECISÃO
A cultura do pimentão pode ser plantada, em diferentes modalidades de cultivo. No entanto, cabe
ao produtor rural a tomada de decisão para determinar a que melhor se adapta à sua realidade, levando
em consideração seguintes os fatores de produção:
• clima;
• solo;
• água;
• infraestrutura e outros.
Devem ser também observados os fatores de mercado:
• proximidade do mercado consumidor;
• tamanho da área;
• canais de comercialização e outros.
De acordo com as preferências do mercado consumidor é que se determina os tipos de
pimentão a serem plantados. Alguns mercados preferem pimentões pequenos, daí se planta os
pimentões curtos ou "block", muito comuns nas regiões Norte e Nordeste do país. Já os
cônicos são responsáveis pela mais importante área de cultivo. O de formato retangular,
intermediário entre curto e cônico longo, de parede mais grossa, melhor qualidade de consumo
através da boa digestibilidade e melhor rendimento, é o mais consumido nos países do
Mercosul para os quais o Brasil tem se tornado importante fornecedor.
MODALIDADES DE CULTIVO
A definição da modalidade de cultivo é o passo mais importante para
o sucesso do plantio. As principais modalidades são as seguintes:
1. Plantio a campo aberto: O sistema de irrigação a ser
utilizado vai depender da quantidade de água disponível,
solos e outros fatores existentes na propriedade rural.
OS FATORES DA DECISÃO
O sucesso do plantio em campo aberto vai depender do
controle integrado de pragas e doenças por apresentar alto
risco devido à sua vulnerabilidade
2 . Plantio a campo aberto em canteiros com
cobertura de plástico (mulching): Os produtores, em
geral, preferem canteiros com 50 m de comprimento, a
fim de padronizar e uniformizar o uso da irrigação.
Benefícios: eliminação de plantas invasoras, evitando as
capinas; impedimento de perdas da água; melhor
aproveitamento dos nutrientes pelas plantas; colheitas
mais precoces e, consequentemente, maiores ganhos de
produtividade pela produção chegar antes no mercado.
Detalhe do plantio em campo aberto com mulching em fileira simples
Detalhe do plantio em campo aberto com mulching em fileira dupla
3. Plantio em Estufas: Esse sistema é adequado para uso
na época das chuvas, para proteger as plantas do excesso
de água. Apresenta vantagens competitivas, tais como:
colheita na entressafra, obtendo produção em épocas de
melhores preços; precocidade da colheita; ampliação do
período de safra; melhoria da qualidade; e
principalmente, na pós-colheita, redução dos gastos com
agrotóxicos, adubos e mão de obra, além do aumento da
produtividade.
Plantio em estufa, além de produzir em média 180 toneladas por
hectare, é o mais indicado para o cultivo de pimentões coloridos
MODALIDADES DE CULTIVO
MODALIDADES DE CULTIVO
4. Plantio em telados: O plantio em geral
é feito em fileira dupla (tecnologia que
agrega aumento de produtividade, porém,
com maior risco de incidência de pragas e
doenças). Esse sistema é ideal para uso na
época da seca, a fim de proteger os frutos
contra raios solares, ventos secos, bem
como minimizar os impactos das chuvas
sobre as plantas. Plantio em telado protege os frutos contra raios solares, ventos secos e das chuvas
sobre as plantas; a produtividade em média é de 120 toneladas por hectare.
Espaçamento de 80 X 40 cm entre linhas e plantas, respectivamente. Adapta-se bem
em regiões de clima quente. Prefere solos bem arejados, com bom teor de matéria orgânica,
bem drenados e pouco ácidos, de textura média, podendo ser arenosos, dado que é uma
planta sensível à asfixia radicular.
DICAS DE PRODUÇÃO:
DICAS DE PRODUÇÃO:
TEMPERATURA:
É uma planta exigente em temperatura, sobretudo se a variedade é de polpa grossa. A ideal
para a germinação se situa em volta de 25°C. E para um desenvolvimento adequado,
temperaturas entre 20 e 25°C, sendo esta também ideal para a floração e frutificação, que são
comprometidas quando a temperatura é superior a 35°C, provocando o aborto e a queda das
flores, sobretudo se o ambiente é seco e pouco luminoso. Daí a vantagem de se escolher um
híbrido adaptado ao nosso clima tropical.
ESPÉCIE
ÉPOCA MAIS RECOMENDADA PARA O PLANTIO
INÍCIO DE COLHEITA
(após o plantio)SUL SUDESTE NORDESTE
CENTRO -
OESTE
NORTE
PIMENTÃO SET./FEV. AGO./MAR. MAIO/SET. AGO./DEZ ABR./JUL 100 – 120 DIAS
ANÁLISE, PREPARO, CORREÇÃO E
ADUBAÇÃO DO SOLO
Após a escolha da modalidade de cultivo, devem-se adotar as seguintes operações
para o bom uso da terra:
ANÁLISE, PREPARO, CORREÇÃO E ADUBAÇÃO DO SOLO
ANÁLISE DO SOLO: Usado para avaliar as propriedades químicas e físicas da área a ser
cultivada. Com base nos seus resultados, é possível conhecer a quantidade de nutrientes, de
matéria orgânica e o nível de acidez do solo, bem como sua textura. Isso possibilita
determinar as limitações, necessidades de corretivos e fertilizantes orgânicos e minerais do
solo, a fim de proceder corretamente a calagem e a adubação organomineral de plantio,
Promovendo desta forma um preparo e uma correção do solo. Na calagem, o calcário deve ser
distribuído a lanço, sobre a superfície do terreno e, em seguida, incorporado a uma
profundidade de 20 cm.
ADUBAÇÃO
ORGANOMINERAL: Consiste na aplicação de adubos minerais e orgânicos no solo, antes
do transplantio, e deve ser baseada na análise de fertilidade do solo, em decorrência da
exigência da cultura e nos sistemas de produção, tais como: campo aberto, campo
aberto/mulching, estufa e telado. Seguindo os parâmetros de cada região específica do País.
ADUBAÇÃO
MINERAL: Para fósforo e potássio dependerá
do nível de fertilidade do solo. Com relação ao
nitrogênio, de modo geral, recomenda-se 150
kg/ha. Os micronutrientes, principalmente: o
boro e o zinco, ficam na dependência do
histórico da área e da exigência da planta.
ORGÂNICA: melhora a estrutura do solo e,
com isso, libera e facilita a absorção de
nutrientes pelas plantas e diminui o gasto com
a adubação mineral. É fundamental que o
adubo esteja bem curtido.
Adubação orgânica melhora a estrutura do solo e libera nutrientes para as plantas
Adubação mineral disponibiliza nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas
ESCOLHA DO GRUPO/
CULTIVAR/HÍBRIDO
Existem diversos grupos de pimentão com diferentes formatos, tamanhos e
cores, no mercado brasileiro. Os principais são:
• Cônico;
• Blocky;
• Retangular;
• Quadrado.
 Fatores de produção
• Modalidade de cultivo a ser usada;
• Máquina e equipamentos agrícolas;
• Sistema de irrigação a ser usado;
• Resistência a doenças, pragas e outros.
 Fatores de mercado
• Distância do mercado;
• Canais de comercializações;
• Perfil do consumidor e outros.
Na escolha da cultivar (cv.) ou do híbrido (hib.), o produtor deve levar em
consideração:
FORMAÇÃO DE MUDAS
Devido ao baixo custo, praticidade e qualidade das mudas, tem-se dado preferência à
utilização de bandejas de isopor ou polietileno, com 128 ou 200 células (orifícios). Após o
semeio, as bandejas devem ser irrigadas e empilhadas na sombra até o início da germinação,
quando deverão ser levadas a uma casa de vegetação (estufa) coberta com plástico apropriado
e com telado antiafídeo (contra a praga pulgão), de forma a evitar a entrada de insetos
transmissores de viroses. As bandejas devem ser colocadas em suportes apropriados, que
devem ser nivelados na altura de 0,8 a 1m do solo, facilitando, dessa forma, o manejo e
também não comprometendo a poda das raízes pela luz, realizando-se duas ou três irrigações
por dia, dependendo da condição climática, evitando o excesso de água.
Produção de mudas de
pimentão em bandejas de 128
ou 200 células protegidas em
estufa
FORMAÇÃO DE MUDAS
MUDAS ENXERTADAS: Tendo em vista as doenças do solo (nematóides,
bactérias e fungos), é crescente o uso de mudas enxertadas utilizando-se porta-
enxertos de espécies de capsicum (gênero de pimentas e pimentões), que são
resistentes e possuem maior potencial produtivo. Desta forma o Enxerto para
pimentão proporcionará maior vigor para planta aumentando os ganhos na
produtividade devido a maior longevidade de colheita.
Exemplo: Pimentão AF-8253 – Sakata
IRRIGAÇÃO
A cultura do pimentão é extremamente exigente em água, em todo seu ciclo
produtivo. O monitoramento da irrigação é importante, já que o excesso de água
causa incidência de doenças, e o déficit, principalmente nos estágios de floração e
desenvolvimento dos frutos, reduz a produtividade em decorrência da queda de
flores, abortamento de frutos e desequilíbrio nutricional, causando o “fundo preto”,
doença nutricional do pimentão.
A seleção do sistema do irrigação mais adequado deve ser realizada com base
na ponderação de suas vantagens e desvantagens para cada condição específica,
levando-se em conta as condições de solo e clima da região, o sistema de cultivo
utilizado, a capacidade de investimento do produtor, dentre outros.
IRRIGAÇÃO
IRRIGAÇÃO POR SULCO
Com sulcos de 40 a 50 cm de largura e de 20 a 25 cm de profundidade. Em geral, os
produtores preferem sulcos de 50 m de comprimento, para padronizar e uniformizar a
irrigação, que é favorecida quando o plantio é feito em linhas espaçadas de 80 cm a 100 cm,
com plantas tutoradas e espaçadas de 40 cm a 50 cm. Esse sistema de irrigação não requer
grandes investimentos, sendo o de menor custo entre todos.
Um aspecto positivo da irrigação por sulco, relacionado a doenças, é o de não
molhar a parte aérea das plantas, atenuando a ocorrência da grande maioria das doenças
da parte aérea, Já que as doenças causadas por fitopatógenos de solo podem ser
transmitidas a outras plantas por meio da água em movimento ao longo do sulco.
IRRIGAÇÃO POR ASPERSÃO
Em áreas maiores, como no cultivo para a produção de páprica e corantes naturais à
base de pimentão vermelho, a aspersão tem sido bastante utilizada, com destaque para o
pivô central. Nesses casos, o sistema de cultivo é feito com semeadura direta e maior
população de plantas por área. O Estado de Minas Gerais é o principal produtor de
pimentão para processamento, com área em torno de dois mil hectares.
IRRIGAÇÃO
LIMITAÇÕES NO USO DAASPERSÃO
• Necessidade de maior investimento comparativamente à irrigação por sulco;
• Favorecimento da ocorrência da maioria das doenças da parte aérea, devido à
formação de ambiente úmido no dossel vegetal;
Por outro lado, a ocorrência de oídio em lavouras irrigadas por aspersão é bem menor
que naquelas irrigadas por sulco ou por gotejamento, devido principalmente à ação
mecânica das gotas d’água que danificam as estruturas vegetativas e reprodutivas do fungo.
IRRIGAÇÃO POR GOTEJAMENTO
VANTAGENS:
• Economia de água, de energia e de mão-de-obra;
• Maior uniformidade de aplicação de água;
• Pode ser usado em qualquer tipo de solo e topografia;
• Menor severidade de doenças da parte aérea;
• Facilidade de fertirrigação e de automação;
• Maior produtividade.
IRRIGAÇÃO
LIMITAÇÕES
• Alto custo de aquisição e de manutenção do sistema, principalmente em relação ao
sistema por sulco, e
• Risco de entupimento dos gotejadores.
As irrigações por gotejamento podem e devem ser realizadas em regime de alta
frequência, pois se trata de um sistema fixo, que molha somente parte do solo e que
minimiza a ocorrência da maioria das doenças da parte aérea.
Ainda relativo a doenças, o gotejamento, a exemplo do sistema por sulco,
favorece maior severidade de oídio que a aspersão. O problema pode ser agravado em
condições de cultivo em ambiente protegido, que favorece o aumento da umidade
relativa do ar no dossel da cultura.
CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS
Na cultura do pimentão, apesar dos avanços tecnológicos incorporados aos sistemas
de produção, as pragas e as doenças continuam sendo sérios problemas na produção e pós-
colheita dessa hortaliça. Várias são as medidas utilizadas para o manejo integrado de
pragas e doenças, tais como cultivares resistentes, manejo cultural, químico e outros.
Assim, haverá menor uso de agrotóxicos, evitando-se o seu emprego indiscriminado.
MEDIDAS GERAIS NO CONTROLE DE DOENÇAS E PRAGAS:
• Evitar o plantio em solos contaminados por cultivos anteriores;
• Fazer rotação de culturas, evitando plantio da mesma família do pimentão (solanaceae);
• Fazer o monitoramento da irrigação, pois o excesso de água é o fator que mais propicia o
desenvolvimento de doenças do solo;
• Adquirir sementes ou mudas de boa qualidade, de empresas idôneas, visando à prevenção de
doenças;
• Fazer adubação equilibrada, baseada na análise do solo. Além de prevenir doenças
nutricionais, permite que as plantas resistam mais às doenças;
• Escolher cultivares e cultivares híbridas, adaptadas ao clima, época de plantio e mercado e
que apresentem resistência às doenças;
• Usar agrotóxicos, de maneira preventiva, quando as condições forem favoráveis à
incidências de doenças e pragas.
Doenças Agente Causal
Modalidades de cultivo
Pós-ColheitaCampo
Aberto/
Mulching
Estufa Telado
Antracnose Fungo xxx x x Xxx
Murcha-bacteriana Bactéria Xxx x x -
Mosaico Vírus x xxx Xx -
Murcha-de-
esclerócio
Fungo Xx xxx xx X
Murcha-de-
fitóftora
Fungo xxx xx xx X
Nematóide-das-
galhas
Nematóide xxx xxx xx -
Oídio Fungo X xxx xx -
Podridão-de-
esclerotina
Fungo xxx xx xx X
Podridão-mole Bactéria Xxx xx xx xxx
Vira-cabeça Vírus x xxx xx -
CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS
DOENÇAS
Tabela 6. Principais doenças da cultura do pimentão e seu grau de severidade
Grau de severidade: (-) ausência; (x) baixo; (xx) médio; e (xxx) alto.
ANTRACNOSE – Colletotrichum spp.
É uma doença muito importante no Brasil,
pois causa danos diretos nos frutos, inviabilizando
sua comercialização.
Sintomas: Iniciam-se com pequenas áreas
arredondadas e deprimidas. Com o passar do tempo
a lesão cresce e seu tamanho final vai depender do
tamanho do fruto. Sob alta umidade a lesão
apresenta-se coberta por uma massa cor de rosa,
formada por esporos e mucilagem produzidos pelo
fungo. É mais problemática em cultivos de verão,
quando ocorrem temperatura e umidade altas. A
disseminação do patógeno dentro da cultura ocorre
através de respingos de água de chuva ou de
irrigação. Á longa distância, a disseminação se dá
através das sementes.
DOENÇAS
CONTROLE:
• Dar preferência a plantios em épocas secas, menos favorável à doença ou em estufas;
• Nas épocas de calor e chuva, favoráveis à doença, fazer plantio menos adensado, para
permitir melhor aeração entre as plantas;
• Destruir os restos culturais, imediatamente após a última colheita;
• Fazer rotação de culturas com espécies não solanáceas;
• Fazer pulverizações preventivas na cultura, desde o início da frutificação com fungicidas
registrados;
• Os frutos devem ser expostos par comercialização em locais bem ventilados.
MURCHA-BACTERIANA - Ralstonia Solanacearum
Causa perdas em pimentão somente quando a temperatura e a umidade são muito altas.
As plantas afetadas podem não murchar, apenas apresentar uma redução em crescimento.
Quando murcham, os sintomas aparecem inicialmente nas horas mais quentes do dia. As
folhas novas murcham primeiro, às vezes de um só lado da planta. O tecido exposto
pelo descascamento da base do caule da planta murcha fica amarronzado. Na maioria das
vezes, a doença só é percebida a partir do início da frutificação.
DOENÇAS
CONTROLE:
• Escolher a área de plantio, que não deve ter histórico da doença em Solanáceas;
• Evitar a contaminação do solo através de pessoal e máquinas que transitam por áreas
contaminadas;
• Plantar em solos com boa drenagem, não sujeitos a encharcamento;
• Plantar nas épocas menos quentes do ano;
• Não irrigar em excesso;
• Evitar ferimentos nas raízes e na base da planta;
• Arrancar, colocar em saco de plástico e retirar do campo as plantas com sintomas iniciais de
murcha, espalhando aproximadamente 100 gramas de cal virgem na superfície da cova vazia;
• Evitar o uso de plástico preto como cobertura do solo durante o verão, porque mantém a
temperatura e a umidade do solo excessivamente elevadas.
DOENÇAS
MOSAICO DO PIMENTÃO - Potato Virus Y (PVY) e
Pepper Yellow Mosaic Virus (PepYMV)
No passado, o Potato virus Y (PVY) ocorria amplamente na cultura do pimentão, mas
esse quadro mudou drasticamente com a sua substituição pelo Pepper yellow mosaic virus
(PepYMV), que hoje é o principal problema na cultura, tendo a sua ocorrência em todas as
regiões produtoras do Brasil.
Os sintomas nas folhas são mosaico, amarelecimento, distorção foliar e redução de
tamanho dos frutos. outros sintomas incluem necrose de nervuras e necrose do topo da planta,
podendo resultar em morte da planta.
A planta se infectada no início do ciclo tem o seu crescimento paralisado. O
círculo de hospedeiros desse vírus é restrito a espécies da família Solanaceae. Os
sintomas causados por PepYMV e PVY são praticamente indistinguíveis
DOENÇAS
CONTROLE:
•Plantar sementes de variedades resistentes,
quando disponíveis;
•Produzir mudas em locais protegidos com telas
antiafídeos;
•Eliminar plantas hospedeiras alternativas que
podem ser fonte de vírus e/ou do vetor, dentro e
nas proximidades da lavoura;
•Evitar o estabelecimento de lavouras novas próximo a plantios mais velhos e infectados
com esses vírus;
•Eliminar restos de cultura, imediatamente, logo após a colheita, eliminando, dessa forma,
fontes do vírus e do vetor.
•O controle químico dos vetores, visando evitar ou reduzir a disseminação do vírus na área
de plantio não é eficiente no caso dos pulgões, devido à alta eficiência de transmissão do
vírus pelo vetor. Isto ocorre, por que os pulgões transmitem o vírus em poucos segundos e,
neste caso, a infecção da planta ocorre antes da ação do inseticida sobre o inseto.
DOENÇAS
VIRA-CABEÇA DO PIMENTÃO - Groundnut ringspot virus (GRSV)
É uma das principais doenças do pimentão no Brasil, os maiores prejuízos são
detectados quando ocorrem altas temperaturas e baixa umidade relativa, condições que
favorecem a multiplicação do tripes que é vetor responsável pela disseminação do vírus em
campo.
Os sintomas observados em plantas doentes são: arroxeamento ou bronzeamento das
folhas, ponteiro virado para baixo, redução geral do porte da planta e lesões necróticas nas
hastes. Quando maduros, os frutos apresentam lesões anelares concêntricas. Não existem
evidências de transmissão por sementes.
DOENÇAS
CONTROLE:
•Plantar cultivares resistentes;
•Estabelecer plantios em períodos em que a população do vetor seja baixa;
•Situar os plantios de pimentão distantes de áreas cultivadas com espécies de plantas que
sejam hospedeiras do vírus e/ou que possam também abrigar o vetor;
•Evitar estabelecer lavouras novas próximo a plantios mais velhos;
•Eliminar plantas hospedeiras alternativas do vírus e/ou do vetor dentro e nas
proximidades da área cultivada;
•Realizar aplicação de inseticidas nas plantas na sementeira e após o transplantio das
mudas para o campo.
DOENÇAS
CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS
PRAGAS
Os artrópodes associados à cultura da pimentão podem causar danos indiretos, como
pulgões e tripes, e danos diretos, como besouros, lagartas, minadores de folhas, percevejos,
cochonilhas e ácaros.
VETORES DE VIROSES
As principais espécies de vetores de viroses associadas com a cultura do pimentão
são: o pulgão verde (Myzus persicae), o pulgão-das-solanáceas (Macrosiphum
euphorbiae), e os tripes Thrips tabaci e Frankliniella shulzei. Ainda que os danos diretos
causados por estas espécies sejam de pouca importância, os danos indiretos causados
através da inoculação de viroses têm importância econômica. Os pulgões, principalmente da
espécie Myzus persicae, transmitem o vírus do mosaico do pimentão, enquanto que o vírus
do vira-cabeça é transmitido pelas duas espécies de tripes.
PRAGAS
PULGÕES (Afídeos)
• Também conhecidos como piolhos das plantas, são pequenos insetos (de 1 a 5 mm)
sugadores de seiva pertencentes a ordem Homoptera.
• São capazes de se multiplicar rapidamente, causando sérios danos.
• Estabelecem uma relação de mutualismo com as formigas, fornecendo substâncias
açucaradas que secretam enquanto as formigas os dispersam e os defendem contra os
seus inimigos naturais.
PRAGAS
DANOS E SINTOMAS:
• Os pulgões, tanto jovens (ninfas) quanto adultos, alimentam-se de seiva; injetam na
planta substâncias tóxicas e transmitem agentes patógenos, como vírus e fungos. Ao se
alimentarem, os pulgões excretam um líquido açucarado que atrai as formigas, esse
líquido cai sobre as folhas, favorecendo o desenvolvimento de um fungo, de coloração
negra, denominado “fumagina”, que dificulta a respiração e a fotossíntese da planta.
• Também provocam o encarquilhamento, a murcha, o secamento e a queda de folhas.
Causam declínio rápido da planta, seca dos galhos e folhas amareladas. Nas flores,
provocam o secamento e a queda, reduzindo, consequentemente, a produção de frutos.
Nos lugares picados pelo pulgão aparecem manchas cloróticas que podem evoluir para
necrose do tecido.
PRAGAS
CONTROLE
Cultural:
• Eliminar as ervas daninhas hospedeiras do pulgão como
beldroega, bredo, pega pinto e malva branca.
• Armadilhas adesivas, feitas de placas ou garrafas
plásticas descartáveis do tipo “pet”, pintadas de amarelo,
revestidas com uma camada de cola ou graxa para
retenção dos insetos, e instaladas em diferentes pontos do
cultivo.
• Podar e queimar as partes mais afetadas da planta.
Biológico: A ação dos inimigos naturais, sendo um dos
principais desta praga, os insetos da família Coccinellidae
conhecidos popularmente por joaninhas.
Defensivos:
• Não se recomenda a utilização de inseticidas para o controle,
por ser ineficiente para prevenir a disseminação da moléstia,
uma vez que os pulgões transmitem o vírus com uma simples
picada de prova. Mas, pode-se reduzir a disseminação com
defensivos naturais, como o óleo de Nim, por exemplo.
PRAGAS
TRIPES
São insetos raspadores-sugadores que sugam a seiva das flores, folhas e frutos e são
também vetores de doenças. Possuem de 0,5 a 13 mm de comprimento, são da ordem
Thysanoptera, de corpo estreito e aparelho bucal sugador. Os adultos possuem asas franjeadas
enquanto as formas jovens (ninfas) não possuem asas e têm coloração mais clara.
DANOS E SINTOMAS
As partes atacadas tornam-se cloróticas, passando depois para uma coloração
prateada. As folhas ficam coriáceas e quebradiças e caem, diminuindo a área foliar da
planta, ocorrendo também secamento da inflorescência e depreciação dos frutos. As
condições favoráveis ao desenvolvimento dos tripes são temperaturas elevadas e baixa
umidade. Quando o ataque é severo causam lesões superficiais e deformações nos frutos.
PRAGAS
DANOS E SINTOMAS
CONTROLE
Cultural:
• Uso de barreiras vivas ao redor da área a ser cultivada;
• Produzir as mudas em locais protegidos com tela, distantes de campos infestados com
tripes e longe do local definitivo de plantio;
• Rotação de culturas com plantas não hospedeiras;
Biológico:
• Inimigos Naturais: larvas de moscas da família Syrphidae,
larvas de crisopídeos (bicho-lixeiro), joaninhas e tripes
predadores dos gêneros Scolothrips e Franklinothrips.
PRAGAS
BESOUROS (Coleopteras)
Vaquinha - Diabrotica speciosa
Os danos causados pelas larvas às raízes de
pimentão são em geral pouco importantes. Os
adultos, contudo, podem produzir injúrias sérias
quando se alimentam das folhas, principalmente
em plantas nas sementeiras ou recém-
transplantadas para o campo.
CONTROLE:
• Controle biológico com nematóides entomopatogênicos (Nematoda: steinernematidae
e heterorhabditidae);
• Utilização de fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae;
• Controle químico.
PRAGAS
CONTROLE: Práticas culturais como:
• rotação de culturas;
• Aração e gradagem do solo;
• Pousio e queima dos restos culturais, e
• O uso de Inseticidas com ação de contato e ingestão são em geral
eficientes.
Burrinho - Epicauta suturalis
O adulto (8- 17 mm) é a única fase desta
espécie que é prejudicial às plantas, porque se
alimenta das folhas, ramos tenros e brotações
do pimentão e outras solanáceas.
PRAGAS
OUTRAS PRAGAS: LAGARTAS(LEPIDOPTERA)
Lagarta Rosca - Agrotis ipsilon
Brocas do ponteiro e
dos frutos - Tuta
absoluta e Gnorimosch
ema barsaniella.
PRAGAS
MINADORES DE FOLHAS
Liriomyza huidobrensis, Liriomyza
sativae e Liriomyza spp.
Mosca branca - Bemisia sp.
Mosca-do-mediterrâneo -
Ceratitis capitata
PRAGAS
ÁCAROS
Ácaro rajado Tetranyuchus urticae; ácaros vermelhos T. evansi e T. marianae e
ácaro branco Polyphagotarsonemus latus
OBRIGADO!!!

Pimentão apresentação

  • 1.
    INSTITUTO FEDERAL DEEDUCAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO CEARÁ CAMPUS SOBRAL EIXO TECNOLÓGICO DE RECURSOS HÍDRICOS CURSO DE IRRIGAÇÃO E DRENAGEM DISCIPLINA: FITOSSANIDADE PIMENTÃO (Capsicum Annuum L.) James do Nascimento Costa
  • 2.
    INTRODUÇÃO Originário da AméricaCentral, o Pimentão, Capsicum Annuum L. (Solanaceae), é uma das 10 hortaliças de maior consumo no Brasil, ocupando significante área de plantio. Além de cultivares de frutos vermelhos, quando maduros, existem diversos híbridos coloridos, com cores que variam do marfim ao púrpuro, passando pelo creme, amarelo e laranja. Os frutos apresentam quatro formatos típicos: retangular, cônico, quadrado e blocky. A área de pimentão cultivada anualmente no Brasil é em torno de 13 mil hectares, com a produção de 350 mil toneladas de frutos. DESCRIÇÃO BOTÂNICA: Subarbusto ramificado anual ou bienal; caule lenhoso com ramos eretos, angulosos e pubescentes; folhas simples, inteiras, oval acuminadas, glabras, de coloração verde escura, e de tamanho variado; flores simples, pequenas e numerosas, pétalas brancas, aparecendo na inserção dos ramos; Sua forma de propagação é através de sementes. OS FATORES DA DECISÃO A cultura do pimentão pode ser plantada, em diferentes modalidades de cultivo. No entanto, cabe ao produtor rural a tomada de decisão para determinar a que melhor se adapta à sua realidade, levando em consideração seguintes os fatores de produção: • clima; • solo; • água; • infraestrutura e outros.
  • 3.
    Devem ser tambémobservados os fatores de mercado: • proximidade do mercado consumidor; • tamanho da área; • canais de comercialização e outros. De acordo com as preferências do mercado consumidor é que se determina os tipos de pimentão a serem plantados. Alguns mercados preferem pimentões pequenos, daí se planta os pimentões curtos ou "block", muito comuns nas regiões Norte e Nordeste do país. Já os cônicos são responsáveis pela mais importante área de cultivo. O de formato retangular, intermediário entre curto e cônico longo, de parede mais grossa, melhor qualidade de consumo através da boa digestibilidade e melhor rendimento, é o mais consumido nos países do Mercosul para os quais o Brasil tem se tornado importante fornecedor. MODALIDADES DE CULTIVO A definição da modalidade de cultivo é o passo mais importante para o sucesso do plantio. As principais modalidades são as seguintes: 1. Plantio a campo aberto: O sistema de irrigação a ser utilizado vai depender da quantidade de água disponível, solos e outros fatores existentes na propriedade rural. OS FATORES DA DECISÃO O sucesso do plantio em campo aberto vai depender do controle integrado de pragas e doenças por apresentar alto risco devido à sua vulnerabilidade
  • 4.
    2 . Plantioa campo aberto em canteiros com cobertura de plástico (mulching): Os produtores, em geral, preferem canteiros com 50 m de comprimento, a fim de padronizar e uniformizar o uso da irrigação. Benefícios: eliminação de plantas invasoras, evitando as capinas; impedimento de perdas da água; melhor aproveitamento dos nutrientes pelas plantas; colheitas mais precoces e, consequentemente, maiores ganhos de produtividade pela produção chegar antes no mercado. Detalhe do plantio em campo aberto com mulching em fileira simples Detalhe do plantio em campo aberto com mulching em fileira dupla 3. Plantio em Estufas: Esse sistema é adequado para uso na época das chuvas, para proteger as plantas do excesso de água. Apresenta vantagens competitivas, tais como: colheita na entressafra, obtendo produção em épocas de melhores preços; precocidade da colheita; ampliação do período de safra; melhoria da qualidade; e principalmente, na pós-colheita, redução dos gastos com agrotóxicos, adubos e mão de obra, além do aumento da produtividade. Plantio em estufa, além de produzir em média 180 toneladas por hectare, é o mais indicado para o cultivo de pimentões coloridos MODALIDADES DE CULTIVO
  • 5.
    MODALIDADES DE CULTIVO 4.Plantio em telados: O plantio em geral é feito em fileira dupla (tecnologia que agrega aumento de produtividade, porém, com maior risco de incidência de pragas e doenças). Esse sistema é ideal para uso na época da seca, a fim de proteger os frutos contra raios solares, ventos secos, bem como minimizar os impactos das chuvas sobre as plantas. Plantio em telado protege os frutos contra raios solares, ventos secos e das chuvas sobre as plantas; a produtividade em média é de 120 toneladas por hectare. Espaçamento de 80 X 40 cm entre linhas e plantas, respectivamente. Adapta-se bem em regiões de clima quente. Prefere solos bem arejados, com bom teor de matéria orgânica, bem drenados e pouco ácidos, de textura média, podendo ser arenosos, dado que é uma planta sensível à asfixia radicular. DICAS DE PRODUÇÃO:
  • 6.
    DICAS DE PRODUÇÃO: TEMPERATURA: Éuma planta exigente em temperatura, sobretudo se a variedade é de polpa grossa. A ideal para a germinação se situa em volta de 25°C. E para um desenvolvimento adequado, temperaturas entre 20 e 25°C, sendo esta também ideal para a floração e frutificação, que são comprometidas quando a temperatura é superior a 35°C, provocando o aborto e a queda das flores, sobretudo se o ambiente é seco e pouco luminoso. Daí a vantagem de se escolher um híbrido adaptado ao nosso clima tropical. ESPÉCIE ÉPOCA MAIS RECOMENDADA PARA O PLANTIO INÍCIO DE COLHEITA (após o plantio)SUL SUDESTE NORDESTE CENTRO - OESTE NORTE PIMENTÃO SET./FEV. AGO./MAR. MAIO/SET. AGO./DEZ ABR./JUL 100 – 120 DIAS ANÁLISE, PREPARO, CORREÇÃO E ADUBAÇÃO DO SOLO Após a escolha da modalidade de cultivo, devem-se adotar as seguintes operações para o bom uso da terra:
  • 7.
    ANÁLISE, PREPARO, CORREÇÃOE ADUBAÇÃO DO SOLO ANÁLISE DO SOLO: Usado para avaliar as propriedades químicas e físicas da área a ser cultivada. Com base nos seus resultados, é possível conhecer a quantidade de nutrientes, de matéria orgânica e o nível de acidez do solo, bem como sua textura. Isso possibilita determinar as limitações, necessidades de corretivos e fertilizantes orgânicos e minerais do solo, a fim de proceder corretamente a calagem e a adubação organomineral de plantio, Promovendo desta forma um preparo e uma correção do solo. Na calagem, o calcário deve ser distribuído a lanço, sobre a superfície do terreno e, em seguida, incorporado a uma profundidade de 20 cm. ADUBAÇÃO ORGANOMINERAL: Consiste na aplicação de adubos minerais e orgânicos no solo, antes do transplantio, e deve ser baseada na análise de fertilidade do solo, em decorrência da exigência da cultura e nos sistemas de produção, tais como: campo aberto, campo aberto/mulching, estufa e telado. Seguindo os parâmetros de cada região específica do País.
  • 8.
    ADUBAÇÃO MINERAL: Para fósforoe potássio dependerá do nível de fertilidade do solo. Com relação ao nitrogênio, de modo geral, recomenda-se 150 kg/ha. Os micronutrientes, principalmente: o boro e o zinco, ficam na dependência do histórico da área e da exigência da planta. ORGÂNICA: melhora a estrutura do solo e, com isso, libera e facilita a absorção de nutrientes pelas plantas e diminui o gasto com a adubação mineral. É fundamental que o adubo esteja bem curtido. Adubação orgânica melhora a estrutura do solo e libera nutrientes para as plantas Adubação mineral disponibiliza nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas
  • 9.
    ESCOLHA DO GRUPO/ CULTIVAR/HÍBRIDO Existemdiversos grupos de pimentão com diferentes formatos, tamanhos e cores, no mercado brasileiro. Os principais são: • Cônico; • Blocky; • Retangular; • Quadrado.  Fatores de produção • Modalidade de cultivo a ser usada; • Máquina e equipamentos agrícolas; • Sistema de irrigação a ser usado; • Resistência a doenças, pragas e outros.  Fatores de mercado • Distância do mercado; • Canais de comercializações; • Perfil do consumidor e outros. Na escolha da cultivar (cv.) ou do híbrido (hib.), o produtor deve levar em consideração:
  • 10.
    FORMAÇÃO DE MUDAS Devidoao baixo custo, praticidade e qualidade das mudas, tem-se dado preferência à utilização de bandejas de isopor ou polietileno, com 128 ou 200 células (orifícios). Após o semeio, as bandejas devem ser irrigadas e empilhadas na sombra até o início da germinação, quando deverão ser levadas a uma casa de vegetação (estufa) coberta com plástico apropriado e com telado antiafídeo (contra a praga pulgão), de forma a evitar a entrada de insetos transmissores de viroses. As bandejas devem ser colocadas em suportes apropriados, que devem ser nivelados na altura de 0,8 a 1m do solo, facilitando, dessa forma, o manejo e também não comprometendo a poda das raízes pela luz, realizando-se duas ou três irrigações por dia, dependendo da condição climática, evitando o excesso de água. Produção de mudas de pimentão em bandejas de 128 ou 200 células protegidas em estufa
  • 11.
    FORMAÇÃO DE MUDAS MUDASENXERTADAS: Tendo em vista as doenças do solo (nematóides, bactérias e fungos), é crescente o uso de mudas enxertadas utilizando-se porta- enxertos de espécies de capsicum (gênero de pimentas e pimentões), que são resistentes e possuem maior potencial produtivo. Desta forma o Enxerto para pimentão proporcionará maior vigor para planta aumentando os ganhos na produtividade devido a maior longevidade de colheita. Exemplo: Pimentão AF-8253 – Sakata
  • 12.
    IRRIGAÇÃO A cultura dopimentão é extremamente exigente em água, em todo seu ciclo produtivo. O monitoramento da irrigação é importante, já que o excesso de água causa incidência de doenças, e o déficit, principalmente nos estágios de floração e desenvolvimento dos frutos, reduz a produtividade em decorrência da queda de flores, abortamento de frutos e desequilíbrio nutricional, causando o “fundo preto”, doença nutricional do pimentão. A seleção do sistema do irrigação mais adequado deve ser realizada com base na ponderação de suas vantagens e desvantagens para cada condição específica, levando-se em conta as condições de solo e clima da região, o sistema de cultivo utilizado, a capacidade de investimento do produtor, dentre outros.
  • 13.
    IRRIGAÇÃO IRRIGAÇÃO POR SULCO Comsulcos de 40 a 50 cm de largura e de 20 a 25 cm de profundidade. Em geral, os produtores preferem sulcos de 50 m de comprimento, para padronizar e uniformizar a irrigação, que é favorecida quando o plantio é feito em linhas espaçadas de 80 cm a 100 cm, com plantas tutoradas e espaçadas de 40 cm a 50 cm. Esse sistema de irrigação não requer grandes investimentos, sendo o de menor custo entre todos. Um aspecto positivo da irrigação por sulco, relacionado a doenças, é o de não molhar a parte aérea das plantas, atenuando a ocorrência da grande maioria das doenças da parte aérea, Já que as doenças causadas por fitopatógenos de solo podem ser transmitidas a outras plantas por meio da água em movimento ao longo do sulco. IRRIGAÇÃO POR ASPERSÃO Em áreas maiores, como no cultivo para a produção de páprica e corantes naturais à base de pimentão vermelho, a aspersão tem sido bastante utilizada, com destaque para o pivô central. Nesses casos, o sistema de cultivo é feito com semeadura direta e maior população de plantas por área. O Estado de Minas Gerais é o principal produtor de pimentão para processamento, com área em torno de dois mil hectares.
  • 14.
    IRRIGAÇÃO LIMITAÇÕES NO USODAASPERSÃO • Necessidade de maior investimento comparativamente à irrigação por sulco; • Favorecimento da ocorrência da maioria das doenças da parte aérea, devido à formação de ambiente úmido no dossel vegetal; Por outro lado, a ocorrência de oídio em lavouras irrigadas por aspersão é bem menor que naquelas irrigadas por sulco ou por gotejamento, devido principalmente à ação mecânica das gotas d’água que danificam as estruturas vegetativas e reprodutivas do fungo. IRRIGAÇÃO POR GOTEJAMENTO VANTAGENS: • Economia de água, de energia e de mão-de-obra; • Maior uniformidade de aplicação de água; • Pode ser usado em qualquer tipo de solo e topografia; • Menor severidade de doenças da parte aérea; • Facilidade de fertirrigação e de automação; • Maior produtividade.
  • 15.
    IRRIGAÇÃO LIMITAÇÕES • Alto custode aquisição e de manutenção do sistema, principalmente em relação ao sistema por sulco, e • Risco de entupimento dos gotejadores. As irrigações por gotejamento podem e devem ser realizadas em regime de alta frequência, pois se trata de um sistema fixo, que molha somente parte do solo e que minimiza a ocorrência da maioria das doenças da parte aérea. Ainda relativo a doenças, o gotejamento, a exemplo do sistema por sulco, favorece maior severidade de oídio que a aspersão. O problema pode ser agravado em condições de cultivo em ambiente protegido, que favorece o aumento da umidade relativa do ar no dossel da cultura.
  • 16.
    CONTROLE DE PRAGASE DOENÇAS Na cultura do pimentão, apesar dos avanços tecnológicos incorporados aos sistemas de produção, as pragas e as doenças continuam sendo sérios problemas na produção e pós- colheita dessa hortaliça. Várias são as medidas utilizadas para o manejo integrado de pragas e doenças, tais como cultivares resistentes, manejo cultural, químico e outros. Assim, haverá menor uso de agrotóxicos, evitando-se o seu emprego indiscriminado. MEDIDAS GERAIS NO CONTROLE DE DOENÇAS E PRAGAS: • Evitar o plantio em solos contaminados por cultivos anteriores; • Fazer rotação de culturas, evitando plantio da mesma família do pimentão (solanaceae); • Fazer o monitoramento da irrigação, pois o excesso de água é o fator que mais propicia o desenvolvimento de doenças do solo; • Adquirir sementes ou mudas de boa qualidade, de empresas idôneas, visando à prevenção de doenças; • Fazer adubação equilibrada, baseada na análise do solo. Além de prevenir doenças nutricionais, permite que as plantas resistam mais às doenças; • Escolher cultivares e cultivares híbridas, adaptadas ao clima, época de plantio e mercado e que apresentem resistência às doenças; • Usar agrotóxicos, de maneira preventiva, quando as condições forem favoráveis à incidências de doenças e pragas.
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    Doenças Agente Causal Modalidadesde cultivo Pós-ColheitaCampo Aberto/ Mulching Estufa Telado Antracnose Fungo xxx x x Xxx Murcha-bacteriana Bactéria Xxx x x - Mosaico Vírus x xxx Xx - Murcha-de- esclerócio Fungo Xx xxx xx X Murcha-de- fitóftora Fungo xxx xx xx X Nematóide-das- galhas Nematóide xxx xxx xx - Oídio Fungo X xxx xx - Podridão-de- esclerotina Fungo xxx xx xx X Podridão-mole Bactéria Xxx xx xx xxx Vira-cabeça Vírus x xxx xx - CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS DOENÇAS Tabela 6. Principais doenças da cultura do pimentão e seu grau de severidade Grau de severidade: (-) ausência; (x) baixo; (xx) médio; e (xxx) alto.
  • 18.
    ANTRACNOSE – Colletotrichumspp. É uma doença muito importante no Brasil, pois causa danos diretos nos frutos, inviabilizando sua comercialização. Sintomas: Iniciam-se com pequenas áreas arredondadas e deprimidas. Com o passar do tempo a lesão cresce e seu tamanho final vai depender do tamanho do fruto. Sob alta umidade a lesão apresenta-se coberta por uma massa cor de rosa, formada por esporos e mucilagem produzidos pelo fungo. É mais problemática em cultivos de verão, quando ocorrem temperatura e umidade altas. A disseminação do patógeno dentro da cultura ocorre através de respingos de água de chuva ou de irrigação. Á longa distância, a disseminação se dá através das sementes. DOENÇAS
  • 19.
    CONTROLE: • Dar preferênciaa plantios em épocas secas, menos favorável à doença ou em estufas; • Nas épocas de calor e chuva, favoráveis à doença, fazer plantio menos adensado, para permitir melhor aeração entre as plantas; • Destruir os restos culturais, imediatamente após a última colheita; • Fazer rotação de culturas com espécies não solanáceas; • Fazer pulverizações preventivas na cultura, desde o início da frutificação com fungicidas registrados; • Os frutos devem ser expostos par comercialização em locais bem ventilados. MURCHA-BACTERIANA - Ralstonia Solanacearum Causa perdas em pimentão somente quando a temperatura e a umidade são muito altas. As plantas afetadas podem não murchar, apenas apresentar uma redução em crescimento. Quando murcham, os sintomas aparecem inicialmente nas horas mais quentes do dia. As folhas novas murcham primeiro, às vezes de um só lado da planta. O tecido exposto pelo descascamento da base do caule da planta murcha fica amarronzado. Na maioria das vezes, a doença só é percebida a partir do início da frutificação. DOENÇAS
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    CONTROLE: • Escolher aárea de plantio, que não deve ter histórico da doença em Solanáceas; • Evitar a contaminação do solo através de pessoal e máquinas que transitam por áreas contaminadas; • Plantar em solos com boa drenagem, não sujeitos a encharcamento; • Plantar nas épocas menos quentes do ano; • Não irrigar em excesso; • Evitar ferimentos nas raízes e na base da planta; • Arrancar, colocar em saco de plástico e retirar do campo as plantas com sintomas iniciais de murcha, espalhando aproximadamente 100 gramas de cal virgem na superfície da cova vazia; • Evitar o uso de plástico preto como cobertura do solo durante o verão, porque mantém a temperatura e a umidade do solo excessivamente elevadas. DOENÇAS
  • 21.
    MOSAICO DO PIMENTÃO- Potato Virus Y (PVY) e Pepper Yellow Mosaic Virus (PepYMV) No passado, o Potato virus Y (PVY) ocorria amplamente na cultura do pimentão, mas esse quadro mudou drasticamente com a sua substituição pelo Pepper yellow mosaic virus (PepYMV), que hoje é o principal problema na cultura, tendo a sua ocorrência em todas as regiões produtoras do Brasil. Os sintomas nas folhas são mosaico, amarelecimento, distorção foliar e redução de tamanho dos frutos. outros sintomas incluem necrose de nervuras e necrose do topo da planta, podendo resultar em morte da planta. A planta se infectada no início do ciclo tem o seu crescimento paralisado. O círculo de hospedeiros desse vírus é restrito a espécies da família Solanaceae. Os sintomas causados por PepYMV e PVY são praticamente indistinguíveis DOENÇAS
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    CONTROLE: •Plantar sementes devariedades resistentes, quando disponíveis; •Produzir mudas em locais protegidos com telas antiafídeos; •Eliminar plantas hospedeiras alternativas que podem ser fonte de vírus e/ou do vetor, dentro e nas proximidades da lavoura; •Evitar o estabelecimento de lavouras novas próximo a plantios mais velhos e infectados com esses vírus; •Eliminar restos de cultura, imediatamente, logo após a colheita, eliminando, dessa forma, fontes do vírus e do vetor. •O controle químico dos vetores, visando evitar ou reduzir a disseminação do vírus na área de plantio não é eficiente no caso dos pulgões, devido à alta eficiência de transmissão do vírus pelo vetor. Isto ocorre, por que os pulgões transmitem o vírus em poucos segundos e, neste caso, a infecção da planta ocorre antes da ação do inseticida sobre o inseto. DOENÇAS
  • 23.
    VIRA-CABEÇA DO PIMENTÃO- Groundnut ringspot virus (GRSV) É uma das principais doenças do pimentão no Brasil, os maiores prejuízos são detectados quando ocorrem altas temperaturas e baixa umidade relativa, condições que favorecem a multiplicação do tripes que é vetor responsável pela disseminação do vírus em campo. Os sintomas observados em plantas doentes são: arroxeamento ou bronzeamento das folhas, ponteiro virado para baixo, redução geral do porte da planta e lesões necróticas nas hastes. Quando maduros, os frutos apresentam lesões anelares concêntricas. Não existem evidências de transmissão por sementes. DOENÇAS
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    CONTROLE: •Plantar cultivares resistentes; •Estabelecerplantios em períodos em que a população do vetor seja baixa; •Situar os plantios de pimentão distantes de áreas cultivadas com espécies de plantas que sejam hospedeiras do vírus e/ou que possam também abrigar o vetor; •Evitar estabelecer lavouras novas próximo a plantios mais velhos; •Eliminar plantas hospedeiras alternativas do vírus e/ou do vetor dentro e nas proximidades da área cultivada; •Realizar aplicação de inseticidas nas plantas na sementeira e após o transplantio das mudas para o campo. DOENÇAS
  • 25.
    CONTROLE DE PRAGASE DOENÇAS PRAGAS Os artrópodes associados à cultura da pimentão podem causar danos indiretos, como pulgões e tripes, e danos diretos, como besouros, lagartas, minadores de folhas, percevejos, cochonilhas e ácaros. VETORES DE VIROSES As principais espécies de vetores de viroses associadas com a cultura do pimentão são: o pulgão verde (Myzus persicae), o pulgão-das-solanáceas (Macrosiphum euphorbiae), e os tripes Thrips tabaci e Frankliniella shulzei. Ainda que os danos diretos causados por estas espécies sejam de pouca importância, os danos indiretos causados através da inoculação de viroses têm importância econômica. Os pulgões, principalmente da espécie Myzus persicae, transmitem o vírus do mosaico do pimentão, enquanto que o vírus do vira-cabeça é transmitido pelas duas espécies de tripes.
  • 26.
    PRAGAS PULGÕES (Afídeos) • Tambémconhecidos como piolhos das plantas, são pequenos insetos (de 1 a 5 mm) sugadores de seiva pertencentes a ordem Homoptera. • São capazes de se multiplicar rapidamente, causando sérios danos. • Estabelecem uma relação de mutualismo com as formigas, fornecendo substâncias açucaradas que secretam enquanto as formigas os dispersam e os defendem contra os seus inimigos naturais.
  • 27.
    PRAGAS DANOS E SINTOMAS: •Os pulgões, tanto jovens (ninfas) quanto adultos, alimentam-se de seiva; injetam na planta substâncias tóxicas e transmitem agentes patógenos, como vírus e fungos. Ao se alimentarem, os pulgões excretam um líquido açucarado que atrai as formigas, esse líquido cai sobre as folhas, favorecendo o desenvolvimento de um fungo, de coloração negra, denominado “fumagina”, que dificulta a respiração e a fotossíntese da planta. • Também provocam o encarquilhamento, a murcha, o secamento e a queda de folhas. Causam declínio rápido da planta, seca dos galhos e folhas amareladas. Nas flores, provocam o secamento e a queda, reduzindo, consequentemente, a produção de frutos. Nos lugares picados pelo pulgão aparecem manchas cloróticas que podem evoluir para necrose do tecido.
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    PRAGAS CONTROLE Cultural: • Eliminar aservas daninhas hospedeiras do pulgão como beldroega, bredo, pega pinto e malva branca. • Armadilhas adesivas, feitas de placas ou garrafas plásticas descartáveis do tipo “pet”, pintadas de amarelo, revestidas com uma camada de cola ou graxa para retenção dos insetos, e instaladas em diferentes pontos do cultivo. • Podar e queimar as partes mais afetadas da planta. Biológico: A ação dos inimigos naturais, sendo um dos principais desta praga, os insetos da família Coccinellidae conhecidos popularmente por joaninhas. Defensivos: • Não se recomenda a utilização de inseticidas para o controle, por ser ineficiente para prevenir a disseminação da moléstia, uma vez que os pulgões transmitem o vírus com uma simples picada de prova. Mas, pode-se reduzir a disseminação com defensivos naturais, como o óleo de Nim, por exemplo.
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    PRAGAS TRIPES São insetos raspadores-sugadoresque sugam a seiva das flores, folhas e frutos e são também vetores de doenças. Possuem de 0,5 a 13 mm de comprimento, são da ordem Thysanoptera, de corpo estreito e aparelho bucal sugador. Os adultos possuem asas franjeadas enquanto as formas jovens (ninfas) não possuem asas e têm coloração mais clara. DANOS E SINTOMAS As partes atacadas tornam-se cloróticas, passando depois para uma coloração prateada. As folhas ficam coriáceas e quebradiças e caem, diminuindo a área foliar da planta, ocorrendo também secamento da inflorescência e depreciação dos frutos. As condições favoráveis ao desenvolvimento dos tripes são temperaturas elevadas e baixa umidade. Quando o ataque é severo causam lesões superficiais e deformações nos frutos.
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    PRAGAS DANOS E SINTOMAS CONTROLE Cultural: •Uso de barreiras vivas ao redor da área a ser cultivada; • Produzir as mudas em locais protegidos com tela, distantes de campos infestados com tripes e longe do local definitivo de plantio; • Rotação de culturas com plantas não hospedeiras; Biológico: • Inimigos Naturais: larvas de moscas da família Syrphidae, larvas de crisopídeos (bicho-lixeiro), joaninhas e tripes predadores dos gêneros Scolothrips e Franklinothrips.
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    PRAGAS BESOUROS (Coleopteras) Vaquinha -Diabrotica speciosa Os danos causados pelas larvas às raízes de pimentão são em geral pouco importantes. Os adultos, contudo, podem produzir injúrias sérias quando se alimentam das folhas, principalmente em plantas nas sementeiras ou recém- transplantadas para o campo. CONTROLE: • Controle biológico com nematóides entomopatogênicos (Nematoda: steinernematidae e heterorhabditidae); • Utilização de fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae; • Controle químico.
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    PRAGAS CONTROLE: Práticas culturaiscomo: • rotação de culturas; • Aração e gradagem do solo; • Pousio e queima dos restos culturais, e • O uso de Inseticidas com ação de contato e ingestão são em geral eficientes. Burrinho - Epicauta suturalis O adulto (8- 17 mm) é a única fase desta espécie que é prejudicial às plantas, porque se alimenta das folhas, ramos tenros e brotações do pimentão e outras solanáceas.
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    PRAGAS OUTRAS PRAGAS: LAGARTAS(LEPIDOPTERA) LagartaRosca - Agrotis ipsilon Brocas do ponteiro e dos frutos - Tuta absoluta e Gnorimosch ema barsaniella.
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    PRAGAS MINADORES DE FOLHAS Liriomyzahuidobrensis, Liriomyza sativae e Liriomyza spp. Mosca branca - Bemisia sp. Mosca-do-mediterrâneo - Ceratitis capitata
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    PRAGAS ÁCAROS Ácaro rajado Tetranyuchusurticae; ácaros vermelhos T. evansi e T. marianae e ácaro branco Polyphagotarsonemus latus
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