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história da literatura
O índio na literatura brasileira
              Manoel Neves
QUINHENTISMO
o índio na literatura brasileira
QUINHENTISMO
                            o índio na literatura brasileira
A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem
feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar
suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. (...)
                        CAMINHA, Pero Vaz de. Carta. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
QUINHENTISMO
                            o índio na literatura brasileira
Bastará dizer-vos que até aqui, como quer que eles um pouco se amansassem, logo duma mão
para a outra se esquivavam, como pardais, do cevadoiro. Homem não lhes ousa falar de rijo
para não se esquivarem mais; e tudo se passa como eles quem, para os bem amansar. (...)
                        CAMINHA, Pero Vaz de. Carta. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
QUINHENTISMO
                             o índio na literatura brasileira
E, segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda
cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer, como nós
mesmos, por onde nos pareceu a todos que nenhuma idolatria, nem adoração têm. E bem creio
que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados
ao desejo de Vossa Alteza.
                         CAMINHA, Pero Vaz de. Carta. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
QUINHENTISMO
                             o índio na literatura brasileira
Andavam já mais mansos e seguros entre nós, do que nós andávamos entre eles. (...)
                         CAMINHA, Pero Vaz de. Carta. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
QUINHENTISMO
                               o índio na literatura brasileira
Eles não lavram, nem criam. (...)
                           CAMINHA, Pero Vaz de. Carta. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
QUINHENTISMO
                           o índio na literatura brasileira
                                   os fragmentos
  01                 etnocentrismo [semelhanças corporais do índio com o europeu]
  02                            aponta-se o índio como selvagem, arredio
  03                               intenção catequética e colonizadora
  04                      destaca-se a falta de malícia dos silvícolas [inocência]
  05              análise de aspectos culturais e da organização da sociedade do íncola

                                    uma análise
da leitura dos fragmentos, depreende-se a intenção predatória do colonizador, que pode ser
comprovada pela intencionalidade de salvar as almas dos índios e de trazê-lo para a cultura
ocidental; o reforço dos traços fenotípicos semelhantes aos dos portugueses, a constatação
da inocência do índio e os traços animalescos são elementos que comprovam que o europeu
          deseja criar uma nova identidade para o nativo das terras americanas.
O ÍNDIO NO BARROCO
 o índio na literatura brasileira
BARROCO
              o índio na literatura brasileira
                  Há cousa como ver um Paiaiá
                  Mui prezado de ser Caramuru,
                 Descendente de sangue de Tatu,
                  Cujo torpe idioma é cobé pá.
                    A linha feminina é carimá
                    Moqueca, pititinga caruru
                 Mingau de puba, e vinho de caju
                  Pisado num pilão de Piraguá.
                   A masculina é um Aricobé
                 Cuja filha Cobé um branco Paí
                Dormiu no promontório de Passé.
             O Branco era um marau, que veio aqui,
                   Ela era uma Índia de Maré
                  Cobé pá, Aricobé, Cobé Paí
MATOS, Gregório de. Antologia poética. Disponível em: http://manoelnves.com
BARROCO
              o índio na literatura brasileira
                Um paiá de Monai, bonzo bramá
                  Primaz da cafraria do Pegu,
            Quem sem ser do Pequim, por ser do Acu,
               Quer ser filho do sol, nascendo cá.
                Tenha embora um avô nascido lá,
                 Cá tem tres pela costa do Cairu,
                  E o principal se diz Paraguaçu,
               Descendente este tal de um Guinamá
                Que é fidalgo nos ossos cremos nós,
                 Pois nisso consistia o mor brasão
                 Daqueles que comiam seus avós.
               E como isto lhe vem por geração,
             Tem tomado por timbre em seus teirós
             Morder nos que provêm de outra nação.
MATOS, Gregório de. Antologia poética. Disponível em: http://manoelnves.com
BARROCO
              o índio na literatura brasileira
               Um calção de pindoba a meia zorra
              Camisa de Urucu, mantéu de Arara,
                Em lugar de cotó arco, e taquara,
              Penacho de Guarás em vez de gorra.
            Furado o beiço, e sem temor que morra,
              O pai, que lho envazou cuma titara,
             Senão a Mãe, que a pedra lhe aplicara,
            A reprimir-lhe o sangue, que não corra.
              Animal sem razão, bruto sem fé,
         Sem mais Leis, que as do gosto, quando erra,
               De Paiaiá virou-se em Abaeté.
           Não sei, once acabou, ou em que guerra,
             Só sei, que deste Adão de Massapé,
              Procedem os fidalgos desta terra.
MATOS, Gregório de. Antologia poética. Disponível em: http://manoelnves.com
BARROCO
                            o índio na literatura brasileira
                                       os sonetos
os dois poemas se propõem a traçar uma genealogia dos nobres da terra; a figura do índio, na
obra de Gregório de Matos, aparece colada à dos novos ricos; o poeta barroco critica de forma
ferina os novos donos do poder; percebe-se, neste movimento, certo ressentimento, quando se
 recorda que o bardo barroco empobrecera em consequência da queda do preço do açúcar e
            perdera sua posição justamente para aqueles que chama de bárbaros.
O ÍNDIO NO ARCADISMO
  o índio na literatura brasileira
ARCADISMO
                 o índio na literatura brasileira
                  De ouro fino os cabelos pareciam,
              Que uma aura branda aos ares espalhava,
                 E uns dos outros talvez se dividiam,
               E outra vez um com outro se enredava;
                 Frechas voando, mais não feririam,
                Do que um só deles nalma penetrava;
              Cabelos tão gentis, que o esposo amado
               Se queixa que de um deles foi chagado.
                  A fronte bela, cândida, espaçosa,
                    Cheia de celestial serenidade,
                  Vislumbres dava pela luz formosa
                   Da imortal soberana claridade.
                 Vê-se ali mansidão reinar piedosa,
                 E envolta na modéstia a suavidade,
               Com graça, a quem a olhava tão serena,
               Que, excitando prazer, desterra a pena.
DURÂO, Santa Rita. Caramuru. Disponível em: http://destinopasargada.blogspot.com
ARCADISMO
          o índio na literatura brasileira
           Porém o destro Caitutu, que treme
          Do perigo da Irmã, sem mais demora
       Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes
             Soltar o tiro, e vacilou três vezes
           Entre a ira e o temor. Enfim sacode
              O arco e faz voar a aguda seta,
           Que toca o peito de Lindóia, e fere
        A serpente na testa, e a boca e os dentes
           Deixou cravados no vizinho tronco.
          Açouta o campo com a ligeira cauda
         O irado monstro, e em tortuosos giros
         Se enrosca no cipreste, e verte envolto
            Em negro sangue o lívido veneno.
GAMA, Basílio da. O uraguai. Disponível em: http://manoelneves.com
ARCADISMO
                             o índio na literatura brasileira
                                 as epopeias árcades
 influenciados pelo Mito do Bom Selvagem, os escritores árcades apresentam um índio que tem
traços físicos [Caramuru] e comportamentais [O uraguai] europeizados; trata-se de um modelo de
  idealização que será amplamente desenvolvido no romantismo de Alencar e Gonçalves Dias.
O ÍNDIO NO ROMANTISMO
   o índio na literatura brasileira
ROMANTISMO
                         o índio na literatura brasileira
       Da tribo pujante,    Já vi cruas brigas,                   Andei longes terras
    Que agora anda errante   De tribos imigas,                    Lidei cruas guerras,
     Por fado inconstante,  E as duras fadigas                    Vaguei pelas serras
       Guerreiros, nasci;   Da guerra provei;                       Dos vis Aimorés;
     Sou bravo, sou forte, Nas ondas mendaces                      Vi lutas de bravos,
      Sou filho do Norte;    Senti pelas faces                   Vi fortes – escravos!
     Meu canto de morte,     Os silvos fugaces                   De estranhos ignavos
       Guerreiros, ouvi.   Dos ventos que amei.                    Calcados aos pés.
DIAS, Gonçalves. Fragmentos do canto IV de “I Juca Pirama”. Disponível em: http://manoelneves.com
ROMANTISMO
                      o índio na literatura brasileira
                      Eu vivo sozinha, ninguém me procura!
                                   Acaso feitura
                                 Não sou de Tupá!
              Se algum dentre os homens de mim não se esconde:
                             — "Tu és", me responde,
                                 "Tu és Marabá!"
                  — Meus olhos são garços, são cor das safiras,
                   — Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
                     — Imitam as nuvens de um céu anilado,
                      — As cores imitam das vagas do mar!
                Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
                             "Teus olhos são garços",
                       Responde anojado, "mas és Marabá:
                  "Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
                               "Uns olhos fulgentes,
                     "Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!"
                      — É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
                       — Da cor das areias batidas do mar;
                 — As aves mais brancas, as conchas mais puras
                  — Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.
DIAS, Gonçalves. Fragmentos do canto IV de “Marabá”. Disponível em: http://manoelneves.com
ROMANTISMO
                       o índio na literatura brasileira
                 Aqui na floresta                Valente na guerra,
                Dos ventos batida,             Quem há, como eu sou?
               Façanhas de bravos               Quem vibra o tacape
               Não geram escravos,               Com mais valentia?
               Que estimem a vida                Quem golpes daria
                Sem guerra e lidar.             Fatais, como eu dou?
              — Ouvi-me, Guerreiros,           — Guerreiros, ouvi-me;
               — Ouvi meu cantar.             — Quem há, como eu sou?
DIAS, Gonçalves. Fragmentos de “O canto do guerreiro”. Disponível em: http://manoelneves.com
ROMANTISMO
                     o índio na literatura brasileira
             E pois que és meu filho,           Teu grito de guerra
               Meus brios reveste;             Retumbe aos ouvidos
                Tamoio nasceste,                D'imigos transidos
                  Valente serás.                  Por vil comoção;
                Sê duro guerreiro,              E tremam d'ouvi-lo
               Robusto, fragueiro,                Pior que o sibilo
               Brasão dos tamoios                Das setas ligeiras,
               Na guerra e na paz.               Pior que o trovão.
DIAS, Gonçalves. Fragmentos de “Canção do Tamoio”. Disponível em: http://manoelneves.com
ROMANTISMO
                            o índio na literatura brasileira
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e
mais longos que o seu talhe de palmeira.
O favo da Jati não era doce como o seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu
hálito perfumado.
                          ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Ática, 2001.
ROMANTISMO
                                  o índio na literatura brasileira
Se tu fosses cristão, Peri!….
O índio voltou-se extremamente admirado daquelas palavras.
– Por quê?… perguntou ele.
Por quê?… disse lentamente o fidalgo. Porque se tu fosses cristão, eu te confiaria a salvação de
minha Cecília, e estou convencido de que a levarias ao Rio de Janeiro à minha irmã.
O rosto do selvagem iluminou-se; seu peito arquejou de felicidade, seus lábios trêmulos mal
podiam articular o turbilhão de palavras que lhe vinham do íntimo d’alma..
O índio voltou-se extremamente admirado daquelas palavras.
- Peri quer ser cristão! Exclamou ele.
                                ALENCAR, José de. O guarani. São Paulo: Ática, 2005.
ROMANTISMO
                             o índio na literatura brasileira
Pela margem do grande rio caminha Jaguarê, o jovem caçador. O arco pende-lhe ao ombro,
esquecido e inútil. As flechas dormem no coldre da uiraçaba. [...]
O rugido do jaguar abala a floresta; mas o caçador também despreza o jaguar, que já cansou de
vencer. [...]
Não é esse o inimigo que procura, porém outro mais terrível para vencê-lo em combate de
morte e ganhar nome de guerra.
Jaguarê chegou à idade em que o mancebo troca a fama do caçador pela glória do guerreiro.
Para ser aclamado guerreiro por sua nação é preciso que o jovem caçador conquiste esse título
por uma grande façanha.
Por isso deixou a taba dos seus e a presença de Jandira, a virgem formosa que lhe guarda o seio
de esposa.
Lá estaca o jovem caçador no meio da campina. Volvendo ao céu o olhar torvo e iracundo, solta
ainda uma vez seu grito de guerra. [...]
Respondeu o ronco da sucuri na madre do rio e o urro do tigre escondido na furna; mas outro
grito de guerra não acudiu ao desafio do caçador.
                           ALENCAR, José de. Ubirajara. São Paulo: Ática, 2003.
ROMANTISMO
                       o índio na literatura brasileira
                      a lírica de Gonçalves Dias
“I-Juca-Pirama”, “O canto do guerreiro”, “Canto do tamoio”, “Leito de folhas verdes”
      indianismo: idealização do índio que toma como matriz valores europeus
           [força, coragem, valentia, honra, heroísmo, altruísmo, bravura]
         “Marabá”: celebração da beleza índia, desvalorização do mestiço;
“O canto do piaga”: denúncia das atrocidades que foram perpetradas pela colonização
ROMANTISMO
                            o índio na literatura brasileira
                            a indianismo de Alencar
        celebra a pacífica aculturação do índio e seu cego devotamento ao português
as personagens que se opõem aos projetos do português são satanizados [Irapuã, em Iracema]
     idealização do índio que leva em conta os valores europeus [Iracema, Peri e Jaguarê]
Ubirajara: ficção que se constrói a partir de colagens de textos dos cronistas do descobrimento
         [retrata romanceadamente como vivia o índio antes da chegada do europeu]
      Iracema: ficção que apresenta um modelo corporal, ideológico e estético indígena
           [retrata poeticamente o primeiro contato entre o europeu e o silvícola]
  O guarani: ficção que celebra como valores indígenas a força, a ingenuidade e o servilismo
         [retrata idealizadamente o processo de povoamento das terras americanas]
O ÍNDIO NA 1ª. GERAÇÃO DO MODERNISMO
          o índio na literatura brasileira
PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                                 o índio na literatura brasileira
Tupy or not tupy that is the question.
Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D.
Antônio de Mariz.
       ANDRADE, Oswald de. Fragmentos do “Manifesto Antropófago”. Disponível em: http://manoelneves.com
PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO
              o índio na literatura brasileira
       O Zé Pereira chegou de caravela
       E preguntou pro guarani da mata virgem
       — Sois cristão?
       — Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
       Teterê Tetê Quizá Quizá Quecê!
       Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
       O negro zonzo saído da fornalha
       Tomou a palavra e respondeu
       — Sim pela graça de Deus
       Canhém Babá Canhém Babá Cum Cum!
       E fizeram o Carnaval
    ANDRADE, Oswald de. Brasil. Disponível em: http://manoelneves.com
PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                  o índio na literatura brasileira
                   Quando o português chegou
                   Debaixo duma bruta chuva
                   Vestiu o índio
                   Que pena! Fosse uma manhã de sol
                   O índio tinha despido
                   O português
  ANDRADE, Oswald de. Erro de português. Disponível em: http://manoelneves.com
PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                               o índio na literatura brasileira
No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do
medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo
do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de
Macunaíma. [...]
Macunaíma principiou atirando pedras nela e quando feria, Sofará gritava de excitação tatuando
o corpo dele em baixo com o sangue espirrando. Afinal uma pedra lascou o canto da boca da
moça e moeu três dentes. Ela pulou do galho e juque! Tombou sentada na barriga do herói que
a envolveu com o corpo todo, uivando de prazer. E brincaram outra vez. [...]
No outro dia bem cedinho foram todos trabucar. A princesa foi no roçado Maanape foi no mato
e Jiguê foi no rio. Macunaíma se desculpou, subiu na montaria e deu uma chegadinha até a boca
do rio Negro pra buscar a consciência deixada na ilha de Marapatá. Jacaré achou? nem ele.
Então o herói pegou na consciência dum hispano-americano, botou na cabeça e se deu bem da
mesma forma.
               ANDRADE, Oswald de. Erro de português. Disponível em: http://manoelneves.com
PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO
            o índio na literatura brasileira
     Uei!
     Passou rasgando o caminho
     Arvorezinhas ficaram de pescoço torcido
     As outras rolaram esmagadas de raiz para cima
     O horizonte ficou chato
     Vento correu correu
     mordendo a ponta do rabo.
     Pajé-pato lá adiante ensinou caminho errado:
     – Cobra Norato com uma moça?
     Foi pra Belém. Foi se casar
     Cobra Grande esturrou direto pra Belém.
     Deu um estremeção.
     Entrou no cano da Sé
     e ficou com a cabeça enfiada debaixo dos pés de
     Nossa Senhora
      BOPP, Raul. Cobra Norato. Disponível em: http://manoelneves.com
PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                                 o índio na literatura brasileira
Os tupis desceram para serem absorvidos. Para se diluírem no sangue da gente nova. Para viver
subjetivamente e transformar numa prodigiosa força a bondade do brasileiro e o seu grande
sentimento de humanidade. Seu totem não é carnívoro: Anta. É este um animal que abre
caminhos, e aí parece estar indicada a predestinação da gente tupi.
A filosofia tupi deve ser forçosamente a não filosofia. O movimento da Anta baseava-se nesse
princípio. Tomava-se o índio como símbolo nacional, justamente porque ele significa ausência
de preconceito.
     Manifesto Nhengatu Verde-Amarelo. Disponível em: http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=8291
PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                o índio na literatura brasileira
   todos os três, [...]
   o homem da Terra, com o seu nomadismo;
   o homem do Mar, com a sua carga de aventura;
   o homem da Noite, para afrontar o sol dos trópicos [...]
   todos três de mãos dadas
   e pela primeira vez,
   deuses-bichos, com barba de cipó,
   depois de haver bebido em grandes goles
   a água do rio que nascera
   correndo pra dentro da terra e de costas voltadas para o mar
   todos, três,
   bateram à porta do Sertão antropofágico tropel
   formidável: “Nós queremos entrar”
     RICARDO, Cassiano. Martim Cererê. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.
PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                              o índio na literatura brasileira
                                 o primitivismo crítico
                       Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Raul Bopp
       Movimentos Pau-Brasil e Antropofágico: revisão crítica do passado histórico cultural
              crítica à colonização e defesa de uma independência mental brasileira
           celebração de um índio forte, autêntico, nacional, orgulhoso e não europeu
     aponta-se a permanência dos valores indígenas em vários aspectos da cultura brasileira
em vez de celebrar a aculturação, celebra-se a permanência de valores indígenas na alma brasileira
  trata-se, ainda, de uma idealização, diferente da romântica, mas que vê positivamente o índio
    na medida em que o dota de uma consciência crítica que é fruto de outra tradição cultural
PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                        o índio na literatura brasileira
                         o primitivismo ingênuo
                         Cassiano Ricardo e Plínio Salgado
                        Movimentos Verde-Amarelo e Anta
              defesa da colonização e dos mitos românticos indianistas
celebra-se o índio que se deixou aculturar e que aceitou passivamente a miscigenação
     Martim Cererê e o pensamento de direita são os suportes para tal ideologia
O ÍNDIO NA 4ª. GERAÇÃO DO MODERNISMO
          o índio na literatura brasileira
QUARTA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                                o índio na literatura brasileira
O verdadeiro e olvidado nome de Ipavu era Paiap mas como Paiap falava muito em Ipavu, a
lagoa dos camaiurá, os brancos tinham trocado o nome dele pelo da lagoa e Paiap tinha despido
o nome verdadeiro com indiferença, o alívio de quando, roubada ou ganha uma camisa nova,
jogava fora a velha, molambo roído de barro branco, de urucum vermelho, de jenipapo preto,
vai-te, camisa, pra puta que te pariu, dizia ele pra fazer os brancos rirem, que branco, sabe-se lá
por que, sempre ria quando o índio dizia palavra ensinado por branco. Ipavu não queria por
nada deste mundo voltar a ser índio, nu, piroca ao vento, pegando peixe com flecha ou timbó,
comendo peixe com milho ou beiju. Queria viver em cidade caraíba, com casas de janela
empilhada sobre janela e botequim de parede forrada, do rodapé ao teto, de bramas e
antárticas. Índio era burro de morar no mato, beber caxiri azedo, numa cuia, quando podia
encher a cara de cerveja e sair correndo na hora de pagar a conta.
                   CALLADO, Antônio. A expedição Montaigne. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.
QUARTA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                             o índio na literatura brasileira
Todos os homens nascem em Jerusalém. Eu também? Padre serei, ministro de Deus da Igreja de
Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas gente, eu sou? Não, não sou ninguém. Melhor que seja padre,
assim poderei viver quieto e talvez até ajudar o próximo. Isto é, se o próximo deixar que um
índio de merda o abençoe, o confesse, o perdoe.
Reconheço que estou com complexo, obsessivo: paranoico ou esquizofrênico? Sei lá. Na verdade
ninguém me quer mal porque eu sou o porque eu fui índio. Apenas constatam. Muitos até se
comovem: “Um índio convertido?” Quase sempre se espantam: “Vai receber ordens?” E todos
concluem: “Para se dedicar às missões?” Nesta altura, perguntam: “Vai voltar ao seu povo?”
Querem dizer: “à sua tribo”, “aos seus selvagens”. Eu vou? Não vou? Belga ou holandês pode
catequisar índio. Espanhol e italiano e até norte-americano podem pregar na Itália, na França,
no Brasil, onde quiser. Mas eu, índio mairum, posso ser sacerdote deles? Nunca! No Brasil
também não me tomarão por índio o tempo todo? Não. Lá é diferente. Muita gente tem cara de
índio e anda lampeiro por todo lado, sem ninguém ligar. Muitos até proclamam que a vó foi
pegada a laço. Sobretudo se são mais escuros. Mas comigo é diferente. Nenhuma avó minha foi
pegada a laço. O selvagem sou eu mesmo. Minha avó sou eu.
                             RIBEIRO, Darcy. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 2007.
QUARTA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                              o índio na literatura brasileira
Antes de sair da aldeia, diante da minha recusa em ser batizado, Gersila se aproximou de mim,
entre ofendida e irônica, e me jogou na cara que eu era como todos os brancos, que os
abandonaria, nunca mais voltaria à aldeia, nunca mais pensaria neles. Jurei que não. Estava
apavorado com o que pudessem fazer comigo (nada além de me cobrir de penas e me dar um
nome e uma família da qual nunca mais poderia me desvencilhar). O meu medo era visível. Fiz
um papel pífio. E eles riram da minha covardia. Jurei que não me esqueceria deles. E os
abandonei, como todos os brancos.
                    CARVALHO, Bernardo. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
QUARTA GERAÇÃO DO MODERNISMO
                             o índio na literatura brasileira
                         visão jornalístico-antropológica
desaparecem os índios literários, idealizados negativamente pelos românticos [modelo europeu]
               e positivamente pelos primitivistas modernos [modelo nacional]
    depois dos anos 1970, o índio aparece retratado por uma perspectiva simultaneamente
  jornalística e antropológica, por intermédio da qual se denunciam o genocídio e o etnocídio
                    por que passaram [e ainda passam] os povos indígenas
A LITERATURA INDÍGENA [MULTICULTURAL]
          o índio na literatura brasileira
MATINTA PERERA
                                o índio na literatura brasileira
Quando criança, meus amigos e eu gostávamos de ouvir histórias contadas pelos adultos. Tinha
adulto que gostava de enfeitar suas histórias colocando uma ponta de suspense e terror.
Foi ouvindo uma história numa noite que existia uma perversa criatura que se chamava Matinta
Perera.
Minha avó dizia que a tal criatura, de quem ela nem gostava de dizer o nome, era muito
poderosa e estava sempre disposta a fazer malinagem com quem ousasse desobedecê-la.
Era assim que funcionava, segundo minha avó:
Em noites sem lua, quando alguém ouvia um grito se aproximando da sua casa, era preciso
tomar cuidado, pois o tal estrondoso grito vinha de muito perto. Talvez da casa da vizinha, talvez
de dentro do rio. Ou quem sabe da floresta. Não importava realmente de onde havia vindo
grito, o importante mesmo era correr para dentro de casa e fazer pequenas orações para que a
assombração fosse logo embora.
Na verdade, a criatura chegava de mansinho e se punha no telhado, ou no peitoral de uma
janela, e de lá fixava o olhar sobre a pessoa de quem ela queria conseguir pedir alguma coisa. A
pessoa perseguida tinha que prometer à criatura que lhe daria algo se ela fosse embora.
Segundo minha avó, a Matinta sempre ia embora, pois tinha certeza de que havia conseguido
seu intento.
                  MUNDURUKU, Daniel. Histórias que ouvi e gosto de contar. São Paulo: Callis, 2004.
VAVARAZADE
                               o índio na literatura brasileira
Vavazarade caçava todo dia com sua zarabatana. Todos os dias ele matava muitos macacos. Um
dia, foi de novo. Quando ele estava voltando de tarde para a aldeia, encontrou uma irara. A irara
fez careta para ele e gritou. Ele levou um susto. E não viu quem era, e perguntou:
- Que bicho é esse?
Ele chegou em casa e foi dormir. Quando acordou, estava doente. Ele ficou doente por três dias.
A mãe dele chorou, então um homem disse:
- Não chore, não, seu filho vai ser como nambu galinha.
Ele não ficou como nambu galinha. A mãe chorava, o filho não comia mais. Depois de quatro
dias, ele ficou bom, foi andando no caminho e encontrou a irara novamente. A irara falou para
ele:
- Fui eu que fiz com que você ficasse doente. Vavazarade virou pajé, e ele é pajé até hoje.
Antes não tinha pajé entre o povo Deni. Agora tem pajé.
                PROFESSORES INDÍGENAS DO AMAZONAS. Ima bute denikha: mitos deni. Disponível em:
                          http://www.comin.org.br/news/publicacoes/1206992069.pdf
BRASIL
 o índio na literatura brasileira
Que faço com a minha cara de índia?
E meus cabelos
E minhas rugas
E minha história
E meus segredos?
Que faço com a minha cara de índia?
E meus espíritos
E minha força
E meu Tupã
E meus círculos?
Que faço com a minha cara de índia?
E meu Toré
E meu sagrado
E meus "cabôcos"
E minha Terra
Que faço com a minha cara de índia?
BRASIL
                  o índio na literatura brasileira
             E meu sangue
             E minha consciência
             E minha luta
             E nossos filhos?
             Brasil, o que faço com a minha cara de índia?
             Não sou violência
             Ou estupro
             Eu sou história
             Eu sou cunhã
             Barriga brasileira
             Ventre sagrado
             Povo brasileiro
             Ventre que gerou
             O povo brasileiro
             Hoje está só ...
             A barriga da mãe fecunda
             E os cânticos que outrora cantava
             Hoje são gritos de guerra
             Contra o massacre imundo
POTIGUARA, Eliane. Brasil. Disponível em: http://www.elianepotiguara.org.br/canticos.html
A LITERATURA INDÍGENA [MULTICULTURAL]
                              o índio na literatura brasileira
de acordo com Daniel Munduruku, as produções de origem nativa começam na década de 1980
                     há dois tipos de literatura indígena propriamente dita:
                  a) literatura de ficção baseada na sua experiência na aldeia;
                b) memorialistas que escrevem a partir da vivência de sua gente.
a divulgação da literatura indígena ocorre depois da guinada multicultural ocorrida nos anos 1990
  trata-se de um fenômeno recente que serve de veículo para a divulgação da visão de mundo
      indígena acerca de si e do mundo que o cerca e como material de preservação de sua
                            identidade e de suas tradições culturais.

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O Romantismo e a idealização do índio

  • 1. história da literatura O índio na literatura brasileira Manoel Neves
  • 2. QUINHENTISMO o índio na literatura brasileira
  • 3. QUINHENTISMO o índio na literatura brasileira A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. (...) CAMINHA, Pero Vaz de. Carta. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
  • 4. QUINHENTISMO o índio na literatura brasileira Bastará dizer-vos que até aqui, como quer que eles um pouco se amansassem, logo duma mão para a outra se esquivavam, como pardais, do cevadoiro. Homem não lhes ousa falar de rijo para não se esquivarem mais; e tudo se passa como eles quem, para os bem amansar. (...) CAMINHA, Pero Vaz de. Carta. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
  • 5. QUINHENTISMO o índio na literatura brasileira E, segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer, como nós mesmos, por onde nos pareceu a todos que nenhuma idolatria, nem adoração têm. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados ao desejo de Vossa Alteza. CAMINHA, Pero Vaz de. Carta. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
  • 6. QUINHENTISMO o índio na literatura brasileira Andavam já mais mansos e seguros entre nós, do que nós andávamos entre eles. (...) CAMINHA, Pero Vaz de. Carta. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
  • 7. QUINHENTISMO o índio na literatura brasileira Eles não lavram, nem criam. (...) CAMINHA, Pero Vaz de. Carta. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
  • 8. QUINHENTISMO o índio na literatura brasileira os fragmentos 01 etnocentrismo [semelhanças corporais do índio com o europeu] 02 aponta-se o índio como selvagem, arredio 03 intenção catequética e colonizadora 04 destaca-se a falta de malícia dos silvícolas [inocência] 05 análise de aspectos culturais e da organização da sociedade do íncola uma análise da leitura dos fragmentos, depreende-se a intenção predatória do colonizador, que pode ser comprovada pela intencionalidade de salvar as almas dos índios e de trazê-lo para a cultura ocidental; o reforço dos traços fenotípicos semelhantes aos dos portugueses, a constatação da inocência do índio e os traços animalescos são elementos que comprovam que o europeu deseja criar uma nova identidade para o nativo das terras americanas.
  • 9. O ÍNDIO NO BARROCO o índio na literatura brasileira
  • 10. BARROCO o índio na literatura brasileira Há cousa como ver um Paiaiá Mui prezado de ser Caramuru, Descendente de sangue de Tatu, Cujo torpe idioma é cobé pá. A linha feminina é carimá Moqueca, pititinga caruru Mingau de puba, e vinho de caju Pisado num pilão de Piraguá. A masculina é um Aricobé Cuja filha Cobé um branco Paí Dormiu no promontório de Passé. O Branco era um marau, que veio aqui, Ela era uma Índia de Maré Cobé pá, Aricobé, Cobé Paí MATOS, Gregório de. Antologia poética. Disponível em: http://manoelnves.com
  • 11. BARROCO o índio na literatura brasileira Um paiá de Monai, bonzo bramá Primaz da cafraria do Pegu, Quem sem ser do Pequim, por ser do Acu, Quer ser filho do sol, nascendo cá. Tenha embora um avô nascido lá, Cá tem tres pela costa do Cairu, E o principal se diz Paraguaçu, Descendente este tal de um Guinamá Que é fidalgo nos ossos cremos nós, Pois nisso consistia o mor brasão Daqueles que comiam seus avós. E como isto lhe vem por geração, Tem tomado por timbre em seus teirós Morder nos que provêm de outra nação. MATOS, Gregório de. Antologia poética. Disponível em: http://manoelnves.com
  • 12. BARROCO o índio na literatura brasileira Um calção de pindoba a meia zorra Camisa de Urucu, mantéu de Arara, Em lugar de cotó arco, e taquara, Penacho de Guarás em vez de gorra. Furado o beiço, e sem temor que morra, O pai, que lho envazou cuma titara, Senão a Mãe, que a pedra lhe aplicara, A reprimir-lhe o sangue, que não corra. Animal sem razão, bruto sem fé, Sem mais Leis, que as do gosto, quando erra, De Paiaiá virou-se em Abaeté. Não sei, once acabou, ou em que guerra, Só sei, que deste Adão de Massapé, Procedem os fidalgos desta terra. MATOS, Gregório de. Antologia poética. Disponível em: http://manoelnves.com
  • 13. BARROCO o índio na literatura brasileira os sonetos os dois poemas se propõem a traçar uma genealogia dos nobres da terra; a figura do índio, na obra de Gregório de Matos, aparece colada à dos novos ricos; o poeta barroco critica de forma ferina os novos donos do poder; percebe-se, neste movimento, certo ressentimento, quando se recorda que o bardo barroco empobrecera em consequência da queda do preço do açúcar e perdera sua posição justamente para aqueles que chama de bárbaros.
  • 14. O ÍNDIO NO ARCADISMO o índio na literatura brasileira
  • 15. ARCADISMO o índio na literatura brasileira De ouro fino os cabelos pareciam, Que uma aura branda aos ares espalhava, E uns dos outros talvez se dividiam, E outra vez um com outro se enredava; Frechas voando, mais não feririam, Do que um só deles nalma penetrava; Cabelos tão gentis, que o esposo amado Se queixa que de um deles foi chagado. A fronte bela, cândida, espaçosa, Cheia de celestial serenidade, Vislumbres dava pela luz formosa Da imortal soberana claridade. Vê-se ali mansidão reinar piedosa, E envolta na modéstia a suavidade, Com graça, a quem a olhava tão serena, Que, excitando prazer, desterra a pena. DURÂO, Santa Rita. Caramuru. Disponível em: http://destinopasargada.blogspot.com
  • 16. ARCADISMO o índio na literatura brasileira Porém o destro Caitutu, que treme Do perigo da Irmã, sem mais demora Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes Soltar o tiro, e vacilou três vezes Entre a ira e o temor. Enfim sacode O arco e faz voar a aguda seta, Que toca o peito de Lindóia, e fere A serpente na testa, e a boca e os dentes Deixou cravados no vizinho tronco. Açouta o campo com a ligeira cauda O irado monstro, e em tortuosos giros Se enrosca no cipreste, e verte envolto Em negro sangue o lívido veneno. GAMA, Basílio da. O uraguai. Disponível em: http://manoelneves.com
  • 17. ARCADISMO o índio na literatura brasileira as epopeias árcades influenciados pelo Mito do Bom Selvagem, os escritores árcades apresentam um índio que tem traços físicos [Caramuru] e comportamentais [O uraguai] europeizados; trata-se de um modelo de idealização que será amplamente desenvolvido no romantismo de Alencar e Gonçalves Dias.
  • 18. O ÍNDIO NO ROMANTISMO o índio na literatura brasileira
  • 19. ROMANTISMO o índio na literatura brasileira Da tribo pujante, Já vi cruas brigas, Andei longes terras Que agora anda errante De tribos imigas, Lidei cruas guerras, Por fado inconstante, E as duras fadigas Vaguei pelas serras Guerreiros, nasci; Da guerra provei; Dos vis Aimorés; Sou bravo, sou forte, Nas ondas mendaces Vi lutas de bravos, Sou filho do Norte; Senti pelas faces Vi fortes – escravos! Meu canto de morte, Os silvos fugaces De estranhos ignavos Guerreiros, ouvi. Dos ventos que amei. Calcados aos pés. DIAS, Gonçalves. Fragmentos do canto IV de “I Juca Pirama”. Disponível em: http://manoelneves.com
  • 20. ROMANTISMO o índio na literatura brasileira Eu vivo sozinha, ninguém me procura! Acaso feitura Não sou de Tupá! Se algum dentre os homens de mim não se esconde: — "Tu és", me responde, "Tu és Marabá!" — Meus olhos são garços, são cor das safiras, — Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar; — Imitam as nuvens de um céu anilado, — As cores imitam das vagas do mar! Se algum dos guerreiros não foge a meus passos: "Teus olhos são garços", Responde anojado, "mas és Marabá: "Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes, "Uns olhos fulgentes, "Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!" — É alvo meu rosto da alvura dos lírios, — Da cor das areias batidas do mar; — As aves mais brancas, as conchas mais puras — Não têm mais alvura, não têm mais brilhar. DIAS, Gonçalves. Fragmentos do canto IV de “Marabá”. Disponível em: http://manoelneves.com
  • 21. ROMANTISMO o índio na literatura brasileira Aqui na floresta Valente na guerra, Dos ventos batida, Quem há, como eu sou? Façanhas de bravos Quem vibra o tacape Não geram escravos, Com mais valentia? Que estimem a vida Quem golpes daria Sem guerra e lidar. Fatais, como eu dou? — Ouvi-me, Guerreiros, — Guerreiros, ouvi-me; — Ouvi meu cantar. — Quem há, como eu sou? DIAS, Gonçalves. Fragmentos de “O canto do guerreiro”. Disponível em: http://manoelneves.com
  • 22. ROMANTISMO o índio na literatura brasileira E pois que és meu filho, Teu grito de guerra Meus brios reveste; Retumbe aos ouvidos Tamoio nasceste, D'imigos transidos Valente serás. Por vil comoção; Sê duro guerreiro, E tremam d'ouvi-lo Robusto, fragueiro, Pior que o sibilo Brasão dos tamoios Das setas ligeiras, Na guerra e na paz. Pior que o trovão. DIAS, Gonçalves. Fragmentos de “Canção do Tamoio”. Disponível em: http://manoelneves.com
  • 23. ROMANTISMO o índio na literatura brasileira Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que o seu talhe de palmeira. O favo da Jati não era doce como o seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Ática, 2001.
  • 24. ROMANTISMO o índio na literatura brasileira Se tu fosses cristão, Peri!…. O índio voltou-se extremamente admirado daquelas palavras. – Por quê?… perguntou ele. Por quê?… disse lentamente o fidalgo. Porque se tu fosses cristão, eu te confiaria a salvação de minha Cecília, e estou convencido de que a levarias ao Rio de Janeiro à minha irmã. O rosto do selvagem iluminou-se; seu peito arquejou de felicidade, seus lábios trêmulos mal podiam articular o turbilhão de palavras que lhe vinham do íntimo d’alma.. O índio voltou-se extremamente admirado daquelas palavras. - Peri quer ser cristão! Exclamou ele. ALENCAR, José de. O guarani. São Paulo: Ática, 2005.
  • 25. ROMANTISMO o índio na literatura brasileira Pela margem do grande rio caminha Jaguarê, o jovem caçador. O arco pende-lhe ao ombro, esquecido e inútil. As flechas dormem no coldre da uiraçaba. [...] O rugido do jaguar abala a floresta; mas o caçador também despreza o jaguar, que já cansou de vencer. [...] Não é esse o inimigo que procura, porém outro mais terrível para vencê-lo em combate de morte e ganhar nome de guerra. Jaguarê chegou à idade em que o mancebo troca a fama do caçador pela glória do guerreiro. Para ser aclamado guerreiro por sua nação é preciso que o jovem caçador conquiste esse título por uma grande façanha. Por isso deixou a taba dos seus e a presença de Jandira, a virgem formosa que lhe guarda o seio de esposa. Lá estaca o jovem caçador no meio da campina. Volvendo ao céu o olhar torvo e iracundo, solta ainda uma vez seu grito de guerra. [...] Respondeu o ronco da sucuri na madre do rio e o urro do tigre escondido na furna; mas outro grito de guerra não acudiu ao desafio do caçador. ALENCAR, José de. Ubirajara. São Paulo: Ática, 2003.
  • 26. ROMANTISMO o índio na literatura brasileira a lírica de Gonçalves Dias “I-Juca-Pirama”, “O canto do guerreiro”, “Canto do tamoio”, “Leito de folhas verdes” indianismo: idealização do índio que toma como matriz valores europeus [força, coragem, valentia, honra, heroísmo, altruísmo, bravura] “Marabá”: celebração da beleza índia, desvalorização do mestiço; “O canto do piaga”: denúncia das atrocidades que foram perpetradas pela colonização
  • 27. ROMANTISMO o índio na literatura brasileira a indianismo de Alencar celebra a pacífica aculturação do índio e seu cego devotamento ao português as personagens que se opõem aos projetos do português são satanizados [Irapuã, em Iracema] idealização do índio que leva em conta os valores europeus [Iracema, Peri e Jaguarê] Ubirajara: ficção que se constrói a partir de colagens de textos dos cronistas do descobrimento [retrata romanceadamente como vivia o índio antes da chegada do europeu] Iracema: ficção que apresenta um modelo corporal, ideológico e estético indígena [retrata poeticamente o primeiro contato entre o europeu e o silvícola] O guarani: ficção que celebra como valores indígenas a força, a ingenuidade e o servilismo [retrata idealizadamente o processo de povoamento das terras americanas]
  • 28. O ÍNDIO NA 1ª. GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira
  • 29. PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira Tupy or not tupy that is the question. Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz. ANDRADE, Oswald de. Fragmentos do “Manifesto Antropófago”. Disponível em: http://manoelneves.com
  • 30. PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira O Zé Pereira chegou de caravela E preguntou pro guarani da mata virgem — Sois cristão? — Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte Teterê Tetê Quizá Quizá Quecê! Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu! O negro zonzo saído da fornalha Tomou a palavra e respondeu — Sim pela graça de Deus Canhém Babá Canhém Babá Cum Cum! E fizeram o Carnaval ANDRADE, Oswald de. Brasil. Disponível em: http://manoelneves.com
  • 31. PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português ANDRADE, Oswald de. Erro de português. Disponível em: http://manoelneves.com
  • 32. PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma. [...] Macunaíma principiou atirando pedras nela e quando feria, Sofará gritava de excitação tatuando o corpo dele em baixo com o sangue espirrando. Afinal uma pedra lascou o canto da boca da moça e moeu três dentes. Ela pulou do galho e juque! Tombou sentada na barriga do herói que a envolveu com o corpo todo, uivando de prazer. E brincaram outra vez. [...] No outro dia bem cedinho foram todos trabucar. A princesa foi no roçado Maanape foi no mato e Jiguê foi no rio. Macunaíma se desculpou, subiu na montaria e deu uma chegadinha até a boca do rio Negro pra buscar a consciência deixada na ilha de Marapatá. Jacaré achou? nem ele. Então o herói pegou na consciência dum hispano-americano, botou na cabeça e se deu bem da mesma forma. ANDRADE, Oswald de. Erro de português. Disponível em: http://manoelneves.com
  • 33. PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira Uei! Passou rasgando o caminho Arvorezinhas ficaram de pescoço torcido As outras rolaram esmagadas de raiz para cima O horizonte ficou chato Vento correu correu mordendo a ponta do rabo. Pajé-pato lá adiante ensinou caminho errado: – Cobra Norato com uma moça? Foi pra Belém. Foi se casar Cobra Grande esturrou direto pra Belém. Deu um estremeção. Entrou no cano da Sé e ficou com a cabeça enfiada debaixo dos pés de Nossa Senhora BOPP, Raul. Cobra Norato. Disponível em: http://manoelneves.com
  • 34. PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira Os tupis desceram para serem absorvidos. Para se diluírem no sangue da gente nova. Para viver subjetivamente e transformar numa prodigiosa força a bondade do brasileiro e o seu grande sentimento de humanidade. Seu totem não é carnívoro: Anta. É este um animal que abre caminhos, e aí parece estar indicada a predestinação da gente tupi. A filosofia tupi deve ser forçosamente a não filosofia. O movimento da Anta baseava-se nesse princípio. Tomava-se o índio como símbolo nacional, justamente porque ele significa ausência de preconceito. Manifesto Nhengatu Verde-Amarelo. Disponível em: http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=8291
  • 35. PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira todos os três, [...] o homem da Terra, com o seu nomadismo; o homem do Mar, com a sua carga de aventura; o homem da Noite, para afrontar o sol dos trópicos [...] todos três de mãos dadas e pela primeira vez, deuses-bichos, com barba de cipó, depois de haver bebido em grandes goles a água do rio que nascera correndo pra dentro da terra e de costas voltadas para o mar todos, três, bateram à porta do Sertão antropofágico tropel formidável: “Nós queremos entrar” RICARDO, Cassiano. Martim Cererê. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.
  • 36. PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira o primitivismo crítico Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Raul Bopp Movimentos Pau-Brasil e Antropofágico: revisão crítica do passado histórico cultural crítica à colonização e defesa de uma independência mental brasileira celebração de um índio forte, autêntico, nacional, orgulhoso e não europeu aponta-se a permanência dos valores indígenas em vários aspectos da cultura brasileira em vez de celebrar a aculturação, celebra-se a permanência de valores indígenas na alma brasileira trata-se, ainda, de uma idealização, diferente da romântica, mas que vê positivamente o índio na medida em que o dota de uma consciência crítica que é fruto de outra tradição cultural
  • 37. PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira o primitivismo ingênuo Cassiano Ricardo e Plínio Salgado Movimentos Verde-Amarelo e Anta defesa da colonização e dos mitos românticos indianistas celebra-se o índio que se deixou aculturar e que aceitou passivamente a miscigenação Martim Cererê e o pensamento de direita são os suportes para tal ideologia
  • 38. O ÍNDIO NA 4ª. GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira
  • 39. QUARTA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira O verdadeiro e olvidado nome de Ipavu era Paiap mas como Paiap falava muito em Ipavu, a lagoa dos camaiurá, os brancos tinham trocado o nome dele pelo da lagoa e Paiap tinha despido o nome verdadeiro com indiferença, o alívio de quando, roubada ou ganha uma camisa nova, jogava fora a velha, molambo roído de barro branco, de urucum vermelho, de jenipapo preto, vai-te, camisa, pra puta que te pariu, dizia ele pra fazer os brancos rirem, que branco, sabe-se lá por que, sempre ria quando o índio dizia palavra ensinado por branco. Ipavu não queria por nada deste mundo voltar a ser índio, nu, piroca ao vento, pegando peixe com flecha ou timbó, comendo peixe com milho ou beiju. Queria viver em cidade caraíba, com casas de janela empilhada sobre janela e botequim de parede forrada, do rodapé ao teto, de bramas e antárticas. Índio era burro de morar no mato, beber caxiri azedo, numa cuia, quando podia encher a cara de cerveja e sair correndo na hora de pagar a conta. CALLADO, Antônio. A expedição Montaigne. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.
  • 40. QUARTA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira Todos os homens nascem em Jerusalém. Eu também? Padre serei, ministro de Deus da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas gente, eu sou? Não, não sou ninguém. Melhor que seja padre, assim poderei viver quieto e talvez até ajudar o próximo. Isto é, se o próximo deixar que um índio de merda o abençoe, o confesse, o perdoe. Reconheço que estou com complexo, obsessivo: paranoico ou esquizofrênico? Sei lá. Na verdade ninguém me quer mal porque eu sou o porque eu fui índio. Apenas constatam. Muitos até se comovem: “Um índio convertido?” Quase sempre se espantam: “Vai receber ordens?” E todos concluem: “Para se dedicar às missões?” Nesta altura, perguntam: “Vai voltar ao seu povo?” Querem dizer: “à sua tribo”, “aos seus selvagens”. Eu vou? Não vou? Belga ou holandês pode catequisar índio. Espanhol e italiano e até norte-americano podem pregar na Itália, na França, no Brasil, onde quiser. Mas eu, índio mairum, posso ser sacerdote deles? Nunca! No Brasil também não me tomarão por índio o tempo todo? Não. Lá é diferente. Muita gente tem cara de índio e anda lampeiro por todo lado, sem ninguém ligar. Muitos até proclamam que a vó foi pegada a laço. Sobretudo se são mais escuros. Mas comigo é diferente. Nenhuma avó minha foi pegada a laço. O selvagem sou eu mesmo. Minha avó sou eu. RIBEIRO, Darcy. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 2007.
  • 41. QUARTA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira Antes de sair da aldeia, diante da minha recusa em ser batizado, Gersila se aproximou de mim, entre ofendida e irônica, e me jogou na cara que eu era como todos os brancos, que os abandonaria, nunca mais voltaria à aldeia, nunca mais pensaria neles. Jurei que não. Estava apavorado com o que pudessem fazer comigo (nada além de me cobrir de penas e me dar um nome e uma família da qual nunca mais poderia me desvencilhar). O meu medo era visível. Fiz um papel pífio. E eles riram da minha covardia. Jurei que não me esqueceria deles. E os abandonei, como todos os brancos. CARVALHO, Bernardo. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
  • 42. QUARTA GERAÇÃO DO MODERNISMO o índio na literatura brasileira visão jornalístico-antropológica desaparecem os índios literários, idealizados negativamente pelos românticos [modelo europeu] e positivamente pelos primitivistas modernos [modelo nacional] depois dos anos 1970, o índio aparece retratado por uma perspectiva simultaneamente jornalística e antropológica, por intermédio da qual se denunciam o genocídio e o etnocídio por que passaram [e ainda passam] os povos indígenas
  • 43. A LITERATURA INDÍGENA [MULTICULTURAL] o índio na literatura brasileira
  • 44. MATINTA PERERA o índio na literatura brasileira Quando criança, meus amigos e eu gostávamos de ouvir histórias contadas pelos adultos. Tinha adulto que gostava de enfeitar suas histórias colocando uma ponta de suspense e terror. Foi ouvindo uma história numa noite que existia uma perversa criatura que se chamava Matinta Perera. Minha avó dizia que a tal criatura, de quem ela nem gostava de dizer o nome, era muito poderosa e estava sempre disposta a fazer malinagem com quem ousasse desobedecê-la. Era assim que funcionava, segundo minha avó: Em noites sem lua, quando alguém ouvia um grito se aproximando da sua casa, era preciso tomar cuidado, pois o tal estrondoso grito vinha de muito perto. Talvez da casa da vizinha, talvez de dentro do rio. Ou quem sabe da floresta. Não importava realmente de onde havia vindo grito, o importante mesmo era correr para dentro de casa e fazer pequenas orações para que a assombração fosse logo embora. Na verdade, a criatura chegava de mansinho e se punha no telhado, ou no peitoral de uma janela, e de lá fixava o olhar sobre a pessoa de quem ela queria conseguir pedir alguma coisa. A pessoa perseguida tinha que prometer à criatura que lhe daria algo se ela fosse embora. Segundo minha avó, a Matinta sempre ia embora, pois tinha certeza de que havia conseguido seu intento. MUNDURUKU, Daniel. Histórias que ouvi e gosto de contar. São Paulo: Callis, 2004.
  • 45. VAVARAZADE o índio na literatura brasileira Vavazarade caçava todo dia com sua zarabatana. Todos os dias ele matava muitos macacos. Um dia, foi de novo. Quando ele estava voltando de tarde para a aldeia, encontrou uma irara. A irara fez careta para ele e gritou. Ele levou um susto. E não viu quem era, e perguntou: - Que bicho é esse? Ele chegou em casa e foi dormir. Quando acordou, estava doente. Ele ficou doente por três dias. A mãe dele chorou, então um homem disse: - Não chore, não, seu filho vai ser como nambu galinha. Ele não ficou como nambu galinha. A mãe chorava, o filho não comia mais. Depois de quatro dias, ele ficou bom, foi andando no caminho e encontrou a irara novamente. A irara falou para ele: - Fui eu que fiz com que você ficasse doente. Vavazarade virou pajé, e ele é pajé até hoje. Antes não tinha pajé entre o povo Deni. Agora tem pajé. PROFESSORES INDÍGENAS DO AMAZONAS. Ima bute denikha: mitos deni. Disponível em: http://www.comin.org.br/news/publicacoes/1206992069.pdf
  • 46. BRASIL o índio na literatura brasileira Que faço com a minha cara de índia? E meus cabelos E minhas rugas E minha história E meus segredos? Que faço com a minha cara de índia? E meus espíritos E minha força E meu Tupã E meus círculos? Que faço com a minha cara de índia? E meu Toré E meu sagrado E meus "cabôcos" E minha Terra Que faço com a minha cara de índia?
  • 47. BRASIL o índio na literatura brasileira E meu sangue E minha consciência E minha luta E nossos filhos? Brasil, o que faço com a minha cara de índia? Não sou violência Ou estupro Eu sou história Eu sou cunhã Barriga brasileira Ventre sagrado Povo brasileiro Ventre que gerou O povo brasileiro Hoje está só ... A barriga da mãe fecunda E os cânticos que outrora cantava Hoje são gritos de guerra Contra o massacre imundo POTIGUARA, Eliane. Brasil. Disponível em: http://www.elianepotiguara.org.br/canticos.html
  • 48. A LITERATURA INDÍGENA [MULTICULTURAL] o índio na literatura brasileira de acordo com Daniel Munduruku, as produções de origem nativa começam na década de 1980 há dois tipos de literatura indígena propriamente dita: a) literatura de ficção baseada na sua experiência na aldeia; b) memorialistas que escrevem a partir da vivência de sua gente. a divulgação da literatura indígena ocorre depois da guinada multicultural ocorrida nos anos 1990 trata-se de um fenômeno recente que serve de veículo para a divulgação da visão de mundo indígena acerca de si e do mundo que o cerca e como material de preservação de sua identidade e de suas tradições culturais.