CULTURA DO MORANGO
CULTURA DO MORANGO
Eng.º Agr.º M. Sc. Sérgio Pereira de Carvalho
Departamento Técnico da EMATER–MG
Georgeton.S.R.Silveira
1 - CLIMA
Locais com temperatura alta durante o dia e
baixa à noite são considerados bons para o
cultivo do morangueiro. O calor é importante
para o crescimento vegetativo das plantas,
enquanto o frio é imprescindível à frutificação.
A floração é favorecida por temperaturas
abaixo de 10 ºC e desfavorecida por
temperaturas acima de 25 ºC. O comprimento
do dia, ou seja, o número de horas de luz,
também tem influência sobre a produção.
Cada cultivar requer um número de horas de
frio necessário para se obterem bom
desenvolvimento da cultura e boa
produtividade.
2 - CULTIVARES
Ao escolher a cultivar, levar em conta as suas
características quanto à exigência em
comprimento de dia e número de horas de
frio; tolerância ou suscetibilidade a doenças;
produtividade; sabor; tamanho, coloração e
formato dos frutos e aceitação pelo
consumidor.
Para o Estado de Minas Gerais, as cultivares
recomendadas são Oso Grande, Camarosa,
Dover, Sweet Charlie, Toionoka, Tudla,
Gaviota, Seascape, Aromas e Diamante. As
três últimas são cultivares de dias neutros.
Convém lembrar que a cada ano são
disponibilizadas novas e mais eficientes
cultivares. A substituição tem sido muito
freqüente em função das características e das
condições ecológicas de cada região
produtora.
3 - SISTEMAS DE CULTIVO
O morango pode ser cultivado em canteiros a
céu aberto, em estufas e em combinação com
o uso de túnel baixo. Atualmente está sendo
implantado o sistema de cultivo hidropônico
ou cultivo na vertical.
4 - ESCOLHA DO LOCAL
O morangueiro produz melhor em solos
areno-argilosos e bem drenados. As áreas
devem ser de fácil acesso e ter bom
suprimento de água para irrigação. Evitar o
plantio em local recentemente cultivado com
tomate, batata, fumo ou com o próprio
morango. Evitar o plantio em terras de
baixada úmida.
5 - ÉPOCA DE PLANTIO
A época de plantio varia de acordo com a
região e a cultivar a ser plantada. De um
modo geral, planta-se de janeiro a maio. Em
regiões mais quentes, a época recomendada
é de abril a maio. Em locais com altitude
acima de 1.000 metros, as cultivares de dia
neutro podem ser plantadas até setembro.
6 - PRODUÇÃO DE MUDAS
No caso de se optar pela produção das
mudas, o produtor deve adquirir as plantas
matrizes de origem idônea e com registro no
órgão competente.
O viveiro de mudas deve ser instalado em
local afastado de culturas comerciais, pelo
menos 500 metros; que não tenha sido
cultivado com morango nos últimos cinco
anos e, se possível, com altitude superior à do
local onde a cultura será implantada.
Os canteiros do viveiro devem ter 2,80 m de
largura. As covas onde serão plantadas as
matrizes são abertas em uma única linha, no
centro dos canteiros e espaçadas de 2,0 m. O
plantio das matrizes é realizado nos meses de
setembro e outubro, e as mudas são colhidas
(retiradas) de janeiro a março. As plantas
matrizes devem receber adubações de
cobertura e foliar na cova. Devem ser
adotados cuidados especiais com a irrigação
e com os aspectos nutricional e fitossanitário.
As mudas colhidas devem ser selecionadas
por tamanho, classificando-as em pequenas,
médias e grandes.
Existem outros métodos de produção de
mudas, nos quais as matrizes são colocadas
em recipientes instalados em estufas.
7 - PREPARO E CONSERVAÇÃO DO SOLO
O solo deve ser arado a uma profundidade de
20 a 25 cm e depois gradeado de forma que a
terra fique bem destorroada, para facilitar o
levantamento dos canteiros. Nos terrenos de
meia-encosta, adotar práticas de conservação
do solo.
Os canteiros devem ter entre 10 e 20 m de
comprimento, 1,20 m de largura e 0,20 a 0,30
m de altura. O espaço entre os canteiros deve
ser de 0,40 m.
7.1 - Marcação das covas
Após ligeira irrigação dos canteiros, marcar o
local das covas com um marcador manual no
espaçamento de 0,30 m entre as linhas –
canteiros com três linhas de plantio – por 0,34
m entre as covas. Assim, em uma área de um
hectare, descontadas as áreas de serviços e
entre os canteiros, são plantadas 60.000
mudas.
Pode-se, ainda, utilizar de canteiros com 4
linhas, espaçamento de 0,30 m x 0,30 m e
plantio de 70.000 mudas. Neste caso, o
controle fitossanitário exige maiores cuidados,
além de dificultar a obtenção de frutos de boa
qualidade.
7.2 - Mudas
As mudas devem ser de viveiristas idôneos,
dando preferência àquelas originárias de
plantas matrizes produzidas por métodos de
biotecnologia e isentas de vírus. Para o
plantio de um hectare gastam-se cerca de
80.000 mudas, considerando a possibilidade
de se fazer um replantio de até 20.000 mudas.
7.3 - Correção da acidez e adubação
Recomenda-se fazer a calagem e a adubação
de acordo com o resultado da análise do solo.
Na ausência desse resultado, podem ser
feitas as seguintes aplicações (calcário e
adubo):
a) Calagem
Distribuir 4 a 5 toneladas de calcário
dolomítico por hectare.
b) Adubação de plantio (canteiros)
Usar 1,0 kg de cama aviária ou esterco de
galinha, curtidos, por metro quadrado de
canteiro. Junto com a cama aviária, aplicam-
se, ainda, 140 g de adubo químico NPK 05-
30-16, por metro quadrado de terreno. Os
adubos devem ficar bem misturados com a
terra dos canteiros e ser aplicados de 10 a 12
dias antes do plantio.
c) Adubação de cobertura
Aplicar 21 gramas por planta de fertilizante
químico NPK 10-10-10 ou 12-06-12, em três
vezes. A primeira adubação de cobertura
deve ser realizada 25 dias depois do plantio e
antes da colocação do plástico sobre os
canteiros. A segunda adubação é feita no
início da primeira floração, e a terceira, no
início da segunda floração.
O parcelamento da adubação de cobertura
pode ser ampliado para até seis vezes, sendo
as aplicações mensais e a partir do plantio.
d) Adubação foliar
Recomenda-se, em complemento à adubação
de cobertura e em caso de necessidade, a
aplicação de uma solução de nutrientes
contendo boro, zinco, cálcio, potássio e
nitrogênio a cada 20 dias. Esses adubos
foliares são encontrados no mercado de
insumos, e a quantidade ou dosagem vai
depender da concentração de cada um.
Seguir as recomendações contidas na bula.
As adubações de cobertura e foliar podem ser
feitas por fertirrigação (via água de irrigação).
8 - PLANTIO
O plantio é feito manualmente, colocando-se a
muda em uma pequena cova aberta com a
mão. A muda deve ser plantada na mesma
profundidade em que se encontrava no
viveiro, para que não fique “afogada”. Tomar
cuidado também para que as raízes não
fiquem voltadas para cima. Após colocar a
muda na cova, chegar terra e fazer uma leve
compressão com as mãos. Terminado o
plantio, irrigar levemente.
8.1 - Colocação do plástico sobre os
canteiros (mulching)
Esta operação é realizada entre 25 e 30 dias
após o plantio. Utilizar plástico (filme de
polietileno) preto com 0,06 mm de espessura
e 1,60 m de largura. Uma bobina tem 500 m
de comprimento, e, por isso, gastam-se 13 a
14 bobinas por hectare. O plástico é afixado
nos canteiros com grampos de arame ou
taquaras de bambu com comprimento de 0,25
m.
Passos:
 Colocar o plástico sobre o canteiro com
as mudas transplantadas.
 Fazer um corte, no plástico, em forma de
cruz onde as mudas se encontram.
 Puxar as mudas para fora pelo corte em
cruz.
 Fixar o plástico com grampos a cada 0,50
m nas laterais do canteiro e a cada 1,0 m
no centro do canteiro.
 Colocar capim seco (capim-gordura,
capim-barba-de-bode) ou palha de arroz
entre os canteiros.
8.2 - Irrigação
A irrigação pode ser feita por aspersão, porém
o gotejamento (fertirrigação) tem sido mais
eficiente e econômico. Geralmente irriga-se
três vezes por semana e com duração de 30 a
45 minutos. Evitar o excesso de água. Seguir
as orientações de um técnico.
8.3 - Limpeza
Retirar as folhas velhas, rasgadas e atacadas
por doenças. O objetivo é reduzir a fonte de
disseminação dos agentes causadores de
doenças. A cada sete dias, retirar os estolões
(cipós que surgem com as folhas).
9 - PRAGAS E DOENÇAS
Para o controle ou prevenção de pragas e
doenças, usar agrotóxicos registrados para a
cultura e cadastrados para uso no Estado de
Minas Gerais, obedecendo rigorosamente ao
período de carência, às dosagens e aos
cuidados nas aplicações. Siga as instruções
da EMATER–MG contidas na publicação
“Agrotóxicos – como usar corretamente e com
segurança”. Adotar, quando possível, formas
alternativas e mais ecológicas para controlar
pragas e doenças.
- Pragas:
ácaro-rajado;
ácaro-do-enfezamento;
ácaro-vermelho.
- Doenças:
antracnose;
flor-preta;
oídio,
mancha-de-micosferela;
mancha-de-diplocarpon;
mancha-de-dendrofoma;
mancha-angular;
mancha-de-pestalotiopsis;
mofo-cinzento;
rizoctonios;
murcha-de-verticilium
e viroses.
10 - COLHEITA
O início da colheita depende da época do
plantio. Geralmente ocorre 2 a 3 meses após
o plantio, dependendo do clima da região. A
colheita pode iniciar-se em abril ou maio e
estender-se até dezembro, com pico em
agosto. O ponto de colheita ocorre quando o
fruto está “de vez”, o que é caracterizado por
50% do fruto de cor rósea ou por 50 a 70% do
fruto na cor vermelha. A colheita é feita
diariamente ou a cada 2 dias. O fruto é
destacado da planta pelo pedúnculo (cabinho
do fruto), por corte feito com a unha do dedo
polegar do colhedor.
10.1 - Produtividade
A produtividade média por hectare é de
54.000 kg, correspondendo a 45.000 caixas
de 1,2 kg ou 180.000 caixinhas de 300
gramas.
10.2 - Classificação e embalagem
A classificação é feita por tamanho do fruto,
sendo extra, acima de 14 g, e de primeira, de
6 a 14 g cada morango. As embalagens
utilizadas são caixas de papelão, de
polietileno expandido (isopor) e de plástico
transparente com tampa. Os frutos são
dispostos em fileiras e com uma ou duas
camadas. Cada caixa comporta cerca de 300
g de morango. Essas caixas, em número de
quatro, são colocadas em uma caixa de
papelão.
O morango destinado à industrialização é
embalado em caixa de plástico ou de madeira
com capacidade para 5 kg.
10.3 - Rotulagem
Toda embalagem, seja de que tipo ou
tamanho for, deve ser rotulada e estar de
acordo com a Instrução Normativa Conjunta
SARC/ANVISA/INMETRO nº. 009 de
12/11/2002.
11. COMERCIALIZAÇÃO,
ARMAZENAMENTO E TRANSPORTE
O morango deve ser comercializado no
mesmo dia da colheita. Se for armazenado
em condições de umidade e temperatura
ambiente, deve ser consumido em dois dias.
Entretanto pode ser estocado ou colocado em
geladeira para ser consumido em um período
de até 5 dias. Neste caso, os frutos devem ser
embalados em caixas de plástico, envolvidas
por filmes de polietileno, e mantidos na
temperatura de 0 ºC a 5 ºC.
Em maior escala e em nível de atacadista, o
morango deve receber um resfriamento
rápido, passando de 25 ºC para 5 ºC e ser
armazenado a frio por cerca de cinco dias, na
temperatura de 0 ºC e umidade relativa de 90
a 95%.
O transporte, do atacadista de origem até o
mercado mais distante, deve ser feito
adotando um sistema de atmosfera
modificada, que consiste na aplicação de CO2
e O2 sobre o morango colocado em uma
sacola de filme plástico de permeabilidade
adequada, fechada hermeticamente.
Procurar orientação de um profissional
especializado em fisiologia de pós-colheita.

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    CULTURA DO MORANGO CULTURADO MORANGO Eng.º Agr.º M. Sc. Sérgio Pereira de Carvalho Departamento Técnico da EMATER–MG Georgeton.S.R.Silveira 1 - CLIMA Locais com temperatura alta durante o dia e baixa à noite são considerados bons para o cultivo do morangueiro. O calor é importante para o crescimento vegetativo das plantas, enquanto o frio é imprescindível à frutificação. A floração é favorecida por temperaturas abaixo de 10 ºC e desfavorecida por temperaturas acima de 25 ºC. O comprimento do dia, ou seja, o número de horas de luz, também tem influência sobre a produção. Cada cultivar requer um número de horas de frio necessário para se obterem bom desenvolvimento da cultura e boa produtividade. 2 - CULTIVARES Ao escolher a cultivar, levar em conta as suas características quanto à exigência em comprimento de dia e número de horas de frio; tolerância ou suscetibilidade a doenças; produtividade; sabor; tamanho, coloração e formato dos frutos e aceitação pelo consumidor. Para o Estado de Minas Gerais, as cultivares recomendadas são Oso Grande, Camarosa, Dover, Sweet Charlie, Toionoka, Tudla, Gaviota, Seascape, Aromas e Diamante. As três últimas são cultivares de dias neutros. Convém lembrar que a cada ano são disponibilizadas novas e mais eficientes cultivares. A substituição tem sido muito freqüente em função das características e das condições ecológicas de cada região produtora. 3 - SISTEMAS DE CULTIVO O morango pode ser cultivado em canteiros a céu aberto, em estufas e em combinação com o uso de túnel baixo. Atualmente está sendo implantado o sistema de cultivo hidropônico ou cultivo na vertical. 4 - ESCOLHA DO LOCAL O morangueiro produz melhor em solos areno-argilosos e bem drenados. As áreas devem ser de fácil acesso e ter bom suprimento de água para irrigação. Evitar o plantio em local recentemente cultivado com tomate, batata, fumo ou com o próprio morango. Evitar o plantio em terras de baixada úmida. 5 - ÉPOCA DE PLANTIO A época de plantio varia de acordo com a região e a cultivar a ser plantada. De um modo geral, planta-se de janeiro a maio. Em regiões mais quentes, a época recomendada é de abril a maio. Em locais com altitude acima de 1.000 metros, as cultivares de dia neutro podem ser plantadas até setembro. 6 - PRODUÇÃO DE MUDAS No caso de se optar pela produção das mudas, o produtor deve adquirir as plantas matrizes de origem idônea e com registro no órgão competente. O viveiro de mudas deve ser instalado em local afastado de culturas comerciais, pelo menos 500 metros; que não tenha sido cultivado com morango nos últimos cinco anos e, se possível, com altitude superior à do local onde a cultura será implantada. Os canteiros do viveiro devem ter 2,80 m de largura. As covas onde serão plantadas as matrizes são abertas em uma única linha, no
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    centro dos canteirose espaçadas de 2,0 m. O plantio das matrizes é realizado nos meses de setembro e outubro, e as mudas são colhidas (retiradas) de janeiro a março. As plantas matrizes devem receber adubações de cobertura e foliar na cova. Devem ser adotados cuidados especiais com a irrigação e com os aspectos nutricional e fitossanitário. As mudas colhidas devem ser selecionadas por tamanho, classificando-as em pequenas, médias e grandes. Existem outros métodos de produção de mudas, nos quais as matrizes são colocadas em recipientes instalados em estufas. 7 - PREPARO E CONSERVAÇÃO DO SOLO O solo deve ser arado a uma profundidade de 20 a 25 cm e depois gradeado de forma que a terra fique bem destorroada, para facilitar o levantamento dos canteiros. Nos terrenos de meia-encosta, adotar práticas de conservação do solo. Os canteiros devem ter entre 10 e 20 m de comprimento, 1,20 m de largura e 0,20 a 0,30 m de altura. O espaço entre os canteiros deve ser de 0,40 m. 7.1 - Marcação das covas Após ligeira irrigação dos canteiros, marcar o local das covas com um marcador manual no espaçamento de 0,30 m entre as linhas – canteiros com três linhas de plantio – por 0,34 m entre as covas. Assim, em uma área de um hectare, descontadas as áreas de serviços e entre os canteiros, são plantadas 60.000 mudas. Pode-se, ainda, utilizar de canteiros com 4 linhas, espaçamento de 0,30 m x 0,30 m e plantio de 70.000 mudas. Neste caso, o controle fitossanitário exige maiores cuidados, além de dificultar a obtenção de frutos de boa qualidade. 7.2 - Mudas As mudas devem ser de viveiristas idôneos, dando preferência àquelas originárias de plantas matrizes produzidas por métodos de biotecnologia e isentas de vírus. Para o plantio de um hectare gastam-se cerca de 80.000 mudas, considerando a possibilidade de se fazer um replantio de até 20.000 mudas. 7.3 - Correção da acidez e adubação Recomenda-se fazer a calagem e a adubação de acordo com o resultado da análise do solo. Na ausência desse resultado, podem ser feitas as seguintes aplicações (calcário e adubo): a) Calagem Distribuir 4 a 5 toneladas de calcário dolomítico por hectare. b) Adubação de plantio (canteiros) Usar 1,0 kg de cama aviária ou esterco de galinha, curtidos, por metro quadrado de canteiro. Junto com a cama aviária, aplicam- se, ainda, 140 g de adubo químico NPK 05- 30-16, por metro quadrado de terreno. Os adubos devem ficar bem misturados com a terra dos canteiros e ser aplicados de 10 a 12 dias antes do plantio. c) Adubação de cobertura Aplicar 21 gramas por planta de fertilizante químico NPK 10-10-10 ou 12-06-12, em três vezes. A primeira adubação de cobertura deve ser realizada 25 dias depois do plantio e antes da colocação do plástico sobre os canteiros. A segunda adubação é feita no início da primeira floração, e a terceira, no início da segunda floração. O parcelamento da adubação de cobertura pode ser ampliado para até seis vezes, sendo as aplicações mensais e a partir do plantio. d) Adubação foliar Recomenda-se, em complemento à adubação de cobertura e em caso de necessidade, a aplicação de uma solução de nutrientes contendo boro, zinco, cálcio, potássio e nitrogênio a cada 20 dias. Esses adubos foliares são encontrados no mercado de insumos, e a quantidade ou dosagem vai depender da concentração de cada um. Seguir as recomendações contidas na bula. As adubações de cobertura e foliar podem ser feitas por fertirrigação (via água de irrigação). 8 - PLANTIO O plantio é feito manualmente, colocando-se a muda em uma pequena cova aberta com a
  • 3.
    mão. A mudadeve ser plantada na mesma profundidade em que se encontrava no viveiro, para que não fique “afogada”. Tomar cuidado também para que as raízes não fiquem voltadas para cima. Após colocar a muda na cova, chegar terra e fazer uma leve compressão com as mãos. Terminado o plantio, irrigar levemente. 8.1 - Colocação do plástico sobre os canteiros (mulching) Esta operação é realizada entre 25 e 30 dias após o plantio. Utilizar plástico (filme de polietileno) preto com 0,06 mm de espessura e 1,60 m de largura. Uma bobina tem 500 m de comprimento, e, por isso, gastam-se 13 a 14 bobinas por hectare. O plástico é afixado nos canteiros com grampos de arame ou taquaras de bambu com comprimento de 0,25 m. Passos: Colocar o plástico sobre o canteiro com as mudas transplantadas. Fazer um corte, no plástico, em forma de cruz onde as mudas se encontram. Puxar as mudas para fora pelo corte em cruz. Fixar o plástico com grampos a cada 0,50 m nas laterais do canteiro e a cada 1,0 m no centro do canteiro. Colocar capim seco (capim-gordura, capim-barba-de-bode) ou palha de arroz entre os canteiros. 8.2 - Irrigação A irrigação pode ser feita por aspersão, porém o gotejamento (fertirrigação) tem sido mais eficiente e econômico. Geralmente irriga-se três vezes por semana e com duração de 30 a 45 minutos. Evitar o excesso de água. Seguir as orientações de um técnico. 8.3 - Limpeza Retirar as folhas velhas, rasgadas e atacadas por doenças. O objetivo é reduzir a fonte de disseminação dos agentes causadores de doenças. A cada sete dias, retirar os estolões (cipós que surgem com as folhas). 9 - PRAGAS E DOENÇAS Para o controle ou prevenção de pragas e doenças, usar agrotóxicos registrados para a cultura e cadastrados para uso no Estado de Minas Gerais, obedecendo rigorosamente ao período de carência, às dosagens e aos cuidados nas aplicações. Siga as instruções da EMATER–MG contidas na publicação “Agrotóxicos – como usar corretamente e com segurança”. Adotar, quando possível, formas alternativas e mais ecológicas para controlar pragas e doenças. - Pragas: ácaro-rajado; ácaro-do-enfezamento; ácaro-vermelho. - Doenças: antracnose; flor-preta; oídio, mancha-de-micosferela; mancha-de-diplocarpon; mancha-de-dendrofoma; mancha-angular; mancha-de-pestalotiopsis; mofo-cinzento; rizoctonios; murcha-de-verticilium e viroses. 10 - COLHEITA O início da colheita depende da época do plantio. Geralmente ocorre 2 a 3 meses após o plantio, dependendo do clima da região. A colheita pode iniciar-se em abril ou maio e estender-se até dezembro, com pico em agosto. O ponto de colheita ocorre quando o fruto está “de vez”, o que é caracterizado por 50% do fruto de cor rósea ou por 50 a 70% do fruto na cor vermelha. A colheita é feita diariamente ou a cada 2 dias. O fruto é destacado da planta pelo pedúnculo (cabinho do fruto), por corte feito com a unha do dedo polegar do colhedor. 10.1 - Produtividade A produtividade média por hectare é de 54.000 kg, correspondendo a 45.000 caixas de 1,2 kg ou 180.000 caixinhas de 300 gramas. 10.2 - Classificação e embalagem A classificação é feita por tamanho do fruto, sendo extra, acima de 14 g, e de primeira, de 6 a 14 g cada morango. As embalagens utilizadas são caixas de papelão, de
  • 4.
    polietileno expandido (isopor)e de plástico transparente com tampa. Os frutos são dispostos em fileiras e com uma ou duas camadas. Cada caixa comporta cerca de 300 g de morango. Essas caixas, em número de quatro, são colocadas em uma caixa de papelão. O morango destinado à industrialização é embalado em caixa de plástico ou de madeira com capacidade para 5 kg. 10.3 - Rotulagem Toda embalagem, seja de que tipo ou tamanho for, deve ser rotulada e estar de acordo com a Instrução Normativa Conjunta SARC/ANVISA/INMETRO nº. 009 de 12/11/2002. 11. COMERCIALIZAÇÃO, ARMAZENAMENTO E TRANSPORTE O morango deve ser comercializado no mesmo dia da colheita. Se for armazenado em condições de umidade e temperatura ambiente, deve ser consumido em dois dias. Entretanto pode ser estocado ou colocado em geladeira para ser consumido em um período de até 5 dias. Neste caso, os frutos devem ser embalados em caixas de plástico, envolvidas por filmes de polietileno, e mantidos na temperatura de 0 ºC a 5 ºC. Em maior escala e em nível de atacadista, o morango deve receber um resfriamento rápido, passando de 25 ºC para 5 ºC e ser armazenado a frio por cerca de cinco dias, na temperatura de 0 ºC e umidade relativa de 90 a 95%. O transporte, do atacadista de origem até o mercado mais distante, deve ser feito adotando um sistema de atmosfera modificada, que consiste na aplicação de CO2 e O2 sobre o morango colocado em uma sacola de filme plástico de permeabilidade adequada, fechada hermeticamente. Procurar orientação de um profissional especializado em fisiologia de pós-colheita.