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Nazaré da Mata, junho de 2018.
A primeira escritora a entrar para a
Academia Brasileira de Letras, eleita para a
cadeira nº 5, em 1977. Foi também
jornalista, romancista, cronista, tradutora e
teatróloga. Integrou o quadro de Sócios
Efetivos da Academia Cearense de Letras.
Seu primeiro romance "O Quinze", ganhou
o prêmio da Fundação Graça Aranha. O
"Memorial de Maria Moura" foi
transformado em minissérie para televisão e
apresentado em vários países.
❖ Conceição: é uma professora solteira de 22 anos. Independente e culta, suas
leituras incluem livros sobre feminismo e socialismo. As suas ideias
avançadas são seu ponto forte.
❖ Vicente: é o primo da Conceição, sertanejo um pouco bruto e muito
trabalhador. É desconfiado com as pessoas da cidade.
❖ Chico Bento: é um vaqueiro, mas perde o trabalho por causa da seca e se
torna um retirante.
❖ Cordulina: é a mulher de Chico Bento.
❖ Mãe Nácia: é a avó de Conceição
❖ A autora situa a história do romance no Ceará de 1915. O fato
histórico importante da época era a própria seca de 1915 (o que
origina o título do livro);
❖ História contada em linha reta;
❖ Rara evocação do passado.
“Setembro já se acabara, com seu rude calor e sua aflita miséria; e
outubro chegou, com São Francisco e sua procissão sem fim, composta
quase toda de retirantes (...)”
Cap. 22
❖ A história acontece no Ceará, principalmente na região de Quixadá:
❖ Há também presença do espaço urbano, destacando Fortaleza, a capital do
Ceará
— Venha tomar seu café e depois sele a burra, que eu careço de ir no
Quixadá.
Cap. 5
❖ Romance narrado em terceira pessoa;
❖ Narrador onisciente;
❖ Discurso indireto livre;
“Chico Bento olhava para o cenário habitual, mas já com o desinteresse, o
desprendimento de um estrangeiro.”
Cap. 20
“Mas foi em vão que Chico Bento contou ao homem das passagens a sua
necessidade de se transportar a Fortaleza com a família. Só ele, a mulher, a
cunhada e cinco filhos pequenos.
O homem não atendia.
- Não é possível. Só se você esperar um mês. Todas as passagens que eu tenho
ordem de dar, já estão cedidas”
- Cap. 5
A história tem dois planos:
❖ 1° plano: Os fatos estão voltados para a relação afetiva entre Vicente,
um trabalhador do campo e Conceição
❖ 2° plano: família do vaqueiro Chico Bento e a história da saga de
da sua família;
❖ Não há uso de palavreado erudito;
❖ Sua linguagem é natural, direta, coloquial, simples, sóbria, condicionada ao
assunto e á região, própria da linguagem moderna brasileira;
❖ É uma linguagem regionalista sem afetação, sem pretensão literária e sem
vínculo obrigatório a um falar específico (modismo comum na tendência
regionalista);
— Meu senhor, pelo amor de Deus! Me deixe um pedaço de carne, um
taquinho ao menos, que dê um caldo para a mulher mais os meninos! Foi
pra eles que eu matei! Já caíram com a fome!... — Não dou nada! Ladrão!
Sem-vergonha! Cabra sem-vergonha! [...] Cap. 12
❖ Com o enfoque na região nordestina, a obra O Quinze possui um caráter
regionalista;
❖ O romance contém um forte teor social, que além de enfocar na realidade
das pessoas do local, retrata a fome e a miséria;
A generosidade matuta que vem na massa do sangue, e florescia no
altruísmo singelo do vaqueiro, não se perturbou:
— Sei lá! Deus ajuda! Eu é que não havera de deixar esses
desgraçados roerem osso podre...
Cap. 7
E aquele caso da cabra, em que — Deus me perdoe! —
pela primeira vez tinha botado a mão em cima do
alheio... E se saíra tão mal [...]
Cap. 18
E aquele caso da cabra, em que — Deus me perdoe! —
pela primeira vez tinha botado a mão em cima do
alheio... E se saíra tão mal [...]
Cap. 18
❖ A análise psicológica das personagens e o uso do discurso direto,
revelam as dificuldades e os pensamentos do ser humano ante os
problemas sociais que são desencadeados pela seca;
❖ A força da mulher do sertão possuidora de muitas faces: A mulher
forte, a mulher retirante, a mulher apaixonada e a mulher enquanto
mãe.
❖ A força da paixão;
❖ Contexto histórico : Os campos de concentração;
— Tia Inácia vai bem. Conceição faz parte da comissão de senhoras que distribuem socorros no Campo de Concentração.
— Certo? Você viu como é? Imagino o horror! — Não tive tempo de ir ver; ela até me convidou...
Cap. 17
❖ Neorrealismo e prosa regionalista: Na obra de Rachel de Queiroz, a prosa
regionalista nordestina e o neorrealismo possuem profundas ligações:
“Que custo, atravessar aquele atravancamento de gente imunda, de latas velhas, e
trapos sujos!”
❖ Interesse na situação social;
O Quinze é um filme brasileiro de 2004, um drama dirigido por Jurandir de Oliveira,
ALMEIDA, José Maurício Gomes de. A tradição regionalista no romance brasileiro. Rio de
Janeiro: Achiamé, 1981
BOSI, Alfredo. “Rachel de Queiroz”. In: História concisa da literatura brasileira. São Paulo:
Cultrix, 1970.
MONTEIRO, Casais Adolfo. Diário do Nordeste: Temáticas de “O Quinze”. Disponível em:
<http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/tematicas-de-o-quinze-
1.517616>
O QUINZE. Longa metragem. Direção, roteiro, montagem, elenco: Jurandir Oliveira, 2007.
OLIVA, Osmar Pereira. Rachel de Queiroz e o Romance de 30: ressonâncias do socialismo e
do feminismo. Caderno Pagu, Montes Claros, 43, julho-dezembro de 2014: 385-415.
QUEIROZ, Rachel. O quinze. São Paulo: Siciliano, 1993.

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  • 1. Nazaré da Mata, junho de 2018.
  • 2. A primeira escritora a entrar para a Academia Brasileira de Letras, eleita para a cadeira nº 5, em 1977. Foi também jornalista, romancista, cronista, tradutora e teatróloga. Integrou o quadro de Sócios Efetivos da Academia Cearense de Letras. Seu primeiro romance "O Quinze", ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha. O "Memorial de Maria Moura" foi transformado em minissérie para televisão e apresentado em vários países.
  • 3. ❖ Conceição: é uma professora solteira de 22 anos. Independente e culta, suas leituras incluem livros sobre feminismo e socialismo. As suas ideias avançadas são seu ponto forte. ❖ Vicente: é o primo da Conceição, sertanejo um pouco bruto e muito trabalhador. É desconfiado com as pessoas da cidade. ❖ Chico Bento: é um vaqueiro, mas perde o trabalho por causa da seca e se torna um retirante. ❖ Cordulina: é a mulher de Chico Bento. ❖ Mãe Nácia: é a avó de Conceição
  • 4. ❖ A autora situa a história do romance no Ceará de 1915. O fato histórico importante da época era a própria seca de 1915 (o que origina o título do livro); ❖ História contada em linha reta; ❖ Rara evocação do passado. “Setembro já se acabara, com seu rude calor e sua aflita miséria; e outubro chegou, com São Francisco e sua procissão sem fim, composta quase toda de retirantes (...)” Cap. 22
  • 5. ❖ A história acontece no Ceará, principalmente na região de Quixadá: ❖ Há também presença do espaço urbano, destacando Fortaleza, a capital do Ceará — Venha tomar seu café e depois sele a burra, que eu careço de ir no Quixadá. Cap. 5
  • 6. ❖ Romance narrado em terceira pessoa; ❖ Narrador onisciente; ❖ Discurso indireto livre; “Chico Bento olhava para o cenário habitual, mas já com o desinteresse, o desprendimento de um estrangeiro.” Cap. 20 “Mas foi em vão que Chico Bento contou ao homem das passagens a sua necessidade de se transportar a Fortaleza com a família. Só ele, a mulher, a cunhada e cinco filhos pequenos. O homem não atendia. - Não é possível. Só se você esperar um mês. Todas as passagens que eu tenho ordem de dar, já estão cedidas” - Cap. 5
  • 7. A história tem dois planos: ❖ 1° plano: Os fatos estão voltados para a relação afetiva entre Vicente, um trabalhador do campo e Conceição
  • 8. ❖ 2° plano: família do vaqueiro Chico Bento e a história da saga de da sua família;
  • 9. ❖ Não há uso de palavreado erudito; ❖ Sua linguagem é natural, direta, coloquial, simples, sóbria, condicionada ao assunto e á região, própria da linguagem moderna brasileira; ❖ É uma linguagem regionalista sem afetação, sem pretensão literária e sem vínculo obrigatório a um falar específico (modismo comum na tendência regionalista); — Meu senhor, pelo amor de Deus! Me deixe um pedaço de carne, um taquinho ao menos, que dê um caldo para a mulher mais os meninos! Foi pra eles que eu matei! Já caíram com a fome!... — Não dou nada! Ladrão! Sem-vergonha! Cabra sem-vergonha! [...] Cap. 12
  • 10. ❖ Com o enfoque na região nordestina, a obra O Quinze possui um caráter regionalista; ❖ O romance contém um forte teor social, que além de enfocar na realidade das pessoas do local, retrata a fome e a miséria; A generosidade matuta que vem na massa do sangue, e florescia no altruísmo singelo do vaqueiro, não se perturbou: — Sei lá! Deus ajuda! Eu é que não havera de deixar esses desgraçados roerem osso podre... Cap. 7
  • 11. E aquele caso da cabra, em que — Deus me perdoe! — pela primeira vez tinha botado a mão em cima do alheio... E se saíra tão mal [...] Cap. 18 E aquele caso da cabra, em que — Deus me perdoe! — pela primeira vez tinha botado a mão em cima do alheio... E se saíra tão mal [...] Cap. 18
  • 12. ❖ A análise psicológica das personagens e o uso do discurso direto, revelam as dificuldades e os pensamentos do ser humano ante os problemas sociais que são desencadeados pela seca; ❖ A força da mulher do sertão possuidora de muitas faces: A mulher forte, a mulher retirante, a mulher apaixonada e a mulher enquanto mãe. ❖ A força da paixão;
  • 13. ❖ Contexto histórico : Os campos de concentração; — Tia Inácia vai bem. Conceição faz parte da comissão de senhoras que distribuem socorros no Campo de Concentração. — Certo? Você viu como é? Imagino o horror! — Não tive tempo de ir ver; ela até me convidou... Cap. 17
  • 14. ❖ Neorrealismo e prosa regionalista: Na obra de Rachel de Queiroz, a prosa regionalista nordestina e o neorrealismo possuem profundas ligações: “Que custo, atravessar aquele atravancamento de gente imunda, de latas velhas, e trapos sujos!” ❖ Interesse na situação social;
  • 15. O Quinze é um filme brasileiro de 2004, um drama dirigido por Jurandir de Oliveira,
  • 16. ALMEIDA, José Maurício Gomes de. A tradição regionalista no romance brasileiro. Rio de Janeiro: Achiamé, 1981 BOSI, Alfredo. “Rachel de Queiroz”. In: História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1970. MONTEIRO, Casais Adolfo. Diário do Nordeste: Temáticas de “O Quinze”. Disponível em: <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/tematicas-de-o-quinze- 1.517616> O QUINZE. Longa metragem. Direção, roteiro, montagem, elenco: Jurandir Oliveira, 2007. OLIVA, Osmar Pereira. Rachel de Queiroz e o Romance de 30: ressonâncias do socialismo e do feminismo. Caderno Pagu, Montes Claros, 43, julho-dezembro de 2014: 385-415. QUEIROZ, Rachel. O quinze. São Paulo: Siciliano, 1993.