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                DANIELA DA GRAÇA STIEH




  RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO
  REALIZADO NO HOSPITAL DA CRIANÇA SANTO ANTÔNIO
PPAEH – Prática Pedagógica em Ambiente Educativo Hospitalar




                            Relatório de Estágio Curricular Supervisionado em EI
                            apresentado à Disciplina de Estágio Curricular
                            Supervisionado I do Curso de Licenciatura em
                            Pedagogia do Centro Universitário Metodista do IPA.




     Professora Supervisora: Nara Raquel Nehme Borges




                      PORTO ALEGRE
                          2008
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Agradecimentos,

A minha supervisora de estágio Nara Borges, por todo o
suporte e dedicação.
As amigas Karen e Marilene, pelo apoio no
desenvolvimento de meu estágio, e pelas idéias que tanto
contribuíram para que o mesmo acontecesse.
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"A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua
estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam
para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas
moradas estão tesouros da ternura humana dos quais só
os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um
diferente. A menos que você seja suficientemente forte
para suportá-lo depois”.
                            Artur da Távola
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                                                          SUMÁRIO



1. Introdução ......................................................................................................07
2. Cronograma – Quadro de atividades e horas de estágio...............................10
3. Justificativa.....................................................................................................11
4. Objetivo Geral.................................................................................................12
4.1 Objetivos Específicos.....................................................................................12
5. Histórico da Instituição – HCSA......................................................................13
6. Observação.....................................................................................................16
7. Referencial Teórico.........................................................................................19
7.1 Era uma vez: escutando as histórias que os sujeitos nos contam em silêncio,
em gestos e, ás vezes, também em palavras.......................................................25
8.    Desenvolvimento do Estágio......................................................................... 28
8.1 Vivenciando práticas no ambiente hospitalar.................................................28
8.2 As agitadas Quartas Feiras............................................................................32
8.3 Um dia atípico no hospital: Segunda Feira.....................................................34
9.    Conclusão.......................................................................................................36
10. Referências Bibliográficas...............................................................................37
Anexos....................................................................................................................38
Anexo I - Fotos........................................................................................................39
Anexo II...................................................................................................................40
Anexo III..................................................................................................................41
Anexo IV..................................................................................................................42
Anexo V...................................................................................................................43
Anexo VI..................................................................................................................44
Anexo VII.................................................................................................................45
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1.INTRODUÇÃO



       O presente relatório é um documento que registra minhas vivências, reflexões, análises,
ações e interações no Estágio Curricular Supervisionado, com ênfase em Educação Infantil,
realizado no Hospital da criança Santo Antônio no período de agosto a novembro de 2008.
       Os objetivos, a justificativa, as atividades, os conceitos e a fundamentação teórica
apresentados nesse Relatório, estão articulados de acordo com a proposta do Projeto do PPAEH –
Prática Pedagógica em ambiente educativo hospitalar. Durante as Práticas de Estágio desenvolvi,
em dupla e com o grupo de colegas e o projeto coletivo “Aprender brincando” , trata-se de
estimular a criança adoecida a envolver-se com o conhecimento produzindo. Durante este Projeto
utilizaremos diversos recursos como: expressão corporal, dramatização, representação, imagem
mental, memória, exploração de fantoches, e diferentes materiais assim como atividades baseadas
no livro “SACO DE BRINQUEDOS” de Carlos Urbim.
       As práticas pedagógicas serão diárias e não seqüenciais devido à rotina do ambiente
hospitalar. O essencial recurso utilizado na prática será a caixa pedagógica, onde será disponível
a criança diversos materiais para o bom andamento das atividades propostas. A prática se dará
nos leitos, sala de recreação, saguão do S.U.S quando as atividades forem para todas as crianças
do hospital devido ao mês da criança, onde o hospital disponibiliza um calendário muito
dinâmico.
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       O trabalho no hospital teve início com a reunião com a supervisora do estágio a docente
Nara Raquel Borges com objetivo de apresentar algumas características do hospital e orientar o
grupo sobre regras de convivência, cuidados com a higiene e ética.

       A equipe profissional que compõe o HCSA é composta de duas enfermeiras e uma
psicóloga, assistente social, terapeuta ocupacional, fisioterapeutas, voluntários etc...

       O HCSA é um hospital destinado ao cuidado da criança, onde atende a várias
especialidades. Possui andares de internação SUS (Sistema único de Saúde) e andares de
internação de convênios. Essa Instituição conta com o apoio de dezenas de voluntários, nos quais
a sua função é de acarinhar, ofertando otimismo e alegria para as crianças acompanhadas ou não
de seus pais ou familiares.

       É obrigatório o uso do álcool-gel, para evitar contaminações ao entrar e ao sair de um
leito e do hospital. Também é necessário o cuidado com os objetos utilizados nos atendimentos.
Por exemplo, utilizar brinquedos de material lavável, evitar brinquedos pequenos e peludos e etc.

       Neste tipo de trabalho deve-se sempre buscar informação com a enfermeira referente aos
pacientes isolados. Porém, sempre há um aviso na porta dos quartos. Podem-se realizar atividades
com estas crianças, desde que sejam tomados alguns cuidados como: usar máscaras e luvas.
Neste período de estágio, foi possível conhecer       algumas regras de controle de infecção tais
como: as visitas são restritas aos pais ou cuidadores, não devemos realizar a prática no hospital
em caso de estarmos resfriadas.

       Deve-se ter compreensão dos aspectos envolvidos na hospitalização, bem como os
aspectos emocionais dos pacientes hospitalizados. Daí a importância dos estudos sobre pedagogia
hospitalar.

       A hospitalização causa vários sentimentos no indivíduo. Quando alguém adoece tem-se o
sentimento de onipotência abalada. Desta forma percebe-se que temos limites e que um dia
morreremos, ou seja, as pessoas ficam muito dependentes.

       A família precisa se reorganizar, e isso podem reforçar a regressão do paciente, mas é
preciso ser incentivado.
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       Uma pessoa doente mexe com toda a estrutura da família. E a maioria dos pais tem o
sentimento de que não foram capazes de gerar ou de cuidar de uma criança saudável, e o
sentimento das crianças é o de que fizeram alguma coisa para estar no hospital. Para resgatar a
identidade dos responsáveis pelas crianças, não devemos chamá-los de “pai” ou de “mãe” e sim
perguntar o seu nome.

       Sobre a questão da morte, precisamos estar atentos, pois algumas crianças também
querem falar sobre isso e que algumas crianças morrem sim, já que o desenvolvimento emocional
da criança terminal é diferente do adulto. Mesmo assim elas têm medo de serem esquecidas,
colocam desenhos para todo mundo no quarto e não podemos impor valores, julgá-los. Nós não
precisamos dar conta de tudo. Durante alguns atendimentos no hospital recebi várias orientações
sobre a ética que se deve ter no atendimento de pacientes. Não se deve de maneira alguma falar
dos pacientes para outras pessoas, citar nomes etc. Por isso os nomes e na medida do possível os
rostos das crianças serão preservados neste trabalho.

       Não é papel da pedagogia hospitalar fazer atendimento psicológico com as crianças e pais,
pois os mesmo sentem a necessidade de contar a sua história para ver se alguém lhe conta algo de
novo que alguém lhe de esperanças, devemos apenas saber trabalhar com a escuta pedagógica,
onde norteia aqui este relatório.

       Está prática no Hospital da Criança Santo Antônio representará mais que uma
oportunidade de relacionar teoria e prática. Representará um acordar para o mundo. O mundo
cheio de coisas que ainda preciso vivenciar e conhecer, digamos um novo mundo. O trabalho
educativo com a Educação Infantil no ambiente hospitalar representará um atendimento
humanizado, visando atender os direitos da criança e do adolescente hospitalizado, bem como,
valorizando o pedagogo como parceiro para tal conquista.
9




      2. CRONOGRAMA – QUADRO DE ATIVIDADES E HORAS DO ESTÁGIO

                                           CURSO DE PEDAGOGIA
                 Ficha de Freqüência de Estágio Curricular Supervisionado em Educação Infantil
                              Local de Estágio: Hospital da Criança Santo Antônio
                                              Matrícula: 2229113
                                                 Turma: PDS41


    DATA             HORÁRIO           Horas de                       Atividades realizadas
                   Inicio - Término     Estágio
23/08/08          14:00 às 18:00      4 hs        Prática Pedagógica - Observação
06/09/08          8:30 às 17:30       8 hs        Prática Pedagógica - Observação - leitos
13/09/08          8:30 às 17:30       8 hs        Prática Pedagógica - Observação - leitos
24/09/08          8:30 às 12:30       4 hs        Prática Pedagógica
27/09/08          13:30 às 17:30      4 hs        Prática Pedagógica - Reunião evento dia 18/10
01/10/08          8:30 às 12:00       4 hs        Prática Pedagógica
04/10/08          13:30 às 17:30      4 hs        Prática Pedagógica
08/10/08          8:30 às 12:00       4 hs        Prática Pedagógica
11/10/08          8:30 às 17:30       8 hs        Prática Pedagógica - Compra de brinquedos e ensaio teatro
13/10/08          8:30 às 17:30       8 hs        Prática Pedagógica
15/10/08          8:30 às 12:00       4 hs        Prática Pedagógica - ensaio teatro
18/10/08          7:00 às 12:00       5 hs        Prática Pedagógica - Apresentação teatro e visita a U.T.I
22/10/08          8:30 às 12:00       4 hs        Prática Pedagógica - Atividades Dia da Criança
25/10/08          8:30 às 17:30       8 hs        Prática Pedagógica
29/10/08          8:30 às 12:00       4 hs        Prática Pedagógica
31/10/08          8:30 às 17:30       8 hs        Prática Pedagógica
01/11/08          8:30 às 17:30       8 hs        Prática Pedagógica
05/11/08          8:30 às 12:00       8 hs        Prática Pedagógica
22/10/08          10:00 às 13:00      3 hs        Auto-Avaliação e Avaliação
           Total de Horas
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________________________                                           ______________________
Coordenação do Curso de Pedagogia                                  Supervisora de Estágio do Curso




                                ________________________
                                Representante da Unidade Cedente




3. JUSTIFICATIVA



       O Curso de Pedagogia tem como objeto a docência e a gestão como prática social da
educação em contextos sociais e institucionais e visa à formação de profissionais que possam agir
nos mais diversos setores da sociedade. Ao abordar as diversas áreas do conhecimento,
envolvendo ciências humanas, sociais e tecnológicas, habilita o acadêmico-a para o exercício
da docência em ambientes educativos escolares e não escolares na Educação Infantil, nos anos
iniciais do Ensino Fundamental, inclusive na etapa fundamental da Educação de Jovens e Adultos
e no Ensino Médio na modalidade Normal.
       Nesse sentido, propõe a implantação do PROJETO DE ESTAGIO SUPERVISIONADO
NO HOSPITAL SANTO ANTONIO, tomando o ambiente hospitalar como campo de estágio
para o desenvolvimento de processos educativos, produção de conhecimentos e reflexão sobre a
prática pedagógica necessários à formação de educadores-as comprometidos-as com a inclusão
social e o cumprimento dos direitos humanos. A atuação dos-as estagiários-as visa o atendimento
coletivo na forma de classe hospitalar ou individualizado, no leito,        de crianças e jovens,
garantindo-lhes o    acesso ao conhecimento necessário para a sua interação no mundo
contemporâneo.
       O presente PROJETO orienta-se pelo Parecer CNE/CP nº 5, de 13 de dezembro de 2005,
sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia e pelo Projeto Pedagógico
do Curso, inspirado nas Diretrizes para a Educação na Igreja Metodista consubstanciadas no
Plano para a Vida e a Missão da Igreja e ratificadas pela recente legislação. Além disso busca o
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cumprimento dos Direitos da Criança e do Adolescente hospitalizados, no que se refere “ao
direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde,
acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar.” 1




4. OBJETIVO GERAL


        Promover       a prática pedagógica em ambiente educativo hospitalar, favorecendo a
construção de aprendizagens significativas nas diversas áreas do conhecimento com crianças,
adolescentes. Tendo em vista o comprometimento com a inclusão social e com o cumprimento
dos direitos humanos, entre eles o direito à educação e ao exercício da cidadania.


4.1 Objetivos Específicos


    •   Compreender, cuidar e educar a criança e o (a) jovem adoecidos-as, contribuindo para o
        desenvolvimento de habilidades e competências ao trabalhar com diferentes códigos e
        linguagens , ajudando-os a olhar para a vida como valor maior.
    •   Propor práticas educativas, considerando a importância da escuta pedagógica, do trabalho
        lúdico, do jogo simbólico no processo de construção do conhecimento, agenciando
        necessidades intelectuais, emoções e sentimentos e respeitando a faixa etária
    •   Assegurar o direito à continuidade do processo ensino-aprendizagem e a sua reintegração
        ao grupo escolarizado, estabelecendo e mantendo o vinculo com a instituição escolar,
        tendo em vista a sua inclusão educacional, evitando a evasão e a repetência.
    •   Proporcionar condições para o resgate da auto-estima das crianças e adolescentes,
        minimizando suas perdas sociais, culturais, psicológicas e cognitivas pelo fortalecimento
        de suas capacidades de aprender e interagir.

1 Resolução n° 41 de outubro de 1995 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.
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   •   de um trabalho em        equipe, conhecendo a evolução desses sujeitos adoecidos e
       oferecendo-lhes uma atenção integral pelo olhar dos –das profissionais que os-as cercam.




5.HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO

       Até início do século XIX Porto Alegre não dispunha de nenhum hospital, e os doentes
eram atendidos em seus domicílios ou em dois albergues-enfermarias precários, um administrado
por Ângela Reiuna e José Antônio da Silva, e outro construído por volta de 1795 na Praia do
Arsenal por José da Silva Flores e Luís Antônio da Silva.

       Chegando à província o Irmão Joaquim Francisco do Livramento, dado à caridade e já
tendo fundado antes a Santa Casa de Misericórdia do Desterro, na Ilha de Santa Catarina,
associou-se aos dois últimos benfeitores a fim de criar-se em Porto Alegre instituição semelhante.
Como tais Casas de Misericórdia necessitavam de autorização Real para funcionarem, em 3 de
abril de 1802 o Senado da Câmara elaborou uma petição ao Príncipe Regente Dom João para que
se desse permissão para tal. Um Real Aviso de 14 de maio do mesmo ano foi então expedido pelo
Governador da Capitania, Paulo José da Silva Gama, autorizando o início da empreitada, e dando
poderes à Câmara Municipal para que elegesse a primeira Mesa Administrativa do Hospital de
Caridade de Porto Alegre, a qual foi eleita em 19 de outubro de 1803, escolhendo como
Tesoureiro o Capitão José Francisco da Silva Casado, como Escrivão Joaquim Francisco Álvares,
e como Procurador Luís Antônio da Silva. No seguinte dia 23 foi eleito como primeiro Provedor
o próprio governador Paulo da Gama.

       Em fins de 1803 começou a construção da sede, sob direção do Brigadeiro Francisco João
Rocio até 1806, ano de sua morte. Os Provedores seguintes, o Marquês de Alegrete e o Conde da
Figueira, planejaram alterar a designação do hospital para que atendesse aos doentes militares, o
que gerou conflitos internos que prejudicaram a arrecadação de esmolas. Mas em 29 de maio de
1822 o Príncipe Dom Pedro confirmou à Irmandade da Santa Casa as prerrogativas comuns às
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outras Misericórdias, e assumiu a Provedoria o desembargador Luís Correia Teixeira de
Bragança, que participando antes da Junta da Fazenda já defendera os interesses legítimos da
Santa Casa contra os desmandos dos Provedores anteriores. Conseguiu concluir as primeiras
enfermarias, a cozinha e a capela, e passou a administração ao Visconde de São Leopoldo, que
encontrou a instituição em condições de entrar em funcionamento.

       Os primeiros doentes foram admitidos em 1 de janeiro de 1826, e em 1837 a Santa Casa
passou a cuidar dos infantes expostos, passando a receber subvenção governamental e a posse de
todos os terrenos devolutos e aforados da cidade, com as respectivas rendas. Pela Provedoria da
Santa Casa passaram diversas figuras ilustres, como o então Barão de Caxias, o Marechal Luís
Manuel de Lima e Silva, o Barão de Guaíba, o Barão de Gravataí e o Dr. Ramiro Barcellos.

       O Hospital São Francisco, para não-indigentes, foi erguido na administração do Dr.
Aurélio de Lima Py, entre 1926 e 1930. A Maternidade Mário Totta foi criada em 1940, e mais
tarde outras instituições floresceram do tronco principal da Santa Casa, como o Hospital da
Criança Santo Antônio, o Hospital do Câncer e todos os que hoje perfazem o grande complexo
hospitalar da Santa Casa de Misericórida de Porto Alegre.

       A atuação dos voluntários Contadores de História é marcada pelo entusiasmo e pela
vontade de transformar a internação de pequenos pacientes num momento mais terno e agradável.
Para chegar até a formatura, ele passa por um longo período de treinamento, que o capacita a
conviver harmoniosamente no ambiente hospitalar. Tudo isso porque a Associação Viva e Deixe
Viver busca formar voluntários conscientes, comprometidos e constantes em todas as ações.

       Por sua atuação exemplar, o Contador de Histórias é hoje considerado uma peça
importante na transformação da doença em saúde e sua contribuição na recuperação de pequenos
pacientes é cada vez mais reconhecida por médicos, equipe multidisciplinar e familiar.

       A atuação dos voluntários Contadores de História é marcada pelo entusiasmo e pela
vontade de transformar a internação de pequenos pacientes num momento mais terno e agradável.
Para chegar até a formatura, ele passa por um longo período de treinamento, que o capacita a
conviver harmoniosamente no ambiente hospitalar. Tudo isso porque a Associação Viva e Deixe
Viver busca formar voluntários conscientes, comprometidos e constantes em todas as ações.
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       Por sua atuação exemplar, o Contador de Histórias é hoje considerado uma peça
importante na transformação da doença em saúde e sua contribuição na recuperação de pequenos
pacientes é cada vez mais reconhecida por médicos, equipe multidisciplinar e familiar.

       Para garantir a segurança alimentar e nutricional de familiares e acompanhantes de
pacientes do Hospital da Criança Santo Antônio, o prefeito José Fogaça assinou um termo de
parceria com a Santa Casa de Misericórdia, a Associação dos Amigos Voluntários da Casa da
Sopa e a Associação dos Parceiros da Ação Sustentável com Responsabilidade Social. Durante a
solenidade, no andar térreo da instituição, foram comemorados os seis anos do novo prédio do
hospital.

       Conforme a parceria, 150 kits de alimentação serão distribuídos diariamente aos
acompanhantes de crianças internadas no Hospital da Criança e no Departamento de
Neonatalogia do Complexo Hospitalar Santa Casa.
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6. OBSERVAÇÃO


       O período de observação referente ao estágio supervisionado em Educação Infantil, no
ambiente hospitalar possibilitou ao grupo de estagiárias o conhecimento do Hospital da criança
Santo Antônio, onde no primeiro momento         observamos os espaços físicos, as rotinas das
crianças, profissionais que atendem, a decoração do ambiente infantil, as vivências e o cotidiano
das crianças hospitalizadas

        Ao chegar pela primeira vez ao hospital, no saguão do SUS, observei que o espaço é
amplo e decorado com características infantis. Neste mesmo espaço me deparei até mesmo com
um cartaz feito pelas crianças do hospital com desenhos e figuras sobre as olimpíadas. Confesso
que fiquei muito surpresa, visto que na minha concepção o hospital é um lugar de dor, de coisas
ruins, de sofrimento, mas, percebi que um ambiente hospitalar infantil deve ser diferenciado
sempre enfocando o brincar e a ludicidade.

       Logo após a exploração do ambiente dito externo, ocorreu uma reunião com a supervisora
do estágio a professora Nara, a respeito de horários e algumas rotinas de reuniões com alguns
profissionais do hospital. Após a conversa referente ao hospital, tive meu primeiro contato com
as crianças enfermas. Este contato seria apenas um breve passeio de reconhecimento dos andares
e leitos. Neste mesmo passeio de reconhecimento do espaço, observei a sala de recreação que o
hospital possui, a mesma é ideal para a criança hospitalizada, pois ela irá integrar- se ao meio e
aos outros que se encontram na mesma situação de vulnerabilidade. Este espaço recreativo dispõe
de: computadores, televisores, brinquedos, jogos, mesinhas de escola, dvd, além de um espaço
decorado e muito convidativo, onde a criança pode criar, brincar, imaginar fazer de conta.

       Segundo Vygotsky,(2000) a interação social e o instrumento lingüístico são decisivos para
o desenvolvimento. A aprendizagem está pautada na interação do indivíduo com o meio no qual
está inserido. Concordo com este teórico, pois somente com a interação e trocas com o meio
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podemos adquirir vários conhecimentos. A criança hospitalizada pode interagir com outras
crianças nesta mesma situação, em seu leito ou no espaço recreativo.

       Vygotsky, (2000a, p.133) também ressalta em suas obras que o brinquedo e o jogo são
essenciais na vida da criança. O posicionamento deste teórico é maravilhoso, pois vejo que o
mesmo faz com que a criança possa reproduzir uma variedade de ações de sua vida através de um
brinquedo. O brinquedo, contudo, não pode ser visto como uma forma de adaptar a criança às
condutas médicas e, ainda que o jogo busque ocupar o tempo ocioso do hospital, o objetivo de
uma prática pedagógica é transformar esses momentos também em tempo de aprendizagens.
Desta forma, entendo que a criança, porque aprende, também se desenvolve, e isso a ajuda a
enfrentar melhor o acontecimento da vida.

       O jogo sem dúvida também é uma forma da criança expressar seus desafios,
conhecimentos e raciocínio lógico. É a partir dessas atividades lúdicas que surge uma
interpretação mais complexa da realidade.

       O espaço físico da recreação é muito interessante, visto que a criança já está debilitada
pela doença, não está no seu meio como antes. Ela precisa se sentir em casa, com suas atividades
de origem, até mesmo para sua saúde ter uma evolução positiva durante este período de
internação. A saúde envolve a busca do equilíbrio físico e social, bem como a relação do
indivíduo com o seu ambiente. Saúde é movimento da ação. Por isso é importante também falar
sobre a saúde neste ambiente, pois implica promover ações de higiene, e prevenção de
contaminações hospitalares.

       É impressionante como um hospital destinado somente ao cuidado infantil, traz em seu
interior um imenso universo infantil, com suas paredes e corredores decorados. Pois é um
momento em que a criança está fragilizada não pode perder o seu lado infantil em função de seu
problema. Ela continua tendo o direito de aprender, expor suas idéias, brincar, estar inserida no
mundo, como dizem nossos grandes teóricos Wallon e Vygotsky que contribuem com suas
concepções sócio interacionistas.

       Visitei no segundo momento desta observação a UTI pediátrica, onde o caso é mais
crítico. Crianças com problemas graves e até mesmo recém operados. Percebi que mesmo nesta
17




situação delicada, a criança continua sendo criança. O que mais me chamou atenção neste espaço
de unidade de terapia intensa, é à vontade e a alegria estampados nos olhos das mesmas (o dito ar
infantil que não se perde).

       Quando o grupo que estava nesta observação fazia algumas perguntas referentes a
histórias, parece que a criança esquece sua dor e nos relata seus gostos pela leitura e o que gostam
de assistir. Esta recepção foi maravilhosa e muito construtiva.

       Visitei o quarto de uma menina que já estava há alguns meses naquele ambiente, e o
mesmo passa um ar ingênuo e infantil, pois dispõem de brinquedos, bichos, retratos de família.
Eu achei isto fantástico, visto que para se recuperar a criança necessita estar perto de seus
pertences de origem, para que possa evoluir se divertindo.

       Sei que a Pedagogia é um campo de atuação da educação que lida com o processo de
construção do conhecimento, e que o profissional dessa área é o mais apto a mediar e nortear a
educação que por sua vez é guiada pela fixação de regras que só se colocam por conta da
existência de objetivos educacionais. Por outro lado sabemos que o ambiente hospitalar, é um
centro de referência e tratamento de saúde, que acaba por gerar um ambiente muitas vezes de dor,
sofrimento e morte, causando uma forma de ruptura dessas crianças e adolescentes com os laços
que mantém com seu cotidiano e produção da existência da construção de sua própria
aprendizagem. Mediante a problemática de saúde que requeriam hospitalização, independente do
tempo de internação, através das políticas públicas e estudos acadêmicos, surge à necessidade da
implantação da Pedagogia Hospitalar.
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7. REFERENCIAL TEÓRICO


                   Atualmente, a Pedagogia Hospitalar como processo pedagógico é uma realidade
no vasto leque de atuação do pedagogo na sociedade contemporânea. Em muitos casos funciona
em parceria entre hospital, Universidade através dos estagiários e a instituição escolar de onde o
paciente é oriundo, preservando a continuidade do desenvolvimento da aprendizagem, através de
metodologias diferenciadas, flexíveis e vigilantes que respeitem o quadro clínico.

                     Rezende (2001) defende a importância desses estágios para os acadêmicos no
hospital, colocando que:
                                       “a criação de um estágio multiprofissional e interdisciplinar
                                       da área de saúde é benéfico a toda a comunidade
                                       envolvida. Os alunos terão uma visão das condições de
                                       saúde e a clientela do projeto, orientação para uma melhor
                                       qualidade de vida. As universidades terão campos de
                                       estágios, mostrando a realidade profissional, e a comunidade
                                       será beneficiada com o suporte científico”.



            Inicio este referencial fazendo uma breve comparação entre o Hospital Antônio da
Criança, bem como nossa prática docente, com a Escola da Ponte em Portugal, vivenciada e
descrita por Rubem Alves em “A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse
existir”.

        É óbvio que não estou me esquecendo que estou relatando uma prática em ambiente
hospitalar, por isso considero a comparação tão fascinante. “Vemos para fora e vemos para
dentro. Fora , vemos apenas o que de efêmero se vai oferecendo ao horizonte dos nossos olhos.
Dentro, tendemos a ver o que não existe, freqüentemente, o que desejamos que existisse”.
(Rubem Alves, 2003,p.8)

        Nos dois ambientes existe fraternidade e serenidade nos gestos, nos olhares, nas palavras
entre adultos e crianças. Todos se apóiam, todos ajudam, todos são afetivamente, cúmplices de
19




todos, todos são, solidariamente, responsáveis por todos. Ou seja, todos procuram reconhecer e
respeitar a identidade de todos. Uma verdadeira comunidade. Tanto no hospital como na Escola
da Ponte, não existem turmas separadas por idades, conteúdos rígidos, as crianças podem
escolher o que querem fazer e tem a liberdade de se deslocarem pelas dependências.

       Essas são algumas semelhanças interessantes e em ambos os casos percebesse um
extraordinário encantamento de quem os descrevem.
                                      “No entanto, é preciso deixar claro que tanto a educação não é
                                      elemento exclusivo da escola quanto à saúde não é elemento exclusivo
                                      do hospital. O hospital é, inclusive, segundo definição do Ministério
                                      da Saúde, um centro de educação”. (Rejane Fontes)


       Rubem Alves sonhava com uma escola, mas não imaginava que ela já existia. No caso do
estágio no Hospital é um mundo de sentimentos que se confundem entre si. Tendo em vista que,
logo na primeira visita aos leitos, percebi todas essas características que mencionei, mas nunca
imaginei que fosse encontrá-las em um hospital.

       Pensei também em porque essa realidade é tão negada? Porque não ouvimos falar nessas
crianças? E na graduação somente agora estou tendo a oportunidade de conhecer e fazer parte
dela. Isso nos dificulta um pouco quanto ao embasamento teórico da nossa prática, apesar dos
imensos esforços da supervisora de estágio do PPAEH.

       De fato, as crianças que estão hospitalizadas, são os nossos alunos que por motivo de
doença não podem freqüentar a escola como deveriam. E apesar de estarem enfermas, tem o
direto á educação como afirma a proposta de Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional
(MEC, 1996). É como o ECA nos traz também que é direito dos pais ou responsáveis ter ciência
do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.

       Poderia articular praticamente quase toda teoria estudada ao longo da graduação, pois as
crianças que estão hospitalizadas são as mesmas, obviamente que cada uma com sua
individualidade. O que as diferencia é o momento pelo qual estão passando e isso deve ser
altamente relevante em todos os momentos. Já que esta se distancia de seu cotidiano familiar e
escolar, acarretando sentimentos de solidão, medo e angústia, por experenciar a hospitalização.
20




       A existência de atendimento pedagógico em hospitais contribui, tanto na aprendizagem de
novos conhecimentos pelas crianças e jovens, para que não fiquem em situação de defasagem nos
conteúdos escolares, como na recuperação de sua saúde.

       Esse desejo não é sentido somente pelas crianças. Ao conhecer um pouco do trabalho
pedagógico que é realizado em hospitais, também desejei aprender e conhecer mais sobre essas
nova perspectiva da educação. Percebo que estamos sempre em processo de aperfeiçoamento,
que nunca estarei pronta e sim em constante aprendizado.

        O artigo “A escuta pedagógica e a criança hospitalizada” de Rejane Fontes, na realização
de uma breve síntese sobre o mesmo, pude fazer várias reflexões e relações com a prática no
HCSA, bem como articular com outros referencias teóricos existentes sobre pedagogia hospitalar
e educação infantil.

       Este artigo da escuta pedagógica pretende responder a várias questões como:

   •   É possível pensar o hospital como um espaço educacional para crianças internadas em
       enfermarias?

   •   Pode a educação contribuir para a saúde da criança hospitalizada?

   •   Que formas de educar são possíveis num hospital?

   •   Quais os limites e as possibilidades de atuação do pedagogo neste novo lócus de atuação?

       O trabalho pedagógico em hospitais apresenta diversas interfaces de atuação e está na
mira de diferentes olhares que o tentam compreender, explicar e construir um modelo que o possa
enquadrar. No entanto, é preciso deixar claro que tanto a educação não é elemento exclusivo da
escola quanto à saúde não é elemento exclusivo do hospital. Segundo o Ministério da Saúde: “o
hospital é inclusive um centro de educação”.

       Refletir sobre a atuação de professores em hospitais tem sido uma questão bastante
delicada na recente, mas já polêmica, discussão da prática pedagógica em enfermarias
pediátricas.
21




       A discussão começa entre duas correntes teóricas aparentemente opostas, mas que podem
ser vistas como complementares. A primeira delas, talvez a mais difundida hoje no Brasil e com
respaldo legal na política Nacional de Educação Especial (Brasil, 1994) e seus desdobramentos
(Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica – Brasil, 2001) defende a
prática pedagógica em classes hospitalares. São representantes dessa visão autores como Fonseca
(2001,2002), Ceccim (1997) e Ceccim e Fonseca (1999), que tem publicações nessa área de
conhecimento.
                                         Segundo a política do Ministério da Educação (MEC): “classe
                                         hospitalar é um ambiente hospitalar que possibilita o atendimento
                                         educacional de crianças e jovens internados que necessitam de
                                         educação especial e que estejam em tratamento hospitalar”.
                                         (Brasil,1994,p.20)



       Esta corrente defende a presença de professores em hospitais para a escolarização das
crianças e jovens internados segundo os moldes da escola regular, contribuindo para a diminuição
do fracasso escolar e dos elevados índices de evasão e repetência que acometem freqüentemente
essa clientela em nosso pais

       A outra corrente de pensamento segue passos como os da professora Regina Taam, da
Universidade Estadual de Maringá, que sugere a construção de uma prática pedagógica com
características próprias do contexto, tempos e espaços hospitalares e não simplesmente
transplantada da escola para o hospital.
                                         Segundo, (Regina Taam, 1997), faz-se necessária à construção de uma
                                         “pedagogia clínica”, (termo utilizado em seu artigo publicado na
                                         Revista Ciência Hoje), com forte embasamento na teoria da emoção
                                         do médico francês Henri Wallon (1879-1962)

       Regina Taam defende a idéia de que o conhecimento pode contribuir para o bem-estar
físico, psíquico e emocional da criança enferma, mas não necessariamente o conhecimento
curricular ensinado no espaço escolar.
                                         Segundo Taam (2000): O conhecimento escolar é o “efeito colateral”
                                         de uma ação que visa, primordialmente, á recuperação da saúde. O
                                         trabalho do professor é ensinar, não há dúvida, mas isso será feito
                                         tendo-se em vista o objetivo maior (a recuperação da saúde), pela qual
                                         trabalham todos os profissionais de um hospital.
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       Dessa forma, a autora pensa que tais correntes de pensamento, embora com especialidades
próprias, tendem a se integrar na prática pedagógica hospitalar. A educação em hospitais oferece
um amplo leque de possibilidades e de um acontecer múltiplo e diversificado que não deve ficar
aprisionado a classificações ou enquadramentos.
       Podemos entender pedagogia hospitalar como uma proposta diferenciada da pedagogia
tradicional, uma vez que se dá em âmbito hospitalar e que busca construir conhecimentos sobre
esse novo contexto de aprendizagem que possam contribuir para o bem-estar da criança enferma.
       O ofício do professor no hospital apresenta diversas interfaces (política, pedagógica,
psicológica, social, ideológica), mas nenhuma delas é tão constante quanto à da disponibilidade
de estar com o outro e para o outro. Certamente, fica menos traumático enfrentar esse percurso
quando não se está sozinho, podendo compartilhar com o outro a dor, por meio do diálogo e da
escuta silenciosa.
       Alguns autores como Ceccim (1997, p.31) falam da escuta pedagógica para agendar
conexões, necessidades intelectuais, emoções e pensamentos, ele afirma que:
                                                   “o termo escuta provém da psicanálise e diferencia-se da
                                                  audição.     Enquanto     a    audição    se    refere   á
                                                  apreensão/compreensão de vozes e sons audíveis, a escuta
                                                  se refere á apreensão/compreensão de expectativas e
                                                  sentidos, ouvindo através das palavras as lacunas do que é
                                                  dito e os silêncios, ouvindo expressões e gestos, condutas
                                                  e posturas. A escuta não se limita ao campo da fala ou do
                                                  falado, mais do que isso busca perscrutar os mundos
                                                  interpessoais que constituem nossa subjetividade para
                                                  cartografar o movimento das forças de vida que
                                                  engendram nossa singularidade”.

       Relacionando este texto á minha prática no hospital, logo no primeiro atendimento já foi
possível perceber a necessidade que tinham as crianças e as famílias de falarem e serem ouvidos
(enfatizar a doença). Também pude perceber que buscavam respostas novas para suas perguntas.
Ás vezes somente queriam ser ouvidos, e em outros momentos almejavam que fosse dito algo
que ainda ninguém tinha dito, talvez uma palavra de esperança.
                                      “Somente quem escuta paciente e criticamente o outro, fala com ele,
                                      mesmo que em certas condições, precise de falar a ele”. (Paulo Freire,
                                      1996, p.113)

       A escuta pedagógica se diferencia das demais escutas realizadas pelo serviço social ou
pela psicologia no hospital, ao trazer a marca da construção do conhecimento sobre aquele
espaço, aquela rotina, as informações médicas ou aquela doença, de forma lúdica e, ao mesmo
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tempo, didática. Na realidade, não é uma escuta em eco. É uma escuta da qual brota o diálogo,
que é à base de toda a educação.

       A constituição do sujeito por meio da linguagem e da afetividade: um diálogo entre as
teorias de Wallon e Vygotsky.

       Wallon (1941) não há dúvida de que na teoria walloniana a emoção é à base da
inteligência, seu primeiro suporte e seu vínculo com o social. A atividade emocional é uma das
mais complexas características do ser humano, pois é simultaneamente biológica e social, e é por
intermédio dela que se realiza a transição do biológico ao cognitivo, por meio da interação
sociocultural.

       A emoção possui aspecto contagiante, permeando todas as interações sociais do ser
humano. A importância de resgatar-se no presente estudo desses aspectos da emoção da teoria de
Wallon deve-se ao fato de que, na investigação junto a crianças hospitalizadas, o termômetro
emocional é mais intenso do que numa situação cotidiana, o que tende a interferir, a priori, em
sua construção do conhecimento, em sua compreensão da realidade. A acuidade de percepção do
real fica diminuída pelas próprias manifestações viscerais e musculares de uma tensão emocional.

       Segundo Wallon 1941:
                                      “devemos ter compreensão dos aspectos emocionais envolvidos na
                                      hospitalização, ampliando o nosso entendimento do paciente e da
                                      família,” escutando “não somente as dúvidas, mas também as
                                      angústias das pessoas que atendemos”.

       A maior contribuição de Vygotsky para a educação nasce de seu esforço de tentar
compreender a relação entre o aprendizado e o desenvolvimento em crianças em idade escolar.

       É no brinquedo e no faz-de-conta que a criança pode imitar uma variedade de ações que
estão muito além de seus limites de compreensão e de suas próprias capacidade. O brinquedo
surge na vida da criança juntamente com sua capacidade de imaginar, de transcender o real e
contribuir um mundo simbolicamente possível. Contudo o brincar no ambiente hospitalar ajuda a
elaborar o sofrimento e aceitar melhor a doença e o tratamento.

       Vygotsky (2000) ressaltou a enorme influência que o brinquedo exerce no
desenvolvimento da criança. É com o brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera
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cognitiva descolada da realidade imediata e passa a dominar os objetos independentemente
daquilo que vê, contextualizando-os e ressignificando-os. Este teórico desenvolveu também uma
das mais originais e brilhantes teorias acerca da linguagem como suporte e expressão do
pensamento humano, utilizando-se da analogia com o instrumento, enquanto ferramenta concreta
do pensamento humano. Segundo ele, o material básico do pensamento é a linguagem. Enquanto
o instrumento é visto como um meio externo, o signo é concebido como um meio interno do
desenvolvimento humano.

        Para Wallon e Vygotsky, aprendizagem está pautada na interação do indivíduo com o
meio no qual está inserido. Vygotsky particularmente, enfatizou o papel da cultura na história
pessoal, e o da linguagem na construção do conhecimento, mas vendo-a em interação com
elementos de sua cultura. A linguagem é o sistema simbólico básico de todos os grupos humanos.
A linguagem, que é simultaneamente individual e social, modifica e constrói conhecimentos e
sujeitos.

        Podemos concluir que tanto Wallon (1971,1975) quanto Vygotsky (2000) a
individualização apresenta-se como um processo mediado pela socialização, seja, afetiva ou
lingüisticamente. A identidade de indivíduos socializados forma-se simultaneamente no meio do
entendimento lingüístico com outros e no meio entendimento intra-subjetuvo-vital consigo
mesmo.

        Durante o tempo de hospitalização, o volume de informações a que as crianças e seus
acompanhantes estão submetidos precisa ser trabalhado de modo pedagógico num contexto de
atividades de socialização das crianças e de seus conhecimentos, sejam eles escolares, informais
ou hospitalares. A criança aprende a criar mecanismos para minimizar a sua dor, e esses
mecanismos podem ser socializados e até utilizados por outras crianças. Essa também é uma
prática educativa, mediada pelo indivíduo mais experiente da cultura.

        O importante é perceber a criança e seus familiares como seres pensantes que, quando
chegam ao hospital, já trazem histórias de vida, conhecimentos prévios sobre o que é saúde,
doença, e sobre sua ação nessa dinâmica. A atuação do professor deve proporcionar uma
articulação significativa entre o saber do cotidiano do paciente e o saber científico do médico,
sempre respeitando as diferenças que existem entre ambos os saberes.
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7.1 Era uma vez: escutando as histórias que os sujeitos nos contam em silêncio, em gestos e,
às vezes, também em palavras.


       O silêncio é algo tão comum na Enfermaria Pediátrica quanto o choro e o grito de bebês,
crianças e adolescentes hospitalizados. A opção de Cley, um dos sujeitos da pesquisa, foi o
silêncio. Mas sua expressão facial falava. Os estados afetivos encontram no tônus e na plástica
gestual seu canal mais transparente de expressão. A essa linguagem silenciosa do corpo, Wallon
(1975) chamou de motricidade expressiva. No trabalho pedagógico em hospital, o professor deve
considerar esse tipo de linguagem, devido à sua espontaneidade, como um de seus canais mais
importantes de comunicação.

       Em algumas cenas podemos observar também o comportamento do pai de Daniel, que não
se contentava com as folhas que possuía para uso pessoal e pedia sempre mais. Essa passagem
demonstra a ociosidade dos pais, que também necessita de um trabalho que ocupe de maneira
proveitosa seu tempo no hospital.

       Em quase todos os atendimentos, os pais participavam como se fossem crianças
descobrindo algo novo. Alguns pais participavam mais ativamente que as próprias crianças. Era
notório o prazer em realizar aquelas atividades com seus filhos.

       Segundo Wallon (1941):
                                       “o desenho , que é uma forma de expressão, é revelador de
                                       pensamentos, porque também é uma forma de linguagem. Pelo
                                       desenho a criança demonstra o conhecimento conceitual que tem da
                                       realidade e quais os aspectos mais significativos de sua experiência.
                                       Juntamente com o brincar, o desenho é a forma de expressão
                                       privilegiada pela criança”.

       Também tive a oportunidade de vivenciar e perceber estes momentos na minha prática
docente. Dentro da minha mochila tinham uma variedade enorme de materiais e sempre levava
um planejamento elaborado fazendo releituras a contos infantis. Depois de muita conversa,
propunha a atividade, mas na maioria das vezes as crianças queriam mesmo era desenhar. E na
sala de recreação também sempre chegava alguém pedindo para desenhar, com giz de cera,
caneta hidrocor, tinta e etc.
26




       O trabalho pedagógico em hospital não possui uma única forma de acontecer. O professor
tem de se reconhecer como pesquisador do seu fazer, buscando novas respostas para eternas
novas perguntas. Sem pesquisa, será impraticável mover a educação nesse terreno pantanoso, de
informações mediáticas e modismos fugazes, em que há tanto tempo tentamos não submergir.

       Como referência à escola, o professor pode tornar-se a ponte, através da realização de
atividades pedagógicas e recreativas, com um mundo saudável (a escola) que é levado, pelas
próprias crianças, para o interior do hospital como continuidade dos laços de aprendizagem e de
vida. Essa idéia de escola que as crianças levam para o universo hospitalar pode ser lida como a
representação de um lugar de constituição e referência da identidade de infância.

       Segundo Wallon, (1941,p.11):
                                          “enxergar e acreditar na criança enferma, assim como qualquer
                                          criança, é um primeiro passo para compreendê-la, respeitá-la e
                                          auxiliá-la em seu processo de desenvolvimento, porque a criança não
                                          sabe senão viver a infância. Conhecê-la pertence ao adulto”

       Pensando no que já conhecemos sobre Educação Infantil, procuramos realizar atividades
que contemplassem todas as áreas do conhecimento utilizando o Referencial Curricular Nacional
para a Educação Infantil – publicado pelo Ministério da Educação em 1998. Dando ênfase ao
lúdico com jogos e literatura infantil.

       O jogo, enquanto atividade espontânea da criança, foi analisado e pesquisado por vários
estudiosos para melhor compreender o comportamento humano. É um meio privilegiado tanto
para o estudo de crianças “normais”, quanto para aquelas que apresentam algum tipo de
necessidade especial, haja vista os inúmeros trabalhos sobre o assunto, como os de Freud,
Melanie Klein, Erikson e ainda, autores como Piaget, Claparéde, Callois e Ajuriaguerra que
escreveram obras sobre o jogo na criança. diversas são as análises e pesquisas feitas por
estudiosos que comprovaram que o jogo é, por excelência, integrador, há sempre um caráter de
novidade, o que é fundamental para despertar o interesse da criança, e na medida em que joga, ela
vai se conhecendo melhor, construindo interiormente seu mundo. Esta atividade é um dos meios
mais propícios à construção do conhecimento.

       Para exercê-la a criança utiliza seu equipamento sensório-motor, pois o corpo é acionado
e o pensamento também, e enquanto é desafiada a desenvolver habilidade operatórias que
27




envolvam a identificação, observação, comparação, análise, síntese e generalizações, ela vai
conhecendo suas possibilidades e desenvolvendo cada vez mais sua autoconfiança. É
fundamental, no jogo, que a criança descubra por si mesma, e para tanto o professor deverá
oferecer situações desafiadoras que motivem diferentes respostas, estimulando a criatividade e a
redescoberta.




8. DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO
8.1 Vivenciando práticas no ambiente Hospitalar.

       Ao chegar no hospital, eu e minhas colegas fomos para a sala do voluntariado para
distribuir os leitos para começar a trabalhar, conforme o projeto integrado brincriar, cujo o tema
é brinquedos e que se encontra em anexo neste trabalho. Na parte da manhã fui para o 6º andar,
leito da P... de 8 anos, A... de 3 meses e D... de 8 anos. Eu e minha dupla de prática Karen
entramos no quarto e as crianças já começaram as nos olhar com muita curiosidade. Comecei a
atividade com uma apresentação e com uma entrevista, para investigar um pouco da vida e
histórico de cada um.

       Em seguida iniciei as atividades onde P... foi muito receptiva. Contei o primeiro poema do
livro “O saco de brinquedos” a ela, e a mesma disse que já o conhecia. A partir daí trabalhei
sobre o poema e juntamente trabalhei a identidade.

       A criança P... logo após a atividade proposta, interessou-se muito pelo desenho. Neste
momento dei-lhe uma folha de ofício, canetinhas, lápis de cor e giz de cera. Ela ficou muito feliz,
seus olhos brilhavam de alegria. Ela prontamente começou a escrever o alfabeto e neste momento
começamos a trabalhar o nome. Após o alfabeto, propus o desenho de sua mão na folha, baseado
no poema do livro. Então neste momento ela começou a dar nome aos seus dedos e os escreveu
no desenho, onde estava muito bem ilustrado. Segundo o dicionário do professor, p.27:
                                       “A identidade é, provavelmente, uma das noções mais intrigantes das
                                       ciências humanas. Talvez não haja uma definição precisa para esse
                                       termo, mas certamente, uma tentativa de apreendê-lo na sua
                                       complexidade. O estudo da identidade, antes restrito á psicologia, hoje
                                       é parte integrante das ciências sociais. É possível constatar, nesses
                                       estudos, a adoção de uma abordagem interdisciplinar, que pode
                                       privilegiar tanto a dimensão individual como a psicossocial ou
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                                     coletiva da identidade. No campo da educação, pensar essa noção
                                     significa trazer para essa área conceitos complexos originários de
                                     outras disciplinas” .

       O educando D...não gostou muito da proposta expressando o que gosta de fazer. Ele pediu
jogo da memória, então demos a ele um jogo da memória com a figura humana e nomes, pois
estava trabalhando com o nome e sua identidade. O mesmo solicitou uma massagem nas costas
para a colega Karen, pois estava com muita dor. A colega fez a massagem trabalhando a
expressão corporal.

       No leito havia um bebê de 3 meses o A..., percebi um ato muito interessante, quando
cheguei perto dele fiz uma massagem em seus braços e mãos e o mesmo ficou bem relaxado. Ele
estava meio agitado, então sua mãe colocou uma música para ele ninar, observei que começou a
se acalmar e devido a este fato perguntei a ela desde quando ela fazia está dinâmica da música,
ela respondeu que desde a gestação ela coloca música para ele, e somente dorme escutando-a.
Davy Litman Bogomoletz, 1994 afirma que:
                                     “Muitos seres humanos trazem memórias corporais do processo de
                                     nascimento, como um exemplo marcante de um adiamento para além
                                     da compreensão, já que para o bebê que reage à intrusão de um parto
                                     adiado não há precedentes nem unidades de medida possíveis pelas
                                     quais mensurar o adiamento ou prever as conseqüências. Não há
                                     meios de fazer o bebê saber, durante um parto demorado, que meia
                                     hora ou algo equivalente será suficiente para resolver o problema, e
                                     por esta razão o bebê é apanhado por uma espera indefinida ou
                                     ‘infinita’. Esse tipo de experiências dolorosas fornece uma base muito
                                     poderosa para coisas tais como a questão da forma na música, onde,
                                     sem a rigidez da moldura, a idéia do fim é mantida diante do ouvinte
                                     desde o início. A música sem forma aborrece. E a inexistência de
                                     formas é infinitamente enfadonha para aqueles que se sentem
                                     particularmente aflitos por esse tipo de ansiedade, por conta de
                                     adiamentos impossíveis de compreender ocorridos em sua primeira
                                     infância. A música dotada de estrutura formal clara é reasseguradora
                                     em si mesma, para além de seus outros valores musicais propriamente
                                     dito”.

       Na parte da tarde fui para o 5º andar para a sala da recreação. O andar estava um pouco
tumultuado em função do horário de visita. Eu e Karen fomos aos leitos chamar as crianças para
esta sala. Um menino chamado L... estava pelos corredores e começou a nos acompanhar. O
andar tinha muito mais bebês a crianças maiores. Comecei a atividade somente com o L... de 8
anos, mas ele preferiu ficar no computador , então fui o auxiliando, lhe proporcionando alguns
jogos pedagógicos pela Internet, mas percebi durante este atendimento que este menino é meio
confuso em relação aos seus conhecimentos e de sua própria vida. Em seguida começou a chegar
29




mais crianças e um bebê de 4 meses o E... que ficou prestando atenção nos desenhos coloridos
que havia na sala. Os demais ficaram no computador e depois jogamos jogo da memória e
fizemos algumas atividades em folha de ofício.

       Observei neste atendimento como existem pessoas do interior do estados e inclusive de
outros estados no hospital. É interessante, pois podemos também estar passando um pouco de
nossa cultura e aprendendo um pouco de outras culturas de diversas regiões.

       Percebi que a criança necessita de um atendimento pedagógico intenso dentro deste
espaço, pois todas estão fora do mundo escolar. Contudo não é por causa da doença que irão ser
esquecidas, e logo neste primeiro atendimento que fiz, pude constatar o que tanto foi me passado
antes de efetivamente estar dentro do hospital. A criança precisa e deve continuar aprendendo e
brincando mesmo internada, pois acredito que isto, irá fazer com que sua recuperação tenha um
imenso avanço. Fico extremamente feliz de poder contribuir para o desenvolvimento das crianças
no HCSA.

       Iniciamos mais um dia de prática á tarde a partir das 13:30, devido a Semana Acadêmica
do Curso de Pedagogia, onde eu e minhas colegas fomos liberadas para assistir as palestras. A
professora Nara e minhas colegas já estavam na sala do voluntariado no M2, fazendo a reunião.
Durante esta reunião, através da professora Nara, foi nos passado alguns autores que serão
importantes para o relatório final e até mesmo para o concurso do município. Após esta conversa
começamos a relatar como foi nosso atendimento na quarta-feira. Logo em seguida, conversamos
com a professora referente nossos planos de aula, onde trabalharíamos o trânsito (devido à
semana do trânsito). Mas como a atividade proposta seria um circuito e teria pouco tempo para
realizá-la, fiz um plano introdutório ao assunto para que na próxima semana pudesse dar
continuidade ao plano de origem.

       Dando continuidade a reunião, falamos a respeito do mês da criança no hospital que é
muito e intenso e dinâmica. A supervisora e professora Nara, nos informou que no dia 18 de
outubro serão de nossa responsabilidade as atividades. Então a mesma propôs que não entrasse
nos leitos nesta data, aproveitando o tempo para começar a preparar o evento do dia 18 de
outubro no hospital.
30




         Eu e minhas colegas começamos a criar uma história com vários personagens para montar
uma peça de teatro. A história, cujo nome é “reinventado histórias” ficou fantástica e será
trabalhada a partir de nosso projeto inicial que é o brinquedo. A história terá vários personagens
das mais variadas histórias. Na peça serei o chapolin colorado, adorei meu personagem, visto
que, gosto de personagens que divirtam as crianças, pois tenho certeza que elas irão apreciar
muito este personagem vinculado a tantos outros.

         O objetivo do grupo com esta peça de teatral, é divertir as crianças e fazer com que elas
percebam que a união faz a força, pois se trata da união de vários personagens em busca de um
único sonho o brincar. Segundo Vygotsky (2000), brincar no ambiente hospitalar ajuda a elaborar
o sofrimento e aceitar melhor a doença e o tratamento.

         No dia 4 de outubro cheguei ao hospital às 13:30. Eu e minhas colegas juntamente com a
professora Nara, nos encontramos na sala de recreação do 5º andar para fazer nossa reunião.
Neste sábado trabalhamos com o circuito do trânsito. Fizemos a estrada em um papel pardo com
suas respectivas faixas e placas de trânsito que foram expostas no saguão do SUS. Perto das 16
horas eu e minhas colegas, fomos aos leitos chamar as crianças para realizar as atividades. Todas
as crianças gostaram da atividade proposta e começaram a descer para o saguão.

         Eu e minha dupla de prática Karen, fomos buscar a V... que tem uma deficiência mental
leve e não caminha. Devido a este fato, procuramos por todos os andares uma cadeira de rodas
para que a mesma pudesse participar da atividade. A V... é uma criança muito participativa e com
muita vontade de aprender e brincar. Pois é dever do educador incluir a criança com necessidade
especial no meio, por isso as escolas municipais onde agrega a educação infantil e séries iniciais
possuem o trabalho de inclusão, onde cada turma tem estagiárias de pedagogia para atendê-las.
Relato isto por ter experiência, pois fiz estágio na rede municipal onde o trabalho é muito
gratificante. Para mim é de uma enorme riqueza trazer esta experiência neste relatório. A
educação inclusiva é um processo em que se amplia a participação de todos os educandos nos
estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma reestruturação da cultura, da prática e das
políticas vivenciadas nas escolas e outros ambientes, de modo que estas respondam à diversidade
de alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas
singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de
todos.
31




          Todas as crianças que se encontravam internadas participaram das atividades com muito
entusiasmo. Quem não quis participar do circuito, por debilidade, ficou pintando o livro sobre o
trânsito nas mesas que estavam dispostas no espaço. Foi muito produtivo. É impressionante como
as crianças têm força, e mesmo debilitadas, não perdem sua vontade e sua infância. Um exemplo
disto que estou relatando é novamente a menina V... que tem uma vontade enorme de participar
de tudo. Ela é maravilhosa uma ótima criança. Nunca irei me esquecer dela, pois nos divertimos e
aprendemos muito com ela. Quando estava muito feliz usava uma expressão que cativou a todos
o “ai jesuzi”. Usava desta expressão quando estava muito feliz, e eu consegui perceber que
quando estávamos no hospital desenvolvendo a prática, ela ficava muito alegre, com os olhos
brilhando, pois chegou até a falar com muita dificuldade “o que será que a prof trouxe de legal
para a V...brincar”, ouvir e sentir isto não tem preço. Confesso que ao relatar isto me lembrei
muito daquele momento e até me emocionei.

          O objetivo deste circuito é conscientizar as crianças dos perigos do trânsito e a educação
para ele, visto que, é de extrema importância tratar deste assunto com os mesmos, por fazer parte
de sua vida cotidiana.

8.2 As agitadas Quartas-Feiras

          Como de costume, eu e minhas colegas de estágio fizemos nossa reunião na cafeteria para
discutir sobre o plano de atividades e fazermos trocas dos atendimentos já realizados, é um
momento muito interessante, pois assim temos algumas visões de um mesmo trabalho.

          Em seguida eu e minhas colegas fomos buscar o crachá no complexo hospitalar Santa
Clara. Logo após organizamos os materiais e os grupos para começarmos o atendimento aos
leitos.

          O hospital na quarta-feira tem um diferencial em relação ao sábado, pois é muito
movimentado. Os leitos com profissionais como: fisioterapeutas, médicos, enfermagem...
confesso que foi difícil encontrar um leito vazio para que pudesse começar as atividades. Estava
no 5º andar, e esperei o movimento nos quartos baixar (para não atrapalhar o trabalho dos
profissionais) para começar a prática pedagógica.
32




       Entrei no leito onde havia três crianças uma de 1 ano e 8 meses a I..., um de 12 anos o
L... e outro de 13 anos o N.... este último tem deficiência mental e no primeiro momento estava
bem abatido e confesso que fiquei um pouco ansiosa de como trabalhar com aquela criança, visto
que ele é totalmente atrofiado. Estava neste quarto eu, Daniela Flores, Marilene Rosa e Karen.
Fomos muito bem recebidas pelos familiares e crianças que ali estavam. Comecei a atividade
com uma conversa sobre a nova estação que estava chegando a “primavera”. Logo propus a eles
um desenho com papéis coloridos e picados. A menina de 1 ano e 8 meses ficou com olhinhos
brilhando de tantas cores que ali estavam. O L... também fez com animo seu desenho sobre a
primavera, colocou em uma folha de papel ofício os papéis picados formando uma árvore e um
sol. O menino N... tem muitas dificuldades, mas como meu papel enquanto educadora é incluir o
indivíduo, então eu juntamente com minha colega Marilene ajudamos ele a montar seu desenho
com os papéis. Pegamos sua mão e começamos ajudá-lo a desenvolver o trabalho. Observei que o
mesmo gostou muito de trabalhar com a cola e os papéis e desta forma já foi incentivado e
trabalhado, a motricidade fina. Neste olhar, a educação assume uma concepção dialética em que
homem e o meio interagem, no sentido de construir a sobrevivência de ambos. No processo
educativo dialético o homem concebido como ser autônomo, construtor do conhecimento, assume
uma dimensão favorável à emancipação, visto que é dotado de capacidades intelectuais inatos
que auxiliam seu processo de inserção social. E de acordo com as considerações de BRANDÃO
(1988) o processo educativo na relação com o homem, pode ser entendido da seguinte maneira:
                                     Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola
                                     não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o
                                     ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não
                                     é o seu único praticante (p. 9)

       Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja, no hospital ou na escola, de um
modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar,
para aprender e ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias
misturamos a vida com a educação. Onde entra explicitamente aqui nesta prática, onde há
situação de internação também há educação. Pois as crianças precisam continuar suas vidas e
interagindo com o aprender.

       Dando continuidade ao trabalho distribui um copo de plástico, para trabalhar a decoração
do mesmo. Todos enfeitaram seus copos com tintas e glitter. O fundamento desta atividade é
33




fazer uma mistura com água e sabão para fazer bolhas de sabão, pois estava trabalhando a partir
do poema bolha de sabão do livro “saco de brinquedos”.

       Em seguida comecei a brincar com as bolhas e a menina de 1 ano ficou muito alegre ao
olhar as bolhas, pois eram coloridas e ela as queria pegar no ar, lembrando sempre que está na
faixa etária onde o concreto é evidente. Os demais também fizeram bolhas e adoraram a
atividade. O menino N... estava um pouco debilitado e não foi muito participativo, embora senti
que sua expressão mudou muita da hora em que eu e minhas colegas iniciamos os trabalhos até o
final. Está debilidade desta criança é normal, pois embora queira muito participar e aprender está
em um momento vulnerável e nem sempre estará disposta a participar.

8.3 Um dia atípico no hospital Segunda-Feira

       Como de costume, cheguei ao hospital às 8:30. toda a equipe de estágio se encontrou na
cafeteria, onde fizemos uma breve reunião sobre o plano de aula. Eu e minhas colegas Marilene,
Daniela Moizinho e Karen fomos para o 6º andar, pois a movimentação nos leitos do 5º andar
estava intensa.

       Procuramos um leito onde havia crianças da faixa etária da educação infantil.
Encontramos um quarto onde havia duas crianças de 8 anos e uma de 13. eu e minhas colegas
iniciamos a prática com uma roda de conversa e apresentação da proposta. A atividade trabalhada
foi referente ao trânsito, devido à semana do trânsito. Comecei a prática indagando sobre seus
conhecimentos prévios sobre o assunto e após contamos uma história sobre o livro “trânsito não é
brincadeira”. Na contação de história as crianças iam interagindo e encaixando a história do
mesmo a suas vivências, sempre trabalhando a realidade daquele educando. Ao término da
história, cada colega ficou com uma criança. Percebi que a V..., estava muito curiosa para saber o
que tinha em minha “caixa rosa”, que para ela parecia um mistério.

       Com a evolução da proposta de montar um álbum sobre as placas de trânsito, comecei
então a mostrar a ela, o que teria naquela caixa. Ela com um ar muito curioso, começou a olhar
atentamente. Da tal “caixa rosa” (caixa pedagógica) começou a sair: massa de modelar, lápis de
cor, canetinha, papel colorido, tinta... e à medida que estes objetos foram saindo da caixa, ela
dava uma gargalhada de felicidade. Estava muito entusiasmada com a brincadeira. Comecei a
34




construir junto com as crianças o tal álbum, a V... gostou muito da proposta e trabalhou muito
bem com a tesoura e a cola, pois a mesma tinha alguns problemas nos movimentos dos membros
superiores e inferiores. A mesma também tem uma enorme dificuldade de falar, onde se esforça
bastante para se fazer entendida. O J... que ficou fazendo atividades com a colega Karen, quis ir
para a sala de recreação. O menino L... empenhou-se muito na atividade apresentada, fez o álbum
com todo o cuidado e todos os detalhes possíveis. Chamou-me muito a atenção à mãe do L... que
estava ali há dias com seu filho sem nenhum contato com o mundo externo. Ela pediu para a
colega Marilene o seguinte: “professora, a senhora por um acaso tem alguma coisa para eu fazer”.
Prontamente a colega deu a ela uma revista onde havia palavras cruzadas, jogo dos sete erros. Ela
começou a fazer e perguntava a todo instante para nós: “professora será que está certo o que eu
fiz, corrigi aqui para mim, me ajuda”. Este acontecimento foi emocionante, pois desde o início a
professora Nara nos alertou que os pais também necessitam de alguma atividade. Eles necessitam
de um trabalho que ocupe de maneira proveitosa seu tempo no hospital. Mas um exemplo de que
a teoria se vê na prática. Jorge Valadares (2000:87) afirma que “as pessoas ouvidas se
predispõem a ouvir. O respeito vem de uma capacidade de olhar de novo, e a responsabilidade
vem da capacidade de responder a chamados”.

       O menino L..., após ter construído o álbum sobre os sinais de trânsito, no próprio álbum
ao lado das figuras ele começou a escrever com toda a calma e atenção, algumas frases referente
à figura. Ele é uma criança muito inteligente e tem muita vontade de estudar e aprender. Esta
prática foi muito produtiva, pois pude aprender bastante e colocar a teoria na prática.

       Percebi que as crianças sempre querem mais, pois sempre dispõem de muita vontade de
estar aprendendo e brincando, mesmo no ambiente hospitalar. Visto que, são crianças e essa
vontade nunca morre.

       Gostaria de agradecer nesta prática a delicadeza, paciência, coleguismo, amizade e
companheirismo das colegas Marilene e Karen, pois como sempre dizemos: “a união faz a força”,
e todas são muito dedicadas e incentivadoras.
35




9. CONCLUSÃO

       A prática pedagógica no Hospital da Criança Santo Antônio, foi mais que uma
oportunidade de relacionar teoria e prática. Foi um despertar para o mundo. Pois percebi que o
mundo está cheio de coisas que ainda preciso conhecer, aprender e vivenciar. O trabalho no
HCSA propiciou um entendimento mais aprofundado de como a ação educativa se desenvolve
no ambiente hospitalar, ampliando a compreensão sobre os processos educativos que se efetivam
na dinâmica social. A relação entre Educação e Saúde foi evidenciada na integralização das ações
desenvolvidas no hospital, cujo qual se vivenciou que o trabalho multidisciplinar é extremamente
necessário.

       Junto a essa equipe, a atuação do Pedagogo se concretiza como mais um saber, no sentido
de ver outras visões não perceptíveis por outros profissionais, apontando novos elementos para
que o tratamento seja visto de outra forma. Através desta investigação, observei que esta
experiência desenvolvida no hospital, contribui no sentido de desmistificar a imagem negativa e
dolorosa do ambiente para um espaço menos doloroso, isto porque possibilita às crianças uma
certa transformação na sua rotina com o objetivo de resgatar sua auto-estima e recuperar seu
sentido de luta pela vida. Confesso que não foi nada fácil no início lidar com a doença infantil,
em função daquilo ser novo para mim. Nessa visão pedagógica, vislumbrei a ampliação da ação
educativa, visto que o Pedagogo pode contribuir no sentido de desenvolver seu trabalho, tendo
em vista a escuta pedagógica e o atendimento às crianças ou adolescentes hospitalizados.

       Este estágio acrescentou para minha vida pessoal e acadêmica o desejo de aprender, que é
o que nos dá forças para enfrentar as dificuldades e viver a vida a cada momento. Isto posso dizer
também pelas crianças, que apesar de estarem ali debilitadas e com dificuldades, querem sempre
estar em constante aprendizagem. Dificuldades encontrei no início, e foram muitas, mas nenhuma
que me levasse a desistir de tudo. Visto que, o novo dá insegurança, medo, mas se não
36




enfrentarmos, como vamos saber se é possível. Almejei muito este estágio, e consegui mais uma
prova de que o pensamento positivo e força andam juntas.




10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BRANDÃO, C. R. O que é educação. São Paulo. Brasiliense, 1995

CECCIM, Ricardo B., FONSECA, Eneida S., (1999). Classe hospitalar: buscando padrões
referenciais de atendimento pedagógico-educacional a criança e ao adolescente hospitalizado.
Revista Integração, MEC/SEESP, ano 9, nº 21, p.31-39

FONTES, Rejane de S., (1998). Classe hospitalar: a validade de uma alternativa educacional a
curto prazo. Monografia de Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal
Fluminense.

FONTES, Rejane de S., (2006). A escuta pedagógica à criança hospitalizada: discutindo o papel
da educação no hospital. Artigo de Doutorado da Faculdade de Educação da Universidade
Federal Fluminense.

REZENDE, Lucinea Aparecida de. (Org.). Tramando temas na educação.
Londrina: Ed. UEL, 2001.

RODRIGUES, Marina S., (2005). Caminhos para inclusão humana: Teoria e Prática. Lisboa,
Portugal: Ed. ASA.

ALVES, Rubens. A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir.

MEC. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
Brasília: Imprensa Oficial, 1996.

VYGOTSKY, LS. A formação social da mente. 4ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.


Ministério da Educação Departamento da Educação Básica, Reoganização Curricular do Ensino
Básico- Novas Áreas Curriculares, Lisboa, 2002.
37




ERIKSON, Erik H. Identidade, Juventude e Crise, Tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro,
Zahar, 1976 FREIRE.

ECA – Estatudo da Criança e do Adolescente: Lei Federal 8069, de 13.07.90 – Porto Alegre:
CMDCA .2007.




                                       ANEXOS
38




Anexo I
39




Anexo II
40




Anexo III
41




Anexo IV
42




Anexo V
43




Anexo VI
44




Anexo VII
45

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Pedagogia Hospitalar

  • 1.
  • 2. 2 DANIELA DA GRAÇA STIEH RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO REALIZADO NO HOSPITAL DA CRIANÇA SANTO ANTÔNIO PPAEH – Prática Pedagógica em Ambiente Educativo Hospitalar Relatório de Estágio Curricular Supervisionado em EI apresentado à Disciplina de Estágio Curricular Supervisionado I do Curso de Licenciatura em Pedagogia do Centro Universitário Metodista do IPA. Professora Supervisora: Nara Raquel Nehme Borges PORTO ALEGRE 2008
  • 3. 3 Agradecimentos, A minha supervisora de estágio Nara Borges, por todo o suporte e dedicação. As amigas Karen e Marilene, pelo apoio no desenvolvimento de meu estágio, e pelas idéias que tanto contribuíram para que o mesmo acontecesse.
  • 4. 4 "A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana dos quais só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois”. Artur da Távola
  • 5. 5 SUMÁRIO 1. Introdução ......................................................................................................07 2. Cronograma – Quadro de atividades e horas de estágio...............................10 3. Justificativa.....................................................................................................11 4. Objetivo Geral.................................................................................................12 4.1 Objetivos Específicos.....................................................................................12 5. Histórico da Instituição – HCSA......................................................................13 6. Observação.....................................................................................................16 7. Referencial Teórico.........................................................................................19 7.1 Era uma vez: escutando as histórias que os sujeitos nos contam em silêncio, em gestos e, ás vezes, também em palavras.......................................................25 8. Desenvolvimento do Estágio......................................................................... 28 8.1 Vivenciando práticas no ambiente hospitalar.................................................28 8.2 As agitadas Quartas Feiras............................................................................32 8.3 Um dia atípico no hospital: Segunda Feira.....................................................34 9. Conclusão.......................................................................................................36 10. Referências Bibliográficas...............................................................................37 Anexos....................................................................................................................38 Anexo I - Fotos........................................................................................................39 Anexo II...................................................................................................................40 Anexo III..................................................................................................................41 Anexo IV..................................................................................................................42 Anexo V...................................................................................................................43 Anexo VI..................................................................................................................44 Anexo VII.................................................................................................................45
  • 6. 6 1.INTRODUÇÃO O presente relatório é um documento que registra minhas vivências, reflexões, análises, ações e interações no Estágio Curricular Supervisionado, com ênfase em Educação Infantil, realizado no Hospital da criança Santo Antônio no período de agosto a novembro de 2008. Os objetivos, a justificativa, as atividades, os conceitos e a fundamentação teórica apresentados nesse Relatório, estão articulados de acordo com a proposta do Projeto do PPAEH – Prática Pedagógica em ambiente educativo hospitalar. Durante as Práticas de Estágio desenvolvi, em dupla e com o grupo de colegas e o projeto coletivo “Aprender brincando” , trata-se de estimular a criança adoecida a envolver-se com o conhecimento produzindo. Durante este Projeto utilizaremos diversos recursos como: expressão corporal, dramatização, representação, imagem mental, memória, exploração de fantoches, e diferentes materiais assim como atividades baseadas no livro “SACO DE BRINQUEDOS” de Carlos Urbim. As práticas pedagógicas serão diárias e não seqüenciais devido à rotina do ambiente hospitalar. O essencial recurso utilizado na prática será a caixa pedagógica, onde será disponível a criança diversos materiais para o bom andamento das atividades propostas. A prática se dará nos leitos, sala de recreação, saguão do S.U.S quando as atividades forem para todas as crianças do hospital devido ao mês da criança, onde o hospital disponibiliza um calendário muito dinâmico.
  • 7. 7 O trabalho no hospital teve início com a reunião com a supervisora do estágio a docente Nara Raquel Borges com objetivo de apresentar algumas características do hospital e orientar o grupo sobre regras de convivência, cuidados com a higiene e ética. A equipe profissional que compõe o HCSA é composta de duas enfermeiras e uma psicóloga, assistente social, terapeuta ocupacional, fisioterapeutas, voluntários etc... O HCSA é um hospital destinado ao cuidado da criança, onde atende a várias especialidades. Possui andares de internação SUS (Sistema único de Saúde) e andares de internação de convênios. Essa Instituição conta com o apoio de dezenas de voluntários, nos quais a sua função é de acarinhar, ofertando otimismo e alegria para as crianças acompanhadas ou não de seus pais ou familiares. É obrigatório o uso do álcool-gel, para evitar contaminações ao entrar e ao sair de um leito e do hospital. Também é necessário o cuidado com os objetos utilizados nos atendimentos. Por exemplo, utilizar brinquedos de material lavável, evitar brinquedos pequenos e peludos e etc. Neste tipo de trabalho deve-se sempre buscar informação com a enfermeira referente aos pacientes isolados. Porém, sempre há um aviso na porta dos quartos. Podem-se realizar atividades com estas crianças, desde que sejam tomados alguns cuidados como: usar máscaras e luvas. Neste período de estágio, foi possível conhecer algumas regras de controle de infecção tais como: as visitas são restritas aos pais ou cuidadores, não devemos realizar a prática no hospital em caso de estarmos resfriadas. Deve-se ter compreensão dos aspectos envolvidos na hospitalização, bem como os aspectos emocionais dos pacientes hospitalizados. Daí a importância dos estudos sobre pedagogia hospitalar. A hospitalização causa vários sentimentos no indivíduo. Quando alguém adoece tem-se o sentimento de onipotência abalada. Desta forma percebe-se que temos limites e que um dia morreremos, ou seja, as pessoas ficam muito dependentes. A família precisa se reorganizar, e isso podem reforçar a regressão do paciente, mas é preciso ser incentivado.
  • 8. 8 Uma pessoa doente mexe com toda a estrutura da família. E a maioria dos pais tem o sentimento de que não foram capazes de gerar ou de cuidar de uma criança saudável, e o sentimento das crianças é o de que fizeram alguma coisa para estar no hospital. Para resgatar a identidade dos responsáveis pelas crianças, não devemos chamá-los de “pai” ou de “mãe” e sim perguntar o seu nome. Sobre a questão da morte, precisamos estar atentos, pois algumas crianças também querem falar sobre isso e que algumas crianças morrem sim, já que o desenvolvimento emocional da criança terminal é diferente do adulto. Mesmo assim elas têm medo de serem esquecidas, colocam desenhos para todo mundo no quarto e não podemos impor valores, julgá-los. Nós não precisamos dar conta de tudo. Durante alguns atendimentos no hospital recebi várias orientações sobre a ética que se deve ter no atendimento de pacientes. Não se deve de maneira alguma falar dos pacientes para outras pessoas, citar nomes etc. Por isso os nomes e na medida do possível os rostos das crianças serão preservados neste trabalho. Não é papel da pedagogia hospitalar fazer atendimento psicológico com as crianças e pais, pois os mesmo sentem a necessidade de contar a sua história para ver se alguém lhe conta algo de novo que alguém lhe de esperanças, devemos apenas saber trabalhar com a escuta pedagógica, onde norteia aqui este relatório. Está prática no Hospital da Criança Santo Antônio representará mais que uma oportunidade de relacionar teoria e prática. Representará um acordar para o mundo. O mundo cheio de coisas que ainda preciso vivenciar e conhecer, digamos um novo mundo. O trabalho educativo com a Educação Infantil no ambiente hospitalar representará um atendimento humanizado, visando atender os direitos da criança e do adolescente hospitalizado, bem como, valorizando o pedagogo como parceiro para tal conquista.
  • 9. 9 2. CRONOGRAMA – QUADRO DE ATIVIDADES E HORAS DO ESTÁGIO CURSO DE PEDAGOGIA Ficha de Freqüência de Estágio Curricular Supervisionado em Educação Infantil Local de Estágio: Hospital da Criança Santo Antônio Matrícula: 2229113 Turma: PDS41 DATA HORÁRIO Horas de Atividades realizadas Inicio - Término Estágio 23/08/08 14:00 às 18:00 4 hs Prática Pedagógica - Observação 06/09/08 8:30 às 17:30 8 hs Prática Pedagógica - Observação - leitos 13/09/08 8:30 às 17:30 8 hs Prática Pedagógica - Observação - leitos 24/09/08 8:30 às 12:30 4 hs Prática Pedagógica 27/09/08 13:30 às 17:30 4 hs Prática Pedagógica - Reunião evento dia 18/10 01/10/08 8:30 às 12:00 4 hs Prática Pedagógica 04/10/08 13:30 às 17:30 4 hs Prática Pedagógica 08/10/08 8:30 às 12:00 4 hs Prática Pedagógica 11/10/08 8:30 às 17:30 8 hs Prática Pedagógica - Compra de brinquedos e ensaio teatro 13/10/08 8:30 às 17:30 8 hs Prática Pedagógica 15/10/08 8:30 às 12:00 4 hs Prática Pedagógica - ensaio teatro 18/10/08 7:00 às 12:00 5 hs Prática Pedagógica - Apresentação teatro e visita a U.T.I 22/10/08 8:30 às 12:00 4 hs Prática Pedagógica - Atividades Dia da Criança 25/10/08 8:30 às 17:30 8 hs Prática Pedagógica 29/10/08 8:30 às 12:00 4 hs Prática Pedagógica 31/10/08 8:30 às 17:30 8 hs Prática Pedagógica 01/11/08 8:30 às 17:30 8 hs Prática Pedagógica 05/11/08 8:30 às 12:00 8 hs Prática Pedagógica 22/10/08 10:00 às 13:00 3 hs Auto-Avaliação e Avaliação Total de Horas
  • 10. 10 ________________________ ______________________ Coordenação do Curso de Pedagogia Supervisora de Estágio do Curso ________________________ Representante da Unidade Cedente 3. JUSTIFICATIVA O Curso de Pedagogia tem como objeto a docência e a gestão como prática social da educação em contextos sociais e institucionais e visa à formação de profissionais que possam agir nos mais diversos setores da sociedade. Ao abordar as diversas áreas do conhecimento, envolvendo ciências humanas, sociais e tecnológicas, habilita o acadêmico-a para o exercício da docência em ambientes educativos escolares e não escolares na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, inclusive na etapa fundamental da Educação de Jovens e Adultos e no Ensino Médio na modalidade Normal. Nesse sentido, propõe a implantação do PROJETO DE ESTAGIO SUPERVISIONADO NO HOSPITAL SANTO ANTONIO, tomando o ambiente hospitalar como campo de estágio para o desenvolvimento de processos educativos, produção de conhecimentos e reflexão sobre a prática pedagógica necessários à formação de educadores-as comprometidos-as com a inclusão social e o cumprimento dos direitos humanos. A atuação dos-as estagiários-as visa o atendimento coletivo na forma de classe hospitalar ou individualizado, no leito, de crianças e jovens, garantindo-lhes o acesso ao conhecimento necessário para a sua interação no mundo contemporâneo. O presente PROJETO orienta-se pelo Parecer CNE/CP nº 5, de 13 de dezembro de 2005, sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia e pelo Projeto Pedagógico do Curso, inspirado nas Diretrizes para a Educação na Igreja Metodista consubstanciadas no Plano para a Vida e a Missão da Igreja e ratificadas pela recente legislação. Além disso busca o
  • 11. 11 cumprimento dos Direitos da Criança e do Adolescente hospitalizados, no que se refere “ao direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar.” 1 4. OBJETIVO GERAL Promover a prática pedagógica em ambiente educativo hospitalar, favorecendo a construção de aprendizagens significativas nas diversas áreas do conhecimento com crianças, adolescentes. Tendo em vista o comprometimento com a inclusão social e com o cumprimento dos direitos humanos, entre eles o direito à educação e ao exercício da cidadania. 4.1 Objetivos Específicos • Compreender, cuidar e educar a criança e o (a) jovem adoecidos-as, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades e competências ao trabalhar com diferentes códigos e linguagens , ajudando-os a olhar para a vida como valor maior. • Propor práticas educativas, considerando a importância da escuta pedagógica, do trabalho lúdico, do jogo simbólico no processo de construção do conhecimento, agenciando necessidades intelectuais, emoções e sentimentos e respeitando a faixa etária • Assegurar o direito à continuidade do processo ensino-aprendizagem e a sua reintegração ao grupo escolarizado, estabelecendo e mantendo o vinculo com a instituição escolar, tendo em vista a sua inclusão educacional, evitando a evasão e a repetência. • Proporcionar condições para o resgate da auto-estima das crianças e adolescentes, minimizando suas perdas sociais, culturais, psicológicas e cognitivas pelo fortalecimento de suas capacidades de aprender e interagir. 1 Resolução n° 41 de outubro de 1995 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.
  • 12. 12 • de um trabalho em equipe, conhecendo a evolução desses sujeitos adoecidos e oferecendo-lhes uma atenção integral pelo olhar dos –das profissionais que os-as cercam. 5.HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO Até início do século XIX Porto Alegre não dispunha de nenhum hospital, e os doentes eram atendidos em seus domicílios ou em dois albergues-enfermarias precários, um administrado por Ângela Reiuna e José Antônio da Silva, e outro construído por volta de 1795 na Praia do Arsenal por José da Silva Flores e Luís Antônio da Silva. Chegando à província o Irmão Joaquim Francisco do Livramento, dado à caridade e já tendo fundado antes a Santa Casa de Misericórdia do Desterro, na Ilha de Santa Catarina, associou-se aos dois últimos benfeitores a fim de criar-se em Porto Alegre instituição semelhante. Como tais Casas de Misericórdia necessitavam de autorização Real para funcionarem, em 3 de abril de 1802 o Senado da Câmara elaborou uma petição ao Príncipe Regente Dom João para que se desse permissão para tal. Um Real Aviso de 14 de maio do mesmo ano foi então expedido pelo Governador da Capitania, Paulo José da Silva Gama, autorizando o início da empreitada, e dando poderes à Câmara Municipal para que elegesse a primeira Mesa Administrativa do Hospital de Caridade de Porto Alegre, a qual foi eleita em 19 de outubro de 1803, escolhendo como Tesoureiro o Capitão José Francisco da Silva Casado, como Escrivão Joaquim Francisco Álvares, e como Procurador Luís Antônio da Silva. No seguinte dia 23 foi eleito como primeiro Provedor o próprio governador Paulo da Gama. Em fins de 1803 começou a construção da sede, sob direção do Brigadeiro Francisco João Rocio até 1806, ano de sua morte. Os Provedores seguintes, o Marquês de Alegrete e o Conde da Figueira, planejaram alterar a designação do hospital para que atendesse aos doentes militares, o que gerou conflitos internos que prejudicaram a arrecadação de esmolas. Mas em 29 de maio de 1822 o Príncipe Dom Pedro confirmou à Irmandade da Santa Casa as prerrogativas comuns às
  • 13. 13 outras Misericórdias, e assumiu a Provedoria o desembargador Luís Correia Teixeira de Bragança, que participando antes da Junta da Fazenda já defendera os interesses legítimos da Santa Casa contra os desmandos dos Provedores anteriores. Conseguiu concluir as primeiras enfermarias, a cozinha e a capela, e passou a administração ao Visconde de São Leopoldo, que encontrou a instituição em condições de entrar em funcionamento. Os primeiros doentes foram admitidos em 1 de janeiro de 1826, e em 1837 a Santa Casa passou a cuidar dos infantes expostos, passando a receber subvenção governamental e a posse de todos os terrenos devolutos e aforados da cidade, com as respectivas rendas. Pela Provedoria da Santa Casa passaram diversas figuras ilustres, como o então Barão de Caxias, o Marechal Luís Manuel de Lima e Silva, o Barão de Guaíba, o Barão de Gravataí e o Dr. Ramiro Barcellos. O Hospital São Francisco, para não-indigentes, foi erguido na administração do Dr. Aurélio de Lima Py, entre 1926 e 1930. A Maternidade Mário Totta foi criada em 1940, e mais tarde outras instituições floresceram do tronco principal da Santa Casa, como o Hospital da Criança Santo Antônio, o Hospital do Câncer e todos os que hoje perfazem o grande complexo hospitalar da Santa Casa de Misericórida de Porto Alegre. A atuação dos voluntários Contadores de História é marcada pelo entusiasmo e pela vontade de transformar a internação de pequenos pacientes num momento mais terno e agradável. Para chegar até a formatura, ele passa por um longo período de treinamento, que o capacita a conviver harmoniosamente no ambiente hospitalar. Tudo isso porque a Associação Viva e Deixe Viver busca formar voluntários conscientes, comprometidos e constantes em todas as ações. Por sua atuação exemplar, o Contador de Histórias é hoje considerado uma peça importante na transformação da doença em saúde e sua contribuição na recuperação de pequenos pacientes é cada vez mais reconhecida por médicos, equipe multidisciplinar e familiar. A atuação dos voluntários Contadores de História é marcada pelo entusiasmo e pela vontade de transformar a internação de pequenos pacientes num momento mais terno e agradável. Para chegar até a formatura, ele passa por um longo período de treinamento, que o capacita a conviver harmoniosamente no ambiente hospitalar. Tudo isso porque a Associação Viva e Deixe Viver busca formar voluntários conscientes, comprometidos e constantes em todas as ações.
  • 14. 14 Por sua atuação exemplar, o Contador de Histórias é hoje considerado uma peça importante na transformação da doença em saúde e sua contribuição na recuperação de pequenos pacientes é cada vez mais reconhecida por médicos, equipe multidisciplinar e familiar. Para garantir a segurança alimentar e nutricional de familiares e acompanhantes de pacientes do Hospital da Criança Santo Antônio, o prefeito José Fogaça assinou um termo de parceria com a Santa Casa de Misericórdia, a Associação dos Amigos Voluntários da Casa da Sopa e a Associação dos Parceiros da Ação Sustentável com Responsabilidade Social. Durante a solenidade, no andar térreo da instituição, foram comemorados os seis anos do novo prédio do hospital. Conforme a parceria, 150 kits de alimentação serão distribuídos diariamente aos acompanhantes de crianças internadas no Hospital da Criança e no Departamento de Neonatalogia do Complexo Hospitalar Santa Casa.
  • 15. 15 6. OBSERVAÇÃO O período de observação referente ao estágio supervisionado em Educação Infantil, no ambiente hospitalar possibilitou ao grupo de estagiárias o conhecimento do Hospital da criança Santo Antônio, onde no primeiro momento observamos os espaços físicos, as rotinas das crianças, profissionais que atendem, a decoração do ambiente infantil, as vivências e o cotidiano das crianças hospitalizadas Ao chegar pela primeira vez ao hospital, no saguão do SUS, observei que o espaço é amplo e decorado com características infantis. Neste mesmo espaço me deparei até mesmo com um cartaz feito pelas crianças do hospital com desenhos e figuras sobre as olimpíadas. Confesso que fiquei muito surpresa, visto que na minha concepção o hospital é um lugar de dor, de coisas ruins, de sofrimento, mas, percebi que um ambiente hospitalar infantil deve ser diferenciado sempre enfocando o brincar e a ludicidade. Logo após a exploração do ambiente dito externo, ocorreu uma reunião com a supervisora do estágio a professora Nara, a respeito de horários e algumas rotinas de reuniões com alguns profissionais do hospital. Após a conversa referente ao hospital, tive meu primeiro contato com as crianças enfermas. Este contato seria apenas um breve passeio de reconhecimento dos andares e leitos. Neste mesmo passeio de reconhecimento do espaço, observei a sala de recreação que o hospital possui, a mesma é ideal para a criança hospitalizada, pois ela irá integrar- se ao meio e aos outros que se encontram na mesma situação de vulnerabilidade. Este espaço recreativo dispõe de: computadores, televisores, brinquedos, jogos, mesinhas de escola, dvd, além de um espaço decorado e muito convidativo, onde a criança pode criar, brincar, imaginar fazer de conta. Segundo Vygotsky,(2000) a interação social e o instrumento lingüístico são decisivos para o desenvolvimento. A aprendizagem está pautada na interação do indivíduo com o meio no qual está inserido. Concordo com este teórico, pois somente com a interação e trocas com o meio
  • 16. 16 podemos adquirir vários conhecimentos. A criança hospitalizada pode interagir com outras crianças nesta mesma situação, em seu leito ou no espaço recreativo. Vygotsky, (2000a, p.133) também ressalta em suas obras que o brinquedo e o jogo são essenciais na vida da criança. O posicionamento deste teórico é maravilhoso, pois vejo que o mesmo faz com que a criança possa reproduzir uma variedade de ações de sua vida através de um brinquedo. O brinquedo, contudo, não pode ser visto como uma forma de adaptar a criança às condutas médicas e, ainda que o jogo busque ocupar o tempo ocioso do hospital, o objetivo de uma prática pedagógica é transformar esses momentos também em tempo de aprendizagens. Desta forma, entendo que a criança, porque aprende, também se desenvolve, e isso a ajuda a enfrentar melhor o acontecimento da vida. O jogo sem dúvida também é uma forma da criança expressar seus desafios, conhecimentos e raciocínio lógico. É a partir dessas atividades lúdicas que surge uma interpretação mais complexa da realidade. O espaço físico da recreação é muito interessante, visto que a criança já está debilitada pela doença, não está no seu meio como antes. Ela precisa se sentir em casa, com suas atividades de origem, até mesmo para sua saúde ter uma evolução positiva durante este período de internação. A saúde envolve a busca do equilíbrio físico e social, bem como a relação do indivíduo com o seu ambiente. Saúde é movimento da ação. Por isso é importante também falar sobre a saúde neste ambiente, pois implica promover ações de higiene, e prevenção de contaminações hospitalares. É impressionante como um hospital destinado somente ao cuidado infantil, traz em seu interior um imenso universo infantil, com suas paredes e corredores decorados. Pois é um momento em que a criança está fragilizada não pode perder o seu lado infantil em função de seu problema. Ela continua tendo o direito de aprender, expor suas idéias, brincar, estar inserida no mundo, como dizem nossos grandes teóricos Wallon e Vygotsky que contribuem com suas concepções sócio interacionistas. Visitei no segundo momento desta observação a UTI pediátrica, onde o caso é mais crítico. Crianças com problemas graves e até mesmo recém operados. Percebi que mesmo nesta
  • 17. 17 situação delicada, a criança continua sendo criança. O que mais me chamou atenção neste espaço de unidade de terapia intensa, é à vontade e a alegria estampados nos olhos das mesmas (o dito ar infantil que não se perde). Quando o grupo que estava nesta observação fazia algumas perguntas referentes a histórias, parece que a criança esquece sua dor e nos relata seus gostos pela leitura e o que gostam de assistir. Esta recepção foi maravilhosa e muito construtiva. Visitei o quarto de uma menina que já estava há alguns meses naquele ambiente, e o mesmo passa um ar ingênuo e infantil, pois dispõem de brinquedos, bichos, retratos de família. Eu achei isto fantástico, visto que para se recuperar a criança necessita estar perto de seus pertences de origem, para que possa evoluir se divertindo. Sei que a Pedagogia é um campo de atuação da educação que lida com o processo de construção do conhecimento, e que o profissional dessa área é o mais apto a mediar e nortear a educação que por sua vez é guiada pela fixação de regras que só se colocam por conta da existência de objetivos educacionais. Por outro lado sabemos que o ambiente hospitalar, é um centro de referência e tratamento de saúde, que acaba por gerar um ambiente muitas vezes de dor, sofrimento e morte, causando uma forma de ruptura dessas crianças e adolescentes com os laços que mantém com seu cotidiano e produção da existência da construção de sua própria aprendizagem. Mediante a problemática de saúde que requeriam hospitalização, independente do tempo de internação, através das políticas públicas e estudos acadêmicos, surge à necessidade da implantação da Pedagogia Hospitalar.
  • 18. 18 7. REFERENCIAL TEÓRICO Atualmente, a Pedagogia Hospitalar como processo pedagógico é uma realidade no vasto leque de atuação do pedagogo na sociedade contemporânea. Em muitos casos funciona em parceria entre hospital, Universidade através dos estagiários e a instituição escolar de onde o paciente é oriundo, preservando a continuidade do desenvolvimento da aprendizagem, através de metodologias diferenciadas, flexíveis e vigilantes que respeitem o quadro clínico. Rezende (2001) defende a importância desses estágios para os acadêmicos no hospital, colocando que: “a criação de um estágio multiprofissional e interdisciplinar da área de saúde é benéfico a toda a comunidade envolvida. Os alunos terão uma visão das condições de saúde e a clientela do projeto, orientação para uma melhor qualidade de vida. As universidades terão campos de estágios, mostrando a realidade profissional, e a comunidade será beneficiada com o suporte científico”. Inicio este referencial fazendo uma breve comparação entre o Hospital Antônio da Criança, bem como nossa prática docente, com a Escola da Ponte em Portugal, vivenciada e descrita por Rubem Alves em “A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir”. É óbvio que não estou me esquecendo que estou relatando uma prática em ambiente hospitalar, por isso considero a comparação tão fascinante. “Vemos para fora e vemos para dentro. Fora , vemos apenas o que de efêmero se vai oferecendo ao horizonte dos nossos olhos. Dentro, tendemos a ver o que não existe, freqüentemente, o que desejamos que existisse”. (Rubem Alves, 2003,p.8) Nos dois ambientes existe fraternidade e serenidade nos gestos, nos olhares, nas palavras entre adultos e crianças. Todos se apóiam, todos ajudam, todos são afetivamente, cúmplices de
  • 19. 19 todos, todos são, solidariamente, responsáveis por todos. Ou seja, todos procuram reconhecer e respeitar a identidade de todos. Uma verdadeira comunidade. Tanto no hospital como na Escola da Ponte, não existem turmas separadas por idades, conteúdos rígidos, as crianças podem escolher o que querem fazer e tem a liberdade de se deslocarem pelas dependências. Essas são algumas semelhanças interessantes e em ambos os casos percebesse um extraordinário encantamento de quem os descrevem. “No entanto, é preciso deixar claro que tanto a educação não é elemento exclusivo da escola quanto à saúde não é elemento exclusivo do hospital. O hospital é, inclusive, segundo definição do Ministério da Saúde, um centro de educação”. (Rejane Fontes) Rubem Alves sonhava com uma escola, mas não imaginava que ela já existia. No caso do estágio no Hospital é um mundo de sentimentos que se confundem entre si. Tendo em vista que, logo na primeira visita aos leitos, percebi todas essas características que mencionei, mas nunca imaginei que fosse encontrá-las em um hospital. Pensei também em porque essa realidade é tão negada? Porque não ouvimos falar nessas crianças? E na graduação somente agora estou tendo a oportunidade de conhecer e fazer parte dela. Isso nos dificulta um pouco quanto ao embasamento teórico da nossa prática, apesar dos imensos esforços da supervisora de estágio do PPAEH. De fato, as crianças que estão hospitalizadas, são os nossos alunos que por motivo de doença não podem freqüentar a escola como deveriam. E apesar de estarem enfermas, tem o direto á educação como afirma a proposta de Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional (MEC, 1996). É como o ECA nos traz também que é direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais. Poderia articular praticamente quase toda teoria estudada ao longo da graduação, pois as crianças que estão hospitalizadas são as mesmas, obviamente que cada uma com sua individualidade. O que as diferencia é o momento pelo qual estão passando e isso deve ser altamente relevante em todos os momentos. Já que esta se distancia de seu cotidiano familiar e escolar, acarretando sentimentos de solidão, medo e angústia, por experenciar a hospitalização.
  • 20. 20 A existência de atendimento pedagógico em hospitais contribui, tanto na aprendizagem de novos conhecimentos pelas crianças e jovens, para que não fiquem em situação de defasagem nos conteúdos escolares, como na recuperação de sua saúde. Esse desejo não é sentido somente pelas crianças. Ao conhecer um pouco do trabalho pedagógico que é realizado em hospitais, também desejei aprender e conhecer mais sobre essas nova perspectiva da educação. Percebo que estamos sempre em processo de aperfeiçoamento, que nunca estarei pronta e sim em constante aprendizado. O artigo “A escuta pedagógica e a criança hospitalizada” de Rejane Fontes, na realização de uma breve síntese sobre o mesmo, pude fazer várias reflexões e relações com a prática no HCSA, bem como articular com outros referencias teóricos existentes sobre pedagogia hospitalar e educação infantil. Este artigo da escuta pedagógica pretende responder a várias questões como: • É possível pensar o hospital como um espaço educacional para crianças internadas em enfermarias? • Pode a educação contribuir para a saúde da criança hospitalizada? • Que formas de educar são possíveis num hospital? • Quais os limites e as possibilidades de atuação do pedagogo neste novo lócus de atuação? O trabalho pedagógico em hospitais apresenta diversas interfaces de atuação e está na mira de diferentes olhares que o tentam compreender, explicar e construir um modelo que o possa enquadrar. No entanto, é preciso deixar claro que tanto a educação não é elemento exclusivo da escola quanto à saúde não é elemento exclusivo do hospital. Segundo o Ministério da Saúde: “o hospital é inclusive um centro de educação”. Refletir sobre a atuação de professores em hospitais tem sido uma questão bastante delicada na recente, mas já polêmica, discussão da prática pedagógica em enfermarias pediátricas.
  • 21. 21 A discussão começa entre duas correntes teóricas aparentemente opostas, mas que podem ser vistas como complementares. A primeira delas, talvez a mais difundida hoje no Brasil e com respaldo legal na política Nacional de Educação Especial (Brasil, 1994) e seus desdobramentos (Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica – Brasil, 2001) defende a prática pedagógica em classes hospitalares. São representantes dessa visão autores como Fonseca (2001,2002), Ceccim (1997) e Ceccim e Fonseca (1999), que tem publicações nessa área de conhecimento. Segundo a política do Ministério da Educação (MEC): “classe hospitalar é um ambiente hospitalar que possibilita o atendimento educacional de crianças e jovens internados que necessitam de educação especial e que estejam em tratamento hospitalar”. (Brasil,1994,p.20) Esta corrente defende a presença de professores em hospitais para a escolarização das crianças e jovens internados segundo os moldes da escola regular, contribuindo para a diminuição do fracasso escolar e dos elevados índices de evasão e repetência que acometem freqüentemente essa clientela em nosso pais A outra corrente de pensamento segue passos como os da professora Regina Taam, da Universidade Estadual de Maringá, que sugere a construção de uma prática pedagógica com características próprias do contexto, tempos e espaços hospitalares e não simplesmente transplantada da escola para o hospital. Segundo, (Regina Taam, 1997), faz-se necessária à construção de uma “pedagogia clínica”, (termo utilizado em seu artigo publicado na Revista Ciência Hoje), com forte embasamento na teoria da emoção do médico francês Henri Wallon (1879-1962) Regina Taam defende a idéia de que o conhecimento pode contribuir para o bem-estar físico, psíquico e emocional da criança enferma, mas não necessariamente o conhecimento curricular ensinado no espaço escolar. Segundo Taam (2000): O conhecimento escolar é o “efeito colateral” de uma ação que visa, primordialmente, á recuperação da saúde. O trabalho do professor é ensinar, não há dúvida, mas isso será feito tendo-se em vista o objetivo maior (a recuperação da saúde), pela qual trabalham todos os profissionais de um hospital.
  • 22. 22 Dessa forma, a autora pensa que tais correntes de pensamento, embora com especialidades próprias, tendem a se integrar na prática pedagógica hospitalar. A educação em hospitais oferece um amplo leque de possibilidades e de um acontecer múltiplo e diversificado que não deve ficar aprisionado a classificações ou enquadramentos. Podemos entender pedagogia hospitalar como uma proposta diferenciada da pedagogia tradicional, uma vez que se dá em âmbito hospitalar e que busca construir conhecimentos sobre esse novo contexto de aprendizagem que possam contribuir para o bem-estar da criança enferma. O ofício do professor no hospital apresenta diversas interfaces (política, pedagógica, psicológica, social, ideológica), mas nenhuma delas é tão constante quanto à da disponibilidade de estar com o outro e para o outro. Certamente, fica menos traumático enfrentar esse percurso quando não se está sozinho, podendo compartilhar com o outro a dor, por meio do diálogo e da escuta silenciosa. Alguns autores como Ceccim (1997, p.31) falam da escuta pedagógica para agendar conexões, necessidades intelectuais, emoções e pensamentos, ele afirma que: “o termo escuta provém da psicanálise e diferencia-se da audição. Enquanto a audição se refere á apreensão/compreensão de vozes e sons audíveis, a escuta se refere á apreensão/compreensão de expectativas e sentidos, ouvindo através das palavras as lacunas do que é dito e os silêncios, ouvindo expressões e gestos, condutas e posturas. A escuta não se limita ao campo da fala ou do falado, mais do que isso busca perscrutar os mundos interpessoais que constituem nossa subjetividade para cartografar o movimento das forças de vida que engendram nossa singularidade”. Relacionando este texto á minha prática no hospital, logo no primeiro atendimento já foi possível perceber a necessidade que tinham as crianças e as famílias de falarem e serem ouvidos (enfatizar a doença). Também pude perceber que buscavam respostas novas para suas perguntas. Ás vezes somente queriam ser ouvidos, e em outros momentos almejavam que fosse dito algo que ainda ninguém tinha dito, talvez uma palavra de esperança. “Somente quem escuta paciente e criticamente o outro, fala com ele, mesmo que em certas condições, precise de falar a ele”. (Paulo Freire, 1996, p.113) A escuta pedagógica se diferencia das demais escutas realizadas pelo serviço social ou pela psicologia no hospital, ao trazer a marca da construção do conhecimento sobre aquele espaço, aquela rotina, as informações médicas ou aquela doença, de forma lúdica e, ao mesmo
  • 23. 23 tempo, didática. Na realidade, não é uma escuta em eco. É uma escuta da qual brota o diálogo, que é à base de toda a educação. A constituição do sujeito por meio da linguagem e da afetividade: um diálogo entre as teorias de Wallon e Vygotsky. Wallon (1941) não há dúvida de que na teoria walloniana a emoção é à base da inteligência, seu primeiro suporte e seu vínculo com o social. A atividade emocional é uma das mais complexas características do ser humano, pois é simultaneamente biológica e social, e é por intermédio dela que se realiza a transição do biológico ao cognitivo, por meio da interação sociocultural. A emoção possui aspecto contagiante, permeando todas as interações sociais do ser humano. A importância de resgatar-se no presente estudo desses aspectos da emoção da teoria de Wallon deve-se ao fato de que, na investigação junto a crianças hospitalizadas, o termômetro emocional é mais intenso do que numa situação cotidiana, o que tende a interferir, a priori, em sua construção do conhecimento, em sua compreensão da realidade. A acuidade de percepção do real fica diminuída pelas próprias manifestações viscerais e musculares de uma tensão emocional. Segundo Wallon 1941: “devemos ter compreensão dos aspectos emocionais envolvidos na hospitalização, ampliando o nosso entendimento do paciente e da família,” escutando “não somente as dúvidas, mas também as angústias das pessoas que atendemos”. A maior contribuição de Vygotsky para a educação nasce de seu esforço de tentar compreender a relação entre o aprendizado e o desenvolvimento em crianças em idade escolar. É no brinquedo e no faz-de-conta que a criança pode imitar uma variedade de ações que estão muito além de seus limites de compreensão e de suas próprias capacidade. O brinquedo surge na vida da criança juntamente com sua capacidade de imaginar, de transcender o real e contribuir um mundo simbolicamente possível. Contudo o brincar no ambiente hospitalar ajuda a elaborar o sofrimento e aceitar melhor a doença e o tratamento. Vygotsky (2000) ressaltou a enorme influência que o brinquedo exerce no desenvolvimento da criança. É com o brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera
  • 24. 24 cognitiva descolada da realidade imediata e passa a dominar os objetos independentemente daquilo que vê, contextualizando-os e ressignificando-os. Este teórico desenvolveu também uma das mais originais e brilhantes teorias acerca da linguagem como suporte e expressão do pensamento humano, utilizando-se da analogia com o instrumento, enquanto ferramenta concreta do pensamento humano. Segundo ele, o material básico do pensamento é a linguagem. Enquanto o instrumento é visto como um meio externo, o signo é concebido como um meio interno do desenvolvimento humano. Para Wallon e Vygotsky, aprendizagem está pautada na interação do indivíduo com o meio no qual está inserido. Vygotsky particularmente, enfatizou o papel da cultura na história pessoal, e o da linguagem na construção do conhecimento, mas vendo-a em interação com elementos de sua cultura. A linguagem é o sistema simbólico básico de todos os grupos humanos. A linguagem, que é simultaneamente individual e social, modifica e constrói conhecimentos e sujeitos. Podemos concluir que tanto Wallon (1971,1975) quanto Vygotsky (2000) a individualização apresenta-se como um processo mediado pela socialização, seja, afetiva ou lingüisticamente. A identidade de indivíduos socializados forma-se simultaneamente no meio do entendimento lingüístico com outros e no meio entendimento intra-subjetuvo-vital consigo mesmo. Durante o tempo de hospitalização, o volume de informações a que as crianças e seus acompanhantes estão submetidos precisa ser trabalhado de modo pedagógico num contexto de atividades de socialização das crianças e de seus conhecimentos, sejam eles escolares, informais ou hospitalares. A criança aprende a criar mecanismos para minimizar a sua dor, e esses mecanismos podem ser socializados e até utilizados por outras crianças. Essa também é uma prática educativa, mediada pelo indivíduo mais experiente da cultura. O importante é perceber a criança e seus familiares como seres pensantes que, quando chegam ao hospital, já trazem histórias de vida, conhecimentos prévios sobre o que é saúde, doença, e sobre sua ação nessa dinâmica. A atuação do professor deve proporcionar uma articulação significativa entre o saber do cotidiano do paciente e o saber científico do médico, sempre respeitando as diferenças que existem entre ambos os saberes.
  • 25. 25 7.1 Era uma vez: escutando as histórias que os sujeitos nos contam em silêncio, em gestos e, às vezes, também em palavras. O silêncio é algo tão comum na Enfermaria Pediátrica quanto o choro e o grito de bebês, crianças e adolescentes hospitalizados. A opção de Cley, um dos sujeitos da pesquisa, foi o silêncio. Mas sua expressão facial falava. Os estados afetivos encontram no tônus e na plástica gestual seu canal mais transparente de expressão. A essa linguagem silenciosa do corpo, Wallon (1975) chamou de motricidade expressiva. No trabalho pedagógico em hospital, o professor deve considerar esse tipo de linguagem, devido à sua espontaneidade, como um de seus canais mais importantes de comunicação. Em algumas cenas podemos observar também o comportamento do pai de Daniel, que não se contentava com as folhas que possuía para uso pessoal e pedia sempre mais. Essa passagem demonstra a ociosidade dos pais, que também necessita de um trabalho que ocupe de maneira proveitosa seu tempo no hospital. Em quase todos os atendimentos, os pais participavam como se fossem crianças descobrindo algo novo. Alguns pais participavam mais ativamente que as próprias crianças. Era notório o prazer em realizar aquelas atividades com seus filhos. Segundo Wallon (1941): “o desenho , que é uma forma de expressão, é revelador de pensamentos, porque também é uma forma de linguagem. Pelo desenho a criança demonstra o conhecimento conceitual que tem da realidade e quais os aspectos mais significativos de sua experiência. Juntamente com o brincar, o desenho é a forma de expressão privilegiada pela criança”. Também tive a oportunidade de vivenciar e perceber estes momentos na minha prática docente. Dentro da minha mochila tinham uma variedade enorme de materiais e sempre levava um planejamento elaborado fazendo releituras a contos infantis. Depois de muita conversa, propunha a atividade, mas na maioria das vezes as crianças queriam mesmo era desenhar. E na sala de recreação também sempre chegava alguém pedindo para desenhar, com giz de cera, caneta hidrocor, tinta e etc.
  • 26. 26 O trabalho pedagógico em hospital não possui uma única forma de acontecer. O professor tem de se reconhecer como pesquisador do seu fazer, buscando novas respostas para eternas novas perguntas. Sem pesquisa, será impraticável mover a educação nesse terreno pantanoso, de informações mediáticas e modismos fugazes, em que há tanto tempo tentamos não submergir. Como referência à escola, o professor pode tornar-se a ponte, através da realização de atividades pedagógicas e recreativas, com um mundo saudável (a escola) que é levado, pelas próprias crianças, para o interior do hospital como continuidade dos laços de aprendizagem e de vida. Essa idéia de escola que as crianças levam para o universo hospitalar pode ser lida como a representação de um lugar de constituição e referência da identidade de infância. Segundo Wallon, (1941,p.11): “enxergar e acreditar na criança enferma, assim como qualquer criança, é um primeiro passo para compreendê-la, respeitá-la e auxiliá-la em seu processo de desenvolvimento, porque a criança não sabe senão viver a infância. Conhecê-la pertence ao adulto” Pensando no que já conhecemos sobre Educação Infantil, procuramos realizar atividades que contemplassem todas as áreas do conhecimento utilizando o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – publicado pelo Ministério da Educação em 1998. Dando ênfase ao lúdico com jogos e literatura infantil. O jogo, enquanto atividade espontânea da criança, foi analisado e pesquisado por vários estudiosos para melhor compreender o comportamento humano. É um meio privilegiado tanto para o estudo de crianças “normais”, quanto para aquelas que apresentam algum tipo de necessidade especial, haja vista os inúmeros trabalhos sobre o assunto, como os de Freud, Melanie Klein, Erikson e ainda, autores como Piaget, Claparéde, Callois e Ajuriaguerra que escreveram obras sobre o jogo na criança. diversas são as análises e pesquisas feitas por estudiosos que comprovaram que o jogo é, por excelência, integrador, há sempre um caráter de novidade, o que é fundamental para despertar o interesse da criança, e na medida em que joga, ela vai se conhecendo melhor, construindo interiormente seu mundo. Esta atividade é um dos meios mais propícios à construção do conhecimento. Para exercê-la a criança utiliza seu equipamento sensório-motor, pois o corpo é acionado e o pensamento também, e enquanto é desafiada a desenvolver habilidade operatórias que
  • 27. 27 envolvam a identificação, observação, comparação, análise, síntese e generalizações, ela vai conhecendo suas possibilidades e desenvolvendo cada vez mais sua autoconfiança. É fundamental, no jogo, que a criança descubra por si mesma, e para tanto o professor deverá oferecer situações desafiadoras que motivem diferentes respostas, estimulando a criatividade e a redescoberta. 8. DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO 8.1 Vivenciando práticas no ambiente Hospitalar. Ao chegar no hospital, eu e minhas colegas fomos para a sala do voluntariado para distribuir os leitos para começar a trabalhar, conforme o projeto integrado brincriar, cujo o tema é brinquedos e que se encontra em anexo neste trabalho. Na parte da manhã fui para o 6º andar, leito da P... de 8 anos, A... de 3 meses e D... de 8 anos. Eu e minha dupla de prática Karen entramos no quarto e as crianças já começaram as nos olhar com muita curiosidade. Comecei a atividade com uma apresentação e com uma entrevista, para investigar um pouco da vida e histórico de cada um. Em seguida iniciei as atividades onde P... foi muito receptiva. Contei o primeiro poema do livro “O saco de brinquedos” a ela, e a mesma disse que já o conhecia. A partir daí trabalhei sobre o poema e juntamente trabalhei a identidade. A criança P... logo após a atividade proposta, interessou-se muito pelo desenho. Neste momento dei-lhe uma folha de ofício, canetinhas, lápis de cor e giz de cera. Ela ficou muito feliz, seus olhos brilhavam de alegria. Ela prontamente começou a escrever o alfabeto e neste momento começamos a trabalhar o nome. Após o alfabeto, propus o desenho de sua mão na folha, baseado no poema do livro. Então neste momento ela começou a dar nome aos seus dedos e os escreveu no desenho, onde estava muito bem ilustrado. Segundo o dicionário do professor, p.27: “A identidade é, provavelmente, uma das noções mais intrigantes das ciências humanas. Talvez não haja uma definição precisa para esse termo, mas certamente, uma tentativa de apreendê-lo na sua complexidade. O estudo da identidade, antes restrito á psicologia, hoje é parte integrante das ciências sociais. É possível constatar, nesses estudos, a adoção de uma abordagem interdisciplinar, que pode privilegiar tanto a dimensão individual como a psicossocial ou
  • 28. 28 coletiva da identidade. No campo da educação, pensar essa noção significa trazer para essa área conceitos complexos originários de outras disciplinas” . O educando D...não gostou muito da proposta expressando o que gosta de fazer. Ele pediu jogo da memória, então demos a ele um jogo da memória com a figura humana e nomes, pois estava trabalhando com o nome e sua identidade. O mesmo solicitou uma massagem nas costas para a colega Karen, pois estava com muita dor. A colega fez a massagem trabalhando a expressão corporal. No leito havia um bebê de 3 meses o A..., percebi um ato muito interessante, quando cheguei perto dele fiz uma massagem em seus braços e mãos e o mesmo ficou bem relaxado. Ele estava meio agitado, então sua mãe colocou uma música para ele ninar, observei que começou a se acalmar e devido a este fato perguntei a ela desde quando ela fazia está dinâmica da música, ela respondeu que desde a gestação ela coloca música para ele, e somente dorme escutando-a. Davy Litman Bogomoletz, 1994 afirma que: “Muitos seres humanos trazem memórias corporais do processo de nascimento, como um exemplo marcante de um adiamento para além da compreensão, já que para o bebê que reage à intrusão de um parto adiado não há precedentes nem unidades de medida possíveis pelas quais mensurar o adiamento ou prever as conseqüências. Não há meios de fazer o bebê saber, durante um parto demorado, que meia hora ou algo equivalente será suficiente para resolver o problema, e por esta razão o bebê é apanhado por uma espera indefinida ou ‘infinita’. Esse tipo de experiências dolorosas fornece uma base muito poderosa para coisas tais como a questão da forma na música, onde, sem a rigidez da moldura, a idéia do fim é mantida diante do ouvinte desde o início. A música sem forma aborrece. E a inexistência de formas é infinitamente enfadonha para aqueles que se sentem particularmente aflitos por esse tipo de ansiedade, por conta de adiamentos impossíveis de compreender ocorridos em sua primeira infância. A música dotada de estrutura formal clara é reasseguradora em si mesma, para além de seus outros valores musicais propriamente dito”. Na parte da tarde fui para o 5º andar para a sala da recreação. O andar estava um pouco tumultuado em função do horário de visita. Eu e Karen fomos aos leitos chamar as crianças para esta sala. Um menino chamado L... estava pelos corredores e começou a nos acompanhar. O andar tinha muito mais bebês a crianças maiores. Comecei a atividade somente com o L... de 8 anos, mas ele preferiu ficar no computador , então fui o auxiliando, lhe proporcionando alguns jogos pedagógicos pela Internet, mas percebi durante este atendimento que este menino é meio confuso em relação aos seus conhecimentos e de sua própria vida. Em seguida começou a chegar
  • 29. 29 mais crianças e um bebê de 4 meses o E... que ficou prestando atenção nos desenhos coloridos que havia na sala. Os demais ficaram no computador e depois jogamos jogo da memória e fizemos algumas atividades em folha de ofício. Observei neste atendimento como existem pessoas do interior do estados e inclusive de outros estados no hospital. É interessante, pois podemos também estar passando um pouco de nossa cultura e aprendendo um pouco de outras culturas de diversas regiões. Percebi que a criança necessita de um atendimento pedagógico intenso dentro deste espaço, pois todas estão fora do mundo escolar. Contudo não é por causa da doença que irão ser esquecidas, e logo neste primeiro atendimento que fiz, pude constatar o que tanto foi me passado antes de efetivamente estar dentro do hospital. A criança precisa e deve continuar aprendendo e brincando mesmo internada, pois acredito que isto, irá fazer com que sua recuperação tenha um imenso avanço. Fico extremamente feliz de poder contribuir para o desenvolvimento das crianças no HCSA. Iniciamos mais um dia de prática á tarde a partir das 13:30, devido a Semana Acadêmica do Curso de Pedagogia, onde eu e minhas colegas fomos liberadas para assistir as palestras. A professora Nara e minhas colegas já estavam na sala do voluntariado no M2, fazendo a reunião. Durante esta reunião, através da professora Nara, foi nos passado alguns autores que serão importantes para o relatório final e até mesmo para o concurso do município. Após esta conversa começamos a relatar como foi nosso atendimento na quarta-feira. Logo em seguida, conversamos com a professora referente nossos planos de aula, onde trabalharíamos o trânsito (devido à semana do trânsito). Mas como a atividade proposta seria um circuito e teria pouco tempo para realizá-la, fiz um plano introdutório ao assunto para que na próxima semana pudesse dar continuidade ao plano de origem. Dando continuidade a reunião, falamos a respeito do mês da criança no hospital que é muito e intenso e dinâmica. A supervisora e professora Nara, nos informou que no dia 18 de outubro serão de nossa responsabilidade as atividades. Então a mesma propôs que não entrasse nos leitos nesta data, aproveitando o tempo para começar a preparar o evento do dia 18 de outubro no hospital.
  • 30. 30 Eu e minhas colegas começamos a criar uma história com vários personagens para montar uma peça de teatro. A história, cujo nome é “reinventado histórias” ficou fantástica e será trabalhada a partir de nosso projeto inicial que é o brinquedo. A história terá vários personagens das mais variadas histórias. Na peça serei o chapolin colorado, adorei meu personagem, visto que, gosto de personagens que divirtam as crianças, pois tenho certeza que elas irão apreciar muito este personagem vinculado a tantos outros. O objetivo do grupo com esta peça de teatral, é divertir as crianças e fazer com que elas percebam que a união faz a força, pois se trata da união de vários personagens em busca de um único sonho o brincar. Segundo Vygotsky (2000), brincar no ambiente hospitalar ajuda a elaborar o sofrimento e aceitar melhor a doença e o tratamento. No dia 4 de outubro cheguei ao hospital às 13:30. Eu e minhas colegas juntamente com a professora Nara, nos encontramos na sala de recreação do 5º andar para fazer nossa reunião. Neste sábado trabalhamos com o circuito do trânsito. Fizemos a estrada em um papel pardo com suas respectivas faixas e placas de trânsito que foram expostas no saguão do SUS. Perto das 16 horas eu e minhas colegas, fomos aos leitos chamar as crianças para realizar as atividades. Todas as crianças gostaram da atividade proposta e começaram a descer para o saguão. Eu e minha dupla de prática Karen, fomos buscar a V... que tem uma deficiência mental leve e não caminha. Devido a este fato, procuramos por todos os andares uma cadeira de rodas para que a mesma pudesse participar da atividade. A V... é uma criança muito participativa e com muita vontade de aprender e brincar. Pois é dever do educador incluir a criança com necessidade especial no meio, por isso as escolas municipais onde agrega a educação infantil e séries iniciais possuem o trabalho de inclusão, onde cada turma tem estagiárias de pedagogia para atendê-las. Relato isto por ter experiência, pois fiz estágio na rede municipal onde o trabalho é muito gratificante. Para mim é de uma enorme riqueza trazer esta experiência neste relatório. A educação inclusiva é um processo em que se amplia a participação de todos os educandos nos estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas e outros ambientes, de modo que estas respondam à diversidade de alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos.
  • 31. 31 Todas as crianças que se encontravam internadas participaram das atividades com muito entusiasmo. Quem não quis participar do circuito, por debilidade, ficou pintando o livro sobre o trânsito nas mesas que estavam dispostas no espaço. Foi muito produtivo. É impressionante como as crianças têm força, e mesmo debilitadas, não perdem sua vontade e sua infância. Um exemplo disto que estou relatando é novamente a menina V... que tem uma vontade enorme de participar de tudo. Ela é maravilhosa uma ótima criança. Nunca irei me esquecer dela, pois nos divertimos e aprendemos muito com ela. Quando estava muito feliz usava uma expressão que cativou a todos o “ai jesuzi”. Usava desta expressão quando estava muito feliz, e eu consegui perceber que quando estávamos no hospital desenvolvendo a prática, ela ficava muito alegre, com os olhos brilhando, pois chegou até a falar com muita dificuldade “o que será que a prof trouxe de legal para a V...brincar”, ouvir e sentir isto não tem preço. Confesso que ao relatar isto me lembrei muito daquele momento e até me emocionei. O objetivo deste circuito é conscientizar as crianças dos perigos do trânsito e a educação para ele, visto que, é de extrema importância tratar deste assunto com os mesmos, por fazer parte de sua vida cotidiana. 8.2 As agitadas Quartas-Feiras Como de costume, eu e minhas colegas de estágio fizemos nossa reunião na cafeteria para discutir sobre o plano de atividades e fazermos trocas dos atendimentos já realizados, é um momento muito interessante, pois assim temos algumas visões de um mesmo trabalho. Em seguida eu e minhas colegas fomos buscar o crachá no complexo hospitalar Santa Clara. Logo após organizamos os materiais e os grupos para começarmos o atendimento aos leitos. O hospital na quarta-feira tem um diferencial em relação ao sábado, pois é muito movimentado. Os leitos com profissionais como: fisioterapeutas, médicos, enfermagem... confesso que foi difícil encontrar um leito vazio para que pudesse começar as atividades. Estava no 5º andar, e esperei o movimento nos quartos baixar (para não atrapalhar o trabalho dos profissionais) para começar a prática pedagógica.
  • 32. 32 Entrei no leito onde havia três crianças uma de 1 ano e 8 meses a I..., um de 12 anos o L... e outro de 13 anos o N.... este último tem deficiência mental e no primeiro momento estava bem abatido e confesso que fiquei um pouco ansiosa de como trabalhar com aquela criança, visto que ele é totalmente atrofiado. Estava neste quarto eu, Daniela Flores, Marilene Rosa e Karen. Fomos muito bem recebidas pelos familiares e crianças que ali estavam. Comecei a atividade com uma conversa sobre a nova estação que estava chegando a “primavera”. Logo propus a eles um desenho com papéis coloridos e picados. A menina de 1 ano e 8 meses ficou com olhinhos brilhando de tantas cores que ali estavam. O L... também fez com animo seu desenho sobre a primavera, colocou em uma folha de papel ofício os papéis picados formando uma árvore e um sol. O menino N... tem muitas dificuldades, mas como meu papel enquanto educadora é incluir o indivíduo, então eu juntamente com minha colega Marilene ajudamos ele a montar seu desenho com os papéis. Pegamos sua mão e começamos ajudá-lo a desenvolver o trabalho. Observei que o mesmo gostou muito de trabalhar com a cola e os papéis e desta forma já foi incentivado e trabalhado, a motricidade fina. Neste olhar, a educação assume uma concepção dialética em que homem e o meio interagem, no sentido de construir a sobrevivência de ambos. No processo educativo dialético o homem concebido como ser autônomo, construtor do conhecimento, assume uma dimensão favorável à emancipação, visto que é dotado de capacidades intelectuais inatos que auxiliam seu processo de inserção social. E de acordo com as considerações de BRANDÃO (1988) o processo educativo na relação com o homem, pode ser entendido da seguinte maneira: Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único praticante (p. 9) Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja, no hospital ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender e ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Onde entra explicitamente aqui nesta prática, onde há situação de internação também há educação. Pois as crianças precisam continuar suas vidas e interagindo com o aprender. Dando continuidade ao trabalho distribui um copo de plástico, para trabalhar a decoração do mesmo. Todos enfeitaram seus copos com tintas e glitter. O fundamento desta atividade é
  • 33. 33 fazer uma mistura com água e sabão para fazer bolhas de sabão, pois estava trabalhando a partir do poema bolha de sabão do livro “saco de brinquedos”. Em seguida comecei a brincar com as bolhas e a menina de 1 ano ficou muito alegre ao olhar as bolhas, pois eram coloridas e ela as queria pegar no ar, lembrando sempre que está na faixa etária onde o concreto é evidente. Os demais também fizeram bolhas e adoraram a atividade. O menino N... estava um pouco debilitado e não foi muito participativo, embora senti que sua expressão mudou muita da hora em que eu e minhas colegas iniciamos os trabalhos até o final. Está debilidade desta criança é normal, pois embora queira muito participar e aprender está em um momento vulnerável e nem sempre estará disposta a participar. 8.3 Um dia atípico no hospital Segunda-Feira Como de costume, cheguei ao hospital às 8:30. toda a equipe de estágio se encontrou na cafeteria, onde fizemos uma breve reunião sobre o plano de aula. Eu e minhas colegas Marilene, Daniela Moizinho e Karen fomos para o 6º andar, pois a movimentação nos leitos do 5º andar estava intensa. Procuramos um leito onde havia crianças da faixa etária da educação infantil. Encontramos um quarto onde havia duas crianças de 8 anos e uma de 13. eu e minhas colegas iniciamos a prática com uma roda de conversa e apresentação da proposta. A atividade trabalhada foi referente ao trânsito, devido à semana do trânsito. Comecei a prática indagando sobre seus conhecimentos prévios sobre o assunto e após contamos uma história sobre o livro “trânsito não é brincadeira”. Na contação de história as crianças iam interagindo e encaixando a história do mesmo a suas vivências, sempre trabalhando a realidade daquele educando. Ao término da história, cada colega ficou com uma criança. Percebi que a V..., estava muito curiosa para saber o que tinha em minha “caixa rosa”, que para ela parecia um mistério. Com a evolução da proposta de montar um álbum sobre as placas de trânsito, comecei então a mostrar a ela, o que teria naquela caixa. Ela com um ar muito curioso, começou a olhar atentamente. Da tal “caixa rosa” (caixa pedagógica) começou a sair: massa de modelar, lápis de cor, canetinha, papel colorido, tinta... e à medida que estes objetos foram saindo da caixa, ela dava uma gargalhada de felicidade. Estava muito entusiasmada com a brincadeira. Comecei a
  • 34. 34 construir junto com as crianças o tal álbum, a V... gostou muito da proposta e trabalhou muito bem com a tesoura e a cola, pois a mesma tinha alguns problemas nos movimentos dos membros superiores e inferiores. A mesma também tem uma enorme dificuldade de falar, onde se esforça bastante para se fazer entendida. O J... que ficou fazendo atividades com a colega Karen, quis ir para a sala de recreação. O menino L... empenhou-se muito na atividade apresentada, fez o álbum com todo o cuidado e todos os detalhes possíveis. Chamou-me muito a atenção à mãe do L... que estava ali há dias com seu filho sem nenhum contato com o mundo externo. Ela pediu para a colega Marilene o seguinte: “professora, a senhora por um acaso tem alguma coisa para eu fazer”. Prontamente a colega deu a ela uma revista onde havia palavras cruzadas, jogo dos sete erros. Ela começou a fazer e perguntava a todo instante para nós: “professora será que está certo o que eu fiz, corrigi aqui para mim, me ajuda”. Este acontecimento foi emocionante, pois desde o início a professora Nara nos alertou que os pais também necessitam de alguma atividade. Eles necessitam de um trabalho que ocupe de maneira proveitosa seu tempo no hospital. Mas um exemplo de que a teoria se vê na prática. Jorge Valadares (2000:87) afirma que “as pessoas ouvidas se predispõem a ouvir. O respeito vem de uma capacidade de olhar de novo, e a responsabilidade vem da capacidade de responder a chamados”. O menino L..., após ter construído o álbum sobre os sinais de trânsito, no próprio álbum ao lado das figuras ele começou a escrever com toda a calma e atenção, algumas frases referente à figura. Ele é uma criança muito inteligente e tem muita vontade de estudar e aprender. Esta prática foi muito produtiva, pois pude aprender bastante e colocar a teoria na prática. Percebi que as crianças sempre querem mais, pois sempre dispõem de muita vontade de estar aprendendo e brincando, mesmo no ambiente hospitalar. Visto que, são crianças e essa vontade nunca morre. Gostaria de agradecer nesta prática a delicadeza, paciência, coleguismo, amizade e companheirismo das colegas Marilene e Karen, pois como sempre dizemos: “a união faz a força”, e todas são muito dedicadas e incentivadoras.
  • 35. 35 9. CONCLUSÃO A prática pedagógica no Hospital da Criança Santo Antônio, foi mais que uma oportunidade de relacionar teoria e prática. Foi um despertar para o mundo. Pois percebi que o mundo está cheio de coisas que ainda preciso conhecer, aprender e vivenciar. O trabalho no HCSA propiciou um entendimento mais aprofundado de como a ação educativa se desenvolve no ambiente hospitalar, ampliando a compreensão sobre os processos educativos que se efetivam na dinâmica social. A relação entre Educação e Saúde foi evidenciada na integralização das ações desenvolvidas no hospital, cujo qual se vivenciou que o trabalho multidisciplinar é extremamente necessário. Junto a essa equipe, a atuação do Pedagogo se concretiza como mais um saber, no sentido de ver outras visões não perceptíveis por outros profissionais, apontando novos elementos para que o tratamento seja visto de outra forma. Através desta investigação, observei que esta experiência desenvolvida no hospital, contribui no sentido de desmistificar a imagem negativa e dolorosa do ambiente para um espaço menos doloroso, isto porque possibilita às crianças uma certa transformação na sua rotina com o objetivo de resgatar sua auto-estima e recuperar seu sentido de luta pela vida. Confesso que não foi nada fácil no início lidar com a doença infantil, em função daquilo ser novo para mim. Nessa visão pedagógica, vislumbrei a ampliação da ação educativa, visto que o Pedagogo pode contribuir no sentido de desenvolver seu trabalho, tendo em vista a escuta pedagógica e o atendimento às crianças ou adolescentes hospitalizados. Este estágio acrescentou para minha vida pessoal e acadêmica o desejo de aprender, que é o que nos dá forças para enfrentar as dificuldades e viver a vida a cada momento. Isto posso dizer também pelas crianças, que apesar de estarem ali debilitadas e com dificuldades, querem sempre estar em constante aprendizagem. Dificuldades encontrei no início, e foram muitas, mas nenhuma que me levasse a desistir de tudo. Visto que, o novo dá insegurança, medo, mas se não
  • 36. 36 enfrentarmos, como vamos saber se é possível. Almejei muito este estágio, e consegui mais uma prova de que o pensamento positivo e força andam juntas. 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRANDÃO, C. R. O que é educação. São Paulo. Brasiliense, 1995 CECCIM, Ricardo B., FONSECA, Eneida S., (1999). Classe hospitalar: buscando padrões referenciais de atendimento pedagógico-educacional a criança e ao adolescente hospitalizado. Revista Integração, MEC/SEESP, ano 9, nº 21, p.31-39 FONTES, Rejane de S., (1998). Classe hospitalar: a validade de uma alternativa educacional a curto prazo. Monografia de Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense. FONTES, Rejane de S., (2006). A escuta pedagógica à criança hospitalizada: discutindo o papel da educação no hospital. Artigo de Doutorado da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense. REZENDE, Lucinea Aparecida de. (Org.). Tramando temas na educação. Londrina: Ed. UEL, 2001. RODRIGUES, Marina S., (2005). Caminhos para inclusão humana: Teoria e Prática. Lisboa, Portugal: Ed. ASA. ALVES, Rubens. A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. MEC. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília: Imprensa Oficial, 1996. VYGOTSKY, LS. A formação social da mente. 4ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. Ministério da Educação Departamento da Educação Básica, Reoganização Curricular do Ensino Básico- Novas Áreas Curriculares, Lisboa, 2002.
  • 37. 37 ERIKSON, Erik H. Identidade, Juventude e Crise, Tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro, Zahar, 1976 FREIRE. ECA – Estatudo da Criança e do Adolescente: Lei Federal 8069, de 13.07.90 – Porto Alegre: CMDCA .2007. ANEXOS
  • 45. 45