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Profª Marcela Neves




Modernismo



                         Bernardo Mora nº5
                        David Mocinha nº12
                           Hugo Jesus nº18
                        João Machado nº 20




     Lisboa - 2011




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Índice


Introdução                           p3
Modernismo                           p4
        Modernismo em Portugal       p5


Movimentos artísticos de vanguarda   p6
        Futurismo                    p6
        Interseccionismo             p7
        Sensacionismo                p7


        Cubismo                      p8
        Abstracção Lírica            p9
        Abstracção Geométrica        p9


        Fauvismo                     p9
        Orfismo                      p 10
        Suprematismo                 p 10


        Expressionismo               p 11
        Dadaísmo                     p 12
        Surrealismo                  p 13


Bibliografia                         p 14




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Introdução

     O Modernismo foi um período que caracterizou o século XX, onde o mundo recebe uma nova
mentalidade, abraça uma nova versão do que é mundo aproveitado nas suas vertentes máximas. É
claro que isso só é possível com a intervenção de artistas que se manifestam desde a literatura à
pintura. Este trabalho procura a compreensão do que foi, na sua dimensão total, o Modernismo e
todo o período em que o mundo moderno surge. Falaremos dos movimentos que surgiram neste
período, todas as manifestações artísticas que se manifestaram no surgimento deste novo mundo.




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Modernismo

      O século XX foi marcado não só por crises e rupturas, mas também por um avanço tecnológico
e científico que inova com a abundância de máquinas e torna a miséria e o descontentamento cada
vez mais evidente. O antigo capitalismo de um movimento global de acção por parte das empresas e
ao seu consequente lucro, torna-se numa crise profunda que faz surgir a Primeira Guerra Mundial,
que duraria dois anos, iniciando-se a 1914, e à Revolução Russa (1917). A cultura precisava da
colaboração da sociedade e o desconforto em que seguia a época, fez com que Nietzsche, um
filósofo alemão, contrastando com os fundamentos morais que, segundo este, descendiam da cultura
grega e judaico-cristã, redefinir novos valores e empreender a vida ao máximo. Freud e Einstein
foram outros intelectuais que contribuíram para esta "revolução empreendedora", com a criação da
Psicanálise, criada por Freud, que expõe o homem na sexualidade, no significado dos sonhos, entre
outros; e com a criação da teoria da relatividade de Einstein (1905) que revoluciona a ciência com a
dúvida no conhecimento científico.
      O Mundo assume uma estabilidade satisfatória mas com a Primeira Guerra Mundial a
insegurança fez com que a Europa se atrasasse. Os artistas reagem ao cepticismo social e ao
espírito derrotado, criando obras cheias de sarcasmo, ironia e provocação. O principal objectivo
assumiu-se com a necessidade da redescoberta do mundo e com a vontade de experimentar o novo.
Não só na música mas também na pintura, bem como todas as formas de expressão artística e na
literatura recusa-se o velho, o dramático e o narrativo tradicionais. As personagens que deram asas a
literatura modernista são pessoas vulgares longe de heróicos por tradição, clássicos ou românticos,
foram nomeadamente os protagonistas de três das mais emblemáticas obras deste período:

    •   Ulisses, James Joyce
    •   O Processo, Kafka
    •   O Livro do Desassossego, Bernardo Soares (Fernando Pessoa)

     O indivíduo perde a identidade, como foi o caso de Fernando Pessoa, que se transforma em
heterónimos, outras pessoas que fazem com que desdobre a sua integridade, inspirado na
psicanálise de Freud, onde existe um eu que nasce do eu como se tratasse de uma personalidade
dupla. Fernando Pessoa representa-a através da linguagem criativa e original frisando o novo e o
inesperado, como que uma língua nova criada. As artes visuais sentiram igualmente a mentalidade
de reinvenção e começa o uso de técnicas impensáveis anteriormente, como por exemplo, a
colagem.




                                                          Pablo Picasso, As três dançarinas
                                                          (1925).




                                                                                                   4
Modernismo em Portugal

      As primeiras manifestações modernistas começaram a surgir no período compreendido entre as
duas guerras mundiais, período marcado por profundas transformações político-sociais em toda a
Europa, não só em Portugal.
      Didacticamente, o Modernismo português tem início em 1915, com o lançamento do primeiro
número da Revista Orpheu, revista que, inspirada pelos movimentos da Vanguarda Europeia,
desejava romper com o convencionalismo, com as idealizações românticas, chocando a
sociedade da época. Vários artistas participaram na elaboração da revista, entre eles destacaram-se:
Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros. Os escritores do Orfismo, como
ficaram conhecidos, queriam imprimir à literatura portuguesa as inovações europeias. Anos depois,
em 1927, outra importante revista passa a ser divulgadora dos novos ideais modernistas – A Revista
Presença, que teve como maior representante, o escritor José Régio.
      Fernando Pessoa criou vários heterônimos que apresentavam características particulares e que
por isso escreviam textos bem diversos. Os heterónimos mais importantes foram Alberto Caeiro,
Ricardo Reis e Álvaro de Campos, embora tivesse usado outros menos conhecidos.
      Os textos de Alberto Caeiro são marcados pela ingenuidade e pela linguagem simples. Os seus
versos são livres e falam do amor à natureza e à simplicidade da vida no campo. Recusa qualquer
explicação filosófica sobre a vida. Caeiro pensa com os sentidos, não com a razão, pois para ele a
felicidade reside em não pensar. Os textos de Ricardo Reis caracterizam-se pelo estilo erudito e
clássico enquanto que Alberto Caeiro era sinónimo de sensibilidade e Ricardo Reis é extremamente
racional. A sua linguagem é rebuscada e complexa. Ele usa com muita frequência a mitologia
clássica. Tinha plena consciência da brevidade da vida, o que lhe provocava muito sofrimento.
Álvaro de Campos era o poeta do futuro, da velocidade, das máquinas, do tempo presente,
identificado com a Vanguarda Europeia. Os seus textos são contraditórios: ora marcados por uma
grande energia, ora revelando a crise dos valores espirituais e a angústia do homem do seu tempo,
inadaptado às condutas sociais. Enquanto Alberto Caeiro pensava com os sentidos e Ricardo Reis
com a razão, Álvaro de Campos, pensava com a emoção.
      A produção ortónima de Fernando Pessoa apresenta características bem diferentes das
encontradas nos seus heterónimos. Fernando Pessoa expressa um profundo sentimento nacionalista
e um apego à tradição portuguesa. A sua produção literária é dividida em: lírica e épica. O livro
“Mensagem” é um exemplo da sua obra épica. Nele Fernando Pessoa, numa clara aproximação com
Camões, vai falar dos grandes feitos portugueses, dos reis e da época das grandes navegações.
Outra figura importante do Modernismo português é Mário de Sá-Carneiro, que também fez parte
do grupo de escritores responsáveis pela publicação da Revista Orpheu em 1915. Ele era o
responsável pela parte financeira da revista, tanto que após o seu suicídio, em 1916, com apenas 26
anos, a revista não circulou mais. Os seus textos são marcados por um forte sentimento
de inadaptação ao mundo e por muito subjectivismo. Mário de Sá-Carneiro procurou compreender o
porquê de sua existência, mas não o encontrou, acabando por se perder nele mesmo.




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Movimentos artísticos de vanguarda

Futurismo


     O movimento estético denominado Futurismo foi iniciado pelo escritor italiano Filippo Marianetti,
em 1909, com a publicação do Manifesto Futurista, O Futurismo é um movimento de exaltação de
todo o dinamismo e velocidade que, em Portugal, teve grande influência na geração de Orpheu que
só foi possível com a existência de Almada Negreiros, Amadeu de Souza-Cardozo e Fernando
Pessoa, com a procura de inovação e novo esteticismo. Todo o dinamismo, velocidade. força e até
mesmo situações de paroxismo, com toda a consciência de poder e triunfo, denominam
sucintamente o movimento estético futurismo.
     Os principais artistas que representaram o Futurismo foram, entre outros, Umberto Boccioni,
Giacomo Balla, Carlo Carrá e Gino Severini.




                                Em cima: Umberto Boccioni, Museu de Arte
                                           Moderna, Nova Iorque
                             Em baixo: Umberto Boccioni, Estados de Espírito I,
                                            Os Adeuses (1911)




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Interseccionismo


     O Iterseccionismo foi um movimento literário de vanguarda criado por Fernando Pessoa. Este
movimento caracteriza-se pela intersecção de vários níveis simultâneos de realidade num poema,
nomeadamente o sonho e a realidade, o presente e o passado, o eu e o outro, etc. Exemplo desta
estética é o poema "Chuva Oblíqua", confrontando-nos com o intercalamento entre, nomeadamente,
a realidade e o sonho, o interior e o exterior (imagens vindas do interior da nossa consciência ou do
exterior), a visão e a audição, etc. O próprio, Fernando Pessoa, considera esta poesia nos "arredores
da sua sinceridade", uma experiência lúdica que o autor abandona mais tarde.
     Este movimento apresenta semelhanças com a pintura futurista na medida em que a velocidade,
força e aceleração ganham uma importância modernista, onde será preciso imagens guardadas pela
nossa memória para decifrar o que é-nos mostrado. É ainda classificável pela "Geração de Orpheu"
uma espécie de cubismo narrativo.

Chuva Oblíqua, Fernando Pessoa:

    «Não sei quem me sonho...
    Súbito toda a água do mar do porto é transparente
    e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
    Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
    E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
    Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
    E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
    E passa para o outro lado da minha alma...

    (...)

    Que pandeiretas o silêncio deste quarto!...
    As paredes estão na Andaluzia...
    Há danças sensuais no brilho fixo da luz...

    De repente todo o espaço pára...,
    Pára, escorrega, desembrulha-se...,
    E num canto do teto, muito mais longe do que ele está,
    Abrem mãos brancas janelas secretas
    E há ramos de violetas caindo
    De haver uma noite de Primavera lá fora
    Sobre o eu estar de olhos fechados... »


No poema cruzam-se a paisagem presente e ausente, o actual e o pretérito, o real e o sonho, sendo
o poeta uma alma dividida, que capta subtis correspondências de sensações.


Sensacionismo

     É um termo que foi criado por Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro. Foi explicado pelo
primeiro ao longo de vários ensaios, apontamentos e escritos. O Sensacionismo assume-se como
princípio psicológico e estético, concebendo a sensação como única realidade. Fernando Pessoa
defendia que a arte deveria levar a cabo uma decomposição das sensações, de forma a tornar
consciente no homem, a estrutura da realidade, decomposta nos seus vários elementos. Portanto, na
base da arte estaria sempre a sensação. Esta baseia-se em três princípios artísticos: o da sensação,
o da sugestão e o da construção. Estava sujeita a uma intelectualização (tomada de consciência da
sensação), o que lhe permitiria ser expressa. Pessoa pretendeu estender este principio à análise de
vários autores seus contemporâneos, incluindo-se a si mesmo,e a uma perspectiva histórico-literária.
As contradições que encontramos na teorização do sensacionismo são reflexas da própria
complexidade das ideias de Pessoa.


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Excerto de Álvaro de Campos onde predomina o sensacionismo:

      “Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. Sentir tudo de todas as maneiras. Sentir
      tudo excessivamente. Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas. E toda a
      realidade é um excesso, uma violência. Uma alucinação extraordinariamente nítida que
      vivemos todos em comum com a fúria das almas. O centro para onde tendem as
      estranhas forças centrifugas que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.”


Cubismo

     O Cubismo surge com o pintor francês Paul Cézanne que introduziu em suas obras a distorção
nas formas e os formatos bidimensionais. Mas é em 1907, que o Cubismo é retratado com maior
ênfase nas pinturas do principal representante deste movimento: Pablo Picasso, ao lado de Georges
Braque. O quadro de Picasso intitulado pelo autor de “Demoiselles d’Avignon” retrata e prenuncia as
características cubistas: formatos geométricos, sensação de pintura escultural e a superposição de
partes de um objecto sob um mesmo plano.




                                  Demoiselles d’Avignon, Pablo Picasso



      A pintura cubista destaca as formas geométricas como meio de expressão: cones, cilindros,
esferas, pirâmide, prismas. Os formatos embaçados na matemática geométrica possibilitam ao
espectador a visualização espacial da imagem, ou seja, o objecto pode ser visto por ângulos
diferentes.
      A visão cubista tem a função de ilustrar na arte a decomposição, fragmentação e recomposição
da realidade através das estruturas geométricas.
Os artistas cubistas trazem uma ruptura com a perspectiva de visualizar o mundo sob um só ângulo,
uma só perspectiva. Então, o usufruto de colagens, montagens, a superposição de figuras, a
simultaneidade são características marcantes dos cubistas.
A literatura no Cubismo também retratou a fragmentação e a geometrização da realidade por meio
da linguagem: as palavras são soltas e são dispostas no papel a fim de conceber uma imagem.
      O Cubismo surgiu nos meios literários com o manifesto-síntese de Guillaume Apollinaire, em
1913. Apollinaire apoiava a destruição da sintaxe, assim como a vanguarda anterior (Futurismo) era


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a favor da invenção de palavras e de seu uso sem preocupações com normas, do verso livre e da
abolição do lirismo (estrofe, rima).



A Abstracção Lírica

     Este termo, que é muitas vezes utilizado com sentidos diferentes por autores diversos, começou
a ser empregue em França a partir de 1945 pelo crítico Pierre Restany e pelo pintor Mathieu para
designar um tipo de pintura abstracta onde os valores formais e pictóricos, de composição, de côr, de
criação de formas e signos sobrepõem-se aos valores expressivos e gestuais.
Incluem-se nesta designação a obra dos seguintes artistas: Pierre Soulages, Hans Hartung, Wols ,
Mathieu, Bryen e Riopelle.
     No sentido lato, a Abstracção Lírica, como designação estilística, é toda a Pintura Abstracta que
se opõem à Abstracção Geométrica e que não se inclui no Expressionismo, deste modo, alguns
autores incluem neste termo o grupo do Blau Reiter de Munique, especialmente devido ao sentido de
composição e harmonia da obra de Kandinsky e de Paul Klee, mas também devido á sua busca de
um sentido do espiritual na Arte.
     Devemos ter em atenção que este lirismo pictórico, muitas vezes associado ao inconsciente,
está também presente na obra de alguns Surrealistas, especialmente em Miró e Chagall.
     É na "Escola de Paris" que a Abstracção Lírica tem mais representantes. Em Portugal, na
sequência da 1ª Exposição Surrealista de 1949, João Moniz Pereira (1920-89), Fernando Azevedo
(n.1932) e pouco depois Fernando Lemos e Vespeira introduzem em Portugal uma abstracção lírica
de raiz surrealista que terá confirmação na exposição da casa Jalco de 1952 (Azevedo-Lemos-
Vespeira). A estes junta-se Joaquim Rodrigo em 1953. O 1º (e único) Salão de Arte Abstracta é em
1953 na Galeria de Março de José Augusto França (Vespeira, Lanhas, Rodrigo, Jorge Vieira,
Bertholo).


A Abstracção Geométrica

     Após algumas abordagens iniciais por António Pedro nos Poemas Dimensionais de 1935 no
âmbito Surrealista, é iniciada em 43-44 por Fernando Lanhas que as apresenta na Exposição dos
Independentes de Lisboa de 1945. Mais tarde, Joaquim Rodrigo de 58 a 61 prossegue também esta
estética, bem como Nadir Afonso.


Fauvismo


      O Fauvismo foi o nome dado ao estilo artístico francês que ocorreu no fim do século XIX, que
buscou explorar a expressividade das cores nas representações. Seus precursores foram os
famosos artistas pós-impressionistas Vincent Van Gogh e Paul Gauguin. Ambos nunca pintaram no
estilo fauvista, sendo na verdade anteriores, porém o fauvismo foi baseado em suas pinturas e em
seu estilo próprio.
      Tanto Van Gogh quanto Gauguin usavam cores vibrantes e agressivas em superfícies planas o
que imprimia à representação um grande teor dramático. Foi esta característica que foi imitada pelos
fauves, artistas do fauvismo. Este nome teve origem nas observações do crítico de arte Lois
Vauxcelles, que usou a expressão "Les fauves" para se referir aos artistas. Na realidade Vauxcelles
queria usar o nome de modo pejorativo, já que fauves significa "animais selvagens" na língua
francesa, porém o termo acabou por nomear o estilo.
      O fauvismo, na verdade, foi um período curto, durando de 1898 e 1908. Porém seu estilo ainda
permaneceu por algum tempo e revolucionou a arte. Cores fortes e vibrantes em vez das apagadas,
formas simples em vez de complexas e linhas vigorosas em vez de sutis.
      Tais características foram primeiramente observadas por Henri Matisse que ao lado de pintores
neo-impressionistas realizou experimentos com as cores. Estas experiências tinham um objectivo:
Matisse e seus companheiros buscavam uma imagem que, a seu ver, fosse mais real que a dos
impressionistas. Finalmente, em 1905, Matisse e Derain, pintaram juntos uma imagem do Sol
batendo no Mediterrâneo, usando uma técnica que envolvia pinceladas vigorosas. O resultado ficou
deslumbrante. Mais tarde, apresentados a alguns quadros de Gauguin os dois comprovaram suas

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teorias sobre as cores e, a partir daí criaram o estilo, que na verdade foi considerado como já criado
alguns anos antes.


Orfismo

     O Orfismo constitui o primeiro movimento propriamente moderno. Inicia-se em 1915, com a
revista Orpheu, que aglutinou alguns jovens insatisfeitos com a estagnação da cultura portuguesa.
De ideias futuristas, entusiasmados com as novidades trazidas pelas mudanças culturais postas em
curso com o século XX, defendiam a integração de Portugal no cenário da modernidade europeia.
Para tanto, pregavam o inconformismo e punham a actividade poética acima de tudo.
     Fernando Pessoa é a grande figura da geração, seguido de perto por Mário de Sá- Carneiro,
Alfredo Pedro Guisado, Santa Rita Pintor, Armando Cortes-Rodrigues e Almada Negreiros, este
último autor de um romance, Nome de Guerra, uma das raras obras em prosa numa geração
primordialmente poética.
     De Orpheu ainda sairia um segundo número, em 1915, mas o terceiro, anunciado para o ano
seguinte, não chegaria a vir a público.


Suprematismo

     O Surrealismo foi um movimento russo de arte abstracta que surgiu por volta de 1913. Este
movimento artístico é criado por Malevich, cruza influências do Cubismo e do Futurismo, e é uma
arte geometricamente abstracta que procura romper com o naturalismo das formas, cores, e
objectividade do mundo. Malevich baseou-se nas sugestões do matemático russo P.D. Ouspensky,
que defende haver por trás do mundo visível um outro mundo, espécie de quarta dimensão, além das
três a que os sentidos humanos têm acesso. O Suprematismo representaria essa realidade, esse
"mundo não objetivo", referido a uma ordem superior de relação entre os fenómenos - espécie de
"energia espiritual abstracta" -, que é invisível, mas nem por isso menos real.
     Com o movimento suprematista, Malevich adere à abstração e ao compromisso com a pesquisa
metódica da forma pura. O Quadrado negro sobre fundo branco, pintado entre 1913 e 1915,
constituiu uma ruptura radical com a arte existente na época. É composto por dois quadrados, um
dentro do outro, com os lados paralelos aos da tela.




                                                             Quadrado Negro Sobre Fundo Branco, Malevich,
                                                             1915




                                                                                                      10
Expressionismo


      O Expressionismo nasce como um movimento artístico no principio do séc. XX. Rompendo com
os cânones académicos, este movimento surge principalmente como um grito de revolta ao
Impressionismo (cujas características são o naturalismo e o realismo. Uma arte individualista,
emocional, e representativa do estado psicológico e sentimentos do artista em si. É uma explosão de
cores violentas, e formas sinistras, que exprimem o ponto de vista do artista e emoções. O
Expressionismo defende a liberdade individual, a primazia da expressão subjectiva, o irracionalismo,
o arrebatamento e os temas proibidos – o excitante, demoníaco, sexual, fantástico ou pervertido.
Este estilo é usualmente usado para exprimir a solidão e miséria humana, principalmente no
ambiente da Primeira Guerra e Segunda Guerra Mundial.
      O Expressionismo também se manifestou na literatura. Os escritores expressionistas criticaram
a sociedade burguesa da sua época, o militarismo do governo do cáiser, a alienação do indivíduo na
era industrial e a repressão familiar, moral e religiosa, pelo qual se sentiam vazios, sós, entediados,
numa profunda crise existencial. O escritor concentra-se no seu ponto de vista e o que sente
interiormente, procura a essência das coisas e mostra a sua visão particular. Também escolhem
temáticas até então proibidas, como a sexualidade, a doença e a morte, ou enfatizando aspectos
como o sinistro, o macabro, o grotesco. Formalmente, recorrem a um tom épico, exaltado, patético,
renunciando à gramática e às relações sintáticas lógicas, com uma linguagem precisa, crua,
concentrada.




                                        Tirol (1914), de Franz Marc




                                                                                                    11
Dadaísmo


      O movimento Dadá ou Dadaísmo surgiu em Zurique em 1916, no decurso da Primeira
movimento de carácter anti-racional claramente contrário à Primeira Guerra Mundial e aos padrões
da arte estabelecida na época. É um opositor a qualquer tipo de equilíbrio, é de um cepticismo
absoluto, combina o pessimismo irónico e a ingenuidade radical, e é essencialmente um estilo de
improvisação. É um movimento que protesta contra uma civilização que não consegue evitar a
guerra, sendo a negação total da cultura, procurando chocar com o seu estilo aleatório, com o
absurdo, incoerência, desordem e caos. A sua especialidade era o Ready-Made, ou seja, uma obra
feita na hora.




                                                                   A Fonte, Duchamp




Surrealismo


O Surrealismo é um movimento artístico e literário que surgiu em Paris na década de 1920.
È um movimento que reúne artistas antigamente ligados ao Dadaísmo.
Foi o escritor André Breton o primeiro a utilizar o termo, ao publicar o "Manifesto Surrealista", em
1924. Os artistas deste movimento acreditavam que a arte deveria se libertar das exigências da
lógica e da razão e ir além da consciência do dia-a-dia, para poder expressar o inconsciente, a
imaginação e os sonhos. Baseavam-se também nos estudos de Sigmund Freud, considerado o pai
da psicanálise, sobretudo na sua obra mais conhecida, "A Interpretação dos Sonhos", em que Freud
descreve o funcionamento do inconsciente e a forma como ele aflora nos sonhos.
Por trás dessas obras cheias de sonho, os pintores surrealistas tinham um propósito bem real. O
surrealismo foi um movimento surgido num período entre guerras, e tinha o propósito de rejeitar o
racionalismo e a lógica, que, usados ao extremo, haviam levado a Europa a ser destruída por armas
e bombas construídas graças ao uso desmedido da ciência.




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A persistência da Memória, Salvador Dali




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Bibliografia


Livros de apoio:

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Título: História da Cultura e das Artes 11º ano 3ª Parte
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http://auladeliteraturaportuguesa.blogspot.com/2010/02/interseccionismo.html


http://epavgestao0306.blogspot.com/2005/11/sensacionismo.html

http://pt.scribd.com/doc/3373945/Literatura-Aula-21-Modernismo-em-Portugal

http://pt.wikipedia.org/wiki/Modernismo_em_Portugal




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O Modernismo

  • 1. Profª Marcela Neves Modernismo Bernardo Mora nº5 David Mocinha nº12 Hugo Jesus nº18 João Machado nº 20 Lisboa - 2011 1
  • 2. Índice Introdução p3 Modernismo p4 Modernismo em Portugal p5 Movimentos artísticos de vanguarda p6 Futurismo p6 Interseccionismo p7 Sensacionismo p7 Cubismo p8 Abstracção Lírica p9 Abstracção Geométrica p9 Fauvismo p9 Orfismo p 10 Suprematismo p 10 Expressionismo p 11 Dadaísmo p 12 Surrealismo p 13 Bibliografia p 14 2
  • 3. Introdução O Modernismo foi um período que caracterizou o século XX, onde o mundo recebe uma nova mentalidade, abraça uma nova versão do que é mundo aproveitado nas suas vertentes máximas. É claro que isso só é possível com a intervenção de artistas que se manifestam desde a literatura à pintura. Este trabalho procura a compreensão do que foi, na sua dimensão total, o Modernismo e todo o período em que o mundo moderno surge. Falaremos dos movimentos que surgiram neste período, todas as manifestações artísticas que se manifestaram no surgimento deste novo mundo. 3
  • 4. Modernismo O século XX foi marcado não só por crises e rupturas, mas também por um avanço tecnológico e científico que inova com a abundância de máquinas e torna a miséria e o descontentamento cada vez mais evidente. O antigo capitalismo de um movimento global de acção por parte das empresas e ao seu consequente lucro, torna-se numa crise profunda que faz surgir a Primeira Guerra Mundial, que duraria dois anos, iniciando-se a 1914, e à Revolução Russa (1917). A cultura precisava da colaboração da sociedade e o desconforto em que seguia a época, fez com que Nietzsche, um filósofo alemão, contrastando com os fundamentos morais que, segundo este, descendiam da cultura grega e judaico-cristã, redefinir novos valores e empreender a vida ao máximo. Freud e Einstein foram outros intelectuais que contribuíram para esta "revolução empreendedora", com a criação da Psicanálise, criada por Freud, que expõe o homem na sexualidade, no significado dos sonhos, entre outros; e com a criação da teoria da relatividade de Einstein (1905) que revoluciona a ciência com a dúvida no conhecimento científico. O Mundo assume uma estabilidade satisfatória mas com a Primeira Guerra Mundial a insegurança fez com que a Europa se atrasasse. Os artistas reagem ao cepticismo social e ao espírito derrotado, criando obras cheias de sarcasmo, ironia e provocação. O principal objectivo assumiu-se com a necessidade da redescoberta do mundo e com a vontade de experimentar o novo. Não só na música mas também na pintura, bem como todas as formas de expressão artística e na literatura recusa-se o velho, o dramático e o narrativo tradicionais. As personagens que deram asas a literatura modernista são pessoas vulgares longe de heróicos por tradição, clássicos ou românticos, foram nomeadamente os protagonistas de três das mais emblemáticas obras deste período: • Ulisses, James Joyce • O Processo, Kafka • O Livro do Desassossego, Bernardo Soares (Fernando Pessoa) O indivíduo perde a identidade, como foi o caso de Fernando Pessoa, que se transforma em heterónimos, outras pessoas que fazem com que desdobre a sua integridade, inspirado na psicanálise de Freud, onde existe um eu que nasce do eu como se tratasse de uma personalidade dupla. Fernando Pessoa representa-a através da linguagem criativa e original frisando o novo e o inesperado, como que uma língua nova criada. As artes visuais sentiram igualmente a mentalidade de reinvenção e começa o uso de técnicas impensáveis anteriormente, como por exemplo, a colagem. Pablo Picasso, As três dançarinas (1925). 4
  • 5. Modernismo em Portugal As primeiras manifestações modernistas começaram a surgir no período compreendido entre as duas guerras mundiais, período marcado por profundas transformações político-sociais em toda a Europa, não só em Portugal. Didacticamente, o Modernismo português tem início em 1915, com o lançamento do primeiro número da Revista Orpheu, revista que, inspirada pelos movimentos da Vanguarda Europeia, desejava romper com o convencionalismo, com as idealizações românticas, chocando a sociedade da época. Vários artistas participaram na elaboração da revista, entre eles destacaram-se: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros. Os escritores do Orfismo, como ficaram conhecidos, queriam imprimir à literatura portuguesa as inovações europeias. Anos depois, em 1927, outra importante revista passa a ser divulgadora dos novos ideais modernistas – A Revista Presença, que teve como maior representante, o escritor José Régio. Fernando Pessoa criou vários heterônimos que apresentavam características particulares e que por isso escreviam textos bem diversos. Os heterónimos mais importantes foram Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, embora tivesse usado outros menos conhecidos. Os textos de Alberto Caeiro são marcados pela ingenuidade e pela linguagem simples. Os seus versos são livres e falam do amor à natureza e à simplicidade da vida no campo. Recusa qualquer explicação filosófica sobre a vida. Caeiro pensa com os sentidos, não com a razão, pois para ele a felicidade reside em não pensar. Os textos de Ricardo Reis caracterizam-se pelo estilo erudito e clássico enquanto que Alberto Caeiro era sinónimo de sensibilidade e Ricardo Reis é extremamente racional. A sua linguagem é rebuscada e complexa. Ele usa com muita frequência a mitologia clássica. Tinha plena consciência da brevidade da vida, o que lhe provocava muito sofrimento. Álvaro de Campos era o poeta do futuro, da velocidade, das máquinas, do tempo presente, identificado com a Vanguarda Europeia. Os seus textos são contraditórios: ora marcados por uma grande energia, ora revelando a crise dos valores espirituais e a angústia do homem do seu tempo, inadaptado às condutas sociais. Enquanto Alberto Caeiro pensava com os sentidos e Ricardo Reis com a razão, Álvaro de Campos, pensava com a emoção. A produção ortónima de Fernando Pessoa apresenta características bem diferentes das encontradas nos seus heterónimos. Fernando Pessoa expressa um profundo sentimento nacionalista e um apego à tradição portuguesa. A sua produção literária é dividida em: lírica e épica. O livro “Mensagem” é um exemplo da sua obra épica. Nele Fernando Pessoa, numa clara aproximação com Camões, vai falar dos grandes feitos portugueses, dos reis e da época das grandes navegações. Outra figura importante do Modernismo português é Mário de Sá-Carneiro, que também fez parte do grupo de escritores responsáveis pela publicação da Revista Orpheu em 1915. Ele era o responsável pela parte financeira da revista, tanto que após o seu suicídio, em 1916, com apenas 26 anos, a revista não circulou mais. Os seus textos são marcados por um forte sentimento de inadaptação ao mundo e por muito subjectivismo. Mário de Sá-Carneiro procurou compreender o porquê de sua existência, mas não o encontrou, acabando por se perder nele mesmo. 5
  • 6. Movimentos artísticos de vanguarda Futurismo O movimento estético denominado Futurismo foi iniciado pelo escritor italiano Filippo Marianetti, em 1909, com a publicação do Manifesto Futurista, O Futurismo é um movimento de exaltação de todo o dinamismo e velocidade que, em Portugal, teve grande influência na geração de Orpheu que só foi possível com a existência de Almada Negreiros, Amadeu de Souza-Cardozo e Fernando Pessoa, com a procura de inovação e novo esteticismo. Todo o dinamismo, velocidade. força e até mesmo situações de paroxismo, com toda a consciência de poder e triunfo, denominam sucintamente o movimento estético futurismo. Os principais artistas que representaram o Futurismo foram, entre outros, Umberto Boccioni, Giacomo Balla, Carlo Carrá e Gino Severini. Em cima: Umberto Boccioni, Museu de Arte Moderna, Nova Iorque Em baixo: Umberto Boccioni, Estados de Espírito I, Os Adeuses (1911) 6
  • 7. Interseccionismo O Iterseccionismo foi um movimento literário de vanguarda criado por Fernando Pessoa. Este movimento caracteriza-se pela intersecção de vários níveis simultâneos de realidade num poema, nomeadamente o sonho e a realidade, o presente e o passado, o eu e o outro, etc. Exemplo desta estética é o poema "Chuva Oblíqua", confrontando-nos com o intercalamento entre, nomeadamente, a realidade e o sonho, o interior e o exterior (imagens vindas do interior da nossa consciência ou do exterior), a visão e a audição, etc. O próprio, Fernando Pessoa, considera esta poesia nos "arredores da sua sinceridade", uma experiência lúdica que o autor abandona mais tarde. Este movimento apresenta semelhanças com a pintura futurista na medida em que a velocidade, força e aceleração ganham uma importância modernista, onde será preciso imagens guardadas pela nossa memória para decifrar o que é-nos mostrado. É ainda classificável pela "Geração de Orpheu" uma espécie de cubismo narrativo. Chuva Oblíqua, Fernando Pessoa: «Não sei quem me sonho... Súbito toda a água do mar do porto é transparente e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada, Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto, E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro, E passa para o outro lado da minha alma... (...) Que pandeiretas o silêncio deste quarto!... As paredes estão na Andaluzia... Há danças sensuais no brilho fixo da luz... De repente todo o espaço pára..., Pára, escorrega, desembrulha-se..., E num canto do teto, muito mais longe do que ele está, Abrem mãos brancas janelas secretas E há ramos de violetas caindo De haver uma noite de Primavera lá fora Sobre o eu estar de olhos fechados... » No poema cruzam-se a paisagem presente e ausente, o actual e o pretérito, o real e o sonho, sendo o poeta uma alma dividida, que capta subtis correspondências de sensações. Sensacionismo É um termo que foi criado por Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro. Foi explicado pelo primeiro ao longo de vários ensaios, apontamentos e escritos. O Sensacionismo assume-se como princípio psicológico e estético, concebendo a sensação como única realidade. Fernando Pessoa defendia que a arte deveria levar a cabo uma decomposição das sensações, de forma a tornar consciente no homem, a estrutura da realidade, decomposta nos seus vários elementos. Portanto, na base da arte estaria sempre a sensação. Esta baseia-se em três princípios artísticos: o da sensação, o da sugestão e o da construção. Estava sujeita a uma intelectualização (tomada de consciência da sensação), o que lhe permitiria ser expressa. Pessoa pretendeu estender este principio à análise de vários autores seus contemporâneos, incluindo-se a si mesmo,e a uma perspectiva histórico-literária. As contradições que encontramos na teorização do sensacionismo são reflexas da própria complexidade das ideias de Pessoa. 7
  • 8. Excerto de Álvaro de Campos onde predomina o sensacionismo: “Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. Sentir tudo de todas as maneiras. Sentir tudo excessivamente. Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas. E toda a realidade é um excesso, uma violência. Uma alucinação extraordinariamente nítida que vivemos todos em comum com a fúria das almas. O centro para onde tendem as estranhas forças centrifugas que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.” Cubismo O Cubismo surge com o pintor francês Paul Cézanne que introduziu em suas obras a distorção nas formas e os formatos bidimensionais. Mas é em 1907, que o Cubismo é retratado com maior ênfase nas pinturas do principal representante deste movimento: Pablo Picasso, ao lado de Georges Braque. O quadro de Picasso intitulado pelo autor de “Demoiselles d’Avignon” retrata e prenuncia as características cubistas: formatos geométricos, sensação de pintura escultural e a superposição de partes de um objecto sob um mesmo plano. Demoiselles d’Avignon, Pablo Picasso A pintura cubista destaca as formas geométricas como meio de expressão: cones, cilindros, esferas, pirâmide, prismas. Os formatos embaçados na matemática geométrica possibilitam ao espectador a visualização espacial da imagem, ou seja, o objecto pode ser visto por ângulos diferentes. A visão cubista tem a função de ilustrar na arte a decomposição, fragmentação e recomposição da realidade através das estruturas geométricas. Os artistas cubistas trazem uma ruptura com a perspectiva de visualizar o mundo sob um só ângulo, uma só perspectiva. Então, o usufruto de colagens, montagens, a superposição de figuras, a simultaneidade são características marcantes dos cubistas. A literatura no Cubismo também retratou a fragmentação e a geometrização da realidade por meio da linguagem: as palavras são soltas e são dispostas no papel a fim de conceber uma imagem. O Cubismo surgiu nos meios literários com o manifesto-síntese de Guillaume Apollinaire, em 1913. Apollinaire apoiava a destruição da sintaxe, assim como a vanguarda anterior (Futurismo) era 8
  • 9. a favor da invenção de palavras e de seu uso sem preocupações com normas, do verso livre e da abolição do lirismo (estrofe, rima). A Abstracção Lírica Este termo, que é muitas vezes utilizado com sentidos diferentes por autores diversos, começou a ser empregue em França a partir de 1945 pelo crítico Pierre Restany e pelo pintor Mathieu para designar um tipo de pintura abstracta onde os valores formais e pictóricos, de composição, de côr, de criação de formas e signos sobrepõem-se aos valores expressivos e gestuais. Incluem-se nesta designação a obra dos seguintes artistas: Pierre Soulages, Hans Hartung, Wols , Mathieu, Bryen e Riopelle. No sentido lato, a Abstracção Lírica, como designação estilística, é toda a Pintura Abstracta que se opõem à Abstracção Geométrica e que não se inclui no Expressionismo, deste modo, alguns autores incluem neste termo o grupo do Blau Reiter de Munique, especialmente devido ao sentido de composição e harmonia da obra de Kandinsky e de Paul Klee, mas também devido á sua busca de um sentido do espiritual na Arte. Devemos ter em atenção que este lirismo pictórico, muitas vezes associado ao inconsciente, está também presente na obra de alguns Surrealistas, especialmente em Miró e Chagall. É na "Escola de Paris" que a Abstracção Lírica tem mais representantes. Em Portugal, na sequência da 1ª Exposição Surrealista de 1949, João Moniz Pereira (1920-89), Fernando Azevedo (n.1932) e pouco depois Fernando Lemos e Vespeira introduzem em Portugal uma abstracção lírica de raiz surrealista que terá confirmação na exposição da casa Jalco de 1952 (Azevedo-Lemos- Vespeira). A estes junta-se Joaquim Rodrigo em 1953. O 1º (e único) Salão de Arte Abstracta é em 1953 na Galeria de Março de José Augusto França (Vespeira, Lanhas, Rodrigo, Jorge Vieira, Bertholo). A Abstracção Geométrica Após algumas abordagens iniciais por António Pedro nos Poemas Dimensionais de 1935 no âmbito Surrealista, é iniciada em 43-44 por Fernando Lanhas que as apresenta na Exposição dos Independentes de Lisboa de 1945. Mais tarde, Joaquim Rodrigo de 58 a 61 prossegue também esta estética, bem como Nadir Afonso. Fauvismo O Fauvismo foi o nome dado ao estilo artístico francês que ocorreu no fim do século XIX, que buscou explorar a expressividade das cores nas representações. Seus precursores foram os famosos artistas pós-impressionistas Vincent Van Gogh e Paul Gauguin. Ambos nunca pintaram no estilo fauvista, sendo na verdade anteriores, porém o fauvismo foi baseado em suas pinturas e em seu estilo próprio. Tanto Van Gogh quanto Gauguin usavam cores vibrantes e agressivas em superfícies planas o que imprimia à representação um grande teor dramático. Foi esta característica que foi imitada pelos fauves, artistas do fauvismo. Este nome teve origem nas observações do crítico de arte Lois Vauxcelles, que usou a expressão "Les fauves" para se referir aos artistas. Na realidade Vauxcelles queria usar o nome de modo pejorativo, já que fauves significa "animais selvagens" na língua francesa, porém o termo acabou por nomear o estilo. O fauvismo, na verdade, foi um período curto, durando de 1898 e 1908. Porém seu estilo ainda permaneceu por algum tempo e revolucionou a arte. Cores fortes e vibrantes em vez das apagadas, formas simples em vez de complexas e linhas vigorosas em vez de sutis. Tais características foram primeiramente observadas por Henri Matisse que ao lado de pintores neo-impressionistas realizou experimentos com as cores. Estas experiências tinham um objectivo: Matisse e seus companheiros buscavam uma imagem que, a seu ver, fosse mais real que a dos impressionistas. Finalmente, em 1905, Matisse e Derain, pintaram juntos uma imagem do Sol batendo no Mediterrâneo, usando uma técnica que envolvia pinceladas vigorosas. O resultado ficou deslumbrante. Mais tarde, apresentados a alguns quadros de Gauguin os dois comprovaram suas 9
  • 10. teorias sobre as cores e, a partir daí criaram o estilo, que na verdade foi considerado como já criado alguns anos antes. Orfismo O Orfismo constitui o primeiro movimento propriamente moderno. Inicia-se em 1915, com a revista Orpheu, que aglutinou alguns jovens insatisfeitos com a estagnação da cultura portuguesa. De ideias futuristas, entusiasmados com as novidades trazidas pelas mudanças culturais postas em curso com o século XX, defendiam a integração de Portugal no cenário da modernidade europeia. Para tanto, pregavam o inconformismo e punham a actividade poética acima de tudo. Fernando Pessoa é a grande figura da geração, seguido de perto por Mário de Sá- Carneiro, Alfredo Pedro Guisado, Santa Rita Pintor, Armando Cortes-Rodrigues e Almada Negreiros, este último autor de um romance, Nome de Guerra, uma das raras obras em prosa numa geração primordialmente poética. De Orpheu ainda sairia um segundo número, em 1915, mas o terceiro, anunciado para o ano seguinte, não chegaria a vir a público. Suprematismo O Surrealismo foi um movimento russo de arte abstracta que surgiu por volta de 1913. Este movimento artístico é criado por Malevich, cruza influências do Cubismo e do Futurismo, e é uma arte geometricamente abstracta que procura romper com o naturalismo das formas, cores, e objectividade do mundo. Malevich baseou-se nas sugestões do matemático russo P.D. Ouspensky, que defende haver por trás do mundo visível um outro mundo, espécie de quarta dimensão, além das três a que os sentidos humanos têm acesso. O Suprematismo representaria essa realidade, esse "mundo não objetivo", referido a uma ordem superior de relação entre os fenómenos - espécie de "energia espiritual abstracta" -, que é invisível, mas nem por isso menos real. Com o movimento suprematista, Malevich adere à abstração e ao compromisso com a pesquisa metódica da forma pura. O Quadrado negro sobre fundo branco, pintado entre 1913 e 1915, constituiu uma ruptura radical com a arte existente na época. É composto por dois quadrados, um dentro do outro, com os lados paralelos aos da tela. Quadrado Negro Sobre Fundo Branco, Malevich, 1915 10
  • 11. Expressionismo O Expressionismo nasce como um movimento artístico no principio do séc. XX. Rompendo com os cânones académicos, este movimento surge principalmente como um grito de revolta ao Impressionismo (cujas características são o naturalismo e o realismo. Uma arte individualista, emocional, e representativa do estado psicológico e sentimentos do artista em si. É uma explosão de cores violentas, e formas sinistras, que exprimem o ponto de vista do artista e emoções. O Expressionismo defende a liberdade individual, a primazia da expressão subjectiva, o irracionalismo, o arrebatamento e os temas proibidos – o excitante, demoníaco, sexual, fantástico ou pervertido. Este estilo é usualmente usado para exprimir a solidão e miséria humana, principalmente no ambiente da Primeira Guerra e Segunda Guerra Mundial. O Expressionismo também se manifestou na literatura. Os escritores expressionistas criticaram a sociedade burguesa da sua época, o militarismo do governo do cáiser, a alienação do indivíduo na era industrial e a repressão familiar, moral e religiosa, pelo qual se sentiam vazios, sós, entediados, numa profunda crise existencial. O escritor concentra-se no seu ponto de vista e o que sente interiormente, procura a essência das coisas e mostra a sua visão particular. Também escolhem temáticas até então proibidas, como a sexualidade, a doença e a morte, ou enfatizando aspectos como o sinistro, o macabro, o grotesco. Formalmente, recorrem a um tom épico, exaltado, patético, renunciando à gramática e às relações sintáticas lógicas, com uma linguagem precisa, crua, concentrada. Tirol (1914), de Franz Marc 11
  • 12. Dadaísmo O movimento Dadá ou Dadaísmo surgiu em Zurique em 1916, no decurso da Primeira movimento de carácter anti-racional claramente contrário à Primeira Guerra Mundial e aos padrões da arte estabelecida na época. É um opositor a qualquer tipo de equilíbrio, é de um cepticismo absoluto, combina o pessimismo irónico e a ingenuidade radical, e é essencialmente um estilo de improvisação. É um movimento que protesta contra uma civilização que não consegue evitar a guerra, sendo a negação total da cultura, procurando chocar com o seu estilo aleatório, com o absurdo, incoerência, desordem e caos. A sua especialidade era o Ready-Made, ou seja, uma obra feita na hora. A Fonte, Duchamp Surrealismo O Surrealismo é um movimento artístico e literário que surgiu em Paris na década de 1920. È um movimento que reúne artistas antigamente ligados ao Dadaísmo. Foi o escritor André Breton o primeiro a utilizar o termo, ao publicar o "Manifesto Surrealista", em 1924. Os artistas deste movimento acreditavam que a arte deveria se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência do dia-a-dia, para poder expressar o inconsciente, a imaginação e os sonhos. Baseavam-se também nos estudos de Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise, sobretudo na sua obra mais conhecida, "A Interpretação dos Sonhos", em que Freud descreve o funcionamento do inconsciente e a forma como ele aflora nos sonhos. Por trás dessas obras cheias de sonho, os pintores surrealistas tinham um propósito bem real. O surrealismo foi um movimento surgido num período entre guerras, e tinha o propósito de rejeitar o racionalismo e a lógica, que, usados ao extremo, haviam levado a Europa a ser destruída por armas e bombas construídas graças ao uso desmedido da ciência. 12
  • 13. A persistência da Memória, Salvador Dali 13
  • 14. Bibliografia Livros de apoio: Título: Plural - Português 12º ano/Ensino Secundário Autoras: Elisa Costa Pinto, Vera Saraiva Baptista e Paula Fonseca Lisboa Editora, S.A. Título: História da Cultura e das Artes 11º ano 3ª Parte Autoras: Ana Lídia Pinto, Fernanda Meireles, Manuela Cernadas Cambotas Porto Editora Sites de apoio: http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/portugues/portugues_trabalhos/fernpes soaorton.htm http://www.infopedia.pt/$interseccionismo http://auladeliteraturaportuguesa.blogspot.com/2010/02/interseccionismo.html http://epavgestao0306.blogspot.com/2005/11/sensacionismo.html http://pt.scribd.com/doc/3373945/Literatura-Aula-21-Modernismo-em-Portugal http://pt.wikipedia.org/wiki/Modernismo_em_Portugal 14